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segunda-feira, 17 de agosto de 2026

Mais um estudo científico a alertar porque é que as crianças olham tanto para alimentos pouco saudáveis nas idas ao supermercado

A recente investigação australiana que revelou que as crianças passam cerca de 17% do tempo de compras fixadas em locais estratégicos e que 99% dessa atenção vai para produtos pouco saudáveis insere-se num corpo científico sólido e em constante crescimento. A forma como o design das lojas e as embalagens capturam a atenção infantil tem sido amplamente documentada por investigadores em todo o mundo. A ciência comportamental e a nutrição comunitária há muito que analisam o fenómeno do "pester power" (o poder de persuasão e insistência das crianças sobre os pais durante as compras), e as técnicas de monitorização visual moderna, como a tecnologia de rastreamento ocular (eye-tracking), apenas vieram confirmar numericamente o que a observação direta e a psicologia do consumo já haviam mapeado.

A atenção das crianças aos ultraprocessados não é acidental, pois responde a estímulos biológicos e visuais diretos. A este respeito, a fixação visual automática em alimentos calóricos demonstra como o cérebro está programado para o consumo; um estudo publicado no PMC (PubMed Central) revelou que o cérebro humano está naturalmente programado para detetar e fixar o olhar em alimentos com maior densidade calórica de forma mais rápida. No entanto, enquanto os adultos conseguem exercer autorregulação e desviar o olhar, as crianças mantêm o foco visual preso nesses produtos, tornando-as o alvo perfeito para estratégias no ponto de venda.

A par desta vulnerabilidade biológica, o impacto das mascotes e personagens nas embalagens surge como uma das ferramentas mais poderosas no retalho. A investigação divulgada pelo MDPI / Nutrients avaliou a influência das personagens de desenhos animados e das cores vivas na escolha alimentar infantil, concluindo que estes elementos ativam respostas emocionais e comportamentos impulsivos no momento de decisão, sobrepondo-se a qualquer noção de valor nutricional.

Por fim, a importância da posição nas prateleiras completa este ciclo de atração no retalho. A localização estratégica nas pontas de corredor e junto às caixas registadoras explora a vulnerabilidade do momento final da compra, e os relatórios analíticos sobre o ambiente de consumo publicados pela World Health Organization (WHO) alertam que a exposição contínua a alimentos ricos em gorduras, açúcar e sal (HFSS) nas zonas de maior circulação dos supermercados correlaciona-se diretamente com um aumento substancial nas solicitações de compra por parte dos mais novos.

Para ler mais sobre o impacto do ambiente alimentar e das estratégias de marketing na saúde infantil, pode consultar investigações focadas em estudos com eye-tracking, tais como a Atenção visual e atratividade das embalagens alimentares nas crianças (PMC / PubMed Central) ou a Monitorização ocular de estímulos de marketing alimentar no retalho (MDPI Nutrients). Caso pretenda aprofundar estudos de impacto comportamental e políticas públicas sem eye-tracking, recomenda-se o Manual da Organização Mundial da Saúde sobre restrições ao marketing alimentar infantil (WHO) e a análise sobre O papel da exposição no ponto de venda e o comportamento de compra familiar (Appetite / ScienceDirect).

domingo, 16 de agosto de 2026

A carne vegetal entre a urgência planetária e a realidade do prato

A transição para um sistema alimentar de base vegetal vive atualmente um dos seus momentos mais paradoxais. Se, por um lado, a comunidade científica mundial reforça que mudar a forma como nos alimentamos é uma urgência ambiental e de saúde pública, por outro, a realidade dos supermercados e o comportamento dos consumidores mostram que a aceitação da carne vegetal continua a enfrentar barreiras profundas.

Do ponto de vista da urgência global, o diagnóstico da ciência é inequívoco. Como lembra a Plant Based Foods Association (PBFA) na sua tomada de posição sobre o Relatório da Comissão EAT-Lancet, a chamada "Dieta da Saúde Planetária" não é uma tendência passageira, mas sim um modelo desenhado por especialistas globais para garantir a nutrição humana sem ultrapassar os limites ecológicos da Terra. A redução drástica do consumo de carne animal e o aumento de alimentos de origem vegetal surgem aí como imperativos para mitigar as alterações climáticas, conter a desflorestação e prevenir doenças crónicas. Esta urgência é suportada pela evolução geral do mercado, onde o mais recente relatório State of the Marketplace 2024-2025 da PBFA revela que quase 60% dos lares norte-americanos já consomem produtos de base vegetal com regularidade, impulsionados pela procura de hábitos mais saudáveis.

Contudo, este crescimento no setor plant-based não se traduz de forma direta na adesão aos análogos da carne. Quando a teoria científica chega ao prato do dia a dia, esbarra na psicologia e no orçamento do consumidor habitual de carne. Um estudo da Universidade de Adelaide, publicado no Journal of Marketing Management, revela que os apelos publicitários e a consciência ambiental não chegam para vencer a perceção de risco dos consumidores. Segundo a investigação australiana, a maioria dos comedores de carne continua a rejeitar as alternativas vegetais devido ao seu elevado preço (price premium), a dúvidas quanto ao sabor e textura, e à preocupação de que estes análogos sejam produtos altamente processados. Na verdade, dados de mercado de entidades como o Good Food Institute em parceria com a Euromonitor confirmam que o chamado "Triângulo da Adoção" (Sabor, Preço e Conveniência) é o fator decisivo:mesmo em mercados maduros, a principal razão para o abandono das alternativas vegetais não é a falta de consciência ambiental, mas sim o preço elevado e expetativas frustradas quanto à textura e sabor.  A este cepticismo soma-se a percepção de risco nutricional revelada por investigações em revistas especializadas como a Appetite e a Food Quality and Preference. Muitos consumidores flexitarianos hesitam em trocar um corte de carne simples por análogos vegetais que associam a produtos ultraprocessados e com listas extensas de ingredientes. Cria-se, assim, um paradoxo: o desejo de fazer uma escolha sustentável colide com a receita da saúde e do orçamento diário. Para a grande maioria dos comedores de carne, a transição só ganhará escala real quando a indústria superar a barreira dos rótulos e entregar produtos genuinamente saborosos, acessíveis e transparentes.

Concluindo, o fosso entre o relatório EAT-Lancet e as conclusões do estudo de Adelaide demonstra que a transição alimentar não se concretizará apenas com discursos morais ou campanhas publicitárias emocionais. Enquanto as alternativas vegetais à carne não garantirem uma verdadeira paridade de preço, transparência nos ingredientes e uma experiência gastronómica equivalente à carne convencional, a sustentabilidade continuará a despertar o interesse dos consumidores na teoria, mas poucas mudanças no carrinho de compras.

Veja a íntegra da edição de 2025 do relatório e um resumo em português da Comissão EAT-Lancet aqui


sexta-feira, 29 de maio de 2026

Estudo da Greenpeace encontra microplásticos em comida para bebé, da Nestlé e da Danone, vendida em embalagens de plástico



Uma nova investigação encomendada pela Greenpeace Internacional encontrou microplásticos em comida para bebé, vendida em embalagens de plástico, por duas das maiores empresas alimentares do mundo, a Nestlé e a Danone, levantando preocupações urgentes sobre a segurança de produtos comercializados para bebés.

O relatório Tiny Plastics, Big Problem: The Hidden Risks of Plastic Pouches for Baby Food detalha os testes laboratoriais realizados a marcas populares de comida para bebé, a Gerber, da Nestlé, e a Happy Baby Organics, da Danone, nos quais foram encontradas partículas de microplásticos em todas as amostras analisadas. O teste realizado sugere também que uma série de químicos estava presente tanto nas embalagens como nos alimentos. [1] Isto sugere que a própria embalagem de plástico poderá ser a fonte da contaminação, potencialmente expondo os bebés a milhares de fragmentos microscópicos de plástico, em cada embalagem consumida.

Graham Forbes, responsável global da campanha de plásticos da Greenpeace EUA, afirmou:
“Este estudo é um choque para pais em todo o mundo, que confiam nestas marcas para fornecer alimentos seguros e nutritivos aos seus bebés. Em vez disso, empresas dependentes do plástico, como a Nestlé e a Danone, não conseguem garantir que os seus produtos estejam livres de microplásticos e químicos.”

“Hoje, falar da era do plástico vai muito além da poluição visível”, acrescenta Ana Farias Fonseca. Para a Coordenadora de Campanhas de Mobilização da Greenpeace Portugal, “estamos perante uma crise de saúde pública que começa, literalmente, no berço. Este cenário lembra-nos os exemplos das indústrias do tabaco, do amianto e do chumbo, que tentaram desacreditar a ciência para atrasar a ação política. Hoje sabemos melhor do que isso. É urgente aplicar o princípio da precaução: os fabricantes devem demonstrar que as suas embalagens são seguras, e não compete aos pais ou cientistas provar o contrário.

Este é o momento de exigir aos governos que acelerem o passo por um Tratado Global dos Plásticos forte, capaz de reduzir a produção global em pelo menos 75% até 2040 e de obrigar gigantes como a Nestlé e a Danone. a eliminar materiais nocivos em contacto com os alimentos. Mudar este sistema está nas nossas mãos.”

As principais conclusões são:
• Por cada grama de comida para bebé testada, os investigadores encontraram, em média, até 54 partículas de microplásticos nas embalagens da Gerber e até 99 partículas nas embalagens da Happy Baby Organics. Isto equivale a até 270 microplásticos por colher de chá no caso da Gerber e 495 no caso da Happy Baby Organics.
• O estudo estimou um total de mais de 5.000 partículas em cada embalagem da Gerber e mais de 11.000 partículas em cada embalagem da Happy Baby Organics.
• O estudo identificou também uma série de químicos associados ao plástico presentes tanto na embalagem como no alimento, incluindo a presença de um potencial disruptor endócrino nas amostras da Gerber testadas.
• O estudo sugere uma ligação entre o polietileno, o plástico com que as embalagens são revestidas, e alguns dos microplásticos encontrados na comida para bebé testada.

As embalagens flexíveis de plástico para espremer tornaram-se rapidamente o formato dominante de embalagem para comida de bebé em todo o mundo, impulsionadas pela conveniência e por estratégias agressivas de marketing. É o formato de embalagem com crescimento mais rápido, com um aumento anual de 8,1% até 2031, representando 37,15% do mercado global em volume em 2025, ultrapassando todas as outras formas de embalagem, incluindo os tradicionais frascos de vidro. Atualmente, milhões destas embalagens de utilização única são compradas diariamente, o que significa que milhões de bebés podem estar a ingerir microplásticos juntamente com a sua comida. Os bebés podem ser particularmente vulneráveis a este tipo de exposição devido ao rápido desenvolvimento dos seus órgãos e à maior ingestão de alimentos em relação ao seu peso corporal.

Esta tendência faz parte de um aumento mais amplo da produção e utilização de plástico, em grande parte impulsionado pelas grandes empresas de bens de consumo. Só as embalagens representam cerca de 40% da produção global de plástico. Um dos segmentos em crescimento mais rápido é o das embalagens plásticas flexíveis e multicamada, como as bolsas e saquetas de comida para bebé, que são notoriamente difíceis de reciclar e uma importante fonte de poluição em algumas regiões.

A Nestlé e a Danone têm aparecido repetidamente entre os maiores poluidores por plástico do mundo em auditorias globais de marcas conduzidas pelo movimento Break Free From Plastic.

A Greenpeace apela à Nestlé, à Danone e a todos os produtores de comida para bebé para que investiguem urgentemente os seus produtos, provem que não estão a colocar crianças pequenas em risco de exposição e se comprometam a eliminar progressivamente as embalagens de plástico, substituindo-as por alternativas reutilizáveis, livres de plástico e não tóxicas.

Enquanto os governos negoceiam o Tratado Global dos Plásticos das Nações Unidas, a Greenpeace exige que os negociadores atuem com urgência para proibir estes produtos, reduzir a produção de plástico e acabar com a contaminação descontrolada e não regulamentada por plásticos e químicos que ameaça a saúde humana.

“A poluição por plástico não está apenas a destruir o nosso ambiente, está a entrar nos nossos corpos, começando na infância. A forma como a nossa comida é embalada é pensada para o lucro, não para a saúde das pessoas. Reduzir a produção de plástico e eliminar os químicos nocivos é essencial para proteger a saúde humana, especialmente a saúde das nossas crianças”, afirmou Forbes.

Notas:
[1] O estudo foi realizado pela SINTEF Ocean, na Noruega, em 2025, e encomendado pela Greenpeace Internacional. Foram testadas três embalagens de cada um dos dois produtos de comida para bebé: puré de iogurte da marca Gerber, da Nestlé, e puré de fruta da marca Happy Baby Organics, da Danone. Os produtos foram analisados tal como vendidos, sem serem aquecidos.

As fotografias podem ser acedidas na Greenpeace Media Library.

Assina a petição aqui

sábado, 14 de fevereiro de 2026

A epidemia invisível dos ultraprocessados


Nas prateleiras dos supermercados, embalagens coloridas prometem conveniência, sabor imediato e preços acessíveis. Mas por detrás dessa sedução industrial esconde-se uma ameaça que a ciência tem vindo a estudar e não permite ignorar. Um estudo internacional publicado na The Lancet, assinado por 43 especialistas de vários países, revela que os alimentos ultraprocessados não são apenas "menos saudáveis” são agentes ativos de doença, com impacto mensurável em praticamente todos os órgãos humanos.

Os números impressionam. Em países como EUA, Reino Unido e Austrália, metade das calorias ingeridas diariamente provém de ultraprocessados. Snacks embalados, refrigerantes, refeições prontas e cereais artificiais tornaram-se rotina, substituindo alimentos frescos e minimamente processados. O estudo identificou mais de 30 associações distintas entre o consumo destes produtos e doenças crónicas: obesidade, diabetes tipo 2, hipertensão, problemas cardiovasculares, depressão e mortalidade precoce.

Mas o alerta vai mais longe. Não se trata apenas de calorias vazias ou excesso de açúcar. Os investigadores descrevem um efeito sistémico: fígado, rins, coração e cérebro mostram sinais de impacto direto. A combinação de aditivos, emulsionantes e processos industriais altera a forma como o corpo metaboliza os alimentos, criando uma espécie de “nova biologia alimentar” que fragiliza o organismo.

Esperar por "provas perfeitas" é repetir erro histórico
A comparação com o tabaco é inevitável. Tal como aconteceu no século XX, as empresas recorrem a marketing agressivo, lobbying político e estratégias de influência para atrasar regulamentações. A The Lancet avisa: esperar por “provas perfeitas” seria repetir o erro histórico de deixar que um produto nocivo se enraizasse ainda mais nas dietas globais.

O estudo não se limita à ciência. Aponta também para a política e para a desigualdade social. Os ultraprocessados são mais consumidos em comunidades vulneráveis, onde o preço e a conveniência pesam mais do que a qualidade nutricional. A crise é, portanto, dupla: sanitária e social.

​​De acordo com os inquéritos nacionais analisados pelos investigadores da série publicada na The Lancet, a presença destes produtos na dieta das famílias aumentou de forma expressiva nas últimas décadas. Em Espanha, por exemplo, a proporção de energia proveniente de ultraprocessados nas compras alimentares quase triplicou, passando de cerca de 11% para 32%. Na China, o salto foi igualmente significativo, de 4% para 10% em apenas 30 anos. A tendência repete-se na América Latina: no México e no Brasil, a contribuição energética dos ultraprocessados duplicou em 40 anos, evoluindo de 10% para 23%.

A análise mostra ainda que a proporção destes produtos na ingestão energética total varia de acordo com fatores económicos e culturais. Nos países do Sul da Europa com maior rendimento, como Portugal, Itália, Chipre e Grécia, e em algumas economias asiáticas, como Taiwan e Coreia do Sul, os ultraprocessados representam menos de um quarto da dieta. Já em nações como Austrália e Canadá, essa percentagem ultrapassa os 40%, enquanto no Reino Unido e nos EUA chega a superar metade da energia diária consumida.

Desafio não é só individual
Os especialistas pedem medidas urgentes: legislação forte, rotulagem clara com alertas visíveis, promoção ativa de dietas frescas e acessíveis e políticas públicas que enfrentam desigualdades. Para além da transparência informativa, defendem também regras mais apertadas no campo do marketing, sobretudo no que toca à publicidade dirigida a crianças e à difusão em plataformas digitais. Entre as medidas propostas está ainda a exclusão de alimentos ultraprocessados de instituições públicas, como escolas e hospitais, e a definição de limites tanto para a sua comercialização como para o espaço que ocupam nas prateleiras dos supermercados.

O desafio é global e não pode ser resolvido apenas com escolhas individuais. No fundo, o que este estudo revela é uma verdade desconfortável: os ultraprocessados são um motor silencioso da crise de saúde contemporânea. A sua omnipresença nas mesas e prateleiras representa uma ameaça comparável às epidemias de tabaco e álcool do século passado. A diferença é que, desta vez, a ciência chega cedo e clara. Falta saber se a política terá coragem de colocar a saúde antes do lucro.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2025

Hideo Tanaka


Hideo Tanaka (pintor, Japonês, nascido em 1959) - "Flowers", 2020

Hideo Tanaka não é propriamente um pintor hiper-realista. Digamos que é um pintor realista e neo-surrealista.

Tanaka pinta com um olhar muito atento ao detalhe, unindo realismo com elementos surreais.

As suas obras figurativas frequentemente retratam mulheres — muitas vezes “empoleiradas” em postes eléctricos ou semáforos — num ambiente onírico / surreal, como se estivessem prestes a uma epifania. Outras em posições fetais.

Também abundam quadros com vasos, luzes e lâmpadas, ou até refeições, convocando o espectador a uma reflexão profunda sobre a energia, o significado simbólico da luz e do nutrimento.

Apesar da componente surreal e imaginativa, os seus retratos e composições mantêm uma precisão realista nos elementos representados — gerando uma sensação nostálgica, contemplativa, em vez de assombro imediato.

quinta-feira, 16 de outubro de 2025

Dia Mundial da Alimentação: Celebrar quem garante o nosso prato cheio!

Sabia que mais de 75% das culturas alimentares do mundo dependem da polinização? Sem abelhas, borboletas, morcegos e outros polinizadores, não teríamos muitos dos alimentos que fazem parte da nossa dieta diária — como frutas, legumes, sementes e até o café e o chocolate!

Neste 16 de outubro, Dia Mundial da Alimentação, celebramos não só o direito a uma alimentação saudável e sustentável, mas também os pequenos heróis da biodiversidade que tornam isso possível: os polinizadores.

A polinização é um processo essencial para a reprodução das plantas, garantindo colheitas abundantes e diversificadas. Além disso, contribui para a saúde dos ecossistemas e para a segurança alimentar global.

Como podemos ajudar?
  • Plantar flores nativas
  • Evitar pesticidas nocivos
  • Apoiar práticas agrícolas sustentáveis
  • Participar em ações de sensibilização e educação ambiental
Hoje, mais do que nunca, é tempo de reconhecer que sem polinizadores, não há alimentação para todos. Vamos proteger quem nos alimenta!

sábado, 4 de outubro de 2025

Como responder ao colapso social


A ciência e a modelação mostram que a nossa civilização está em colapso existencial, mas e se esta realidade aterradora for o estímulo de que a humanidade necessita para voltar a viver plenamente e com realização? Nesta palestra provocadora, a autora e jornalista best-seller internacional Sarah Wilson explora o lado positivo de perder o que temos dado como garantido. Sarah Wilson é autora de vários best-sellers do New York Times e da Amazon, podcaster, filósofa social e renegada.

É a apresentadora do podcast Wild with Sarah Wilson e escreve a popular newsletter da Substack, This is Precious, que conta com uma comunidade envolvida de 57.000 subscritores.

Sarah é conhecida mundialmente por ter fundado o movimento I Quit Sugar – um programa de bem-estar digital e 13 livros premiados vendidos em 52 países – que viu milhões de pessoas em todo o mundo transformarem a sua saúde. Em 2022, Sarah vendeu o negócio e doou 100% dos lucros a instituições de solidariedade.

O seu best-seller do New York Times, First, We Make the Beast Beautiful, é descrito por Mark Manson como "o melhor livro sobre como viver com a ansiedade que já li" e foi apresentado como livro do ano no Today Show da NBC. O seu livro This One Wild & Precious Life ganhou o prémio US Gold Nautilus de 2021.

Sarah é consultora de empresas e universidades em media, saúde mental e risco existencial. Foi oradora convidada para o curso de mestrado em Sustentabilidade e Liderança da Universidade de Cambridge e estabeleceu parcerias com organizações como o Climate Council, a Universidade de Harvard e a Intelligence Squared em campanhas. Esta palestra foi proferida num evento TEDx utilizando o formato de conferência TED, mas organizado de forma independente por uma comunidade local.

quinta-feira, 18 de setembro de 2025

A castanha, uma alternativa saudável e sustentável



Antes da popularização da batata e da disseminação da doença-da-tinta (causada pelo Phytophtora cinnamoni), praga que dizimou as nossas populações de castanheiro na segunda metade do século XIX, a castanha era um dos principais alimentos presentes nos pratos dos portugueses. Uma das principais vantagens deste fruto seco, quando comparado com outras alternavas como a batata, está na sua baixa carga glicémica. A longo prazo, o consumo destes alimentos ajuda a prevenir picos de insulina, preserva a função da células beta pancreáticas, e assim contribuem para a prevenção de diabetes mellitus tipo 2. Nas últimas duas a a três décadas as dietas ocidentais, ricas em alimentos com elevada carga glicémica, têm sido associadas a uma maior prevalência de inúmeras doenças, desde patologias dermatológicas como o acne a doenças cardiovasculares ou alguns tipos de cancro. 

Em Portugal, no passado, o castanheiro foi uma das árvores mais importantes da nossa paisagem. Sabemos pelos registos históricos que era comum em locais onde entretanto desapareceu, ou teve uma redução drástica. No Norte encontra-se básicamente em Trás-os-Montes.No Sul ocorria em vales mais húmidos da serra do Caldeirão, mas no presente está totalmente ausente. A encosta Norte da Fóia, na serra de Monchique, teve um dos maiores soutos de Portugal. Havia castanheiros nas serras do Litoral Alentejano, onde ainda hoje se encontram alguns exemplares, ou na serra da Ossa, agora parcialmente coberta de eucalipto. Nas serranias da região Centro, no chamado “Pinhal Interior, em algumas freguesias, o castanheiro era provavelmente a árvore mais abundante. 

A partir da castanha podem ser produzidos licores, compotas, geleias, produtos de pastelaria ou pães. A castanha pode ser utilizada em sopas, saladas pratos de carne ou sobremesas. Infelizmente, nas regiões onde historicamente o castanheiro marcou presença, não existem empresas que transformem a castanha, e escoem e divulguem os seus produtos dentro do mercado português ou em mercados estrangeiros. 

domingo, 6 de julho de 2025

“Na alimentação, há uma tempestade perfeita a formar-se. Chama-se sindemia”, sublinha nutricionista


A alimentação é mais do que o ato de ingerirmos nutrientes essenciais à vida. Estar à mesa é, também, convivialidade e prazer. Mais, “a forma como comemos tem impacto nas questões da sustentabilidade”. Com esta frase, a nutricionista e docente Cláudia Viegas dá o mote para uma questão premente nos nossos dias: As escolhas alimentares das famílias e a sustentabilidade do planeta e do ser humano.

“Há muito que a revista The Lancet, apontou os três fenómenos cruciais com um impacto brutal sobre o futuro do planeta e das pessoas”. De acordo com a docente, um trio que se prende com a “malnutrição, sob duas formas, a desnutrição e a obesidade, a que se acrescem as alterações climáticas”.

“A malnutrição é, neste momento, a maior causa de perda de saúde em todo o mundo, seja por via da falta de alimentos, seja por via do consumo excessivo de alimentos de baixo valor nutricional”, sustenta a nutricionista.

Para Cláudia Viegas, “as alterações climáticas vão levar à produção de alimentos com menor conteúdo nutricional, diminuição da produção de alimentos o que vai encarecer o preço dos produtos”. Um caminho que “reforçará, quer a insegurança alimentar, quer a desnutrição, assim como o desvio para o consumo de alimentos processados, de elevada densidade energética”. Deste último caso podemos concluir, de acordo com a nutricionista, que “vai sair reforçado o fenómeno da obesidade”.

“Na alimentação, há uma tempestade perfeita a formar-se. Chama-se sindemia, uma sinergia de epidemias, pois os três fenómenos que elenquei ocorrem em simultâneo no tempo e no espaço”, adianta Cláudia Viegas

É uma arma para o nosso planeta todo o processo industrial por detrás da produção
“É uma arma para o nosso planeta todo o processo industrial que está por detrás da produção. A agricultura representa 15 a 23% da emissão de gases com efeito de estufa. Contudo, nesta, 12 a 19% prende-se com a produção animal”, refere a docente.

“A nossa alimentação assenta, hoje, no consumo exagerado de carne. Muito além daquilo que é admissível, com 180 a 200 gramas por refeição. Um requisito por parte do público que entende que uma grande dose de carne é uma refeição bem servida. Por exemplo, o que preocupa as famílias é que à refeição a criança coma a carne até ao fim. Não temos a mesma perceção em relação aos hortícolas”.

No que respeita à restauração Cláudia Viegas deixa uma sugestão: “As ementas ao invés de destacarem a carne ou o peixe, os refira como acompanhamentos. Aliás, chamemos-lhes isso mesmo, acompanhamentos, porque não são o componente principal, o mais importante”.

A obesidade, um grande problema
No que respeita à obesidade, “um grande problema mundial”, as recomendações da Organização Mundial da Saúde “chegam-nos desde há mais de 30 anos. Todos os países aderem. Mas, na realidade, não há mudanças que sejam consideráveis e significativas”, sustenta Cláudia, para quem “há vários motivos para que isso aconteça e, algo com um peso muito forte, a oposição por parte daqueles que são os interesses comerciais e económicos”.

Somos um público pouco exigente ou pouco consciente do impacto que a alimentação tem nas nossas vidas.
“Todos nos lembramos da polémica em torno da lei que procurava regular o conteúdo do sal dos alimentos e que acabou chumbada pela pressão dos grupos económicos. São muito poucas, mas muito poderosas as empresas que gerem grande parte daquilo que temos disponível no mercado”.

Para a docente na Escola Superior de Tecnologia da Saúde de Lisboa, “somos um público pouco exigente ou pouco consciente do impacto que a alimentação tem nas nossas vidas. Adultos e crianças têm cada vez menos literacia sobre aquilo que comemos, estando a perder-se a ligação entre o que nos aparece no prato e a origem do alimento”.

Neste âmbito, a nutricionista não poupa a indústria alimentar: “Passa-nos a ideia de que uma fruta e a congénere sob a forma bebível, em pacote, são a mesma coisa. Não o são, nem do ponto de vista nutricional, nem do ponto de vista do impacto sobre o planeta, ou mesmo naquilo que se entende sobre o que é um alimento”.

terça-feira, 20 de maio de 2025

Entrevista com Antoine de Saint-Affrique - O Futuro da Alimentação


Denis Panel (DP): Antoine de Saint-Affrique (ASA), muito obrigado por ter aceitado o nosso convite. É um enorme prazer. Como sabe, a Sycomore é especializada em investimento responsável e a Danone é uma das principais convicções das nossas equipas de gestão, pelo que estou muito contente por poder conversar consigo hoje.

ASA: Também estou muito feliz.

DP: Assumiu as rédeas da Danone há pouco mais de três anos, num momento crucial para o grupo, e encarna uma visão que é simultaneamente estratégica e profundamente enraizada nos desafios da transformação. Na Sycomore, valorizamos muito estas dinâmicas de transição e a liderança empenhada. Por isso, a minha primeira pergunta é muito simples: quais foram as principais viragens estratégicas tomadas pelo grupo sob a sua liderança desde a sua chegada que permitiram devolver o fôlego ao crescimento e aos resultados?

ASA: Há aqui uma combinação de vários fatores. O primeiro é que estamos a construir sobre bases que são extremamente fortes. Embora tenha encontrado uma empresa em crise, a cultura interna é extraordinariamente robusta e a paixão dos "danoners" é um ativo formidável para a empresa. Temos marcas fortíssimas e um negócio focado na saúde através da alimentação, o que é algo incrivelmente relevante. A partir desta base, reinventámos a empresa, voltando a colocar o ser humano no centro de tudo. Isto significou recuperar a dinâmica, a paixão pela execução, o compromisso no terreno e a abertura ao mundo. Reinvestimos de forma fundamental na investigação e na inovação, porque esse é o verdadeiro motor para o futuro e para continuarmos a criar valor diário para o consumidor e para os pacientes. Depois, é uma questão de execução, execução e mais execução. Isto dá ritmo à organização, mas também lhe confere uma cultura onde qualquer problema colocado em cima da mesa passa a ser visto como uma oportunidade. É, portanto, uma combinação de tudo isto. Houve também algumas medidas mais formais. À minha chegada, procedemos, juntamente com Gilles Schnepp, a uma mudança profunda na governação, com a renovação de quase todo o Conselho de Administração. Integrámos pessoas com uma vasta experiência, incluindo um professor de nutrição, sendo todos os restantes membros CEOs atuais ou recentes, com uma pegada internacional extraordinária e uma relevância de percurso incrível. Temos agora um Conselho extremamente forte. Além disso, quando precisamos de competências que não temos internamente, vamos procurá-las fora, como fizemos na Investigação e Desenvolvimento e nas Operações. E, finalmente, promovemos as gerações futuras. Com tudo isto, conseguimos impulsionar a empresa num ritmo e numa direção diferentes.

DP: Compreendo. Acabou por começar a responder à minha segunda pergunta, que era justamente sobre a transformação e as suas alavancas. Todos sabemos que qualquer transformação exige a adesão dos colaboradores, ou seja, o capital humano. Como trabalhou a cultura interna e a organização de liderança para motivar todos os colaboradores a entrarem nesta dinâmica?

ASA: O primeiro passo é manter o contacto direto. A cada 90 dias, eu e o meu Diretor Financeiro visitamos todas as regiões. Esta frequência tem vários objetivos. O primeiro é garantir que vivemos no mundo real: vemos os mercados, os fornecedores, os clientes e as equipas em ação no terreno todos os dias. O facto de o fazermos de forma recorrente dá ritmo à empresa e permite-nos entrar numa rotina de normalidade. Discutir os problemas abertamente ajuda-nos a ver, ao longo do tempo, quem apresenta resultados e quem não apresenta. Permite-nos compreender profundamente o tecido humano da organização e ajuda-nos também a transmitir a nossa visão e estratégia até aos níveis mais profundos da empresa. Esta é a vertente prática e de proximidade no terreno. Mas também tomamos medidas mais formais, como trabalhar os sistemas de remuneração para que fiquem totalmente alinhados com os objetivos estratégicos da empresa e com os interesses dos acionistas. E, por fim, tomamos decisões humanas. Temos pessoas que estão prontas para embarcar nesta aventura e outras que não estão preparadas ou que não têm o nível necessário para o fazer. Trata-se, portanto, de uma combinação de proximidade na gestão, clareza estratégica, uma estrutura de remunerações adequada e, acima de tudo, talento, talento e talento.

DP: Gostaria agora de voltar ao coração da atividade da Danone. Vemos que a oferta de alimentação saudável está a expandir-se, mas o comportamento dos consumidores às vezes demora a acompanhar essa mudança e a virar-se para opções mais saudáveis. Já sente o início de uma viragem nos hábitos de consumo e de que forma é que a Danone pode desempenhar um papel nesta transição?

ASA: Para nós, o mercado da alimentação está num ponto de viragem por vários motivos. Um deles é a consciencialização de que a diferença entre uma boa alimentação e uma alimentação menos boa tem consequências profundas na saúde. Estas consequências têm, naturalmente, um impacto individual, mas também um impacto social no custo da saúde e na sustentabilidade financeira dos próprios sistemas públicos de saúde. Neste momento de viragem — que se manifesta na alteração de certos hábitos, em ruturas tecnológicas como os medicamentos análogos do GLP-1 ou nas próprias políticas governamentais —, a Danone está extraordinariamente bem posicionada. E estamos bem posicionados por uma razão muito simples: o nosso foco exclusivo é a saúde através da alimentação para o maior número de pessoas. Esse é o nosso trabalho. E fazemo-lo desde o nascimento até ao momento em que possam surgir problemas de saúde. Vendemos leite infantil para o crescimento de bebés saudáveis (ou mesmo com necessidades específicas), produtos que ajudam a crescer e a manter a saúde, como o Actimel para reforçar a imunidade, ou o Activia para preservar a saúde do microbiota. E vamos ao ponto de conseguir ajudar quem enfrenta problemas de saúde graves, através de produtos de nutrição médica para doentes em tratamentos oncológicos ou indivíduos entubados. E esquecia-me da hidratação, claro, a hidratação também faz parte. O nosso negócio é a saúde através da alimentação e o nosso portefólio está exclusivamente concentrado nisso. De resto, o nosso portefólio conta atualmente com uma pontuação de 88% no sistema Health Star Rating, sendo um dos mais saudáveis do setor. Como este é o nosso negócio e a indústria está nesta fase de transição, sentimo-nos incrivelmente bem preparados para o mundo que aí vem.

DP:Perfeito. Para terminar, gostava que nos deixasse uma palavra sobre a inovação. O que significa a inovação na Danone hoje em dia?

ASA: A inovação está no centro de tudo o que a Danone sempre foi. Quando o senhor Isaac Carasso inventou o iogurte Danone em 1919, vendido em farmácias com base nos trabalhos de Metchnikoff e do Instituto Pasteur, isso foi uma inovação fundamental. A inovação sempre fez parte da nossa identidade. Nos últimos anos, reinvestimos massivamente em Investigação e Desenvolvimento porque estamos convictos de que a ciência é a base de uma inovação que seja simultaneamente relevante para o consumidor e com impacto real na saúde. Depois, isto traduz-se em várias vertentes. Passa pelo YoPro (ou IPro, dependendo do país), uma bebida proteica que ajuda na recuperação muscular de uma forma extremamente agradável. Não é um pó que se mistura com água e que não sabe bem; é um iogurte líquido que torna o que é saudável fácil e agradável de consumir, porque é genuinamente saboroso. Unimos o útil ao agradável. E vamos até às inovações absolutamente extraordinárias no campo da nutrição oncológica, apoiando a recuperação de pessoas em tratamentos oncológicos, ou, no outro extremo, com o Nurturis, que acabámos de lançar em Hong Kong — um leite infantil que é o produto mais próximo do leite materno que alguma vez desenvolvemos. Basicamente, o nosso trabalho consiste em pegar na ciência e traduzi-la em algo que traga valor real para o consumidor. É esse o nosso papel.

DP: Muito obrigado por partilhar todos estes elementos connosco, que são sem dúvida fascinantes. Mais uma vez, obrigado por ter aceitado o convite.

ASA: Foi um prazer. Muito obrigado.

domingo, 13 de abril de 2025

Vegetais e frutas congelados são mais saudáveis que os frescos?


É consensual que uma alimentação equilibrada deve incluir o consumo diário de frutas e vegetais. O ritmo de vida e o aumento dos preços é muitas vezes responsável pela tendência para cortar nesse tipo de alimentos. O consumo de legumes e frutos congelados é uma boa alternativa que, em certos casos, é até mais rica em alguns nutrientes, além de se tornar mais económica também pelo facto de evitar desperdícios.

Uma investigadora do Programa de Nutrição e Ciências dos Alimentos da Universidade do Sul da Austrália não só desfaz o mito de que "fresco é melhor", como também explica que em certos casos estes alimentos podem até ser mais ricos em alguns nutrientes quando são congelados.

Evangeline Mantzioris, diretora do Programa de Nutrição e Ciências dos Alimentos da Universidade do Sul da Austrália, explica que os vegetais e frutas congelados logo após o momento da colheita podem ser mais ricos em alguns nutrientes, como as vitaminas C e E.

A investigadora adianta que se estes produtos forem adequadamente congelados têm propriedades nutricionais equivalentes aos frescos.

"Minerais como cálcio, ferro e magnésio permanecem em níveis semelhantes nos produtos congelados em comparação com os frescos. Outra vantagem dos vegetais e frutas congelados é o potencial de redução do desperdício de alimentos, já que se pode usar apenas o que se precisa no momento", refere Mantzioris, num artigo publicado no site The Conversation.

A especialista enumera outras vantagens dos produtos congelados, nomeadamente a possibilidade de serem conservados durante mais tempo, quando são congelados logo após a colheita ou depois de comprados ao produtor, no mercado ou na feira.

Mantzioris indica também a técnica adequada para um congelamento adequado dos vegetais, que devem ser cozidos por pouco tempo em água a ferver e logo de seguida passar para água com gelo. Após este processo, o produto pode ser congelado sem perder os seus nutrientes.

"Os vegetais congelados não são adequados para saladas, mas podem ser consumidos assados ​​ou cozidos no vapor e usados ​​em sopas, ensopados, caçarolas, caril, tortas e quiches. As frutas congeladas podem ser usadas ao pequeno-almoço, com cereais, iogurte ou utilizadas na culinária de tortas e bolos de frutas, por exemplo", acrescenta a especialista.Mudar hábitos alimentares pode dar-lhe mais 10 anos de vida

Relação entre longevidade e o consumo de frutas e vegetais
A Organização Mundial da Saúde recomenda o consumo de pelo menos 400g (o equivalente a cinco porções) de frutas e vegetais por dia. O reduzido consumo destes alimentos é um dos dez principais fatores de risco associados ao desenvolvimento de doenças crónicas não transmissíveis, alerta a OMS.

Um estudo recente da Universidade de Harvard, divulgado pela Associação Americana de Saúde Pública, vem ao encontro das diretrizes da OMS ao concluir que para viver mais é recomendado o consumo de duas porções de frutas e três porções de vegetais todos os dias.

"Essa quantidade provavelmente oferece o maior benefício em termos de prevenção de doenças crónicas graves e é uma ingestão relativamente alcançável para o público em geral", refere Dong Wang, principal autor do estudo, em entrevista ao site CNBC.

Com o objetivo de investigar a relação entre longevidade, mortalidade e o consumo de frutas e vegetais, foram analisados dados de mais de 100 mil adultos desde 1984 a 2014.

Durante 30 anos, foram usados questionários de hábitos alimentar a cada dois ou quatro anos. Esta investigação também recolheu informações de outros 26 estudos sobre o consumo de frutas e vegetais.

quinta-feira, 2 de janeiro de 2025

Reduzir o consumo de carne e laticínios é uma estratégia essencial para mitigar os impactos ambientais negativos

Reduzir o consumo de carne e laticínios é uma estratégia essencial para mitigar os impactos ambientais negativos associados aos sistemas alimentares, incluindo as alterações climáticas, a perda de biodiversidade devido às alterações no uso do solo e o consumo de água doce.

Um estudo apresenta uma avaliação de alternativas à carne e ao leite, integrando análises nutricionais, de saúde, ambientais e de custo, com foco em países de elevado rendimento.

A análise incluiu 24 alternativas à carne e ao leite, comparando-as com produtos de origem animal e com alimentos vegetais não processados. O número total de participantes nos estudos analisados foi de 10000, e a duração dos estudos variou entre 6 meses e 2 anos.

Foram avaliados alimentos como ervilhas, soja, feijão, hambúrgueres vegetais, tempeh e bebidas vegetais.

Resultados:

🥗Alimentos vegetais não processados (ex.: ervilhas, soja e feijão) apresentaram o melhor desempenho em todos os critérios avaliados, incluindo benefícios ambientais, nutricionais e económicos.

🥗Produtos processados à base de plantas (ex.: hambúrgueres vegetais e leites vegetais) ofereceram vantagens substanciais em comparação com produtos de origem animal, mas com menores benefícios ambientais e custos mais elevados em relação aos alimentos não processados.

🥗A substituição de carne e laticínios por alternativas vegetais reduziu o desequilíbrio nutricional e os riscos dietéticos, diminuindo também a mortalidade associada a doenças relacionadas com a dieta.

🥗As alternativas reduziram significativamente o uso de recursos naturais, como água doce, e a poluição associada à produção de alimentos de origem animal.

O estudo mostrou que a substituição de carne e laticínios por alternativas vegetais, especialmente alimentos não processados, oferece múltiplos benefícios ambientais, nutricionais e económicos. No entanto, os produtos processados continuam a ser uma alternativa válida, mas menos vantajosa em termos ambientais e económicos.

terça-feira, 26 de novembro de 2024

Conselhos para envelhecer bem


Escrito por uma alma de 90 anos!
42 lições que a vida me ensinou
“É algo que todos deveriam ler pelo menos uma vez por semana.”
“Certifique-se de ler até o fim.”
“Para celebrar o envelhecimento, escrevi as lições que a vida me ensinou. É a coluna mais pedida que já escrevi.”
“Meu conta-quilômetro rolou para 90 em agosto, então aqui estão elas mais uma vez.”
Escrito por Regina Brett, 90 anos, do Plain Dealer, Cleveland, Ohio.
“A vida não é justa, mas ainda é boa.”
“Quando em dúvida, dê o próximo pequeno passo.”
“A vida é curta demais para desperdiçá-la.”
“Seu trabalho não cuidará de você quando estiver doente, mas seus amigos e família sim.”
“Quite seus cartões de crédito todos os meses.”
“Você não precisa vencer todas as discussões. Seja fiel a si mesmo.”
“Chore com alguém. É mais curativo do que chorar sozinho.”
“Comece a economizar para a aposentadoria no primeiro cheque de salário.”
“Quando se trata de chocolate, a resistência é inútil.”
“Faça as pazes com o passado para que ele não estrague o presente.”
“Não faz mal deixar seus filhos verem você chorar.”
“Não compare sua vida com a dos outros. Você não conhece a jornada deles.”
“Se um relacionamento precisa ser segredo, você não deveria estar nele.”
“Respire fundo. Isso acalma a mente.”
“Desfaça-se de tudo que não for útil. O peso da desordem é maior do que você imagina.”
“O que não te mata realmente te fortalece.”
“Nunca é tarde demais para ser feliz. Mas isso depende apenas de você.”
“Quando for atrás do que ama, não aceite um não como resposta.”
“Use as velas, os lençóis bonitos e a lingerie especial. Hoje é uma ocasião especial.”
“Prepare-se, mas depois siga o fluxo.”
“Seja excêntrico agora. Não espere a velhice para usar roxo.”
“O órgão sexual mais importante é o cérebro.”
“Ninguém está no comando da sua felicidade além de você.”
“Reenquadre os desastres com a pergunta: ‘Isso vai importar em cinco anos?’”
“Escolha sempre a vida.”
“Perdoe, mas não esqueça.”
“O que os outros pensam de você não é da sua conta.”
“O tempo cura quase tudo. Apenas dê tempo.”
“Por melhor ou pior que uma situação seja, ela mudará.”
“Não se leve tão a sério. Ninguém mais leva.”
“Acredite em milagres.”
“Não audite a vida. Apenas apareça e aproveite agora.”
“Envelhecer é melhor que a alternativa: morrer jovem.”
“Seus filhos têm apenas uma infância. Não a desperdice.”
“No fim, tudo o que importa é que você amou.”
“Saia todos os dias. Milagres estão ao seu redor.”
“Se víssemos os problemas dos outros, pegaríamos de volta os nossos.”
“Invejar é perda de tempo. Valorize o que você já tem.”
“O melhor ainda está por vir.”
“Não importa como você se sente, levante-se, vista-se e apareça.”
“Desista do controle.”
“A vida não vem com um laço, mas ainda é um presente.”

sexta-feira, 11 de outubro de 2024

"Temos cinco anos" para salvar o planeta. E "é preciso mudar o sistema alimentar mundial, que é intrinsecamente ilógico"



A organização ambientalista World Wide Fund for Nature (WWF) avisou que o que acontecer nos próximos cinco anos em termos de sustentabilidade determinará o futuro da vida na Terra.

“Temos cinco anos para colocar o mundo numa trajetória sustentável antes que as reações negativas da degradação da natureza e das alterações climáticas combinadas nos coloquem na encosta descendente de pontos de rutura descontrolados”, alerta a associação na edição deste ano do relatório “Índice Planeta Vivo”.

O relatório anual é compilado pela WWF há 15 anos e faz uma análise das tendências da biodiversidade global. A cada edição “assistimos a um maior declínio do estado da natureza e a uma desestabilização do clima e isto não pode continuar”, afirma a WWF no documento.

No documento deste ano a organização internacional salienta que há um risco real de fracasso, com “consequências quase impensáveis”, e que para manter um planeta vivo são precisas ações e mais esforços de conservação. É necessária, resume, uma transformação dos sistemas alimentares, energéticos e financeiros.

Lembrando que apesar do declínio da natureza houve populações que ou estabilizaram ou aumentaram em resultado de esforços de conservação, o documento salienta a importância das áreas protegidas (atualmente 16% das terras e 08% dos oceanos a nível global) e diz que os países precisam de alargar, melhorar, ligar e financiar adequadamente os seus sistemas de áreas protegidas, respeitando simultaneamente os direitos e as necessidades das pessoas afetadas.

segunda-feira, 30 de setembro de 2024

Curiosamente apenas poucos países no mundo consomem os tremoços.


Digam se eu estiver errado mas que eu lembre, além de Portugal,  Espanha e Itália creio que nunca vi tremoços em outros países. Os espanhóis introduziram o hábito de comer tremoços em alguns países da América Latina. 
Em Portugal, o nome deriva do árabe al-turmus revelando a longa tradição do seu consumo entre nós, ao contrário de muitos outros países ocidentais onde é um ilustre desconhecido à mesa. 
O tremoço é a semente contida na vagem do fruto de uma planta, chamada “tremoceiro” do género Lupinus, cujas flores apresentam corola papilionácea, podendo ser azuis, róseas, roxas, brancas, amarelas (a que origina o nosso conhecido tremoço), vermelhas ou ter mesmo várias cores. A floração ocorre na primavera e verão.
O tremoço, à semelhança de outras leguminosas, como o grão, o feijão, a lentilha, a fava ou a ervilha apresenta diversas propriedades nutricionais muito interessantes para a saúde. Contudo, o tremoço em natureza apresenta um aminoácido e alcaloides neurotóxicos. 
Estes são eliminados depois de cozidos e cobertos com água que deve ser mudada com frequência durante vários dias até perderem o seu amargo original, com a eliminação dos alcalóides. A partir desse momento tornam-se no excelente alimento que todos apreciamos.

quarta-feira, 26 de junho de 2024

Como é que podemos dar às abelhas uma alimentação equilibrada?


Como polinizadores essenciais, as abelhas mantêm os nossos sistemas agrícolas em funcionamento, mas as alterações causadas pelo homem no planeta afetam fortemente as suas opções de alimentação. Para ajudar a proteger a nossa segurança alimentar, precisamos de mais informações sobre as necessidades alimentares das abelhas.

Os investigadores que escreveram na revista Frontiers in Sustainable Food Systems estudaram o valor nutricional de 57 tipos de pólen e descobriram que as abelhas precisam de procurar alimento numa variedade de plantas para equilibrar a sua dieta entre ácidos gordos e aminoácidos essenciais.

“Apesar do interesse público e do aumento das plantações de polinizadores, pouco se sabe sobre quais as espécies de plantas mais adequadas para a saúde das abelhas”, afirmou Sandra Rehan da Universidade de York, autora sénior do estudo.

“Este estudo teve como objetivo compreender melhor o valor nutricional das espécies vegetais. Com base nas suas proporções ideais de proteínas e lípidos para a nutrição das abelhas selvagens, recomendamos que as espécies de pólen de rosas, trevos, framboesas vermelhas e ranúnculos altos devem ser enfatizadas em projetos de restauração de flores selvagens”, acrescentou.

As necessidades das abelhas
O pólen e as abelhas são fortemente interdependentes: as plantas precisam que as abelhas espalhem o seu pólen para se reproduzirem e as abelhas precisam de pólen para se alimentarem.

Enquanto as abelhas obtêm os seus hidratos de carbono do néctar, o pólen fornece proteínas, lípidos e outros nutrientes essenciais. As alterações antrópicas do ambiente que alteram a disponibilidade e as propriedades do pólen podem levar à subnutrição das abelhas.

As abelhas precisam especialmente de consumir alimentos de alta qualidade que contenham ácidos gordos não esterificados como o ómega 6 e o ómega 3. Sem estes nutrientes, as abelhas vivem menos tempo, têm sistemas imunitários mais fracos e são menos capazes de lidar com os fatores de stress ambiental – mas se as abelhas os consumirem na proporção errada, terão problemas cognitivos.

As abelhas também precisam de aminoácidos essenciais, que são necessários para a saúde cognitiva e a reprodução – mas se comerem demasiado, podem ser mais suscetíveis a certos parasitas.

Para perceber quais as melhores plantas para as abelhas, os investigadores recolheram amostras de pólen de 57 espécies existentes na América do Norte, quer de flores frescas na natureza, quer de flores secas no laboratório.

Escolheram as espécies de plantas com base na sua importância para as espécies de abelhas selvagens do nordeste e na sua prevalência. O pólen foi processado e analisado quanto aos níveis de diferentes aminoácidos, ácidos gordos não esterificados e rácios de proteínas para lípidos e ómega 6:3, para determinar quais as melhores plantas para as abelhas.

Além disso, investigaram se as espécies de plantas estreitamente relacionadas proporcionavam benefícios nutricionais semelhantes e se as espécies que tinham sido introduzidas na área onde foram recolhidas eram menos nutritivas do que as espécies endémicas.

Hábitos alimentares saudáveis
Em geral, as plantas da mesma família ofereciam aos abelhas nutrientes bastante diferentes dos de outros membros da mesma família, com exceção dos aminoácidos essenciais.

As plantas da família das couves, da família das leguminosas e da família das margaridas apresentavam níveis semelhantes de aminoácidos essenciais em comparação com outras plantas da mesma família.

As margaridas, uma planta muito importante para as abelhas forrageiras, apresentavam níveis particularmente elevados de aminoácidos essenciais.

Curiosamente, as plantas com elevado teor de aminoácidos essenciais apresentavam um teor relativamente baixo de ácidos gordos não esterificados e vice-versa.

“Existe um potencial compromisso entre o teor de ácidos gordos e de aminoácidos no pólen, o que sugere que uma dieta floral diversificada pode beneficiar mais as abelhas do que uma única fonte de pólen”, afirmou Rehan. “Nenhuma espécie de planta é ótima para a saúde das abelhas selvagens generalistas”, acrescentou.

Os resultados dos cientistas indicaram que a alimentação a partir de muitas flores diferentes é melhor para a maioria das abelhas e que a alimentação a partir de espécies endémicas de plantas não oferece qualquer vantagem nutricional.

A maioria das espécies de pólen contém a maior parte dos nutrientes necessários, mas para obter os níveis ideais de nutrientes nas suas dietas, as abelhas teriam de se alimentar de várias espécies de plantas diferentes.

Os investigadores sugeriram que esta diversidade de conteúdo nutricional reflete as diversas necessidades das diferentes espécies de abelhas, especialmente as espécies especializadas que preferem determinadas plantas.

Uma grande variedade de fontes de nutrição com propriedades diferentes significa que todas as abelhas podem procurar as plantas que melhor as alimentam.

“Esperamos que este trabalho ajude a informar a seleção de plantas com flores para jardins de polinizadores”, disse Rehan. “Mas aqui examinámos apenas 57 espécies de plantas, e há milhares a examinar para compreender os perfis nutricionais. Esperamos que isto inspire futuras investigações semelhantes, bem como estudos de acompanhamento sobre a preferência e a sobrevivência das abelhas em diferentes dietas”, concluiu.