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sexta-feira, 31 de julho de 2026

As estratégias das plantas: o arsenal invisível de defesa

Saiba como as plantas são capazes de se defender de ataques de animais, da seca e da competição com outras plantas neste novo artigo da série botânica dedicada às extraordinárias estratégias das plantas, em Portugal e no mundo.

Ao longo de milhões de anos de evolução, as plantas desenvolveram estratégias únicas de defesa para enfrentar a seca, temperaturas extremas e solos pobres, além do ataque de herbívoros, microrganismos e até de outras plantas.

Desde espinhos afiados até venenos letais, passando por redes subterrâneas de comunicação e técnicas de engano, o arsenal invisível das plantas revela uma impressionante capacidade de adaptação ao ambiente. E o mais surpreendente? Muitas destas defesas são ativadas apenas quando necessário, garantindo uma resposta altamente eficiente e ajustada às circunstâncias.

Defesas físicas: a primeira linha de proteção
A defesa mais evidente das plantas encontra-se nas suas estruturas físicas, verdadeiros escudos naturais contra predadores e condições adversas. Estas adaptações ajudam a conservar água, a reduzir danos causados por herbívoros e a minimizar a entrada de microrganismos prejudiciais.

Por exemplo, plantas como a silva (Rubus ulmifolius), o pilriteiro (Crataegus monogyna), a roseira-brava (Rosa sempervirens), a salsaparrilha (Smilax aspera) e o abrunheiro-bravo (Prunus spinosa), têm espinhos ou acúleos que dificultam a predação e causam desconforto aos herbívoros.

Além disso, algumas plantas possuem tricomas – estruturas semelhantes a pêlos que cobrem folhas e os caules – com funções como a redução da perda de água, a criação de barreiras físicas para dificultar a movimentação de insetos.

As urtigas (Urtica dioica), por exemplo, libertam substâncias irritantes ao contacto, enquanto o alecrim (Salvia rosmarinus) e a esteva (Cistus ladanifer) têm tricomas glandulares que emitem compostos aromáticos capazes de afastar os insetos.

Para enfrentar a seca e a exposição solar intensa, muitas espécies protegem-se através de cutículas cerosas que cobrem as folhas, como acontece com a esteva (Cistus ladanifer), o medronheiro (Arbutus unedo), a azinheira (Quercus rotundifolia) e o sobreiro (Quercus suber), cujas folhas coriáceas com cutículas espessas reduzem a desidratação e dificultam a entrada de microrganismos prejudiciais, como os fungos e bactérias.

Certas plantas têm folhas modificadas que reforçam a sua defesa. As folhas em forma de agulha, como as do pinheiro-bravo (Pinus pinaster), do pinheiro-silvestre (Pinus sylvestris) e do pinheiro-manso (Pinus pinea), ajudam a conservar água em ambientes secos. A forma reduzida e a cutícula espessa destas folhas minimizam a superfície exposta ao ambiente, diminuindo a perda de água por evaporação e transpiração.

Outras plantas possuem catafilos – folhas modificadas para proteger os gomos contra condições adversas. É o caso de árvores como a cerejeira-brava (Prunus avium), a aveleira (Corylus avellana) e o castanheiro (Castanea sativa), cujos catafilos envolvem os gomos, protegendo-os do frio e da desidratação. Em plantas bolbosas como a campainha-amarela (Narcissus bulbocodium) e a cebola-albarrã (Drimia maritima), os catafilos desempenham um papel semelhante, envolvendo os órgãos subterrâneos para reduzir a perda de água e assegurar a sobrevivência em períodos de seca.

Já as trepadeiras, como a ervilhaca-comum (Vicia sativa) e a salsaparrilha (Smilax aspera), têm gavinhas foliares que se enrolam em ramos, caules ou outras estruturas, garantindo estabilidade à planta enquanto ela cresce em direção à luz e reduzindo o risco de danos mecânicos causados pelo vento ou pelo seu próprio peso.

A gilbardeira (Ruscus aculeatus) apresenta cladódios, que são caules modificados semelhantes a folhas, que desempenham a função fotossintética. Rígidos e com um espinho terminal, contribuem para a proteção da planta. As verdadeiras folhas da gilbardeira estão reduzidas a pequenas escamas membranáceas localizadas nas axilas dos cladódios.

As cascas espessas de algumas árvores também protegem contra predadores e condições extremas, como incêndios e temperaturas elevadas. A cortiça do sobreiro (Quercus suber), por exemplo, atua como barreira térmica e protege os tecidos internos da planta contra o fogo.

Por fim, algumas plantas desenvolveram adaptações especializadas. As orvalhinhas (Drosera sp.) têm folhas modificadas em forma de armadilhas para capturar insetos, complementando as suas necessidades nutricionais em solos pobres.

Defesas químicas: um laboratório natural de toxinas
Quando as defesas físicas não são suficientes, as plantas recorrem a compostos químicos, verdadeiros “laboratórios naturais” que atuam como defesa direta ou indireta contra predadores. Algumas produzem substâncias tóxicas que podem ser fatais para herbívoros, enquanto outras libertam compostos que atraem aliados naturais para combater os seus inimigos. 

O teixo (Taxus baccata) sintetiza taxanos, substâncias altamente tóxicas para muitos animais e até para humanos. O trovisco (Daphne gnidium), por sua vez, contém diterpenos e cumarinas, compostos irritantes e tóxicos que desencorajam herbívoros. O azevinho (Ilex aquifolium) produz saponinas, compostos amargos que tornam as suas folhas e frutos tóxicos e de difícil digestão, afastando predadores. O sabugueiro (Sambucus nigra) também utiliza glicosídeos cianogénicos, que podem libertar cianeto, tornando as suas folhas e frutos verdes potencialmente tóxicos para herbívoros.

Algumas plantas ajustam a produção de substâncias químicas em resposta ao ataque. O carvalho-negral (Quercus pyrenaica), por exemplo, aumenta a concentração de taninos nas folhas quando estas são atacadas, tornando-as menos apetecíveis. Já a morganheira-das-praias (Euphorbia paralias) excreta um látex branco e leitoso, que é altamente irritante para a pele e mucosas.

Outras plantas utilizam estratégias químicas mais subtis. O aipo (Apium graveolens), por exemplo, emite feromonas que atraem predadores naturais dos seus inimigos. O tomilho (Thymus sp.) exala substâncias repelentes que podem afastar herbívoros. Da mesma forma, o rosmaninho (Lavandula stoechas) e o funcho (Foeniculum vulgare) produzem compostos aromáticos que atraem polinizadores, ao mesmo tempo que atuam como repelentes naturais contra insetos nocivos.

Curiosamente, muitas das substâncias que as plantas produzem para se defenderem têm também aplicações medicinais. Os taxanos do teixo, por exemplo, são usados no tratamento do cancro, os compostos do sabugueiro possuem propriedades antivirais e os taninos de várias espécies são valorizados pelas suas propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias. Assim, as estratégias de defesa das plantas acabam também por nos proteger.

Defesas comportamentais: enganando predadores
Algumas plantas adotam estratégias comportamentais para escapar de ataques. Embora não se movam de forma ativa como os animais, as plantas têm maneiras engenhosas de manipular os seus predadores.

Uma das estratégias mais fascinantes é o movimento. Algumas plantas, como a dormideira (Mimosa pudica), originária do continente americano, fecham as suas folhas ao menor toque, confundindo e afastando os herbívoros que tentam alimentar-se delas.

Outra estratégia é o disfarce. Muitas plantas imitam o ambiente ao seu redor, seja através da forma, da cor ou da textura, para passar despercebidas pelos herbívoros. A fritilária (Fritillaria lusitanica), por exemplo, possui flores pendentes com cores e padrões que se confundem com a vegetação rasteira e o solo calcário onde cresce, passando despercebida por herbívoros.

De forma semelhante, a serrátula-do-algarve (Klasea algarbiensis) possui folhas basais avermelhadas que se integram visualmente no solo rochoso e arenoso, dificultando a sua deteção.

A erva-abelhão (Ophrys tenthredinifera), por sua vez, utiliza o mimetismo para atrair polinizadores: as suas flores imitam insetos específicos, o que beneficia a reprodução da planta e também pode confundir herbívoros ocasionais, fazendo-os pensar que as flores são insetos perigosos ou pouco apetecíveis.

Além disso, outras plantas podem descartar algumas partes mais frágeis, como folhas ou caules, quando são atacadas, de forma a minimizar os danos e garantir a sobrevivência. Esta estratégia confunde o predador e dá à planta o tempo necessário para recuperar. Um exemplo são os fetos, como o feto-real (Osmunda regalis) e o feto-pente (Blechnum spicant) que libertam as frondes (folhas) quando danificadas. Este mecanismo protege o rizoma subterrâneo, permitindo que a planta volte a rebentar quando as condições forem favoráveis.

Também a esteva (Cistus ladanifer) pode perder as folhas para reduzir a perda de água e concentrar energia nas partes mais resistentes, como os caules lenhosos, em períodos de seca extrema ou face a um ataque de herbívoros.

Rede “Wi-Fi” das plantas: comunicação invisível
Embora não tenham um sistema nervoso como os animais, as plantas desenvolveram formas sofisticadas de comunicação que lhes permitem trocar informações sobre ameaças e condições ambientais por meio de sinais químicos voláteis ou redes subterrâneas de fungos micorrízicos.

Quando atacadas por herbívoros ou patógenos, plantas como o alecrim-da-serra (Thymus caespititius), a murta (Myrtus communis) e o rosmaninho (Lavandula stoechas) libertam compostos aromáticos que funcionam como um alarme, ativando os mecanismos de defesa das plantas vizinhas antes que o ataque se propague.

As plantas também “falam” umas com as outras através da “Wood Wide Web“, uma rede subterrânea complexa formada por fungos micorrízicos que estabelecem relações simbióticas com as raízes de diferentes plantas. Esta rede permite a troca de nutrientes, sinais químicos e alertas sobre ameaças.

Plantas como o castanheiro (Castanea sativa), o carvalho-português (Quercus faginea) e o freixo (Fraxinus angustifolia) estabelecem relações simbióticas com fungos micorrízicos, melhorando a absorção de nutrientes e aumentando a resiliência a condições adversas.

Além disso, algumas plantas, quando bem estabelecidas – como o sobreiro (Quercus suber) e o carvalho-alvarinho (Quercus robur) – podem transferir nutrientes para plantas mais jovens ou debilitadas, contribuindo para a regeneração do ecossistema.

Longe de serem organismos passivos, as plantas desenvolveram um repertório incrível de estratégias para se defender. Algumas usam barreiras físicas, outras apostam na química e, em certos casos, recorrem à comunicação e ao engano para garantir sua sobrevivência.

No entanto, algumas espécies também combinam múltiplas estratégias de defesa, utilizando simultaneamente barreiras físicas e químicas ou aliando defesas comportamentais à comunicação, revelando a versatilidade e a complexidade das suas adaptações.

Esse arsenal invisível não só as protege, mas também influencia diretamente a dinâmica dos ecossistemas.

Da próxima vez que vir uma planta aparentemente indefesa, lembre-se: ela pode ter mais truques do que imagina.

Se quiser aprender mais sobre plantas e a sua importância nos jardins e no ambiente, recomendo explorar alguns dos artigos da série “Abra espaço para a natureza”. No texto Como criar um jardim para borboletas?descubra espécies específicas que ajudam a atrair e a sustentar estes polinizadores essenciais. Já no artigo Como criar um jardim para a vida selvagem? encontra algumas práticas que incentivam a presença de fauna diversa no jardim. E se a curiosidade for por plantas carnívoras, o texto Como ter um jardim num apartamento: plantas carnívoras oferece uma abordagem prática para cultivar estas espécies mesmo em espaços reduzidos. Estas leituras complementares mostram como pequenas escolhas no planeamento de jardins podem ter impactos significativos na biodiversidade e na qualidade de vida, promovendo uma relação mais harmoniosa entre o ser humano e a natureza.

terça-feira, 12 de maio de 2026

O Adeus à Árvore da Vida: Ciência revela perda de 300 mil milhões de anos de história botânica


As plantas são a base da maior parte da vida na Terra, mas as Alterações Climáticas e a Crise Ecológica estão a remodelar rapidamente os seus habitats e a aumentar o risco de extinção de formas inesperadas.

Dois estudos recentes, publicados na revista Science no dia 7 de maio de 2026, utilizam modelação evolutiva de larga escala e projeções climáticas de alta resolução para preencher lacunas críticas no nosso conhecimento sobre como a flora global reagirá ao aquecimento do planeta.

O primeiro estudo, de Wang et al., revela um paradoxo preocupante: embora as migrações induzidas pelo clima possam aumentar a riqueza de espécies a nível local (em cerca de 28% da superfície terrestre), este "baralhamento" geográfico não reduz o risco global de extinção. A investigação estima que entre 7% e 16% das mais de 67 mil espécies analisadas correm alto risco até 2100. O dado mais alarmante é que cerca de 80% destas extinções serão causadas pelo desaparecimento absoluto de habitats adequados, e não apenas pela incapacidade das plantas em migrarem. Ou seja, mesmo que as espécies consigam acompanhar a velocidade das alterações climáticas, muitas deixarão de ter um local viável para viver.

Complementando esta visão, o estudo de Forest et al. foca-se na integridade evolutiva, analisando a "árvore da vida" de mais de 335 mil espécies de plantas com flor. Os investigadores concluíram que aproximadamente 21,2% da história evolutiva destas plantas está ameaçada — o que equivale à perda potencial de 307 mil milhões de anos de progressos biológicos únicos. O estudo identifica quase 10 mil espécies prioritárias (conhecidas como espécies EDGE), que são evolutivamente distintas e estão globalmente em perigo. A perda destas linhagens seria catastrófica, pois representam "ramos" únicos da árvore genética que não têm parentes próximos, eliminando potenciais recursos medicinais e características de resiliência que levaram milhões de anos a desenvolver.

Em conjunto, estas investigações demonstram que as estratégias de conservação atuais são insuficientes. Os autores defendem uma mudança de paradigma: não basta proteger áreas aleatórias; é urgente focar os esforços na identificação de refúgios climáticos estáveis e na preservação de linhagens evolutivas insubstituíveis, recorrendo também à expansão de bancos de sementes e, em certos casos, à migração assistida para evitar uma simplificação irreversível da biodiversidade terrestre.

Já em 2014 foi publicado Natural History is Dying, and We Are All the Losers, na revista Scientific American

domingo, 8 de fevereiro de 2026

Chegou a hora de repor a permeabilidade do solo nas nossas cidades

Porquê?
1. Redução do risco de inundações e gestão das águas pluviais.
As superfícies impermeáveis ​​impedem que a água da chuva se infiltre no solo. Em vez disso, a água escoa rapidamente para o sistema de drenagem, muitas vezes sobrecarregando os sistemas durante chuvas intensas.

Repermeabilizar o solo:
- Diminui o escoamento superficial;
- Permite que a água se infiltre e recarregue o lençol freático;
- Reduz as inundações superficiais e o transbordo de esgotos, que infelizmente muitas vezes também recebem àguas pluviais.
Isto é cada vez mais crucial à medida que os eventos de chuva intensa se tornam mais frequentes, uma tendência destacada nas avaliações climáticas urbanas globais.

2. Arrefecimento das cidades e redução das ilhas de calor urbanas.
As superfícies impermeáveis ​​​​absorvem e irradiam calor, intensificando o efeito de ilha de calor urbana. Superfícies permeáveis ​​e com coberto vegetal:
- Retêm a humidade, permitindo o arrefecimento evaporativo;
- Reduzem as temperaturas da superfície e do ar ambiente;
- Melhoram o conforto térmico nas ruas e espaços públicos.

3. Recuperação do ciclo urbano da água e recarga dos aquíferos.
Quando as cidades estão totalmente impermeabilizadas:
- Os níveis das águas subterrâneas diminuem;
- A vegetação urbana torna-se dependente da rega;
- As cidades tornam-se mais vulneráveis ​​às secas.
Os solos permeáveis ​​ajudam a reconectar a água da chuva com os ciclos hidrológicos naturais, melhorando a segurança hídrica a longo prazo, o que é especialmente importante em cidades com escassez de água.

4. Apoio à biodiversidade urbana e à saúde do solo.
Solos saudáveis ​​abrigam microrganismos, insetos e raízes de plantas.
Permeabilizar o solo e design permeável:
- Melhoram a respiração e a fertilidade do solo;
- Permitem que as árvores urbanas desenvolvam raízes mais profundas e fortes, mais resistentes às intempéries;
- Apoiam polinizadores e habitats urbanos.

5. Equidade, habitabilidade e ordenamento do território
Em muitas cidades:
- Os antigos aglomerados urbanos estão localizados em zonas sujeitas a inundações e com deficiente drenagem;
- Soluções de engenharia são hoje fundamentais para resolver os problemas do passado, mas não se pode estar atualmente criar novos problemas resultantes de um mau planeamento.

As abordagens permeáveis ​​e baseadas na natureza (valas de infiltração, drenagem com vegetação, pátios permeáveis) são:
- Mais baratas e adaptáveis;
- Mais fáceis de serem concebidas em conjunto com as comunidades.

6. De que forma a permeabilização se parece na prática:
- Pavimentos e áreas de estacionamento permeáveis;
- Permeabilização de passeios, pátios escolares e espaços subutilizados;
- Jardins de chuva, valas de infiltração e trincheiras de infiltração;
- Árvores urbanas com solos estruturais;
- Recuperação de ribeiros naturais ou cursos de água sazonais.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

Papel ecológico das traças ou borboletas nocturnas


As traças são estudadas através de uma combinação de trabalho de campo, análise laboratorial e monitorização a longo prazo, uma vez que a sua diversidade e sensibilidade às alterações ambientais fazem delas sujeitos ideais para a investigação ecológica. 

Um dos métodos mais utilizados é a captura por luz, em que as luzes ultravioleta ou de vapor de mercúrio atraem as traças noturnas para que os investigadores possam registar a presença, a abundância e os padrões sazonais das espécies. Técnicas complementares, como armadilhas com isco, levantamentos diurnos de traças diurnas e amostragem de larvas em plantas hospedeiras, ajudam a capturar espécies que não são atraídas pela luz e fornecem informações sobre as relações planta-inseto. 

A identificação é tradicionalmente baseada na morfologia, incluindo padrões de asas e estruturas genitais, mas é cada vez mais apoiada pelo código de barras de ADN, que permite a identificação precisa e a deteção de espécies crípticas. As coleções de museus e os registos históricos são essenciais para comparar os dados atuais com as distribuições e abundâncias passadas, permitindo aos investigadores detectar tendências a longo prazo.

Para além de simples inventários, as traças são estudadas para compreender a sua ecologia, incluindo a especialização nas plantas hospedeiras, os ciclos de vida, as capacidades de dispersão e as respostas a factores como as alterações climáticas, a intensificação do uso da terra, os pesticidas e a luz artificial durante a noite. 

A ciência cidadã tornou-se particularmente importante na investigação sobre traças, com os voluntários a contribuírem com grandes quantidades de dados de jardins e levantamentos locais, expandindo consideravelmente a escala espacial e temporal dos esforços de monitorização.

O estudo das traças é altamente relevante para a conservação da natureza, pois são excelentes bioindicadoras da saúde do ecossistema. Muitas espécies têm requisitos de habitat específicos e respondem rapidamente a perturbações ambientais, o que significa que as alterações nas comunidades de traças sinalizam frequentemente uma degradação ecológica mais ampla. 

Diminuições na abundância e diversidade de traças foram documentadas em muitas regiões e estão intimamente ligadas à perda de habitat, à intensificação agrícola, à poluição e às alterações climáticas. As traças desempenham também papéis funcionais importantes nos ecossistemas: são importantes polinizadoras noturnas de plantas silvestres e culturas agrícolas, e as suas lagartas constituem um recurso alimentar crucial para as aves, morcegos e outros animais. Como resultado, o declínio das traças pode propagar-se através das teias alimentares e perturbar o funcionamento do ecossistema.

Do ponto de vista da conservação, os dados sobre traças são utilizados para identificar habitats prioritários, avaliar a conectividade da paisagem, avaliar práticas de gestão e orientar a restauração de habitats. Uma vez que as traças respondem de forma mensurável às alterações na estrutura da vegetação, na diversidade de plantas e nos regimes de luz, são particularmente úteis para avaliar a eficácia das ações de conservação. Desta forma, o estudo das traças não só ajuda a proteger um grupo diversificado e muitas vezes negligenciado de insectos, como também apoia a conservação da biodiversidade em geral e a resiliência a longo prazo dos ecossistemas.

Referências Bibliográficas

quinta-feira, 25 de dezembro de 2025

O ano em revista: as espécies que deram sinais de esperança em 2025


Fique a conhecer os animais e plantas eleitos neste ano que está a terminar, por investigadores e conservacionistas que trabalham com a biodiversidade em Portugal.

1. Abutre-preto (Aegypius monachus)


Com uma envergadura de asa que pode chegar aos três metros, este que é o maior abutre da Europa deu este ano sinais de expansão e de consolidação das colónias existentes em Portugal, refere Samuel Infante, membro da Plataforma de Defesa do Tejo Internacional. De facto, nas contas do projeto LIFE Aegypius Return, que trabalha para a conservação desta espécie, em 2025 contaram-se 119 a 126 casais em território português, um forte contraste com os 40 pares contabilizados em 2022.

Hoje conhecem-se cinco núcleos reprodutores: no Tejo Internacional, “que continua a ser a área de maior concentração da população da espécie”, no Baixo Alentejo (Herdade da Contenda), na Reserva Natural da Malcata, no Douro Internacional e ainda na Vidigueira/Portel (Alentejo). A descoberta desta última colónia, em julho de 2024, “veio dar esperança de que a espécie possa recuperar em pleno”, acrescenta Samuel Infante. Ainda assim, o futuro é ainda frágil: apenas metade dos casais com ovos no ninho conseguiram assegurar descendência, este ano, afetados entre outras ameaças pelos fogos do último verão.

2. Cagarra (Calonectris borealis)

Apesar das pressões que se fazem sentir sobre estas e outras aves marinhas, como é o caso das capturas acidentais em artes de pesca, a maior colónia mundial de cagarras, na Selvagem Grande, arquipélago da Madeira, continua a crescer, nota Joana Andrade. A coordenadora de conservação marinha da SPEA – Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves chama a atenção para um estudo científico publicado em janeiro passado, que analisou os resultados de contagens feitas entre 2009 e 2023 naquela ilha, e concluiu que ali nidificam atualmente cerca de 38.830 casais – um número que surpreendeu a equipa de investigadores.

Para o crescimento desta colónia contribuem várias medidas, como a aplicação de um regime de proteção estrita na Reserva Natural das Ilhas Selvagens (que inclui ainda a Selvagem Pequena, o Ilhéu de Fora e outros ilhéus adjacentes) e a erradicação total de coelhos e murganhos na Selvagem Grande.

3. Gaivota-de-audouin (Ichthyaetus audouinii)


A gaivota-de-audouin (Ichthyaetus audouinii) é outra das espécies que transmitiu um sinal de esperança ao longo de 2025, notam Joana Andrade, da SPEA, e Gonçalo Elias, ornitólogo e coordenador do portal Aves de Portugal. Esta ave marinha começou a nidificar em território nacional apenas no início do século XXI mas teve um crescimento surpreendente, empurrada por alterações que afetaram estas gaivotas junto ao Mediterrâneo.

Hoje, conta com uma população reprodutora de cerca de 7000 casais no Algarve, incluindo a maior colónia mundial da espécie, na ilha da Barreta, e uma colónia mais recente na ilha da Culatra, ambas na Ria Formosa. Gonçalo Elias considera que o projecto LIFE Ilhas Barreira (2019-2024) deu “um importante contributo para melhorar as condições de reprodução da gaivota-de-audouin no nosso país”. “Embora esteja classificada como Vulnerável a nível mundial, o recente aumento populacional permite ter esperança de que possa deixar de ser considerada ameaçada num futuro próximo”, conclui.

4. Insectos polinizadores


“O ano de 2025 foi um ano muito especial para o futuro da conservação dos insetos polinizadores em Portugal e deu-me um grande entusiasmo pelo que virá nos próximos anos”, afirma Hugo Gaspar, que se dedica à investigação nesta área. Em causa está um grupo grande com mais de 1000 espécies em Portugal, a maioria das quais abelhas selvagens, moscas-das-flores e borboletas diurnas, descreve. O investigador no FLOWer lab, grupo de investigação ligado à Universidade de Coimbra, lembra que se deram “passos importantes” neste último ano “para que possamos ter mais certezas e resultados” no que respeita à conservação destes insetos.

Em primeiro lugar, a publicação do Plano de Ação para a Conservação e Sustentabilidade dos Polinizadores, com um conjunto de medidas para melhorar o estado de conservação deste grupo em Portugal. Em segundo, foi também em 2025 que a União Europeia formalizou o compromisso de implementação do esquema de monitorização dos polinizadores, em linha com o Plano de Ação. Por fim, concluiu-se o projeto ARCADE, que melhorou o conhecimento e o estado das coleções de referência para o estudo dos polinizadores em Portugal. “Em conjunto, estas e outras ações trouxeram este ano muita esperança para este grupo de organismos, e os próximos anos assim o vão confirmar”, acredita Hugo Gaspar.

5. Lince-ibérico (Lynx pardinus)

O lince-ibérico, que nos últimos anos tem sido alvo de vários projetos de conservação que juntam Portugal e Espanha, é outra espécie que deu provas de esperança no ano que termina agora, apontam Samuel Infante, da Plataforma de Defesa do Tejo Internacional, e Francisco Álvares, cientista do CIBIO (Universidade do Porto), especializado em mamíferos.

O esforço de conservação desta espécie outrora à beira da extinção conseguiu o número de linces na Península Ibérica aumentasse para 2401 animais, foi anunciado em maio. Em novembro, foi anunciado um recorde de nascimentos nos centros de reprodução de Portugal e Espanha.

“É uma espécie icónica que foi considerada extinta em Portugal há pouco mais de duas décadas e actualmente apresenta uma população de mais de 300 indivíduos”, nota Francisco Álvares, lembrando que todavia este felino enfrenta ainda várias “ameaças sérias”. Desde logo, exemplifica, uma reduzida diversidade genética (com consequências na resistência a patologias), limitada disponibilidade de alimento (face à raridade do coelho-bravo) e mortalidade por causas humanas (por exemplo, atropelamentos e perseguição directa).

O investigador do CIBIO refere ainda outras espécies que também recuperaram em Portugal, “de forma extraordinária”, as suas populações nestes últimos anos. Exemplos? O corço, a cabra-montês, a águia-imperial e o abutre-preto. “Mas também estas espécies, enfrentam várias ameaças, muitas delas semelhantes às do lince-ibérico, por isso estes ‘sinais de esperança’ poderão ser atenuados se não houver esforços para a sua conservação efectiva”, alerta.

6. Saramugo (Anaecypris hispanica)


Este pequeno peixe de rios portugueses, em risco de extinção, surpreendeu recentemente os investigadores, lembra Filipe Ribeiro, cientista do MARE – Centro de Ciências do Mar e do Ambiente e da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa. Em 2025, um novo estudo conseguiu obter um conhecimento mais exato sobre a distribuição do saramugo. “Durante quase duas décadas, pensou-se que em cinco das 10 populações existentes em Portugal a espécie estaria localmente extinta, uma vez que ao longo deste tempo nunca foram capturados exemplares de saramugo”, explica Filipe Ribeiro. “Porém, através de um estudo baseado em DNA ambiental, realizado em 2023 e publicado em 2025, conseguimos detectar este peixe em todas as 10 populações portuguesas.”

Ainda assim, esses resultados não querem dizer que a situação do saramugo esteja melhor, ressalva o investigador, mas sim que “poderemos alocar esforços de monitorização, que entretanto tinha sido abandonada, e medidas de conservação, às populações que anteriormente tinham sido consideradas como perdidas”.

Para já, explica, são necessárias novas medidas para garantir um futuro ao saramugo, a longo prazo. “Deu-nos algum alento saber que a espécie ainda está nestes locais, porém é necessária uma monitorização dedicada e mais intensiva nestas populações, bem como medidas de melhoria de habitat e remoção de invasoras para a preservação desta espécie endémica da Península Ibérica.”

7. Tartaranhão-caçador (Circus pygargus)


“O aumento registado este ano no sucesso reprodutor do tartaranhão-caçador é bastante positivo, tendo em conta que, segundo os dados do primeiro censo da espécie realizado em Portugal em 2022-2023, esta ave se encontrava no limiar da extinção e, em Espanha, a situação também é bastante crítica”, refere Joaquim Teodósio, da organização não governamental de ambiente Palombar – Conservação da Natureza e do Património Rural e coordenador do projeto LIFE SOS Pygargus. Este ano, dos 251 ninhos desta espécie migradora que foram alvo de medidas de proteção, na Península Ibérica, 77% conseguiram assegurar pelo menos um juvenil voador. Ao mesmo tempo, atingiram-se 1,98 juvenis por casal nidificante, acima do limiar de viabilidade desta espécie.

8. Planta carnívora Utricularia subulata


A redescoberta da Utricularia subulata, uma planta carnívora que não era observada em Portugal desde 1967, é uma notícia esperançosa deste ano que passou, sublinha Sergio Chozas, ligado à Sociedade Portuguesa de Botânica. “De facto esta notícia dá nos esperanças de que algumas das espécies que foram dadas como extintas podem, de facto, andar ainda por aí, e também nos fazem lembrar da importância de continuarmos a fazer estudos e levantamentos da nossa flora”, sublinha este botânico, que é também investigador na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.

terça-feira, 9 de dezembro de 2025

Estudo confirma pelo menos 10 castores em afluentes espanhóis do Douro, junto à fronteira portuguesa


Mais vídeos e fotos aqui
José Jambas e Francisco Álvares, que participaram num estudo luso-espanhol sobre a nova população de castores, explicaram à Wilder o que a equipa encontrou e quais são as expetativas para o futuro.

Um novo estudo, publicado na revista científica Galemys, confirma que há castores a reproduzirem-se nas margens do rio Tormes, onde foram encontrados os primeiros vestígios na bacia hidrográfica do Douro, mas agora também no Uces, outro rio próximo da fronteira portuguesa. A nova população foi estudada em observações diretas destes mamíferos, registados também por câmaras de foto-armadilhagem e por inúmeros vestígios – como troncos cortados, ramos com marcas de dentes e construção de abrigos – e ainda por um estudo genético.Castor no Tormes. Vídeo: José Jambas

“Confirmamos a presença de pelo menos 10 castores em dois afluentes do Douro, incluindo dois grupos familiares com reprodução em 2023 e um possível terceiro [grupo com reprodução]”, escreve a equipa de sete investigadores responsáveis pelo estudo recentemente publicado, liderada por Teresa Calderón, da Universidade de Saragoça.
  
A investigadora espanhola já tinha estado à frente do estudo anterior, que em 2023 anunciou a presença da espécie no rio Tormes e concluiu que esta terá resultado de uma libertação não autorizada de castores. Isto porque está demasiado distante a outra população mais próxima desta espécie, em Espanha, onde a espécie regressou em 2003 em resultado de outra libertação ilegal.

No entanto, os cientistas suspeitam agora de que a nova população recém-descoberta na bacia do Douro resulta de pelo menos duas libertações realizadas separadamente, uma no rio Tormes e a outra no rio Uces. Isto, como explicam, devido à “distância relativamente grande” entre estes dois rios e à existência de barreiras que dificultam a passagem de um curso de água para o outro, incluindo “grandes cascatas”.

Por outro lado, para além de confirmarem a presença de dois grupos familiares reprodutores, um no Tormes e outro no Uces, a equipa admite também a hipótese de haver um segundo casal com crias no primeiro rio, com base em observações diretas e vestígios encontrados.

Esta possibilidade, embora ainda sem certezas, é apoiada pela descoberta de vários montes de cheiro nas margens do Tormes. Trata-se de pequenas pilhas formadas por lama e vegetação misturadas com castóreo, uma substância oleosa glandular que estes mamíferos utilizam para marcar território e impermeabilizar o pelo.

Os vestígios de castores encontrados junto a este rio estendem-se por 15 quilómetros, desde a barragem espanhola de Almendra até ao estuário onde o Tormes se une ao Douro, “apenas a uns poucos metros de distância da fronteira portuguesa”, descrevem no estudo.

Muito menor é a área onde a equipa identificou sinais de castores no Uces, “ao longo de dois quilómetros do rio, a maior parte concentrados num charco durante o verão, tal como nalguns pontos isolados das margens”.

O que se passa em Portugal?
Embora o trabalho de campo cujos resultados foram agora conhecidos se tenha realizado essencialmente em 2023, desde então mantiveram-se os trabalhos de monitorização nesta zona que pertence ao Parque Natural Arribes del Duero. Esta área protegida espanhola está colada ao Parque Natural do Douro Internacional, do lado português da fronteira, onde a equipa tem estado igualmente atenta a sinais no terreno – até porque em julho passado foram divulgadas imagens de pelo menos um castor no estuário do Tormes, “apanhado” em território português por câmaras de foto-armadilhagem.

terça-feira, 2 de dezembro de 2025

Hinos de Pólen

Hinos de Pólen

"No coração do mundo, onde o vento aprende a falar,
erguem-se antigos guardiões em dança silenciosa:
abelhas douradas, aves de fogo e canto,
morcegos tecelões da noite,
borboletas que carregam o arco-íris nas asas.

Cada um, um verso vivo na respiração da Terra.

Abelhas — monjas do néctar —
trabalham com a precisão de quem sabe
que cada flor aberta é um pacto ancestral.
O seu zumbido é sutra e oração,
um lembrete de que o futuro se molda
no gesto minúsculo de tocar um estame.

As aves, mensageiras do céu,
bordam caminhos entre pétalas e horizontes,
levando consigo a memória dos ventos antigos.
No seu voo reside a ética de cuidado,
pois cada semente que dispersam
é promessa de continuidade.

Morcegos, arquitetos da noite,
pairam onde a luz não chega,
polinizando sombras com fidelidade cega,
recordando-nos de que até o invisível
sustenta a casa comum.

E as borboletas, frágeis na aparência,
mas titânicas na missão,
tocam o mundo com a suavidade
de quem compreende a delicadeza
da teia que nos une.

Todos eles, em co-evolução profunda,
esculpiram com as plantas um pacto milenar:
dar e receber, florir e nutrir,
reinventar a vida a cada estação.

Que saibamos aprender com estes mestres:
que a ética ambiental não é lei escrita,
mas um modo de respirar com o planeta;
que a ecologia profunda não é teoria,
mas pertença — radical e humilde —
ao grande tecido de relações
que nos sustém e ultrapassa.

Honremos os polinizadores,
tecelões de mundos,
pois neles a Terra encontra voz
e o futuro encontra raiz."

João Soares, 02.12.2025

terça-feira, 18 de novembro de 2025

Tecnologia reduz morte de morcegos em turbinas eólicas


A geração de energia elétrica pelo vento é um dos métodos mais sustentáveis, mas as turbinas eólicas que fazem a conversão da energia são responsáveis por milhões de mortes de morcegos.

De acordo com um estudo de 2024, 500 mil mortes ocorrem em parques eólicos nos Estados Unidos. O caso dos morcegos é complicado porque eles usam o mesmo espaço aéreo para alimentação e migração, se tornando muito vulneráveis às turbinas.

Com isso, a agência de proteção à vida selvagem dos EUA aprovou uma tecnologia da empresa EchoSense. A solução é a “redução inteligente” de mortes de morcegos pelas turbinas, sem comprometer a geração de energia eólica.

Em inglês, o termo é “smart curtailment”, reduzindo de modo inteligente a velocidade das pás das turbinas eólicas em horários de maior atividade dos animais.

A redução inteligente da EchoSense funciona ao combinar Sistemas de Supervisão e Aquisição de Dados (SCADA) com dados meteorológicos e acústicos para travar as turbinas eólicas quando os morcegos estão próximos.

O método, que interrompe o funcionamento de turbinas eólicas com ventos em velocidades inferiores a 5 metros por segundo, reduz as mortes de morcegos em mais de 60%.
Veja como funciona:


Outras empresas também buscam na tecnologia formas para evitar as mortes de morcegos. A Biodiv-Wind, da França, usa câmeras infravermelhas, e a DTBird & DTBat, da Espanha, adopta inteligência artificial para identificar espécies pelo som.

Winifred Frick, cientista da ONG Bat Conservation International (BCI), ressalta que as mortes de morcegos aumentaram ainda mais com as turbinas eólicas. Frick, que participou do documentário recém-lançado “The Invisible Mammal” aponta para importância ecológica dos morcegos.

A cientista alerta que combinação de dados acústicos, para Frick, pode ser perigoso para morcegos.

“Há evidências de que dissuasores acústicos podem aumentar as mortes de certas espécies de morcegos devido à sua curiosidade natural. E o som de alta frequência não viaja tão longe”, afirma.

Por fim, Frick foi uma das autoras do estudo sobre as mortes dos morcegos por turbinas eólicas, que contou com a participação de cientistas brasileiros.

Saber mais: 

sexta-feira, 17 de outubro de 2025

Riscos crescentes ameaçam a sobrevivência dos polinizadores selvagens europeus


Mais de 40% das borboletas exclusivas da região europeia e não encontradas em mais nenhum lugar do mundo estão agora ameaçadas ou perto de o ser.
🐝Quase 100 espécies adicionais de abelhas selvagens na Europa foram classificadas como ameaçadas.
🐝🔴A espécie de abelha mineira Simpanurgus phyllopodus, a única espécie deste género na Europa e exclusiva do continente, está agora classificada como Criticamente em Perigo.
🦋O número de espécies ameaçadas de borboletas europeias aumentou 76% na última década.
🦋🔴Uma espécie, a borboleta-branca-grande-da-madeira (Pieris wollastoni), que estava restrita à ilha portuguesa da Madeira, está agora oficialmente classificada como Extinta.

A agricultura intensiva, a poluição e o aumento das temperaturas representam as principais ameaças.

Andalusian Anomalous Blue - Polyommatus violetae (Miguel Munguira); Arctic Blue - Argiades aquilo (Nils Ryrholm); Frejya's Fritillary - Boloria freija (Nils Ryrholm); La Palma Grayling - Hipparchia tilosi (Yeray Monasterio); Nevada Blue - Polyommatus golgus (Miguel Munguira); Zulich's Blue Agriades zullichi (Miguel Munguira)

Saber mais:

quinta-feira, 16 de outubro de 2025

Dia Mundial da Alimentação: Celebrar quem garante o nosso prato cheio!

Sabia que mais de 75% das culturas alimentares do mundo dependem da polinização? Sem abelhas, borboletas, morcegos e outros polinizadores, não teríamos muitos dos alimentos que fazem parte da nossa dieta diária — como frutas, legumes, sementes e até o café e o chocolate!

Neste 16 de outubro, Dia Mundial da Alimentação, celebramos não só o direito a uma alimentação saudável e sustentável, mas também os pequenos heróis da biodiversidade que tornam isso possível: os polinizadores.

A polinização é um processo essencial para a reprodução das plantas, garantindo colheitas abundantes e diversificadas. Além disso, contribui para a saúde dos ecossistemas e para a segurança alimentar global.

Como podemos ajudar?
  • Plantar flores nativas
  • Evitar pesticidas nocivos
  • Apoiar práticas agrícolas sustentáveis
  • Participar em ações de sensibilização e educação ambiental
Hoje, mais do que nunca, é tempo de reconhecer que sem polinizadores, não há alimentação para todos. Vamos proteger quem nos alimenta!

quinta-feira, 7 de agosto de 2025

A Estafeta da Existência: O Legado Multigeracional da vanessa-dos-cardos (Vanessa cardui)


O conceito de migração animal evoca frequentemente a imagem de um indivíduo que parte de um ponto A para um ponto B. No entanto, a borboleta-dos-cardos (Vanessa cardui) subverte esta noção, apresentando um modelo de sobrevivência onde o destino não pertence ao indivíduo, mas à linhagem. Este sistema de migração multigeracional é um dos exemplos mais sofisticados de resiliência biológica na natureza.

Presente na América do Norte, Europa, África e Ásia, esta é uma borboleta grande, com uma envergadura de asas que pode chegar aos sete centímetros. O nome científico, Vanessa cardui, inspira-se nos cardos em que as lagartas gostam de se alimentar (embora também se alimentem de outras plantas).

Há uma década, os cientistas sabiam que a bela-dama desaparece da Europa no outono e acreditava-se que migraria para o norte de África. “Eu não acreditava nisso, pois estas regiões são muito frias no inverno e sabemos que esta borboleta não sobrevive ao frio. Como não entra em diapausa, precisa de continuar a mexer-se”, recorda Talavera. Além do mais, no Magrebe havia poucos registos da espécie para esta altura do ano.

E se a resposta estivesse na travessia do Saara, o maior deserto de areia do mundo? “Havia uma pequena hipótese, mas ninguém acreditava que a grande maioria destas borboletas pudesse atravessar o deserto”, reconhece. “Foi uma grande aposta.”

A Continuidade através da Brevidade
A característica mais marcante da V. cardui é a sua capacidade de completar um circuito migratório que ultrapassa os 12.000 km, uma distância impossível de cobrir durante o seu ciclo de vida de apenas poucas semanas. O segredo reside na fragmentação do percurso: o que observamos como um movimento migratório único é, na verdade, uma sucessão de até seis gerações que funcionam como uma estafeta biológica.

Mecanismos de Orientação e Genética
A questão que intriga a ciência é como uma borboleta, nascida no norte da Europa, "sabe" que deve voar para o Sul no outono, sem nunca ter feito o percurso ou tido contacto com as gerações anteriores. Estudos indicam que estas borboletas utilizam uma bússola solar compensada pelo tempo, integrada com a perceção do campo magnético terrestre. Esta informação não é aprendida; é uma herança genética codificada.

Resiliência Ecológica
Ao contrário de outras espécies especialistas, a borboleta-dos-cardos é uma generalista oportunista. A sua capacidade de se alimentar de uma vasta gama de plantas (especialmente cardos e malvas) permite-lhe atravessar desertos e cadeias montanhosas, adaptando-se a diferentes ecossistemas à medida que a sua linhagem avança pelo globo.

Para saber mais:

segunda-feira, 9 de junho de 2025

Colapso contínuo das populações de insetos em todo o mundo


Tess McClure tem um artigo inestimável no Guardian  que se centra no trabalho do lendário biólogo tropical Dan Jantzen. Em 1978 — há menos de meio século — trabalhava na Estação de Campo de Guanacaste, na floresta da Costa Rica, quando, certa noite, estendeu um lençol com uma luz atrás e fotografou o que caía.
Nessa primeira fotografia, tirada em 1978, o lençol iluminado está tão densamente coberto de traças que, em alguns pontos, o tecido mal se vê, transformado no que parece ser um papel de parede rastejante com padrões densos.

Os cientistas identificaram umas impressionantes 3.000 espécies a partir daquela armadilha luminosa, e a trajetória da carreira de Janzen transformou-se, do estudo das sementes para uma vida inteira especializada nas populações pouco documentadas de lagartas e traças da floresta.

Agora com 86 anos, Janzen ainda trabalha na mesma cabana de investigação na área de conservação de Guanacaste, ao lado da sua colaboradora de longa data, esposa e colega ecologista, Winnie Hallwachs. Mas na floresta que os rodeia, algo mudou. Árvores que antes estavam infestadas de insetos jazem estranhamente imóveis.

O zumbido das abelhas selvagens desapareceu, e as folhas que deveriam ser mastigadas até ao caule pendem inteiras e intocadas. São estas folhas brilhantes e intocadas que mais assustam Janzen e Hallwachs. Parecem mais uma estufa imaculada do que um ecossistema vivo: uma natureza selvagem que foi fumigada e deixada estéril. Não uma floresta, mas um museu.

Ao longo das décadas, Janzen repetiu as suas armadilhas luminosas, pendurando o lençol, observando o que acontece. Hoje, algumas traças voam em direção à luz, mas o seu número é muito menor.

“É a mesma folha, com as mesmas luzes, no mesmo lugar, com vista para a mesma vegetação. A mesma altura do ano, a mesma altura do ciclo lunar, tudo é idêntico”, diz. “Simplesmente não há traças naquela folha.”
O que é singularmente assustador neste relato, como McLure deixa claro, não é que as populações de insectos estejam a diminuir — já o sabemos há muito tempo, primeiro através do trabalho dos cidadãos-entomologistas na Alemanha e depois em muitas outras partes do mundo. Este declínio constante — estimado em 2% ao ano, embora alguns biólogos achem que é maior — tem sido atribuído em grande parte à perda de habitat e ao uso de pesticidas. Mas, no caso de Guanacaste e de outras florestas imaculadas semelhantes, como Porto Rico, estes factores não se aplicam. O que estamos a assistir é ao efeito constante das alterações climáticas. Como explica Hallwachs,
Um ecossistema de floresta tropical é “um relógio suíço afinado”, perfeitamente concebido para sustentar um sistema de criaturas com uma vasta biodiversidade.

Cada elemento é delicadamente ajustado e interligado com os outros: o calor, a humidade, a precipitação, o desabrochar das folhas, a duração das estações, o início e o fim dos ciclos de vida dos insetos e dos animais.

A cada volta incremental de uma engrenagem, o resto do sistema responde. Os insetos e os animais evoluíram para cronometrar as suas hibernações e períodos de reprodução precisamente a pequenos sinais do sistema: uma alteração da humidade, um aumento das horas de luz do dia, uma pequena subida ou descida da temperatura.

Mas agora, o sistema tem uma engrenagem a girar descontroladamente dessincronizada: o clima.

“Quando aqui cheguei, em 1963, a estação seca durava quatro meses. Hoje, são seis meses”, conta Janzen. Os insetos que normalmente passam quatro meses debaixo da terra, à espera das chuvas, são agora obrigados a tentar sobreviver a mais dois meses de clima quente e seco. Muitos não estão a conseguir.

Juntamente com as mudanças de estação, ocorrem outras alterações, como na precipitação ou na humidade. “É apenas uma interrupção geral de todos os pequenos sinais e sincronias que estariam lá fora”, diz Janzen. Por todo o relógio da floresta, as plantas e as criaturas estão a perder a sincronia. Ao fundo, a temperatura está a subir.

“O assassino – a causa que está a puxar o gatilho – é, na verdade, a água”, diz Wagner. Para os insetos, manter-se hidratados é um desafio fisiológico único: em vez de pulmões, os seus corpos estão crivados de orifícios, chamados espiráculos, que transportam o oxigénio diretamente para os tecidos.

“São todos superfície”, diz Wagner. “Os insetos não conseguem reter água.” Mesmo uma breve seca de apenas alguns dias pode exterminar milhões de insetos dependentes da humidade.
Isto não se limita de forma alguma aos trópicos húmidos. Investigadores em muitas outras áreas – o quente deserto do sudoeste, por exemplo – estão a observar os mesmos resultados. O biólogo David Wagner descreve uma viagem recente ao Texas, considerando-a “a mais mal sucedida que já fiz. Simplesmente não havia vida de inseto para mencionar”.

Não eram apenas os insetos que faltavam, disse a McLure, era tudo. "Estava tudo crocante, frito; o número de lagartos caiu para o número mais pequeno de que me consigo lembrar. E depois os seres que comem lagartos não estavam presentes – não vi uma única cobra durante todo o tempo."

Particularmente proeminentes nesta triste lista são as aves. Só nos EUA, os ornitólogos da Universidade de Cornell (as mesmas pessoas que trouxeram Merlin, e se não tem no telemóvel, porque é que tem um telemóvel?) relataram que faltavam cerca de três mil milhões de aves nos Estados Unidos, de acordo com um estudo posterior, eram aves que dependiam de insetos. (O que explicaria porque ainda pode haver muitos chapins no seu comedouro).


sábado, 21 de dezembro de 2024

Os polinizadores! Sabe quais são?!



Tem a certeza?!
É melhor ver o vídeo.
Neste vídeo só são mencionados os polinizadores insectos.
Tenha em atenção que cerca de 70% dos polinizadores insectos fazem o seu ninho no solo. Assim sendo, envie esta informação aos autarcas que pulverizam as autarquias com herbicidas.

Saber mais e outros vídeos aqui deste projecto da Quercus em 2021 





domingo, 13 de outubro de 2024

Crise de dispersão de sementes pode afetar futuro das plantas na Europa


A dispersão de sementes é crucial para a persistência dos ecossistemas, mas as ameaças de extinção e alterações populacionais entre os animais que a realizam poderão impedir a recuperação das populações de plantas em declínio no continente europeu.

Um estudo da Universidade de Coimbra publicado na revista Science indica que 30% das espécies de plantas têm a maioria dos seus dispersores na categoria de elevada preocupação, noticiou na quinta-feira a agência Efe.

Os investigadores focaram-se na forma como a perda de espécies animais na região poderá afetar o processo de dispersão das sementes, uma vez que pouco se sabe sobre a forma como estas duplas dispersores-plantas são interrompidas pela perda de espécies.

A equipa, liderada pela investigadora Sara Beatriz Mendes, reviu a literatura sobre duplas de dispersão entre animais e plantas para reconstruir a primeira rede europeia de dispersão de sementes.

Um terço destas interações cruciais são altamente preocupantes, o que significa que as espécies nelas envolvidas estão listadas como quase ameaçadas, em perigo ou com populações em declínio, de acordo com a Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN).

Os dados indicam que cada espécie animal dispersou em média 13 espécies de plantas, enquanto cada espécie de planta teve em média nove dispersores, resume a revista.

O estudo "revela uma crise de dispersão de sementes em desenvolvimento na Europa" e destaca grandes lacunas de conhecimento em relação aos dispersores e ao estado de conservação das plantas cujas sementes são dispersas por animais, "o que exige um maior escrutínio e ação para conservar o serviço de dispersão de sementes", referiu a equipa.

Os investigadores reconhecem que existem lacunas significativas nos dados sobre as relações de dispersão, mas acreditam que as suas descobertas podem ser utilizadas para orientar os esforços de conservação para preservar as relações de dispersores de grande preocupação.

Este é o primeiro estudo abrangente sobre a vulnerabilidade das espécies dispersoras de sementes, realçou o investigador Daniel Montoya, do Centro Basco para as Alterações Climáticas (BC3), citado pelo Science Media Centre, uma plataforma de recursos científicos para jornalistas.

Os autores compilaram uma extensa base de dados de 11.414 interações entre 1.902 espécies de plantas e 455 espécies de animais dispersores de sementes, incluindo 283 aves, 85 artrópodes, 69 mamíferos, 11 répteis, 4 moluscos, 2 peixes e um verme anelídeo.

A perda da função de dispersão "reduz a capacidade de recuperação dos ecossistemas, um fator chave face à recente aprovação da Lei Europeia de Restauração", acrescentou Montoya.

O investigador salientou que os resultados do estudo podem subestimar a vulnerabilidade de algumas espécies dispersoras, para as quais não existe informação sobre as suas tendências populacionais e vulnerabilidade.

quarta-feira, 26 de junho de 2024

Como é que podemos dar às abelhas uma alimentação equilibrada?


Como polinizadores essenciais, as abelhas mantêm os nossos sistemas agrícolas em funcionamento, mas as alterações causadas pelo homem no planeta afetam fortemente as suas opções de alimentação. Para ajudar a proteger a nossa segurança alimentar, precisamos de mais informações sobre as necessidades alimentares das abelhas.

Os investigadores que escreveram na revista Frontiers in Sustainable Food Systems estudaram o valor nutricional de 57 tipos de pólen e descobriram que as abelhas precisam de procurar alimento numa variedade de plantas para equilibrar a sua dieta entre ácidos gordos e aminoácidos essenciais.

“Apesar do interesse público e do aumento das plantações de polinizadores, pouco se sabe sobre quais as espécies de plantas mais adequadas para a saúde das abelhas”, afirmou Sandra Rehan da Universidade de York, autora sénior do estudo.

“Este estudo teve como objetivo compreender melhor o valor nutricional das espécies vegetais. Com base nas suas proporções ideais de proteínas e lípidos para a nutrição das abelhas selvagens, recomendamos que as espécies de pólen de rosas, trevos, framboesas vermelhas e ranúnculos altos devem ser enfatizadas em projetos de restauração de flores selvagens”, acrescentou.

As necessidades das abelhas
O pólen e as abelhas são fortemente interdependentes: as plantas precisam que as abelhas espalhem o seu pólen para se reproduzirem e as abelhas precisam de pólen para se alimentarem.

Enquanto as abelhas obtêm os seus hidratos de carbono do néctar, o pólen fornece proteínas, lípidos e outros nutrientes essenciais. As alterações antrópicas do ambiente que alteram a disponibilidade e as propriedades do pólen podem levar à subnutrição das abelhas.

As abelhas precisam especialmente de consumir alimentos de alta qualidade que contenham ácidos gordos não esterificados como o ómega 6 e o ómega 3. Sem estes nutrientes, as abelhas vivem menos tempo, têm sistemas imunitários mais fracos e são menos capazes de lidar com os fatores de stress ambiental – mas se as abelhas os consumirem na proporção errada, terão problemas cognitivos.

As abelhas também precisam de aminoácidos essenciais, que são necessários para a saúde cognitiva e a reprodução – mas se comerem demasiado, podem ser mais suscetíveis a certos parasitas.

Para perceber quais as melhores plantas para as abelhas, os investigadores recolheram amostras de pólen de 57 espécies existentes na América do Norte, quer de flores frescas na natureza, quer de flores secas no laboratório.

Escolheram as espécies de plantas com base na sua importância para as espécies de abelhas selvagens do nordeste e na sua prevalência. O pólen foi processado e analisado quanto aos níveis de diferentes aminoácidos, ácidos gordos não esterificados e rácios de proteínas para lípidos e ómega 6:3, para determinar quais as melhores plantas para as abelhas.

Além disso, investigaram se as espécies de plantas estreitamente relacionadas proporcionavam benefícios nutricionais semelhantes e se as espécies que tinham sido introduzidas na área onde foram recolhidas eram menos nutritivas do que as espécies endémicas.

Hábitos alimentares saudáveis
Em geral, as plantas da mesma família ofereciam aos abelhas nutrientes bastante diferentes dos de outros membros da mesma família, com exceção dos aminoácidos essenciais.

As plantas da família das couves, da família das leguminosas e da família das margaridas apresentavam níveis semelhantes de aminoácidos essenciais em comparação com outras plantas da mesma família.

As margaridas, uma planta muito importante para as abelhas forrageiras, apresentavam níveis particularmente elevados de aminoácidos essenciais.

Curiosamente, as plantas com elevado teor de aminoácidos essenciais apresentavam um teor relativamente baixo de ácidos gordos não esterificados e vice-versa.

“Existe um potencial compromisso entre o teor de ácidos gordos e de aminoácidos no pólen, o que sugere que uma dieta floral diversificada pode beneficiar mais as abelhas do que uma única fonte de pólen”, afirmou Rehan. “Nenhuma espécie de planta é ótima para a saúde das abelhas selvagens generalistas”, acrescentou.

Os resultados dos cientistas indicaram que a alimentação a partir de muitas flores diferentes é melhor para a maioria das abelhas e que a alimentação a partir de espécies endémicas de plantas não oferece qualquer vantagem nutricional.

A maioria das espécies de pólen contém a maior parte dos nutrientes necessários, mas para obter os níveis ideais de nutrientes nas suas dietas, as abelhas teriam de se alimentar de várias espécies de plantas diferentes.

Os investigadores sugeriram que esta diversidade de conteúdo nutricional reflete as diversas necessidades das diferentes espécies de abelhas, especialmente as espécies especializadas que preferem determinadas plantas.

Uma grande variedade de fontes de nutrição com propriedades diferentes significa que todas as abelhas podem procurar as plantas que melhor as alimentam.

“Esperamos que este trabalho ajude a informar a seleção de plantas com flores para jardins de polinizadores”, disse Rehan. “Mas aqui examinámos apenas 57 espécies de plantas, e há milhares a examinar para compreender os perfis nutricionais. Esperamos que isto inspire futuras investigações semelhantes, bem como estudos de acompanhamento sobre a preferência e a sobrevivência das abelhas em diferentes dietas”, concluiu.