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sexta-feira, 31 de julho de 2026

The Durutti Column - Scammer


Por Vitor Belanciano
O novo álbum de The Durutti Column, “Renascent”, chega como um regresso que mais do que cronológico ė sensorial: uma reabertura da luz que sempre habitou a guitarra de Vini Reilly, minimalista, ambientalista, lírica, tão espontânea e singular, quanto clássica. Dezasseis anos depois, o timbre mantém a mesma fluidez íntima, aquela forma de avançar como quem pensa em voz baixa. Mas agora há uma lentidão nova, talvez nascida dos 
 anos de doença e do silêncio, que transforma cada nota numa espécie de respiração cuidada.
As colaborações (para além do omnipresente Bruce Mitchell na percussão há  o produtor e multi-instrumentista Keir Stewart, a pianista e cantora Caoilfhionn Rose ou Lucas Elliot) surgem como superfícies de acolhimento. Não interrompem a solidão luminosa da guitarra. antes, oferecem pequenas variações de temperatura, como se o disco respirasse em conjunto. São presenças que prolongam o gesto de Reilly, permitindo que a fragilidade se torne método e não limitação. É um disco que tanto evoca os tempos de definição de um estilo - os primeiros e maravilhosos álbuns dos anos 80 - como outros registos da fase em que diversificou a sua assinatura abrindo-se a muitos estímulos exteriores. 
Este regresso acontece num momento curioso: Reilly é hoje citado como influência por nomes muito distintos, de Brian Eno a Blood Orange, ou o mais improvável Harry Styles). Há algo de comovente nesta inversão temporal. O músico que sempre pareceu deslocado do seu próprio presente encontra agora diferentes geraçoes que o reconhecem como origem. O novo álbum não capitaliza essa atenção. Limita-se a existir com a mesma delicadeza de sempre, fiel ao gesto inicial.
O acontecimento está precisamente aí: na persistência de uma linguagem que nunca precisou de se reinventar para continuar a ser necessária. O disco avança como um murmúrio, uma memória que regressa não para repetir, mas para mostrar que ainda sabe iluminar.

sábado, 30 de maio de 2026

IA cria referências falsas e contamina artigos científicos, apontam estudos


O avanço do uso de inteligência artificial (IA) na produção de artigos científicos começa a provocar uma preocupação crescente entre investigadores e editoras académicas. Dois novos estudos internacionais apontam que ferramentas de IA generativa, como chatbots de linguagem, estão a criar referências falsas que acabam por ser incluídas em trabalhos publicados sem que autores, revisores ou revistas científicas se apercebam do erro.

Tornou-se comum os académicos serem alertados para novos trabalhos que citam a sua investigação, apenas para perceberem que se trata de um artigo inexistente. No ano passado, um relatório amplamente divulgado, o “Relatório MAHA”, emitido pela Casa Branca sobre as suas prioridades no combate às doenças crónicas, continha várias citações incorrectas que levaram alguns observadores a suspeitar que tinham sido geradas por inteligência artificial.

Um dos casos citados envolve o investigador Rafael Topaz, professor associado da Universidade de Columbia, nos EUA, que afirmou ter descoberto que uma ferramenta de IA adicionou silenciosamente uma referência inexistente num manuscrito académico. Segundo ele, o sistema foi usado apenas para ajustes gramaticais no texto. “Sou investigador de IA. Sei o que são alucinações. Se isto está a acontecer comigo, o que acontece com as outras pessoas?”, afirmou.

O estudo, publicado na revista científica The Lancet, chegou a conclusões semelhantes ao analisar artigos biomédicos publicados entre 2023 e o início de 2026. A auditoria encontrou mais de 4 mil referências falsas distribuídas em 2.810 artigos revistos por pares. Em 2023, um em cada 2.828 artigos apresentava pelo menos uma citação inventada. No início de 2026, a proporção passou para um em cada 277 trabalhos.

Os autores afirmam que o problema não está concentrado em investigações fraudulentas; em muitos casos, as citações inventadas aparecem espalhadas em trabalhos legítimos, o que sugere que os investigadores estão a copiar referências sugeridas por ferramentas de IA sem fazerem a verificação manual das fontes originais. O fenómeno foi mais comum entre autores menos experientes e equipas pequenas de investigação.

O alerta aparece num estudo conduzido por investigadores da Universidade Cornell, da UCLA e da UC Berkeley. Os cientistas analisaram 111 milhões de citações presentes em 2,5 milhões de artigos publicados entre 2020 e 2025 nas plataformas arXiv, bioRxiv, SSRN e PubMed Central. O trabalho identificou pelo menos 146.932 referências fabricadas por IA só em 2025.

Os investigadores rastrearam títulos de artigos que não puderam ser encontrados em bases académicas como o Google Scholar, Semantic Scholar e OpenAlex. A análise mostrou que o crescimento das referências falsas acelerou a partir de meados de 2024, cerca de um ano e meio após o lançamento público do ChatGPT, período em que as ferramentas de IA passaram a ser usadas também para sugerir bibliografias e citações automáticas.

Segundo o levantamento, as taxas de referências falsas chegaram a quase 2% os artigos publicados no SSRN em agosto de 2025. No PubMed Central, a principal base biomédica analisada, foram estimadas mais de 8 mil citações falsas em apenas um mês. O estudo também aponta que muitas destas referências sobreviveram aos processos de revisão e foram mantidas nas versões finais dos artigos científicos.

Tornou-se comum os académicos serem alertados para novos trabalhos que citam a sua investigação, apenas para perceberem que se trata de um artigo inexistente. No ano passado, um relatório amplamente divulgado, o “Relatório MAHA”, emitido pela Casa Branca sobre as suas prioridades no combate às doenças crónicas, continha várias citações incorrectas que levaram alguns observadores a suspeitar que tinham sido geradas por inteligência artificial.

Os investigadores alertam que o problema se pode tornar ainda mais difícil de controlar nos próximos anos, porque os modelos de IA treinados em bases académicas contaminadas por referências falsas podem reproduzir os mesmos erros em novos textos. Como resposta, os estudos defendem que as editoras científicas adotem sistemas automáticos de verificação de referências antes da publicação dos artigos.

Para saber mais:

sexta-feira, 6 de março de 2026

Europol alerta para aumento do risco de terrorismo na UE


A Europol avisou esta sexta-feira, 6 de março, que o nível de ameaça terrorista e de extremismo violento no território da UE é atualmente considerado elevado, devido à guerra no Médio Oriente, e advertiu que o risco de ciberataques também deverá aumentar.

Numa resposta por escrito enviada à Lusa, uma porta-voz da Europol indica que a guerra no Médio Oriente “tem repercussões imediatas no crime grave e organizado e no terrorismo na União Europeia (UE)”.

“O nível de ameaça terrorista e de extremismo violento no território da UE é considerado elevado. Tal pode manifestar-se através da radicalização interna por parte de indivíduos isolados ou de pequenas células auto-organizadas”, refere a porta-voz da Agência da UE para a Cooperação Policial.

A Europol adverte que “a rápida disseminação ‘online’ de conteúdos polarizadores pode acelerar os processos de radicalização a curto prazo” entre membros de diásporas que residem atualmente em solo europeu.

“Os grupos aliados (‘proxies’) do Irão também podem envolver-se em atividades desestabilizadoras na UE”, afirma a Europol, referindo-se designadamente ao chamado “Eixo da Resistência do Irão”, composto por grupos como o Hezbollah, Hamas ou os Huthis, ou a “redes criminosas que atuam sob a direção das instituições de segurança iranianas”.

“As suas operações podem incluir ataques terroristas, campanhas de intimidação e financiamento do terrorismo, bem como ciberataques, desinformação ou esquemas de fraude ‘online’”, afirma a agência.

Além da ameaça de terrorismo, a Europol refere também que “o risco de ciberataques direcionados a infraestruturas e empresas ocidentais também pode aumentar caso o conflito se mantenha”.

“Redes criminosas e terroristas vão aproveitar o contexto de informação mais intenso para desenvolver fraudes e desinformação com recurso à inteligência artificial. Os alvos mais prováveis na UE incluem localizações ligadas ao conflito, como instalações diplomáticas, alvos vulneráveis ou infraestruturas públicas ou críticas”, indica.

A agência refere, contudo, que até ao momento “não há impacto direto num aumento do tráfico de imigrantes”.

Esta terça-feira, em conferência de imprensa em Bruxelas, o comissário europeu para a Administração Interna, Magnus Brunner, foi questionado sobre como é que a UE tenciona responder a um eventual aumento das ameaças terroristas no continente, tendo respondido que a primeira prioridade da Comissão Europeia é garantir a segurança dos seus cidadãos.

“Estamos a fazer várias coisas, como garantir controlos fronteiriços robustos, que foram reforçados recentemente com o nosso sistema de informação Schengen, uma base de dados comum da UE na qual os Estados-membros podem criar alertar para casos relacionados com terrorismo”, referiu.

O comissário europeu indicou ainda que o novo sistema de entrada e saída da UE, que está a ser gradualmente implementado desde outubro, prevendo-se que esteja totalmente operacional em abril, também está a dar resultados.

“Já nos permitiu deter 500 pessoas consideradas como uma ameaça à União Europeia. Por isso, acho que estamos no caminho certo, mas, claro, manter-se vigilante é sempre importante”, referiu. [Fonte]

domingo, 4 de janeiro de 2026

Esquece o puxão na ranhura: o novo perigo no Multibanco é invisível


Há décadas que seguimos o mesmo ritual no Multibanco: meter o cartão, puxar a ranhura verde, abanar para ver se há peças soltas. Se nada cair, assumimos que estamos seguros. Lamento dizer-te, mas esse truque já não serve para o novo perigo no Multibanco. A era do skimming grosseiro (aquelas peças de plástico mal coladas) acabou. Os burlões modernos evoluíram para tecnologia de nível militar, tão fina e miniaturizada que o ataque acontece debaixo do teu nariz e literalmente dentro da máquina. Chamam-lhe Deep Insert Skimmer (ou Shimmer), e é a razão pela qual tens de mudar a forma como levantas dinheiro hoje mesmo.

O novo perigo no Multibanco DENTRO não fora
Antigamente, o dispositivo de roubo era colocado sobre a entrada do cartão. Hoje, o dispositivo é uma “folha” ultrafina, com circuitos microscópicos, que é inserida profundamente na ranhura do Multibanco.

Como funciona?
O ladrão insere o dispositivo em segundos (parece que está apenas a usar o multibanco).
O chip fica lá dentro, invisível a olho nu.
Quando metes o teu cartão, o dispositivo “lê” os dados do chip em tempo real enquanto a máquina faz a operação normal.
Tu recebes o dinheiro, o cartão sai, e nem sonhas que acabaste de ser copiado.
Não há nada para puxar. Não há nada para abanar.

O Golpe Duplo: o teclado fantasma
“Mas eles precisam do PIN!”, pensas tu. Exatamente. E esquece as câmaras minúsculas escondidas num buraco em cima do ecrã. Isso é tecnologia de 2010.

Agora, os criminosos usam teclados falsos de alta precisão. São películas finíssimas colocadas exatamente por cima das teclas originais. Quando digitas o código, a sensação táctil é a mesma, mas a película regista a pressão e guarda o teu PIN.

Entretanto tens os dados do cartão roubados por dentro e o PIN roubado por cima. A combinação perfeita para esvaziar a conta.

O único “Teste” que realmente funciona (e não é com uma chave)
Muita gente sugere tentar meter uma chave ou palito para sentir obstruções. Não faças isso. Podes avariar a máquina e ficar com a chave presa (e uma conta para pagar).

A única forma 100% eficaz de contornar os Deep Insert Skimmers é não usares a ranhura.

A Regra de Ouro: usa por exemplo o MBWay para gerares um código para levantares dinheiro ou ativares a máquina Multibanco para a utilizares. Assim estás imune. O dispositivo de roubo não consegue ler os dados via wireless desta forma. A ranhura torna-se irrelevante.

3 Regras para sobreviveres aos novos burlões
  1. A “Dança” do Cartão: Ao inserir o cartão, se sentires uma resistência anormal ou se ele não entrar suavemente até ao fim, não forces. Cancela e muda de máquina. O chip espião cria um aperto extra dentro da ranhura.
  2. A Mão Concha: Mesmo que não vejas câmaras, cobre sempre a mão que digita o PIN com a outra mão ou com a carteira. Se houver uma câmara escondida (ainda usam), não apanham nada. Se for um teclado falso, torna a vida deles mais difícil para correlacionar os dados.
  3. Foge dos ATMs isolados: Dá preferência às máquinas que estão dentro das agências bancárias (no hall de entrada). Os burlões preferem máquinas de rua, com menos vigilância e onde é mais fácil instalar o equipamento durante a noite.
Entretanto a tecnologia dos ladrões evoluiu. Assim a tua prevenção também tem de evoluir. Da próxima vez, antes de meteres o cartão no buraco, pergunta-te: “Posso usar o Contactless?”. Se a resposta for sim, nem hesites.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2025

França e Países Francófonos - um golpe que explora a transição energética

Dezenas de milhares de lâmpadas para iluminar caminhos agrícolas, plantações, trilhos ou jardins privados, distribuídas gratuitamente graças ao dinheiro da transição energética. O sistema dos Certificados de Economia de Energia está no centro de um (novo) enorme desperdício e de uma vasta fraude, que se tornou cada vez mais visível nos últimos meses em França  e países francófonos. Destaca-se a poluição luminosa que interfere na migração das aves e desorientam os insectos. Esta é mais uma operação de lavagem verde de grandes empresas petrolíferas francesas, como TotalEnergies e Esso, assim como a própria EDF e Engie.  

sexta-feira, 19 de dezembro de 2025

Já existem esquemas para pagamentos com o smartphone!


Há algumas semanas atrás, dissemos para priorizaes pagamentos com o smartphone ou relógio, de forma a evitar a grande maioria dos esquemas que andam por aí. Mas… O problema é não é só a tecnologia que evolui. Os scammers também aprendem novas técnicas.

Dito tudo isto, está na hora de falar do NGate: o esquema no Android que permite levantar dinheiro no multibanco sem te roubarem o cartão.

Portanto, se achas que para alguém te esvaziar a conta bancária precisa de te roubar o cartão ou saber o PIN, convém leres isto com atenção. Há um esquema a circular chamado NGate que usa o teu próprio smartphone Android para dar a volta ao sistema… e o pior é que muita gente nem percebe como foi enganada.

Ou seja, aqui não há skimmers, nem cartões clonados à antiga. Há engenharia social, aplicações falsas e NFC. Uma combinação perigosa.

O que é afinal o esquema NGate?
NGate é o nome dado a um tipo de burla que explora o NFC do teu telemóvel. Sim, a mesma tecnologia que usas para pagar com um toque.

Assim, o esquema começa quase sempre da mesma forma. Recebes uma SMS ou email a fingir que vem do teu banco. A mensagem fala de um problema urgente, uma falha de segurança ou uma operação suspeita. Tudo pensado para te meter alguma pressão em cima.

Na mensagem vem um link para instalares uma aplicação. Não está na Play Store. Esse é logo o primeiro grande sinal de alerta.

A aplicação parece legítima, tem logótipos, linguagem cuidada e até “verificações de segurança”. Mas, claro, foi criada pelos burlões.

Como é que passam do telemóvel para o multibanco?
Depois de instalares a app, o esquema continua.

Recebes uma chamada de alguém a dizer que é do banco. Às vezes até há um SMS adicional para “confirmar identidade”, de forma a tudo para parecer real. A seguir, a app pede-te algo crítico. Que encostes o cartão bancário ao telemóvel e introduzas o PIN. Tal e qual como num pagamento contactless.

O que está a acontecer na verdade é isto. A app lê os dados do cartão via NFC e envia-os em tempo real para o burlão, que está perto de um multibanco. Em segundos, conseguem levantar dinheiro como se tivessem o teu cartão físico.

Em suma, tu ficas em casa. Eles ficam com o dinheiro.
Não é um esquema super perigoso, e de facto, pagar com o telemóvel continua a ser a forma superior de fazer as coisas. Mas… É preciso ter os olhos bem abertos!
Não parece uma burla clássica. Porque não te pedem dados num site estranho. Não te pedem transferências diretas. Usam processos que já conheces e em que confias.

Além disso, como o levantamento é feito com os teus próprios dados e PIN, a deteção e a recuperação do dinheiro tornam-se muito mais difíceis.

Mas, como sempre, a regra de ouro continua a ser a mesma de sempre. O banco nunca te pede para instalares aplicações fora da Play Store. Nunca. Nem te pede dados por mensagem ou telefonema.

Liga tu para o banco usando o número oficial do site ou da app. Nunca uses contactos que vêm na mensagem. Nunca encostes o cartão ao telemóvel a pedido de uma aplicação ou de alguém ao telefone. Isso simplesmente não faz parte de nenhum processo legítimo.

sábado, 13 de dezembro de 2025

Desligar ou reiniciar o smartphone? FBI explica qual a opção de maior segurança


Muito de nós sempre ouviu dizer que se deve desligar o telemóvel ou o smartphone pelo menos uma vez por semana ou, pelo menos, reiniciar o aparelho. A razão mudou ao longo dos anos mas, essencialmente, a operação promete melhorar a performance, ao eliminar processos de fundo desnecessários, limpar a memória RAM, evitar o sobreaquecimento, ou resolver bugs ou outros problemas momentâneos.

Contudo, cada vez mais se fala numa outra razão, ligada à cibersegurança, um tema tão importante nos dias de hoje. Aqui as opiniões também divergem. Desligar ou reiniciar o smartphone? O FBI e a NSA têm a resposta.

FBI e NSA explicam a melhor opção para a cibersegurança do teu smartphone
Ambas as agências são conhecidas por, entre outros elementos, serem peritas na coleção de informação digital, sendo capazes de alcançar qualquer pessoa e levantando questões sobre o acesso que determinadas entidades devem ter ao cidadão comum. No entanto, o positivo disto, é que são assim as melhores fontes de esclarecimento quanto a este assunto.

Durante anos, tanto o FBI quanto a NSA aconselhavam os utilizadores de telemovel ou smarthphone a desligar os aparelhos completamente pelo menos duas vezes por semana ou, pelo menos, reiniciar. Ambos os concelhos são válidos mas... não se aplicam propriamente aos modelos mais recentes.

Infelizmente, a verdade é que os atacantes estão cada vez mais sofisticados, e muito malware ou spyware consegue sobreviver ao desligar do smartphone. Assim, apesar de não ser completamente inútil, não é bem uma forma infalível de te manteres seguro. Então, qual a solução?

Outros conselhos de ciberseguranca para Android e iOS
Da mesma forma que os cibercriminosos e as empresas de smartphone estão constantemente a sofisticar os seus serviços, também a tua forma de encarar a cibersegurança tem de mudar. Já não estamos nos anos 90 ou 2000. No entanto, não desesperes. As soluções são fáceis de memorizar e é provável que já estejas a adotar algumas.

Por exemplo, é fundamental manteres o teu smartphone atualizado. Tanto a Android como a Apple lançam regularmente atualizações para os seus sistemas operativos, e nem todos são "apenas" bugs que foram corrigidos. Estes updates trazem muitas vezes otimizações no que toca à cibersegurança.

Quanto aos emails, nunca abras links diretamente das mensagens! A Netflix vai cancelar a tua subscrição? Vai ao site da plataforma, abre o teu perfil, e verifica se tens lá um aviso. Tens uma conta de internet para pagar? Vai ao site da operadora. Existe sempre uma forma de confirmares a informação sem teres de clicar em links. E sim, podes e deves confirmar sempre o endereço que enviou a mensagem mas até estes estão cada vez mais sofisticados, como mostrou o mais recente ataque da "Microsoft".

No aparelho em si, deves optar pela biometria ou reconhecimento facial como opção de desbloquear o smartphone ou tablet - até mesmo portáteis. Isto requer a tua presença física, tornando quase impossível o acesso não autorizado. De igual modo, quando crias uma conta em qualquer site, ativa a verificação em dois passos e escolhe passwords fortes e aleatórias - podes e deves usar um gestor de passwords.

Confessa, quantos destes passos de cibersegurança já aplicas no teu dia a dia? Lembra-te que um ataque pode colocar a tua informação pessoal em risco, incluindo cartões de crédito, acessos ao banco, e outros dados sensíveis.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2025

Nota de 7 euros de Ronaldo é falsa, alerta Banco de Portugal

Em causa está a emissão de uma nota, no valor de 7 euros, em homenagem ao futebolista Cristiano Ronaldo

O Banco de Portugal (BdP) alertou esta quinta-feira para publicações falsas, nas redes sociais, sobre a emissão de uma nota em homenagem ao futebolista Cristiano Ronaldo, esclarecendo que não o fez nem tem previsto emitir uma nota assim.

"O Banco de Portugal tem tomado conhecimento de publicações falsas, divulgadas nas redes sociais, relativamente à emissão, pelo Banco de Portugal, de uma nota, no valor de 7 euros, em homenagem ao futebolista Cristiano Ronaldo", lê-se no comunicado publicado esta quinta-feira.

O banco central reiterou que não emitiu nem colocou em circulação, nem tem previsto emitir ou colocar em circulação, "qualquer nota alusiva à personalidade em questão".

"Esclarece-se ainda que a emissão de notas de euro pelo Banco de Portugal é feita no quadro do Eurosistema", acrescentou o banco central.


O Eurosistema é a autoridade monetária da área do euro, composta pelo Banco Central Europeu (BCE) e pelos bancos centrais nacionais dos países da União Europeia que adotaram o euro. A sua principal função é manter a estabilidade de preços, e as suas atividades incluem a definição e implementação da política monetária, a realização de operações cambiais, a gestão das reservas cambiais e a promoção do bom funcionamento dos sistemas de pagamento. 

Composição e objetivos
Composição: O Eurosistema inclui o BCE e os bancos centrais nacionais dos Estados-Membros que adotaram o euro, como o Banco de Portugal.
Objetivo principal: Manter a estabilidade de preços na área do euro, procurando um aumento anual dos preços inferior, mas próximo, de 2%.

Outras funções:
  1. Salvaguardar a estabilidade financeira.
  2. Promover a integração financeira europeia.
  3. Emitir notas de euro.
  4. Compilar estatísticas. 
  5. Funcionamento
Tomada de decisões: As decisões de política monetária são tomadas pelo Conselho do BCE, que é composto pelos membros executivos do BCE e pelos governadores dos bancos centrais nacionais.

Implementação: A implementação dessas decisões é feita de forma descentralizada pelos bancos centrais nacionais. O Banco de Portugal, por exemplo, interage com as instituições bancárias portuguesas para executar as decisões do BCE no mercado nacional.

Instrumentos: O Eurosistema utiliza instrumentos como a fixação das taxas de juro diretoras, operações de mercado aberto, facilidades permanentes e programas de compra de ativos financeiros para influenciar a liquidez do sistema bancário. 

domingo, 23 de novembro de 2025

O truque da chamada automática que desliga logo é perigoso


Todos nós já passámos por isto: o telemóvel toca duas ou três vezes, vês um número estranho e, quando atendes, a chamada cai. Se devolveres a chamada, ninguém atende ou ouve-se uma gravação esquisita. Parece só spam chato mas, em muitos casos, é muito mais do que isso. Assim cuidado com o truque da chamada automática.

O truque da chamada automática que desliga logo é perigoso
O primeiro passo é quase sempre automatizado. Sistemas de robocall fazem milhares de chamadas por dia, tocam dois ou três toques e desligam. Se atendes, o sistema marca o número como “válido” e “pessoa responde”. Se ainda por cima devolves a chamada, ganhas um selo de “alvo quente”: a partir daí, aumentam as hipóteses de receberes SMS fraudulentos, tentativas de vishing (chamadas em que alguém se faz passar por banco, seguradora, operador) ou mais chamadas de números suspeitos.

No esquema clássico, quando devolves a chamada, estás a ligar para um número com custo muito acima do normal. Ficas na linha a ouvir música de espera, gravações ou um “atendedor automático” que nunca mais passa a chamada. Cada minuto é dinheiro a sair da tua conta e parte dessa receita vai parar ao bolso dos burlões.

O que deves fazer, então, com estas chamadas que desligam logo?
A regra mais segura é simples: não devolver chamadas de números que não conheces, sobretudo se forem internacionais ou com prefixos estranhos. Se for importante, quem ligou volta a tentar, deixa mensagem de voz ou envia SMS identificando-se.

Se começares a receber muitas chamadas deste tipo, há mais alguns passos úteis:
  1. Bloquear os números diretamente no telemóvel.
  2. Ativar filtros anti-spam do teu operador, se existirem.
  3. Reportar à ANACOM, Portal da Queixa  ou linhas de cibercrime, se identificares padrão de burla.
A tentação de “só ver quem é” pode sair cara. Num mundo em que já precisamos de desconfiar de links, anexos e SMS duvidosos, as chamadas que desligam logo passaram a ser mais um aviso: alguém lá fora está a testar a tua curiosidade — e o saldo da tua conta.

sábado, 8 de novembro de 2025

Meta ganha milhares de milhões de dólares com anúncios de burlas


A gigante tecnológica Meta, proprietária do Facebook, Instagram e WhatsApp, encontra-se sob fogo após a divulgação de um relatório explosivo. O documento alega que a empresa arrecada uma fatia significativa das suas receitas através da veiculação de anúncios fraudulentos.

A controversa fonte de receita da Meta
De acordo com um novo relatório da Reuters, a Meta estará a lucrar milhares de milhões de dólares anualmente com anúncios que promovem burlas e produtos ilegais nas suas plataformas. O documento expõe os números avassaladores por detrás deste problema e levanta novas questões sobre a aparente incapacidade da empresa em controlar a situação.

No ano passado, a própria Meta terá estimado que os anúncios fraudulentos poderiam representar até 10% da sua receita total, um valor que ascenderia a cerca de 16 mil milhões de dólares.

Nesta categoria incluem-se anúncios de "esquemas fraudulentos de comércio eletrónico e de investimento, casinos online ilegais e a venda de produtos médicos proibidos". A dimensão do problema é tal que investigadores da própria empresa calcularam que as suas aplicações "estiveram envolvidas num terço de todas as burlas bem-sucedidas nos EUA".

Políticas internas permissivas
O relatório detalha também como a Meta, em certas ocasiões, dificultou o trabalho das suas próprias equipas no combate a estes anúncios e como os seus processos internos permitem que infratores reincidentes continuem a comprar espaço publicitário.

O documento revela que um "pequeno anunciante" apanhado a "promover fraudes financeiras" só seria bloqueado após ser denunciado "pelo menos oito vezes". A política da Meta é ainda mais branda com os "maiores anunciantes", aos quais terá sido permitido "acumular mais de 500 infrações" sem serem removidos da plataforma.

Ainda que esta permissividade possa parecer chocante, o relatório da Reuters sublinha o dilema financeiro que a Meta enfrenta. Apenas quatro campanhas publicitárias, removidas pela empresa este ano, foram responsáveis por uma receita de 67 milhões de dólares.

Internamente, os executivos debatem-se com a forma de controlar os anúncios fraudulentos sem afetar negativamente os resultados financeiros da empresa. A certo ponto, os gestores terão sido instruídos a não "tomar medidas que pudessem custar à Meta mais de 0,15% da receita total da empresa".

Em reação ao relatório, a Meta comunicou à Reuters que a estimativa de 10% da receita proveniente de anúncios fraudulentos era "aproximada e excessivamente inclusiva", mas não partilhou um valor alternativo.

"Nos últimos 18 meses, reduzimos as denúncias de utilizadores sobre anúncios fraudulentos em 58% a nível global e, até agora em 2025, já removemos mais de 134 milhões de conteúdos publicitários fraudulentos." - afirmou o porta-voz Andy Stone.

quinta-feira, 16 de outubro de 2025

Desilusão com Dino d’Santiago


Nos últimos 13 meses, a associação Mundu Nôbu, presidida pelo músico Dino D’Santiago e gerida pela sua parceira Liliana Valpaços, conseguiu encontrar um verdadeiro mundo novo de financiamento público através de alegadas prestações de serviços a empresas municipais de Lisboa.

À margem dos habituais concursos e candidaturas públicas, a que estão sujeitas dezenas de organizações não-governamentais, a associação criada no final de 2023 pelo músico residente no Algarve, mas com forte projecção mediática na capital, já conseguiu firmar, desde Agosto do ano passado, quatro contratos directos com estruturas da Câmara Municipal de Lisboa, no montante global de 481 mil euros (equivalente a 385 mil euros acrescidos de IVA)

O expediente foi simples: em vez de subsídios ou apoios sujeitos a regras de concurso, a Mundu Nôbu passou a figurar como prestadora de serviços, assinando contratos de aquisição directa — ora para a execução de projectos sociais com a Gebalis, empresa municipal de habitação, ora para a organização de concertos a preços manifestamente inflacionados com a EGEAC, responsável pela gestão cultural da cidade. 

O primeiro grande contrato surgiu em Agosto do ano passado, quando a EGEAC assinou com a recém-criada associação um acordo de 130 mil euros para a “concepção, coprodução e apresentação ao público do Festival Mundo Novo 2024”. O evento, integrado nas Festas na Rua, foi apresentado com o tema “A interculturalidade portuguesa no topo do Spotify”, mas, na prática, resumiu-se a uma conferência com Dino D’Santiago e convidados, seguida de um concerto nocturno na Praça do Município, com actuações de Dino D’Santiago, Irma, Soluna, Crioulo, Maro e Bateu Matou. Pelas imagens disponíveis, o público presente não terá ultrapassado o milhar de pessoas, embora o evento tenha contado com a presença do presidente da autarquia, Carlos Moedas.

O ritmo de contratos acelerou este ano. Em Junho, a Gebalis adjudicou à Mundu Nôbu um contrato de 20 mil euros, por ajuste directo, para um projecto de intervenção comunitária denominado “O Teu Lugar no Mundo”, destinado a jovens entre os 14 e os 22 anos. A descrição contratual era vaga: realização de reuniões semanais de duas horas com até 160 participantes, divididos por grupos. Não há registos fotográficos nem informação sobre o local de realização das sessões, mas a empresa municipal pagou integralmente a verba correspondente a oito encontros, uma vez que o contrato teve a duração de 60 dias. Curiosamente, o valor adjudicado coincidiu com o limite máximo legal que dispensa concurso público.

Mal terminou esse contrato, a Gebalis renovou a prestação de serviços por mais doze meses, agora no valor de 125 mil euros, sob a designação “fase de desenvolvimento”. Este novo acordo, celebrado em Agosto, foi classificado como uma “contratação excluída” — expressão que, na prática, significa um procedimento fora das regras habituais da contratação pública, situação de legalidade duvidosa no contexto deste serviço. Assim, um apoio temporário transformou-se num contrato anual que assegura mais de 10 mil euros mensais à associação de Dino D’Santiago, com cláusulas invulgares.

Mais do que um instrumento de intervenção social, o contrato revela-se um veículo de promoção da própria associação. De acordo com o documento, e sob o pretexto de “articulação” com a empresa municipal, prevê-se a realização de visitas mensais aos bairros para “apresentar o projecto e convidar jovens e famílias a conhecer a Mundu Nôbu”, bem como a produção de conteúdos digitais com menções expressas à entidade.

Em vez de actividades concretas e metas mensuráveis, o contrato estabelece uma rotina de reuniões, relatórios e intercâmbios vagos, que acabam por servir sobretudo para dar visibilidade e notoriedade à associação beneficiária, mais do que para gerar resultados tangíveis junto dos moradores dos bairros municipais.

O quarto e mais recente contrato foi assinado no passado dia 19 de Setembro, novamente com a EGEAC, para a coprodução e apresentação do “Mundo Nôbu Experience 2025”, por um valor total de 110 mil euros. O evento, previsto para 12 de Novembro no Capitólio, está descrito apenas como um “concerto” entre as 20h30 e as 23h00. O documento não especifica o conteúdo artístico, nem há qualquer referência a orçamentos detalhados. Curiosamente, nem o Capitólio, nem a EGEAC, nem a Agenda Cultural de Lisboa incluem o espectáculo nas respectivas programações, o que levanta dúvidas quanto à efectiva execução do contrato.

Mais surpreendente ainda é o contraste entre estes valores e os cachês de Dino D’Santiago. Nos últimos anos, os concertos do músico, de ascendência cabo-verdiana, têm oscilado geralmente abaixo dos 20 mil euros. A Câmara de Lisboa pagou-lhe 6.000 euros em 2018, no âmbito da Moda Lisboa; em 2019, recebeu 5.500 euros da Associação Vicentina, 17.000 euros da Câmara de Alcobaça e 15.000 euros da de Aveiro (num espectáculo conjunto com Branko). Em Viana do Castelo o valor foi de 10.500 euros, na Figueira da Foz de 5.000 euros, e apenas em Albufeira, sua região natal, atingiu o valor excepcional de 71.400 euros no ano passado. Em 2024, só se encontra um contrato público de espectáculo, com a Câmara de São João da Madeira, no montante de 9.000 euros.

A associação Mundu Nôbu parece, assim, ter descoberto um modelo engenhoso: usar uma figura pública de grande visibilidade para obter financiamentos públicos regulares, com um modelo de gestão pouco transparente, sem depender de candidaturas competitivas ou de voluntariado associativo. Apresentando-se como uma organização sem fins lucrativos, actua de facto como uma estrutura profissional, concentrada e opaca. Apesar de se afirmar aberta a novos sócios, apenas duas figuras estão visivelmente associadas ao projecto: Dino D’Santiago, presidente, e Liliana Valpaços, responsável pela execução dos contratos e, desde o ano passado, alegadamente remunerada após uma alteração estatutária.

O PÁGINA UM contactou por duas vezes a associação Mundu Nôbu, solicitando esclarecimentos sobre as contas do exercício de 2024, o plano de actividades dos seus dois anos de existência, os órgãos sociais e o número de sócios efectivos. Não houve qualquer resposta — talvez por se entender que não é necessário prestar contas à imprensa quando se gerem dinheiros públicos.

No site da associação surge a equipa da Mundu Nôbu constituída por uma psicóloga, uma responsável pela comunicação e marketing, um responsável administrativo e financeiro e três monitores. Nada consta de relatórios, nem os nomes dos órgãos sociais (direcção, assembleia geral, conselho consultivo e fiscal único), nem planos de actividades. Apenas se exibem fotografias genéricas e frases inspiracionais sobre “interculturalidade” e “empoderamento”.

Não há sequer referências a eventos realizados nem a iniciativas futuras, e mesmo o anunciado concerto de 12 de Novembro no Capitólio permanece envolto em silêncio. Já a lista de parceiros institucionais e privados é extensa e bem exposta — mais de uma dezena —, uma espécie de convite da Mundu Nôbu para se apoiar uma história de sucesso: só com sorrisos, palmadinhas das costas, dinheiro público… e sem questionamentos.

Novidades:

sábado, 11 de outubro de 2025

O truque silencioso dos Bancos para te fazer gastar mais


Os bancos sabem mais sobre ti do que imaginas. Não apenas quanto dinheiro tens mas como e quando o gastas. E é com essa informação que aplicam um truque silencioso, quase invisível, que te leva a gastar mais sem te aperceberes. Mas no que consiste o truque silencioso dos bancos?

Este truque dos bancos não é magia. É psicologia (e dados)
Todos os bancos modernos utilizam sistemas de análise comportamental. Ou seja, algoritmos que estudam os teus hábitos de consumo, horários, tipo de compras e até o humor que transpareces nas tuas transações. Sim, o teu cartão também fala. E é aqui que entra o truque.

Cartões virtuais são seguros? Só se fizeres isto antes da compra!
O “limite invisível” que muda tudo
Quando recebes um aumento automático do limite de crédito ou do plafond do cartão, parece um gesto simpático, certo? Na realidade, é uma jogada calculada.

O banco aumenta ligeiramente o teu limite para dar-te uma falsa sensação de folga financeira. Não é suficiente para parecer excessivo, mas o bastante para te fazer pensar: “posso comprar isto, ainda tenho margem”.

E é assim que pequenas compras, 20€ aqui, 30€ ali, transformam-se em dívidas com juros de 15%, 18%, até 25%.

Os arredondamentos “sem dor”
Outro truque muito comum são os pagamentos automáticos arredondados:
Cada vez que pagas com o cartão, o sistema arredonda o valor para cima e coloca os cêntimos “de lado”, geralmente num fundo de poupança ou numa conta associada.

Parece uma boa ideia e até pode ser mas psicologicamente desliga-te do valor real que estás a gastar. Pagas 19,20€ mas sentes que gastaste “menos de 20€”. Esse “quase nada” repetido dezenas de vezes por mês é o que mantém os lucros constantes dos bancos de retalho.

O atraso calculado das notificações
Já reparaste que às vezes as notificações das tuas compras demoram a chegar? Não é sempre erro da app. Alguns bancos atrasam propositadamente o envio de alertas quando o cliente está a fazer várias transações seguidas.

A ideia é simples: não interromper o fluxo de compras. Se recebes notificações a cada 10 segundos, paras para pensar. Mas se só chegas a casa e vês todas de uma vez, já é tarde  e o cartão já trabalhou por ti.

Como não cair nestas armadilhas
Não há como escapar completamente, mas há formas de contrariar a psicologia do sistema:
  1. Desativa limites automáticos e aumentos “pré-aprovados”.
  2. Vê o teu saldo real, não o “disponível”.
  3. Usa apenas alertas imediatos por SMS ou push.
  4. Evita cartões com pagamento diferido porque mascaram o impacto do gasto.
O segredo é simples: quanto mais consciência tens do que gastas, menos te conseguem influenciar.

segunda-feira, 6 de outubro de 2025

Ao que nós chegamos

"Respondam, respondam a tudo, em todo o lado", escreve José Pacheco Pereira no Público. "Denunciem os grandes mentirosos, os violentos, os manipuladores, os falsificadores, a invasão das redes sociais por repetidores da extrema-direita que, como não têm emprego, e estão todo o dia disponíveis para fabricar vídeos, têm de ser pagos por alguém. Eles vivem de mostrar como qualquer berro à direita “arrasa”, “destrói”, “esmaga” os que a confrontam. O exemplo de Isaltino mostra como é possível confrontar com sucesso esse mundo de mentira, violência, e aquilo a que se chama na ópera braggadocio.
Nestas eleições, como em geral em toda a actividade política, não há qualquer movimento ascendente em política que não seja o populismo dominado pela questão central do combate à imigração. A sua expressão política é o Chega, que domina toda a vida política, o discurso político, a agenda mediática, os debates, e as campanhas eleitorais em grande parte do país. Apesar de ser um partido bastante minoritário — teve menos de um quarto dos votos nas eleições legislativas de 2025, o que nem sempre é lembrado —, tudo o que “mexe” em Portugal acontece à volta do Chega.
Esta situação é uma enorme vitória política, que contrasta com a estagnação e a cedência aos temas do Chega por parte do PSD, com o bloqueio do crescimento da Iniciativa Liberal, com a crise profunda de identidade do PS que gera a paralisia do partido, e com a decadência acentuada do PCP e do Bloco — com a única excepção à esquerda de algum crescimento do Livre. É um panorama que, no seu conjunto, aponta para uma grave crise do sistema partidário pós-25 de Abril, crise que é estrutural e não conjuntural. Sendo assim, tudo está a mudar, sem ser no sentido de reforçar a democracia, nem a governação, nem o centro “moderado”, com um desequilíbrio no par direita-esquerda, claramente a favor da direita, criando um caos e uma errância cujos únicos efeitos previsíveis são a crise institucional e política da democracia. Este processo não é apenas português, é europeu e mundial.
Se não se partir daqui, desta análise fria e cruel, com elementos de catástrofe, não se parte da realidade, e essa é a primeira resposta aos que dizem que não basta análise, são precisas respostas. A primeira resposta é mesmo reconhecer que se está muito mal e que, tendo em conta a Lei de Murphy, vai ser tudo muito pior.
A segunda, é perceber como se chegou aqui, com um modelo de economia que favoreceu os de cima, cada vez mais ricos, deixou ficar a meio do elevador social todos os que estavam a sair da pobreza, fez descer uma parte da pequena e média burguesia e colocou numa redoma os mais pobres, deixando que dentro dessa redoma a inveja e o ressentimento social crescessem, com pobres a combaterem pobres. O combate por uma economia que incorpore um forte elemento de justiça social não é comunismo, é a doutrina social da Igreja.
Terceira, a evolução da economia capitalista associou-se a uma ecologia comunicacional que premeia a ignorância agressiva, a solidão, a desagregação de todas as relações que não passem pelas redes sociais, sem contacto humano, a não ser a competição por likes, e por frases assassinas, e insultos, e memes imbecis. Ao mesmo tempo, o deslumbramento tecnológico destruiu muito da função da escola, e diminuiu drasticamente o papel das mediações sociais, culturais, associativas, políticas e, no limite, familiares e religiosas.
A quarta resposta é o combate, sem transigência, pela democracia, combate esse que existe muito menos do que se possa pensar. Há mais moleza do que combate, e esse combate assume duas dimensões. Uma é contra as manifestações políticas do populismo, que conta nesse plano com um sistema de mentiras canalizado pelas redes sociais, nas quais se manipula o modo emotivo, que hoje é o mecanismo dominante do discurso nesses locais. Respondam, respondam a tudo, em todo o lado. Denunciem os grandes mentirosos, os violentos, os manipuladores, os falsificadores, a invasão das redes sociais por repetidores da extrema-direita que, como não têm emprego, e estão todo o dia disponíveis para fabricar vídeos, têm de ser pagos por alguém. Eles vivem de mostrar como qualquer berro à direita “arrasa”, “destrói”, “esmaga” os que a confrontam.
O exemplo de Isaltino mostra como é possível confrontar com sucesso esse mundo de mentira, violência, e aquilo a que se chama na ópera braggadocio. Outro é o exemplo do vitelo que combateu a fanfarronice toureira e nem sequer deu a Núncio, do CDS, o privilégio de lhe tocar o dorso. Isaltino e o vitelo viraram o feitiço contra o feiticeiro.
Outra resposta é mostrar a enorme contradição entre a brutalidade populista e os ensinamentos e a actuação das igrejas cristãs, que ainda são uma referência para milhões de portugueses. Denunciar a hipocrisia diante do altar, ou do padre, ou do pastor, e a falta de sentimentos cristãos face aos mais desprotegidos é eficaz, porque torna ridículo o bater no peito e o ajoelhar em pose.
Outra resposta é o combate intransigente pelos direitos humanos, cívicos, laborais dos imigrantes. Valorizando uma das coisas que este populismo de extrema-direita quer combater, o alvo de gente como Elon Musk: a empatia. E de novo a hipocrisia. Os militantes do Chega mandam vir comida pelos estafetas ou não? Não deviam, pois não? Porque isso é ajudar a imigração ilegal. Eles usam-nos nas estufas em condições de calor extremo? Não deviam, pois não? Deviam apenas contratar portugueses. E isso implica uma dura pressão sobre os governantes, cujas “autoridades” deviam multar a sério quem despreza as “condições de trabalho”, e quem viola a lei para ganhar dinheiro com os párias da imigração.
Há mais para os próximos artigos, o papel da nossa história, o patriotismo, e no fim e no princípio de tudo, a coragem. Estou mesmo a ver quem vai dizer, “mas isso é pouco, isso não é nada, isso não vai travar o Chega”. Não sei. O que sei é que não fazer nada não trava coisa nenhuma.

sábado, 27 de setembro de 2025

Há uma nova fraude a preocupar os portugueses


Uma nova fraude por SMS está a circular em Portugal, utilizando indevidamente a identidade do Serviço Nacional de Saúde (SNS) e da linha SNS 24. Os Serviços Partilhados do Ministério da Saúde (SPMS) emitiram esta semana um alerta, denunciando uma tentativa de fraude com o objetivo de recolher dados bancários dos utentes.

Qual é a fraude sobre o SNS?
De acordo com a informação divulgada pela SPMS, a mensagem fraudulenta informa o destinatário sobre alegados "valores em dívida" ao SNS. O conteúdo do SMS exige o pagamento do montante em causa no prazo de cinco dias, criando um sentido de urgência que visa pressionar a vítima a agir sem verificar a veracidade da informação.

Além disso, a mensagem inclui um link que direciona para uma página falsa, com aparência semelhante à de portais oficiais. Nesse site fraudulento, são solicitados dados pessoais e bancários, bem como instruções para pagamento por multibanco. A SPMS esclarece que esta comunicação é completamente falsa e que nenhum serviço do SNS utiliza mensagens escritas para notificar utentes sobre dívidas ou para recolher informações sensíveis.

Como funciona o SNS 24?
Em comunicado, os Serviços Partilhados do Ministério da Saúde reforçam que nem o SNS nem a linha SNS 24 recorrem ao envio de SMS para cobrança de valores em atraso. As entidades oficiais de saúde não pedem dados pessoais ou bancários através deste meio de comunicação.

Assim, qualquer mensagem que contenha pedidos de pagamento ou solicitação de dados confidenciais deve ser considerada suspeita. O comportamento recomendado pelas autoridades é claro: não responder, não clicar em links e apagar a mensagem de imediato.

Aumenta o número de burlas digitais em Portugal
Da mesma forma, nos últimos meses, tem-se verificado um aumento significativo no número de fraudes digitais em território nacional. Os esquemas mais comuns incluem o envio de mensagens com conteúdos alarmantes, muitas vezes associados a instituições públicas ou entidades de confiança, como o SNS.

Com efeito, estas fraudes aproveitam-se da credibilidade das instituições portuguesas para manipular os utentes e obter informações financeiras. Para combater este tipo de crime, é fundamental adotar uma postura de vigilância constante e reportar qualquer tentativa suspeita às autoridades competentes.
Autoridades fazem apelo à vigilância

A SPMS, em conjunto com outras entidades públicas, reforça o apelo para que os cidadãos mantenham uma atitude preventiva face a este tipo de ameaças. Em caso de dúvida, o contacto com os canais oficiais do SNS ou com a Polícia Judiciária permite esclarecer a veracidade da mensagem.

A partilha de dados bancários deve ser feita apenas em plataformas seguras e com entidades verificadas. Ao mesmo tempo, é essencial não divulgar qualquer informação pessoal a remetentes desconhecidos.

segunda-feira, 15 de setembro de 2025

Burla - Nunca digas esta palavra proibida quando alguém estranho te liga


Parece inofensivo. Atendes o telemóvel, ouves uma voz que não conheces e, quando te perguntam “Está a ouvir bem?”, respondes automaticamente “sim”. Mas essa pequena palavra, a palavra proibida, pode ser a porta de entrada para uma burla que já fez milhares de vítimas em todo o mundo. E o pior? Muitas só perceberam quando já tinham dinheiro a sair da conta ou faturas inesperadas para pagar.

Como funciona a armadilha da palavra proibida
Os burlões sabem que não precisam de muito para enganar alguém. Basta uma resposta curta, gravada no momento certo.

Assim a chamada parece legítima. Assim o número pode até aparecer no visor como sendo de um banco, da operadora ou de um serviço público.
Entretanto surge a pergunta armadilhada. Trata-se de algo simples e banal, como “Está a ouvir bem?” ou “É o titular da conta?”.
O “sim” gravado: capturam a tua resposta automática.
A manipulação: esse áudio é colado noutro contexto, como “Confirma que aceita o contrato de adesão ao serviço X por 19,99€/mês?”.
A surpresa desagradável, mais tarde, recebes faturas, débitos ou até cobranças judiciais.

Casos que já aconteceram
Em Espanha, várias pessoas receberam chamadas de falsos serviços de energia. Bastou um “sim” para ficarem com contratos de luz e gás que nunca pediram.

Nos Estados Unidos, há registos de bancos a rejeitarem queixas porque os burlões apresentaram gravações editadas com a voz da vítima a dizer “yes”.

Em Portugal, consumidores já relataram subscrições fantasma em operadoras e seguros, quase sempre depois de atenderem chamadas suspeitas.
Porque caímos tão facilmente?
  1. Reflexo automático: todos estamos habituados a responder “sim” sem pensar.
  2. Distração: no carro, no trabalho, em casa, a pressa faz-nos cair no truque.
  3. Falsa autoridade: quando a voz soa “profissional”, o instinto é confiar.
  4. Tecnologia de spoofing: os burlões conseguem mascarar o número para parecer oficial.
O que NUNCA deves fazer
Se receberes uma chamada de um número desconhecido, grava estas regras na tua memória:

Nunca digas “sim”. Evita a todo o custo. Entretanto usa respostas neutras como “Estou a ouvir”, “Quem fala?” ou “Pode repetir?”. Se insistirem em pedir confirmação, pede sempre envio por escrito.

Desliga imediatamente se sentires algo estranho e verifica depois o número na internet ou no site oficial da empresa.

E se já disseste a palavra proibida?
Se já caíste nesta armadilha, ainda podes defender-te:
  1. Revê as tuas faturas e extratos bancários.
  2. Bloqueia imediatamente cobranças estranhas junto do banco.
  3. Reclama formalmente na operadora, seguradora ou empresa em causa.
  4. Denuncia às autoridades: quanto mais rápido o fizeres, mais hipóteses tens de parar a fraude.
  5. Informa familiares e amigos: se tu foste apanhado, eles podem ser os próximos.
O medo real
Entretanto o maior perigo deste esquema é que não precisas de fornecer dados bancários, passwords ou documentos. Assim basta uma palavra. Isso significa que qualquer pessoa, desde jovens distraídos até idosos mais vulneráveis, pode ser apanhada.

E é exatamente essa simplicidade que o torna tão assustador: os burlões só precisam de paciência, de um gravador e de alguém do outro lado da linha que diga a palavra proibida.

Na era digital, onde cada vez mais negócios e contratos se fazem à distância, o valor da tua voz nunca foi tão alto. Um simples “sim” pode ser manipulado para te roubar centenas ou até milhares de euros.

Protege-te, partilha este alerta e avisa os mais próximos. Porque, quando se trata de burlas, a prevenção é sempre a melhor defesa.

sábado, 28 de dezembro de 2024

Como não cair nos golpes de vishing e smishing?



Com o avanço da tecnologia e a crescente dependência de dispositivos móveis e comunicação digital, os golpistas também evoluíram suas táticas de ataque.

Se você já ouviu falar em phishing, prepare-se para conhecer suas variações igualmente perigosas: o vishing e o smishing.

No texto a seguir, vamos explorar como esses golpes funcionam e, mais importante, como você pode se proteger.

Entendendo o contexto: o que é phishing?
Antes de mergulharmos nas variações mais recentes, é fundamental compreender o phishing. O termo deriva da palavra "fishing" (pescaria em inglês), fazendo uma analogia ao ato de "pescar" dados sensíveis dos usuários, ou seja, conseguir acesso a dados pessoais de maneira fraudulenta.

Nessa modalidade de golpe, criminosos se passam por instituições confiáveis através de links ou anexos em e-mails.

E o funcionamento é simples: se o clique acontecer, os golpistas conseguem capturar informações sensíveis para dar sequência no golpe, como senhas, dados bancários ou de um cartão de crédito, por exemplo.

Vishing: o golpe que usa sua voz contra você
O vishing (Voice Phishing) representa uma evolução sofisticada do phishing. Nesta modalidade, os criminosos utilizam chamadas telefônicas para aplicar seus golpes.

Os golpistas do vishing frequentemente utilizam tecnologias de manipulação de números telefónicos (spoofing) para fazer a chamada parecer que vem de uma fonte confiável, como seu banco ou uma empresa conhecida.

Eles podem até mesmo criar centrais telefónicas falsas completas, com músicas de espera e menus automáticos que imitam serviços legítimos.

Como funciona um ataque de vishing?
Um cenário típico de vishing começa com uma ligação telefônica em tom de urgência, em que o golpista pode se apresentar como um funcionário do seu banco, alertando sobre uma transação suspeita em sua conta.

Para dar credibilidade ao golpe, ele pode mencionar dados básicos sobre você, muitas vezes obtidos pelas redes sociais ou vazamentos de dados.

O objetivo é criar senso de urgência e medo, levando a vítima a agir impulsivamente. O criminoso pode pedir confirmação de dados pessoais, senhas ou até mesmo solicitar transferências bancárias para uma suposta "conta segura".

Lembre-se: instituições financeiras nunca solicitam dados sensíveis por telefone ou mensagem. Em caso de dúvida, sempre entre em contato com os canais oficiais. A segurança digital é uma responsabilidade compartilhada, e cada usuário tem um papel fundamental na prevenção destes golpes.

Smishing: quando as mensagens de texto se tornam ameaça
O termo smishing combina "SMS" com "phishing", representando ataques realizados via mensagens de texto. Com o aumento do uso de aplicativos de mensagens como WhatsApp e Telegram, o smishing tornou-se ainda mais sofisticado e perigoso.

Funcionamento de um ataque de smishing
Os golpes de smishing geralmente começam com uma mensagem que parece legítima, como:

• Notificações de entrega de pacotes;
• Alertas bancários fora dos canais oficiais ou de cobranças de taxas e multas;
• Promoções imperdíveis;
• Comunicados governamentais ou de instituições conhecidas

Essas mensagens costumam conter links maliciosos que, quando clicados, podem:
• Redirecionar para páginas falsas que roubam dados;
• Instalar um aplicativo fraudulento (malware) e infectar o dispositivo com um vírus, por exemplo;
• Cobrar taxas por meio de Pix ou boletos falsos.

Como vishing e smishing se relacionam?
Frequentemente, criminosos combinam diferentes técnicas para tornar seus ataques mais convincentes. Por exemplo, um golpista pode enviar uma mensagem de texto (smishing) alertando sobre uma transação suspeita e fornecer um número para contato, iniciando assim um ataque de vishing quando a vítima liga para o número indicado.

Como se proteger contra vishing e smishing?
Os principais jeitos de se defender do vishing são:
- Desconfiar de chamadas não solicitadas: nunca forneça informações sensíveis por telefone, mesmo que o número pareça legítimo;
- Se receber uma ligação supostamente do seu banco, desligue e ligue diretamente para o número oficial da instituição:

sexta-feira, 1 de outubro de 2021

A «justiça injusta» de João Rendeiro


Quando esta terça-feira se conheceu a condenação a três anos e seis meses de prisão efectiva num processo por crimes de burla qualificada, avisado, o ex-presidente do Banco Privado Português (BPP) já estava a salvo, certamente num país sem acordos de extradição para Portugal.

No mesmo dia, o próprio afirmou num post publicado no seu blogue que tinha tomado a «opção difícil» de não regressar perante o que classificou de «justiça injusta». Entretanto, o advogado de João Rendeiro fez a sua parte. Disse que não sabia nem queria do seu cliente, e que este saiu do País «em liberdade» (tal como afirmava Fátima Felgueiras em 2003), embora não seja este o único processo judicial em que o ex-banqueiro está implicado.

João Rendeiro, que a poucos dias do colapso do banco lançou o livro Testemunho de um Banqueiro, com o subtítulo A história de quem venceu nos mercados e um autocolante onde anunciava dez conselhos para investir «com segurança», já tinha sido condenado em Maio, juntamente com outros ex-administradores do BPP, a dez anos de prisão efectiva, por crimes de fraude fiscal, abuso de confiança e branqueamento de capitais.


O banco vocacionado para gerir grandes fortunas faliu em 2008 com uma dívida de 700 milhões de euros e vários clientes lesados. Um ano antes, o BPP pagou milhões de euros em dividendos aos seus accionistas, como Balsemão e o próprio Rendeiro.

A par dos escândalos da banca privada que os portugueses tão bem conhecem, já que acabaram por rebentar na sua algibeira, o atraso com que são levados à Justiça (Rendeiro só começou a responder em 2014, assistido então por José Miguel Júdice) e a facilidade de fuga dos seus responsáveis são mais uma acha para a fogueira do populismo, reforçando a convicção de haver uma «Justiça para ricos» e outra para os que vivem dos seus rendimentos.

A ministra da Justiça reconheceu esta tarde que a fuga de Rendeiro gera «um grande desconforto social» e «entre agentes da Justiça». Mas não chega falar do óbvio. Tão certo como a promiscuidade e a subordinação do poder político ao económico criarem condições para o florescimento da corrupção, é o facto de, entre outros aspectos, a Justiça precisar de um reforço de meios para que não se continuem a somar escândalos como este.

Sucessivos governos têm passado ao lado desta questão como quem passa por vinha vindimada, mas enquanto não se corrigir a carência de meios materiais e humanos, questão que afecta, por exemplo, o trabalho realizado pelo Ministério Público, é a democracia que paga a factura.

domingo, 2 de maio de 2010

Europa: continuam as fraudes na compra de créditos de carbono



Autoridades alemãs investigam empresas do mercado de carbono
30/04/2010 por Fernanda B. Muller

Autoridades alemãs estão investigando 230 escritórios e residências sob suspeita de ligação com a fraude carrossel sobre a taxa de valor agregado (VAT, em inglês) ao redor da Europa.

A promotoria de Frankfurt disse que as perdas em impostos podem ter chegado a € 180 milhões. São 150 os suspeitos em 50 empresas, sendo que as batidas policiais já resultaram até em congelamento de bens em várias.

Até mesmo grandes instituições, como o Deutsche Bank, estão sendo investigadas, apesar do banco ter alegado não ser o alvo das investigações, segundo a Bloomberg.

Em entrevista ao Business Green o chefe executivo da Associação Internacional para o Comércio de Emissões (IETA, em inglês) Henry Derwent disse que a menos que a União Europeia consiga acabar com este tipo de fraude será cada vez mais difícil convencer outros países a adoptar esquemas de comércio de emissões.

“É difícil explicar que esta fraude tem a ver com a falta de regras harmonizadas sobre a VAT e não algo que é intrinsecamente ligado ao comércio de carbono”, disse Derwent.

Acções similares para a investigação da fraude já aconteceram noutros países da Europa, como na Espanha, Noruega, França e Reino Unido. A própria Comissão Europeia aprovou regras modificadas revertendo para os clientes a responsabilidade de pagar a VAT.

A fraude carrossel ocorre quando os créditos de carbono são comprados num determinado país europeu e importados para outro sem o pagamento da taxa de valor agregado (VAT, sigla em inglês). Ao vender os créditos para terceiros, os fraudulentos cobram a taxa e desaparecem sem repassar para os governos.

Segundo a Europol, as fraudes podem ter resultado em prejuízos da ordem de € 5 mil milhões.