Mostrar mensagens com a etiqueta Justiça Climática. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Justiça Climática. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 6 de agosto de 2026

Portugueses lideram estudo para descobrir como a poluição atmosférica castiga os mais pobres


Viver numa rua onde o ar carrega o peso de milhares de escapes diários ou o fumo constante de uma fábrica não é, para muitas famílias, uma escolha. É a única opção compatível com o seu orçamento.

A comunidade científica internacional já classifica a poluição atmosférica como o maior perigo ambiental para a sobrevivência humana, mas o risco não é igual para todos. As populações mais vulneráveis enfrentam níveis de exposição muito superiores.

Foi esta desigualdade que motivou uma equipa liderada pela Universidade de Aveiro a analisar exaustivamente a literatura científica global. Em colaboração com a Universidade de Coimbra, o Laboratório Associado de Sistemas Inteligentes da Universidade do Minho e a University of the West of England, os investigadores examinaram 99 artigos internacionais para perceber até que ponto as avaliações de impacto sanitário incorporam justiça ambiental e desigualdades sociais.

Mapa geográfico das falhas
Os resultados, publicados na revista Heliyon, revelam um desequilíbrio geográfico na produção de conhecimento. Dos 21 países onde se realizaram os estudos analisados, os Estados Unidos representam 53 por cento da amostra. O Canadá surge muito atrás, com seis por cento, seguido pela China com cinco por cento.

A investigação sobre injustiça ambiental cresce, no entanto, a ritmo acelerado: mais de metade dos artigos selecionados foram publicados nos últimos cinco anos.

Segundo os autores portugueses, esta tendência mostra uma maior atenção às dimensões sociodemográficas da crise ambiental. Ainda assim, a maioria dos trabalhos concentra-se nos efeitos prolongados da exposição, deixando de fora análises mais imediatas ou de curta duração.

O peso das partículas finas
A quase totalidade dos estudos centra-se nas partículas finas em suspensão, conhecidas como PM2.5. Estas partículas microscópicas conseguem penetrar profundamente no sistema respiratório e estão associadas a doenças graves.

Apesar disso, apenas metade dos artigos cruza os dados de monitorização ambiental com os registos médicos ou com os níveis reais de exposição das populações. A análise estatística clássica domina as metodologias, estando presente em cerca de 71 por cento dos casos. Os restantes trabalhos dividem-se entre modelação de cenários futuros e inquéritos diretos às comunidades afetadas, revelando abordagens ainda pouco integradas.

Ar puro não é para todos
A justiça climática parte da premissa de que quem menos contribui para a poluição é, muitas vezes, quem mais sofre com os seus efeitos. Todos os artigos revistos adotam esta perspetiva, avaliando fatores como rendimento e etnia. Os dados financeiros são o indicador mais utilizado, presente em 99 por cento das investigações.

A Organização Mundial da Saúde e o Painel Intergovernamental sobre Alterações Climáticas confirmam esta realidade. Famílias com baixos rendimentos e minorias étnicas vivem frequentemente perto de vias rodoviárias saturadas ou complexos industriais. A consequência traduz-se numa maior incidência de asma, doenças cardíacas crónicas e complicações durante a gravidez.

Lacunas na Europa
Perante este diagnóstico, os investigadores portugueses defendem que é urgente alargar estes estudos ao continente europeu e a outras regiões pouco representadas. A equipa sublinha a necessidade de modelos de análise mais robustos e métodos mistos capazes de captar a complexidade das variáveis sociais.

Para além dos dados numéricos, os autores destacam a importância de ouvir as comunidades através de inquéritos de proximidade.

O estudo conclui que compreender as perceções sociais e envolver os cidadãos na monitorização do ar é essencial para que as futuras políticas ambientais e de saúde pública deixem de ignorar as desigualdades que afetam a vida de milhões de pessoas.

Referência da notícia

quarta-feira, 8 de julho de 2026

Ecoansiedade pode mobilizar comportamentos pró-ambientais


Publicado no Journal of Risk Research, o artigo “Turning eco-anxiety into pro-environmental behaviour: risk perception as mediator” conta com a coautoria de Francisco Sampaio, docente da Escola Superior de Enfermagem da Universidade do Porto, juntamente com Sílvia Luís, Ana Loureiro, Jerônimo C. Soro, Catarina Possidónio e Rui Gaspar. A investigação analisou de que modo a ecoansiedade se relaciona com comportamentos pró-ambientais, considerando o papel da perceção de risco ambiental. A ecoansiedade refere-se à ansiedade perante problemas ambientais como as alterações climáticas, a poluição ou a degradação ecológica.

Com base em três estudos complementares, os autores recorreram a uma abordagem exploratória de métodos mistos, a um estudo transversal e a um estudo experimental. No primeiro estudo, refletir sobre emoções e pensamentos associados a problemas ambientais esteve associado a uma maior alocação de donativos a ONG ambientais. No segundo, os resultados apoiaram a hipótese de que a perceção de risco ambiental medeia a relação entre ecoansiedade e comportamentos pró-ambientais autorreportados.

No estudo experimental, a equipa induziu diferentes níveis de ecoansiedade de estado e avaliou a sua relação com a perceção de risco e com a distribuição de donativos por diferentes tipos de ONG. As análises de mediação sequencial sugeriram que níveis mais elevados de ecoansiedade de estado se associaram a maior perceção de risco ambiental e, por essa via, a maior disponibilidade para atribuir donativos a ONG ambientais.

Em termos práticos, o artigo sublinha que a ecoansiedade não deve ser simplesmente patologizada, nem amplificada como estratégia de comunicação. Os resultados apontam antes para a importância de apoiar as pessoas que já experienciam ecoansiedade, promovendo reflexão informada, compreensão clara dos riscos e formas concretas de participação pró-ambiental.

O trabalho conclui que a ecoansiedade pode contribuir para a mobilização pró-ambiental quando acompanhada por uma avaliação reflexiva dos riscos ambientais. Ainda assim, os autores salientam que são necessários estudos longitudinais e novas experiências que manipulem simultaneamente ecoansiedade e perceção de risco para clarificar melhor as relações causais entre estes processos.

Fontes:

sexta-feira, 26 de junho de 2026

Ativista condenada após plantar árvores em Alcochete. "Desproporcional"

Uma ativista do movimento Climáximo foi condenada a uma pena de prisão suspensa de um ano e seis meses, num tribunal militar, no rescaldo de uma "ação simbólica" de plantação de árvores no Campo de Tiro de Alcochete, apontado como o local de construção do novo aeroporto de Lisboa. O coletivo denunciou, na quarta-feira, "que julgar um civil em tribunal militar trata-se de um ato de repressão completamente desproporcional e violento", tendo em conta que a ação decorreu "sem qualquer ocorrências ou violência".

O caso remonta a 23 de maio de 2025, dia em que os ativistas levaram a cabo "uma ação simbólica" nos terrenos do Campo de Tiro de Alcochete, que consistiu na "plantação de sobreiros e exibição de uma faixa com a frase ‘Aeroporto de Alcochete p’ró cacete – Nem aqui, nem em lado nenhum!’, numa clara rejeição à expansão aeroportuária e à política de crescimento das emissões poluentes".

O coletivo assinalou, em comunicado, que "umas pessoas entraram no terreno, colocaram uma faixa, plantaram umas árvores, fizeram um vídeo, e saíram tranquilamente do espaço", sem provocar "qualquer impacto ou dano". Ainda assim, o Ministério Público acusou uma porta-voz da iniciativa, identificada como Bianca Castro, de entrada ou permanência ilegítima, tendo o caso sido tratado "como um crime estritamente militar".

Na quinta-feira, a jovem pronunciou-se nas redes sociais, onde publicou um vídeo em que comparou a sua sentença com outras decisões judiciais, nomeadamente em casos de abuso sexual e prostituição de menores.

"Quero pôr a minha sentença em perspetiva. Um ex-dirigente do Chega foi condenado por prostituição infantil a um ano e três meses de pena suspensa. Três anos e meio de pena suspensa para o polícia que matou Odair Moniz. Pena suspensa de um ano e oito meses para um padre condenado por tentativa de abuso sexual de menor. Um professor foi condenado a três anos de prisão com pena suspensa por abuso sexual de crianças. Eu plantei árvores e [recebi] uma pena mais pesada do que um condenado por prostituição infantil, e quase metade do que apanhou o polícia que matou Odair. Isto é justiça para quem?", questionou.

Várias personalidades demonstraram publicamente o seu apoio à ativista, incluindo nomes como Capicua, Hélio Morais e Diogo Carmona.

Também o Climáximo considerou que "julgar um civil em tribunal militar trata-se de um ato de repressão completamente desproporcional e violento", recordando "que, apesar de o terreno estar a ser tratado como zona militar, estamos a falar de um terreno considerado para uso de aviação civil, sendo atualmente uma ampla área de preservação ambiental que está em risco de destruição com a construção do novo aeroporto".

O grupo sublinhou ainda que a "ação simbólica visava travar a construção deste novo aeroporto e alertar sobre a crise climática, que poucos meses depois [...] já causou um comboio de tempestades que destruiu vários territórios em Portugal e atualmente provoca ondas de calor mortíferas".

"A Bianca foi condenada a uma pena de prisão suspensa de um ano e seis meses, à entrada de um dos verões mais quentes nos registos. A crise climática continua a agravar-se; as políticas públicas negacionistas do clima continuam em curso. O movimento pela justiça climática, pelo mundo inteiro, continua a resistir ao sistema político e económico que leva a Humanidade ao colapso climático", acrescentou.

Na altura, Bianca Castro argumentou que a construção do novo aeroporto era "o equivalente a lançar bombas de carbono na atmosfera", pelo que o protesto representava "uma semente de resistência e perseverança, desafiando a morte e desolação que um novo aeroporto traria".

Este caso levanta importantes questões sobre a utilização de tribunais militares para julgar civis em ações de protesto, e a forma como a justiça portuguesa equilibra as sentenças de crimes ambientais e outros delitos graves, provocando um debate contínuo sobre a proporcionalidade e equidade no sistema judicial. Até onde deve ir o direito ao protesto? A lei deve ser cega ao motivo de uma invasão pacífica?

segunda-feira, 11 de maio de 2026

Climáximo mancha de tinta vermelha fachada da empresa de defesa Thales


Elementos do coletivo Climáximo mancharam, esta segunda-feira, com tinta vermelha a fachada da empresa Thales, especializada em Defesa, em Oeiras, num protesto pela parceria que a firma tem com a produtora de armas israelita Elbit Systems.

A PSP de Oeiras disse à Lusa que os agentes estiveram no local pelas 07:05 e confirmaram a ação, mas já não encontraram nenhum ativista quando chegaram ao edifício.

Numa nota divulgada à comunicação social, os elementos do Climáximo dizem que escreveram a palavra "genocida" a vermelho na fachada da Thales, em Paço de Arcos, a 4.ª maior empresa de armamento, tecnologia e segurança da Europa, produzindo mísseis, carros de combate, drones e outros equipamentos e tecnologias usadas para vigilância e aniquilação de alvos.

Citado no comunicado, o estudante de biologia da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa Filipe Antunes acusa a Thales de lucrar diretamente "com a morte de milhares de pessoas" e de ser "parte integral de um modelo que promove a matança de pessoas inocentes por todo o mundo" que é “indissociável dos combustíveis fósseis”.

"Estes são um multiplicador da capacidade bélica, sendo a guerra moderna dependente e só possível devido aos combustíveis fósseis", considera o estudante, elemento deste movimento.

Refere ainda que a Thales é central nos esforços de militarização das fronteiras europeias que fazem das pessoas migrantes "alvos de ataque, repressão e desumanização" e considera a empresa "um pilar" na expansão da extrema-direita internacional e no "progresso do imperialismo e de políticas bélicas, genocídas e fascistas".

A questão do cumprimento dos embargos pela Thales é um dos temas mais divisivos no panorama geopolítico europeu, especialmente quando analisamos a linha ténue entre a legalidade estrita e a responsabilidade ética. Para compreender a situação em Portugal e no resto da Europa, é necessário notar que a Thales não opera no vácuo; ela funciona sob um regime de autorizações estatais que, muitas vezes, serve de "escudo" jurídico contra acusações de violação de tratados.

De uma perspetiva puramente legal, a Thales afirma respeitar rigorosamente todos os embargos impostos pela ONU e pelas jurisdições onde mantém sedes, como França e Reino Unido. No entanto, o que observadores internacionais e organizações de direitos humanos apontam é a existência de "zonas cinzentas". Um exemplo recorrente é a exportação de componentes de tecnologia de dupla utilização (dual-use), que podem ser classificados como civis mas acabam integrados em sistemas de armamento. Além disso, a empresa tem enfrentado desafios judiciais significativos, como a queixa-crime apresentada em França por alegada cumplicidade em crimes de guerra no Iémen, sob o argumento de que a manutenção técnica fornecida aos equipamentos da coligação liderada pela Arábia Saudita facilitou ataques a civis.

Outro ponto crítico prende-se com a estrutura multinacional da empresa. Muitas vezes, componentes fabricados numa subsidiária britânica ou australiana podem ser exportados para destinos que enfrentariam maiores restrições se o envio fosse feito diretamente de França. Este fenómeno, descrito por críticos como "triangulação", permite que a empresa se mantenha dentro da lei de cada país, embora possa estar a contornar o espírito dos embargos internacionais mais amplos.
Apesar do discurso de "conformidade", a Thales enfrenta pressões legais significativas:

O Caso do Iémen (Investigação em curso): em 2022, ONGs como a Sherpa e a Amnistia Internacional entraram com uma queixa criminal na França contra a Thales, Dassault e MBDA. A acusação é de cumplicidade em crimes de guerra. Alegam que a Thales forneceu manutenção e sistemas de mira para jatos usados pela Coligação política liderada pela Arábia Saudita em ataques a civis no Iémen, mesmo após as atrocidades terem sido documentadas. A investigação judicial ainda estava ativa em 2025.

Exportações para Israel (2024-2026): após a suspensão parcial de licenças de armas pelo Reino Unido em 2024, surgiram denúncias de que componentes da Thales (como radares para drones Watchkeeper) continuaram a ser enviados. A empresa e o governo alegaram que eram para "re-exportação" (para países como a Roménia), mas grupos como o CAAT (Campaign Against Arms Trade) denunciaram em 2026 que não havia provas de que esses componentes saíram de Israel, sugerindo uma brecha no controle de uso final.

Em suma, embora a Thales raramente seja apanhada numa violação direta e flagrante de um embargo — o que resultaria em sanções catastróficas para os seus acionistas —, ela é frequentemente acusada de beneficiar de interpretações políticas convenientes das regras de exportação. Para a empresa, a validade de uma licença governamental é o selo de ética necessário; para os seus detratores, essa licença é apenas uma formalidade burocrática que não apaga a responsabilidade moral sobre o destino final da tecnologia vendida.

O coletivo, que luta pela "justiça climática", denuncia a "fatia considerável" de emissões do complexo industrial militar, tal como os milhões gastos em armamento e combustíveis fósseis, afirmando que este financiamento deveria antes ser aplicado na criação de um "Serviço Nacional do Clima", para gerir a transição energética, e em empregos no setor dos cuidados e serviços de apoio social, garantindo saúde, educação e alimentação.

"Se não desmantelarmos os combustíveis fósseis, não só não vamos conseguir travar os conflitos atuais como estes se vão multiplicar e escalar em guerras por acesso a comida e água", considera o Climáximo, que convoca a população a juntar-se, no dia 15 de maio, à concentração que vai promover ao final da tarde frente à sede do Governo.

sexta-feira, 8 de maio de 2026

David Attenborough faz 100 anos: O maior aliado da Natureza ainda tem fé no Homem


Sir David Attenborough celebra esta sext-feira o 100.º aniversário e dispensa apresentações. A paixão e o entusiasmo com que deu a conhecer, ao longo das últimas sete décadas, o complexo e mágico mundo selvagem educou, entreteve e inspirou milhões de pessoas em todo o Mundo. Antes de alertar para questões ecológicas, ele ensinou-nos a amar cada espécie, mesmo as mais estranhas e perigosas.

David Frederick Attenborough nasceu a 8 de maio de 1926 em Isleworth, Londres, mas passou a infância em Leicester. Fascinado por fósseis, estudou Geologia e Zoologia. Em 1952 tornou-se estagiário na BBC e dois anos depois apresentava ‘Zoo Quest’ - apesar de acharem que os seus dentes eram “demasiado grandes” -, que combinava cenas de estúdio com imagens reais da vida selvagem, algo inédito até então. Imerso nos ambientes que visita, foi pioneiro em técnicas de filmagem e nunca hesitou em ultrapassar os limites para captar a essência dos 94 países que explorou, o que lhe permitiu viver experiências marcantes com alguns dos animais mais raros do planeta, como os gorilas da montanha no Ruanda. Na sua vida, apenas se arrepende de não ter sido um pai mais presente para Susan e Robert, frutos da sua relação com Jane Oriel, com quem casou em 1950. Esta viria a morrer em 1997, quando o britânico estava a filmar ‘The Life of Birds’, na Nova Zelândia. “Em momentos de luto - luto profundo - o único consolo que podemos encontrar é no mundo natural.”

Atualmente, Attenborough reduziu o ritmo das viagens, mas continua a trabalhar em estúdio: “No dia em que deixar de conseguir subir e descer as escadas é o dia em que paro.” O seu foco é agora na conservação do mundo natural: “É a maior fonte de tanta coisa na vida que a torna digna de ser vivida. Talvez um dia possa ser visto como alguém que documentou o início de uma nova relação entre a humanidade e a natureza.”

O centenário do naturalista é hoje assinalado com um evento no Royal Albert Hall, em Londres, e com o lançamento do documentário ‘Life on Earth: Attenborough’s Greatest Adventure’, da BBC.

Saber mais

quarta-feira, 22 de abril de 2026

A petromasculinidade está a destruir o planeta. Será que a ecomasculinidade pode ajudar a salvá-lo?


A influenciadora feminista Liz Plank abre o seu livro inovador, "For the Love of Men", com uma afirmação ousada: "Não existe maior ameaça para a humanidade do que as nossas definições atuais de masculinidade". Ela refere-o a vários níveis, desde o mais íntimo: como os parceiros masculinos são a principal causa de morte das mulheres grávidas nos EUA; até ao mais macro: como associar "comportamentos ecologicamente conscientes à feminilidade e à rejeição da masculinidade" está literalmente a matar o planeta. Neste Dia da Terra, vale a pena refletir sobre o porquê de isto acontecer e o que pode ser feito a esse respeito.

Embora não seja novidade para a maioria que, em comparação com as mulheres, os homens deitam mais lixo para o chão , reciclam menos e deixam uma maior pegada de carbono , há algo mais extremo do que a simples falta de consideração que leva os jovens, numa forma de protesto anti-ambiental conhecida como " rolling coal " (soltar fumo negro), a modificar os motores a diesel das suas carrinhas de caixa aberta para expelir deliberadamente grandes quantidades de fumo cinzento-escuro e, em seguida, atropelar carros Prius e ciclistas .

Da mesma forma, a satisfação emocional de "humilhar os liberais" ou as dezenas de milhões em contribuições de campanha que Trump recebeu da indústria dos combustíveis fósseis não explicam totalmente o puro rancor que leva o seu governo a forçar centrais a carvão deficitárias no Michigan a continuarem a operar ou a cancelar projetos de energia eólica offshore perfeitamente viáveis ​​e já 80% concluídos em Connecticut. Sem falar do lançamento de mais uma guerra pelo petróleo no Médio Oriente, em estilo cowboy, sem qualquer planeamento estratégico.

O que liga os pontos aqui é algo mais desarticulado e intrincado: uma versão hiperagressiva e impregnada de petróleo da masculinidade tóxica, conhecida como "petromasculinidade". E é crucial para compreendermos porque é que nós, enquanto sociedade, estamos a falhar na união em torno de uma visão ecológica partilhada.

Cunhado pela politóloga Cara Daggett num artigo de 2018 , o termo “petromasculinidade” descreve uma fusão perniciosa entre o uso de combustíveis fósseis, a negação das alterações climáticas e a defesa da masculinidade patriarcal branca autoritária. Observando como a extracção e o consumo de combustíveis fósseis são codificados como “masculinos”, enquanto o ambientalismo e a tecnologia verde são codificados como suaves, fracos e “femininos”, o termo demonstra como os homens inseguros estão cada vez mais a apoiar-se numa identidade petromasculina para afirmar a autoridade masculina tradicional face às alterações climáticas, às ameaças às indústrias extractivas tradicionais e à transformação das normas sociais.

Para a maioria das pessoas, a petro-masculinidade veio ao de cima de forma dramática durante o confronto de 2022 no Twitter/X entre o rufia da manosfera Andrew Tate e Greta Thunberg.

"Por favor, forneça o seu endereço de e-mail para que eu possa enviar uma lista completa da minha coleção de carros e as suas respetivas emissões enormes", tweetou Tate para a Greta, juntamente com uma fotografia dele a abastecer um deles.

Percebendo as conotações sexualmente jactanciosas daquelas "emissões enormes", Greta respondeu com um tom malicioso: "Sim, por favor, esclareça-me. Envie um e-mail para smalldickenergy@getalife.com."

Com 3,3 milhões de gostos e mais de 500 mil retweets, tornou-se “o tweet que teve impacto em todo o mundo” e, nas palavras de Rebecca Solnit, “um lembrete da interseção entre machismo, misoginia e hostilidade à ação climática”, impulsionada por “versões de masculinidade em que o egoísmo e a indiferença – o individualismo levado ao extremo – são características definidoras e, por isso, importar-se e agir para o bem coletivo é a sua antítese”.

Como activista climático de longa data, tenho assistido de perto a esta divisão de género na luta climática. Sejam comentadores da Fox News a proferir negações climáticas sem qualquer fundamento ou trolls machistas a chamarem-lhe "corno" nos comentários só por se preocuparem com o planeta, era impossível não reparar num certo tipo de homem com um certo tipo de atitude: geralmente branco e zangado, defendendo agressivamente – e visivelmente imbecil – o status quo dos combustíveis fósseis. Isto era geralmente acompanhado de uma ostentação arrogante de prerrogativa e privilégio masculino, incluindo o privilégio de destruir o planeta, se fosse o que lhes desse na telha.

Embora Andrew Tate provocar uma adolescente com fotos sensuais dos seus 27 carros desportivos seja inquestionavelmente repugnante e patético, parte da agressividade defensiva associada à masculinidade ligada ao consumo de petróleo é compreensível.

Imagine que extrair carvão é algo que você e os seus antepassados ​​fizeram durante gerações, e que pagou a renda e deu uma sensação de masculinidade e heroísmo (apesar dos malefícios e perigos). E então, aparece um ambientalista bem-intencionado num Prius a dizer que não se devia fazer mais aquilo. Mas ele não está a oferecer uma alternativa de sustento viável, certamente não uma com dignidade e aquela aura misteriosa de "virilidade" que a extracção de carvão tinha. Quem não ficaria na defensiva?

Se aceitar a realidade das alterações climáticas conduz logicamente a certas soluções que perceciona como ameaças à sua identidade e estilo de vida, faz sentido que se agarre firmemente à negação climática. E depois, mostre o dedo do meio àqueles arrogantes condutores de Prius com uma bela "soltada de fumo negro".

Então, o que fazer? Em primeiro lugar, como o movimento de transição justa sabe desde o início, precisamos de oferecer uma alternativa económica concreta. A postura de repreensão liberal não vai funcionar aqui e, na verdade, faz parte de um problema maior: os democratas estão a perder eleitores e eleições (recorde-se a piada/perceção de Marc Maron de que a esquerda "irritou as pessoas ao ponto de as levar ao fascismo" em 2024). Em vez disso, precisamos de oferecer uma alternativa real, como um Novo Acordo Verde, que de facto cumpra a promessa de "milhões de empregos bons e bem remunerados", como Bernie Sanders, Alexandria Ocasio-Cortez e o Movimento Sunrise (e, em menor medida, Biden através do seu IRA) têm tentado fazer.

Para aqueles de nós que tentam desesperadamente construir um consenso público para a transição dos combustíveis fósseis para as energias renováveis, a petromasculinidade sugere que combater as alterações climáticas não é apenas um desafio tecnológico, económico ou político, mas também uma luta cultural e psíquica contra uma "petrocultura" enraizada e fortemente marcada pelo género.

O chamamento vem de dentro da casa. O patriarcado está profundamente enraizado. Ultrapassá-lo é um esforço multifacetado, que se estende por gerações. Envolve tanto uma reestruturação do poder (com benefícios indirectos para o planeta, como demonstram inúmeros relatórios que mostram que quanto maior a igualdade de género numa sociedade, mais robustas são as suas políticas climáticas), como uma profunda viagem de cura interior por parte dos homens, para desfazer condicionamentos nocivos e encontrar o caminho para um novo tipo de masculinidade ecológica.

“Não é que os homens não se preocupem com o ambiente”, defende Liz Plank. “Simplesmente são ensinados a preocuparem-se mais com as ameaças à sua masculinidade.” Para ajudar os homens a inverter a importância destas prioridades, os defensores do ambiente têm adoptado três abordagens básicas: descodificar, recodificar e “codificar para a masculinidade”.

Através da literacia mediática, da crítica social, das batalhas ideológicas diretas na internet e de uma inteligente subversão e sátira cultural , os ativistas climáticos e de outras causas estão a trabalhar para descodificar a petromasculinidade. Estão a salientar o quão ridícula, "construída" e autodestrutiva a petromasculinidade é para os homens, as suas comunidades e o próprio planeta, e a esperar que, com o tempo, isso ajude a desvendar a forte associação entre os combustíveis fósseis e uma identidade masculina fragilizada. A crítica de Greta Thunberg a Andrew Tate é um exemplo; este artigo, suponho, é outro.

Uma segunda abordagem é recodificar – ou, como gosta de dizer a botânica indígena Robin Wall Kimmerer, “recontar a história” – a escolha entre combustíveis fósseis e energias renováveis. Um bom exemplo actual desta abordagem é a iniciativa Energia do Céu – Não do Inferno, que a rede inter-religiosa de cuidado da criação GreenFaith (com – para ser totalmente transparente – alguma ajuda da minha parte) está a promover.

Utilizando uma variedade de abordagens, desde sermões do Dia da Terra a banda desenhada ao estilo de panfletos religiosos, a iniciativa sugere que “Deus deixou claro de onde quer que obtenhamos a nossa energia”: não do fogo venenoso do inferno, mas do sol e do vento nos céus. Uma vez compreendida, esta alegoria é difícil de ser desvista. E se a consonância moral e cosmológica com Deus tiver agora mais força do que alguma ameaça percebida à sua masculinidade por parte das energias renováveis ​​“femininas”, então alguns homens podem mudar de ideias.

Por fim, ao retratar a tecnologia verde de uma forma mais tradicionalmente masculina e "viril", os defensores estão a tentar associar as soluções climáticas a um código masculino. O lançamento da pick-up totalmente elétrica F-150 Lightning da Ford em 2023 é um exemplo disso. Entretanto, várias equipas de relações públicas de energias renováveis ​​têm utilizado cenas de homens a colocar cintos de ferramentas e a subir degrau a degrau a 90 metros de altura para reparar uma turbina eólica, a fim de convencer os homens de que têm um lugar no futuro verde e promissor da América.

A mensagem principal aqui é: pode ser másculo sem combustíveis fósseis.

Olhem para mim, sou provavelmente a pessoa menos "petro-masculina" que conheço. O que não me torna menos masculino, muito obrigado, apenas menos "petro" . Não tenho carro; em vez disso, liberto a minha testosterona ao andar de bicicleta um pouco agressivamente demais pelas ruas de Nova Iorque. Não tenho um desportivo para acelerar, mas ir dos 0 aos 100 km/h em 3,7 segundos no Tesla Model 3 turbinado do meu amigo (comprado em segunda mão antes de Elon Musk se tornar fascista) foi uma experiência emocionante que repetiria a qualquer momento.

Não desafio os pacatos ambientalistas "carregando" o meu camião turbinado com carvão, mas já desafiei a corporação mais poderosa do mundo ao coproduzir um anúncio chamado " A Exxon Odeia os Seus Filhos ", destacando as dezenas de milhares de mortes por problemas respiratórios causadas pelo principal produto da empresa, e transmitindo-o mesmo no quintal da Exxon, em Irving, no Texas. Dediquei a última década da minha vida a fazer com que a nossa civilização abandonasse os combustíveis fósseis e migrasse para fontes de energia mais limpas, ecológicas e pacíficas, e isso nunca me fez sentir menos homem – muito pelo contrário.

Um homem bom deve assumir responsabilidades, não se esquivar a elas. Entristece-me que a resposta de tantos homens ao perigo ecológico em que nos encontramos seja renunciar à responsabilidade, ficar na defensiva e agir de forma impulsiva. Quando o perigo chega, um homem bom deve proteger o seu lar e os seus entes queridos.

Ora, neste Dia da Terra, como em todos os outros, é evidente que, seja pelo aquecimento global, pela perda de biodiversidade ou pelo racismo ambiental, a nossa única casa está em sérios apuros. Por isso, homens, neste Dia da Terra, comprometamo-nos a libertarmo-nos da petromasculinidade e a abraçar a nossa ecomasculinidade. Vamos mobilizar o nosso engenho e reunir a nossa coragem – e sentir a nossa tristeza, se necessário – para que nos possamos lembrar do quanto realmente nos preocupamos com este planeta lindo e milagroso em que todos vivemos juntos. E depois, vamos mobilizar-nos para protegê-lo. Afinal, o que é mais "masculinidade protectora" do que proteger a Terra?

Ler mais:

quarta-feira, 25 de março de 2026

Melinda Janki: Como enfrentamos uma gigante petrolífera - e vencemos


As empresas petrolíferas podem parecer invencíveis, mas são mais vulneráveis ​​do que se imagina, afirma a advogada Melinda Janki, especialista em justiça climática e ambiental. Ela conta a história de como enfrentou a ExxonMobil no seu país natal, a Guiana, conquistando vitórias históricas contra a gigante petrolífera — e provando que podemos transformar as leis existentes em ferramentas poderosas para a mudança.

"Se intentar uma ação judicial por motivos ambientais e perder, não deverá suportar as custas da outra parte." - Melinda Janki

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

The Youth Movement in a Post-Growth World


Bringing about alternatives to our capitalist growth system at the speed and scale needed is no easy task. The herculean work to develop transformative worldviews, including theories toward a steady state economy, is ongoing and increasingly cross-sectoral. At the core of this endeavor is the recognition that we cannot implement alternatives to growth capitalism without first addressing cultural and social dynamics deeply rooted in colonialism and cultural appropriation.

In this context, youth movements, particularly those focusing on environmental justice, have led the way for many. Youth activists often draw clear connections among the fossil-fueled economy, extractivism in general, colonialism, and a range of other systemic issues, such as racial justice.

The Young Feminist Fund (FRIDA), for example, has established the parallel nature of several struggles for justice. They have articulated the need to stand up to ecocide and genocide and move beyond capitalism, which they see (logically enough) as linked at the hip with growth. FRIDA’s recently published report states: “Neoliberal capitalism thrives in power-over structures that keep decision-making in the hands of those with privilege, access, and wealth.”

Let’s take a closer look at the Youth Movement and assess how it might help society move beyond the capitalist growth system.

Youth Aren’t Always Radical
The Youth Movement is not a unified voice that shares the same vision of the future. Nor do youth-led organizations employ the same methods to actualize their visions. Some take a more radical approach than others. The radicality of an organization is often assessed by its relationship to power, in terms of funding as well as access to decision-making spaces and representation.

A large number of youth-led organizations take the “moderate” approach. The majority of environmental organizations are quite in line with this approach, as steady staters have long lamented. Moderate youth activists believe that, though the system is not great, it could be improved with the right champions in place or the right voices speaking on the right panels.

Youth organizations that take a moderate approach, explicitly or not, make the assumption that if enough funding flows through the right organizations, transformative change is possible. But it’s hard to imagine that reforming our economic system—based on interest-bearing debt and rooted in growth capitalism—is simply an issue of funding or access to decision-making spaces.

Vanessa Andreotti addresses the question of what it will take to transform our dying system (death being the ultimate outcome of unsustainability) in her book Hospicing Modernity. She writes about methodological, educational, and ontological (relating to being) interventions. Andreotti argues that only the latter can truly lead to systemic change.

Youth Activism and Professional-Class Liberalism
The Youth Movement has achieved a lot over the last few years. It has self-organized first at the local level, through volunteering, and grown into a global movement acting at the policy level. Throughout that time, youth activists have undergone a professionalization process, becoming highly trained.

In many ways, this is a positive development. There are more panels, workshops, and seminars with young activists (for instance at UN Climate Conferences) than ever. At these events, youth are making the case for more action to address the environmental emergency.

However, there are concerns about the Youth Movement joining the elite club of professional-class liberals. This club includes lawyers, economists, policy experts, and nonprofit executives. The global expansion of graduate and professional education has been a key driver of growth in this elite club.

The Youth Movement is organizing increasingly through the creation of non-profit organizations, sharing decision-making power with governing and advisory boards. They are also developing fundraising strategies and advocacy and communication plans. All of this makes them professional activists and members of the informal club of professional-class liberals. At what cost?

The Youth Movement is a diverse collection of individuals with different socio-economic backgrounds, lived realities, and opinions. However, only a handful of groups are made visible on the international stage. The level of visibility awarded to young activists often correlates with their willingness to adopt a “soft critique” of growth capitalism, far from the radical discourse they often come from. In other words, those in power are telling youth groups: We are willing to talk to you as long as you do not say anything to make us too uncomfortable. One gets the impression that some of the most visible youth organizations seek simply a piece of the cake, not to re-bake the cake.

Some youth-led organizations do recognize growth capitalism as the root cause of environmental breakdown. However, seldom are they equipped with a shared and coherent theory of change. They don’t have the tools to 
1) recognize biases and the ways in which they might be part of the problem; 
2) engage in decolonizing languages and narratives; and 
3) mobilize funding to sustain radical work.

YOUNGO’s latest Strategic Policy Position is an example of how the Youth Movement is stuck at methodological and epistemological levels of analysis, not reaching the ontological level necessary for systemic change. One of the organization’s most important policy recommendations is to “incorporate the participation of children and youth as agents of change, as well as considerations of intergenerational equity throughout all decision-making.” However, this promotion of youth feels weak without an alternative theoretical framework. Which youth will they prioritize for participation, and to bring about what change?

Youth inclusion should not be a goal by itself; it should be a means to an end. The end we need is a comprehensive and radical change away from the capitalist growth system.

Embracing Radicality
A “radical” approach to youth-led activism targets growth capitalism as the root cause of ecological breakdown. It also targets the cultural and social components of the capitalist growth system. For the Youth Movement to embrace radicality further, activists must develop a sharp understanding of the fundamentals of this system. They must also unlearn many of the mental projections internalized over the years, at a collective and individual level. For instance, many youth have internalized consumerism, mass advertising, and “self-exploitation,” turning their activism into a spectacle and a competition.

At the end of the day, what determines an organization’s ability to embrace radicality—and contribute to a genuine alternative—is its relationship to all forms of power. To what extent is a group identifying, calling out, and challenging the status quo? Without an analysis of power dynamics, the risk is that youth environmental groups will limit their focus to reforms that those in power approve of. They may not dedicate enough time to sensibly think, dream, and feel about a future worth fighting for.

The Youth Movement can be proud of what it has achieved. So many youth organizations focus on important issues: access to funding, decision-making spaces, and climate education, for example. But the Youth Movement must not stop here. Taking down cultural and social dynamics deeply rooted in pro-growth capitalism means asking some tough questions. What privileges am I willing to let go of? Do I actually want to change the system, or do I just feel bad about not being part of it?

We need all hands on deck to ideate new ways to equip the Youth Movement with a holistic, radical approach. To generate systemic change, young activists must be brave in their criticism of capitalism and growth.

Unfortunately, they must also get comfortable with doubt, not knowing exactly what tomorrow will look like. Fonte

terça-feira, 16 de dezembro de 2025

World heading toward ‘peak glacier extinction’ with up to 4,000 set to disappear a year



Hundreds gathered to say goodbye when 700-year-old Pizol died. The funeral in Switzerland in 2019 was solemn. Mourners wore black; flowers were laid; a priest spoke. It was a symbolic moment: Pizol had been a glacier, but human-driven climate change had reduced it to some scattered chunks of ice.

Pizol is far from the first glacier death. Thousands have vanished over the past few decades and as the world continues to heat up, they are expected to disappear at an increasing pace. New research gives a glimpse of just how quickly that might happen, and it’s stark.

By the middle of the century, the number of glaciers disappearing is set to peak at up to 4,000 a year, if humans keep pumping out climate pollution, according to a study published Monday in Nature Climate Change. That’s equivalent to losing all the glaciers in the European Alps in just one year.

Research has tended to focus on the total amount or area of ice lost from glaciers as temperatures tick upward, rather than changes to their total number. This is partly because the number of glaciers is a less clearly defined metric. It depends on assessments of what constitutes a glacier and current inventories sometimes struggle to detect smaller or debris-covered ice bodies. Best estimates say there are currently more than 200,000 glaciers on Earth.

But the study authors say knowing where and when individual glaciers will vanish is important. It shows “climate change does not just lead to some ice melt, but it leads to the complete extinction of many glaciers,” said Matthias Huss, a study author and a glaciologist at the Swiss university ETH Zürich, who spoke at Pizol’s funeral back in 2019.

The scientists looked at the planet’s glaciers using a global database to pin down “peak glacier extinction,” meaning the period during which the largest number of glaciers disappear.

They used models to determine when each individual glacier would become too small to be classified as a glacier: defined as when its area falls below 0.01 square kilometers (0.004 square miles), or it reaches less than 1% of its initial volume, as measured around the year 2000.

Their analysis found that glacier extinction will peak around mid-century, with the exact timing and extent dependent on the level of global warming.

If the world manages to keep warming to 1.5 degrees Celsius above pre-industrial levels, something it is not on track to do, the number of individual glaciers disappearing will peak around 2041, at roughly 2,000 per year.

At 4 degrees of warming, that peak shifts to the mid-2050s and intensifies to around 4,000 a year. This is 3 to 5 times higher than the present rate of global loss, the report says.

The world is currently on course for around 2.7 degrees of warming if climate pledges are met. At this level, peak extinction will happen over a longer period, with the world losing around 3,000 glaciers a year between 2040 and 2060.

The researchers also drilled down to specific regions. In areas where smaller glaciers dominate, such as the European Alps, parts of the Andes and North Asia, more than half the glaciers are expected to disappear within the next two decades, the report found. They are also expected to see an earlier peak in glacier extinction, around 2040.

In contrast, regions with bigger glaciers, including Greenland and the Russian Arctic, will see a delayed peak in glacier extinction, later in the century.

Whether the world ends up witnessing the deaths of 2,000 or 4,000 glaciers a year is all about how much is done to rein in global heating.

Only 20% of glaciers are expected to remain by 2100 under 2.7 degrees of warming, compared to around 50% at 1.5 degrees. At 4 degrees, the world is looking at a nearly complete loss of glaciers.

“This study does a great job at highlighting the fact not only are glaciers melting worldwide, many of them may be entirely gone in the coming decades; and the trend is accelerating,” said Eric Rignot, professor of Earth system science at the University of California at Irvine, who was not involved in the research. It is “a point of no return, because reforming a glacier would take decades if not centuries,” he told CNN.

The losses will have significant implications. Glaciers are a vital source of water for many communities but beyond that, they are a tourist draw, attracting millions of visitors each year and many ski resorts depend on them. They also hold a deep cultural importance for communities, tied to local traditions.

“They are really icons of climate change,” said Harry Zekollari, a study author and glaciologist at the Vrije Universiteit Brussel in Belgium. “If you go to someone, you talk to them on the street about the fact that temperatures have risen by 2 degrees, it’s really difficult to picture, but glaciers, they’re so visual.”

quarta-feira, 26 de novembro de 2025

2,9 milhões de euros. É este o valor que Portugal perde todos os dias


Não é um erro de cálculo. É o dinheiro que as multinacionais retiram do país diariamente através de esquemas de planeamento fiscal agressivo. Estamos a falar de mais de 1000 milhões de euros por ano que deviam entrar nos cofres públicos, mas que desaparecem para paraísos fiscais ou jurisdições mais simpáticas.

​E quem é que paga o rombo? Pagas tu.
​A máquina fiscal é implacável, mas só com quem não tem como fugir. Caem em cima do trabalhador por conta de outrem, caem em cima da pequena empresa que luta para pagar salários, caem em cima da classe média. Para nós, a carga fiscal é asfixiante, para os gigantes que lucram milhões cá dentro, é opcional.

Relatório da Tax Justice Network
O relatório da Tax Justice Network concluiu que durante seis anos, entre 2015 e 2021, Portugal perdeu cerca de cinco mil milhões de euros. Ou seja, por ano o país ficou com menos 800 milhões de euros. O estudo indica que estas perdas estão associadas a estratégias de transferência de lucros para paraísos fiscais e jurisdições fiscais mais brandas. Dos cinco mil milhões perdidos, cerca de 739 milhões de euros correspondem apenas a multinacionais com sede nos Estados Unidos

O contraste com Espanha é humilhante.
​Enquanto por cá fingimos que não se passa nada, aqui ao lado teve-se a coragem política de avançar. Espanha criou o Imposto de Solidariedade sobre Grandes Fortunas (para patrimónios acima de 3 milhões de euros). Resultado? Só no primeiro ano, foram buscar 623 milhões de euros aos mais ricos. O Tribunal Constitucional espanhol deu luz verde, ignorando os protestos da direita que queriam proteger os milionários.

Para atenuar os efeitos da evasão fiscal, as autoridades portuguesas têm em vigor uma taxa aprovada pelo G7, em 2021, e apoiada pelo G20, que passa pela cobrança de 15% sobre os lucros das multinacionais com vendas superiores a 750 milhões de euros.

​Lá, o dinheiro dos mais ricos serve para financiar o Estado Social. Cá, continuamos a proteger o grande capital enquanto o SNS, a Cultura, a Ciência, o Ambiente e a Escola Pública pedem socorro.

​E não se iludam com o atual cenário político. Com o crescimento da direita e da extrema-direita em Portugal, a tendência não será ir atrás dos poderosos. A história diz-nos exatamente o oposto, o discurso de "baixar impostos" serve muitas vezes para aliviar quem está no topo, enquanto a fatura e o desmantelamento dos serviços públicos sobram para quem vive do seu trabalho. Vêm sempre atrás do elo mais fraco.
A questão é até quando vamos permitir.

quinta-feira, 6 de novembro de 2025

Cop30: Desmascarar os bloqueios e exigir acção real

Em novembro de 2025, Belém do Pará, no coração da Amazónia, acolherá a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (COP30). O lugar não é neutro: é o epicentro de uma floresta que regula o clima global e, ao mesmo tempo, uma das regiões mais ameaçadas pela desflorestação, pela exploração predatória e pela desigualdade social. Realizar a COP na Amazónia é um gesto político e simbólico: o debate climático no território onde se decide o destino do planeta.

Mas o simbolismo não basta. O mundo chega a Belém dividido, com emissões recorde e promessas incumpridas. A diplomacia climática vive uma crise de confiança, e os interesses fósseis continuam a ditar o ritmo da ação global. A COP30 será, por isso, um momento de verdade sobre o futuro coletivo da humanidade.

A crise climática é hoje uma evidência incontornável. Secas, cheias e ondas de calor extremo afetam todos os continentes e o tempo para agir esgota-se. O clima precisa de todos, mas sobretudo precisa de coragem política.

Mais de metade das emissões globais provém de empresas estatais sediadas em regimes autoritários. Das vinte maiores companhias de combustíveis fósseis do mundo, dezasseis são públicas e controladas por governos como os da China, Rússia, Irão e Arábia Saudita. Estes países tornaram-se o principal travão à descarbonização. A Rússia usa a energia como arma geopolítica; a China, responsável por cerca de 30 % das emissões globais, continua a construir centrais a carvão; o Irão e a Arábia Saudita financiam a dependência global do petróleo e bloqueiam sistematicamente o avanço dos acordos internacionais. Enfrentar esta realidade é uma exigência civilizacional.

Durante demasiado tempo, a diplomacia internacional preferiu o silêncio à verdade. Tratou por igual quem age e quem sabota, quem investe na transição e quem lucra com a destruição. Esse modelo está esgotado: não se vence uma emergência planetária com concessões a quem nega o futuro.

Mas a hipocrisia não é exclusiva das autocracias. Democracias como o Reino Unido, o Japão e o Canadá continuam a subsidiar combustíveis fósseis enquanto proclamam metas de neutralidade carbónica. Esta duplicidade mina a confiança global e fragiliza a liderança moral do mundo democrático.

A União Europeia deve abandonar a complacência e assumir o papel de força motora. É urgente aplicar de forma firme o ajustamento de carbono nas fronteiras, eliminar os subsídios ao petróleo e ao gás, e investir decisivamente na transição justa - dentro e fora de fronteiras. A diplomacia climática precisa de ser estratégica, transparente e corajosa.

A COP30 será um teste. Mais do que uma conferência, é a fronteira entre o discurso e a ação. O mundo precisa de recuperar a confiança na cooperação internacional e provar que ainda é capaz de convergir em torno do essencial: garantir um futuro habitável. A crise climática é também uma crise de desigualdade. Não haverá transição justa sem redistribuição de poder, de riqueza e de oportunidades. 

Combater a emergência climática é construir justiça social e regeneração económica. A humanidade precisa de decisões.

A justiça climática exige clareza, coragem e ação. Agora.

Diário de Coimbra, 4 de novembro de 2025

terça-feira, 26 de agosto de 2025

Constantes ondas de calor estão a acelerar o envelhecimento humano




Um novo estudo inovador publicado na Nature Climate Change revelou que a exposição repetida ao calor extremo pode acelerar o envelhecimento biológico, o tipo de desgaste interno que prevê problemas de saúde graves e morte prematura. 

Os investigadores acompanharam 25.000 adultos em Taiwan durante 15 anos e descobriram que mesmo aumentos modestos na exposição a ondas de calor fizeram com que a sua idade biológica ultrapassasse a idade real, particularmente para os trabalhadores manuais que passam mais tempo ao ar livre.

Em apenas dois anos, a experiência de quatro dias extra de onda de calor correlacionou-se com um aumento de nove dias na idade biológica e, para alguns trabalhadores, este aumento saltou para 33 dias.

Os cientistas afirmam que as descobertas marcam uma “mudança de paradigma” na nossa compreensão dos efeitos a longo prazo do calor na saúde, colocando os seus danos em pé de igualdade com o tabagismo, o consumo excessivo de álcool ou uma dieta inadequada.

A investigação concluiu que à medida que as ondas de calor se tornam mais intensas e frequentes devido às alterações climáticas, milhares de milhões de pessoas- especialmente  as comunidades mais desfavorecidas, sem acesso a aparelhos de refrigeração e quem trabalha ao ar livre, ou a habitação segura -  são mais afetadas por esta exposição e enfrentam um maior risco de envelhecimento precoce e de doenças crónicas. Os danos começam cedo na vida e podem persistir durante toda a vida, agravando as disparidades na saúde. Esta investigação realça a necessidade urgente de ações climáticas globais e de estratégias locais de saúde pública para proteger as populações dos efeitos ocultos e permanentes do aumento das temperaturas.

Outro estudo muito semelhante e complementar foi publicado na Science Advances em fevereiro de 2025 por investigadores da USC, que se concentrou especificamente em adultos mais velhos nos EUA e utilizou relógios epigenéticos para mostrar que aqueles em regiões quentes (como Phoenix) envelheciam biologicamente até 14 meses mais rápido ao longo de alguns anos.

sábado, 26 de julho de 2025

O Tribunal Internacional de Justiça (TIJ) declarou que os países têm a obrigação legal de agir em relação às alterações climáticas



The UN’s principal judicial body ruled that States have an obligation to protect the environment from greenhouse gas (GHG) emissions and act with due diligence and cooperation to fulfill this obligation.

This includes the obligation under the Paris Agreement on climate change to limit global warming to 1.5°C above pre-industrial levels.


‘A victory for our planet’
UN Secretary-General António Guterres issued a video message welcoming the historic decision, which came a day after he delivered a special address to Member States on the unstoppable global shift to renewable energy.

"This is a victory for our planet, for climate justice and for the power of young people to make a difference," he said.



Reasoning of the Court
The Court used Member States’ commitments to both environmental and human rights treaties to justify this decision.

Firstly, Member States are parties to a variety of environmental treaties, including ozone layer treaties, the Biodiversity Convention, the Kyoto Protocol, the Paris Agreement and many more, which oblige them to protect the environment for people worldwide and in future generations.

But, also because “a clean, healthy and sustainable environment is a precondition for the enjoyment of many human rights,” since Member States are parties to numerous human rights treaties, including the Universal Declaration of Human Rights, they are required to guarantee the enjoyment of such rights by addressing climate change.

Case background
In September 2021, the Pacific Island State of Vanuatu announced that it would seek an advisory opinion from the Court on climate change. This initiative was inspired by the youth group Pacific Island Students Fighting Climate Change, which underscored the need to act to address climate change, particularly in small island States.

After the country lobbied other UN Member States to support this initiative in the General Assembly, on 29 March 2023, it adopted a resolution requesting an advisory opinion from the ICJ on two questions: (1)What are the obligations of States under international law to ensure the protection of the environment? and (2) What are the legal consequences for States under these obligations when they cause harm to the environment?

Judge Iwasawa said the questions “represent more than a legal problem: they concern an existential problem of planetary proportions that imperils all forms of life and the very health of our planet.”

The UN Charter allows the General Assembly or the Security Council to request the ICJ to provide an advisory opinion. Even though advisory opinions are not binding, they carry significant legal and moral authority and help clarify and develop international law by defining States’ legal obligations.

This is the largest case ever seen by the ICJ, evident by the number of written statements (91) and States that participated in oral proceedings (97).

The ‘World Court’
The ICJ, informally known as the “World Court”, settles legal disputes between UN Member States and gives advisory opinions on legal questions that have been referred to it by UN organs and agencies.

It is one of the six main organs of the UN alongside the General Assembly, the Security Council, the Economic and Social Council (ECOSOC), the Trusteeship Council and the Secretariat and is the only one not based in New York.

terça-feira, 22 de julho de 2025

Participação no 5.º ISA Forum of Sociology: Investigadoras destacam comunicação e justiça socioambiental em territórios insulares



Entre os dias 6 e 11 de julho de 2025, decorreu na Mohammed V University, Universidade Mohammed V, em Rabat, Marrocos, o 5.º ISA Forum of Sociology.  Ana Bijóias Mendonça* e Fátima Alves*, participaram neste encontro internacional com a apresentação de duas comunicações centradas nos desafios da comunicação, participação e justiça socioambiental em contextos insulares.

No dia 9 julho, na sessão dedicada às dinâmicas socioambientais, as investigadoras apresentaram a comunicação “Building Brighten Futures: Knowledge and communication on socio-environmental topics in two Macaronesian regions”, onde partilharam resultados de investigação que sublinham a importância de abordagens colaborativas e culturalmente enraizadas na construção de futuros mais sustentáveis. O trabalho apresentado destaca:
  1. A relevância das racionalidades leigas e dos saberes locais como recursos fundamentais para enfrentar a crise climática;
  2. A urgência de ultrapassar a ilusão de inclusão e reforçar políticas de proximidade, verdadeiramente participativas;
  3. A necessidade de consolidar redes de atores como alicerces para processos de codecisão orientados para a justiça socioambiental;
  4. A importância de escutar, traduzir, comunicar e coconstruir soluções com todas as vozes que habitam os territórios.
Já no dia 11 de julho, foi apresentada a comunicação “Powering Communication and Societal Engagement with Climate Research and Policies in Insular Territories”, baseada num estudo de caso comparado entre a Região Autónoma da Madeira e a Comunidade Autónoma das Canárias. A investigação analisou os mecanismos de construção e disseminação do conhecimento sobre alterações climáticas, revelando que os discursos institucionais continuam a privilegiar abordagens top-down. Apesar da retórica participativa, persistem resistências por parte dos poderes institucionalizados do conhecimento, dificultando o envolvimento efetivo das comunidades locais e de outros atores territoriais. O trabalho evidenciou:
  1. As dissonâncias e contradições que envolvem a comunicação sobre desafios socioambientais globais, com maior expressão nos territórios insulares;
  2. A necessidade de implementar mecanismos de comunicação mais alargados, céleres e eficazes;
  3. A importância de fomentar processos verdadeiramente inclusivos, coparticipados e consequentes que possam coadjuvar a tomada de decisão.
A presença das investigadoras neste fórum internacional reforça o compromisso com uma ecologia do conhecimento que valoriza a pluralidade epistémica e promove uma transição justa, enraizada nos contextos locais e atenta à diversidade de vozes e experiências que compõem os territórios.

Os resumos podem ser consultados no link abaixo.

*Grupo de Investigação Sociedades e Sustentabilidade Ambiental do Centre for Functional Ecology - Science for People & the Planet, Laboratório Associado TERRA da Universidade de Coimbra e da sua Extensão na Universidade Aberta de Portugal


Bijóias Mendonça, A., & Alves, F. (2025). Building brighten futures: Knowledge and communication on socio-environmental topics in two Macaronesian Regions. Em 5th ISA Forum of Sociology «Knowing Justice in the Anthropocene»—Book of Abstracts (pp. 120–120). International Sociological Association (ISA). https://www.isa-sociology.org/uploads/imgen/2252-5th-isa-forum-of-sociology-abstracts-book.pdf

Bijóias Mendonça, A., & Alves, F. (2025). Powering communication and societal engagement with climate research and policies in insular territories. Em 5th ISA Forum of Sociology «Knowing Justice in the Anthropocene»—Book of Abstracts (pp. 121–121). International Sociological Association (ISA). https://www.isa-sociology.org/uploads/imgen/2252-5th-isa-forum-of-sociology-abstracts-book.pdf

sábado, 19 de julho de 2025

A petrolífera britânica Cairn Energy processou a Índia e ganhou mais de mil milhões de dólares em fundos públicos


A petrolífera britânica Cairn Energy processou a Índia e ganhou mais de mil milhões de dólares em fundos públicos depois de a Índia ter tentado responsabilizá-la por evasão fiscal. O caso foi possível graças à Resolução de Litígios entre Investidores e Estados (ISDS), uma cláusula dos acordos comerciais que permite que as empresas processem os governos em tribunais privados. O ISDS permite que as empresas contestem as políticas que não lhes agradam - como as regulamentações ambientais, de direitos humanos ou fiscais - alegando lucros perdidos. Quando a Índia aplicou leis fiscais contra a Cairn, a empresa utilizou o tratado de investimento entre o Reino Unido e a Índia (que inclui o ISDS) para processar e ganhar. O caso mostra como a ISDS serve como uma "arma secreta" para as empresas de combustíveis fósseis, minando o direito das nações soberanas de regular as empresas. A ISDS dá prioridade aos lucros das empresas em detrimento do interesse público, permitindo que as empresas contornem os tribunais nacionais e drenem o dinheiro público quando são responsabilizadas por atos ilícitos. 

quarta-feira, 16 de julho de 2025

Plataformas tóxicas, planeta em colapso


Defensores da terra e do meio ambiente arriscam a vida defendendo os direitos de suas comunidades contra atividades econômicas destrutivas. Muitas vezes, eles são a última linha de defesa do planeta, soando o alarme sobre ameaças à própria existência da humanidade.

O esforço desses defensores os expõe a diversos perigos à sua segurança e bem-estar. Todos os anos, a Global Witness documenta esses ataques. No nosso relatório de 2024, revelamos que 196 pessoas foram assassinadas por defender suas terras e as suas casas. Muitas outras foram sequestradas, criminalizadas e silenciadas.

É comum que esses defensores dependam de plataformas digitais para se organizar, compartilhar informações e promover suas campanhas. Nos últimos anos, esses espaços online se tornaram os principais canais de comunicação de muitos defensores com seus públicos, sendo frequentemente utilizados para organização comunitária. No entanto, hoje sabemos que os defensores sofrem ataques consideráveis na internet, incluindo casos de trolling (provocações e mensagens ofensivas), doxxing (exposição de dados pessoais) e ataques cibernéticos.

Tema mais desenvolvido: aqui