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terça-feira, 30 de junho de 2026

Greenpeace alerta para falhas na prevenção dos incêndios em Portugal

Segundo o estudo, os grandes incêndios são um problema estrutural e não uma fatalidade associada apenas ao Verão. A investigação conclui que o risco começa a construir-se muito antes da época crítica, impulsionado pela pressão das alterações climáticas, pela acumulação de combustível vegetal, pela gestão insuficiente da paisagem, pelo abandono rural, pela expansão da interface urbano-florestal e pela falta de integração do risco de incêndio no ordenamento do território.

A Greenpeace Portugal apresentou hoje  o relatório “Incêndios florestais em Portugal: mais de 80 anos mostram que o país tem de mudar”, um estudo inédito que analisa a evolução dos incêndios florestais em Portugal desde 1943 e conclui que o país continua demasiado dependente das condições meteorológicas e da resposta à emergência, falhando na prevenção estrutural do risco.

O relatório foi desenvolvido pelo Centro de Estudos sobre Incêndios Florestais (CEIF), da ADAI/Universidade de Coimbra, sob coordenação científica do professor Domingos Xavier Viegas, e reúne mais de oito décadas de dados sobre incêndios em território nacional.

Segundo o estudo, os grandes incêndios são um problema estrutural e não uma fatalidade associada apenas ao Verão. A investigação conclui que o risco começa a construir-se muito antes da época crítica, impulsionado pela pressão das alterações climáticas, pela acumulação de combustível vegetal, pela gestão insuficiente da paisagem, pelo abandono rural, pela expansão da interface urbano-florestal e pela falta de integração do risco de incêndio no ordenamento do território.

Apesar da redução significativa do número de ignições nas últimas duas décadas, o relatório alerta que Portugal continua altamente vulnerável quando se conjugam fenómenos de calor extremo, seca e vento forte com uma paisagem pouco gerida.

Entre os anos analisados, 2003, 2005, 2017 e 2025 destacam-se pela dimensão da área ardida e pelo número de vítimas mortais, evidenciando um padrão de risco que, segundo os autores, permanece sem resposta estrutural. O estudo refere ainda que a maioria das ignições continua a ter origem humana, reforçando a necessidade de investir na investigação das causas, na sensibilização da população e em medidas preventivas.

Para o professor Domingos Xavier Viegas, a evolução dos incêndios resulta da conjugação de vários fatores, entre eles a crescente florestação do território, a redução da atividade agrícola, o despovoamento do interior e o agravamento das alterações climáticas.

“O conhecimento científico que hoje temos não nos permite continuar a fazer mais do mesmo”, afirma o coordenador do relatório, defendendo uma transformação profunda da gestão florestal e da paisagem. O investigador sublinha que, embora a capacidade de deteção e combate aos incêndios tenha melhorado significativamente nas últimas décadas, essa evolução não tem sido suficiente para evitar grandes incêndios em anos de condições meteorológicas extremas.

O diretor do CEIF destaca ainda que 2025 voltou a demonstrar a vulnerabilidade do país, com uma época marcada por temperaturas elevadas, seca meteorológica em grande parte do território e um aumento expressivo da área ardida durante o mês de agosto.

Para a Greenpeace Portugal, o relatório pretende contribuir para que o debate sobre os incêndios deixe de depender apenas da memória de cada verão e passe a assentar numa base científica sólida. O diretor da organização, Toni Melajoki Roseiro, considera que o documento deve servir como instrumento de escrutínio das políticas públicas e apoiar decisões sobre prioridades orçamentais e estratégias de prevenção.

Já Ana Farias Fonseca, coordenadora de Campanhas e Mobilização da Greenpeace Portugal, alerta que o país precisa de atuar sobre as causas estruturais dos incêndios, defendendo que a prevenção deve decorrer durante todo o ano. “Sem prevenção estrutural, o combate chegará sempre tarde demais”, afirma.

Na sequência das conclusões do estudo, a Greenpeace apresenta um conjunto de exigências dirigidas ao poder político, entre as quais uma ação climática mais ambiciosa, uma gestão estratégica da paisagem, maior envolvimento do setor privado, reforço da prevenção social das ignições, maior transparência na aplicação dos recursos públicos, revitalização económica do mundo rural e a criação de um pacto ibérico para aumentar a resiliência aos incêndios florestais.

Segundo a organização ambiental, o conhecimento acumulado ao longo de mais de 80 anos demonstra que Portugal dispõe hoje da informação necessária para alterar o paradigma da prevenção e reduzir o impacto dos grandes incêndios nas populações, na economia e nos ecossistemas.

Petição: aqui

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quarta-feira, 24 de dezembro de 2025

Curve - Horror Head



Fireworks, blue and green
I can see what they sing
But you are away
You always smile

Boxing ring
The back of mules
You can really see, from the inside
Across the room

There's a horror in my head
When the blanket is gone
From the floor in my castle
Where I see the Sun from [2X]

In the comfort of this room 
The challenge died
Remember you and me
We laughed till we cried

Horror Head, cujo significado não é literal; é mais simbólico e emocional, como é comum na banda. Não fala de “terror” no sentido de monstros ou horror clássico, mas sim de um estado mental sombrio, quase claustrofóbico. A canção é frequentemente interpretada como uma elegia a um amante perdido ou uma exploração de sentimentos de perda profunda e catarse. No clipe oficial da canção Cabeça de Horror utiliza cores vibrantes e cortes rápidos para reforçar essa sensação de desorientação

sábado, 4 de fevereiro de 2023

Escultura - Mount Recyclemore


Rush, now 60, has dedicated his life to recycling, at whatever level. I Am a Mutoid, a new film by Letmiya Sztalryd airing on BBC Four on Sunday, profiles this genial outsider artist who most recently hit the headlines with Mount Recyclemore, a sculpture depicting the G7 leaders in recycled metal and electronic components, positioned to face them as they met in Cornwall this month. That work was created by Rush and collaborator Alex Wreckage (possibly not his real surname) to indict the mountains of defunct computers and outmoded mobile phones slowly choking the planet. Does he think Johnson, Biden and the others will take heed? “Probably not,” he says, “but this is a ground-up movement. Ordinary people around the world seemed touched and inspired by it. Maybe our leaders will eventually catch up.”

Rush’s career as a salvage artist began one midsummer’s morning in the early 1980s when he was in the bath. He decided to shave off his hair. Once shorn, he went out on to Portobello Road in London, but he felt self-conscious so he came back in and glued a rabbit pelt to his bald head, then went out again. Later, he gussied the rabbit fur into a kind of Mohican and became something of a local character, looking like a figure from 2000AD, the British weekly comic he’d loved as a kid that featured a dystopian Mega-City. “You learn a lot from looking funny. Some people get scared, some angry. Sometimes you have to fight. And sometimes you find people who don’t feel threatened.”

He became obsessed with wheels, keeping motorbike spare parts and drip trays for oil in his bedroom. His hands were rarely clean. In London in 1984, he and a bunch of ex-punks formed the MWC. They put on parades down Portobello Road looking like cyberpunk comic book heroes or extras from the Mad Max franchise. They drove mutated motorbikes and flat-bed trucks from which flames rose into the sky, to soundtracks of snarling guitar and dub reggae. These events were a cross between theatre, circus, installation art and – as often as not – really bad traffic jams. “I had no desire to be taken over by society,” says Rush, “or be part of the straight world. I didn’t want to have roots. I wanted to keep on the move.”

He was inspired by his late father, the artist and single parent Peter Rush who, in the late 1960s and 70s, decided the family should hit the road. Peter bought a caravan, painted it jauntily and set off from Romney Marsh in Kent. They got as far as Salisbury, where Peter was knocked over by a car and injured so badly that life on the road came to an end. The MWC was, in part, a reprise of that alternative lifestyle: a collective of artists, musicians and disaffected Britons who creatively reinvented themselves as a tribe of human mutants living on the road, in squats, and – in Rush’s case at one point – a decommissioned Korean war helicopter sitting in a junkyard.

If you don’t mutate, you’re dead. That’s why I'm drawn to being on the road. My life has been about reclaiming the nomadic spirit
They were treated as pariahs by the early 1980s club scene in London, refused admission for looking too weird or potentially troublesome. So they created their own culture, a party scene in squats and abandoned warehouses that predated and inspired late 1980s rave culture. “The Thatcher years were really hard on us,” says Rush. “We became part of the traveller community who experienced persecution.” The culmination of that persecution, Rush tells me, was the Battle of the Beanfield in 1985. The Mutoid Waste Company joined about 140 vehicles known as the Peace Convoy, which headed to Stonehenge for a free festival. But English Heritage took out a last-minute injunction banning the festival and police arrested 537 people from the convoy after a bloody battle.

“That was it for us,” says Rush. “We were effectively driven out of the country.” He and his friends went into exile on the continent for a decade, only occasionally popping back. “In Europe, there wasn’t anything like a party scene or illegal warehouse parties. So we started putting on shows. We were mostly welcomed, unlike at home.” Why didn’t you just settle down? “That wouldn’t have been the mutoid way,” he laughs. But what is the mutoid way? “We’re mutating all the time. If you don’t mutate, you’re dead. That’s why we’re drawn to travellers and being on the road.”

Rush thinks humanity took a wrong turn when we became farmers and set aside the nomadic, hunter-gatherer existence that had characterised our species until then. “My life has been about reclaiming that nomadic spirit. All the festivals we’ve taken part in over the years are really just an echo of what happened when nomadic tribes came into the valleys in summer and partied.”

But he is not the refusenik outsider he used to be. “The key moment came when one of my sons got sick from Agent Orange or DDT or whatever it was left in Berlin’s no man’s land. He needed more serious treatment than dangleberries and herbal tea.” In 1995, after 10 years wandering Europe, he and the MWC returned to Britain, where his son got proper hospital treatment and Rush made his peace with straight society for the sake of his family.

Before Mount Recyclemore, he was probably best known for his long association with Glastonbury. In 1987, the mutoids were allocated a field at the festival site. There, the recyclers built Carhenge and surrounded it with what Rush calls “an apocalyptic Disneyland on acid”. There were sculptures, installations and dinosaurs assembled from scrap metal. Drums were omnipresent and festivalgoers at various levels of consciousness joined the mutoids in beating oil barrels, car wrecks and metal statues.

In later years, Rush’s pyrotechnical spectacles, animatronic robots, sculptures, stage shows and mutant parade of strange vehicles driven by even stranger humans have become key to Glastonbury’s ethos. Rush was behind such annual spectacles as Unfairground, Trash City, Joe Strummer’s Memorial Tree (made from exhaust pipes) and a giant mechanical phoenix that hung over the Pyramid Stage as the Rolling Stones headlined in 2013. Most recently, he built Glastonbury on Sea, a replica of a seaside pier which seemed to imagine the kind of architecture Somerset will need if sea levels rise thanks to the climate crisis.

In 2012, he was invited to art direct and perform the closing ceremony of the Paralympic Games in London. The pariah had become a national treasure. “We’d been hounded out of Britain and now we were representing Britain. The whole thing blew our minds.” During the ceremony, Prince Edward arrived in a mashup of a 1930s gangster car and an Afghan armoured vehicle, and then the MWC drove into the stadium in salvaged, pimped-up rides and put on a show that was as visually compelling as Danny Boyle’s opening ceremony for the Olympics earlier that summer.

Lockdown has given Rush the chance to concentrate on creating other things. Fossil-like works mostly, made from spanners and bike chains, as well as a sculpture consisting of all his dogs from over the years, their heads and bodies crafted from repurposed drills, carburettors and other detritus. It’s a touching memorial: pets reborn as trans-canine mutants.

Some of his work was recently on show at Fulham town hall in London, part of a show called Art in the Age of Now. Does this mean Rush is finally joining the art world, and moving from the street and field to the gallery? “I’ve never wanted to be part of the art world,” he says, “because that would involve cosying up to people I don’t really understand or like.”

While he is a contemporary of such YBAs as Damien Hirst and Tracey Emin, unlike them Rush never went to art school or had his oeuvre collected by Charles Saatchi. That said, he has worked with Banksy and Hirst. The latter gave him tips on how to make bronze versions of sculptures originally created from recycled aluminium.

When lockdown ends, he is hoping to return to his European travels – and put on exhibitions in museums. “I don’t want to be in galleries,” he says. “I want to be in museums like the V&A, Tate Modern and the Musée d’Orsay in Paris.” What’s the distinction? “Private galleries own you and your art. I don’t want that. My principle has long been that if a child thinks a work of art is bollocks, it’s probably no good. Kids can see through nonsense. And I try to remain a child in that sense. Some people think you need to grow up. You don’t. You just need to learn how to keep playing. I’m lucky enough to be still doing that.”

sábado, 7 de janeiro de 2023

O crescimento populacional é um dos principais impulsionadores da degradação do clima e da perda de biodiversidade

As pessoas se reuniram em Paris para os fogos de artifício da véspera de Ano Novo. 'A humanidade ultrapassou 8 biliões no ano passado.' Fotografia: Julien de Rosa/AFP/Getty Images

Devemos prestar atenção às palavras do falecido ambientalista James Lovelock sobre superpopulação, diz Robin Maynard.

Damian Carrington cataloga os eventos ambientais de 2022 ( Revisão ambiental de 2022: outra milha na 'estrada para o inferno climático', 30 de dezembro ), que ele vê como um símbolo do “colapso climático para o qual a humanidade está caminhando”. Ele observa corretamente que não é apenas o nosso clima que está desmoronando catastroficamente, mas a natureza por atacado - com o relatório World Wide Fund for Nature's Living Planet 2022 (seria melhor intitulado o relatório Dying Planet) registando uma perda de 69% de todas as populações de vida selvagem ao longo o último meio século.

Nesse mesmo período de 50 anos, nossa população humana mais do que dobrou – um fator-chave tanto para a mudança climática quanto para a perda de biodiversidade, visivelmente ausente do artigo. Não menos importante, o evento da humanidade superando 8 biliões no ano passado em 15 de novembro.

Carrington termina assinalando a morte de James Lovelock, o brilhante cientista por trás da hipótese de Gaia e alguém que não se esquivou de destacar fatos inconvenientes, que certa vez disse: “Aqueles que não conseguem ver que o crescimento populacional e as mudanças climáticas são dois lados do mesma moeda são ignorantes ou estão se escondendo da verdade. Esses dois grandes problemas ambientais são inseparáveis ​​e discutir um ignorando o outro é irracional”. 

Robin Maynard - Diretor Executivo, Population Matters

Leituras:

domingo, 18 de setembro de 2022

Guiness Record - Van Gogh em Drones


A animação mais longa realizada por veículos aéreos não tripulados (UAVs) é de 26 min 19 seg e foi alcançada pelo EFYI Group (China) e apoiada pela Universidade de Tianjin (China) em Tianjin, China, em 18 de dezembro de 2020.
Eles retrataram a vida do artista holandês Vincent Van Gogh - Noite Estrelada .

O uso de fogos de artifício pode trazer além dos riscos à integridade física e a audição daquele que os utiliza, riscos ao meio ambiente (incêndios, libertação de poluentes, perigo e morte de animais selvagens). Em humanos, reações de stresse e crises podem ocorrer em pessoas que têm autismo. Geralmente, estas pessoas se sentem perturbadas com barulhos muito altos. Quanto aos danos na atmosfera, os fogos de artifício causam uma contaminação a curto prazo, levando ao aumento de partículas em suspensão no ar até 7,16%, sendo nocivo a quem respira e aumentando consideravelmente a emissão de partículas de metais, produtos químicos nocivos e outros componentes que podem causar problemas de saúde, incluindo na tiróide. (estudo aqui).

A revista Nature publicou um estudo que aponta a queima de fogos de artifício durante as festividades de Delhi, na Índia, como uma significativa fonte de emissão de ozono (poluente atmosférico secundário) para a atmosfera.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2021

Fogo-de-artifício: A mais vistosa ameaça para o clima e a saúde

Para que todos os dias avancemos com um bom passo:
Nem tudo o que é belo é bom.
Talvez interiorizando que é nefasto, passemos a deixar de considerar belo.
Falo do fogo-de-artifício. Deslumbrante. Maléfico. O futuro de festividades já é hoje. Vamos reduzir ao mínimo o fogo de artifício...


Aqui está porquê (Fonte: DN, 2019):

De Norte a Sul do país, mais as ilhas, milhares de pessoas aguardam por aquela que é considerada a melhor diversão do ano. Na passagem de 2019 para 2020, no Terreiro do Paço, em Lisboa, estão prometidos 15 minutos de fogo-de-artifício. Cacilhas junta-se à grande festa do réveillon do Tejo com dez minutos de espetáculo. Na Avenida dos Aliados, Porto, estão anunciados 16 minutos, e na Praça do Forte, Figueira da Foz, outros 10 minutos; tantos quantos os esperados na Praia dos Pescadores, Albufeira. Já na Madeira, a festa de pirotecnia que celebra a chegada do novo ano terá a duração de oito minutos, a partir de 38 postos de lançamento de fogo em terra e no mar.

Muitos deliram com o momento, e há quem acredite até que a ausência de fogo será o prenúncio de um mau ano. Recorde-se, por exemplo, a contestação dos portuenses na passagem de 1999 para 2000 na Cidade Invicta, quando o fogo-de-artifício previsto para a Avenida dos Aliados teimou em não sair na sequência de um problema técnico. Um réveillon que ficou cunhado como um fiasco. Contudo, esta é uma festa que pode custar caro à nossa saúde.

Os fogos-de-artifício causam uma elevada poluição atmosférica num curto período de tempo, deixando partículas de metal, toxinas perigosas, produtos químicos nocivos e fumo a pairar no ar. Algumas destas toxinas nunca chegam a decompor-se completamente, permanecendo no ambiente e envenenando tudo o que contactam. As principais consequências para a saúde humana, decorrentes da proliferação destas partículas, principalmente as finas (com menos de 2,5 milionésimos de metro), são as doenças respiratórias e cardiovasculares, englobando principalmente ataques cardíacos e acidentes vasculares cerebrais (AVC), segundo a Agência de Proteção Ambiental dos EUA (EPA).

Num curto período de tempo, os fogos-de-artifício espalham cerca de cinco mil toneladas de partículas finas, responsáveis por aproximadamente 400 mil mortes por ano na Europa, de acordo com estimativas atuais. Apenas na Alemanha, a poluição proveniente deste espetáculo equivale a cerca de um quinto das partículas finas emitidas nas ruas, principalmente pelos carros.

Esta situação pode ser tão perigosa que os médicos recomendam o uso de máscaras, para proteger da poluição. "Respirar partículas finas põe em perigo a saúde das pessoas, com repercussões que vão desde deficiências temporárias do sistema respiratório a uma maior necessidade de medicamentos para asmáticos com doenças respiratórias ou cardiovasculares graves", segundo a agência ambiental alemã.

Os fogos-de-artifício causam uma elevada poluição atmosférica num curto período de tempo, deixando partículas de metal, toxinas perigosas, produtos químicos nocivos e fumo a pairar no ar

Espetacular, mas tóxico
Existem exemplos bem documentados, como é o caso da Festa de São João, em Girona (Espanha), ou na Índia, aquando do festival das luzes (Diwali), que causa uma poluição atmosférica muito pior do que o registado em Pequim nos piores dias. E, claro, o que sobe tem de descer. O remanescente que cai no chão contém resíduos de propulsores e corantes não queimados, enquanto as partículas expelidas no ar acabam por se depositar nos solos ou são levadas pelas chuvas, em direção aos lagos e rios, onde as infiltrações já foram associadas a problemas de tiroide.

Francisco Ferreira, da associação Zero, corrobora este problema. Em declarações ao Diário de Notícias, enfatizou que o fogo-de-artifício tem efeitos particularmente nocivos na qualidade do ar, com repercussões dramáticas para a saúde. Os níveis de partículas finas na atmosfera chegam a triplicar em épocas festivas. "Há estudos que relacionam a exposição a estas partículas, mesmo que durante curtos períodos, como nos espetáculos de pirotecnia, a maiores índices de mortalidade e morbidade."

Importante ainda considerar as condições meteorológicas, acautela. "Se houver pouco vento, a dispersão das partículas será menor, logo, os valores de contaminação no ar serão mais elevados", enfatiza. De acordo com o ambientalista, os maiores riscos associados ao fogo-de-artifício são mesmo para a saúde pública. As partículas maiores permanecem nas vias respiratórias superiores, não sendo tão problemáticas. Já as finas, chegam aos pulmões, estando associadas a graves problemas de saúde, adverte.

Depois, há ainda a influência na camada do ozono e a poluição sonora, mas esta, segundo Francisco Ferreira, é quase negligenciável. Relativamente à última, destaca, o impacto do ruído não é considerável, uma vez que "as pessoas já estão à espera dele, e o nosso organismo reage de forma controlada, em tudo diferente quando acontece uma explosão não anunciada".

"Se houver pouco vento, a dispersão das partículas será menor, logo, os valores de contaminação no ar serão mais elevados", diz Francisco Ferreira, da Zero

História: Da pólvora ao advento da química moderna
O início do uso de pirotecnia não é fácil de precisar, mas pensa-se que tenha acontecido na Ásia, na Pré-História. Mas, seguramente, há provas de que a pólvora foi fabricada pela primeira vez na China há cerca de 2000 anos, quando um alquimista juntou acidentalmente salitre (nitrato de potássio) com enxofre e carvão; mistura que ficaria conhecida como pólvora ("fogo químico"). Já o fogo-de-artifício data de alguns milhares de anos a.C., numa época muito anterior à descoberta da pólvora. Terá surgido quando se descobriu que canas de bambu ainda verdes explodiam em contacto com o fogo. De início foi o susto, mas os chineses acostumaram-se e tomaram-lhe o gosto. Começaram a atirar caules verdes de bambu (pao chuck) para as fogueiras em épocas festivas. O objetivo? Afugentar os maus espíritos. Dois mil anos depois, observaram que ao rechear as canas de bambu com o já conhecido "fogo químico", o estrondo resultante era muito maior. Foram os primeiros fogos de artificio a serem fabricados como hoje os conhecemos.

O domínio da pirotecnia, circunscrito à China, e mais tarde alastrado à Índia, chegou à Europa através dos árabes e gregos. Posteriormente, os alquimistas islâmicos adicionaram sais oxidantes de potássio, e ainda magnésio e alumínio. Metais que conferiam um brilho nunca antes visto e um variado número de efeitos luminosos. Com o advento da química moderna e a descoberta das suas leis, muitos elementos foram estudados, assim como as suas reações. De lá para cá, diversos efeitos visuais foram acrescentados ao fogo de artifício através da mistura de diferentes substâncias, como:

Nitrato + carbonato ou sulfato de estrôncio = vermelho

Nitrato + clorato ou carbonato de bário = verde

Oxalato ou carbonato de sódio = amarelo

Carbonato ou sulfeto de cobre + cloreto mercuroso (calomenano) = azul

Apesar de existirem vários tipos de fogo, e os seus efeitos dependerem da composição ou estrutura da peça, todos são construídos com fundamento num mesmo princípio: armazenar o máximo de energia num mínimo espaço.

Queima de fogos de artifício: espetáculo não compensa danos



A queima de fogos de artifício é costume tradicional em muitos países. Apesar dessa prática ser apreciada por algumas pessoas (principalmente em épocas festivas) ela pode causar danos irreversíveis aos animais, ambiente e pessoas, podendo ser entendida como uma forma de poluição atmosférica e sonora (para saber mais sobre esse tema leia a matéria: "Poluição sonora: o que é e como evitá-la"). Muito se fala sobre os danos causados pelo barulho dos fogos de artifício. Mas o que nem todos imaginam é que, além da poluição sonora, a queima de fogos de artifício emite compostos poluentes para a atmosfera, o que também a caracteriza como uma forma de poluição do ar. Para saber mais sobre esse tema, dê uma olhada na matéria: "O que é poluição do ar? Conheça causas e tipos".

História
Segundo a Cartilha de Segurança do Consumidor de Fogos de Artifício, acredita-se que os fogos tiveram sua origem na China, há mais de 2 mil anos. Naquela época, o costume dos chineses era de utilizar o chamado “fogo químico” na ponta de seus bambus, com o intuito de afastar todos os espíritos malignos durante a passagem do ano.

Os fogos de artifício foram depois levados até a Europa pelos árabes, passando a ser utilizados na Itália, no final do século XIV, em festividades de caráter cívico e/ou religioso. Desde então, há relatos da sua utilização para diversas finalidades, principalmente em períodos de comemorações.

Brasil
No Brasil - o segundo maior produtor mundial de fogos de artifício - os fogos são classificados em quatro categorias (A, B, C e D), de acordo com a quantidade de pólvora, que reflete no nível do estampido (som forte). Somente o tipo A não produz estampido, e, provavelmente por isso, não é tão popular entre os consumidores.

A virada do ano, o Natal e outras festividades católicas de junho (principalmente na Bahia) são as épocas em que o uso de fogos de artifício é mais intenso. Nesses períodos, as entradas em hospitais ocasionadas por acidentes decorrentes da queima de fogos de artifício é mais frequente.

Animais
Os principais problemas causados a animais em decorrência do barulho de fogos de artifício são reações comportamentais como stress e ansiedade. Há casos que se resolvem apenas com o uso de sedativos ou podem culminar em danos físicos e até morte.

Entretanto, como na maioria das vezes são utilizados no período noturno, os efeitos causados aos animais (principalmente os silvestres) são difíceis de serem percebidos e quantificados, o que indica que os impactos nocivos dessa atividade nos animais são subnotificados.

O barulho, associado ao medo, desencadeia respostas fisiológicas de estresse, por meio da ativação do sistema neuroendócrino, que resulta em uma resposta de luta ou fuga, observada por meio do aumento da frequência cardíaca, vasoconstrição periférica, dilatação da pupila, piloereção e alterações no metabolismo da glicose.

O animal com medo procura se afastar do barulho tentando-se esconder dentro ou embaixo dos móveis ou espaços apertados; pode tentar fugir pela janela, cavar buracos, tornar-se agressivo; apresentar salivação excessiva, respiração ofegante, diarreia temporária; urinar ou defecar involuntariamente. As aves podem abandonar seu ninho em revoada. Durante a tentativa de fuga do barulho causado pelos fogos de artifício podem acontecer acidentes como atropelamentos, quedas, colisões, ataque epilético, desnorteamento, surdez, ataque cardíaco (principalmente em aves) ou o desaparecimento do animal, que pode percorrer longas distâncias em estado de pânico e não conseguir retornar ao seu local de origem.

Apesar da queima de fogos de artifício ser esporádica, a preocupação com os danos provocados nos animais é legítima, pois o medo ocasionado pelo barulho dos fogos de artifício pode desencadear medos generalizadas para outros ruídos de tipos semelhantes, como o som de um trovão.

Pessoas
Em humanos, a queima de fogos de artifícios pode causar o amputação de membros, stress nas crianças, incómodo nas pessoas em leitos de hospitais, morte, ataque epilético, desnorteamento, surdez e ataque cardíaco.
O barulho de fogos de artifício é nocivo principalmente para as pessoas com o Transtorno do Espectro do Autismo, que podem ficar extremamente incomodadas.
De acordo com dados do Ministério da Saúde, mais de 7 mil pessoas sofreram lesões decorrentes do uso de fogos de artifício no período de 2007 a 2017; sendo 70% queimaduras; 20% lesões com lacerações e cortes; e 10% amputações de membros superiores, lesões de córnea, lesão auditiva e perda de visão e de audição. No mesmo período, foram registradas 96 mortes em todo o Brasil.

Atmosfera
Um estudo realizado na Índia analisou a poluição atmosférica causada pela queima de fogos de artifício. De acordo com o estudo, a atividade pode causar uma contaminação do ar intensa a curto prazo. No estudo, a concentração de contaminantes atmosféricos como SPM (partículas em suspensão) foi monitorada durante seis dias consecutivos em Salkia, uma zona densamente povoada, perto de Calcutá, na Índia. Os resultados mostraram que, após a finalização da queima dos fogos de artifício o nível de partículas foi de até 7,16% maior para determinado poluente. Segundo o estudo, esse e outros aumentos de outros tipos de poluentes emitidos pela queima de fogos de artifício tem significativo impacto sobre a saúde dos habitantes da região. Por meio de uma simulação, o índice de risco relativo de mortalidade e morbidade nos indivíduos expostos foi alto. E a conclusão mostrou que, para diminuir os riscos de prejuízo à saúde humana, é necessário haver controle sobre a prática da queima de fogos de artifício.

A revista Nature publicou um estudo que aponta a queima de fogos de artifício durante as festividades de Delhi, na Índia, como uma significativa fonte de emissão de ozónio (poluente atmosférico secundário) para a atmosfera.

Proibição e Regras
Para lançar foguetes é obrigatório uma licença especial de ruído, emitida pela câmara municipal e uma licença do comando da GNR.
Algumas cidades brasileiras proíbem o uso de fogos de artifício que produzem barulho. Outras, entretanto, apenas possuem projetos ainda não aprovados sobre a proibição de fogos de artifícios barulhentos.
Entretanto, vale a pena ressaltar que não é só o barulho de fogos de artifícios que provoca danos socioambientais de grande importância, a própria queima emite poluentes significativos. Esse fato chama atenção para a necessidade de uma discussão a respeito da proibição completa do uso recreacional dos fogos de artifício como um todo, não apenas dos que produzem barulho.

quarta-feira, 25 de novembro de 2020

E se o Interior explodir?

Os Centros de Inativação de Explosivos e Segurança em Subsolo podem, até ao final do ano, sair de Mirandela, Viseu, Castelo Branco, Leiria e Beja para Lisboa, Porto e Faro. Falamos também de mais um serviço que abandona o Interior e a proximidade com as suas necessidades.

                                  


Os Centros de Inativação de Explosivos e Segurança em Subsolo podem, até ao final do ano, sair de Mirandela, Viseu, Castelo Branco, Leiria e Beja para Lisboa, Porto e Faro. Passados meses desde que esta intenção foi anunciada, permanecem as incertezas quanto ao real futuro dos agentes policiais destacados para estes Centros.

Esta é uma subunidade da Unidade Especial de Polícia criada em 2000 que tem como função a deteção e inativação de engenhos explosivos e de segurança no subsolo, estando treinada e capacitada para atuar em ambientes perigosos e insalubres, nomeadamente contaminados com agentes biológicos, químicos, nucleares ou radioativos, de que são exemplo áreas infectadas com Covid-19.

Outra das funções desta especialidade é a formação de todos os agentes policiais para que estejam preparados para o manuseamento de explosivos e outras matérias perigosas, assim como a prevenção em escolas dos perigos dos explosivos e formação de de quem trabalha em locais de grande afluência como centros comerciais e hipermercados.

Os agentes destes Centros têm ainda um importante papel relacionado com o setor da pirotecnia e com as pedreiras (onde são utilizados explosivos), atividades muito presentes na nossa região. A área de intervenção do grupo de Viseu, por exemplo, é, a nível nacional, a que mais fábricas de pirotecnia abrange.

Estas são especificidades locais do serviço desempenhado por estes polícias que poderão ser colocadas em causa com a concentração dos serviços em Lisboa, Porto e Faro e que não estão, claramente, a ser tidas em conta nessa decisão.

Como não pode estar a ser tida em conta a segurança das pessoas. Como pode um serviço prestado por policiais com formação altamente específica e com uma área de intervenção tão sensível, ser deslocado e centralizado em apenas três pontos do país, mantendo-se as mesmas exigências locais para segurança das populações?

Há ainda o carácter da litoralização de um serviço que vai interferir com a vida de cerca de trinta famílias, que possivelmente se vão ter que deslocar para Lisboa, Porto ou Faro. Falamos também de mais um serviço que abandona o Interior e a proximidade com as suas necessidades.

Tudo isto parece contraditório à existência de um Ministério da Coesão Territorial, que deveria existir, precisamente, para garantir que fenómenos deste género não acontecem, ou à existência dos apoios do programa Programa Trabalhar no Interior.

Por todos estes motivos, o Governo foi questionado em julho sobre o assunto, mas continua sem dar resposta, apesar dos trinta dias de que dispunha para o fazer. Porque a situação não pode ser esquecida nem está resolvida, o Bloco de Esquerda voltará a insistir na obtenção de esclarecimentos por parte do Governo.

No Interior, ao longo dos anos, já encerraram escolas, tribunais, serviços de saúde, balcões de bancos, estações dos correios e até juntas de freguesias entretanto extintas. Encerramentos, extinções e “reorganizações” que apenas foram contribuindo para o despovoamento das nossas aldeias, vilas e cidades e colocando cada vez mais em causa a qualidade de vida das pessoas que as habitam. E agora: e se o interior explodir?

Artigo publicado em Interior do Avesso a 16 de outubro de 2020

quarta-feira, 13 de novembro de 2019

A “câmara de gás” da Índia e as lareiras de Portugal: vamos falar de poluição

O ar está tão poluído em Nova Deli, na Índia, que há quem não consiga sair de casa com medo de expor o corpo a consequências imprevisíveis - e a poluição é tanta que o Governo teve de mandar encerrar escolas e desviar voos. Mas a Índia não é caso único e a Organização Mundial de Saúde tem feito sucessivos alertas. Portugal também corre riscos — com gravidade diferente e menor, mas cuidado com o diesel e as lareiras.
Fonte: aqui

O Governo indiano declarou este fim de semana estado de emergência de saúde pública, mandando encerrar escolas, restringir o trânsito e deslocar voos com destino a Nova Deli. Os valores de poluição do ar na capital indiana atingiram novos máximos nos últimos dias e muitos habitantes preferem não sair de casa do que circular por entre um ar “irrespirável”. Há um céu de nevoeiro a cobrir a cidade, à qual o chefe do governo local, Arvind Kejriwal, chama agora “uma câmara de gás”.

É como se Nova Deli vivesse uma “tempestade perfeita”, em que tudo o que pode correr mal corre ainda pior. Todos os anos, por esta altura, a cidade vê os níveis de poluição atingir valores recorde - por um lado porque já são altos, por outro porque, ao elevado número de habitantes e à quantidade quase correspondente de carros, junta-se a Diwali, uma festa hindu celebrada a 27 de outubro em que o fogo-de-artifício marca sempre presença. Nos estados vizinhos de Punjab e de Haryana, conta a BBC, as queimadas feitas para limpar os resquícios da festa agravaram a situação na capital.

Francisco Ferreira é professor na Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa, onde leciona sobre temas como qualidade do ar, e acrescenta aos problemas de Nova Deli a produção agrícola e as condições climatéricas desfavoráveis desta altura do ano. Com o fim da monção, um fenómeno que leva vento e chuvas importantes para a rega dos terrenos agrícolas, “os poluentes acabam aprisionados à superfície, o que, juntamente com os outros motivos, dá resultados destes”. O também presidente da associação ambientalista Zero conta que foi em Nova Deli a única cidade onde se sentiu mal por causa do ar. “A certa altura ia no tuk-tuk e olhei para o lenço do motorista”, que devia ser branco. “Estava completamente preto”, recorda. Não é por isso novidade que a capital indiana enfrente dificuldades deste tipo, mas os valores de pequenas partículas registados na cidade, principalmente no domingo, fizeram os alarmes soar ainda mais alto. O Governo distribuiu já cerca de cinco milhões de máscaras pela população.

Índia declara estado de emergência na capital por causa da poluição do ar

A poluição do ar é medida, entre outras variáveis, pelos níveis de partículas finas inaláveis na atmosfera que se podem infiltrar no organismo e que a Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda que não ultrapassem 25 microgramas por metro cúbico numa média de 24 horas. Ao final do dia de domingo, esse valor diário superava já os 900 microgramas de partículas a entrar nos pulmões dos habitantes de algumas regiões de Nova Deli.

Se o problema não é novo na Índia, também não o é noutros países. No último relatório global publicado pela OMS, há um mapa mundo colorido a verde, amarelo, laranja e vermelho - a cor dos países é tanto mais escura quanto mais grave for o nível de poluição (ver mais aqui). Olhando o mapa, percebe-se que há não só cidades como países inteiros pintados a vermelho. Camarões e Egito lideram o ranking em África, um continente fustigado pela poluição atmosférica, com valores não muito diferentes dos que se observam na China, Arábia Saudita e, claro, Índia, onde estão várias das cidades mais poluídas do mundo. Na América Latina, é no Brasil que o vermelho é mais vivo, tal como acontece mais abaixo no mapa, no Chile.

Como lembra Francisco Ferreira, também com base em dados da OMS, “97% das cidades com baixo e médio rendimento e com muita população estão acima dos limites recomendados”. O problema é, por isso, também de desigualdade. Os carros antigos e pouco eficientes (em Nova Deli circulam 20 milhões de veículos), as práticas agrícolas ou o uso de lenha e de carvão vegetal para cozinhar são algumas das dificuldades extra identificadas pelo presidente da Zero. A estas é preciso juntar o que habitualmente provoca a libertação destas partículas no ar — que podem ir de solfatos a metais pesados —, como a produção de electricidade, o tráfego rodoviário, a queima de resíduos, os incêndios ou o funcionamento da indústria do carvão.

Portugal corre outros riscos

O mapa português aparece quase todo pintado a verde. “Em Portugal estamos, de facto, com níveis de partículas relativamente baixos”, confirma Francisco Ferreira. A amarelo estão 15 cidades: Estarreja, Almada, Cascais, Lisboa, Portimão, Albufeira, Buraca, Faro, Algueirão, Mem-Martins, Ílhavo, Marateca, Aveiro, Chamusca, Setúbal e Vila do Conde. Na altura da apresentação do relatório, a Câmara Municipal de Estarreja justificou-se, em declarações ao “Diário de Notícias”, dizendo que a taxa de eficiência de recolha de dados foi inferior ao legislado a nível nacional e que os dados são por isso “meramente indicativos”, tese secundada pela associação Zero. “Servem mais para nos dar uma ideia”, concorda Francisco Ferreira.

Porém, os resultados não isentam o país de outros riscos de poluição atmosférica. “O mais problemático é o dióxido de azoto, provocado principalmente pelos veículos a diesel”, afirma o presidente da associação, alertando para os níveis elevados no centro das cidades de Lisboa, Porto e Braga. Para Francisco Ferreira, “é preciso fiscalizar a retirada dos filtros de partículas” dos carros, além de se proibir as queimadas em algumas épocas do ano.

O investigador recorda que as partículas resultam, precisamente, de gases como o dióxido de azoto, pelo que “tudo está interligado” e pode representar um risco para o país. E se há problemas que não se controlam, como os que o vento traz do norte de África, há também um inimigo que se vê sempre que o inverno chega a Portugal. “As lareiras são um grande problema”, alerta. “Muitas não são eficientes na retenção de partículas. Em Aveiro, por exemplo, vimos no ano passado picos de poluição à uma da manhã.” O frio e a falta de vento são as “piores condições possíveis” para o ar que se respira.

domingo, 12 de julho de 2015

Música do BioTerra: The Sisters of Mercy - Amphetamine Logic


Watch them do
The falling over
Watch them do
The standing still

CHORUS
Nothing but the knife to live for
One life all I need
Give me one good reason
Give me more s...

(Women)
And the women come and go
(Talk)
Talking about me like they know
(Men)
Bought and sold
And the world keeps turning
People cold
And people burning

CHORUS [x2]
(Amphetamine logic)

Hit up
Steel in hand
Lit up
Like candles
Burning
Like Catherine wheels
Turning
On

CHORUS [x3]
(Amphetamine logic)
CHORUS [x3]

terça-feira, 1 de janeiro de 2008

Foguetório de Ano Novo


Que raio de maneira de 'celebrarem' o Ano Novo. O foguetório assusta milhares de animais. As aves ficam apavoradas. Os cães uivam de terror. Os gatos escondem-se. Os humanos assustam-se e encolhem-se.
Há quem ache isto um espetáculo. Eu acho uma manifestação a evitar. Há alternativas tecnológicas. Podemos celebrar o fim de ano com drones, ou então, apagar todas as luzes da cidade e olharmos para o céu e ver a enorme quantidade estrelas e galáxias que existem. 

segunda-feira, 25 de julho de 2005

O País num pasto de chamas


Primeiro era apenas a Natureza e alguns ajustes de contas, até mais ou menos os finais dos anos 80 ( alguém me corrija, se estiver errado).

De seguida os fogos postos: primeiro os pirómanos, depois eram os madeireiros, mais recentemente os interesses imobiliários e seus representantes.


Depois outra questão não tão nova mas importante: o povoamento e crescimento urbano que queremos. Isto é, estão os incêndios a chegar às casas ou as casas é que estão a "chegar" aos incêndios?

É um ano de seca grave, mas mesmo assim, devem ser feitos estudos disso.

O que não é novo é que ainda não se faz um apuramento efectivo das responsabilidades e prisão dos que ateiam os fogos.A incompreensão e insensibilidade dos vários governos em fazer uma politica estratégica genuína para a floresta e habitantes de areas florestais.Depois este mundo neoliberal, altamente lesivo para o mundo rural.

Depois a grande quantidade de pequenos proprietários , muitos terrenos que estão devolutos e a desertificação que impede uma gestão florestal mais eficaz e uma mudança urgente dos comportamentos:o laxismo, as intrigas entre vizinhos, o foguetório, as beatas,etc.

Têm-se feito estudos de recuperação das áreas florestais, os meios de combate e prevenção dos fogos existem, mas muitos projectos estão nas gavetas.

Julgo que a solução para a calamidade dos incêndios seria uma visão estratégica do mundo rural,com um ordenamento do território verdadeiramente sentido e respeitado por todos os portugueses e uma promoção mais a fundo das orientações da Agenda 21.

OUTROS DEPOIMENTOS INTERESSANTES:

Acabar com os Incêndios Florestais! ( um texto de forte indignação- via Editorial)