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sexta-feira, 11 de setembro de 2026

Caoilfhionn Rose - Canyons


A atuação ao vivo de "Canyons" pela cantora e compositora britânica (com raízes familiares irlandesas e sediada em Manchester) Caoilfhionn Rose transmite uma beleza singular ao despir-se de artifícios de produção, apostando plenamente na atmosfera, na geografia e na textura sonora. Gravado numa encosta remota junto ao Loch Cluanie, na Escócia, o vídeo regista um momento puro e autêntico, onde a sua voz e a guitarra acústica azul interagem diretamente com o ar livre. Em vez de recorrer a um estúdio requintado, a atuação apoia-se na acústica natural, no vento ambiente discreto e num cenário vasto e contemplativo que espelha fisicamente os temas da canção sobre distância, espaço e perspetiva.

Musicalmente, a peça cruza o folk tradicional com nuances atmosféricas de dream pop e jazz espiritual, um estilo distintivo associado à sua editora, a Gondwana Records. A sua interpretação vocal leve e delicada cria um contraste íntimo com a imensidão da paisagem escocesa.

Em termos de influências literárias e filosóficas, o tema inspira-se diretamente no livro On Connection do poeta e dramaturgo britânico Kae Tempest, bem como em reflexões de cariz existencialista e estoico sobre a transitoriedade do tempo. A letra aborda o distanciamento emocional - os "desfiladeiros" que se abrem entre as pessoas - não como uma tragédia, mas sim como um lembrete sereno para valorizar o presente e aceitar os ciclos de mudança da vida. A obra destaca-se por parecer menos um videoclipe encenado e mais um registo íntimo e espontâneo capturado em viagem.

segunda-feira, 29 de junho de 2026

Existe um colonialismo digital por parte das big techs? Peter Schmidt analisa


Peter Schmidt, escritor, pesquisador e ativista norte-americano, é uma das principais vozes internacionais no debate sobre os impactos das plataformas digitais na sociedade contemporânea.

Cofundador do coletivo internacional Amigos da Atenção e diretor da Strother School of Radical Attention, em Brooklyn, Nova York (EUA), Schmidt defende o chamado "ativismo da atenção" como forma de enfrentar o poder das big techs e preservar a autonomia humana diante da economia da atenção.

Em entrevista ao Roda Viva desta segunda-feira (29), Schmidt analisa como as plataformas digitais influenciam o comportamento humano, o debate público e a democracia, além de apresentar sua proposta de resgatar espaços de convivência livres de telas.

Autor do conceito de "human fracking", expressão que compara a exploração da subjetividade humana à extração agressiva de petróleo.

Como as big techs transformam atenção em lucro
Ao ser questionado sobre o significado do termo "human fracking", Schmidt explicou que a expressão é uma metáfora para descrever a forma como as big techs transformam a atenção dos usuários em lucro.

Segundo o pesquisador, as plataformas digitais inundam as pessoas com estímulos constantes, fragmentando a capacidade de concentração em períodos cada vez menores, o que aumenta o tempo de permanência nas telas e, consequentemente, o valor desse tempo para o mercado publicitário.

Então, esse tempo na tela pode ser vendido a uma empresa de publicidade. Assim, é um processo extrativo-violento, porque o fracking tradicional é muito danoso para o ambiente, é associado à desestabilização da terra e à intoxicação da água, e o fracking humano, essa extração de nossos seres, dos nossos cérebros, de nossa atenção, também é muito danoso.

Peter afirmou que, assim como o fraturamento hidráulico (fracking) causa impactos ambientais ao desestabilizar o solo e contaminar a água, o "human fracking" desestabiliza a percepção da realidade e "intoxica" a mente com desinformação e conteúdos que estimulam a raiva.

Para ele, a metáfora ajuda a compreender o caráter extrativo do modelo de negócios das big techs, baseado na exploração da atenção humana.

Inspiração para o novo livro
Questionado pelo apresentador Ernesto Paglia sobre o título de seu novo livro, "Attensity! A Manifesto of the Attention Liberation Movement", Peter Schmidt explicou a origem do termo "Attensity", um neologismo resgatado da Psicologia do início do século XX.

Segundo o pesquisador, a palavra foi criada pelo psicólogo britânico Edward Titchener para descrever o ato de "prestar atenção à própria atenção", por meio da auto-observação.

Schmidt afirmou que ele e outros artistas, escritores e educadores decidiram recuperar o conceito por considerá-lo especialmente atual.

Estamos num momento em que a gente precisa prestar atenção à nossa atenção. Nossa atenção tem sido explorada por uma indústria muito poderosa, com uma sofisticação tecnológica sem precedentes na história humana afirmou, Shmidt

A obra, escrita de forma colaborativa, propõe um manifesto pelo que Schmidt chama de "movimento de libertação da atenção" e alerta para os impactos da indústria digital na cognição humana e no funcionamento da democracia.

sábado, 27 de junho de 2026

PJ Harvey - Voyager

Letra
Long years, far place
Dark nights, dark days
Frozen, silent
Bearing Earth-songs
Earth-songs

Force fields, high winds
Cold moons, bright rings
Hear my signal
Will you follow?

Look back at us
As a speck of dust
Darkness our home
Bear it through love

Last note, last sign
Neptune, Triton
Fading signal
Choose light, choose love

Voyager, look back
At a pale blue dot
All we don't know
A flake of snow

Dust in a sunbeam, blue dot
So far, so cold
Kindness, kindness
Care for
Our shelter, tender, tender


PJ Harvey lançou esta quarta-feira (24 de junho) um tema novo, ‘Voyager’.
O tema é inspirado pelo Programa Voyager, da NASA, iniciado em 1977. Foi composto durante as sessões de gravação para o próximo álbum de PJ Harvey, ainda sem data de lançamento definida.
Em comunicado à imprensa, a artista britânica disse-se “entusiasmada com o desafio de compor uma canção com a ‘voz’ da Voyager 2”, sonda lançada em agosto de 1977 e que se encontra, atualmente, fora do Sistema Solar. “Perguntei-me: que nos diria ela se pudesse?”. ‘Voyager’ conta, ainda, com uma citação do já falecido astrónomo Carl Sagan.

"Voyager", o single de PJ Harvey lançado em junho de 2026 a convite do físico Brian Cox para a sua digressão mundial Emergence, afasta-se do rock visceral de guitarras do início da sua carreira para abraçar uma sonoridade espacial, flutuante e de gravidade zero. A faixa insere-se no panorama do ambient e do art pop eletrónico, sendo construída sobre pulsações eletrónicas lentas e minimalistas e sintetizadores modulares, onde se destacam o Prophet-5 tocado por Harvey e o baixo de sintetizador Juno tocado pelo próprio Brian Cox. Há uma utilização intencional de efeitos que simulam distorções de fita e pequenas falhas de áudio, como se a música fosse um sinal de rádio enfraquecido a viajar pelo espaço, uma atmosfera que ganha uma imensa sensação de amplitude e grandiosidade cinematográfica graças aos arranjos de cordas criados por Dario Marianelli e executados pela Orquestra de Miraval. Sobre esta massa instrumental, a voz de PJ Harvey surge de forma etérea, fantasmagórica e descorporificada, acentuando uma profunda sensação de solidão cósmica.

O conceito central da canção é uma das propostas mais fascinantes da carreira da artista, uma vez que a letra é escrita e cantada sob a perspetiva da própria sonda espacial Voyager 2, lançada pela NASA em 1977 e que hoje navega pelo espaço interestelar, a milhares de milhões de quilómetros da Terra. Harvey revelou ter-se inspirado na questão de saber o que a espaçonave nos diria se pudesse falar, mimetizando os relatórios da sonda ao cruzar os limites do nosso sistema solar através de versos que mencionam forças de campo, ventos fortes, luas frias e anéis brilhantes. O significado da canção desdobra-se em camadas emocionais e filosóficas, prestando uma homenagem direta ao astrónomo Carl Sagan, que idealizou o Disco de Ouro da Voyager e poeticamente batizou o nosso planeta de "Ponto Azul Claro", uma ideia que a artista recupera ao usar metáforas que nos reduzem a um floco de neve ou a um grão de poeira na imensidão do cosmos. Ao olhar para a Terra através dos olhos da máquina distante, a música funciona como uma meditação sobre a nossa extrema pequenez e fragilidade, sugerindo que, diante do vazio absoluto do universo, os conflitos e as fronteiras humanas perdem totalmente o sentido. Apesar de mergulhada num ambiente frio e mecanizado, a mensagem final que PJ Harvey extrai dessa vastidão é profundamente humanitária e otimista, culminando num apelo urgente à sobrevivência e à união para a humanidade que ficou para trás, sintetizado no verso que nos incita a escolher a luz e a escolher o amor.

sábado, 21 de março de 2026

Trentemøller: Miss You


"Miss You" é talvez a faixa mais emblemática do dinamarquês Trentemøller. É uma peça consegue ser incrivelmente emocional usando muito poucos elementos.

"A tune I’m still very proud of. Written and recored in two hours! That was it. I didn’t change a single note afterwards because I was so happy with the result. I captured that longing vibe I had late that night and it still is a song I love to play live in different versions." - Anders Trentemøller

Anders Trentemøller é dinamarquês. Nasceu em Vordingborg, na Dinamarca, e a sua base criativa é em Copenhaga.

Embora Trentemøller tenha começado muito ligado à música de dança (Techno e Minimal House), "Miss You" afasta-se das pistas de dança e mergulha noutros géneros:
  1. Ambient / Electronica: a faixa é construída sobre uma melodia de glockenspiel (ou sons de sinos sintetizados) que flutua num espaço sonoro vazio, sem batida de percussão (o que é raro no trabalho dele).
  2. Minimalismo: a música foca-se na repetição e na variação subtil de uma única melodia melancólica.
  3. Indie Electronic: pelo tom introspectivo e pela estética "faça-você-mesmo" refinada.
  4. Folktronica (subtil): Devido à textura quase orgânica e delicada dos sons utilizados, que parecem caixas de música antigas.
Uma curiosidade sobre a faixa
"Miss You" faz parte do álbum de estreia de 2006, The Last Resort. Este disco foi um marco porque provou que um produtor de música eletrónica podia criar um álbum narrativo, quase cinematográfico, que funciona tão bem numa sala de estar como num filme.

Conselho de audição: se gostas do lado mais melancólico desta faixa, recomendo que ouças o álbum inteiro. Ele começa calmo e vai-se tornando mais denso e "negro", quase como uma transição do dia para a noite.

Para saber mais sobre o álbum aqui

domingo, 15 de março de 2026

Jiddu Krishnamurti - a reforma que vale é a reforma do indivíduo


Quando os modelos estão experimentados e falham gradualmente na criação multilateral e igual de abundância e prosperidade, uma sociedade informada, sensata e consciente, deve começar a procurar novos sistemas e modelos, para que prevaleça e prospere .Ou neste caso concreto, ir buscar os exemplos onde está a sabedoria maior , na Natureza, que em muitos bilhões de anos já fez todas as experiências difíceis e criou modelos tão complexos e eficientes, que com toda a nossa tecnologia e estudo empírico, ainda só afloramos superficialmente.
A sabedoria da Natureza está em tudo o que acompanha o nosso quotidiano. Não inventamos nada, só vamos conseguindo ler e reproduzir , com o engenho e criatividade.
Este processo, seja na escala de consciência individual ou colectivo, transversalmente a tudo, deveria ser a base da nossa conduta, aceitando humildemente aquilo que não sabemos e aceitar a sabedoria da natureza, reproduzindo então com estas nossas capacidades que são o que de melhor temos.

Não somos sábios, mas a criatividade e engenho são dos nossos melhores atributos, como espécie .
Estes mesmos atributos trouxeram a um ponto que podemos construir ou destruir a escalas globais. Resida aqui a tal encruzilhada de escolhas .
Não querendo ser pessimista, porque não o sou, mas se não conseguirmos interiorizar isto primeiro e depois aplicar, temo que possa ser cheio de incertezas e perigos, o nosso futuro enquanto espécie neste maravilhoso e fascinante planeta e cosmos .
E que cada um vá dando o seu contributo, na sua escala e realidade, pode ser muito mais significativo do que se pensa .

Seguindo uma frase que diz que o pior erro é não fazer nada por acharmos que é pequeno ou os outros o farão.
Parece-me claro que estamos cada vez mais próximo de uma encruzilhada determinante .
E parece também que ao invés de aprendermos, só reproduzimos os mesmos erros e cada vez com mais consequências drásticas. É exponencial a capacidade que temos de destruir ou construir .
É uma escolha feita de muitas escolhas.

E-Livros de Jiddu Krishnamurti

Todos os livros traduzidos aqui

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Agnes Obel - Camera's Rolling


Letra
The script is burning
On heavy fuel
No time to lose
What will you do?

The camera's rolling
What will you do?
What will you do
That you can't undo?

The gun is loaded
What will you do?
Cruel gifted fools
What will you do?

Esta faixa abre o álbum Myopia (2020). É uma música que lida com a percepção, a memória e a sensação de estar sendo observado ou de estar "atuando" na própria vida. Com melhor som aqui

1. A Percepção da Realidade (Myopia)
O álbum chama-se Myopia (Miopia), e esta canção define o tom para isso. Agnes Obel descreveu o conceito como o estado de estar tão fechado no seu próprio mundo ou pensamento que a percepção do que é real fica distorcida. "The camera's rolling" (A câmara está a gravar) simboliza aquele momento em que nos tornamos autoconscientes, como se estivéssemos a ver a nossa vida de fora, como um filme.

2. Ansiedade e Controle
A repetição das frases sugere um estado de ansiedade. Quando a "câmara grava", há uma pressão para desempenhar um papel. Pode referir-se à sensação de que estamos sempre a ser vigiados (seja pela tecnologia, pela sociedade ou pela nossa própria mente crítica), o que nos impede de ser genuínos.

3. O Processo Criativo
Obel gravou este álbum em isolamento quase total. Ela mencionou em entrevistas que a canção lida com a dualidade de estar sozinho mas sentir que "alguém" (a própria consciência ou o público futuro) está a observar o processo. É a transição do pensamento privado para a performance pública.

Atmosfera Musical
A música utiliza técnicas de pitch-shifting (alteração do tom da voz), o que faz com que a voz de Agnes soe ora mais grave (masculina), ora mais aguda. Isso reforça a ideia de uma identidade fragmentada ou de alguém que está a ser "processado" por uma lente, tal como uma imagem de vídeo.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

Slow Meadow - Borderland Sorrows


Slow Meadow é o nome artístico do músico Matt Kidd, um artista de nacionalidade americana que vive em Houston, no Texas. Em "Borderland Sorrows", 3ª música do álbum Costero (2017), Kidd utiliza uma instrumentação delicada que combina pianos suaves, arranjos de cordas profundos e camadas eletrônicas atmosféricas. O estilo musical é marcado por uma sonoridade introspectiva e contemplativa, feita para evocar estados de melancolia e paz, resultando em composições que funcionam como paisagens sonoras para momentos de reflexão ou foco.

O projeto foi apadrinhado por Marc Byrd, da icónica banda de post-rock Hammock, o que explica a alta qualidade da produção atmosférica.

sábado, 14 de fevereiro de 2026

A Ancestralidade das Florestas

"O tempo aqui não avança,
ele se enraíza profundamente.
Um segredo guardado
nas cascas grossas das árvores,
onde a seiva é o sangue antigo
que batiza a terra,
um leito de folhas caídas,
de ossos esquecidos,
de águas que guardam o passado.

Vastidão antiga,
onde cada tronco retorcido
é um ancestral que observa,
e cada sombra,
um refúgio místico e quieto.

As copas tocam o céu numa prece silenciosa,
tecem redes de um verde que desafia os milénios.
A terra, em sua paciência densa e rude,
conhece o ciclo,
sabe que tudo, um dia, retornará a ela.

É um diálogo invisível,
tecido pelos micélios,
fios sutis sob o tapete do chão.
Aqui, não há o novo nem o velho,
apenas a eterna, a viva pulsação
que conecta tudo.

Respirar esta mata
é sorver a memória,
a essência de quem já foi bicho,
de quem foi vento que soprou,
de semente que germinou.
A floresta não narra a nossa história;
ela nos sonha,
sem interrupção,
eternamente."

João Soares, 14.02.216

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

She Keeps Bees - Radiance


Eternal bloom of the dawn
Spirals from the earth to the heart
Spirals from the earth you stand on
It can never break never be lost
Radiance
Sacred wreath of two hearts
Radiance
Great oceans swell guided by sun given rays
Moon rhythmic winds
It can never break never be lost
Radiance
Sacred wreath of two hearts
Radiance
Circle love into you hold within

"Radiance" é uma faixa de destaque dos She Keeps Bees, o duo de Brooklyn formado por Jessica Larrabee e Andy LaPlant. A música está presente no seu álbum de 2014, Eight Houses. É amplamente considerado um dos momentos mais comoventes do álbum, afastando-se do seu habitual estilo blues-rock visceral em direção a algo mais etéreo e guiado pelo piano. 
Significado e História: Jessica Larrabee partilhou que a música nasceu de um lugar profundamente pessoal: 
A Inspiração: Escreveu-a para amigos que estavam a passar por uma perda profunda. 
O Tema: Explora a ideia de interligação — como um vínculo com alguém pode permanecer vibrante e "radiante" mesmo após a sua morte. 
A Composição: Curiosamente, a faixa foi composta num piano com 120 anos, o que provavelmente contribui para a sua ressonância assombrosa e antiga. Meditativo, profundo e minimalista Instrumentação: Principalmente piano e os vocais roucos e emotivos de Larrabee 
Vídeo: Apresenta Larrabee num campo de colza francês, simbolizando a sua ligação com a energia da Terra.

terça-feira, 16 de dezembro de 2025

woodworkings - Rust Flakes and Thinks Snow


"Woodworkings - Rust Flakes and Thinks Snow" refere-se a uma faixa específica de música ambiente/neoclássica do artista woodworkings, presente no álbum "Day breaks the morning shapes we speak", conhecido pelo seu som evocativo, invernal e melancólico, que explora temas de lugar e mente, perfeito para ouvir em climas frios.

Sobre a Música
Artista: woodworkings (Kyle Woodworth)

Género: Ambiente, Neoclássico, frequentemente descrito como atmosférico e cinematográfico.

Clima: Evoca frio, desolação e contemplação silenciosa, condizente com o título.

sábado, 6 de dezembro de 2025

Marc Antoine Charpentier - Musiques pour la Sainte Chapelle

Musiques pour la Sainte Chapelle, de Marc-Antoine Charpentier (1643–1704), é um conjunto de obras sacras escritas durante o período em que o compositor trabalhou na Sainte-Chapelle de Paris (c. 1698–1704). Não se trata de uma obra única, mas sim de um repertório composto para o serviço litúrgico daquele espaço, considerado um dos centros mais prestigiados de música sacra em França.

Depois de anos a trabalhar para patronos privados (como Mlle de Guise) e para o teatro (incluindo colaborações com Molière), Charpentier assumiu o cargo de maître de musique da Sainte-Chapelle em 1698. Ali compôs numerosas obras vocais religiosas, muitas das quais sobrevivem em manuscritos autógrafos. Biografia

A minha prenda Natal para os meus amigos. Para além da ritualização, sempre um pouco avesso ao consumismo e prendas, prefiro a presença, a celebração dos encontros durante o Advento (mais união e fortalecimento de vínculos)  e  uma escolha espiritual. Para mim o Natal são momentos de oração e da prática meditativa, acredito também na visão holística e na essência Zen manifestas nesta época especial. Compreender a vida a partir de um ponto de vista holístico, significa acolher preceitos de comunhão entre o divino e o material e viver no caminho do amor. Como disse Buda, sábia divindade, "Jamais, em todo o mundo, o ódio acabou com o ódio; o que acaba com o ódio é o amor".

Assim como Cristo e Buda, seres que cumpriram os seus caminhos espalhando atitudes e palavras de sabedoria, que seguem-nos inspirando e nutrindo o espírito, também somos seres divinos e todos os dias traçamos passo a passo a nossa jornada espiritual na caminhada terrena. Possuindo a mágica possibilidade de escolher traçar trajetos amorosos, gentis e afetuosos, seguindo os preceitos de nossa essência interior.

Afeiçoado à práticas de amorosidade e generosidade, temos a divindade espiritual Jesus Cristo, que pregou atitudes de solidariedade e continua uma grande referência de liderança humanitária. Às vésperas do Natal, a comemoração de seu aniversário recebemos o convite interior em olhar as suas práticas de uma forma inspiradora, de nutrir as nossas relações e atitudes de uma forma mais pacifista.

sexta-feira, 28 de novembro de 2025

Brian Eno - Garden of Stars


“Garden of Stars”, de Brian Eno, é uma meditação sombria e contemplativa sobre o lugar da humanidade no universo e sobre a fragilidade da vida na Terra. A canção insere-se no contexto do álbum ForeverAndEverNoMore onde Eno expressa preocupação com a crise ecológica e com a possibilidade de estarmos a assistir ao fim de uma era. A metáfora do “jardim de estrelas” sugere simultaneamente beleza e distância: um cosmos vasto, maravilhoso e indiferente, no qual a humanidade aparece como algo pequeno, efémero e vulnerável. Há na música um lamento implícito pela natureza ameaçada e um sentimento de melancolia perante a impermanência da vida. O tom grave e meditativo reforça a ideia de que, apesar da grandiosidade do universo, tudo o que conhecemos é transitório. Assim, a canção funciona como uma espécie de elegia cósmica, onde maravilhamento e tristeza se entrelaçam para refletir sobre mortalidade, fim possível do mundo e a frágil beleza da existência.

sexta-feira, 12 de setembro de 2025

Gavanaya - Excelente intérprete


Incorporando elementos do jazz espiritual e da instrumentação clássica indiana, a artista Ganavya, nascida em Nova Iorque e criada em Tamil Nadu, revela um videoclipe meditativo para a sua mais recente faixa, Pasayadan, realizado por Vali Chandrasekaran. Extraído do novo álbum Nilam, lançado pela Leiter, a cantora e artista transdisciplinar inicia uma profunda contemplação, em contraste com a natureza, comunicada através de vocais pungentes e movimentos expressivos do bailarino David Adrian Freeland Jr.

"O Pasayadan", explica Ganavya, "é um abhang da tradição da peregrinação. É uma das últimas orações que cantamos, onde o jovem santo reza para que o sol nasça em todos os corações frios, pela sabedoria de nos vermos como árvores que realizam desejos, para que sejamos santuários uns dos outros, para que nos lembremos de que somos os verdadeiros templos uns dos outros. Tratas a crueldade como uma doença. Introduz uma suavidade na vida. Para mim, dada a minha vida particular, é uma suavidade que salva-me."

terça-feira, 1 de julho de 2025

O Mundo de Edena


Antes de entrar na obra em si, cabe falar um pouco sobre o autor, Jean “Moebius” Giraud. Foi um artista francês que trabalhou com quadrinhos e também cinema. Começou a sua carreira desenhando um faroeste chamado Blueberry poduzido em parceria com Jean-Michel Charlier. Sua obra de maior reconhecimento, O Incal, foi feita em parceria com Alejandro Jodorowsky.

"O Mundo de Edena" (no original, Le Monde d'Edena) destaca-se pelo seu visual onírico, simbolismo filosófico e abordagem existencialista, sendo considerada uma das obras-primas do autor.

📘 Visão geral da série
Autor: Moebius (Jean Giraud)
Género: Ficção científica, espiritualidade, aventura, utopia/distopia
Publicação inicial: 1983 (como álbum completo em 1988 e uma republicação em 2022)

Volumes: 6 principais
📚 Livros da série
  1. Na Estrela (Sur l'Étoile) – Introdução ao universo de Edena
  2. Os Jardins de Edena (Les Jardins d’Edena) – Primeiras explorações do planeta
  3. A Deusa (La Déesse) – Transições psicológicas e metafísicas
  4. Estrela (Stel) – Mudanças interiores e busca de sentido
  5. Sra. (Sra) – Reflexões sobre identidade e género
  6. Os Consertadores (Les Réparateurs) – Última fase da jornada
🧑‍🚀 Enredo
A história segue Stel e Atan, dois viajantes espaciais que caem num planeta desconhecido. À medida que exploram Edena, são forçados a abandonar a tecnologia e confrontar a natureza, os seus corpos e a própria consciência. Ao longo da saga, Moebius aborda temas como:
  1. Regresso à natureza
  2. Sexualidade e identidade
  3. Autoridade e opressão
  4. Iluminação espiritual
🎨 Estilo artístico
Moebius usa um traço claro e detalhado, com cores suaves e paisagens surreais que evocam tanto o maravilhamento quanto a estranheza. A arte é simbólica e muitas vezes onírica, convidando o leitor a interpretações múltiplas.

💡 Curiosidades
A série foi inspirada por experiências pessoais de Moebius com meditação, dieta macrobiótica e busca espiritual.
Edena começou como uma história promocional para a Citroën (!), mas foi rapidamente expandida numa saga ambiciosa.
A personagem Stel representa o Eu espiritual e consciente; Atan representa o Eu condicionado e apegado à norma.

📚 Edições em português
A série foi publicada em português por diferentes editoras, como a ASA (Portugal) e outras no Brasil. Em anos recentes, algumas editoras lançaram edições integradas com todos os volumes.

Biografia completa aqui

terça-feira, 26 de novembro de 2024

Conselhos para envelhecer bem


Escrito por uma alma de 90 anos!
42 lições que a vida me ensinou
“É algo que todos deveriam ler pelo menos uma vez por semana.”
“Certifique-se de ler até o fim.”
“Para celebrar o envelhecimento, escrevi as lições que a vida me ensinou. É a coluna mais pedida que já escrevi.”
“Meu conta-quilômetro rolou para 90 em agosto, então aqui estão elas mais uma vez.”
Escrito por Regina Brett, 90 anos, do Plain Dealer, Cleveland, Ohio.
“A vida não é justa, mas ainda é boa.”
“Quando em dúvida, dê o próximo pequeno passo.”
“A vida é curta demais para desperdiçá-la.”
“Seu trabalho não cuidará de você quando estiver doente, mas seus amigos e família sim.”
“Quite seus cartões de crédito todos os meses.”
“Você não precisa vencer todas as discussões. Seja fiel a si mesmo.”
“Chore com alguém. É mais curativo do que chorar sozinho.”
“Comece a economizar para a aposentadoria no primeiro cheque de salário.”
“Quando se trata de chocolate, a resistência é inútil.”
“Faça as pazes com o passado para que ele não estrague o presente.”
“Não faz mal deixar seus filhos verem você chorar.”
“Não compare sua vida com a dos outros. Você não conhece a jornada deles.”
“Se um relacionamento precisa ser segredo, você não deveria estar nele.”
“Respire fundo. Isso acalma a mente.”
“Desfaça-se de tudo que não for útil. O peso da desordem é maior do que você imagina.”
“O que não te mata realmente te fortalece.”
“Nunca é tarde demais para ser feliz. Mas isso depende apenas de você.”
“Quando for atrás do que ama, não aceite um não como resposta.”
“Use as velas, os lençóis bonitos e a lingerie especial. Hoje é uma ocasião especial.”
“Prepare-se, mas depois siga o fluxo.”
“Seja excêntrico agora. Não espere a velhice para usar roxo.”
“O órgão sexual mais importante é o cérebro.”
“Ninguém está no comando da sua felicidade além de você.”
“Reenquadre os desastres com a pergunta: ‘Isso vai importar em cinco anos?’”
“Escolha sempre a vida.”
“Perdoe, mas não esqueça.”
“O que os outros pensam de você não é da sua conta.”
“O tempo cura quase tudo. Apenas dê tempo.”
“Por melhor ou pior que uma situação seja, ela mudará.”
“Não se leve tão a sério. Ninguém mais leva.”
“Acredite em milagres.”
“Não audite a vida. Apenas apareça e aproveite agora.”
“Envelhecer é melhor que a alternativa: morrer jovem.”
“Seus filhos têm apenas uma infância. Não a desperdice.”
“No fim, tudo o que importa é que você amou.”
“Saia todos os dias. Milagres estão ao seu redor.”
“Se víssemos os problemas dos outros, pegaríamos de volta os nossos.”
“Invejar é perda de tempo. Valorize o que você já tem.”
“O melhor ainda está por vir.”
“Não importa como você se sente, levante-se, vista-se e apareça.”
“Desista do controle.”
“A vida não vem com um laço, mas ainda é um presente.”

terça-feira, 4 de junho de 2024

Música do BioTerra: Love and Rockets - Express Kundalini


[Verse 1]
This is an announcement
For the transcendental run
The train now standing
Leaves for higher planes
Due to a derailment
There will be no other train
So why not hop on this one?
Hear the porter's glad refrain

Each carriage is connected
As is every single train
The rails all form a track
Which is a link within a chain
The chain's connected
To another chain now
You will need no ticket
If you wish to ride on this train

[Chorus]
Woot woo!
Woot woo!
Woot woo!
Woot woo! Woot woo!
All aboard the express Kundalini
All aboard the express Kundalini
All aboard the express Kundalini
You might also like

[Bridge]
The song is in your heart
Your heart is in the song
The song is of the earth
The song is of the sky

[Verse 2]
You are disintegrating
Into everything around
Reintegrating
The worm we dug from higher ground
You have let go of ego
Ego is no longer you
Closer to nirvana
Since the porter's whistle blew

[Chorus]
All aboard the express Kundalini
All aboard the express Kundalini
All aboard the express Kundalini
Woot woo!

A energia Kundalini, conhecida também como Shakti, é uma energia espiritual que está localizada na base da coluna. O conceito de energia Kundalini existe há séculos e foi mencionado em antigos textos védicos de 1.000 aC.
A Kundalini Shakti é considerada a consciência divina presente no corpo, dividida entre a parte superior e inferior do corpo, ao ativar a energia Kundalini de forma segura, ela ajuda a equilibrar os chakras, aumentar o nível de consciência e bem-estar.
Quando a energia Kundalini Shakti é despertada e se eleva dentro de nós, toda a nossa vida se torna uma dança de alegria e bem-aventurança.

O que é Kundalini
O termo Kundalini vem da palavra em sânscrito kundal, que significa circular. Também se refere a uma cobra enrolada. Essa energia se manifesta no corpo através dos chakras, subindo ou descendo, provocando diferentes emoções.
Quando a kundalini se move para o topo da cabeça, no chakra coronário, é possível experimentar o estado de plenitude e bem-aventurança. Sentimentos de conexão começam a surgir com tudo e todos. Os antigos Rishis retratam cada um dos sete Chakras na forma de uma lótus ou de diferentes pétalas de flores, representando a consciência sutil, fresca e delicada.

Kundalini e os Chakras
A energia kundalini flui através dos chakras, num movimento ascendente ou descendente, provocando diferentes emoções, sentimentos ou sensações. É uma energia que se manifesta de diferentes maneiras nas diferentes regiões do corpo.
Os sete chakras ou sete centros nervosos estão conectados com diferentes glândulas do corpo – glândula tiróide, glândulas adrenal, glândula pituitária, glândula pineal, etc.
A ciência prova o que os antigos Rishis, sábios espirituais, afirmavam nas escrituras sagradas há milhares de anos atrás – cada uma dessas glândulas são responsáveis ​​por diferentes tipos de emoções.
Quando a energia kundalini está adormecida nos chakras é comum sentir sensações como inércia, raiva, apego, preguiça, etc. Quando ela é ativada, a inércia se transforma em entusiasmo, depois em criatividade. Do sentimento criativo, surge a alegria, e quando estamos felizes naturalmente surge a generosidade.
Então a energia se move para o chakra do coração, onde é possível sentir amor por todos ao redor, desencadeando o sentimento de gratidão e logo após, o estado de alerta. Trazendo expansão da consciência e bem-aventurança.

O perigoso despertar de Kundalini
É importante salientar sobre a prática correta da meditação kundalini pois o uso de forças e técnicas erradas, podem causar inúmeras consequências. É como se o fusível da lâmpada explodisse, devido ao excesso e surto descontrolado de energia.
Somente com a orientação correta sobre as técnicas, dieta e descanso, o corpo se torna sintonizado e propício para vivenciar esse fenômeno sutil. É importante respeitar o tempo de cada um, pois ao tentar despertar a kundalini shakti pela força, há grandes chances de perder o equilíbrio mental. Só quem tem anos e anos de prática de yoga e profundo conhecimento sobre isso é capaz de realmente praticar essas técnicas de forma adequada sem nenhum efeito colateral.

Meditação Kundalini
Quando a energia sobe naturalmente e através da técnica adequada, experimenta-se tanto entusiasmo, alegria e pertencimento. Todos estes são sinais de um verdadeiro despertar de shakti (energia).
Só é possível meditar quando a kundalini está desperta. Sempre que acontece a meditação, toda essa energia cintilante flui por todo o seu ser. Isso é o que é Kundalini.
O despertar da energia acontece muito naturalmente durante o Sudarshan Kriya, técnica de respiração da Arte de Viver. Por ser uma prática segura é possível sentir, de forma muito natural, cada célula do corpo desperta e viva.
Não tente fazer tudo isso à força, caso contrário você perderá perder o sono.

Kundalini e a serpente – Compreensão mitológica
A energia kundalini foi simbolicamente comparada a uma serpente. Nas histórias mitológicas, diz-se que a Mãe Terra repousa sobre os capuzes da serpente – Shesha Naag, que simboliza a força centrípeta e a força centrífuga. O planeta Terra é sustentado por esses dois tipos de forças. Essas forças não atuam em uma direção linear. Essas forças atuam de forma circular. Uma cobra também nunca viaja em linha reta. Uma cobra se enrola de maneira quase circular à medida que avança. O movimento da serpente é impulsionado por forças centrípetas e centrífugas.
O Shesha Naag simboliza as duas forças – centrípeta e centrífuga, que sustentam a Terra em sua revolução ao sol, da mesma forma o simbolismo da serpente kundalini representa a força vital que nos sustenta. Isso não significa que você deve procurar uma cobra dentro do seu corpo ou nem que você precise procurar uma flor de lótus.

Kundalini Yoga
O kundalini yoga é praticado para ativar a energia shakti, o que permite que ela se mova para cima e através dos chakras ao longo da coluna. A prática de kundalini yoga combina canto, posturas de yoga e respiração:
Canto de abertura: Cada aula começa com um mantra de abertura.Pranayama ou aquecimento: É comum realizar exercícios de respiração, chamados pranayamas, e às vezes movimentos para alongar a coluna. O objetivo do pranayama é praticar o controle da respiração.Kriya: Palavra em sânscrito que significa purificação, é uma sequência de posturas, pranayama ou mudras – posições das mãos. A duração e intensidade do kriya depende do professor.Relaxamento: Permite que seu corpo e mente absorvam os efeitos de um kriya.Meditação: O professor pode guiar uma meditação para cultivar a expansão da consciência.Canto de encerramento: A aula termina com um mantra de encerramento.


Efeitos do kundalini no corpo
À medida que a energia kundalini desperta, é muito comum se sentir mais conectado espiritualmente consigo mesmo e com os outros, e surgir sentimentos como:
  1. mais empatia
  2. aumento da criatividade
  3. carisma
  4. aumento de energia
  5. paz interior

quinta-feira, 18 de janeiro de 2024

Música do BioTerra: Dean Blunt - Pressed



[Verse]
Cool down your pace
You gotta cool down some way
Slow down your pace
I'll be cool

Don't play
You know I've been waiting on you, seven
Earthly days
I won't come running straight away
So cool down your pace

Biografia e discografia
Dean Blunt

Página Oficial
Dean Blunt

segunda-feira, 20 de novembro de 2023

Fernando Pessoa - Tenho tanto sentimento

Tenho tanto sentimento
Que é frequente persuadir-me
De que sou sentimental,
Mas reconheço, ao medir-me,
Que tudo isso é pensamento,
Que não senti afinal.

Temos, todos que vivemos,
Uma vida que é vivida
E outra vida que é pensada,
E a única vida que temos
É essa que é dividida
Entre a verdadeira e a errada.

Qual porém é verdadeira
E qual errada, ninguém
Nos saberá explicar;
E vivemos de maneira
Que a vida que a gente tem
É a que tem que pensar.

18-9-1933
Poesias. Fernando Pessoa. (Nota explicativa de João Gaspar Simões e Luiz de Montalvor.) Lisboa: Ática, 1942

domingo, 19 de novembro de 2023

Os Hindus


O povo hindu é um dos mais antigos do mundo, que se desenvolveu na região do subcontinente indiano. A palavra hindu vem do persa e significa “o povo que vive do outro lado do rio Indo” . O hinduísmo é a religião predominante entre os hindus, mas não é uma religião monolítica, e sim um conjunto de tradições e crenças variadas.

A origem dos hindus remonta à civilização do Vale do Indo, que floresceu entre 3300 e 1300 a.C. nas margens do rio Indo e seus afluentes . Essa civilização tinha cidades planeadas, sistemas de escrita, comércio, arte e religião. Ela entrou em declínio por volta de 1500 a.C., possivelmente por causa de invasões, mudanças climáticas ou desastres naturais.

Nessa época, chegaram ao território indiano os árias, um povo nómada de origem indo-europeia, que trouxe consigo uma nova língua (o sânscrito), uma nova cultura e uma nova religião (o védico) . Os árias se impuseram sobre os povos nativos, os dravidianos, e estabeleceram um sistema de castas, que dividia a sociedade em quatro grupos principais: os brâmanes (sacerdotes), os xátrias (guerreiros), os vaixias (comerciantes) e os sudras (servos). Havia também os párias ou intocáveis, que eram excluídos do sistema e considerados impuros.

A religião védica era baseada nos Vedas, uma coleção de hinos, rituais e especulações filosóficas sobre a natureza do universo e dos deuses. Os principais deuses eram Indra (o rei dos deuses e senhor das tempestades), Agni (o fogo), Varuna (o céu) e Soma (uma bebida sagrada) . Os árias praticavam sacrifícios de animais e oferendas de fogo para obter favores divinos.

A partir do século VI a.C., surgiram novos movimentos religiosos e filosóficos na Índia, que questionavam a autoridade dos brâmanes e dos Vedas. Esses movimentos enfatizavam a busca pelo autoconhecimento, pela libertação do ciclo de renascimentos (samsara) e pela realização da verdade suprema (brahman). Entre esses movimentos estavam o budismo, o jainismo e o hinduísmo clássico .

O hinduísmo clássico é uma síntese das tradições védicas com as tradições dravidianas e outras influências culturais. Ele se baseia em novos textos sagrados, como os Upanixades (que exploram a relação entre o ser humano e o absoluto), os Puranas (que narram as histórias dos deuses) e os Épicos (como o Ramáiana e o Mahabharata, que contam as aventuras de heróis e reis)

O hinduísmo clássico também valoriza a diversidade de caminhos para se aproximar do divino, como o caminho da ação (karma marga), o caminho do conhecimento (jñana marga) e o caminho da devoção (bhakti marga). Cada um desses caminhos envolve práticas específicas, como rituais, meditações, mantras, yoga, ética e serviço.

O hinduísmo é uma religião viva e dinâmica, que continua se transformando e se adaptando aos tempos. Ele é a religião de mais de um bilião de pessoas no mundo, principalmente na Índia, mas também  noutros países, como Nepal, Sri Lanka, Bangladesh, Indonésia e Estados Unidos. Ele é uma religião rica e complexa, que reflete a história e a cultura do povo hindu.

quinta-feira, 9 de novembro de 2023

Ervin László - A Experiência Akashica: A Ciência e o Campo de Memória Cósmica


O Dr. Ervin Laszlo é um renomeado filósofo, autor e pioneiro no campo dos estudos da consciência, que fez contribuições significativas para a nossa compreensão dos Registos Akáshicos e as suas profundas implicações para a consciência e espiritualidade humanas. Com uma carreira notável ao longo de várias décadas, o Dr. Laszlo mergulhou profundamente nos domínios da metafísica, cosmologia e teoria de sistemas, ganhando reconhecimento internacional como um dos principais pensadores em seu campo.

Nascido em Budapeste, Hungria, em 1932, o Dr. Laszlo foi exposto a uma rica tapeçaria de influências culturais e intelectuais desde tenra idade. Ele prosseguiu os estudos em filosofia, ciências naturais e música, e obteve um Ph.D. em filosofia pela Sorbonne em Paris. Ao longo da sua jornada académica, ele começou a questionar os paradigmas convencionais da ciência e a explorar as interconexões entre as dimensões física, mental e espiritual da realidade.

Uma das contribuições mais inovadoras é a sua exploração dos Registos Akáshicos, um conceito profundamente enraizado nas antigas tradições espirituais e na sabedoria coletiva da humanidade. De acordo com esse conceito, os Registos Akáshicos são um repositório energético que contém o conhecimento e as experiências de todos os seres ao longo do tempo e do espaço. Acredita-se que ter acesso aos Registos Akáshicos permite que os indivíduos se conectem com uma consciência universal, obtendo insights sobre as suas vidas passadas, desafios atuais e potenciais futuros.

Com base na sua extensa pesquisa e exploração, o Dr. Laszlo lançou luz sobre os aspectos científicos e metafísicos dos Registos Akáshicos. Ele propõe que esses registos existam como um campo não físico, uma memória cósmica que transcende o espaço e o tempo. Ele sugere que os Registos Akáshicos servem como uma fonte fundamental de informação e inspiração, acessível àqueles que estão abertos a receber a sua sabedoria por meio de estados profundos de consciência, meditação e investigação intuitiva.

O trabalho do Dr. Laszlo sobre os Registos Akáshicos teve um impacto profundo no campo dos estudos da consciência e na nossa compreensão do potencial humano. Ao reconhecer a existência e acessibilidade desse vasto reservatório de conhecimento, ele oferece um novo paradigma para o  crescimento pessoal, desenvolvimento espiritual e transformação coletiva. As suas percepções sobre os Registos Akáshicos inspiraram inúmeras pessoas a explorar as profundezas de sua própria consciência, buscando orientação, cura e um senso de propósito mais profundo.