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domingo, 15 de março de 2026

Jiddu Krishnamurti - a reforma que vale é a reforma do indivíduo


Quando os modelos estão experimentados e falham gradualmente na criação multilateral e igual de abundância e prosperidade, uma sociedade informada, sensata e consciente, deve começar a procurar novos sistemas e modelos, para que prevaleça e prospere .Ou neste caso concreto, ir buscar os exemplos onde está a sabedoria maior , na Natureza, que em muitos bilhões de anos já fez todas as experiências difíceis e criou modelos tão complexos e eficientes, que com toda a nossa tecnologia e estudo empírico, ainda só afloramos superficialmente.
A sabedoria da Natureza está em tudo o que acompanha o nosso quotidiano. Não inventamos nada, só vamos conseguindo ler e reproduzir , com o engenho e criatividade.
Este processo, seja na escala de consciência individual ou colectivo, transversalmente a tudo, deveria ser a base da nossa conduta, aceitando humildemente aquilo que não sabemos e aceitar a sabedoria da natureza, reproduzindo então com estas nossas capacidades que são o que de melhor temos.

Não somos sábios, mas a criatividade e engenho são dos nossos melhores atributos, como espécie .
Estes mesmos atributos trouxeram a um ponto que podemos construir ou destruir a escalas globais. Resida aqui a tal encruzilhada de escolhas .
Não querendo ser pessimista, porque não o sou, mas se não conseguirmos interiorizar isto primeiro e depois aplicar, temo que possa ser cheio de incertezas e perigos, o nosso futuro enquanto espécie neste maravilhoso e fascinante planeta e cosmos .
E que cada um vá dando o seu contributo, na sua escala e realidade, pode ser muito mais significativo do que se pensa .

Seguindo uma frase que diz que o pior erro é não fazer nada por acharmos que é pequeno ou os outros o farão.
Parece-me claro que estamos cada vez mais próximo de uma encruzilhada determinante .
E parece também que ao invés de aprendermos, só reproduzimos os mesmos erros e cada vez com mais consequências drásticas. É exponencial a capacidade que temos de destruir ou construir .
É uma escolha feita de muitas escolhas.

E-Livros de Jiddu Krishnamurti

Todos os livros traduzidos aqui

terça-feira, 15 de fevereiro de 2022

Citação da Semana- Jiddu Krishnamurti

"We never look deeply into the quality of a tree; we never really touch it, feel its solidity, its rough bark, and hear the sound that is part of the tree. Not the sound of wind through the leaves, not the breeze of a morning that flutters the leaves, but its own sound, the sound of the trunk and the silent sound of the roots."



quarta-feira, 6 de junho de 2018

Cartas de Agostinho da Silva para António Telmo

Arthur Pinjian

"Fui a Krishnamurti mais para o ver do que para o ouvir, e uma vez; acho que ele representa o melhor do pensamento indiano, ou oriental, se quiser, o princípio de que a reforma que vale é a reforma do indivíduo; os ocidentais vão pela reforma do exterior; a terceira posição é a dos ibéricos: as duas coisas ao mesmo tempo; os místicos eram conquistadores e os conquistadores místicos. 
Acresce ainda que ocidentais – indo-europeus – e orientais indo-europeus também (estou falando das fontes indianas) têm ambos a ideia de acção, interior ou exterior; aqui entra português, como o mais refinado dos ibéricos: temos a acção – dupla, ocidental e oriental – e o para além da acção (teologia do Espírito Santo); agir e em cada momento da acção estar inteiramente fora dela, olhá-la apenas como um dos fenómenos do universo, eis o que é português; ter fidelidade a uma coisa que é ao mesmo tempo destino e liberdade; recusar o que não seja tudo; não aceitar isto contra aquilo. 
Os portugueses hoje, coitados, acho que nem sabem que existem como portugueses; esperemos que ainda acordem no nosso tempo; dependerá de acordarmos nós plenamente primeiro, e de lhes dar depois uns bons gritos para os acordar a eles"

- Carta IX (12.10.68), in Cartas de Agostinho da Silva para António Telmo, p.53.

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Entrevista a Jiddu Krishnamurti por André Voisin


"Muito raro! Devemos abandonar as crenças, o medo, a vaidade. Jiddu  explica como nos devemos aproximar de Deus, além das imagens e do condicionamento. Não gosta de usar a palavra "Deus". A meditação é um caminho, não uma técnica. Enumera os vários perigos para a humanidade.
Na primeira parte, os temas são: a anedota do homem e do diabo. Não há liberdade quando se é condicionado pela religião. A cultura também condiciona e divide as pessoas. É a divisão que cria dificuldades e conflitos. Para ele, a boa conduta é amor, prestar atenção às árvores, aos outros. Estar consciente de tudo para criar unidade, harmonia com o mundo, para fazer algo verdadeiro. Demonstra a sua ideia tomando como exemplos os judeus e os árabes. Na segunda parte, Krishnamurti fala da natureza, do sono, do sofrimento, do seu conceito de revolução interior, da arte, da noção de tempo, do silêncio e da morte" - André Voisin "Les conteurs", 1972

"A memória do conhecido é inerentemente incompleta; ela é o fundamento de todo o pensamento.
As realidades são constantemente sintetizadas, como adaptações vitais para a sobrevivência dos seres, dentro dos seus horizontes especistas do conhecido.
Estas realidades são "irreais", porque a realidade é o que é, e o que é é simultaneamente o conhecido e o desconhecido, até mesmo o incognoscível.
Os pensamentos dos seres sociais, forjados por tempos imemoriais de coevolução e de adaptação ao conhecido, são totalmente inadequados para apreender e exprimir a infinita complexidade da realidade.
Por outro lado, os nossos sistemas nervosos, graças às suas funções biofísicas intrínsecas e complexas, e, portanto, bioquímicas, podem ser contactados pelo que é, desde que escapemos sem esforço ao ruído de fundo constante e prejudicial dos nossos pensamentos "irreais"." - Jiddu Krishnamurti

quarta-feira, 13 de março de 2013

Travemos caudais de choro e de incompreensões

"La ternura es la columna central que sostiene la vida."~ José Víctor Martínez Gil


"O que traz a compreensão é o amor. Quando o coração está cheio, então estamos a ouvir o professor, o mendigo, o riso das crianças, o arco-íris e o sofrimento dos seres humanos. Em cada pedra e cada folha, existe o eterno. Mas não sabemos como vê-lo. Nossas mentes e corações estão cheios de coisas diferentes para a compreensão do "que é". Amor e a compaixão, a bondade e a generosidade não causam inimizade. Quando um ama, está muito perto da verdade, porque o amor gera sensibilidade, vulnerabilidade. O que é sensível é capaz de renovar-se. Então há a verdade. Ele não pode surgir se a mente e o coração são carregados com o peso da ignorância e animosidade" ~ Jiddu Krishnamurti

segunda-feira, 17 de julho de 2006

OSHO - O mundo nas mãos erradas?


Todas as revoluções fracassaram
Amado Osho,
Uma vez, você disse que este é um mundo maravilhoso, mas que ele estava em mãos erradas. Eu concordo com todo o meu ser. Eu sinto isso. Mas como poderemos deter essas mãos gananciosas que estão torturando a natureza e escravizando os homens, se não lutarmos e não brigarmos? Não é preciso destruir o velho, para se construir o novo?
-Essa é uma das armadilhas mais velhas em que o homem tem caído. Sim, eu disse que o mundo é muito belo, mas que ele está em mãos erradas - e, imediatamente, a sua mente começou a pensar em como destruir aquelas pessoas erradas, como tirar o mundo dessas pessoas erradas, livrá-lo de suas mãos.
Ao invés de transformar a si mesmo, ao invés de transformar a sua própria mente, você imediatamente começa a pensar em termos de política. Eu falo religião e você imediatamente interpreta como política. E isso parece lógico, Giovanni, porque isso parece perfeitamente correto: 'Mas como poderemos deter essas mãos gananciosas que estão torturando a natureza e escravizando os homens, se não lutarmos e não brigarmos'?
Mas, se você lutar e brigar, você acha que será capaz de transformar o mundo e toda essa situação? Ao lutar e brigar, você simplesmente vai se tornar como aquelas pessoas contra as quais você está lutando e brigando. Essa é uma das leis fundamentais da vida. Escolha seus inimigos muito cuidadosamente! Os amigos você pode escolher sem qualquer cuidado. Não há qualquer necessidade de se preocupar com os amigos, porque amigos não têm impacto sobre você, eles não impressionam você tanto quanto os inimigos. É preciso tomar muito cuidado com os inimigos porque você terá que brigar com eles. Ao brigar, você terá que usar as mesmas estratégias e as mesmas táticas deles. E você usará essas estratégias e táticas por anos e anos. Elas irão condicionar você. É assim que tem acontecido ao longo das eras.
Agora, quando eu digo que este mundo é muito belo, mas ele está em mãos erradas, eu não quero dizer para você começar a lutar contra aquelas mãos erradas. O que eu quero dizer é: por favor, não seja aquelas mãos erradas, e isso é tudo.
Eu não ensino revolução, eu ensino rebelião, e a diferença é grande. Revolução é política e rebelião é religiosa. Revolução necessita que você se organize como um partido político, como um exército, e lute contra os inimigos. Rebelião significa que você se rebela enquanto indivíduo, você simplesmente sai fora, desiste de todo esse esquema. Pelo menos você não deve destruir a natureza.
E se mais e mais pessoas se tornarem desviantes, o mundo poderá ser salvo. Essa será a verdadeira revolução, não política. Ela será espiritual. Se mais e mais pessoas abandonarem as velhas mentes e seus caminhos, se mais e mais pessoas se tornarem mais amorosas, se mais e mais pessoas forem não-ambiciosas, se mais e mais pessoas forem não-gananciosas, se mais e mais pessoas deixarem de estar interessadas em poder político, em prestígio, em respeitabilidade...
... Se milhões de pessoas no mundo simplesmente escapassem das mãos dos políticos, os políticos iriam morrer por si mesmos. Você não consegue lutar contra eles. Se você lutar, você mesmo se torna um político. Se você lutar contra eles, você se torna ambicioso, você se torna ganancioso. Isso não irá ajudar.
... Todas as revoluções políticas fracassaram tão completamente que somente os cegos podem continuar acreditando nelas.
Isso é alguma coisa nova! Isso foi feito antes também, mas não em larga escala. Nós temos que fazer isso em larga escala: milhões de pessoas têm que se tornar 'desviantes'! Por 'desviantes' eu não quero dizer que vocês têm que deixar a sociedade e ir para as montanhas. Você segue vivendo na sociedade, mas você deixa a ambição, você deixa a cobiça, você deixa o ódio. Você vive na sociedade e é amoroso; vive na sociedade como um ninguém.
Nós podemos mudar o mundo todo, mas não pela luta. Não desta vez. Chega! Nós temos que mudar este mundo pela celebração, pela dança, pelo canto, pela música, pela meditação, pelo amor, não pela luta. O velho tem que cessar, para que o novo surja, mas, por favor, não me interprete mal.
Certamente o velho tem que cessar, mas o velho está dentro de você, não fora. Eu não estou falando das velhas estruturas da sociedade, eu estou falando da velha estrutura da sua mente, a qual tem que cessar para que o novo surja. E é incrível, inimaginável, inacreditável como um simples homem abandonando a velha estrutura da mente cria um espaço tão grande para muitos transformarem as suas vidas. Um simples homem transformando a si mesmo, torna-se um desencadeador. E então, muitos outros começam a mudar. A sua presença se torna um agente catalisador.
Essa é a rebelião que eu ensino: você abandona a velha estrutura, você abandona a velha cobiça, você abandona o velho idealismo. Você se torna uma pessoa silenciosa, meditativa, amorosa. Você será mais uma dança e então verá o que acontece. Alguém, mais cedo ou mais tarde, irá juntar-se à dança com você, e depois, outras pessoas mais.
... A alegria é contagiosa! Ria e você verá outras pessoas começando a rir. Assim é com a tristeza; fique triste e alguém olhando para a sua face séria, de repente se tornará triste. Nós não somos separados, nós estamos juntos, ligados.
Assim, quando o coração de alguém começa a rir, muitos outros corações começam a ser tocados, algumas vezes até corações distantes.