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terça-feira, 21 de abril de 2026

Mais um miradouro, neste caso, em frente à Cascata de Fisgas do Ermelo


A cascata das Fisgas de Ermelo, conhecida como uma das maiores de Portugal e da Europa, tem agora um novo miradouro. A inauguração oficial aconteceu na manhã deste domingo, 19 de abril, em Mondim de Basto, no distrito de Vila Real. O momento contou com a presença do Secretário de Estado do Turismo, Comércio e Serviços, Pedro Machado.

A queda de água tem um impressionante desnível de 400 metros e já contava com um miradouro natural. No entanto, a Câmara Municipal realizou recentemente uma construção para melhorar as condições de acesso, deixando-as mais seguras para os visitantes e atletas que percorrem a região.

Foram criados um acesso pedonal e um passadiço para permitir que os visitantes consigam aceder ao miradouro sem qualquer problema. A construção, segundo o autarca, já devia ter sido inaugurada, mas sofreu atrasos devido à falência da empresa responsável.

“Tivemos a infelicidade de a empresa que estava responsável pela construção da plataforma ter entrado em falência. Portanto, todo o procedimento para que a autarquia pudesse assegurar a concretização da obra foi moroso”, apontou, aqui citado pelo “Público”.

As obras também chegaram a ser criticadas por alguns residentes, que acreditam que a nova construção afeta a paisagem natural. No entanto, a autarquia acredita que vai atrair mais turistas para a região.

𝐏𝐞́𝐬𝐬𝐢𝐦𝐚 𝐧𝐨𝐭𝐢́𝐜𝐢𝐚!  Mais um postal para a "Disneylândia" da natureza - a tendência das autarquias para artificializar paisagens selvagens através da construção de passadiços e plataformas de metal e vidro. Este fenómeno transforma o contacto com o mundo natural numa experiência de consumo visual rápido, focada na partilha em redes sociais, em vez de promover uma ligação autêntica e educativa com o ecossistema. 

Paralelamente, o impacto na biodiversidade e na geologia é preocupante, uma vez que estas estruturas permanentes podem fragmentar habitats — afetando aves de rapina que nidificam nas escarpas — e descaracterizar a geologia local, sendo a perfuração de rochas milenares para fixar estacas vista como um atentado ao património.

O Parque Natural do Alvão, com as suas escarpas rochosas e vales profundos (como as Fisgas de Ermelo), é um habitat crucial para várias aves de rapina rupícolas. Espécies notáveis que nidificam nas escarpas incluem o Grifo (Gyps fulvus), o Bufo-real (Bubo bubo), a Águia-real (Aquila chrysaetos) e o Falcão-peregrino (Falco peregrinus).

A área também é frequentada por outras rapinas, como o Bútio-vespeiro e a Águia-cobreira, que, embora prefiram árvores, podem caçar nas áreas rochosas. 

A ZEC Marão-Alvão é uma zona fundamental para a conservação destas espécies em Portugal, beneficiando da orografia acidentada.[Consultar ICNF

Além disso, o lobo-ibérico marca presença no Parque Natural do Alvão, sendo um dos habitantes mais emblemáticos e importantes desta área protegida. Esta espécie, cientificamente designada como Canis lupus signatus, encontra no Alvão e nas serras vizinhas, como o Marão, um habitat fundamental para a sua sobrevivência a sul do rio Minho. Apesar de estar classificado como "Em Perigo" em Portugal, o lobo mantém alcateias na região. Porém no último Censo 2019-2021 [consultar ICNF] este núcleo populacional sofreu uma redução do número de alcateias detectadas, da ordem dos 50 %, não tendo sido detectada a presença de 7 das 13 das alcateias registadas no anterior censo. 

Esta facilitação do acesso acaba por gerar problemas graves de capacidade de carga e massificação, atraindo milhares de pessoas para zonas antes preservadas pelo seu isolamento, o que resulta em acumulação de lixo, pressão sobre os recursos hídricos e perturbação do sossego da vida selvagem. Estes projetos raramente incluem planos de gestão a longo prazo para mitigar o impacto humano. O investimento deveria priorizar a vigilância e a conservação, através da contratação de mais vigilantes da natureza, em vez de se concentrar exclusivamente em infraestruturas turísticas.  
 
Muitas destas obras ignoram o que acontece "antes" e "depois" do miradouro:
1. Estacionamentos - para levar pessoas ao novo miradouro, é preciso alargar estradas e criar parques de estacionamento, o que impermeabiliza o solo.
2. Espécies Invasoras: o movimento constante de carros e pessoas facilita o transporte de sementes de espécies invasoras nas solas dos sapatos e nos pneus, que acabam por colonizar o Parque Natural e expulsar a flora nativa.

Portugal tem um histórico de construir passadiços e miradouros magníficos que, cinco anos depois, estão degradados, tornando-se perigosos e visualmente ainda mais chocantes na paisagem.

domingo, 8 de fevereiro de 2026

Chegou a hora de repor a permeabilidade do solo nas nossas cidades

Porquê?
1. Redução do risco de inundações e gestão das águas pluviais.
As superfícies impermeáveis ​​impedem que a água da chuva se infiltre no solo. Em vez disso, a água escoa rapidamente para o sistema de drenagem, muitas vezes sobrecarregando os sistemas durante chuvas intensas.

Repermeabilizar o solo:
- Diminui o escoamento superficial;
- Permite que a água se infiltre e recarregue o lençol freático;
- Reduz as inundações superficiais e o transbordo de esgotos, que infelizmente muitas vezes também recebem àguas pluviais.
Isto é cada vez mais crucial à medida que os eventos de chuva intensa se tornam mais frequentes, uma tendência destacada nas avaliações climáticas urbanas globais.

2. Arrefecimento das cidades e redução das ilhas de calor urbanas.
As superfícies impermeáveis ​​​​absorvem e irradiam calor, intensificando o efeito de ilha de calor urbana. Superfícies permeáveis ​​e com coberto vegetal:
- Retêm a humidade, permitindo o arrefecimento evaporativo;
- Reduzem as temperaturas da superfície e do ar ambiente;
- Melhoram o conforto térmico nas ruas e espaços públicos.

3. Recuperação do ciclo urbano da água e recarga dos aquíferos.
Quando as cidades estão totalmente impermeabilizadas:
- Os níveis das águas subterrâneas diminuem;
- A vegetação urbana torna-se dependente da rega;
- As cidades tornam-se mais vulneráveis ​​às secas.
Os solos permeáveis ​​ajudam a reconectar a água da chuva com os ciclos hidrológicos naturais, melhorando a segurança hídrica a longo prazo, o que é especialmente importante em cidades com escassez de água.

4. Apoio à biodiversidade urbana e à saúde do solo.
Solos saudáveis ​​abrigam microrganismos, insetos e raízes de plantas.
Permeabilizar o solo e design permeável:
- Melhoram a respiração e a fertilidade do solo;
- Permitem que as árvores urbanas desenvolvam raízes mais profundas e fortes, mais resistentes às intempéries;
- Apoiam polinizadores e habitats urbanos.

5. Equidade, habitabilidade e ordenamento do território
Em muitas cidades:
- Os antigos aglomerados urbanos estão localizados em zonas sujeitas a inundações e com deficiente drenagem;
- Soluções de engenharia são hoje fundamentais para resolver os problemas do passado, mas não se pode estar atualmente criar novos problemas resultantes de um mau planeamento.

As abordagens permeáveis ​​e baseadas na natureza (valas de infiltração, drenagem com vegetação, pátios permeáveis) são:
- Mais baratas e adaptáveis;
- Mais fáceis de serem concebidas em conjunto com as comunidades.

6. De que forma a permeabilização se parece na prática:
- Pavimentos e áreas de estacionamento permeáveis;
- Permeabilização de passeios, pátios escolares e espaços subutilizados;
- Jardins de chuva, valas de infiltração e trincheiras de infiltração;
- Árvores urbanas com solos estruturais;
- Recuperação de ribeiros naturais ou cursos de água sazonais.

sábado, 7 de fevereiro de 2026

Sobre este Inverno chuvoso - não aprendemos nada com as ideias de Gonçalo Ribeiro Telles


Este comboio de tempestades não é único. Muitas destas tempestades em sucessão são alimentadas por rios atmosféricos. São faixas estreitas de humidade tropical concentrada que atravessam o Atlântico. Quando o "corredor" se abre em direção à Península Ibérica, as tempestades seguem esse rasto como se estivessem em carris. Tudo depende de um "braço de ferro" de pressão entre os Açores e a Islândia. Quando esta oscilação está numa determinada fase, o jet stream (uma corrente de ar a grande altitude) empurra todas as tempestades diretamente para nós, em vez de as desviar para o Reino Unido ou Escandinávia. Antigamente não dávamos nomes às tempestades (como Joseph, Leonardo e Kristin), o que dava a ideia de que era apenas "um inverno chuvoso". Hoje, ao darmos nomes individuais a cada depressão, temos muito mais consciência de quantas estão a passar por nós seguidas. A perceção de excecionalidade resulta, em grande parte, da forma como os fenómenos recentes são lembrados. A nossa memória meteorológica é curta e estamos mais marcados pelos episódios de secas severas que têm sido a marca dos últimos ano. 𝐃𝐞𝐯𝐢́𝐚𝐦𝐨𝐬 𝐬𝐞𝐫 𝐦𝐚𝐢𝐬 𝐩𝐫𝐞𝐯𝐞𝐧𝐭𝐢𝐯𝐨𝐬 𝐩𝐞𝐥𝐨 𝐡𝐢𝐬𝐭𝐨́𝐫𝐢𝐜𝐨 𝐝𝐞 𝐢𝐧𝐯𝐞𝐫𝐧𝐨𝐬 𝐜𝐡𝐮𝐯𝐨𝐬𝐨𝐬. Aprender a não voltar a repetir a tragédia de 1967 (25 para 26 de novembro) em que choveu num só dia o equivalente a um quinto de todo o ano. A região da Grande Lisboa e do Vale do Tejo foi devastada. O regime de Salazar tentou "abafar" a dimensão da tragédia. Oficialmente falou-se em cerca de 460 mortos, mas estimativas reais apontam para mais de 700 vítimas.
𝐆𝐨𝐧𝐜̧𝐚𝐥𝐨 𝐑𝐢𝐛𝐞𝐢𝐫𝐨 𝐓𝐞𝐥𝐥𝐞𝐬 𝐚𝐥𝐞𝐫𝐭𝐨𝐮-𝐧𝐨𝐬 𝐚𝐧𝐨𝐬 𝐞 𝐚𝐧𝐨𝐬 𝐜𝐨𝐦𝐨 𝐞𝐯𝐢𝐭𝐚𝐫 𝐝𝐚𝐧𝐨𝐬 𝐦𝐚𝐭𝐞𝐫𝐢𝐚𝐢𝐬 𝐞 𝐡𝐮𝐦𝐚𝐧𝐨𝐬 𝐝𝐮𝐫𝐚𝐧𝐭𝐞 𝐞𝐬𝐭𝐞𝐬 𝐢𝐧𝐯𝐞𝐫𝐧𝐨𝐬 𝐜𝐡𝐮𝐯𝐨𝐬𝐨𝐬 𝐞 𝐚𝐩𝐫𝐞𝐬𝐞𝐧𝐭𝐚𝐯𝐚 𝐬𝐨𝐥𝐮𝐜̧𝐨̃𝐞𝐬. 𝐍𝐚̃𝐨 𝐚𝐬 𝐨𝐮𝐯𝐢𝐦𝐨𝐬. 𝐈𝐧𝐬𝐢𝐬𝐭𝐢𝐦𝐨𝐬 𝐞𝐦 𝐜𝐨𝐧𝐬𝐭𝐫𝐮𝐢𝐫 𝐞𝐦 𝐥𝐞𝐢𝐭𝐨𝐬 𝐝𝐞 𝐜𝐡𝐞𝐢𝐚, 𝐞𝐧𝐭𝐮𝐛𝐚𝐫 𝐫𝐢𝐨𝐬 𝐞 𝐫𝐢𝐛𝐞𝐢𝐫𝐚𝐬 𝐞 𝐚 𝐩𝐚𝐯𝐢𝐦𝐞𝐧𝐭𝐚𝐫 𝐭𝐮𝐝𝐨 𝐜𝐨𝐦 𝐚𝐬𝐟𝐚𝐥𝐭𝐨 𝐞 𝐜𝐢𝐦𝐞𝐧𝐭𝐨.
𝐎 𝐂𝐨𝐫𝐫𝐞𝐝𝐨𝐫 𝐕𝐞𝐫𝐝𝐞 𝐝𝐞 𝐌𝐨𝐧𝐬𝐚𝐧𝐭𝐨, 𝐞𝐦 𝐋𝐢𝐬𝐛𝐨𝐚 𝐞́ 𝐮𝐦 𝐞𝐱𝐞𝐦𝐩𝐥𝐨 𝐩𝐚𝐫𝐚𝐝𝐢𝐠𝐦𝐚́𝐭𝐢𝐜𝐨: 𝐝𝐞𝐦𝐨𝐫𝐨𝐮 𝐪𝐮𝐚𝐬𝐞 𝟑𝟎 𝐚𝐧𝐨𝐬 𝐚 𝐬𝐞𝐫 𝐜𝐨𝐧𝐜𝐥𝐮𝐢́𝐝𝐨 𝐞𝐱𝐚𝐭𝐚𝐦𝐞𝐧𝐭𝐞 𝐩𝐨𝐫𝐪𝐮𝐞 𝐞𝐥𝐞 𝐭𝐞𝐯𝐞 𝐝𝐞 𝐥𝐮𝐭𝐚𝐫 𝐜𝐨𝐧𝐭𝐫𝐚 𝐦𝐮𝐢𝐭𝐨𝐬 𝐢𝐧𝐭𝐞𝐫𝐞𝐬𝐬𝐞𝐬 𝐢𝐦𝐨𝐛𝐢𝐥𝐢𝐚́𝐫𝐢𝐨𝐬 𝐩𝐚𝐫𝐚 𝐦𝐚𝐧𝐭𝐞𝐫 𝐚𝐪𝐮𝐞𝐥𝐞 "𝐞𝐬𝐜𝐨𝐚𝐦𝐞𝐧𝐭𝐨" 𝐧𝐚𝐭𝐮𝐫𝐚𝐥 𝐝𝐚 𝐜𝐢𝐝𝐚𝐝𝐞.

sábado, 4 de outubro de 2025

Fernando Santos Pessoa publicou em livro décadas de reflexões sobre Território e Paisagem

São 34 textos, que foram escritos ao longo de muitos anos, mas que «não são pensamentos dispersos» e denotam uma linha de pensamento coerente que Fernando Santos Pessoa, engenheiro silvicultor, arquiteto paisagista e professor universitário, sempre manteve.

Esta é uma descrição sucinta do livro “Território e Paisagem”, que junta reflexões do autor sobre temas diversos, mas principalmente ligados ao Ambiente, publicadas ao longo de mais de três décadas em diversas plataformas, incluindo o Sul Informação, que foi apresentado no dia 25 de Setembro, em Faro.

«Chego à conclusão de que ao longo dos anos mantive as mesmas convicções, aprofundando-as e esticando mais um bocadinho para novos desafios que nos aparecem. Mas a intenção é essa, é mostrar uma certa coerência mantida ao longo de tantos anos», disse ao Sul Informação Fernando Santos Pessoa, à margem da apresentação do seu mais recente livro.

«Nestes últimos anos surgiram desafios novos [ambientais e políticos] com os quais não contávamos aqui há 10 ou 20 anos. Dentro dessa ideia, como eu disse, sei que posso errar, mas faço o que for possível para não o fazer, dentro das minhas convicções», acrescentou.

Na sessão da passada semana, a apresentação da obra esteve a cargo do também arquiteto paisagista Gonçalo Gomes, antigo aluno (e não só) do homenageado, na Universidade do Algarve.

«Tenho de fazer uma declaração de interesses prévia: sou aluno, sou discípulo, sou amigo e sou admirador. Há sempre um certo viés, mas que eu não tenho qualquer problema em assumir, porque a leitura do que escreve e a análise da sua obra confirmam que eu não estou a exagerar», disse Gonçalo Gomes, durante a sessão.

Referindo-se a um texto dos anos 90, um dos que pode ser lido na obra apresentada, em que, apesar preconizar um futuro negro, nomeadamente grandes ameaças à liberdade e à democracia, Fernando Santos Pessoa avisava que «não se tratava de ser o Velho do Restelo», Gonçalo Gomes aproveitou para criar uma imagem diferente: «um “velho” no alto do Restelo, ou seja, alguém que, de um ponto elevado, lança um olhar mais lúcido, mais alongado e contextualizado sobre aquilo que se vai desenvolvendo à sua frente».

«Uma das grandes tónicas deste livro é ter um olhar humanista, sempre muito centrado no bem-estar das pessoas, na sua qualidade de vida e em algo que é fundamental, a dignidade do existir. Também se debruça sobre algo de que não falamos as vezes suficientes, que é a felicidade das pessoas, que é um tema sempre muito presente nas suas obras», resumiu.

Os 54 textos que estão unidos neste livro «enquadram-se em cinco grandes domínios, sendo que o Ambiente e Ecologia é o mais presente, seguido de um muito curioso, que é o Política e Utopia».

Muitos dos textos têm, de resto, uma forte componente de ativismo e de crítica «aos políticos negacionistas e interesseiros», como o próprio autor descreve na introdução do livro.

Arquitetura Paisagista e Ambiente, Ambiente e Cultura e Neste Tempo são os outros três domínios em que se dividem os textos presentes no livro.

Quanto ao futuro, Gonçalo Gomes não duvida que esta não será a última obra do seu antigo professor, uma vez que «a dinâmica é uma constante, quando falamos do arquiteto Fernando Santos Pessoa».

Fernando Pessoa não esconde, por seu lado, que por vezes se sente invadido por um certo pessimismo – «o meu grande amigo professor Jorge Paiva sempre disse: estamos sempre a malhar em ferro frio há tantas décadas, sempre a falar do mesmo assunto [sem conseguir que haja mudanças]» – e acaba a introdução a este livro com a frase «acho mesmo que vou parar».

Mais a frio, e de viva voz, admitiu ao nosso jornal, com um sorriso, que se calhar «qualquer dia sai mais qualquer coisa!».

“Território e Paisagem” junta textos e ilustrações de Fernando Santos Pessoa e é uma edição da editora Argumentum, com direção editorial de Filipe Jorge. O prefácio é do jornalista Idálio Revez.

segunda-feira, 14 de abril de 2025

Place de Catalogne


A  Place de Catalogne , localizada no 14º arrondissement de Paris, sofreu uma transformação impressionante. Outrora uma praça circular pavimentada em pedras, projetada pelo arquiteto catalão Ricardo Bofill na década de 1980, foi reinventada como uma exuberante floresta urbana. Até 2024, mais de 470 árvores transformaram o espaço num próspero oásis verde no coração da cidade.

quarta-feira, 12 de junho de 2024

Mentor das cidades esponja critica o plano municipal de Lisboa


Kongjian Yu quer transformar as cidades em esponjas contra cheias e secas. Cidades devem absorver e libertar água para enfrentar alterações climáticas, defende arquiteto paisagista. Planos de drenagem como o de Lisboa vão falhar a longo prazo, diz. 

Quando a pergunta é sobre o plano de drenagem de Lisboa, que implica um investimento de 250 milhões de euros e, entre outros pontos, a abertura de dois grandes túneis, o arquiteto paisagista ri-se abertamente. “Esse é o modelo business as usual. Não vai resolver o problema”, diz. Além do gigante esforço financeiro, as grandes infra-estruturas — sejam túneis, diques ou outras soluções — são construídas em betão, material que tem um determinado tempo útil até que o desgaste provoque os seus danos. Depois disso, precisa de manutenção, o que implica novo e generoso investimento. Acresce que os episódios de cheia são cada vez mais extremos e, mesmo que os sistemas estejam dimensionados para volumes que consideramos hoje históricos, é uma questão de tempo até que estes sejam superados.

“Do ponto de vista económico, não é sustentável. É absurdo. A longo prazo, é estúpido pensar que a tecnologia vai resolver o problema”, entende. Reter a água na sua “esponja” significa que se pode fazer uso dela durante o outro extremo, nos períodos de seca, ajudando também a arrefecer a cidade em ondas de calor. “Se tiveres água, tens tudo. Se te livrares da água, terás problemas durante os períodos de seca. É uma oportunidade perdida”, nota. Público 10jun2024

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terça-feira, 21 de maio de 2024

Como conter enchentes, segundo criador das 'cidades-esponja': 'Barragens estão fadadas ao fracasso'

Eventos atmosféricos extremos com períodos prolongados de fortes chuvas e inundações, como as ocorridas no Rio Grande do Sul nas últimas semanas, se tornarão cada vez mais comuns e intensos, segundo os cientistas.

Mas o que as cidades podem fazer para evitar ou mitigar esse tipo de tragédia?

Para o criador do conceito de cidades-esponja, o arquiteto chinês Kongjian Yu, a resposta está em parar de "lutar contra a água" e investir em soluções duradouras e baseadas na natureza.

"Temos uma escolha a fazer: investir em grandes barragens e diques que estão fadados a fracassar ou apostar em algo que é duradouro, sustentável e ainda bonito e produtivo", questionou o decano da faculdade de Arquitetura e Paisagismo da Universidade de Pequim em entrevista à BBC News Brasil.

Para Yu, as soluções tradicionais baseadas em barragens de cimento e tubulações impermeáveis já se mostraram incapazes de acompanhar os efeitos das mudanças climáticas, já que as chuvas são cada vez mais intensas e o nível da água de rios e mares não para de subir.

Como alternativa, o arquiteto propõe adotar uma infraestrutura verde, baseada em um balanço hídrico artificial que seja o mais parecido possível com o natural e dê espaço e tempo para que a água seja absorvida pelo solo.

Em outras palavras, criar espaços e infraestruturas capazes de absorver, reter e liberar a chuva de forma que ela retorne ao ciclo natural da água sem causar estragos.

O conceito já foi aplicado pela equipe de Yu em diversas cidades na China e também na Tailândia, Indonésia e Rússia — e por outros arquitetos em todo o mundo.

Segundo o chinês, ele pode ser reproduzido em qualquer lugar, inclusive no Brasil.

"Funciona em qualquer lugar. As cidades-esponja são uma solução para climas extremos, onde quer que eles estejam", diz.

"E o Brasil pode se dar muito bem com elas, porque tem muitas áreas naturais, o que dá mais espaço para a água escoar."

De acordo com o arquiteto, além de impedir inundações, o modelo também pode ser útil durante os períodos de seca, já que a água armazenada pode ser utilizada para irrigação e para manter as árvores e plantas da cidade em boas condições.

Além das fortes chuvas, períodos mais prolongados de seca também são efeitos das mudanças climáticas.

Antes de sofrerem com as inundações, muitos produtores gaúchos já haviam sido castigados pela falta de água no ano safra de 2021/22.

Mas para que o conceito das cidades-esponja funcione, ele deve se basear em três grandes estratégias, segundo Kongjian Yu.

1. Contenção da água
O primeiro princípio adotado nos projetos do chinês é reter a água assim que ela toca o solo. Segundo Yu, isso pode ser alcançado por meio de grandes áreas permeáveis e porosas, não pavimentadas.

Da mesma forma que uma esponja com muitos orifícios, a cidade deve conter a chuva com lagos artificiais e áreas de açude alimentados naturalmente ou por canos que ajudam a escoar a água de rios e represas.

Telhados e fachadas verdes, assim como valas com áreas verdes com camadas de solo permeáveis ​​por baixo também são usadas para esse propósito.

Kongjian Yu explica que, em áreas cultiváveis, reservar 20% do terreno para operar como um sistema de açude é suficiente para impedir que o restante do lote seja inundado. Essa área pode ainda ser adaptada para colheitas resistentes à umidade e para posteriormente abastecer o restante das plantações em épocas de seca.

Apesar de ser algo recente, a base teórica na qual as cidades-esponja resgata as antigas tradições chinesas da agricultura e da gestão da água.

"Temos que aprender com a aquacultura como fazer essa terra fértil, quais culturas podem sobreviver e usar essas áreas para isso", diz. "O arroz é um exemplo de uma plantação que pode funcionar."

2. Redução da velocidade
Em seguida, o arquiteto aconselha pensar no manejo da água coletada. Isto é, desacelerar o fluxo d'água.

Em vez de tentar canalizar a água rapidamente para longe em linhas retas, rios tortuosos com vegetação ou várzeas reduzem a velocidade da água.

Eles oferecem mais um benefício, que é a criação de áreas verdes, parques e habitats para animais, purificando a água escoada na superfície com plantas que removem toxinas poluentes e nutrientes.

Yu conta que se interessou pelo tema da urbanização e da contenção das águas após vivenciar uma experiência com inundações durante a infância.

Na época com apenas 10 anos, o chinês vivia em uma fazenda na Província de Zhejiang, perto de Hangzhou. Durante um período de fortes chuvas, o córrego da região inundou os campos de arroz da comunidade agrícola e Yu foi pego pelas águas, carregado pela enchente.

Mas as plantas, troncos e salgueiros ao longo do córrego reduziram a velocidade do fluxo do rio, permitindo que ele se agarrasse à vegetação e saísse das águas.

"Se o rio fosse como muitos são hoje, nivelados com paredes de concreto, certamente eu teria me afogado", contou Yu à BBC.

As técnicas usadas pelo arquiteto em seus projetos atuam da mesma forma que a vegetação no córrego na fazenda de Yu, desacelerando a água.

3. Escoamento e absorção
A terceira estratégia é adaptar as cidades para que elas tenham áreas alagáveis, para onde a água possa escorrer sem causar destruição.

"Em vez de construir barragens e ir acumulando a água em áreas de cimento, precisamos nos adaptar à água, deixa a cidade lidar com a água de forma saudável", diz Yu.

A principal forma de fazer isso é criar grandes estruturas naturais alagáveis para que a água possa ser contida por um tempo e, depois, absorvida pelo lençol freático.

Yu defende que essas áreas alagáveis permaneçam desocupadas, evitando-se construções nas áreas baixas.

Nos casos de infiltração, podem ser feitas caixas infiltrantes, que facilitam a entrada da água no solo.

Algumas cidades usam "jardins de chuva" que armazenam o excesso de chuva em tanques subterrâneos e túneis. A água só é descartada nos rios depois que os níveis diminuem.

Plantas que absorvem água também podem ser usadas para dar conta do alto volume de chuvas.

"A natureza se adapta. O conceito de cidade-esponja é baseado no princípio de que a natureza regula a água", diz o arquiteto. "Não é apenas a natureza em si. Sistemas feitos pelo homem devem ser certamente usados, mas a natureza deve ser dominante."

Yu afirma ainda que, para conter as grandes inundações previstas para os próximos anos, é preciso expandir essa estratégia por várias regiões e criar um "planeta-esponja" onde a força das águas possa ser dissipada e desacelerada aos poucos.

Ainda na visão do chinês, além de parques adaptados e áreas cultiváveis capazes de absorver mais água, lagoas e pântanos podem coexistir com rodovias e arranha-céus.

quinta-feira, 26 de outubro de 2023

Paisagista Kongjian Yu, pioneiro do conceito de "cidade esponja", recebe o Prémio Oberlander 2023


O arquiteto paisagista de Pequim, Kongjian Yu, foi anunciado pela Cultural Landscape Foundation como o vencedor do Prêmio Internacional de Arquitetura Paisagística Cornelia Hahn Oberlander Cornelia Hahn Oberlander 2023 (Prêmio Oberlander). Kongjian Yu ganhou reconhecimento internacional por seu conceito de "cidades esponja", uma medida para lidar e prevenir inundações urbanas no contexto das mudanças climáticas aceleradas. O conceito foi adotado como política nacional na China em 2013, priorizando infraestruturas de grande escala baseadas na natureza, como zonas úmidas, corredores verdes, parques, proteção de árvores e bosques, jardins de chuva, telhados verdes, pavimentos permeáveis e biovaletas.

Yu foi selecionado pelo júri internacional do Prêmio Oberlander, que o reconheceu como "uma força para mudanças progressivas na arquitetura paisagística ao redor do mundo". Organizado bienalmente, o prêmio tem como objetivo reconhecer e dar visibilidade à arquitetura paisagística e às formas como ela pode abordar questões relacionadas às mudanças climáticas e à sustentabilidade.

Yu fundou e continua liderando a Escola de Pós-Graduação em Arquitetura Paisagística e a Faculdade de Arquitetura e Paisagismo da Universidade de Pequim. Ele também é o fundador e diretor do escritório de arquitetura paisagística Turenscape, fundado com base no princípio de criar "harmonia entre a terra e as pessoas e ambientes sustentáveis para o futuro". Yu possui doutorado pela Escola de Pós-Graduação em Arquitetura de Harvard e é autor de mais de vinte livros, tendo também estabelecido a premiada revista Landscape Architecture Frontier.

Apesar do reconhecimento internacional, Yu se descreve como "filho de camponês", nascido em 1963 em uma pequena vila na Província de Zhejiang. A vida na vila e o ambiente natural foram influências importantes para Yu, posteriormente prejudicados pela poluição e desmatamento. De acordo com William Saunders, autor do livro "Designed Ecologies: The Landscape Architecture of Kongjian Yu", isso nos ajuda a entender o compromisso de Yu em recriar e proteger a abundância natural. Também enfatiza a repulsa de Yu por paisagens "ornamentais" em favor de parques produtivos e de baixa manutenção.

Há mais de 25 anos, Kongjian Yu tem usado sua carreira para lutar contra a deterioração das ecologias urbanas. Sua pesquisa sobre Padrões de Segurança Ecológica (1995) e Infraestrutura Ecológica, Planejamento Negativo e Cidades-Esponja (2003) lançou as bases para a política da China liderar iniciativas nacionais de proteção e campanhas de restauração ecológica. A empresa de Yu, Turenscape, tem contribuído para essa abordagem com mais de 600 projetos construídos em mais de 200 cidades, principalmente na China, mas também na França, Indonésia, Rússia, Singapura, Tailândia e Estados Unidos. Projetos notáveis incluem o Red Ribbon Park na Província de Hebei, Shanghai Houtan Park, Qunli Stormwater Wetland Park na Província de Heilongjiang, China, o Benjakitti Forest Park na Tailândia e o Hing Hay Park em Seattle, Estados Unidos.

sexta-feira, 22 de setembro de 2023

A arquitectura paisagística está há 80 anos a pensar o futuro, mas ninguém a ouve

Francisco Caldeira Cabral foi o propulsor da arquitetura paisagista em Portugal

E se as cheias ou os incêndios não fossem uma tragédia anual? O cenário parece de sonho, mas é uma realidade possível aos olhos dos arquitetos paisagistas. Têm na sua génese muito mais do que a estética. Aprendem sobre anatomia, plantas, sociedade, cultura e tanto mais. A disciplina tem cerca de 80 anos de história e 50 de reconhecimento, apresentando soluções para a gestão equilibrada entre o ser humano e a natureza. O que falta para ser escutada?

Não fosse estar em causa o bem-estar (e até a vida) do ser humano e poderíamos considerar a história da arquitetura paisagista um autêntico filme. Um daqueles em que o “bom da fita” nunca é ouvido. Até ser tarde de mais. E, à imagem de muitos filmes, não falta neste um cliché: o do “eu avisei”. A expressão parece ser utilizada pelos arquitetos paisagistas para demonstrar que há algo com que todos se preocupam agora que, para estes profissionais, já é uma “cantiga antiga”. Mas do que se trata? Das alterações climáticas. Ou melhor, de como a atividade do ser humano exacerbou e acelerou alterações climáticas ao ponto de sofrermos atualmente com fenómenos climáticos extremos, diários, em torno de todo o Globo. Mas tudo poderia ser diferente. Como? Já lá vamos.

Primeiro, reforcemos o “eu avisei”. “O fenómeno parece novo. Fala-se em todo o lado. Faz capas de jornais quase todos os dias. Mas, para nós, arquitetos paisagistas, não é novidade nenhuma. Estavam à espera que acontecesse o quê?” Quem o questiona é Aurora Carapinha, arquiteta paisagista, investigadora, docente e apaixonada por jardins, que realça que não foi apenas um alerta que a profissão deixou à sociedade, tendo também apontado soluções. “Todos os nossos projetos da altura, por volta dos anos 1980, procuravam dar respostas para que situações extremas com que nos deparamos anualmente hoje não ocorressem.”

Fala-se de cheias, incêndios, perda de biodiversidade, recuo da linha de costa, entre tantos outros assuntos que, hoje, são tema recorrente e catalogados como “nova crise”. Aurora Carapinha lamenta que muitos desses projetos inovadores e solucionadores “tenham sido metidos na gaveta”. Problemas que todos os anos são recorrentes poderiam ser mitigados se tivesse havido um trabalho real com a arquitetura paisagista nos últimos anos? “Sem dúvida alguma. E não o digo por arrogância”, remata.

Arquitetura sem teto
E como é que a arquitetura paisagista tem um poder tão grande perante as alterações climáticas e os fenómenos extremos? Porque tem capacidade de prever e gerir mudanças a longo prazo, indica Carapinha. “O Professor Nuno Portas chamava-nos, com muita graça, os arquitetos sem teto. E trabalhar sem teto é o maior desafio que existe, porque é uma arquitetura que está exposta à intempérie, à mudança das estações, à mudança da luminosidade, às diferentes temperaturas. Enquanto na ‘arquitetura com teto’ posso controlar essas variáveis, aqui não.”

E, por isso, o arquiteto paisagista tem de aprender, por exemplo, onde chove, quanto chove, de que forma se comporta e acumula a chuva. Entre outros dados. E, acima de tudo, completa a docente da Universidade de Évora, “o arquiteto paisagista tem de saber como aproveitar essa chuva”. Em suma, além de prever acontecimentos, a disciplina trabalha para que esses acontecimentos sejam aproveitados em benefício do bem-estar humano e do “bem-estar” da natureza. “Eu não trabalho contra a natureza. Trabalho com as dinâmicas dos sistemas naturais. E tenho de ter duas coisas: a ciência para os saber e a arte para os reinventar, criando novos lugares e oportunidades de vida.”

É no balanço entre ciência e arte que se baseia a definição da arquitetura paisagista, que, nas palavras de Caldeira Cabral, figura histórica da profissão, “é a ciência e a arte de ordenar o espaço exterior em relação ao homem”. E os equilíbrios parecem ser o ex-líbris. “Equilíbrios que vão além do estético, mas que alcançam dimensões como o equilíbrio económico, ecológico ou social”, afirma Carapinha.

A primazia do económico
Nestes vários equilíbrios, João Ceregeiro, arquiteto paisagista e presidente da Associação Portuguesa dos Arquitetos Paisagistas (APAP), acredita que se encontra a fórmula (ou fórmulas) que poderia solucionar diversos problemas da sociedade. Fórmulas essas que, tal como já frisado por Aurora Carapinha, não são novas para a profissão. “O que hoje se fala de conforto climático, de sequestro de carbono, da economia circular, da economia verde… tudo isso são temas que para os arquitetos paisagistas não são novos, porque estão implícitos na sua própria prática há muitas décadas”, esclarece o dirigente. E, agora, a pergunta de “milhões”.

Porque é que essas tais soluções não foram aplicadas e esses tais alertas escutados? “Porque a prática da arquitetura paisagista não se compagina com aquilo que é a agenda dos decisores políticos e económicos, ela está sistematicamente a ser protelada em função de outras prioridades”, em especial, prioridades economicistas, que não têm uma visão complexa e de longo prazo como a profissão assim exige, denuncia Ceregeiro. Porque construir uma praça viável ou ordenar uma mata ou uma floresta poderá ter um custo no momento presente que só será “devolvido” dali a décadas, e nem sempre se trata de um retorno financeiro – o que parece ser difícil de aceitar para uma sociedade que vive em torno do lucro.

A visão exclusivamente economicista e de prazo limitado é também criticada por Aurora Carapinha. Passemos a um exemplo. E logo dos mais complexos. “O problema dos incêndios é muito mais do que dizermos que há árvores demasiado perto das casas. É uma consequência de anos de desertificação do interior. E se quem vive lá é constantemente colocado à margem da sociedade e vive na pobreza, tem de procurar forma de subsistência, para a qual a solução foi, muitas vezes, a exploração do pinhal. É um rendimento fixo e a curto prazo que, de três em três anos, serve para subsistir a família e para pagar as contas extra. Não podemos simplesmente chegar a um local e arrancar de lá as pessoas ou tirar-lhes a forma de sobrevivência.” Por muito prejudicial que essa forma seja para o ambiente.
Aurora Carapinha considera que o arquiteto paisagista pensa “na complexidade social, económica, cultural, simbólica e ecológica da paisagem”, sendo muito mais do que plantar “a árvore certa”.

terça-feira, 23 de maio de 2023

What is Shifting Baseline Syndrome?

What is shifting baseline syndrome and why does it matter? Understanding this simple concept could have huge ramifications for how we approach conservation work. So let’s define shifting baseline syndrome and look at why it is important for modern conservation.

Shifting Baseline Syndrome

Shifting baseline syndrome with regard to nature is the gradual shifting of the accepted norm when it comes to the condition of natural places. We notice changes occurring in our lifetimes and take the status from when we were young to be the best condition. We cannot go back and see the conditions as they were when our parents and grandparents were young. This is the same for older generations who cannot see times before when they were young.

Our ‘baseline’ is how we saw nature when we were younger. Over generations, the baseline shifts. This is a problem when ecologists, conservationists and environmentalists gradually accept the deterioration of the natural world. This can have a profound impact on wildlife and conservation efforts.
Shifting Baseline Syndrome

The concept arose in landscape architect Ian McHarg's 1969 manifesto Design With Nature  in which the modern landscape is compared to that on which ancient people once lived.

The term shifting baseline syndrome was first coined by marine biologist doctor Daniel Pauly in 1995. Since 1960 the human population on the planet has risen from 3 billion to 8 billion and is still growing. We have lost 44 million farmland birds in the UK alone during this same period. The deafening sound of the birds singing and the insects in the meadow is a distant memory. Our younger students naturally don’t remember this and think that wildlife levels now are normal. Their baseline is different from our older students. Only when you go to countries with virgin habitats, such as parts of Russia, Romania, Poland, Sweden, etc., can you see what wildlife and functioning ecosystems should be like.

Governments talk about things like 2030 targets to protect at least 30% of land and sea, halt and reverse biodiversity loss and reduce pollution. Biodiversity Net Gain is coming in at the end of 2023 in England. It aims for a 10% net gain on developments and infrastructure projects. Considering the shocking losses over the last 20 years, shouldn’t we be talking about 70% or even 90% net gain to get us anywhere near what our great-grandparents knew as normal and functioning ecosystems and rich biodiversity?

Examples of Shifting Baseline Syndrome
When it comes to wildlife, shifting baseline syndrome manifests in the slow erosion of our awareness and understanding of what once thrived in the natural world. As each generation grows up with a “new normal” that deviates further from historical environmental conditions, they become disconnected from the past, unaware of the significant environmental changes that have occurred. They have not witnessed it for themselves.
More examples of shifting baseline syndrome:
  1. Bugs on your bumper – splatted insects on your car when you drive along is now a rarity but 50 years ago cars were covered in insects.
  2. Lapwings and curlews – used to live in the uplands such as Dartmoor in Devon but are now gone.
  3. Startling flocks – vast flocks of starlings were regularly seen over cities 50 years ago, now you are lucky to see a handful of them in a flock.
One striking example is the depletion of marine life due to overfishing. Yet, older generations may recall when oceans were abundant with diverse and thriving fish populations. They might have witnessed schools of fish so vast and dense that it seemed as if the marine ecosystems were infinite and inexhaustible. However, over the years, the impacts of overfishing have taken a toll on marine life, leading to a massive decline in fish populations and the degradation of entire ecosystems.

Can we do anything about it?
While the decline of marine life is evident to those, who have witnessed the changes over time, younger generations who have grown up with depleted oceans as their baseline may perceive the current state as normal. They may never have had the opportunity to witness the once-teeming marine environments that were brimming with life. Consequently, their perception of what constitutes a healthy marine ecosystem becomes distorted, making it more challenging to understand the urgency of implementing conservation measures and reversing the damage caused by overfishing.

So this shifting baseline is a significant obstacle to effective wildlife conservation. It alters our perception of what constitutes a healthy and thriving environment, blurring our understanding of the scale of ecological changes over time. Therefore, it is crucial to raise awareness about historical baselines and the significant losses that have occurred. By recognising and acknowledging the true extent of ecological decline, we can work towards restoring and preserving ecosystems more effectively for future generations.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2022

Escola elimina salas de aula e aproxima crianças da natureza


Espaços abertos, em meio a natureza e sem salas de aula, esse é o jardim de infância projetado por Gabriele Capobianco, Edoardo Capuzzo Dolcetta, Jonathan Lazar e Davide Troiani.

Nursery Fields Forever é o projeto vencedor do concurso internacional de ideias AWR que busca propostas originais em arquitetura, design de interiores, design industrial e planeaamento urbano.

O projeto propõe a combinação da educação com agricultura urbana, produção de orgânicos e permacultura para que as crianças compreendam de onde vem a comida e como cultivá-la.

A aprendizagem possui três abordagens: aprender com a natureza, aprender com a técnica e aprender com a prática.

O desenvolvimento das crianças é estimulado pela livre interação com as plantas e animais e pelo contato com energias renováveis. Além disso, o projeto ajuda as crianças a desenvolverem habilidades sociais por meio do trabalho em equipa, promoção de estilos de vida saudáveis e em comunidade e fortalecimento da autoestima e responsabilidade, estabelecendo uma relação respeitosa com todos a sua volta.

Está cada vez mais evidente a importância da aproximação do aprendizado teórico da prática, da promoção do desenvolvimento das habilidades sociais e da re-significação da nossa interação com a natureza. Ideias como essa nos mostram que estamos iniciando nosso longo caminho em busca de um mundo ambiental e socialmente sustentável.

Traduzido de Mind Food

domingo, 9 de outubro de 2022

As incríveis cidades-esponja previnem cheias, mas “não são uma panaceia”


A China está a fazer uma forte aposta nas cidades-esponjas para evitar inundações, mas há um limite para a capacidade de absorção de fortes chuvas que, com a crise climática, tendem a ficar mais intensas. Um artigo publicado quarta-feira, na revista científica WIREs Water, argumenta que não basta tornar as zonas urbanas mais porosas e verdes – é preciso também envolver as pessoas.

As cidades-esponja constituem um modelo alternativo de concepção urbanística que recorre a soluções naturais para prevenir, ou mitigar, os efeitos adversos de chuvas intensas. São zonas urbanas com pavimentos permeáveis, edifícios com fachadas e tectos ajardinados e, por fim, muitos espaços verdes, preferencialmente interligados, com capacidade de absorver, armazenar e purificar água em lagos e reservatórios.

“Existem limites para a quantidade de precipitação uma cidade-esponja pode absorver, portanto, é improvável que sejam uma panaceia para os problemas de inundação nas zonas urbanas. Nós argumentamos que medidas que envolvam a comunidade, de baixo para cima, constituem uma parte essencial da intervenção necessária para transformar cidades-esponja em cidades com resiliência à inundação”, lê-se no artigo.

Fonte: Público


segunda-feira, 21 de junho de 2021

Entrevista inédita a Gonçalo Ribeiro Telles: 'Um mundo urbano utópico destruiu o mundo rural'


Por José Alex Gandum14 de Novembro de 2020

Gonçalo Ribeiro Telles desapareceu há poucos dias, aos 98 anos de idade, mas deixou uma obra muito extensa na área da arquitectura paisagista, e não só, o que podia não ter acontecido se não tivesse Ribeiro Telles um tio-avô que morava num 5º andar na Rua das Pretas, em Lisboa, de onde desde muito cedo uma visão sobre grande parte da capital despertou no futuro arquitecto paisagista um espírito arquitectónico, paisagístico e crítico. Viria a ser também político, passando por diversos Governos e estando na génese de inúmeras medidas ambientais, ainda hoje vigentes. Tido como um visionário, Ribeiro Telles lamentava-se, contudo, em muitas das conferências e das entrevistas que dava, que os poderes instituídos não o deixavam fazer tudo aquilo que ele pretendia fazer. Ainda assim, fez muito, não só na capital (onde os Jardins da Fundação Calouste Gulbenkian se destacam), estando também e esteve na génese de muitas áreas protegidas, áreas que ele viria a criticar nesta entrevista inédita feita nos finais de 2010 e que nunca tinha sido publicada. 

 
José Alex Gandum - Professor, tem dito que em face do mundo actual toda uma filosofia sobre áreas protegidas - muitas das quais tiveram a sua assinatura - e sobre a conservação da natureza está ultrapassada. Porque razão tem essa ideia?

Gonçalo Ribeiro Telles - Porque o mundo rural está a acabar. Não se pode inventar todas as potencialidades e funções do mundo rural através de uma nova visão de conservação da natureza. É preciso encarar o problema de frente e não é com o desenvolvimento das áreas protegidas e com novos estudos que se chega a alguma conclusão. 

Mas as áreas protegidas não são importantes?

As áreas protegidas têm importância e continuarão a ter, mas como laboratórios, referências, modelos, pedagogia... e isso interessa a quem? Interessa principalmente aos que não são do mundo rural. As áreas protegidas foram feitas para desenvolvimento científico como laboratório e para dar a conhecer àqueles que não são do mundo rural qualquer coisa que possa justificar esse mundo. Ah, e para criar bons empregos desnecessários a pessoas que fazem parte da elite governativa. Mas o que se verifica hoje - e que é gravíssimo - é a queda drástica do mundo rural, o que vai arrastar todas as políticas relativas às áreas protegidas.

E de quem é a culpa para a queda do mundo rural?

O principal culpado é o fenómeno urbano, que afastou as populações das aldeias,condenando à morte as aldeias, e tornando este país num caos... foi também a reflorestação errada, que acabou por provocar... desflorestação. Aliás, a desflorestação foi o primeiro acto de despovoamento. A desflorestação é um fenómeno urbano, pois parte de decisões tomadas nas cidades, decisões que preferem criar um grande mercado internacional em detrimento dos mercados locais. E é assim que se mandam vir produtos de locais a milhares de quilómetros de distância, aumentando aquilo a que chama a pegada ecológica, quando esses produtos podiam ser produzidos localmente.

E aponta alguma solução para os incêndios florestais em Portugal?

Incêndios florestais? Portugal não tem incêndios florestais...

Como assim, Professor? Se todos os anos ardem milhares de hectares de floresta...

Ardem milhares de hectares de eucaliptais e aglomerados de pinheiro bravo. Isso não é floresta. A verdadeira floresta felizmente não arde ou arde pouco. Conhece grandes incêndios em florestas de castanheiros ou no montado?

Pois, na verdade não. Mas mesmo os outros incêndios são muito prejudiciais para a biodiversidade, não?

Claro. Nos tempos pré-históricos alguns incêndios tinham uma função útil, mas hoje em dia são completamente inúteis. Destroem os solos, dizimam milhões de animais e os seus habitats, e espalham muito CO2 que não faz falta nenhuma... além do mal que fazem às populações rurais, as quais só pensam em fugir para locais mais "seguros", leia-se vilas e cidades... e até para o estrangeiro.

sábado, 6 de fevereiro de 2021

Manter uma árvore madura é melhor que plantar várias árvores jovens


Graças aos planejadores de rua vitorianos, muitas ruas britânicas foram projetadas para estarem cheias de grandes árvores e, com 84% da população vivendo em áreas urbanas, a maioria das pessoas tem mais probabilidade de encontrar árvores nas ruas do que nas florestas.

O Reino Unido é um dos países menos densamente arborizados da Europa (com 13% de cobertura em comparação com a média da UE de 38%) e, como tal, suas árvores de rua são ainda mais valiosas.

Isto ficou muito claro quando o Reino Unido entrou no bloqueio pela primeira vez na primavera de 2020, quando muitas pessoas passaram mais tempo em suas ruas locais e em parques. O aplicativo de árvores online Tree Talk viu um aumento de 50 vezes nos usuários à medida que as pessoas se apaixonavam por suas “árvores de rua” locais.

Eles estavam muito certos em fazer isso. A madeira das árvores de rua armazena carbono, enquanto suas raízes e coroas suportam a vida selvagem e as chuvas lentas, reduzindo as enchentes urbanas. A transpiração e a sombra de suas copas reduzem as temperaturas em ondas de calor, enquanto que as folhas que retêm a poluição diminuem a prevalência da asma.

Se estes serviços do ecossistema não forem suficientes, ter árvores em nossas ruas reduz os índices de criminalidade e melhora a saúde mental e o bem-estar. Uma árvore de rua madura pode ter um valor líquido de serviços ecossistêmicos de milhares de libras.
Grandes árvores maduras estão sendo derrubadas

Infelizmente, o Reino Unido tem um hábito pouco saudável de derrubar árvores das ruas. Até 60 árvores por dia são cortadas para dar lugar a edifícios e infraestrutura, tais como estradas ou esgotos. As taxas de abate também podem aumentar à medida que o desenvolvimento se acelera e os governos relaxam as regras de planejamento para ajudar na recuperação econômica pós-pandêmica.

São árvores de rua maiores que são mais frequentemente as vítimas do desenvolvimento, pois são um desafio para os planejadores da cidade.

Grandes espécies como os aviões londrinos, faia e carvalho precisam de poços de árvores caros e cuidadosamente projetados para ajudá-los a crescer com segurança cercados de concreto e para evitar que suas raízes levantem as calçadas. Tais custos são mais do que compensados, porém, quando valorizamos a natureza – um único carvalho maduro produz centenas de milhares de litros de oxigénio por ano e suporta milhares de espécies de pássaros, insetos, líquens e fungos.

Moradores e conselhos se chocam regularmente por causa do abate de árvores urbanas. Entretanto, quando a Prefeitura de Sheffield entrou em um programa de empreiteiros há alguns anos, que derrubou mais de 5.000 árvores, os protestos fizeram notícia internacional.

As prefeituras estão agora desconfiadas dos problemas das árvores de rua, e muitas vezes tentam administrar as relações públicas alegando que o corte é mitigado pelo plantio de várias árvores menores para substituir cada árvore grande removida. Quando autoridades locais como a Câmara Municipal de Swansea alegam que o desenvolvimento resultará em “mais árvores”, é claro que estão certas, mas não é a história completa.

A remoção de árvores de espécies grandes e a sua substituição por árvores pequenas resulta em uma perda líquida de serviços ecossistémicos.

Joe Coles, o ativista de árvores urbanas responsável pelo trabalho de caridade de conservação do Woodland Trust em Sheffield, descreve isto como uma forma de lavagem verde. “Se valorizarmos a infraestrutura verde ao mesmo nível que a cinza, então as árvores de rua grandes se tornarão valiosas demais para serem perdidas”, ele me diz. “Até que haja aceitação de que árvores grandes, levando décadas para atingir a maturidade, têm um valor significativo – um fato baseado em evidências científicas – continuaremos a ver afirmações espúrias, mas convenientes, de que números maiores de pequenas árvores de reposição são compensação adequada para facilitar o desenvolvimento”.

O tamanho realmente importa com as árvores. O benefício ecológico líquido anual de plantar uma árvore de grande espécie é 92% maior do que plantar uma árvore pequena. Árvores maduras de rua fazem tudo, desde ter um efeito positivo no peso do nascimento infantil em uma demografia socioeconómica mais baixa, até aumentar a resiliência a grandes eventos da vida entre as pessoas que vivem à sua vista. Os consumidores gastam mais nas ruas que estão repletas de grandes árvores.

As grandes árvores de rua são o bem mais valioso de infra-estrutura verde que as cidades possuem e quando esse valor é negligenciado, desastres acontecem. Mesmo vencer a competição “árvore do ano” do Reino Unido em 2020 não poderia salvar a árvore do Homem Feliz de Hackney de ser derrubada em 2021 para dar lugar a um novo desenvolvimento habitacional.

Mais de 25.000 peticionários se opuseram à remoção do saudável avião londrino de 150 anos de idade, sendo que até mesmo os promotores admitiram que teria sido evitável se tivesse havido uma consulta prévia.

Há esperança de mudança na forma de estratégias arbóreas que estabelecem políticas para orientar o desenvolvimento e o planejamento e que requerem consulta à comunidade. Elas são uma ferramenta valiosa para o manejo de árvores urbanas para as gerações futuras.

Bristol, talvez a principal cidade verde do Reino Unido, adotou um padrão de substituição de árvores para garantir o plantio de novas árvores, compensando significativamente a perda de carbono e de serviços ecossistémicos onde o corte não pode ser evitado. Os padrões de substituição de árvores garantem que um número adequado de árvores seja plantado para compensar cada perda e quantificam a contribuição financeira que os desenvolvedores devem fazer caso optem pela queda.

Estas estratégias permitem que as autoridades locais determinem que os desenvolvedores valorizem o tamanho das árvores e a cobertura total da copa das árvores em uma cidade. A ideia é evitar o uso de “contagens de troncos” para esconder a remoção de árvores grandes e sua substituição por árvores menores, que são menos valiosas em termos de armazenamento de carbono, serviços ecossistémicos e até mesmo bem-estar humano.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2020

Documentário- Tudo é Paisagem


Documentário sobre a Arquitectura Paisagista em Portugal.

O filme “Tudo é Paisagem” é uma busca pelas origens, projectos, histórias e nomes que marcaram a Arquitectura Paisagista portuguesa até os nossos dias.

A partir do primeiro até ao seu último projecto de referência e através de encontros, fotografias e memórias, Duarte Natário, decide fazer um percurso pela Arquitectura Paisagista numa tentativa de desvendar o legado da profissão no nosso país.

Este documentário contou com o apoio da Associação Portuguesa dos Arquitectos Paisagistas.

quinta-feira, 12 de novembro de 2020

1922-2020: Gonçalo Ribeiro Telles, o “ilustre defensor da causa pública ambiental”

Fonte: aqui


Faleceu ontem, aos 98 anos de idade, o arquiteto paisagista Gonçalo Ribeiro Telles. O Governo português decretou um dia de luto nacional, a assinalar esta quinta-feira, em homenagem ao considerado por muitos “primeiro ambientalista de Portugal”.

O Ministro do Ambiente da Ação Climática, João Pedro Matos Fernandes, já veio demonstrar o seu voto de pesar: “Arquiteto paisagista, professor universitário, ativista da causa pública, Gonçalo Ribeiro Telles é justamente recordado como uma das figuras da sociedade portuguesa que mais se empenhou na defesa do ambiente e na valorização do mundo rural, tendo sido decisiva a sua ação na consagração da Reserva Ecológica Nacional e na Reserva Agrícola Nacional.”

“Conhecido por obras marcantes de paisagismo”, como é o caso dos Jardins da Fundação Calouste Gulbenkian, do Amália Rodrigues, do Castelo de São Jorge, do Cabeço das Rolas, da Mata dos Medos, e ainda do Corredor Verde de Monsanto, “foi sobretudo um ilustre defensor da causa pública ambiental, para a qual contribuiu com as suas ideias, planos e projetos.”


Fernando Medina, Presidente da Câmara Municipal de Lisboa (CML), também deixou o seu testemunho no Facebook: “Gonçalo Ribeiro Telles foi o primeiro rosto de um movimento ambiental e do ordenamento do território no nosso país. O seu espírito visionário e à frente do tempo fez com que se batesse pela implementação de um Plano Verde, com vários corredores ecológicos, na cidade de Lisboa. Na última década, Lisboa cumpriu o essencial do programa ecológico de Ribeiro Telles, faltando-nos acabar o corredor verde de Alcântara e o corredor Periférico. Lisboa deve-lhe imenso(…).”

No seguimento, a CML anunciou hoje que o novo Parque Urbano da Praça de Espanha se vai chamar “Parque Gonçalo Ribeiro Telles”.

Morreu Gonçalo Ribeiro Telles, pioneiro do ecologismo na política portuguesa

Antigo presidente do PPM, que tinha 98 anos, foi um dos três líderes da Aliança Democrática, ao lado de Sá Carneiro e Freitas do Amaral. Enquanto arquiteto paisagista foi o responsável pelos jardins da Fundação Calouste Gulbenkian.



O arquiteto paisagista Gonçalo Ribeiro Telles morreu nesta quarta-feira, aos 98 anos, tendo a sua morte sido confirmada ao “Público” pelo filho, Miguel Ribeiro. Considerado um dos pioneiros do ecologismo na política portuguesa, foi ministro de Estado e da Qualidade de Vida entre 1981 e 1983, no VII Governo Constitucional liderado por Francisco Pinto Balsemão.

Enquanto presidente do Partido Popular Monárquico (PPM) foi um dos subscritores da Aliança Democrática (AD), juntamente com Francisco Sá Carneiro (PSD) e Diogo Freitas do Amaral (CDS), levando a coligação de centro-direita a conquistar o poder nas eleições intercalares de 1979, o que contribuiu de forma decisiva para a normalização da democracia portuguesa após o período revolucionário.

Licenciado em Engenharia Agrónoma e em Arquitetura Paisagista pelo Instituto Superior de Agronomia, Gonçalo Ribeiro Telles trabalhou na Câmara de Lisboa e envolveu-se nos círculos da oposição, criando o Movimento dos Monárquicos Independentes em 1957 e entrando nas listas da oposição aquando da Primavera Marcelista. Fundador do PPM, tendo sido subsecretário de Estado do Ambiente nos três primeiros governos provisórios, em 1993 ajudou a criar o Movimento Partido da Terra (MPT).

Além de ter criado a Reserva Ecológica Nacional, Ribeiro Telles é também conhecido por projetos na sua área de trabalho como o jardim da Fundação Calouste Gulbenkian e o Jardim Amália Rodrigues, ambos em Lisboa.