Mostrar mensagens com a etiqueta Economia GIG. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Economia GIG. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 22 de outubro de 2026

Habitação, Juventude e o Duplo Critério do Sistema: Quando Protestar Vira Crime e Especular Vira Mercado

Se umas centenas de jovens insistem em montar tendas numa praça pública em protesto contra a crise na habitação estamos perante uma perturbação da ordem pública e crimes graves que exigem uma intervenção rápida e musculada das autoridades; se um alto funcionário do estado contrata uma empresa, a quem antes deu contratos públicos, para construir uma piscina e remodelar as casas de banho da sua casa de campo, trata-se, no pior dos casos, de um lamentável deslize de cavalheiro sanável com um pedido de desculpa.

Se meia dúzia de extremistas partem a montra de uma loja estamos perante uma acto de pilhagem e terror; se um fundo imobiliário compra 300 apartamentos e duplica as rendas no centro da cidade regista-se mais uma normal iniciativa económica. Se jovens grafitam a fachada de um banco é um acto hediondo de vandalismo; se o mesmo banco corre com os lojistas de bairro e os velhotes da mercearia para depois financiar lojas de sardinhas para turistas ou um coffeeshop para ex-pats é a economia de mercado a funcionar.

Quando os serviços públicos são mutilados e desmantelados por cortes de financiamento estamos num civilizado cenário de rigor orçamental, já uma argola no nariz ou cabelo pintado de vermelho são claros sinais de selvajaria. Quando a política fiscal beneficia grupos privilegiados trata-se de um saudável mecanismo para assegurar a competitividade, já o aumento de propinas e das taxas moderadoras é um imperativo incontornável que se resolve apertando o cinto à população.

Este sistema politico e económico precisa dos jovens como eleitores e consumidores, mas nega-lhes direitos, empregos dignos e meios de subsistência (quando a procissão da IA ainda vai no adro). Exige aos jovens flexibilidade, produtividade e disponibilidade total, mas nega-lhes o suficiente para uma vida independente e autónoma. Os jovens já perceberam isso.

Aos jovens é dito que se trabalharem muito, se reunirem as qualificações necessárias, irão realizar os seus sonhos. Se não os realizarem é por falta de iniciativa, de empenho e empreendorismo. Se as promessas não se cumprem é por fracasso individual. Os jovens estão fartos dessas justificações.

Mas a violência nas televisões é excelente: dá audiências e desvia a atenção das suas causas. E é eficaz: mostra que a contestação espontânea vinda debaixo é claramente um crime. Já destruição sistemática da sociedade vinda de cima é benéfica e necessária, não devendo passar nas televisões porque equilibra as contas, dá dividendos aos accionistas, financia os partidos, assegura avenças e sinecuras.

Miguel Szymanski - jornalista/escritor

quinta-feira, 10 de setembro de 2026

Há cada vez mais investigadores da Anthropic a alertar para os riscos da IA que se autoaperfeiçoa recursivamente. Musk fala em "armadilha"



As preocupações dentro da Anthropic sobre os riscos da inteligência artificial estão a ganhar força. Um dia depois de um antigo investigador da empresa ter abandonado o cargo com um alerta sombrio, outros investigadores e trabalhadores vieram a público para dizer que partilham das mesmas inquietações, enquanto Elon Musk e outras figuras classificam a onda de críticas como uma “operação”.

Jacob Coxon, antigo investigador da Anthropic, anunciou na quarta-feira a saída da empresa por considerar que nem a Anthropic nem a OpenAI, onde também trabalhou, estão a desenvolver modelos de inteligência artificial de forma responsável. Segundo Coxon, as duas empresas estão a “jogar com as nossas vidas”.

Os investigadores que entretanto se manifestaram receiam que a tecnologia possa tornar-se tão avançada e perigosa que provoque a extinção da humanidade na próxima década, defendendo que muitos dos seus colegas partilham estas preocupações, embora não as expressem publicamente.

Exemplo disso é Anna Wang, funcionária na área de segurança da Inteligência Artificial Geral na Anthropic e antiga trabalhadora da DeepMind, da Google, que afirmou na quinta-feira que muitas pessoas dentro da empresa querem abrandar o desenvolvimento para criar um plano capaz de reduzir os riscos associados a estes modelos.

“Ainda não existe um plano científico viável para resolver os riscos da IA que se autoaperfeiçoa recursivamente”, escreveu na rede social X.


“As coisas estão a avançar demasiado depressa, não temos de todo o nível de garantias que vamos querer para a ASI [superinteligência artificial]”, escreveu.

Mas a tese, no entanto, não é partilhada por todos. Elon Musk, por outro lado, adotou uma posição mais de confronto perante os alertas. “Parece uma armadilha”, escreveu na rede social X.

Horas depois, Jacob Coxon respondeu ao empresário com uma fotografia sua, acompanhada da mensagem: “Eu sou real e estas são as minhas crenças reais. Poderias perguntar aos teus investigadores da xAI sobre mim se não os tivesses despedido.”

Entretanto, e em declarações ao The Guardian, um porta-voz da Anthropic defendeu a estratégia da empresa. “Sempre fomos transparentes ao dizer que a IA trará benefícios enormes e riscos sem precedentes. Para responder a esses riscos, continuamos a desenvolver modelos com algumas das salvaguardas mais fortes da indústria”, afirmou.

Não é, contudo, totalmente claro de que forma Coxon e os outros investigadores esperam que os modelos de IA possam conduzir ao desaparecimento da humanidade. Alguns especialistas duvidam que a tecnologia venha a atingir um nível de inteligência capaz de provocar um apocalipse. Gary Marcus, cientista e uma das vozes mais conhecidas no debate sobre inteligência artificial, afirmou que é altura de boicotar a IA, mas por considerar que esta já está a causar danos.

Mais do que a extinção da humanidade, Marcus disse estar preocupado com o “risco de catástrofe” provocado por “agentes patogénicos gerados por IA, guerras iniciadas ou agravadas por desinformação gerada por IA, ataques informáticos que destruam infraestruturas críticas, entre outras coisas". "Nada do que vi indica que alguma destas questões esteja sob controlo”, acrescentou.

No mesmo dia, a Anthropic divulgou um relatório no qual documentou a forma como desmantelou uma operação que tentava desenvolver uma arma biológica utilizando os seus modelos de inteligência artificial.

domingo, 21 de junho de 2026

Na China, algumas mulheres pagam 100 euros para passar algumas horas com um desconhecido


E se a companhia se tornasse apenas mais um serviço?
Na China, um conceito surpreendente está a ganhar terreno: contratar companhia humana. Por algumas horas ou um dia inteiro, algumas pessoas (geralmente mulheres) optam por pagar a um desconhecido para partilhar uma atividade, conversar ou simplesmente evitar a solidão. Este fenómeno diz muito sobre a evolução dos estilos de vida urbanos.

Quando a solidão cria novos serviços 
Nas principais cidades chinesas, a solidão tornou-se uma realidade cada vez mais visível. Entre carreiras exigentes, mobilidade profissional e a distância da família, muitos moradores vivenciam a falta de ligação social no seu quotidiano. Diante desta situação, surgiram novas plataformas com uma promessa simples: ligar pessoas que desejam partilhar um momento de convívio, sem qualquer compromisso. O objetivo não é criar um romance, mas sim oferecer companhia humana por algumas horas.

Uma plataforma que oferece a opção de "alugar" a companhia 
Um dos serviços mais conhecidos é o Zuwobo, nome que significa literalmente "aluga-me" em mandarim. O seu funcionamento é tão simples quanto original: o utilizador escolhe uma atividade e a plataforma encontra um acompanhante disponível. O conceito agrada a quem quer aproveitar um momento agradável sem precisar de organizar uma saída com o grupo de amigos de sempre. É uma fórmula que prioriza a simplicidade e a flexibilidade.

Caminhada, restaurante ou jogos de vídeo: há opções para todos os gostos 
Um dos motivos para o sucesso destas plataformas reside na variedade de atividades disponibilizadas. Alguns optam por um passeio pela cidade, outros por um trilho, uma refeição num restaurante ou até mesmo uma sessão de jogos de vídeo em casa. A ideia é adaptar-se aos desejos de cada um e oferecer uma presença que acompanhe diferentes momentos do quotidiano. Esta abordagem transforma a companhia num serviço personalizável.

Até 300 euros por dia 
Os preços variam dependendo da duração e do tipo de atividade escolhida. Para partilhar um café ou uma refeição, os valores geralmente variam entre 7 e 20 euros. No entanto, quando se trata de companhia durante um dia inteiro, a conta aumenta rapidamente. Alguns serviços podem ultrapassar os 100 euros e chegar a mais de 300 euros, dependendo dos pedidos. Um gasto único que alguns consideram "o preço de uma experiência social agradável".

Um sucesso particular durante o Ano Novo Chinês 
Todos os anos, o Ano Novo Chinês lembra-nos a importância dos laços familiares e dos reencontros. Fora aqueles que moram longe dos seus entes queridos ou sozinhos, este período pode, por vezes, exacerbar os sentimentos de isolamento. É por isso que as plataformas deste género costumam registar um aumento na procura durante as festividades. Para alguns utilizadores, partilhar estes momentos com alguém torna-se uma forma de vivenciar a época festiva num ambiente mais acolhedor.

Uma tendência que levanta questões 
O desenvolvimento destes serviços reflete as profundas transformações na sociedade chinesa. Por um lado, oferecem uma resposta concreta à necessidade de ligação humana e permitem que algumas pessoas se libertem do isolamento por algumas horas. Por outro lado, levantam uma questão fundamental: o que significa, numa sociedade, a presença de outras pessoas poder ser reservada como qualquer outro serviço? Entre uma solução prática e um símbolo da transformação dos laços sociais, o debate permanece em aberto.

Uma coisa é certa: o sucesso destas plataformas demonstra que a necessidade de partilhar, trocar ideias e estar presente continua a ser mais importante do que nunca.

sexta-feira, 19 de junho de 2026

An Inconvenient Truth About AI


If you’re old enough, you may remember this moment.

It’s 2006. Former presidential candidate Al Gore presents the documentary An Inconvenient Truth. Behind him, there’s an enormous screen that shows the level of CO2 in the atmosphere going back hundreds of thousands of years. He walks the audience through it, ice age by ice age. And then, to show where the line will be in fifty years, he climbs onto a scissor lift and rises.

Within two years, Al Gore has won an Oscar and a Nobel Peace Prize. For one brief moment, it feels as though the world might finally listen.

But we all know what happened next. The climate deniers mobilized. They brought a snowball onto the Senate floor and asked, where’s your global warming now? They said things that were technically true (like CO2 is good for plant growth) and completely misleading. And above all, they moved the goalposts.

First it was: the climate isn’t warming. Then it became: fine, it’s warming, but not because of us. Then it was: okay, it’s us, but it won’t be that bad. Then it became: alright, it’s pretty bad, but… it’s China’s fault and we can’t afford to fix it.

The whole time, Al Gore’s red line kept climbing.

I was 18 years old in 2006, and I was furious. How could any serious person look at this evidence and refuse to see it? Climate denial, I thought, was a disease of the right.

And you know what? I was wrong. Not about the right, but about who else is capable of denial. Because we, the liberals, the left, the journalists, the academics, the 97% ‘In this House we Believe that Science is Real’ crowd, we are now doing to the threat of artificial intelligence exactly what the right did to the threat of climate change.

The deniers are us.

Part 1: The Denial
In March 2023, The New York Times published an op-ed by Noam Chomsky: one of the most prominent intellectuals alive and a hero of my political tradition. The piece was called The False Promise of ChatGPT. Chomsky argued that AI is incapable of real thought and that treating them as intelligent was a basic mistake. He called them a ‘lumbering statistical engine for pattern matching’.

This was the consensus of a lot of serious people. The New Yorker ran a long essay arguing that ChatGPT was a blurry JPEG of the web, a lossy compressor that memorized the internet badly and hallucinated the rest. In 2021, the linguist Emily Bender and the computer scientist Timnit Gebru had given this whole skeptical movement its slogan: these machines, they wrote, are stochastic parrots. They just imitate.

Chomsky, Bender, Gebru are smart people. And yes, some of what they have warned about has come true. The web is drowning in machine-generated slop, the training data is biased and the energy bill is pretty staggering. But their central conviction, that this whole Silicon Valley AI-project would hit a wall any minute now, that conviction has completely collapsed.

In the three years since those pieces were published, here’s a partial list of things that the “stochastic parrot, blurry JPEG, lumbering pattern-matcher” has done:
But of all the data, here’s the chart that captures the AI revolution most clearly:



There is a research group called METR. Since 2019, they have measured something simple: how big a coding task can an AI complete on its own? And they measure that ‘bigness’ in human time, meaning: how long would it take a skilled human to do the same task?

In 2022, the answer was about 30 seconds. In 2023, it was 4 minutes. In 2024, it was 40 minutes. In 2025: 6 hours. And earlier this year, 12 hours.

At this moment, AI capabilities are doubling every 3 months.

So to be honest, I think this METR graph is even scarier than the CO2 graph Al Gore showed us. Because this line is climbing far steeper. Here, ‘off the charts’ is not 50 years away, but 5 years away.
.

I’ve personally never written a line of code in my life. But in the past few months, I’ve let AI build me whole apps, websites, dashboards and even a voice-controlled teleprompter app I used to record the video version of this essay. Multiple times a week, I have what I can only call WTF-moments. Especially in the last 6 months, the gap between what these systems can actually do and what most people assume they can do has just kept widening.

For example, I think AI is actually pretty good at writing. Sure, there’s a huge amount of machine-generated slop on LinkedIn (and Substack?), but as Benjamin Todd recently wrote:
Plastic surgery is most noticeable when it's bad, so it's more widespread and successful than it looks.Same with AI writing.
Sometimes I want to shake people: have you actually used it?! Many skeptics seem to have opened ChatGPT in 2023, asked it to write a limerick, watched it fumble, and closed the tab. Well, that was three years ago. Three years in AI is a geological era. Judging today’s models by GPT-3.5 is like judging smartphones by a 2007 BlackBerry.

To be fair, I think journalists deserve much of the blame. The people whose job it is to report on the most newsworthy events have often ignored it. For example, the day the leading AI-lab Anthropic announced Mythos (an insanely powerful model capable of hacking anything from power grids to water systems) it didn’t even make the front page of a single major news site. The Guardian decided a Vogue cover with Anna Wintour and Meryl Streep was more important.

Part 2 : The Largest Infrastructure Build-out in History
Meanwhile, the AI-race is speeding up. Remember: the models of today are the worst models we will ever have. From here on, they’ll only get more powerful.

And honestly, I think it’s hard to wrap your head around the scale of what’s coming.

Look at the first line of this graph. That’s what the companies have spent on AI data centers since 2019, and what they’ve got planned for 2026. To be clear: this is the largest capital build-out in the recorded history of our species. It’s larger than the interstate highway system. Larger than the International Space Station. Larger than the Moon Landing and the Manhattan Project combined, and it is not even close.

Mark Zuckerberg’s Meta is currently building a single data center in Louisiana that, when finished, will cover nearly four times the size of Central Park. Amazon is spending more on data centers in one year than the entire annual defense budget of Germany. Microsoft, Google, Meta and Amazon will spend three times as much on AI infrastructure in 2026 than the entire Marshall Plan that rebuilt Europe after the Second World War.

But isn’t it all a bubble?

That is the next move the deniers make. Once “it’s just a silly parrot” stops working, they fall back to: it’s financial madness. The data centers are serving no real demand. It’s all hot air, or even a deliberate scam.

And to be fair, the skeptics have some ammunition. A viral MIT study published last year found that 95% of corporate AI pilots deliver zero measurable returns. The company Klarna replaced 700 customer service workers with AI, then quietly rehired humans because customers couldn’t stand talking to the bot. McDonald’s killed its three-year AI drive-thru experiment after the system kept putting bacon on ice cream.

But you know what? None of this proves anything. Let me show you why.

First, look at user growth. It took Instagram 2.5 years to reach 100 million users. At the time, that was the fastest growth story ever recorded. For comparison: ChatGPT hit that milestone in 2 months. Fifteen times faster.

Next, let’s look at revenue, and at one AI-lab in particular: Anthropic. Here is its annualized revenue, month by month:

January 2025: 1 billion dollars.
May: 3.
June: 4.
August: 5.
October: 7.
December: 9
February: 14.
March: 19.
April: 30.
May: 45

That’s right, 45 billion dollars in annualized revenue. From one company. Up 44-fold in 15 months. No company in any era – not Rockefeller’s Standard Oil, not Microsoft at the dawn of the personal computer, not Google in the tech boom – nobody ever has scaled revenue this fast. We’re talking about the fastest-growing company in the history of capitalism.

So, if this is really such a useless and fraudulent bubble, then why are people paying so much money for it? Why is the demand for AI rising faster than companies are able to build data centers? Why are IT departments, in the words of a Goldman Sachs analyst this April, overrunning their AI budgets “by orders of magnitude”?

I’m sorry to say it, but there’s a lot of highbrow misinformation circulating in left-wing media about AI. Take that viral MIT report. Read it carefully and you see the headline got it backwards. The “95% failure rate” includes the 80% of companies that never piloted any AI in the first place. As the podcaster Rob Wiblin pointed out in a careful breakdown of the study, this is like saying 95% of Tinder users have failing marriages, when most of them have never been on a date. Among the companies that actually deployed AI, about a quarter succeeded within six months. And the study’s own data shows that more than 90% of workers at those companies are using ChatGPT or Claude regularly at work, often multiple times a day.

This should not be surprising at all. If you know how to use it, this technology is already very, very useful, and it will only get more so. But if you don’t use it (perhaps because you work at the DNC, which has barred its staffers from using Claude and ChatGPT) then yes, you become particularly prone to misinformation about it.

Sure, some AI companies are probably overvalued. And yes, some will fail. I think OpenAI is particularly vulnerable. But here’s what the bubble-callers keep missing: even if half of them go bust tomorrow, the infrastructure stays. The data centers, the chips, the models and the capabilities stay.

The railway bubbles of the nineteenth century ruined lots of investors. They also created a rail network that powered the Industrial Revolution, the tracks of which still carry trains today. I actually don’t think this AI build-out is a bubble, but even if it is, remember: bubbles build infrastructure. Bubbles build the future. And a bubble of this magnitude, bursting tomorrow, would still leave us with a civilization permanently reorganized around machine intelligence.

So, ever since 2021, the AI skeptics have been moving the goalposts.

First it was: it’s just a spicy autocomplete machine. A stochastic parrot. A word guessing program. Then it became: fine, it can mimic, but it’ll never reason. Then they said: okay, it can pass the tests, but no serious business is using it. Then: alright, businesses are using it, but the economics don’t add up, it’s one big bubble. Then: fine, the revenue is real, but, but, but…

And this whole time, the line kept climbing. Just like Al Gore’s line of CO2 emissions, except this one is climbing much faster, and we have much less time to prepare.

Let me be clear: I think there’s a real chance that the next five to ten years are going to be some of the wildest in the history of humanity. Because here’s what the people building this technology – the same people who have proven the skeptics wrong again and again – are now telling us. They think AI may soon start to build more powerful AI by itself.

Jack Clark, one of the co-founders of Anthropic, recently called this crossing “a Rubicon into a nearly impossible-to-forecast future.” He thinks there is a 60% chance it happens by 2028.

Now, the obvious objection: of course an AI executive predicts explosive growth. Scary stories sell models and lift valuations, fair point. But you don’t have to take Clark’s word for it. Independent academics, people with no equity in this race, have been revising their estimates forward. The salespeople and the experts are converging. That’s the part that should worry you.

Right now, every step forward still requires humans. But the moment AI does that work itself, the bottleneck is gone. Years become months. Months become weeks. Each generation of AI builds the next, faster than the last. The flywheel starts spinning itself.

Part 3 : The Risks
One evening last summer, a microbiologist named David Relman was hired by one of the leading AI companies - we don’t know which one - to pressure-test a chatbot before its public release. Relman is a biosecurity expert at Stanford University. He has advised the US government on biological threats for years.

That night, in his home office, the chatbot explained to him how to modify a pathogen so that it would resist known treatments. Then it described how to release the superbug. It identified a real security vulnerability in a real public transit system, and it explained how to maximize casualties and minimize the chances of getting caught.

Relman had seen a lot in his career, but now he was so shaken that he had to take a walk to clear his head. He later told The New York Times that the bot answered questions he hadn’t even thought to ask, with a “deviousness and cunning” he found chilling.

Some skeptics, when they hear this, say: but you can already google this stuff. A chatbot doesn’t really change anything. Well, let me give you three data points.

One. A study published last year tested leading chatbots against PhD virologists, on detailed laboratory protocols in their own field. ChatGPT outperformed 94 percent of them.

Two. In November of last year, the police in India arrested a 35 year-old physician. He was plotting an attack on behalf of the Islamic State and trying to extract ricin (a lethal toxin) from castor beans. According to the police, the doctor had been getting advice on his preparations from ChatGPT.

Three. Fanatics with the will to kill millions of people are not hypothetical. These people exist. Let me give you the canonical example from biosecurity. In the 1990s, a Japanese doomsday cult tried to do exactly what the AI safety people are warning about today. The cult recruited from Japan’s top universities: one of its scientists was a graduate student in virology at Kyoto. They believed the apocalypse was imminent, and that killing non-believers was a way of saving them. They sent expeditions to Africa hunting for Ebola, and built a thirty-million-dollar laboratory at the foot of Mount Fuji to mass-produce sarin nerve gas – thousands of kilograms a year, on something close to a battlefield scale.

And on a Monday morning in March 1995, during the Tokyo rush hour, five of their members boarded five different subway trains carrying plastic bags filled with liquid sarin, and punctured the bags with the tips of their umbrellas. Hundreds of commuters were soon gasping for air on the platforms. Twelve people died. It was only twelve, because sarin is a chemical agent: it doesn’t spread from one person to the next. A virus would have.

In 1995, that cult – wealthy, scientifically literate, fanatical and willing to die for the cause – could not get hold of Ebola. Today, they could order the DNA sequences online. And a chatbot would walk them through what to do with it.

Now, I want to be clear: biology is just one of the many dangers. There is so much more. In April of this year, the UK government’s AI Security Institute released their assessments of two new AI systems. Anthropic’s Mythos and OpenAI’s GPT-5.5. Both could now find and exploit critical security vulnerabilities in the computers and systems that hold the modern world together. Power grids. Water systems. Government databases.

Anthropic’s response was striking. They decided not to release Mythos to the public at all. Instead, they limited access to a small group of cyber-defenders, to give the good guys a head start on what was coming.

Yes, a private company, with billions of dollars to be made and with no regulator forcing its hand, concluded that one of its own products was so dangerous it should not be sold to the general public. There is no regulator and no legislation. There was simply a moment of conscience inside the company. I am glad that conscience exists! But conscience is not a policy.

And that brings us to the deepest risk of all. Power.

Two countries are leading this race: the United States and China. Inside those countries, a handful of corporations are building the most powerful tools in the history of our species. The people who own those companies are about to acquire a kind of leverage that I don’t think we even have the words for yet.

So let’s look for an analogy. Political scientists have a name for what happens to countries that strike oil. They call it the resource curse. You’d think a fortune buried in the ground would be a blessing, and sometimes it is. Norway and Alaska managed it well. But more often, the wealth flows in, and democracy flows out. Think about Saudi Arabia, Venezuela and Russia: the pattern is pretty consistent.

Why does this happen? It comes down to a fact about how democracies were built. We like to think they were born from grand ideas from a few smart Founding Fathers. But the real engine was more boring: it was tax collection.

Rulers have always needed money. They needed it to fight wars, to build roads, to put down rebellions. And the only place to get it was from their subjects. So as the economy started growing, and people started producing more wealth, the rulers had to bargain. You want my coins? Then I want a voice. You want my son in your army? Then I want a vote.

That is the fiscal bargain at the heart of every free society. No taxation without representation, but also no representation without taxation. Rulers needed us. They needed our money, our labour, our consent. That need is the foundation of every right we have.

Now imagine a country where the ruler doesn’t need any of that. Where the wealth comes out of the ground, gets shipped abroad, and the dollars come back to fund the palace and the secret police. The citizens become a nuisance. Why educate them? Why listen to them at all? That is the resource curse.

And I’m afraid that we may face something bigger. The researchers Luke Drago and Rudolf Laine have call it ‘the Intelligence Curse’.

Because if the machines do the work, if they write the code, draft the contracts, drive the trucks, diagnose the patients, fight the wars, then the people who own the machines no longer need the rest of us. Not as workers, not as soldiers, not as taxpayers and not even as voters. The fiscal bargain that built every democracy on Earth could very well dissolve.

Of course, we don’t need to assume AI takes over everything, there’s a huge amount of uncertainty here! But even if it substitutes for a meaningful fraction of what humans currently do – not all, just a fraction – the fiscal bargain weakens.

And remember: we already have the most extreme concentration of wealth in history. In 1910, at the peak of the Gilded Age, the richest 0.00001% of US households owned wealth equivalent to 4% of national income. Today, that figure is 12%. America’s super-rich are already richer and more powerful than the original robber barons ever were. And AI is about to make it much, much worse. Because the labs building this technology are owned by a tiny group of people, a few early investors who stand to capture more of the world’s wealth than any class of owners who ever lived.

Part 4 : What We Do About It
So. What do we do?

Let me start with what we should not do. There is a temptation to look at all of this and conclude: shut it down. Pull the plug. Bring in the Luddites. Smash the machines..

And I get the impulse. When you stack up the scale of risk, the disregard for democracy, the hubris of the people in charge, the cleanest response feels like a moratorium. Just say no.

It is, I think, the wrong answer.

The reason is brutally simple. It doesn’t work. Stop the data centers in California, and they get built in Texas. Stop them in Texas, and they get built in Abu Dhabi. Stop them in democracies – the places with civil liberties, with judicial review, with a free press, with worker protections – and you hand the future to autocracies.

My point is not, absolutely not, that we have to let AI rip. My point is that abandoning the field is not the same as stopping the technology. This is the left’s version of climate denial. Refusing to engage seriously, on the assumption that if we just shout no loudly enough, the future will go away. It won’t.

So what does work?

Three things, at minimum.

One: State capacity. We need way, way more AI expertise and talent inside the government. The UK was early on this. They built an AI Security Institute: a serious arm of the state that actually evaluates frontier models, the way the FDA evaluates new drugs. I think every serious country needs a well-funded institute like that.

Two: International coordination. We have been here before. In 1949, the United States and the Soviet Union both had nuclear weapons, and humanity briefly looked extinction in the eye. Out of that came treaties. Imperfect, yes, but they bought us decades of survival. We need something equivalent for AI.

Three: The free world has to build.. The US – with its increasingly fascist government – currently owns 74% of the world’s compute, China has 14%, Europe less than 7% and all other countries combined less than 5%. I’m really worried about the middle powers, and Europe in particular. So far, Europe has been pretty good at regulating AI, but terrible at building it. In fact, all the American giants – Microsoft, Apple, Amazon, Nvidia, Alphabet – are individually worth more than the entire German or French stock market.

The good news is that Europe does have more leverage than it often thinks. The company ASML for example is less than an hour from where I am right now in the Netherlands. It makes the lithography machines without which TSMC in Taiwan cannot fabricate the chips, without which Anthropic and OpenAI cannot train their models. The democratic countries, working together, still control significant chokepoints in this supply chain. That is real power.

But my fellow progressives in Europe really need to understand that our welfare state, our way of life, is at stake. Just think it through. If AI does much of the work, but the profits flow to a handful of American giants that we barely tax – while European workers lose their jobs – then the tax base that funds our healthcare, our pensions, our unemployment insurance just… evaporates.

There’s one thing I can’t emphasize enough: democratic, liberal and humanitarian values are wonderful, but they are worthless if you don’t have the strength to back them up. And in this new world, compute is the new power. So no more NIMBY-ism. We need massive investments and fast permitting of data centers to keep up, or we’ll be digitally colonized. Anyone who’s not at the table will be on the menu.

Now, none of this works – none of it – without a positive vision.

And this, I think, is where liberals and the left have most badly failed.

Twelve years ago, I wrote a book called Utopia for Realists. I complained that the left mainly knew what it was against. Against austerity, against the establishment, against homophobia, against racism, against billionaires. But it lacked a positive vision of where it wanted to go.

My argument was that we should stop being so timid in our political imagination. I argued for a universal basic income, for the complete eradication of poverty, and I argued for a goal that the brilliant economist John Maynard Keynes laid out almost a century ago, in 1930…the fifteen-hour work week.

Keynes thought it was inevitable. He looked at the trajectory of productivity growth and concluded that by 2030 his grandchildren would be working a quarter as much as he did, because the machines would be doing the rest. The strange thing is, he was right about the productivity, but he was wrong about who would benefit.

The fifteen-hour work week was technically achievable by the 1980s, but it didn’t happen because the productivity gains were captured. By capital, shareholders, and a rentier class. So wages stagnated, hours rose, and inequality exploded.

If we let AI play out the same way, this is what we’ll get: a handful of trillionaires who will own the tools that do most of the world’s productive labor. Everyone else will be redundant – not in the dignified, retire-early-and-take-up-gardening sense, but in the cruel, anxious, gig-economy sense. Universal poverty in a world of unimaginable abundance.

And yet, I believe there’s another path. The path some of the greatest thinkers actually promised us. Benjamin Franklin predicted that four hours of work a day would eventually be enough. John Stuart Mill thought technology should be used to shorten the workweek as much as possible. Karl Marx imagined a world where we could hunt in the morning, fish in the afternoon, and discuss philosophy after dinner. And Oscar Wilde looked forward to the day when intelligent machines would become, in his words, “the property of all.”

The whole point of building the most productive economy in history was that we would no longer have to spend our lives doing work that bored us, just to put food on the table.

So I think we should demand much more than just AI safety. We should demand AI that’s built to help us flourish. That dream, the real dream of modernity, is finally within reach. Universal basic wealth: every citizen with an automatic stake in the productive infrastructure of their society. Full unemployment, in the original meaning of that phrase: freedom from forced labour. The zero-hour work week, finally. That was the promise.

But none of it happens automatically. Remember: the eight-hour workday was not given to us, we took it from the robber barons.

Twenty years ago, Al Gore stood on his scissor lift and showed us a line that went off the chart. The world he warned us about did arrive, but the political response was so weak and so half-hearted, that we are now living with consequences.

We are about to make the same mistake, perhaps even worse, because this timeline is shorter. In 2005, climate denial was a problem of the right, and the left rolled its eyes. In 2026, AI denial is a problem of the left, and the oligarchs are laughing.

So I want to be very direct, especially with the people who think of themselves as my political family. Stop the denial. Stop pretending this is hype. Stop calling it a lumbering stochastic pattern-matching parrot.

Wake up and pay attention. Vote for politicians who aren’t in the pockets of big tech. Build state capacity. Push your governments into international coalitions that actually have leverage. Demand transparency. Demand safety standards. Demand a share of the wealth.

And dare to fight for a wildly better future.

quarta-feira, 17 de junho de 2026

Imbecil , mentiroso e preconceituoso. "Há portugueses que não gostam de trabalhar" - Como disse, Miguel Sousa Tavares?


Se a sua mãe ouvisse estas generalizações simplistas sobre os que menos têm, daria voltas na tumba. Sophia passou a vida a escrever sobre a justiça, a liberdade e a dignidade dos esquecidos, apenas para ver o próprio filho assinar por baixo discursos que estigmatizam quem, infelizmente, tem que recorrer a apoios sociais para sobreviver.

A declaração de Miguel Sousa Tavares não encontra sustentação nos dados estatísticos e estudos oficiais em Portugal. A premissa de que os beneficiários de apoios sociais "não gostam de trabalhar" ou preferem "encostar-se aos subsídios" é contrariada pelas regras do próprio sistema e pelo perfil real de quem recebe estas prestações.

Em primeiro lugar, o Rendimento Social de Inserção (RSI), que costuma ser o principal alvo destas críticas, exige por lei a assinatura de um Contrato de Inserção. Isto significa que qualquer beneficiário apto para trabalhar é obrigado a estar inscrito no Centro de Emprego, a aceitar formação e a responder a ofertas de trabalho adequadas, sob pena de perder o subsídio imediatamente. Além disso, o valor médio mensal desta prestação ronda os 150 a 160 euros por pessoa, um montante de extrema pobreza que fica substancialmente abaixo do salário mínimo nacional, eliminando qualquer incentivo financeiro para a inatividade voluntária.

O perfil demográfico dos beneficiários também desmistifica esta ideia de dependência por preguiça, uma vez que uma fatia muito expressiva destas prestações se destina a crianças, jovens, idosos sem outras reformas ou pessoas com graves incapacidades e problemas de saúde crónicos. No que toca ao argumento de que os subsídios quebram os hábitos de vida em sociedade e criam dependências geracionais, estudos de longo prazo realizados pelo PLANAPP (Centro de Competências de Planeamento do Estado) revelam o oposto: cerca de 80% das crianças que cresceram em agregados familiares dependentes do RSI conseguem, ao atingir a idade adulta, integrar-se com sucesso no mercado de trabalho, deixando de necessitar do apoio estatal.

Por fim, no caso do subsídio de desemprego, importa recordar que se trata de um direito contributivo - ou seja, o trabalhador descontou previamente para a Segurança Social para ter acesso a ele - e que o apoio tem prazos estritos de validade e valores decrescentes no tempo, desenhados precisamente para empurrar o cidadão de volta ao ativo. Assim sendo, embora possam existir casos pontuais e residuais de abuso, as estatísticas demonstram que a esmagadora maioria dos portugueses recorre aos subsídios por motivos de desemprego involuntário, doença ou exclusão social severa, e não por falta de vontade de trabalhar.
Fontes:
1. Saiba tudo sobre o RSI - um apoio essencial para famílias a viver em extrema pobreza 

Outra falácia e paradoxo do Miguel Sousa Tavares no seu podcast.
A expressão "postos de trabalho que os portugueses não pretendem ocupar" descreve um fenómeno económico real, mas que é frequentemente mal interpretado como preguiça ou desinteresse por parte da população local. Na verdade, este desencontro deve-se a um desajuste estrutural entre as condições oferecidas por certas indústrias e a realidade do custo de vida em Portugal.

O principal fator é a barreira dos salários baixos. Setores como a agricultura intensiva, a construção civil, as limpezas e o turismo operam maioritariamente com base no salário mínimo ou em valores muito próximos dele. Com a crise imobiliária e a escalada da inflação, torna-se financeiramente impossível para um trabalhador nacional aceitar um emprego na hotelaria ou na restauração em grandes centros urbanos ou zonas turísticas, uma vez que o ordenado não cobre sequer o custo de um quarto ou de uma casa. Muitos imigrantes acabam por ocupar estas vagas porque, devido à vulnerabilidade à chegada, aceitam condições de extrema sobrelotação habitacional para dividir despesas, algo que os residentes locais não conseguem ou não aceitam replicar.

A par da questão financeira, a penosidade e a rigidez das condições de trabalho desempenham um papel crucial. Funções na agricultura sob estufas exigem um esforço físico extremo sob temperaturas severas, enquanto a restauração e o alojamento impõem horários repartidos, folgas rotativas e uma forte pressão psicológica que inviabiliza a conciliação com a vida familiar.

Por fim, o país vive uma dinâmica de vasos comunicantes no mercado laboral. Ao mesmo tempo que Portugal atrai mão de obra estrangeira para preencher estas funções operacionais e de baixo valor acrescentado, perde continuamente os seus jovens qualificados para o resto da Europa. Um jovem português prefere emigrar para a Europa Central ou do Norte, onde o mesmo nível de escolaridade garante um poder de compra e uma qualidade de vida substancialmente superiores. Portanto, a dependência de trabalhadores estrangeiros não resulta de uma recusa cultural ao trabalho, mas sim de um modelo económico assente em setores que só conseguem sobreviver recorrendo a uma força de trabalho externa disposta a aceitar salários e ritmos que os nacionais já não validam.

segunda-feira, 25 de maio de 2026

O sistema Volta - puro Enshittification


Já tinha falado sobre isso aqui

A SDR Portugal, uma associação sem fins lucrativos, é apresentada como uma das grandes conquistas da nova economia circular. Uma solução moderna, sustentável e inevitável para aumentar as taxas de reciclagem e aproximar Portugal dos objectivos ambientais europeus. A narrativa pública é simples, eficaz e cuidadosamente construída: devolver embalagens para salvar o planeta.

Consumir continua perfeitamente aceitável. Desde que a culpa venha com código de barras e seja colocada na máquina correcta.

O presidente da SDR Portugal é Leonardo Bandeira de Melo Mathias, antigo Secretário de Estado Adjunto e da Economia no governo de Pedro Passos Coelho. Um dos vice-presidentes é António Augusto dos Santos Casanova Pinto, vice-presidente do Conselho de Administração da Sumol Compal Marcas e administrador executivo do grupo.

Segundo o Relatório e Contas de 2024 da própria SDR, os órgãos sociais não são remunerados. No entanto, os gastos com remunerações em 2024 ascenderam a €136.333,25 antes de impostos (Seg. Social + IRS). O número de pessoas ao serviço em 31 de Dezembro de 2024 era de apenas 3, sendo referido no relatório que existia um Director-Geral contratado desde Junho de 2022 e que apenas em Dezembro de 2024 foram contratados um Director de Operações e um Director de Tecnologias de Informação.

Ou seja, durante praticamente todo o exercício de 2024, o grosso dos encargos salariais esteve concentrado numa única pessoa e com um valor (€9.738 líquidos /mês) bastante interessante para uma estrutura ainda em fase inicial de operação. Afinal, até a reciclagem moderna exige a sua pequena aristocracia técnica.

O próprio Relatório e Contas revela ainda outro detalhe particularmente curioso: existe um conjunto de grandes empresas que realizaram empréstimos à SDR, os quais, segundo o Relatório de Gestão, serão pagos “quando a associação tiver meios financeiros para o fazer”.

Traduzindo do dialecto institucional para português corrente: o dinheiro há-de voltar. Ou seja, não se trata propriamente de capital a fundo perdido nem de um gesto puramente filantrópico. Trata-se de dinheiro que deverá regressar futuramente a quem o colocou no sistema.

Entre os credores encontram-se:
Auchan Retail Portugal, S.A.: €247.000
ITMP Alimentar, S.A.: €247.000
Super Bock Bebidas, S.A.: €247.000
Pingo Doce - Distribuição Alimentar, S.A.: €247.000
Lidl & Companhia: €247.000
Modelo Continente Hipermercados, S.A.: €247.000
Sumol Compal Marcas, S.A.: €247.000
Coca-Cola Europacific Partners Unipessoal, Lda: €247.000
SCC - Sociedade Central de Cervejas e Bebidas, S.A.: €247.000
Unilever Fima, Lda: €247.000
Total: €2.470.000

A pergunta verdadeiramente interessante não é se o sistema é ecológico. É perceber como, quando e através de que mecanismos financeiros estes valores serão recuperados. Porque num sistema financiado por depósitos, taxas, fluxos operacionais e receitas futuras associadas à reciclagem, alguém acabará inevitavelmente por pagar a factura final da virtude ambiental.

No entanto, quando se observa o modelo para além da superfície publicitária e das campanhas institucionais, percebe-se que talvez estejamos perante algo bastante mais complexo do que uma simples iniciativa ecológica.

O que está a ser criado não é apenas um sistema de reciclagem. É uma infraestrutura económica, logística e tecnológica de enorme dimensão, construída em torno da circulação permanente de embalagens, depósitos, dados e contratos.

A lógica do mecanismo parece inocente. O consumidor compra uma bebida, paga um valor adicional associado à embalagem e recupera esse montante caso a devolva num ponto autorizado. À primeira vista, trata-se apenas de um incentivo comportamental. Uma pequena penalização temporária destinada a ensinar adultos a colocar recipientes vazios no sítio correcto. Mas é precisamente aqui que o modelo se torna interessante. O sistema não vive apenas da reciclagem. Vive sobretudo da arquitectura financeira criada à volta da reciclagem.

Cada embalagem deixa de ser apenas um recipiente descartável e transforma-se numa unidade económica rastreável:
- alguém paga
- alguém recolhe
- alguém valida
- alguém transporta
- alguém processa
- alguém monitoriza
- alguém factura

A garrafa já não termina no lixo. Passa a circular dentro de uma cadeia económica cuidadosamente organizada, onde praticamente cada etapa gera actividade financeira.

O primeiro aspecto raramente explicado de forma transparente é a importância dos depósitos não reclamados. Nem todas as pessoas irão devolver embalagens. Nem todas terão tempo. Nem todas terão máquinas próximas. Nem todas guardarão garrafas em casa. Nem todas considerarão justificável deslocar-se por alguns cêntimos. Nem todas transformarão a cozinha numa extensão informal do centro de triagem nacional.

E é precisamente aí que surge uma das peças mais relevantes do sistema. Os depósitos pagos e nunca recuperados permanecem dentro do circuito financeiro da estrutura. Ou seja, uma parte significativa da sustentabilidade económica do modelo assenta não apenas na reciclagem, mas também na inevitável imperfeição humana.

E aqui vale a pena pegar nas próprias palavras do presidente da SDR Portugal:
“Só para lhe dar um enquadramento, são consumidas em Portugal 2,1 mil milhões de garrafas de plástico (PET) até três litros. E as latas de aço e de alumínio, portanto, são 2,1 mil milhões de unidades por ano. Agora imagine…”
Sim, vamos então imaginar.
Com optimismo ambiental, admitamos que 70% das embalagens são devolvidas. Isso significa que 30% ficam fora do circuito de retorno.
2,1 mil milhões × 30% = 630 milhões de embalagens não devolvidas.
Multiplicando por um depósito de 10 cêntimos:
630 milhões × €0,10 = €63 milhões.

Ou seja, mesmo num cenário bastante optimista, estariam potencialmente 63 milhões de euros anuais a permanecer dentro do sistema apenas através de depósitos não reclamados.

Agora abandonemos por momentos o optimismo institucional e ambiental. Se a taxa de retorno fosse de 50%, então metade das embalagens não regressaria:
2,1 mil milhões × 50% = 1.050 milhões de embalagens.
Multiplicando novamente pelos 10 cêntimos:
1.050 milhões × €0,10 = €105 milhões.
Cento e cinco milhões de euros.

Naturalmente, estes valores não representam lucro directo líquido nem podem ser analisados isoladamente dos custos operacionais do sistema. Mas ajudam a perceber a dimensão financeira potencial criada por um mecanismo que depende precisamente de uma percentagem significativa de embalagens nunca ser devolvida.

Há aqui uma ironia difícil de ignorar. O sistema apresenta-se como solução para mudar comportamentos, mas beneficia financeiramente do facto de esses comportamentos nunca mudarem completamente. Se os consumidores devolvessem rigorosamente todas as embalagens, uma das maiores almofadas financeiras do mecanismo desapareceria. Isso obrigaria inevitavelmente a:
- aumentar taxas
- reforçar contribuições da indústria
- procurar mais financiamento público
- ou criar novas formas de receita

Por outras palavras, o sucesso ambiental absoluto poderia transformar-se num problema económico bastante menos sustentável do que os folhetos institucionais sugerem. Naturalmente, esta parte raramente aparece nos vídeos promocionais acompanhados por folhas verdes ao vento, crianças sorridentes e música suficientemente inspiradora para absolver moralmente uma garrafa de plástico. Mas os depósitos não reclamados são apenas uma componente do ecossistema.

Outra dimensão do modelo surge quando se observa a infraestrutura criada à sua volta.
Para operacionalizar a devolução de milhões de embalagens, torna-se necessário construir uma rede nacional composta por:
- máquinas automáticas de recolha
- software de reconhecimento e validação
- sistemas antifraude
- logística reversa
- transporte especializado
- centros de triagem
- compactação industrial
- plataformas digitais
- manutenção técnica
- monitorização estatística
- auditorias
- certificações ambientais
- contratos operacionais

Ou seja, cria-se um novo sector económico completo em torno de algo que, até aqui, cabia essencialmente num ecoponto. E como acontece frequentemente na economia contemporânea, o discurso público concentra-se na moralidade ambiental, enquanto os fluxos financeiros reais se distribuem silenciosamente pelos bastidores tecnológicos e logísticos.

Porque alguém fabrica as máquinas. Alguém fornece o software. Alguém gere os dados. Alguém assegura manutenção. Alguém opera a logística. Alguém ganha contratos. Alguém presta consultoria. Alguém vende a solução para o problema que o próprio sistema ajudou a transformar numa nova necessidade estrutural. O operador central pode apresentar-se como entidade sem fins lucrativos, o que é tecnicamente verdadeiro. Mas isso pouco diz sobre o volume de actividade económica gerada à volta da estrutura.

Aliás, um dos traços mais sofisticados dos modelos contemporâneos é precisamente este: o núcleo institucional mantém uma aparência neutra e moralmente virtuosa, enquanto a rentabilidade se espalha discretamente pelas camadas periféricas do sistema.

Existe ainda uma dimensão menos visível, mas potencialmente mais valiosa a longo prazo: os dados.
Cada devolução gera informação. Cada máquina recolhe padrões de utilização. Cada localização produz métricas comportamentais. Cada embalagem contribui para mapear hábitos de consumo. Num contexto onde indicadores ambientais, métricas ESG* e monitorização de comportamento possuem valor económico crescente, o controlo de uma infraestrutura nacional deste tipo representa muito mais do que reciclagem. Representa capacidade de observação, recolha, análise e venda de dados. (*Indicadores quantitativos e qualitativos que medem o desempenho de uma empresa nas áreas Ambiental, Social e de Gestão)

Quem gere um sistema desta escala passa a ter acesso a:
- padrões de consumo
- volumes regionais
- sazonalidade de vendas
- participação dos consumidores
- fluxos logísticos
-métricas ambientais
- indicadores de conformidade regulatória
O lixo deixa de ser apenas lixo.Torna-se informação.

Outro aspecto particularmente curioso é a transferência parcial de trabalho da indústria para o cidadão. Antes, o consumidor colocava a embalagem no ecoponto e encerrava aí a sua participação. Agora, espera-se que:
- guarde embalagens em casa sem as danificar 
- organize resíduos
- transporte recipientes
- procure máquinas disponíveis
- aguarde validação
- execute parte da logística operacional

Tudo isto naturalmente apresentado como exercício de cidadania ambiental. Na prática, parte do trabalho anteriormente absorvido pelo sistema tradicional de resíduos é silenciosamente transferido para o próprio consumidor, que continua simultaneamente a financiar o processo através dos depósitos pagos.

Entretanto, os grandes produtores de embalagens conseguem algo ainda mais relevante: legitimidade. As empresas responsáveis pela colocação de milhões de embalagens descartáveis no mercado passam a operar dentro de uma arquitectura verde certificada, compatível com exigências regulatórias europeias e extremamente útil para relatórios ESG, reputação corporativa e marketing institucional.

A questão deixa então de ser: “como reduzir embalagens descartáveis?” E passa subtilmente a ser:“como integrar embalagens descartáveis num circuito economicamente rentável e ambientalmente legitimado?”

É uma diferença conceptual importante.
O sistema não elimina o consumo massivo de recipientes descartáveis. Pelo contrário: reorganiza-o, profissionaliza-o e transforma-o numa cadeia económica ainda mais sofisticada.

No fundo, o que está a emergir não é apenas um mecanismo de reciclagem. É a monetização integral da embalagem desde o momento da compra até ao momento da devolução.

A embalagem gera receita quando é vendida. Gera receita quando circula. Gera receita quando não é devolvida. Gera receita quando é devolvida. Gera receita quando é processada. Gera receita enquanto dado estatístico. E gera legitimidade política e ambiental durante todo o percurso. Chama-se a isso enshittification (merdificação)

Nada disto significa que reciclar seja inútil ou que a reutilização de materiais não tenha benefícios reais. O problema não está na reciclagem. Está na forma quase religiosa como certos modelos económicos são apresentados como altruísmo ambiental puro, quando na realidade envolvem estruturas financeiras altamente sofisticadas e interesses económicos evidentes.

Porque quando uma solução ecológica cria uma indústria multimilionária sustentada por depósitos, contratos, dados, logística, tecnologia e falhas previsíveis do comportamento humano, talvez seja legítimo perguntar se o principal objectivo é proteger o ambiente ou descobrir como transformar até o lixo numa fonte permanente de rentabilidade.
E nesse aspecto, convenhamos, o modelo é brilhante.

O ecoponto de rua - esse herói anónimo da reciclagem portuguesa — continua a ser mais eficiente, mais inclusivo e com menor pegada carbónica. Pode não dar vales de desconto, mas pelo menos não exige carregar lixo no porta-bagagens. Faz apenas aquilo que deve: recolher para reciclar. Por isso, continuo fiel a ele. Pode não ser bonito nem moderno, mas funciona - e não precisa de marketing para provar isso.
E mais: 
Aqui em casa uso água da torneira. É o mais ecológico e simples. Quando vou a restaurantes, se bebo água devolvo o talão à menina(o). 

Saber mais:
3. Sistema Volta, as contas da DECO e o peso da tua “preguiça” forçada

quarta-feira, 13 de maio de 2026

Quem detém mais satélites? Fica claro quem manda na órbita da Terra


O mundo mudou muito nesta última década. E as disputas pelo controlo da informação passaram para o fundo do mar, mas, sobretudo, para a órbita da Terra. Hoje, os satélites tornaram-se a espinha dorsal da moderna economia espacial. Desde a internet de banda larga à observação da Terra, a infraestrutura orbital suporta agora indústrias muito para além do setor aeroespacial. Então, quem tem mais satélites no espaço?

Não há dúvidas que os EUA lideram não só a corrida espacial, mas também o espaço em volta da Terra. Como tal, e na preparação do próximo grande comércio global, são empresas americanas que estão na liderança deste segmento.

Para percebermos, de forma mais concreta, quem domina a órbita do planeta, um gráfico, de autoria da Global X Canada, permite perceber quem detém mais satélites. A informação tira partido de dados da AEI Space Data Navigator.


Que operadores detêm mais satélites?
A SpaceX domina claramente a contagem global de satélites, com 10.262 satélites operacionais. Isso representa mais de 16 vezes os 632 satélites da OneWeb, o segundo maior operador identificado.

Posição Operador de satélites Número de satélitesSpaceX - 10.262 satélites
OneWeb - 632 satélites
National Reconnaissance Office - 285 satélites
Forças Armadas dos EUA - 244 satélites
Forças Armadas da China - 168 satélites
Planet Lab - 144 satélites
Forças Armadas da Rússia - 107 satélites
NASA - 90 satélites
Iridium - 80 satélites
Globalstar - 26 satélites
Outros - 3.409 satélites


O ranking mostra a rapidez com que as redes privadas cresceram desde o início da corrida espacial.

Organizações públicas como a NASA e forças militares nacionais operam agora apenas uma pequena parcela, com apenas 894 satélites entre os proprietários identificados na base de dados.

A vantagem de escala da Starlink

A SpaceX opera a Starlink, a maior frota de satélites alguma vez colocada em órbita. Só a sua dimensão representa cerca de dois terços dos 15.447 satélites apresentados na base de dados.

Em vez de lançar apenas alguns satélites de elevado valor, a Starlink aposta na escala. Como resultado, a rede tornou-se num exemplo marcante da infraestrutura orbital comercial.

Redes comerciais entram em órbita
A diferença entre a SpaceX e os operadores tradicionais assinala um importante ponto de viragem. As empresas passaram a deter e operar redes de satélites numa escala que anteriormente estava reservada aos governos.

Isto é relevante porque os satélites deixaram de ser apenas ativos de investigação governamental de nicho. Estão agora a tornar-se infraestrutura crítica para conectividade, dados e resiliência nacional.

A China já tem mais de 1.300 satélites ativos em órbita e continua a expandir rapidamente a sua presença espacial. Entre eles estão satélites militares, sistemas de navegação BeiDou, observação da Terra, comunicações e futuras redes de internet via satélite para competir com a Starlink. O objetivo de Pequim é claro: transformar o espaço numa infraestrutura estratégica para defesa, tecnologia e influência global.

Investir no espaço
À medida que as redes comerciais crescem, a infraestrutura orbital poderá tornar-se um tema de investimento cada vez mais relevante. Satélites, sistemas de lançamento e serviços espaciais fazem todos parte deste ecossistema em expansão.

A economia espacial já está a avançar para áreas como logística, agricultura, defesa e comunicações. Como resultado, os investidores poderão procurar cada vez mais exposição a empresas que impulsionam estas tendências.

terça-feira, 12 de maio de 2026

Novo relatório revela que escravidão moderna no Reino Unido atingiu níveis recorde

A escravatura no Reino Unido atingiu níveis recorde e a expectativa é que se agrave na próxima década, alertou a comissária independente do governo para o combate à escravatura.

Esse número aumentou mais de 50% nos últimos cinco anos e está a acontecer com pessoas cada vez mais jovens

De acordo com o número de denúncias encaminhadas para o mecanismo nacional de encaminhamento, que avalia as potenciais vítimas de escravatura e lhes oferece apoio, os números quase duplicaram nos últimos cinco anos, passando de 12.691 denúncias em 2021 para 23.411 em 2025, o número mais elevado alguma vez registado.

No seu relatório, publicado na terça-feira, Eleanor Lyons afirmou que este aumento não se deve apenas à melhor detecção da escravatura, mas também ao agravamento das condições no Reino Unido e em todo o mundo.

“A pobreza, a instabilidade global, os conflitos, a deslocação global de pessoas e a rutura das rotas migratórias seguras estão a criar um fluxo crescente de vulnerabilidades que os traficantes exploram rapidamente”, lê-se no relatório, Antecipando a Exploração: Uma Análise Baseada em Projeções Futuras. O relatório reuniu pesquisas compiladas por mais de 50 especialistas de diferentes áreas, incluindo segurança pública, governo, sociedade civil e organizações sem fins lucrativos, e é a primeira análise abrangente e prospetiva sobre como a escravatura moderna e o tráfico humano provavelmente evoluirão no Reino Unido na próxima década.

Lyons afirmou que, a menos que o Reino Unido tome medidas, a situação poderá agravar-se ainda mais com a utilização da inteligência artificial para ampliar e profissionalizar a exploração; o aumento do uso de trabalho digital em esquemas fraudulentos – como atrair pessoas para fraudes de investimento e romance; e a integração de criptomoedas em modelos de tráfico.

O relatório também expressou preocupação com o crescimento contínuo das plataformas da economia gig, o trabalho coercivo em áreas como a agricultura, a construção civil e a mineração, e o aumento da escravatura reprodutiva, como a recolha forçada de óvulos e a gestação de substituição.

Lyons instou os ministros a aumentar o financiamento das unidades policiais especializadas para que possam combater a exploração, processar mais empresas que exploram ou escravizam trabalhadores e lançar uma campanha nacional para ajudar o público a reconhecer e denunciar a exploração. Pediu ainda ao governo que melhore o atendimento às vítimas.

O relatório alertou que, sem medidas urgentes, as redes criminosas tornar-se-ão mais astutas, menos visíveis e mais difíceis de desmantelar. “A escravatura e as formas mais terríveis de exploração estão a tornar-se mais disseminadas neste país e a evoluir mais rapidamente do que conseguimos reagir”, disse Lyons.

“À medida que a exploração se torna mais complexa e oculta, impulsionada pela tecnologia e pela instabilidade global, irá espalhar-se ainda mais e tornar-se mais difícil de travar, a menos que ajamos agora”.

Um relatório de avaliação separado, também publicado na terça-feira pelo influente grupo de peritos em tráfico de seres humanos do Conselho da Europa, o GRETA, destacou um aumento acentuado do número de potenciais vítimas de tráfico.

Embora os especialistas tenham elogiado uma série de medidas tomadas pelas autoridades do Reino Unido nos últimos anos para combater o tráfico de seres humanos, como a de não responsabilizar as vítimas por actos criminosos que foram forçadas a cometer pelos seus traficantes, instaram o Reino Unido a adoptar uma série de outras medidas para alinhar plenamente as leis, políticas e práticas de combate ao tráfico de pessoas do país com a Convenção sobre a Acção contra o Tráfico de Seres Humanos.

O relatório destacou a necessidade de mais recursos, maior priorização e melhor coordenação entre as forças policiais e outras agências, bem como o reforço das investigações financeiras.

Acrescentou ainda que são necessárias mais salvaguardas para prevenir o tráfico de pessoas para exploração laboral, bem como o tráfico de pessoas de grupos vulneráveis ​​– incluindo crianças, migrantes, requerentes de asilo e pessoas sem-abrigo.

Um porta-voz do Ministério do Interior afirmou: “A escravatura moderna é um flagelo global que abusa e explora pessoas para obter lucro. Estamos empenhados em rever o sistema de combate à escravatura moderna para reduzir as oportunidades de abuso do sistema, garantindo, ao mesmo tempo, que temos as proteções adequadas para quem delas necessita.

Estamos a trabalhar com sobreviventes corajosos para fundamentar o desenvolvimento de políticas e melhorar o processo de identificação de vítimas. Também tomámos medidas imediatas para reduzir o atraso nos processos, garantindo que as vítimas obtêm decisões rápidas e o apoio necessário para reconstruir as suas vidas.”

Se você suspeita de algum caso de tráfico humano, é vital denunciar.
Portugal: Ligue 808 257 257 (Linha de Apoio à Vítima), contacte a PJ/PSP local ou ainda a AIMA