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sábado, 7 de março de 2026

Forest restoration would reduce the risk of forest fires. Countries like Portugal stand to benefit greatly


Fern Forest campaigner Siim Kuresoo shares insights from a recent field-trip to meet with foresters, local leaders and community members in Portugal – a country that has increasingly experienced severe forest fires.

As European summers get hotter and drier, devastating forest fires are becoming the Portuguese norm, along with dramatic images of fast-moving flames, airplanes trying to quell them, and people fleeing for their lives.

The overriding impression is that this is what we need to expect in the era of climate change. But is there more to this story?

To find out, Anna Muizniece (she/her) and I spent a few days in northern Portugal meeting with experts to find out what’s happening: João Paulo Fidalgo Carvalho (forestry academic and head of Pro Silva Portugal); Miguel Ribeiro (a forestry and restoration officer at NGO Quercus); and Fernando Antunes Amaral (forest fire survivor and activist). We visited impacted areas and talked with people eager to prioritise community safety and resilience.

They taught us much about the history of the problem, including that this is not a naturally occurring problem. The fires are heightened by the eucalyptus plantations that have been expanding for more than half a century, taking over land as rural abandonment grows and agricultural patterns change. Such plantations provide raw material for the mighty pulp and paper industry, and money for landowners struggling to find a purpose for their land.

But the social and environmental costs are enormous
Portugal’s natural tree species form less flammable, more biodiverse and carbon-rich ecosystems able to provide higher long-term economic returns for the landowner, but shifting to continuous cover forestry takes work, and the financial rewards aren’t immediate.

Nonetheless, some municipalities and communities are taking on the hard work and financial burden, despite receiving little of the external support they need, like funding and technical advice. And while the EU is helping by coordinating emergency help to put out fires, it would be cheaper in the long run for EU funds to help prevent the fires from happening in the first place. The Nature Restoration Regulation (NRR) explicitly requires Portugal to support the transition away from eucalyptus and EU funds could initiate a systemic change in land use.

But change will not happen while the pulp industry dominates policy and resource allocation. Funds from the Common Agricultural Policy must not be used to subsidise an industry determined to put production of short-lived products above people's safety.

EU funds must prioritise ambitious National Restoration Plans.
Doing so would support the inspiring people we met on our journey such as José and Joaquim, the former and current mayor of the local municipality of Bragança. Despite being fierce political opponents, they both take huge pride in the region’s forest restoration and share smiles when discussing turning a eucalyptus plantation into an oak forest. O Sr. Sergio, from Talhadas village, who responded to a big fire in 2024 by organising the community to restore natural forests. He doesn’t mind long working days but is increasingly worried about being seen as an enemy by the pulp industry and its powerful friends, and what this means in terms of obstacles to his mission.

So there is more to the story of Portugal’s fires. The very landscape has become a danger to its inhabitants because of one powerful industry, and because of the perverse use of funds to support this harmful type of forestry. But sadly, this is not just the case in Portugal. Similar stories are occurring across the EU, as revealed by Metodi Sotirov’s recent study Funding resilient forests: Rethinking EU and State subsidies. We still have time to implement the changes he recommends, but do we have the political will?

sábado, 8 de novembro de 2025

Novo relatório: o mundo precisa de cortar 60% de desflorestação até 2030 - ou meta global pode fracassar


O alerta é do novo relatório da Forest Declaration Assessment, lançado nas vésperas da COP30, em Belém (PA). O relatório mostra que, só em 2024, o planeta perdeu 8,1 milhões de hectares de florestas — uma área equivalente à Áustria —, o que representa um nível 63% acima do necessário para zerar o desmatamento até o fim da década.

Além do corte raso, a degradação florestal também preocupa: atingiu 8,8 milhões de hectares, impulsionada por incêndios e eventos climáticos extremos. O impacto climático é gigantesco — as emissões associadas à destruição de florestas tropicais somaram 3,1 biliões de toneladas de CO₂ em 2024, o mesmo que 700 milhões de carros a gasolina rodando por um ano. 

As florestas tropicais úmidas, como a Amazônia, seguem como epicentros da perda florestal global. O relatório cita Brasil, Colômbia e Indonésia como países-chave tanto pelo risco quanto pelo potencial de liderar uma viragem na proteção florestal. No caso brasileiro, o desmatamento na Amazônia caiu 11% entre 2024 e 2025, alcançando o menor nível em 11 anos — mas a degradação por incêndios, secas e extração seletiva continua em alta.

Agropecuária segue como o principal motor da destruição, respondendo por nove em cada dez hectares desmatados na última década. Já a restauração de florestas, embora positiva, ainda é tímida: projetos em curso cobrem 11 milhões de hectares, número insuficiente diante da escala das perdas.

O relatório também denuncia o desequilíbrio financeiro: enquanto US$ 5,7 biliões foram investidos anualmente na proteção florestal entre 2022 e 2024, o valor representa apenas 1,4% dos US$ 409 biliões em subsídios agrícolas que favorecem o desmate. E apenas 3% das empresas analisadas têm compromissos sólidos e verificáveis contra o desmatamento.

A Forest Declaration Assessment conclui que o sistema financeiro global ainda ignora os riscos florestais e que, sem rastreabilidade, segurança fundiária e eliminação de subsídios perversos, o mundo dificilmente cumprirá a promessa de zerar o desmate até 2030.

sexta-feira, 17 de outubro de 2025

C7 toma posição sobre possível extinção do ICNF


As Organizações Não-Governamentais de Ambiente que compõem a Coligação C7 receberam com profunda preocupação as notícias veiculadas pela comunicação social sobre uma possível intenção do governo de extinguir o Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), transferindo as suas competências para a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) e para as Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR).

Ainda que o governo não tenha, até ao momento, confirmado esta possibilidade, a Ministra do Ambiente e Energia infelizmente também não a afastou completamente quando confrontada pelos jornalistas. Mais, a redução drástica da verba a transferir do Fundo Ambiental para o ICNF, prevista na atual proposta de Orçamento de Estado, reforça esta preocupação face às responsabilidades do ICNF, nomeadamente com a implementação da Estratégia para a Conservação da Natureza e Biodiversidade 2030 (revista), o Programa Alcateia, a conclusão dos planos de gestão das Zonas Especiais de Conservação da Rede Natura 2000 e o Plano Nacional de Restauro da Natureza. Portanto, a C7 considera fundamental manifestar desde já o seu completo repúdio a qualquer ação que venha a ser tomada no sentido do desmantelamento do órgão nacional de conservação da natureza. Isto representaria um retrocesso grave na política de conservação da natureza em Portugal, com impactos negativos previsíveis na capacidade do país de cumprir compromissos internacionais, proteger a biodiversidade e garantir uma gestão eficaz e estratégica do seu património natural.

O ICNF, enquanto Autoridade Nacional para a Conservação da Natureza e Biodiversidade, tem desempenhado um papel essencial na execução das políticas públicas de conservação da natureza e das florestas, na gestão de áreas protegidas e na articulação com redes europeias e internacionais. A sua extinção fragmentaria competências críticas, dificultando a coordenação nacional e estratégica.

A redução da prioridade política da conservação da natureza já foi concretizada pelos dois mais recentes governos com a extinção da Secretaria de Estado de Conservação da Natureza, e consideramos que dar mais um passo para o enfraquecimento de uma área tão relevante comprometeria ainda mais a capacidade do país em dar respostas à atual crise de perda de biodiversidade. A gestão eficaz da natureza exige uma visão integrada, estratégica e especializada, que só pode ser garantida por uma entidade nacional com conhecimento técnico acumulado e presença territorial. Transferir responsabilidades para entidades com vocações distintas pode configurar um risco de conflito de interesses, como no caso dos processos de licenciamento ambiental, e colocar em risco o cumprimento de compromissos assumidos e a credibilidade internacional do país. 

Relembramos que a conservação da natureza é um pilar fundamental da sustentabilidade, da resiliência territorial e da qualidade de vida das populações. Enfraquecer esta missão é comprometer o futuro.

Assim, apelamos ao Governo que não avance com nenhuma proposta nesta direção, promova um debate público alargado e transparente, e reforce — em vez de desmantelar — a capacidade institucional do ICNF.

As organizações da C7 estão disponíveis para colaborar na construção de soluções que fortaleçam a proteção ambiental em Portugal, com base na ciência e na participação democrática.

quarta-feira, 3 de setembro de 2025

Contributo sobre o Manifesto por um Pacto Nacional pela Floresta e pelo Território

A SPECO e 23 outras ONGA enviaram para o governo um contributo sobre o manifesto que ainda continua aberto à subscrição individual e de grupo sobre a necessidade de se estabelecer um Pacto Nacional sobre a Floresta e o Território.



São 23 as Organizações Não Governamentais e/ou Associações de Ambiente que se juntaram à Sociedade Portuguesa de Ecologia (SPECO) e assinaram este manifesto, que abaixo se junta, aberto à subscrição pública desde 25 de Agosto. Mais de 1500 cidadãos de diferentes quadrantes da sociedade, nomeadamente técnicos, professores, investigadores de laboratórios de Estado e de fundações, já o subscreveram.

Não podemos ficar parados. Cansámo-nos de esperar que as políticas estratégicas surtam efeito. Têm sido formadas comissões de estudo, disponibilizados financiamentos do PRR, do Fundo Ambiental, mas a acção continuada, a efectiva melhoria que se almeja para levar um pouco de dignidade e sustentabilidade ao Portugal interior tarda em concretizar.

Para além das povoações, também as Áreas Protegidas têm sido delapidadas e deixadas ao abandono. Depois de 1985 e 2017, 2025 foi já considerado o terceiro ano que afectou consideravelmente Áreas Protegidas, espaços que mereciam uma atenção redobrada pelo valor que representam, não só a nível nacional como europeu.

Precisamos de acção, já! Estamos dispostos a ajudar e a apoiar, a convocar a ciência, as empresas, os autarcas e as comunidades. Não podemos esperar por diagnósticos, novas comissões técnicas e independentes. As anteriores já diagnosticaram as causas e propuseram soluções, mas nada foi feito. Os erros perpetuam-se e o plano de ordenamento do território tarda em ser posto em prática.

É este apelo que as 22 ONGA transmitem ao Governo. Através deste Manifesto mostramo-nos disponíveis para apoiar um plano de acção que tenha efeitos directos no território. O ordenamento do território e a conservação da natureza nas suas Áreas Protegidas são as melhores ferramentas para o combate às alterações climáticas e para a sustentabilidade das populações do interior do país.

As organizações signatárias:



Leia o manifesto abaixo, e assine aqui.

domingo, 16 de junho de 2024

Banco Mundial prepara Relatório sobre Clima e Desenvolvimento em Cabo Verde


O Banco Mundial vai apresentar este ano um Relatório sobre Clima e Desenvolvimento (CCDR, sigla inglesa) dedicado a Cabo Verde, devido aos riscos que o arquipélago enfrenta, anunciou a instituição.

“O Banco Mundial está a levar a sério estes desafios e está a preparar um Relatório sobre Clima e Desenvolvimento dedicado a Cabo Verde, em estreita colaboração com o Governo”, lê-se no mais recente boletim de atualização económica da instituição.

Fonte do Banco Mundial (BM) contactada pela Lusa referiu que a publicação deverá ser feita ainda este ano.

A instituição classifica Cabo Verde como “o país com o maior risco de desastres climáticos na África Subsariana e um dos níveis de risco mais elevados a nível global”.

Os episódios de secas cíclicas prolongadas, desertificação e eventos extremos de precipitação que causam cheias repentinas, especialmente nas áreas urbanas, são exemplos das ameaças.

A subida do nível do mar, a erosão costeira e a perda de biodiversidade e ecossistemas são problemas que afetam particularmente as praias e zonas costeiras, “pondo em risco a sustentabilidade do setor do turismo”, o motor da economia.

“As mudanças na temperatura da superfície do mar, salinidade, acidez e níveis de oxigénio terão provavelmente efeitos catastróficos nas pescas”, acrescenta o último boletim do BM em relação a outra área de atividade, a pesca, responsável pela maioria da exportação de bens e pela segurança alimentar.

No caso de Cabo Verde, um dos objetivos do relatório será ajudar a compreender os impactos das alterações climáticas sobre a quantidade de captura de peixe e a sua composição ao longo do tempo, algo “vital para construir resiliência e adaptação no setor”.

O BM destaca a parceria do Governo de Cabo Verde com a Universidade da Colúmbia Britânica (Canadá) para realizar um estudo abrangente sobre os impactos das alterações climáticas nas pescas, com ênfase na importância socioeconómica para o país.

Os relatórios CCDR foram produzidos inicialmente para 25 países e estão a ser implementados em todos os países do Grupo Banco Mundial.

O objetivo é envolver Governos, setor privado, meio académico, grupos de reflexão e a sociedade civil na discussão sobre as mudanças climáticas.

Enquanto documentos públicos, pretendem ajudar a enquadrar ações na agenda do desenvolvimento e clima, assim como sinalizar ações de alto impacto que podem atrair financiamento.

“Este diagnóstico central integra as mudanças climáticas com o desenvolvimento para ajudar a priorizar as ações mais eficazes na mitigação das emissões de gases com efeito de estufa”, acrescenta o BM.

Cabo Verde tem apresentado como um bom exemplo a nível internacional a iniciativa celebrada com Portugal de troca de dívida por financiamento orientado para o clima.

Portugal assumiu em 2023 o compromisso de ser o primeiro participante no fundo climático de Cabo Verde, com 12 milhões de euros, para projetos relacionados com o reforço de energias renováveis.

Ainda no que respeita às alterações climáticas, o Fundo Monetário Internacional (FMI) está a apoiar o arquipélago com um financiamento de 31,7 milhões de dólares (29,3 milhões de euros) ao abrigo do Mecanismo de Resiliência e Sustentabilidade (RSF).

O apoio destina-se aos esforços do Governo em áreas relacionadas com a captação de investimento externo e reformas governamentais para mitigação das alterações climáticas e transição energética.

O primeiro-ministro de Cabo Verde, Ulisses Correia e Silva, tem defendido a criação de novos mecanismos de financiamento para os pequenos Estados insulares poderem enfrentar alterações climáticas sem recorrer às verbas orçamentadas para o desenvolvimento.

Da mesma forma, defende o recurso a índices ajustados às características dos Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento (SIDS, sigla inglesa), saudando a criação de um Índice de Vulnerabilidade Multidimensional pelas Nações Unidas, com a capacidade de ajustar a elegibilidade para financiamentos à realidade dos países.

segunda-feira, 9 de outubro de 2023

Investigadores alertam para perigos do inimigo do ambiente "greenwashing"


O "greenwashing" é uma ameaça para um mundo positivo para a natureza, por basear-se numa publicidade enganadora ou ilusória do contributo ambiental de uma entidade.

Segundo o estudo, da Universidade de Queensland, o “greenwashing” é uma ameaça para um mundo positivo para a natureza, por ser uma publicidade enganosa ou ilusória, difundida por uma entidade para apresentar uma imagem pública ambientalmente responsável.

Eleanor Milner-Gulland, professora da Universidade de Oxford, Reino Unido, diz citada no estudo que espera que o público não se deixe enganar e que analise sempre as mensagens.

Tal como acontece com o termo “net zero”, sobre neutralidade carbónica, em breve “começaremos a ver as empresas às quais compramos e os governos em que votamos a afirmar que estão a ser, a fazer ou a contribuir para uma natureza positiva”, dizem os investigadores.

E acrescentam que são precisas normas, para que seja claro o que é informação enganosa, e que haja transparência, para que os consumidores e eleitores distingam “greenwashing” de esforços genuínos de mudança para um mundo “positivo para a natureza”.

Os investigadores explicam que o conceito de natureza positiva se define como o que descreve um planeta onde o declínio ambiental é travado e a natureza melhora, (o conceito de net zero aplicado à biodiversidade).

Martine Maron, da Universidade de Queensland e que liderou o estudo, afirma que a natureza positiva é essencial para travar a atual situação de extinção em massa no mundo. E diz que muitos países e mesmo empresas estão a apoiar o conceito.

sexta-feira, 9 de junho de 2023

Serviços ecossistémicos


Os serviços do ecossistema ou serviços ambientais traduzem os benefícios que a humanidade retira dos ecossistemas e podem incluir bens materiais e/ou serviços imateriais.
As áreas florestais, por exemplo, além dos produtos mais imediatos como madeira, cortiça e frutos ou sementes, também contribuem para reduzir a poluição do ar, retendo partículas e poeiras, e para a purificação da água, capturam e armazenam carbono, reduzem a probabilidade de cheias e influenciam a precipitação a nível local e regional. Além disso, são também um espaço de lazer e recreio e melhoram a qualidade estética da paisagem.
Os serviços do ecossistema dividem-se em serviços de aprovisionamento (por exemplo a produção de alimento, fibra e madeira), de regulação (ciclo hidrológico, sequestro e armazenamento de carbono), culturais (de recreio) ou de suporte (fertilidade do solo e ciclo de nutrientes). O conceito está diretamente relacionado com as funções dos ecossistemas e com a sua biodiversidade, da qual dependem. A degradação dos ecossistemas e a perda de biodiversidade afetam estes serviços.
Neste sentido, a conservação da biodiversidade é essencial à manutenção do funcionamento e dos serviços do ecossistema. Como lembra o relatório da União Europeia Ecosystem Services and Biodiversity (2015), “apesar da sua importância para as pessoas, muitos foram tomados como garantidos no passado, sendo vistos como livres e infinitos”.
Como explica este relatório, o conceito tornou-se mais conhecido na viragem para o século XXI, com o projeto global Millennium Ecosystem Assessment (MEA) que procurou determinar como as alterações nos ecossistemas afetariam o bem-estar humano. Desenvolveram-se depois outros métodos e nomenclaturas para tentar definir e avaliar os serviços de ecossistema, como o TEEB – The Economics of Ecosystems and Biodiversity, IPBES – Intergovernmental Platform on Biodiversity and Ecosystem Services e CICES – Common International Classification of Ecosystem Services.
O MEA definiu os serviços do ecossistema como “os benefícios que as pessoas obtêm dos ecossistemas” e divide-os em quatro categorias:
– Serviços de Suporte – processos naturais que são necessários para a produção e que mantêm todos os outros serviços, tais como o ciclo de nutrientes e a formação do solo;
– Serviços de Provisão ou Aprovisionamento – bens ou produtos provenientes do ecossistema, que incluem alimentos (como bagas, cogumelos ou mel), água doce, madeira, resina, caça, entre outros;
– Serviços de Regulação – benefícios que se obtêm da regulação e controlo do ecossistema sobre os processos naturais e que incluem serviços como a purificação do ar, a filtragem da água, a prevenção da erosão ou a regulação do clima por via do sequestro de carbono.
– Serviços Culturais e de Recreio – experiências e benefícios obtidos quando em proximidade com a natureza em atividades recreativas, turismo ou contemplação da paisagem.
Há quem siga o sistema definido pelo MEA, outros a classificação proposta na iniciativa TEEB, outros ainda a classificação do IPBES. Paralelamente há países que seguem uma classificação própria adaptada à sua realidade, como os sistemas de classificação do Reino Unido (UK National Ecosystem Assessment – UK NEA) e Bélgica (CICES-BE).
Atualmente o sistema de classificação mais utilizado pelos cientistas e decisores para os serviços do ecossistema é o CICES, que foi criado em 2009, permitindo uma abordagem mais integradora e holística que visava reunir informação capaz de integrar os sistemas de contabilidade nacionais. O CICES veio estabelecer equivalências entre os vários sistemas disponíveis à data, mencionados acima, e facilitar a avaliação dos serviços dos ecossistemas.
O CICES propõe uma classificação internacional comum que viabiliza o cálculo económico do valor dos serviços do ecossistema e que permite incluir o seu valor no Sistema de Contabilização Económico e Ambiental criado pelas Nações Unidas e usado pela Agência Europeia do Ambiente. Ao contrário do MEA, o CICES reconhece apenas três principais categorias de serviços do ecossistema:
– Serviços de Provisão – produtos obtidos dos ecossistemas para alimento (como as culturas agrícolas e a criação de animais) e os materiais (fibras e outros recursos provenientes de plantas, algas e animais).
– Serviços de Regulação e Manutenção – benefícios obtidos por manutenção das condições físicas, químicas e biológicas como o sequestro de carbono ou pela mediação dos fluxos como a proteção do solo e prevenção de erosão.
– Serviços Culturais – interações físicas e intelectuais com os ecossistemas e paisagens, como o turismo e interações simbólicas ou espirituais.
Os serviços de suporte (como a reciclagem de nutrientes e a formação do solo) definidos no MEA são considerandos no CICES como parte subjacente às estruturas, processos e funções que caracterizam os ecossistemas.

quinta-feira, 11 de maio de 2023

Música do BioTerra: Helen Ganya - Little Match Girl


Little Match Girl foi escrita para a instituição de caridade de mudança climática de Brian Eno, Earth Percent, como parte de sua recente campanha do Dia da Terra 2023. A Terra também é creditada como co-autora da faixa, que faz parte de outra campanha para centralizar e (literalmente) incluir a Terra na música que fazemos, com fundos destinados a organizações lideradas pelo clima.

Uma reviravolta no conto sombrio, LMG é reinterpretado para incluir a urgência do agora sem desespero total.

quarta-feira, 10 de maio de 2023

Ingredientes para uma boa utilização do dinheiro dos contribuintes da UE em projetos que visem a neutralidade climática


A União Europeia disponibilizou somas de dinheiro sem precedentes para apoiar os seus Estados-Membros na corrida para a descarbonização. O instrumento de recuperação inicial de 800 mil milhões de euros, revelado durante a pandemia, foi seguido pelo financiamento RePowerEU, destinado a libertar a Europa dos combustíveis fósseis russos, e é agora prosseguido pelo Plano Industrial do Pacto Ecológico para ganhar independência estratégica na corrida mundial às tecnologias limpas.

Nesta onda de financiamento da UE, os países da Europa Central e Oriental destacam-se como alguns dos maiores beneficiários. Para estes países, ainda fortemente ligados ao consumo de carvão, petróleo e gás, o financiamento específico da UE representa uma oportunidade única para quebrar o círculo vicioso dos combustíveis fósseis. Um estímulo financeiro bem orientado poderia desencadear uma nova cultura de desenvolvimento sustentável na região, baseada na poupança de energia, na renovação de edifícios, em fontes de energia limpas, na eletrificação dos transportes e na capacitação dos cidadãos para a transição ecológica.

No entanto, a utilização das rubricas orçamentais da UE ainda não se traduziu necessariamente em progressos na consecução dos objetivos climáticos nessa região. As organizações da sociedade civil têm denunciado uma tendência para financiar investimentos sobredimensionados, demasiado caros e desnecessários com dinheiro da UE. Muitas vezes, as verbas destinadas à transição ecológica acabaram por ser desperdiçadas em projetos ineficazes ou mesmo prejudiciais para os objetivos ambientais e climáticos da UE.

Para controlar o dinheiro dos contribuintes da UE e avaliar o seu impacto, as organizações sem fins lucrativos que trabalham no território dos países da Europa Central e Oriental lançaram uma base de dados de práticas exemplares e evitáveis na utilização dos recursos da UE para a neutralidade climática. Com mais de 100 estudos de caso de diferentes países, a plataforma recolhe uma série de lições aprendidas sobre a forma como os governos podem utilizar eficazmente o dinheiro da UE para reduzir as emissões.

Com base em histórias de sucesso, destacámos algumas direções que todas as administrações devem seguir na utilização do dinheiro dos contribuintes da UE em projetos que visem a neutralidade climática.

1. Envolver os cidadãos
A UE tem um grave problema se a transição ecológica acabar por ser vista como a vaca leiteira de alguns. As grandes empresas e as elites locais têm ficado com a maior parte do financiamento da UE no que diz respeito a projetos no domínio do clima e da energia. Este facto é frequentemente justificado pela dimensão e complexidade técnica das tarefas. No entanto, a realidade indica que as entidades públicas, as cooperativas e as comunidades energéticas tendem a ser deixadas de fora da equação, simplesmente porque o seu valor acrescentado para os projetos financiados pela UE é largamente ignorado. No entanto, como atestam alguns projectos na região dos PECO, os benefícios sociais multiplicam-se quando os cidadãos se tornam parte activa da transição ecológica

2. Reforçar o músculo público
Uma transição ecológica significativa exige não só a apropriação pelos cidadãos, mas também pelos governos regionais e locais. A administração desempenha um papel crucial para evitar que os fundos da UE sofram atrasos, sejam bloqueados ou sejam mal orientados. A falta de capacidade administrativa para gerir corretamente os fundos e programas da UE é uma persistente dor de cabeça para os governos da Europa Central e Oriental. Muitos deles decidiram recorrer ao financiamento europeu precisamente para inverter a situação e aumentar os seus recursos e pessoal, a fim de ajudar os cidadãos, as empresas e as pequenas administrações nos seus esforços para alcançar a neutralidade climática.

3. Poupar energia em primeiro lugar
Os governos apressam-se muitas vezes a investir os fundos da UE em novas construções reluzentes em vez de renovarem as existentes - enquanto 75% dos edifícios na Europa são considerados ineficientes do ponto de vista energético. Só renovando os edifícios e substituindo as caldeiras a combustíveis fósseis por bombas de calor é que a Europa poderá reduzir o enorme desperdício de energia nas suas infra-estruturas. As rubricas orçamentais da UE disponíveis constituem uma grande oportunidade para os Estados da UE libertarem todo o seu potencial inexplorado de poupança de energia. A redução da procura de energia deve ser a primeira prioridade de qualquer governo que pretenda combater as emissões e as elevadas faturas de energia.

4. Investir na adaptação às alterações climáticas
Prevê-se que as secas, as inundações e outros fenómenos climáticos extremos se tornem mais frequentes e mais intensos na Europa e os governos têm de estar preparadas para isso. A resiliência é mais do que uma palavra de ordem entre os funcionários da UE. Para obter resultados sustentáveis a longo prazo para os cidadãos, a afetação dos fundos da UE deve ter em devida conta os potenciais efeitos adversos das alterações climáticas. São necessários mais espaços verdes, zonas de arrefecimento e recuperação da natureza para tornar as cidades e as regiões resistentes ao aquecimento global.

5. Impulsionar os transportes com emissões zero
Se há um setor que depende de grandes investimentos públicos, dadas as suas necessidades em termos de infra-estruturas, é o dos transportes. Com o atual financiamento da UE, os governos podem realmente fazer a diferença na orientação do setor para emissões zero. O caminho-de-ferro deve ser um investimento prioritário, pois é a modalidade que mais pode contribuir para a descarbonização dos transportes de média e longa distância na Europa. As administrações locais devem aproveitar as oportunidades de financiamento da UE para eletrificar os seus sistemas de transportes públicos. Os fundos da UE podem desempenhar um papel crucial na promoção daquele que é o modo de transporte mais eficiente e mais limpo em curtas distâncias: andar de bicicleta e a pé.

6. Mão firme contra as más práticas
A corrupção, a especulação e a utilização indevida dos fundos da UE causaram danos significativos ao ambiente e comprometeram os objetivos climáticos da UE. É essencial que a Comissão Europeia aumente a sua vigilância sobre a utilização dos fundos da UE pelos Estados-Membros. Enquanto distribuidora do dinheiro dos contribuintes da UE, a Comissão deve ser a guardiã do princípio de "não regressão" e de "não prejudicar significativamente". Não basta promover as boas práticas; é também necessária uma abordagem enérgica contra as más práticas.

segunda-feira, 20 de março de 2023

IPCC entrega ao planeta um “guia de sobrevivência para a humanidade”

“As nossas escolhas e acções durante esta década terão impactos agora e durante milhares de anos”, diz relatório síntese do IPCC, que reforça apelo ao investimento na adaptação e justiça climática.


Até 2030, é necessário acelerar a acção para as sociedades humanas se adaptarem às alterações climáticas causadas pelas emissões de gases com efeito de estufa, se queremos ter alguma oportunidade de limitar o aquecimento global a 1,5 graus acima dos valores anteriores à Revolução Industrial – uma meta ainda possível, mas que se torna cada vez mais distante.

Isto é o que se conclui ao ler o Relatório Síntese do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC) divulgado nesta segunda-feira, na Suíça, que faz um resumo de todos os relatórios do 6º Ciclo de Avaliação que foram publicados entre 2018 e 2023, produzidos por um enorme grupo internacional de cientistas que trabalham sob a égide das Nações Unidas para avaliar as marcas das mudanças do clima.

O relatório baseia-se no conteúdo de seis outros: um baseado na Física das Alterações Climáticas, outro nos Impactos, Adaptação e Vulnerabilidade, um terceiro na Mitigação das Alterações Climáticas. Há também três relatórios especiais: sobre os efeitos de um aquecimento global de 1,5 graus, os Solos e os Oceanos e a Criosfera.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, disse que este relatório era um “guia de sobrevivência para a humanidade”. E acrescentou: “Este relatório é um apelo claro à intensificação de esforços climáticos de cada país e de cada sector e em qualquer período de tempo. O nosso mundo precisa de acção climática em todas as frentes: tudo, em todo o lado, tudo ao mesmo tempo”, disse, fazendo menção ao título do filme que venceu os Óscares este ano.
PÚBLICO -

O resumo do relatório para os decisores políticos coloca nas nossas mãos a responsabilidade sobre o que já é o nosso presente e o nosso futuro: “As nossas escolhas e acções durante esta década terão impactos agora e durante milhares de anos”, lê-se.

“Manter o aquecimento em 1,5 graus Celsius acima dos valores pré-industriais exige reduções rápidas, profundas e sustentadas em todos os sectores. As emissões deviam estar já a reduzir-se e terão de ser cortadas em cerca de metade até 2030, se queremos limitar o aquecimento até 1,5 graus”, lê-se no relatório. É preciso cortar 43% nas nossas emissões de gases com efeito de estufa até 2030, em comparação com os valore de 2019.

Temos de correr em vez de andar
“Estamos a andar, quando devíamos estar a correr”, disse Hoesong Lee, presidente do IPCC, na conferência de imprensa transmitida online em que foi apresentado o documento.

O relatório apresenta as tendências, que não são animadoras. “As reduções até 2030 de gases com efeito de estufa que se deduzem das contribuições determinadas nacionalmente [NDC, a sigla em inglês, os compromissos de cada país para reduzir as suas emissões] anunciadas até Outubro de 2021 tornam provável que o aquecimento exceda 1,5 graus durante o século XXI e tornam mais difícil que o aquecimento fique abaixo de dois graus Celsius”, diz o relatório, que é assinado por 93 cientistas. “Sem um reforço das políticas projecta-se um aquecimento global de 3,2 graus até 2100 (previsão de média confiança)”, acrescentam.

“Há lacunas entre as emissões projectadas a partir das políticas postas em prática e as relatadas nos NDC, e os fluxos financeiros ficam aquém dos níveis necessários para cumprir os objectivos climáticos em todos os sectores e regiões”, escrevem os cientistas, numa avaliação a que é conferido um nível de elevada confiança.

Porém, o documento deixa uma mensagem de esperança: “Há múltiplas opções, eficazes e exequíveis, para reduzir as emissões de gases com efeito de estuda e adaptarmo-nos às alterações climáticas motivadas pela actividade humana, e estão disponíveis já”.

PÚBLICO -

O relatório dá exemplos dessas medidas de adaptação, que podem ser por exemplo conservação dos solos, gestão dos recursos hídricos, diversificação na agricultura, aumentar a presença de espaços verdes nas cidades, restauro de zonas húmidas.

A questão é conseguir aplicar estas soluções com a rapidez e extensão necessárias para reduzir as emissões de gases com efeito de estufa, sublinhou Hoesong Lee. Para isso é preciso aumentar o financiamento da adaptação e mitigação, sobretudo dos países e comunidades mais vulneráveis. Os modelos usados pelo IPCC mostram que seria preciso aumentar três a seis vezes o nível actual de financiamento (público, privado, nacional e internacional) para limitar o aquecimento a 1,5 ou dois graus, em todos os sectores e regiões.

“O acesso ao financiamento permitiria acelerar a acção climática”, diz o relatório. “Pode funcionar como um catalisador para acelerar adaptação e mitigação e permitir o desenvolvimento com resiliência ao clima”, dizem os cientistas.

“Há liquidez e capital global suficiente, dadas as dimensões do sistema financeiro global, mas há barreiras à redirecção do capital para a acção climática, “tanto no sector financeiro como no contexto das vulnerabilidades económicas e da dívida que enfrentam os países em desenvolvimento”, realçam. Reduzir estas barreiras é uma tarefa para os Governos, sublinha o relatório do IPCC.

Actualmente, há mais financiamento a fluir para os combustíveis fósseis do que para adaptação e mitigação (redução de emissões) climática”, refere ainda o documento aprovado este fim-de-semana que é divulgado esta segunda-feira. E, embora a mitigação receba muito mais dinheiro do que a adaptação, ainda assim é muito menos financiamento do que seria necessário.

Proteger os mais pobres
Se já não há dúvida de que a actividade humana está a causar as alterações climáticas, o relatório do IPCC diz-nos que chegou a altura de pagar o preço pelos efeitos que o clima alterado está a ter na nossa vida e na vida da Terra– mais e mais intensas tempestades, cheias, secas, por exemplo?

Temos as provas mais sólidas de sempre que as perdas e danos das alterações climáticas estão a acontecer em todas as regiões, respondeu a uma pergunta do PÚBLICO na conferência de imprensa a partir de Interlaken, na Suíça, o cientista sul-africano Christopher Trisos. “Mas também de que os grupos de mais baixos rendimentos sofrem as maiores lacunas de adaptação”, sublinhou.

Por isso o relatório põe a tónica na necessidade de haver justiça climática, de não serem deixados para trás nos esforços de mitigação e adaptação às alterações climáticas os mais pobres, sejam eles países em desenvolvimento com uma grande dívida externa ou os grupos mais vulneráveis numa sociedade. “Temos um nível alto de confiança nos dados que mostram que há maiores ganhos de bem estar social, sobretudo em áreas urbanas, se dermos prioridade a reduzir os riscos climáticos que atingem os indivíduos de rendimentos mais baixos ou marginalizados”, frisou Christopher Trisos.

A chave é a “a resiliência” climática. “O desenvolvimento resiliente do clima torna-se um desafio cada vez maior com cada incremento do aquecimento. É por isso que as escolhas feitas nos próximos anos desempenharão um papel crucial na decisão do nosso futuro e o das gerações vindouras", sublinha o comunicado de imprensa sobre o relatório.

Para serem eficazes, as escolhas que temos de fazer têm de estar enraizadas nos nossos diversos valores, visões de mundo e conhecimentos, incluindo o conhecimento científico, o conhecimento indígena e o conhecimento local, destaca o comunicado. “Esta abordagem irá facilitar o desenvolvimento resiliente do clima e permitir soluções localmente apropriadas e socialmente aceitáveis", diz o comunicado.

Perdas e danos
"A justiça climática é crucial porque aqueles que menos contribuíram para as alterações climáticas estão a ser desproporcionadamente afectados", disse Aditi Mukherji, uma cientista que está entre os 93 autores deste Relatório de Síntese. A factura a pagar pela crise climática tem sido um dos temas mais polémicos do debate sobre a crise climática.

O relatório traz para o centro das atenções a questão das perdas e danos “que já estamos a sofrer e continuaremos a sofrer no futuro, atingindo os mais pessoas vulneráveis e ecossistemas”, refere o comunicado de imprensa, sublinhando, no entanto, que "tomar agora a acção certa poderia resultar na mudança transformacional essencial para um mundo sustentável e equitativo".

Na cimeira do clima da ONU (COP27) que se realizou no ano passado no Egipto foi, finalmente, aprovada a criação de um mecanismo sobre "perdas e danos" que visa compensar os países mais frágeis. No entanto, o fundo ainda não está criado e há muitas coisas ainda a definir, como quem paga o quê e quem recebe o quê.

"O que precisamos é de vontade política e dos cidadãos, apoio público para que se tomem acções imediatas", sublinhou Hoesong Lee, na conferência de imprensa. Este relatório será a base da avaliação global do ponto em que estamos do cumprimento do Acordo de Paris, que será feita na Cimeira do Clima das Nações Unidas deste ano, a COP28, nos Emirados Árabes Unidos.

Ainda há espaço para alguma esperança no mais recente relatório do IPCC. Mas os avisos soam a verdadeiros ultimatos. Parece que o tempo de perguntar "agora ou nunca" acabou. A acção tem de ser imediata, não há escolha.

Saber mais:

domingo, 19 de março de 2023

Qual o estado das ações climáticas em 2023?


Lentamente, estão a acontecer alterações para inverter alguns dos danos que causámos ao ambiente. As empresas estão finalmente a subir a fasquia para impulsionar as mudanças necessárias, o que está bem atrasado tendo em conta os efeitos nocivos das embalagens, produção em massa, construção, mão-de-obra barata, poluição, seleção de materiais e muito mais.

Os consumidores estão também a tornar-se mais conscientes e a fazer escolhas conscientes para utilizar o poder do dólar na procura de produtos e serviços sustentáveis. Enquanto ainda estamos a lutar contra a acessibilidade de preços versus escolhas conscientes, os consumidores estão a forçar as empresas a conformarem-se ao entusiasmo que abraça a ação climática. Aqui estão, segundo o “Inhabitat”, algumas formas de vermos isto acontecer.

Apontar para o “net zero”.
É um tema que é discutido nas casas, nas comunidades, no país e em todo o mundo. Cada indivíduo e organização está a ser chamado para reduzir a sua pegada de carbono. A população global está a aceitar visivelmente o objetivo de alcançar o estatuto líquido zero até 2050. Essa meta está a menos de 27 anos e as empresas precisam de duplicar as suas promessas – literalmente.

Segundo um relatório da Accenture, “enquanto mais de 34% das maiores empresas do mundo estão empenhadas em atingir o “net zero”, quase todas (93%) não conseguirão atingir os seus objetivos se não conseguirem pelo menos duplicar o ritmo de redução das emissões até 2030″.

Este fosso entre as boas intenções e o sucesso real levou a uma infinidade de opções de consultoria para as empresas. Estas organizações ajudam as empresas a estabelecer objetivos tangíveis, a organizar as mudanças necessárias para atingir esses objetivos e a manter o negócio no bom caminho durante a viagem. Isto inclui passos como a avaliação da cadeia de abastecimento, impacto da terra e da água, efeitos sobre as populações de animais selvagens e métodos de transporte.

Energia renovável
Tanto no domínio residencial como no empresarial, assistimos a um enorme aumento na adoção de energias renováveis. Estes sistemas não são novos. O moinho de vento e a roda d’água existem desde as primeiras civilizações. No entanto, a tecnologia está a avançar, resultando em opções mais acessíveis, mais leves, compactas e eficientes.

Agora uma casa pode contar com um único painel solar para aquecer a banheira de água quente ou o aquecedor de água. Da mesma forma, dependemos cada vez mais da energia solar para iluminação de percursos e com sensores de movimento.

Os painéis solares estão a cobrir os telhados das empresas em todo o mundo, à medida que as poupanças de custos se tornam mais visíveis.

Mesmo em áreas onde a luz solar não é tão predominante, as opções geotérmicas, eólicas, hídricas, de biomassa e nucleares estão a crescer em popularidade, reduzindo o consumo de combustíveis fósseis como o carvão, o petróleo e o gás natural. A sua utilização está a aumentar em quintas, fábricas e edifícios de escritórios, num esforço para promover a eficiência energética, custos mais baixos e ações amigas do ambiente.

Aumento dos empregos ambientais
Embora necessitemos sempre de profissionais da banca, medicina, ciência, comércio, artesanato e educação, os campos de carreira do futuro estão diretamente orientados para as indústrias verdes.

O site de promoção de emprego LinkedIn relatou um aumento de 40% nas competências verdes como um requisito de emprego, com base em listas de empregos globais. De facto, a maioria dos sites de listagem de empregos, podcasts e blogs estão a mudar o foco para empregos verdes também. Vejam os trabalhos técnicos e de engenharia relacionados com turbinas eólicas, painéis solares, sistemas geotérmicos e muito mais.

Produção alimentar
O planeta está a sentir a tensão da produção alimentar. Desde o metano libertado pelas vacas leiteiras e de carne de vaca até à quantidade de terra dedicada a monoculturas como o milho, a agricultura está a deixar um enorme impacto na sua esteira. No entanto, com os dados à nossa frente, a indústria está a começar a fazer mudanças. Embora não esteja sequer perto de ser suficiente, estamos a colocar as ferramentas para que as mudanças ganhem velocidade. Estas mudanças incluem o aumento dos incentivos financeiros para os agricultores e a melhoria da educação sobre os efeitos das práticas agrícolas. Também tem havido um aumento significativo de tecnologias inovadoras.

Além disso, a investigação e desenvolvimento de alimentos alternativos está a aumentar e os produtos à base de plantas estão a inundar as prateleiras. Todas estas táticas visam a redução das emissões de carbono, metano e óxido nitroso, bem como o sequestro de carbono.

Materiais orgânicos e naturais
Todos nós partilhamos um ecossistema e cada ação que tomamos cria um efeito de ondulação. Por exemplo, o plástico é um inimigo do planeta. Não há duas formas de o fazer. É um produto baseado no petróleo que depende da recolha e transporte de combustíveis fósseis. Para além disso, cada pedaço de plástico alguma vez produzido ainda se encontra algures no planeta. Está a poluir a água e a terra. Foram encontrados microplásticos minúsculos nos sistemas de todos os seres vivos do planeta, desde bebés a animais.

Roupas, sapatos, acessórios, decoração doméstica, roupa de cama e muitos outros artigos com que entramos em contacto são feitos de uma mistura de materiais que incluem plástico de alguma forma. Considere alguns dos nomes alternativos para plástico, tais como acrílico ou polimetacrilato de metilo (PMMA), policarbonato (PC), polietileno (PE), polipropileno (PP), tereftalato de polietileno (PETE ou PET), cloreto de polivinilo (PVC) e acrilonitrilo-butadieno-estireno (ABS).

Durante a produção, utilização e após eliminação, estes produtos estão a criar um fluxo de resíduos que não podemos manter. O monstro plástico será difícil de derrotar, mas o reconhecimento do seu impacto em todo o ciclo de vida está a motivar os consumidores e as empresas a regressar aos materiais naturais.

Há um movimento para criar plásticos a partir de materiais de base biológica que funcionam da mesma forma. Muitas empresas têxteis estão a mudar para cadeias de abastecimento limpas para obter materiais naturais como bambu, eucalipto, algodão orgânico, cânhamo, folhas de banana, algas e muito mais. Estes materiais não só vêm com um rótulo mais seguro, como podem biodegradar-se ou mesmo voltar a ser compostados no solo após a sua utilização pelo consumidor.

Veículos elétricos
Segundo o Fundo de Defesa Ambiental (EDF) informa que “mais de 30 milhões de camiões nas estradas dos EUA geram 7% das emissões de GEE dos EUA – mais do que a aviação, a navegação marítima e o transporte ferroviário combinados”.

“Quase todos os modos de transporte têm agora uma versão totalmente elétrica. Temos aviões, comboios, barcos, camiões, autocarros e carros. O governo federal comprometeu-se a converter quase todos os veículos federais em veículos elétricos ou outras formas de operação net zero até ao ano 2035. Os consumidores também estão a aderir à ideia, procurando opções híbridas e elétricas a números recorde. À medida que a infraestrutura cresce para apoiar a indústria e que os preços descem, os VE tornar-se-ão correntes, a não ser que uma tecnologia ainda melhor chicoteie o mercado”, conclui o “Inhabitat”.

quinta-feira, 9 de março de 2023

Praticamente nenhum lugar da Terra está livre de poluição do ar: só 0,001% da população mundial vive em níveis seguros


Apenas 0,18% da superfície terrestres e 0,001% da população mundial vive em níveis de poluição considerados seguros pela Organização Mundial da Saúde (OMS), de acordo com o primeiro estudo global sobre a poluição do ar.

Este trabalho, o primeiro a medir as partículas de poluição PM2.5 no mundo, revela que, nos últimos 20 anos, a Europa e a América do Norte reduziram os seus níveis de poluição do ar, enquanto na Ásia, Austrália, Nova Zelândia, América Latina e Caraíbas estes aumentaram.

Durante décadas, a falta de estações de controlo da poluição do ar impossibilitou o conhecimento de dados sobre a exposição local, nacional e global ao PM2.5 - as micropartículas mais nocivas para a saúde ambiental.

Agora, pela primeira vez, uma equipa de cientistas liderada por Yuming Guo, da Monash University, em Melbourne, na Austrália, produziu um mapa da evolução do PM2.5 nas últimas duas décadas, com os resultados serem publicados nesta terça-feira no "Lancet Planetary Health", noticiou a agência Efe.

Ao conduzir o estudo, a equipa utilizou observações tradicionais de monitorização da qualidade do ar, detetores meteorológicos e de poluição do ar por satélite e métodos estatísticos e de inteligência artificial para avaliar com mais precisão as concentrações globais de PM2.5.

O estudo detalha que, apesar de uma ligeira diminuição nos dias de alta exposição a PM2.5 em todo o mundo, em 2019 mais de 70% dos dias continuaram com concentrações de PM2.5 superiores a 15 µg/m³ [microgramas por metro cúbico].

Somente no sul e leste da Ásia, mais de 90% dos dias apresentaram concentrações diárias de PM2.5 superiores a 15 µg/m³.

Além disso, a Austrália e a Nova Zelândia tiveram um aumento acentuado no número de dias com altas concentrações de PM2.5 em 2019. Globalmente, a média anual de PM2.5 de 2000 a 2019 foi de 32,8 µg/m3, de acordo com o estudo.

Estes dados, em contraste com as diretrizes da OMS 2021, mostram que apenas 0,18% da área terrestre global e 0,001% da população global foram expostos a exposições anuais abaixo desse limite de diretriz (média anual de 5 µg/m³) em 2019.

O estudo também mostra diferentes padrões sazonais, como níveis mais baixos de poluição no nordeste da China e norte da Índia durante os meses de inverno (dezembro, janeiro e fevereiro) e níveis mais altos de PM2.5 nas áreas do norte da América durante os meses de verão (junho, julho e agosto).

"Também registamos poluição atmosférica relativamente alta de PM2.5 na América do Sul em agosto e setembro e na África subsaariana de junho a setembro", acrescentou Yuming Guo.

Para o cientista, conhecer estes dados é importante porque "fornecem um conhecimento aprofundado sobre o estado atual da poluição do ar externo e o seu impacto na saúde humana".

"Com estas informações, os políticos, autoridades de saúde pública e investigadores podem avaliar melhor os efeitos de curto e longo prazo da poluição do ar na saúde e desenvolver estratégias para mitigá-la", defendeu o investigador.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2022

Frio extremo congela parcialmente as Cataratas do Niágara. Eis as imagens.

No entanto, a quantidade e movimentação enorme de água nunca permitirá que as cataratas congelem completamente.

O ‘ciclone-bomba’ que se abateu sobre os Estados Unidos congelou parcialmente as Cataratas do Niágara, situadas na fronteira entre o Canadá e o estado norte-americano de Nova Iorque, um dos mais afetados pela tempestade ‘Elliot’.

Este cenário de inverno captou a curiosidade dos turistas, que rumaram até ao local, apesar das temperaturas gélidas, tal como poderá verificar na galeria acima.

Contudo, ainda que parcialmente congeladas, a quantidade e movimentação enorme de água nunca permitirá que as cataratas congelem completamente, segundo a página do Niagara Falls USA Tourism.

De notar que, depois de a governadora de Nova Iorque, Kathy Hochul, ter apelado à administração norte-americana para que declarasse o noroeste daquele estado como zona de catástrofe, devido à passagem da tempestade ‘Elliot’, que provocou 27 mortos no estado de Nova Iorque, 18 dos quais na cidade de Buffalo, o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, prometeu à governadora "os recursos necessários" para superar a situação.

Causada por uma frente fria ártica, a tempestade tem assolado os Estados Unidos, desde a zona dos Grandes Lagos, na fronteira com o Canadá, até ao Rio Bravo, ou Rio Grande, na fronteira com o México, afetando cerca de 60% da população dos EUA.

As temperaturas muito abaixo do normal para a época que atingiram todos os estados norte-americanos deverão manter-se durante a semana, obrigando ao cancelamento de voos e deixando as estradas perigosas para circulação, além de terem levado a um corte de energia em quase 1,7 milhões de casas e empresas.

Em Buffalo e na fronteira com o Canadá, as condições meteorológicas foram as piores da História destas regiões, mantendo-se as cidades completamente cobertas de neve e os aeroportos fechados.

Em várias cidades da costa leste, e até no estado da Flórida, conhecido pela temperatura amena, os termómetros marcaram mínimas que não eram atingidas há várias décadas.

A cidade de Nova Iorque alcançou uma temperatura mínima de -10,5°C no dia de Natal, o que não acontecia desde 1872, enquanto Washington, a capital dos EUA, esteve com -10°C naquele que foi o Natal mais frio desde 1983 e Tampa, na Florida, chegou a marcar temperaturas abaixo de zero, o que não se verificava desde 1966.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2022

UE chega a acordo sobre comércio de emissões e fundo social para o clima

Fonte: CAN

Medidas acordadas podem levar ao aumento dos preços dos combustíveis fósseis para os consumidores
Os governos e legisladores da União Europeia chegaram este domingo a um consenso sobre os principais elementos do acordo verde europeu que cria um fundo para os mais afetados pelas medidas para conter as alterações climáticas.

Os dois lados concordaram em pressionar as indústrias e empresas de energia europeias para reduzirem as suas emissões de dióxido de carbono em 62% até 2030 face aos níveis de 2005, em comparação com uma meta de 43% prevista nas regras anteriores.

Para garantir igualdade de condições, a UE também introduzirá um imposto sobre as empresas estrangeiras que desejam importar produtos que não respeitem os padrões de proteção do clima que as empresas europeias devem cumprir.

Os governos e o Parlamento Europeu também concordaram em estender o sistema de comércio de emissões europeu para abranger o transporte rodoviário e o aquecimento de edifícios a partir de 2027. A medida provavelmente levará ao aumento do preço da gasolina, gás natural e outros combustíveis fósseis para os consumidores, incentivando a mudança para alternativas mais limpas.

O acordo inclui uma cláusula de emergência que permite que a introdução da medida seja adiada por um ano se os custos de energia forem particularmente altos.

Perante a atual crise energética que alimentou a inflação na Europa, os negociadores concordaram em criar também um fundo social para o clima que ajudará famílias vulneráveis e pequenas empresas a lidar com custos mais altos de combustíveis, decorrentes das novas medidas.

"Agora podemos dizer com segurança que a UE cumpriu as suas promessas com uma legislação ambiciosa e isso coloca-nos na vanguarda da luta contra as alterações climáticas globalmente", disse o ministro checo do Ambiente, Marian Jurecka, cujo país detém a presidência rotativa da UE.

O acordo provisório tem de ser formalmente adotado pelo Parlamento e pelos governos da UE e faz parte do pacote mais amplo "Fit for 55" do bloco, destinado a ajudar a UE a reduzir as suas emissões em 55% até 2030 em relação aos níveis de 1990.

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terça-feira, 13 de dezembro de 2022

Cheias de 2022 - Lisboa e distrito

Haveria de chegar o dia em que Lisboa teria literalmente Sete Rios. Hoje só assim...


Mau tempo em Lisboa. Saiba o que está fechado, zonas mais afetadas, transportes suspensos [Rádio Renascença]

Tudo expectável. É o resultado de muitos atropelos ao ordenamento territorial. É muita falta de respeito pela natureza! É muita inconsciência. É a vida... E esperamos agora, ainda, mais tormenta durante a tarde.

Construções em leitos de cheias, rios entubados, habitações nas encostas quando deviam ser só de árvores (cidades-esponja, como agora se diz) e celebridades que insistem que não há aquecimento global.

sábado, 1 de outubro de 2022

Fact Check: A emergência climática existe


Uma “Declaração Mundial sobre o Clima” assinada por mais de 1.100 pessoas, e compartilhada milhares de vezes nas redes sociais desde agosto de 2022, desafia o consenso científico de que o aquecimento global foi provocado pelo ser humano. As afirmações contidas no documento foram desacreditadas por especialistas e poucas das pessoas que assinaram o documento são cientistas da área. Alguns têm vínculos com a indústria petrolífera e organizações negacionistas em relação ao aquecimento global.

“FIM DE PAPO: 1.200 cientistas e profissionais de todo o mundo liderados pelo Prémio Nobel de Física norueguês Professor Ivar Giaever declaram: ‘Não existe emergência climática.’”, diz uma das publicações que circulam no Facebook, Twitter (1, 2) e Telegram, que incluem links para sites (1, 2) que reportaram a declaração.

Vínculos com a indústria petrolífera

O documento que circula é uma versão atualizada de um texto publicado em 2020 pela Fundação de Inteligência Climática (Clintel), organização com sede na Holanda e fundada por Guus Berkhout — geofísico aposentado que trabalhou para a gigante petrolífera Shell — e pelo jornalista Marcel Crok.

A Clintel descreve-se como uma “fundação independente” e promove os que assinaram o texto como “uma grande variedade de cientistas competentes”.

Seus fundadores desmentiram duas reportagens (1, 2) publicadas nos meios de comunicação holandeses, segundo os quais o dinheiro de companhias de combustíveis fósseis teria financiado o trabalho de Berkhout. “A Clintel nunca recebeu um centavo da indústria petrolífera”, disse Crok à AFP por e-mail em 2 de setembro de 2022.

Entre as cinco companhias petrolíferas mencionadas nos informes holandeses, a Shell comunicou à AFP via e-mail que “não estava ciente” de ter financiado Berkhout e a ExxonMobil disse que a afirmação de que havia financiado a organização era “inexata”. As outras três empresas recusaram-se a comentar.

No entanto, sete dos que assinaram a declaração foram identificados como funcionários da Shell e outros oito são empregados da indústria petrolífera. Crok confirmou à AFP que o próprio Berkhout trabalhou para a empresa Shell “faz uns 40 anos”. Além desses, assinaram o documento 13 engenheiros e geólogos da área do petróleo e diversos especialistas em mineração.

Vários dos signatários (1, 2) teriam ligações, fossem mencionadas na lista ou documentadas noutros registos, com grupos norte-americanos do livre mercado e céticos do clima vinculados à indústria petrolífera: o Heartland Institute, Competitive Enterprise Institute e o Cato Institute.

Cada um desses grupos recebeu dinheiro da gigante petrolífera ExxonMobil, segundo os documentos fiscais e de doadores publicados pelo Greenpeace (1, 2, 3). A companhia foi acusada de minar a ciência para proteger o seu negócio de combustíveis fósseis, algo que nega.

Posto de gasolina da Shell, na Inglaterra, em 7 de junho de 2022 ( AFP / Paul Ellis)

Poucos climatologistas

As afirmações do documento são seguidas de uma lista de 1.113 signatários de 40 países: 1.007 vivos e seis registados como falecidos (com uma cruz ao lado de seus nomes). Outros 26 são denominados “Embaixadores da Declaração Mundial sobre o Clima”, e um já faleceu.

Uma das assinaturas é a de Ivar Giaever, co-vencedor do Prémio Nobel de Física em 1973 pelo seu trabalho sobre supercondutores. O Google Académico indica que ele não publicou nenhum artigo sobre a ciência do clima.

Segundo uma contagem feita pela AFP, 10 signatários descreveram-se explicitamente como climatologistas ou cientistas do clima, menos de 1% do total. Alguns outros  denominaram-se especialistas em paleoclimatologia e ciências atmosféricas.

Também assinaram o documento aproximadamente 40 geofísicos, 130 geólogos e 200 engenheiros de diversas áreas, além de vários matemáticos, médicos e agrónomos.

Captura de ecrã feita em 7 de setembro de 2022 de alguns dos nomes que assinaram a “Declaração Mundial sobre o Clima” 

Entre os signatários estão um pescador, um piloto de avião, um sommelier, um músico, um advogado, um linguista, um professor aposentado, um urologista, um psicanalista e, pelo menos, três representantes sindicais de trabalhadores da energia.

O aquecimento global é um fato

Os documentos que afirmam, cientificamente, a existência do aquecimento global são mais completos do que a “Declaração Mundial sobre o Clima”. O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) convidou 721 especialistas de 90 países para serem autores e editores do Sexto Relatório de Avaliação em três partes, publicado entre agosto de 2021 e abril de 2022.

O relatório é a avaliação mais completa do conhecimento científico sobre a mudança climática. Cada parte tem 3.000 páginas. Os autores revisaram centenas de estudos listados por seções de referências e concluíram que há uma evidência “inequívoca” de que o clima está a aquecer como consequência das atividades humanas que envolvem a queima de combustíveis fósseis.

Numerosas publicações nas redes sociais colocaram em dúvida o consenso científico de que os seres humanos estão impulsionando o aquecimento global. No entanto, três análises de estudos climáticos dos últimos anos indicaram que o consenso está perto de 100% (1, 2, 3).

O presidente do IPCC, Hoesung Lee, rodeado de copresidentes, em uma entrevista coletiva a respeito o relatório especial sobre as mudanças climáticas e a Terra, em Genebra, em 8 de agosto de 2019 

Afirmações climáticas falsas

Apesar do consenso, a declaração viralizada nas redes diz que vários aspectos da ciência do clima ainda estão em debate. “O que conta não é o número de especialistas, mas a qualidade dos argumentos”, assinala a Clintel.

O documento inclui uma série de afirmações sobre o tema que foram desacreditadas por especialistas da área, e não fornece as fontes usadas. A AFP e outras organizações verificaram previamente vários dos argumentos:

1. “O clima da Terra tem variado desde que o planeta existe, com fases naturais de frio e calor… Portanto, não surpreende que agora estejamos vivenciando um período de aquecimento”.

Os especialistas citados nesta verificação da AFP em espanhol disseram que o aumento das temperaturas globais nos últimos 150 anos foi anormalmente agudo, impulsionado pelas emissões de carbono posteriores à industrialização.

2. “O mundo aqueceu significativamente menos do previsto pelo IPCC sobre a base do forçamento antropogénico modelado… A política climática baseia-se em modelos inadequados”.

Esta análise, realizada pela Carbon Brief, mostrou que alguns modelos projetavam menos aquecimento do que o visto e outros mais, porém, todos mostraram aumentos de temperatura na superfície entre 1970 e 2016 que não estavam muito longe do que realmente aconteceu. Os especialistas defenderam os modelos em declarações à AFP.

3. “Mais CO2 é favorável para a natureza, trazendo de volta o verde ao nosso planeta. O CO2 adicional ao ar tem promovido o crescimento da biomassa vegetal global”.

Os especialistas citados neste artigo da equipa de verificação alemã da AFP indicaram que as plantas só podem processar uma parte limitada do excesso de emissões de dióxido de carbono e sofrem os efeitos das mudanças climáticas.

4. “Não há evidência estatística de que o aquecimento global esteja intensificando o aparecimento de furacões, inundações, secas e desastres naturais similares, ou fazendo com que eles sejam mais frequentes”.

A World Weather Attribution (WWA) calculou, utilizando métodos que incluem análise de observação de conjunto de dados históricos, que vários desastres foram mais prováveis devido às mudanças climáticas, incluindo inundações e tempestades. Seus métodos foram descritos nesta verificação da AFP em inglês sobre incêndios florestais.