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quarta-feira, 22 de julho de 2026

Drab Majesty - Cold Souls

Melhor som aqui
Letra
When you walked away at dawn
I heard your song
And now it's on my mind
Made a design on the right side of my heart
It may be wrong
But it wasn't black or white

[refrão]
Wondering when I look at your life if I caught you dead and numb
If you were only just a dreamer
If we were all night

When you were dead I took you by your head
When you were dead I took you by your head

What a wasted ode to hope
My heart is on the line
Staring at the time
And I gazed amazed
While a quiet storm was born inside your eyes
All dressed in black and white

[refrão]

When you were dead I took you by your head (4X)

Ambiguidade emocional e luto em "Cold Souls" de Drab Majesty
O projeto musical Drab Majesty, oriundo de Los Angeles, Califórnia, destaca-se no cenário alternativo contemporâneo por sua fusão singular de sonoridade vintage e profunda carga conceitual. Idealizado pelo multi-instrumentista Andrew Clinco sob o alter ego andrógino Deb Demure, o projeto conta também com a colaboração do teclista e vocalista Mona D (Alex Nicolaou). A sonoridade do grupo, frequentemente autodenominada como "Tragic Wave", navega pelas vertentes do darkwave, post-punk, synth-pop e shoegaze, caracterizando-se por guitarras arpejadas repletas de chorus e delay, sintetizadores analógicos, ritmos marcados por drum machines e camadas densas e atmosféricas que remetem à estética de gravadoras emblemáticas dos anos 80, como a 4AD.

O conceito do Drab Majesty ultrapassa a dimensão puramente musical, amparando-se em uma complexa teia de influências filosóficas, literárias e esotéricas. Deb Demure adota uma postura de anulação do ego, posicionando-se não como um frontman tradicional, mas como um vaso ou canal transceptor responsável por captar frequências do universo. O visual andrógino, marcado por perucas platinadas, rostos pintados de branco e óculos escuros, busca transcender marcadores tradicionais de género, raça e individualidade. As suas composições dialogam com o hermetismo, o misticismo ocidental, a mitologia clássica - como o mito de Narciso - e a fenomenologia da ufologia e de cultos neocosmológicos dos anos 70 e 80.

A faixa "Cold Souls", integrante do aclamado álbum The Demonstration (2017), exemplifica essa proposta ao explorar temáticas de alienação, desapego material e paralisia emocional. Inspirado pela narrativa de movimentos como o culto Heaven's Gate e Unarius Academy of Science , o álbum e a canção abordam o corpo humano como uma mera "casca terrena", da qual a alma precisa se libertar em busca de transcendência e purgação espiritual. 

Leia também
  1. This is what Drab Majesty would play at their funeral
  2. Q&A: Deb DeMure & Mona D (Drab Majesty) Dispelled & Unmasked
  3. "Too Soon To Tell" if Drab Majesty will be gig of the year

domingo, 15 de março de 2026

Urze de Lume - Besta Soberana


Na linha de bandas como ROMErepresentando a melancolia das cinzas da Europa, os Urze de Lume são o fogo que ainda arde nas serras portuguesas. Falar da filosofia deste projeto nacional, liderado por Ricardo de Castro e Tiago de Castro, é mergulhar no que eles próprios chamam de "Música das Terras Ásperas", uma missão de resgate cultural que vai muito além da estética. O pilar central do seu pensamento é o atavismo, a recuperação de instintos ancestrais que a modernidade tentou apagar, focando num Portugal profundo, rural e pré-cristão. Esta música serve como uma ponte para um tempo em que o homem e a terra eram um só, manifestando um saudosismo espiritual e telúrico em vez de político.

A própria materialidade do som é uma declaração filosófica, rejeitando o sintético através do uso de instrumentos tradicionais como adufes, bandolins e gaitas-de-fole transmontanas, além de elementos orgânicos como ossos, pedras e o som do ofício manual de pastores e ferreiros. O nome "Urze de Lume" simboliza esta resiliência: a urze que cresce em solos pobres e o lume que purifica e aquece, sugerindo que a cultura portuguesa, embora pareça esquecida, pode sempre voltar a arder com a faísca certa. Diferente do Neofolk nórdico, a filosofia da banda foca no animismo ibérico e na sacralidade do solo, celebrando divindades pré-romanas como Endovélico e integrando sons reais das serras da Estrela ou do Gerês. Em resumo, os Urze de Lume propõem uma "Ecologia da Alma", um convite para olhar para as montanhas e para o silêncio dos campos, ecoando em cada batida de adufe o sentimento de que nascemos da terra e a ela voltaremos.

Site oficial
Urze de Lume

terça-feira, 10 de março de 2026

What are the world’s deadliest animals, and can we protect ourselves against them?

O artigo explica que, embora tenhamos medo de tubarões ou lobos, os animais que mais matam humanos são os mosquitos (cerca de 700.000 a 1 milhão de mortes/ano por doenças) e as cobras. O gráfico do Our World in Data mostra que o risco real está muito mais ligado à exposição a doenças e parasitas do que a ataques diretos de grandes animais.

One and a half million people are killed by animals every year. Almost one million by other animals, and more than half a million from direct conflict among ourselves.

Almost all of these deaths from other animals are caused by just two types: mosquitoes and snakes.

In the chart above, we’ve brought together estimates of the number of people killed by different animals.

These numbers are estimates, and some come with significant uncertainty. That’s why we’ve published a detailed methodology explaining our sources and how they compare. Despite this uncertainty, we feel confident about the relative orders of magnitude across different animals.1

The biggest killers, by far, are mosquitoes. They have been one of our biggest threats for millennia, and still kill approximately 760,000 people every year.2 Over 80% of those deaths are the result of malaria, which is transmitted and spread by the Anopheles mosquito. Malaria still kills close to half a million children every year.

Another 100,000 people die every year from other mosquito-borne diseases, including dengue fever and yellow fever (spread by the mosquito species Aedes aegypti) and Japanese encephalitis.

Almost all deaths from other animals are caused by just two types: mosquitoes and snakes.

Snakes are one of the most common phobias, and you can see why. They are the second largest killers. The death toll from venomous snakes is surprisingly uncertain, as many of these deaths occur in rural areas where death records are often poor.3 But the figure is likely to be around 100,000 deaths per year. That means snakes kill more than all animals below them on the list combined.4

Most of those remaining deaths are caused by dogs, the animals that humans have grown to love as domesticated pets. The majority are due to rabies, rather than direct wounds.

Near the bottom of the list, we reach the animals that dominate our nightmares — sharks and wolves. They make for gripping headlines and blockbuster films. But in reality, shark and wolf attacks are very rare.

Of course, they don’t kill fewer people because they’re less dangerous. We’d rather be locked in a room with a mosquito than a lion. The real difference is exposure: it’s much easier to avoid large predators than it is to avoid disease-carrying insects and parasites.5

The good news is that most deaths from animals — especially the largest killers — are preventable. We have bednets and insecticide sprays to reduce exposure to mosquitoes, and medication to treat malaria if someone does become infected. New techniques, such as the Wolbachia method, have been developed to stop the spread of dengue fever. Antivenoms can often save someone from a potentially fatal snakebite.6

The problem is that not everyone has access to these preventive and treatment methods when they need them.7 If these small killers received the same global attention as large predators, more effort might go into stopping them. That is one reason why these comparisons are useful: as a reminder of what people are actually dying from, and where the most lives could be saved.There are other diseases — in particular, neglected tropical diseases — that could also be dramatically reduced with better access to treatment.

In many regions, deaths from mosquitoes have decreased dramatically. Malaria was once prevalent in countries that are now free of it. If we could achieve this in all parts of the world, the number of deaths caused by other animals would be almost six times smaller.8

If we were to also eliminate deaths from snakes through the use of antivenoms and better diagnostics, the death toll would be again reduced by almost two-thirds.9


Methodology

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

Les Funérailles d'Hélios - La Demoiselle de la Seine




Elle marche seule sur les boulevards,
le brouillard la suit,
les lampadaires la regardent mourir.
Dans ses yeux,
un chœur de voix,
des fantômes qui parlent doucement.

[Refrão]
Pousse-moi,
dans les eaux noires,
la Seine m'appelle,
la Seine m'emporte.

Les mains froides la touchent,
les chaînes invisibles se resserrent,
son sourire est du verre brisé,
son cœur un tambour vide.

[Refrão]
Un seul pas,
un souffle suspendu,
l'eau s'ouvre,
l'eau l'engloutit.

[Refrão]

A canção "La Demoiselle de la Seine" faz parte do álbum intitulado Les Funérailles d'Hélios.
O álbum leva o mesmo nome do projeto musical. Ele foi lançado em 2021 e funciona como uma obra conceitual, onde cada faixa narra uma história melancólica, histórica ou mitológica, envolta em uma sonoridade cinematográfica e sombria.

A letra de "La Demoiselle de la Seine" é profundamente poética e macabra, baseando-se em uma lenda urbana real de Paris do final do século XIX: L'Inconnue de la Seine (A Desconhecida do Sena).

A Inspiração: Diz a lenda que o corpo de uma jovem foi retirado do rio Sena em Paris. O patologista do necrotério ficou tão encantado com a expressão de paz e o "sorriso enigmático" da moça que ordenou a criação de uma máscara mortuária em gesso.

O Tema: A canção explora a beleza na morte e a imortalidade através da arte. Ela descreve a "dama" como alguém que encontrou no rio um refúgio para suas dores, transformando sua tragédia numa lenda eterna.

Simbolismo: O Sena é tratado quase como um amante ou um túmulo de cristal. A música questiona quem ela era e por que sorria, celebrando essa figura que se tornou um ícone da estética melancólica francesa.

Curiosidade: Sabia que o rosto da "Desconhecida do Sena" é o mesmo utilizado até hoje nos bonecos de treino de primeiros socorros (RCP)? Ela se tornou "o rosto mais beijado da história".

quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

Type O Negative - The Green Man


Mitologia sobre o Green Man

Green Man

Spring won't come, the need of strife
To struggle to be freed from hard ground
The evening mists that creep and crawl
Will drench me in dew and so drown

I'm the green man
The green man

Sun in prime sweet summertime
Cast shadows of doubt on my face
A midday sun, its caustic hues
Refracting within the still lake

Autumn in her flaming dress
Of orange, brown, gold fallen leaves
My mistress of the frigid night
I worship pray to on my knees

Winter's breath of filthy snow
Befrosted paths to the unknown
Have my lips turned true purple
Life is coming to an end
So says me, me wiccan friend
Nature coming full circle

I'm the green man
The green man

Em “Green Man”, do Type O Negative, Peter Steele transforma a figura mitológica do Homem Verde num reflexo de sua própria vida. O personagem não é apenas um símbolo antigo da natureza, mas também um alter ego do vocalista, inspirado por seu trabalho como coletor de lixo e sua forte ligação com a cor verde e o ambiente natural. A introdução da música, com sons de camião de lixo, reforça essa conexão pessoal, mostrando como Steele usa experiências quotidianas para criar uma metáfora sobre o ciclo da vida e da morte.

A letra explora as estações do ano como representações desse ciclo. A primavera, que "não chega" (“Spring won't come, the need of strife / To struggle to be freed from hard ground” – "A primavera não chega, a necessidade de luta / Para se libertar do solo duro"), simboliza dificuldades para recomeçar. O verão traz luz, mas também incertezas (“Sun in prime sweet summertime / Cast shadows of doubt on my face” – "Sol no auge do doce verão / Lança sombras de dúvida no meu rosto"). O outono aparece de forma sedutora e melancólica, enquanto o inverno representa o fim e a transformação (“Winter's breath of filthy snow... Life is coming to an end” – "O sopro do inverno de neve suja... A vida está chegando ao fim"). O refrão “I'm the green man” (“Eu sou o homem verde”) reforça a identificação do narrador com o ciclo natural, sugerindo que ele faz parte desse fluxo contínuo de renovação e decadência.

A música une elementos pessoais e mitológicos para expressar tanto a individualidade de Steele quanto uma visão universal sobre a inevitabilidade das mudanças e a profunda conexão entre o ser humano e a natureza.

terça-feira, 30 de dezembro de 2025

Encontros Improváveis - Violent Vickie e Nino Oxilia (Rapsodia Satanica)


Come to me
Wild and free
Trust in me 

Come to me
Break the mold
Thing to hold

Broken arms
Cut up legs
End the race

Come to me
Love that’s free
Willingly

Come to me
Wild and free
Trust in me 

Come to me
Break the mold
Thing to hold

Broken arms
Cut up legs
Win the race

Come to me
Love that’s free
Willingly

I know you’re mine
In endless time
Open the door

Know you’re mine
Endless time
Say no more

Know you’re mine
Endless time
Open the door

May you please
Arrive
May you please
May you please
Arrive

Vídeo com extractos do Filme "Rapsodia Satanica" (1917)

Significado da canção:

“Open the Door”, da Violent Vickie, é geralmente interpretada como uma canção sobre isolamento emocional, desejo de ligação e vulnerabilidade, usando a imagem simples de uma porta fechada como metáfora central.

A letra sugere alguém que está do lado de fora, pedindo acesso não apenas físico, mas sobretudo emocional. “Abrir a porta” significa permitir proximidade, intimidade e confiança, enquanto a recusa ou demora em abri-la aponta para medo, retraimento ou trauma. A insistência do pedido transmite urgência e fragilidade, quase infantil, o que contrasta com o tom frio e minimalista da música.

Dentro da estética cold wave / minimal synth da Violent Vickie, a canção reforça sentimentos de alienação, solidão urbana e incomunicabilidade, típicos do pós-punk. Não é uma narrativa literal, mas antes um estado emocional: alguém que quer ser visto, acolhido e reconhecido, enfrentando o silêncio ou a indiferença do outro lado.

Assim, a canção pode ser lida tanto como um apelo romântico quanto como uma metáfora mais ampla sobre a dificuldade de criar ligações humanas num mundo fechado, defensivo e emocionalmente distante.

Sobre o filme
Rapsodia Satanica é um filme mudo italiano de 1915, dirigido por Nino Oxilia, com Lyda Borelli interpretando uma versão feminina de Fausto, baseada em poemas de Fausto Maria Martini. Pietro Mascagni compôs a sua única trilha sonora para o filme e regeu a primeira apresentação em julho de 1917.

Rapsodia Satanica é um dos filmes mais emblemáticos do cinema mudo italiano. Aborda o tema do pacto com o diabo como metáfora para o medo do envelhecimento, a vaidade e o desejo de juventude eterna. A história acompanha Alba d’Oltrevita, uma mulher rica e já envelhecida que, atormentada pela perda da beleza e do poder de sedução, aceita um acordo com uma figura demoníaca para recuperar a juventude. Em troca, compromete-se a não amar, condição que entra em conflito com a sua natureza humana quando se envolve emocionalmente com dois irmãos. A transgressão do pacto conduz a um desfecho trágico, sublinhando a ideia de que o desejo de desafiar o tempo e a ordem natural tem um preço inevitável. O filme insere-se no imaginário simbolista e decadentista da época, funcionando como uma versão feminina do mito de Fausto e refletindo uma visão moral e melancólica sobre a beleza, o amor e a efemeridade da vida.

A ligação à literatura decadente e simbolista é profunda. O filme dialoga com autores como Gabriele D’Annunzio, Charles Baudelaire, Joris-Karl Huysmans e Oscar Wilde, que exploram temas como a exaustão moral da modernidade, o culto da beleza artificial, o prazer ligado à morte e a atração pela ruína. Alba encarna a figura típica da femme fatale decadente: bela, melancólica, destrutiva, consciente da própria teatralidade e condenada pela intensidade do desejo. O enredo privilegia o estado de alma e a atmosfera em detrimento da ação, algo característico do simbolismo.

Do ponto de vista histórico, Rapsodia Satanica é fundamental para o desenvolvimento do cinema como arte estética e não apenas narrativa. O filme aposta numa encenação altamente estilizada, movimentos coreografados, figurinos exuberantes e gestos exagerados que transformam o corpo da atriz num elemento expressivo central. A música original de Pietro Mascagni, composta especificamente para o filme, antecipa a ideia de banda sonora sinfónica integrada na dramaturgia, algo raro na época. Além disso, o filme consolidou o modelo do diva film italiano, influenciando a representação da mulher no cinema mudo europeu e abrindo caminho para um cinema mais psicológico, lírico e autoral.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2025

Charis Kubrin recebe o prestigiado prémio Estocolmo por investigação que "desmistifica" crimes cometidos por imigrantes


A presença de imigrantes numa determinada zona diminui a criminalidade, o que contraria as perceções da opinião pública, alertou esta quinta-feira a investigadora norte-americana e recém-vencedora do maior prémio mundial de criminologia Charis Kubrin.

Em entrevista à Lusa, a criminóloga explicou que "todos os relatórios mostram que a criminalidade é sempre inferior entre os imigrantes em relação aos nativos", pelo que, "numa análise contínua de dados", o que a "imigração em massa para uma zona causa é a diminuição do crime".

O prémio Estocolmo 2026 foi atribuído à investigadora da universidade californiana de Irvine por uma meta-análise de dados que juntou todos os estudos feitos e dados recolhidos sobre a relação entre imigração e criminalidade, com conclusões claras que contradizem as perceções e os discursos mais populistas.

A sua análise foi feita apenas nos Estados Unidos, mas Charis Kubrin acredita que os dados podem ser extrapolados para o caso europeu, salientando que a desigualdade ou a exclusão social contribui mais para a criminalidade do que a nacionalidade dos autores dos crimes.

"O meu trabalho examina o modo como a criminalidade e imigração estão relacionados e tenho estudado este tópico ao longo dos últimos 25 anos", mas a relação entre os dois temas "é estudada há quase um século, desde os anos 1930".

"O primeiro relatório é de 1931 e aqui vai um 'spoiler': já então se concluiu que não há relação entre mais imigrantes e mais crimes", recordou a investigadora.

Nos últimos 20 anos, verificou-se um "aumento sem precedentes na investigação deste tema e as conclusões são sempre as mesmas", conforme a meta-análise feita que agora lhe deu o prémio Estocolmo, anunciado em novembro.

"Revimos todos os estudos feitos sobre a relação entre criminalidade e imigração e de todos os tipos de crime. Com algumas exceções pontuais, a imigração e a criminalidade não seguem lago a lado", explicou.

Contudo, "há uma enorme diferença entre aquilo que as pessoas acreditam ou julgam perceber e os dados", e é necessário que a ciência seja ouvida pelos políticos, mas também pela sociedade.

"EUA têm um grande histórico de culpar os imigrantes"
"As pessoas sentem que estes são tempos sem precedentes", mas os "EUA têm um grande histórico de culpar os imigrantes pelos problemas da sociedade, particularmente crime" e essa visão permanente acaba por "alimentar uma retórica que pressiona os políticos a acusarem os estrangeiros de esgotarem os recursos da sociedade".

Os EUA sempre tiveram problemas relacionados com o "nativismos, xenofobia e racismo" e, hoje, a questão racial é "mais evidente, porque a "maioria dos imigrantes tem a cor mais escura".

Por isso, o discurso anti-imigrante está mais relacionado com racismo ou xenofobia do que com uma efetiva preocupação com os problemas sociais.

"Isto não tem nada de novo porque há sempre esse sentimento latente" contra o estrangeiro, que se quer "culpar pelos problemas da América", como a "desigualdade ou criminalidade".

"É muito fácil acusar os imigrantes e criar a narrativa de que estes são os responsáveis dos problemas e capitalizar os suportes políticos para esse argumento", uma estratégia em que os media são cúmplices.

"Os media desempenham um grande papel nesse discurso e ampliam os preconceitos e propagam falsas narrativas, porque se um imigrante cometer um crime nos EUA isso será espalhado em todo o lado", mas tal já "não acontece se for um nativo".

Por isso, é "necessário que a ciência entre no discurso público e ajude a definir políticas públicas", considerou a investigadora de Irvine, que diz tentar fazer a sua parte nesse processo.

"O que eu tento é tentar envolver-me com políticos e autores de políticas públicas", procurando "parcerias com instituições e organizações que se preocupam com os factos enquanto desenham políticas para os imigrantes", explicou.

"É uma gota no oceano, mas é o que sinto que posso fazer neste contexto", acrescentou ainda.
Além de Charis Kubrin, o prémio Estocolmo foi atribuído a Mark Lipsey, pela sua investigação sobre o papel da reabilitação nos reclusos.

quinta-feira, 13 de novembro de 2025

Nordvargr - Hascimh Reborn


Hailing back to the late '80s, Nordvargr (real name Henrik Nordvargr Björkk) has been making subconscious-melting industrial, black and ambient music for more than enough time now to become well known to dark ambient fans. "Re-Awaken" is a re-release/re-mix/re-invention of the Nordvargr's 2002 debut "Awaken." If you have heard Lustmord, there will not be too many surprises here. 80% of this album follows the dark ambient passage you'd expect it to take and the defining elements are not so different as to warrant any extended reference. That is not to say, however, that "Re-Awaken" is a release that is lacking. Quite the opposite; it is a genuinely fulfilling dark ambient experience.

First off, you can't fault Nordvargr in terms of quantity on this disc. Most tracks range around the seven-minute mark and there's over an hour of sucking vortex fridge noises here to keep you entertained or mesmerize or whatever people do when they listen to dark ambient. Summon demons maybe? I can only assume so.

As you'd expect, the music itself is undeniably and hellishly dark. It's a pick and mix of horror movie soundtracks, whose only goal seems to be aggravating you with menacing build ups and more mellowed songs that are less likely to ambush you, but still likely to leave you a paranoid, possibly zen, hermit. Each track has the individual charm to keep you from hitting skip out of boredom and dynamics, such as a piano lead or pseudo black metal guitar riff or vocal line, will spring up and fill in various gaps. I will add that this fails in the case whenever the campy eastern chanting brigade turns up, but otherwise, the tracks are solid dark ambient goo.

Is that enough? Well, I personally demand a little more out of my ambient music. Mortiis, Earth, and the master himself Brian Eno can all leave me mesmerized. While I genuinely did enjoy all the tracks on display enough to get some replay value, it hasn't vaulted to the top of my ambient list. Stuff like the soft beating drums of "Sulphur Mist" and the echoing gurgles in "Natt" all add up to a polished release, but not one that you haven't essentially heard before in the dark ambient field.

Perhaps the issue is that nothing seems to push to the front and demand you remember one defining element. Ironically, there may be too much dynamic energy in "Re-Awaken" to avoid feeling like a how-to of all dark ambient features. If any element is truly mastered, it is the mellow, cavernous and tribal tracks like "Hascimh" - now that would have made for a great full length had it been pursued with minimalist zeal.

Perhaps simply being a re-issue of a great debut is enough to warrant its existence once again. It's an album that succeeds in every way it should and provides plenty of substance for enthusiasts. Thrills and chills abound, I fully recommend at least taking a dive into the strange black pool of Nordvargr.

Highs: The cavernous, quasi tribal drippings of the more minimalist tracks

Lows: No one single element that makes Nordvargr stand out from other dark ambient albums

Bottom line: "Re-Awaken" is a more than solid overview of everything dark and ambient.

sábado, 8 de novembro de 2025

Filme Kiss Them For Me (1957) e a sua influência no rock gótico


Durante a Segunda Guerra Mundial, três marinheiros param em São Francisco durante uma folga de quatro dias. Com uma festa programada, a tripulação encanta-se pelas garotas locais, enquanto o comandante tenta manter todos na linha. [mais info aqui]

A canção “Kiss Them for Me”, da banda Siouxsie and the Banshees, lançada em 1991 no álbum Superstition, tem um significado interessante e multifacetado — misturando homenagem, crítica e atmosfera sensual.

1. Homenagem a Jayne Mansfield
A música é, sobretudo, uma homenagem à atriz Jayne Mansfield, símbolo sexual de Hollywood nos anos 1950 e 1960.

O título “Kiss Them for Me” é tirado de um filme de 1957 com Cary Grant e a própria Mansfield.

A letra faz várias alusões à sua vida glamorosa, trágica e exagerada — com referências a festas, luxo e sensualidade (“glitter’s on the floor”, “it’s a glamourous life”).

Também evoca a tragédia do seu acidente fatal em 1967, que marcou o fim do mito de Mansfield.

2. Crítica ao glamour e à superficialidade
Por baixo da homenagem há uma ironia subtil: Siouxsie Sioux mistura o fascínio e o perigo do culto à celebridade.

As imagens brilhantes da letra contrastam com a melancolia da voz e o ritmo hipnótico.

A canção questiona o preço do glamour — um mundo onde “beleza” e “tragédia” se confundem.

3. Sensualidade e exotismo
Musicalmente, é uma das faixas mais sensuais dos Banshees.

Tem influências indianas, com instrumentos e batidas eletrónicas suaves.

O som reflete a ideia de “encantamento” e “máscara”, reforçando o tema de aparência versus essência.

sexta-feira, 7 de novembro de 2025

Eivør & Danish National Symphony Orchestra - Trøllabundin


Encantamento e tradição em "Trøllabundin" de Eivor Palsdottir

A música "Trøllabundin"("Enfeitiçada)  de Eivor Palsdottir explora o tema do encantamento como uma experiência intensa e transformadora, que vai além do simples amor romântico. O termo "galdramaður" (feiticeiro) aparece na letra não só como referência a uma força mágica literal, mas também como metáfora para sentimentos avassaladores, como o amor ou o desejo, que dominam completamente a narradora. A repetição de "Trøllabundin eri eg" (Enfeitiçada estou) reforça a ideia de um estado contínuo e inescapável, mostrando como a protagonista se sente presa por essa força misteriosa.

A canção também se destaca por incorporar elementos da tradição feroesa, como o canto de garganta no coro, que contribui para criar uma atmosfera mística e introspectiva. Trechos como "Í hjartanum logar brennandi bál" (No coração arde uma fogueira flamejante) expressam a intensidade da paixão, enquanto "Eyga mítt festist har ið galdramaður stóð" (Meu olhar ficou preso onde o feiticeiro estava) sugere que o encantamento é tanto emocional quanto visual, marcando um momento de transformação pessoal. Assim, "Trøllabundin" mistura tradição, emoção e simbolismo para retratar o poder de sentimentos tão fortes que parecem mágicos, criando uma narrativa envolvente e universal.

domingo, 2 de novembro de 2025

Azam Ali - In Other Worlds


The key to this place
Is a cold you know
The real dispelled
Into the world you know
Doubt, tasted, you fall in
Down you sink
Into her deep devour

She's still the key holder
And through this portal
She courts you now

Endowed with will
And a course your own
Bound by the despait
Of the shoreless hours
Heed this flame
Within the walled empire
This desire
Is all around

She's still the key holder
And through this portal
She courts you now

If love be revealed
In the spark of an eye
Could all be redeemed
In the sea of time
If the stars embed
Like nails into the ground
From the unheard prayers
That have torn up the skies
Would you will it all away
As you sail on your way?

A canção In Other Worlds, de Azam Ali, é uma viagem simbólica entre mundos visíveis e invisíveis. A “chave” e o “portal” mencionados na letra representam a entrada num espaço interior — espiritual, emocional e transformador. Nesse lugar coexistem a dúvida, o desejo e o desespero, mas também a possibilidade de redenção e amor.

Azam Ali convida-nos a atravessar esse limiar: a escutar a “chama” interior e a reconhecer a força feminina e mística que guarda o caminho. O “outro mundo” da canção não é externo, mas o território profundo da alma — onde cada um decide se quer permanecer à margem ou embarcar na jornada de autoconhecimento.

Persian Roots Transformed into a World of Stratospheric Sensuality
Entrevista

quinta-feira, 13 de junho de 2024

Música do BioTerra: Molchat Doma - Son (Молчат Дома - Сон)



Сон:

Красными искрами валится небо на нас,
Купол надежды расплавив в тот час.
Жалкими взглядами их не провести.
Поздно скрестись: нас не спасти.

Сон, мой страшный сон.
Есть только он, мой странный сон.
Я ставлю на кон,
Всю свою жизнь меняю на сон.

Тихо! Послушай, как ветер зовёт за собой,
Шепчет на ухо: «Заигрались с судьбой!»
Глянь на следы, что оставили мы.
Ветер развеет их вскоре — дальше иди.

Сон, мой страшный сон.
Есть только он, мой странный сон.
Я ставлю на кон,
Всю свою жизнь меняю на сон.


Dream:

The sky is falling down on us like red sparks,
The dome of hope melted during that time.
You can’t deceive them with pitiful glances.
It is too late to do the sign of the cross: we can’t be saved.

Dream, my terrible dream.
There is only it, my strange dream.
I am betting on it,
I change my whole life for a dream.

Quiet! Listen, how the wind calls for you,
It whispers in your ear: “tempt fate!”
Look at the footprints we left behind.
The wind will blow them away soon – carry on.

Dream, my terrible dream.
There is only it, my strange dream.
I am betting on it,
I change my whole life for a dream.

sábado, 25 de dezembro de 2021

Eco-Natal : Patrick Watson - A Mermaid in Lisbon (feat. Teresa Salgueiro)


A letra explora a ideia de algo mágico e impossível (uma sereia) existindo dentro de uma cidade real e histórica. É sobre a beleza que se esconde nos cantos escuros e nas águas do Tejo.
Existe uma sensação de transitoriedade. A sereia representa algo que não se pode prender; ela aparece, encanta e desaparece, deixando apenas a memória e o eco da sua voz.
A canção é uma carta de amor à capital portuguesa, capturando aquele sentimento de "sol de inverno" e a luz única da cidade que parece atrair o místico.

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Elsa Peralta and Teresa Pinheiro - Remembering Portuguese Empire Today


Teresa Pinheiro is a professor for Iberian Studies at Chemnitz University of Technology in Germany. She has received her PhD in Cultural Anthropology with a thesis on representations of Brazil in sixteenth-century colonial accounts. Main research fields: Iberian Cultural Studies, Memory Studies, National Narratives and Migration. Some publications: „Memoria de la República en las transiciones democráticas ibéricas” in: Pasajes de pensamiento contemporáneo, 48, 49-64, 2015; “O retorno dos retornados. A construção de memória do passado recente na série televisiva Depois do Adeus“ in: Elias Torres, ed., Estudos da AIL em Literatura, História e Cultura Portuguesas. Santiago de Compostela 2015, 279-290; “Das portugiesische Kolonialreich” in: Hermann Hiery, ed., Lexikon zur Überseegeschichte. Stuttgart 2015, 657-658; “Die Nelkenrevolution im 21. Jahrhundert: Wandel einer erinnerungspolitischen Praxis” in: Janett Reinstädler, Henry Thorau (eds.), Die Nelkenrevolution und ihre Folgen. Berlin 2014, 17-32; “Facetten des erinnerungskulturellen Umgangs mit dem Estado Novo in Portugal” in: Neue Politische Literatur, 55, 1, 2010, 7-22.

Elsa Peralta, PhD in Anthropology (ISCSP-UTL, 2006), is a FCT research fellow at the Centre for Comparative Studies (CEC), School of Arts & Humanities, University of Lisbon, Portugal. Her work draws on crossed perspectives from anthropology, memory studies and postcolonial studies and focuses on the intersection between private and public modes of recall of past events, in particular of the colonial past. She was a postdoctoral research fellow at the Institute of Social Sciences (ICS-UL) with a research project on the memory and forgetting of Portuguese colonial empire in postcolonial Portugal. In CEC she coordinates the Research Line “Legacies of Empire and Colonialism in Comparative Perspective” and is currently working on the project “Narratives of loss, war and trauma: Portuguese cultural memory and the end of empire”. Her works include the edited volumes Heritage and Identity: Engagement and Demission in Contemporary Society, Routledge, 2009 (with Marta Anico) and Cidade e Império: Dinâmicas coloniais e reconfigurações pós-coloniais, Edições 70, 2013 (with Nuno Domingos). She was the curator and Scientific Coordinator of the Exhibition “Return – Traces of Memory” produced by EGEAC, City Council of Lisbon.