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quarta-feira, 15 de julho de 2026

Participação do PEV na Consulta Pública do Programa Setorial das Zonas de Aceleração da Implantação de Energias Renováveis (PSZAER)

O Partido Ecologista Os Verdes divulga a sua participação no quadro da consulta pública do Programa Setorial das Zonas de Aceleração da Implantação de Energias Renováveis (PSZAER), por considerarmos que esta é uma matéria crucial para o país e para o planeta.

É cada vez mais claro, que as políticas para o Ambiente em Portugal têm sido subalternizadas, ao longo dos anos, aos interesses do poder económico, levando a que não constituam um objetivo em si mesmas, mas antes assumindo um papel instrumental.

Da análise do PSZAER, também designado como “Mapa Verde”, sabemos que mesmo sendo apenas o resultado da cartografia temática que exclui valores protegidos, representa as áreas com potencial para integrar as futuras ZAER. No entanto, não podemos deixar de ficar preocupados com esta seleção “pouco apurada”, com a exageradamente grande área identificada e com uma insignificante participação dos cidadãos, das estruturas locais e das entidades políticas e administrativas.

Os Verdes valorizam que se definam critérios concretos e específicos para a instalação de solar fotovoltaico, assim como, eólico e que se faça o levantamento das potenciais áreas que cumpram os critérios das restrições, claros e transparentes, à implantação das estruturas de energias renováveis, desde logo assumindo como prioritárias áreas artificializadas, nomeadamente em edificados e infraestruturas, o que neste mapa é amplamente subvalorizado.

O Programa parte, a nosso ver, da premissa errada. Em vez de ter como objetivo primeiro identificar toda a área do território português continental que não apresente conflito para instalação de energias renováveis, devia partir do primeiro objetivo, que passa por definir a área que é necessária para se implantar os 18,10 GW de Solar PV e Eólico que faltam para se atingir a meta para 2030.

Documentos como o “Mapa Verde” precisam de acompanhar a evolução da implementação das diversas medidas ambientais que são essenciais para o ordenamento do território e para o tornar mais resiliente às alterações climáticas. Por este motivo, preocupa aos Verdes que alguns dos dados apresentados ou utilizados pela Estrutura de Missão para o Licenciamento de Projetos de Energias Renováveis 2030 (EMER 2030) possam estar desatualizados, considerando que Estratégias Nacionais na Área Ambiental se encontram em fase consulta pública ou de implementação, tais como, Projeto do Plano Nacional de Restauro da Natureza ou a Estratégia Nacional de Conservação da Natureza e Biodiversidade 2030.

Ouvir as populações e trabalhar em conjunto, será outro desafio, que trará uma maior exigência para o documento que vai, obrigatoriamente, precisar de actualizações constantes e periódicas. O Partido Ecologista Os Verdes continua a afirmar que é preciso e urgente a transição energética, o desenvolvimento das energias renováveis, mas continuaremos a trabalhar para que seja um processo socialmente justo e não permitiremos que continue de costas viradas para as pessoas.

Os Verdes disponibilizam o documento da sua participação na consulta pública

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Parecer sobre o Programa Setorial das Zonas de Aceleração da Implantação de Energias Renováveis e a respetiva Avaliação Ambiental Estratégica

As Organizações Não Governamentais de Ambiente (ONGA) subscritoras - Almargem, FAPAS, GEOTA, LPN, SPEA, VCF, WWF Portugal e ZERO - propõem uma aprovação globalmente favorável, mas fortemente condicionada à proposta de Programa Setorial das Zonas de Aceleração da Implantação de Energias Renováveis (PSZAER). 
Estas ONGA reconhecem que a aceleração da implantação de energias renováveis constitui uma condição indispensável para alcançar os objetivos climáticos nacionais e europeus, reduzir a dependência dos combustíveis fósseis, reforçar a segurança energética e contribuir para a neutralidade climática. 
Contudo, a concretização destes objetivos não depende apenas da quantidade de capacidade renovável instalada, mas sobretudo da forma como essa capacidade é integrada no território, articulada com a proteção da biodiversidade, compatibilizada com os usos do solo, enquadrada por uma visão estratégica da economia nacional e legitimada pelas comunidades afetadas. 
Neste sentido, a criação das Zonas de Aceleração da Implantação de Energias Renováveis (ZAER) apenas cumprirá os objetivos que justificaram a sua introdução pela Diretiva (UE) 2023/2413 (RED III) se representar uma verdadeira evolução do modelo de planeamento territorial da transição energética e não apenas um mecanismo adicional de simplificação administrativa.

O parecer na íntegra encontra-se disponível aqui

terça-feira, 16 de junho de 2026

Crescimento da energia eólica trava em Portugal e coloca pressão sobre metas para 2030

 A energia eólica assegurou 25,4% do consumo de eletricidade em Portugal continental em 2025, mas as metas definidas para 2030 exigem maior ambição e aceleração de novos projetos, segundo um estudo hoje divulgado.

O relatório “Parques Eólicos em Portugal”, elaborado pelo INEGI - Instituto de Ciência e Inovação em Engenharia Mecânica e Engenharia Industrial - em parceria com a Associação Portuguesa de Energias Renováveis (APREN), divulgado hoje no Dia Mundial do Vento aponta para uma produção eólica de 13,5 terawatts-hora (TWh), face a um consumo total de eletricidade de 53,1 TWh em Portugal continental.

Tendo em conta que o Plano Nacional Energia e Clima 2030 (PNEC 2030) prevê uma capacidade geradora de 10,4 gigawatts (GW) de eólica em terra (‘onshore’) e a concretização de 2 GW de eólica no mar (‘offshore’) até 2030, o estudo considera que este conjunto de metas é “muito ambicioso e exigente”.

Nesse sentido, defende que a sua concretização depende de uma “estreita colaboração entre os agentes públicos e privados", que permita acelerar o desenvolvimento de novos projetos.

Em declarações à Lusa, a coordenadora de Políticas e Inteligência de Mercado da APREN, Susana Serôdio, afirmou que “efetivamente nos últimos anos tem havido aqui uma estagnação da energia eólica” e que esta fonte “não tem acompanhado o que seria expectável face ao que está no PNEC2030”.

“O primeiro [fator], claramente, é a questão do licenciamento e a falta de visibilidade de prazos, dificuldades em algumas áreas de avaliação de impacto ambiental, mas também claramente questões das condições do mercado atual e também de rede”, disse.

De acordo com o mesmo estudo, após um período de crescimento, 2025 evidenciou uma “nova estagnação da capacidade adicional instalada em Portugal”.

Em 2025, encontravam-se mapeados 446,8 megawatts (MW) de potência em fase de construção, dos quais cerca de 80% correspondem a novos projetos, incluindo os parques de Tâmega Norte, com 194,4 MW, e Tâmega Sul, com 79,2 MW.

A maioria destes novos projetos está, contudo, associada a hibridizações, isto é, à combinação de um projeto eólico com outro projeto renovável já existente, como hídrico ou solar, aproveitando pontos de rede já disponíveis.

Os projetos de reequipamento (‘repowering’), que consistem na substituição ou modernização de equipamentos existentes por outros mais eficientes, representam 14% da potência em construção, enquanto os restantes 6% dizem respeito a sobreequipamento, ou seja, à instalação de uma potência de geração superior à capacidade de injeção.

Com 6 GW de capacidade instalada acumulada, Portugal mantém-se no ‘top 10’ europeu da capacidade eólica, num ranking liderado pela Alemanha, com 77,7 GW, e por Espanha, com 33,2 GW.

Em termos geográficos, Viseu mantém-se como o distrito com maior potência eólica instalada em território nacional, com 1.231,1 MW ligados à rede, seguido de Coimbra, com 745,7 MW, Vila Real, com 696,3 MW, e Guarda, com 653,2 MW.

Évora continua a ser o único distrito de Portugal continental sem qualquer aerogerador instalado.

As regiões autónomas concentram um total de 106,4 MW operacionais, repartidos entre 63,8 MW na Madeira e 42,6 MW nos Açores.

Questionada sobre o crescimento futuro em terra, Susana Serôdio defendeu que “o futuro passa pelo reequipamento”, mas ressalvou que “existe, efetivamente, ainda margem para crescer em terra”.

A responsável acrescentou que a hibridização com solar está a ganhar relevância, devido à queda dos preços nas horas de maior produção fotovoltaica.

“À hora de produção solar, efetivamente, os preços são muito baixos e a rentabilidade dos projetos começa a ser muito pequena. E, se hibridizarem com o eólico, geram aqui outro potencial ao projeto”, afirmou.

Dia Mundial do Vento: uma data para celebrar um recurso único

quinta-feira, 7 de maio de 2026

Shell reportou lucros avultados ($ 7 biliões) após a subida dos preços do petróleo provocada pela guerra entre os EUA - Israel contra o Irão.


Shell has become the latest energy giant to report a jump in profits following the sharp increase in oil prices since the beginning of the Iran war.

It reported profits of $6.92bn (£5.1bn) for the first three months of the year, which was higher than analysts had expected and up from $5.58bn in the same period a year earlier.

The price of oil has soared since the start of the US-Israel war with Iran as the key Strait of Hormuz, which usually carries about 20% of the global supplies of oil and liquid natural gas (LNG), has been effectively closed.

Last week, rival oil giant BP said its profits for the first three months of the year had more than doubled.

Other oil firms have also reported bumper results. On Wednesday, Norway's Equinor said profits in the first three months of the year had hit $9.77bn, its highest quarterly profit for three years.

Traders profit
Shell chief executive Wael Sawan said: "Shell delivered strong results enabled by our relentless focus on operational performance in a quarter marked by unprecedented disruption in global energy markets.

"The safety of our people remains our priority as we work closely with governments and customers to address their energy needs."

Like BP, one of the factors behind Shell's profits rise was better results from its oil trading business.

Before the conflict began, the price of Brent crude, the global benchmark for oil prices, was around $73 a barrel.

Since then, oil has seen sharp swings - peaking above $120 at one point, but also falling below $100 on other occasions as speculation has swirled over when the Strait of Hormuz will reopen.

The big movements in the oil price that have been seen since the Iran war began can widen the gap between buying and selling prices. This typically enables traders to make bigger profits.

Shell's profits were also boosted by higher margins at its refining business, which turns crude oil into finished products such as petrol and jet fuel.

However, the company said its oil and gas output had fallen by 4% compared with the final three months of last year due to the conflict.

Shell's LNG production in Qatar has been shut down since early March because of the conflict, and its Pearl GTL site in Qatar has been damaged by attacks.

Last week, Shell announced it was buying Canadian shale producer ARC Resources for $16.4bn, which Sawan said would "deliver value for decades to come".


Call to strengthen windfall tax
The surge in profits being reported by energy firms has led to criticism from environmental groups.

Danny Gross, climate campaigner at Friends of the Earth, said: "Once again, fossil fuel giants are pocketing monstrous profits while drivers are being squeezed at the petrol pump and households are set to pay higher energy bills.

"The answer is clear: strengthen the windfall tax on these indefensible profits and break our dependence on fossil fuels by powering our economy with homegrown renewables."What is the windfall tax?

Energy firms operating in the UK are subject to a windfall tax, called the Energy Profits Levy, that was introduced in 2022 as a response to soaring profits following Russia's full-scale invasion of Ukraine. Labour extended the life of the tax to March 2030.

However, the levy only applies to profits made from extracting oil and gas in the UK, whereas the bulk of energy giants' earnings are made overseas. The UK accounts for less than 5% of Shell's global oil and gas production.

Gas and electricity bills for most households in Britain are protected for the moment by the energy price cap.

Until 30 June, the typical annual bill for dual-fuel households who pay by direct debit will be £1,641.

However, the jump in wholesale oil and gas prices since the Iran war began means the cap is currently estimated to rise by about £200 when it is revised in July.

Shipping giant passing on costs

Meanwhile, the chief executive of Danish shipping giant Maersk told the BBC it was passing on rising costs due to the war to its customers.

Vincent Clerc said the sharp rise in energy prices was adding half a billion dollars of extra costs per month to the business.

"What is really important is actually to pass on these cost increases to our customers as much as possible, so that we can protect our margin and the operations' integrity going forward," he said.

He added there was uncertainty over whether this would eventually lead to inflation and lower demand.

Maersk's latest earnings show operating profits slightly above analysts' forecasts, although that was mostly for the period just before the Iran war started.

On Monday, Maersk said its US-flagged vessel, the Alliance Fairfax, which had been stranded in the Gulf since the end of February, had managed to exit the Strait of Hormuz accompanied by US military assets.

Clerc said Tehran's ambition for control of the Strait and eventual toll charges would be a significant change for the industry, "similar to the canals in Suez and in Panama, where we also pay to go through".

But he said at this stage any toll charges on the Strait of Hormuz were "very, very speculative" and it would have to reopen first.

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quarta-feira, 18 de março de 2026

Ecoparolice - Maior árvore eólica do país instalada no concelho de Pampilhosa da Serra

A instalação de uma árvore eólica, parte integrante da empreitada de arranjo urbanístico da entrada oeste da vila de Pampilhosa da Serra, encontra-se em fase de testes e será responsável por alimentar a quase totalidade das necessidades energéticas do espaço assim que a obra estiver finalizada.
A energia produzida por esta energia permitirá “assegurar o funcionamento de vários sistemas do novo arranjo urbanístico, desde a iluminação pública ao sistema de tratamento e recirculação da água, garantindo que estas infraestruturas funcionem com um custo de energia praticamente nulo”, explica a autarquia em nota enviada à comunicação. Trata-se de uma solução inovadora em meios urbanos, que reforça o compromisso com a eficiência energética e a sustentabilidade ambiental.
Inspirada na natureza, a chamada “WindTree” funciona como um sistema complementar de produção de energia elétrica. A estrutura é composta por 36 microturbinas eólicas, com uma potência total de 10.800 W, num sistema eletrónico inteligente que regula continuamente o funcionamento das turbinas, ajustando a produção às condições do vento e garantido o máximo aproveitamento energético.
Integrada no projeto de requalificação da entrada oeste da vila, esta árvore eólica assume-se como “um elemento simbólico de inovação, sustentabilidade e valorização do espaço público, contribuindo para um futuro energeticamente mais eficiente em Pampilhosa da Serra”, salienta ainda na mesma nota.
De relembrar que em Portugal existe apenas outra árvore eólica de menor potência com características semelhantes (CascaiShopping), sendo esta a de maior dimensão.
Ora esta região é densamente povoada por eucaliptais e monoculturas intensivas. O concelho de Pampilhosa da Serra é, de facto, caracterizado por uma forte presença de eucaliptais (frequentemente em regime de monocultura) e pinheiro bravo, o que tem gerado debates sobre sustentabilidade, biodiversidade e risco de incêndio. Após os grandes incêndios de 2017 e 2025, a Montis tem sido uma voz crítica e ativa no terreno, defendendo que a reconstrução da Pampilhosa não pode ser "mais do mesmo". Eles focam-se na regeneração natural assistida, ajudando a floresta a recuperar-se sozinha mas com uma composição mais variada e segura. Outra associação ambientalista, MilVoz sofreu um revés pesado nos incêndios recentes. Em agosto de 2025, a sua Bio-Reserva mais importante (localizada no Vale da Aveleira, na Lousã, vizinha da Pampilhosa) foi severamente fustigada pelas chamas. Manuel Malva classificou o evento como uma "calamidade ecológica", sublinhando a dificuldade de proteger estas "ilhas de biodiversidade" quando a paisagem em redor é altamente inflamável.

Aqui estão os pontos principais sobre a situação florestal nesta área:
Elevada densidade de eucalipto: o eucalipto (Eucalyptus globulus) é predominante na paisagem, muitas vezes explorado intensivamente para a produção de pasta de papel.
Riscos associados: a elevada presença destas espécies, que são altamente combustíveis, tem contribuído para a facilitação da propagação de grandes incêndios na região.
Ações de conservação: existem iniciativas, como a da organização Montis, que actuam na região para reconverter eucaliptais em matas mais biodiversas e resilientes, nomeadamente através do corte de eucaliptos em áreas específicas.
Contexto de despovoamento: a monocultura intensiva está também ligada ao despovoamento do interior, onde estas plantações ocupam terras que antes tinham outros usos.
Artigo científico (2021)

terça-feira, 18 de novembro de 2025

Tecnologia reduz morte de morcegos em turbinas eólicas


A geração de energia elétrica pelo vento é um dos métodos mais sustentáveis, mas as turbinas eólicas que fazem a conversão da energia são responsáveis por milhões de mortes de morcegos.

De acordo com um estudo de 2024, 500 mil mortes ocorrem em parques eólicos nos Estados Unidos. O caso dos morcegos é complicado porque eles usam o mesmo espaço aéreo para alimentação e migração, se tornando muito vulneráveis às turbinas.

Com isso, a agência de proteção à vida selvagem dos EUA aprovou uma tecnologia da empresa EchoSense. A solução é a “redução inteligente” de mortes de morcegos pelas turbinas, sem comprometer a geração de energia eólica.

Em inglês, o termo é “smart curtailment”, reduzindo de modo inteligente a velocidade das pás das turbinas eólicas em horários de maior atividade dos animais.

A redução inteligente da EchoSense funciona ao combinar Sistemas de Supervisão e Aquisição de Dados (SCADA) com dados meteorológicos e acústicos para travar as turbinas eólicas quando os morcegos estão próximos.

O método, que interrompe o funcionamento de turbinas eólicas com ventos em velocidades inferiores a 5 metros por segundo, reduz as mortes de morcegos em mais de 60%.
Veja como funciona:


Outras empresas também buscam na tecnologia formas para evitar as mortes de morcegos. A Biodiv-Wind, da França, usa câmeras infravermelhas, e a DTBird & DTBat, da Espanha, adopta inteligência artificial para identificar espécies pelo som.

Winifred Frick, cientista da ONG Bat Conservation International (BCI), ressalta que as mortes de morcegos aumentaram ainda mais com as turbinas eólicas. Frick, que participou do documentário recém-lançado “The Invisible Mammal” aponta para importância ecológica dos morcegos.

A cientista alerta que combinação de dados acústicos, para Frick, pode ser perigoso para morcegos.

“Há evidências de que dissuasores acústicos podem aumentar as mortes de certas espécies de morcegos devido à sua curiosidade natural. E o som de alta frequência não viaja tão longe”, afirma.

Por fim, Frick foi uma das autoras do estudo sobre as mortes dos morcegos por turbinas eólicas, que contou com a participação de cientistas brasileiros.

Saber mais: 

segunda-feira, 5 de maio de 2025

Petição contra o Parque Eólico no Alto Minho


Durante anos, opus-me à instalação de parques eólicos na Peneda-Gerês. Não por rejeitar a energia do vento, mas porque cada coisa tem o seu lugar. E ali, na vastidão da serra da Peneda, não é esse o sítio certo.

Nas Terras de Arcos de Valdevez é a casa de 2 a 3 alcateias que tem permanecido estáveis e com reprodução confirmada e regular nas últimas décadas, alcateias que são fulcrais para a manutenção da população lobeira na região, bem como para a reexpansão da espécie nas áreas circundantes e em Portugal.

Integrada na Reserva da Biosfera Transfronteiriça Gerês-Xurés e na Rede Natura , esta serra guarda um património natural e cultural de valor incalculável — brandas antiquíssimas, pastagens de altitude construídas pelo homem, vestígios glaciares que contam histórias antigas, a mais resguardada alcateia da região, águias-reais, grifos e muito mais.

Se achas que este tipo de intervenção não devia acontecer aqui, por favor ASSINA e Partilha a PETIÇÃO.

Há meses conseguiu-se impedir uma central solar na Paradela. Claro que nesse caso o próprio Plano de Ordenamento foi determinante. Mas se não tivesse existido oposição escrita nos sítios próprios a central tinha passado. Neste caso é importante verificar por onde vão passar os corredores com os postes de alta tensão. Podem ajudar a chumbar o projecto.

quinta-feira, 14 de novembro de 2024

Abate a peso de ouro


"Não pode ser um ministro a dizer corte-se esta árvore por utilidade pública. Não pode ser. É uma árvore classificada. Isto é um ecossistema brutal. Quando se derruba uma árvore destas derrubaram-se, mataram-se, eliminaram-se muitos seres vivos. E, por isso, é que nós andamos a brincar. Neste momento, a gaiola onde estamos metidos só tem 25% das florestas que existiam quando nós aparecemos na terra. Isto é gravíssimo! Eu acho que só tenho uma palavra para isto: É um crime! É um crime nacional! E, portanto, isto tem que ser travado ou pela lei ou pela Assembleia da República." - Jorge Paiva – Botânico

Nos últimos 20 anos foram abatidos quase 78 mil sobreiros e mais de 262 mil azinheiras, em Portugal, espécies protegidas por Decreto-Lei. Projetos de imprescindível utilidade pública ou relevantes para a Economia Local têm permitido a devastação.

Um dos casos mais recentes envolve a permissão para o abate de mais de 1.800 sobreiros para a implementação do Parque Eólico de Morgavel, em Sines.

O projeto teve luz verde no verão passado através de um despacho assinado pelo ex-ministro do Ambiente e da Ação Climática, Duarte Cordeiro. Uma decisão que despertou a indignação da sociedade civil.

Várias foram as ações interpostas em Tribunal para travar o abate de sobreiros, ao longo dos últimos anos. Mas afinal o que se sobrepõe? A lei ou um despacho governamental?


Reportagem aqui

quarta-feira, 28 de agosto de 2024

Organizações não governamentais dos EUA, Canadá, Letónia, Estónia e Portugal apelam ao novo governo do Reino Unido para parar de subsidiar Drax para queimar árvores das florestas dos seus países


41 organizações de países que exportam pellets de madeira para o Reino Unido escreveram hoje ao Secretário de Estado Ed Miliband, instando-o a não ceder ao lóbi de Drax por novos subsídios assim que o apoio existente termine em 2027 . [1] A central termoeléctrica a biomassa de Drax, em Yorkshire, queima mais madeira do que qualquer outra central no mundo, toda ela (quase 6 milhões de toneladas de pellets de madeira em 2023) importada. O Reino Unido paga mais subsídios para a queima de madeira, principalmente nas centrais termoeléctricas, do que qualquer outro país da Europa, e Drax é de longe o maior beneficiário destes subsídios. O governo anterior propôs vários anos de novos subsídios, os chamados “transitórios”, para Drax e possivelmente para a central termoeléctrica de Lynemouth, que, de acordo com a sua avaliação de impacto, poderiam ascender a 2,5 mil milhões de libras por ano .

A maioria dos pellets de madeira queimados em Drax vêm do sudeste dos EUA e do Canadá.
Adam Colette, da Dogwood Alliance, [2] com sede na Carolina do Norte, afirma: "As nossas florestas e comunidades há muito que sofrem com as práticas destrutivas da indústria da biomassa. A devastação é liderada pela Drax e financiada pelo governo britânico. A nossa esperança é que uma nova administração veja os impactos que advêm de soluções falsas que prejudicam as pessoas e o ambiente no sul dos EUA e deixam de subsidiar as empresas que destroem o planeta."

Len Vanderstar, Diretor da Bulkley Valley Stewardship Coalition na Colúmbia Britânica [3], acrescenta: “Dado que o mundo se aproximou e até ultrapassou os pontos de viragem no que diz respeito ao aquecimento global, a solução para as alterações climáticas não é uma maior desverdização do planeta.

Drax queima também quantidades substanciais de pellets de madeira provenientes da Letónia, Estónia e Portugal.
Liina Steinberg, membro do Conselho da Save Estonia's Forests [4], afirma: “A pressão sobre as florestas da Estónia continua a aumentar rapidamente. A procura da indústria da biomassa florestal, incluindo a exportação para o Reino Unido, soma-se à crescente procura de pasta de papel, papel e produtos bioquímicos. Para fornecer toda esta madeira, novas propostas legislativas - fortemente apoiadas pela indústria - prevêem as primeiras plantações de árvores em grande escala na Estónia, bem como o enfraquecimento das protecções de áreas naturais supostamente protegidas.»

Viesturs Ķerus da Sociedade Ornitológica da Letónia [5] afirma: “Na Letónia, estamos a assistir a declínios nas populações de espécies florestais que deveríamos proteger, habitats florestais de importância internacional estão a ser destruídos e perdemos o sumidouro de carbono florestal. Embora existam vários factores envolvidos, a procura subsidiada de biomassa para queima por parte do Reino Unido e de outros países é, sem dúvida, um factor importante por detrás desta degradação das nossas florestas.”

Paulo Pimenta de Castro da Acréscimo - Associação de Promoção ao Investimento Florestal [6] acrescenta: “Em Portugal, a produção de pellets para energia, maioritariamente para exportação, bem como a queima direta de biomassa têm provocado uma perda significativa de cobertura arbórea, afetando espécies autóctones, nomeadamente pinheiros e carvalhos . Esta perda está associada à expansão das plantações de eucalipto e à invasão de acácias, que têm um impacto crescente nos incêndios florestais.”

Os grupos que assinaram a carta apelam ao governo para que utilize o dinheiro poupado ao não conceder novos subsídios a Drax e à Lynemouth Power para apoiar energias renováveis ​​limpas e genuinamente de baixo carbono, como a energia eólica e solar.

[1] The letter can be viewed here

[2] Dogwood Alliance is a non-profit organization which promotes environmental justice and climate action by mobilizing diverse voices to protect Southern forests and communities from industrial logging: dogwoodalliance.org/

[3] Bulkley Valley Stewardship Coalition is a volunteer-run organization that works to protect the natural environment in Bulkley Valley, which is located in the northwest Central Interior of British Columbia, Canada,

[4] Latvian Ornithological Society is the Latvian member group of BirdLife International: lob.lv/

[5] Save Estonia’s Forests is a grassroots movement that seeks to improve the protection of forests in Estonia: savetheforest.ee/en/

[6] Acréscimo is a non-profit organization that seeks to improve the conservation and management of forests in Portugal: https://www.facebook.com/acrescimo/

quarta-feira, 31 de julho de 2024

Sabe quantas aves são mortas pela pesca na Europa? O número vai chocá-lo


Cerca de 200 mil aves marinhas morrem todos os anos por captura acidental na pesca em águas europeias, incluindo seis espécies em risco de extinção na região, indica um estudo hoje divulgado.

Da responsabilidade da organização internacional de defesa das aves “BirdLife International” com a colaboração da Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA), o estudo alerta que os números podem ser só “a ponta do iceberg”, porque muitos países costeiros não têm estimativas e quando existem raramente incluem toda a frota pesqueira do país.

Das 200.000 aves marinhas, 150.000 são mortas em águas da União Europeia, nota-se no documento.

“Este estudo vem reforçar, não só a importância, mas também a urgência de criar o Plano Nacional de Ação para a minimização das capturas acidentais na pesca”, diz Ana Almeida, técnica de conservação marinha na SPEA, citada num comunicado da associação portuguesa.

E acrescenta: “Estamos a colaborar com as entidades governamentais responsáveis no desenvolvimento deste plano que deve estar pronto até ao final do ano. A monitorização deste problema tem sido muito importante, mas é insuficiente. Encontrar e aplicar soluções que mitiguem este problema é determinante para garantir que a atividade de pesca seja sustentável e que os recursos marinhos se mantenham disponíveis para as gerações futuras.”

Também num comunicado sobre o estudo, a “BirdLife International” alerta que as aves marinhas são dos grupos de aves mais ameaçados na Europa, com mais de um terço das espécies a sofrerem declínios populacionais.

Entre as ameaças às colónias de reprodução em terra, a organização fala das espécies invasoras e perturbações no ‘habitat’, e dá como exemplos de outras ameaças, no mar, a sobrepesca e as infraestruturas de energia renovável (como as eólicas).

As alterações climáticas, acrescenta, estão a “aumentar a pressão ao longo do ciclo de vida” das aves.

A organização nota que as ameaças são fáceis de gerir e que em muitos casos “alterações relativamente simples nas práticas de pesca ou modificações nas artes de pesca podem reduzir significativamente o número de aves” que morrem.

“Esperamos que esta análise possa ajudar os investigadores, os gestores das pescas, os governos e muitas outras partes interessadas no setor marinho a compreender a escala das capturas acidentais de aves marinhas na Europa. Os números são alarmantes e confirmam que as capturas acidentais são uma das principais ameaças para as aves marinhas migratórias que se reproduzem ou visitam as águas europeias”, diz a “BirdLife International”.

Segundo a organização, os números mais alarmantes de capturas acidentais são registados nas redes de emalhar no mar Báltico e no Atlântico Nordeste e nos palangres (arte de pesca à linha) no Atlântico Nordeste e no Mediterrâneo.

domingo, 30 de junho de 2024

Terá sido esta a primeira casa auto-sustentável?


Em 1995, o Estúdio José Luis Rodríguez Gil criou uma casa sustentável nas Ilhas Canárias, Espanha. Chamada “Casa em Urbanização Experimental Bioclimática”, o edifício tem 120 metros quadrados em contraplacado e foi cuidadosamente desenhada para optimizar a eficiência dos seus painéis solares no telhado, enquanto uma pedra de basalto ajuda o edifício a proteger-se do sol e do vento.

Utilizando apenas materiais locais como pedra e basalto, para além de madeira certificada, a casa acaba por ter uma pegada carbónica reduzidíssima. E são exactamente estes materiais permitem que a moradia se integre com o ambiente natural envolvente, bastante rígido, deixando o impacto visual ao mínimo possível – o mesmo não se pode dizer das turbinas eólicas presentes no local, mas elas são fundamentais para que a casa seja energeticamente independente.

O mais interessante deste projecto é ver que, há três décadas, um proprietário teve a visão e fez o investimento financeiro para desenhar uma moradia completamente auto-sustentável. As turbinas eólicas, ainda que esteticamente questionáveis, são cruciais para que este objectivo se cumprisse, assim como os painéis fotovoltaicos.

Os materiais escolhidos também ajudam a maximizar a eficiência energética. Isto tudo em 1995, quando a reciclagem ainda era um termo desconhecido para a Europa do Sul, quanto mais as renováveis.

quinta-feira, 21 de março de 2024

Energia nuclear para descarbonização da Europa é desnecessária


O prolongamento da vida útil da energia nuclear na Europa é desnecessário para a descarbonização, indica um relatório do Gabinete Europeu do Ambiente (EEB, na sigla original), ontem divulgado.

Segundo as conclusões do EEB, que junta 180 associações ambientalistas de 38 países, as energias renováveis, a poupança de energia e opções de flexibilidade podem substituir a energia nuclear, sendo viável a eliminação gradual da “frota nuclear envelhecida da Europa e alcançar a neutralidade carbónica até 2040”.

O relatório é divulgado na véspera de uma cimeira em Bruxelas sobre energia nuclear, que junta dirigentes políticos e empresas, para debater o papel da energia nuclear na redução dos combustíveis fósseis, aumentando a segurança energética e o desenvolvimento económico.

A cimeira será copresidida pelo primeiro-ministro belga, Alexander De Croo, e pelo diretor-geral da Agência Internacional da Energia Atómica (AIEA), Rafael Mariano Grossi e surge na sequência da inclusão do nuclear na declaração da cimeira da ONU sobre o ambiente que decorreu no final do ano passado no Dubai (COP28), admitindo a energia nuclear como fonte de energia com baixas emissões de dióxido de carbono.

No entanto, de acordo com o relatório do EEB, a construção de novas centrais nucleares é “uma estratégia irrealista para a descarbonização”.

Porque tem custos muito elevados e a construção é demorada está também em debate o prolongamento da vida das atuais centrais nucleares, algo que o relatório do EEB também contraria.

O documento mostra “que a atual frota nuclear pode ser eliminada gradualmente, a par dos combustíveis fósseis, à medida que os países da União Europeia (UE) transitam para um sistema energético drasticamente mais eficiente, alimentado por energias renováveis e apoiado por opções de flexibilidade”.

“À medida que as energias renováveis crescem e a procura de energia diminui, o papel da energia nuclear na Europa torna-se redundante. Veja-se o caso de Espanha, onde o aumento da energia eólica, solar e hídrica fez baixar os preços da eletricidade e obrigou as empresas de energia a suspender a energia nuclear para evitar perdas financeiras”, acrescenta.

O EEB salienta que a frota nuclear da UE está envelhecida, que todas as centrais, exceto duas, foram construídas antes de 2000, e que sem extensões de prazo a maioria das centrais deve encerrar até 2030. Segundo o organismo europeu, a contribuição da energia nuclear para o cabaz elétrico está em declínio na UE e os custos a aumentar.

O relatório conclui que os esforços de descarbonização dos Estados membros da UE devem dar prioridade à redução do consumo de energia na indústria, nos edifícios e nos transportes, ao mesmo tempo que aumentam a implantação das energias renováveis.

Por causa da cimeira, uma coligação internacional de ativistas vai organizar uma manifestação de protesto em Bruxelas. A organização ambientalista Greenpeace UE diz em comunicado que os ativistas protestam contra o que consideram “contos de fadas nucleares”.

Esta semana, mais de 500 organizações de todo o mundo assinaram uma declaração anti-nuclear, defendendo “energia segura, acessível e amiga do clima para todos”, e apelando aos governos para que não desperdicem tempo e dinheiro com esses “contos de fadas”.

Outra organização ambientalista, que junta associações europeias, a “Climate Action Network” (CAN Europe) apresenta também um documento segundo o qual a energia nuclear é “uma perigosa distração” da transição para um sistema energético baseado em energias renováveis, “e ameaça atrasar a urgente eliminação progressiva dos combustíveis fósseis”.

“Vemos com crescente preocupação o renascimento da energia nuclear”, diz Thomas Lewis, da CAN Europe, frisando que as energias renováveis são o substituto mais barato, mais rápido e mais viável para os combustíveis fósseis.

quinta-feira, 16 de novembro de 2023

Chuva e vento permitem vários dias de consumo renovável. Vai ser cada vez mais frequente


Durante dois dias, no final da semana passada, o consumo de eletricidade em Portugal foi assegurado por fontes renováveis, sobretudo energia eólica e hídrica, devido às "condições favoráveis de vento e chuva". O anúncio da REN - Redes Energéticas Nacionais entusiasmou o Governo e a maioria dos agentes ligados ao ambiente.

Num comunicado divulgado no sábado, dia 28, a REN dava conta de que o consumo de eletricidade estava a ser assegurado por fontes renováveis desde as 22.30 de sexta-feira. E prolongou-se até domingo. Desde essa hora até às 00.00 de sábado foram gerados 97,6 Gigawatts-hora (GWh) de energia eólica, 6,6GWh de energia solar e 68,3GWh de energia hídrica, que "asseguraram o consumo de 137,1GWh", adiantava a REN, anunciando que "os excedentes de produção têm sido exportados através da interligação com Espanha".

Segundo a empresa, desde as 09.00 horas do dia 24 de outubro, o consumo de eletricidade em Portugal foi assegurado por energias renováveis, apesar de "recorrer à importação de eletricidade de Espanha em alguns períodos".

De acordo com o comunicado, "a passagem à exportação plena decorreu na sexta-feira, dia 27 outubro, pelas 17.00 horas, em que Portugal passou a exportador de eletricidade em 100% do tempo".

Citada pela Agência Lusa, a REN sublinhava que, por questões de equilíbrio entre a geração e o consumo, entraram, no mesmo dia, em operação dois grupos em duas centrais térmicas de ciclo combinado a gás natural entre as 16.00 e as 22.30, "findas as quais o consumo de eletricidade em Portugal passou a ser abastecido com produção 100% renovável, e ainda com saldo exportador para Espanha".

Pedro Nunes, coordenador do grupo de Energia, Clima e Mobilidade da associação ambientalista Zero, acredita que os dois dias verificados nesta semana fazem parte de "uma boa notícia que antecipa já, de alguma maneira, aquela que será a realidade do sistema elétrico português em 2030". Isto quer dizer que, nessa altura, o país deverá ter "100 por cento de eletricidade renovável e que, para já, conseguimos ter o sistema a funcionar sem ir abaixo". Por ora, "isto só é possível em situações excecionais, mas a tendência será tornar-se a norma", afirma o dirigente daquela associação.

Não é a primeira vez que a situação de pleno consumo renovável se verifica, embora só aconteça "quando temos um quadro excecional de vento e chuva abundante. Neste caso, até foi mais o vento: tivemos mais energia eólica do que hídrica a ser produzida", sustenta Pedro Nunes.

A verdade é que, apesar de dias nublados, até a energia solar acabou por ter algum peso. E isso, em 2030, será uma constante. "Teremos uma grande bossa (é assim que ela aparece nos gráficos durante o dia, porque começa a produzir de manhã, tem ali um apogeu a meio do dia e depois, à noite, volta a deixar de ser produzida) de energia solar".

No grupo de Energia, Clima e Mobilidade da Zero, não há dúvidas de que "esta situação tenderá a repetir-se cada vez com mais frequência, até ser a norma".

O facto é que temos cada vez maior incorporação de energia renovável no sistema elétrico. De acordo com a revisão do PNEC (Plano Nacional de Energia e Clima), "temos 47GW previstos de energia renovável - o que é muita potência instalada - em 2030. E portanto isto será muito mais a norma do que a exceção".

Uma viagem ao futuro
O regozijo tomou conta também da Associação de Energias Renováveis (APREN), ao cabo de mais dois dias em que fizeram o pleno. "Estamos a desenhar todo um sistema elétrico para ter incorporação de renovável cada vez maior e que permita chegar ao maior número possível de consumidores", afirma ao DN Pedro Amaral Jorge, presidente da direção.

"As renováveis vão suprir uma dimensão adicional que é a segurança energética. Quando nós temos dias em que o conjunto da eletricidade em Portugal é 100% suprido em fontes renováveis, isso é uma viagem ao futuro", sublinha Pedro Amaral Jorge. Também ele antevê que, nos próximos anos, teremos "esse comportamento na maior parte dos dias do ano e não apenas quando as condições concomitantes de eólica e hídrica o permitem".

"Este é o desenho do mercado de eletricidade. Obviamente que ficamos muito contentes que tenhamos já dias em que isso acontece e que todo o sistema elétrico - os produtores de eletricidade, as redes, os consumidores - conseguem gerir toda esta incorporação de renovável sem haver falhas", conclui o presidente da APREN, que espera ver, em 2030, "cerca de 85 a 90% renovável o consumo de energia no país".

Mas o que à partida parece uma boa notícia reveste-se de outras preocupações para a Iris - Associação Nacional de Ambiente. O presidente, Paulo Pimenta de Castro, aponta, por exemplo, "a questão da biomassa, porque vai ter impacto na redução do arvoredo e consequentemente na biodiversidade".

Além disso, o ambientalista lembra que tanto os fotovoltaicos como os parques eólicos "são muitas vezes projetados para áreas de reserva ecológica ou da Rede Natura 2000, como está atualmente a acontecer em Sines".

"Nós somos favoráveis a fontes de energia renovável, mas não à conta da destruição dos ecossistemas". "O que se passa em Portugal é que vamos cumprir metas, mas com custos ambientais elevados", considera Pimenta de Castro, para quem "não há, da parte do Governo, critérios definidos, apesar das metas de 2030".

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segunda-feira, 9 de outubro de 2023

Manifesto pelas energias renováveis em harmonia com os ecossistemas



O Conselho da União Europeia adoptou formalmente a Diretiva Energias Renováveis (RED). Esta diretiva obriga os Estados-Membros da UE a acelerar significativamente os procedimentos de licenciamento para projetos de energias renováveis.

50 organizações, entre as quais o GEOTA, unem as suas vozes num Manifesto pela aceleração do processo em harmonia com os ecossistemas e as comunidades locais.

Leia o Manifesto aqui.

terça-feira, 5 de setembro de 2023

Guterres exige que países ricos cumpram as suas promessas no combate à crise climática


O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, exigiu hoje na Cimeira do Clima de África, que decorre em Nairobi, que os países desenvolvidos cumpram as suas promessas no combate à crise climática, que atinge desproporcionalmente o continente.

“Este continente emite apenas quatro por cento das emissões globais, mas sofre alguns dos piores efeitos do aumento das temperaturas globais: calor extremo, inundações implacáveis e dezenas de milhares de mortes devido a secas devastadoras”, afirmou António Guterres no seu discurso de abertura no segundo dia da cimeira, coorganizada pelo Governo queniano e pela União Africana (UA).

O chefe da ONU afirmou que, mesmo assim, “ainda é possível evitar os piores efeitos” da crise climática, embora seja necessário um “salto qualitativo” na “ação climática” e mais “ambição”, especialmente por parte dos países desenvolvidos, que devem reduzir as suas “emissões líquidas para perto de zero” até 2040.

Os países desenvolvidos devem também “cumprir a sua promessa” de destinarem 100 mil milhões de dólares por ano aos países em desenvolvimento, o que permitirá às nações africanas garantir o acesso a sistemas de eletricidade verde a preços acessíveis e criar sistemas de alerta precoce para fenómenos meteorológicos extremos.

Guterres apelou igualmente à “correção do rumo do sistema financeiro global”, garantindo um “mecanismo eficaz de alívio da dívida” a taxas acessíveis.

“O sistema financeiro mundial tem de ser um aliado dos países em desenvolvimento na condução de uma transição ecológica justa e equitativa que não deixe ninguém para trás”, acrescentou, antes de destacar o potencial de África para se tornar “um líder mundial em energias renováveis”.

“A África possui 30% das reservas minerais essenciais para as tecnologias renováveis e de baixo carbono, como a energia solar, os veículos elétricos e as baterias”, recordou.

A abertura do segundo dia da cimeira, que decorre até esta quarta-feira, contou ainda com a presença do presidente da Comissão da UA, Moussa Faki Mahammat, da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, do Presidente do Quénia, William Ruto, do Presidente das Comores e chefe rotativo da UA, Azali Assoumani, e do primeiro-ministro egípcio, Mostafa Madbouly.

No final da cimeira, em que participam mais de vinte chefes de Estado e de Governo africanos, bem como líderes de organizações internacionais, espera-se que seja adotada a chamada “Declaração de Nairobi”, que procura articular uma posição africana comum a levar a diferentes fóruns mundiais.

Os líderes africanos querem construir uma perspetiva unificada que defenderão na cimeira do clima COP28 no Dubai, prevista para o final do ano, mas também na Assembleia Geral da ONU, e junto do G20 ou instituições financeiras internacionais.

quinta-feira, 24 de agosto de 2023

Marcha: "Vamos Salvar os Sobreiros"


Marcha "Vamos Salvar os Sobreiros", a realizar no próximo sábado, 26 de agosto, com início pelas 12:00 horas, no Parque Eduardo VII, em Lisboa, dirigindo-se depois para o Ministério do Ambiente e Ação Climática e a terminar no jardim do Príncipe Real.

Em causa está a salvaguarda de um bosque de sobreiros, adultos, saudáveis, a extrair cortiça, localizado em Sines. Embora seja uma espécie protegida, o Governo autorizou o abate de mais de 1800 sobreiros, classificada pelo Parlamento como “Árvore Nacional de Portugal”, para a instalação de um parque eólico pela EDP Renováveis.

O objetivo desta marcha é exigir aos governantes a revogação do Despacho n.º 7879/2023, de 1 de agosto 2023, que autoriza a EDP a proceder ao abate.

Porquê proteger os sobreiros?
- Árvores resistentes ao fogo, importantes para o ciclo hidrológico, retenção de água nos solos, limpeza e arrefecimento do ar, silvopastorícia, apicultura, colheita de cogumelos, turismo rural e casa de inúmeros animais - crucial para a biodiversidade!
- Exportação de cortiça gera cerca de 900 milhões de euros anuais. Um sobreiro pode dar cortiça até aos 200 anos de idade!
- Produzem muito oxigénio e retêm muito dióxido de carbono: Um montado de sobreiros pode anualmente absorver até 14,7 toneladas de dióxido de carbono (CO2) por hectare - aqui estamos a falar de 32 hectares 

Num momento em que as alterações climáticas são cada vez mais sentidas, é imprescindível proteger as nossas florestas. Os sobreiros são das árvores mais importantes a nível ecológico e económico que temos em Portugal. 

A EDP promete repovoar uma área de 50 hectares, contudo os sobreiros demoram cerca de 20-25 anos até atingir idade adulta, e não sabemos quantas destas árvores plantadas poderão sobreviver (com o aumento da seca, as percentagens de sobrevivência são baixas) 

A energia eólica pode ser produzida em muitos lugares: zonas sem floresta ou onde os incêndios passaram, ou zonas de monoculturas ou com espécies invasoras como acácias ou eucaliptos que são altamente inflamáveis e são um problema grave em Portugal. 

Sobre o Projeto e porque é que desaprovamos:
- 16 km de linhas elétricas associados ao empreendimento junto ao Parque Natural do Sudoeste Alentejano e da Costa Vicentina.
- coincide com o corredor de migração de aves selvagens protegidas, nos concelhos de Sines e Santiago do Cacém.
- o projeto de compensação do abate de sobreiros a realizar em Tavira, deveria ser proposto para a Área Florestal de Sines, ou outra próxima, no Alentejo.
- o Plano de Acompanhamento Ambiental da Obra omite o plano para a compensação do abate de sobreiros, assim como o Plano de Gestão Florestal e a sua monitorização.
- a constituição de nova faixa de gestão de combustível sobre as linhas elétricas aumenta impacto do projeto.
- este projeto localiza-se próximo de 1 dos 2 únicos ninhos de Águia-pesqueira existentes em Portugal e pode contribuir para o desaparecimento da população reprodutora desta espécie em perigo critico de extinção.
- o projeto também está localizado numa área muito crítica identificada pelo ICNF para as aves aquáticas que interdita este tipo de projetos. 

domingo, 23 de julho de 2023

Música do BioTerra : Slow Pup - Slugs


Quiet, c'mon and give me a kiss
I guess that I wasn't over it
Perfect, all the ways I know we
Fit together, I think I want back in
Oh, when it, it all ends again
What if I tell you that
You'll be playing in my head

'Cause you're a summer hit
I'm singing it
You're a summer hit
I'm singing it

Listen, I wanna tell you how I've been
That I want you despite my defense
Trust in all the things I never said
I'm sorry I haven't been honest
But when it, it all ends again
What if I tell you that
You'll keep playing in my head

Bibiografia e Discografia

Página Ofial

segunda-feira, 19 de junho de 2023

A Europa perdeu cerca de 550 milhões de aves em 40 anos. A maior causa? Pesticidas e fertilizantes

Trigueirão (Emberiza calandra) em vinhedos em Cosne-sur-Loire (Nièvre), em dezembro de 2012

As aves há muito fascinam cientistas amadores e profissionais, e uma estreita cooperação em toda a Europa criou um profundo conhecimento sobre seus hábitos, necessidades e números. Alguns dos conjuntos de dados mais antigos desse tipo dizem respeito a pássaros que vivem pelo menos parte de suas vidas na Europa.

Esses dados mostram um quadro sombrio: cerca de 550 milhões de aves foram perdidas da população total da Europa nos últimos 40 anos. É uma estatística chocante e nos diz algo profundo sobre o relacionamento rompido da humanidade com a natureza.

Os cientistas sabem que a biodiversidade está sob pressão crescente, especialmente devido às rápidas mudanças na forma como a terra é usada (da floresta para a agricultura, por exemplo) e ao aumento das temperaturas. Mas como as diferentes espécies respondem a essas pressões, qual delas é a mais importante e como os conservacionistas podem responder para aliviá-las, tudo isso continua sendo uma questão controversa.

Turbinas eólicas, urbanização, perda de habitat, iluminação noturna, alterações climáticas, caça ou até predação por gatos. A multiplicidade de causas potenciais para o colapso das populações de aves europeias tem sido um dos pretextos para a inação política. O trabalho europeu, de escopo sem precedentes e publicado segunda-feira, 15 de maio em Proceedings of the National Academy of Sciences, dissipa em grande parte a neblina muito conveniente da "multifatorialidade". Eles conseguiram estabelecer, pela primeira vez, uma hierarquia geral das causas do declínio das populações de aves no Velho Continente e apontam o uso de pesticidas e fertilizantes sintéticos como o principal fator, à frente do aquecimento global.

Aproveitando dados de alta qualidade sobre aves, este novo artigo analisou como 170 espécies de aves responderam às pressões induzidas pelo homem na Europa, usando dados coletados em mais de 20.000 locais de monitorização em 28 países ao longo de 37 anos, incluindo dados do Reino Unido.

Descobri que os produtos químicos usados ​​nas quintas para controlar insetos e plantas vistos como ervas daninhas que podem reduzir o rendimento das colheitas estão a privar muitas aves da sua principal fonte de alimento e que esta é a maior causa de seu declínio em toda a Europa.

Fonte: Le Monde

A guerra química contra os insetos e as aves
Uma das principais conclusões do estudo é que o grande uso de pesticidas e fertilizantes é o fator mais significativo para o declínio da população de aves em toda a Europa, incluindo o Reino Unido. Isso não é uma grande surpresa – muitos estudos chegaram a essa conclusão. Mas este é o primeiro estudo a analisar os motores feitos pelo homem de uma só vez, usando alguns dos melhores dados disponíveis e métodos estatísticos modernos. Os resultados são claros.

As práticas agrícolas começaram a mudar significativamente após a segunda guerra mundial, quando os países introduziram medidas para aumentar a produção das quintas. No entanto, tais esforços para aumentar a produção, incluindo uma crescente dependência de pesticidas e fertilizantes, tiveram um custo significativo para as aves e outros animais selvagens – e, de forma crítica, para a saúde geral do meio ambiente.

Um relatório recente do governo do Reino Unido descobriu que a perda de biodiversidade, juntamente com a mudança climática, representava a maior ameaça de médio a longo prazo para a produção doméstica de alimentos. A perda da biodiversidade tem consequências para a sociedade muito além das espécies ameaçadas de extinção.

Acreditamos que as aves são afetadas principalmente por pesticidas e fertilizantes através da perda de alimentos, embora esses produtos químicos também possam afetar diretamente a sua saúde. Os pesticidas são projetados para matar os insetos e invertebrados que os pássaros comem. Os fertilizantes mudam o tipo de planta que cresce num ambiente, muitas vezes em detrimento de uma grande variedade de espécies. Os invertebrados precisam dessa vegetação para se alimentar e se abrigar, e os pássaros também – assim como os invertebrados.

Os invertebrados são uma parte importante da dieta de muitas espécies de aves, mas são combustível de foguete para os filhotes em crescimento, que são o motor do crescimento populacional. Os invertebrados são particularmente importantes durante o período de reprodução para mais de 80% das aves em nosso estudo. A dramática perda de insetos de que ouvimos falar parece ter um impacto profundo nas aves.

Comida amiga da natureza
A questão é a melhor forma de responder. A natureza está com problemas nas terras agrícolas, mas os agricultores podem ser uma grande parte da solução se forem apoiados pelas políticas certas.

Precisamos de um apoio muito maior para práticas agrícolas favoráveis ​​à natureza e de uma mudança na agricultura dominada por pesticidas e fertilizantes inorgânicos. Isso seria bom para a natureza, para os agricultores e para a produção de alimentos, para o clima, para os consumidores – e muitos agricultores progressistas estão liderando o caminho.

Nossos resultados também mostram o poder da ciência cidadã e da cooperação internacional para avançar a ciência e entender melhor o mundo natural – e como mudar as coisas.

Agora precisamos que os governos de todo o mundo apoiem esquemas de gestão de terras que recompensem a agricultura amiga da natureza, como o compromisso de administrar pelo menos 10% das terras agrícolas para a natureza, o que, por sua vez, ajudará a sustentar ou até mesmo aumentar a produtividade agrícola .

Mas também precisamos de uma reforma mais ampla do sistema alimentar, incluindo dietas amigas da natureza. Retalhistas, fornecedores e processadores podem fazer sua parte para garantir um ambiente saudável que possa nos alimentar e trazer de volta a natureza – com todos os benefícios que isso trará para as pessoas.

Saber mais:

sexta-feira, 14 de abril de 2023

O “início do fim da era fóssil”? Produção global de eletricidade a partir de fontes renováveis atinge novo recorde em 2022


No ano passado, as energias solar e eólica produziram 12% de toda a eletricidade consumida a nível global, face aos cerca de 10% registados em 2021.

A conclusão é de um relatório divulgado esta quarta-feira pela Ember, um grupo de reflexão independente que se dedica às questões relacionadas com a energia, e que revela também que, no seu conjunto, as renováveis e a nuclear produziram 39% da eletricidade a nível global em 2022, o valor mais alto de sempre.

A energia solar é a que mais tem crescido, aumentando sucessivamente ao longo dos últimos 18 anos. No ano passado, a geração de eletricidade de origem solar subiu 24% face a 2021, sendo que a energia eólica, a segunda maior fonte de energia renovável, cresceu 17%.

Os especialistas do grupo de reflexão Ember preveem que 2023 poderá marcar o início de uma nova era de declínio da presença dos combustíveis fósseis na produção de eletricidade a nível global.
Crédito: Ember
Os especialistas da Ember estimam que a quantidade de eletricidade produzida pelo solar em 2022 terá sido suficiente para alimentar África do Sul durante um ano inteiro, e que a energia eólica terá gerado eletricidade suficiente para iluminar quase todo o Reino Unido.

Contudo, as emissões de gases com efeito de estufa do setor elétrico mundial aumentaram 1,3% em 2022, atingindo um máximo histórico. Apesar de a incorporação de renováveis nunca ter sido tão grande, o consumo de eletricidade tem aumentado fortemente, o que não permitiu reduzir as emissões.

A eletricidade produzida a partir do carvão subiu ligeiramente em 2022 (1,1%), sendo que os autores do relatório argumentam que, embora o abandono progressivo desse combustível fóssil não tenha arrancado no ano passado, tal como acordado na cimeira climática COP26, de 2021, a crise energética despoletada pela guerra da Rússia na Ucrânia não fez disparar, contrariamente ao que se receava, a geração de eletricidade através da queima de carvão.

Nesse quadro, os especialistas da Ember consideram que em 2022 é possível que o setor global da produção de eletricidade tenha, por fim, alcançado um pico. “As energias eólica e solar estão a desacelerar o aumento das emissões do setor elétrico”, dizem, calculando que se toda a eletricidade produzida em 2022 a partir de fontes renováveis tivesse, ao invés, sido gerada por combustíveis fósseis, as emissões do setor teriam crescido 20% face a 2021.

Assim, os relatores preveem que, com base no crescimento médio da procura global e do fortalecimento das renováveis, neste ano de 2023 poderemos assistir a “uma pequena queda” da geração de eletricidade a partir de combustíveis fósseis, que deverá ser da ordem dos 0,3%, “com quedas maiores nos próximos anos, à medida que as energias eólica e solar crescem ainda mais”.

Por isso, vaticinam que “uma nova era de reduções das emissões do setor elétrico está próxima”.

Małgorzata Wiatros-Motyka, analista sénior da Ember especializada no setor da eletricidade, salienta que “nesta década decisiva para o clima, este é o início do fim da era fóssil”, destacando que estamos a dar os primeiros passos no que considera ser “a era da energia limpa”.

“Uma nova era de queda das emissões fósseis significa que ao abandono progressivo do carvão irá acontecer, e o fim do crescimento da geração de eletricidade através do gás está à vista”, afiança a especialista, que acredita que “a mudança aproxima-se a passos largos”, mas “tudo depende das ações que sejam agora tomadas pelos governos, empresas e cidadãos para colocar o mundo no caminho da energia limpa até 2040”.