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domingo, 23 de agosto de 2026

Resíduos de painéis solares podem chegar a 402 milhões de toneladas até 2060


A rápida expansão da energia solar está a criar um novo desafio ambiental: o destino dos painéis fotovoltaicos quando chegam ao fim da sua vida útil. Um estudo internacional publicado na revista Nature estima que o volume global de resíduos de painéis solares poderá atingir entre 297 e 402 milhões de toneladas até 2060.

A investigação, que envolve investigadores da China, Austrália e Suécia, incluindo Jian Zuo, professor da Adelaide University, alerta, contudo, que esta crescente quantidade de resíduos pode transformar-se numa oportunidade económica. Segundo os autores, a reciclagem adequada dos painéis fotovoltaicos poderá gerar benefícios económicos acumulados de centenas de milhares de milhões de dólares até 2060, podendo atingir valores próximos de um bilião de dólares.

“A energia solar é essencial para a transição para um sistema energético de baixo carbono, mas não podemos ignorar o que acontece aos painéis solares no final da sua vida útil”, afirma Jian Zuo. Para o investigador, é necessário começar desde já a planear a reciclagem, de forma a transformar o fluxo crescente de resíduos numa fonte de materiais, em vez de num problema ambiental.

Os painéis solares contêm materiais com valor económico, como silício, prata, cobre e telúrio. Incluem também metais como chumbo e cádmio, que podem representar riscos ambientais caso os equipamentos sejam eliminados de forma inadequada.

Para avaliar as diferentes possibilidades, os investigadores desenvolveram um modelo integrado que analisou 1708 cenários de reciclagem em 32 regiões do mundo, considerando tecnologias disponíveis, preços dos materiais, comércio internacional e políticas de subsídios.

Os resultados indicam que a combinação de tecnologias de reciclagem adaptadas a cada região com o recurso a instalações de reciclagem externas poderá proporcionar os maiores benefícios económicos e ambientais. Esta abordagem permitiria reduzir custos e emissões, sobretudo através do encaminhamento dos resíduos para países com tecnologias de reciclagem mais avançadas e economicamente competitivas.

A solução levanta, contudo, uma questão de equidade. A concentração da reciclagem nas regiões com maior capacidade tecnológica poderá fazer com que os benefícios económicos fiquem igualmente concentrados, deixando países de menores rendimentos com uma parcela reduzida dos ganhos.

“A via de reciclagem mais barata ou eficiente a nível global não é necessariamente a mais justa”, alerta o investigador, defendendo que as políticas de reciclagem devem ter em conta não apenas a eficiência económica, mas também a distribuição dos benefícios e dos impactos ambientais.

O estudo aponta para a possibilidade de recorrer a subsídios decrescentes, que seriam reduzidos progressivamente à medida que a reciclagem se tornasse economicamente viável. Segundo os investigadores, este modelo poderia melhorar a distribuição dos benefícios entre regiões e exigir menos investimento do que a manutenção de subsídios permanentes.

O valor dos materiais recuperados será também determinante. Uma subida dos preços de matérias-primas como a prata, o alumínio e o silício poderá aumentar a rentabilidade da reciclagem, enquanto a evolução tecnológica deverá contribuir para reduzir os custos dos processos.

Para os investigadores, a cooperação internacional será essencial para preparar o setor para o aumento dos resíduos fotovoltaicos. “Precisamos de encarar os painéis solares como parte de uma economia circular, e não como um produto descartável”, defende Jian Zuo.

A conclusão surge num momento em que a indústria fotovoltaica ainda tem oportunidade de criar capacidade de reciclagem antes de o volume de equipamentos em fim de vida atingir o seu pico. Para os autores, antecipar esse investimento será fundamental para evitar que a transição para a energia solar crie um novo problema de resíduos à escala global e para garantir que os materiais dos painéis possam voltar ao ciclo produtivo.

terça-feira, 21 de julho de 2026

Sistema Volta: embalagens são esmagadas após devolução? A SIC Verifica

Um vídeo a circular no TikTok está a gerar dúvidas sobre o funcionamento do Sistema Volta. Nas imagens, vê-se o interior de uma máquina de devolução com embalagens já trituradas. Em poucos dias, a publicação acumulou milhares de visualizações e centenas de comentários, com vários utilizadores a acusarem o sistema de "hipocrisia" por exigir que garrafas e latas sejam depositadas intactas para serem esmagadas logo de seguida. Mas afinal, existe alguma contradição entre as regras de devolução e o destino dado às embalagens? A SIC Verifica.

"Olha como ficam as embalagens que eles querem que se depositem intactas na máquina do Sistema Volta", refere a legenda de um vídeo que está a gerar debate no TikTok.

Nas imagens, o autor da publicação mostra o interior de uma máquina de devolução cheia de embalagens esmagadas, sugerindo uma contradição entre as regras impostas aos consumidores e o tratamento dado posteriormente ao material recolhido.

A publicação rapidamente gerou debate entre os utilizadores da rede social, acumulando milhares de visualizações e centenas de comentários.

Enquanto alguns apontam uma "incoerência" no sistema, outros defendem que a compactação das embalagens faz parte do processo normal de recolha e reciclagem.
"Se ficassem inteiras, a máquina levava meia dúzia de garrafas", argumenta um utilizador, lembrando que a reciclagem dos materiais implica, inevitavelmente, a sua trituração posterior.

Máquinas exigem embalagens intactas para serem esmagadas logo após a devolução?
Contactada pela SIC Verifica, a SDR Portugal, entidade gestora do Sistema de Depósito e Reembolso (SDR), confirma que o vídeo mostra uma situação real e explica que não existe qualquer contradição entre exigir embalagens intactas na devolução e proceder depois à sua compactação.

Segundo a SDR Portugal, o processo divide-se em dois momentos distintos.

Num primeiro momento, as embalagens têm de ser entregues inteiras, não espalmadas e com o código de barras legível. No caso das garrafas, devem ainda manter a tampa colocada. Só assim é possível validar automaticamente a embalagem, confirmar que pertence ao sistema e evitar devoluções indevidas ou fraudulentas.

Já num segundo momento, depois de identificadas e aceites, as embalagens são compactadas ou esmagadas para "otimizar o armazenamento, o transporte e a logística do sistema".

"Estas condições são igualmente essenciais para garantir a qualidade do material recolhido, assegurando que não é contaminado. Este é um passo fundamental para assegurar que as embalagens são recicladas com um nível de pureza elevado e podem regressar ao circuito produtivo, nomeadamente à indústria alimentar”, adianta ainda a entidade.

A compactação serve ainda para impedir que a mesma embalagem seja novamente introduzida na máquina para obter novo reembolso.

A SDR Portugal esclarece ainda que as embalagens esmagadas continuam a ser recicladas.

“Depois de recolhidas, as embalagens seguem para os dois Centros de Contagem e Triagem da SDR Portugal, onde são contadas, verificadas e separadas por material. Posteriormente, são encaminhadas para recicladores especializados, que as transformam em matéria-prima reciclada”, esclarece.

O objetivo é que os "materiais regressem ao ciclo produtivo, num modelo que promove a economia circular", explica a entidade.

Na prática, acrescenta, "uma garrafa pode voltar a ser uma garrafa e uma lata pode voltar a ser uma lata", reduzindo a necessidade de utilizar matérias-primas virgens na produção de novas embalagens.
A SIC Verifica que é verdadeiro.

O vídeo mostra efetivamente embalagens esmagadas no interior das máquinas do Sistema "Volta". As embalagens precisam de ser entregues intactas apenas para permitir a sua identificação e validação. Depois dessa fase, são compactadas por razões logísticas e para evitar fraudes, seguindo posteriormente para triagem e reciclagem.

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sexta-feira, 10 de julho de 2026

França em revolta contra sistema de reciclagem de garrafas idêntico ao "Volta" em Portugal


Revolta ambiental. ONG's (Organizações Não Governamentais) e algumas autoridades locais eleitas estão a posicionar-se contra uma proposta do governo francês.

O plano prevê a reciclagem de garrafas plásticas recolhidas, em vez da sua reutilização. O presidente Emmanuel Macron retomou o projeto no final de maio deste ano, apesar de grupos ambientalistas já terem feito um alerta sobre o assunto algures em 2023.

Mas então, porque é que esta distinção é tão importante?
A ideia do governo é reciclar garrafas plásticas em vez de reutilizá-las. Axèle Gibert, coordenadora de prevenção de resíduos da France Nature Environnement (FNE), explica a questão: "Não se trata de um sistema de depósito para reutilização... mas de um sistema que permitirá aos fabricantes recuperar essas garrafas para produzir ainda mais plástico".

O problema: as garrafas não são lavadas para reutilização posterior
Elas serão recicladas. Além disso, muitos críticos do projeto, incluindo funcionários eleitos, querem usar um termo diferente de “depósito”. Segundo eles, as garrafas não são “retornáveis”. Até falam em 'greenwashing'. Nicolas Garnier, membro da associação Amorce, só vê lucro para os fabricantes. “Esta ampla medida de 'greenwashing' não tem outro objetivo senão vender mais garrafas de plástico descartáveis”.

Para o presidente da Câmara de Bures-sur-Yvette (Essonne), “teremos agora que tomar medidas que façam o Estado compreender que não deixaremos que este absurdo nos detenha”. Do lado do governo, Mathieu Lefèvre, Ministro Delegado responsável pela Transição Ecológica, explica que “a taxa de recolha e reciclagem de garrafas e outras embalagens de plástico foi de apenas 58,4% em 2024, contra uma meta de 90%”.

O uso de plástico continua a destruir o nosso planeta.

Se esta meta não for atingida, "a implementação de um sistema de depósito para reciclagem tornar-se-á obrigatória a 1 de janeiro de 2029". Segundo Nicolas Garnier, o projeto "custaria aos consumidores entre 1 mil milhão e 3 mil milhões de euros". Há, portanto, um verdadeiro impasse entre o governo e os críticos do projeto. Alguns autarcas de várias partes da França, apoiados por sindicatos do setor de gestão de resíduos, estão prontos para adotar medidas drásticas.

Mais especificamente, ameaçaram "suspender o pagamento da TGAP" - sigla para a taxa geral sobre atividades poluentes. Esta ameaça poderá concretizar-se caso o governo não mude de rumo e insista em manter a sua posição. Falando em nome dos opositores do sistema, o deputado Philippe Vigier lamentou o que descreveu não mais como uma consulta, mas como uma "imposição" por parte do Estado.

Como funciona a TAGP  e porque é que os autarcas ameaçam suspender o pagamento?
A TGAP (Taxe Générale sur les Activités Polluantes) é a Taxa Geral sobre Atividades Poluentes em França, um imposto cobrado pelo Estado com base no princípio do poluidor-pagador. Quem paga esta taxa diretamente ao Estado não são os cidadãos, mas sim as entidades responsáveis pela gestão de resíduos. Na prática, sempre que uma autarquia francesa recolhe o lixo dos seus habitantes e o envia para um aterro ou para um incinerador, é obrigada a pagar ao governo central uma quantia fixa por cada tonelada de resíduos tratada. A nível nacional, este imposto representa um valor astronómico que ronda as centenas de milhões de euros anuais pagos pelos municípios aos cofres do Estado.

O descontentamento com o plano do governo de Emmanuel Macron levou os presidentes de câmara e os municípios franceses a ameaçarem suspender o pagamento desta taxa, por se sentirem profundamente injustiçados a nível financeiro e logístico. Ao longo dos últimos anos, as autarquias investiram milhões de euros na modernização de ecocentros públicos para separar o lixo doméstico. Dentro de todos os resíduos, as garrafas de plástico PET limpas funcionam como o filé mignon do lixo, sendo o único material que os municípios conseguem vender a bom preço às empresas de reciclagem para financiar e cobrir os custos do resto da recolha urbana.

O novo plano do governo destrói completamente este equilíbrio económico. Ao criar um sistema de máquinas de depósito nos supermercados, o Estado retira a recolha das garrafas de plástico das mãos dos municípios e entrega o negócio diretamente à indústria das grandes marcas de bebidas. Isto resulta num castigo duplo para as autarquias francesas, que perdem subitamente uma receita essencial com a venda do plástico, mas continuam com a obrigação onerosa de recolher o lixo que ninguém quer, como restos de comida, fraldas ou sofás. Para agravar a situação, os municípios teriam de continuar a pagar a pesada taxa TGAP ao Estado pelo envio desse lixo restante para incineração ou aterro, mesmo sem o retorno financeiro do plástico.

Esta ameaça de suspensão do pagamento funciona, portanto, como uma poderosa arma de arremesso político e uma autêntica greve fiscal ecologicamente motivada. Ao cortarem o fluxo deste imposto, os autarcas franceses lançam um ultimato claro ao governo central, avisando que não vão financiar os cofres do Estado se este insistir em retirar o negócio do plástico ao setor público para o entregar aos grandes industriais privados (como a Nestlé, Coca-Cola, Pepsi-Cola, etc.)

Empresas industriais estão na mira de grupos ambientalistas

Por enquanto, as discussões parecem estar paralisadas.
As relações estão tensas e as associações lamentam o facto de o governo permitir que a indústria continue a utilizar plástico — repetidamente — em vez de combater essa prática e tentar minimizar o seu uso.

Fonte

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terça-feira, 26 de maio de 2026

Cientistas descobrem por que a reciclagem de garrafas de plástico PET não é 100% eficaz


Uma investigação permitiu identificar os mecanismos moleculares que bloqueiam a degradação enzimática de um dos plásticos mais produzidos no mundo, o tereftalato de polietileno (PET), quando este se encontra na sua forma cristalina.

Publicado na revista The Journal of Physical Chemistry Letters, o estudo do Instituto de Ciências Marinhas (ICM-CSIC) e do Instituto de Química Avançada da Catalunha (IQAC-CSIC) apontou como principal problema a grande quantidade de energia necessária para a enzima se ligar às cadeias poliméricas quando estas estão extremamente compactadas.

Há duas décadas que os cientistas tentam aperfeiçoar enzimas capazes de decompor este material, presente em milhões de toneladas de resíduos, mas a maioria delas atua apenas na sua porção mais flexível, noticiou na terça-feira a agência Efe.

No entanto, os produtos comerciais apresentam frequentemente um elevado grau de cristalinidade, com moléculas altamente ordenadas, o que representa um desafio significativo para a degradação biológica.

Limitação estrutural e energética
Para realizar o estudo, a equipa científica combinou a análise de dados experimentais sobre o formato das cadeias de plástico com simulações computacionais de alta precisão.

Estas simulações permitiram observar como a enzima se liga a pequenos fragmentos de plástico e medir o gasto energético deste processo.
"Os nossos resultados demonstram que, embora a enzima seja teoricamente capaz de alcançar a posição correta para realizar o corte químico tanto em plástico macio como em plástico cristalino, o custo energético para tal neste último é proibitivo", observou o autor principal do estudo, Francesco Colizzi.
Ao compreender que a limitação é estrutural e energética, os investigadores podem agora concentrar-se na modificação da arquitetura das enzimas existentes.
"Se conseguirmos conceber enzimas que ultrapassem estas barreiras energéticas, estaremos muito mais próximos de uma verdadeira economia circular, onde as garrafas usadas possam ser transformadas em novas garrafas da mesma qualidade, vezes sem conta", realçou a primeira autora do estudo, Ania Di Pede-Mattatelli.
Para os cientistas, esta descoberta realça a necessidade de desenvolver novas ferramentas biotecnológicas para um processo de reciclagem circular mais sustentável e independente dos combustíveis fósseis.

Os investigadores sublinharam que a colaboração internacional é fundamental para alcançar o objetivo final, de criar um catálogo de biocatalisadores otimizados para diferentes tipos de resíduos plásticos, minimizando a pegada de carbono do processo de reciclagem e oferecendo uma alternativa viável à produção de plástico virgem derivado do petróleo.

sexta-feira, 22 de maio de 2026

Há papel que nunca deve colocar no ecoponto azul e quase toda a gente erra


Reciclar papel parece simples: jornais, caixas, folhas antigas… tudo para o ecoponto azul. Mas há um erro muito comum que continua a acontecer em milhares de casas e que pode contaminar todo o processo de reciclagem.

A verdade é que nem todo o papel é reciclável. E alguns dos objetos que usamos diariamente são precisamente aqueles que nunca deveriam ir para o contentor azul.

O maior “impostor” da reciclagem? Os talões de compras!
Os recibos do multibanco, talões de supermercado e faturas impressas parecem papel normal, mas não são.

Grande parte é feita de papel térmico, um material com componentes químicos que dificultam a reciclagem e podem contaminar outras fibras de papel reciclável. Este tipo de papel deve ir para o lixo indiferenciado.

É um detalhe que pouca gente conhece e um dos erros mais frequentes na separação de resíduos.

Guardanapos e papel de cozinha também não entram
Outro hábito comum: colocar guardanapos usados ou papel de cozinha no ecoponto azul. Mas quando o papel está sujo com gordura, comida ou produtos de limpeza, perde a capacidade de reciclagem.
Copos de papel revestido/impermeabilizado que utilizamos, por exemplo, para tomar café. Pelas características do seu revestimento (seja por plástico, verniz ou outro material impermeabilizante) o seu encaminhamento para reciclagem no fluxo papel e cartão é inviabilizado

O mesmo acontece com:
  1. caixas de pizza com gordura
  2. lenços de papel usados
  3. pratos e copos de papel sujos
  4. papel vegetal ou plastificado
  5. papel plastificado
  6. papel autocolante
  7. papel de alumínio
  8. papel de lustro
  9. Sacos de cimento;
  10. embalagens de produtos químicos
  11. toalhetes e fraldas. [informação aqui]
O truque simples que ajuda a não errar
Há uma regra rápida que os especialistas usam: se o papel estiver demasiado sujo, engordurado, plastificado ou brilhante, provavelmente não deve ir para o azul. 
Observar bem o rótulo de reciclagem das embalagens: muitas indicam o destino final (ecoponto amarelo, p.ex.)
Já revistas, caixas de cereais, folhas, envelopes e jornais continuam a ser recicláveis, desde que limpos e secos.

Porque é que isto importa?
Quando materiais errados entram na reciclagem do papel, podem comprometer lotes inteiros e dificultar o reaproveitamento das fibras. Ou seja, um pequeno erro doméstico pode reduzir a eficácia de todo o processo.

Separar corretamente continua a ser um dos gestos mais simples para reduzir desperdício mas, afinal, reciclar bem é tão importante quanto reciclar muito.

sábado, 2 de maio de 2026

Novo ouro negro: há uma corrida para reciclar baterias de carros elétricos

A transição global para a mobilidade elétrica está a acontecer a um ritmo alucinante nas estradas de todo o mundo. Efetivamente, mais de um em cada quatro automóveis vendidos a nível global durante o ano de 2025 já foi totalmente elétrico, dependendo inteiramente de baterias de iões de lítio para funcionar. Por isso, surge agora um problema de proporções titânicas no horizonte. O que vamos fazer quando todos estes acumuladores de energia chegarem ao fim da sua vida útil? De facto, a pressão gigantesca sobre o acesso a minerais críticos obrigou a indústria mundial a focar-se agressivamente na tecnologia de reciclagem. É por isso que há uma corrida para reciclar baterias de carros elétricos.

Reciclar baterias de carros elétricos: o novo ouro negro
Em primeiro lugar precisas de ter a real noção dos números esmagadores que o mercado automóvel vai enfrentar muito em breve. As estimativas mais recentes apontam que cerca de 1,2 milhões de baterias de veículos elétricos vão atingir o limite das suas capacidades já em 2030, um número que vai explodir para uns assustadores 14 milhões até ao ano de 2040.

Neste sentido, um estudo revelador publicado em conjunto pela Organização Europeia de Patentes e pela Agência Internacional de Energia mostra que o mercado entrou em modo de sobrevivência. Como resultado, a inovação para a circularidade e reciclagem disparou de forma incrível. Os registos de novas tecnologias nesta área apresentaram um crescimento anual espantoso de 42% entre 2017 e 2023. Adicionalmente, este valor esmaga completamente a média de crescimento da inovação tecnológica geral, provando que descobrir formas de reaproveitar o lítio e o cobalto é a prioridade máxima das grandes indústrias.

O domínio absoluto da Ásia na tecnologia de ponta
Além disso, esta autêntica corrida ao ouro tecnológico não está a ser disputada de forma equilibrada no mapa global. A Ásia assumiu uma liderança verdadeiramente avassaladora neste setor crítico, representando atualmente 63% de todas as inovações internacionais registadas no último ano avaliado.

Por outro lado, o panorama asiático também sofreu reviravoltas internas impressionantes. Se até 2019 o mercado era totalmente dominado por gigantes japoneses e coreanos como a Toyota e a LG, o cenário mudou drasticamente. Desta forma, a empresa chinesa Brunp assumiu a liderança incontestável, impulsionando a quota global da China de uns meros 5% em 2013 para uns formidáveis 29% na atualidade.

A estratégia europeia de sobrevivência
Paralelamente, a Europa tenta encontrar o seu próprio espaço nesta guerra de patentes, representando cerca de 20% das inovações globais. Ao invés de se focar puramente no fabrico, o mercado europeu está a especializar-se fortemente na tecnologia de recolha complexa e na transformação química exata necessária para extrair as preciosas matérias-primas de baterias mortas e injetá-las em unidades novas.

Consequentemente, os especialistas máximos das agências europeias de patentes e de energia defendem acerrimamente que a competitividade futura do nosso continente depende da criação de um sistema circular robusto. A ideia central é que apenas com legislação favorável e inovação focada será possível aliviar a pressão brutal sobre as cadeias de abastecimento internacionais. Também reduzir o perigoso impacto ambiental da extração mineira tradicional.

Entretanto para apoiar este ecossistema vital, as plataformas digitais europeias já começaram a mapear ativamente o terreno. Ferramentas avançadas de rastreio tecnológico monitorizam agora de perto o trabalho brilhante de quase seis dezenas de startups. Também de universidades europeias que lutam diariamente nos laboratórios. Portanto, se a Europa quiser manter os seus carros a circular no futuro sem depender inteiramente de fornecedores externos, a única saída possível é dominar a arte de reciclar o passado. São sem dúvida tempos interessantes para quem está a apostar em reciclar baterias de carros elétricos.

Mais informações
  1. Acesso ao relatório completo: “Circularidade das baterias: tendências de inovação para uma futura fonte de materiais críticos
  2. O Estado da Inovação em Energia 2026 da AIE
  3. Plataforma de energia limpa da OEP inclui agora a circularidade das baterias
  4. Deep Tech Finder (DTF) da OEP
  5. Observatório de Patentes e Tecnologia da OEP
  6. Versão beta da cartografia de armazenamento de energia
  7. Pplware/SAPO - Baterias Usadas e Fábricas de Reciclagem: Detalhes sobre a nova megafábrica de reciclagem na Europa e o conceito de Schwarzmasse || Black Mass || Massa Negra
  8. AZoCleantech - Tecnologias de Reciclagem em 2026: Um guia técnico sobre os métodos de hidrometalurgia e reciclagem direta que estão a dominar o mercado este ano.
  9. GlobeNewswire - Mercado de Reciclagem 2026-2032: Relatório sobre o crescimento exponencial deste mercado, previsto para atingir biliões de dólares nos próximos anos.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2025

Filhoses, rabanadas e sonhos: apenas 10% dos óleos alimentares usados são reciclados



Em Portugal apenas são reciclados 10% dos óleos alimentares usados, com os restantes, que podiam produzir biodiesel, a acabarem a poluir o ambiente, porque um litro de óleo pode contaminar um milhão de litros de água.

O alerta, da empresa de combustíveis PRIO, que se afirma como a maior produtora nacional de biocombustíveis a partir de matérias-primas residuais, surge numa altura (Natal) em que há maior consumo de doçaria e também maior produção de óleos alimentares usados.

A empresa, em comunicado, apela à recolha desses óleos e respetiva reciclagem, e sublinha os impactos da não reciclagem nas infraestruturas de saneamento e no ambiente.

“Um litro de óleo alimentar usado pode contaminar até um milhão de litros de água, o que torna essencial dinamizar a correta recolha e reciclagem dos óleos alimentares usados. Esta prática não só previne a poluição, como permite reaproveitar este recurso”, diz-se no comunicado.

Com 1.000 litros de óleos alimentares usados é possível produzir cerca de 950 litros de biodiesel, “um combustível mais limpo que contribui para uma mobilidade sustentável”, acrescenta.

Citando dados oficiais, a entidade garante que só 10% dos óleos alimentares produzidos em Portugal são corretamente recolhidos e encaminhados, e que a maior lacuna é no setor doméstico, “onde o destino mais comum continua a ser a rede de esgotos, com fortes consequências para o ambiente”.

No comunicado recorda-se que para reciclar óleos alimentares usados deve deixar-se arrefecer o óleo e depois coloca-lo numa garrafa de plástico bem fechada, preferencialmente reutilizada, que deverá depois ser entregue num oleão ou noutro ponto de recolha apropriado.

Referindo que conta com a maior rede nacional de pontos de recolha de óleos alimentares usados, com mais de 1.380 oleões de norte a sul do país, a empresa defende que “é essencial adotar comportamentos responsáveis, como reciclar os óleos alimentares usados” e lembra que “cada gesto contribui para um futuro mais sustentável”.

terça-feira, 2 de dezembro de 2025

Portugal descarta 17 milhões de peças de roupa infantil anualmente



Novas investigações da Epson revelam que Portugal envia 17 milhões de peças de roupa infantil para o aterro sanitário anualmente – o equivalente a 19 vezes a altura do Monte Evereste empilhadas numa única pilha.

Enquanto um em dois portugueses (56%) consideram ativamente roupas mais sustentáveis para si próprios, quase um em três [31%] admitem que se livram das roupas dos filhos da forma mais rápida e fácil possível. O estudo concluiu que os portugueses deitam fora 11 peças de roupa por criança todos os anos. Em comparação, os espanhóis descartam 14.

Para mostrar como a inovação pode ajudar a combater este crescente problema de desperdícios, a Epson colaborou com a estilista e pioneira da sustentabilidade Priya Ahluwalia para criar Fashion Play – uma coleção de moda de tamanho de boneca, impressa com a tecnologia digital de impressão têxtil Monna Lisa da Epson e feita a partir de resíduos têxteis com a pioneira Dry Fiber Technology da Epson, que transforma têxteis antigos em novas fibras sem água nem químicos agressivos.

De acordo com os resultados, as crianças em Portugal compram 63 peças de roupa todos os anos – totalizando 99 milhões em todo o país. Quase um em cada dois portugueses (41%) diz que os seus filhos têm peças não usadas com etiquetas ainda presas guardadas nos roupeiros, enquanto 52% deitaram fora ou reutilizaram roupas que NUNCA foram usadas.

Maria Eagling, Diretora de Marketing da Epson Europe, explica que “a moda oferece a todas as idades uma via criativa para a autoexpressão, mas todos temos um papel a desempenhar em fazer melhores escolhas no que toca ao que compramos e como nos livramos disso quando terminamos. Embora existam ações simples que os consumidores podem tomar – desde reduzir a quantidade que compram até dar prioridade ao usado – quisemos mostrar como inovações como a Dry Fiber Technology também podem ajudar a reduzir a quantidade de roupa que vai para o aterro”.

“A coleção Fashion Play é uma homenagem divertida ao nosso amor por nos vestirmos – que começa quando somos crianças – mas usar métodos e materiais como estes pode provocar uma mudança sísmica na indústria da moda e no planeta. Estamos muito entusiasmados por trabalhar com a Priya Ahluwalia, uma designer que admiramos imenso pelo seu esforço de upcycling e pelo seu compromisso em criar peças bonitas que não prejudicam o planeta”, acrescenta.

Fashion Play inspira-se na coleção Ahluwalia AW25. Para além da Dry Fiber Technology, outros métodos de produção usados para criar os conjuntos incluem a impressora digital têxtil de próxima geração da Epson, a Monna Lisa, que pode reduzir o consumo de água na fase de impressão a cores da produção de vestuário em até 97%.

Sobre a coleção Priya Ahluwalia sublinha que “ao viajar para a Índia e Nigéria, testemunhei a verdadeira dimensão do desperdício têxtil resultante da indústria ocidental de vestuário em segunda mão. Essa experiência ficou comigo, e desde então tenho-me esforçado por trabalhar de uma forma melhor para as pessoas e para o planeta, especialmente no sul global”.

“Esta colaboração com a Epson vai além da moda. Trata-se de iniciar conversas sobre sustentabilidade em múltiplos níveis, desde a forma como nos vestimos até ao que escolhemos para aqueles que amamos. Através desta coleção de miniaturas feita com a tecnologia Dry Fiber, esperamos mostrar que a inovação e a imaginação podem remodelar o futuro da moda”, adianta.

Para mais informação aceda ao relatório aqui

terça-feira, 25 de novembro de 2025

Extração de minerais no fundo do mar pode devastar ecossistemas marinhos, alerta estudo


A extração de minerais nas profundezas do oceano pode trazer efeitos devastadores aos ecossistemas marinhos, alertaram cientistas da Universidade do Havai num estudo publicado na revista Nature Communications.

A investigação concluiu que as nuvens de partículas suspensas na água geradas pela extração de minerais no fundo do mar podem privar de alimento os organismos microscópicos que sustentam toda a cadeia alimentar oceânica, com impacto potencial nas pescas e no consumo humano.

Esta extração em mar profundo visa perfurar o fundo do oceano para recolher materiais ricos em cobre, ferro, zinco e outros minerais críticos usados em veículos elétricos, tecnologias digitais e aplicações militares. Embora ainda não tenha começado à escala comercial, vários países estão já a preparar operações à medida que cresce a procura por estes materiais essenciais à transição energética.

Os investigadores estudaram amostras recolhidas em 2022 numa zona do Pacífico situada entre os 200 e 1.500 metros de profundidade. Segundo o estudo, os resíduos libertados durante os testes de extração criaram nuvens de partículas com o mesmo tamanho dos alimentos ingeridos pelo zooplâncton, pequenos organismos que servem de base à cadeia alimentar marinha.

Ao contrário de estudos anteriores centrados nos danos causados no leito oceânico, esta investigação foca-se nos efeitos no ecossistema marinho. Os cientistas consideraram urgente avaliar a profundidade e qualidade adequadas para devolver a água e sedimentos ao oceano.

Brian Popp, autor principal do estudo, defendeu que “poderá nem sequer ser necessário escavar o fundo do mar” e sugere fontes alternativas de metais, como a reciclagem de baterias e equipamentos eletrónicos ou o reaproveitamento de resíduos mineiros.

Já Michael Dowd, coautor do estudo, advertiu ainda que “se apenas uma empresa operar numa pequena área, o impacto será limitado, mas se várias empresas explorarem durante anos, os efeitos podem espalhar-se por toda a região”.

segunda-feira, 17 de novembro de 2025

Sabia que estamos a deitar mais de metade do lixo no sítio errado? Não é o único comportamento que temos de mudar



Vai na rua e tem um resíduo em mãos. Deita-o para o chão porque não há contentores por perto, mas pode estar enganado se pensa que a culpa é de não existir um contentor “ali à mão”. A vice-presidente da ZERO - Associação Sistema Terrestre Sustentável, Susana Fonseca, esclarece a situação: “O lixo é nosso, a responsabilidade é nossa e nós é que temos de encontrar uma solução.”

Separar o lixo e distribuí-lo pelos diferentes contentores coloridos é um dos primeiros hábitos a ganhar se queremos ajudar o ambiente. “É benéfico para todos nós, enquanto sociedade, porque quando separamos na origem conseguimos aproveitar muito mais daquelas matérias-primas”, garante Susana Fonseca, que admite “uma certa desresponsabilização e falta de proatividade” por parte da população no ato de reciclar.

Em concreto, qual será o problema de misturar todo o lixo num só caixote? A vice-presidente daquela associação explica à CNN Portugal que quando os resíduos são misturados “corre-se um maior risco de haver contaminações”. Contaminação esta que dificulta o tratamento dos resíduos, podendo mesmo comprometer a recuperação dos materiais recicláveis, de acordo com a Agência Portuguesa do Ambiente (APA). “A separação deve acontecer tão cedo quanto possível”, não só para melhorar as hipóteses de reciclar, mas também para minimizar o número de tratamentos pelos quais o resíduo passa antes de poder ser reciclado.

Do plástico recolhido em 2023, 77% foi encontrado no fluxo indiferenciado. O metal fica à frente com 81% a ser recolhido do lixo indiferenciado. Já o cartão e o papel destacam-se pela positiva, com 47% destes resíduos a serem retirados do lixo de recolha seletiva, mas mais de metade - 53% - ainda na recolha indiferenciada. Os dados são da APA, que alerta para a “quantidade muito significativa de resíduos com potencial de serem encaminhados para reciclagem que existe no fluxo indiferenciado”.

“É urgente inverter esta realidade”. O presidente da APA, José Pimenta Machado, refere-se à deposição em aterro dos resíduos dos portugueses que, com “pequenos gestos individuais”, pode ser diminuída. Os gestos em causa, “somados, têm um impacto considerável” e, não sendo possível evitar por completo a produção de resíduos, “é fundamental assegurar o seu encaminhamento para um destino adequado”, conta.

Portugal foi responsável pela produção de mais de cinco mil toneladas de resíduos urbanos, só em 2023, de acordo com os dados disponibilizados pela agência. “O país tem de acordar, estamos em estado de emergência.” O apelo é feito por José Pimenta Machado, que, em entrevista à CNN Portugal, revela que no ano passado 53% do nosso lixo foi parar aos aterros. Em 2023, esta percentagem era mais elevada - 59% -, mas a diferença continua a ser pouco expressiva. Deste total, 12% conheceram o seu destino na valorização energética - um processo de queima controlada que permite produzir energia a partir de todos os resíduos que não estão próprios para serem reciclados ou utilizados na compostagem. Para Susana Fonseca, “estarmos a incinerar os [resíduos] orgânicos também é uma má solução.”

A vice-presidente da associação ZERO critica o desperdício de “matéria orgânica” que é “fundamental para os nossos solos, particularmente em Portugal, que tem solos pobres nesta matéria”, refere. “Nós estamos a colocá-los em aterro e depois vamos comprar os fertilizantes para o solo”, acrescenta, sublinhando aquilo que acredita ser “uma má gestão de recursos”.

A boa notícia é que não somos obrigados a deitar fora estes biorresíduos (restos de comida, por exemplo). A compostagem doméstica pode ser uma solução e, de acordo com Susana Fonseca, é “uma das formas mais eficazes de reduzirmos a quantidade de resíduos orgânicos que saem das nossas casas.” Descrita pela vice-presidente da ZERO como “um processo relativamente simples”, a compostagem pode ser feita “no nosso quintal ou mesmo na nossa varanda”. O solo é quem mais beneficia desta prática, mas a população, especialmente as comunidades próximas de aterros, não fica nada atrás. “Estes resíduos são os que criam mais problemas, por causa dos cheiros, a atração de ratos e aves, por exemplo”, explica.

Apostar na prevenção
“Uma das formas mais eficazes de reduzirmos os resíduos que produzimos é começar a tentar reduzir o nosso consumo”. Além da reciclagem, reduzir o consumo próprio - e o desperdício - poderá ser uma maneira tão ou mais eficiente de minimizar o impacto ambiental do nosso lixo, indica Susana Fonseca.

Já se sentiu seduzido pelas promoções dos supermercados? Se sim, provavelmente não é o único. Fazer uma lista e pensar bem naquilo que é realmente preciso comprar, pode ajudá-lo. Pimenta Machado aconselha a população a ganhar o hábito de “planear antecipadamente as refeições de forma a comprar apenas as quantidades e os produtos necessários”. Susana Fonseca argumenta a favor “porque quando ficamos deslumbrados pelas promoções, muitas vezes o que compramos acaba por se estragar”.

Ser criterioso nas compras pode ajudar o ambiente, e podemos sê-lo a vários níveis. “Quando falamos em resíduos urbanos, os têxteis, os objetos que compramos para a casa e até o equipamento eletrónico fazem parte, portanto devemos pensar muito bem sobre a necessidade de comprar algo novo”, esclarece a vice-presidente da ZERO. No caso das roupas e dos móveis, podem ganhar uma segunda vida, se, como afirma, “o primeiro reflexo não for deitar fora”: “Estando em boas condições, podem ser doados ou vendidos em segunda mão”.

“As garrafas reutilizáveis” e os “nossos próprios sacos” devem substituir as embalagens descartáveis, diz Susana Fonseca, e mesmo as compras a granel - que devem ser “privilegiadas” - “funcionam bem se levarmos sacos”, caso contrário corremos o risco de estar a comprar uma pequena quantidade e a levá-la “dentro de um saco grande, que é pior do que se comprássemos um produto embalado”, refere. O presidente da APA reforça que “escolher produtos reutilizáveis é apostar na durabilidade”.

Se não pensa duas vezes antes de deitar um alimento fora, talvez o deva começar a fazer. “Nos produtos que são mais sensíveis precisamos de ter um cuidado a redobrar, mas muitos produtos vão para o lixo e ainda podem ser aproveitados”, afirma a vice-presidente da ZERO. Congelar ou pré-confecionar os alimentos que se podem vir a estragar evita “o desperdício para o ambiente e para os orçamentos familiares.” José Pimenta Machado adiciona mais um conselho à lista: “A aposta pode passar pelo reaproveitamento das sobras de refeições anteriores na confecção de novas receitas.”

As soluções que nos restam para além destas não são tão aliciantes. “Ou começamos a exportar resíduos ou regressamos às lixeiras”, alerta o presidente da APA. Isto num cenário em que, segundo os dados mais recentes de 2024, temos em média “14% de aterro disponível” e a maior parte dos nossos resíduos urbanos continua a ter os aterros como destino final.

O Plano Estratégico para os Resíduos Urbanos (PERSU 2030), aprovado pelo Governo, dita que, em 2035, apenas 10% dos nossos resíduos urbanos podem ser encaminhados para os aterros.

sábado, 15 de novembro de 2025

Há alternativas ao eucalipto? Sim, há - exige uma mudança hercúlea de paradigma de floresta portuguesa


Ponto Prévio - Os bosques maduros são florestas antigas, ricas em biodiversidade especializada, mas extremamente raras em Portugal. Estes ambientes representam manchas cada vez mais escassas no território, resultado de séculos de exploração, degradação e fragmentação.

Vamos à análise
Pinheiro (Pinus, sp.) e Eucalitpto são lixo florestal! Um lixo florestal, pois endivida os pequenos proprietários e só crescem acácias depois dos incêndios. Há que haver uma política ecológica forte e interdisciplinar para restaurar a nossa floresta nativa, também rica em fibras para celulose, mas com crescimento mais lento. 

1.Na região Norte e Centro sugiro Choupo/álamo (Populus spp.)- porém a cadeia industrial em Portugal ainda está pouco desenvolvida e Bétula (Betula alba)

2. Outras árvores autóctones 
2.1..Medronheiro (Arbutus unedo)
Resiste bem ao fogo e rebenta vigorosamente.
Pode gerar rendimento pela produção de fruto.
2.2. Loureiro, amieiro, freixo, salgueiro
Adequados a zonas húmidas e linhas de água.
Muito úteis na restauração de ecossistemas.

3. Alternativas para sistemas agroflorestais / multifuncionais
3.1. Castanheiro + pastoreio
Elevado valor económico.
Melhora solos.
3.2. Olival ou nogueira combinados com floresta
Produção alimentar + proteção paisagística.
3.3. Sistemas silvopastoris com sobro ou azinheira
Produção de cortiça + sombra para gado. 

4. Reciclagem - contribuidor em ascensão
Portugal tem boa taxa de reciclagem, mas ainda expandível. Associação de Empresas de Resíduos alerta para a situação crítica dos aterros
Reduz significativamente a necessidade de pasta virgem.
Adequado para papel de impressão, embalagem e papel tissue (com mistura).

Sim, há um estudo da Wildforests que diz que o eucaliptal não é um deserto ecológico. Porém, salvaguardam que a diversidade e os padrões de vida das espécies animais em florestas plantadas para produção de madeira é ainda um assunto pouco estudado. Contribuir para este conhecimento foi um dos objetivos que levou a The Navigator Company a disponibilizar as suas propriedades para que o trabalho de campo do projeto WildForests pudesse ser realizado.

Antes do arranque deste projeto, a empresa já tinha identificado vários destes mamíferos nas propriedades que gere e já realizava algumas destas boas práticas, estando a integrar, caso a caso, outras recomendações emanadas do WildForest. A manutenção de pequenas manchas de vegetação nativa nas plantações, assim como de afloramentos rochosos e de árvores que permitem criar corredores ecológicos, contínuos ou descontínuos (stepping stones) são alguns exemplos. De resto, todo o projeto permite saber mais sobre as espécies presentes em eucaliptais e sobre as práticas que a favorecem, ajudando a The Navigator Company a tomar as melhores opções de gestão florestal a integrá-las na sua estratégia de conservação da biodiversidade.

Artigo científico aqui

quinta-feira, 23 de outubro de 2025

Parlamento Europeu aprova lei para monitorizar a saúde dos solos na UE


O Parlamento Europeu aprovou esta quinta-feira, dia 23 de outubro, o acordo político provisório sobre a nova Lei de Monitorização do Solo, proposta pela Comissão Europeia, que visa garantir que todos os Estados-Membros avaliem regularmente o estado dos seus solos e apoiem os agricultores na melhoria da saúde e resiliência dos terrenos agrícolas.

De acordo com o comunicado de imprensa, o objetivo central passa por alcançar solos saudáveis em toda a Europa até 2050, em linha com a ambição comunitária de “poluição zero”.

A nova legislação cria um quadro harmonizado de monitorização do solo em toda a UE. Cada Estado-Membro terá de avaliar a saúde dos solos no seu território com base em descritores comuns — físicos, químicos e biológicos — e através de uma metodologia europeia para pontos de amostragem.

Para simplificar o processo, os países poderão aproveitar campanhas nacionais já existentes ou metodologias equivalentes. Segundo a comunicação, a Comissão Europeia reforçará o programa europeu de amostragem de solos, LUCAS Soils, e disponibilizará apoio técnico e financeiro adaptado a cada país.

Os governos nacionais deverão ainda definir metas sustentáveis não vinculativas para cada tipo de solo, ajustadas às condições locais e ao nível de degradação existente, de forma a contribuir para a melhoria gradual da qualidade do solo.

Apoio aos agricultores, sem novas obrigações
A diretiva não impõe novas obrigações a agricultores ou proprietários de terrenos. Pelo contrário, exige que os Estados-Membros os apoiem ativamente na melhoria da saúde e da resiliência dos solos, através de formação, aconselhamento técnico, programas de capacitação e promoção de investigação e inovação.

Além disso, os governos deverão também avaliar regularmente os custos financeiros associados à adoção de práticas sustentáveis por parte dos agricultores e silvicultores.

Solos contaminados e substâncias emergentes
A nova lei obriga ainda os Estados-Membros a elaborar, num prazo de dez anos, uma lista pública de locais potencialmente contaminados, e a intervir em situações que representem riscos inaceitáveis para a saúde humana ou para o ambiente.

Além disso, será criada uma lista indicativa de substâncias emergentes que possam constituir riscos significativos para a saúde dos solos, das pessoas ou dos ecossistemas. Essa lista, que incluirá produtos como PFAS (“químicos eternos”) e determinados pesticidas, deverá ser publicada 18 meses após a entrada em vigor da lei.

Para o relator Martin Hojsík (Eslováquia), “sem solos saudáveis, não há futuro; sem conhecer o seu estado, não podemos protegê-los. Fico muito satisfeito por todos os Estados-Membros passarem finalmente a conhecer melhor a saúde dos seus solos e por os agricultores receberem apoio para os proteger e melhorar”.

De acordo com a comunicação, estima-se que entre 60% e 70% dos solos europeus estejam degradados devido à urbanização, às baixas taxas de reciclagem de terrenos, à intensificação das práticas agrícolas e às alterações climáticas.

Os solos degradados são um dos principais fatores das crises climática e da biodiversidade, reduzindo a capacidade de prestação de serviços essenciais dos ecossistemas. Este problema custa à UE, pelo menos, 50 mil milhões de euros por ano.

domingo, 28 de setembro de 2025

O papel ecológico dos fungos e cogumelos


"...Os fungos são especialistas em reciclagem. Como saprófitas — o termo técnico para organismos que se alimentam de matéria orgânica morta ou em decomposição —, são capazes de decompor matéria orgânica, decompondo moléculas orgânicas complexas em formas mais simples que podem ser reutilizadas por plantas e outros organismos fotossintéticos. Através da ação dos fungos, a morte torna-se a base de uma nova vida: o ciclo mais fundamental da vida. Este é o papel ecológico fundamental dos fungos e a razão pela qual são a pedra basilar de qualquer ecossistema próspero.

Mas em breve o outono estará entre nós aqui no hemisfério norte, e com ele os fungos darão um espetáculo que vai muito para além do seu importante papel ecológico. Um passeio na floresta durante o outono traz as cores quentes das folhas caídas e o cheiro húmido e vagamente adocicado da decomposição. Todo o verde glorioso do verão que passou deve agora ser reciclado. É uma época de festa para os fungos, por isso, qual a melhor altura para cuidar da reprodução? 

Por toda a floresta, os cogumelos começam a brotar numa variedade de formas e cores que rivalizam com as das flores da primavera. Tal como as flores para as plantas, os cogumelos são os órgãos reprodutores dos fungos, e muitas vezes a única parte visível dos organismos, compostos principalmente por redes complexas de filamentos longos e semitransparentes chamados hifas.  

Não se espalham apenas pelo solo da floresta. Se apontar um pouco mais alto, em direção aos troncos das árvores, também poderá avistar alguns dos fungos especializados em cascas de árvores, como o bonito galeirão-do-mato (Laetiporus sulphureus) na foto acima..."
Ler o texto completo aqui

segunda-feira, 6 de janeiro de 2025

Travessas de plástico reciclado poderão tornar os caminhos-de-ferro ainda mais ecológicos


Parte das emissões de gases com efeito de estufa (GEE) dos caminhos-de-ferro reside na energia utilizada para produzir e manter as infraestruturas necessárias. Investigadores finlandeses demonstraram a viabilidade da utilização de travessas de comboio mais ecológicas a partir de dois tipos de plástico reciclado, o cartão para embalagem de líquidos e o acrilonitrilo butadieno estireno. As emissões de carbono poupadas anualmente com a eliminação progressiva das travessas de betão e a sua substituição por este tipo de plástico reciclado poderiam equivaler ao aquecimento de 1200 habitações finlandesas.

Os caminhos-de-ferro, o meio de transporte mais amigo do ambiente a seguir aos autocarros de longo curso, vão desempenhar um papel importante na luta pelo zero líquido. Atualmente, as emissões totais do transporte ferroviário são de 31 gramas de equivalente de CO2 (CO2e) por passageiro-quilómetro, metade do valor dos veículos elétricos mais económicos.

Mas as emissões de carbono do tráfego ferroviário podem ser ainda mais reduzidas, revela um novo estudo publicado na revista Frontiers in Sustainability por autores finlandeses. Isto porque os materiais de construção típicos, como o aço e o betão, são energeticamente dispendiosos de produzir, transportar, manusear e manter. Mesmo nas linhas de comboio mais movimentadas, estes custos ascendem a 30% das emissões totais e esta percentagem aumenta acentuadamente à medida que o volume de tráfego diminui.

“Mostramos aqui que os plásticos reciclados podem ser utilizados como material para as travessas de caminho de ferro e que as emissões globais seriam reduzidas. A pegada de carbono é menor quando os fluxos de resíduos atualmente incinerados são utilizados como material”, afirma Heikki Luomala, primeiro autor do estudo e gestor de projeto na Universidade de Tampere.

“Estimamos que a redução de CO2 através da repulsão do fluxo de resíduos disponível na Finlândia poderia corresponder às emissões de aquecimento de 1200 casas, ou seja, 3 610 tCO2e (toneladas de equivalente de CO2) por ano”, acrescenta.

Dois tipos de plástico testados
Luomala e colegas estudaram a viabilidade e a redução das emissões de gases com efeito de estufa resultantes da eliminação gradual das travessas de madeira e de betão na Finlândia e da sua substituição por plástico reciclado. A vida útil de uma travessa é de 10 a 60 anos e diminui com o aumento da intensidade do tráfego, devido a danos mecânicos.

Uma importante fonte de resíduos de plástico é o sector das embalagens, que consome cerca de 40% da produção total de plástico. Neste sector, o chamado cartão para embalagem de líquidos (LPB) – uma mistura de polietileno, polipropileno, álcool vinílico de etileno e tereftalato de polietileno – é o produto que regista o crescimento mais rápido. Outra fonte importante de resíduos de plástico é o equipamento eletrónico e elétrico, que representa aproximadamente 6% da utilização total de plástico. O seu principal componente plástico é o acrilonitrilo butadieno estireno (ABS).

No passado, os resíduos de plástico eram frequentemente exportados da Finlândia para o Extremo Oriente, mas nos últimos anos foi lançada a iniciativa “ALL-IN for Plastics Recycling” (PLASTin) para tornar a Finlândia um líder na reciclagem de plásticos.

Luomala et al. produziram amostras de travessas de comboio (0,15 m de espessura, 0,25 m de largura e 2,6 m de comprimento) feitas de LPB e ABS e submeteram-nas a uma bateria de testes mecânicos. A sua intenção era testar se os protótipos confirmavam as normas internacionais para as indústrias de plásticos e ferroviárias.

A implementação no mundo real está a decorrer
Os espécimes feitos com ambos os tipos de plástico passaram nos testes de resistência e de flexão. Mas apenas o ABS reciclado foi capaz de suportar a temperatura máxima testada de 55°C sem amolecimento significativo durante os verões quentes.

“O ABS reciclado é muito mais adequado como material para travessas de caminho de ferro do que o LPB reciclado: as propriedades de resistência e rigidez do ABS são aproximadamente três vezes superiores e mais próximas das das travessas de madeira”, afirma Luomala.

As travessas de plástico para caminhos-de-ferro oferecem várias vantagens, por exemplo, fácil conformação, baixo custo, peso reduzido e resistência às condições ambientais. A utilização de plástico reciclado também permite uma maior flexibilidade na conceção da forma das travessas.

A Agência Finlandesa de Infraestruturas de Transportes já demonstrou interesse nas conclusões do estudo.

“Quando se trata da implementação de ABS reciclado para utilização como travessas de caminho de ferro, devem primeiro ser realizados mais testes à escala real. O seu comportamento a longo prazo, por exemplo, em termos de resistência aos raios UV, também deve ser testado”, adverte Luomala.

quinta-feira, 10 de outubro de 2024

O Impacto do Consumo de Água Engarrafada na Saúde e no Ambiente: Alternativas Sustentáveis


O consumo de água engarrafada tem vindo a crescer de forma preocupante, movido por uma perceção de qualidade superior e conveniência. No entanto, este hábito tem um impacto profundo, tanto na saúde pública como no meio ambiente. É imperativo invertemos o sentido dos nossos hábitos individuais e coletivos!

Impacto Ambiental

O principal problema associado ao consumo de água engarrafada reside na produção e descarte de embalagens de plástico. Estima-se que milhões de garrafas plásticas sejam produzidas diariamente em todo o mundo, com uma pequena fraçãoa chegar ao circuito de reciclagem. A maioria dessas garrafas acaba em aterros sanitários ou, pior, nos nossos oceanos, contribuindo para o aumento da poluição por plásticos, agravando a crise da sobrevivência de espécies de flora e fauna.

A produção de garrafas plásticas também envolve o uso intensivo de recursos naturais. Para fabricar uma garrafa de plástico de um litro, são necessários três litros de água e grandes quantidades de petróleo, o que resulta numa pegada de carbono significativa. Além disso, o transporte de água engarrafada, muitas vezes por longas distâncias, contribui para as emissões de gases com efeito de estufa com custos e impactos incalculáveis.

Impacto na Saúde

Embora a água engarrafada seja amplamente considerada segura, nem sempre é sinónimo de maior qualidade. Estudos indicam que algumas marcas de água engarrafada contêm microplásticos, produtos químicos disruptores endócrinos, como o bisfenol A (BPA), e outros contaminantes que podem ser prejudiciais à saúde humana. Além disso, a exposição prolongada ao calor pode causar a libertação de substâncias tóxicas das garrafas plásticas para a água.

Outro fator preocupante é a ausência de regulamentação rigorosa em algumas regiões do planeta, onde a qualidade da água da torneira é frequentemente superior à da água engarrafada.

Alternativas Sustentáveis

Para mitigar o impacto ambiental e os riscos à saúde associados ao consumo de água engarrafada, é crucial considerar alternativas mais sustentáveis:

Água da Torneira Filtrada: A água da rede pública em Portugal é, na sua maioria, de excelente qualidade e segura para consumo. O uso de filtros de água em casa pode melhorar ainda mais a qualidade, removendo possíveis impurezas e odores. Existem filtros de várias tecnologias, como carvão ativado ou osmose inversa, que oferecem soluções acessíveis e eficientes.

Estação de Água Filtrada em Locais Públicos: Uma das soluções mais eficazes e sustentáveis seria a implementação de estações de água filtrada em espaços públicos, como centros comerciais, estações de comboios, parques e eventos desportivos. Estes pontos de abastecimento permitiriam às pessoas encherem garrafas reutilizáveis, reduzindo drasticamente a necessidade de comprar água engarrafada.

Garrafas Reutilizáveis: O incentivo ao uso de garrafas reutilizáveis feitas de materiais como aço inoxidável, vidro ou plásticos livres de BPA é outra medida prática e imediata. Além de serem seguras para a saúde, estas garrafas têm uma durabilidade muito superior às de plástico descartáveis e podem ser usadas repetidamente, reduzindo significativamente o desperdício.

Políticas Públicas e Incentivos: A promoção de campanhas educativas sobre os benefícios da água da torneira e a criação de incentivos governamentais para empresas que promovam práticas sustentáveis também são essenciais para uma mudança a longo prazo. Por exemplo, a proibição ou restrição da venda de água engarrafada em instituições públicas, como escolas e hospitais, pode ser um ponto de partida importante.

A Mudança Começa Connosco

O impacto negativo da água engarrafada é um problema que pode e deve ser resolvido com o contributo de todos. O Movimento de Intervenção Cívica (MIC) acredita que a adoção de hábitos mais sustentáveis começa com a consciencialização e a educação. Cada garrafa reutilizada ou dispensada faz uma diferença no combate à crise ambiental e na proteção da nossa saúde.

O MIC apela, em particular, ao setor do retalho e da restauração, para a urgente mudança de hábitos, nomeadamente para o fim da venda de água engarrafada e acondicionada em plástico de reduzida dosagem (inferior a 75 ml), optando pela disponibilização de garrafas de vidro ou, preferencialmente, água filtrada disponibilizada a granel.
Individualmente compete-nos fazer melhores escolhas, evitar o consumo da água engarrafada, em especial das garrafas pequenas. Opte por garrafas reutilizáveis e, sempre que possível, água corrente, preferencialmente filtrada.
A solução está ao nosso alcance: basta optarmos por alternativas que promovam um futuro mais verde e saudável para as próximas gerações.

Eu faço a minha parte! E tu, fazes a tua?

domingo, 19 de maio de 2024

Ode à Ecologia

Minha Foto: "Aquarela"
"Ó Terra mãe, de beleza infinita,
Teu corpo verdejante, oásis de vida,
Das profundezas aos picos altivos,
Guardas segredos, seres furtivos.
Oceano vasto, mar azul-celeste,
Berço das ondas, força inconteste,
Reinos submersos, mistério profundo,
No teu abraço, sustentas o mundo.
Florestas densas, pulmões do planeta,
Rios que correm, veias de água inquieta,
Cada folha, cada flor desabrochada,
É um hino à vida, uma ode encantada.
Animais livres, em harmonia dançam,
Ciclos naturais, eternos, se balançam,
O canto dos pássaros, sinfonia divina,
Ecos de um mundo, em paz, se alinha.
Céus estrelados, vastidão serena,
Mistérios do cosmos, beleza plena,
Constelações cintilam, luzes guiam,
Na noite escura, sonhos se criam.
Homem, filho ingrato, desperta e vê,
A terra chora, teu descaso, por quê?
Destróis o que te dá sustento e guarida,
Mas ainda há tempo, busca a saída.
Protege a fauna, flora e águas claras,
Repensa, reduz, reutiliza, repara, recicla
Com sabedoria, age com cuidado,
E a Terra renasce, num abraço renovado.
Que a Ecologia seja teu norte e guia,
Em cada acto, em cada novo dia,
Respeita a Terra, teu único lar,
E a natureza sempre há de te amar."
João Soares, 18.05.2024
Foto: Aguarela