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domingo, 9 de agosto de 2026

A IA não é o maior problema de cibersegurança. São as pessoas

Os casos de Inteligência Artificial (IA) a escapar dos laboratórios, a infiltrar-se noutras empresas e a tentar enganar pessoas têm sido notícia nas últimas semanas. E, num desses casos, modelos de IA chegaram mesmo a trabalhar em conjunto para escapar dos seus ambientes de teste.

Significa isto que as máquinas estão a tomar conta de tudo? Não propriamente.
A IA não é a mente por detrás das ameaças cibernéticas mais disseminadas atualmente; são as pessoas que podem utilizar a IA de forma maliciosa - e para fins maliciosos. A IA deu aos agentes mal-intencionados um poder enorme, permitindo-lhes criar software malicioso, investigar alvos, elaborar esquemas convincentes e automatizar ataques a uma velocidade sem precedentes.

Um em cada quatro ataques que resultaram em violações de dados foi impulsionado por IA entre fevereiro de 2025 e março de 2026, segundo um relatório da IBM. E os norte-americanos perderam mais de 893 milhões de dólares (cerca de 775 milhões de euros) em burlas relacionadas com IA no ano passado, segundo o FBI.

Mas os especialistas dizem que os agentes de ameaça do mundo real - isto é, as pessoas - continuam a ser quem controla tais acontecimentos. Os agentes de IA apenas têm perpetuado métodos de ataque já existentes, como o phishing e as burlas com malware, em vez de criarem métodos totalmente novos.

“São os seres humanos que temos de vigiar”, alerta Oren Etzioni, professor emérito da Universidade de Washington, nos Estados Unidos, e antigo CEO do Allen Institute for Artificial Intelligence. “A IA é apenas a ferramenta.”

A IA a agir de forma descontrolada
Alguns incidentes recentes mostraram aquilo de que a IA é capaz no mundo real, e não apenas em teoria, alimentando receios de que a tecnologia esteja a avançar demasiado depressa.

Em julho, modelos de teste da OpenAI (criadora do ChatGPT) ultrapassaram as suas limitações e invadiram os sistemas de outras empresas durante uma avaliação interna.

Dias depois, a Anthropic (criadora do Claude AI) afirmou ter descoberto que os seus modelos de IA tinham conseguido entrar nos sistemas de três empresas durante os testes.

Num teste separado, o modelo mais avançado da Anthropic utilizou identidades falsas para tentar enganar pessoas reais, segundo revelaram recentemente investigadores do AI Security Institute do Reino Unido.

Um dos modelos de IA da Meta (‘dona’ do Facebook, Instagram e WhatsApp) também conseguiu entrar numa empresa externa, informou a gigante das redes sociais.

Estas intrusões também demonstram como a IA pode ser imprevisível ao interpretar instruções. Os modelos da OpenAI, por exemplo, estavam a tentar realizar um teste de cibersegurança quando saíram do seu ambiente de teste e invadiram outra empresa, apesar de não terem recebido instruções para o fazer.

Patrick Fussell, responsável global pela simulação de adversários na IBM, comparou a IA a um génio.

“Queremos pedir-lhe um desejo, mas temos de ser muito, muito específicos quanto aos detalhes desse desejo”, diz à CNN. “Caso contrário, as coisas podem acabar por correr mal”, continua, em tom de aviso.

Mas estes casos também ocorreram em circunstâncias muito específicas.

A OpenAI desativou restrições que teriam impedido o seu modelo de “realizar atividades cibernéticas de alto risco”. A Anthropic realizou os seus testes sem as salvaguardas de segurança padrão presentes nos modelos disponibilizados ao público em geral. O AI Security Institute também desativou determinadas ferramentas que poderiam ter “reduzido o âmbito” das capacidades dos modelos.

Por norma, os investigadores fazem isto para avaliar plenamente as capacidades de um modelo.

“Eu não poderia entrar no ChatGPT ou no Claude, ou em algo semelhante, e isso, acidentalmente, invadir o FBI. Isso não vai acontecer”, adianta Adam Meyers, responsável pelas operações de combate a adversários na empresa de cibersegurança CrowdStrike. “O que estamos a ver é que estes testes são realizados em condições específicas, nas quais se monitoriza para perceber: ‘Será que isto faz algo que não era suposto fazer?’”

Como os hackers estão a utilizar a IA
Segundo os especialistas, a IA não está a agir de forma autónoma para conceber novos ataques. Em vez disso, está a ajudar os cibercriminosos a implementar técnicas já existentes muito mais rapidamente, tornando-as mais eficientes e eficazes.

Isto pode incluir a utilização de IA para analisar o site de uma empresa e descobrir quem deve ser visado, ou a utilização de um agente de IA para conduzir as primeiras negociações com uma vítima de extorsão informática. Os agentes de IA conseguem imitar conversas humanas, tanto através de texto como até de vozes específicas. Hackers com poucos conhecimentos técnicos podem agora recorrer à IA para executar esquemas sofisticados.

“Estão a utilizar a IA para melhorar a metodologia dos ciberataques, essencialmente, em todas as diferentes fases, mas continua, de certa forma, a ser uma atividade conduzida por seres humanos”, afirma Jud Dressler, responsável pelo centro de operações de risco da seguradora especializada em cibersegurança Resilience.

Segundo Meyers, antigamente os agentes mal-intencionados criavam à pressa scripts básicos - pequenos programas com instruções destinadas a automatizar tarefas - para atingir os seus objetivos. Agora, porém, conseguem produzir trabalho de maior qualidade que parece ter demorado três vezes mais tempo a desenvolver.

Também utilizam IA para tarefas que acontecem nos bastidores, como gerar a infraestrutura necessária para criar sites maliciosos.

“Com a IA, podem automatizar essa construção e, por isso, o custo de reconstrução tornou-se muito baixo. E isso muda as regras do jogo”, afirmou Rob Lefferts, vice-presidente corporativo de proteção contra ameaças da Microsoft.

A maior ameaça
Para Etzioni, os incidentes recentes são um momento de “canário na mina de carvão” para a IA e a cibersegurança - uma expressão que significa um importante sinal de alerta. E não é o único a pensar assim: Geoffrey Hinton, cientista informático galardoado com o Prémio Nobel e conhecido popularmente como o ‘padrinho da IA’, alertou recentemente para a probabilidade de surgirem mais ataques realizados por IA de forma descontrolada.

Os relatos sobre IA a agir de forma descontrolada reforçam a importância de implementar boas práticas de cibersegurança, como corrigir vulnerabilidades, monitorizar os agentes de IA no local de trabalho e estar atento a burlas de engenharia social e phishing, dizem os especialistas.

Mas, por mais avançada que a IA esteja a tornar-se, continua a ser um programa orquestrado por um ser humano. E são esses seres humanos que constituem a maior preocupação, porque são eles que tomam as decisões - como realizar operações de espionagem ou enganar utilizadores para lhes retirar enormes quantias de dinheiro - afirma Meyers.

As gigantes tecnológicas estão numa corrida para tornar a IA tão inteligente quanto os seres humanos, um marco teórico conhecido como “inteligência artificial geral” (AGI). Os incidentes recentes, contudo, intensificaram os apelos a um abrandamento do desenvolvimento.

Mais de 1200 trabalhadores de grandes empresas de IA, incluindo Dario Amodei, CEO da Anthropic, assinaram recentemente uma carta aberta a apelar ao governo norte-americano para ajudar a definir o ritmo do desenvolvimento da IA. A Casa Branca reuniu-se recentemente com grandes empresas de IA para discutir um quadro que permitiria ao governo analisar determinados modelos de IA antes de estes serem disponibilizados.

Muito provavelmente, os investigadores de cibersegurança já consideraram as ameaças associadas à AGI, porque as pessoas que trabalham nesta área tendem a ser paranoicas, adianta Fussell, da IBM. Mas ainda estamos muito longe de uma realidade em que os agentes de IA sejam tão inteligentes quanto os seres humanos, continua.

“É como perguntar a alguém: ‘Como seria viver noutro planeta?’”, exemplifica, continuando: “Conseguimos imaginar, de certa forma, mas está tão para além da nossa capacidade que é realmente difícil fazer um plano.”

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quinta-feira, 30 de julho de 2026

Superinteligência Artificial chega em breve e deve ser acessível a todos, afirma Mark Zuckerberg



O CEO da Meta, Mark Zuckerberg, colocou a busca pela superinteligência artificial como o grande objetivo atual da empresa. Num artigo escrito para o The Wall Street Journal e publicado nesta terça-feira (28), o executivo reforçou a aposta e explicou ainda como a humanidade deve lidar com esta tecnologia.

Também conhecido pela sigla ASI (Artificial Superintelligence) em inglês, este é o sistema previsto para ser capaz de superar por uma grande margem a inteligência e a capacidade cognitiva de qualquer ser humano - isto em todas as áreas possíveis, incluindo raciocínio, criatividade e resolução de problemas.

O texto reflete as apostas corporativas da empresa dona do Instagram, WhatsApp e Facebook, além de líder em óculos inteligentes. Desde o ano passado, a empresa separou a divisão de inteligência artificial (IA) em diferentes frentes e estabeleceu o laboratório Meta Superintelligence Labs (MSL) como prioridade.

A seguir, destacamos os principais tópicos do artigo de Zuckerberg. O texto traz uma perspetiva otimista, mas que também aponta quais são os possíveis riscos deste futuro.

1. Ela está mesmo a chegar (e será incrível)
Logo no início do texto, o CEO refere que somos privilegiados como sociedade por "viver num momento incrível da história". Segundo ele, a dita superinteligência chegará dentro de alguns anos, embora não tenha sido indicado um prazo mais específico.

"As pessoas poderão utilizar uma superinteligência que supera a capacidade humana para criar e descobrir coisas novas e extraordinárias, construir novos negócios, expressar ideias, aprender novos conceitos e melhorar as suas vidas, saúde, relacionamentos e carreiras", diz Zuckerberg.

2. A superinteligência deve ser acessível
O principal tópico do texto envolve a distribuição da tecnologia. Para o CEO, de nada serve ter tantos recursos criados se eles não puderem ser utilizados pelo maior número possível de pessoas.

"Alguns argumentam que a própria superinteligência, ou um pequeno grupo de especialistas que a controla, deveria decidir o que é melhor para a humanidade. Eu discordo. Ela tem o potencial de iniciar uma nova era de capacitação pessoal, na qual os indivíduos têm maior liberdade para perseguir os seus interesses e alcançar o seu pleno potencial", explica.

Como exemplo, ele comentou como seria injusto se apenas uma pessoa no mundo tivesse um advogado "superinteligente", enquanto o cenário em que todos tivessem esse recurso resultaria numa justiça feita de forma muito mais eficiente.

3. Ele não entende as críticas contra a IA
Zuckerberg também se disse surpreendido ao notar que o discurso de muitas pessoas envolvidas com IA é "carregado de pessimismo apocalíptico". Ele discorda de quem acha que a IA vai eliminar a maioria dos empregos e que grande parte da relevância da humanidade seria prejudicada nesse cenário.

Zuckerberg refere também que isso pode criar um precedente delicado em termos de regulação. "A ideia de que a IA é tão perigosa ao ponto de o único caminho seguro ser uma concentração extrema de poder parece, ela própria, perigosa", escreve.

4. Existem riscos de segurança
Do ponto de vista da proteção contra riscos e utilizações mal-intencionadas, o executivo defende que não há uma fórmula única sobre como lidar com a superinteligência em todos os casos.

Em áreas como a cibersegurança, ele acredita que o software de código aberto "demonstrou que conceder a todos acesso total a sistemas poderosos é a melhor forma de garantir a segurança ao longo do tempo" - um passo que a Meta seguiu ao lançar os sistemas Llama mais abertos e ao associar-se à recente aliança no setor de IA.

Contudo, ele também acredita na necessidade de intervenção do Estado em determinados momentos. "No que diz respeito a outros riscos, incluindo os de natureza biológica, será benéfico haver uma maior coordenação entre governos e outras instituições quanto à implementação responsável de modelos de alta capacidade", explica.

5. Os trabalhos vão mudar (e aumentar)
Por fim, Zuckerberg acredita que a superinteligência deve ser usada para ajudar a inventar, e não para automatizar tarefas. Ele afirma que a humanidade sempre progrediu mais quando existiu "poder nas mãos das pessoas para que elas possam perseguir as suas próprias aspirações".

"À medida que todos obtêm ferramentas mais poderosas, cada pessoa tornará mais capaz de moldar o futuro, e não menos", defende o executivo. Exemplos citados por ele vão desde a descoberta de medicamentos até formas de melhorar um negócio.

"Será significativamente mais fácil começar negócios sem angariar grandes quantias de capital. Eu espero que a economia se torne mais empreendedora, com um número maior de pessoas a trabalhar em pequenas empresas em vez de grandes companhias", prevê.

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sábado, 11 de julho de 2026

A Apple processa a OpenAI por apropriação indevida de informações confidenciais

A gigante norte-americana Apple interpôs na sexta-feira uma ação judicial contra a OpenAI, acusando vários dos seus ex-funcionários de terem transmitido informações confidenciais à start-up californiana, após terem sido recrutados por esta.

A ação judicial marca uma escalada das tensões entre as duas empresas, que se tinham associado em 2024 para integrar o ChatGPT, a interface de inteligência artificial (IA) da OpenAI, nos produtos da Apple.

Mas quando a Apple apresentou a sua assistente de voz reformulada, a Siri, no mês passado, a sua componente de IA era baseada no modelo Gemini AI da Google, em vez do ChatGPT.

Desde então, a relação entre as duas empresas deteriorou-se significativamente.

O documento judicial, apresentado num tribunal federal de San Jose (Califórnia), alega uma "estratégia" da OpenAI "para extrair informações confidenciais" provenientes da Apple.

Num comunicado, um porta-voz da OpenAI afirmou que a empresa "não está interessada em informações confidenciais de outras empresas", ao mesmo tempo que indicou que ainda está a analisar as acusações que lhe são feitas.

Para além da OpenAI, são especificamente visados pelo processo dois antigos quadros da Apple, entre os quais Tang Tan, cofundador da start-up io Products com Jony Ive, antigo responsável pelo design dos produtos da marca da maçã.

A io Products foi adquirida pela OpenAI em maio de 2025 por 6,5 mil milhões de dólares, um passo importante na diversificação da criadora do ChatGPT, que prevê lançar, até 2027, uma gama de dispositivos centrados na IA.

Segundo a Apple, Tang Tan levou consigo documentos internos quando saiu da empresa em 2024.

Agora responsável pelos produtos físicos na OpenAI, estaria a procurar ativamente obter dados adicionais junto de funcionários da Apple que se candidatam a um cargo na empresa líder em IA, de acordo com o documento judicial.

Outro ex-funcionário da Apple, Chang Liu, é acusado de ter guardado dispositivos internos depois de ter deixado a empresa em 2026 e de ter continuado a aceder à rede informática interna.

"Na medida em que mais de 400 ex-funcionários da Apple trabalham atualmente na OpenAI, não é surpreendente que alguns tenham conhecimento de informações confidenciais e protegidas", reconhece o gigante da eletrónica de consumo.

"Mas a OpenAI decidiu explorar essas informações", afirma, porém, o criador do iPhone.

A Apple classificou estas descobertas, e agora acusações, como "a ponta do iceberg", afirmando ter apenas uma visão limitada do que se passa na OpenAI.

Para a empresa, estas supostas manobras inscrevem-se no desenvolvimento, por parte da OpenAI, de dispositivos físicos, domínio em que o laboratório de IA não tinha qualquer experiência prévia.

A Apple pede ao tribunal que proíba a OpenAI de explorar informações confidenciais provenientes dos seus colaboradores, antigos ou atuais, bem como que lhe seja concedida uma indemnização por danos, sem fixar o montante.

Esta ação judicial ameaça colocar algumas "pedras no caminho" da OpenAI, num momento em que a empresa se prepara para uma entrada na bolsa muito aguardada.

Para a empresa, avaliada em cerca de 852 mil milhões de dólares, a diversificação no setor dos dispositivos de consumo é considerada um importante motor de crescimento.

quinta-feira, 9 de julho de 2026

A Irlanda é o cão de colo das grandes tecnológicas - e isso compromete a sua presidência da União Europeia

Irlanda assume Presidência do Conselho da UE. Saiba mais aqui
Pode-se admirar um país outrora pequeno, pobre e não industrializado por ter ganho a "corrida ao fundo" e se ter tornado rico. Mas as consequências têm sido nefastas para a democracia, a competitividade e a segurança europeias - e, em particular, para as crianças.

À primeira vista, a Irlanda comporta-se como uma boa europeia, sendo uma firme defensora dos direitos humanos e um farol de progressismo na extremidade ocidental do continente. Mas há uma área vital onde o seu historial está longe de ser perfeito - uma área que deve suscitar preocupação depois de o governo irlandês assumir a presidência rotativa semestral da UE, a 1 de julho. O pacote de regras da UE para a tecnologia e a inteligência artificial será renegociado durante esse mesmo período, mas o Estado e a economia irlandeses foram capturados pelas grandes tecnológicas (big tech). A Irlanda está de tal forma comprometida que, enquanto presidente do Conselho da UE, deveria declarar-se impedida de participar em todas as negociações sobre tecnologia e soberania digital.

A última vez que a Irlanda deteve a presidência da UE foi em 2013, durante as negociações do Regulamento Geral sobre a Proteção de Dados (RGPD). Um memorando do Facebook descreve uma reunião de 2013 na qual os executivos da empresa se reuniram com o então primeiro-ministro da Irlanda para se queixarem das regras propostas para a privacidade de dados. Saíram do encontro convictos de que tinham a garantia de Enda Kenny de que a Irlanda usaria a sua “influência significativa” como presidente do Conselho da UE para assegurar o que o Facebook apelidou de um “resultado positivo”. Os executivos também participaram num “jantar organizado por políticos irlandeses de topo para analisar as várias formas através das quais os irlandeses poderiam ser prestáveis”.

Os 27 Estados-membros da UE alternam entre si a liderança da presidência. O país incumbente preside às reuniões e, na prática, controla o ritmo das negociações da legislação europeia. Pode prioritizar certos temas e deixar deslizar outros. Por exemplo, Chipre, um país pequeno e vulnerável numa região volátil, conseguiu utilizar a sua presidência, de janeiro a junho deste ano, para colocar os compromissos de defesa mútua na agenda europeia.

Atraídos por benefícios fiscais e por uma cultura de complacência cordial, gigantes como a Google, Meta, Apple, Microsoft, OpenAI, TikTok e X estabeleceram todos as suas sedes europeias na Irlanda. O princípio do “país de origem” da UE determina que o país que acolhe a sede europeia de uma empresa é o responsável por regulá-la em toda a UE. Esta particularidade jurídica transformou a Comissão de Proteção de Dados (DPC) da Irlanda no principal regulador da Europa para o setor tecnológico: a Irlanda pressionou para que assim fosse enquanto presidente do Conselho, em 2013.

Os efeitos deste arranjo são avassaladores. A presidente da DPC admitiu recentemente que, à exceção de “resoluções amigáveis” sobre questões triviais, a Irlanda não concluiu um único inquérito europeu à Google ou a qualquer uma das suas subsidiárias nos dez anos decorridos desde a promulgação do RGPD. As proteções à escala europeia estão paralisadas porque todos os outros Estados-membros têm de esperar que a Irlanda aja numa resposta conjunta da UE.

Quando a DPC aplicou sanções contra empresas tecnológicas, fê-lo de forma deficiente e sob coação de outros reguladores europeus. Agiu, de facto, com uma celeridade invulgar num caso específico, contra a IA Grok de Elon Musk, mas aceitou depois um acordo que parece ter colapsado. O regulador dos média da Irlanda, Coimisiún na Meán, goza de melhor reputação, mas dispõe de poderes muito mais fracos. Há já uma década que a Irlanda mantém aberta a porta dos fundos da regulação, permitindo que gigantescas empresas norte-americanas e chinesas operem com impunidade por toda a Europa. Tornou-se não apenas um paraíso fiscal, mas um paraíso regulatório.

A dependência económica é gritante. Três empresas norte-americanas foram responsáveis por quase metade das receitas fiscais sobre as sociedades na Irlanda em 2024. Em 2022, a Irlanda arrecadou quase cinco vezes mais impostos sobre as sociedades por habitante do que a França ou a Alemanha. Pode-se admirar um país outrora pequeno, pobre e não industrializado por ter ganho a "corrida ao fundo" e se ter tornado rico. Mas as consequências têm sido nefastas para a democracia, a competitividade e a segurança europeias - e, em particular, para as crianças.

O filme de 2026 “Molly vs. the Machines” conta a história de como os algoritmos das redes sociais empurraram conteúdos suicidas para o feed de Molly Russell, de 14 anos, que pôs fim à própria vida em 2017. Há e haverá mais Mollys por toda a Europa, a menos que a Irlanda comece a aplicar as regras de dados da UE que exigem que os “algoritmos de recomendação” sejam desativados por defeito, dado que se alimentam de dados particularmente íntimos.

A Irlanda pode já nem sequer estar a tentar manter as aparências. A mais recente comissária de proteção de dados do país, Niamh Sweeney, foi anteriormente a principal lobista da Meta na Irlanda durante o escândalo da Cambridge Analytica e o período sombrio marcado pelas revelações da denunciante Frances Haugen. O processo do governo irlandês para recrutar Sweeney foi absurdo: o único especialista em tecnologia no júri de seleção era um advogado das grandes tecnológicas. Os critérios de seleção focaram-se em competências genéricas, como a “gestão de relacionamentos”, em vez de tentar contratar um fiscal capaz de investigar as empresas tecnologicamente mais sofisticadas do mundo. Ninguém verificou, durante o processo de contratação, se a candidata indigitada estava vinculada à notória prática da Meta de proibir ex-funcionários de a criticarem - o que amordaçou de forma tão absoluta a antiga executiva e denunciante da Meta, Sarah Wynn-Williams. A Irlanda dota a DPC de dezenas de milhões de euros para operar, mas lobotomiza-a.

E as portas giratórias continuam a rodar: a anterior comissária de proteção de dados, Helen Dixon, acaba de começar a trabalhar para a sociedade de advogados da Meta. A firma continua a deparar-se com vários casos em aberto da Meta contra a DPC. Sob a liderança de Dixon, a DPC processou outras autoridades de dados europeias no mais alto tribunal da UE, porque estas tinham votado no sentido de obrigar a DPC a investigar a utilização que a Meta faz dos dados mais íntimos dos cidadãos. Embora o caso tenha sido rejeitado, a ação de Dixon concedeu à Meta uma trégua de um ano antes sequer de a investigação ter início.

No livro “Careless People”, de Wynn-Williams, a autora articula a visão que a Meta tem da DPC como um “cão de colo”. Isto espelha de forma inquietante a hesitação e a deferência do regulador financeiro irlandês face aos bancos do país nos anos que antecederam a crise bancária de 2008. No início deste mês, a ministra dos Negócios Estrangeiros da Irlanda publicou na sua página do LinkedIn uma fotografia onde posava com uma lobista da Meta. “Excelente reunião ontem com a Meta para discutir prioridades para a próxima presidência europeia da Irlanda”, dizia a legenda, acompanhada de vários pontos de argumentação do memorando da Meta de 2013 que, em 2026, parecem ter-se tornado política oficial do governo irlandês.

A Irlanda é inclusivamente acusada de “bloquear” a instauração de ações populares contra empresas tecnológicas em nome de crianças, ao proibir o financiamento comercial destas ações, embora permita tal financiamento para arbitragens comerciais. De acordo com a sondagem do Eurobarómetro da UE deste mês, 92% dos europeus querem que a UE garanta uma melhor proteção online para os seus filhos. A Irlanda não irá assegurar essa proteção a menos que outros governos da UE comecem a exigi-la de forma insistente. Durante quanto mais tempo irão os líderes europeus tolerar que a Irlanda venda a saúde mental das crianças dos seus países?

Houve um tempo em que a Europa parecia ser a resposta do mundo contra os piores excessos das grandes tecnológicas. A Irlanda sabotou esse sonho a troco de uma recompensa massiva. Se o país não se afastar espontaneamente de todas as discussões tecnológicas durante a sua presidência de seis meses, então Berlim, Paris, Varsóvia, Madrid e Bruxelas deverão exercer sobre a Irlanda o mesmo tipo de pressão que alguns exerceram após a crise bancária. O que foi injusto na altura seria inteiramente justo desta vez.

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domingo, 14 de junho de 2026

Multibanco: o botão que tens de carregar antes de inserir o teu cartão



Levantar dinheiro nas caixas automáticas é um gesto quase diário para a maioria dos portugueses. Inegavelmente, confiamos cegamente na segurança destas máquinas. Por conseguinte, inserimos o nosso cartão e digitamos o código secreto sem pensar duas vezes na operação. Contudo, os criminosos estão cada vez mais criativos nas suas abordagens físicas e digitais. Assim as queixas de burlas junto aos terminais de pagamento estão sempre presentes. Felizmente, existe um gesto preventivo muito simples que pode salvar a tua conta bancária. Na prática é um botão em que tens de carregar antes de inserir o cartão no Multibanco.

Inserir o cartão no Multibanco: faz isto primeiro
Em primeiro lugar, o grande perigo atual reside num método conhecido como clonagem silenciosa. Os burlões instalam pequenos dispositivos falsos na ranhura onde habitualmente inseres o cartão. Estes aparelhos disfarçados leem a banda magnética e copiam todos os teus dados bancários. Adicionalmente, colocam microcâmaras escondidas na parte superior da máquina. O objetivo destas pequenas lentes é gravar o momento exato em que digitas o teu código pessoal. Como resultado, os criminosos conseguem um acesso total e desimpedido ao teu dinheiro numa questão de minutos.

Multibanco: o erro com o botão Cancelar que te pode custar caro
Por outro lado, existe um truque muito eficaz que deves adotar imediatamente na tua rotina. Antes de colocares o teu cartão na ranhura, deves carregar na tecla vermelha Cancelar pelo menos duas vezes. Este passo cancela qualquer operação que tenha ficado pendente do utilizador anterior. Além disso, reinicia o software da máquina e bloqueia possíveis tentativas de adulteração digital do teclado numérico. Este pequeno hábito cria uma camada extra de segurança antes de iniciares a tua sessão pessoal.


Uma postura defensiva
Deves também adotar uma postura altamente defensiva sempre que fores ao multibanco. Primeiramente, verifica sempre se o teclado apresenta alguma folga ou uma peça exterior solta. Se notares algo estranho ou fita-cola à volta da ranhura verde, não utilizes essa máquina de forma alguma. Posteriormente, tapa sempre o teclado com a tua mão livre enquanto digitas o código numérico. Este simples gesto de bloqueio visual anula completamente a eficácia das câmaras ocultas instaladas pelos criminosos na estrutura do terminal.
As caixas Multibanco modernas costumam ter luzes LED intermitentes verdes ou azuis na ranhura do cartão. Se a luz estiver tapada, desalinhada ou se o plástico parecer baço ou de cor diferente do resto da máquina, desconfia.
A tua segurança financeira depende exclusivamente da tua atenção a pequenos detalhes do quotidiano. Perder apenas cinco segundos a analisar o terminal pode evitar uma verdadeira dor de cabeça e uma conta vazia no futuro. Mantém a atenção redobrada durante as tuas férias e protege as tuas poupanças com estas dicas de ouro.

quinta-feira, 16 de abril de 2026

Ataque informático expõe dados da Navigator na "darkweb"



A The Navigator Company foi alvo de um ataque informático, em março, que resultou na exposição de documentação sensível na "darkweb", escreve o jornal Expresso, esta quinta-feira. Em causa está um ataque de "ransomware" reivindicado pelo grupo Safepay, que terá acedido e divulgado dados de trabalhadores, atas de reuniões, informação sobre contraordenações ambientais, resultados de auditorias ou registos de custos operacionais.

Questionada, a empresa confirmou ter identificado "um incidente de cibersegurança", tendo ativado de imediato mecanismos de resposta e articulado o caso com as autoridades competentes, mas não revelou se houve pagamento de resgate ou quais os impactos financeiros, invocando razões de segurança e de proteção da investigação.

Segundo o Expresso, o ataque insere-se num contexto de aumento dos casos de "ransomware" na indústria transformadora, um sector particularmente exposto devido à dependência de operações contínuas e à interligação entre sistemas tecnológicos. A Navigator já tinha sido alvo de um ataque semelhante em 2020, num ano em que também a EDP foi atingida por um ciberataque com divulgação de dados.

27s: o tempo para comprometimento de e-crime mais rápido já registrado
89% de aumento nos ataques de adversários habilitados por IA
82% das detecções em 2025 estavam livres de malware

A empresa de cibersegurança Check Point Software Technologies publicou a décima quarta edição da sua análise anual sobre tendências de ataques informáticos, intitulada Security Report 2026. Os dados recolhidos mostram como as organizações espanholas e portuguesas sofreram, em 2025, uma média de quase dois mil ciberataques semanais. Representando um aumento de 70% em comparação com os registos de 2023. Este aumento generalizado reflete-se diretamente na quantidade de dados corporativos expostos a nível mundial, onde cerca de 8.000 organizações viram as suas informações divulgadas em portais geridos por grupos dedicados à dupla extorsão, o que representa um crescimento anual superior a 50%.

quinta-feira, 19 de março de 2026

Rallying for the Future of Humanity and a Safe AI


Let me stipulate five things:

First, Artificial Intelligence is a tsunami bearing down on human beings at a remarkable speed.

Second, AI has the potential to make life on this planet better in many ways, but if unregulated, it could do terrible things, including ending human life altogether.

Third, huge sums are being spent on AI by governments (especially the U.S. and China) and by private tech corporations.

Fourth, the incipient AI industry has already become a major political force in the U.S., supporting candidates who pledge not to regulate it and opposing candidates who intend to regulate it.

Finally, the Trump regime and its puppets in Congress don’t want to regulate it. That’s partly because the regime and its puppets are rife with corruption and conflicts of interest. Several key officials have personal investments in AI and want it to be as profitable as possible.

Now, given all this, I think we should all be grateful that at least one prominent AI corporation — which has developed one of the most successful AI systems — is requiring that any purchaser of it agree not to use it for doing bad things. Specifically, it is prohibiting users from utilizing its AI to surveil American citizens or create automated weapons uncontrolled by human beings.

I’m referring, of course, to Anthropic and its CEO and founder, Dario Amodei.

Enter Pete Hegseth, Trump’s “Secretary of War” and one of the most incompetent people ever to become a member of a president’s Cabinet.

He and the Trump regime have come to rely on Anthropic’s AI. As Trump’s war has entered its third week, the U.S. military is using it to help analyze intelligence.

But Hegseth and the regime hate the fact that Anthropic has put the two above-mentioned conditions on its use.

So they blacklisted Anthropic from future defense contracts, calling it a “supply-chain risk” (a label previously used only to bar foreign companies that posed risks to national security). Because the U.S. government is such a huge purchaser of AI, that blacklisting is almost a kiss of death for Anthropic.

What did Anthropic then do? It didn’t back down. Instead, it sued the regime, accusing the Pentagon of punishing it on ideological grounds and arguing that the regime is violating its First Amendment rights.

Yesterday, the Trump regime defended its decision in court — calling Anthropic an unacceptable risk to national security because it could disable or alter its technology to suit its “own interests” in a time of war.

The regime also argued that it has the authority to choose vendors and that Anthropic has no right to “unilaterally impose contract terms on the government.”

So who has the best argument here?

When we’re dealing with a gigantic force (AI) that must have guardrails to ensure it’s used in ways consistent with the common good, and the government refuses to supply such guardrails, a courageous private AI corporation and CEO should have the right to impose them as a condition for using its product.

As nearly 150 retired federal and state judges wrote in their amicus brief supporting Anthropic: “No one is trying to force the Department to contract with Anthropic. Instead, Anthropic is asking only that it not be punished on its way out the door.”

Exactly.

By the way, when did you last hear of former judges, appointed by both Republicans and Democrats, submitting an amicus brief on behalf of a private company against the government?

Tech companies and their employees have also filed legal briefs in support of Anthropic. Even Microsoft, a major investor in Anthropic competitor OpenAI, filed a friend-of-the-court brief. Thirty-seven engineers and researchers from OpenAI and Google, including Jeff Dean, Google’s chief scientist, have also filed a brief supporting Anthropic.

The American Civil Liberties Union and the Center for Democracy and Technology filed a brief, arguing that Anthropic was protected by the First Amendment in speaking up against the Pentagon about its AI technology.

What we have here is one the clearest examples so far of countervailing powers — a leading corporation, a federal court, former federal judges, other tech companies and their engineers, and civil society nonprofits — joining together to confront a rogue and corrupt regime on an issue of extraordinary importance to the future.

It should be a comfort to us all that even when the normal processes of democracy are taken over by a tyrannous regime, such countervailing powers are still able and willing to rally for the common good.

Granted, it is a small comfort. But in these dark days, even small comforts must be celebrated. Tyranny cannot succeed where people refuse to submit to it.

sexta-feira, 6 de março de 2026

Europol alerta para aumento do risco de terrorismo na UE


A Europol avisou esta sexta-feira, 6 de março, que o nível de ameaça terrorista e de extremismo violento no território da UE é atualmente considerado elevado, devido à guerra no Médio Oriente, e advertiu que o risco de ciberataques também deverá aumentar.

Numa resposta por escrito enviada à Lusa, uma porta-voz da Europol indica que a guerra no Médio Oriente “tem repercussões imediatas no crime grave e organizado e no terrorismo na União Europeia (UE)”.

“O nível de ameaça terrorista e de extremismo violento no território da UE é considerado elevado. Tal pode manifestar-se através da radicalização interna por parte de indivíduos isolados ou de pequenas células auto-organizadas”, refere a porta-voz da Agência da UE para a Cooperação Policial.

A Europol adverte que “a rápida disseminação ‘online’ de conteúdos polarizadores pode acelerar os processos de radicalização a curto prazo” entre membros de diásporas que residem atualmente em solo europeu.

“Os grupos aliados (‘proxies’) do Irão também podem envolver-se em atividades desestabilizadoras na UE”, afirma a Europol, referindo-se designadamente ao chamado “Eixo da Resistência do Irão”, composto por grupos como o Hezbollah, Hamas ou os Huthis, ou a “redes criminosas que atuam sob a direção das instituições de segurança iranianas”.

“As suas operações podem incluir ataques terroristas, campanhas de intimidação e financiamento do terrorismo, bem como ciberataques, desinformação ou esquemas de fraude ‘online’”, afirma a agência.

Além da ameaça de terrorismo, a Europol refere também que “o risco de ciberataques direcionados a infraestruturas e empresas ocidentais também pode aumentar caso o conflito se mantenha”.

“Redes criminosas e terroristas vão aproveitar o contexto de informação mais intenso para desenvolver fraudes e desinformação com recurso à inteligência artificial. Os alvos mais prováveis na UE incluem localizações ligadas ao conflito, como instalações diplomáticas, alvos vulneráveis ou infraestruturas públicas ou críticas”, indica.

A agência refere, contudo, que até ao momento “não há impacto direto num aumento do tráfico de imigrantes”.

Esta terça-feira, em conferência de imprensa em Bruxelas, o comissário europeu para a Administração Interna, Magnus Brunner, foi questionado sobre como é que a UE tenciona responder a um eventual aumento das ameaças terroristas no continente, tendo respondido que a primeira prioridade da Comissão Europeia é garantir a segurança dos seus cidadãos.

“Estamos a fazer várias coisas, como garantir controlos fronteiriços robustos, que foram reforçados recentemente com o nosso sistema de informação Schengen, uma base de dados comum da UE na qual os Estados-membros podem criar alertar para casos relacionados com terrorismo”, referiu.

O comissário europeu indicou ainda que o novo sistema de entrada e saída da UE, que está a ser gradualmente implementado desde outubro, prevendo-se que esteja totalmente operacional em abril, também está a dar resultados.

“Já nos permitiu deter 500 pessoas consideradas como uma ameaça à União Europeia. Por isso, acho que estamos no caminho certo, mas, claro, manter-se vigilante é sempre importante”, referiu. [Fonte]

terça-feira, 13 de janeiro de 2026

IA, geopolítica e fraude marcam cibersegurança em 2026


A cibersegurança em 2026 está a evoluir num contexto marcado pela aceleração da Inteligência Artificial (IA), pelo aumento das tensões geopolíticas e por desigualdades crescentes no acesso a recursos e competências, segundo o Global Cybersecurity Outlook 2026. O relatório do Fórum Económico Mundial conclui que a colaboração continua a ser um fator determinante para reforçar a resiliência coletiva num ambiente cada vez mais fragmentado.

Uma das principais conclusões do estudo, que se baseia num inquérito global a mais de 800 líderes de cibersegurança, executivos de topo e decisores públicos de 92 países, complementado por workshops e entrevistas com especialistas do Fórum Económico Mundial, revela que a IA assume um papel central na chamada “corrida ao armamento” da cibersegurança. Cerca de 94% dos inquiridos identificam a IA como o principal motor de mudança na cibersegurança no próximo ano. Embora a tecnologia esteja a ser usada para melhorar a deteção e resposta a incidentes, 87% dos participantes consideram as vulnerabilidades associadas à IA o risco de cibersegurança com crescimento mais rápido em 2025. Em paralelo, a percentagem de organizações que avaliam a segurança das suas ferramentas de IA subiu de 37% em 2025 para 64% em 2026.

Geopolítica no centro do risco
O relatório indica que a geopolítica surge como outro fator estruturante, com 64% das organizações já a considerarem ataques motivados por fatores geopolíticos nas suas estratégias de mitigação de risco. Entre as maiores organizações, 91% ajustaram as suas estratégias de cibersegurança em resposta à volatilidade geopolítica. Apesar disso, a confiança na preparação nacional para responder a grandes incidentes continua a diminuir, com 31% dos inquiridos a manifestarem baixa confiança na capacidade dos seus países para lidar com ataques a infraestruturas críticas.

A fraude digital assume também um peso crescente, visto que cerca de 73% dos participantes afirmam que eles próprios ou alguém do seu círculo foi afetado por fraude digital em 2025. Para os CEO, este tipo de fraude tornou-se a principal preocupação, superando o ransomware, enquanto os responsáveis de segurança continuam a destacar o ransomware e os riscos na supply chain como ameaças prioritárias.

O relatório evidencia ainda um fosso persistente na resiliência entre organizações e regiões. Embora 64% das entidades indiquem cumprir os requisitos mínimos de resiliência, apenas 19% consideram ultrapassar esse patamar. A escassez de competências em cibersegurança continua a ser um dos principais fatores de desigualdade, afetando sobretudo pequenas organizações, o setor público e regiões como a América Latina, Caraíbas e África subsaariana.

Ao longo de cinco edições, o Global Cybersecurity Outlook tem documentado a crescente interligação entre cibersegurança, economia e geopolítica. A edição de 2026 reforça que a cibersegurança deixou de ser uma função exclusivamente técnica para se tornar uma prioridade estratégica e económica, com impacto direto na confiança, na inovação e na estabilidade social.

O estudo conclui que reforçar a resiliência exige uma abordagem que vá além do investimento tecnológico, assente numa governação eficaz, no desenvolvimento de competências, na partilha de informação e na cooperação entre os setores público e privado, considerados essenciais para enfrentar um cenário de ciberameaças cada vez mais complexo e global.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

WhiteDate. 32 homens em Portugal tinham perfis no "Tinder Nazi"



Mais de 30 homens residentes em Portugal tinham contas na plataforma de encontros WhiteDate, conhecida como o "Tinder Nazi", um site que promovia encontros entre pessoas de ascendência europeia com valores "tradicionais".
 
O WhiteDate (que na tradução livre significa literalmente "Encontro Branco", referindo-se à etnia caucasiana) apresentava-se como um local para pessoas de valores "tradicionais" e de "ascendência europeia", que pretendiam contribuir para "criar uma sociedade racialmente pura".

O site foi, entretanto, apagado, mas graças ao trabalho de Martha Root (pseudónimo) - uma hacker alemã que levou a cabo a divulgação dos perfis e dados de quem tinha uma conta - é possível ainda consultar esta informação.

No site, criado pela própria, os utilizadores podem consultar um mapa mundo, onde são assinalados os perfis de quem tinha uma conta no WhiteDate. Para aprofundar a informação, pode-se ainda visitar estes perfis um a um e ler o que tinham na plataforma.


"Nascido em Portugal, mas a viver na Noruega, consciente do que significa ser europeu, procuro encontrar uma parceira de ascendência europeia para criar e cuidar de uma família", lê-se no perfil de um homem de 31 anos. 

Mais abaixo, nas orientações políticas, este utilizador admite ser de extrema-direita e até mesmo fascista.

"Estou farto de toda a degeneração que tem corroído a civilização ocidental, sobretudo nas relações entre homens e mulheres", lê-se numa outra biografia. "A necessidade de encontrar uma parceira a quem eu possa dedicar todo o meu coração na sociedade atual parece valer a pena apenas com a ajuda de iniciativas como esta comunidade romântica online para pessoas brancas", acrescenta.

E num outro perfil, este de um homem de 23 anos: "Acho que é importante para nós, brancos, termos os nossos próprios espaços, especialmente no que diz respeito às relações sexuais".

Nas dezenas de perfis, a grande maioria apresenta-se como "pro-white" ou "pró-branco", em português, com muitos a dizerem-se também anti-vacinas e a admitirem não terem sido vacinados contra a Covid-19.

As idades variam entre os 20 e os 50 anos.

Mas há um outro dado que se faz notar: em Portugal, não há um único perfil de uma mulher, apesar de todos estes homens estarem à procura de uma parceira.

De facto, no total dos oito mil perfis divulgados, com mais de 6.500 ativos na altura da exposição, cerca de 86% pertencia a homens. Apenas 14% dos utilizadores da plataforma eram mulheres.

Perante a disparidade, Martha Root chegou mesmo a ironizar, dizendo que a plataforma "faz com que a aldeia dos Smurf parecia uma utopia feminista".

A hacker alemã infiltrou-se na plataforma durante uma conferência tecnológica realizada em Hamburgo, na Alemanha, em dezembro de 2025, (onde apareceu mascarada de Power Ranger rosa para proteger a sua identidade) mas a ação resultou de um trabalho de vários meses.

Ao longo desse tempo, Root disse ter descoberto que a cibersegurança da plataforma era tão má que "faria a conta de AOL da tua avó corar".

"Imagina dizeres que fazes parte da ‘raça superior’ e esqueceres-te de proteger o teu próprio site - talvez seja melhor dominar o WordPress [plataforma de criação de sites] antes de dominar o mundo", atirou.

O WhiteDate era gerido, alegadamente, por uma mulher de extrema-direita a partir da Alemanha.

Dos cerca de 6.500 perfis ativos, cerca de metade eram dos Estados Unidos com 3.411 utilizadores. Seguia-se o Reino Unido, com 399 perfis, França, com 380, e o Canadá, com 357. A vizinha Espanha tinha 46 utilizadores. 

sexta-feira, 19 de dezembro de 2025

Já existem esquemas para pagamentos com o smartphone!


Há algumas semanas atrás, dissemos para priorizaes pagamentos com o smartphone ou relógio, de forma a evitar a grande maioria dos esquemas que andam por aí. Mas… O problema é não é só a tecnologia que evolui. Os scammers também aprendem novas técnicas.

Dito tudo isto, está na hora de falar do NGate: o esquema no Android que permite levantar dinheiro no multibanco sem te roubarem o cartão.

Portanto, se achas que para alguém te esvaziar a conta bancária precisa de te roubar o cartão ou saber o PIN, convém leres isto com atenção. Há um esquema a circular chamado NGate que usa o teu próprio smartphone Android para dar a volta ao sistema… e o pior é que muita gente nem percebe como foi enganada.

Ou seja, aqui não há skimmers, nem cartões clonados à antiga. Há engenharia social, aplicações falsas e NFC. Uma combinação perigosa.

O que é afinal o esquema NGate?
NGate é o nome dado a um tipo de burla que explora o NFC do teu telemóvel. Sim, a mesma tecnologia que usas para pagar com um toque.

Assim, o esquema começa quase sempre da mesma forma. Recebes uma SMS ou email a fingir que vem do teu banco. A mensagem fala de um problema urgente, uma falha de segurança ou uma operação suspeita. Tudo pensado para te meter alguma pressão em cima.

Na mensagem vem um link para instalares uma aplicação. Não está na Play Store. Esse é logo o primeiro grande sinal de alerta.

A aplicação parece legítima, tem logótipos, linguagem cuidada e até “verificações de segurança”. Mas, claro, foi criada pelos burlões.

Como é que passam do telemóvel para o multibanco?
Depois de instalares a app, o esquema continua.

Recebes uma chamada de alguém a dizer que é do banco. Às vezes até há um SMS adicional para “confirmar identidade”, de forma a tudo para parecer real. A seguir, a app pede-te algo crítico. Que encostes o cartão bancário ao telemóvel e introduzas o PIN. Tal e qual como num pagamento contactless.

O que está a acontecer na verdade é isto. A app lê os dados do cartão via NFC e envia-os em tempo real para o burlão, que está perto de um multibanco. Em segundos, conseguem levantar dinheiro como se tivessem o teu cartão físico.

Em suma, tu ficas em casa. Eles ficam com o dinheiro.
Não é um esquema super perigoso, e de facto, pagar com o telemóvel continua a ser a forma superior de fazer as coisas. Mas… É preciso ter os olhos bem abertos!
Não parece uma burla clássica. Porque não te pedem dados num site estranho. Não te pedem transferências diretas. Usam processos que já conheces e em que confias.

Além disso, como o levantamento é feito com os teus próprios dados e PIN, a deteção e a recuperação do dinheiro tornam-se muito mais difíceis.

Mas, como sempre, a regra de ouro continua a ser a mesma de sempre. O banco nunca te pede para instalares aplicações fora da Play Store. Nunca. Nem te pede dados por mensagem ou telefonema.

Liga tu para o banco usando o número oficial do site ou da app. Nunca uses contactos que vêm na mensagem. Nunca encostes o cartão ao telemóvel a pedido de uma aplicação ou de alguém ao telefone. Isso simplesmente não faz parte de nenhum processo legítimo.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2025

Segurança energética: soluções para os desafios atuais


A energia é fundamental no nosso quotidiano, permitindo o funcionamento da sociedade e da economia. Mas o acesso à energia não é algo garantido.

A Europa tem reduzido a sua dependência dos combustíveis fósseis russos desde a invasão em grande escala da Rússia na Ucrânia em 2022, estando agora a tratar de a eliminar completamente. Outros desafios incluem a transição progressiva para as fontes de energia renovável e a necessidade de conectar e proteger as infraestruturas energéticas.

Reduzir a dependência energética, principalmente da Rússia
Em 2025, a UE ainda importa 60% da sua energia, incluindo 90% do seu gás e 97% do seu petróleo, bem como combustível nuclear. Uma situação que pode vir a implicar riscos de interrupções no abastecimento e pressão externa, especialmente por parte da Rússia.

É por isso que a UE está a esforçar-se para retirar os combustíveis fósseis russos do seu cabaz energético. Uma nova lei aprovada pelo Parlamento em dezembro de 2025 proíbe as compras de gás natural liquefeito russo para entrega imediata na UE e será diretamente aplicável assim que o regulamento entrar em vigor no início de 2026, enquanto as importações de gás por dutos deverão ser progressivamente eliminadas até 30 de setembro de 2027.

Durante as negociações com o Conselho, o Parlamento também garantiu um compromisso da Comissão Europeia de apresentar legislação no início de 2026 para proibir todas as importações de petróleo russo, de modo a que uma proibição efetiva possa entrar em vigor antes do final de 2027.

As importações de gás da Rússia (gás canalizado e gás natural liquefeito combinados) diminuíram de mais de 40% do total das importações da UE em 2021 para menos de 19% em 2024. Estas importações foram substituídas por fornecimentos provenientes de fontes mais fiáveis, por energia produzida internamente, ou tornaram-se desnecessárias devido à redução do consumo. A quota das importações de petróleo russo também encolheu de 27% no início de 2022 para 3% em 2024.

Aumentar a energia renovável gerada na UE
Desde 2014, o uso da energia eólica quase duplicou e o da energia solar mais do que triplicou na UE. As renováveis forneceram 45% da eletricidade consumida no bloco em 2023.

No entanto, problemas na rede elétrica levaram ao desperdício de 12 terawatts-hora de energia renovável (o equivalente ao consumo médio de eletricidade de aproximadamente 3,3 milhões de famílias da UE durante um ano). É por isso que os eurodeputados insistem no aumento dos investimentos para expandir e modernizar as redes elétricas.

O Parlamento pede também apoio a tecnologias emergentes, como a energia geotérmica e o biometano.
A UE tem como objetivo atingir uma quota de energia renovável de pelo menos 42,5% no consumo total de energia até 2030. O Parlamento apelou a uma cooperação mais estreita e a uma implementação mais rápida dos projetos renováveis para cumprir estas metas.

Melhorar a eficiência energética
Poupar energia é uma das melhores formas de reduzir a dependência de abastecimentos energéticos externos. A resolução do Parlamento salientou que a procura de energia na UE caiu 20% entre 2006 e 2023, graças aos esforços de eficiência.

No entanto, o consumo energético proveniente de centros de dados e tecnologias digitais aumentou de forma acentuada. O Parlamento apelou a políticas mais claras e apoio para reduzir este crescimento. Também pediu melhores medidas de poupança de energia em casas e indústrias para diminuir a procura e evitar sobrecargas na rede.

Prevenir falhas no abastecimento de energia
A resolução alertou que, se não houver energia de reserva suficiente, picos súbitos na procura ou interrupções no fornecimento poderão causar grandes apagões e prejudicar a economia.

O Parlamento referiu que poderá ser necessária uma capacidade extra de 100 GW até 2035 para garantir fiabilidade, segurança energética e redução de custos, e ressaltou que esta capacidade deverá provir de fontes energéticas diversificadas.

Proteger a infraestrutura energética contra ataques
O Parlamento manifestou preocupação com o aumento dos ciberataques e dos incidentes de sabotagem física que ameaçam a infraestrutura energética, especialmente as linhas transfronteiriças, cabos submarinos e ligações a parques eólicos offshore.

Foi pedido um reforço da proteção e uma cooperação mais estreita entre os países da UE, a Comissão Europeia e as agências da UE. As autoridades devem também trabalhar em conjunto com as empresas privadas para garantir o fornecimento de eletricidade e apoiar a segurança nacional.

A resolução destacou a necessidade de controlos obrigatórios de cibersegurança em pequenos dispositivos energéticos ligados à internet, pois podem ser vulneráveis a ciberataques.

Reforçar a solidariedade entre os países da UE
O Parlamento sublinhou que a segurança energética exige solidariedade, pois ações nacionais unilaterais podem desestabilizar o sistema mais amplo. Com base nisso, apelou aos países da UE para coordenarem projetos de infraestruturas e respostas a emergências.


Armazenar gás suficiente para enfrentar interrupções
Em julho de 2025, o Parlamento aprovou também um regulamento sobre o armazenamento flexível de gás, que visa garantir que os países da UE armazenem gás a preços acessíveis para cobrir períodos frios ou interrupções no abastecimento.

A legislação foi inicialmente adotada em 2022, na sequência da invasão em grande escala da Rússia na Ucrânia, em meio a preocupações de que a Rússia poderia usar o fornecimento de gás como instrumento de pressão sobre a UE.

As alterações de 2025 na legislação introduzem maior flexibilidade na forma como os países da UE podem cumprir as regras. Em vez de terem que atingir uma meta de enchimento dos armazéns de gás de 90% até 1 de novembro de cada ano, os países podem atingir o mesmo objetivo de 90% em qualquer momento entre 1 de outubro e 1 de dezembro. Isto deverá resultar em menos especulação e preços mais baixos nos mercados do gás.

sábado, 13 de dezembro de 2025

Desligar ou reiniciar o smartphone? FBI explica qual a opção de maior segurança


Muito de nós sempre ouviu dizer que se deve desligar o telemóvel ou o smartphone pelo menos uma vez por semana ou, pelo menos, reiniciar o aparelho. A razão mudou ao longo dos anos mas, essencialmente, a operação promete melhorar a performance, ao eliminar processos de fundo desnecessários, limpar a memória RAM, evitar o sobreaquecimento, ou resolver bugs ou outros problemas momentâneos.

Contudo, cada vez mais se fala numa outra razão, ligada à cibersegurança, um tema tão importante nos dias de hoje. Aqui as opiniões também divergem. Desligar ou reiniciar o smartphone? O FBI e a NSA têm a resposta.

FBI e NSA explicam a melhor opção para a cibersegurança do teu smartphone
Ambas as agências são conhecidas por, entre outros elementos, serem peritas na coleção de informação digital, sendo capazes de alcançar qualquer pessoa e levantando questões sobre o acesso que determinadas entidades devem ter ao cidadão comum. No entanto, o positivo disto, é que são assim as melhores fontes de esclarecimento quanto a este assunto.

Durante anos, tanto o FBI quanto a NSA aconselhavam os utilizadores de telemovel ou smarthphone a desligar os aparelhos completamente pelo menos duas vezes por semana ou, pelo menos, reiniciar. Ambos os concelhos são válidos mas... não se aplicam propriamente aos modelos mais recentes.

Infelizmente, a verdade é que os atacantes estão cada vez mais sofisticados, e muito malware ou spyware consegue sobreviver ao desligar do smartphone. Assim, apesar de não ser completamente inútil, não é bem uma forma infalível de te manteres seguro. Então, qual a solução?

Outros conselhos de ciberseguranca para Android e iOS
Da mesma forma que os cibercriminosos e as empresas de smartphone estão constantemente a sofisticar os seus serviços, também a tua forma de encarar a cibersegurança tem de mudar. Já não estamos nos anos 90 ou 2000. No entanto, não desesperes. As soluções são fáceis de memorizar e é provável que já estejas a adotar algumas.

Por exemplo, é fundamental manteres o teu smartphone atualizado. Tanto a Android como a Apple lançam regularmente atualizações para os seus sistemas operativos, e nem todos são "apenas" bugs que foram corrigidos. Estes updates trazem muitas vezes otimizações no que toca à cibersegurança.

Quanto aos emails, nunca abras links diretamente das mensagens! A Netflix vai cancelar a tua subscrição? Vai ao site da plataforma, abre o teu perfil, e verifica se tens lá um aviso. Tens uma conta de internet para pagar? Vai ao site da operadora. Existe sempre uma forma de confirmares a informação sem teres de clicar em links. E sim, podes e deves confirmar sempre o endereço que enviou a mensagem mas até estes estão cada vez mais sofisticados, como mostrou o mais recente ataque da "Microsoft".

No aparelho em si, deves optar pela biometria ou reconhecimento facial como opção de desbloquear o smartphone ou tablet - até mesmo portáteis. Isto requer a tua presença física, tornando quase impossível o acesso não autorizado. De igual modo, quando crias uma conta em qualquer site, ativa a verificação em dois passos e escolhe passwords fortes e aleatórias - podes e deves usar um gestor de passwords.

Confessa, quantos destes passos de cibersegurança já aplicas no teu dia a dia? Lembra-te que um ataque pode colocar a tua informação pessoal em risco, incluindo cartões de crédito, acessos ao banco, e outros dados sensíveis.

terça-feira, 9 de dezembro de 2025

Australia banned social media for under-16s. Could other countries do so?

Australia is cracking down on social media for kids under 16, and Denmark  looks set to follow with a ban for under-15s.

From Wednesday, Australia is set to enforce a world-leading social media ban for anyone under 16, as concern grows that kids are getting too swept up in a digitised world of harmful content and commercial interests.

After Australia's first-of-its-kind social media ban for adolescents under the age of 16 came into effect in December, more countries in Europe and elsewhere are taking steps to implement their own restrictions. According to Statista research, France and the United Kingdom have gotten furthest, with laws passing in one chamber each of the countries' bicameral legislatures as of early February. While the latter country is also aiming to ban social media for kids under the age of 16, France's proposed law targets only those under the age of 15.

Six more nations have seen country leaders announce initiatives aiming to ban social media access for adolescents. While Indonesia, Malaysia, New Zealand and Spain all have more restrictive regulations in mind, excluding those under the age of 16, Greece is aiming to exclude those under the age of 15 and Austria those under the age of 14 from social media.

Social media, including personalized algorithms and the possibility to scroll endlessly, is receiving scrutiny for its effect on mental health, especially in younger people. Social media addiction can affect any age group, but it is seen as especially harmful in adolescents which are still developing social behaviors, body image and time management skills.

Two more planned bans announced in Europe, by Portuguese and Danish leadership, are reportedly willing to leave a back door open for parental consent, putting them in a different category that already exists in several nations like France, Italy and, since recently, Brazil, where children of the applicable ages can access social media sites if their parents are in agreement.

While outright bans like the Australian one often plan implementation via a strict official age-verification mechanism, parental consent regulation can work by linking parents accounts, for example. Instagram has meanwhile already rolled out this feature in Europe, the U.S., Australia and Canada, with teenagers between the ages of 13 to 15 only in the position to disable a special restricted account mode with the consent of their parent's account. Like other platforms, Instagram accepts users from the age of 13, but this restriction is so far not tied to verification. In the EU, social media sites are since 2018 under further restrictions concerning the use of personalized ads for minors.

domingo, 23 de novembro de 2025

O truque da chamada automática que desliga logo é perigoso


Todos nós já passámos por isto: o telemóvel toca duas ou três vezes, vês um número estranho e, quando atendes, a chamada cai. Se devolveres a chamada, ninguém atende ou ouve-se uma gravação esquisita. Parece só spam chato mas, em muitos casos, é muito mais do que isso. Assim cuidado com o truque da chamada automática.

O truque da chamada automática que desliga logo é perigoso
O primeiro passo é quase sempre automatizado. Sistemas de robocall fazem milhares de chamadas por dia, tocam dois ou três toques e desligam. Se atendes, o sistema marca o número como “válido” e “pessoa responde”. Se ainda por cima devolves a chamada, ganhas um selo de “alvo quente”: a partir daí, aumentam as hipóteses de receberes SMS fraudulentos, tentativas de vishing (chamadas em que alguém se faz passar por banco, seguradora, operador) ou mais chamadas de números suspeitos.

No esquema clássico, quando devolves a chamada, estás a ligar para um número com custo muito acima do normal. Ficas na linha a ouvir música de espera, gravações ou um “atendedor automático” que nunca mais passa a chamada. Cada minuto é dinheiro a sair da tua conta e parte dessa receita vai parar ao bolso dos burlões.

O que deves fazer, então, com estas chamadas que desligam logo?
A regra mais segura é simples: não devolver chamadas de números que não conheces, sobretudo se forem internacionais ou com prefixos estranhos. Se for importante, quem ligou volta a tentar, deixa mensagem de voz ou envia SMS identificando-se.

Se começares a receber muitas chamadas deste tipo, há mais alguns passos úteis:
  1. Bloquear os números diretamente no telemóvel.
  2. Ativar filtros anti-spam do teu operador, se existirem.
  3. Reportar à ANACOM, Portal da Queixa  ou linhas de cibercrime, se identificares padrão de burla.
A tentação de “só ver quem é” pode sair cara. Num mundo em que já precisamos de desconfiar de links, anexos e SMS duvidosos, as chamadas que desligam logo passaram a ser mais um aviso: alguém lá fora está a testar a tua curiosidade — e o saldo da tua conta.