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segunda-feira, 20 de julho de 2026

Rússia e China adotam “movimento dissimulado de apropriação territorial” no Ártico: “A Noruega tem soberania sobre Svalbard, ponto final”


Durante mais de duas décadas, um par de imponentes leões de granito ladeou a entrada de um edifício vermelho-ferrugem em pleno Círculo Polar Ártico. Já não é assim. No mês passado, desapareceram - e a sua ausência conta uma história sobre a geopolítica cada vez mais tensa no topo do mundo.

Os leões desaparecidos guardavam outrora uma estação de investigação operada pela China na colónia de Ny-Ålesund, em Svalbard, um arquipélago situado entre a Noruega continental e o Polo Norte. Em maio, foram removidos pela empresa estatal norueguesa que gere a colónia; em junho, a mesma empresa retirou uma placa do edifício onde se lia "Estação Rio Amarelo".

A iniciativa da Noruega é vista por alguns especialistas como parte de uma tentativa de reforçar a sua soberania sobre esta parcela do Ártico, face a mudanças geopolíticas e climáticas sísmicas.

A Gronelândia pode dominar as preocupações no Ártico - com o Presidente Donald Trump a tentar repetidamente reivindicá-la para os Estados Unidos, invocando a necessidade de contrariar a crescente influência de Pequim e Moscovo -, mas outra disputa potencialmente explosiva está a desenrolar-se em Svalbard, onde a China e a Rússia já têm presença. E há quem receie que o mundo não esteja a prestar atenção suficiente.

Um arquipélago único sob pressão
Svalbard é um grupo de ilhas singular. Tem apenas cerca de 3000 residentes, mas não tem população nativa e as mulheres não podem dar à luz ali. É o lar da cidade permanentemente habitada mais a norte do planeta, Longyearbyen, e é o local que mais rapidamente aquece na Terra, a um ritmo cerca de seis a sete vezes superior à média global.

Um tratado centenário confere à Noruega total soberania, mas também permite que cidadãos de quase 50 países signatários, incluindo a China e a Rússia, vivam e trabalhem em Svalbard sem necessidade de visto.

Nas últimas décadas, tornou-se o principal centro mundial de ciência ártica e um local raro de cooperação internacional.

"Pessoas de todo o mundo, com enormes diferenças culturais... juntam-se para colaborar", afirmou Hedda Andersen, uma glaciologista que trabalha na Estação de Investigação de Ny-Ålesund.

Contudo, esta harmonia está a desgastar-se à medida que a orgânica única de Svalbard colide com relações internacionais cada vez mais fraturadas e com a busca dos países por influência num Ártico em rápido aquecimento.

"Estamos a ver o contexto geopolítico mais amplo a transbordar para o território de uma forma que não se via nas décadas anteriores", explicou Otto Svendsen, investigador associado no Center for Strategic and International Studies (CSIS).

A atração estratégica de Svalbard
A geografia de Svalbard é grande parte do que a torna tão atraente:
Recursos: o seu oceano ostenta ricas zonas de pesca e minerais críticos no fundo do mar.
Tecnologia: está numa localização privilegiada para controlar e descarregar dados de satélites de órbita polar usados para ciência, previsão meteorológica e defesa.
Militar: situa-se perto da Península de Kola, na Rússia, uma das regiões militares mais estratégicas de Moscovo, onde se encontra grande parte do seu arsenal nuclear marítimo.

O arquipélago é de fácil acesso. Voos regulares a partir da Noruega continental permitem chegar ao alto Ártico em poucas horas. Dezenas de países têm presença em Svalbard, incluindo a Rússia, a China, o Reino Unido, a Itália, o Japão e a Polónia. As suas estações de investigação servem de porta de entrada para a influência no Ártico, funcionando "quase como uma moeda geopolítica", sublinhou Serafima Andreeva, investigadora do The Arctic Institute.

O fim do "Alto Norte, baixa tensão"
Durante décadas, o lema na região foi "Alto Norte; baixa tensão", recordou Eivind Vad Petersson, secretário de Estado no Ministério dos Negócios Estrangeiros norueguês, mas "essa já não é uma descrição precisa da realidade".

A invasão em grande escala da Ucrânia pela Rússia em 2022 desfez a ideia de que o Ártico estava imune aos ventos geopolíticos e colocou o foco na dissonância de a Rússia ter uma colónia em território da NATO. Barentsburg, um posto avançado de mineração e investigação em Svalbard, é habitado quase inteiramente por russos e é vigiado por um enorme busto de Vladimir Lénine.

As ações russas em Svalbard têm inflamado ainda mais as tensões:
Em 2023, a Rússia realizou um desfile de estilo militar em Barentsburg, com uma coluna de camiões e motas de neve com bandeiras russas e um helicóptero a voar a baixa altitude, o que valeu a Moscovo uma multa da autoridade de aviação norueguesa.
No ano passado, o deputado russo Sergey Mironov sugeriu que Svalbard deveria ser renomeada como "Ilhas Pomor", numa referência a um grupo de caçadores russos presentes no arquipélago há séculos.
Retórica: A Rússia tem invocado o mesmo tipo de linguagem que usa para justificar as suas ações na Ucrânia, argumentando que precisa de proteger os falantes de russo em Svalbard. Tem também acusado repetidamente a Noruega de tentar militarizar as ilhas.

Nikolay Korchunov, embaixador da Rússia na Noruega, afirmou que Oslo "bate no limite" da estipulação do Tratado de Svalbard de que as ilhas não devem ser usadas para "fins bélicos". Korchunov acrescentou que a Rússia nunca pôs em causa la soberania da Noruega, mas está, sim, a "tentar trazer clareza" sobre a forma como esta soberania é exercida.

O papel da NATO e as ambições da China
O secretário de Estado norueguês, Petersson, rejeitou as alegações de militarização, explicando à CNN que o Tratado de Svalbard impede a criação de uma base da NATO nas ilhas ou a sua utilização para fins bélicos, mas que isso é "muito mais restrito e algo muito diferente de ser uma zona desmilitarizada".

"Svalbard é parte da Noruega; Svalbard é parte da NATO; Svalbard faz parte dos planos de defesa noruegueses", declarou.

Poucos acreditam que a Rússia esteja a traçar um caminho para uma ação militar direta. Já tem quase tudo o que quer em Svalbard e está focada na Ucrânia, apontou Andreas Østhagen, investigador sénior no Instituto Fridtjof Nansen, em Oslo. Em vez disso, a Rússia parece querer usar Svalbard como um local "para mostrar que não será recuada pela Noruega, ou pela NATO em geral".

Mas não são apenas as ações da Rússia que preocupam. Há também a China.
Ao contrário da Rússia, a China não é uma potência ártica, mas tem ambições. No seu documento de estratégia para o Ártico de 2018, autodenominou-se um "Estado quase-Ártico" e referiu repetidamente Svalbard. Tem também planos para uma "Rota da Seda Polar", um corredor de infraestruturas e navegação no topo do mundo.

Em 2024, quando a China celebrou o 20.º aniversário da sua estação de investigação em Ny-Ålesund, uma empresa de viagens chinesa levou mais de 100 turistas a Svalbard. Alguns agitaram bandeiras; um deles vestia uma farda de camuflagem com o que parecia ser um emblema militar chinês. O evento gerou alarme na Noruega.

Um porta-voz da Embaixada da China na Noruega afirmou que o país participa nos assuntos do Ártico "de acordo com o direito internacional" e que as suas intenções na região visam "salvaguardar os interesses comuns de todos os países".

O catalisador das alterações climáticas
Existe outro fator crucial nesta teia de tensões: as alterações climáticas causadas pelo Homem. No verão de 2024, Svalbard quebrou recordes anteriores de degelo, perdendo mais de 60 gigatoneladas de gelo (cerca de 1% do seu total), com as temperaturas a subirem cerca de 4ºC (7ºF) acima da média. Quatro dos últimos cinco anos estabeleceram novos recordes de perda de gelo.

As alterações climáticas são "em grande parte o que está a impulsionar muito do interesse geral em direção ao Ártico", referiu Østhagen. Existe a narrativa de que o degelo abrirá oportunidades económicas e estratégicas.

A realidade é mais complexa. Há décadas que se antecipa um fluxo de navios pelo Oceano Ártico e uma corrida ao petróleo, gás e minerais sob as suas águas gélidas - mas isso ainda não aconteceu. A região continua a ser dura e inóspita.

Ainda assim, se o degelo vai ou não abrir a região "não importa", considerou Torbjørn Pedersen, professor na Universidade Nord. O "medo de ficar de fora" está a empurrar os países a marcarem presença no Ártico e a exercerem influência política.

A Noruega aperta o controlo
Face a isto, a Noruega parece estar a apertar o controlo sobre Svalbard:
  1. Alteração de leis: em 2022, o governo mudou as regras eleitorais para impedir que cidadãos não noruegueses votassem nas eleições de Longyearbyen, a menos que tivessem vivido na Noruega continental durante três anos.
  2. Mineração: a Noruega assumiu a ambição de explorar minerais críticos numa vasta extensão do fundo do mar do Ártico em redor de Svalbard. O plano foi contestado pela Rússia.
  3. Símbolos nacionais: seguiu-se a remoção dos leões da China e de símbolos nacionais noutros edifícios de Ny-Ålesund.
"Não existe uma estação de investigação chinesa em Svalbard", clarificou Petersson. "Existe uma estação de investigação norueguesa com inquilinos chineses. Essa é uma distinção que faz a diferença."

Para já, a Noruega mostra-se confiante na capacidade de "manter um certo nível de estabilidade nesta região". Mas o mundo está a mudar rapidamente. Com Trump a reiterar que os EUA deveriam deter a Gronelândia, a aliança da NATO sob pressão crescente e os países a posicionarem-se como potências árticas, o futuro parece cada vez menos certo.

Os países podem começar a pensar que "o que importa agora é o poder e a capacidade de afirmar esse poder", concluiu Østhagen, "e não necessariamente as normas e leis que estabelecemos ao longo do último século."
Fonte [PT] [EN]

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quarta-feira, 10 de junho de 2026

Aves migradoras estão a conseguir adaptar-se a um Ártico mais quente. Mas não será para sempre.


As aves aquáticas migradoras que viajam para o Ártico para se reproduzirem têm alguma capacidade para anteciparem as suas longas jornadas para coincidirem com a chegada cada vez mais precoce da primavera ao pólo norte da Terra. Contudo, há limites.

Num artigo publicado na revista ‘Nature Climate Change’, mais de duas dezenas de cientistas acompanharam, via GPS, as migrações de cinco espécies: o ganso-de-faces-pretas (Branta bernicla bernicla), o ganso-de-faces-brancas (Branta leucopsis), o ganso-grande-de-testa-branca (Anser albifrons), o ganso-de-bico-curto (Anser brachyrhynchus) e o cisne-de-bewick (Cygnus columbianus bewickii).

A equipa percebeu que estas aves são capazes de reduzir o tempo que passam a alimentar-se, e a abastecerem as suas reservas de energia e gordura, em preparação para a migração, e, dessa forma, lançarem-se aos céus mais cedo para chegarem ao Ártico quando a primavera precoce começa a brotar.

“Os nossos resultados são tanto encorajadores como preocupantes”, admite, citado em comunicado, Hans Linssen, da Universidade de Amesterdão e primeiro autor do estudo.

“Mostramos que estas aves podem migrar mais rapidamente ajustando as paragens que fazem e os tempos de alimentação”, explica o investigador, mas avisa que esta flexibilidade só será vantajosa “durante mais umas décadas”, entre 18 e 28 anos, mais precisamente. Depois disso, adiantar as migrações, por si só, não será suficiente.

Isto, porque as aves precisam de estar bem alimentadas antes de percorrerem milhares de quilómetros até ao Ártico, e isso exige paragens ao longo do caminho para descansarem e recuperarem energias. Além disso, para partirem mais cedo e poderem coincidir a sua chegada com a de primaveras cada vez mais antecipadas, fruto das alterações climáticas, as aves precisam de alimentos de alta qualidade e condições favoráveis, o que nem sempre acontece.

Por isso, é possível que muitas aves acabem por chegar ao Ártico em más condições de saúde, o que poderá afetar a sua reprodução e, em última análise, o futuro das suas populações.

“Estas aves estão a mostrar uma adaptabilidade incrível”, refere Linssen. “Mas, em meados do século, elas precisarão de outras estratégias, como mudarem os seus locais de invernada ou alterarem completamente as rotas de migração, para conseguirem estar sincronizadas com a primavera ártica.”

sexta-feira, 5 de dezembro de 2025

Pouring Literal Gasoline on the Flames of Hate


It’s a mug’s game to try and figure out the lowest point of the Trump presidency, because he’s certain to go lower still, often in a matter of hours.

Still, yesterday for me can’t pass without comment, because it so perfectly reflects the hideousness of our moment. The picture above shows a circle of white people gathered around the president, listening to him rant about Somali-Americans. The day before he had called them “garbage,” and he was taking up the theme again, with vigor. Somalis had “destroyed Minnesota” and “destroyed our country.” The “Somalians should be out of here,” he said. I have tried to go back and at least as far as Woodrow Wilson and I don’t think any president has said any thing as clearly racist while in office, and I was not alone. Alvin Tillery, at Northwestern, told Reuters yesterday that Trump is “absolutely unique” among modern presidents in his racism—Richard Nixon and Ronald Reagan made “thinly veiled” racial attacks but Trump has no interest in veils, nor do his supporters. His press secretary Karoline Leavitt called his remarks “amazing” and an “epic moment;” J.D. Vance, when the president was ranting about garbage the day before, banged the cabinet table to show his raucous appreciation. Let me say plainly—this is piggish behavior. One of my my most beloved colleagues is a Somali-American from Minnesota; she has more love, compassion and character in her little finger than our president has in his bloated sack of a body. He is simply a bad man, who—feeling a little cornered—heads for the hate that feeds his soul.

But what about those people gathered around him in the Oval Office? Therein lies a tale.

As it turns out, they were automobile executives, joining Trump for a happy moment where he told them that gasoline would be the fuel of the future. As he explained in his usual thoughtful manner

The greatest scam in American history, the Green New Scam, is a quest to end the gasoline powered car. This is what they wanted to do even though we have more gasoline than any other country by far.

It should surprise no one that these auto executives stood there simpering while the president launched into his racist diatribe. Black workers have, of course, been central to Detroit’s success. They faced discrimination from the start—among other things they were often sent to work in the fume-filled paint rooms of the big plants—but still they persevered. Detroit was eventually home to the country’s biggest branch of the NAACP; Dr. King previewed his I Have a Dream speech in a wild June day in Detroit in 1963, with Rev. C.L. Franklin, best known now as Aretha’s dad, presiding over much of the action. In the wake of George Floyd’s murder, the chairman and CEO of Ford issued a statement saying “we cannot turn a blind eye” to racism, but that’s just what current Ford CEO Jim Farley, and all the other executives in that room, did yesterday.

But perhaps it might surprise some that they were standing there applauding as Trump rolled back fuel economy standards, from 50 miles to the gallon by 2035 under the old rules to about 35 miles a gallon. Those higher mileage standards were the tool the Biden administration was using to help nudge Detroit towards electric vehicles; without them, it will almost certainly backslide towards irrelevance. That’s because they will slow down their process of innovation; as the Times put it, the new policy

“frees automakers to sell more pickups and sport utility vehicles, which are usually much more profitable than smaller cars. It will be difficult for carmakers to resist pressure to sell these gas guzzlers.”

Here’s Lenny LaRocca, who leads the automotive practice at consulting firm KPMG:
“I would anticipate that more focus would be on the larger S.U.V.s and pickup trucks.”

So—more gas for consumers to buy (the cost of owning an EV is far lower than the cost of owning an internal combustion car), more carbon and particulates in the air, more people being run over by absurdly sized vehicles.

And much less chance that Detroit will ever be a leading force in the auto industry again. That was already seeming unlikely: China’s carmakers grow more dominant by the quarter. But the IRA support for EVs was the last real possibility, an infusion of funds to help underwrite the retooling for the world to come. But instead of fighting for that, these executives have truckled to the president, and sold the future of their companies for a few more years of turning out Escalades.

At some level these guys know what they should be doing. Jim Farley , the Ford guy who was making jokes with the president yesterday? In the fall of 2024 he said he’d been driving a Xiaomi Speed Ultra 7 for six months, and that it was “fantastic.” “I don’t want to give it up,” he added. Fourteen months ago he told the Journal that the Chinese automakers were an “existential threat” because their cars were so good. “Executing to a Chinese standard is going to be the most important priority,” Farley said.

But now that won’t happen, because these guys were more cowed by a racist president than by their Chinese competition. By the time another president with more sense makes it to the White House, the Chinese “juggernaut” (Farley’s word) will have had three more years to build up its lead; Detroit will be choking on its dust.

Hey, but at least we can tell ourselves that we’re cool in a retro kind of way. Let’s bring in another man in that picture, Sean Duffy, Trump’s Transportation Secretary, the guy right behind Trump who looks like he’s dressing for his part in Mad Men. (Gotta love the razor thin pocket square). Last month was admonishing airline passengers who dressed too comfortably; the result was the #pajamaresistance movement. Yesterday he was celebrating the new extra-pollution rules with this notion:

“This rule will actually allow you to bring back the 1970s station wagon. Maybe a little wood paneling on the side.”

Duffy’s eager to return to the 70s; Bobby Kennedy wants us back in the pre-vaccine 1940s; Trump wants to talk like a 19th century slave-trader.

The rest of us, who would like to participate in the future with the balance of planet earth, have a lot of work to do in the year ahead. Let us look on the abased truckling of the auto executives and resolve to not stay silent ourselves; we’ve got eleven months to win the midterms and break the political back of this retrograde ugliness. If you’re looking for some ways to join in, check out the work we’re doing at Third Act.

In other energy and climate news:

+ New reporting from Europe on “how a secretive alliance of eleven large multinational enterprises has worked to tear down the EU’s flagship human rights and climate law, the Corporate Sustainability Due Diligence Directive (CSDDD).” As David Ollivier de Leth reports

The companies, most of which are headquartered in the US and operate in the fossil fuel sector, aimed to “divide and conquer in the Council”, sideline “stubborn” European Commission departments, and push the European People’s Party (EPP) in the European Parliament “to side with the right-wing parties as much as possible”.

Chevron and ExxonMobil were in charge of mobilising pressure against the CSDDD from non-EU countries. The Roundtable companies endeavoured to get the CSDDD high on the agenda of the US-EU trade negotiations and also worked on mobilising other countries against the CSDDD, in order to disguise the US influence.

Roundtable companies paid the TEHA Group – a think tank – to write a research report and organise an event on EU competitiveness, which echoed the Roundtable’s position and cast doubt on the European Commission’s assessment of the economic impact of the CSDDD.

quinta-feira, 13 de novembro de 2025

Trophic convergence of marine vertebrate communities worldwide


Marine vertebrate communities globally exhibit trophic convergence, meaning communities in different locations with similar environmental conditions develop similar feeding structures and functional roles. This functional similarity, driven primarily by temperature, productivity, and depth, results in the emergence of six distinct types of trophic communities worldwide. This convergence challenges traditional biogeographic models based on geographic isolation and supports the idea that shared environmental pressures shape marine ecosystems, even with different species.[artigo aqui]

Key findings

Six global trophic community types: Studies have identified six consistent types of marine trophic communities (TC1-TC6) that appear across the globe.

Environmental drivers: The specific type of trophic community that emerges in a region is largely determined by environmental factors, especially:
  • Temperature: As temperatures get colder towards the poles, overall trophic complexity tends to decrease.
  • Productivity: The availability of energy at the base of the food web is a fundamental driver of community structure.
  • Depth: Shallower coastal areas tend to support more complex and specialized trophic communities.
Functional similarity over evolutionary history: The findings show that geographically distant communities with different evolutionary origins can converge into the same functional type when they share similar environmental conditions. This indicates a strong role for convergent evolution in shaping global marine biodiversity patterns.

Implications for conservation: The existence of these global trophic analogs provides a new benchmark for conservation and management efforts, helping scientists to better understand and predict the impacts of environmental change on marine biodiversity.

Cocteau Twins - How to Bring a Blush to the Snow


A canção “How to Bring a Blush to the Snow”, dos Cocteau Twins, faz parte do álbum Victorialand (1986), um dos trabalhos mais etéreos e contemplativos da banda. Gravado sem o baixista Simon Raymonde, o disco apresenta uma sonoridade leve, dominada por guitarras cristalinas e ambientes sonoros quase imateriais, que criam a sensação de um espaço gelado e luminoso, entre a melancolia e o sonho. A faixa em particular destaca-se pelo seu clima de fragilidade e pela forma como as guitarras parecem “tremeluzir”, acompanhando a voz de Elizabeth Fraser — uma voz que não narra, mas se transforma num instrumento emocional.

Como em quase todas as canções dos Cocteau Twins, as letras são enigmáticas, por vezes ininteligíveis, e o significado é mais sugerido do que dito. O título, “How to Bring a Blush to the Snow” (“Como fazer a neve corar”), evoca a ideia de dar cor, calor ou vida a algo frio e imaculado. Pode ser lido como uma metáfora para o despertar da emoção num ambiente de silêncio e distância, ou como a tentativa de introduzir humanidade e ternura num mundo de gelo — literal ou simbólico. Há quem veja na canção uma meditação sobre o renascimento e a delicadeza, uma paisagem sonora onde o frio se dissolve aos poucos pela presença de algo vivo.

Em Victorialand, as referências à neve, ao vento e às paisagens árticas são recorrentes, e esta faixa parece representar o momento em que a natureza começa a mudar, quando o gelo ganha um leve rubor — o presságio da primavera ou do afeto. Mais do que transmitir uma mensagem concreta, a canção convida o ouvinte a uma experiência sensorial: é sobre sentir a beleza efémera do calor que toca o frio, do silêncio que ganha voz. O seu significado, como o próprio mundo dos Cocteau Twins, reside menos nas palavras e mais na emoção que provoca.

No no no no no (I did everything) (I want a banana) But it’s driving me bonkers (I did everything) (I want a banana) Every beddie time he cries (I want a banana) (I want a banana) They mostly never soothe them (Oh wonderful food-ah) (Oh wonderful food-ah) I did everything I did everything No no no no no (I did everything) (I want a banana) But it’s driving me bonkers (I did everything) (I want a banana) Every beddie time he cries (I want a banana) (I want a banana) They mostly never soothe them (Oh wonderful food-ah) (Oh wonderful food-ah) I did everything (The fold-over, proper cheeks, I got …) I did everything (… Be firm, I said “It’s very fattening!”) (oh) Rotondedissima Rotondo tondo tondo rotondo Rotondedissima Rotondo tondo tondo rotondo Rotondedissima Rotondo tondo tondo rotondo Rotondedissima Rotondo tondo tondo rotondo Don’t know, hurry, hurry (Oh wonderful food-ah) Siss, I miss your commentary (Oh wonderful food-ah) Any time he cries (You ate a banana) (You ate a banana) They mostly never soothe them (You ate a banana) (You ate a banana) Oh wonderful food-ah Oh wonderful food-ah Someone hurry, hurry (Oh wonderful food-ah) Siss, I miss your commentary (Oh wonderful food-ah) Any time he cries (You ate a banana) (You ate a banana) They mostly never soothe them (You ate a banana) (You ate a banana) Oh wonderful food-ah (The fold-over, proper cheeks, I got …) Oh wonderful food-ah (… Be firm, I said “It’s very fattening!”) Tondo Bravo Rota, did ya see you move a mondo Tondo Bravo Rota, did ya see you move a mondo

quinta-feira, 30 de outubro de 2025

‘Change course now’: humanity has missed 1.5ºC climate target, says UN head

Humanity has failed to limit global heating to 1.5º C and must change course immediately, the secretary general of the UN has warned.

In his only interview before next month’s Cop30 climate summit, António Guterres acknowledged it is now “inevitable” that humanity will overshoot the target in the Paris climate agreement, with “devastating consequences” for the world.

He urged the leaders who will gather in the Brazilian rainforest city of Belém to realise that the longer they delay cutting emissions, the greater the danger of passing catastrophic “tipping points” in the Amazon, the Arctic and the oceans.

“Let’s recognise our failure,” he told the Guardian and Amazon-based news organisation Sumaúma. “The truth is that we have failed to avoid an overshooting above 1.5ºC in the next few years. And that going above 1.5C has devastating consequences. Some of these devastating consequences are tipping points, be it in the Amazon, be it in Greenland, or western Antarctica or the coral reefs.

He said the priority at Cop30 was to shift direction: “It is absolutely indispensable to change course in order to make sure that the overshoot is as short as possible and as low in intensity as possible to avoid tipping points like the Amazon. We don’t want to see the Amazon as a savannah. But that is a real risk if we don’t change course and if we don’t make a dramatic decrease of emissions as soon as possible.”

The planet’s past 10 years have been the hottest in recorded history. Despite growing scientific alarm at the speed of global temperature increases caused by the burning of fossil fuels – oil, coal and gas – the secretary general said government commitments have come up short.

Fewer than a third of the world’s nations (62 out of 197) have sent in their climate action plans, known as nationally determined contributions (NDCs) under the Paris agreement. The US under Donald Trump has abandoned the process. Europe has promised but so far failed to deliver. China, the world’s biggest emitter, has been accused of undercommitting.

António Guterres giving his speech at Cop29 in Baku, Azerbaijan, in November 2024. 

Guterres said the lack of NDC ambition means the Paris goal of 1.5ºC will be breached, at least temporarily: “From those [NDCs] received until now, there is an expectation of a reduction of emissions of 10%. We would need 60% [to stay within 1.5ºC]. So overshooting is now inevitable.”

He did not give up on the target though, and said it may still be possible to temporarily overshoot and then bring temperatures down in time to return to 1.5ºC by the end of the century, but this would require a change of direction at and beyond Cop30.

He called for governments to rebalance representation at Cops so that civil society groups, particularly from Indigenous communities, will have a greater presence and influence than people paid by corporations.

“We all know what the lobbyists want,” he said. “It’s to increase their profits, with the price being paid by humankind.”

He said a transition away from fossil fuels was a matter of economic self-interest, because it was clear that the era of fossil fuels was coming to an end: “We are seeing a renewables revolution and the transition will inevitably accelerate and there will be no way in which humankind will be able to use all the oil and gas already discovered,” he said.

Asked if he had raised this with the Brazilian president, Luiz Inácio Lula da Silva, whose government has just given the green light for oil exploration near the mouth of the Amazon, he said: “Not yet. I’ll take advantage of the Cop [to do this].

sábado, 25 de outubro de 2025

Anja Huwe / Xmal Deutschland - Polar Forest


Anja Huwe é a vocalista icónica dos lendários precursores do movimento pós-punk Xmal Deutschland. Após o sucesso da banda com quatro álbuns em editoras de culto como a 4AD, Huwe seguiu uma carreira nas artes visuais, sem nunca ter abandonado a sua paixão pela música através de várias plataformas criativas.

Convidada pela sua amiga de longa data Mona Mur, musicista, compositora e produtora, Huwe reconsiderou o seu hiato de décadas na música e decidiu juntar-se a Mur no seu estúdio em Berlim. Juntas, trabalharam durante um ano e meio, compondo, tocando e produzindo as faixas de raiz, que acabariam por se tornar no álbum “Codes”, lançado este ano pela Sacred Bones Records, de Nova Iorque.

O álbum apresenta sons electrónicos distintos, bem como o estilo único de guitarra Xmal de Manuela Rickers. O regresso de Anja Huwe aos palcos com a apresentação do seu requintado álbum a solo “Codes”, juntamente com uma sólida seleção de clássicos de Xmal Deutschland em interpretações modernas é inesperado, mas há muito esperado. “Codes” é a página que faltava nos livros de história do pós-punk, a tinta acabada de espalhar pela tela de décadas – é o produto da incansável vontade de sobreviver nos seus próprios termos.

quarta-feira, 1 de outubro de 2025

Superfície global do oceano atingiu a temperatura recorde de 21 graus em 2024

Extensão do gelo no Ártico e na Antártida está a atingir mínimos históricos, de acordo com outros dados recolhidos no relatório do Serviço de Monitorização Marinha do programa europeu Copernicus.

Superfície global do oceano atingiu a temperatura recorde de 21 graus em 2024© Daniele Semeraro

O ritmo do aquecimento do oceano está a "acelerar" e a temperatura global à superfície bateu um recorde na primavera de 2024, atingindo 21 graus Celsius (ºC), segundo um relatório do Serviço de Monitorização Marinha do programa europeu Copernicus.

"Todo o oceano é afetado pela tripla crise planetária: alterações climáticas, perda de biodiversidade e poluição", é referido no nono relatório sobre o estado dos mares do Serviço de Monitorização Marinha do programa da União Europeia de observação da Terra publicado esta terça-feira.

O nível do oceano está a subir a um ritmo sem precedentes de 40,8 milímetros (mm) por década, e a extensão do gelo no Ártico e na Antártida está a atingir mínimos históricos, de acordo com outros dados recolhidos no relatório.

"Reduzir as emissões, embora essencial, já não é suficiente por si só para salvar o planeta", conclui o relatório, sublinhando que "os governos devem restaurar os ecossistemas e reforçar as políticas oceânicas para proteger uma economia azul global que vale milhares de milhões".

De acordo com os dados apresentados, analisados por mais de 70 cientistas, o aquecimento da superfície do oceano é "particularmente rápido" e três vezes superior à média no Mar Negro, praticamente o mesmo que no Báltico, e mais do dobro da média no Mediterrâneo, onde o aumento é de 0,41ºC por década e as ondas de calor marinhas ocorrem entre 16 e 23 dias a mais a cada 10 anos.

Tanto 2023 como 2024 registaram ondas de calor "excecionalmente intensas e persistentes", que levaram a temperaturas da superfície do oceano 0,25ºC superiores aos recordes anteriores, superando os recordes de 2015 e 2016.

Houve zonas do Atlântico que, em 2023, experimentaram mais de 300 dias em condições de ondas de calor marinhas.

No verão desse ano, a onda de calor mais longa alguma vez registada no Mediterrâneo fez com que as temperaturas à superfície subissem 4,3 graus acima do normal naquele mar, ou seja, 40,8 mm de subida do nível do mar por década.

A subida global do nível do mar está também a "acelerar a um ritmo sem precedentes": 31,4 mm por década entre 1999 e 2006, 39,3 mm por década entre 2007 e 2015 e 40,8 mm por década entre 2016 e 2024.

O aumento cumulativo entre 1901 e 2024 é de 228 mm, sendo o risco resultante de inundações e erosão em zonas costeiras que albergam cerca de 200 milhões de pessoas.

Todos os países europeus com densidades populacionais costeiras acima das 200 pessoas por quilómetro quadrado estão a registar uma subida do nível do mar acima da média.

Em relação à perda de gelo marinho, o Ártico registou quatro mínimos históricos entre dezembro de 2024 e março de 2025, mês em que se registaram menos 1,94 milhões de quilómetros quadrados do que a média de inverno de longo prazo, uma área quase seis vezes superior à Polónia.

Na Antártida, 2025 marca o terceiro ano consecutivo de baixa extensão de gelo marinho. Em fevereiro, havia menos 1,6 milhões de quilómetros quadrados do que a média de longo prazo, uma área quase três vezes superior à de França.

O aquecimento e a acidificação afetam 16% dos corais ameaçados e 30% dos severamente ameaçados.

Os resíduos plásticos poluem todas as bacias oceânicas e, entre os países que emitem mais de 10.000 toneladas por ano, 75% fazem fronteira com os recifes de coral.

O Serviço de Monitorização Marinha é um dos seis que compõem o programa de observação da Terra Copernicus, financiado pela União Europeia.

quarta-feira, 17 de setembro de 2025

Viúva de Alexei Navalny diz que laboratórios independentes provaram envenenamento mortal do marido

O opositor russo, de 47 anos, um dos principais críticos do Presidente russo, Vladimir Putin, morreu na prisão em fevereiro do ano passado

A viúva do líder da oposição russa Alexei Navalny afirmou hoje que o marido morreu envenenado, na sequência da confirmação por dois laboratórios diferentes depois de análises aos "restos biológicos" do ativista.

"Conseguimos transferir o material biológico de Alexei [Navalny] para o estrangeiro. Laboratórios de dois países diferentes realizaram análises. Estes laboratórios, independentes um do outro, concluíram que Alexei foi envenenado", escreveu Yulia Navalnaya numa mensagem publicada nas redes sociais e na qual exigiu que os resultados destes testes sejam tornados públicos.

O opositor russo, de 47 anos, um dos principais críticos do Presidente russo, Vladimir Putin, morreu na prisão em fevereiro do ano passado.

Navaly estava numa prisão no Ártico para cumprir uma pena de 19 anos sob "regime especial" e, segundo os serviços penitenciários, sentiu-se mal depois de uma caminhada e perdeu a consciência.

A viúva adiantou que Navalny tinha sido transferido para aquela prisão dois meses antes da morte, "claramente para esse fim".

"Durante os três anos que passou atrás das grades, o estado de saúde agravou-se. Não queriam apenas matá-lo, tentaram dominá-lo. Atormentaram-no com fome, frio e isolamento total. Foi impedido de receber telefonemas e visitas e deixaram de lhe entregar cartas. As reuniões com os advogados foram obstruídas. Passou longos períodos numa cela de castigo sem bens pessoais, sem livros e até sem papel ou caneta", contou.

Navalnaya realçou que a cela onde o marido se encontrava tinha "seis metros quadrados, uma chávena, uma escova de dentes e uma cama fixada na parede durante o dia, pelo que não era possível deitar-se nela".

"Esta foi a cela de castigo em que foi assassinado", denunciou.

Segundo Navalnaya, o opositor russo começou a sentir-se mal durante "uma caminhada programada" feita numa cela vizinha.

"O Alexei bateu à porta e disse que se sentia mal (...) Estava deitado no chão, com os joelhos sobre o estômago, a gemer de dor. Disse que o peito e a barriga estavam a arder. Começou a vomitar", contou.

"De acordo com o testemunho de alguns guardas prisionais, Alexei sofreu convulsões, respirava com dificuldade e tossia", acrescentou Navalnaya, referindo que "a ambulância foi chamada mais de 40 minutos depois de Alexei se ter começado a sentir mal".

"Nesse momento, já estava inconsciente. A ambulância, que chegou 10 minutos depois, tentou ressuscitá-lo, mas sem sucesso", adiantou.

A viúva lembrou que, após a morte do marido, prometeu fazer "todos os possíveis para investigar o assassínio de Alexei" Navalny, garantindo que tanto ela como a equipa que apoiava o opositor estão a cumprir essa promessa.

"Os assassinos trabalharam cuidadosamente para eliminar as pistas, mas conseguimos preservar algumas provas", disse.

Contou que conseguiram, em fevereiro de 2024, obter "amostras de material biológico de Alexei [Navalny] e contrabandeá-las em segurança para o estrangeiro".

Agora, os resultados dos testes de dois laboratórios "chegaram à mesma conclusão: Alexei foi assassinado. Mais especificamente, foi envenenado".

Navalnaya lamentou que "os países ocidentais não tenham base legal para abrir processos criminais" relativamente ao caso, mas lembrou que "também há considerações políticas".

"O Alexei era o meu marido. Era o meu amigo. Era um símbolo de esperança para o nosso país. Putin assassinou essa esperança. Temos o direito de saber como o fez. Peço aos laboratórios que realizaram os testes que publiquem os resultados", apelou.

"Parem de bajular Putin em nome de considerações ditas superiores. Enquanto permanecerem em silêncio, ele não para. Talvez alguém esteja a morrer agora por causa de outro envenenamento por Putin. Não apenas na Rússia, pois já vimos casos semelhantes noutras partes do mundo", instou.

"A única forma de confrontar Putin é agir com coragem e franqueza", concluiu.

sábado, 5 de abril de 2025

Nem ilhas desabitadas fogem às tarifas de Trump. Um país “que ninguém conhece” é o mais afetado



“Nenhum lugar do mundo está isento” da vingança da nova administração dos EUA. Do arquipélago dos imortais às ilhas desabitadas da Austrália e Noruega: os pequenos territórios não escaparam ao “Dia da Libertação”.

Esta quarta-feira Donald Trump puniu os países que acusa de abusarem da bondade dos Estados Unidos e das suas políticas comerciais dos últimos anos, com novas tarifas “recíprocas” que afetam cerca de 185 locais por todo o mundo. E os “piores infratores” são os mais castigados, disse a Casa Branca.

Um dos grandes objetivos das tarifas, segundo Trump, é proteger os empregos americanos da concorrência estrangeira desleal, mas entre as regiões afetadas estão algumas onde há mais pinguins do que humanos.

É o exemplo das ilhas Heard e McDonald, territórios australianos no Oceano Índico mais conhecidos pelas suas populações de pinguins do que por qualquer atividade económica humana, uma vez que são ilhas totalmente desabitadas; ou Tokelau, perto da Nova Zelândia, onde vivem menos de 2.000 pessoas; ou Norfolk, no Pacífico Sul.

Falamos também das ilhas norueguesas de Svalbard, com apenas 3.000 pessoas, e de Jan Mayen, no Oceano Ártico, onde moram apenas 18 pessoas, todos trabalhadores temporários; ou o Território Britânico do Oceano Índico, que só tem uma base militar conjunta do Reino Unido… com os EUA.

Todos estes territórios serão atingidos pela tarifa mínima de 10%, confirma a Casa Branca ao Politico, porque estão sob a jurisdição da Austrália e Noruega, que estão sujeitos às novas tarifas.

“Não tenho a certeza de que a Ilha Norfolk seja um concorrente comercial da economia gigante dos Estados Unidos, mas isto só mostra que nenhum lugar do mundo está isento” das tarifas, desabafou o primeiro-ministro australiano Anthony Albanese.

Nesta novela, o país mais afetado pelas tarifas é um de que “nunca ninguém ouviu falar”, como descreveu o próprio Trump no seu primeiro discurso ao Congresso dos EUA, em que prometeu cortar a ajuda ao Lesoto. O pequeno país africano conhecido como o “Reino no Céu” foi atingido por uma tarifa de 50%, devido às suas próprias políticas tarifárias de 99%.

As tarifas entram em vigor este sábado, 5 de abril. A União Europeia rapidamente começou a prometer uma resposta às tarifas de 20% aplicadas pela administração Trump.

terça-feira, 27 de agosto de 2024

Oceanos absorveram 90% do aquecimento global e registam mudanças irreversíveis


Os oceanos absorveram mais de 90% do calor excessivo retido pelos gases com efeito de estufa desde 1971 e estão já a passar por “mudanças que serão irreversíveis nos próximos séculos”, alertou hoje a Organização Meteorológica Mundial (OMM).

Esta é uma das conclusões do relatório da OMM sobre o estado do clima no sudoeste do Pacífico no ano de 2023, apresentado no Tonga pela secretária da organização, Celeste Saulo, e pelo secretário-geral da ONU, António Guterres, que se encontra de visita ao país durante a realização do 53.ª cimeira do Fórum de Líderes das Ilhas do Pacífico.

As ilhas paradisíacas do Pacífico estão em perigo devido ao “transbordamento” do oceano, disse Guterres, à medida que a subida média dos mares em todo o mundo ocorre a uma velocidade sem precedentes. Mas o problema “está a chegar a todos nós, juntamente com a devastação da pesca, do turismo e da economia azul”, disse o líder das Nações Unidas.

O secretário-geral da ONU alertou ainda para a ameaça real de um degelo da Gronelândia e da Antártida ocidental, que colocaria em perigo aglomerações como Los Angeles, Lagos e as megacidades asiáticas de Xangai, Mumbai e Dhaka.

Guterres referiu-se assim ao impacto da crise climática na subida do nível do mar durante um discurso no arquipélago oceânico de Tonga, no âmbito da cimeira de líderes das ilhas do Pacífico, que estão entre as mais ameaçadas pelas alterações climáticas.

Tendo feito da crise climática uma das bandeiras do seu mandato, o secretário-geral da ONU deu como certo que haverá um aumento de um metro no nível do mar, mas insistiu que depende da ação humana “a escala, o ritmo e impacto” desse aumento.

O relatório da OMM indica que o degelo na Gronelândia e nos pólos, somado à alta absorção do aquecimento global pelos oceanos, está a acrescentar água às grandes massas do planeta, que por sua vez aumentam a sua temperatura e se expandem, levando ao aumento dos seus níveis.

“Prevê-se que os 2.000 metros superiores do oceano continuem a aquecer devido ao calor excessivo acumulado no sistema terrestre pelo aquecimento global, uma mudança que é irreversível em escalas temporais de séculos e milénios”, avança o relatório.

As ilhas do Pacífico estão na “linha da frente” da crise climática devido à sua elevada exposição aos efeitos das emissões de gases – para os quais praticamente não contribuem -, incluindo ciclones tropicais e inundações, e fenómenos como uma erupção vulcânica que gerou um tsunami e uma forte produção de vapor em 2022.

 “As atividades humanas enfraqueceram a capacidade do oceano de nos sustentar e proteger e – através da elevação do nível do mar – estão a transformar um amigo de longa data numa ameaça crescente”, lamentou a OMM.

“Já estamos a ver mais inundações costeiras, recuo da linha costeira, contaminação de reservas de água doce por água salgada e deslocação de comunidades”, acrescentou.

Entre 1993 e 2023, a mediana do aumento global do nível do mar foi de 9,4 centímetros (cm), mas no Pacífico tropical foi superior a 15 centímetros em alguns pontos. Num cenário de aquecimento de três graus Celsius (em linha com a atual trajetória), o nível do mar na região poderá subir mais 15 cm entre 2020 e 2050.

Entre as consequências do aquecimento global, que as organizações instaram a travar imediatamente, não está apenas o aumento do nível do mar: também a maior intensidade e frequência das ondas de calor marinhas, mais calor na superfície e no conteúdo do oceano, e mais acidificação. Cada fenómeno com as suas próprias ramificações.

“Há preocupações crescentes de que algumas ilhas-nação possam tornar-se inabitáveis”, alerta o documento, “com implicações para a sua realocação, soberania e estatuto de Estado”.

“São necessários AGORA cortes profundos, rápidos e sustentados nas emissões globais de gases com efeito de estufa para permanecermos numa trajetória de aquecimento a longo prazo de 1,5 graus”, insta o relatório, que considera necessário melhorar a adaptação costeira e investir na resiliência em todo o mundo, especialmente nas pequenas ilhas.

sábado, 22 de junho de 2024

Cientistas descobrem população de ursos polares que sobrevive com pouco gelo


Um grupo de cientistas da Universidade de Washington descobriu uma subpopulação de ursos-polares (Ursus maritimus) que vive com pouco gelo marinho no sudeste da Gronelândia. Com as alterações climáticas e cada vez menos gelo no Ártico, a sobrevivência das populações de ursos polares tem sido um tema cada vez mais preocupante. A equipa decidiu estudar esta população isolada, de forma a compreender como é que se adapta a este ambiente – o que pode trazer novas respostas para o futuro da espécie nesta região, que é cada vez mais afetada pelo aquecimento global.

Foram recolhidos dados que compreendem um período de sete anos, tendo os mesmos sido cruzados com dados históricos dos últimos 30 anos. Sabe-se, agora, que têm uma grande diferença genética das outras populações de ursos polares.“São a população de ursos polares mais geneticamente isolada do planeta. Sabemos que esta população vive separada de outras populações de ursos polares há pelo menos várias centenas de anos e que o tamanho da sua população ao longo do tempo permaneceu pequeno”, explica a investigadora Beth Shapiro, da Universidade da Califórnia em Santa Cruz.

Uma das características que os distingue é serem “caseiros” e manterem-se sempre no mesmo local. Mesmo quando se deslocam para caçar, estes ursos regressam a casa. Para caçar as focas, eles recorrem aos blocos de gelo que se desprendem do manto de gelo e flutuam pela água doce, saltando depois na hora de regressar. Outra diferença está no seu tamanho: comparativamente a outras populações, as fêmeas adultas são menores e têm menos crias.

“Se estiver preocupado em preservar a espécie, então sim, as nossas descobertas são esperançosas – acho que nos mostram como alguns ursos polares podem persistir sob as alterações climáticas”, refere a autora principal do estudo, Kristin Laidre. “Mas não acho que o habitat das geleiras vá sustentar um grande número de ursos polares. Simplesmente não existe o suficiente. Continuamos a esperar grandes declínios de ursos polares no Ártico”.

segunda-feira, 29 de janeiro de 2024

Deveríamos ver os pontos críticos da Terra como bens comuns globais


Deveríamos olhar para os elementos do sistema Terra como bens comuns globais, argumentam os pesquisadores em um novo artigo publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences.

Os bens comuns globais não podem — como fazem atualmente — incluir apenas as partes do planeta fora das fronteiras nacionais, como o alto mar ou a Antártida. Devem também incluir todos os sistemas ambientais que regulam o funcionamento e o estado do planeta, nomeadamente todos os sistemas na Terra dos quais todos dependemos, independentemente de onde vivemos no mundo, de acordo com os investigadores por trás do artigo, incluindo os investigadores do Centro de Resiliência de Estocolmo Johan Rockström , Jonathan Donges e Carl Folke.

Isto exige um novo nível de cooperação transnacional. Para limitar os riscos para as sociedades humanas e garantir funções críticas do sistema terrestre, propõem um novo quadro de bens comuns planetários para orientar a governação do planeta.

“A estabilidade e a riqueza das nações e da nossa civilização dependem da estabilidade das funções críticas do sistema terrestre que operam além das fronteiras nacionais. Ao mesmo tempo, as atividades humanas pressionam cada vez mais as fronteiras planetárias destes sistemas fundamentais. Da floresta amazónica às massas de gelo da Gronelândia, existem riscos crescentes de desencadear mudanças irreversíveis e incontroláveis ​​no funcionamento do sistema terrestre. Como estas mudanças afectam pessoas em todo o mundo, argumentamos que os elementos de ruptura devem ser considerados como bens comuns planetários aos quais o mundo está confiado e, consequentemente, necessitados de governação colectiva”, explica Johan Rockström, director do Instituto Potsdam para Investigação do Impacto Climático (PIK). ) e professor de ciências da sustentabilidade no Centro.

A publicação é o resultado de um processo de pesquisa de quase dois anos envolvendo 22 importantes pesquisadores internacionais. Os cientistas jurídicos, políticos e do sistema terrestre defendem a sua posição com base na bem conhecida ideia dos bens comuns globais. Em seguida, expandem-no significativamente para conceber respostas jurídicas mais eficazes para governar melhor os sistemas biofísicos que regulam a resiliência planetária para além das fronteiras nacionais, tais como os sumidouros naturais de carbono e os principais sistemas florestais.

“Acreditamos que os bens comuns planetários têm o potencial de articular e criar obrigações de administração eficazes para os Estados-nação em todo o mundo através da governação do sistema terrestre que visa restaurar e fortalecer a resiliência planetária e promover a justiça. No entanto, uma vez que estes bens comuns estão frequentemente localizados em territórios soberanos, tais obrigações de administração também devem cumprir alguns critérios de justiça claros”, destaca a professora Joyeeta Gupta, da Universidade de Amesterdão.

Uma mudança planetária
Outros bens comuns globais ou bens públicos globais incluem o alto mar e os fundos marinhos profundos, o espaço sideral, a Antártida e a atmosfera. Estes são partilhados por todos os Estados e estão fora das fronteiras jurisdicionais e, portanto, dos direitos soberanos. Todos os estados e pessoas têm um interesse colectivo, especialmente quando se trata de extracção de recursos, que sejam protegidos e governados de forma eficaz para o bem colectivo. Os bens comuns planetários expandem a ideia dos bens comuns globais, acrescentando não só regiões geográficas globalmente partilhadas ao quadro dos bens comuns globais, mas também sistemas biofísicos críticos que regulam a resiliência e o estado, e portanto a habitabilidade, na Terra.

As consequências de uma tal “mudança planetária” na governação dos bens comuns globais são potencialmente profundas, argumentam os autores. A salvaguarda destas funções reguladoras críticas do sistema terrestre é um desafio numa escala planetária única de governação, caracterizada pela necessidade de soluções colectivas à escala global que transcendam as fronteiras nacionais.

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domingo, 24 de dezembro de 2023

Renas de Svalbard


As renas de Svalbard (território norueguês localizado ao norte do Círculo Polar Ártico) são uma subespécie perfeitamente adaptada ao clima ártico. Existem em Svalbard há milénios.
É a menor espécie de rena.

Saber mais:

sábado, 9 de dezembro de 2023

“Numa trajetória desastrosa”: Cientistas alertam para risco de cinco pontos de inflexão da Terra


O aquecimento médio do planeta continua a progredir, impulsionado pelas emissões de gases com efeito de estufa geradas pelas atividades humanas e pela degradação e destruição da Natureza. Em 2015, em Paris, os governos do mundo acordaram que era preciso agir para impedir que a Terra aqueça mais do que 1,5 graus até ao final do século.

De ano para ano, surgem alertas de novos recordes de temperaturas máximas, de secas intensas, de incêndios devastadores e de tempestades sem precedentes, e, com isso, multiplicam-se o alertas de que é preciso fazer mais, melhor e mais rapidamente.

Apesar de ainda se considerar que nem tudo está para já perdido e que há tempo, mesmo que pouco, e conhecimento suficiente para alcançar esse objetivo, a janela de oportunidade está a fechar-se rapidamente e as ações climáticas tardam em chegar.

De acordo com os mais de 200 investigadores do projeto internacional Global Tipping Points, se nada for feito para contrariar essa tendência, a Terra poderá ultrapassar, pelo menos, cinco limiares naturais, pontos de inflexão em que pequenas alterações podem resultar em transformações rápidas e profundas, e além dos quais consequências negativas para a humanidade e para a Natureza podem ser irreversíveis. E três deles podem ser cruzados já na próxima década.

Num comunicado divulgado pela Universidade de Exeter, que coordenou o trabalho, os cientistas dizem que esta é “a avaliação dos pontos de inflexão mais abrangente alguma vez feita” e explicam que “a humanidade está atualmente numa trajetória desastrosa”.

Entre os limiares que poderão ser ultrapassados nos próximos anos, os cientistas destacam o colapso de grandes mantos de gelo na Gronelândia e na Antártida ocidental, o derretimento do pergelissolo (ou permafrost), a mortalidade generalizada de recifes de corais de água quente e o colapso da circulação atmosférica no Atlântico Norte.

Para Tim Lenton, um dos investigadores, “os pontos de inflexão no sistema da Terra representam ameaças de uma magnitude nunca antes enfrentada pela humanidade” e “podem provocar efeitos em dominó devastadores, incluindo a perda de ecossistemas inteiros e a capacidade para fazer uma agricultura estável, com impactos sociais que incluem deslocações em massa, instabilidade política e colapso financeiro”.

A investigação analisou 26 “pontos de inflexão negativos do sistema da Terra” e concluiu que “a atual governança global não é adequada à escala do desafio”, e que a manutenção do estado de coisas “já não é possível”, visto que “rápidas alterações na natureza e nas sociedades estão já a acontecer, e mais estão para vir”.

“Sem ação urgente para travar as crises climática e ecológica, as sociedades serão assoberbadas, enquanto o mundo natural se degrada”, avisam.

Apesar do tom alarmista do relatório, os cientistas acreditam que é possível promover “pontos de inflexão positivos”, que permitam contrair os negativos e manter o planeta numa rota de sustentabilidade.

“Uma cascata de pontos de inflexão positivos salvaria milhões de vidas”, pouparia biliões de dólares em prejuízos provocados por eventos climáticos extremos e permitira “começar a restaurar o mundo natural do qual todos nós dependemos”.

Lenton afirma que ações positivas estão já a ser realizadas, como o fortalecimento da aposta nas energias renováveis, a expansão da mobilidade elétrica e a transição para dietas menos intensas em produtos de origem animal.

Manjana Milkoreit, da Universidade de Oslo e que esteve também envolvida no projeto, considera que ações concretas para evitar os piores cenários “deverá ser o principal objetivo da COP28”.

E os investigadores deixam algumas sugestões para os líderes mundiais: acabar com as emissões dos combustíveis fósseis até 2050, reforçar a adaptação e os mecanismos de financiamento de perdas e danos, coordenar esforços globais para promover pontos de inflexão positivos, criar “uma cimeira global urgente sobre pontos de inflexão” e aprofundar o conhecimento sobre esses fenómenos.

“Resolver as crises climática e da natureza exigirá grandes transições em muitos setores – de mudanças nas dietas ao restauro de florestas”, passando pelo “abandono progressivo do motor de combustão interna”, avisa Kelly Levin, do Bezos Earth Fund, instituição parceira do projeto.

segunda-feira, 30 de outubro de 2023

Mensagem Secretário-geral sobre os Glaciares da Região do Monte Evereste


Alerta climático!
No Nepal, o secretário-geral das Nações Unidas envia uma mensagem para o mundo:
“Os telhados do mundo estão a desabar."

O Nepal perdeu cerca de um terço do seu gelo em pouco mais de 30 anos e os glaciares estão a derreter a um ritmo recorde.
O facto de os glaciares do Nepal terem derretido 65 % mais depressa na última década do que na anterior "significa que podemos estar perante uma tragédia: o desaparecimento total dos glaciares.”

Por isso, António Guterres apela ainda: "Os glaciares estão a recuar, mas nós não podemos. Temos de acabar com a era dos combustíveis fósseis. Temos de agir agora para proteger as pessoas que estão na linha da frente. E para limitar o aumento da temperatura global a 1,5ºC, para evitar o pior do caos climático. O mundo não pode esperar.”

quarta-feira, 16 de agosto de 2023

Um calor insuportável


O ano de 2022 foi marcado por uma sequência de fenómenos meteorológicos extremos de grande impacto, originando uma evidente mudança na perceção das pessoas face às alterações climáticas. O ano de 2023 consolida essa perceção. Na Califórnia, o termómetro subiu aos 56 °C, na China atingiu 52 °C, na Sardenha 48 °C. De acordo com os climatologistas, julho terá tido o registo mais quente de sempre. No verão de 2022, foram cerca de 62.000 as mortes na Europa devido ao calor. Compreende-se a afirmação do secretário-geral da ONU, António Guterres: “O mundo já não está na era do aquecimento, mas na era da ebulição.”
Estes dias assistimos a uma imensa tragédia no Hawaii. Os incêndios florestais que assolam Maui mataram dezenas de pessoas, arrasaram a cidade histórica de Lahaina e causaram enormes prejuízos. O governador do arquipélago concluía a sua conferência de imprensa relacionando os incêndios com o aquecimento global: "As alterações climáticas estão cá e estão a afetar as ilhas".
Os oceanos atingiram a temperatura mais quente alguma vez registada, com implicações terríveis para a saúde do planeta. A temperatura atingiu 20,96 o C, muito acima da média para esta época do ano. Os oceanos são um regulador climático vital: absorvem calor, produzem metade do oxigénio da Terra e ativam os padrões climáticos. As águas mais quentes têm menos capacidade para absorver dióxido de carbono, o que significa que permanecerá na atmosfera maior quantidade deste gás que aquece o planeta. Por outro lado, também pode acelerar o degelo polar, levando ao aumento do nível médio das águas do mar. Os oceanos mais quentes e as ondas de calor perturbam as espécies marinhas, como os peixes e as baleias, que se movem em busca de águas mais frias, pressionando a cadeia alimentar.


Em 2015, o acordo de Paris definia o objetivo de limitar o aumento da temperatura abaixo de 2 °C e, se possível, a 1,5 °C até ao final do século. Oito anos mais tarde, aumenta a distância entre a consciência das consequências da crise climática na produção de alimentos, no abastecimento de água, na saúde humana, nas economias nacionais, na sobrevivência de grande parte do mundo natural, e nas respostas à crise: os compromissos dos Estados colocam o planeta perante uma trajetória de aquecimento de 2,5 °C até ao final do século, ou mesmo 2,8°C se as políticas atuais continuarem.
A transição ecológica apela a uma inexorável mudança de modelo económico. Nos últimos anos, foram dados pequenos passos para reduzir as emissões de gases com efeito de estufa - a principal causa do aquecimento global, mas são visivelmente insuficientes. Lamentavelmente, são muitas as contradições! A agência internacional de energia anunciou em julho que o consumo global de carvão, a maior fonte de emissões, deve atingir um nível recorde este ano. A procura mundial de petróleo deverá atingir um novo pico em 2023. Os subsídios estatais aos combustíveis fósseis nunca foram tão elevados, sendo que as grandes empresas de petróleo e gás estão a obter lucros extraordinários desde a guerra na Ucrânia. Invoco mais uma expressão de António Guterres: "O ar é irrespirável, o calor é insuportável. Os níveis de lucro dos combustíveis fósseis e a inação climática são inaceitáveis.”
Helena Freitas, Diário de Coimbra 15.8.2023

quarta-feira, 9 de agosto de 2023

Clione limacina- anjos do mar



Lindos seres vivos- Clione limacina. Anjos do mar. É uma espécie de lesma do mar que pode ser encontrada do Árctico ao Oceano Atlântico Norte.
Os anjos do mar podem sobreviver sem comida pelo menos um ano. Para sobreviver, eles quebram as estruturas do corpo, incluindo os seus próprios órgãos sexuais, e diminuem de tamanho.
Outra particularidade: executam uma dança que dura 4 horas, antes da cópula.
Estão em vias de extinção, por causa da acidificação dos oceanos e das alterações climáticas. Elas sofrem metamorfose, isto é, primeiro têm concha. Quando adultas são livres da carapaça. Ora a carapaça é feita de carbonato de cálcio, que combinando com a acidez do mar forma cloreto de cálcio, perdendo a sua estrutura sólida.

domingo, 30 de julho de 2023

Nova Rota da Seda da China: o Projeto do Século


O presidente chinês XI Jinping nomeou o "projeto do século". Desde 2013, a China investiu biliões para trazer o "Reino do Meio" para a vanguarda da economia global e da política internacional.

O que a China batizou de 'A Nova Rota da Seda' permite que um par de ténis seja transportado de comboio da China para a França em menos de duas semanas. Mas eles também atuam como um veículo para uma onda de expansionismo chinês em todo o mundo.

Em Gwadar, no Paquistão, a China está a escavar um porto gigante, além de uma espetacular rodovia que atravessa o Himalaia, para abrir as portas para os mares quentes. Nos limites das suas fronteiras russas na Ásia central, ao longo de uma nova linha férrea que serve a Europa, empresários chineses instalaram zonas económicas especiais e cassinos no meio do deserto. Mais longe de Pequim, em Djibuti, no Chifre da África, o Estado chinês estabeleceu recentemente um porto militar, a poucos passos das bases americana e francesa, além de construir uma ferrovia ultramoderna que atende a Etiópia. Na esteira desses movimentos, as empresas chinesas estão investindo nos mercados do leste africano, na esperança de fazer da região uma das novas oficinas do mundo.

Ver também
Campanha da China no Ártico - O que a China quer na região?