Dru Blair é amplamente considerado um dos maiores mestres contemporâneos do aerógrafo (airbrush) e da pintura hiper-realista a nível mundial. Nascido a 7 de setembro de 1959 em Newbern, na Carolina do Norte, o artista norte-americano planeava inicialmente seguir uma carreira na área da medicina, mas acabou por descobrir a sua verdadeira vocação nas artes visuais. Licenciou-se em Belas-Artes pela Furman University em 1981 e, mais tarde, em 1984, concluiu o seu mestrado (MFA) na University of South Carolina, consolidando as bases técnicas que definiriam o seu percurso.
O seu estilo artístico insere-se perfeitamente no Hiper-realismo (ou Fotorrealismo). Utilizando o aerógrafo como ferramenta principal, Blair desenvolveu um controlo de pigmentação e sobreposição de camadas tão meticuloso que as suas obras são frequentemente confundidas com fotografias de alta resolução. A sua técnica foca-se na replicação exata de texturas complexas, desde os poros e nuances da pele humana até aos reflexos em superfícies metálicas e aos efeitos atmosféricos, como a neblina ou os raios de luz volumétricos, eliminando qualquer vestígio visível de pinceladas.
No que diz respeito aos temas, a sua obra transita com facilidade entre a arte comercial, a ficção científica e a vertente militar. Dru Blair tornou-se mundialmente famoso pela sua arte de aviação, retratando caças, bombardeiros e helicópteros em pleno voo com uma precisão geométrica e mecânica impressionante. Além disso, deixou uma marca indelével na cultura pop ao ilustrar capas icónicas de livros da franquia Star Trek (com especial destaque para Star Trek: Voyager) e ao criar campanhas publicitárias de grande escala, como os célebres sapos da marca de cerveja Budweiser nos anos 90. O seu portfólio inclui ainda retratos detalhados e paisagens naturais que desafiam a perceção do espetador.
O impacto e o legado da obra de Dru Blair são visíveis tanto no mercado artístico como na vertente pedagógica. A sua pintura de 1989, intitulada "Power" - que retrata um bombardeiro B-1B Lancer a voar a baixa altitude sobre a água -, tornou-se a gravura de aviação mais vendida da história, redefinindo os padrões de realismo do género e garantindo-lhe o título de Membro Honorário da Força Aérea dos Estados Unidos. Contudo, o seu maior contributo para a comunidade artística reside na fundação da Blair School of Realism. Através desta escola, Blair transformou-se num mentor global, desenvolvendo métodos científicos aplicados à pintura, como a Teoria do Color Buffer (um sistema prático para identificar e misturar qualquer cor com exatidão), que continua a formar e a inspirar gerações de ilustradores e aerografistas em todo o mundo.
A arma “Descombobulador” utilizada recentemente na Venezuela é provavelmente um sistema de micro-ondas de alta potência modulado por impulsos (HPM). Funciona fritando simultaneamente componentes eletrónicos e induzindo o “Efeito Frey” (sons fantasmas e náuseas) em alvos humanos, um mecanismo estatisticamente semelhante aos incidentes da “Síndrome de Havana”. Embora a tecnologia ofereça uma vantagem táctica, a sua divulgação pública pode ter sido um erro estratégico, acelerando o desenvolvimento de contra-medidas por parte dos adversários e levantando questões éticas complexas sobre a sua potencial utilização para o controlo de multidões em território nacional.
Resumo
As notícias vindas de Caracas a 3 de janeiro foram, no mínimo, um acontecimento atípico. A captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro já era suficientemente surpreendente, mas os detalhes que rodearam a operação pareciam saídos de um romance de ficção científica. Ouvimos relatos de guardas experientes a cair de joelhos, a vomitar e a agarrar a cabeça em agonia por causa de um “som” inexistente. Ouvimos falar de foguetes que simplesmente se recusavam a disparar, botões pressionados sem efeito, ecrãs congelados e tecnologia tornada inerte. Depois veio a explicação do Presidente Trump: uma arma secreta a que chamou "Descombobulador".
Como estatístico, passo a vida à procura de padrões no meio do ruído. Quando se retira a retórica política e o apelido pitoresco, os "dados" fornecidos pelos relatos das testemunhas oculares apontam para uma tecnologia muito específica e muito real. Não estamos a lidar com magia. Estamos provavelmente perante a estreia operacional de uma Arma de Energia Direcionada de Micro-ondas de Alta Potência Modulada por Pulso (HPM).
Para ser claro, como estatístico, devo sempre ter em conta as variáveis de confusão. A forma mais eficiente de capturar um líder estrangeiro é, normalmente, com uma mala cheia de dinheiro ou um informador bem posicionado; a Navalha de Occam favorece frequentemente o suborno em vez dos armamentos de ficção científica. Os críticos podem também argumentar que os agentes químicos (gás) poderiam explicar os sintomas físicos.
No entanto, a minha análise testa estritamente a hipótese fornecida pela própria descrição do Presidente. Os subornos e o gás podem neutralizar os guardas, mas não explicam a falha eletrónica simultânea, a recusa de lançamento de rockets e o congelamento de ecrãs, caso os relatos sejam verdadeiros. Apenas uma gama restrita de fenómenos pode afetar instantaneamente tanto a biologia como o silício. Se levarmos a sério a descrição do "Descombobulador" feita pelo presidente, estamos a lidar com electromagnetismo, não com subornos.
O Mecanismo: Uma História de Duas Frequências
A genialidade e o terror desta arma teórica residem no facto de atacar dois sistemas completamente diferentes (electrónica e biologia) utilizando a mesma força fundamental: a energia de radiofrequência (RF) pulsada.
1. A "Eliminação Suave" (Neutralização Electrónica)
Os relatos de foguetões venezuelanos que falharam o lançamento correspondem aos efeitos conhecidos das armas HPM em semicondutores. Quando um feixe de micro-ondas de alta intensidade atinge um dispositivo, não tem de o destruir fisicamente.
a. Acoplamento pela Porta dos Fundos: A energia de micro-ondas entra através de antenas, sensores ou até mesmo por fendas na carcaça. A própria cablagem interna do dispositivo atua como uma antena, captando o sinal e convertendo-o num pico de tensão massivo.
b. Bloqueio e Queima: Conforme detalhado nos estudos da NATO sobre tecnologias anti-drones, este pico causa “bloqueio”, um estado em que as portas lógicas digitais congelam e requerem uma reinicialização completa. Em níveis de potência mais elevados, provoca “queima”, derretendo fisicamente as junções microscópicas dentro dos chips [1].
2. O Som “Fantasma” (Efeito Frey)
Os relatos mais arrepiantes da operação envolveram o colapso físico dos guardas. Descreveram uma “onda sonora intensa”, mas nenhum altifalante foi visto. Esta é quase certamente uma aplicação do Efeito Auditivo de Micro-ondas, identificado pela primeira vez pelo neurocientista Allan H. Frey em 1961 [2].
a. Expansão Termoelástica: Quando a energia de radiofrequência pulsada atinge a cabeça humana, provoca um aquecimento minúsculo, mas rápido, do tecido cerebral (na ordem dos milionésimos de grau).
b. Onda de Choque Interna: Este aquecimento rápido faz com que o tecido se expanda, gerando uma onda de pressão no interior do crânio. Esta onda viaja até à cóclea (ouvido interno), onde é processada como som.
c. Sobrecarga Vestibular: Conforme descrito na revisão abrangente de James C. Lin de 2021, "Efeitos Auditivos da Radiação de Micro-ondas", este efeito pode ser ajustado. Uma taxa de repetição de impulsos específica pode não só criar ruído fantasma, como também sobre-estimular o sistema vestibular. Isto causa as náuseas extremas, vertigens e sensação de "explosão da cabeça" relatadas pelos guardas venezuelanos [3].
Será que foi isso que aconteceu em Cuba?
Qualitativamente, este perfil de dados, ou seja, sons fantasmas, náuseas e vertigens, alinha-se notavelmente bem com o conjunto de sintomas clínicos relatados por diplomatas americanos em Cuba e na China, vulgarmente conhecido como “Síndrome de Havana”.
Durante anos, houve debate sobre a causa destas lesões. No entanto, um relatório crucial de 2020 das Academias Nacionais de Ciências, Engenharia e Medicina concluiu que a “energia de radiofrequência pulsada e direcionada” era o mecanismo mais plausível [4][5]. Parece altamente provável que o "Descombobulador" seja a resposta americana à tecnologia utilizada contra o próprio povo, talvez uma versão de engenharia inversa ou desenvolvida em paralelo da arma que atingiu as nossas embaixadas.
A Variável Mais Sombria: Supressão Doméstica
Embora a tecnologia seja fascinante, a sua existência levanta uma questão complexa que vai para além do campo de batalha: pode ser utilizada contra o próprio povo de um governo?
Tecnicamente falando, a física sugere que sim, o que suscita um debate ético necessário.
Vejamos como
a. Controlo Invisível de Multidões: Se um governo conseguir dirigir um feixe de energia que cause náuseas e vertigens incapacitantes para uma área específica, poderá dispersar um protesto sem disparar uma única bomba de gás lacrimogéneo ou bala de borracha.
b. A Repressão "Limpa": O perigo reside na falta de provas. Um feixe não deixa cápsulas de balas, hematomas ou hemorragias. Torna a dissidência fisicamente impossível, atacando o próprio sistema vestibular dos manifestantes. Transforma uma reunião política num evento médico de vómitos e tonturas, permitindo que as autoridades simplesmente prendam os participantes incapacitados.
c. A Derrapagem: Num clima político polarizado, a existência de um "botão da dor" que possa ser invisivelmente acionado representa um desafio significativo às liberdades civis, o que justifica o escrutínio público.
A Troca Estratégica: Dissuasão vs. Sigilo
Isto leva-me de volta a uma observação fundamental sobre a divulgação feita pelo Presidente. Em estatística, sabemos que, uma vez identificado um erro sistemático, este é corrigido. Uma lógica semelhante se aplica à estratégia de guerra.
A eficácia de uma arma como esta depende muito do elemento surpresa. Se o inimigo não sabe porque é que os seus foguetes estão a falhar ou porque é que os seus soldados estão a vomitar, não consegue adaptar-se. O pânico instala-se.
No entanto, ao mencionar explicitamente a arma e os seus efeitos, o Presidente sinalizou aos nossos adversários (especificamente a China, a Rússia, a Coreia do Norte e o Irão) exactamente o que temos. Isto cria uma dicotomia estratégica.
a. O Benefício: Atua como um poderoso fator dissuasor. Demonstra ao mundo que os EUA possuem tecnologia superior capaz de neutralizar as ameaças sem disparar um único tiro.
b. O Custo: Podemos ter revelado as nossas cartas em relação às especificações técnicas. Os adversários sabem agora que possuímos tecnologia HPM miniaturizada, capaz de ser implantada no terreno, e os efeitos biológicos específicos indicam as frequências que estamos a utilizar. É provável que estas nações acelerem a sua própria investigação em medidas de reforço e blindagem biológica.
O Escudo: Como Detê-lo?
Como a existência da tecnologia é agora pública, devemos presumir que as contramedidas já estão a ser desenvolvidas.
1. A Solução da Gaiola de Faraday
Para proteger os componentes eletrónicos, é necessário envolvê-los num escudo contínuo de material condutor, como cobre, alumínio ou aço. O conceito é tão simples que o aplico na minha própria garagem; guardo o comando da chave do meu carro numa pequena bolsa de Faraday para impedir que os infratores locais intercetem o sinal e roubem o meu veículo. No campo de batalha, os riscos são maiores, mas a física é idêntica. O escudo precisa de ser perfeito, pois até uma fenda do tamanho de uma moeda pode deixar passar a onda.
2. A Defesa “Galáctica”
A contramedida definitiva é a redundância mecânica. Os motores a diesel antigos com injeção mecânica de combustível, as miras óticas em vez de ecrãs digitais e os controlos hidráulicos sem computadores eletrónicos são imunes. Não se pode piratear uma alavanca de velocidades.
3. Proteção Pessoal
Os protetores auriculares comuns são inúteis porque o som é gerado dentro da cabeça. Os soldados necessitariam de capacetes feitos de materiais condutores com uma viseira de película dourada ou uma malha de arame fina sobre o rosto (semelhante à porta de um forno de micro-ondas) para bloquear a energia.
Reconhecendo a dificuldade de engenharia
De notar que estas armas não são varinhas mágicas. Como alguns observadores salientaram, as micro-ondas de alta frequência enfrentam problemas de “linha de visão”; folhagem, paredes espessas e humidade atmosférica podem dispersar o feixe. Isto implica que, se tal arma fosse utilizada, seria provavelmente lançada a curta distância ou com um sistema de mira altamente sofisticado, capaz de superar variáveis ambientais. Mas quem sabe?!
Conclusão
O “Descombobulador” representa uma mudança de paradigma. Estamos a passar da era da guerra cinética (balas e bombas) para a era da guerra espectral. É uma forma mais limpa, silenciosa e talvez mais perturbadora de lutar. Embora ofereça uma vantagem única para os Estados Unidos hoje, a confirmação da sua existência inicia uma nova contagem decrescente. Os nossos adversários correrão para o neutralizar, e a discussão global deve agora incluir as implicações de armas invisíveis que podem silenciar tanto os soldados como os civis.
Referências
NATO Science & Technology Organization. (2024). From Disruption to Destruction: Assessing the Impact of High-Power Microwaves on Unmanned Aerial Vehicles. Link
Frey, A. H. (1962). Human auditory system response to modulated electromagnetic energy. Journal of Applied Physiology, 17(4), 689–692. Link
Lin, J. C. (2021). Auditory Effects of Microwave Radiation. Springer International Publishing. Link
National Academies of Sciences, Engineering, and Medicine. (2020). An Assessment of Illness in U.S. Government Employees and Their Families at Overseas Embassies. The National Academies Press. Link
Timmer, J. (2020, Dec 5). Covert microwave weapon “most plausible” cause of Cuba health attacks. Ars Technica. Link
Durante a Segunda Guerra Mundial, três marinheiros param em São Francisco durante uma folga de quatro dias. Com uma festa programada, a tripulação encanta-se pelas garotas locais, enquanto o comandante tenta manter todos na linha. [mais info aqui]
A canção “Kiss Them for Me”, da banda Siouxsie and the Banshees, lançada em 1991 no álbum Superstition, tem um significado interessante e multifacetado — misturando homenagem, crítica e atmosfera sensual.
1. Homenagem a Jayne Mansfield
A música é, sobretudo, uma homenagem à atriz Jayne Mansfield, símbolo sexual de Hollywood nos anos 1950 e 1960.
O título “Kiss Them for Me” é tirado de um filme de 1957 com Cary Grant e a própria Mansfield.
A letra faz várias alusões à sua vida glamorosa, trágica e exagerada — com referências a festas, luxo e sensualidade (“glitter’s on the floor”, “it’s a glamourous life”).
Também evoca a tragédia do seu acidente fatal em 1967, que marcou o fim do mito de Mansfield.
2. Crítica ao glamour e à superficialidade
Por baixo da homenagem há uma ironia subtil: Siouxsie Sioux mistura o fascínio e o perigo do culto à celebridade.
As imagens brilhantes da letra contrastam com a melancolia da voz e o ritmo hipnótico.
A canção questiona o preço do glamour — um mundo onde “beleza” e “tragédia” se confundem.
3. Sensualidade e exotismo
Musicalmente, é uma das faixas mais sensuais dos Banshees.
Tem influências indianas, com instrumentos e batidas eletrónicas suaves.
O som reflete a ideia de “encantamento” e “máscara”, reforçando o tema de aparência versus essência.
Embora as pessoas estejam impressionadas com o desfile militar chinês exibindo a mais recente tecnologia militar, convém lembrar que a China ainda apresenta um desempenho extremamente aquém do esperado.
A Suécia e a Noruega têm, em conjunto, uma população inferior à de Shenzhen, o Silicon Valley chinês. No entanto, possuem os seus próprios sistemas de defesa aérea de classe mundial desenvolvidos internamente, caças multifuncionais, os drones de reconhecimento mais pequenos do mundo utilizados pelas forças especiais em todo o mundo, sistemas AWACS, radares multifuncionais, sonar de abertura sintética, submarinos de última geração, corvetas furtivas, veículos submarinos autónomos de classe mundial, mísseis antinavio/ataque terrestre de longo alcance, destruidores de bunkers, torpedos pesados, obuses, artilharia Ramjet-155 e muito, muito mais.
A China é 88 vezes maior do que a Suécia e a Noruega juntas. No entanto, a Suécia e a Noruega são gigantes científicos e culturais. A escala Celsius, a dinamite, o Ikea, os ABBA, o Bluetooth, os Prémios Nobel, o primeiro pacemaker cardíaco implantado, o esqui... e a descoberta de 20 elementos químicos. São conhecidas pessoas destes países em todo o mundo, como Magnus Carlsen, Daniel Ek (fundador e CEO do Spotify), Nick Bostrom, Dolph Lundgren, Anders Jonas Ångström, Greta Thunberg e muitos outros.
E estes são apenas dois pequenos países europeus do tamanho de uma cidade chinesa que rivalizam com um país de 1,4 mil milhões de habitantes. E nem se esforçam tanto como a China.
The World Nuclear Industry Status Report 2024 (WNISR2024) assesses the status and trends of the international nuclear industry. Earth Track was pleased to have contributed to the report again this year, with the focus chapter Power Firming and Competitive Pressure on Nuclear Energy assessing how solar/wind + storage put increasing competitive pressures on the nuclear sector.
By pulling together a mix of core data on the nuclear sector globally while addressing a handful of complex and important special topics each year, the WNISR has become a critical resource for tracking industry trends, pressures, and risks. As part of its core data review, the analysis provides a comprehensive overview of nuclear power plant data, including information on operation, production, fleet age, and construction. The WNISR discusses the status of newbuild programs in existing as well as in potential newcomer nuclear countries; notably in this year's Türkiye Focus which provides critical context to the ongoing construction of the country’s first nuclear power plant. A section is dedicated as well to ambitions and prospects for nuclear deployment in Potential Newcomer Countries in Africa, while Taiwan Focus covers the current situation and implementation of the nuclear phaseout policy.
In addition to the chapter we contributed on power firming, WNISR2024 includes special focus chapters on Nuclear Power vs. Renewable Energy Deployment; developments with Small Modular Reactor (SMR) developments; an analysis of the Russia Nuclear Dependencies of the global nuclear sector with a case study on Russian designed fuel assembly manufacturing; an analysis of the Militarization of Civil Power Plants based on the case study of tritium production for weapons in the United States and its significance for France; and an assessment of Civil-Military Cross-Financing in the U.K. Nuclear Sector discussing how tax- and rate-payers unknowingly subsidize the civil and military nuclear establishments.
The Fukushima Status Report provides an overview of ongoing onsite/offsite challenges of the 2011-disaster. The Decommissioning Status Report looks at the current situation of the now over 210 closed nuclear power reactors, close to one third of all units in the world that have generated electricity at some point. Annex 1 offers an overview by region and country of all operating nuclear programs not covered in the focus chapters.
In addition to this year's report linked to above, Earth Track's contribution on Nuclear Economics and Finance, including a review of fuel chain subsidies around the world, from last year's WNISR can be accessed here.
Foi o dia mais inútil da minha vida. Bem cedo, numa manhã de sol, fui de autocarro até à Calçada da Ajuda, em Lisboa, para o dia de inspeção militar. Eu e uma centena de jovens de várias regiões do país (notava-se pelos diferentes sotaques) juntámo-nos num pavilhão do Quartel da Ajuda para ouvir um militar - não me lembro da patente - discursar sobre aquele momento e a importância do serviço militar para Portugal. Depois seguimos para uma longa fila à espera da dita inspeção. Horas e horas de espera num dia de sol que, mesmo depois do discurso do militar, não deixaram de parecer completamente inúteis.
Uma vez feitos os testes, sentei-me em frente de um outro militar para responder a um questionário. Das perguntas recordo-me de uma que julguei ter-me deixado em maus lençóis, sobretudo porque o meu interesse em ir à “tropa” era nulo. Estava muito mais interessado em continuar os estudos do que ver a minha vida interrompida durante uma série de meses para fazer o tal serviço militar então obrigatório. À pergunta: “Faz desporto?”, respondi orgulhosamente: “Sim, sou federado em andebol há vários anos!”. Arrependi-me meio segundo depois quando vi o militar a sorrir como quem dizia: “já não te safas!”. Mas a pergunta seguinte, sobre a área de estudo que ia seguir, colocou-me certamente na reserva. Respondi que ia estudar Ciências da Comunicação, e aí o militar encolheu os ombros com indiferença. Fiquei feliz. E mais feliz fiquei quando ao final da tarde os militares indicaram que não seria necessário regressar no dia seguinte como até aí estava previsto. Foram horas totalmente inúteis que não despertaram em mim qualquer veia patriótica para me juntar ao serviço militar. E naquelas horas de tédio lembrei-me do meu pai contar um dos piores momentos da sua vida: o dia em que se despediu dos seus pais para embarcar na viagem que o levou para combater na guerra em Angola. E como diz o ditado, “filho és, pai serás…”, sou pai de dois rapazes e não consigo ficar indiferente a esta memória, nem à ideia agora trazida à baila por várias chefias militares portuguesas do regresso do Serviço Militar Obrigatório (SMO) - e o que isso implicará na vida dos meus filhos.
É certo que vivemos uma ameaça cada vez mais real de Putin atacar outros países para além da Ucrânia, o que implicará uma resposta à altura dos países da NATO (à qual Portugal pertence). Mas basta ligar as televisões e ler os jornais para ver que a forma de fazer guerra mudou, é feita com muita tecnologia e com militares muito especializados. O coronel (e capitão de Abril) Carlos Matos Gomes relembrou isso mesmo num artigo publicado na revista Visão esta semana: “As guerras atuais assentam em sofisticados sistemas de armas e os soldados só servem como alvo e para morrer dentro das trincheiras”. Será preciso acrescentar mais?
Convém relembrar que, em tempos, as forças armadas, tal como a ida para o seminário, eram formas de sair da pobreza extrema da ditadura de Salazar. Um país que viu demasiadas vezes os filhos das famílias amigas do regime serem dispensados de irem “à tropa” ou de serem enviados para a guerra.
Por isso, ao invés de se pensar no SMO “com base em estados de alma”, como disse o general Luís Valença Pinto na edição de ontem do DN, não será sim melhor pensar o assunto com estratégia para “valorizar a carreira militar”, como disse em campanha Pedro Nuno Santos ou criar um “sistema de incentivos” para a carreira militar como disse na mesma altura o agora primeiro-ministro Luís Montenegro?
Em tempo de paz, o serviço militar obrigatório vai interromper a vida de muitos jovens, que nesse período devem ter outras experiências muito mais interessantes , estudar, viajar, entre outras coisas. Já se for em tempo de guerra, o SMO servirá para mandar carne para canhão. E se há cerca de um milhão de portugueses muito ávidos de saudosismo, convém relembrar todos os dias que são uma minoria, o resto não vai em cantigas saudosistas. Mas o caminho não é por aí, devemos pensar sim no serviço militar com uma forte vertente profissionalizada, bem paga, e sempre como uma escolha, nunca como uma obrigação. Ideias avulsas, atiradas para o ar, como esta do regresso do SMO, tiram-nos o foco do que é importante e de tratar os assuntos de forma séria. Mas vá, concentremo-nos no que importa: o velho e o novo logótipo do governo português…
Em contracorrente aos discursos da verdade única que os aparelhos de propaganda e manipulação nos transmitem, o professor Viriato Soromenho Marques publicou há dias no DN mais um texto de análise da realidade que vivemos e da que nos está a ser preparada.
Talvez esta análise crua tenha a mesma eficácia de uma pregação a um rebanho de cordeiros sobre os perigos que os aguardam com as celebrações judaicas da Páscoa, quando os pastores lhes estão a fornecer ervas tenras para a engorda, antes de os sacrificarem, mas vale a pena acompanhar o autor, para que os magarefes não se sintam pregadores evangélicos, incontestados vendedores de asas de subir aos céus. O texto tem por título “A Ocidente, uma desolada paisagem”. Começa por pedir que esqueçamos que há uma guerra europeia centrada na Ucrânia que se pode tornar mundial e que enfrentemos a dolorosa pergunta prévia: O que é o Ocidente e quais são os seus valores atuais? Isto é, digo eu: o que nos prometem a troco da vida dos jovens europeus e das ruínas das nossas casas? Começa o professor Soromenho Marques por relembrar que, de acordo com orientações estratégicas há muito públicas e publicadas e seguindo vozes autorizadas da Casa Branca e do Congresso, existe um saldo positivo de mais esta guerra para a oligarquia que governa os Estados Unidos, e que o que está em causa não é, nem nunca foi, a vitória da Ucrânia, muito menos a de uma Ucrânia livre e com um regime representativo do seu povo, mas sim usar aquele povo como aríete para enfraquecer a Rússia.
Viriato Soromenho Marques deixa claro a quem souber ler que a guerra na Ucrânia é um negócio e está a ser tratada pelos seus administradores como um negócio, com deve e haver, lucros e prejuízos. Os Estados Unidos fazem contas e concluem que a guerra é lucrativa para as suas elites financeiras e industriais e que, com os contratos já impostos à Europa para ela se “defender” de uma invasão russa, os lucros se prolongarão para lá do fim da guerra. Quanto à Rússia: Trinta anos (desde o fim da URSS) de estratégia de encostar a NATO às fronteiras da Rússia, sobretudo na Ucrânia, mas antes dela na Polónia e nos países bálticos, levaram, como estava previsto que levassem, o urso a acordar. Os EUA estavam preparados para lucrarem com o seu despertar.
As sanções, o ataque à exportação de petróleo e gás natural russo, o impedimento de mais oleodutos (sabotagem do Nordstream II), a fuga de cérebros, o fomento da instabilidade no Cáucaso, tudo isso estava prescrito num vasto documento que mais parece uma declaração de guerra: (Extending Rússia. Competing from Advantageous Ground, James Dobbins et alia, Santa Monica, CA, Rand Corporation). Nesse saldo positivo dos EUA, além da rotura dos laços entre Berlim e Moscovo, entra também o alargamento da NATO e a convicção de que a Europa vai aumentar duradouramente as compras em armamento norte-americano (quer ganhe Biden ou Trump), assegurando um grande negócio, nutrido com centenas de milhares de mortos e estropiados na Ucrânia, que se podem alargar a outras áreas e geografias na Europa e na Eurásia
“E que pensar da UE, a outra metade do Ocidente?” (Pergunta Viriato Soromenho Marques e esclarece: “Nunca a Europa sofreu, em tempo de guerra, com líderes tão perigosamente impreparados para governar. Em setembro de 2022, o triunfalismo, a presidente da CE (Ursula Von Der Leyen) troçava dos russos, dizendo que a eficácia das sanções obrigava Moscovo a usar os chips dos eletrodomésticos para fins militares. Hoje, um pânico antigo (“Vêm aí os russos”) percorre as capitais europeias. Basta ouvir o “valente” Macron, ou ler o apavorado Charles Michel.” Num artigo do El País de 29 de Março de 2024, Donald Tusk, um neoliberal que é primeiro ministro da Polónia, afirmava: “Estamos en una época de preguerra. No exagero”. Respondia assim ao primeiro-ministro espanhol, que na última cimeira europeia pediu que se baixasse o tom belicista.
Nesta linha dos apelos à guerra estamos a ser bombardeados com uma campanha de manipulação para reintroduzir o serviço militar obrigatório. Portugal cumpre o papel que lhe foi distribuído. Não é um acaso, nem uma inocente coincidência que no mesmo dia surjam notícias da defesa desta reintrodução através de declarações do chefe do estado-maior general das Forças Armadas, do chefe do estado-maior do Exército e até, pasme-se, do chefe de estado-maior da Armada, de uma Armada que, mesmo durante a guerra colonial, manteve a maioria dos seus efetivos profissionalizados! Da campanha escapou até ver o chefe do estado-maior da Força Aérea. Não haverá para já pilotos ou controladores de tráfego aéreo, meteorologistas ou mecânicos de aeronaves de recrutamento obrigatório! Do novel ministro da Defesa, o lusito Nuno Melo, espera-se sem surpresas que desembainhe a espada de pau e vá a Washington comprar o que der mais comissões e proporcione aos intermediários, com Paulo Portas como chave-mestra, o orgulho de Portugal possuir os melhores artefactos bélicos e de participar na primeira linha da defesa dos valores do Ocidente. Os discursos estão disponíveis no ChatGPT. Basta tocar na tecla Enter.
A sad fact about the politics of Washington is that some of the most important issues facing the United States and the world are rarely debated in a serious manner. Nowhere is that more true than in the area of foreign policy. For many decades, there has been a “bipartisan consensus” on foreign affairs. Tragically, that consensus has almost always been wrong. Whether it has been the wars in Vietnam, Afghanistan, and Iraq, the overthrow of democratic governments throughout the world, or disastrous moves on trade, such as entering the North American Free Trade Agreement and establishing permanent normal trade relations with China, the results have often damaged the United States’ standing in the world, undermined the country’s professed values, and been disastrous for the American working class.
This pattern continues today. After spending billions of dollars to support the Israeli military, the United States, virtually alone in the world, is defending Prime Minister Benjamin Netanyahu’s right-wing extremist government, which is waging a campaign of total war and destruction against the Palestinian people, resulting in the deaths of tens of thousands—including thousands of children—and the starvation of hundreds of thousands more in the Gaza Strip. Meanwhile, in fear-mongering around the threat posed by China and in the continued growth of the military industrial complex, it’s easy to see that the rhetoric and decisions of leaders in both major parties are frequently guided not by respect for democracy or human rights but militarism, groupthink, and the greed and power of corporate interests. As a result, the United States is increasingly isolated not just from poorer countries in the developing world but from many of its long-standing allies in the industrialized world, as well.
Given these failures, it is long past time to fundamentally reorient American foreign policy. Doing so starts with acknowledging the failures of the post–World War II bipartisan consensus and charting a new vision that centers human rights, multilateralism, and global solidarity.
A shameful track record
Dating back to the Cold War, politicians in both major parties have used fear and outright lies to entangle the United States in disastrous and unwinnable foreign military conflicts. Presidents Johnson and Nixon sent nearly three million Americans to Vietnam to prop up an anticommunist dictator in a Vietnamese civil war under the so-called domino theory—the idea that if one country fell to communism the surrounding countries would fall as well. The theory was wrong, and the war was an abject failure. Up to three million Vietnamese were killed, as were 58,000 American troops.
The destruction of Vietnam was not quite enough for Nixon and his Secretary of State Henry Kissinger. They expanded the war into Cambodia with an immense bombing campaign that killed hundreds of thousands more people and fueled the rise of the dictator Pol Pot, whose subsequent genocide killed up to two million Cambodians. In the end, despite suffering enormous casualties and spending huge amounts of money, the United States lost a war that never should have been fought. In the process, the country severely damaged its credibility abroad and at home.
Washington’s record in the rest of the world was not much better during this era. In the name of combating communism and the Soviet Union, the U.S. government supported military coups in Iran, Guatemala, the Democratic Republic of Congo, the Dominican Republic, Brazil, Chile, and other countries. These interventions were often in support of authoritarian regimes that brutally repressed their own people and exacerbated corruption, violence, and poverty. Washington is still dealing with the fallout from such meddling today, confronting deep suspicion and hostility in many of these countries, which complicates U.S. foreign policy and undermines American interests.
A generation later, after the 9/11 terrorist attacks in 2001, Washington repeated many of these same mistakes. President George W. Bush committed nearly two million U.S. troops and over $8 trillion to a “global war on terror” and catastrophic wars in Afghanistan and Iraq. The Iraq war, much like Vietnam, was built on an outright lie. “We cannot wait for the final proof—the smoking gun that could come in the form of a mushroom cloud,” Bush infamously warned. But there was no mushroom cloud and there was no smoking gun, because the Iraqi dictator Saddam Hussein didn’t have any weapons of mass destruction. The war was opposed by many U.S. allies, and the Bush administration’s unilateral, go-it-alone approach in the run-up to the war severely undermined American credibility and eroded trust in Washington around the world. Despite this, supermajorities in both chambers of Congress voted to authorize the 2003 invasion.
The Iraq war was not an aberration. In the name of the global war on terror, the United States carried out torture, illegal detention, and “extraordinary renditions,” snatching suspects around the world and holding them for long periods at the Guantánamo Bay prison in Cuba and CIA “black sites” around the world. The U.S. government implemented the Patriot Act, which resulted in mass surveillance domestically and internationally. The two decades of fighting in Afghanistan left thousands of U.S. troops dead or wounded and caused many hundreds of thousands of Afghan civilian casualties. Today, despite all that suffering and expenditure, the Taliban is back in power.
Through riveting and moving personal recollections of both Palestinians and Israelis, 1948: Creation & Catastrophe reveals the shocking events of the most pivotal year in the most controversial conflict in the world. It tells the story of the establishment of Israel as seen through the eyes of the people who lived it. It is simply not possible to make sense of what is happening in the Israeli-Palestinian conflict today without an understanding of 1948. This documentary was the last chance for many of its Israeli and Palestinian characters to narrate their first-hand accounts of the creation of a state and the expulsion of a nation.
An estimated 700,000 Palestinians fled or were expelled and hundreds of towns and villages were depopulated and destroyed in Israel. Because of this, on May 15, Nakba Day or "Day of the Catastrophe" is commemorated, the day after the Israeli Independence Day. For Palestinians, this is a day of commemoration of the displacement during the Israeli Declaration of Independence in 1948.
1948 is a powerful record of this important time. The film crew conducted over 90 interviews, poured over 20,000 pages of history, collected more than 2,000 photographs from three dozen sources, combed through hours of archival film and gathered dozens of documents from Israeli military archives.
1948 Features:
First-hand accounts of 1948 from Israelis and Palestinians
Renowned historians Charles D. Smith, Rashid Khalidi, Benny Morris, Avi Shlaim, Ilan Pappe, Nur Masalha and Sharif Kanaaneh.
Military orders and intelligence documents
Over 200 archival photographs and film clips
Awards
Winner - Rebuilding Alliance's "Storytellers: Media & Education" Award
Screenings and Events:
The Middle East Studies Association Film Festival, DC
Palestine Solidarity Week, Memphis, TN
The American University in Cairo, Egypt
Reel Palestine Festival, Dubai, UAE
AMP Conference, Chicago, IL
University of Oxford, UK
Georgetown University, DC
Boston Palestine Film Festival, Cambridge, MA
San Diego Arab Film Festival, San Diego, CA
University of Maryland
University of Illinois, Champaign-Urbana, IL
UC Berkeley, CA
San Francisco State University, CA
San Diego State University, CA
Carnegie Library East Liberty, Pittsburgh, PA
Jewish Voice for Peace, New York at CUNY
Kuwait Engineering Association, Kuwait
California State University - San Bernardino, CA
Eastern Michigan University, Ypsilanti, MI
Islamic Association of Greater Hartford, CT
North Carolina State University, Raleigh, NC
California State University, Fresno, CA
Academic and Expert Reviews:
"Despite these issues, 1948 makes its undeniable intervention into the contemporary media scape as an asymmetrical balancing of Zionism’s unbalanced symmetry between Palestinian and Jewish suffering, and on this basis the film represents a landmark in the cinematic treatment of the topic." - Arab Studies Quarterly
"Arguably, the most important contribution that 1948 provides are the interviews with the survivors and witnesses which, due to the ages of the participants, could be the last chance to record their stories; the value of these oral testimonies cannot be understated... 1948: Creation and Catastrophe presents the duality of the elation surrounding the creation of the state of Israel and the catastrophe of the loss of life and homeland that resulted from the displacement of the Arab Palestinians." - History in the Making, California State University San Bernardino Journal of History
"[1948] is terrific! Heart-wrenching... a very important film that illuminates many things that most people (including me) did not know but need to know." - Lawrence R. Frey, PhD, Dept. of Communication, University of Colorado Boulder
“The access you had to Israeli 'old' soldiers interviews gave a great new angle to the story, the very clear and professional graphics, the wise use of archive and sound effects and the straight forward clear narration, made the storytelling of the 1948 story both informative and dramatic… a combination of a great team work and great work.” - Rawan Damen
"[1948] is the best film I've ever seen on Palestine. I think it's truly excellent, has an amazing collection of archival photos and film clips, and interviews quite a number of Palestinians who remember 1948 and Israelis who participated in the war/ethnic cleansing. It's a real masterpiece." - Kathleen Christison, Author and Political Analyst on Israeli-Palestinian Conflict
"Straightforward in style but dense with information, Andy Trimlett and Ahlam Muhtaseb's documentary on the partition of Palestine and the subsequent Arab-Israeli War incorporates often harrowing firsthand testimony from both sides. Essentially, however, this is the story from the Palestinian perspective – which in itself is worth the attention of anyone who wants to understand the world today." - The Sydney Morning Herald
"1948 is exactly the kind of film many people would do well to watch. Informative and timely (the release of the film marks 70 years after the creation of the Israeli state), especially when seen in light of the ongoing claims of anti-Semitism rife within the labour party, or recent protests outside the University Union by University of Leeds Palestinian Solidarity Group. An understanding of the conflict is essential and 1948: Creation and Catastrophe provides an insightful and emotional coverage of its very beginnings." - Don Pickworth, The Gryphon (University of Leeds)
"In 1948: Creation & Catastrophe, Andy Trimlett and Ahlam Muhtaseb offer first-person accounts of survivors, along with commentary from perpetrators of the Nakba... The expertise of the interviewed historians and analysts from both sides of the divide in the documentary is impressive." - Hatim Kanaaneh, Middle East Eye
Andy Trimlett has a Master’s degree in Middle East Studies from the University of Washington and a Bachelor’s degree in International Security and Conflict Resolution from San Diego State University. He has a decade of experience in public television, having served as senior producer, associate producer, editor and camera operator on a wide range of productions. He has worked on PBS programs in the United States, Hungary and Austria, winning a regional Emmy for a 30-minute documentary he co-produced about property tax law in California.
Ahlam Muhtaseb, Co-Director/Executive Producer
Ahlam Muhtaseb is a professor of media studies at California State University, San Bernardino. Her research interests include digital communication, social media, and diasporic communities. She has published her scholarship on digital communication and other communication sub-topics, and has presented her scholarship to national and international conventions and scholarly meetings. Her most recent project is the documentary 1948: Creation & Catastrophe, a film on the year 1948 and its catastrophic consequences which has originated from her field work in the Palestinian refugee camps in the Lebanon, Syria, and Palestine. In addition, most of her recent research focuses on digital media and social movements online (cyber activism), and Arab and Muslim images in the media.
Esta foto enviou-me um amigo meu Prof. Univ. em Tel Aviv. É o dia a dia. Constante presença militar. Diz ele que mesmo a alguns km, ouvem-se na capital os bombardeamentos dos sionistas na Cisjordânia. Os canais televisivos só passam o discurso de Netanyahu.
O governo israelita está a pressionar o jornal de esquerda Haaretz para apoiar o governo na sua condução da guerra na Faixa de Gaza. O ministro das comunicações, Shlomo Karhi, sugeriu a aplicação de multas ao jornal.
O Haaretz, que é um periódico independente (fundado em 1919) tem sido alvo frequente dos governos de direita em Israel. Em 20/10 , o governo promulgou regulamentações de emergência, permitindo o fecho temporário dos media estrangeiros considerados prejudiciais ao país.
O CPJ relata que 57 jornalistas e trabalhadores da mídia foram mortos desde o início do conflito. Isso inclui 50 palestinos, 4 israelitas e 3 libaneses. O Repórteres Sem Fronteiras posiciona Israel em 97º lugar em seu ranking de Liberdade de Imprensa de 180 países, acima da República Centro-Africana e abaixo da Albânia. E destaca: “Sob a censura militar de Israel, reportar sobre várias questões de segurança requer aprovação prévia das autoridades. Além da possibilidade de processos por difamação civil, os jornalistas também podem ser acusados de difamação criminal e "insultar um funcionário público".
Este sector costuma com frequência manifestar-se pró-Palestina, ao mesmo tempo que observa os princípios da Torah e do Judaísmo de forma estrita. Frequentemente, estes judeus são alvo de perseguição de outros judeus que defendem o direito judaico ao solo de Israel/ Palestina.
Recordemos que cerca de 15% da população da Palestina eram judeus em 1948 e viviam, nessa época, em paz, ao lado dos muçulmanos e cristãos.
Aconselho vivamente a página "Breaking the Silence", uma página de uma organização não governamental israelita onde antigos militares falam sobre a ocupação israelita e as atrocidades cometidas pelos soldados contra as populações palestinianas.
Antes do confinamento, eu estava a trabalhar numa demo de uma nova versão de 'Comfortably Numb' como abertura do nosso novo show "This Is Not A Drill". Arrumeio-o sem solos, exceto no final, onde há um solo vocal comoventemente lindo de uma das nossas novas irmãs Shanay Johnson. Pretende ser um alerta e uma ponte para um futuro mais gentil, com mais conversas com estranhos, seja em "The Bar" ou apenas "Passing in the Street" e menos massacre "In Some Foreign Field". Aqui está. O vídeo é de Sean Evans. A mixagem é de Gus Seyffert.
Hello? (Hello? Hello? Hello?)
Is there anybody in there? Just nod if you can hear me Is there anyone home? Come on now I hear you're feeling down Well I can ease your pain Get you on your feet again Relax I'll need some information first Just the basic facts Can you show me where it hurts?
There is no pain you are receding A distant ship smoke on the horizon You are only coming through in waves Your lips move but I can't hear what you're saying When I was a child I had a fever My hands felt just like two balloons Now I've got that feeling once again I can't explain you would not understand This is not how I am I have become comfortably numb [2x]
Okay (okay, okay, okay) Just a little pinprick There'll be no more, ah But you may feel a little sick Can you stand up? I do believe it's working, good That'll keep you going through the show Come on it's time to go There is no pain you are receding A distant ship, smoke on the horizon You are only coming through in waves Your lips move but I can't hear what you're saying When I was a child I caught a fleeting glimpse Out of the corner of my eye I turned to look but it was gone I cannot put my finger on it now The child is grown The dream is gone I have become comfortably numb
O elo entre Nova Deli e Moscovo é antigo, mas uma guerra como a da Ucrânia tem levado a relação a um teste crucial. A China e os EUA, e suas respetivas relações com a Rússia, juntam-se também, formando um quadrilátero difícil de compreender. Com o seu multilateralismo e a sua visão multipolar do mundo, que interesses guarda a Índia e para que lado vai pender?
A maior democracia do mundo rejubila com o seu notável crescimento no sudeste asiático, um contrapeso da influência chinesa na região. Mas os ventos da mudança não trazem necessariamente a renovação de velhas alianças. Defesa, comércio de combustíveis fósseis, energia nuclear e exploração espacial: a colaboração entre a Índia e a Rússia é histórica e remonta ao período da Guerra Fria, nos anos 1950. A então União Soviética chegou a mediar um cessar-fogo entre a Índia e o Paquistão no território de Caxemira, nos Himalaias. Em 1971, a Índia e a antiga URSS assinaram um pacto de amizade, paz e cooperação que seria substituído, dois anos após a dissolução da União Soviética, em 1993, pelo Tratado de Amizade e Cooperação Indorrusso. Mas em que se baseia hoje essa relação de amizade? E foi ou não abalada pela invasão russa da Ucrânia?
“A era de hoje não é uma era de guerra”, disse o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, a Vladimir Putin, em setembro. Contudo, nem a Índia censurou a invasão russa, nem se juntou aos aliados ocidentais nas sanções contra Moscovo. Ao Expresso, Nandan Unnikrishnan, investigador do programa de estudos da Eurásia, no Observer Research Foundation, ‘think tank’ de Nova Deli, garante que, “no estado atual da geopolítica, os laços com a Rússia não são a relação bilateral mais consequente”. Só que, ainda que a sua importância seja menor, face àqueles dias da União Soviética, “não significa que a aliança não seja importante”.
Israel há muito tenta limpar etnicamente os palestinos, transformando a Cisjordânia ocupada em um depósito de lixo tóxico. Segundo Hala Yacoub, é por isso que a libertação da Palestina é também uma luta por justiça ambiental.
O governo israelita libertou recentemente mais de um milhão de documentos dos seus arquivos nacionais, revelando parte dos planos de Israel para criar uma nova etapa no empreendimento de assentamentos israelitas.
Essa estratégia se baseia em uma lenta limpeza étnica dos palestinos para construir assentamentos na Cisjordânia .
Esses documentos contêm atas de reuniões realizadas pela divisão militar israelita da Judéia e Samaria, que descrevem as etapas do projeto de assentamento na Cisjordânia.
De acordo com esses documentos, o primeiro passo seria desapropriar os palestinos de suas terras usando a cobertura legal de "zonas de tiro", e se eles se recusarem a deixar suas casas, enfrentarão punições coletivas, incluindo a destruição das colheitas.
Os documentos também descrevem a colonização israelita de Aqraba , um vilarejo no norte da Cisjordânia, e a construção do assentamento de Gitit nessas terras.
Eles detalham as etapas para criar um ambiente coercitivo para desalojar à força os palestinos da aldeia, já que as táticas anteriores falharam – incluindo declarar a terra uma zona militar fechada.
“Está claro que Israel está tratando a Cisjordânia como sua 'zona de sacrifício' privada porque é muito mais barato poluir a área do que tratar ou reduzir o lixo de forma responsável. No entanto, seria ingénuo esperar uma abordagem ambientalmente responsável de um regime de apartheid que existe para servir um empreendimento colonial maior – especialmente quando as violações contínuas ajudam a avançar nesse projeto. »
Para atingir o seu objetivo, as autoridades israelitas, incluindo o exército de ocupação, o departamento de assentamentos da Agência Judaica e o guardião da 'propriedade ausente', admitiram o uso de um 'espalhador' para despejar venenos químicos que são "letais para animais e perigosos para humanos".
Esses produtos também foram usados para impedir drasticamente o crescimento das plantações na terra e essa tática de envenenamento da terra é uma nova revelação dos documentos publicados.
Como no caso de Aqraba na década de 1970, Masafer Yatta e o Vale do Jordão enfrentam hoje políticas destinadas a deslocar e expulsar os palestinos das suas terras. Israel começa criando áreas de treino militar que servem como uma chamada cobertura legal, então desenvolve um ambiente coercivo ao atacar sistematicamente a presença palestina nas áreas-alvo.
Palestinos sacrificados
O crime de fumigação de plantações ocorre desde 1972. As práticas de hoje e as políticas de ontem provam que quando tudo mais falha, Israel não hesita em atacar o ecossistema palestino usando produtos venenosos para alimentar o seu empreendimento colonial e seu regime de apartheid .
A terra palestina também é usada como uma colossal “zona de sacrifício” por Israel, que coloca lixões a céu aberto pertencentes a seus assentamentos ilegais nos Territórios Palestinos Ocupados (TPO).
Hoje, existem pelo menos 15 aterros sanitários israelitas listados e documentados na Cisjordânia, localizados perto de aldeias palestinas, que têm um impacto negativo no bem-estar, agricultura e segurança das comunidades próximas.
Alguns locais são usados para depositar resíduos brutos em aterros, enquanto outros são usados para processar resíduos reciclados – uma ação perigosa.
No Vale do Jordão, diz-se que o solo absorve 60% da lama tóxica resultante do tratamento de esgoto de Israel. Além disso, o maior aterro sanitário israelita criado para o tratamento de resíduos médicos está localizado no assentamento ilegal de Maale Ephraim , no norte da Cisjordânia.
Para piorar, várias indústrias e aterros sanitários foram transferidos para mais perto da Linha Verde ou dentro da Cisjordânia, onde as repercussões ambientais afetariam apenas os palestinos .
Por exemplo, as fábricas da Geshuri and Sons, que fabricam uma variedade de produtos - principalmente pesticidas - foram transferidas de sua localização anterior, considerada muito prejudicial para os israelitas, para o assentamento industrial Nitzanei Shalom, na cidade de Tulkarem.
A fábrica de pesticidas Kfar Saba também foi transferida para a área de Tulkarem, assim como a fábrica de gás industrial da empresa Dixon Gas, que precisa de ar livre para queimar seus resíduos sólidos livremente. Ambas as fábricas produzem poluentes que são perigosos para os residentes palestinos que vivem nas proximidades.
Ecocídio a serviço do apartheid
Para Israel, a Cisjordânia é habitada por palestinos "injustos ao meio ambiente" que, consequentemente, são forçados a sofrer com taxas crescentes de cancro e doenças oculares e pulmonares .
Este é certamente o caso de Tulkarem, onde, de acordo com a pesquisa do professor Mazen Salman, da Faculdade de Agricultura da Universidade de Khudouri, a maioria das doenças de visão e pulmonares da região são identificadas nas proximidades de fábricas.
Sem falar nos hectares de plantações palestinas que foram destruídos, incluindo quintas de frutas cítricas em Wadi Qana e olivais em Qaryut (na província de Salfit).
É claro que Israel trata a Cisjordânia como sua "zona de sacrifício" privada, pois é muito mais barato poluir a área circundante do que tratar ou reduzir o lixo de forma responsável.
No entanto, seria ingênuo esperar uma abordagem ambientalmente responsável de um regime de apartheid cuja razão de ser é servir a um empreendimento colonial maior – especialmente quando violações contínuas ajudam a avançar nesse projeto.
Ao colocar aterros perigosos no Território Palestino Ocupado, Israel não apenas cria um ambiente muito restritivo para obrigar os palestinos a sair, mas também a anexação de fato das terras que abrigam os aterros, o que é uma violação da quarta Convenção de Genebra .
A conexão entre as violações ambientais de Israel e seu regime de apartheid é indiscutível. O uso de aterros no OPT para manter efetivamente a economia dos colonos judeus, a anexação e deslocamento de palestinos para reforçar o colonialismo israelita, a imposição de condições de vida impossíveis aos palestinos, o sacrifício sistemático de uma área e sua população em benefício de outra, são todas práticas de apartheid.
No entanto, a Convenção sobre Apartheid (1973) enfatiza em sua definição “a imposição de condições de vida calculadas para provocar sua destruição física”.
De fato, as violações cometidas por Israel não são simplesmente ambientais, nem em sua intenção, nem em seus efeitos. As áreas sacrificadas, como fenómeno global, servem aos interesses imperialistas.
Isso ressalta não apenas que a luta palestina é uma luta ambiental, mas também que a justiça ambiental é incompleta sem a luta pela descolonização da Palestina.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou nesta sexta-feira (5/05), em Genebra, na Suíça, o fim da Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional (ESPII) referente à COVID-19.
A decisão foi tomada pelo diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, após receber a recomendação do Comitê de Emergência encarregado de analisar periodicamente o cenário da doença.
Durante a 15ª sessão deliberativa do Comitê, na quarta-feira (4/05), seus membros destacaram a tendência de queda nas mortes por COVID-19, o declínio nas hospitalizações e internações em unidades de terapia intensiva relacionadas à doença, bem como os altos níveis de imunidade da população ao SARS-CoV-2, coronavírus causador dessa enfermidade.
O fim da Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional não significa que a COVID-19 tenha deixado de ser uma ameaça à saúde. A propagação mundial da doença continua caracterizada como uma pandemia, tendo tirado uma vida a cada três minutos apenas na semana passada. “O que essa notícia significa é que está na hora de os países fazerem a transição do modo de emergência para o de manejo da COVID-19 juntamente com outras doenças infecciosas”, destacou Tedros Adhanom.
O intelectual de renome mundial Jeffrey Sachs falará sobre “O Caminho para a Paz na Ucrânia”. Sachs foi duas vezes nomeado uma das 100 pessoas mais influentes do mundo pela Time e classificado pela The Economist entre os três economistas vivos mais influentes. será acompanhado pelo especialista da Universidade de Ottawa, Ivan Katchanovski, que fornecerá informações sobre o conflito na Ucrânia, bem como o contexto do papel do Canadá.
Histórico
Recentemente, o governo canadiano apelou à mudança de regime em Moscovo e opôs-se abertamente ao apelo da China a uma trégua e a negociações. Ao mesmo tempo, o Canadá doou mais de 2 mil milhões de dólares em armas à Ucrânia.
Juntamente com grandes quantidades de armas, o Canadá partilha informações militares críticas e treina tropas ucranianas, enquanto as forças especiais canadianas e antigas tropas operam na Ucrânia.
A guerra da Rússia é ilegal e brutal e Ottawa contribuiu para provocar este conflito horrível através do seu papel na promoção da expansão da NATO, ajudando a derrubar o presidente eleito Victor Yanukovich e na assistência militar que minou o acordo de paz de Minsk II.
É hora de o governo canadiano pressionar por uma trégua e negociações para acabar com os horrores.
Analistas
Jeffrey D. Sachs é professor e diretor do Centro para o Desenvolvimento Sustentável da Universidade de Columbia, onde dirigiu o Earth Institute de 2002 a 2016. Seu livro mais recente é 'The Ages of Globalization: Geography, Technology, and Institutions' ( 2020). Sachs foi duas vezes nomeado um dos 100 líderes mundiais mais influentes pela revista Time e foi classificado pela The Economist entre os três economistas vivos mais influentes.
Ivan Katchanovski é professor da Universidade de Ottawa e publicou quatro livros e numerosos artigos, incluindo “A extrema direita, o Euromaidan e o massacre de Maidan na Ucrânia” e “A origem oculta da escalada do conflito Ucrânia-Rússia”.
Objetivo é doar casas a famílias deslocadas. Campanha de crowdfunding do projeto Housing Now irá decorrer até ao final de abril.
Housing Now é o nome do projeto de habitação social que pretende construir casas de baixo custo em bambu no Mianmar (Birmânia), para depois doá-las a famílias deslocadas que vivem em condições precárias. O arquiteto português António Duarte é um dos fundadores deste projeto, e acaba de lançar uma campanha de crowdfunding (recolha de donativos) para financiar a construção de dez casas de baixo custo nesta região.
“Após o golpe militar de fevereiro [do ano passado] no Mianmar, mais 400.000 pessoas fugiram das suas casas e estão atualmente deslocadas internamente no país (...) Uma grande percentagem da população não tem acesso a uma habitação digna (...)”, lê-se na descrição do crowdfunding do Housing Now, um projeto do atelier de design Blue Temple.
O objetivo, segundo explica António Duarte ao P3, é angariar 15.000 euros para construir dez casas de bambu para deslocados, na região de Pago. “Por cada 1500 euros doados, nós construímos uma casa”, disse em entrevista à publicação.
“O financiamento recebido cobrirá os custos de construção, expedição e montagem das casas doadas no local; contratação de assistentes sociais locais que ajudarão na implementação do projeto, trabalhando em estreita colaboração com cada família”, explicam ainda na página de angariação de donativos. Além disso, uma pequena parte do lucro gerado “será usado para levar o projeto à próxima etapa do seu desenvolvimento, que será a produção em larga escala”.
Casas pré-fabricadas de bambu
Porquê o bambu? O objetivo será usar um recurso “abundante e pouco explorado”. “O bambu pode ser encontrado em grandes quantidades no mercado local, mas não é usado na construção”, referem.
O processo de construção será híbrido, ou seja, partes da casa são pré-fabricadas e transportáveis, enquanto outras são montadas no local trabalhando em conjunto com as comunidades locais.
Depois, e de acordo com as necessidades de cada família, o tamanho da casa pode variar ao longo do tempo, sendo também facilmente desmontável e transportada para outro local no futuro.
O parlamento confirmou hoje, em plenário, a decisão da Comissão de Transparência e Estatuto dos Deputados de recusar levantar a imunidade parlamentar à líder do BE, numa votação marcada por um protesto do Chega no hemiciclo.
O parecer elaborado pela socialista Isabel Moreira foi aprovado com os votos contra do Chega e a favor de todas as restantes bancadas e deputados.
Após a votação do parecer da comissão de Transparência, todos os deputados do Chega levantaram-se empunhando cartazes com a fotografia de Catarina Martins e a palavra “impunidade” por baixo, ao mesmo tempo que batiam nas mesas.
“Considero o gesto a que agora assistimos profundamente ofensivo e inaceitável num parlamento democrático”, afirmou, em seguida, o presidente da Assembleia da República, Augusto Santos Silva, recebendo um aplauso generalizado das restantes bancadas do hemiciclo.
No final da votação, a deputada única do PAN, Inês Sousa Real, salientou que concordava com o parecer relativo a Catarina Martins mas recordou que o parlamento já lhe levantou a imunidade para responder a uma ação de alegada difamação colocada pelo veterinário Joaquim Grave, sobre tauromaquia.
“Não ofendi absolutamente ninguém e esta Assembleia da República, com exceção do PSD, decidiu toda pelo levantamento da minha imunidade. Não tenho receio nenhum de ir a tribunal defender as minhas ideias, o que não posso aceitar é o precedente. Não há deputados de primeira e de segunda. Somos todos iguais nos nossos diretos e deveres”, disse.
Esta intervenção levou o socialista Pedro Delgado Alves a solicitar a distribuição dos dois pareceres em causa, a que o líder parlamentar do BE pediu que fosse acrescentado um terceiro sobre Mariana Mortágua e a que Ventura acrescentou o pedido sobre todos os pareceres quanto a deputados do Chega, dizendo que já foram levantadas imunidades até por participações em debates televisivos.
Momentos antes do início das votações, o deputado e líder do Chega, André Ventura, tinha apresentado uma reclamação contra a inclusão deste parecer na ordem do dia, que foi recusada pelo presidente do parlamento, tendo de seguida avançado com um recurso que foi também rejeitado por todas as bancadas do hemiciclo, com exceção do seu partido.
Ventura queria que a votação fosse retirada da ordem do dia “por violação flagrante da Constituição e do Regimento” que a Mesa “tem o dever de garantir”, disse, num tom elevado, que levou o presidente do parlamento, Santos Silva, a atirar: “escusa de levantar a voz que eu oiço”.
De seguida, o líder parlamentar do BE, Pedro Filipe Soares, interveio para vincar que “em nenhum momento a deputada Catarina Martins, como é seu apanágio, referiu que não pretendia ou que se recusava ao levantamento da imunidade”.
Pedro Delgado Alves, do PS, salientou que o artigo 27.º do Estatuto dos Deputados estabelece “que quando um deputado tem um interesse particular numa matéria deve previamente declará-lo antes de usar da palavra no plenário”.
“E esta matéria não é irrelevante. Porque o queixoso da queixa-crime contra a senhora deputada Catarina Martins são os 12 deputados do Chega”, disse, acusando Ventura estar a usar “um processo criminal com fins políticos e partidários”, numa intervenção que foi aplaudida por comunistas e bloquistas.
Pelo PSD, Emília Cerqueira lembrou o caso do levantamento da imunidade parlamentar da deputada única do PAN, recordando que votou contra esse parecer.
“Porque nós entendemos que mesmo discordando profundamente daquelas que são as afirmações na luta política temos o direito de as dizer. E é esta defesa da instituição, da Assembleia da República e da democracia que faz com que nós, quando se trata de opinião política e do combate político, mesmo que estejamos em absoluto confronto com ela, achamos que tem o direito de o dizer”, frisou.
O Chega pretendia que a deputada fosse ouvida e constituída arguida no âmbito de uma queixa apresentada pela sua bancada, acusando a líder do BE de difamação na sequência de declarações proferidas na noite das últimas eleições legislativas, há um ano.
Na altura, Catarina Martins afirmou, referindo-se ao Chega, que “cada deputado racista eleito no parlamento português é um deputado racista a mais”.
Nas conclusões do parecer lê-se que estas declarações “foram proferidas no contexto de confronto político-partidário, pelo que o levantamento da imunidade parlamentar teria a virtualidade de limitar o livre exercício do mandato parlamentar da senhora deputada Catarina Martins”.
No documento, refere-se também que este caso enquadra-se naqueles em que o levantamento da imunidade não é obrigatório e que a coordenadora do BE se pronunciou pelo não levantamento.