quinta-feira, 27 de dezembro de 2018

Futuro da humanidade depende das árvores, a “verdadeira fábrica do solo”



Há mais de 40 anos, Jean-Philippe Beau-Douëzy, ecologista e engenheiro consultor na área do ambiente, iniciou-se naquela que viria a ser a sua luta pela conservação da natureza. Hoje, quer continuar a plantar árvores nativas porque diz serem o futuro da humanidade. Há 11 anos que trabalha na Fundação Yves Rocher, em França, onde é administrador do programa Plant for the Planet que consiste na plantação de 100 milhões de árvores em vários continentes com o objectivo de combater a erosão do solo, a perda de biodiversidade e recursos hídricos e para ajudar a agricultura local.

Philippe Beau-Douëzy, que esteve recentemente no Porto, já percorreu vários pontos do planeta. Passou pelo Sara, pelo Mediterrâneo, mas foi na Amazónia brasileira – onde chegou a ser baptizado por índios – que ganhou um novo pressuposto: o de lutar pela sua conservação. Em 1992, participou na Cimeira da Terra no Rio de Janeiro, mas, antes disso, em 1978, já organizava um dos primeiros simpósios com o tema Invenção Social e Ecologia Urbana, conceitos de que tanto se fala hoje em dia.

Toda a entrevista aqui

segunda-feira, 24 de dezembro de 2018

terça-feira, 18 de dezembro de 2018

Palestra- "Ecocide crime: a crime of our time" por Polly Higgins


A carreira de Polly começou como advogada em Londres, antes de assumir o manto de um cliente, a Terra. Na última década, ela defendeu a lei Ecocídio, uma lei para proteger a Terra, para ficar ao lado dos crimes de atrocidade existentes. Seu foco atual é o ecocídio climático, examinando as evidências para estabelecer se tal crime existe.

Como protegemos nossa Terra? O recente IPCC relata que para obter um limite de 1,5ºC exigirá “mudanças rápidas, de longo alcance e sem precedentes”. A lei pode proteger nossa Terra? Polly falará sobre como um crime internacional de ecocídio climático enfrenta o desafio de nosso tempo, como todos podemos enfrentar o desafio e permanecer como protetores conscientes e, ao fazê-lo, agilizar uma lei que tenha a possibilidade de evitar o colapso climático.

Wasted Waste – a verdade sobre o desperdício alimentar [documentário completo]



Diariamente são desperdiçados 3,6 milhões de quilogramas de comida em todo o mundo, sendo que 870 milhões de pessoas poderiam ser alimentadas apenas com este desperdício. Cerca de 800 milhões de pessoas passam fome no nosso planeta.

1/3 dos alimentos produzidos mundialmente vão parar ao lixo, quando 198 mil hectares foram usados para produzir toda a comida desperdiçada.

Este documentário é sobre estilos de vida individuais com repercussões conscientes no coletivo. Porque do ponto de vista da Natureza não existe desperdício. É a simbiose da vida. Um todo constituído de variáveis interdependentes, cada uma com a sua causa e reação.

O freeganismo é um estilo de vida alternativo baseado no boicote ao capitalismo, com vista a diminuir o impacto causado no ambiente e rejeitando qualquer forma de exploração humana e animal. Fazem-no através do consumo limitado e consciente de recursos, bem como do resgate (aproveitamento) do desperdício. Não por necessidade, mas por acreditarem que a sociedade produz acima das suas necessidades e possibilidades, com vista a dar continuidade a uma sociedade de consumo e crescimento ilusório. 

“Para o consumidor comum, aquilo que mais aconselho do que aprendi, é a fazermos cada vez mais uma compra planeada. Sabermos o que precisamos realmente, não comprarmos acima das nossas possibilidades, comprarmos localmente, evitarmos grandes superfícies, tomarmos conhecimento de como, quem e de onde os nossos produtos vieram. E acima de tudo, consumir menos e reaproveitar mais. O mundo não suporta mais este estilo de vida baseado num crescimento ilusório à custa de recursos que são finitos. Pensarmos mais do ponto de vista da Natureza e menos do ponto de vista do capital” disse Pedro Serra, realizador de Wasted Waste, numa entrevista que deu ao UniPlanet.

Wasted Waste
Realizado e produzido por Pedro Serra
84 minutos
2018

domingo, 16 de dezembro de 2018

Encontros Improváveis - António Ramos Rosa e Shipunova Irina


O Jardim
Consideremos o jardim, mundo de pequenas coisas,
calhaus, pétalas, folhas, dedos, línguas, sementes. 
Sequências de convergências e divergências, 
ordem e dispersões, transparência de estruturas, 
pausas de areia e de água, fábulas minúsculas.

Geometria que respira errante e ritmada,
varandas verdes, direcções de primavera,
ramos em que se regressa ao espaço azul,
curvas vagarosas, pulsações de uma ordem
composta pelo vento em sinuosas palmas.

Um murmúrio de omissões, um cântico do ócio.
Eu vou contigo, voz silenciosa, voz serena.
Sou uma pequena folha na felicidade do ar.
Durmo desperto, sigo estes meandros volúveis.
É aqui, é aqui que se renova a luz.

António Ramos Rosa, in "Volante Verde"
Pintura: Шипунова Ирина

sexta-feira, 14 de dezembro de 2018

“A Base de um cérebro saudável é a BONDADE” – Richard Davidson


Foto e notícia aqui
Dr Richard Davidson, acredita na gentileza, na ternura e na bondade, mas temos que ser treinados para isso.

Nascido em Nova Iorque, atualmente reside em Madison, Wisconsin (EUA). Dr Richard é PhD em neuropsicologia e pesquisador na área de neurociência afetiva.

Atualmente é professor na Universidade de Winsconsin, onde ministra aulas de psicologia e psiquiatria.

Estava investigando os mecanismos cerebrais ligados à depressão e à ansiedade.
…E acabou fundando o Centro de Investigação de Mentes Saudáveis.

“Quando eu estava no meu segundo ano na Universidade de Harvard, a meditação cruzou o meu caminho e fui para a Índia investigar como treinar a minha mente. Obviamente, meus professores disseram que eu estava ficando louco, mas aquela viagem marcou meu futuro.”

…E assim que começam as grandes histórias.
Descobri que uma mente calma pode produzir bem-estar em qualquer tipo de situação. E quando me dediquei a investigar, por meio da neurociência, quais são as bases para as emoções, fiquei surpreso de ver como as estruturas do cérebro podem mudar em tão somente duas horas.

Em duas horas!
Hoje podemos medir com precisão. Levamos meditadores ao laboratório; e antes e depois da meditação, tiramos uma amostra de sangue deles para analisar a expressão dos genes.

E a expressão dos genes muda?
Sim. E vemos como as zonas com inflamação ou com tendência à inflamação tinham uma abrupta redução disso. Foram descobertas muito úteis para tratar a depressão. Contudo, em 1992, conheci o Dalai Lama e minha vida mudou.

Um homem muito encorajador.
“Admiro seu trabalho – ele me disse -, mas acho que você está muito centrado no estresse, na ansiedade e na depressão. Nunca pensou em focar suas pesquisas neurocientíficas na gentileza, na ternura e na compaixão?”.

Um enfoque sutil e radicalmente distinto.
Fiz a promessa ao Dalai Lama de que faria todo o possível para que a gentileza, a ternura e a compaixão estivessem no centro da pesquisa. Palavras jamais citadas em um estudo científico.

O que você descobriu?
Que há uma diferença substancial entre empatia e compaixão. A empatia é a capacidade de sentir o que sentem os demais. A compaixão é um estado superior. É ter o compromisso e as ferramentas para aliviar o sofrimento.

E o que isso tem a ver com o cérebro?
Os circuitos neurológicos que levam à empatia ou à compaixão são diferentes.

E a ternura?
Forma uma parte do circuito da compaixão. Umas das coisas mais importantes que descobri sobre a gentileza e a ternura é que se pode treiná-las em qualquer idade. Os estudos nos dizem que estimular a ternura em crianças e adolescentes, melhora os resultados acadêmicos, o bem-estar emocional e a saúde deles.

E como se treina isso?
Primeiro, levando a mente deles até uma pessoa próxima, que eles amam. Depois, pedimos que revivam um momento em que essa pessoa estava sofrendo e que cultivem o desejo de livrar essa pessoa do sofrimento. Logo, ampliamos o foco para pessoas não tão importantes e, por fim, para aquelas que os irritam. Estes exercícios reduzem substancialmente o bullying nas escolas.

Da meditação à ação há uma distância.
Umas das coisas mais interessantes que tenho visto nos circuitos neurais da compaixão é que a área motora do cérebro é ativada: a compaixão te capacita para agir, para aliviar o sofrimento.

Agora você pretende implementar no mundo o programa Healthy Minds (mentes saudáveis).
Esse foi outro desafio que o Dalai Lama me deu, e temos elaborado uma plataforma mundial para disseminá-lo. O programa tem quatro pilares: a atenção; o cuidado e a conexão com os outros; o contentamento de ser uma pessoa saudável (fechar-se nos próprios sentimentos e pensamentos é uma das causas da depressão)…

…É preciso estar aberto e exposto.
Sim. E, por último, ter um propósito na vida. Que é algo que está intrinsecamente relacionado ao bem-estar. Tenho visto que a base para um cérebro saudável é a bondade. E treinamos a bondade em um ambiente científico, algo que nunca tinha sido feito antes.

Como podemos aplicar esse treinamento em nível global?
Por meio de vários setores: educação, saúde, governo, empresas internacionais…

Por meio desses que têm potencializado este mundo de opressão em que vivemos?
Tem razão. Por isso, sou membro do conselho do Foro Económico Mundial de Davos. Para convencer os líderes de que é preciso levar às pessoas o que a ciência sabe sobre o bem-estar.

E como convencê-los?
Por meio de provas científicas. Tenho mostrado a eles, por exemplo, o resultado de uma pesquisa que temos realizado em diversas culturas diferentes: se interagirmos com um bebé de seis meses usando fantoches, sendo que um deles se comporta de forma egoísta e o outro de forma amável e generosa, 99% dos bebés prefere o boneco que coopera.

Cooperação e amabilidade são inatas.
Sim, mas são frágeis. Se não são cultivadas, se perdem. Por isso, eu, que viajo muitíssimo (o que é uma fonte de estresse), aproveito os aeroportos para enviar mentalmente bons desejos a todos com quem cruzo no caminho, e isso muda a qualidade da experiência. O cérebro do outro percebe isso.

Em apenas um segundo, seguem o seu exemplo.
A vida é só uma sequência de momentos. Se encadearmos essas sequências, a vida muda.

Hoje, mindfulness (atenção plena) tornou-se um negócio.
Cultivar a gentileza é muito mais efetivo do que se centrar em si mesmo. São circuitos cerebrais distintos. A meditação em si não interessa para mim. O que me importa é como acessar os circuitos neurais para mudar o seu dia-a-dia, e sabemos como fazer isso.

Ciência e Gentileza
A pesquisa de Richard Davidson está centrada nas bases neuronais da emoção e nos métodos para promover, por meio da ciência, o florescimento humano, incluindo a meditação e as práticas contemplativas. Ele fundou e preside o Centro de Investigação de Mentes Saudáveis na Universidade de Wisconsin-Madison, onde são realizadas pesquisas interdisciplinares com rigor científico sobre as qualidades positivas da mente, como a gentileza e a compaixão.

Richard Davidson já acumula prémios importantes e é considerado uma das cem pessoas mais influentes do mundo, segundo a revista Time. É autor de uma quantidade imensa de pesquisas e tem vários livros publicados. Ele conduziu um seminário para estudos contemplativos em Barcelona.

* Nota: As informações e sugestões contidas neste artigo têm caráter meramente informativo. Elas não substituem o aconselhamento e acompanhamentos de médicos, nutricionistas, psicólogos, profissionais de educação física e outros especialistas.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

COP24: a Grande Muralha Verde que deve atravessar a África


Há mais de uma década um projeto procura devolver a vida às paisagens degradadas da África numa escala sem precedentes. A ambição é construir um muro de árvores de 8 mil km que atravesse o continente de leste a oeste.

A chamada “Grande Muralha Verde” deve ir do Djibuti, um país que fica no nordeste da África até à cidade de Dakar, no Senegal. Quando completada, ela será a maior estrutura viva no planeta.

Muro

O muro ecológico está sendo implementado em mais de 20 países e mais de 8 biliões de dólares foram coletados ou prometidos em apoio ao projeto. A ideia é que o muro transforme as vidas de milhares de pessoas que sofrem com a desertificação e a mudança climática nas regiões do Sahel e do Saara.

De acordo com a ONU, a expectativa é de que ele possa ajuda na solução de muitas ameaças que castigam as comunidades da região, como a seca, a fome, os conflitos e a migração.

Visão

O cientista responsável pela Convenção das Nações Unidas para o Combate à Desertificação, Barron Joseph Orr, explicou que “a iniciativa representa uma visão que começou há algum tempo”. Nessa altura a questão era se seria possível tentar “lidar explicitamente com a área e mudar tudo, não em um ou dois lugares, mas em todo o horizonte.”

Orr participa da Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, COP24, na cidade de Katowice, na Polónia.

O cientista contou que a intensão inicial era transformar a área em “algo verde”, plantando árvores, mas na verdade o que o projeto tenta fazer é “criar um valor agregado para as pessoas que vivem nessas terras, não apenas plantando árvores, mas fazendo de uma forma ligada à economia que sirva para sustentar a subsistência delas e de futuras gerações."

Mudanças

No Senegal, em menos de uma década, já foram plantadas 12 milhões de árvores resistentes à seca. No Níger, nos 5 milhões de hectares de terra já recuperados são agora produzidas 500 mil toneladas de grãos por ano. Na Etiópia, 15 milhões de hectares de terras degradadas foram reabilitadas.

Para Orr, o “sentimento geral é de que que se está caminhando em direção à meta, que é muito grande, são 100 milhões de hectares de terra que estão sendo recuperados." De acordo com o cientista, a expectativa é de que o projeto esteja concluído até 2030 e que com ele, 10 milhões de empregos verdes sejam criados.

Parceria

A iniciativa, liderada pela União Africana, teve a colaboração de muitas organizações como o Banco Mundial, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura, FAO, e a ONU Meio Ambiente.

Orr explicou também que além deste projeto no Sahel, a União Africana prevê expandir a iniciativa até o sul do continente e existem também outros projetos semelhantes ao redor do planeta, como um relacionado à Rota da Seda na China.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

Dia de Clarice Lispector (nascida em 10 de Dezembro 1920)


"Havia a levíssima embriaguez de andarem juntos, a alegria como quando se sente a garganta um pouco seca e se vê que por admiração se estava de boca entreaberta: eles respiravam de antemão o ar que estava à frente, e ter esta sede era a própria água deles.
Andavam por ruas e ruas falando e rindo, falavam e riam para dar matéria peso à levíssima embriaguez que era a alegria da sede deles.
Por causa de carros e pessoas, às vezes eles se tocavam, e ao toque - a sede é a graça, mas as águas são uma beleza de escuras - e ao toque brilhava o brilho da água deles, a boca ficando um pouco mais seca de admiração.
Como eles admiravam estarem juntos!
Até que tudo se transformou em não. Tudo se transformou em não quando eles quiseram essa mesma alegria deles. Então a grande dança dos erros. O cerimonial das palavras desacertadas. Ele procurava e não via, ela não via que ele não vira, ela que, estava ali, no entanto. No entanto ele que estava ali. Tudo errou, e havia a grande poeira das ruas, e quanto mais erravam, mais com aspereza queriam, sem um sorriso. Tudo só porque tinham prestado atenção, só porque não estavam bastante distraídos. Só porque, de súbito exigentes e duros, quiseram ter o que já tinham. Tudo porque quiseram dar um nome; porque quiseram ser, eles que eram. Foram então aprender que, não se estando distraído, o telefone não toca, e é preciso sair de casa para que a carta chegue, e quando o telefone finalmente toca, o deserto da espera já cortou os fios. Tudo, tudo por não estarem mais distraídos."

Conto "Por Não Estarem Distraídos" de Clarice Lispector retirei-o do livro "A Descoberta do mundo: crônicas." Rio de Janeiro, Ed. Nova Fronteira, 1984, p. 508.

Maior Banco de Sementes em Portugal preserva mais de 1/3 da Flora Portuguesa

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Fatores como as alterações climáticas, os desastres naturais, o aumento da poluição, a exploração excessiva dos solos e a interferência do homem no habitat natural, estão a mudar a flora a nível global e os seus padrões de distribuição, atingindo toda a Europa, inclusive a flora portuguesa que enfrenta atualmente muitas ameaças.
Existe em Portugal, um Banco de Sementes, que trabalha desde 2001 na conservação e proteção de várias espécies ameaçadas. 
O Banco de Sementes A.L. Belo é o maior e mais antigo banco de sementes de espécies autóctones em Portugal Continental. Neste banco os tesouros são as mais de 3700 amostras de sementes, que agregam mais de 1200 espécies e subespécies de plantas de Portugal. 
Estas espécies ficam guardadas num ‘cofre’ sob a forma de um frigorífico de quatro metros quadrados. Com temperaturas que podem atingir os 18 graus negativos, este frigorífico preserva mais de 1/3 da flora portuguesa e cerca de 60% das espécies protegidas de Portugal Continental. Este processo acontece sob a vigilância de vários técnicos que realizam os processos de identificaçãoanálise e preservação.
O Banco de sementes dispõe ainda de câmaras de germinação, onde quando é necessário, são colocadas sementes e se “imitam” as condições da natureza, como por exemplo: as horas de dia e da noite, a temperatura e a humidade que a planta precisa.
Este banco de sementes que é membro nacional do ENSCONET-The European Native Seed Conservation Network, consórcio europeu que reúne 30 bancos de sementes, aplica normas internacionais na recolha e conservação de sementes de forma a maximizar a qualidade, a longevidade e a diversidade genética.
Os técnicos afirmam que “milhares de sementes de uma só espécie podem manter-se vivas durante dezenas ou centenas de anos”.

Processo de preservação e conservação

Segundo Maria Manuela Sim-Sim, curadora deste banco de sementes, grande parte da flora portuguesa é dominada por plantas herbáceas e arbustos, estando as árvores em menor número.
As sementes chegam ao laboratório onde são limpas e sujeitas a um mês de secagem. Só depois é que as amostras são colocadas e guardadas em tubos de vidro tapados com algodão e sílica-gel, além do seu aprovisionamento com parafina. As sementes são divididas em três áreas: ortodoxas, intermédias e recalcitrantes.
As sementes ortodoxas retêm a sua viabilidade por um longo período de tempo, ou seja, com baixo conteúdo hídrico e temperaturas abaixo de zero.
As sementes recalcitrantes toleram apenas uma secagem parcial e nunca valores inferiores a 18-45% ou temperaturas muito abaixo dos 0 Cº.
As sementes intermédias podem tolerar baixos conteúdos hídricos, mas não suportam temperaturas negativas”.

Nos últimos anos, o Banco de Sementes deu prioridade à conservação de espécies ameaçadas contribuindo assim para o cumprimento em Portugal da meta 8 da Estratégia Global para a Conservação das Plantas que recomenda a conservação de 75% das espécies ameaçadas no país de origem até 2020.
Como parte dessa estratégia, foi estabelecido em 2008 um Protocolo de colaboração com o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), que permite o planeamento e a conservação das espécies ameaçadas da Flora Portuguesa.
Para a curadora do banco, “a salvaguarda desta diversidade para o futuro a longo prazo é um desafio cada vez mais urgente para os portugueses”.
Portugal caracteriza-se pela diversidade da sua flora, onde coexistem espécies atlânticaseuropeias, mediterrânicas e africanas, mas Maria Manuela afirma que “a perda de biodiversidade é uma realidade” e que “existe uma significativa percentagem de espécies ameaçadas de extinção”. Conclui dizendo que “gostaria de chegar a 2020 com 75% da flora ameaçada salvaguardada”.
A conservação das espécies ameaçadas é uma prioridade e permite implementar em Portugal a Estratégia Global para a Conservação das Plantas. Esta coleção de sementes constitui assim, um seguro contra a extinção das plantas no seu habitat natural, disponibilizando sementes para a reabilitação de habitats e a reintrodução de espécies ou reforço das suas populações.

domingo, 9 de dezembro de 2018

Encontros Improváveis: Fernando Pessoa e René Magritte

Magritte, The Song of the Violet (1951)
"Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos." ~ Fernando Pessoa

sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental

Foto e notícia aqui


Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental’ ainda não está concluída, mas os resultados da avaliação preliminar feita até agora permitem perceber que mais de metade das plantas vasculares (espécies da flora com vasos que transportam seiva para alimentar as células) nativas do continente português estão em risco de desaparecerem. Das cerca de 630 plantas já catalogadas no projeto liderado pela Sociedade Portuguesa de Botânica, 381 estão em risco, um quinto das quais “criticamente em perigo”, e 24 já se extinguiram em solo português.

Nesta lista incluem-se flores, árvores, fetos ou arbustos. Entre as que estão à beira da extinção, os investigadores destacam a Onosma tricerosperma (ver foto) uma planta cujo único núcleo populacional português (com apenas 20 “indivíduos”) existe apenas num local na região de Beja, depois de um outro ter sido destruído recentemente devido à instalação de um pomar.

Aliás, “a expansão e intensificação agrícola é efetivamente uma das ameaças mais graves que recaem sobre a flora do nosso país, afetando quase um terço das plantas avaliadas no projeto”, sublinha a Sociedade Portuguesa de Botânica, apontando o dedo ao olival e a outras culturas intensivas de regadio que estão a invadir o Alentejo e o Algarve.

À intensificação agrícola, juntaram-se as alterações no uso do solo associadas à expansão urbanística num “cocktail” explosivo para a extinção das 24 espécies identificadas. Entre estas constam a Armeria neglecta e Armeria arcuata (um pequeno arbusto que habitava exclusivamente clareiras de matos do Baixo Alentejo), a Ononis hirta, ou a Epipactis palustris, uma orquídea que outrora habitava prados húmidos nas regiões do Douro e Beira Litoral. Ver mais aqui.

Outra das plantas em declínio acentuado é o feto aquático Marsilea quadrifolia, mais conhecido como trevo-de-quatro-folhas, cujo último núcleo populacional conhecido em Portugal estava localizado perto da foz do rio Corgo, em Trás-os-Montes, mas não é observado desde 2014. Este feto ainda não foi declarado extinto, mas poderá vir a sê-lo se continuar a não ser visto até 2027. Também criticamente em perigo está o Narcisus cavanillessii, uma espécie de narciso que perdeu 80% da população nacional.

REDESCOBERTA DA VIOLETA HIRTA

Mas não há só extinções, já que se descobriram plantas novas ou que já se julgavam extintas, como a Viola hirta, um tipo de violeta que não se via desde a década de 90 do século XX e que foi reencontrada em Trás-os-Montes.

O projeto conta também com a coordenação da Associação Portuguesa de Ciência da Vegetação (PHYTOS) e a parceria do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, e a colaboração de botânicos amadores.

O trabalho de levantamento da "Lista Vermelha das Plantas Vasculares" começou em 2016 e deverá estar concluído até junho de 2019. Na Europa, apenas Portugal, Macedónia e Montenegro não dispõem de Listas Vermelhas da Flora, quando os outros já vão na sua segunda ou terceira revisão.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

COP24 Virtual Panel: Food-Focused Climate Solutions


Erin Biehl from the Johns Hopkins Center for a Livable Future discusses how consumers can take a bite out of climate change as part of a virtual panel series for COP24 in Katowice, Poland. 

Learn more at these links: 

Saber mais

Genética sugere que nós e os neandertais nos reproduzimos várias vezes


Ainda falta saber muito sobre a relação da nossa espécie – Homo sapiens – com os neandertais, outro grupo de humanos. Ou melhor: ainda há muitos mistérios sobre as relações que os humanos modernos tiveram com os neandertais. Afinal, num estudo publicado na última edição da revista científica Nature Ecology & Evolution, dois cientistas dos Estados Unidos defendem que os neandertais e os humanos anatomicamente modernos se cruzaram – ou seja, reproduziram-se – várias vezes ao longo de dez mil anos.

Se hoje os humanos modernos estão praticamente em todo o planeta, há menos de 100 mil anos estavam confinados a África. Nessa altura, já os neandertais e os denisovanos (outros humanos) habitavam o Oeste e o Leste da Eurásia, respectivamente. “Quando grupos de humanos anatomicamente modernos começaram a espalhar-se para fora de África, todas essas populações se encontraram”, escreve Fabrizio Mafessoni – do Instituto Max Planck, na Alemanha, e que não fez parte do trabalho – num comentário também publicado na Nature Ecology & Evolution sobre este estudo.

As marcas desses encontros estão registadas no nosso ADN. Em 2010, depois de uma sequenciação com grande qualidade do genoma de uma mulher neandertal, revelou-se que os humanos modernos (de origem não africana) tinham entre 1% e 4% de ADN neandertal. Mais tarde, em 2017, publicou-se a sequenciação de um segundo genoma de outra mulher neandertal e essas percentagens foram actualizadas. Se antes desse estudo se tinha concluído que as populações não africanas actuais da nossa espécie tinham no genoma entre 1,5% e 2,1% de ADN neandertal, passou a saber-se que temos mais ADN neandertal do que pensávamos: será entre 1,8% e 2,6%.

Artigo completo aqui

terça-feira, 4 de dezembro de 2018

Estradas, uma ameaça à vida selvagem

Foto e notícia aqui


Todos os dias, biólogos da Universidade de Évora percorrem as estradas da região à procura de animais mortos na estrada. O projeto LifeLinesquer saber qual o impacto das rodovias na mortalidade dos animais selvagens e o que pode ser feito para a evitar.

Luís Sousa sintoniza o rádio da carrinha branca para ter companhia. Ao mesmo tempo despontam os primeiros raios de Sol sobre Évora. Às 07h00 de uma sexta-feira de Outubro, o biólogo de 30 anos prepara-se para mais um dia de trabalho no projecto LifeLines. O café da bomba de combustível, junto à rotunda do Raimundo, foi essencial.

Hoje vai fazer três trajectos à procura de animais selvagens que morreram atropelados. “Seria bom não encontrar nenhum”, desabafa.

A carrinha começa por percorrer a estrada que liga Évora a Estremoz, sempre pela berma, com os quatro piscas ligados e sem passar dos 20 km/h de velocidade.

A primeira vítima surge ao quilómetro 9. É uma pequena ave, já em estado avançado de decomposição. Luís Sousa sai do carro, observa o cadáver no chão e insere no tablet informação sobre o animal e o local onde se encontra. A tecnologia permite que aquelas notas se juntem à Base de Dados Nacional de Atropelamentos de Fauna onde, 365 dias por ano, um dos computadores da Unidade de Biologia da Conservação (UBC) da Universidade de Évora regista este tipo de informações.

O projeto LifeLines começou em Agosto de 2015 e terminará em Julho de 2020. O grande objectivo é “atenuar problemas para a preservação da biodiversidade que se colocam hoje em dia sobre estradas e que têm aumentado no último século”, explica António Mira, coordenador do projecto e professor na Universidade de Évora. O projeto avalia, experimenta e promove medidas para diminuir os efeitos negativos de infraestruturas lineares, como estradas, em várias espécies de aves, mamíferos, anfíbios e répteis, desde ginetas, corujas a cobras, ratinhos e pequenas aves. Outro dos objectivos é desenvolver uma infraestrutura verde para ajudar a conservar a biodiversidade da região.

Mas para isso é essencial o trabalho de campo de Luís Sousa. O biólogo está a fazer agora a estrada que liga Estremoz a Montemor-o-Novo.

Ao fim de 21,4 quilómetros avista o segundo animal morto. Trata-se de um rato-de-Cabrera. O cadáver do pequeno roedor é levado para junto da carrinha onde, com um pequeno bisturi, o biólogo retira duas pequenas amostras e coloca-as em dois tubos com uma solução de preservação, para mais tarde serem analisadas em laboratório. O corpo do animal é devolvido à natureza e Luís Sousa volta à carrinha, onde volta a inserir os dados no tablet.

“Sou um apaixonado pela natureza”, conta este biólogo. “Tive a sorte de ter crescido num ambiente rural, o que me proporcionou um contacto próximo com o campo e os animais.”

Luís Sousa sempre soube que queria ser biólogo. Após concluído o mestrado, surgiu a oportunidade de integrar o projeto LifeLines. “Apesar de ter que me confrontar com os animais mortos nas estradas, o que me motiva é o desenvolvimento e aplicação de medidas que ajudem na preservação das espécies.”

Apenas um quilómetro depois, Luís Sousa encontra uma pequena ave, outra vítima mortal. Ao aproximar-se, percebe que é uma fêmea de toutinegra-de-cabeça-preta. O pequeno corpo da ave está em perfeito estado e, à semelhança do anterior, é devolvido à natureza.


Estradas, barreiras físicas para muitos animais

O problema do atropelamento de animais selvagens foi debatido no início do ano na Assembleia da República, levando à aprovação de três projectos de Resolução com medidas para o solucionar, apresentados pelo BE, PEV e PAN. Estima-se que todos os anos morram em Portugal cerca de 120 animais em cada quilómetro de estrada, desde o lobo-ibérico à coruja-das-torres, segundo o deputado André Silva, do PAN.

As estradas são barreiras físicas para muitos animais e têm um impacto no isolamento populacional e genético de espécies. Além disso, fragmentam zonas importantes para a alimentação e reprodução de muitos animais selvagens.

Talvez tenha sido isso o que aconteceu a este chapim-azul juvenil que Luís Sousa encontra morto ao quilómetro 22,9.

O relógio marca agora 10h00. Estão percorridos 35 quilómetros e Luís Sousa faz uma pausa num café na berma da estrada perto de Arraiolos. É um lugar habitual de paragem. Luís Sousa vai à procura das suas “fantásticas empadas” e de um chá frio de limão. E de outro café que o ajudará a concluir o dia de trabalho.

Este terceiro percurso faz a ligação entre Montemor-o-Novo e Évora. O céu azul, limpo, conjuga-se com os campos onde dominam os tons castanhos, apenas ponteados de verde por algumas árvores e plantas.

O lixo amontoado pela berma da estrada às vezes leva a erros. Como uma casca de banana que obriga o biólogo a parar, desconfiado de que seria mais um animal morto na estrada.

É ao fim de 10 quilómetros que encontra o quinto animal morto. “Desta vez é uma cobra-de-ferradura, ainda juvenil, que tem este nome por causa de uma mancha escura em forma de ferradura depois da cabeça.”

O sol sente-se cada vez mais forte e o cansaço já pesa. São 12h15 quando Luís Sousa chega ao fim do terceiro e último percurso.

Luís Sousa percorreu três estradas nacionais, num total de 100.8 quilómetros em 4 horas 15 minutos. “Este foi um bom dia porque apanhámos apenas cinco animais mortos”, afirma Luís Sousa.

Amanhã será um novo dia. O mesmo trajeto será percorrido por outro biólogo, Tiago Pinto, que irá procurar os animais mortos por estas estradas do interior alentejano.

Saiba mais

O projecto LifeLines, com um orçamento total de 5.540,485 euros, é co-financiado pelo programa europeu LIFE.

São parceiros do projecto as Universidades de Évora, do Porto e de Aveiro, as Câmaras Municipais de Évora e Montemor-o-Novo, a Infraestruturas de Portugal e a Marca – Associação de Desenvolvimento Local.

100 Anos da História Ambiental de Portugal

A História Ambiental do país é breve e rica em conquistas. Conheça os marcos no ambientalismo de Portugal

São praticamente inexistentes os registos seculares de medidas de proteção do ambiente, ou de um sinal de preocupação ou uma consciência ambiental. Avançamos, então, até ao século XIII, à plantação do pinhal de Leiria.

Três reis tiveram um papel fundamental para a existência do pinhal: D. Sancho II, a quem se atribui a decisão de começar a plantar pinheiros, D. Afonso III, que efetivamente ordenou a plantação como forma de proteger a cidade, os terrenos agrícolas e travar a degradação das dunas, e ainda D. Dinis I, a quem o pinhal é associado.

Descobrimentos e Lei das Árvores

A altura dos Descobrimentos foi a época em que a floresta Portuguesa mais sofreu: era necessária matéria-prima para construir, e as árvores autóctones foram sendo abatidas. Apesar de tudo, os reis sempre tiveram alguma espécie de consciência de que era necessário repor as árvores abatidas.

O primeiro marco digno de nota remonta a 1516: foi proclamada a Lei das Árvores. Esta lei dizia “Que se prantem árvores para madeira.” e promovia a reflorestação de terrenos baldios com pinheiros, carvalhos e castanheiros.

Os Séculos Negros para a Floresta

Vem o século XVIII, e no reinado de D. João V – a quem é atribuída a criação da Mata dos Medos - vivemos a época de maior desarborização do país, com a expansão das culturas de cereal e das vinhas.

No século seguinte, figurava na Constituição  de  1822, o  dever  das  câmaras  municipais  em plantarem árvores em terrenos concelhios e em baldios. Em 1892, um decreto lei falava em sanções pela contaminação das águas.

Apesar das boas notícias, no ano de 1834 foram abolidas as áreas de proteção de florestas públicas, aumentando novamente a desflorestação. Apesar disto, os Serviços Florestais, nas décadas seguintes, reflorestaram gradualmente com pinheiro e eucalipto.

O Apelo de Um Poeta para a Proteção da Natureza

Durante os reinados seguintes, e até ao século XX, uma série de eventos europeus, nacionais e até ambientais foram destruindo cada vez mais a floresta portuguesa. Destruição esta que, apesar da criação em 1918 do Ministério da Agricultura que tratava dos assuntos do ambiente, se tentava colmatar com medidas de curta duração.

Porém, no ano de 1947, um poeta pedia socorro pela Mata de Solitários da Serra da Arrábida. Sebastião da Gama escreveu uma carta para a Direção-Geral dos Serviços Agrícolas, depois remetida para o Instituto Superior de Agronomia, a denunciar a iminente desmatação da Serra da Arrábida.

Devido a este apelo, no ano seguinte, em 1948, criou-se a Liga para a Proteção da Natureza (LPN). A LPN, nascida a 28 de julho, era a primeira organização dedicada à conservação da natureza de toda a Península Ibérica.

Este foi, em boa verdade, um evento que marcou o início da História Ambientalista de Portugal. Apesar da criação da LPN, a política ambiental ainda não era uma realidade em Portugal, e o governo da altura rejeitou a inclusão da educação ambiental nos currículos escolares.

As Épocas Prolíferas para o Ambientalismo

Os que amavam o ambiente, entre eles, a LPN, não desistiram e continuaram a tentar mudar mentalidades e incutir políticas ambientais no país. Ao mesmo tempo, a consciência ecológica crescia em todo o Mundo, especialmente nos EUA.

O ano de 1970 chegou e com ele muitas mudanças a nível mundial. Portugal não foi exceção. Aproveitando a classificação de “Ano Europeu da Conservação da Natureza”,  a LPN pressionou uma lei que regulasse a criação de áreas protegidas: a Lei de Conservação da Natureza.

Logo no ano seguinte, 1971, se nascia a primeira área protegida de Portugal: o Parque Nacional da Peneda-Gerês, a par da Comissão Nacional do Ambiente (CNA). Só cinco anos mais tarde Portugal teria a segunda área protegida, o Parque Natural da Serra da Arrábida, criado em 1976, e a terceira em 1979, o Parque Natural de Montesinho. O Dia Mundial do Ambiente, foi celebrado em Portugal, pela primeira vez, a 5 de junho de 1973, na primeira grande iniciativa da CNA.

Décadas de 80 e 90 e a Legislação

Os anos 1980 e 1990 foram de extrema importância para a legislação e criação de medidas de proteção da Natureza. Foi nestes vinte anos que se fizeram as primeiras Avaliações de Impacte Ambiental e os primeiros Planos de Ordenamento de Território. Criou-se ainda a Reserva Ecológica Nacional (REN) – com o objetivo de proteger os recursos naturais, como a água e o solo, fazer a gestão do território e conservar a natureza e a biodiversidade.

Em 1985 nascia em Braga a Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza, e em 1987 o Centro de Recuperação do Lobo Ibérico. Sem esquecer que em 1982 se formou o primeiro partido ecologista do país – Os Verdes. Ainda em 1987, surgiam dois diplomas fundamentais: a Lei de Bases  do  Ambiente  (Lei  n.º  11/87,  de  7  de  Abril)  e  a  Lei  das Associações  de  Defesa  do  Ambiente  (Lei  n.º  10/87,  de  4  de  Abril). O Ministério do Ambiente foi criado apenas em 1990, e quatro anos mais tarde nasceu o Plano Nacional da Política de Ambiente.

A Viragem do Milénio e a Proteção do Ambiente

Na passagem de 1999 para 2000, um relatório publicado pela Quercus dava a conhecer os piores factos ambientais de 1999. Entre eles estavam a baixa taxa de reciclagem de resíduos, a fraca qualidade de muita da água portuguesa, e a falta de proteção da floresta autóctone de sobreiros e azinheiras.

No entanto, os anos 2000 vieram trazer boas notícias a muitos níveis. Apesar dos altos e baixos, foram criadas novas leis e regulamentos relacionados com o ambiente e a sua proteção, e o termo “sustentabilidade” tornou-se usual no dia-a-dia.

Será que Portugal está no caminho da sustentabilidade?

Em 2007 criou-se a Associação Portuguesa do Ambiente e em 2012 o Instituto para Conservação da Natureza e Florestas. A nova consciência ecológica e ambiental, bem como os esforços para a conservação da fauna portuguesa, conseguiram trazer de volta o lince ibérico, que deixou de ser uma espécie em vias de extinção – apesar de o seu estatuto ainda ser de Ameaçado - assim como o lobo ibérico.

Mais recentemente ouvimos a expressão Carbon Neutral, e compromissos de redução da pegada de carbono. Em 2016, Portugal assinou o Acordo de Paris, um tratado no âmbito da Convenção Quadro das Nações Unidas para as Alterações Climáticas (CQNUAC), que visa reduzir as emissões de gases de efeito de estufa e minimizar o aumento da temperatura média global.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

Nesta escola portuguesa, tudo o que vem à rede é plástico que não vai para o oceano

Notícia e foto obtidas aqui


Por estes dias, quando olham para cima à entrada da Escola Básica de Manhente, em Barcelos, os alunos vêem uma rede gigante, que cobre todo o átrio interior. Está ali colocada para lhes mostrar como é ser um peixe no oceano. A rede, que para já está limpa, vai carregar todo o plástico que for encontrado no chão do recinto da escola. O objectivo é consciencializar os alunos “de uma forma mais visual” para o que acontece “ao lixo que atiram para o chão e vai parar ao mar". A iniciativa foi partilhada através de uma publicação no Facebook da escola e está a ser recebida com agrado, pelo que se lê nos comentários. 

Paula Ribeiro, professora bibliotecária e uma das impulsionadoras da acção, explica, ao telefone com o P3, que a ideia se insere no projecto Missão Possível 4.0, que abrange todo o agrupamento de escolas Alcaides de Faria. O objectivo passa por sensibilizar os alunos desde a primeira classe ao 9.º ano para questões relacionadas com o ambiente e com a solidariedade.

domingo, 2 de dezembro de 2018

A simplicidade é a maior ostentação da vida!

Foto e reflexão aqui

Poucas são as pessoas que podem dar-se o luxo de viverem – e serem felizes- na simplicidade. Não é para qualquer um.
Não é mesmo para qualquer um, viver sem dar tanta importância ao que estão falando de você. Sem precisar TER para SER. Sem precisar SER, o tempo todo, algo à mais do que verdadeiramente se é.

Não é para qualquer um assumir-se. Simplesmente assumir-se, e não ter a necessidade de impressionar ninguém.

Assumir as origens; As escolhas (incluindo as erradas); Assumir que é normal, certas vezes, não ter grandes planos e ambiciosos projetos. Assumir que não gosta de lagosta ou pratos franceses, que prefere uma pizza e uma boa omelete; Que não curte praias badaladíssimas e que não almeja ser CEO de lugar nenhum e nem comprar um carro importado nos próximos meses.

Ser feliz com o que se tem é um risco tremendo. A maioria de nós (me incluo nessa) está sempre de olho no que ainda falta. Uma espécie de falsa “motivação” para os dias monótonos. A gente não se permite estar em paz e satisfeito com o que temos, pois achamos que desse jeito estagnaremos por completo.

Cuidado! Se você disse que não quer fazer MBA no exterior e que não precisa de um apartamento de alto valor, será chamado de falso e hipócrita pelos “yupies” modernos. Essa geração que não se importa em vivenciar nada, de fato, que só se importa em ganhar, contra o próprio ego, a disputa de “ quem tem mais”. Onde o objetivo nunca foi ser realmente feliz, e sim, causar “Inveja” nos demais, para quem sabe dessa forma compensar suas frustrações pessoais.
A simplicidade é a maior ostentação dessa vida.

Não é todo mundo que conquista isso.

Quem descobrir o quão divino e delicioso pode ser um café da manhã em casa num domingo qualquer, com pão fresquinho, bolo caseiro e uma xícara de café, descobrirá a porta para a verdadeira felicidade.

E eu não estou falando de riqueza ou pobreza. Estou falando do luxo da singeleza. Do inestimável preço de alegrar-se com chuva na janela de manhã cedo.

Com um bichinho fazendo graça na rua… Com a alegria de escutar, várias vezes, a sua música predileta enquanto caminha pro trabalho.

Estou falando da magnificência que é, fazer o teu amor sorrir num dia conturbado. Em tomar um cappuccino bem quente num dia frio e nublado. Do entusiasmo ímpar de matar a vontade de um beijo apaixonado.

Troco todo o meu ouro por uma paixão fugaz! Porque da escassez do ouro a gente se refaz, de um amor perdido… Jamais.

Feliz não é quem acorda necessariamente num palácio em lençóis de seda, para mim, feliz é quem acorda a hora que quer e com quem se ama do lado.

Do que adianta ser escravo de um trabalho que te paga muito, mas que te cobra muito mais? Que te cobra TEMPO, o bem mais precioso aqui na Terra. Que te dá status e te faz perder a apresentação da tua filha no colégio. Que te dá “sucesso”, mas te tira o sono. Que te dá muito dinheiro e muita dor de cabeça; Que te dá conforto, mas que te leva a LIBERDADE?

Pompa mesmo é quem pode tomar uma água de coco, sem pressa, de chinelo, às 3 da tarde…

Nos vendemos por tão pouco. Somos tão baratos que só pensamos em dinheiro. Dispensamos aquilo que de tão valioso, não está à venda. Amor genuíno; Amizade de infância; Colo materno. Historinhas para as crianças, antes de dormir…

Ensinar o seu filho a fazer panquecas. A gente sobrevive a um colégio mediano e a roupas velhas, mas raramente nos refazemos de pais ausentes e caros presentes, sem ternura alguma. A gente vive bem sem ir a Paris 1 vez por ano, mas não se vive bem sem arroz, feijão e o pão nosso de cada dia. Aprendamos a agradecer por isso.

Conheço mansões sem capricho algum e sem parecer conter uma alma dentro, e já tive a sorte de estar em casas simplórias com muito esmero e que me acolheram, muito melhor que hotéis 5 estrelas.

Como é bom colher flores e colocar num vasinho, como é bom chegar cansado em casa e encontrar um bilhetinho. Como é fantástico chegar tarde e ver que alguém deixou o teu jantar pronto, separado e quentinho.

Cobrir quem amamos numa madrugada fria; Fazer planos com o teu melhor amigo da faculdade, para uma viagem que nem sabemos se ao menos faremos, um dia.

Como é bom acordar com o canto dos passarinhos! Regar o jardim! Sorrir para um bebê e vê-lo sorrir de volta. Como é bom saber que temos em casa alguém que nos ama, nos esperando para abrir a porta…

O esplendor da vida se dá na subtileza cotidiana de pequenos oásis tímidos, abscônditos em um mar de infinitas grandezas.

Ache os seus.

Bruna Stamato

Foto: Eduardo Viero (@eduviero) – Blog Eduardo e Mônica 

sábado, 1 de dezembro de 2018

Sete coisas para tornar as aves dos jardins mais felizes no inverno

Foto e notícia aqui

Agora que os dias começam a ficar mais frios lembre-se da passarada miúda que enche de vida os nossos jardins. Faça a felicidade de piscos, chapins ou pintassilgos com estas dicas da RSPB.

Estas sugestões simples podem melhorar a qualidade de vida das pequenas aves durante os meses frios de Inverno.

Nestes meses com temperaturas mais baixas, “os campos tornam-se vazios, à medida que os recursos naturais escasseiam”, escreve a Royal Society for the Protection of Birds (RSPB). Acontece que nesta época do ano, as aves “precisam de mais energia, apenas para se manterem quentes. E os dias mais curtos significam que as aves têm menos tempo para procurar algo para comer”.


Segundo a RSPB, aquilo que as aves precisam durante o Inverno é alimento, água e abrigo.

“Até agora, as aves têm conseguido alimentar-se de insectos e sementes. Mas o tempo frio significa que elas deslocam-se até aos nossos jardins para encontrar abrigo”, comentou Charlotte Ambrose, da RSPB. “As pessoas podem fazer uma verdadeira diferença e melhorar as suas hipóteses de sobrevivência destas aves.”

Aqui está o que pode fazer pelas aves:

Sementes de girassol: disponibilize sementes de girassol, ricas em gordura, e evite as misturas para aves com grandes quantidades de grãos de trigo e de cevada, lentilhas ou arroz seco; estas podem atrair aves maiores, como os pombos.

Amendoins: os chapins, os lugres e as trepadeiras gostam muito de amendoins. Mas nunca dê amendoins tostados ou salgados, só os naturais.

Guarde algumas sobras da cozinha: não precisa comprar comida especial para aves. Sobras da sua cozinha – como fruta já muito madura, passas e batata assada – serão bem-vindas.

Não obrigado! Evite disponibilizar leite, alimentos salgados, coco seco e papas de aveia cozinhadas.

Água é essencial: em algumas regiões pode ser difícil encontrar água disponível com temperaturas muito baixas. Mas este truque simples pode ajudar a evitar que a água congele, se quiser disponibilizar um pequeno recipiente com água para as aves. Ponha uma pequena bola que flutue, como uma bola de ping-pong, dentro de água. Mesmo apenas uma leve brisa evitará que a água congele.

Abrigo: é importante dar às aves abrigo do tempo mais inclemente. Plante sebes densas e deixe que a hera, o azevinho ou o espinheiro-branco cresçam. Estes não só darão refúgio para as aves como serão uma “dispensa” de bagas de inverno para aves esfomeadas.

Calor: as caixas-ninho não são só usadas para as aves porem e cuidarem dos seus ovos na Primavera. Muitas aves irão usá-las em noites especialmente frias de Inverno. Estas caixas são, muitas vezes, usadas por muitos residentes que se aconchegam para estarem mais confortáveis. Segundo a RSPB, o número recorde de aves encontrado numa caixa-ninho foram 63 carriças!


Saiba mais.

Relembre aqui as sugestões de Julieta Costa, da Spea, à Wilder sobre como ajudar as aves no Inverno.

sexta-feira, 30 de novembro de 2018

Estrada Nacional 2, a "Route 66" de Portugal



A Route 66 de Portugal. 
Um roteiro para conhecer a estrada mais longa do país.
EN 2 (Estrada Nacional 2) de Chaves a Faro. 

"Em Portugal a escala é bem mais pequena, mas é também possível percorrer o país de lés-a-lés sem sair da mesma estrada. Falamos da Estrada Nacional 2 (EN2) que liga Chaves a Faro, um percurso de 738 quilómetros. Pelo caminho ficam centenas de pequenas localidades e algumas paisagens memoráveis."

quarta-feira, 28 de novembro de 2018

Baía de Armação de Pêra pode via ser área marinha protegida


O recife natural existente na baía de Armação de Pera pode vir a tornar-se numa área marinha protegida. A proposta de classificação será feita pela Câmara de Silves, que pretende lutar pela preservação deste ecossistema subaquático que é considerado único por vários especialistas da Universidade do Algarve (UAlg). A posição consta de um documento enviado pela autarquia à Direção-Geral de Recursos Naturais, Segurança e Serviços Marítimos no âmbito da discussão pública do Plano de Situação do Ordenamento do Espaço Marítimo Nacional. O documento, a que o CM teve acesso, faz referência a um estudo científico do Centro de Ciências do Mar da UAlg , que identifica "o maior recife rochoso costeiro a baixa superfície de Portugal, que determina valores ecológicos ímpares no contexto da costa portuguesa". De acordo com os especialistas, o recife natural representa a "antiga linha de costa algarvia à data da última época glaciar, existindo há mais de 25 mil anos". Para preservar esta riqueza natural, a Câmara de Silves vai avançar com uma proposta de criação de uma área marinha protegida de interesse comunitário, junto com a UAlg, a Associação de Pescadores de Armação de Pera, a Fundação Oceano Azul e a empresa de mergulho Divespot, que tem feito o registo de muitas das espécies ao longo dos últimos 15 anos. Em defesa da proposta, a autarquia alerta que o "desenvolvimento de atividades humanas" previstas para zonas adjacentes, como "a produção aquícola ou extração de areias para alimentação de praias", podem "colocar em risco a preservação da biodiversidade".


Hoe ziet de wereld zonder insecten eruit - Como seria o mundo sem insetos?


Nos últimos anos temos visto uma enorme diminuição no número de insetos em grande velocidade. Segundo Hans de Kroon (Radboud Nijmegen), devemos ter cuidado para não perder toda a comunidade de insetos. Ele também lhe dirá nesta palestra quais são as consequências exatas disso. De qualquer forma, uma bela maçã fresca não é mais tão evidente.

Saber mais:
Toward pesticidovigilance

terça-feira, 27 de novembro de 2018

The Insect Apocalypse Is Here


Sune Boye Riis was on a bike ride with his youngest son, enjoying the sun slanting over the fields and woodlands near their home north of Copenhagen, when it suddenly occurred to him that something about the experience was amiss. Specifically, something was missing.

It was summer. He was out in the country, moving fast. But strangely, he wasn’t eating any bugs.

For a moment, Riis was transported to his childhood on the Danish island of Lolland, in the Baltic Sea. Back then, summer bike rides meant closing his mouth to cruise through thick clouds of insects, but inevitably he swallowed some anyway. When his parents took him driving, he remembered, the car’s windshield was frequently so smeared with insect carcasses that you almost couldn’t see through it. But all that seemed distant now. He couldn’t recall the last time he needed to wash bugs from his windshield; he even wondered, vaguely, whether car manufacturers had invented some fancy new coating to keep off insects. But this absence, he now realized with some alarm, seemed to be all around him. Where had all those insects gone? And when? And why hadn’t he noticed?

Riis watched his son, flying through the beautiful day, not eating bugs, and was struck by the melancholy thought that his son’s childhood would lack this particular bug-eating experience of his own. It was, he granted, an odd thing to feel nostalgic about. But he couldn’t shake a feeling of loss. “I guess it’s pretty human to think that everything was better when you were a kid,” he said. “Maybe I didn’t like it when I was on my bike and I ate all the bugs, but looking back on it, I think it’s something everybody should experience.”

I met Riis, a lanky high school science and math teacher, on a hot day in June. He was anxious about not having yet written his address for the school’s graduation ceremony that evening, but first, he had a job to do. From his garage, he retrieved a large insect net, drove to a nearby intersection and stopped to strap the net to the car’s roof. Made of white mesh, the net ran the length of his car and was held up by a tent pole at the front, tapering to a small, removable bag in back. Drivers whizzing past twisted their heads to stare. Riis eyed his parking spot nervously as he adjusted the straps of the contraption. “This is not 100 percent legal,” he said, “but I guess, for the sake of science.”

Riis had not been able to stop thinking about the missing bugs. The more he learned, the more his nostalgia gave way to worry. Insects are the vital pollinators and recyclers of ecosystems and the base of food webs everywhere. Riis was not alone in noticing their decline. In the United States, scientists recently found the population of monarch butterflies fell by 90 percent in the last 20 years, a loss of 900 million individuals; the rusty-patched bumblebee, which once lived in 28 states, dropped by 87 percent over the same period. With other, less-studied insect species, one butterfly researcher told me, “all we can do is wave our arms and say, ‘It’s not here anymore!’ ” Still, the most disquieting thing wasn’t the disappearance of certain species of insects; it was the deeper worry, shared by Riis and many others, that a whole insect world might be quietly going missing, a loss of abundance that could alter the planet in unknowable ways. “We notice the losses,” says David Wagner, an entomologist at the University of Connecticut. “It’s the diminishment that we don’t see.”

Because insects are legion, inconspicuous and hard to meaningfully track, the fear that there might be far fewer than before was more felt than documented. People noticed it by canals or in backyards or under streetlights at night — familiar places that had become unfamiliarly empty. The feeling was so common that entomologists developed a shorthand for it, named for the way many people first began to notice that they weren’t seeing as many bugs. They called it the windshield phenomenon.

To test what had been primarily a loose suspicion of wrongness, Riis and 200 other Danes were spending the month of June roaming their country’s back roads in their outfitted cars. They were part of a study conducted by the Natural History Museum of Denmark, a joint effort of the University of Copenhagen, Aarhus University and North Carolina State University. The nets would stand in for windshields as Riis and the other volunteers drove through various habitats — urban areas, forests, agricultural tracts, uncultivated open land and wetlands — hoping to quantify the disorienting sense that, as one of the study’s designers put it, “something from the past is missing from the present.”

When the investigators began planning the study in 2016, they weren’t sure if anyone would sign up. But by the time the nets were ready, a paper by an obscure German entomological society had brought the problem of insect decline into sharp focus. The German study found that, measured simply by weight, the overall abundance of flying insects in German nature reserves had decreased by 75 percent over just 27 years. If you looked at midsummer population peaks, the drop was 82 percent.

Riis learned about the study from a group of his students in one of their class projects. They must have made some kind of mistake in their citation, he thought. But they hadn’t. The study would quickly become, according to the website Altmetric, the sixth-most-discussed scientific paper of 2017. Headlines around the world warned of an “insect Armageddon.”

Within days of announcing the insect-collection project, the Natural History Museum of Denmark was turning away eager volunteers by the dozens. It seemed there were people like Riis everywhere, people who had noticed a change but didn’t know what to make of it. How could something as fundamental as the bugs in the sky just disappear? And what would become of the world without them?

Anyone who has returned to a childhood haunt to find that everything somehow got smaller knows that humans are not great at remembering the past accurately. This is especially true when it comes to changes to the natural world. It is impossible to maintain a fixed perspective, as Heraclitus observed 2,500 years ago: It is not the same river, but we are also not the same people.

A 1995 study, by Peter H. Kahn and Batya Friedman, of the way some children in Houston experienced pollution summed up our blindness this way: “With each generation, the amount of environmental degradation increases, but each generation takes that amount as the norm.” In decades of photos of fishermen holding up their catch in the Florida Keys, the marine biologist Loren McClenachan found a perfect illustration of this phenomenon, which is often called “shifting baseline syndrome.” The fish got smaller and smaller, to the point where the prize catches were dwarfed by fish that in years past were piled up and ignored. But the smiles on the fishermen’s faces stayed the same size. The world never feels fallen, because we grow accustomed to the fall.

By one measure, bugs are the wildlife we know best, the nondomesticated animals whose lives intersect most intimately with our own: spiders in the shower, ants at the picnic, ticks buried in the skin. We sometimes feel that we know them rather too well. In another sense, though, they are one of our planet’s greatest mysteries, a reminder of how little we know about what’s happening in the world around us.

We’ve named and described a million species of insects, a stupefying array of thrips and firebrats and antlions and caddis flies and froghoppers and other enormous families of bugs that most of us can’t even name. (Technically, the word “bug” applies only to the order Hemiptera, also known as true bugs, species that have tubelike mouths for piercing and sucking — and there are as many as 80,000 named varieties of those.) The ones we think we do know well, we don’t: There are 12,000 types of ants, nearly 20,000 varieties of bees, almost 400,000 species of beetles, so many that the geneticist J.B.S. Haldane reportedly quipped that God must have an inordinate fondness for them. A bit of healthy soil a foot square and two inches deep might easily be home to 200 unique species of mites, each, presumably, with a subtly different job to do. And yet entomologists estimate that all this amazing, absurd and understudied variety represents perhaps only 20 percent of the actual diversity of insects on our planet — that there are millions and millions of species that are entirely unknown to science.

With so much abundance, it very likely never occurred to most entomologists of the past that their multitudinous subjects might dwindle away. As they poured themselves into studies of the life cycles and taxonomies of the species that fascinated them, few thought to measure or record something as boring as their number. Besides, tracking quantity is slow, tedious and unglamorous work: setting and checking traps, waiting years or decades for your data to be meaningful, grappling with blunt baseline questions instead of more sophisticated ones. And who would pay for it? Most academic funding is short-term, but when what you’re interested in is invisible, generational change, says Dave Goulson, an entomologist at the University of Sussex, “a three-year monitoring program is no good to anybody.” This is especially true of insect populations, which are naturally variable, with wide, trend-obscuring fluctuations from one year to the next.

When entomologists began noticing and investigating insect declines, they lamented the absence of solid information from the past in which to ground their experiences of the present. “We see a hundred of something, and we think we’re fine,” Wagner says, “but what if there were 100,000 two generations ago?” Rob Dunn, an ecologist at North Carolina State University who helped design the net experiment in Denmark, recently searched for studies showing the effect of pesticide spraying on the quantity of insects living in nearby forests. He was surprised to find that no such studies existed. “We ignored really basic questions,” he said. “It feels like we’ve dropped the ball in some giant collective way.”

If entomologists lacked data, what they did have were some very worrying clues. Along with the impression that they were seeing fewer bugs in their own jars and nets while out doing experiments — a windshield phenomenon specific to the sorts of people who have bug jars and nets — there were documented downward slides of well-studied bugs, including various kinds of bees, moths, butterflies and beetles. In Britain, as many as 30 to 60 percent of species were found to have diminishing ranges. Larger trends were harder to pin down, though a 2014 review in Science tried to quantify these declines by synthesizing the findings of existing studies and found that a majority of monitored species were declining, on average by 45 percent.

Entomologists also knew that climate change and the overall degradation of global habitat are bad news for biodiversity in general, and that insects are dealing with the particular challenges posed by herbicides and pesticides, along with the effects of losing meadows, forests and even weedy patches to the relentless expansion of human spaces. There were studies of other, better-understood species that suggested that the insects associated with them might be declining, too. People who studied fish found that the fish had fewer mayflies to eat. Ornithologists kept finding that birds that rely on insects for food were in trouble: eight in 10 partridges gone from French farmlands; 50 and 80 percent drops, respectively, for nightingales and turtledoves. Half of all farmland birds in Europe disappeared in just three decades. At first, many scientists assumed the familiar culprit of habitat destruction was at work, but then they began to wonder if the birds might simply be starving. In Denmark, an ornithologist named Anders Tottrup was the one who came up with the idea of turning cars into insect trackers for the windshield-effect study after he noticed that rollers, little owls, Eurasian hobbies and bee-eaters — all birds that subsist on large insects such as beetles and dragonflies — had abruptly disappeared from the landscape.

The signs were certainly alarming, but they were also just signs, not enough to justify grand pronouncements about the health of insects as a whole or about what might be driving a widespread, cross-species decline. “There are no quantitative data on insects, so this is just a hypothesis,” Hans de Kroon, an ecologist at Radboud University in the Netherlands, explained to me — not the sort of language that sends people to the barricades.

Then came the German study. Scientists are still cautious about what the findings might imply about other regions of the world. But the study brought forth exactly the kind of longitudinal data they had been seeking, and it wasn’t specific to just one type of insect. The numbers were stark, indicating a vast impoverishment of an entire insect universe, even in protected areas where insects ought to be under less stress. The speed and scale of the drop were shocking even to entomologists who were already anxious about bees or fireflies or the cleanliness of car windshields.

The results were surprising in another way too. The long-term details about insect abundance, the kind that no one really thought existed, hadn’t appeared in a particularly prestigious journal and didn’t come from university-affiliated scientists, but from a small society of insect enthusiasts based in the modest German city Krefeld.

Krefeld sits a half-hour drive outside Düsseldorf, near the western bank of the Rhine. It’s a city of brick houses and bright flower gardens and a stadtwald — a municipal forest and park — where paddle boats float on a lake, umbrellas shade a beer garden and (I couldn’t help noticing) the afternoon light through the trees illuminates small swarms of dancing insects.

Near the center of the old city, a paper sign, not much larger than a business card, identifies the stolid headquarters of the society whose research caused so much commotion. When it was founded, in 1905, the society operated out of another building, one that was destroyed when Britain bombed the city during World War II. (By the time the bombs fell, members had moved their precious records and collections of insects, some of which dated back to the 1860s, to an underground bunker.) Nowadays, the society uses more than 6,000 square feet of an old three-story school as storage space. Ask for a tour of the collections, and you will hear such sentences as “This whole room is Lepidoptera,” referring to a former classroom stuffed with what I at first took to be shelves of books but which are in fact innumerable wooden frames containing pinned butterflies and moths; and, in an even larger room, “every bumblebee here was collected before the Second World War, 1880 to 1930”; and, upon opening a drawer full of sweat bees, “It’s a new collection, 30 years only.”

On the shelves that do hold books, I counted 31 clearly well-loved volumes in the series “Beetles of Middle Europe.” A 395-page book that cataloged specimens of spider wasps — where they were collected; where they were stored — of the western Palearctic said “1948-2008” on the cover. I asked my guide, a society member named Martin Sorg, who was one of the lead authors of the paper, whether those dates reflected when the specimens were collected. “No,” Sorg replied, “that was the time the author needed for this work.”

Sorg, who rolls his own cigarettes and wears John Lennon glasses and whose gray hair grows long past his shoulders, is not a freewheeling type when it comes to his insect work. And his insect work is really all he wants to talk about. “We think details about nature and biodiversity declines are important, not details about life histories of entomologists,” Sorg explained after he and Werner Stenmans, a society member whose name appeared alongside Sorg’s on the 2017 paper, dismissed my questions about their day jobs. Leery of an article that focused on him as a person, Sorg also didn’t want to talk about what drew him to entomology as a child or even what it was about certain types of wasps that had made him want to devote so much of his life to studying them. “We normally give life histories when someone is dead,” he said.

There was a reason for the wariness. Society members dislike seeing themselves described, over and over in news stories, as “amateurs.” It’s a framing that reflects, they believe, a too-narrow understanding of what it means to be an expert or even a scientist — what it means to be a student of the natural world.

Amateurs have long provided much of the patchy knowledge we have about nature. Those bee and butterfly studies? Most depend on mass mobilizations of volunteers willing to walk transects and count insects, every two weeks or every year, year after year. The scary numbers about bird declines were gathered this way, too, though because birds can be hard to spot, volunteers often must learn to identify them by their sounds. Britain, which has a particularly strong tradition of amateur naturalism, has the best-studied bugs in the world. As technologically advanced as we are, the natural world is still a very big and complex place, and the best way to learn what’s going on is for a lot of people to spend a lot of time observing it. The Latin root of the word “amateur” is, after all, the word “lover.”

Some of these citizen-scientists are true beginners clutching field guides; others, driven by their own passion and following in a long tradition of “amateur” naturalism, are far from novices. Think of Victorians with their butterfly nets and curiosity cabinets; of Vladimir Nabokov, whose theories about the evolution of Polyommatus blue butterflies were ignored until proved correct by DNA testing more than 30 years after his death; of young Charles Darwin, cutting his classes at Cambridge to collect beetles at Wicken Fen and once putting a live beetle in his mouth because his hands were already full of other bugs.

The Krefeld society is volunteer-run, and many members have other jobs in unrelated fields, but they also have an enormous depth of knowledge about insects, accumulated through years of what other people might consider obsessive attention. Some study the ecology or evolutionary taxonomy of their favorite species or map their populations or breed them to study their life histories. All hone their identification skills across species by amassing their own collections of carefully pinned and labeled insects like those that fill the society’s storage rooms. Sorg estimated that of the society’s 63 members, a third are university-trained in subjects such as biology or earth science. Another third, he said, are “highly specialized and highly qualified but they never visited the university,” while the remaining third are actual amateurs who are still in the process of becoming “real” entomologists: “Some of them may also have a degree from the university, but in our view, they are beginners.”

The society members’ projects often involved setting up what are called malaise traps, nets that look like tents and drive insects flying by into bottles of ethanol. Because of the scientific standards of the society, members followed certain procedures: They always employed identical traps, sewn from a template they first used in 1982. (Sorg showed me the original rolled-up craft paper with great solemnity.) They always put them in the same places. (Before GPS, that meant a painstaking process of triangulating with surveying equipment. “We are not sure about a few centimeters,” Sorg granted.) They saved everything they caught, regardless of what the main purpose of the experiment was. (The society bought so much ethanol that it attracted the attention of a narcotics unit.)

Those bottles of insects were gathered into thousands of boxes, which are now crammed into what were once offices in the upper reaches of the school. When the society members, like entomologists elsewhere, began to notice that they were seeing fewer insects, they had something against which to measure their worries.

“We don’t throw away anything, we store everything,” Sorg explained. “That gives us today the possibility to go back in time.”

In 2013, Krefeld entomologists confirmed that the total number of insects caught in one nature reserve was nearly 80 percent lower than the same spot in 1989. They had sampled other sites, analyzed old data sets and found similar declines: Where 30 years earlier, they often needed a liter bottle for a week of trapping, now a half-liter bottle usually sufficed. But it would have taken even highly trained entomologists years of painstaking work to identify all the insects in the bottles. So the society used a standardized method for weighing insects in alcohol, which told a powerful story simply by showing how much the overall mass of insects dropped over time. “A decline of this mixture,” Sorg said, “is a very different thing than the decline of only a few species.”

The society collaborated with de Kroon and other scientists at Radboud University in the Netherlands, who did a trend analysis of the data that Krefeld provided, controlling for things like the effects of nearby plants, weather and forest cover on fluctuations in insect populations. The final study looked at 63 nature preserves, representing almost 17,000 sampling days, and found consistent declines in every kind of habitat they sampled. This suggested, the authors wrote, “that it is not only the vulnerable species but the flying-insect community as a whole that has been decimated over the last few decades.”

For some scientists, the study created a moment of reckoning. “Scientists thought this data was too boring,” Dunn says. “But these people found it beautiful, and they loved it. They were the ones paying attention to Earth for all the rest of us.”

The current worldwide loss of biodiversity is popularly known as the sixth extinction: the sixth time in world history that a large number of species have disappeared in unusually rapid succession, caused this time not by asteroids or ice ages but by humans. When we think about losing biodiversity, we tend to think of the last northern white rhinos protected by armed guards, of polar bears on dwindling ice floes. Extinction is a visceral tragedy, universally understood: There is no coming back from it. The guilt of letting a unique species vanish is eternal.

But extinction is not the only tragedy through which we’re living. What about the species that still exist, but as a shadow of what they once were? In “The Once and Future World,” the journalist J.B. MacKinnon cites records from recent centuries that hint at what has only just been lost: “In the North Atlantic, a school of cod stalls a tall ship in midocean; off Sydney, Australia, a ship’s captain sails from noon until sunset through pods of sperm whales as far as the eye can see. ... Pacific pioneers complain to the authorities that splashing salmon threaten to swamp their canoes.” There were reports of lions in the south of France, walruses at the mouth of the Thames, flocks of birds that took three days to fly overhead, as many as 100 blue whales in the Southern Ocean for every one that’s there now. “These are not sights from some ancient age of fire and ice,” MacKinnon writes. “We are talking about things seen by human eyes, recalled in human memory.”

What we’re losing is not just the diversity part of biodiversity, but the bio part: life in sheer quantity. While I was writing this article, scientists learned that the world’s largest king penguin colony shrank by 88 percent in 35 years, that more than 97 percent of the bluefin tuna that once lived in the ocean are gone. The number of Sophie the Giraffe toys sold in France in a single year is nine times the number of all the giraffes that still live in Africa.

Finding reassurance in the survival of a few symbolic standard-bearers ignores the value of abundance, of a natural world that thrives on richness and complexity and interaction. Tigers still exist, for example, but that doesn’t change the fact that 93 percent of the land where they used to live is now tigerless. This matters for more than romantic reasons: Large animals, especially top predators like tigers, connect ecosystems to one another and move energy and resources among them simply by walking and eating and defecating and dying. (In the deep ocean, sunken whale carcasses form the basis of entire ecosystems in nutrient-poor places.) One result of their loss is what’s known as trophic cascade, the unraveling of an ecosystem’s fabric as prey populations boom and crash and the various levels of the food web no longer keep each other in check. These places are emptier, impoverished in a thousand subtle ways.

Scientists have begun to speak of functional extinction (as opposed to the more familiar kind, numerical extinction). Functionally extinct animals and plants are still present but no longer prevalent enough to affect how an ecosystem works. Some phrase this as the extinction not of a species but of all its former interactions with its environment — an extinction of seed dispersal and predation and pollination and all the other ecological functions an animal once had, which can be devastating even if some individuals still persist. The more interactions are lost, the more disordered the ecosystem becomes. A 2013 paper in Nature, which modeled both natural and computer-generated food webs, suggested that a loss of even 30 percent of a species’ abundance can be so destabilizing that other species start going fully, numerically extinct — in fact, 80 percent of the time it was a secondarily affected creature that was the first to disappear. A famous real-world example of this type of cascade concerns sea otters. When they were nearly wiped out in the northern Pacific, their prey, sea urchins, ballooned in number and decimated kelp forests, turning a rich environment into a barren one and also possibly contributing to numerical extinctions, notably of the Steller’s sea cow.

Conservationists tend to focus on rare and endangered species, but it is common ones, because of their abundance, that power the living systems of our planet. Most species are not common, but within many animal groups most individuals — some 80 percent of them — belong to common species. Like the slow approach of twilight, their declines can be hard to see. White-rumped vultures were nearly gone from India before there was widespread awareness of their disappearance. Describing this phenomenon in the journal BioScience, Kevin Gaston, a professor of biodiversity and conservation at the University of Exeter, wrote: “Humans seem innately better able to detect the complete loss of an environmental feature than its progressive change.”

In addition to extinction (the complete loss of a species) and extirpation (a localized extinction), scientists now speak of defaunation: the loss of individuals, the loss of abundance, the loss of a place’s absolute animalness. In a 2014 article in Science, researchers argued that the word should become as familiar, and influential, as the concept of deforestation. In 2017 another paper reported that major population and range losses extended even to species considered to be at low risk for extinction. They predicted “negative cascading consequences on ecosystem functioning and services vital to sustaining civilization” and the authors offered another term for the widespread loss of the world’s wild fauna: “biological annihilation.”

It is estimated that, since 1970, Earth’s various populations of wild land animals have lost, on average, 60 percent of their members. Zeroing in on the category we most relate to, mammals, scientists believe that for every six wild creatures that once ate and burrowed and raised young, only one remains. What we have instead is ourselves. A study published this year in the Proceedings of the National Academy of Sciences found that if you look at the world’s mammals by weight, 96 percent of that biomass is humans and livestock; just 4 percent is wild animals.

We’ve begun to talk about living in the Anthropocene, a world shaped by humans. But E.O. Wilson, the naturalist and prophet of environmental degradation, has suggested another name: the Eremocine, the age of loneliness.

Wilson began his career as a taxonomic entomologist, studying ants. Insects — about as far as you can get from charismatic megafauna — are not what we’re usually imagining when we talk about biodiversity. Yet they are, in Wilson’s words, “the little things that run the natural world.” He means it literally. Insects are a case study in the invisible importance of the common.

Scientists have tried to calculate the benefits that insects provide simply by going about their business in large numbers. Trillions of bugs flitting from flower to flower pollinate some three-quarters of our food crops, a service worth as much as $500 billion every year. (This doesn’t count the 80 percent of wild flowering plants, the foundation blocks of life everywhere, that rely on insects for pollination.) If monetary calculations like that sound strange, consider the Maoxian Valley in China, where shortages of insect pollinators have led farmers to hire human workers, at a cost of up to $19 per worker per day, to replace bees. Each person covers five to 10 trees a day, pollinating apple blossoms by hand.

By eating and being eaten, insects turn plants into protein and power the growth of all the uncountable species — including freshwater fish and a majority of birds — that rely on them for food, not to mention all the creatures that eat those creatures. We worry about saving the grizzly bear, says the insect ecologist Scott Hoffman Black, but where is the grizzly without the bee that pollinates the berries it eats or the flies that sustain baby salmon? Where, for that matter, are we?

Bugs are vital to the decomposition that keeps nutrients cycling, soil healthy, plants growing and ecosystems running. This role is mostly invisible, until suddenly it’s not. After introducing cattle to Australia at the turn of the 19th century, settlers soon found themselves overwhelmed by the problem of their feces: For some reason, cow pies there were taking months or even years to decompose. Cows refused to eat near the stink, requiring more and more land for grazing, and so many flies bred in the piles that the country became famous for the funny hats that stockmen wore to keep them at bay. It wasn’t until 1951 that a visiting entomologist realized what was wrong: The local insects, evolved to eat the more fibrous waste of marsupials, couldn’t handle cow excrement. For the next 25 years, the importation, quarantine and release of dozens of species of dung beetles became a national priority. And that was just one unfilled niche. (In the United States, dung beetles save ranchers an estimated $380 million a year.) We simply don’t know everything that insects do. Only about 2 percent of invertebrate species have been studied enough for us to estimate whether they are in danger of extinction, never mind what dangers that extinction might pose.

When asked to imagine what would happen if insects were to disappear completely, scientists find words like chaos, collapse, Armageddon. Wagner, the University of Connecticut entomologist, describes a flowerless world with silent forests, a world of dung and old leaves and rotting carcasses accumulating in cities and roadsides, a world of “collapse or decay and erosion and loss that would spread through ecosystems” — spiraling from predators to plants. E.O. Wilson has written of an insect-free world, a place where most plants and land animals become extinct; where fungi explodes, for a while, thriving on death and rot; and where “the human species survives, able to fall back on wind-pollinated grains and marine fishing” despite mass starvation and resource wars. “Clinging to survival in a devastated world, and trapped in an ecological dark age,” he adds, “the survivors would offer prayers for the return of weeds and bugs.”

But the crux of the windshield phenomenon, the reason that the creeping suspicion of change is so creepy, is that insects wouldn’t have to disappear altogether for us to find ourselves missing them for reasons far beyond nostalgia. In October, an entomologist sent me an email with the subject line, “Holy [expletive]!” and an attachment: a study just out from Proceedings of the National Academy of Sciences that he labeled, “Krefeld comes to Puerto Rico.” The study included data from the 1970s and from the early 2010s, when a tropical ecologist named Brad Lister returned to the rain forest where he had studied lizards — and, crucially, their prey — 40 years earlier. Lister set out sticky traps and swept nets across foliage in the same places he had in the 1970s, but this time he and his co-author, Andres Garcia, caught much, much less: 10 to 60 times less arthropod biomass than before. (It’s easy to read that number as 60 percent less, but it’s sixtyfold less: Where once he caught 473 milligrams of bugs, Lister was now catching just eight milligrams.) “It was, you know, devastating,” Lister told me. But even scarier were the ways the losses were already moving through the ecosystem, with serious declines in the numbers of lizards, birds and frogs. The paper reported “a bottom-up trophic cascade and consequent collapse of the forest food web.” Lister’s inbox quickly filled with messages from other scientists, especially people who study soil invertebrates, telling him they were seeing similarly frightening declines. Even after his dire findings, Lister found the losses shocking: “I didn’t even know about the earthworm crisis!”

The strange thing, Lister said, is that, as staggering as they are, all the declines he documented would still be basically invisible to the average person walking through the Luquillo rain forest. On his last visit, the forest still felt “timeless” and “phantasmagorical,” with “cascading waterfalls and carpets of flowers.” You would have to be an expert to notice what was missing. But he expects the losses to push the forest toward a tipping point, after which “there is a sudden and dramatic loss of the rain-forest system,” and the changes will become obvious to anyone. The place he loves will become unrecognizable.

The insects in the forest that Lister studied haven’t been contending with pesticides or habitat loss, the two problems to which the Krefeld paper pointed. Instead, Lister chalks up their decline to climate change, which has already increased temperatures in Luquillo by two degrees Celsius since Lister first sampled there. Previous research suggested that tropical bugs will be unusually sensitive to temperature changes; in November, scientists who subjected laboratory beetles to a heat wave reported that the increased temperatures made them significantly less fertile. Other scientists wonder if it might be climate-induced drought or possibly invasive rats or simply “death by a thousand cuts” — a confluence of many kinds of changes to the places where insects once thrived.

Like other species, insects are responding to what Chris Thomas, an insect ecologist at the University of York, has called “the transformation of the world”: not just a changing climate but also the widespread conversion, via urbanization, agricultural intensification and so on, of natural spaces into human ones, with fewer and fewer resources “left over” for nonhuman creatures to live on. What resources remain are often contaminated. Hans de Kroon characterizes the life of many modern insects as trying to survive from one dwindling oasis to the next but with “a desert in between, and at worst it’s a poisonous desert.” Of particular concern are neonicotinoids, neurotoxins that were thought to affect only treated crops but turned out to accumulate in the landscape and to be consumed by all kinds of nontargeted bugs. People talk about the “loss” of bees to colony collapse disorder, and that appears to be the right word: Affected hives aren’t full of dead bees, but simply mysteriously empty. A leading theory is that exposure to neurotoxins leaves bees unable to find their way home. Even hives exposed to low levels of neonicotinoids have been shown to collect less pollen and produce fewer eggs and far fewer queens. Some recent studies found bees doing better in cities than in the supposed countryside.

The diversity of insects means that some will manage to make do in new environments, some will thrive (abundance cuts both ways: agricultural monocultures, places where only one kind of plant grows, allow some pests to reach population levels they would never achieve in nature) and some, searching for food and shelter in a world nothing like the one they were meant for, will fail. While we need much more data to better understand the reasons or mechanisms behind the ups and downs, Thomas says, “the average across all species is still a decline.”

Since the Krefeld study came out, researchers have begun searching for other forgotten repositories of information that might offer windows into the past. Some of the Radboud researchers have analyzed long-term data, belonging to Dutch entomological societies, about beetles and moths in certain reserves; they found significant drops (72 percent, 54 percent) that mirrored the Krefeld ones. Roel van Klink, a researcher at the German Center for Integrative Biodiversity Research, told me that before Krefeld, he, like most entomologists, had never been interested in biomass. Now he is looking for historical data sets — many of which began as studies of agricultural pests, like a decades-long study of grasshoppers in Kansas — that could help create a more thorough picture of what’s happening to creatures that are at once abundant and imperiled. So far he has found forgotten data from 140 old data sets for 1,500 locations that could be resampled.

In the United States, one of the few long-term data sets about insect abundance comes from the work of Arthur Shapiro, an entomologist at the University of California, Davis. In 1972, he began walking transects in the Central Valley and the Sierras, counting butterflies. He planned to do a study on how short-term weather variations affected butterfly populations. But the longer he sampled, the more valuable his data became, offering a signal through the noise of seasonal ups and downs. “And so here I am in Year 46,” he said, nearly half a century of spending five days a week, from late spring to the end of autumn, observing butterflies. In that time he has watched overall numbers decline and seen some species that used to be everywhere — even species that “everyone regarded as a junk species” only a few decades ago — all but disappear. Shapiro believes that Krefeld-level declines are likely to be happening all over the globe. “But, of course, I don’t cover the entire globe,” he added. “I cover I-80.”

There are also new efforts to set up more of the kind of insect-monitoring schemes researchers wish had existed decades ago, so that our current level of fallenness, at least, is captured. One is a pilot project in Germany similar to the Danish car study. To analyze what is caught, the researchers turned to volunteer naturalists, hobbyists similar to the ones in Krefeld, with the necessary breadth of knowledge to know what they’re looking at. “These are not easy species to identify,” says Aletta Bonn, of the German Center for Integrative Biodiversity Research, who is overseeing the project. (The skills required for such work “are really extreme,” Dunn says. “These people train for decades with other amateurs to be able to identify beetles based on their genitalia.”) Bond would like to pay the volunteers for their expertise, she says, but funding hasn’t caught up to the crisis. That didn’t stop the “amateurs” from being willing to help: “They said, ‘We’re just curious what’s in there, we would like to have samples.’ ”

Goulson says that Europe’s tradition of amateur naturalism may account for why so many of the clues to the falloff in insect biodiversity originate there. (Tottrup’s design for the car net in Denmark, for example, was itself adapted from the invention of a dedicated beetle-collecting hobbyist.) As little as we know about the status of European bugs, we know significantly less about other parts of the world. “We wouldn’t know anything if it weren’t for them,” the so-called amateurs, Goulson told me. “We’d be entirely relying on the fact that there’s no bugs on the windshield.”

Thomas believes that this naturalist tradition is also why Europe is acting much faster than other places — for example, the United States — to address the decline of insects: Interest leads to tracking, which leads to awareness, which leads to concern, which leads to action. Since the Krefeld data emerged, there have been hearings about protecting insect biodiversity in the German Bundestag and the European Parliament. European Union member states voted to extend a ban on neonicotinoid pesticides and have begun to put money toward further studies of how abundance is changing, what is causing those changes and what can be done. When I knocked on the door of de Kroon’s office, at Radboud University in the Dutch city Nijmegen, he was looking at some photos from another meeting he had that day: Willem-Alexander, the king of the Netherlands, had taken a tour of the city’s efforts to make its riverside a friendlier habitat for bugs.

Stemming insect declines will require much more than this, however. The European Union already had some measures in place to help pollinators — including more strictly regulating pesticides than the United States does and paying farmers to create insect habitats by leaving fields fallow and allowing for wild edges alongside cultivation — but insect populations dropped anyway. New reports call for national governments to collaborate; for more creative approaches such as integrating insect habitats into the design of roads, power lines, railroads and other infrastructure; and, as always, for more studies. The necessary changes, like the causes, may be profound. “It’s just another indication that we’re destroying the life-support system of the planet,” Lister says of the Puerto Rico study. “Nature’s resilient, but we’re pushing her to such extremes that eventually it will cause a collapse of the system.”

Scientists hope that insects will have a chance to embody that resilience. While tigers tend to give birth to three or four cubs at a time, a ghost moth in Australia was once recorded laying 29,100 eggs, and she still had 15,000 in her ovaries. The fecund abundance that is insects’ singular trait should enable them to recover, but only if they are given the space and the opportunity to do so.

“It’s a debate we need to have urgently,” Goulson says. “If we lose insects, life on earth will. ...” He trailed off, pausing for what felt like a long time.

In Denmark, Sune Boye Riis’s transect with his car net took him past a bit of woods, some suburban lawns, some hedges, a Christmas-tree farm. The closest thing to a meadow that we passed was a large military property, on which the grass had been allowed to grow tall and golden. Riis had received instructions not to drive too fast, so traffic backed up behind us, and some people began to honk. “Well,” Riis said, “so much for science.” After three miles, he turned around and drove back toward the start. His windshield stayed mockingly clean.

Riis had four friends who were also participating in the study. They had a bet going among them: Who would net the biggest bug? “I’m way behind,” Riis said. “A bumblebee is in the lead.” His biggest catch? “A fly. Not even a big one.”

At the end of the transect, Riis stopped at another parlous roadside spot, unfastened the net and removed the small bag at its tip. Some volunteers, captivated by what the study revealed about the world around them, asked the organizers for extra specimen bags, so they could do more sampling on their own. Some even asked if they could buy the entire car-net apparatus. Riis, though, was content to peer through the mesh, inside of which he could make out a number of black specks of varying tininess.

There was also a single butterfly, white-winged and delicate. Riis thought of the bet with his friends, for which the meaning of bigness had not been defined. He wondered how it might be reckoned. What gave a creature value?

“Is it weight?” he asked, staring down at the butterfly. In the big bag, it looked small and sad and alone. “Or is it grace?”