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segunda-feira, 6 de julho de 2026

Força Portugal!


Sabiam que temos um insecto que veste as cores verde e vermelho de Portugal? É o gafanhoto-de-asas-vermelhas (Oedipoda germanica).  A natureza realmente vestiu-se com as cores da nossa bandeira para esta partida. Força Portugal!

With the big Portugal vs. Spain Iberian derby coming up, I was looking through my photography and found the ultimate, natural-born supporter!
I snapped this shot , and it perfectly captures the verde e vermelho spirit. At first glance, this Red-winged grasshopper (Oedipoda germanica) looks completely camouflaged against the stone. But the moment it takes flight, it flashes those brilliant, fiery red wings—perfectly framed by the green moss in the background! Nature truly dressed up in our national colors for this match.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

Louva-a-deus - auxiliares da agricultura biológica


O louva-a-deus é um inseto que fascina os humanos há séculos. Os registos mostram que os antigos egípcios, assírios e gregos, acreditavam que o louva-a-deus tinha poderes proféticos e sobrenaturais. Eram capazes de identificar a localização de objetos, animais ou pessoas perdidas. Na França antiga, acreditavam que um louva-a-deus era capaz de levar uma criança perdida para casa.

Nos nossos dias, o louva-a-deus ainda é considerado especial. Em algumas partes de África, acreditam que traz boa sorte se um louva-a-deus pousar num humano. Na China e no Japão, o louva-a-deus é reverenciado por seus movimentos graciosos e formas contemplativas. Inclusive, os seus movimentos inspiraram dois estilos conhecidos de antigas artes marciais chinesas. São muitas vezes vitos como um símbolo de equilíbrio e paciência. Antes de atacar, eles observam atentamente os seus alvos e são conhecidos por fazerem poses estratégicas.

Os louva-a-deus são insetos pertencentes à Ordem Mantodea (do grego mantis - profeta; eidos - aparência). É, por isso, fácil perceber a origem do nome louva-a-deus.  Deve-se ao modo como seguram a frente de seus corpos e posicionam suas enormes patas dianteiras quando estão em repouso, parece que eles estão a orar ou a meditar. 

Atualmente, são conhecidas mais de 2.000 espécies de louva-a-deus e podem ser encontrados em todos os continentes, exceto na Antártida. A maioria das espécies habita ambientes tropicais e subtropicais. O tamanho varia muito consoante a espécie. Podem ir dos 3 aos 8 cm, embora algumas espécies tropicais podem crescer até aos 20 cm ou mais.

Em Portugal, são conhecidas nove espécies. A mais abundante é o louva-a-deus-comum (Mantis religiosa). É uma das espécies que atinge maiores dimensões com as fêmeas a atingirem oito centímetros de comprimento.

São especialistas em camuflagem e mimetismo. Muitas vezes, estão ao nosso lado e nem os vemos. A cor mais comum é o verde ou o castanho. Contudo, muitas espécies assumem a cor do seu habitat que as rodeia. Eles podem imitar folhas, galhos, flores e até outros insetos. Algumas espécies tropicais conseguem assemelhar-se tanto com flores que alguns polinizadores chegam a pousar neles em busca de néctar.

A sua estrutura também é fantástica. Têm pescoço longo e flexível que se dobra facilmente, permitindo que girem a cabeça 180° de um lado para o outro, dando-lhes um campo de visão de 300°. Na cabeça, têm uma armadura bucal trituradora, antenas longas e delgadas, grandes olhos capazes de focar o mesmo local ao mesmo tempo e 3 ocelos (órgãos sensoriais que detetam a intensidade e direção da luz, mas não são capazes de formar imagens) entre as antenas. Tórax longo. As patas anteriores são preênseis, com espinhos que ajudam a reter a presa. A rapidez destas é tal que podem caçar moscas em voo.

São animais solitários. As fêmeas são maiores do que os machos. Embora possuam asas, são fracos voadores (as fêmeas voam pior do que os machos). O acasalamento do louva-a-deus ocorre entre agosto e outubro. É frequente a fêmea comer o macho durante ou após a cópula, começando pela cabeça, pois os gânglios nervosos que controlam os movimentos de cópula são controlados nos abdominais que são devorados no fim.

A postura dos ovos ocorre no outono. Os ovos são depositados juntamente com uma espuma que endurece, constituindo uma ooteca (involucro) que pode conter entre 200 a 300 ovos. As larvas emergem na primavera (maio/junho) já com o inseto plenamente desenvolvido.

Utilidade do Louva-a-deus na horta
A sua utilidade na horta é reconhecida há muito tempo. É um dos insetos auxiliares mais uteis. Têm um apetite voraz e comem tudo que lhes passe pela frente, moscas, mosquitos, formigas, traças, grilos, afídios ou gafanhotos e por vezes, podem até alimentar-se de presas três vezes maiores do que eles. Também comem insetos benéficos na horta, mas a sua preferência é pelos insetos que coincidentemente causam os maiores danos às culturas da horta.

Quase sempre atacam de emboscada aproveitando as suas capacidades de camuflagem. Com muita paciência, esperam que as suas presas estejam suficientemente perto, e de seguida, num décimo de segundo, desferem um golpe certeiro com as patas anteriores que são como garras e ajudam a segurar a presa enquanto é consumida.

As crias são caçadoras vorazes logo desde o início. À medida que vão crescendo, o tamanho das suas presas vai aumentando de modo correspondente.

Contrariamente ao que alguns dizem, o louva-a-deus não é venenoso.

São uma ajuda importante no controlo de pragas na horta.

terça-feira, 5 de agosto de 2025

O dragão-azul


O dragão-azul (Glaucus atlanticus) tem aparecido em notícias pouco lisonjeadoras. Diz-se que este belo nudibrânquio pelágico apareceu em Espanha, que pode chegar a Portugal e que é perigoso, como se fosse um dinossauro perigoso.
Ora, já cansa tanta estupidez nas notícias. Esta lesma-do-mar de uns meros 3 ou 4 cm vive à superfície dos oceanos e é cosmopolita, ocupando as faixas tropical às zonas temperadas.
Ao contrário das notícias, existe, desde que há estudos, em Portugal, em especial nos Açores e Madeira. É predadora de medusas e pode comer a caravela-portuguesa (espécie altamente venenosa), incorporando os seus nematocistos que usa para se defender. Assim, alguns podem de facto causar queimaduras na pele de quem lhe toca mas longe da agressividade das alforrecas, até pelo seu pequeno tamanho. Por isso, convém apreciar estas belas criaturas sem lhes mexer, que é como deve ser, embora a maior parte seja inofensiva.

sexta-feira, 19 de janeiro de 2024

Borboletas-lobas estão a perder as suas manchas por causa do aquecimento global

Borboleta-loba sem qualquer uma das suas manchas características, incluindo a grande mancha em forma de olho das asas anteriores.

À medida que a temperatura do planeta aumenta, as borboletas-lobas (Maniola jurtina) estão a perder as manchas escuras que têm nas suas asas. Pensa-se que as manchas em forma de olho que têm nas asas anteriores sirvam para afugentar predadores e que as mais pequenas que têm nas asas posteriores sejam usadas como mecanismo de camuflagem.

Uma investigação liderada pela Universidade de Exeter, no Reino Unido, descobriu que as fêmeas dessa espécie de lepidópteros que se desenvolvem a uma temperatura ambiente de 11 graus Celsius têm seis manchas na face inferior das asas posteriores. Contudo, as que se desenvolvem a temperaturas mais elevadas apresentam menos manchas.

Os resultados do trabalho foram revelados num artigo publicado revista ‘Ecology and Evolution’. Richard ffrench-Constant, um dos principais autores, explica, em comunicado, que “cada vez menos destas manchas nas asas posteriores aparecem quando as fêmeas experienciam temperaturas mais elevadas durante a fase de pupa”, um estágio do desenvolvimento em que a futura borboleta está envolvida por uma crisálida.

Além da perda de manchas nas asas posteriores, os cientistas encontraram também fêmeas que perderam as grandes manchas em forma de olho das asas anteriores.

Com base nessas constatações, o investigador argumenta que “isso sugere que as borboletas adaptam a sua camuflagem com base nas condições”, detalhando que “com menos manchas podem ser mais difíceis de detetar na relva seca e acastanhada que seria mais comum num clima mais quente”.

Contudo, o mesmo não foi observado nos machos, e a equipa acredita que isso pode dever-se ao facto de as manchas desempenharem uma função importante na reprodução, para atrair as fêmeas.

Até agora pensava-se que as variações nas manchas nas asas das borboletas-lobas dentro de uma mesma população refletia o que é conhecido como polimorfismo genético, ou seja, “a coexistência de múltiplas formas genéticas numa mesma população”. Mas este estudo vem revelar que, afinal, as diferenças resultam de uma ‘plasticidade térmica’, uma capacidade através da qual as borboletas reagem e adaptam-se às mudanças de temperatura nos ambientes em que se desenvolvem.

Com um planeta cada vez mais quente, os investigadores preveem que as manchas das borboletas-lobas fêmeas diminuirão de ano para ano. E Richard ffrench-Constant confessa-se surpreendido pelo que encontraram: “esta é uma consequência inesperada das alterações climáticas”, no âmbito das quais “tendemos a pensar que as espécies se vão deslocando para norte, em vez de mudarem a sua aparência”.

segunda-feira, 27 de novembro de 2023

Aumento de cães errantes pode afetar conservação do lobo-ibérico a sul do Douro

Lobo-ibérico - Terras de Bouro

O crescente número de cães errantes, que não estão confinados e circulam livremente, pode estar a colocar problemas à conservação do lobo-ibérico a sul do Rio Douro, onde se localiza a subpopulação lupina em maior risco de extinção em Portugal.

A conclusão é apresentada num artigo divulgado recentemente na revista ‘European Journal of Wildlife Research’, da autoria de um grupo de investigadores das universidades de Aveiro e de Lisboa e das organizações conservacionistas Rewilding Portugal e Zoo Logical.

Para perceberem a dieta de cães errantes e de lobos que ocorrem nessa região, os cientistas estudaram 107 amostras de excrementos de lobos e 95 de cães, usando técnicas de análise genética para confirmar as espécies a que pertenciam.

E concluíram que, na região oeste, nas Serras da Freita e Arada e em Montemuro, duas Zonas Especiais de Conservação da rede europeia de áreas protegidas Natura 2000, as cabras são a presa mais consumida pelos cães, seguidas pelos coelhos e lebres, por outros pequenos mamíferos e, por fim, por javalis. Sendo o javali e a cabra as principais presas dos lobos na zona oeste da área de estudo, os cientistas argumentam que se pode estar a assistir a uma sobreposição das dietas dos lobos e dos cães errantes, havendo, assim, “um elevado potencial para competição por recursos”, diz a Rewilding em comunicado.
Representação mostra a composição das deitas de lobos e cães errantes a sul do Douro. Na região oeste, os investigadores identificaram uma sobreposição significativa das dietas de ambas as espécies de canídeos.
Fonte: Artigo
Na região central, a dieta dos lobos é mais diversa, alimentando-se sobretudo de aves e coelhos e lebres, ao passo que a dos cães errantes é principalmente composta por cabras e pequenos mamíferos. Na região mais oriental do estudo, só foi analisada uma amostra de excrementos de lobo que apontava para animais de gado como a principal presa, enquanto os cães errantes continuam a demonstrar preferência pelas cabras, seguidas pelos javalis.

“O lobo é muitas vezes presumido como autor dos ataques por defeito”
Este estudo debruçou-se também sobre ataques a animais de gado nessas áreas a sul do Douro. Dos 40 incidentes analisados, os investigadores concluíram, através de análises genéticas aos vestígios deixados pelos atacantes, que 62% deles foram causados exclusivamente por cães.

Descrevendo essa descoberta como “surpreendente”, a Rewilding diz que “revela o papel altamente influente que [os cães errantes] poderão ter no agudizar de conflitos entre comunidades locais e o lobo-ibérico, uma vez que o lobo é muitas vezes presumido como autor dos ataques por defeito”.

“Esperamos que os nossos resultados aumentem a consciência acerca do papel dos cães como predadores de gado e, possivelmente, também de espécies selvagens”, escrevem os cientistas no artigo. Para eles, “há uma necessidade urgente para uma melhor aplicação da lei de detenção de cães por parte das autoridades para reduzir o número de cães errantes com dono, bem como abordagens alternativas para recolha, realojamento e, em última instância, controlo da população de cães de rua”.

quinta-feira, 24 de agosto de 2023

Libélula- Camuflagem

Crothemis erythraea, fêmea
Libélula-escarlate
Crocothemis erythraea (Brullé, 1832)
Estatuto de Conservação: LC - Pouco Preocupante

Libélula com tamanho variável, sendo que os adultos podem ultrapassar os 40 mm de comprimento, e atingir os 33 mm de envergadura de asa. Os machos maduros são robustos e vermelhos-escarlate (tórax, abdómen e patas); os olhos são vermelhos com a parte inferior azulada. As fêmeas e os imaturos são castanho-amarelados ou dourados, podendo apresentar uma linha negra abdominal (vista dorsal). O abdómen é largo e achatado. Os dois pares de asas apresentam nervuras anteriores vermelhas e pterostigmas longos, castanho-amarelados. A base das asas posteriores apresentam manchas basais bastante características, que são laranjas no macho e amarelas/âmbar na fêmea. Voam de Fevereiro a Novembro.

Habitat / Ecologia
Encontra-se junto de águas com pouca profundidade, estagnadas e eutróficas tais como lagoas, arrozais e canais de drenagem. É tolerante a alguns graus de salinidade.

Os adultos passam muito do seu tempo empoleirados na vegetação. Os machos têm um voo lançado e rápido, pairando frequentemente no ar.