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domingo, 29 de março de 2026

Nesta semana a ONU aprovou, por larga maioria, uma resolução que declara o tráfico transatlântico de escravos "o crime mais grave contra a humanidade". O que isso significa?


A Assembleia Geral das Nações Unidas apoiou esta semana, por larga maioria, uma resolução que declara o tráfico transatlântico de escravos "o crime mais grave contra a humanidade".

A resolução histórica aprovada na quarta-feira foi apoiada pela União Africana (UA) e pela Comunidade das Caraíbas (Caricom). Tinha sido proposta pelo presidente do Gana, John Dramani Mahama, que disse: "Que fique registado que, quando a história chamou, fizemos o que era certo em memória de milhões que sofreram a indignidade da escravatura."

Ao saudar a votação, o Secretário-Geral da ONU, António Guterres, afirmou que a riqueza de muitas nações ocidentais foi "construída sobre vidas roubadas e trabalho forçado".

Assinalando os "castigos bárbaros que mantinham o controlo – desde grilhões e coleiras de ferro a açoites e violência sexual", disse que "não se tratava simplesmente de trabalho forçado".

"Era uma máquina de exploração em massa e de desumanização deliberada de homens, mulheres e crianças. As feridas são profundas e muitas vezes passam despercebidas."

A resolução, apoiada por países africanos e caribenhos, não é juridicamente vinculativa, mas os analistas afirmam que transmite uma mensagem poderosa.

"É já um passo enorme e significativo em termos políticos ter este debate na ONU, mesmo que tenha um valor mais simbólico", disse Almaz Teffera, investigadora sénior sobre racismo da Human Rights Watch, à BBC.

Ela afirma que isto poderia aumentar as hipóteses de progresso nas discussões sobre reparações ou alguma forma de compensação.

A resolução foi aprovada por 123 votos a três, com 52 abstenções, incluindo o Reino Unido e os Estados-membros da UE.

Os Estados Unidos, a Argentina e Israel votaram contra.
A Dra. Erieka Bennett, que lidera o Fórum Africano da Diáspora, sediado no Gana, disse à BBC que a votação teve um significado pessoal para os descendentes de pessoas escravizadas, como ela.

"Significa que sou reconhecida, significa que o meu antepassado finalmente descansa em paz". Para mim, pessoalmente, como afro-americano, é algo avassalador – até que se tenha vivido o que aconteceu, é muito difícil perceber o que isso realmente significa.

Os países afetados pela escravatura têm vindo a pedir reparações há mais de um século. Mas o debate intensificou-se nos últimos anos, sobretudo depois de algumas nações e empresas que historicamente lucraram com o trabalho escravo africano terem pedido formalmente desculpa e anunciado medidas de reparação.

Qual é o argumento a favor das reparações?
Dos séculos XV ao XIX, cerca de 12 a 15 milhões de homens, mulheres e crianças africanos foram capturados e traficados para as Américas para trabalharem como escravos.

Foram enviados para colónias controladas por países europeus, como Espanha, Portugal, França e Reino Unido. Acredita-se que dois milhões de pessoas morreram a bordo dos infames navios negreiros.

Os efeitos de séculos de exploração ainda se fazem sentir nos dias de hoje.

No Brasil, o maior recetor de africanos escravizados – 4,9 milhões, a maioria durante o período em que era colónia portuguesa – as pessoas negras têm o dobro da probabilidade de viver na pobreza. como brancos, de acordo com o órgão oficial de estatísticas do país (IBGE).

As reparações têm como objetivo funcionar como uma restituição – um pedido de desculpas e um pagamento às pessoas negras cujos antepassados ​​foram forçados à escravatura. A moção, proposta pelo Gana, insta os Estados-membros da ONU a considerarem pedir desculpa pelo tráfico de escravos e a contribuírem para um fundo de reparações.

A Dra. Esther Xosei, académica, ativista e figura de destaque no movimento global pelas reparações, saudou a votação, mas duvida que faça grande diferença por si só.

"É uma boa vitória [para o movimento pelas reparações], mas vamos recordar “Isto é apenas uma declaração de intenções”, disse ela à BBC.

Xosei acrescentou que, embora fosse “encorajador ver as nações africanas a assumir o protagonismo nestas discussões”, destacou a importância da ação popular.

“Corações e mentes não serão conquistados na ONU.”

“A verdadeira batalha será travada nas ruas, onde as pessoas ainda estão mal informadas sobre a história da escravatura e os seus efeitos duradouros na vida dos africanos e dos seus descendentes.”

Existe algum precedente histórico para as reparações?
Sim – o caso de reparações mais famoso envolve a Alemanha. Desde 1952, a nação europeia pagou mais de 80 mil milhões de dólares (60 mil milhões de reais) às vítimas judias do regime nazi, incluindo pagamentos a Israel.

Mas, até agora, nunca nenhum país pagou reparações aos descendentes de africanos escravizados ou às nações africanas, caribenhas e latino-americanas afetadas.

A maior parte das reparações pagas pelos governos veio sob a forma de indemnizações aos proprietários de escravos no século XIX, e não àqueles que foram escravizados.

Isto inclui o Reino Unido - na década de 1830, após a abolição da escravatura, o país pagou aos proprietários o equivalente a mais de 21 mil milhões de dólares (16 mil milhões de libras) em valores actuais.

Mesmo nações que pediram formalmente desculpas pelo seu papel na escravatura, como a Holanda em 2022, descartaram reparações financeiras diretas aos descendentes de pessoas escravizadas. O governo holandês criou, em vez disso, um fundo de 230 milhões de dólares para "iniciativas e projetos sociais para lidar com o legado da escravatura".

"O mais importante a compreender é que ninguém está a tentar mudar o passado, mas sim a lidar com as suas consequências no presente", explicou a Dra. Celeste Martinez, investigadora especializada em colonialismo espanhol em África.

"Os legados da escravatura ainda persistem hoje sob a forma de racismo e desigualdade. Reconhecer o passado é crucial se queremos sociedades mais justas e democráticas."

sábado, 28 de março de 2026

'Crime mais grave contra a humanidade': o que significa a resolução da ONU sobre a escravatura e o que pode mudar?


Decisão tem peso simbólico, mas reforça o debate global sobre reparações, memória e responsabilidades históricas

A decisão da Assembleia Geral da ONU de classificar o tráfico transatlântico de pessoas escravizadas como “o crime mais grave contra a humanidade” amplia o reconhecimento internacional sobre a gravidade do sistema escravagista e os seus efeitos duradouros. Embora não tenha caráter vinculativo — ou seja, não obriga os países a adotar medidas concretas —, a resolução é vista como um marco político que pode fortalecer as pressões por reparações e por medidas de reconhecimento histórico.

A formulação destaca o tráfico de africanos entre os séculos XV e XIX, período em que entre 12 e 15 milhões de pessoas foram levadas à força para as Américas, registando-se cerca de 2 milhões de mortes durante a travessia.

Para o secretário-geral António Guterres, o sistema foi “construído sobre vidas roubadas e trabalho roubado” e constituía “uma máquina de exploração em massa e de desumanização deliberada de homens, mulheres e crianças”.

Reconhecimento político e efeitos práticos
Na prática, a resolução não obriga os países a adotar medidas concretas, mas eleva o estatuto do tema dentro das Nações Unidas.

“Já é um passo enorme e significativo em termos políticos ter este debate na ONU, mesmo que tenha um valor mais simbólico”, afirmou Almaz Teffera, investigadora sénior sobre racismo na Human Rights Watch, à BBC.

Especialistas apontam que o principal efeito pode ser o fortalecimento das exigências de reparações, que incluem:
  1. Compensações financeiras;
  2. Pedidos formais de desculpa;
  3. Criação de fundos;
  4. Investimentos em educação.
Para a líder do Fórum Africano da Diáspora, Erieka Bennett, o reconhecimento tem um impacto emocional direto:
“Isto significa que eu sou reconhecida, significa que o meu ancestral finalmente descansa. Para mim, pessoalmente, como afro-americana, estou emocionada. Até que faça parte do que aconteceu, é muito difícil entender o que isso realmente significa.”

A resistência e os valores em debate
O tema enfrenta resistência de países como os Estados Unidos e o Reino Unido, que rejeitam reparações financeiras diretas. O ministro dos Negócios Estrangeiros britânico, David Lammy, afirmou que “não se trata de transferência de dinheiro”. Entre os argumentos contrários estão a dificuldade de responsabilizar as gerações atuais e de identificar os descendentes diretos.

Os valores em discussão variam amplamente. As estimativas citadas incluem:
  • Pelo menos 33 biliões de dólares, em propostas associadas à Caricom;
  • Até 107 biliões de dólares, segundo Patrick Robinson.
Para o analista jurídico Luke Moffett, “legalmente, é uma montanha enorme que não pode ser escalada".
“Mas isso não significa que as partes envolvidas não devam sentar-se e negociar. As pessoas, no entanto, não devem esperar biliões de dólares. Também é provável que estas discussões levem décadas para chegar a algum tipo de acordo”, explica.

Além do dinheiro
Há uma crescente ênfase em medidas não financeiras. Segundo a representante do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH), Sara Hamood, o aspeto financeiro é "apenas uma parte".
“Temos dito repetidamente que nenhum país enfrentou plenamente o legado da escravatura ou contabilizou de forma abrangente os seus impactos na vida das pessoas de ascendência africana. Pedidos formais de desculpa, o esclarecimento da verdade e a educação fazem parte de um amplo conjunto de medidas”, afirma.

Para os defensores, a resolução é um avanço, mas ainda insuficiente. A académica e ativista Esther Xosei duvida que a votação da ONU, por si só, tenha efeitos reais:
“É uma boa vitória [para o movimento por reparações], mas lembremo-nos de que isto é apenas uma declaração de intenções. Os corações e as mentes não serão conquistados na ONU. A verdadeira batalha será travada nas ruas, onde as pessoas ainda estão desinformadas sobre a história da escravatura e os seus efeitos duradouros na vida dos africanos e dos seus descendentes.”

A classificação também gerou críticas. Para o vice-embaixador dos EUA na ONU, Dan Negrea, há um equívoco em hierarquizar os crimes contra a humanidade:
“A afirmação de que alguns crimes contra a humanidade são menos graves do que outros diminui objetivamente o sofrimento de inúmeras vítimas e sobreviventes de outras atrocidades ao longo da história”, explica.

terça-feira, 9 de dezembro de 2025

FIFA’s Gianni Infantino faces ethics complaint over Trump peace prize


FIFA President Gianni Infantino’s effusive praise for Donald Trump and the decision by the world football governing body to award a peace prize to the US president have triggered a formal complaint over ethics violations and political neutrality.

Human rights group FairSquare said on Tuesday that it has filed a complaint with FIFA’s ethics committee, claiming the organisation’s behaviour was against the common interests of the global football community.

The complaint stems from Infantino awarding Trump FIFA’s inaugural peace prize during the December 6 draw for the 2026 World Cup to be played in the United States, Canada and Mexico in June and July.

“This complaint is about a lot more than Infantino’s support for President Donald Trump’s political agenda,” FairSquare’s programme director Nicholas McGeehan said.

“More broadly, this is about how FIFA’s absurd governance structure has allowed Gianni Infantino to openly flout the organisation’s rules and act in ways that are both dangerous and directly contrary to the interests of the world’s most popular sport,” said McGeehan, head of the London-based advocacy group.

According to the eight-page complaint from the rights group filed with FIFA on Monday, Infantino’s awarding of the peace prize “to a sitting political leader is in and of itself a clear breach of FIFA’s duty of neutrality”.

“If Mr. Infantino acted unilaterally and without any statutory authority this should be considered an egregious abuse of power,” the rights group said.


FairSquare also pointed to Infantino lobbying on social media earlier this year for Trump to receive the Nobel Peace Prize for his role in the Israel-Gaza conflict. Venezuela’s Maria Corina Machado ultimately received the prize.

FairSquare said it wants FIFA’s independent committee to review Infantino’s actions.

The New York-based Human Rights Watch also criticised FIFA’s awarding of the prize to Trump, saying his administration’s “appalling human rights record certainly does not display exceptional actions for peace and unity”.

Disciplinary action from the FIFA Ethics Committee can include a warning, a reprimand and even a fine. Compliance training can also be ordered, while a ban can be levied on participation in football-related activity. But it remains unclear if the ethics committee will take up the complaint.

Infantino has not immediately responded, and FIFA said it does not comment on potential cases.

Current FIFA-appointed ethics investigators and judges are seen by some observers to operate with less independence than their predecessors a decade ago, when FIFA’s then-president, Sepp Blatter, was removed from office.

Trump was on hand for the World Cup 2026 draw ceremony on Friday, along with Mexican President Claudia Sheinbaum and Canadian Prime Minister Mark Carney.

But it was Trump who received the most attention during the event at the Kennedy Centre in Washington, DC.

During the event, Infantino presented Trump with a gold trophy, a gold medal and a certificate.

“This is your prize; this is your peace prize,” Infantino told Trump.

FIFA also played a video that touched on some of Trump’s efforts towards so-called peace agreements.

Ler mais:

segunda-feira, 18 de novembro de 2024

Global: Africans and people of African descent call on Europe to reckon with their colonial legacies


Experts from the African continent and its global diasporas called on European governments to address their colonial past and ongoing impacts at the Dekoloniale Berlin Africa Conference, a decolonial counter-version of the 1884/5 Berlin Africa Conference 140 years ago.

Representatives from Africa and people of African descent came together at the conference on November 15, 2024, to reflect on the history and lasting impacts 140 years after the opening of the 1884/5 Berlin Africa Conference, where European powers expanded their colonial reach across the African continent. Civil society organizations working on the legacies of colonialism in the world, including its ongoing impact on human rights, also joined the November 15 conference.

At the Dekoloniale Berlin Africa Conference, 19 experts discussed how the legacies of those historical injustices are linked to systemic racism and global inequality. The 19 experts included the award-winning UK broadcaster Gary Younge, the Angolan artist Kiluanji Kia Henda, the Cameroonian lawyer Alice Nkom, and Pumla Dineo Gqola, the South African academic, award-winning writer, and gender activist.

“It’s important the Dekoloniale Berlin conference took place at the site that changed the world in many ways, powered by an enormous sense of entitlement, which can never be fully returned,” said Pumla Dineo Gqola.

“The conversations around debt, human rights and reparations, even at the level of art and culture, the conversation of coloniality, is one that shows every aspect of how the EU is a power block. Going forward, I want to see a significant shift in the negotiation of states inside and out of the EU – and whatever that looks like needs to move beyond diplomacy, while conversations about reparations must be serious and move out of the realms of superficiality.”

The 19 experts, either from the African diaspora or invited from countries affected by the 19 European powers represented in the 1884/5 conference, set out a 10-point list of demands on human rights, reparations, migration, economy, trade and anti-racism.

Among their demands are calls for European governments to address their selective advocacy of human rights in their relations with the African continent based on political, economic and diplomatic interests; the need for European governments to adopt transformative actions that unconditionally recognize systemic racism, inequalities and inequities; fair and equitable trade and investment regimes between Africa and Europe while also consulting the African diaspora; an end to EU externalization of its border which has created EU borders on African soil; the return of what was stolen from communities – whether land, objects or the remains of ancestors; and inclusive dialogue where African communities lead the conversation on their terms.

“For far too long communities and individuals directly impacted by historical injustices have been demanding reparations, especially Indigenous Peoples and people of African descent, Rym Khadhraoui, researcher on racial justice at Amnesty International

As part of a wider Dekoloniale festival marking 140 years since the Berlin Africa Conference, African Futures Lab, Amnesty International and Human Rights Watch organized a joint workshop to explore strategies for communities impacted by colonial legacies – and who continue to be affected today – to achieve justice and fulfilment of their human rights in line with European governments’ obligations under international human rights law.

“For far too long communities and individuals directly impacted by historical injustices have been demanding reparations, especially Indigenous Peoples and people of African descent,” said Rym Khadhraoui, Amnesty International’s racial justice researcher. “Colonialism, enslavement, the slave trade and their ongoing legacies remain largely unaccounted for by European states and others who are responsible.”

Based on experts’ interventions, participants at the workshop shared and exchanged reparations struggles they have experienced and obstacles to upholding communities’ rights. Participants noted the failure of meaningful consultations of affected communities in the Namibia-Germany negotiations process to address Germany’s colonial crimes in Southwest Africa and by the UK government in the context of its negotiations with Mauritius around sovereignty over the Chagos Islands.

“Reckoning with these European colonial legacies is not optional for European governments, it’s an obligation under international human rights law. Almaz Teffera, researcher on racism in Europe at Human Rights Watch

African Futures Lab recently released a report on the Métis children— children of mixed African and European ancestry — abducted by Belgium’s colonial administration. In the Great Lakes region, organizations concerned with the rights of Métis children are demanding concrete reparations measures from the Belgian state. Five Métis women, who were forcibly taken during Belgium’s colonization of Congo, are pursuing legal action in Belgium against the Belgian state. They seek justice and reparations for crimes against humanity, with a ruling expected in early December.

“Reckoning with these European colonial legacies is not optional for European governments, it’s an obligation under international human rights law,” said Almaz Teffera, researcher on racism in Europe at Human Rights Watch. “European governments should embrace the need for victim-centred reparations processes that genuinely recognize and address the ongoing harms and losses as a result of their historic actions over the years.”

Going forward, those affected by colonialism are calling for accountability and acknowledgment of the historical injustices of European colonialism and its impacts on human rights in line with European governments’ obligation under international human rights law.

The far-reaching impacts are manifold, with Amnesty International highlighting the impacts of colonialism in a submission to the United Nations Special Rapporteur on contemporary forms of racism, racial discrimination, xenophobia and related intolerance.

It’s time to dismantle these structures and correct the historical wrongs that still shape our world today.Geneviève Kaninda, advocacy and policy officer at African Futures Lab

“Governments can no longer dismiss our call for reparations—they must be held accountable,” said Geneviève Kaninda, advocacy and policy officer for African Futures Lab. “True reparatory justice isn’t just a step forward; it’s a necessity for building a fair and equitable world rooted in racial justice. The colonial legacies of oppression have entrenched systemic racism, widened global wealth gaps, and fuelled inequality. It’s time to dismantle these structures and correct the historical wrongs that still shape our world today.”

segunda-feira, 29 de janeiro de 2024

O estado de Israel usa a lavagem rosa para demonizar a Palestina. Mas há quem o denuncie


A propaganda de Israel usa o pinkwashing para minimizar a homofobia no país e maximizá-la na Palestina. Quer criar uma oposição binária que, quando justaposta, demonstra a sua suposta superioridade civilizacional para ganhar apoio para levar a cabo o extermínio do povo palestiniano.

Multiplicam-se os crimes de guerra hediondos cometidos pelo Estado de Israel na Faixa de Gaza e na Cisjordânia. Já se cumpriram mais de 100 dias desde o início da fase mais recente e mortífera deste outrora chamado “conflito”, cuja dimensão genocida e colonialista se tornou difícil de ocultar aos olhos do mundo.

Entretanto, aguarda-se, da parte do Tribunal Internacional de Justiça, a decisão sobre a acusação de genocídio do povo palestiniano defendida pela África do Sul e apoiada por várias nações do Sul global. O desenlace será decisivo: ora dará carta branca a outras potências imperialistas para aniquilar populações a seu livre desígnio, ora criará mais uma condenação que Israel não tem incentivo para respeitar, erodindo ainda mais a autoridade dos órgãos internacionais.

Para largos setores da sociedade civil, é incompreensível que um genocídio possa ser levado a cabo com o conhecimento do mundo e o apoio tácito dos dirigentes políticos do Norte global, incluindo dos de Portugal. Para aqueles já próximos da causa palestiniana - que se distingue de outras lutas pela libertação precisamente pela sua relativa visibilidade há largas décadas -, esta incompreensão, mais do que frustrante, deve ser encarada como potente. A indizibilidade do terror a que assistimos força-nos a novos balanços que expliquem como aqui chegámos.

Como pode a “única democracia do Médio Oriente” revelar-se, afinal, o agente terrorista por excelência com o apoio das outras “democracias” que garantem o cumprir do direito e da ordem internacional?

Décadas de pinkwashing israelita
Será talvez surpreendente que no seio de alguns ativismos queer e LGBTQIA+ se tenha encontrado, em especial mas não exclusivamente nas últimas duas décadas, uma das resistências mais consistentes e combativas à propaganda imperialista. Pessoas e coletivos à margem da cisheteronormatividade denunciam, um pouco por todo o mundo, o pinkwashing (“lavagem a rosa”) do Estado de Israel tanto no seu próprio território como nas suas atividades no estrangeiro. Mas o que têm, concretamente, as questões de sexualidade e de género a ver com a ocupação israelita dos Territórios Palestinianos Ocupados (TPO)? Afinal, não é Tel Aviv um oásis de liberdade?

Recuemos no tempo. Israel partilha, na verdade, uma cronologia muito semelhante à de Portugal. O sexo entre adultos do mesmo género foi despenalizado em Portugal em 1982, enquanto em Israel aconteceu seis anos depois, em 1988. Em ambos os casos tratou-se de um ajuste nominal a leis que já não eram exercidas, mas abriu caminho para que os esforços de um novo movimento associativo dessem frutos.

Este ativismo, capaz de dialogar com as instituições e com a sociedade civil, despontou na década de 1990 e celebrou uma série de feitos: interditou a discriminação com base na orientação (1992), promoveu a total participação de soldados homossexuais nas forças armadas (1998), defendeu a adoção por casais homoparentais (2008) e a mudança de género legal sem requerimento de cirurgia de redesignação sexual (2015). Ambos os países superaram a sua imagem retrógrada e desajustada - no caso de Israel, particularmente veiculada ao fundamentalismo religioso - para serem vistas como inquestionavelmente integradas no Norte global, ícones do cosmopolitismo e da tolerância, destinos turísticos com o carimbo LGBT-friendly.

A Marcha do Orgulho de Jerusalém, que tem lugar desde 1997, foi palco de dois esfaqueamentos pela mão do mesmo atacante ultra-ortodoxo, dos quais resultaram vários feridos e a morte de uma adolescente. Em 2019 foram detidos outros 49 possíveis atacantes.

Estas vitórias são-no em ambos os casos porque não foram dadas de mão beijada. No caso israelita, a sua cooptação ofusca as tendências sociais mais reacionárias, bem como as suas próprias contradições enquanto Estado teocrático por definição.

Estas contradições não são menores, mas fundamentais à génese do projeto de Estado desde o seu início, entre forças democráticas e ultra-nacionalistas cuja influência é minimizada mas cujo domínio sobre a legislatura e a sociedade civil são reais. As tensões estão presentes mesmo nos momentos mais simbólicos da tolerância LGBTQIA+. A Marcha do Orgulho de Jerusalém, que tem lugar desde 1997, foi palco de dois esfaqueamentos (em 2005 e em 2015) pela mão do mesmo atacante ultra-ortodoxo, dos quais resultaram vários feridos e a morte de uma adolescente. E, na Marcha de 2019, foram detidos outros 49 possíveis atacantes.

Não nos esqueçamos da celebração do festival WorldPride em Jerusalém, também em 2005, que foi forçosamente adiado para o ano seguinte por causa da acérrima oposição de representantes das três religiões monoteístas e do próprio parlamento israelita. E, em 2009, duas pessoas foram mortas num ataque armado ao centro LGBT de Tel Aviv. São certamente exemplos extremos, mas ilustram um terreno mais complexo do que o de uma meca harmoniosa e isolada contraposta tanto ao fundamentalismo religioso como à violência do “restante” Médio Oriente.

A questão do casamento entre pessoas do mesmo género também é ilustrativa. A 11 de dezembro de 2023, a conta X (antigo Twitter) oficial do Estado de Israel publicou a foto de um casal de dois homens, um pedindo o outro, um soldado em uniforme, em casamento. O tweet congratulou “o lindo casal”, entre um emoji de coração, a bandeira arco-íris e a bandeira israelita. O post omitiu convenientemente que o casamento não poderá ser celebrado no país. É que projetos-lei foram rejeitados no Knesset (assembleia legislativa) cinco vezes e o desafio cultural, bem como o legislativo, que o casamento representa revela o tipo de complexidade que o pinkwashing nos tenta esconder: não existe simplesmente casamento civil num país que não separa a religião do Estado.

O pinkwashing é isto: uma lavagem a cor-de-rosa das realidades complexas em ambos os lados da ocupação. Em Queer Palestine and the Empire of Critique, o antropólogo Sa’ed Atshan sistematiza da seguinte forma os pilares desta retórica: minimizar a homofobia em Israel e maximizar a homofobia na Palestina, para dessa forma criar uma oposição binária que, quando justaposta, demonstra a superioridade civilizacional da primeira face à segunda para ganhar apoio para levar a cabo o seu extermínio. Ou, como o próprio primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, o colocou: “o povo da luz contra o povo das trevas”, o “mal” contra a “liberdade e o progresso”.

sexta-feira, 5 de janeiro de 2024

COP será presidida novamente por homem com carreira no petróleo

Mukhtar Babayev
Um homem com carreira no setor do petróleo vai voltar a presidir à conferência do clima da ONU, já que o Azerbaijão nomeou o seu ministro da Ecologia e dos Recursos Naturais como presidente da COP29 de novembro.

“Sua Excelência Mukhtar Babayev foi nomeado presidente designado da 29.ª sessão da conferência das partes” da Convenção-Quadro das Nações Unidas para as Alterações Climáticas, segundo informação do ministério enviada hoje à agência France Presse sobre a nomeação do ex-funcionário da petrolífera Socar.

Os Emirados Árabes Unidos tinham escolhido para presidente o sultão Al Jaber, dirigente da empresa nacional Adnoc, para presidir a conferência da ONU do clima, que terminou em dezembro em Dubai com um apelo histórico inédito para uma “transição” afastada dos combustíveis fósseis.

A presidência da COP28 já felicitou Babayev, que representou o Azerbaijão nas negociações do Dubai, através de uma mensagem na rede social X: “Vamos trabalhar com as presidências da COP29 e COP30 (no Brasil), bem como com a ONU para o Clima, para concretizar o sucesso histórico e transformador da COP28 e manter a meta de 1,5°C ”.

O novo presidente da COP tem no seu currículo, entre 1994 a 2003, funções no departamento de relações económicas externas da Socar, a empresa nacional de petróleo e gás, antes de passar para a área de marketing e operações económicas.

Entre 2007 e 2010, foi vice-presidente responsável pela ecologia da empresa de petróleo e gás e é ministro da Ecologia e Recursos Naturais desde 2019.

Historicamente, os presidentes da COP foram ministros ou diplomatas, com exceção do ano passado com Sultan Al Jaber, que é presidente da Adnoc, um dos maiores produtores de gás e petróleo do Golfo, e representou o seu país em várias COP’s e afirmou-se como líder da empresa de energia renovável Masdar.

O governo azeri nomeou o vice-ministro dos Negócios Exteriores, Yalchin Rafiyev, como negociador-chefe da COP29.

O anfitrião anual da COP é escolhido por consenso pelos países da região designada. Em 2023, os países asiáticos designaram os Emirados Árabes Unidos, e este ano, após meses de bloqueios, foi definido o Azerbaijão pelos países da Europa de Leste, que incluem a Rússia.

Este ano será Baku a receber a COP e poderá fazer recordar a edição anterior, já que foi uma das capitais mundiais do petróleo no início do século XX, como apontou à AFP Francis Perrin, especialista em energia do Instituto de Relações Internacionais e Estratégicas, “com os interesses russos, da Shell e dos irmãos Nobel da época”.

O país desenvolveu grandes depósitos de petróleo e gás no Mar Cáspio desde a década de 1990, acrescentou.

Atualmente, o gás tornou-se mais importante do que o petróleo para este membro da OPEP+, exportado principalmente para a Europa.

“O país continua hoje muito dependente dos hidrocarbonetos, que representam pouco menos de 50% do seu PIB, pouco mais de 50% das suas receitas orçamentais e pouco mais de 90% das suas receitas de exportação”, analisou Perrin.

segunda-feira, 25 de dezembro de 2023

Sudão: "A guerra mais esquecida do nosso tempo"

Os novos combates no centro do Sudão obrigaram 300.000 pessoas a fugir

No extremo leste do Chade, mulheres com roupas coloridas tentam cozinhar numa fogueira improvisada, em frente às tendas dos refugiados. Fazem parte das famílias da região de Darfur, no oeste do Sudão, que conseguiram fugir para o outro lado da fronteira, em direção ao Chade. Estão vivas, mas ficaram sem nada:

"Eu e o meu marido temos quatro filhos. A vida é muito difícil. Aqui recebemos um saco de 10 quilos de comida todos os meses, mas isso não chega. A comida simplesmente não é suficiente", contou à DW uma testemunha que não quer ser identificada.

As organizações internacionais de ajuda humanitária não têm fundos para fazer face à catástrofe humanitária. Só no Chade vivem pelo menos 800.000 refugiados do Sudão, diz Pierre Honnorat, do Programa Alimentar Mundial.

"Precisamos urgentemente de financiamento para esta crise. É urgente porque primeiro temos de comprar os alimentos e trazê-los para o Chade e depois transportá-los até aqui, para a fronteira, para que as pessoas aqui recebam pelo menos uma refeição por dia."

Sete milhões de refugiados
No Sudão, os dois homens mais poderosos do país estão em conflito desde abril passado. De um lado está Abdelfaftah al-Burhan, o chefe do Exército e presidente do Conselho Soberano do Sudão, do outro, o seu antigo adjunto, Mohamed Hamdan Dagalo, que comanda as chamadas Forças de Apoio Rápido.

Os combates alastraram-se a todo o país, afetando até zonas residenciais. A situação no Sudão não podia ser pior, disse recentemente Jan Egeland, diretor do Conselho Norueguês para os Refugiados, numa entrevista à emissora alemã ARD.

"Entristece-me que o mundo esteja a ignorar um dos maiores desastres humanitários da nossa geração. Sim, há a guerra na Ucrânia, a crise em Gaza. Mas como é que o mundo pode esquecer, em apenas alguns meses, que mais seis milhões de pessoas tiveram de fugir daqui? As mulheres estão a ser violadas, os hospitais estão a ser bombardeados, os campos de refugiados estão a ser bombardeados!"

Segundo os relatos, a situação é particularmente difícil na região de Darfur, no extremo oeste do Sudão. As milícias das Forças de Apoio Rápido voltam a ser acusadas de crimes brutais contra os direitos humanos. Vinte anos depois, a crise vivida no Darfur em 2003 parece estar a repetir-se, lembra Jan Egeland.

"O Darfur está atualmente a sofrer uma limpeza étnica maciça", começou por explicar o diretor do Conselho Norueguês para os Refugiados, que trabalha nas Nações Unidas há 20 anos.

"O Darfur era uma questão importante, o então Presidente dos Estados Unidos, George W. Bush e o primeiro-ministro britânico Tony Blair estavam determinados a ajudar a população. Hoje, está a acontecer novamente o mesmo em Darfur - centenas de milhares de pessoas estão a ser deslocadas, milhares já foram massacradas - e ninguém parece ter consciência disso."

Comunidade internacional ignora Sudão?
A crise parece não ter fim à vista: até agora, todos os esforços de mediação internacional para um cessar-fogo falharam. Diz-se mesmo que algumas potências estarão a alimentar o conflito no Sudão, que é rico em matérias-primas - as milícias controlam várias minas de ouro no país.

As relações entre o Governo sudanês e as Nações Unidas são cada vez mais tensas. O enviado especial alemão Volker Perthes foi declarado "persona non grata" e demitiu-se. E o Sudão apelou à ONU para encerrar a missão de estabilização no país.

"Uma civilização inteira foi destruída, 24 milhões de pessoas precisam de ajuda. Se o que está a acontecer no Sudão estivesse a acontecer noutro lugar e não em África, estaria no topo da agenda política. É a guerra mais esquecida do nosso tempo."

Desde abril, a guerra entre o exército e as RSF já causou pelo menos 12 mil mortos e mais de sete milhões de deslocados no Sudão

segunda-feira, 21 de agosto de 2023

"Dispararam como chuva". Arábia Saudita acusada de mortes em massa de migrantes etíopes



Os guardas fronteiriços sauditas estão a ser acusados de matar centenas de migrantes, a maioria etíopes, usando armas explosivas e armas pequenas.No relatório da HRW, intitulado “They fired on us like rain” (“Eles dispararam contra nós como chuva”), conclui-se que "os guardas fronteiriços sauditas utilizaram armas explosivas para matar muitos migrantes e dispararam sobre outros à queima-roupa, incluindo muitas mulheres e crianças, num padrão de ataques generalizado e sistemático".

Em alguns casos, segundo o relatório, “os guardas fronteiriços sauditas perguntaram aos migrantes em que membro deviam disparar e depois dispararam sobre estes à queima-roupa".

No total, a HRW estima que "os guardas fronteiriços sauditas mataram pelo menos centenas de requerentes de asilo e migrantes etíopes que tentaram atravessar a fronteira entre o Iémen e a Arábia Saudita entre março de 2022 e junho de 2023". Os migrantes procuram atravessar o Iémen devastado pela guerra para chegar à Arábia Saudita.

A ONG defende que "os abusos sistemáticos sobre os etíopes (na Arábia Saudita) podem constituir crimes contra a humanidade" e apelou às Nações Unidas que iniciem uma investigação. A organização exigiu ainda à Arábia Saudita que revogue "imediata e urgentemente qualquer política de uso de força letal contra migrantes e requerentes de asilo".

“Vi pessoas mortas de uma maneira que nunca imaginei”

Algumas das pessoas que viajavam em grupos descreveram ter sido atacadas pelos guardas fronteiriços sauditas, munidos de espingardas e de outras armas explosivas, assim que cruzaram a fronteira. Outras afirmaram que foram espancadas por guardas com pedras e barras de metal. Mais de uma dezena de entrevistados testemunharam ou foram alvo de disparos à queima-roupa e seis foram atingidos tanto por armas explosivas como por disparos.

Algumas das testemunhas disseram que os guardas sauditas às vezes os mantinham em centros de detenção, em alguns casos durante meses, e os espancavam.

"Um rapaz de 17 anos afirmou que os guardas fronteiriços o obrigaram, juntamente com outros sobreviventes, a violar duas raparigas, também elas sobreviventes, depois de os guardas terem executado outro migrante que se recusou fazê-lo", refere o documento.

Todas descrevem um cenário de terror: vários corpos de mulheres, homens e crianças no chão, gravemente feridos, já mortos ou desmembrados.

“Vi pessoas mortas de uma maneira que nunca imaginei”, disse Hamdiya, uma menina de 14 anos que cruzou a fronteira com um grupo de 60 pessoas em fevereiro, citada pelo relatório. “Vi 30 pessoas mortas no local”, afirmou.

A principal investigadora do relatório da HRW, Nadia Hardman, descreveu as descobertas como “obscenas”.

“Eu cubro a violência nas fronteiras, mas nunca encontrei algo desta natureza, o uso de armas explosivas, inclusive contra mulheres e crianças”, disse Hardman.

Arábia Saudita rejeita acusações
As autoridades sauditas responderam ao relatório da HRW no passado sábado, rejeitando veementemente as acusações de assassinatos sistemáticos ou em grande escala.

"Com base nas informações limitadas fornecidas, as autoridades do Reino não descobriram nenhuma informação ou prova para confirmar ou sustentar as alegações", respondeu o Governo saudita numa carta enviada à ONG.

Cerca de 750 mil etíopes vivem e trabalham na Arábia Saudita e, "embora muitos migrem por razões económicas, outros fugiram devido a graves violações dos direitos humanos na Etiópia, nomeadamente durante o recente e brutal conflito armado no norte do país", salientou a ONG.

Embora a HRW tenha documentado assassinatos de migrantes na fronteira com o Iémen e a Arábia Saudita desde 2014, a ONG salienta que “os assassinatos parecem resultar de uma escalada deliberada, tanto no número como na forma de assassinatos seletivos”.

A HRW insta o governo saudita a "investigar e disciplinar ou processar adequadamente o pessoal de segurança responsável por assassinatos ilegais, ferimentos e tortura na fronteira com o Iémen" e apela aos "países preocupados" que imponham sanções a "funcionários sauditas e houthis credivelmente implicados em violações contínuas na fronteira".

“Os guardas de fronteira sauditas sabiam ou deveriam saber que estavam a disparar contra civis desarmados”, disse Hardman. “Se não houver justiça para o que parecem ser crimes graves contra migrantes etíopes e requerentes de asilo, isso apenas alimentará mais assassinatos e abusos", salientou

terça-feira, 20 de dezembro de 2022

Almaz Teffera - Alguns países europeus pedem desculpas pelo passado colonial


Almaz Teffera, investigadora sobre o racismo na Europa para a Human Rights Watch, descreveu-o como "um primeiro passo importante" que "também abrirá o caminho para a responsabilização dos Países Baixos" e que funciona como uma espécie de "cura para os descendentes de pessoas escravizadas".

Teffera diz que "este pedido de desculpas chega 150 anos depois da abolição da escravatura, mas é um sinal de que as coisas vão mudar e que é uma mudança que precisa agora de se traduzir em ações".

"Para que um pedido de desculpas vá tão longe realmente quanto deveria, é preciso o reconhecimento de que crimes foram cometidos durante a era colonial e um verdadeiro compromisso também de reparar esses erros", defende a investigadora.

Os Países Baixos juntam-se agora à Dinamarca, França, Reino Unido e ao Parlamento Europeu, que pediram desculpas ou reconheceram oficialmente a escravidão e o tráfico de escravos como crimes contra a humanidade.

Em 1992, no Senegal, o papa João Paulo II também pediu perdão pelo papel da igreja na escravatura.

Em 2021, a Alemanha admitiu pela primeira vez ter cometido "genocídio" contra as tribos Herero e Nama, na Namíbia, durante a era colonial.

O rei Filipe da Bélgica expressou o seu "mais profundo pesar pelas feridas" infligidas ao país pelos seus ancestrais durante uma visita à República Democrática do Congo em junho, mas não formulou um pedido formal de desculpas.

Um comité parlamentar belga sobre o passado colonial, criado em 2020 após os protestos do Black Lives Matter, concluiu o seu trabalho na segunda-feira sem os parlamentares terem chegado a um consenso sobre um pedido de "desculpa"às antigas colónias.

O plano de ação contra o racismo da União Europeia, divulgado em 2020, quando protestos contra o racismo e a brutalidade policial varreram os EUA e a Europa após a morte de George Floyd, é saudado pela investigadora Almaz Teffera.

O plano exige que os países da UE adotem planos de ação nacionais que levem em consideração o seu passado colonial, a fim de enfrentar melhor as questões de racismo estrutural.

terça-feira, 22 de novembro de 2022

Jordan Peterson - o doente mental

Nunca tinha ouvido falar dele -.Jordan Peterson. Hoje conheci o homem mais parvo, racista, machista e crente realmente nas suas teorias extremistas. Obviamente céptico climático, sem surpresa. Transpira discurso do ódio pelos poros. E é assim que a extrema-direita avança. Os canadianos sofrem. Têm aqui um autêntico miserável alienado.

Fonte: The Guardian, 07.02.2028

Since his confrontation with Cathy Newman, the Canadian academic’s book has become a bestseller. But his arguments are riddled with ‘pseudo-facts’ and conspiracy theories

The Canadian psychology professor and culture warrior Jordan B Peterson could not have hoped for better publicity than his recent encounter with Cathy Newman on Channel 4 News. The more Newman inaccurately paraphrased his beliefs and betrayed her irritation, the better Peterson came across. The whole performance, which has since been viewed more than 6m times on YouTube and was described by excitable Fox News host Tucker Carlson as “one of the great interviews of all time”, bolstered Peterson’s preferred image as the coolly rational man of science facing down the hysteria of political correctness. As he told Newman in his distinctive, constricted voice, which he has compared to that of Kermit the Frog: “I choose my words very, very carefully.”

The confrontation has worked wonders for Peterson. His new book 12 Rules for Life: An Antidote to Chaos has become a runaway bestseller in the UK, US, Canada, Australia, Germany and France, making him the public intellectual du jour. Peterson is not just another troll, narcissist or blowhard whose arguments are fatally compromised by bad faith, petulance, intellectual laziness and blatant bigotry. It is harder to argue with someone who believes what he says and knows what he is talking about – or at least conveys that impression. No wonder every scourge of political correctness, from the Spectator to InfoWars, is aflutter over the 55-year-old professor who appears to bring heavyweight intellectual armature to standard complaints about “social-justice warriors” and “snowflakes”. They think he could be the culture war’s Weapon X.


Despite his appetite for self-promotion, Peterson claims to be a reluctant star. “In a sensible world, I would have got my 15 minutes of fame,” he told the Ottawa Citizen last year. “I feel like I’m surfing a giant wave and it could come crashing down and wipe me out, or I could ride it and continue. All of those options are equally possible.”

Two years ago, he was a popular professor at the University of Toronto and a practising clinical psychologist who offered self-improvement exercises on YouTube. He published his first book, Maps of Meaning: The Architecture of Belief, in 1999 and appeared in Malcolm Gladwell’s bestseller David and Goliath, talking about the character traits of successful entrepreneurs. The tough-love, stern-dad strand of his work is represented in 12 Rules for Life, which fetes strength, discipline and honour.

His ballooning celebrity and wealth, however, began elsewhere, with a three-part YouTube series in September 2016 called Professor Against Political Correctness. Peterson was troubled by two developments: a federal amendment to add gender identity and expression to the Canadian Human Rights Act; and his university’s plans for mandatory anti-bias training. Starting from there, he railed against Marxism, human rights organisations, HR departments and “an underground apparatus of radical left political motivations” forcing gender-neutral pronouns on him.

This more verbose, distinctly Canadian version of Howard Beale’s “mad as hell” monologue in Network had an explosive effect. A few days later, a video of student protesters disrupting one of Peterson’s lectures enhanced his reputation as a doughty truth-teller. “I hit a hornets’ nest at the most propitious time,” he later reflected.

Indeed he did. Camille Paglia anointed him “the most important and influential Canadian thinker since Marshall McLuhan”. Economist Tyler Cowen said Peterson is currently the most influential public intellectual in the western world. For rightwing commentator Melanie Phillips, he is “a kind of secular prophet  in an era of lobotomised conformism”. He is also adored by figures on the so-called alt-light (basically the “alt-right” without the sieg heils and the white ethnostate), including Mike Cernovich, Gavin McInnes and Paul Joseph Watson. His earnings from crowdfunding drives on Patreon and YouTube hits (his lectures and debates have been viewed almost 40m times), now dwarf his academic salary.

Not everybody is persuaded that Peterson is a thinker of substance, however. Last November, fellow University of Toronto professor Ira Wells called him “the professor of piffle” – a YouTube star rather than a credible intellectual. Tabatha Southey, a columnist for the Canadian magazine Macleans, designated him “the stupid man’s smart person”.

“Peterson’s secret sauce is to provide an academic veneer to a lot of old-school rightwing cant, including the notion that most academia is corrupt and evil, and banal self-help patter,” says Southey. “He’s very much a cult thing, in every regard. I think he’s a goof, which does not mean he’s not dangerous.”

One person who has crossed swords with Peterson declined my interview request, having experienced floods of hate mail.

So, what does Peterson actually believe? He bills himself as “a classic British liberal” whose focus is the psychology of belief. Much of what he says is familiar: marginalised groups are infantilised by a culture of victimhood and offence-taking; political correctness threatens freedom of thought and speech; ideological orthodoxy undermines individual responsibility. You can read this stuff any day of the week and perhaps agree with some of it. However, Peterson goes further, into its most paranoid territory. His bete noire is what he calls “postmodern neo-Marxism” or “cultural Marxism”. In a nutshell: having failed to win the economic argument, Marxists decided to infiltrate the education system and undermine western values with “vicious, untenable and anti-human ideas”, such as identity politics, that will pave the road to totalitarianism.

Peterson studied political science and psychology, but he weaves several more disciplines – evolutionary biology, anthropology, sociology, history, literature, religious studies – into his grand theory. Rather than promoting blatant bigotry, like the far right, he claims that concepts fundamental to social-justice movements, such as the existence of patriarchy and other forms of structural oppression, are treacherous illusions, and that he can prove this with science. Hence: “The idea that women were oppressed throughout history is an appalling theory.” Islamophobia is “a word created by fascists and used by cowards to manipulate morons”. White privilege is “a Marxist lie”. Believing that gender identity is subjective is “as bad as claiming that the world is flat”. Unsurprisingly, he was an early supporter of James Damore, the engineer fired by Google for his memo Google’s Ideological Echo Chamber.

Cathy Newman was wrong to call Peterson a “provocateur”, as if he were just Milo Yiannopoulos with a PhD. He is a true believer. Peterson is old enough to remember the political correctness wars of the early 90s, when conservatives such as Allan Bloom and Roger Kimball warned that campus speech codes and demands to diversify the canon were putting the US on the slippery slope to Maoism, and mainstream journalists found the counterintuitive twist – what if progressives are the real fascists? – too juicy to resist. Their alarmist rhetoric now seems ridiculous. Those campus battles did not lead to the Gulag. But Peterson’s theories hark back to that episode.

A University of Toronto student protests Peterson’s video series attacking ‘political correctness’ in academia.

Peterson was also shaped by the cold war; he was obsessed as a young man with the power of rigid ideology to make ordinary people do terrible things. He collects Soviet realist paintings, in a know-your-enemy way, and named his first child Mikhaila, after Mikhail Gorbachev. In Professor Against Political Correctness, he says: “I know something about the way authoritarian and totalitarian states develop and I can’t help but think that I am seeing a fair bit of that right now.”

In many ways, Peterson is an old-fashioned conservative who mourns the decline of religious faith and the traditional family, but he uses of-the-moment tactics. His YouTube gospel resonates with young white men who feel alienated by the jargon of social-justice discourse and crave an empowering theory of the world in which they are not the designated oppressors. Many are intellectually curious. On Amazon, Peterson’s readers seek out his favourite thinkers: Dostoevsky, Nietzsche, Solzhenitsyn, Jung. His long, dense video lectures require commitment. He combines the roles of erudite professor, self-help guru and street-fighting scourge of the social-justice warrior: the missing link between Steven Pinker, Dale Carnegie and Gamergate. On Reddit, fans testify that Peterson changed, or even saved, their lives. His recent sold-out lectures in London had the atmosphere of revival meetings.

Such intense adoration can turn nasty. His more extreme supporters have abused, harassed and doxxed (maliciously published the personal information of) several of his critics. One person who has crossed swords with Peterson politely declined my request for an interview, having experienced floods of hatemail, including physical threats. Newman received so much abuse that Peterson asked his fans to “back off”, albeit while suggesting the scale had been exaggerated. “His fans are relentless,” says Southey. “They have contacted me, repeatedly, on just about every platform possible.”
Peterson's audience includes Christian conservatives, atheist libertarians, centrist pundits and neo-Nazis

While Peterson does not endorse such attacks, his intellectual machismo does not exactly deter them. He calls ideas he disagrees with silly, ridiculous, absurd, insane. He describes debate as “combat” on the “battleground” of ideas and hints at physical violence, too. “If you’re talking to a man who wouldn’t fight with you under any circumstances whatsoever, then you’re talking to someone for whom you have absolutely no respect,” he told Paglia last year, adding that it is harder to deal with “crazy women” because he cannot hit them. His fans post videos with titles such as “Jordan Peterson DESTROY [sic] Transgender Professor” and “Those 7 Times Jordan Peterson Went Beast Mode”. In debate, as in life, Peterson believes in winners and losers.

“How does one effectively debate a man who seems obsessed with telling his adoring followers that there is a secret cabal of postmodern neo-Marxists hellbent on destroying western civilisation and that their campus LGBTQ group is part of it?” says Southey. “There’s never going to be a point where he says: ‘You know what? You’re right, I was talking out of my ass back there.’ It’s very much about him attempting to dominate the conversation.”

Peterson’s constellation of beliefs attracts a heterogeneous audience that includes Christian conservatives, atheist libertarians, centrist pundits and neo-Nazis. This staunch anti-authoritarian also has a striking habit of demonising the left while downplaying dangers from the right. After the 2016 US election, Peterson described Trump as a “liberal” and a “moderate”, no more of a demagogue than Reagan. In as much as Trump voters are intolerant, Peterson claims, it is the left’s fault for sacrificing the working class on the altar of identity politics. Because his contempt for identity politics includes what he calls “the pathology of racial pride”, he does not fully endorse the far right, but he flirts with their memes and overlaps with them on many issues.

‘Peterson was also shaped by the cold war; he was obsessed as a young man with the power of rigid ideology to make ordinary people do terrible things.’

“It’s true that he’s not a white nationalist,” says David Neiwert, the Pacific Northwest correspondent for the Southern Poverty Law Center and the author of Alt-America: The Rise of the Radical Right in the Age of Trump. “But he’s buttressing his narrative with pseudo-facts, many of them created for the explicit purpose of promoting white nationalism, especially the whole notion of ‘cultural Marxism’. The arc of radicalisation often passes through these more ‘moderate’ ideologues.”

“The difference is that this individual has a title and profession that lend a certain illusory credibility,” says Cara Tierney, an artist and part-time professor who protested against Peterson’s appearance at Ottawa’s National Gallery last year. “It’s very theatrical and shrewdly exploits platforms that thrive on spectacle, controversy, fear and prejudice. The threat is not so much what [Peterson’s] beliefs are, but how they detract from more critical, informed and, frankly, interesting conversations.”

Consider the media firestorm last November over Lindsay Shepherd, a teaching assistant at Ontario’s Wilfrid Laurier University, who was reprimanded for showing students a clip of Peterson debating gender pronouns. Her supervising professor compared it to “neutrally playing a speech by Hitler”, before backing down and apologising publicly. The widely reported controversy sent 12 Rules for Life racing back up the Amazon charts, leading Peterson to tweet: “Apparently being compared to Hitler now constitutes publicity.

Yet Peterson’s commitment to unfettered free speech is questionable. Once you believe in a powerful and malign conspiracy, you start to justify extreme measures. Last July, he announced plans to launch a website that would help students and parents identify and avoid “corrupt” courses with “postmodern content”. Within five years, he hoped, this would starve “postmodern neo-Marxist cult classes” into oblivion. Peterson shelved the plan after a backlash, acknowledging that it “might add excessively to current polarisation”. Who could have predicted that blacklisting fellow professors might exacerbate polarisation? Apparently not “the most influential public intellectual in the western world”.

The key to Peterson’s appeal is also his greatest weakness. He wants to be the man who knows everything and can explain everything, without qualification or error. On Channel 4 News, he posed as an impregnable rock of hard evidence and common sense. But his arguments are riddled with conspiracy theories and crude distortions of subjects, including postmodernism, gender identity and Canadian law, that lie outside his field of expertise. Therefore, there is no need to caricature his ideas in order to challenge them. Even so, his critics will have their work cut out: Peterson’s wave is unlikely to come crashing down any time soon.

Com esta abécula, os Canadianos estão a sofrer. Há tantos Canadianos espetaculares. É só escolher: Naomi Klein, Autumn Peltier, David Suzuki, John England, Mackie Greene, Manny Kohli,Joan Clayton, Ina Andre, Susan Kaminskyj, Kirk Johnson, Melina Laboucan-Massimo, Asha Srinivasan, Tina Yeonju Oh, David Chernushenko, Elizabeth May, Frank de Jong, Paul George. Os mais conhecidos e genuinamente humanistas.

segunda-feira, 31 de outubro de 2022

As prisões de tortura da Rússia


Em 2021, um prisioneiro foi libertado do infame hospital prisional de Saratov, na Rússia. Escondido no prisioneiro havia um disco rígido cheio de vídeos de câmeras corporais que ele havia copiado secretamente. Esses vídeos mostraram o que parece ser uma das piores torturas já vistas nas prisões russas.

BBC Eye investiga a história por trás deste acontecimento criminoso.

Documentário: Ex-inmates reveal details of Russia prison rape scandal 

Ex-detidos falaram com a BBC sobre serem sistematicamente estuprados e torturados em prisões russas.

Imagens vazadas de tal abuso foram divulgadas por uma fonte no ano passado, e agora as vítimas disseram à BBC por que isso acontece e como estão lutando por justiça.

Ler mais:
O escândalo de torturas e estupros revelado por ex-prisioneiros na Rússia
O horror das prisões russas

domingo, 30 de outubro de 2022

A charada do acordo de Minsk


Tratado de Minsk
O acordo foi assinado pelo embaixador russo, mas não há qualquer referência à Rússia como uma parte do acordo, o que tem levado Moscovo a declarar que é um mediador e que não tem responsabilidade pela sua execução. Outro dado essencial, o acordo não refere uma única vez a soberania da Ucrânia. Saiba mais sobre os Acordos de Minsk aqui

Transparência

Following the invasion of Ukraine, there has been global outrage at Russia’s blatant disregard for international law, human rights, and the principle of state sovereignty.

In an attempt to deter Putin from escalating military action in Ukraine, the EU and its allies have come together to decide on sanctions that directly target Russian oligarchs, freezing their assets – often the fruit of corruption and money laundering – and impeding them from conducting financial transactions in the European Union, the UK, and the United States.

Ukraine meanwhile has, in the past few years, made significant progress in the fight against corruption, being the second country in the world to open its beneficial ownership register, also establishing an open company register, and an open contracting system ProZorro that has become a model globally.

The people of Ukraine are now fighting to ensure that this democratic progress is not reversed. In the words of EU Commission President Ursula von der Leyen, this is a clash between democracies and autocracies.

Liberdade de Expressão

Human Rights Watch (HRW) Monday published a catalog of citizen actions that have triggered criminal charges and administrative penalties in Russia since the start of the war in Ukraine.

Russia has repeatedly cracked down on free speech rights; in the first few weeks following the start of the war in Ukraine, Russian authorities arrested over 5,000 anti-war protesters. The arrests were piled on top of newly passed censorship laws, which criminalize public dissemination of “deliberately misleading information” and “discrediting the use of Russian Federation Armed Forces.”

Free speech activists, in conjunction with HRW, have tracked the progression of Russia’s efforts to suppress speech in response to the war in Ukraine. As a result of Russia’s new censorship laws, authorities have launched at least 70 criminal cases. The censorship laws have also prompted hundreds of administrative cases.

In the midst of this crackdown, HRW compiled a list of examples of “legitimate, peaceful speech or actions” that have resulted in charges or penalties. The examples detail charges brought against Russian individuals including the date, location, name of the individual, penalty, and circumstances surrounding the charges.

Among the examples are wearing a blue and yellow, replacing price tags in supermarkets with anti-war leaflets, commenting on the war on social media, criticizing the war in private, displaying the word “self-censorship” in public, displaying the phrases “no war” or “for peace” in public, displaying a blank poster in public, public speeches regarding the war, and taking down “Z” pro-war banners.

Meio ambiente da Ucrânia é outra vítima da guerra; danos poderão ser sentidos por décadas

As florestas de pinheiros ao redor de Irpin, na Ucrânia, são o lugar feliz de Oleh Bondarenko. Ele as descobriu quando ainda era criança, quando sua mãe o mandou um acampamento de verão na área, e ele tem voltado para visitar o local desde então.

“É um lugar cheio de memórias. Vorzel, Irpin, Bucha, as florestas, o ar fresco. Para mim, este é um lugar de descanso”, contou à CNN o cientista ambiental de 64 anos durante uma viagem recente a Irpin.

O caminho de uma hora de distância de Kiev – uma viagem que ele fez muitas vezes ao longo das décadas – foi cheio de angústia para Bondarenko, que se preocupava com o que encontraria em Irpin. “Esta é a primeira vez que volto desde que nossos irmãos ‘visitaram’ Irpin”, disse ele, referindo-se às tropas russas.

Esta área esteve sob controle russo por várias semanas em março; tornou-se posteriormente conhecida em todo o mundo como o local de algumas das piores atrocidades cometidas pela Rússia nesta guerra. Pelo menos 1.200 corpos de civis foram descobertos na região desde que as tropas russas se retiraram de lá, segundo a polícia da região de Kiev. Pelo menos 290 deles foram encontrados em Irpin, segundo o prefeito da cidade.

domingo, 2 de outubro de 2022

Free The Truth - Julian Assange


Hi, I’m Kym Staton, Founder and Director of streaming platform Films For Change . I’m making a new documentary about and in support of Julian Assange as well as the wider issues of free speech and freedom of information. This gofundme page is to help cover the costs of the production phase of the making of this powerful new film.

There have been many documentaries made about Assange that perpetuate false narratives or focus on the drama and controversy of the events leading to him seeking refuge at the Equadorian embassy and his subsequent arrest and current incarceration.

Our film will take a very different approach, and instead make a strong case in support of his freedom, highlight the very significant precedent it sets for investigative journalism and independent media, and how the outcome effects every one of us.
I commenced working on this film project in february 2021, with researching potential people to include in the film, and sources for archive and news footage.

WHAT'S IN IT FOR YOU?
As well as the noble act of suporting this campaign to free assange, and educating and spreading awareness to the wider community on his plight and the associated issue of journalistic freedom, those who support the film in this stage will be part of the journey of the production of this film, and receive regular updates as the project commences. We'll also of course provide all contributers with a link to watch the film online for free once it is eventually completed and launched. Contribributer will also have their name mentioned in the credits at the end of the film. (If you do not wish to have your name mentioned in the credits, please simply email us to advise of this).


TIME FRAME FOR COMPLETION?
We expect that it will take between 12-18 months to complete the production stage, after which we will begin post-production which will take a further 2-3 months to complete the film and have it ready for release.

MAIN OUTLINE
No publicist in history has had such a profound impact on the world that Wikileaks has had. Before Wikileaks, we knew a lot less about the worlds’ powerful institutions and leaders than we do now. We knew only what they wanted us to know. WikiLeaks has enabled us to glimpse rampant corruption and the callousness of war and exposed countless injustices perpetrated by governments and corporations. It was founded on the powerful moral principle that governments and other vested interests should not operate behind walls of secrecy. Wikileaks has released millions of documents of public interest since it was established in 2006, and continues to do so.

No-one can forget or unsee the cruelty that we witnessed in the ‘Collateral Murder’ release. If you have not yet seen it, please look it up on youtube or the wikileaks website.

Julian Assange is the founder of Wikileaks. He has won more than twenty international awards for his journalistm work, and in 2019 was nominated for the Nobel Peace Prize. A chain of contrived events and smear campaigns over a decade of pursuit by the US government has seen him go from award winning journalist to a freezing high security cell in a London prison.

He remains inside Belmarsh Prison where he continues to be held in the same conditions as convicted murderers and armed robbers. He is now into his third year of arbitrary, pre-trial imprisonment, awaiting the outcome of the US government's application for permission to appeal.

On the 4th of January, a UK judge blocked the US request for Julian's extradition on medical grounds, however she denied Julian bail.

Because of the Covid lockdown Assange is not allowed to receive any visitors. He has also not been permitted to see his lawyers in person in over 12 months.

In early January, a London court rejected the US extradition request concerning Assange, but the problems surrounding his case are far from solved. He still faces a 175-year prison sentence in the United States. He is still being held in the high-security Belmarsh prison, and he still awaiting a final verdict after two years of incarceration.

Every major human rights group, including Amnesty International, Human Rights Watch, and Reporters without Borders – are on the same page about this issue.

The new Biden administration is appealling against the UK court’s decision, to refuse extradition on the grounds of Assange’s mental health.

Our Free The Truth: Free Assange Documentary will be an appeal to the majority to add their voice to, and magnify the campaign to free Assange. To urge US authorities to drop the charges against him and allow his family to bring him home. By doing so, we would not only free an innocent man, but on a wider scale, we can take an important step in protecting independent media and free expression.

Campanha: Go Fund Me