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quarta-feira, 22 de julho de 2026

Quando uma morte pode ser evitada, ela deixa de ser um acidente e torna-se um fracasso coletivo


Por Julian Fernandez Quilez
Quando uma morte pode ser evitada, ela deixa de ser um acidente e torna-se um fracasso coletivo.
Há notícias que magoam especialmente, e esta, sem dúvida, é uma delas.
Como amante da natureza e fotógrafa que dedicou inúmeras horas a observar, documentar e admirar a fauna da nossa região, esta notícia me entristeceu profundamente. Meu coração se desolou ao saber que Urze, uma ibex feminina que representava a esperança de recuperação da espécie em nossa região, perdeu a vida junto com os seus dois filhotes em um barco de irrigação coberto de plástico na área de Isso.
Não posso evitar sentir uma imensa impotência. Não porque foi um evento imprevisível, mas precisamente porque foi uma tragédia que poderia ter sido evitada.
Urze chegou à área de Isso dois anos atrás equipada com um colar de rastreamento. Ela mal começou a sua nova vida quando perdeu o seu companheiro, Libre, um macho que morreu após ser atropelado na estrada perto do território onde ambos se haviam instalado. Apesar desse duro golpe, Urze avançou e conseguiu salvar a ninhada que estava no seu útero quando chegou à nossa região. Ela era um símbolo de esperança, prova de que o ibex estava lentamente voltando ao seu lugar, onde nunca deveria ter sido perdido.
A coisa mais triste é que essa tragédia foi totalmente evitável.
Barcos cobertos de plástico são verdadeiras armadilhas mortais. Suas superfícies lisas impedem qualquer possibilidade de escapar. Não são apenas lince, também mares, jardineiros, cervos, raposas, gatos, lagartos monitor, répteis, anfíbios e até mesmo pássaros de prédio que desempenham uma atividade de caça e que caem para beber ou tentam capturar alguma prática que está presa na água.
Não estamos a falar de um novo problema. Há anos, Castellana, a primeira lince feminina a chegar à área de Albatana, foi casada com um macho chamado Lucero. Ele também acabou se afogando em outro barco de plástico. Hoje, a história se repete.
Quantos outros animais têm de morrer antes de tomar medidas?
Não é suficiente lamentar quando uma desastre ocorre. É necessário prevenir. Existem soluções simples, econômicas e eficazes que já estão a ser usadas em muitos lugares e devem ser obrigatórias em todas as barcas de irrigação:
  1. Instale rampas de escape que permitam a qualquer animal que caia na água sair.
  2. Coloque redes ou redes de resgate nas laterais.
  3. Incorporar plataformas ou cordas flutuantes que servem como refúgio temporário até que o animal possa sair da barca.
  4. Instalar escadas e escapatórias flutuantes em cortiça 
  5. Adaptar todas as lagoas existentes e exigir que as novas se incorporem a esses sistemas desde a construção.
O custo dessas medidas é insignificante em comparação com a valorização de uma vida, e ainda mais quando estamos a falar sobre uma espécie cuja recuperação exigiu décadas de trabalho e um enorme investimento económico e humano.

Mas os barcos não são a única ameaça que continua a tirar vidas.
As estradas que cruzam ou fronteiram as áreas onde o lince vive continuam a ser um dos seus maiores inimigos. O companheiro do Urze morreu logo após se estabelecer na área. Dois anos depois, Urze e os seus filhotes morreram num barco. Duas tragédias diferentes com o mesmo comum denominador: ambas poderiam ter sido evitadas.
Portanto, além de adaptar barcos de plástico, é essencial agir nas estradas que cruzam os territórios desta espécie: 
  1. É necessário implementar reduções de velocidade nos pontos mais conflitivos
  2. Colocar sinalética animal
  3. Instalar radares, melhorar a identificação específica para a fauna 
  4. Construir cruzeiros de fauna com cercas que lhes permitam ir para onde for necessário. 
Não podemos continuar a esperar por cada nova morte para nos lembrar do que já sabemos.
A recuperação do lince da Ibéria exigiu décadas de esforço, milhares de horas de trabalho e milhões de euros em investimento público. Seria uma grande contradição voltar a eles para que possam continuar a morrer de ameaças que conhecemos perfeitamente e que têm uma solução. A conservação não termina quando um lince é libertado; começa no mesmo momento. Devemos garantir que possa viver e criar seus filhotes num ambiente seguro.
Também quero fazer uma reconhecimento muito especial aos Agentes Ambientais, cuja dedicação diária é essencial para o monitoramento, proteção e conservação do lince ibério. Graças ao seu trabalho, a recuperação desta espécie foi possível e continua a progredir. Mas nem mesmo o melhor trabalho de campo pode impedir mortes que dependem exclusivamente de nós colocarmos soluções onde sabemos que há um problema.

Este artigo não pretende procurar culpados, mas sim despertar consciências. É um apelo às administrações, às comunidades de caçadores, aos proprietários de barcos e a todos os órgãos competentes para agir agora. Porque conservar uma espécie não é apenas sobre reprodução e liberação; é sobre eliminar as ameaças que continuam a acabar com a vida dela.

Não pedimos o impossível. Pedimos a força de vontade. Instalar uma rampa de escape num barco, colocar uma rede, um cortejo flutuante ou reduzir a velocidade em uma trilha perigosa é muito pouco. O que é inestimável é a vida de uma espécie que temos tanto esforço para recuperar.

Escrevo estas palavras com grande tristeza, mas também com a esperança de que servirão para mudar as coisas. Espero que a morte de Urze, dos seus dois filhotes, do Libre, do Lucero e de tantos outros não seja apenas mais uma história de notícias, mas o impulso definitivo para tomar medidas reais e eficazes.
Que esta seja a última vez que tenhamos que chorar pela morte de um lince por razões que estavam nas nossas mãos para evitar. O lince ibércio merece algo melhor. A nossa natureza também. Por favor, partilhem isto, isso tem de mudar.

quarta-feira, 15 de julho de 2026

Ambientalistas alertam que zonas de aceleração de renováveis ameaçam áreas de valor ecológico no Algarve


O Programa Setorial das Zonas de Aceleração da Implantação de Energias Renováveis (PSZAER) compromete áreas de valor ecológico e a conservação de espécies ameaçadas no Algarve, alertou hoje a Plataforma Pela Sustentabilidade e Biodiversidade do Algarve e Alentejo (PPSBAA).

Em comunicado enviado à agência Lusa, a plataforma ambientalista afirma que o plano identifica, no Algarve e Alentejo, áreas que coincidem com territórios considerados essenciais para a conservação da natureza e de espécies classificadas como «em perigo» ou «criticamente em perigo» de extinção.

A discussão pública da proposta do PSZAER, disponível no Portal Participa, decorre até ao final do hoje.

O documento é um instrumento nacional de ordenamento do território criado para identificar, à escala nacional, as áreas consideradas mais adequadas para a instalação de projetos de energias renováveis (como centrais solares, parques eólicos e infraestruturas associadas), visando acelerar o seu licenciamento.

A proposta identifica cerca de 7% do território continental com potencial para acelerar projetos solares e eólicos, mas alerta que a concretização depende de rede, licenciamento, mercado e aceitação pública.

A conclusão consta da Avaliação Ambiental Estratégica e proposta de Programa Setorial das Zonas de Aceleração da Implantação de Energias Renováveis, um trabalho técnico colocado em consulta pública sobre a delimitação final das áreas.

Segundo a plataforma, o PSZAER «não garante a salvaguarda do corredor migratório das serras algarvias», utilizado por milhares de aves durante a migração outonal para África.

No mesmo sentido, adianta, não assegura a integridade dos corredores ecológicos que ligam a Serra de Monchique à Serra do Caldeirão e o nordeste algarvio ao vale do Guadiana e à Estremadura espanhola.

A plataforma sustenta que o plano abrange montados, mosaicos agroflorestais de azinheira e sobreiro, bem como habitats considerados «fundamentais para várias espécies com estatuto de conservação crítico».

De acordo com a organização ambientalista, a inclusão destas áreas sensíveis aumenta o risco de mortalidade por colisão, fragmentação e perda de ‘habitats’, bem como do chamado «efeito barreira».

Para a PPSBAA, fica comprometida a sobrevivência de espécies como o abutre-preto, britango, cegonha-preta, águia-imperial-ibérica, abetarda, sisão, rolieiro, francelho, tartaranhão-caçador, cortiçol-de-barriga-preta, morcego-de-ferradura-mourisco, morcego-rato-pequeno, gato-bravo, coelho-bravo e lince-ibérico.

No caso do lince-ibérico, a plataforma refere que o plano inclui, no nordeste algarvio, áreas de reprodução e expansão da espécie, alertando que a crescente artificialização do território «poderá também afetar habitats essenciais para a águia-de-bonelli e a águia-imperial-ibérica».

A plataforma considera que as opções previstas no PSZAER comprometem «décadas de investimento público e científico» na recuperação destas espécies, ao reduzirem as condições ecológicas necessárias para a consolidação das suas populações no sul de Portugal.

Como alternativa, a PPSBAA defende que a expansão das energias renováveis deve privilegiar áreas já artificializadas, como edifícios, zonas industriais e outras infraestruturas, bem como o sobre-equipamento e a repotenciação de parques eólicos existentes, reduzindo a necessidade de ocupar novas áreas naturais.

Por estes motivos, a plataforma manifesta a sua oposição ao PSZAER, apelando à revisão da proposta para compatibilizar o desenvolvimento das energias renováveis com a proteção da biodiversidade.

sábado, 17 de janeiro de 2026

Faleceu Pedro Sarmento - coordenador do programa de reintrodução do lince-ibérico em Portugal


O Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas manifesta o seu mais profundo pesar pelo desaparecimento prematuro do nosso colega Pedro Sarmento, esta sexta-feira.

Biólogo de formação, Pedro Sarmento coordenava no ICNF o programa de reintrodução in-situ do lince-ibérico em Portugal e foi uma figura essencial no sucesso do trabalho desenvolvido. Integrou os quadros do ICNF em 1994 e desde então a sua paixão, vontade e dedicação inabaláveis foram fundamentais para o sucesso deste programa.

O Pedro amava os linces, que eram a sua razão de viver.

Quando em 16 de dezembro de 2014 se libertou o primeiro casal de linces-ibéricos - a Jacarandá e o Katmandú - no cercado de solta branda, na Herdade das Romeiras, em Mértola – o Pedro permaneceu durante várias noites no exterior do cercado, velando para que nada de anormal acontecesse aos linces recém-chegados, ela proveniente do CNRLI, em Silves, e ele originário de Zarza de Granadilla, na Extremadura espanhola.

Desde então, foram muitas as noites mal dormidas e incontáveis os dias em que o Pedro percorreu quilómetros atrás de quilómetros, a pé e em viatura, dando tudo o que tinha, muitas vezes excedendo-se, para que o regresso do lince-ibérico a Portugal não falhasse e viesse a revelar-se, aos dias de hoje, o projeto de conservação da natureza de maior sucesso em Portugal e na Península Ibérica.

O Pedro viveu num outro Universo, mais acelerado e mais brilhante do que aquele em que a maioria de nós vivemos e, aos 59 anos, deixa-nos uma marca incomensurável e um vazio difícil de preencher.

Nunca esqueceremos o ser humano extraordinário, a mente brilhante e o amigo insubstituível. Uma perda irreparável.

A toda a família, amigos e colegas, o ICNF endereça as mais sentidas condolências.

O Pedro dormia com os linces, e agora descansa em paz.

Até sempre, Pedro, e Obrigado



domingo, 28 de dezembro de 2025

Caçadores - Predadores ou eco-delinquentes

Caçador exibindo sem remorso o abate de coelhos bravos e de codorniz (Crex crex

Muitos caçadores têm comportamentos desviantes, exibindo friamente os troféus da caça. 
Quando a caça prejudica a natureza
1. Redução de populações e perda de espécies
Quando a caça é intensa ou mal regulada, pode levar a quedas drásticas nas populações animais. Em Portugal, o coelho-bravo é um exemplo clássico. Esta espécie, fundamental para o ecossistema mediterrânico, sofreu fortes declínios devido à caça excessiva e a doenças como a mixomatose. A redução dos coelhos afetou predadores como o lince-ibérico e a águia-imperial-ibérica, mostrando que um desequilíbrio numa espécie pode ter efeitos em toda a cadeia alimentar.

2. Desequilíbrios nos ecossistemas
A caça excessiva de certas espécies altera a dinâmica natural. Por exemplo, a escassez de predadores deixou alguns herbívoros, como javalis e veados, aumentarem muito em número. Este crescimento pode causar danos às florestas, prejudicar a regeneração das árvores e até provocar acidentes rodoviários.
Em resumo: menos predadores → mais herbívoros → vegetação prejudicada → impacto no ecossistema.

3. Seleção artificial
Quando caçam sempre os maiores ou com melhores troféus, estamos a “selecionar” a população de forma artificial. Em veados e corços, por exemplo, isso pode reduzir o tamanho das hastes ao longo do tempo, alterando a diversidade genética e as características naturais da espécie.

Dois caçadores furtivos exibindo como troféus o abate de codornizão (Crex egregia) 

Dois parentes discretos dos campos: o cordonizão africano e o codornizão-europeu
Quando pensamos em aves agrícolas, raramente imaginamos espécies quase invisíveis, que vivem escondidas na vegetação e anunciam a sua presença mais pelo som do que pela visão. É o caso do codornizão (Crex egregia) e da codorniz (Crex crex), duas aves aparentadas que desempenham papéis ecológicos importantes em continentes diferentes.

Apesar de pertencerem ao mesmo género, estas espécies revelam como a biodiversidade responde de forma distinta aos usos da terra em África e na Europa.

Vidas paralelas em paisagens herbáceas
O cordonizão, típico da África subsaariana, habita pradarias húmidas, savanas e campos agrícolas tradicionais. A sua presença está intimamente ligada a áreas com vegetação herbácea densa, especialmente durante a estação das chuvas, quando encontra alimento e locais de nidificação.

Já o codornizão-europeu é um visitante de verão na Europa. Reproduz-se em prados de feno, pastagens extensivas e searas tradicionais, migrando para África no inverno. Extremamente discreto, é mais facilmente detetado pelo seu canto noturno repetitivo — o famoso “crex-crex” — do que pela observação direta.

Pequenos insetívoros, grandes reguladores
Ambas as espécies alimentam-se sobretudo de insetos e outros invertebrados, prestando um serviço ecossistémico essencial: o controlo biológico natural. Ao reduzirem populações de insetos herbívoros, contribuem para o equilíbrio dos agroecossistemas e diminuem a dependência de pesticidas.

Além disso, fazem parte das cadeias tróficas, servindo de alimento a aves de rapina e pequenos carnívoros, ajudando a manter a estabilidade ecológica das paisagens agrícolas e naturais.

Indicadores silenciosos da qualidade da paisagem
Tanto o cordonizão como o codornizão-europeu funcionam como espécies indicadoras. A sua presença sugere:
  1. Baixa intensificação agrícola
  2. Estrutura vegetal diversificada
  3. Práticas tradicionais compatíveis com a biodiversidade
No entanto, é na Europa que este papel ganha maior visibilidade. O codornizão-europeu tornou-se um verdadeiro símbolo da conservação dos prados agrícolas, sendo frequentemente usado como espécie-bandeira em programas agroambientais e na Rede Natura 2000.

Destinos diferentes, desafios comuns
Apesar de ambos estarem atualmente classificados como Pouco Preocupantes à escala global, enfrentam ameaças semelhantes:
  1. Intensificação agrícola
  2. Uso de pesticidas
  3. Perda de habitats herbáceos
No caso europeu, a ceifa mecanizada precoce representa uma das principais causas de mortalidade do codornizão, afetando diretamente o sucesso reprodutor. Em África, a conversão de pradarias naturais em agricultura intensiva pode comprometer as populações de cordonizão.

Conservar aves é conservar paisagens
A comparação entre Crex egregia e Crex crex mostra que proteger estas aves não é apenas uma questão de espécies, mas de modelos de uso do território. Onde subsistem práticas agrícolas extensivas e mosaicos de habitats, estas aves continuam a cumprir os seus serviços ecossistémicos de forma silenciosa, mas essencial.

Conservar o cordonizão e o codornizão-europeu é, em última análise, conservar paisagens vivas, produtivas e biodiversas — em África e na Europa.

Predadores ou eco-delinquentes
  1. Exploração deliberada da fauna sem consideração ecológica
  2. Indivíduos que causam dano ambiental intencional e recorrente
  3. O indivíduo justifica o acto ilegal (“é tradição”, “o Estado não protege”, “os animais são meus recursos”)
  4. Reduz a percepção de culpa
Referências bibliográficas 
  1. Benton, T. G., Vickery, J. A. & Wilson, J. D. (2003). Farmland biodiversity: is habitat heterogeneity the key? Trends in Ecology & Evolution, 18, 182–188.
  2. BirdLife International (2024). Species factsheet: Crex egregia.
  3. BirdLife International (2024b). Species factsheet: Crex crex.
  4. del Hoyo, J. et al. (2014). Handbook of the Birds of the World Alive. Lynx Edicions.
  5. Donald, P. F. et al. (2001).  Agricultural intensification and farmland bird declines. Proceedings of the Royal Society B, 268, 25–29.
  6. Begon, M., Townsend, C. R., & Harper, J. L. (2006). Ecology: From individuals to ecosystems. Blackwell Publishing.
  7. Cabral, M. J. et al. (2005). Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal. Instituto da Conservação da Natureza.
  8. Green, R. E. et al. (1997). A simulation model of the effect of mowing of agricultural grassland on the breeding success of the corncrake (Crex crex).Journal of Zoology 243.1 (1997): 81-115
  9. ICNF (vários anos). Relatórios de gestão cinegética e conservação da fauna.
  10. Krebs, C. J. (2009). Ecology: The experimental analysis of distribution and abundance. Pearson.
  11. Primack, R. B. (2014). Essentials of Conservation Biology. Sinauer Associates.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2025

O ano em revista: as espécies que deram sinais de esperança em 2025


Fique a conhecer os animais e plantas eleitos neste ano que está a terminar, por investigadores e conservacionistas que trabalham com a biodiversidade em Portugal.

1. Abutre-preto (Aegypius monachus)


Com uma envergadura de asa que pode chegar aos três metros, este que é o maior abutre da Europa deu este ano sinais de expansão e de consolidação das colónias existentes em Portugal, refere Samuel Infante, membro da Plataforma de Defesa do Tejo Internacional. De facto, nas contas do projeto LIFE Aegypius Return, que trabalha para a conservação desta espécie, em 2025 contaram-se 119 a 126 casais em território português, um forte contraste com os 40 pares contabilizados em 2022.

Hoje conhecem-se cinco núcleos reprodutores: no Tejo Internacional, “que continua a ser a área de maior concentração da população da espécie”, no Baixo Alentejo (Herdade da Contenda), na Reserva Natural da Malcata, no Douro Internacional e ainda na Vidigueira/Portel (Alentejo). A descoberta desta última colónia, em julho de 2024, “veio dar esperança de que a espécie possa recuperar em pleno”, acrescenta Samuel Infante. Ainda assim, o futuro é ainda frágil: apenas metade dos casais com ovos no ninho conseguiram assegurar descendência, este ano, afetados entre outras ameaças pelos fogos do último verão.

2. Cagarra (Calonectris borealis)

Apesar das pressões que se fazem sentir sobre estas e outras aves marinhas, como é o caso das capturas acidentais em artes de pesca, a maior colónia mundial de cagarras, na Selvagem Grande, arquipélago da Madeira, continua a crescer, nota Joana Andrade. A coordenadora de conservação marinha da SPEA – Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves chama a atenção para um estudo científico publicado em janeiro passado, que analisou os resultados de contagens feitas entre 2009 e 2023 naquela ilha, e concluiu que ali nidificam atualmente cerca de 38.830 casais – um número que surpreendeu a equipa de investigadores.

Para o crescimento desta colónia contribuem várias medidas, como a aplicação de um regime de proteção estrita na Reserva Natural das Ilhas Selvagens (que inclui ainda a Selvagem Pequena, o Ilhéu de Fora e outros ilhéus adjacentes) e a erradicação total de coelhos e murganhos na Selvagem Grande.

3. Gaivota-de-audouin (Ichthyaetus audouinii)


A gaivota-de-audouin (Ichthyaetus audouinii) é outra das espécies que transmitiu um sinal de esperança ao longo de 2025, notam Joana Andrade, da SPEA, e Gonçalo Elias, ornitólogo e coordenador do portal Aves de Portugal. Esta ave marinha começou a nidificar em território nacional apenas no início do século XXI mas teve um crescimento surpreendente, empurrada por alterações que afetaram estas gaivotas junto ao Mediterrâneo.

Hoje, conta com uma população reprodutora de cerca de 7000 casais no Algarve, incluindo a maior colónia mundial da espécie, na ilha da Barreta, e uma colónia mais recente na ilha da Culatra, ambas na Ria Formosa. Gonçalo Elias considera que o projecto LIFE Ilhas Barreira (2019-2024) deu “um importante contributo para melhorar as condições de reprodução da gaivota-de-audouin no nosso país”. “Embora esteja classificada como Vulnerável a nível mundial, o recente aumento populacional permite ter esperança de que possa deixar de ser considerada ameaçada num futuro próximo”, conclui.

4. Insectos polinizadores


“O ano de 2025 foi um ano muito especial para o futuro da conservação dos insetos polinizadores em Portugal e deu-me um grande entusiasmo pelo que virá nos próximos anos”, afirma Hugo Gaspar, que se dedica à investigação nesta área. Em causa está um grupo grande com mais de 1000 espécies em Portugal, a maioria das quais abelhas selvagens, moscas-das-flores e borboletas diurnas, descreve. O investigador no FLOWer lab, grupo de investigação ligado à Universidade de Coimbra, lembra que se deram “passos importantes” neste último ano “para que possamos ter mais certezas e resultados” no que respeita à conservação destes insetos.

Em primeiro lugar, a publicação do Plano de Ação para a Conservação e Sustentabilidade dos Polinizadores, com um conjunto de medidas para melhorar o estado de conservação deste grupo em Portugal. Em segundo, foi também em 2025 que a União Europeia formalizou o compromisso de implementação do esquema de monitorização dos polinizadores, em linha com o Plano de Ação. Por fim, concluiu-se o projeto ARCADE, que melhorou o conhecimento e o estado das coleções de referência para o estudo dos polinizadores em Portugal. “Em conjunto, estas e outras ações trouxeram este ano muita esperança para este grupo de organismos, e os próximos anos assim o vão confirmar”, acredita Hugo Gaspar.

5. Lince-ibérico (Lynx pardinus)

O lince-ibérico, que nos últimos anos tem sido alvo de vários projetos de conservação que juntam Portugal e Espanha, é outra espécie que deu provas de esperança no ano que termina agora, apontam Samuel Infante, da Plataforma de Defesa do Tejo Internacional, e Francisco Álvares, cientista do CIBIO (Universidade do Porto), especializado em mamíferos.

O esforço de conservação desta espécie outrora à beira da extinção conseguiu o número de linces na Península Ibérica aumentasse para 2401 animais, foi anunciado em maio. Em novembro, foi anunciado um recorde de nascimentos nos centros de reprodução de Portugal e Espanha.

“É uma espécie icónica que foi considerada extinta em Portugal há pouco mais de duas décadas e actualmente apresenta uma população de mais de 300 indivíduos”, nota Francisco Álvares, lembrando que todavia este felino enfrenta ainda várias “ameaças sérias”. Desde logo, exemplifica, uma reduzida diversidade genética (com consequências na resistência a patologias), limitada disponibilidade de alimento (face à raridade do coelho-bravo) e mortalidade por causas humanas (por exemplo, atropelamentos e perseguição directa).

O investigador do CIBIO refere ainda outras espécies que também recuperaram em Portugal, “de forma extraordinária”, as suas populações nestes últimos anos. Exemplos? O corço, a cabra-montês, a águia-imperial e o abutre-preto. “Mas também estas espécies, enfrentam várias ameaças, muitas delas semelhantes às do lince-ibérico, por isso estes ‘sinais de esperança’ poderão ser atenuados se não houver esforços para a sua conservação efectiva”, alerta.

6. Saramugo (Anaecypris hispanica)


Este pequeno peixe de rios portugueses, em risco de extinção, surpreendeu recentemente os investigadores, lembra Filipe Ribeiro, cientista do MARE – Centro de Ciências do Mar e do Ambiente e da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa. Em 2025, um novo estudo conseguiu obter um conhecimento mais exato sobre a distribuição do saramugo. “Durante quase duas décadas, pensou-se que em cinco das 10 populações existentes em Portugal a espécie estaria localmente extinta, uma vez que ao longo deste tempo nunca foram capturados exemplares de saramugo”, explica Filipe Ribeiro. “Porém, através de um estudo baseado em DNA ambiental, realizado em 2023 e publicado em 2025, conseguimos detectar este peixe em todas as 10 populações portuguesas.”

Ainda assim, esses resultados não querem dizer que a situação do saramugo esteja melhor, ressalva o investigador, mas sim que “poderemos alocar esforços de monitorização, que entretanto tinha sido abandonada, e medidas de conservação, às populações que anteriormente tinham sido consideradas como perdidas”.

Para já, explica, são necessárias novas medidas para garantir um futuro ao saramugo, a longo prazo. “Deu-nos algum alento saber que a espécie ainda está nestes locais, porém é necessária uma monitorização dedicada e mais intensiva nestas populações, bem como medidas de melhoria de habitat e remoção de invasoras para a preservação desta espécie endémica da Península Ibérica.”

7. Tartaranhão-caçador (Circus pygargus)


“O aumento registado este ano no sucesso reprodutor do tartaranhão-caçador é bastante positivo, tendo em conta que, segundo os dados do primeiro censo da espécie realizado em Portugal em 2022-2023, esta ave se encontrava no limiar da extinção e, em Espanha, a situação também é bastante crítica”, refere Joaquim Teodósio, da organização não governamental de ambiente Palombar – Conservação da Natureza e do Património Rural e coordenador do projeto LIFE SOS Pygargus. Este ano, dos 251 ninhos desta espécie migradora que foram alvo de medidas de proteção, na Península Ibérica, 77% conseguiram assegurar pelo menos um juvenil voador. Ao mesmo tempo, atingiram-se 1,98 juvenis por casal nidificante, acima do limiar de viabilidade desta espécie.

8. Planta carnívora Utricularia subulata


A redescoberta da Utricularia subulata, uma planta carnívora que não era observada em Portugal desde 1967, é uma notícia esperançosa deste ano que passou, sublinha Sergio Chozas, ligado à Sociedade Portuguesa de Botânica. “De facto esta notícia dá nos esperanças de que algumas das espécies que foram dadas como extintas podem, de facto, andar ainda por aí, e também nos fazem lembrar da importância de continuarmos a fazer estudos e levantamentos da nossa flora”, sublinha este botânico, que é também investigador na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2025

Hoje é o Dia Internacional do Lince-Ibérico


Espécie emblemática dos ecossistemas mediterrânicos da Península Ibérica, esteve praticamente extinta em Portugal Continental durante mais de duas décadas. Graças a um programa de reintrodução que ocorreu no Parque Natural do Vale do Guadiana, por pressão da União Europeia e em contrapartida do financiamento comunitário para a barragem da ribeira de Odelouca, existem actualmente mais de 350 linces em território nacional, estando a maioria nos concelhos de Mértola, Serpa e Alcoutim. Décadas atrás, a espécie também estava presente nas serras da Malcata, São Mamede, Espinhaço Cão, Monchique ou Caldeirão, no Tejo Internacional, Alentejo Litoral e Costa Vicentina, ou na região de Moura-Barrancos. A redução drástica das populações de coelho-bravo, a caça furtiva, a destruição de habitat ou o recurso a venenos foram as principais causas da sua extinção no território português. Em boa verdade, o lince-ibérico foi salvo sobretudo pela acção das autoridades espanholas, que conseguiram garantir a sobrevivência de duas populações até ao início do século, em Doñana e na zona mais oriental da Serra Morena. Se dependesse apenas de Portugal, hoje já não existiria o lince-ibérico.

quarta-feira, 5 de junho de 2024

Hoje é o Dia Mundial do Ambiente - não há muito bons motivos para festejar


Há meio século que se assinala este dia que comemora a primeira Conferência das Nações Unidas sobre o Ambiente Humano, ocorrida em Estocolmo em junho de 1972.

Foram 51 dias, em 52 anos, a falar e apelar para a defesa do meio ambiente, a par de milhares e milhares de outras iniciativas de sensibilização e educação ambiental por todo o mundo, todos os dias deste meio século.

De pouco adiantou! Hoje a natureza e o ambiente estão piores que em 1972! 

A crise ambiental e, agora, a crise climática, alastrou a todo o mundo e se uns tem calor a mais, a outros falta a água e, outros ainda, têm excesso da mesma com perigosas inundações e derrocadas.

Quanto à natureza, nem se fala; a biodiversidade decaiu assustadoramente nestes 50 anos, e não é o facto de se terem registado resultados pontuais na conservação de algumas espécies-bandeira (lince-ibérico, cabra-brava, abutres, etc.) que nos alegram.

Segundo o relatório “Living Planet Report”, publicado em 2018, pela WWF, organização não-governamental ambientalista, e pela Sociedade Zoológica de Londres, entre 1974 e 2014 a biodiversidade caiu 60%, ou dito de outra maneira, desde 1970 até 2014, mais de metade das espécies desapareceram da Terra

Segundo o mesmo relatório, as taxas de extinção atuais são entre 100 e 1000 vezes superiores às taxas de extinção existentes anteriormente, antes do Homem se tornar um “fator extraordinário de pressão” (Fonte: Marta Gonçalves, Lusa, Jornal Expresso, 30/10 /2018).

Peter Raven, ex-professor da Universidade de Stanford e presidente emérito do Jardim Botânico do Missouri (EUA), escreveu no prefácio do Atlas of Population and Environment: " Impulsionamos a taxa de extinção biológica, a perda permanente de espécies, até centenas de vezes acima dos níveis históricos, e há a ameaça de perda da maioria de todas as espécies no fim do século XXI ”.

Passamos meio século a degradar, sem contar com o que já vinha de trás, de antes de, em 1972, se tomar “oficialmente” consciência da crise ambiental; agora, em 2024, o Dia Mundial do Ambiente tem como temas contrariar os efeitos da manipulação e, nomeadamente, “ acelerar o restauro da terra, a resiliência à seca e à desertificação ” e o rótulo “ Nós somos a geração do restauro ”; significativo! Já não é conservar, já é restaurar o que se degradou!

De resto, já está a decorrer, desde 2021 e até 2030, a Década das Nações Unidas para o Restauro dos Ecossistemas, uma iniciativa global para prevenir, dissuadir e reverter a manipulação dos ecossistemas em todo o mundo, uma década que deveria envergonhar a nossa espécie.

Portugal também não tem sido um exemplo nesta matéria a ponto de, em Maio, a Comissão Europeia ter iniciado um processo de infração a Portugal por falhas na proteção da biodiversidade, nomeadamente não respeitando a Diretiva Habitats (Diretiva 92/43/CEE) e a jurisprudência do Tribunal de Justiça da União Europeia.

Mas se estes 52 anos de Dia Mundial do Ambiente não tiveram grandes resultados em termos de conservação da Terra, foram habilmente aproveitados pelas empresas para vender e produzir mais, e pelos governos para serem laxistas, exatamente o contrário do desejado. 

Desenvolveram com grande maestria e enormes investimentos o “greenwashing” (do inglês green, verde, e whitewash, branquear ou encobrir), que se define como “...a injustificada apropriação de virtudes ambientalistas por parte de organizações (empresas, governos, etc.) ou pessoas, mediante o uso de técnicas de marketing e relações públicas. Tal prática tem como objetivo criar uma imagem positiva, diante a opinião pública, acerca do grau de responsabilidade ambiental dessas organizações ou pessoas (bem como de suas atividades e seus produtos), ocultando ou desviando a atenção de impactos ambientais negativos por elas gerados.” 

É assim que uma empresa com grande impacto sobre a Terra escreve “Plenamente alinhado com esse objetivo [Década das Nações Unidas do Restauro dos Ecossistemas] o Grupo xxxx trabalha para ajudar a preservar ecossistemas saudáveis nas regiões onde desenvolve sua atividade. O compromisso da xxxx com a proteção e conservação das áreas naturais é desenvolvido de acordo com os princípios estabelecidos em sua primeira política de biodiversidade, criada em 2007 e renovada em 2024, e se baseia em anos de trabalho para integrar a consideração da biodiversidade na gestão e tomada de decisões do grupo.”

E uma papeleira escreve “A conservação da biodiversidade é encarada pela xxxx como a chave para uma produção ambientalmente responsável e uma gestão florestal sustentável.” e “Os objetivos de produção e a conservação da biodiversidade não são valores antagónicos. Pelo contrário, as florestas plantadas podem promover a diversidade biológica, desde que seja seguida uma gestão responsável.”

São afirmações claramente empoladas e sem base. 

É evidente que a indústria papeleira não faz falta pois, o papel, é um artigo insubstituível e de uso quotidiano por todos. Também é verdade que o seu processo industrial, quer antes, quer depois da introdução da celulose (meados do séc. XIX), é altamente poluente.

E desde que se recorreu ao eucalipto como matéria prima para a produção de celulose, e se apostou em grandes plantações monoespecíficas desta árvore, que o território (e referimo-nos especialmente a Portugal) foi profundamente alterado, com prejuízo para a paisagem, a biodiversidade e o bem-estar das situações.

Portanto, seria preferível que a indústria papeleira, em vez de cultivar o “ greenwashing ” e suposta investigação em áreas como a biodiversidade e outras (que pode deixar para a Academia) apostasse na investigação dos processos industriais e florestais, de modo a torná-los menos prejudiciais para o ambiente.

Seria melhor que as celuloses registassem o impacto negativo no ambiente de sua atividade, da mesma forma que os ambientalistas sensatos registam o trabalho positivo na produção e melhoria do papel, cujo uso, mesmo com o desenvolvimento da informática, não parou de crescer nos últimos anos.

Não vale a pena mistificar as coisas com “lavagens verdes”; o correto é encarar as realidades de frente e, quando são geradores de problemas ambientais ou sociais, procurar diminuir o seu impacto não privando, no entanto, a população do seu usufruto.

Mas que essas alternativas não sejam como os painéis solares e as eólicas, para a energia que, se bem que emitam menos CO2, dão cabo dos solos e da paisagem!

5 de junho de 2024

Nuno Gomes Oliveira

Presidente da Direção da FAPAS

quinta-feira, 4 de janeiro de 2024

LIFE Lupi Lynx vai trabalhar para o regresso de lobos e linces à Beira Interior


Projecto luso-espanhol quer criar condições que contribuam para a recuperação das duas espécies nos distritos da Guarda e de Castelo Branco, do lado português, e na província de Cáceres, do lado espanhol.

O lançamento do LIFE Lupi Lynx, agora em Janeiro, foi anunciado esta quinta-feira pela equipa do novo projecto. O objectivo é criar condições para o regresso do lobo-ibérico e do lince-ibérico ao sul do rio Douro, em “áreas onde as duas espécies começam a surgir ou têm ainda uma presença irregular”.

“Pretende-se com este projeto promover uma melhor coexistência entre os referidos predadores e o homem, garantindo as condições de habitat e de convivência com as actividades humanas”, indicam em comunicado as nove entidades envolvidas no LIFE Lupi Lynx, que uma duração prevista de cinco anos e um orçamento de 3,5 milhões de euros.

Coordenado pela Rewilding Portugal, conta ainda com seis entidades portuguesas: a BIOPOLIS/CIBIO, o Grupo Lobo, a Plataforma de Ciência Aberta do Município de Figueira de Castelo Rodrigo e a Universidade de Aveiro. Do lado espanhol estão envolvidas ainda duas entidades, a AMUS – Asociación de Accion por el Mundo Salvaje e a Junta de Extremadura.

Em Portugal, tanto o lobo-ibérico como o lince estão hoje classificados como Em Perigo de extinção e habitam apenas nalgumas partes do território, indica o Livro Vermelho dos Mamíferos, publicado em 2023.

O lobo-ibérico está presente principalmente a norte do Douro, com a existência de algumas alcateias também a sul desse rio, no distrito da Guarda e também nos distritos de Viseu e Aveiro (Serras da Freita e da Arada). Nestes últimos anos, deram-se também vários avistamentos na região de Castelo Branco.

Da mesma forma, o lince-ibérico tem sido observado na região de Castelo Branco, embora a área de distribuição hoje confirmada para este mamífero esteja mais a sul – em especial no Vale do Guadiana, onde teve início a reintrodução da espécie, e mais recentemente no Interior algarvio, na região de Tavira. Depois de um censo realizado em 2002 e 2003 ter confirmado a extinção da espécie em terras portuguesas, este felino de barbas regressou ao território nacional apenas em Dezembro de 2014, com as primeiras reintroduções realizadas na zona de Mértola. Graças a vários medidas destinadas à recuperação e conservação da espécie, que continuam, em 2015 o lince-ibérico deixou de estar classificado como Criticamente em Perigo, a nível global.

Melhorar as condições ecológicas e sociais
Tanto nos distritos da Guarda e de Castelo Branco como na província espanhola de Cáceres (Extremadura), o novo projecto vai procurar melhorar as condições ecológicas e sociais para estas duas espécies-chave, indica a equipa em comunicado. Em causa está um território com um total de 17.000 hectares, onde “o trabalho à escala transfronteiriça permitirá conseguir melhores resultados, mais abrangentes e com maior impacto no futuro do lobo e do lince ibéricos.”

Entre as condições ecológicas nas quais se vão centrar os trabalhos estão “o aumento da abundância de presas silvestres e o restauro do habitat“, enquanto que a nível social, o objectivo é “promover uma coexistência pacífica com as comunidades humanas locais, aumentando as ferramentas de prevenção dos ataques ao gado para evitar potenciais conflitos”.

Apostar em “actividades económicas sustentadas na natureza” e que “promovam o respeito pela paisagem e pela biodiversidade”, contribuindo dessa forma para o desenvolvimento socio-económico dessas regiões, é outro dos objectivos do projecto, tal como “aumentar a troca de conhecimentos e a capacidade dos actores locais na prevenção de danos ao gado e na detecção de crimes ambientais“.

Entre os resultados que se pretendem alcançar, apontados pela equipa, estão “a melhoria do quadro legal relativo à utilização de cães de proteção de gado; a melhoria do habitat e o aumento da disponibilidade de presas quer para o lobo, quer para o lince; a utilização de boas práticas em mais de uma dezena de propriedades privadas e o aumento da utilização de medidas de prevenção de danos no gado, nomeadamente de cães de proteção de gado e de vedações”.

Os resultados pretendidos para os próximos cinco anos incluem ainda “o trabalho em conjunto com as autoridades de ambos os países para identificar e prevenir crimes ambientais; o estabelecimento de parcerias com centros de recuperação de fauna silvestre e laboratórios de análises toxicológicas; o apoio e promoção do turismo de natureza sustentável em terras de lobo e de lince; a realização de sessões participativas com actores-chave do território para encontrar soluções positivas que compatibilizem as atividades humanas com a presença destes predadores e a realização de programas de educação ambiental destinados a crianças e jovens”.

O novo projecto vai dar ainda continuidade e expandir o trabalho desenvolvido no âmbito do LIFE WolFlux, também coordenado pela Rewilding Portugal, que será concluído em 2024.

segunda-feira, 15 de maio de 2023

Ramina e Somba: dois linces-ibéricos que convivem perto de humanos na mina de Neves-Corvo


Ramina e Somba: dois linces-ibéricos que convivem perto de humanos na mina de Neves-Corvo
O lince-ibérico Ramina nasceu em liberdade e estabeleceu o seu território perto da mina devido à alta densidade de coelho-bravo na região e pela coexistência pacífica com os trabalhadores.
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No dia 3 de Maio, foi publicado um vídeo no Facebook em que se vê um lince-ibérico a caminhar tranquilamente entre carros na mina de Neves-Corvo, em Castro Verde. Ouve-se a voz surpreendida de quem grava, com a proximidade daquele animal numa zona com tantas marcas da presença humana. E porque estava ali aquele lince? É normal circular tão perto dos humanos? Nos comentários desenrolaram-se preocupações de que estaria com fome ou doente, mas, segundo o Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), este tipo de aproximação não é incomum.

O lince-ibérico das imagens é Ramina, uma fêmea que nasceu em 2020, em liberdade, a cerca de sete quilómetros da mina, refere o ICNF ao Azul. Em 2021, “esta fêmea estabeleceu o seu território no perímetro da mina”, devido à alta densidade de coelho-bravo na região (uma das presas preferidas do lince-ibérico). Desde essa altura que o ICFN, “com a colaboração dos funcionários do complexo mineiro”, diz que tem estado a acompanhar a situação.

No entanto, a Liga de Protecção da Natureza (LPN) ressalva que, “apesar de ser uma ‘historia bonita’”, é preciso alertar que esta não é a situação ideal ou a mais vantajosa para a espécie.

Este ano, Somba, um jovem macho nascido em 2021 a cerca de 13 quilómetros da mina, juntou-se a Ramina. “Os dois linces apresentam boa condição física e aparentemente estão bem adaptados ao local, exibindo uma grande tolerância à presença humana”, garante o ICNF.

O motivo que levou estes dois animais a juntarem-se e aproximarem-se de uma zona com presença e actividade humana será “a elevada abundância de coelho-bravo, a principal presa do lince-ibérico” sugere a LPN. Para motivar a presença do lince-ibérico, é necessário um conjunto de condições essenciais, acrescenta a LPN, onde, além da presença do alimento, se destaca “a estrutura do habitat e a ausência de perturbação”.

Um exemplo: no Centro Nacional de Reprodução do Lince-Ibérico, em Silves, o contacto dos linces com humanos é quase nulo para aumentar a sua taxa de sobrevivência. Os linces-ibéricos estiveram quase extintos nos anos 2000, mas um programa de recuperação conseguiu que os linces fossem aumentando de ano para ano. Os linces estiveram perto da extinção em grande parte por causa da caça por humanos (e atropelamentos), mas também por causa do declínio das populações de coelho-bravo.

Neste caso, “como, aliado a uma elevada abundância de coelho, temos uma coexistência pacífica com os trabalhadores da actividade (extractiva) daquele espaço”, indica a LPN, o factor de perturbação parece não ser um problema para Ramina e Somba.

“Não é a situação ideal para a espécie”
Apesar de parecer atractivo um local recheado de alimento e sem “chatices” com as populações, esta situação “não é a ideal ou a mais vantajosa para a espécie”, alerta a Liga para a Protecção da Natureza. “O lince-ibérico é uma espécie silvestre, vulnerável a um alargado conjunto de ameaças de origem não-natural, de onde destacamos o atropelamento, e de origem natural, como doenças infecciosas, muitas delas transmitidas por espécies domésticas, como é o caso da leucemia felina que também afecta os gatos.”

Por isso, esta proximidade pode ser um risco para a espécie, que, em Portugal, “continua com um elevado estatuto de ameaça (Em Perigo) e reduzida a um total de pouco mais de duas centenas de exemplares na Natureza”, avisa a organização não-governamental. Apesar disso, salientam que esta história ajuda a ilustrar o papel do lince-ibérico “na manutenção de populações saudáveis de coelho-bravo, que ali continuam a existir, e a demonstrar a possibilidade da coexistência do ser humano com este importante superpredador da fauna ibérica”.

A Liga de Protecção da Natureza elogia a população de Castro Verde “pela sua interacção e protecção deste emblemático símbolo da biodiversidade ibérica no seu concelho, classificado como Reserva da Biosfera da UNESCO e parte integrante da Rede Natura 2000”.

sexta-feira, 25 de junho de 2021

População de lince-ibérico supera os mil exemplares pela primeira vez em 20 anos

A população de lince ibérico alcançou 1.111 exemplares em 2020 em toda a Península Ibérica, o número mais elevado desde que existem programas de monitoração e 30% a mais em relação a 2019, quando 855 exemplares foram registados.




Este é um “passo muito importante” na recuperação da espécie e “uma das maiores alegrias que podemos dar”, afirmou a vice-presidente e ministra para a Transição Ecológica de Espanha, Teresa Ribera.

A ministra espanhola sublinhou que é o máximo numérico registado desde que existem os programas de monitoração do lince (Lynx pardinus), espécie “sensível e emblemática”.

Teresa Ribera especificou que desde 2011, data em que começaram as primeiras libertações destes felinos, e até 2021, foram reintroduzidos 305 exemplares, o que, na sua opinião, “supera todas as expectativas iniciais”.

A curva demográfica da população de linces permite ser “otimista e traçar cenários que afastem o grande felino ibérico do risco crítico de desaparecimento”, avançaram fontes ministeriais, apontando que pela primeira vez em 20 anos ultrapassou os mil animais.

Em Espanha, os principais centros populacionais situam-se na Andaluzia, onde vivem mais da metade dos linces ibéricos, seguida de Castela-La Mancha, com um terço da população, e da Extremadura, com 141 animais.

Segundo dados do Ministério para a Transição Ecológica de Espanha, existem 14 núcleos com presença estável de linces em toda a Península Ibérica, sendo os mais importantes os localizados na Serra Morena (603 linces), Montes de Toledo (145) e Vale do Guadiana (140).

Em 2020, foram registados 414 nascimentos de 239 fêmeas reprodutoras, o que tem favorecido a tendência positiva que a espécie apresenta desde o início dos programas de conservação e proteção do lince em 2002, quando havia menos de cem exemplares em toda a península.

Para atingir estes números tão positivos, é necessário destacar as ações decisivas para a gestão do habitat e proteção do lince das ameaças existentes no ambiente natural, bem como o programa de conservação dos linces.

O Ministério da Transição Ecológica, através da Organização de Parques Nacionais Autónomos, gere dois dos quatro centros de reprodução existentes, o de Zarza de Granadilla (Extremadura) e El Acebuche (Andaluzia), enquanto os restantes dois se encontram na Andaluzia (Centro de Reprodução La Olivilla) e em Portugal (Centro Nacional de Criação do Lince Ibérico).

O Ministério destacou ainda o papel desempenhado pelas administrações autónomas da Andaluzia, Castela-La Mancha e Extremadura, bem como pelo Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas de Portugal. Além disso, a União Europeia cofinanciou vários projetos através do programa Life da Comissão Europeia.

sábado, 19 de dezembro de 2020

Reportagem da semana: Iberian Lynx - Lince-Ibérico


Southern Spain: home to distinctive landscapes, extreme climates, and the Iberian Lynx. The unique species of wildcat is smaller than its European cousin and has evolved to survive almost exclusively by hunting wild rabbits

sexta-feira, 25 de setembro de 2020

Como estão os mamíferos de Portugal? Estes peritos estão a trabalhar na resposta

O Livro Vermelho dos Mamíferos de Portugal Continental vai avaliar, até 2021, o estado de conservação e o risco de extinção de mais de 70 espécies, incluindo toupeiras, morcegos, cachalotes e gatos-bravos.
 por Helena Geraldes 11.09.2020
Lince-ibérico em Mértola. Foto: ICNF

Desde 2019 que está a ser montada a equipa por detrás do novo Livro Vermelho dedicado aos mamíferos de Portugal Continental. São dezenas de investigadores, técnicos e voluntários que, até 2021, vão tentar saber como estão estas espécies, de Norte a Sul do país.

Os dados mais recentes, que têm 15 anos, dizem que em Portugal há 18 espécies ameaçadas de extinção. Esses dados foram compilados para o Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal, publicado em 2005.

Dessas 18 espécies, cinco estavam Criticamente Em Perigo – o morcego-de-ferradura-mediterrânico, o morcego-de-ferradura-mourisco, o morcego-rato-pequeno, a cabra-montês e o lince-ibérico -; três estavam Em Perigo – o lobo-ibérico, a baleia-comum e o morcego de Bechstein -; e 10 eram Vulneráveis – a toupeira-de-água, rato de Cabrera, morcego-de-ferradura-pequeno, morcego-rato-grande, morcego-de-franja-do-Sul, morcego-de-peluche, a baleia-anã, o boto e o gato-bravo.Lince-ibérico em Mértola. Foto: ICNF

Mas passados 15 anos, como estão as espécies de mamíferos? Quais as espécies que estão mais ameaçadas e quais as que estão estáveis ou a aumentar a sua população?

“Os mamíferos são um grupo relativamente bem conhecido que atrai o interesse dos cientistas e também do público em geral. No entanto, é escasso um conhecimento científico mais detalhado, incluindo áreas de distribuição e ocorrência, devido ao pequeno tamanho de algumas espécies, aos hábitos nocturnos da maioria das espécies e baixas densidades populacionais de outras”, disse hoje à Wilder Maria da Luz Mathias, coordenadora-geral do novo Livro Vermelho dos Mamíferos de Portugal Continental.
Ouriço. Foto: Alexandra München/Pixabay

Além disso, para muitas espécies o estatuto de ameaça e estado de conservação já está desactualizado. Isto por causa da “constante alteração do uso do solo e da estrutura da paisagem ou as alterações climáticas, que têm conduzido na região mediterrânea a um aumento dos fogos florestais com a consequente diminuição de habitats favoráveis a muitas espécies”, acrescentou a responsável.

Actualmente pensa-se que, para algumas espécies, o risco de ameaça ou mesmo de extinção pode ter-se acentuado nos últimos 15 anos. Como é o caso da toupeira-de-água (Galemys pyrenaicus) e do boto (Phocoena phocoena).

Há também espécies cuja situação taxonómica foi alterada. Considera-se atualmente que em Portugal ocorre o morcego-de-franja do Sul (Myotis escalerai) em vez de Myotis nattereri. E, em 2017, confirmou-se o rato-do-campo-de-cauda-curta em Portugal (Microtus agrestis) como uma espécie distinta do rato-do-campo lusitano (Microtus rozianus), passando esta espécie a substituir a anterior.

E depois há 12 espécies novas que ainda não tinham sido registadas para Portugal.
Morcego-de-ferradura-pequeno, uma das 12 espécies das grutas do Alviela. Foto: Matthieu Gauvain/Wiki Comuns

São elas o rato-das-neves (Chionomys nivalis), o morcego-hortelão-claro (Eptesicus isabellinus), o morcego-de-bigodes de Alcathoe (Myotis alcathoe), o morcego-de-franja-críptico (Myotis crypticus), a baleia de Bryde (Balaenoptera edeni), o golfinho de Fraser (Lagenodelphis hosei), o golfinho-de-laterais-brancas do Atlântico (Lagenorhynchus acutus), o golfinho-de-bico-branco (Lagenorhynchus albirostris), o golfinho-malhado do Atlântico (Stenella frontalis), o cachalote-anão (Kogia sima), a baleia-de-bico de Sowerby (Mesoplodon bidens) e a baleia-de-bico de True (Mesoplodon mirus).

Até 2021, equipas de cinco universidades e do Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) vão avaliar o risco de extinção das espécies, recorrendo aos critérios da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN).

O projecto vai também contribuir para avaliar o estado de conservação das espécies abrangidas pela Diretiva Habitats, realizada a cada seis anos.

A avaliação de 2019 para as espécies protegidas pela Diretiva Habitats identificou nove espécies com estado de conservação desfavorável – como o toirão, gato-bravo, rato de Cabrera e toupeira-de-água – e 33 espécies com estado desconhecido.                                                                                                     
Lobo-ibérico. Foto: Arturo de Frias Marques/Wiki Commons

Actualmente existem em Portugal 21 espécies com Informação Insuficiente (DD). Ou seja, a avaliação feita em 2005 não conseguiu recolher informação suficiente para avaliar o seu risco de extinção. Estes mamíferos não tiveram, e ainda não têm, um estatuto de ameaça atribuído por falta de informação.

Os peritos estão já no terreno a fazer inventariação acústica de morcegos e a prospectar os seus abrigos; a procurar indícios de pequenos mamíferos como coelhos, ouriços, musaranhos e toupeiras e a fazer armadilhagem fotográfica e percursos pedestres para obter dados sobre a cabra-montês, veados, gamos, corços e javalis.

Em laboratório vão ser feitas análises genéticas do material recolhido no campo para confirmar a ocorrência das espécies.

A área de intervenção do Livro Vermelho dos Mamíferos abrange todo o território de Portugal Continental, em especial a Rede Nacional de Áreas Protegidas e as Zonas Especiais de Conservação da Rede Natura 2000.

Será criada uma base de dados para reunir a informação disponível sobre os mamíferos de Portugal Continental, que irá incluir, por exemplo, aspetos da ecologia, distribuição e abundância destas espécies.

Todo este trabalho ajudará a definir medidas e ações para conservar as espécies.

O Livro Vermelho é “um instrumento crucial para ajudar a decidir prioridades e medidas de conservação. É também uma chamada de atenção para as espécies que podemos estar a perder”, explica o site do projecto.

Segundo Maria da Luz Mathias, “a elaboração de Listas Vermelhas é fundamental para uma gestão activa e eficiente das espécies e dos habitats, sendo globalmente reconhecidas como um instrumento importante pelos gestores, comunidade científica e público em geral”.
Esquilo-vermelho. Foto: Jakub Hałun/Wiki Commons

As maiores ameaças para os mamíferos de Portugal são a degradação e a perda de habitat.

Mas há ameaças mais específicas. Por exemplo, os mamíferos insectívoros e os roedores semi-aquáticos sofrem com as mudanças nos cursos de água, como a construção de barragens, e com a fraca qualidade da água.

Os morcegos cavernícolas sofrem com a perturbação dos seus abrigos e, em alguns casos, com a falta de áreas de alimentação de qualidade na proximidade destes.

Alguns pequenos cetáceos têm um nível elevado de mortalidade devido a capturas acidentais em artes de pesca. Além disso, as suas populações estão a ser afectadas por diversos tipos de poluição, incluindo o lixo marinho.

O projecto “Revisão do Livro Vermelho dos Mamíferos de Portugal Continental e contributo para a avaliação do seu estado de conservação” é co-financiado pelo POSEUR, Portugal 2020, União Europeia – Fundo de Coesão e pelo Fundo Ambiental.

Tem como beneficiário a FCiências.ID – Associação para a Investigação e Desenvolvimento de Ciências e como parceiro o ICNF.

A coordenação científica é do Centro de Estudos do Ambiente e do Mar (CESAM) e do Centro de Ecologia, Evolução e Alterações Ambientais (cE3c) da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, e conta como parceiros de execução com a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), Universidade de Aveiro (UA), Universidade de Évora (UE), ICETA – Instituto de Ciências, Tecnologias Agrárias e Agroambiente da Universidade do Porto (CIBIO-InBIO) e Mesocosmo – Consultoria, Tecnologia e Serviços Científicos, Unipessoal Lda.

terça-feira, 7 de agosto de 2018

Reprodução em cativeiro conseguiu 39 crias de lince-ibérico em 2018

Fêmea e crias no CNRLI. Foto: Joana Bourgard. Texto Wilder
A percentagem de sobrevivência das crias foi de 80%, superior em 5% à média dos 14 anos deste programa, no âmbito do qual cinco centros em Portugal e Espanha estão a reproduzir em cativeiro esta espécie Em Perigo de extinção.

Este ano nasceram 49 crias e destas sobreviveram 39, segundo os números finais da reprodução em cativeiro do lince-ibérico (Lynx pardinus) de 2018, conhecidos na sexta-feira passada.

Em Silves, no Centro Nacional de Reprodução do Lince-ibérico (CNRLI) – o único centro português que integra a rede ibérica e onde já nasceram mais de 100 crias de lince -, nasceram oito crias e sobreviveram seis (quatro fêmeas e dois machos). Neste momento ainda se esperam pelos resultados das necropsias que irão revelar a causa das duas mortes.
A percentagem de sobrevivência das crias foi de 80%, um número superior à média de sobrevivência destes 14 anos de programa que é de 75%”, informou o programa de conservação Ex-Situ, em comunicado.

A época de partos decorreu de 6 de Março a 4 de Abril nos centros de Silves, El Acebuche, Zarza de Granadilla, La Olivilla e Zoo de Jerez. Mas foi preciso esperar para divulgar os resultados porque perto da sétima semana de vida, as ninhadas passam por um momento crítico da sobrevivência das crias. Hoje, “todas elas já superaram esse período crítico”.

À semelhança do que aconteceu em 2016 e em 2017, nesta temporada reprodutora foram formados 23 casais. De entre estes, o programa destaca que este foi o primeiro ano reprodutor para cinco fêmeas. “A probabilidade das fêmeas primeiriças conseguirem uma ninhada é bastante baixa (…) mas este ano foi espantosamente bom e quatro delas (Madroña, Junquinha, Juncia y Kaida) conseguiram descendência, cuidando perfeitamente das suas crias”, segundo o programa Ex-Situ.
Actualmente, os únicos 547 linces-ibéricos do planeta vivem na Andaluzia (em quatro zonas: Doñana-Aljarafe, Andújar-Cardeña, Guarrizas e Guadalmellato), na Extremadura espanhola (Valle del Matachel), em Castela-La Mancha (Serra Morena Oriental e Montes de Toledo) e no Vale do Guadiana (Mértola e Serpa)

sexta-feira, 6 de abril de 2007

Amazónia Ibérica e Boa Páscoa


Saiu ontem na edição da Revista Visão uma reportagem sobre áreas naturais ibéricas apelidaram-na e muito bem de Amazónia Ibérica. Possui infografias.

...... e desejo a todos uma Boa Páscoa.