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quarta-feira, 29 de abril de 2026

The Stargazer Lilies - Perfect World


Letra
Love would rule
Nothing be cruel
No one would hurt
Or feel like dirt
Every soul 
Honest and true
Each  moment 
Fresh and new

Oooooo
In a perfect world
Rainbows swirled
Blue and green twirled
Oooooo
In a perfect world
Space time curled
And rainbows swirled
Oooooo

 Poverty would be no more
As would disease and making war
All mistakes
Could be undone
Above all else
Life would be 

Esta canção é um hino ao idealismo utópico, pintando o retrato de uma realidade onde as falhas fundamentais da condição humana — o sofrimento, a malícia e a irreversibilidade do tempo - foram erradicadas. No seu âmago, a letra explora a pureza moral e emocional, sugerindo que num mundo perfeito a dor psicológica seria inexistente, pois a honestidade e a autovalorização seriam a norma, eliminando o sentimento de "ser lixo" ou a necessidade do engano.

A composição eleva-se acima das questões sociais ao tocar no campo da metafísica, especialmente quando menciona que o "espaço-tempo se curvaria". Esta ideia de que "todos os erros poderiam ser desfeitos" revela o maior desejo humano: a libertação do arrependimento e a capacidade de apagar as consequências permanentes das nossas falhas. Ao abordar a extinção da pobreza, da doença e da guerra, a letra confronta os três grandes pilares do sofrimento terreno, propondo um sistema de salvação absoluta.

Finalmente, ao terminar com a frase suspensa "a vida seria...", a canção sugere que, uma vez removido o ruído do conflito e da escassez, a verdadeira essência da existência é algo tão profundo e transcendente que ultrapassa a própria linguagem. É um contraste vibrante entre a dureza do nosso mundo e um sonho onde o amor não é apenas um sentimento, mas a própria lei que rege a física do universo.

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domingo, 8 de fevereiro de 2026

Ego Eris - Tempo Implacável


Curiosidade sobre o nome
O nome vem da frase em latim "Tu fui, ego eris", que significa "O que tu és, eu fui; o que eu sou, tu serás". É uma expressão clássica encontrada em epitáfios e mementos mori, lembrando a todos sobre a inevitabilidade da morte — um tema central na estética da banda.

Letra
Se abraçando à fúria que sufoca 
Pra tentar esquecer
Se agarrando à fuga que lhe trás a paz
Sem ter que adormecer

Aprisionado em tristes e simples ilusões 
Não há mais nada para ver
Feliz enquanto voa em seus sonhos
Antes do anoitecer

Encontraria a chave que lhe prende
Libertaria todo aquele mal
Sem pensar

Como podemos ter tempo se é o tempo que nos tem?
Não conhecemos o nosso fim, mas o nosso fim nos conhece [2X]

domingo, 4 de dezembro de 2022

Música do BioTerra: Drab Majesty - Not Just a Name


We all hoped to be finding the light
We were alone on the Earth, searching for someone alike
Your words made sense with the truth you possessed
Believing the call of our kind
Would be fine if we were divinely blessed

You said we would be recycled
Took a hold of our souls just make us the same
Called me something I wasn't it's not just a name
Take your time taking minds just to stay in the game
Made me someone I wasn't it's not just a name

We couldn't love, but you paired us together
To walk hand in hand
The irony
We couldn't make this world ours
Because it wasn't a part of the plan

You said we would be recycled
You said I would be recycled
Took a hold of our souls just make us the same
Called me something I wasn't it's not just a name
Take your time taking minds just to stay in the game
Made me someone I wasn't it's not just a name

Why do we do, like you?
Why do we do?

Made me someone I wasn't it's not just a name
You called me something I wasn't it's not just a name
You made me someone I wasn't it's not just a name
You called me something I wasn't it's not just a name

Biografia
Drab Majesty

Página Oficial
Drab Majesty

Youtube
Drab Majesty

sábado, 26 de novembro de 2022

Sobre Cold Wave, Darkwave e Cibergótico


O termo cold wave (onda fria) apareceu na edição de novembro de 1977 da revista musical inglesa Sounds. No texto de capa, mostrando Ralf Hütter e Florian Schneider do Kraftwerk podemos ler "New musick: The cold wave".Naquele ano, o Kraftwerk publicou o Trans-Europe Express. 


O termo foi repetido na semana seguinte no Sounds pela jornalista Vivien Goldman, num artigo sobre Siouxsie e os Banshees. Nesse artigo de Dezembro de 1977 descreveram a sua música como "fria, mecânica e apaixonada ao mesmo tempo", e a revista Sounds profetizou sobre a banda: "[eles] soam como uma fábrica industrial do século 21 [...] Ouça ao rugido das ondas frias dos anos 70 aos anos 80".

Essas influências aparecem em bandas como Joy Division, The Cure e Bauhaus.

KaS Product, Martin Dupont, Asylum Party, Norma Loy, Clair Obscur, Opera Multi Steel e Trisomie 21 são algumas das principais bandas representantes desta corrente musical.

Kraftwek e os Cabaret Voltaire foram os pais fundadores da darkwave. Como já referi o álbum Trans-Europa Express teve influencia na banda pós-punk Joy Division, tendo o seu baixista, Peter Hook, referido que: "conhecemos os Kraftwerk através de Ian Curtis, que insistia em tocar Trans Europe Express sempre que íamos entrar em palco."


Aliás, o álbum "Closer" (1980) é uma obra-prima da coldwave, pós-punk. Para sempre um álbum irrepetível. 

Dark wave (também escrito como darkwave) é um género musical que surgiu na Europa e Reino Unido no início da década de 1980 entre a  coldwave, rock gótico e a música eletrónica.

Dark wave é um termo usado para se referir a uma versão sombria da new wave (ou do synth-pop), sendo considerado uma antítese e uma resposta dark e melancólica da new wave que estava em alta na década de 1980. O género começou a aparecer no meio musical europeu, coincidindo com a ascensão popular da new wave e do synth-pop. Composições de dark wave são amplamente baseadas em tonalidades-chave menores (sonoridade sombria), bateria eletrónica, teclados, samplers, sequenciadores e sintetizadores que constroem uma instrumentação eletrónica e dançante, porém, gótica e atmosférica.

Após o surgimento do rock gótico na Inglaterra através da cena pós-punk, a música dark wave foi de principal importância para caracterizar a subcultura gótica na década de 1980 e seguintes. No Reino-Unido foi uma explosão de bandas, umas mais célebres que outras: Attrition, In The Nursery, Pink Industry, Alien Sex Fiend, Specimen, The Cure, Bauhaus, Christian Death, Sisters of Mercy, Current 93, etc.

O movimento underground da coldwave/darkwave disseminou-se pela Europa e um pouco mais tarde no resto do mundo. Bandas como Clan of Xymox (HOL), Mittageisen e Young Gods (SUI), Poesie Noire (BEL), Laibach (Eslovénia), Psyche (CAN) e The Awakening (África do Sul).

As bandas italianas The Frozen Autumn, Ataraxia, Nadezhda, Litfiba e Diaframma tiveram um relativo sucesso.

A coldwave francesa é muito melancólica, falam do infortúnio, das sombras e baseada em ritmos electrónicos espectrais e fantasmagóricos. Nesta levada estão incluídas bandas como: Corpus Delicti, Die Form, KaS Product, Martin Dupont, Asylum Party, Norma Loy, Clair Obscur, Opera Multi Steel, The Breath of Life e Trisomie 21.

Os grupos de dark wave na Alemanha dos anos 1980 misturavam cold wave com o rock gótico, ou usando elementos da Ambient music e do post-industrial music. Ficaram associados ao  movimento Neue Deutsche Welle, que incluía bandas como Asmodi Bizarr, II. Invasion, Unlimited Systems, Mask For, Moloko †, Maerchenbraut, Liaisons Dangereuses, Einstürzende Neubauten   e Xmal Deutschland. 

Entre 1987 e 1995, surgiram novas bandas darkwave, com outras temáticas góticas tais como tabús eróticos, religião e épicos. As sonoridades principais são dark-ambient, industrial, militar, electro-indsutrial: Die Form, Skinny Puppy, Front Line Assembly, Wumpscut,  Armageddon Dildos e  And One.

A forte influência na Alemanha
Após o desaparecimento das cenas grandes da new wave e do pós-punk em meados da década de 1980, o dark wave ressurgiu, entre 1993-95 como um movimento underground com bandas da Alemanha, como Deine Lakaien, Love Is Colder Than Death, Love Like Blood, Diary of Dreams, além de Project Pitchfork e Wolfsheim. Ao mesmo tempo, um grupo grande de artistas alemães, que incluía Das Ich, Relatives Menschsein e a banda Lacrimosa, desenvolveram um estilo mais teatral, inspiradas na poesia germânica e em letras mais metaforizadas, chamando essa subdivisão de Nova Arte Fúnebre Alemã . Outras bandas, como Silke Bischoff, In My Rosary e Engelsstaub misturavam o dark synthpop ou o rock gótico com elementos do Neofolk ou do Neoclassical Dark Wave.

Diversidade de estilos nos EUA
Após 1993, nos EUA, o termo dark wave (como variante do jargão darkwave) foi associado com a gravadora Projekt Records, pois esse era o nome usado em seus catálogos, além de ser usado para denominar artistas alemães nos EUA, como o Project Pitchfork. A gravadora tinha bandas como Lycia, Black Tape for a Blue Girl, e Love Spirals Downwards, todas caracterizados por ter vocais femininos. Essas bandas tocavam uma nova vertente do wave, de origem das bandas dos anos 80, como Cocteau Twins, sendo o estilo classificado como ethereal wave. A gravadora também listava uma longa associação com o Attrition, que havia aparecido nas suas primeiras compilações musicais. Outra gravadora americana nessa área foi a Tess Records, que gravava os discos do This Ascension e Faith and the Muse. Ainda nos EUA, a darwave é mais variada que a da Europeia. EUC, por exemplo incluem elementos psicadélicos. Um grande número de outras bandas americanas misturaram a dark wave e a ethereal wave com outros projetos na música eletrónica. Love Spirals Downwards, Collide, e Switchblade Symphony incorporaram elementos do trip hop, enquanto o The Crüxshadows combinava uma série de electronic dance music contemporâneo com elementos do rock alternativo baseado nos elementos do estilo synth. A dark wave disco, foi uma tentativa fundada em 2004 na cidade de Chicago com a intenção de mesclar a dark new wave music com o atual indie-electro music. Seu legado foi o ressurgimento da new wave e da brand new electro nights em Chicago. No começo dos anos 2000, Jay Reatard formou o híbrido prolífico de garage punk/dark wave chamado Lost Sounds. 

Em Portugal
A coldwave portuguesa não teve muita expressão. Não passaram de bandas de garagem. Sem o saber, alguns temas de António Variações. Algumas músicas iniciais do Paulo Bragança, enquadram-se no gótico (influências de Nick Cave, Birthday Party). Bandas darkwave que duraram pouco tempo: Croix Sainte, Anamar, Diva, Essa Entente, Linha Geral, SPQR, A Jovem Guarda, Linha Geral, Bye Bye Lolita Girl, Grito Final, Bastardos do Cardeal, Magudesi, Extrema Unção e Os Cães, A Morte & o Desejo.  Surgiram projectos muito interesantes e únicos- os Pop_Dell'Arte e  Mler Ife Dada.  Agora em termos rock gótico temos os Mãos Morta e Rádio Macau. Uma banda de rock indie e alternativo foram os Sétima Legião.

Surgiram novas tendências:  Emo; Dark electro; AggrotechElectro-industrial;  EBMFuturepop

No Japão surgiram as subculturas Visual keiLolita fashion; Cosplay e Otaku

Cibergóticos
O termo 'Cybergoth' foi cunhado em 1988 pela Games Workshop para o seu jogo de RPG- Dark Future. Surgiram, entretanto, vários video jogos retrofuturistas ou pelo contrário, futuristas, como Shadowrun

O cybergótico é uma combinação de elementos da estética industrial com "gravers" (ravers góticos). Mas o estilo de moda não existia até uma década depois. 

A estética Cybergoth teve o seu momento ao sol graças a um vídeo que se tornou viral nos primeiros dias do YouTube, que desde então se tornou um marco na cultura dos memes. A partir de 2000 era habitual encontrar então cibergóticos: é baseado em cores fluorescentes e usa pvc, vinil e outros materiais de aparência artificial para criar um estilo de aparência futurista. O cabelo é tingido em cores não naturais e adornado com mechas coloridas, também conhecidas como cyberlox, que podem ser feitas de lã, espuma, borracha ou tecidos. A androginia é comum.

Também comum:
  • Tecidos brilhantes/brilhantes ou foscos
  • Cabelos coloridos e extravagantes, com mechas sintéticas
  • Maquiagem com cores claras
  • Placas de circuito de LED
  • Modificação corporal (tatuagens/piercings)
  • Máscaras de gás
  • Óculos retro ou metalúrgicos 
  • Botas com salto
  • Calças ou coletes pretos apertados
  • Redes de pesca
  • Aquecedores de perna de pele falsa ("fofo")
Bandas famosas de cibergótico: Angels on Acid; Toxic Nation; Otto Dix; The Prodigy; Carmilla;V2A; Front 242; Naked Underrated; Black Elves; Test Dept e Clock DVA

A Alemanha produziu muitas bandas techno-punk /underground techno/ cibergótico: Salted Bomb; The Siren; Crossbow; Hilbert Space; Mayday; Roentgens; LF05 - Lukas Freudenberger; Dosis; I feel Youth; Numbers; Melodrama; Mind Grabber; Party Favors; Shelter of Sin; Eye of The Beholder e Cortechs.

As últimas tendências cibergóticas Deep Dark and Hard Techno podem ser descobertas no canal Fear N Loathing

Os cibergóticos (a sua indumentária e dança exuberantes) reflectem sobre a crise ecológica, questionam este mundo cheio de pesticidas, nanobiotecnológico, radioactivo (ficção gótica da era pós-apocalipse nuclear, posição crítica em relação à tecnologia HAARP e 5G), o progresso acelerado da inteligência artificial, o desdém/paixão pela robótica e perscrutam o alarme totalitário da Big Tech. Era comum o uso de máscaras. Não imaginávamos era que vinha mesmo aí a crise pandémica. E estamos na revolução 4.0 e "impreparados" para os seus efeitos. A ver.

Outras subculturas cibergóticas: Cyberpunk; Steampunk; Dieselpunk; Biopunk; Arcologia; Rivethead 

2022
Actualmente ainda estão no activo bandas darkwave consagradas: Laibach, And Also The Trees, Clan of Xymox, She Past Away, Young Gods, She Wants Revenge, The Knife, The Frozen Autumn, Lebanon Hanover e Drab Majesty.

Para estar actualizado de novas bandas góticas, sintonize Atmosphère - Radio Arverne

Saber mais:

The Story of Goth in 33 Songs

Sites interessantes:
Fantasporto - Oporto International Film Festival
Gothic Beauty Magazine
Gothic Culture Magazine
Goth Wiki
Subculture List
Urban Dictionary

quarta-feira, 23 de novembro de 2022

Música do BioTerra: Cocteau Twins- Rilkean Heart (versão acústica)


"Rilkean Heart"

Rilkean heart I looked for you
To give me transcendent experiences
To transport me out of self and aloneness
And alienation into a sense of
One-ness and connection ecstatic and magical

I became a junkie for it
I came looking for the next high
And I'm sorry

I've been putting the search on the wrong place
I understand that you're confused
Feeling overwhelmed
Well that's a feeling state from then
The reality, with cleaning up my emotion of life

And I'm getting in touch with myself
I'm beginning to ground myself
In my own sense of being as an entity
One entity on the planet

Becoming truly self-reliant and become connected
With something beyond me
That is where I have to go
I'm so sorry

I've been putting the search on the wrong place
You're lost and don't know what to do
But that's not all of you
That's your reality today
And that is all okay

I understand that you're confused,
Feeling overwhelmed
Well that's a feeling state from then
The reality

You're lost and don't know what to do
But it's not all of you
That's the reality today
And now it's all okay

I understand that you're confused,
Feeling overwhelmed
Well that's a feeling state from then
The reality

Rilkean heart

segunda-feira, 14 de novembro de 2022

Música do BioTerra: Cocteau Twins - Pandora (for Cindy)

Cocteau Twins - Pandora (video oficial)

Cocteau Twins - Pandora (album version)

Cocteau Twins - Pandora (Live at Black Sessions)

Cocteau Twins - Pandora (One Hour Long)

(I'm in love with hers) our room, a hot and big and kick and burn our group attack our tacky home
(I'm in the lights with him) I feel I'm cheating when I sing shudder and can I and mourn and 'tis an arm for us
(I'm at home in the lance) I feel I've been (Ferdinand and was sad a lot in her house)
(Falling over hers) feed me you've pretended if I were you to fall for her for little Ferdinand fast kettle
(Ferdinand and was sad a lot in her house) for good for better Fred is dead will flee ill feef aloof from waft a coffee effort
(I'm at home in lance) falled on yanks (Ferdinand and was sad a lot in her house)

Forty feet, forty franks
Fish fate, fiss fate, clean fish
Formidiable, formidiable, formidiable
Formidiable, formidiable, formidiable
Forty feet, forty franks
Fish fate, fiss fate, clean fish
Formidiable, formidiable, formidiable
Formidiable, formidiable, formidiable

(I'm in love with hers) our room, a hot and big and kick and burn our group attack our tacky home
(I'm in the lights with him) I feel I'm cheating when I sing shudder and can I and mourn and 'tis an arm for us
(I'm at home in the lance) I feel I've been (Ferdinand and was sad a lot in her house)
(Falling over hers) feed me you've pretended if I were you to fall for her for little Ferdinand fast kettle
(Ferdinand and was sad a lot in her house) for good for better Fred is dead will flee ill feef aloof from waft a coffee effort
(I'm at home in lance) falled on yanks (Ferdinand and was sad a lot in her house)
(I'm in love with hers) our room, a hot and big and kick and burn our group attack our tacky home
(I'm in the lights with him) I feel I'm cheating when I sing shudder and can I and mourn and 'tis an arm for us
(I'm at home in the lance) I feel I've been (Ferdinand and was sad a lot in her house)
(Falling over hers) feed me you've pretended if I were you to fall for her for little Ferdinand fast kettle
(Ferdinand and was sad a lot in her house) for good for better Fred is dead will flee ill feef aloof from waft a coffee effort
(I'm at home in lance) falled on yanks (Ferdinand and was sad a lot in her house)

Forty feet, forty franks
Fish fate, fiss fate, clean fish
Formidiable, formidiable, formidiable
Formidiable, formidiable, formidiable
Free emparted
Free emparted
Free emparted, free emparted, free emparted, free emparted, free emparted, free emparted

(I'm in love with hers) our room, a hot and big and kick and burn our group attack our tacky home
(I'm in the lights with him) I feel I'm cheating when I sing shudder and can I and mourn and 'tis an arm for us
(I'm at home in the lance) I feel I've been (Ferdinand and was sad a lot in her house)
(Falling over hers) feed me you've pretended if I were you to fall for her for little Ferdinand fast kettle
(Ferdinand and was sad a lot in her house) for good for better Fred is dead will flee ill feef aloof from waft a coffee effort
(I'm at home in lance) falled on yanks (Ferdinand and was sad a lot in her house)
(I'm in love with hers) our room, a hot and big and kick and burn our group attack our tacky home
(I'm in the lights with him) I feel I'm cheating when I sing shudder and can I and mourn and 'tis an arm for us
(I'm at home in the lance) I feel I've been (Ferdinand and was sad a lot in her house)
(Falling over hers) feed me you've pretended if I were you to fall for her for little Ferdinand fast kettle
(Ferdinand and was sad a lot in her house) for good for better Fred is dead will flee ill feef aloof from waft a coffee effort
(I'm at home in lance) falled on yanks (Ferdinand and was sad a lot in her house)

domingo, 13 de novembro de 2022

Música do BioTerra: Cocteau Twins - Love's Easy Tears

Acordar com este tema faz-me bem. A voz de Elizabeth Fraser é magnífica e o som da guitarra, neste tema, parece que estou a tomar banho dentro de uma cascata cristalina.


Love, without him
She ought to know he owns himself
Love, without him
She ought to know

Gee, how many loved her man
How he could have done that he lived so loved
The phone rang
Die, so long, so love
Yea, man, joys of love said them

Love, without him
She ought to know he owns himself
Love, without him
She ought to know

Gee, how many loved her man
How he could have done that he lived so loved
The phone rang
Die, so long, so love
Yea, man, joys of love said them

Joys of love had the cat on the couch these days
Don't go leave me out
Every stuffy day I go home
Plus you don't know love

Gee, how many loved her man
How he could have done that?
He lived so loved
The phone rang
Die, so long, so love
Yea, man, joys of love said them
(Please, please, please)
HQ


Sound board recording

segunda-feira, 1 de agosto de 2022

Como suicidar a esquerda

Se a esquerda já não existe em Itália, é basicamente porque decidiu não existir mais.


No início dos anos 90, o sistema político italiano implodiu. A investigações dos juízes das «mãos limpas» deitaram abaixo a Democracia Cristã, de centro-direita, - dirigida por Giulio Andreotti, acusado de ligações à máfia - que tinha sido o pilar de todos os governos desde 1948, e o seu aliado Partido Socialista, igualmente corrupto, de Betinno Craxi.

Aquilo que começou como uma operação judicial acabou por mostrar uma crise muito mais profunda, tendo rompido com o modelo de governação do país que se baseava no domínio da Democracia Cristã (DC) e na expressão organizada do descontentamento feita pelo Partido Comunista Italiano (PCI).

Ao mesmo tempo, o PCI, o maior partido comunista europeu em termos de número de militantes e votos, abandonou a designação de comunista, após a queda do Muro de Berlim, em 1989.

O anticomunismo permeou toda a vida política, e o PCI só em parte beneficiou do clima de revolta. Nas eleições de 1976 para a Câmara de Deputados, o PCI obteve 12 614 650 votos, ou seja, 34,37% dos votos - o seu recorde; chegou a ter cerca de 1 850 000 militantes.

Este poder é claramente temido pelos apoiantes da ordem. Desde o início do confronto Leste-Oeste em 1947, salienta o historiador Eric Hobsbawm, «era evidente que os Estados Unidos da América não permitiriam em circunstância alguma que os comunistas chegassem ao poder em Itália. Segunda maior força eleitoral do país, a organização permaneceu às portas do governo num sistema dominado pela Democracia Cristã, que controlava todas as ramificações do Estado através da imposição de lógicas clientelistas, mesmo mafiosas.», citado num artigo de Antoine Schwartz, no Le Monde Diplomatique.

A adopção das teses do «compromisso histórico», de colaboração entre PCI e DC, e a sua manutenção, mesmo depois do assassinato de Aldo Moro pelas Brigadas Vermelhas, com a justificação do combate ao terrorismo e à crise económica, arrastaram a primeira grande queda eleitoral do PCI, que levaram Enrico Berlinguer a tentar inflectir a linha política, para um partido mais movimentista e reivindicativo. Essa tentativa de mudar para uma linha mais à esquerda, teve a oposição crescente de muitos dirigentes do partido. A morte de Berlinguer durante a campanha das europeias de 1984, vai deixar esse movimento de rectificação a meio.

«O grupo de liderança, incluindo o nível local, era muito céptico. Não compreendeu esta mudança política, esta nova radicalidade, e tinha nostalgia não pela política de compromisso histórico que nunca tinha sido aplicada, mas pela política de solidariedade nacional que significava governar com a DC. Quando Berlinguer mudou, avançou muito mais para a esquerda numa abordagem movimentista (de volta às fábricas, movimento feminista, pacifista, etc.) alguns dos líderes já não compreendiam (ou eram contra). E assim, na década de 1980, a corrente reformista fez uma guerra aberta contra o Berlinguer. E Berlinguer defendeu-se nas reuniões da direcção dizendo: "Muito bem, se não concordarem comigo, demito-me e teremos um congresso com moções contraditórias". Os reformistas recusaram, porque conheciam o carisma de Berlinguer e o apoio popular que ele desfrutava no seio do partido. Mas até à sua morte, Berlinguer teve de enfrentar a oposição de uma parte da liderança. No momento da sua morte, o jornalista e líder do Manifesto, Valentino Parlato, falou da morte do "toque de corneteiro que antecipou a carga...". Este é obviamente um episódio fundamental na história do fim da esquerda italiana.», afirma o historiador Guido Liguori, autor de um dos principais livros sobre a liquidação do PCI.

No final da década de 1980, os funcionários do aparelho do partido sentiram que este estava em declínio, o colapso do bloco comunista e a desilusão que este gerou reforçaram esta situação. A queda registada nas eleições legislativas de 1987 foi um choque: o PCI obteve, no entanto, 26,5% dos votos. Um homem deveria liderar e encarnar esta vontade de renovação: Achille Occhetto, nomeado novo secretário em 1988. Homem do aparelho - anteriormente conotado com a ala esquerda do PCI, liderada por Pietro Ingrao - tornou-se o mestre de construção de uma estratégia de transformação liderada por reformadores ansiosos por parecerem modernos e chegarem às cadeiras do poder.

«As ideias de Occhetto abraçaram inegavelmente o novo zeitgeist [espírito da época] liberal. "Somos os filhos de 89", dizia o líder no bicentenário da Revolução Francesa - afastando-se da descendência feia dos revolucionários [jacobinos] de 1793. Em vez de uma visão centrada no conflito social, Occhetto favorece uma retórica que exalta o progresso democrático - aquilo que é alcançado em pequenos passos e não perturba os círculos de poder. Uma vez que é necessário abandonar os ancoradouros, aqui está ele a atirar borda fora este marxismo antigo e obsoleto. O reformismo político está em foco e Occhetto quer que a sua organização se junte à Internacional Socialista. O futuro tem o cheiro azul dos "Estados Unidos da Europa", do "caminho europeu para o socialismo" traçado pelo Jacques Delors. Ser "moderno" significa também repensar o papel do Estado: "O país precisa de um Estado que gere menos", diz o líder, "e que, por outro lado, é mais capaz de fornecer projectos e definir regras para uma pluralidade de assuntos, tanto públicos como privados"», assinala Antoine Schwartz.

O abandono dessa identidade acelerou um processo de adopção gradual da «Terceira Via», teorizada pelo sociólogo Anthony Giddens , que foi traduzida politicamente por Tony Blair, no Reino Unido, e Bill Clinton, nos Estados Unidos.

A deriva do PCI, em PDS, DS, e finalmente em Partido Democrático colocou o partido bastante mais à direita, mesmo da social-democracia, adoptando as teses sociais-liberais.

No Partido Democrata, a linha apoiante da «Terceira Via» é largamente maioritária: as reivindicações dos trabalhadores são vistas como um obstáculo no caminho para a modernização da economia. A convergência com a fracção neoliberal da direita teve lugar com a chegada ao poder de Matteio Renzi, que saiu posteriormente do PD, para fazer um partido ainda mais à direita, o Partido Itália Viva.

Pouco se sabe sobre o passado político de Matteo Renzi para além de que ele era batedor e «nunca leu Gramsci». Muito simplesmente, Renzi é o filho de elementos da elite democrata-cristã. O Partido Democrático tem antigos membros do PCI e da DC a viverem juntos no seu seio. No entanto, em termos de conteúdo, está longe do «compromisso histórico», advogado por Berlinguer, A linha política do PD, ao estilo de Renzi, consistia em copiar as suas medidas sobre as especificações definidas pelas instituições europeias.

A queda de um gigante

Na obra prima do neorrealismo, O Ladrão de Bicicletas (1948) de Vittorio de Sica, o herói do filme vai à polícia numa tentativa de recuperar a sua ferramenta de trabalho, a sua bicicleta roubada, e mandam-no embora sem piedade e sem esperança. O que faz então Allio Ricci, o desesperado proletário? Vai à sede local do Partido Comunista Italiano (PCI) no subúrbio da classe trabalhadora de Roma, Val Maleina, para tentar encontrar ajuda e conforto.

O PCI era um partido de massas, com mais de 1,85 milhões de militantes no final dos anos 70, com uma forte influência em movimentos de massas, como a principal confederação sindical do país, a CGIL, e na confederação de associações ARCI, com mais de três milhões de inscritos. Um partido com enorme presença na sociedade, na história, nos trabalhadores e intelectuais que se eclipsou em pouco tempo.

Logo depois do abandono da designação de comunista, mais de um terço dos militantes saiu quase imediatamente: paulatinamente, o partido de massas que tinha uma forte hegemonia, em grande parte da sociedade, esvai-se e é substituído pelo partido institucional e da comunicação como única forma de chegar às populações. As formações que dele derivaram, e que foram, cada vez mais, para a direita e deixaram de representar os sectores sociais populares e não têm a forte influência que este teve nos meios intelectuais.

De facto, para além de um partido ou de um símbolo, esta renúncia enfraqueceu todo um movimento político, sindical e intelectual, todo um ecossistema militante que em tempos foi capaz de desenvolver as suas próprias concepções do mundo, difundindo o seu gosto pela cultura na sociedade, e defendendo a sua aspiração a um mundo melhor.

Nas eleições que se seguiram ao abandono da identidade comunista, o PDS (Partido Democrático de Esquerda) obtém apenas 20% dos votos e a Refundação Comunista, constituída por parte daqueles que não aceitaram a dissolução, 6%. Mas rapidamente, por via administrativa, esse problema também é resolvido.

«Há outro elemento importante envolvido na crise da esquerda em Itália. Sob a predominância da hegemonia liberal-democrática, o sistema eleitoral foi alterado. Nos anos 90, o sistema proporcional foi abandonado em favor do sistema maioritário, o que forçou as coligações. Assim, a Refundação Comunista teve de fazer parte de coligações de centro-esquerda onde o centro ou a esquerda moderada era predominante. O primeiro governo Prodi morreu porque Prodi não respeitou os acordos com a Refundação que apoiavam o governo a partir do exterior. Dez anos mais tarde, houve outra tentativa com o segundo governo Prodi e esta também durou apenas dois anos, pelas mesmas razões. Não foi implementado um único ponto do programa de esquerda. Isto causou uma forte crise no eleitorado e a Refundação deixou o governo. Em 2008, o sistema eleitoral também foi decisivo. Todos os partidos da esquerda da PD tinham elaborado uma lista chamada "Arcobaleno" (Arco-íris), que supostamente iria obter muito mais votos do que o limiar eleitoral para ser eleito. Mas Veltroni e o PD jogaram a útil carta de voto. "Só o voto útil pode impedir Berlusconi de regressar ao poder". Foi assim que falhou a tentativa de construir um pólo político à esquerda da DP: por causa do espectro de Berlusconi e do voto útil. Enquanto alguns meses antes, Refundação ainda tinha um grupo parlamentar substancial e Fausto Bertinotti, o seu líder, se tinha tornado presidente da Câmara, a esquerda foi completamente destruída nestas eleições. Mas penso que na raiz de tudo está a nova hegemonia liberal, mesmo dentro da própria esquerda.», explica o historiador Guido Liguori.

Alguns dos quadros vindos do PCI, agora nessas formações que lhe renegaram o nome, chegaram a cargos como primeiro-ministro e Presidente da República, mas a política que executaram foi a dos partidos de direita que substituíram no poder.

Em vez de mudarem a vida das pessoas, mudaram de vida

Com o fim do PCI, a capacidade de resistência da esquerda italiana desmoronou-se literalmente, deixando-a desamparada face ao surgimento de uma nova direita ofensiva liderada pelo Berlusconi, que fundou a Força Italia em 1994. É notável", observou o filósofo político Ralph Miliband, «que os especialistas que procuram explicar a adesão de grandes sectores da classe trabalhadora à ideologia conservadora não tenham procurado enfatizar a contribuição dos líderes social-democratas para a desmobilização política produzida tanto pelas suas palavras como pelos seus acto.».

A «terceira via» dá prioridade à igualdade de oportunidades sobre a igualdade de condições de vida e baseia-se numa crença cega nos benefícios do mercado livre; o desejo de renovar a esquerda nesta linha tem o principal efeito de afastar o bloco das classes trabalhadoras.

Este processo de abandono do terreno popular por parte da esquerda não se dá só em Itália, mas dado a força que chegou a ter o PCI, torna-se bastante mais notória aí.

No seu livro A Tirania do Mérito, o filósofo estado-unidense Michael Sandel, fala desse fenómeno, a tomada da representação por parte de elites económicas e com formação superior. «No Reino Unido, em 1979, 37% dos parlamentares trabalhistas eram originários da classe operária; em 2015, já só sete por cento tinham essas raízes», actualmente são menos de 4%. «Em França, mais de 70% da população não tem diploma universitário, mas muitos poucos desses cidadãos conseguem aceder a um lugar parlamentar», nota o filósofo.

«Converter o Congresso e os parlamentos num quase exclusivo das classes «credenciadas» não serviu para que os governos desses países fossem mais eficazes, só tornou os parlamentos menos representativos. Também afastou a população trabalhadora dos partidos tradicionais de esquerda», observa Sandel.

Para o filósofo, o acesso à educação não é independente da classe social, e mesmo se fosse, ela por si não resolveria o problema da desigualdade, mais do que a educação, o que está em causa é o acesso ao poder.

Nesse sentido, o historiador norte-americano Thomas Frank defendeu que os democratas ficaram distraídos de tanto falar em educação e mérito, que renunciaram a fazer uma reflexão clara sobre as políticas que agravaram as desigualdades. Como o facto de a produtividade dos trabalho ter crescido a partir dos anos 80 e os salários terem ficado estagnados. Para o historiador, a desigualdade não se explicava sobretudo pela falta de educação, mas pela perda de poder negocial na sociedade: «O verdadeiro problema não está na inadequada inteligência dos trabalhadores, mas na inadequação do seu poder.», conclui.

Para o economista Thomas Piketty, em artigo publicado no Le Monde, a grande novidade no presente é que a visibilidade da questão social «perdeu intensidade, em parte, porque quando a esquerda esteve no poder perdeu a sua ambição transformadora e aliou-se muitas vezes ao liberalismo triunfante depois da queda do comunismo.»

A perda de estruturas políticas com ambição e que organizem os sectores sociais da classe operária e populares somam-se as profundas alterações sociais que resultam dos processos de globalização conjugados com a integração europeia.

«A Classe operária italiana beneficiou da fraqueza da burguesia. Depois, com a globalização, foi dissolvida. O crescimento parou definitivamente em 1992. E desde então, as gerações perdidas têm sido condenadas, inclusive na universidade, a lutar por empregos precários a 1.200 euros por mês. Isto provoca atitudes puramente defensivas que nada têm a ver com os “amanhãs que cantam”. Estamos a experimentar um declínio real. 40% dos jovens estão desempregados; no ano de 2018 , pela primeira vez desde a Segunda Guerra Mundial, a esperança de vida caiu no nosso país.», faz notar o sociólogo Marco D'Eramo.

Uma maioria social heterogénea

A desaparição da esquerda, desmobilizou as classes populares e abriu portas para o crescimento do populismo em sectores das pequena e média burguesia e até do operariado em crise que tinham votado comunista.

A política tem o horror ao vazio, e o conflito social reconfigurou-se com aparências enganadoras. Onde havia luta de classes e esquerda e direita, passou a haver outro tipo de conflitos. A consciência de classe foi substituída pela raiva individual e a luta contra o poder dos mais ricos foi transformada em medo do outro e em xenofobia.

«As eleições legislativas italianas de Marços de 2018 - foram vencidas pelo Movimento Cinco Estrelas e pela Liga - marcaram tanto o fracasso eleitoral do bloco burguês como a consolidação da sua hegemonia, que se reflecte na capacidade de dirigir a estratégia dos seus opositores. Tendo em conta o prazo eleitoral, a Liga tinha dado a si própria a imagem (falsa) de um partido anti-euro e nacionalista, enquanto o Movimento Cinco Estrelas dizia opor-se à "casta" de eleitos e "elites" privilegiadas: ambos os movimentos afirmavam estar situados no espaço político para além da direita e da esquerda, tal como definido pelo bloco burguês.», explica Stefano Palombarini no Le Monde Diplomatique.

«Num dos pólos que estruturam este espaço é uma aliança relativamente homogénea que se considera aberta, europeísta, progressista, e que tende a ocultar o papel central da reforma neoliberal no projecto que carrega. Mas esta aliança, o bloco burguês, é uma minoria social.

O bloco burguês não é apenas uma estratégia para a formação de uma aliança social específica, na qual as classes média e alta, anteriormente divididas pela divisão direita-esquerda, se unem para apoiar as reformas neoliberais: é também um projecto cultural e ideológico que visa a completa reestruturação do espaço político. Um projecto que pode ser visto em acção em muitos estados, e que tem sido completamente bem sucedido em Itália.

Neste país, o posicionamento dos actores políticos e as expectativas do eleitorado já não estão organizados em torno da polarização esquerda-direita, mas num espaço definido pelas oposições entre europeístas e nacionalistas, cosmopolitas e identitários, federalistas e soberanistas.

Uma campanha mediática tem assumido constantemente a tarefa de separar os programas políticos "responsáveis" (isto é, de acordo com a transição neoliberal) das posições "populistas" (um rótulo reservado a todos aqueles que se lhes opõem).

No pólo oposto, existe uma maioria social heterogénea que se agrega de forma variável em torno da rejeição da casta, da hostilidade ao euro ou de um impulso nacionalista tingido de xenofobia. O primeiro governo de Giuseppe Conte, baseado na aliança entre os dois vencedores de 2018, mostrou a dificuldade de identificar uma estratégia de mediação capaz de transformar esta maioria social num bloco compacto.

Mas o destino pouco mais glorioso do segundo governo Conte (Movimento Cinco Estrelas - Partido Democrático) mostra que, na presença de relações de poder hegemónicas que levam à negação da relevância da divisão direita-esquerda, as hipóteses de reconstruir a esquerda, mesmo numa versão rosa muito pálida, são próximas de zero.

No espaço estruturado pela ideologia do bloco burguês, a única estratégia política coerente é, portanto, a do bloco burguês. Isto explica a surpreendente conclusão do drama italiano com a unidade nacional em torno de um projecto liberal e europeísta que é socialmente minoritário. Esta conclusão é, no entanto, provisória. Outros actos se seguirão, e as classes sacrificadas por reformas estruturais passadas e futuras serão os protagonistas. Em que papel e de que forma? É demasiado cedo para dizer, tal como é demasiado cedo para saber se estas classes irão procurar um novo caminho democrático após a desilusão gerada por um resultado eleitoral que experimentaram, em 2018, como uma grande vitória, e que acabou por produzir o Draghi.

O que vai acontecer a seguir dependerá em grande parte da capacidade dos actores que se opõem às reformas neoliberais para trazer de volta ao cerne do conflito político as suas consequências concretas em termos das lutas sociais contra a diminuição dos salários, da explosão das desigualdades, da redução da protecção social e da degradação dos serviços públicos. Esta é a forma de desafiar a hegemonia do bloco burguês, e de o derrotar».

terça-feira, 16 de fevereiro de 2021

Debate: Yuval Noah Harari e Rutger Bregman


Este debate entre o historiador Yuval Noah Harari e o autor/jornalista Rutger Bregman, moderado por Zanny Minton Beddoes, é um autêntico "choque de mentes" intelectuais sobre o passado, o presente e o futuro da humanidade.

A conversa cruza visões filosóficas distintas (o realismo pragmático de Harari vs. o otimismo antropológico de Bregman) e aplica-as aos desafios globais, acelerados pela pandemia da COVID-19.

O que abordam os painelistas?
1. A Natureza Humana: Cooperação, Ficção e "Homo Puppy"
O debate começa na premissa de como os humanos dominaram o planeta.
Rutger Bregman defende a teoria da "sobrevivência do mais amigável" (survival of the friendliest). Para ele, o nosso superpoder é a capacidade de cooperar de forma amigável em pequenos grupos (o conceito de Homo Puppy). Argumenta que a civilização e a propriedade privada trouxeram a desigualdade e a guerra.

Yuval Noah Harari concorda com a importância da cooperação, mas diverge na causa. Para Harari, a amizade funciona para 50 ou 100 pessoas, mas para fazer milhões cooperarem, o segredo é a capacidade de contar e acreditar em histórias e ficções (como nações, dinheiro, deuses ou leis).

2. Pandemia: Sucesso Científico vs. Fracasso Político
Avaliam o impacto da crise sanitária global. Harari sintetiza o ano da pandemia como um enorme sucesso científico (identificação rápida do vírus, criação de vacinas em tempo recorde), mas um retumbante fracasso político pela falta de liderança global e pelo surgimento do "nacionalismo das vacinas".

3. Aceleração Tecnológica e Vigilância
Abordam os perigos da transição digital forçada. Harari expressa grande preocupação com a legitimação dos sistemas de vigilância em massa (tanto em ditaduras como em democracias) e com o risco de uma corrida armamentista de Inteligência Artificial (IA), enquanto Bregman mantém uma postura mais cética quanto à eficácia real dos algoritmos em controlar a totalidade do comportamento humano.

4. Economia e o Futuro do Estado Social
Discutem a mudança no zeitgeist (espírito do tempo) económico. Bregman aponta que a pandemia reviveu o papel do Estado e trouxe para o debate central ideias antes vistas como utópicas, como o Rendimento Básico Incondicional (RBI) e a taxação dos mais ricos. Harari alerta para o risco de uma recuperação em forma de "K", onde países tecnológicos enriquecem e nações em desenvolvimento colapsam, criando uma nova forma de colonialismo digital.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Kate Bush - Army Dreamers


Melhor som aqui
Letra

(B-F-P-O)
(Army dreamers)
(Mammy's hero)
(B-F-P-O)
(Mammy's hero)

Our little army boy
Is comin' home from B-F-P-O
We've a bunch of purple flowers
To decorate a mammy's hero

Mournin' in the aerodrome
The weather warmer, he is colder
Four men in uniform
To carry home my little soldier

[Refrão]
(What could he do? Should have been a rock star)
But he didn't have the money for a guitar
(What could he do? Should have been a politician)
But he never had a proper education
(What could he do? Should have been a father)
But he never even made it to his twenties

What a waste, army dreamers
Ooh, what a waste of army dreamers (army dreamers)

Tears over a tin box
Oh, Jesus Christ, he wasn't to know
Like a chicken with a fox
He couldn't win the war with ego

Give the kid the pick of pips
And give him all your stripes and ribbons
Now he's sittin' in his hole
He might as well have buttons and bows

[Refrão]

What a waste, army dreamers
Ooh, what a waste of army dreamers (army dreamers)
Ooh, what a waste of all them army dreamers (army dreamers)
Army dreamers (army dreamers), army dreamers (army dreamers)

(B-F-P-O)
(Army dreamers)
(Mammy's hero) 5X

Dor materna e crítica social em “Army Dreamers” de Kate Bush
Em “Army Dreamers”, Kate Bush utiliza um sotaque irlandês para dar mais vulnerabilidade e tradição à história de uma mãe que lamenta a perda do filho para a guerra. O refrão repetido, “What a waste, army dreamers” (“Que desperdício, sonhadores do exército”), reforça a sensação de vidas jovens desperdiçadas. Versos como “He never even made it to his twenties” (“Ele nem chegou aos vinte anos”) ressaltam a tragédia de futuros interrompidos. Termos como “B-F-P-O” (British Forces Post Office) e imagens como “four men in uniform to carry home my little soldier” (“quatro homens de uniforme para levar meu pequeno soldado para casa”) evocam o ritual militar de devolver corpos, tornando a dor da mãe ainda mais real e universal.

A letra aborda de forma direta as poucas opções disponíveis para jovens de classes menos favorecidas. Bush sugere que, se tivessem mais oportunidades — “should have been a rock star... but he didn't have the money for a guitar” (“deveria ter sido um astro do rock... mas não tinha dinheiro para um violão”) ou “should have been a politician... but he never had a proper education” (“deveria ter sido um político... mas nunca teve uma educação adequada”) — talvez pudessem evitar o destino militar. A metáfora “like a chicken with a fox, he couldn't win the war with ego” (“como uma galinha diante de uma raposa, ele não podia vencer a guerra só com orgulho”) mostra que esses jovens são colocados em situações impossíveis, sem preparo ou chance real de sobrevivência. Lançada num período de tensões militares e censurada durante a Guerra do Golfo, a música faz uma crítica clara à romantização do heroísmo militar. O recente ressurgimento da canção nas redes sociais mostra que a sua mensagem sobre o desperdício de vidas e a dor das famílias continua atual e impactante.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Zeitgeist Addendum (em Português, 2008)


No original, aqui
O segundo filme, Zeitgeist: Adenda, tenta localizar as causas profundas da corrupção, ao mesmo tempo, oferecer uma solução. Esta solução não é apenas baseada em política, moral, leis, ou qualquer outras noções existentes e formais sobre os assuntos humanos, mas sim uma solução moderna, não supersticiosa, fundada na compreensão daquilo que nós somos e como vamos alinhar com a Natureza da qual somos parte. O trabalho defende um novo sistema social, que é actualizado até aos conhecimentos de hoje, muito influenciado pela longa vida e trabalho de Jacque Fresco e o Venus Project.

Ver aqui o primeiro filme Zeitgeist:
Zeitgeist, 2007

Página do Movimento

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

Zeitgeist- o filme completo

Filme aqui

Em resposta aos comentários mais adversos, o filme é bastante controverso, por exigir uma nova perspectiva e desperta alguma incredulidade nos factos apresentados. Contudo não devemos descurar uma consulta mais profunda às fontes em que o realizador Peter Joseph se baseou e que ele próprio disponibiliza na página oficial do filme: Zeitgeistmovie

Zeitgeist é um termo alemão, que se traduz como espírito do tempo, também podendo se utilizar do termo em português para denominá-lo. O Zeitgeist significa, em suma, o nível de avanço intelectual e cultural do mundo, numa época. (consultar Wikipedia)
Contra todos os totalitarismos e medos e mentiras que nos querem impôr!!!