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quinta-feira, 26 de março de 2026

Porque é que os ricos estão a investir tanta riqueza na política?

O 1% dos americanos mais rico controla atualmente 55,8 triliões de dólares em ativos. Isto é mais do que o Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos e da China juntos.

Na semana passada, testemunhei numa audição no Congresso organizada pelo senador de Rhode Island, Sheldon Whitehouse, e pelo senador do Novo México, Martin Heinrich, sobre o que as grandes empresas petrolíferas ganharam com a sua enorme contribuição para a campanha de Trump em 2024 — e quanto os americanos estão a pagar por esse suborno em custos mais elevados de combustível e alterações climáticas destrutivas.


Mas este não é o único esquema de corrupção em Washington. A corrupção política está a crescer drasticamente — em parte porque Trump é o presidente mais corrupto da história norte-americana. Mas também porque os ricos da América e as suas empresas têm investido cada vez mais dinheiro na política, uma vez que o retorno desse “investimento” se tornou enorme.

Tenho boas notícias para partilhar convosco sobre tudo isto. Mas antes quero esboçar o problema central, 1-2-3. Depois, sugerirei uma solução, 4.

1. Os 0,1% mais ricos tornaram-se fabulosamente ricos.
Observe o gráfico acima, que mostra os 0,1% dos americanos mais ricos — famílias com património líquido superior a 45 milhões de dólares em 2025 — a distanciarem-se rapidamente do resto da população.

Como se pode ver, de 1990 a aproximadamente 2003, a riqueza da maioria dos americanos cresceu a um ritmo semelhante. A disparidade começou a aumentar por volta de 2003, quando Wall Street entrou numa onda de especulação, criando uma bolha financeira. Quando a bolha rebentou em 2008, os 0,1% mais ricos sofreram um grande impacto.

Mas desde 2008, a riqueza dos 0,1% mais ricos arrancou verdadeiramente. E depois de 2018, explodiu — principalmente devido aos efeitos combinados do corte de impostos de Trump em 2017, da recessão da COVID-19 (quando os ultrarricos usaram as baixas taxas de juro para comprar imóveis e ações) e da subsequente subida do mercado bolsista.

De acordo com a Fed, quase 72% da riqueza dos 0,1% mais ricos é composta por ações de empresas, quotas de fundos mútuos e negócios privados. O índice S&P 500 mais do que triplicou na última década.

2.º Estão a investir cada vez mais dessa riqueza na política.
O jornal The New York Times analisou recentemente dados sobre o financiamento de campanhas para verificar como os doadores ricos têm influenciado a política.

A análise mostra que, nas eleições federais de 2024, apenas 300 multimilionários e os seus familiares diretos contribuíram com mais de 3 mil milhões de dólares para o financiamento de campanhas — direta ou indiretamente, através de comités de ação política. Mais de 2 mil milhões de dólares deste montante foram destinados a candidatos republicanos, incluindo Trump.

Isto representou 19% — quase um quinto — de todas as contribuições políticas.

As famílias bilionárias doaram, em média, um total de 10 milhões de dólares cada, o que equivale aproximadamente ao valor doado por 100 mil doadores políticos típicos, em conjunto.

E isto não inclui as chamadas contribuições de "dinheiro obscuro" canalizadas através de organizações sem fins lucrativos que não são obrigadas a divulgar a sua origem.

3.º Por que razão estão a investir tanto em política?
Parte da razão para a explosão das contribuições políticas dos super-ricos é a decisão do Supremo Tribunal de 2010 no caso Citizens United contra a Comissão Eleitoral Federal, que pôs fim a muitas das restantes restrições ao financiamento de campanhas.

Antes desta decisão, a fatia das despesas dos multimilionários era quase nula — 0,3%.

Mas uma razão ainda maior é a explosão de riqueza no topo da pirâmide social. Isto não só deu aos super-ricos os meios para fazerem contribuições políticas, como também lhes deu um grande incentivo para as fazerem.

Querem impostos mais baixos, menos regulamentos para os seus negócios e leis e regras mais "favoráveis ​​aos negócios".

Por outras palavras, querem ficar com uma maior fatia da sua gigantesca riqueza.

Se for extremamente rico, a democracia pode parecer uma ameaça à sua riqueza. Quanto mais riqueza se acumula, mais assustadora pode parecer a democracia. Isto porque representa uma minoria ínfima. A maioria da população poderia votar a favor de medidas que reduziriam parte da sua riqueza — impostos sobre o rendimento mais elevados, imposto sobre as grandes fortunas, regulamentos que reduzem os poluentes que pode lançar para o ar ou para a água, iniciativas para desmantelar os seus monopólios ou permitir que os seus trabalhadores se sindicalizem e exijam salários mais elevados.

O bilionário Peter Thiel escreveu um dia que "já não acredita que a liberdade e a democracia sejam compatíveis".

Presumivelmente, Thiel define "liberdade" como a capacidade de acumular enormes quantidades de riqueza sem ser impedido por quaisquer responsabilidades para com o resto da sociedade.

Mas existe uma ideia muito diferente de liberdade e democracia, melhor articulada pelo famoso jurista Louis Brandeis, que terá dito: “A América tem uma escolha. Podemos ter uma grande riqueza nas mãos de poucos, ou podemos ter uma democracia. Mas não podemos ter ambas”.

Para Brandeis, a democracia era a fonte da liberdade, e não uma restrição a esta.

À medida que a visão de Thiel ganha mais adeptos entre aqueles que possuem uma grande riqueza — que estão rapidamente a acumular ainda mais e a corromper cada vez mais a política americana — Thiel está, inadvertidamente, a provar o argumento de Brandeis.

4.º Como podemos reverter isto?
Parte da solução é tirar o dinheiro das grandes corporações da política. Já sugeri como isso pode ser feito sem tentar as tarefas quase impossíveis de fazer com que o Supremo Tribunal reverta a sua decisão no caso Citizens United ou aprove uma emenda constitucional. Veja aqui .

A outra parte da resposta é aumentar os impostos sobre os super-ricos — o sonho de Louis Brandeis e o pesadelo de Peter Thiel.

A boa notícia é que — apesar do crescente poder político dos ricos — isso começa a acontecer. Ainda não é um incêndio descontrolado, mas pode vir a ser em breve.

O estado de Washington acaba de aprovar um imposto sobre o rendimento de 9,9% para os residentes que ganhem mais de um milhão de dólares por ano. O estado estima que isto afectará cerca de 20.000 famílias (menos de meio por cento da população do estado). O estado de Washington planeia utilizar as receitas fiscais, estimadas entre 3 mil milhões e 4 mil milhões de dólares por ano, para pagar as refeições escolares às crianças, expandir um crédito fiscal familiar para incluir outras 460 mil famílias de baixos rendimentos e financiar outros serviços essenciais que o orçamento estadual não consegue suportar de outra forma.

A Assembleia Legislativa do estado de Nova Iorque acaba de apresentar uma proposta de aumento de 0,5% no imposto sobre o rendimento dos nova-iorquinos que ganhem mais de 5 milhões de dólares por ano.

Em 2022, os eleitores do Massachusetts aprovaram uma sobretaxa de 4% sobre o rendimento tributável anual que exceda 1 milhão de dólares. Desde que o imposto entrou em vigor em 2023, o estado arrecadou quase 6 mil milhões de dólares em receitas fiscais adicionais — e o número de milionários no estado aumentou, em vez de diminuir.

Nova Jersey detém um imposto sobre o património desde 2020. O Minnesota implementou um imposto sobre os rendimentos de investimentos acima de 1 milhão de dólares em 2024.

A Califórnia está prestes a incluir no boletim de voto estadual de novembro um imposto único de 5% sobre a riqueza dos multimilionários do estado.

São Francisco e Los Angeles estão a planear iniciativas de votação municipal para aumentar os impostos sobre as empresas cujos CEO ganham 100 vezes (na versão de São Francisco) ou 50 vezes (na versão de Los Angeles) o salário médio dos seus funcionários.

No Congresso, o deputado californiano Ro Khanna e o senador do Vermont Bernie Sanders apresentaram um projecto de lei para tributar a riqueza dos multimilionários americanos.

Retirar a influência do dinheiro na política e aumentar os impostos sobre os super-ricos são medidas possíveis — não fáceis, mas possíveis. São também necessárias para inverter a crescente corrupção que está a minar o nosso sistema de capitalismo democrático.

domingo, 22 de março de 2026

«Manipulação climática»: gigantes dos combustíveis fósseis abandonam metas de neutralidade carbónica


Nova análise alerta que algumas das maiores petrolíferas mundiais entraram numa fase de manipulação para aumentarem os lucros

As grandes petrolíferas são acusadas de estarem a “abandonar discretamente” as suas promessas climáticas para justificarem a continuação do uso de combustíveis fósseis poluentes.

Uma nova investigação da Clean Creatives, um projeto para profissionais de relações públicas e publicidade conscientes do clima, acompanhou como as Big Oil têm vindo a mudar “de forma sistemática” a sua narrativa nos últimos quatro anos, apesar dos repetidos alertas sobre o aquecimento do planeta.

Intitulado Toxic Accounts: From Greenwashing to Gaslighting , o relatório analisa mais de 1.800 peças de campanha das gigantes dos combustíveis fósseis BP, Shell, ExxonMobil e Chevron entre 2020 e 2024.

Inclui anúncios pagos em redes sociais como o Facebook, YouTube, TikTok e Instagram, bem como spots de televisão, arquivos de bibliotecas, comunicados de imprensa, informação para investidores e discursos de executivos.

Grandes petrolíferas fazem “gaslighting” climático
No início do período analisado, as campanhas enfatizavam metas climáticas e compromissos com a transição para energia limpa, apresentando frequentemente as empresas como parceiras de transição.

No entanto, em 2023, a mensagem passou a apresentar cada vez mais o petróleo e o gás como “permanentes, indispensáveis e essenciais para a estabilidade económica e a segurança nacional”.

Em 2020, a BP passou da promessa de neutralidade carbónica e da retórica de “tornar as empresas mais verdes” para campanhas que, segundo a Clean Creatives, defendem a continuação da expansão do gás e do petróleo, ao mesmo tempo que recua nas suas ambições em matéria de energias renováveis.

A Chevron também abandonou o posicionamento “Human Energy” e passou para uma “mensagem nacionalista” que associa a produção interna de combustíveis fósseis à segurança económica e nacional, revela o relatório.

Investigadores alertam que, apesar das diferenças de tom, todas as grandes petrolíferas analisadas seguiram mudanças narrativas semelhantes, passando de se apresentarem como “parte da solução” para uma mensagem de “não podem viver sem nós”.

As campanhas passaram também a promover cada vez mais o gás natural liquefeito (GNL), a captura e armazenamento de carbono (CCS), o hidrogénio azul, os biocombustíveis e o gasóleo renovável como soluções climáticas, apesar de existirem provas de que estas tecnologias continuam a ser derivadas de combustíveis fósseis ou não estão comprovadas em larga escala.

“A velocidade com que as empresas passaram para mensagens centradas na segurança energética correlacionou-se com o seu desempenho financeiro”, lê-se no relatório.

“A Chevron e a ExxonMobil foram rápidas a orientar a sua mensagem para a predominância dos combustíveis fósseis e, como resultado, lideraram o mercado.”

O estudo concluiu também que a Shell, acusada no ano passado de minimizar o impacto climático dos combustíveis fósseis, deixou de se apresentar como líder da neutralidade carbónica para passar a destacar o GNL como mercado de crescimento a mais longo prazo.

Combustíveis fósseis mantêm-se “lucrativos” apesar da mudança de atitudes
“O ‘greenwashing’ assume agora uma nova forma”, afirma Nayantara Dutta, responsável pela investigação na Clean Creatives e autora principal do relatório.

“Em vez de fazerem afirmações falsas, as grandes petrolíferas promovem falsas soluções como a CCS e o gás natural, apesar de serem derivadas de combustíveis fósseis e de criarem uma dependência de longo prazo desses combustíveis.”

Dutta defende que as petrolíferas constroem uma narrativa que as mantém “lucrativas e no poder” perante uma oposição crescente.

A transição para longe dos combustíveis fósseis tornou-se um dos pontos de maior tensão na cimeira COP30 das Nações Unidas em Belém, no ano passado, apesar de não constar oficialmente da agenda.

Mais de 90 países, incluindo a Alemanha e os Países Baixos, apoiaram a ideia de um roteiro que permita a cada nação definir as suas próprias metas para avançar para a energia verde.

Apesar do apoio crescente a esta ideia, todas as referências aos combustíveis fósseis foram retiradas do acordo final nas últimas horas da cimeira. Isto significa que a esperança de um futuro sem combustíveis fósseis fica agora fora do âmbito das Nações Unidas.

Um relatório da Carbon Majors concluiu recentemente que 17 dos 20 maiores emissores em 2024 eram empresas controladas por países que vieram a bloquear o roteiro da COP30. Entre eles contam-se a Arábia Saudita, o Irão, o Qatar, a Índia, a Rússia e a China.

Irão: grandes petrolíferas e a guerra
“A transição do ‘greenwashing’ para a defesa da predominância da energia de origem fóssil é a mais recente reviravolta retórica na manipulação da opinião pública para aceitar as emissões de gases com efeito de estufa como apenas parte da atividade económica”, afirma Robert Brulle, sociólogo ambiental da Universidade Brown.

“Ao mesmo tempo, a guerra no Médio Oriente evidencia o erro da ideia de que os combustíveis fósseis proporcionam ‘segurança energética’.”

Vários especialistas têm usado a guerra contra o Irão para sublinhar a necessidade urgente de uma transição para a energia limpa, numa altura em que os preços do petróleo e do gás continuam a disparar.

A organização sem fins lucrativos 350.org apelou recentemente aos países do G7 para que apliquem um imposto sobre lucros extraordinários às grandes petrolíferas que, segundo a organização, estão a “lucrar” com a escalada do conflito no Médio Oriente.

Embora a guerra no Irão também tenha reforçado os apelos para que o Reino Unido abra novas licenças de perfuração no mar do Norte, uma análise da Universidade de Oxford concluiu que apostar nas energias renováveis é muito mais provável que faça baixar as faturas de energia das famílias.

“O que estamos a ver é a desinformação climática a evoluir em tempo real”, afirma Dana Schran, da coligação Climate Action Against Disinformation (CAAD).

“Em vez de negarem a crise, grandes petrolíferas como a BP e a Shell estão a reescrever a narrativa para que a expansão dos combustíveis fósseis pareça necessária e responsável. É um esforço sofisticado para proteger a influência política e os lucros, mesmo à medida que os impactos climáticos se agravam.”

Saber mais: 


sábado, 18 de outubro de 2025

Créditos de carbono são fraude? Estudo revela falhas em 25 anos de mercado


Estudo das universidades de Oxford e Pensilvânia revela que créditos de carbono têm falhas graves há 25 anos. Pesquisadores explicam por que compensação não funciona e por que apenas remoção permanente de CO₂ é válida. Entenda os riscos antes da COP30.

A compensação de emissões de carbono, prática adotada por empresas e governos para “neutralizar” seu impacto no clima, é ineficaz e está repleta de falhas “insolúveis”.

Esta é a conclusão de um estudo abrangente realizado por pesquisadores das renomadas Universidades de Oxford, no Reino Unido, e da Pensilvânia, nos EUA. A análise, que revisou 25 anos de evidências, foi publicada na revista científica Annual Review of Environment and Resources.

Os créditos de carbono são gerados por projetos que alegam reduzir, evitar ou remover gases de efeito estufa da atmosfera. No entanto, o estudo afirma que a grande maioria desses projetos falhou em cumprir suas promessas.

“Precisamos parar de esperar que a compensação de carbono funcione em larga escala. Avaliamos 25 anos de evidências e quase tudo até agora falhou”, afirma o coautor Dr. Stephen Lezak, pesquisador da Smith School of Enterprise and Environment. “As falhas de mercado actuais não se devem a algumas maçãs podres, mas sim a problemas sistemáticos e profundos, que não serão resolvidos com mudanças incrementais.”

Problemas sistémicos e “créditos lixo”
A pesquisa identificou uma série de problemas graves, como a não adicionalidade (quando um crédito é vendido por uma redução de emissão que já aconteceria de qualquer forma), a impermanência (quando o carbono armazenado, como em uma floresta, é libertado novamente por incêndios ou desmatamento) e a falta de fiscalização.

Os autores também alertam para a “facilidade de manipulação” dos sistemas de crédito, onde agentes mal-intencionados conseguem burlar regras mesmo quando bem elaboradas.

“Esperamos que as nossas descobertas proporcionem um momento de clareza antes da COP30: esses créditos de carbono lixo – aqueles que não são respaldados por remoção e armazenamento permanentes de carbono – são uma distracção perigosa da solução real para as mudanças climáticas, que é a redução rápida e sustentada das emissões”, disse o autor principal, Dr. Joseph Romm, da Penn Center for Science, Sustainability and the Media.

Acordo de Paris e Críticas ao Neocolonialismo
O estudo é também uma crítica direta ao recente Artigo 6 do Acordo de Paris, finalizado na COP29. Os pesquisadores argumentam que o acordo simplesmente reafirmou “princípios há muito ignorados do desenvolvimento do mercado de carbono, com a expectativa enganosa de que desta vez os resultados poderiam ser diferentes”.

A coautora Amna Alshamsi, pesquisadora da Universidade de Sussex, destacou ainda os riscos de padrões neocoloniais. “Apesar dos esforços para implementar salvaguardas, projetos de compensação de carbono continuam enfrentando casos documentados de fraca responsabilidade. Enquanto projetos baseados na natureza podem trazer benefícios locais, estes devem ser financiados por mecanismos diferentes de créditos de carbono”.

Ela sugere, por exemplo, que empresas financiem projectos ambientais directamente, sem usar isso como desculpa para não reduzir suas próprias emissões.

Pesquisas anteriores já haviam demonstrado que programas de compensação superestimam rotineiramente o seu impacto climático, em muitos casos por um factor de 10 ou mais. O novo estudo consolida essas evidências e lança um alerta: confiar em compensações para atingir as metas climáticas é um erro que o planeta não pode mais cometer.

quinta-feira, 3 de julho de 2025

Relatora da ONU pede criminalização da desinformação sobre combustíveis fósseis e proibição do lóbi


Uma das principais especialistas das Nações Unidas apela à aplicação de sanções penais contra aqueles que vendem desinformação sobre a crise climática e à proibição total da atividade de lóbi e publicidade da indústria dos combustíveis fósseis, como parte de uma mudança radical para salvaguardar os direitos humanos e travar a catástrofe planetária. Elisa Morgera, a relatora especial da ONU para os direitos humanos e as alterações climáticas, defende que os EUA, o Reino Unido, o Canadá, a Austrália e outras nações ricas em combustíveis fósseis são legalmente obrigados, ao abrigo do direito internacional, a eliminar totalmente o petróleo, o gás e o carvão até 2030 - e a compensar as comunidades pelos danos causados. A fraturação hidráulica, as areias petrolíferas e o ‘flaring’ devem ser proibidos, tal como a exploração de combustíveis fósseis, os subsídios, os investimentos e as falsas soluções tecnológicas que prenderão as gerações futuras ao petróleo, ao gás e ao carvão poluentes e cada vez mais dispendiosos.
O seu relatório será apresentado na segunda-feira na Assembleia Geral em Genebra.

quinta-feira, 17 de abril de 2025

Experts warn ‘AI-written’ paper is latest spin on climate change denial


Climate change deniers are pushing an AI-generated paper questioning human-induced warming, leading experts to warn against the rise of research that is inherently flawed but marketed as neutral and scrupulously logical.

The paper rejects climate models on human-induced global warming and has been widely cited on social media as being the first “peer-reviewed” research led by artificial intelligence (AI) on the topic.

Titled “A Critical Reassessment of the Anthropogenic CO2-Global Warming Hypothesis,” it contains references contested by the scientific community, according to experts interviewed by AFP.

Computational and ethics researchers also cautioned against claims of neutrality in papers that use AI as an author.

The new study — which claims to be entirely written by Elon Musk’s Grok 3 AI — rapidly gained traction following a blog post by Covid-19 contrarian Robert Malone and gathered more than a million views on Musk’s social media platform X.

Malone — who has shared numerous false claims fact-checked by AFP and others — argued that the paper shows “the climate scam is over” and reveals “a general trend to exaggerate global warming.”

The paper nonetheless contradicts an overwhelming scientific consensus (archived here) linking fossil fuel combustion to rising global temperatures and increasingly severe weather disasters.

Illusion of objectivity
Academics have warned (archived here) that the surge of AI in research, despite potential benefits, risks triggering an illusion of objectivity and insight in scientific research.

“Large language models do not have the capacity to reason. They are statistical models predicting future words or phrases based on what they have been trained on. This is not research,” argued Mark Neff, an environmental sciences professor (archived here).

The paper states that Grok 3 “wrote the entire manuscript,” with input from co-authors who “played a crucial role in guiding its development.”

Among the co-authors was astrophysicist Willie Soon (archived here) — a climate contrarian who (archived here) has received more than a million dollars in funding from the fossil fuel industry over the years.

Research by physicist Hermann Harde and Soon himself — which have been scientifically contested papers (archived here and here) — were used as references for the AI’s analysis, per the co-authors’ request.

“There is some uncertainty in solar irradiance reconstructions but the Soon et al. study (cited by the paper attributed to Grok) relies on a single outlier (the one by Hoyt and Schatten) which was recently investigated and recompiled and found to be completely made up,” NASA’s top climate scientist Gavin Schmidt (archived here) told AFP on March 25.

AFP has debunked other false theories about the Sun’s role in Earth’s warming.

Microbiologist Elisabeth Bik (archived here), who tracks scientific malpractice, remarked the paper also did not describe how it was written: “It includes datasets that formed the basis of the paper, but no prompts,” she noted on March 26. “We know nothing about how the authors asked the AI to analyze the data.”

Ashwinee Panda (archived here), a postdoctoral fellow on AI safety at the University of Maryland, explained on March 26 that the claim that Grok 3 wrote the paper created a veneer of objectivity that was unverifiable.

“Anyone could just claim ‘I didn’t write this, the AI did, so this is unbiased’ without evidence,” he said.

In an even more confusing turn of events, Grok later distanced itself from the climate denial paper on X, as well as questioned its scientific integrity.

“I didn’t write the paper; my name was used without my involvement,” the chatbot’s official X account posted on March 23.

“The human co-authors crafted it, and I had no role in its creation. I’ve called it ‘scientifically unsound’ due to data cherry-picking and oversimplified assumptions, suggesting an agenda-driven approach. It’s odd to be listed as lead author on a paper I critique, raising ethical questions about its authorship and publication.”

Opaque review process
Neither the journal nor its publisher — which seems to have published only one journal — appear to be members of the Committee of Publication Ethics (archived here and here).

The paper acknowledges “the careful edits provided by a reviewer and the editor-in-chief,” identified on its website as Harde.

It does not specify whether it underwent (archived here) open, single-, or double-blind review and was submitted and published within just 12 days.

“That an AI would effectively plagiarize nonsense papers,” does not come as a surprise, said NASA’s Schmidt, but “this retread has just as little credibility.”

AFP reached out to the authors of the paper for further comment on the review process, but did not receive an immediate response.

“The use of AI is just the latest ploy, to make this seem as if it is a new argument, rather than an old, false one,” Naomi Oreskes, a science historian at Harvard University, told AFP (archived here) on March 28.

More of AFP’s coverage of climate misinformation can be found here.

sábado, 23 de novembro de 2024

COP do Clima na reta final em Baku ou como navegar à vista entre as ausências, o “greenwashing” e as taxas solidárias



Na 29.ª Cimeira do Clima, quase a terminar no Azerbaijão com um sabor amargo, o financiamento da ação climática voltou a ser “o tema” em debate. Existem sectores da economia que são largamente sub-tributados, mas que poluem enormemente o planeta, daí que a task force “Global Solidarity Levies: For People and the Planet” tenha esta semana divulgado o seu segundo relatório, no qual propõe taxas solidárias a cobrar aos maiores vilões ambientais, entre os quais se encontram os produtores de combustíveis fósseis, a aviação, o transporte marítimo internacional, as criptomoedas ou a indústria dos plásticos. Sem esquecer, com o pontapé dado há dias pelo Brasil no G20, e já antes no âmbito do Quadro Inclusivo da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), os super-ricos ou, para usar o eufemismo da Declaração do Rio de Janeiro, os “indivíduos com um património líquido ultra-elevado”.

E porque a justiça climática anda de mãos dadas com a justiça fiscal, aquele grupo de trabalho, presidido pela ex-diplomata francesa Laurence Tubiana, uma das arquitectas do Acordo de Paris, já anunciou, em parceria com o Banco Mundial, a OCDE, académicos reputados e peritos das Nações Unidas, as contas feitas se os maiores poluidores forem tributados: 216,2 mil milhões USD/ ano (taxa sobre a extração de combustíveis fósseis, com base na tributação de 5 dólares por tonelada de CO2); 200-250 mil milhões USD/ ano (taxa de 2% sobre o património líquido dos bilionários); 173,4 mil milhões USD/ ano (imposto de 50% sobre os lucros excepcionais das 14 maiores empresas de combustíveis fósseis por capitalização bolsista, entre julho de 2021 e julho de 2023); 133 a 274 mil milhões USD/ ano (imposto sobre as transacções financeiras, com base numa taxa nominal de 0,3 ou 0,5%); 127 mil milhões USD/ ano (taxa de transporte marítimo, calculando entre 150-300 USD por tonelada de CO2); 121 mil milhões USD/ ano (taxa de passageiro frequente: 9 dólares/ passageiro em cada segundo voo do ano e 177 dólares no vigésimo voo no mesmo ano); 104 mil milhões USD/ ano (valor da taxa de carbono aplicada em 2023); 25 a 25 mil milhões USD/ ano (taxa sobre a produção de polímeros primários, cobrando entre 60 a 90 dólares por tonelada); 18 mil milhões de USD/ ano (taxa sobre o consumo de querosene nos voos internacionais, a 0,33 dólares/ litro); e, por último, 5 mil milhões de dólares/ ano (taxa sobre a mineração das bitcoin, com base na cobrança de 0,045 dólares por kWh de energia consumida).

Esta solução permitiria obter o bilião de dólares anuais necessários para reverter a crise climática bem como o encolher de ombros dos países mais ricos e com maiores responsabilidades históricas nas emissões de gases com efeito de estufa (GEE). Até ao momento, a generosidade Norte-Sul resume-se a 700 milhões de dólares, isto é “aproximadamente ao salário anual dos dez jogadores de futebol mais bem pagos do mundo", como disse António Guterres, frisando a necessidade de “passar de biliões a triliões”.

Conforme afirmou recentemente Nadia Calviño, presidente do Banco Europeu de Investimento (BEI), “um dólar investido em adaptação e resiliência poupa cinco a sete dólares em reparações e indemnizações por danos.” Numa Conferência marcada pela ausência de muitos chefes de Estado e de Governo e pelo abandono da delegação argentina, o porta-voz da Aliança dos Pequenos Estados Insulares (AOSIS), particularmente ameaçados pelo aquecimento global, pôs o dedo na ferida ao dizer que se sentem “abandonados”.

No estertor da era dos combustíveis fósseis, o monstro continua a estrebuchar e a perspetiva de ter nos EUA uma Administração liderada por Donald Trump torna mais real atingirmos um aumento médio da temperatura de 3,1°C até 2100, na senda do alerta dado há um mês pela agência das Nações Unidas para o ambiente (UNEP) ao lançar o relatório Emissions Gap Report 2024. A dura realidade é que, nove anos após a assinatura do Acordo de Paris, em 2015, as emissões GEE aumentaram 8%. Também o desempenho climático de Portugal piorou, tendo o país descido duas posições no Índice de Desempenho das Alterações Climáticas (CCPI) apresentado na COP29.

Greenwashing files
Ao mesmo tempo que as ONG e o ativismo indígena têm mostrado crescente dificuldade em fazer ouvir a sua voz nas COP, os lobistas voltam a integrar as delegações nacionais em grande número. Após analisar as listas de participantes, a plataforma Kick Big Polluters Out revelou que “mais de 200 lobistas da agricultura industrial, representando as maiores empresas agro-alimentares do mundo”, além de 1770 lobistas das companhias fósseis, tiveram acesso às negociações oficiais da COP29.

A verdade é que as empresas de combustíveis fósseis não querem deixar no solo o petróleo, o gás e o carvão que nos matam. Pelo contrário, querem extrair mais e mais, enquanto der lucro, e os Governos continuam a dar uma mãozinha ao negócio, financiando com dinheiro dos contribuintes uma atividade que devia caminhar a passos largos para a extinção. Mas não, caminha apenas para nos extinguir a todos!

As companhias sabem há décadas dos perigos de queimar combustíveis fósseis. Por isso, tal como aconteceu com as tabaqueiras no passado, que esconderam os malefícios para a saúde e enfatizaram o glamour de fumar, fizeram tudo o que puderam para que o assunto se mantivesse fora do radar, financiando campanhas massivas de desinformação, comprando cientistas e governos. Agora que já não conseguem mentir mais, avançaram com técnicas mais sofisticadas, o chamado marketing verde ou greenwashing. A ONG ClientEarth, sediada em Londres, desmontou magistralmente esta nova forma de enganar os incautos nos seus greenwashing files.

As campanhas da Aramco, Chevron, Drax, Equinor, ExxonMobil, INEOS, RWE, Shell e Total mostram que cumprir as metas do Acordo de Paris, ou seja, manter o aumento da temperatura da Terra em 1,5°C, face aos níveis pré-industriais, não é uma preocupação para estas empresas. A sua principal preocupação é parecerem preocupadas. E continuarem a faturar.

“Os estudos mostram que existem planos para produzir 120% mais combustíveis fósseis até 2030 do que o necessário para nos mantermos abaixo deste limiar. Não podemos simplesmente queimar todo o stock mundial de carvão, petróleo e gás e esperar evitar uma catástrofe climática”, refere a ClientEarth.

A Aramco é detida pelo Governo da Arábia Saudita e considerada a empresa de petróleo e gás que mais emite no mundo inteiro. É responsável, desde 1965, por mais de 4% de todas as emissões globais. Detém reservas fósseis, até pelo menos 2077, que ultrapassam as reservas combinadas da Exxon, Chevron, Shell, BP e Total. Em 2020, anunciou que iria aumentar a sua produção de 12 para 13 milhões de barris de petróleo por dia. Em 2023, na sequência do aumento dos preços da gasolina após a pandemia, a companhia anunciou lucros recordes de 161 biliões de dólares (154,5 biliões de euros), valores superiores aos resultados publicados pela ExxonMobil e pela Shell (55,7 e 39,9 biliões de dólares de lucro - €53,5 biliões e €38,3 biliões - respetivamente). A Aramco recusa revelar as suas emissões GEE. Também não divulga os montantes que investe em inovação e em tecnologias de baixo carbono.

A Coligação para os impostos solidários, que nasceu da iniciativa conjunta dos Barbados, França e Quénia, reúne hoje infelizmente apenas 17 Estados! Seria bom que Portugal, além da conversão da dívida em apoio às iniciativas de mitigação e adaptação dos países de expressão portuguesa, seguisse o exemplo francês e integrasse esta frente, contribuindo com a sua quota-parte para o esforço global de ajuda aos países mais vulneráveis. O Governo de Montenegro prometeu dar para esse fim 11 milhões de euros anuais até ao final da década. Uma quantia manifestamente insuficiente. Tal como o ambíguo X inscrito como valor na proposta inicial de texto final apresentado pela presidência azeri. Fonte

sábado, 21 de setembro de 2024

A Inteligência Artificial gera um problema ambiental. Veja o que o mundo pode fazer a respeito.


Há grandes esperanças de que a inteligência artificial (IA) possa ajudar a enfrentar algumas das maiores emergências ambientais do mundo. Entre outras coisas, a tecnologia já está sendo usada para mapear a dragagem destrutiva de areia e mapear as emissões de metano, um potente gás de efeito estufa.

Mas quando se trata do meio ambiente, há um lado negativo na explosão da IA e de sua infraestrutura associada, de acordo com um crescente corpo de pesquisas. A proliferação de data centers que abrigam servidores de IA produz lixo eletrônico. Eles são grandes consumidores de água, que está se tornando escassa em muitos lugares. Eles dependem de minerais essenciais e elementos raros, que muitas vezes são extraídos de forma insustentável. Além disso, usam grandes quantidades de eletricidade, estimulando a emissão de gases de efeito estufa que aquecem o planeta.

“Ainda há muito que não sabemos sobre o impacto ambiental da IA, mas alguns dos dados que temos são preocupantes”, disse Golestan (Sally) Radwan, Diretor digital do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA). “Precisamos ter certeza de que o efeito líquido da IA no planeta é positivo antes de implantarmos a tecnologia em escala.”

Esta semana, o PNUMA lançou uma nota sobre a pegada ambiental da IA e considera como a tecnologia pode ser implementada de forma sustentável. Ela segue um importante relatório do PNUMA, Navigating New Horizons (Navegando Novos Horizontes), que também examinou as promessas e os perigos da IA. Veja a seguir o que essas publicações revelaram.

Antes de tudo, o que é IA?
IA é um termo abrangente para um grupo de tecnologias que podem processar informações e, pelo menos superficialmente, imitar o pensamento humano. Formas rudimentares de IA existem desde a década de 1950. Mas a tecnologia evoluiu em um ritmo alucinante nos últimos anos, em parte devido aos avanços na capacidade de computação e à explosão de dados, que é crucial para o treinamento de modelos de IA.

Por que as pessoas estão entusiasmadas com o potencial da IA no que diz respeito ao meio ambiente?
O grande benefício da IA é que ela pode detectar padrões nos dados, como anomalias e semelhanças, e usar o conhecimento histórico para prever com precisão os resultados futuros. Isso poderia tornar a IA inestimável para monitorar o meio ambiente e ajudar governos, empresas e indivíduos a fazer escolhas mais favoráveis ao planeta. Ela também pode aumentar a eficiência. O PNUMA, por exemplo, usa a IA para detectar quando as instalações de petróleo e gás libertam metano, um gás de efeito estufa que impulsiona as mudanças climáticas.

Avanços como esses estão alimentando a esperança de que a IA possa ajudar o mundo a enfrentar pelo menos alguns aspectos da crise ambiental que inclui mudanças climáticas, perda da natureza e da biodiversidade, e poluição e resíduos.

Então, como a IA é problemática para o meio ambiente?
A maioria das instalações de IA em grande escala tem ocorrido em data centers, inclusive aqueles operados por provedores de serviços em nuvem. Esses data centers podem causar um grande impacto no planeta. Os componentes eletrônicos que eles abrigam dependem de uma quantidade impressionante de grãos: para fabricar um computador de 2 kg, são necessários 800 kg de matérias-primas. Além disso, os microchips que alimentam a IA precisam de elementos de terras raros, que muitas vezes são extraídos de maneiras destrutivas para o meio ambiente, observou a Navigating New Horizons.

O segundo problema é que os data centers produzem lixo eletrónico, que geralmente contém substâncias perigosas, como mercúrio e chumbo.

Em terceiro lugar, os data centers usam água durante a construção e, quando entram em operação, usam a água para resfriar os componentes elétricos. Globalmente, a infraestrutura relacionada à IA poderá em breve consumir seis vezes mais água do que a Dinamarca, um país de 6 milhões de habitantes, de acordo com uma estimativa. Isso é um problema quando um quarto da humanidade já não tem acesso a água limpa e saneamento.

Por fim, para alimentar seus eletrônicos complexos, os data centers que hospedam a tecnologia de IA precisam de muita energia, que na maioria dos lugares ainda vem da queima de combustíveis fósseis, produzindo gases de efeito estufa que aquecem o planeta. Uma solicitação feita por meio do ChatGPT, um assistente virtual baseado em IA, consome 10 vezes mais eletricidade do que uma pesquisa no Google, informou a Agência Internacional de Energia. Embora os dados globais sejam escassos, a agência estima que, no centro tecnológico da Irlanda, a ascensão da IA poderá fazer com que os data centers respondam por quase 35% do uso de energia do país até 2026.

Impulsionado em parte pela explosão da IA, o número de data centers aumentou de 500.000 em 2012 para 8 milhões, e os especialistas esperam que as demandas da tecnologia no planeta continuem crescendo.

Alguns disseram que, quando se trata do meio ambiente, a IA é um curinga. Por que isso acontece?
Temos um bom controle sobre os possíveis impactos ambientais dos data centers. Mas é impossível prever como os próprios aplicativos baseados em IA afetarão o planeta. Alguns especialistas temem que eles possam ter consequências não intencionais. Por exemplo, o desenvolvimento de carros autônomos movidos a IA poderia fazer com que mais pessoas dirigissem em vez de andar de bicicleta ou usar o transporte público, aumentando as emissões de gases de efeito estufa. Além disso, há o que os especialistas chamam de efeitos de ordem superior. A IA, por exemplo, poderia ser usada para gerar desinformação sobre as mudanças climáticas, minimizando a ameaça aos olhos do público.

Alguém está fazendo algo a respeito dos impactos ambientais da IA?
Mais de 190 países adotaram uma série de recomendações não vinculantes sobre o uso ético da IA, que abrange o meio ambiente. Além disso, tanto a União Europeia quanto os Estados Unidos da América introduziram uma legislação para atenuar o impacto ambiental da IA. Mas políticas como essas são poucas e distantes entre si, diz Radwan.

“Os governos estão correndo para desenvolver estratégias nacionais de IA, mas raramente levam em conta o meio ambiente e a sustentabilidade. A falta de proteções ambientais não é menos perigosa do que a falta de outras proteções relacionadas à IA.”

Como o mundo pode controlar as consequências ambientais da IA?
Na nova nota sobre a questão, o PNUMA recomenda cinco coisas principais. Em primeiro lugar, os países podem estabelecer procedimentos padronizados para medir o impacto ambiental da IA; no momento, há uma escassez de informações confiáveis sobre o assunto. Em segundo lugar, com o apoio do PNUMA, os governos podem desenvolver regulamentações que exijam que as empresas divulguem as consequências ambientais diretas dos produtos e serviços baseados em IA. Em terceiro lugar, as empresas de tecnologia podem tornar os algoritmos de IA mais eficientes, reduzindo sua demanda por energia, reciclando água e reutilizando componentes quando possível. Em quarto lugar, os países podem incentivar as empresas a tornar seus data centers mais ecológicos, inclusive usando energia renovável e compensando suas emissões de carbono. Por fim, os países podem inserir suas políticas relacionadas à IA em suas regulamentações ambientais mais amplas.

O PNUMA está em ajudar o mundo a enfrentar melhor os desafios ambientais do futuro. Para isso, intensificamos nosso trabalho de previsão estratégica, examinando o horizonte em busca de ameaças emergentes ao planeta. Esse processo culminou no desenvolvimento do Navigating New Horizons - A Global Foresight Report on Planetary Health and Human Wellbeing (Navegando por novos horizontes - um relatório de previsão global sobre saúde planetária e bem-estar humano), publicado no início deste ano. Produzido em colaboração com o Conselho Internacional de Ciências, o relatório examinou oito mudanças globais que estão acelerando a tripla crise planetária: mudança climática, perda da natureza e da biodiversidade, poluição e resíduos.

sexta-feira, 16 de junho de 2023

Os lobistas das grandes petrolíferas deveriam ser banidos das cimeiras do clima

COP27 no Egipto

À medida que incêndios, inundações e danos climáticos extremos continuam se acumulando, a grande questão é como sair da era dos combustíveis fósseis com justiça?

Enquanto as negociações climáticas preparatórias da ONU continuam em Bonn esta semana, uma nova pesquisa do Corporate Europe Observatory (CEO) e Corporate Accountability revela que as 5 grandes empresas de petróleo e gás trouxeram mais de 400 lobistas para as negociações climáticas da ONU desde que o Acordo de Paris foi assinado em 2015.

Embora a COP28 nos Emirados Árabes Unidos no final deste ano precise anunciar de uma vez por todas a eliminação justa de todos os combustíveis fósseis, a presença contínua de lobistas de petróleo e gás nessas cúpulas é um perigo claro e presente para atingir esse objetivo.

A nova medida antecipada da ONU pedindo a todos os participantes que divulguem publicamente para quem trabalham é um primeiro passo bem-vindo, mas precisa ir muito além.

Durante décadas, Shell, BP, TotalEnergies, ExxonMobil e Chevron - também conhecidas como as 5 grandes empresas de petróleo e gás - atrasaram, enfraqueceram e sabotaram a ação climática.

Apesar de sua lavagem verde pró-clima, cada um pretende expandir sua produção de combustíveis fósseis para impulsionar os balanços já volumosos.

Até 2025, seus planos combinados aumentariam as emissões em 6.674 milhões de toneladas de CO2, mais de duas vezes e meia as emissões da UE em 2021 — sem falar em dizimar ecossistemas e comunidades.

Eles estão colocando seus próprios lucros diretamente contra a meta do Acordo de Paris de manter o aumento da temperatura em 1,5 grau centígrado e proteger o planeta.

No ano passado, esses cinco gigantes obtiveram lucros recordes de quase US$ 200 biliões, com a BP posteriormente decidindo reduzir suas metas climáticas para se concentrar em ganhar dinheiro com o aumento da produção de gás.

É por isso que campanhas como Kick Big Polluters Out , que inclui mais de 450 grupos de todo o mundo representando milhões de pessoas, estão pressionando por negociações climáticas livres de fósseis e uma Estrutura de Responsabilidade mais ampla para proteger a formulação de políticas climáticas da influência indevida de todas as emissões. indústrias intensivas.

Eliminar essa influência é essencial se quisermos remover a maior barreira para eliminar gradualmente os combustíveis fósseis.

Já temos algo semelhante para o tratado de tabaco da ONU, porque aceitamos que não devemos perguntar à indústria do tabaco como fazer as pessoas pararem de fumar.

Há um conflito de interesses flagrante
Portanto, vamos parar de perguntar à indústria de petróleo e gás como acabar com o vício em combustíveis fósseis.

Como primeiro passo, a divulgação pública dos interesses dos participantes é importante porque o público tem o direito de saber quem está na mesa de negociações.

Esta semana foi revelado que a TotalEnergies havia pago uma pseudo-ONG para trazer anonimamente vários delegados para a COP26 e 27.

Este ano, o diretor de gases de efeito estufa e mudanças climáticas da Exxon, Michael Gerard Cousins, entrou nas negociações em Bonn sem declarar para quem trabalhava.

Os participantes também devem ser obrigados a declarar quem está financiando sua participação nos processos climáticos da ONU.

Aqui em Bonn, a presença da Shell, Chevron e ExxonMobil aumenta a ótica existente da COP28 sendo administrada pela indústria de combustíveis fósseis.

Al Jaber, o novo presidente da COP28, também é o CEO da ADNOC, empresa estatal de petróleo e gás dos Emirados Árabes Unidos.

A influência da empresa de combustíveis fósseis sobre a presidência foi amplamente divulgada.

Ter um executivo do petróleo como presidente da COP é totalmente inaceitável, mas Al Jaber é apenas a ponta de um iceberg muito oleoso quando se trata de capturar a indústria das negociações sobre o clima.

Outros, como os EUA e a UE, passaram décadas promovendo os interesses da indústria de combustíveis fósseis em sua diplomacia climática e estão fazendo isso agora em Bonn.

Numa reunião com um negociador europeu, eles continuaram a argumentar que os lobistas dos combustíveis fósseis deveriam ter permissão para participar das negociações, apesar de admitirem que não tinham intenção de reduzir a produção de combustíveis fósseis.

Máquina de lobby
A nova pesquisa também expõe como as Big 5 também construíram máquinas de lobby impressionantes nos EUA e na UE desde a COP21, declarando um total combinado de quase 2.000 lobistas e mais de US$ 300 milhões investidos no referido lobby.

Naquela época, o CEO da ExxonMobil, Rex Tillerson, também se tornou secretário de Estado dos EUA, enquanto Shell, BP e TotalEnergies foram assessores importantes da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, durante a atual crise de energia, pressionando com sucesso por mais gás fóssil.

Soluções reais para a crise climática exigem ações ousadas para conter a obstrução da indústria de combustíveis fósseis nas negociações climáticas.

Os apelos do povo foram repetidos por mais de 130 legisladores de ambos os lados do Atlântico e de ambos os lados do corredor em uma carta recente ao presidente dos EUA, Joe Biden, von der Leyen, e ao secretário executivo da UNFCCC, Simon Stiell, também pedindo o fim da interferência dos combustíveis fósseis 

A luta para resolver os conflitos de interesse dos poluidores tem sido longa, mas para qualquer hipótese de a COP28 anunciar uma eliminação justa de todos os combustíveis fósseis, precisamos remover o maior obstáculo ao progresso: a influência da indústria de combustíveis fósseis.

A divulgação pública obrigatória é um primeiro passo decente, mas precisamos de uma estrutura robusta de conflito de interesses se quisermos expulsar os grandes poluidores.

Saber mais:

sexta-feira, 5 de maio de 2023

Google está a lucrar com desinformação climática no YouTube, segundo relatório


Descobriu-se que o Google está monetizando vídeos que promovem desinformação sobre a crise climática no YouTube ainda este mês, de acordo com um novo relatório.

O novo relatório publicado pela coalizão Climate Action Against Disinformation (CAAD) na terça-feira destaca 100 vídeos nos quais o Google veiculou anúncios, apresentando mentiras descaradas sobre a crise climática.

Os vídeos negam que a crise climática seja causada pelas emissões de gases de efeito estufa liberadas na atmosfera pela queima de combustíveis fósseis , apesar da esmagadora evidência científica e do consenso de que esse é o caso.

Além disso, o relatório também encontrou 100 outros vídeos com conteúdo enganoso sobre como lidar com as mudanças climáticas.

O conteúdo incluía desinformação, como argumentos falsos de que nada pode ser feito sobre a crise climática ou a promoção de supostas soluções que na verdade são ineficazes e desviam o foco da redução das emissões de gases de efeito estufa por grandes empresas.

O Google atualizou suas políticas em outubro de 2021, afirmando que proibiria anúncios e monetização de conteúdo que contradiz o consenso científico bem estabelecido sobre a crise climática.

No entanto, o relatório encontrou exemplos de vídeos que violaram essa política, mas ainda veiculados com publicidade precedente para uma lâmpada de mosquito.

Os 200 vídeos do YouTube analisados ​​no relatório obtiveram 73,8 milhões de visualizações em 17 de abril de 2023 e apresentaram anúncios de marcas como Costco, Tommy Hilfiger, Nike e Hyundai.

Os autores do relatório conduziram a pesquisa pesquisando no YouTube termos-chave como “fraude climática” e “golpe climático”. Então, pelo menos dois pesquisadores diferentes avaliaram os vídeos em relação às definições do Google e do CAAD sobre desinformação climática.

O Google afirma ter revisto a lista de vídeos no conjunto de dados e removido os anúncios daqueles que violam sua política contra a negação das mudanças climáticas.

Embora o Google afirme que aplica sua política rigorosamente, numa declaração ao The Verge reconhece que sua aplicação nem sempre é perfeita, acrescentando que a empresa está “trabalhando constantemente para melhorar nossos sistemas para detectar e remover melhor o conteúdo que viola a política”.

O relatório do CAAD pede uma definição mais ampla de desinformação para incluir conteúdo que recomenda soluções ineficazes para o aquecimento global, pois pode atrasar ações climáticas legítimas.

“O Google está apoiando a desinformação climática que eles dizem querer parar... a desinformação persiste porque é lucrativa, e a Big Tech precisa remover esse incentivo”, disse Erika Seiber, porta-voz da desinformação climática da organização sem fins lucrativos Friends of the Earth.

quarta-feira, 21 de setembro de 2022

Principais empresas petrolíferas investem fortunas em "desinformação climática”.



O estudo promovido pelo InfluenceMap, divulgado dia 8 de Setembro, revela um “desalinhamento significativo” entre as estratégias de comunicação e os planos de negócios de cinco das maiores empresas privadas de energia. Em vez de apostarem na descarbonização, empresas como a BP, Chevron, ExxonMobil, Shell e TotalEnergies assumem um discurso verde que lhes permite iludir a opinião pública e continuar a receber financiamentos públicos.

O órgão de fiscalização da indústria analisou o conteúdo de mais de 3.400 comunicações públicas, a partir de comunicados de imprensa, discursos e redes sociais destas empresas e dos seus administradores.

De acordo com o InfluenceMap, BP, Chevron, ExxonMobil, Shell e TotalEnergies estão a gastar centenas de milhões de dólares a cada ano numa “estratégia sistemática para se apresentarem como positivas e proativas na emergência das alterações climáticas”. Esta prática contrasta com os planos das empresas para investimento de capital nos seus negócios.

Em 3.421 comunicações públicas das cinco empresas em 2021, 60% continham pelo menos uma afirmação verde, como metas de redução de emissões, enquanto apenas 23% continham conteúdos a promover o petróleo e gás. Essas comunicações públicas contrastam com as despesas de capital planeadas para 2022, com apenas 12% dos novos investimentos destinados a atividades de baixo carbono.

“Pode ver essa diferença real entre uma elevada utilização de afirmações verdes em comunicações públicas versus essa estratégia em andamento para minar e bloquear a política climática”, afirmou Faye Holder, coautora do relatório e gestora do programa, em declarações à AFP.

Faye Holder assinalou que “com base nas comunicações públicas, e particularmente nas redes sociais, é natural ficar com a impressão de que essas empresas estão a agir para resolver as alterações climáticas, porque é isso que elas estão a dizer”.

A Shell, entre as cinco empresas em análise, é a que apresenta uma maior disparidade entre aquilo que anuncia e as práticas. O InfluenceMap refere que 70% das comunicações da Shell no ano passado continham pelo menos uma afirmação verde, em comparação com apenas 10% do investimento planeado em atividades de baixo carbono este ano.

Já a TotalEnergies menciona atividades verdes em 62% das suas comunicações, ao mesmo tempo que paneia alocar 25% das despesas de capital de 2022 em projetos de baixo carbono.

O estudo revela que, no global, as cinco empresas gastaram 750 milhões de dólares em mensagens relacionadas com o clima apenas no ano passado. O coautor do relatório, Ed Collins, explicou que isso representa um bom negócio para as grandes empresas, pois é significativamente mais barato do que descarbonizar os modelos de negócios e leva a que os governos continuem a subsidiar os seus produtos.

“Os custos parecem enormes, mas o investimento é minúsculo em comparação com a recompensa potencial em termos de condições políticas favoráveis ​​e subsídios de ativos de construção”, apontou.

Algumas das empresas analisadas planeiam, inclusive, aumentar a produção de petróleo e gás até 2026.

Gwendoline Delbos-Corfield, membro dos Verdes do Parlamento Europeu, disse que a análise de quinta-feira provou que as empresas estudadas estavam envolvidas em “desinformação climática”. “Isso mostra até onde as empresas de petróleo e gás estão dispostas a ir para enganar os cidadãos e proteger os seus próprios interesses.”

sexta-feira, 29 de julho de 2022

Desinformação sobre alterações climáticas leva norte-americanos a duvidarem da ciência



As décadas de desinformação sobre as alterações climáticas deixaram marca e levam muitas pessoas a duvidarem das evidências científicas, adiantam investigadores sobre o tema.

A académica da Universidade de Harvard Naomi Oreskes, que escreveu sobre a história da desinformação sobre as alterações climáticas, considerou “uma tragédia” perceber que “milhões de norte-americanos pensam que os cientistas estão a mentir, mesmo sobre coisas que estão provadas há décadas”.

Eles têm sido persuadidos por décadas de desinformação. A negação é realmente, realmente profunda.

Um dos exemplos foi o memorando tornado público pelo The New York Times, em 1998, em que era revelada a estratégia agressiva das empresas americanas de combustíveis fósseis para reagir à assinatura do Protocolo de Quioto, no qual as nações se comprometeram a reduzir as emissões de carbono, apostando na desinformação para gerar a dúvida no debate público.

O papel das empresas de combustíveis fósseis

As empresas de combustíveis fósseis gastaram muito num esforço para contrariar o apoio à redução de emissões.

Agora, mesmo quando essas mesmas empresas promovem investimentos em energias renováveis, o legado de toda essa desinformação climática permanece e contribui para um maior ceticismo em relação aos cientistas e instituições científicas.

"Foi a abertura de uma caixa de Pandora de desinformação que se revelou difícil de controlar", disse Dave Anderson, do Energy and Policy Institute, uma organização que criticou as empresas petrolíferas e carboníferas por reterem a informação a que tinham acesso sobre os riscos das alterações climáticas.

Maior sensibilização para alterações climáticas

Nas décadas de 80 e 90, quando passou a existir uma maior sensibilização para as alterações climáticas, as empresas de combustíveis fósseis investiram milhões de dólares em campanhas de relações públicas para rebater as provas que sustentavam as mudanças em curso no planeta.

Uma das estratégias passou por financiar grupos de reflexão supostamente independentes que escolheram a dedo dados científicos e promoveram opiniões divergentes destinadas a fazer parecer que existiam dois lados legítimos na discussão.

Desde então, a abordagem abrandou à medida que o impacto das alterações climáticas se tornou mais evidente e as empresas de combustíveis fósseis passaram a divulgar energias renováveis, como a solar e a eólica, ou iniciativas concebidas para melhorar a eficiência energética ou compensar as emissões de carbono.

O investigador da Universidade de Stanford Ben Fanta, também advogado, frisou que “o debate [sobre as alterações climáticas] foi fabricado pela indústria dos combustíveis fósseis nos anos 90, e estamos a viver com essa história neste momento”.

Vivemos dentro de uma extensa campanha de várias décadas executada pela indústria dos combustíveis fósseis.

O impacto dessa estratégia reflete-se em inquéritos à opinião pública, que mostram um fosso crescente entre republicanos e outros norte-americanos quando se trata de opiniões sobre as alterações climáticas.

Embora a percentagem de americanos em geral que dizem estar preocupados com as alterações climáticas tenha aumentado, os republicanos estão cada vez mais resistentes em aceitar o consenso científico de que a poluição proveniente dos seres humanos está a impulsionar as alterações climáticas.

As empresas de combustíveis fósseis negam qualquer intenção de enganar o público americano e apontam os investimentos em energias renováveis como prova de que levam a sério as alterações climáticas.

Numa declaração enviada por correio eletrónico à The Associated Press, a porta-voz do Instituto Americano do Petróleo, Christina Noel, afirmou que a indústria petrolífera está a trabalhar para reduzir as emissões, assegurando ao mesmo tempo o acesso a energia fiável e acessível.

sábado, 14 de agosto de 2021

Indústria fóssil dribla regras do Facebook e intensifica campanhas negacionistas na internet



Uma análise feita pela InfluenceMap mostrou que o Facebook, ainda maior rede social do mundo, está falhando nas fiscalização e prevenção de desinformação em sua plataforma e permitindo a disseminação de informações falsas patrocinadas pela indústria de petróleo e gás. O levantamento analisou dados dos EUA em 2020, durante a campanha presidencial norte-americana: de acordo com o estudo, houve um aumento na publicidade da ExxonMobil e de outras empresas fósseis no Facebook com o objetivo de moldar o debate político sobre políticas para lidar com a mudança do clima

Nas peças disseminadas, essas empresas abandonaram o negacionismo clássico e tentaram empurrar uma narrativa na qual o petróleo e o gás não são parte do problema climático, e sim de sua “solução”. O relatório descobriu que 25 empresas gastaram pelo menos US$ 9,5 milhões em mais de 25 mil anúncios no Facebook, que foram vistos mais de 431 milhões de vezes. O auge dos gastos aconteceu em julho de 2020, logo após o então candidato presidencial Joe Biden apresentar seu plano de ação climática.

“A indústria está usando uma série de táticas de mensagens que são muito mais sutis do que as declarações diretas de negação [da crise climática]”, explicou o relatório. “Algumas das táticas mais significativas encontradas incluíram vincular o uso de petróleo e gás à manutenção de uma alta qualidade de vida, promover o gás fóssil como verde e divulgar as ações voluntárias tomadas pela indústria sobre mudança do clima”.

Guardian, Grist e NY Times repercutiram o levantamento.


ClimaInfo, 12 de agosto de 2021.