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terça-feira, 16 de dezembro de 2025

Webinar - Indicadores Biológicos do Solo: Métodos de Amostragem


A Direção-Geral de Agricultura e Desenvolvimento Rural (DGADR) e a Parceria Portuguesa para o Solo promovem, no próximo dia 12 de dezembro, um webinar dedicado aos indicadores biológicos do solo e aos respetivos métodos de amostragem, dirigido a técnicos envolvidos no aconselhamento agrícola

A ação de capacitação, realizada em formato webinar, tem como principal objetivo apresentar os métodos utilizados na recolha e análise de indicadores biológicos que permitem avaliar a saúde do solo, reforçando a importância de protocolos padronizados e boas práticas durante o processo de amostragem.

A sessão será conduzida por Ruth Pereira, investigadora da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto e do centro GreenUPorto – Centro de Investigação em Produção Agroalimentar Sustentável. A oradora abordará princípios e exemplos de aplicação de técnicas como o ensaio de bait-lamina, atividades enzimáticas, respiração do solo, diversidade da fauna edáfica e outros indicadores utilizados na monitorização funcional do microbioma.

A formação destina-se a técnicos com formação superior em ciências agrárias, especialmente aqueles que actuam no aconselhamento agrícola nas áreas relacionadas com o Plano de Fertilização.

quarta-feira, 19 de novembro de 2025

AI, UX, and the Gen Z Journey: Evolving Patterns for the Next Era of Search


Following our recent presentation at the Digital Collegium annual conference, this expanded webinar builds on our original research with a new case study and updated UX findings. As AI continues to reshape how prospective students discover and evaluate institutions, higher education websites must adapt not just in content, but in design and interaction.

We will explore emerging UX patterns shaped by conversational interfaces and AI-driven expectations, and how Gen Z users are blending intuitive navigation with AI-based discovery. Through usability testing insights and practical examples, you will learn how to evolve your information architecture and content to prepare for more conversational user experiences while keeping your site relevant, discoverable, and user-centered in this rapidly changing landscape.

"UX patterns" (padrões de UX) são soluções de design repetidas e testadas para resolver problemas comuns na experiência do utilizador. Em vez de criar uma nova solução para cada desafio, os designers usam estes padrões para garantir usabilidade, consistência e eficiência, como a hierarquia visual, os elementos de feedback ou as heurísticas de usabilidade. É importante diferenciar entre os "padrões de UX" positivos e os "dark patterns" (padrões obscuros), que manipulam o utilizador, como visto em Alura.

As AI reshapes how prospective students discover and evaluate institutions, higher education websites are entering a new era defined by changing expectations.

AI is everywhere right now. It’s writing emails, generating designs, powering customer service bots, and making its way into tools we use every day as designers. And while the hype is loud, the reality is more subtle – AI isn’t replacing us anytime soon, but it is changing how we work, what users expect, and how we should be thinking about product experiences.

For UX designers, this raises some big questions. How do you design for something that behaves unpredictably? How do you build trust when users don’t fully understand what’s happening? And what skills actually matter in a world where AI is baked into almost everything?

O que faz um designer de UX
  1. Foco no utilizador: Um designer de UX, ou designer de experiência do utilizador, foca-se na criação de experiências de usuário significativas e agradáveis ao interagir com um produto, serviço ou interface digital.
  2. Mapeamento da jornada: Cria cenários de utilizador, padrões de interação, protótipos e testa o produto para garantir que atende às necessidades do utilizador.
  3. Colaboração: Trabalha frequentemente com equipas de programação para garantir a viabilidade técnica das soluções de design.

sexta-feira, 13 de junho de 2025

As mulheres que fizeram museus


Abra quase qualquer pesquisa histórica sobre a coleção e verá um catálogo dos homens que formaram grandes coleções ao longo dos séculos — com Catarina, a Grande, e Peggy Guggenheim entre as poucas exceções, talvez. Mas muitas das grandes colecções que conhecemos hoje foram criadas ou moldadas por mulheres cujo impacto na história do gosto e na evolução das colecções para se tornarem museus acessíveis ao público está finalmente a receber a devida atenção. Esta conversa explora as personagens e as coleções de três mulheres que se rodearam de arte – Alice de Rothschild, Marjorie Merriweather Post e Helene Kröller-Müller – e como os obstáculos e as oportunidades que encontraram podem ter influenciado as coleções que construíram. Explora a forma como os legados destas mulheres se refletem hoje em – respetivamente – Waddesdon Manor (Buckinghamshire), Hillwood Museum (Washington, D.C.) e no Kröller-Müller Museum (Otterlo). 

Moderado por Fatema Ahmed (revista Apollo) 

Palavra de boas-vindas de Hidde van Seggelen Com Tanja de Boer, Kate Markert e Pippa Shirley

quinta-feira, 20 de março de 2025

Dia Internacional da Felicidade - Porque é que o riso fugiu da escola? Por Eduardo Sá e Carlos Vidal


Uma escola amiga da criança não tem de ser uma escola boazinha. Pode ser exigente naquilo que espera dos alunos. E exigente em relação ao que lhes dá. Pode avaliar com verdade. E ensinar com paixão. Pode acolher a brincadeira. E falar de coisas sérias de forma divertida. E também pode ser amiga do riso.

Uma conversa que resulta de um podcast da Escola Amiga da Criança, com o apoio da LeYa Educação

sábado, 28 de dezembro de 2024

MOOCs e Educação Ambiental: a ligação


Os MOOCs (Massive Open Online Courses) têm uma relação direta e estratégica com a Educação Ambiental, sobretudo porque ambos partilham o objetivo de democratizar o acesso ao conhecimento e promover mudanças de valores, atitudes e comportamentos face aos desafios ambientais contemporâneos. Num contexto marcado por crises globais como as alterações climáticas, a perda de biodiversidade e a degradação dos ecossistemas, torna-se essencial que a educação ambiental ultrapasse os limites da escola formal e alcance públicos mais amplos, algo que os MOOCs permitem de forma eficaz.

Ao serem cursos online, abertos e acessíveis a um número elevado de participantes, os MOOCs possibilitam a difusão de conteúdos científicos e educativos sobre sustentabilidade, conservação da natureza, ecologia e cidadania ambiental a pessoas de diferentes idades, formações e contextos socioculturais. Esta característica reforça o carácter inclusivo da Educação Ambiental e contribui para a construção de uma consciência ecológica global, ao mesmo tempo que valoriza experiências e realidades locais partilhadas entre participantes de diferentes regiões do mundo.

Os MOOCs assumem também um papel relevante na formação contínua de professores, educadores ambientais e técnicos da área do ambiente, permitindo atualização científica permanente e contacto com novas abordagens pedagógicas. Quando bem estruturados, podem integrar metodologias ativas, como estudos de caso, projetos comunitários, desafios práticos e fóruns de debate, favorecendo uma aprendizagem crítica e reflexiva, essencial para a Educação Ambiental transformadora.

Contudo, é importante reconhecer que os MOOCs apresentam limitações, como elevadas taxas de abandono, desigualdades no acesso à internet e a dificuldade em promover experiências diretas com a natureza. Por essa razão, devem ser encarados como ferramentas complementares, e não substitutas, das práticas educativas presenciais e das ações locais de educação ambiental.

Em síntese, os MOOCs constituem um importante instrumento de apoio à Educação Ambiental, ao ampliarem o alcance do conhecimento, fortalecerem redes de aprendizagem e contribuírem para a formação de cidadãos mais conscientes e participativos, desde que articulados com práticas pedagógicas críticas e orientadas para a ação sustentável.

Referências bibliográficas
  1. DOWNES, S. (2008). Places to go: Connectivism & connective knowledge. Innovate: Journal of Online Education, 5(1).
  2. FREIRE, P. (1996). Pedagogia da autonomia: Saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra.
  3. HODGSON, V.; MCDONALD, J. (2019). Postdigital learning and the marginalisation of MOOCs. International Journal of Educational Technology in Higher Education, 16(1), 1–15.
  4. HOLLANDS, F. M.; TIRTHALI, D. (2014). MOOCs: Expectations and reality. New York: Center for Benefit-Cost Studies of Education, Teachers College, Columbia University.
  5. SIEMENS, G. (2005). Connectivism: A learning theory for the digital age. International Journal of Instructional Technology and Distance Learning, 2(1).
  6. SIEMENS, G.; DOWNES, S. (2008). Connectivism and connective knowledge. National Research Council Canada.
  7. UNESCO (2017). Education for Sustainable Development Goals: Learning objectives. Paris: UNESCO.
  8. UNESCO (2020). Education for sustainable development: A roadmap. Paris: UNESCO.
  9. WALS, A. E. J. (2010). Mirroring, gestaltswitching and transformative social learning: Stepping stones for developing sustainability competence. International Journal of Sustainability in Higher Education, 11(4), 380–390.
  10. YUAN, L.; POWELL, S. (2013). MOOCs and open education: Implications for higher education. CETIS White Paper.

quarta-feira, 25 de setembro de 2024

Dia Nacional da Sustentabilidade


A 25 de setembro celebrou-se o Dia Nacional da Sustentabilidade, uma data simbólica já que coincide com o dia que marca também a adoção dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) pela ONU (25 de setembro de 2015).

Este dia de celebração nacional foi instituído pela Resolução do Conselho de Ministros n.º 56/2023, de 9 de junho. A ação local é essencial, e o compromisso de Portugal com a causa da Sustentabilidade está no centro da criação deste dia.

A sustentabilidade enfrenta desafios globais que exigem um crescimento económico sustentável , capaz de garantir as necessidades do presente sem comprometer o futuro, como já descrito em 1987 no Relatório Brundtland.

O Dia Nacional da Sustentabilidade visou divulgar informação, promover o conhecimento e capacitar todos os setores da sociedade para a adoção de comportamentos transformadores.

A Agenda 2030 da ONU, em vigor desde 1 de janeiro de 2016, define 17 ODS e 169 metas para guiar o desenvolvimento sustentável até 2030, com o apoio unânime de 193 países, incluindo Portugal.

A sustentabilidade ganhou relevância nas estratégias das empresas, com impacto na governança, nos compromissos assumidos pelas administrações e nos produtos, que viram os seus processos alterados.

Este ano, foram várias as iniciativas para promover a sustentabilidade em Portugal, entre elas:
  1. Metropolitano de Lisboa: até 22 de outubro, nas estações da Baixa-Chiado e da Alameda, está patente uma exposição sobre os projetos de responsabilidade social e ambiental do Metropolitano de Lisboa;
  2. Sociedade de Geografia de Lisboa (SGL) e Comité Nacional para a Década do Oceano: jornada “Ciência para Alcançar o Desenvolvimento Sustentável”;
  3. INA: WebINAr “Sustentabilidade em Ação: Capacitação e Gestão Sustentável na Administração Pública”, com o objetivo de promover a compreensão da importância estratégica da sustentabilidade na gestão pública, discutir abordagens inovadoras e sustentáveis para enfrentar desafios contemporâneos e apresentar exemplos concretos e bem-sucedidos de integração da sustentabilidade em diversos setores da Administração Pública;
  4. PT Sustentável: promoveu diversas atividades descentralizadas, envolvendo diferentes setores e níveis de governação. O objetivo é divulgar informações e capacitar todos os atores sociais para mudanças conscientes de comportamento rumo a um futuro sustentável;
  5. Visões do Futuro: reuniu diversos parceiros, como Pisca Pisca, Cepsa, LIDL, Auchan, Sogrape, Sociedade Ponto Verde, entre outros. Houve mesas redondas, workshops focados na sustentabilidade, rastreios de saúde e um teatro infantil sobre o tema.

Estas iniciativas refletem o compromisso de Portugal com a sustentabilidade e a promoção de práticas que contribuem para um futuro mais verde e inclusivo.

segunda-feira, 4 de dezembro de 2023

Presidente COP28 defende fim de combustíveis fósseis após palavras polémicas

O porta-voz da Conferência das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas afirmou que o sultão Al-Jaber dos Emirados Árabes Unidos tem sido “inabalável ao afirmar que atingir 1,5 ºC implica atuar numa série de áreas e setores”. O sultão considerou antes que uma transição muito rápida levaria o mundo à "idade das cavernas"


O presidente da cimeira climática COP28 disse este domingo, 3 de dezembro, ter bem presente que os combustíveis fósseis devem ser progressivamente diminuídos e abandonados, após declarações polémicas a questionar a ciência e a meta de redução de 1,5ºC no aquecimento global.

Questionado pela agência EFE, o porta-voz da Conferência das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (COP28) afirmou que o sultão Al-Jaber dos Emirados Árabes Unidos, país que acolhe a cimeira do clima desde quinta-feira, tem sido "inabalável ao afirmar que atingir 1,5 ºC implica atuar numa série de áreas e setores" e que "o presidente da COP deixa claro que a redução progressiva e o abandono dos combustíveis fósseis é inevitável e que devem ser mantidos os 1,5ºC ao alcance".

"Não temos certeza do que este artigo supostamente revela. Não há nada nele que seja novo ou notícia de última hora", afirmou o porta-voz a propósito das declarações de Al-Jaber hoje reveladas pelas imprensa britânica, comentando que "esta história nada mais é do que mais uma tentativa de minar a agenda da presidência, que tem sido clara e transparente e apoiada por conquistas tangíveis do presidente da COP e da sua equipa".

As declarações, dadas a conhecer este domingo pelo jornal britânico The Guardian e pelo Centre for Climate Reporting, remontam a 21 de novembro num evento online organizado pela iniciativa "She Changes Climate", num debate tenso com a ex-Presidente irlandesa e antiga Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Mary Robinson.

O sultão considerou então a saída dos combustíveis fósseis inevitável, mas advertiu que uma transição muito rápida para limitar o aquecimento global a 1,5ºC levaria o mundo à "idade das cavernas" e pediu pragmatismo sobre esta matéria.

Na discussão, Mary Robinson, presidente do grupo independente Os Sábios (altos dirigentes, ativistas da paz e defensores dos direitos humanos), tinha desafiado Al-Jaber no sentido de, na qualidade de presidente da COP e líder da petrolífera estatal Adnoc, a assumir a eliminação progressiva dos combustíveis fósseis "com mais credibilidade".

Em resposta, Al-Jaber afirmou: "Aceitei vir a este encontro para ter uma conversa sóbria e madura. Não estou de forma alguma a aderir a nenhuma discussão alarmista. Não há nenhuma ciência, ou nenhum cenário, que diga que a eliminação progressiva dos combustíveis fósseis é o que vai atingir [a meta assumida no Acordo de Paris de] 1,5°C".

Segundo o The Guardian, a antiga política irlandesa continuou a desafiar o presidente da COP, afirmando ter lido que a estatal Adnoc estava a investir muito mais em combustíveis fósseis no futuro, ao que Al-Jaber ripostou: "Por favor, ajude-me, mostre-me o roteiro para uma eliminação progressiva dos combustíveis fósseis que permitirá o desenvolvimento socioeconómico sustentável, a menos que você queira levar o mundo de volta às cavernas".

Na mesma ocasião, o sultão duvidou que se consiga ajudar a resolver o problema climático com acusações ou contribuindo para a polarização e uma divisão que disse já estar a acontecer no mundo: "Mostre-me as soluções. Pare de apontar o dedo. Pare com isso".

A nomeação de Al-Jaber como presidente da COP28 foi duramente criticada e centenas de organizações da sociedade civil pediram a sua demissão por ser o diretor-executivo da Companhia Nacional de Petróleo de Abu Dhabi (Adnoc).

No seu relatório de setembro, a Agência Internacional de Energia (AIE) estima que a produção de combustíveis fósseis deve cair 83% entre 2022 e 2050 para se alcançar a neutralidade carbónica.

O foco das críticas às declarações do sultão prende-se com a diferença entre redução e eliminação dos combustíveis fósseis para se alcançar o objetivo da diminuição do aquecimento global.

A este propósito, nos primeiros trabalhos da abertura da COP28, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, afirmou que "a ciência é clara e o limite de 1,5ºC só é possível se pararmos de queimar todos os combustíveis fósseis", salientando que não se trata de reduzir ou diminuir, mas da "eliminação gradual, com um prazo claro".

Citado pelo The Guardian, Bill Hare, diretor-executivo da organização não-governamental (ONG) Climate Analytics, comentou que o debate entre Al-Jaber e Mary Robinson é "extraordinário, revelador, preocupante e conflituoso", assinalando que mandar o mundo de volta à idade das cavernas é uma imagem recorrente da indústria fóssil e que está "à beira da negação das alterações climáticas".

A cimeira do clima que começou na quinta-feira no Dubai vai debater estratégias de adaptação e mitigação, apoios financeiros, e fazer um balanço de oito anos de ação climática, que a ONU diz ir em sentido contrário.

quinta-feira, 2 de novembro de 2023

A 'hipocrisia verde" do aumento do IUC


“A hipocrisia ‘verde’ do aumento do IUC: o governo quer sufocar ainda mais os que vivem fora dos eixos do transporte público, que vivem na periferia e dependem do carro, enquanto reformula o aeródromo de Tires para receber jatos particulares dos que podem viver à frente do Metro no centro de Lisboa. As emissões médias de um único voo de jato privado correspondem a 23 mil km de um carro a gasolina, segundo o Greenpeace. ‘Um voo de um jato privado entre Lisboa e Nova Iorque emite mais CO2 do que um ano de consumo energético para aquecimento numa casa europeia’. Raquel Varela.

Aumento do IUC é duplamente "inconstitucional", considera o constitucionalista Paulo Otero. 

Saber mais:
  1. Webinar: Aviation Greenwashing and False Solutions (2020)
  2. As companhias aéreas estão a ser atingidas por litígios anti-greenwashing – eis o que as torna alvos perfeitos

sexta-feira, 24 de março de 2023

Webinar - Vamos conhecer os nossos polinizadores


Consultar ainda:
- Documento sobre o Plano de Ação para a I.I.P., produzido pela Conferência das Partes 6 da Convenção da Diversidade Biológica , realizada em 2002 em Haya : pdf 


domingo, 26 de fevereiro de 2023

António Sampaio da Nóvoa: "Segundo a UNESCO, no mundo, metade dos alunos terminam a escola sem terem aprendido praticamente nada"

Ciência, Educação e Conhecimento é o tema a debate no ciclo "Desafios da Ciência na Sociedade Contemporânea", organizado pelo Instituto de Altos Estudos da Academia das Ciências de Lisboa. A iniciativa com a presença de António Sampaio da Nóvoa, decorre online, via Zoom, hoje a partir da 18.00. António Sampaio da Nóvoa, doutor em Educação e em História, foi Embaixador de Portugal na UNESCO, de 2018-2021, presidente da sessão da Conferência Geral da UNESCO e é, atualmente, titular de uma Cátedra UNESCO sobre os futuros da educação. Conferencista detalha algumas das reflexões que leva ao encontro.
Propõe-se abrir a sua participação na conferência "Desafios da Ciência na Sociedade Contemporânea", referindo-se às "identidades assassinas", numa alusão ao livro do escritor e ensaísta libanês Amin Maalouf. A obra é um manifesto contra a loucura da morte em nome daquilo que se designa identidade. Como faz a ponte entre estas identidades e o tema que o leva à conferência, "Ciência, Educação e Conhecimento"?
George Steiner tem páginas luminosas sobre a música como linguagem fundamental para unir a humanidade. Maria Bethânia disse-o à sua maneira: "A música é a língua materna dos deuses." Depois da música, a ciência é a outra linguagem fundamental para tentarmos viver em paz com a Terra e em paz com os Outros. Num mundo fragmentado, alimentado por negacionismos de todos os tipos, por narrativas delirantes reforçadas por documentos e imagens que parecem "credíveis", resta-nos a ciência como linguagem comum. Se a perdermos, ficaremos à mercê dessas "identidades assassinas" de que nos fala Amin Maalouf. A ciência é a nossa "última razão", talvez mesmo a última possibilidade para uma conversa humana. Sem esquecer que "conversar" significa dar voltas ao pensamento, às ideias, na companhia dos outros.

Reimagining our Futures Together é o terceiro relatório da UNESCO, datado de 2021, dedicado ao futuro da educação. Na abertura do documento é salientada a necessidade de "um novo contrato social para a educação que possa reparar as injustiças enquanto transforma o futuro". A que injustiças alude o documento e que propostas apresenta para as reparar?
Estamos a viver a maior transformação de que há memória na história da educação. O contrato social celebrado no século XIX tinha dois grandes pilares: a obrigatoriedade escolar para a infância e um modelo escolar normalizado em torno da sala de aula. A escola pública tornou-se uma instituição central, talvez mesmo, como escreve Darcy Ribeiro, "a maior invenção do mundo". Este contrato cumpriu o seu papel, mas já não é suficiente. A educação tem de se renovar, valorizando a relação entre gerações e novos ambientes educativos. Trata-se de pensar a educação para além da escola, em todas as idades, tempos e lugares. No espaço público da cidade. E, na escola, construir ambientes para todos e onde todos aprendam. Só assim poderemos reparar exclusões e injustiças do passado. Para ser transformadora, a escola tem ela própria de se transformar.

Num tempo de desinformação e retrocesso em matéria de confiança na ciência, os currículos escolares estão à altura de promover o compromisso de defender a verdade?
É inquestionável a importância da ciência e da educação científica. Os alunos devem adquirir conhecimentos, mas também compreender o modo como as diferentes disciplinas se organizam e produzem conhecimento. É isso que lhes permitirá um olhar crítico, esclarecido, sobre as "inverdades" que circulam a um ritmo alucinante. Frequentemente, o problema não está nos currículos, mas na pedagogia. Há duas ideias centrais: a convergência entre disciplinas e a pedagogia do trabalho. A revolução da convergência, título de um relatório do MIT, alerta-nos para a necessidade de uma educação construída em torno de temas e problemas, com base em projetos de investigação, produção e criação dos alunos. Por isso, o mais importante é sempre o trabalho dos alunos, a forma como estudam, procuram, criam, resolvem problemas, individual e coletivamente. Ninguém se educa sozinho. Precisamos dos outros para nos educarmos. A pedagogia é tudo menos facilitismo. É conseguir que os alunos trabalhem mais, e não menos, mas que o façam com sentido, emoção e curiosidade.

"O lugar da Escola vem sendo discutido com ardor e entusiasmo. Após um século de enormes progressos, surgem sinais claros de insatisfação e de mal-estar (...) Há cada vez mais alunos que abandonam a escola privados de tudo: sem um mínimo de conhecimentos e de cultura, sem o domínio das regras básicas da comunicação e da ciência, sem qualquer qualificação profissional". O professor deixou estas palavras na Revista Saber e Educar, em 2006. Volvidos 17 anos, que análise faz desta mesma realidade?
A realidade está pior. A pandemia cavou novas e profundas desigualdades. Segundo a UNESCO, no mundo, metade dos alunos terminam a escola sem terem aprendido praticamente nada. É inaceitável. Muitos, consideram que é preciso investir mais na educação. Têm razão. Mas não basta. É preciso também que haja uma metamorfose da escola, uma mudança da forma e da configuração da escola. Não vale a pena esperar por uma novidade extraordinária, que venha de uma lei, de uma reforma, de um método ou de uma tecnologia. A novidade está naquilo que, hoje, já se faz em tantas escolas e que precisamos de conhecer, estudar, repertoriar e partilhar. É a partir destas experiências que podemos, em conjunto, pensar e construir novas formas de educar.

Associa às métricas dominantes para avaliar as universidades e os universitários àquilo que são, nas suas palavras "duas tendências particularmente negativas: a hiperespecialização ["os instruídos incultos e os cultos ignorantes"] e o híper produtivismo ["universidades como fábricas de artigos"]. Quer aprofundar, alertando para os riscos que impõem estas duas tendências?
A essência de uma universidade está na diferença. A universidade é um lugar único, marcado pela relação intergeracional e pelo diálogo entre todas as formas de conhecimento. Quando procura copiar as lógicas de funcionamento e as métricas das outras instituições, a universidade empobrece-se e torna-se irrelevante. Na sua tomada de posse, em 2007, disse a Reitora de Harvard: "A universidade é responsável perante o passado e perante o futuro - não só, nem sequer primordialmente, perante o presente". Com estas palavras, abre uma crítica a duas tendências. Por um lado, a hiperespecialização que, segundo Michel Serres, conduz à formação de duas populações de imbecis: os instruídos incultos, cientistas que não querem saber nada da cultura geral, humanística; e os cultos ignorantes, letrados que ignoram totalmente a matemática, a física ou a biologia. Por outro lado, o híper produtivismo que está a transformar as universidades em fábricas de artigos, autores sem leitores, produções sem sentido, com riscos sérios para a integridade e a originalidade do trabalho científico. Medir é preciso, mas a razão de ser de uma universidade está muito para além do que se pode medir no imediato.

Hoje vivemos um tempo breve de crises e de urgências. A pandemia é disso exemplo; a crise climática também o é. Estas crises obrigam a políticas públicas também elas urgentes. É um tempo compaginável com o tempo ponderado que exige a ciência, a investigação e a produção de conhecimento?
A universidade existe no tempo longo, não no tempo breve das "crises" e das "urgências". A sua maior utilidade está em cultivar o que não parece ter "utilidade imediata" e, no fim, se revela a coisa mais útil. A tecnologia tem, hoje, uma base científica. Mas a ciência vai muito para além da tecnologia. É nesse sentido que o filósofo italiano Nuccio Ordine faz o "elogio do tempo perdido", chegando mesmo a citar a oitava sátira de Juvenal para alertar as universidades de que não podem, para salvar a vida, perder a razão de viver. Numa sociedade híper acelerada, permanentemente ocupada, 24 horas/7 dias, espera-se da universidade um processo de desaceleração, uma forma diferente de pensar e de agir para, assim, ser "útil" às sociedades. É preciso dar tempo ao tempo, devolver o tempo às universidades. E à ciência. "Não há pressa. Um grande poema pode esperar 500 anos, sem que ninguém o leia ou compreenda", diz-nos Walter Benjamin.

Vai levar à conferência uma questão de suma importância, a da Ciência Aberta. Quer enquadrar-nos o conceito e resumir o seu contributo para aquilo a que chamamos o "bem público", de um "bem comum" e de como pode esbater as desigualdades no mundo, entre o Sul e o Norte?
O conceito de Ciência Aberta refere-se a um conjunto de tendências que procuram afirmar a importância da partilha do conhecimento, da colaboração entre cientistas e de uma maior presença da ciência na sociedade. Há três temas centrais. O primeiro, e mais óbvio, é o acesso aberto. O segundo prende-se com a cultura científica e uma ciência ligada ao exercício da cidadania. O terceiro diz respeito à importância da ciência para a nossa vida coletiva, nomeadamente no domínio das políticas públicas. A pandemia do coronavírus tornou nítida a importância da ciência como bem público e comum. Sabemos que os indicadores de educação continuam a ser aqueles que melhor explicam as desigualdades entre indivíduos, mas sabemos também que os indicadores de ciência são aqueles que melhor explicam as desigualdades entre países e regiões. Reforçar o Sul Global é, acima de tudo, reforçar as suas capacidades científicas, de produção de conhecimento e de tecnologia. Sem isso, como assegurar um desenvolvimento sustentável?

Vivemos maravilhados com a inteligência artificial, com a biotecnologia, com os avanços na ciência que prometem catapultar a vida humana muito além dos limites concebíveis há cem anos.
Hoje, tudo parece ao alcance da ciência. Mas nem tudo é desejável. Mais do que nunca precisamos de estabelecer limites. Não se trata de censurar, mas de estabelecer padrões éticos e transparentes através do debate público. É impossível evitar ambições desmedidas. Mas é possível controlá-las através da consciência crítica, pública, assente em princípios e instrumentos internacionais. Sobre a inteligência artificial, ainda esta semana a ONU alertou para avanços recentes que representam uma ameaça real aos direitos humanos. Não é ficção científica, diz-nos António Guterres, "os nossos dados estão a ser usados, sem a nossa autorização, para fins que desconhecemos", condicionando as nossas decisões e comportamentos. Também aqui precisamos de desenvolver possibilidades e ferramentas digitais, abertas, que permitam transformar a esfera digital num bem público e comum.

Em todo este contexto, ainda pensamos com humanidade a ciência, a educação e o conhecimento?
Este ano celebra-se o 75.º aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos. Devemos estar mais atentos à ligação entre direitos humanos e ciência, e dedicar uma grande atenção aos temas do digital - e da inteligência artificial. Sempre com o olhar numa ciência que também é arte. À maneira de Almada: "Arte e ciência não podem deixar de estar estreitamente ligadas entre si. É a íntima união do sentimento com o conhecimento humanos, formando o entendimento da humanidade". No tempo de transição que estamos a viver, transição de que temos consciência, mas que não conseguimos ainda alcançar com a vista, é bom pensar com humanidade a ciência, a educação e o conhecimento. Com humanidade e com humanismo.

sábado, 4 de fevereiro de 2023

4 maneiras práticas de descarbonizar a indústria offshore


No webinar Net Zero Investment da Business Green para empresas offshore de petróleo e gás, um painel de investidores experientes fez um pronunciamento importante. Embora o portfólio global de investimentos em petróleo e gás tradicionais em 2021 ainda supere significativamente o das energias alternativas, o investimento em fontes renováveis ​​está aumentando anualmente. A questão para as empresas de petróleo e gás não é mais se as energias renováveis ​​ultrapassarão o petróleo, mas quando chegará o ponto de inflexão.

Dados como este – juntamente com condições de mercado em constante mudança, expectativas sociais e pressões financeiras – estão levando as empresas de petróleo e gás a se adaptarem. Muitos grandes produtores fizeram recentemente investimentos substanciais em energia renovável e prometeu retrabalhar suas cadeias de suprimentos e métodos de produção com alto teor de carbono. Mas é mais fácil falar do que fazer, e as empresas de petróleo e gás agora estão enfrentando as implicações práticas de seus investimentos e iniciativas conscientes do clima.

Quatro áreas-chave para ação

A primeira preocupação de qualquer empresa de petróleo e gás é minimizar as emissões de gases de efeito estufa (GEE) — principalmente carbono — das operações de produção. O petróleo não desaparecerá completamente e continuará a fazer parte do futuro mix de energia. Os produtores, no entanto, procuram tornar seus processos de produção mais ecológicos e gerar “barris de baixo carbono”. Isso requer a análise da cadeia produtiva, identificando áreas de melhoria e implementando políticas para reduzir a emissão de GEE.

Uma segunda frente crucial é o desenvolvimento de energias mais limpas. Empresas offshore de petróleo e gás deram os primeiros passos para desenvolver parques eólicos offshore, que podem se beneficiar de algumas das mesmas infraestruturas das plataformas de petróleo. A eletrificação de ativos permitirá que os produtores removam máquinas pesadas em carbono, substituindo-as por conexões com operações onshore e parques eólicos offshore que geram eletricidade produzida de forma sustentável. Entre as fontes de energia renovável que as empresas estão desenvolvendo estão o hidrogénio verde, a energia solar, a energia eólica offshore e a energia das marés.

Um terceiro pilar para muitas empresas envolve a minimização das emissões de carbono durante a transição de atividades pesadas em carbono para atividades descarbonizadas. O desenvolvimento da tecnologia de captura e armazenamento de carbono (CCS) é fundamental para esses esforços, permitindo que os produtores capturem quantidades significativas de carbono produzido por atividades tradicionais. Olhando ainda mais adiante, a tecnologia CCS pode ajudar as empresas de petróleo e gás a remover o carbono que já escapou para a atmosfera, desfazendo os impactos ambientais negativos do passado.

Finalmente, além de mudar os processos internos de produção e desenvolver formas sustentáveis ​​de energia, as empresas de petróleo e gás precisarão ampliar sua visão para incluir toda a cadeia de suprimentos. As empresas estão cada vez mais sendo responsabilizadas pelos impactos dos fornecedores e, para alcançar emissões líquidas zero até 2050, os fornecedores também precisarão limitar as emissões. Embora as empresas possam primeiro priorizar a minimização da emissão de carbono de suas próprias operações, elas precisarão integrar o pensamento da cadeia de suprimentos em suas estratégias de gestão ambiental de longo prazo.

Um conjunto de serviços para a descarbonização

Em colaboração com nossos colegas da rede global do Bureau Veritas, o Bureau Veritas Marine & Offshore oferece um conjunto completo de serviços de descarbonização. Nossos especialistas ajudam empresas offshore de petróleo e gás a construir uma estratégia completa de carbono. Com uma abordagem sólida, nossos clientes podem quantificar seu impacto, implementar padrões e sistemas de gerenciamento relevantes, relatar esforços de descarbonização e verificar dados .

Nossas soluções técnicas para protocolos de GHG e critérios ESG ajudam as empresas a monitorar e limitar seu consumo de energia e emissões . O Bureau Veritas fornece verificação de terceiros, certificação de projeto, aprovação em princípio e qualificação de tecnologia para novas soluções para CCS, hidrogénio e outras energias alternativas.

Isso ajuda a reduzir os riscos e avançar em projetos importantes, permitindo que os clientes capitalizem a já extensa experiência do Bureau Veritas em energias renováveis ​​e limpas. Também oferecemos verificação de dados por terceiros, auditoria regulatória, garantia e relatórios e consultoria para atores em toda a cadeia de suprimentos, incluindo fabricantes, operadores e distribuidores.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2023

Webinar do projecto Proteína Verde - Plantar a Alimentação do Futuro


Assiste ao vídeo para descobrir mais sobre o impacto da alimentação, associada à indústria da pecuária intensiva, nos domínios ambiental, ecológica e social, da pegada ecológica em Portugal, dos benefícios nutricionais das leguminosas, de um possível cenário de transição para proteína vegetal, da política agrícola em Portugal e na Europa, entre outros temas.


5 Organizações apelam ao Governo português pela mudança urgente no sistema alimentar

Após o lançamento do primeiro relatório “Proteína Verde: Plantar a Alimentação do Futuro”, em julho deste ano, o movimento Proteína Verde apresenta agora uma segunda publicação, desta vez especialmente dirigida aos decisores políticos: o Plano Nacional de Incentivo à Produção e Consumo de Proteínas Vegetais, disponível aqui, no site da iniciativa.

Este documento, que resulta de uma colaboração entre Associação Vegetariana Portuguesa (AVP), associação ambiental ZERO, Greenpeace, GEOTA e Associação Portuguesa de Educação Ambiental (ASPEA), argumenta a favor da implementação de 15 medidas políticas pela transição alimentar sustentável e ecológica, essencialmente assente em proteína de base vegetal.

“A urgência em combater a ineficiência do sistema alimentar é de tal ordem que estas organizações uniram forças para mostrar que é preciso alterar o rumo do que produzimos e do que comemos, como forma de evitar o suicídio ambiental e climático, mas também económico”, refere Joana Oliveira, que integra a Associação Vegetariana Portuguesa e a equipa de coordenação e desenvolvimento da iniciativa Proteína Verde.

“Numa época de grandes instabilidades sociais e ambientais, e em que todos os esforços de reequilíbrio são imperativos, a ASPEA (Associação Portuguesa de Educação Ambiental) apoia fortemente iniciativas como esta, que atuam tanto ao nível da saúde humana, como ao nível da saúde planetária. É uma proposta que pretende contribuir para a mitigação de vários problemas ambientais, como as alterações climáticas, e em que todos podem contribuir.”, afirma Anabela Pereira, gestora de projetos da ASPEA.



No Plano Nacional de Incentivo à Produção e Consumo de Proteínas Vegetais, os atores políticos são desafiados a criar condições que permitam a mudança positiva na produção e no consumo alimentares em Portugal, propondo-se 15 soluções concretas que aumentam a abrangência do compromisso climático português para incluir o sistema alimentar, “considerando-se o enorme ónus ambiental que este representa, particularmente em Portugal e no que diz respeito à pecuária intensiva”, defende Nuno Alvim, presidente da Associação Vegetariana Portuguesa.

“Dentro dos grandes contribuintes para a problemática, surge a agricultura intensiva e em particular o sector pecuário intensivo, que representa um impacto particularmente negativo no sistema climático, nos ecossistemas, na manutenção da biodiversidade e na saúde humana”, afirma Pedro Ribeiro, gestor de ação política no projeto Proteína Verde.

“É tempo de alterarmos hábitos e consumos para uma vida mais saudável e mais em harmonia com o planeta. As mudanças na alimentação devem ter por base uma dieta adequada, com base em leguminosas e legumes, que é mais saudável e económica, e que fornece as proteínas necessárias à nossa alimentação, para além da sua produção ser mais sustentável do que a produção de proteínas animais”.Patrícia Tavares, da Comissão Executiva do GEOTA.



Uma mudança geral na alimentação em direção a um maior consumo de proteínas vegetais terá um efeito considerável na mitigação das alterações climáticas, podendo atingir-se uma redução, no limite, de 8 mil milhões de toneladas de CO2 (equivalente), por ano, até 2050.

15 recomendações políticas para a transição alimentar

Entre as 15 recomendações enunciadas, as organizações propõem a criação de mecanismos que incentivem a conversão dos terrenos atualmente destinados à pecuária intensiva em unidades agrícolas de produção de base vegetal, a capacitação formativa para disponibilização de refeições de base vegetal no setor da restauração pública, a ampliação do apoio associado ao cultivo de leguminosas e a consideração dos impactos ambientais que decorrem da agropecuária nos apoios públicos concedidos.

Registo de visita à Assembleia da República, a 12 de outubro, no âmbito de uma reunião com o Partido Socialista para abordar o Plano Nacional de Incentivo à Produção e Consumo de Proteínas Vegetais e o projeto Proteína Verde.

O projeto Proteína Verde apresenta, igualmente, as suas 15 propostas de atuação em Petição Pública, que foi divulgada no passado dia 16 de outubro, Dia Mundial da Alimentação, e está disponível para subscrição aqui.

Segundo este plano nacional conjunto de várias ONGs, existe a necessidade de melhorar a atual estratégia climática do Governo, recomendando-se o direcionamento dos mecanismos específicos do Fundo Ambiental para um maior desenvolvimento de políticas que envolvam a sustentabilidade do setor alimentar (a alimentação é o que mais pesa na pegada ecológica dos portugueses) e, deste modo, coloquem Portugal mais próximo da meta de neutralidade carbónica até 2050.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2022

Webinar “Queimar árvores. Uma (falsa) solução climática?”


Num cenário de crise climática à qual se junta uma crise energética, a biomassa é uma aposta da UE, alegadamente porque é renovável e neutra em carbono. Mas a queima de árvores para energia prejudica o clima, a biodiversidade e a qualidade do ar, custando milhares de milhões de euros, e ameaça a indústria da madeira que é responsável por produtos de valor acrescentado que permitem o sequestro de carbono a longo prazo.
Se por um lado, é importante reduzir a utilização de combustíveis fósseis, também não deixa de ser verdade que a floresta é um dos principais aliados no combate às alterações climáticas com o sequestro de carbono. Desde 2002, quando a UE promoveu pela primeira vez a queima de madeira para produção de eletricidade “renovável”, perdeu 25% da sua capacidade de sumidouro de carbono.
Quando se fala em floresta, e na sua utilização para produção de energia, são muitas as interrogações e preocupações.

No passado dia 14 de dezembro, entre as 18h00 e as 19h30, no webinar “Queimar árvores. Uma (falsa) solução climática?” discutiu-se a temática, dando a conhecer um pouco do que se passa em Portugal. Como convidados:

Paulo Pimenta de Castro, Acréscimo
(In)sustentabilidade na floresta Portuguesa.

Oliver Munnion, Biofuelwatch
Troncos não são resíduos. Os números não mentem.

Fernanda Gonçalves, Associação de Moradores do Sítio da Gramenesa 
Viver ao lado de uma central de biomassa é um Inferno!

Esta iniciativa foi uma parceria entre a ZERO, a Acréscimo e a Biofuelwatch.

Ambientalistas exigem moratória “imediata” à produção elétrica a partir de biomassa e apontam impactos

segunda-feira, 14 de novembro de 2022

Livro: "As Guerras do Trigo — Uma História Geopolítica dos Cereais" , de Scott Reynolds Nelson ("Oceans of Grain", 2022)


“As Guerras do Trigo”, de Scott Reynolds Nelson, evidencia  a saga que mostra como o comércio dos cereais teve, desde sempre, um papel fundamental no desenho geopolítico do mundo. 
Os cereais e o trigo são geopolítica desde que o mundo existe. Ter pão à mesa foi essencial para revoluções, para ditaduras, para revoltas, na China, nos Estados Unidos, nas guerras civis, na Europa, no império russo.
Entre as explicações que têm sido dadas para justificar a invasão da Ucrânia, uma das mais óbvias tem a ver com recursos agrícolas. O solo rico da Ucrânia fez dela o celeiro da Europa durante séculos. O facto é que a Rússia não pode aspirar a ser um império sem controlar a Ucrânia. Isso continuou a ser válido mesmo após o fim dos Romanov. “A integração da Ucrânia na União Soviética possibilitou novamente a experiência soviética”, diz Scott Reynolds Nelson. “De facto, a relativa fraqueza da Rússia moderna enquanto grande potência, agora (em 2021), pode ainda depender, em última análise, da sua separação da Ucrânia. O produto interno bruto da Rússia é atualmente equivalente ao de Itália. A Ucrânia tem sido sempre o maior troféu, como sabia Catarina, a Grande.”


(15.09.2022) 

Biografia de Aleksandr Parvus



Entrevista a
Scott R. Nelson (20.03.2022)

sexta-feira, 11 de novembro de 2022

No Web Summit, a personagem central não foi a tecnologia, mas sim os seres humanos

O mundo passa por uma transformação digital que será cada vez mais imprevisível, sofisticada e complexa, sobretudo porque o sucesso dela dependerá sempre de nós, indivíduos.

Nós — humanos de carne, ossos e códigos — fomos personagens centrais do Web Summit por diversos ângulos: no clamor da primeira-dama ucraniana Olena Zelenska para que a tecnologia seja usada a favor da vida, nos cartazes pedindo internet livre no Irão, no crescente protagonismo de diferentes grupos sub-representados e nos múltiplos debates sobre a nossa relação com nossos empregos e com as organizações - das startups às gigantes.

Tive a oportunidade de cruzar com muitas falas, entrevistas e conversas especificamente a respeito desse novo pacto que se configura entre nós e as empresas, quando o assunto é carreira.

A primeira palavra que saltou aos olhos de todos foi flexibilidade. O debate não é mais sobre trabalho remoto, presencial ou híbrido. Não há propriamente uma fórmula a ser copiada - é um tema que depende muito de quem lidera, da cultura em questão e, também, das características de cada negócio. Estamos a falar, sobretudo, da crescente possibilidade de definir o lugar do trabalho na composição das nossas necessidades. Um mundo que seguirá tendo workaholics, mas não poderá mais criminalizar aqueles que redimensionam o peso do currículo sobre suas definições pessoais.

É um panorama que, ao apontar para o futuro, não olha mais para as descrições de cargos ou a extensão do currículo profissional. Obviamente as experiências continuam sendo importantes - mas elas não necessariamente definem o encaixe para uma posição atual. Falou-se muito sobre os empregos baseados em habilidades e competências - sem distinção entre hard e soft skills — afinal, essa separação per se implica um juízo de valor.

Foi inevitável, portanto, abordar o paradigma emergente da liderança nas corporações. Reconheceu-se que ainda falta treinamento suficiente para preparar pessoas realmente inspiradoras, solidárias, motivadoras e que, ao mesmo tempo, entreguem resultados. Entre os principais eixos de desenvolvimento das lideranças, destacam-se a capacidade de se comunicar bem com as equipas e colaborar entre diferentes clubes e parceiros. Não há mais espaço para déspotas encastelados em seus escritórios privativos.

Além disso, definiu-se a importância de líderes como indutores e responsáveis por um ambiente de trabalho pautado pelo bem-estar físico e mental. Como zeladores da segurança psicológica, não podem mais apartar esses pilares da performance das respectivas equipas. Produtividade e resultados estão, de forma indissociável, conectados às variáveis de saúde mental e segurança psicológica. Gerenciar recursos psicológicos será tão crucial quanto administrar métodos, orçamentos, estruturas e processos.

Não foram poucos os CEOs que ressaltaram a cultura organizacional como condição necessária para alavancar a prosperidade e a escala de suas empresas. E, bom lembrar, ela é uma metamorfose ambulante. E quem não se adapta fica pelo caminho.

Cultura, a propósito, não existe sem equidade e inclusão. É fundamental que sejamos intencionais no exercício de reduzir desigualdades e oferecer mais oportunidades. Saímos do QI (quem indica) para a AI (artificial intelligence). Ou seja: com base em mais dados e menos vieses, seremos mais capazes de definir as melhores pessoas para cada posição. Mas vem o desafio: como fazer isso em uma sociedade extremamente desigual?

Um dos caminhos mora, claro, na tecnologia — que pode oferecer inúmeras soluções para reduzir os abismos de habilidades, conhecimentos e competências. Em vez de mitigar os problemas, deve-se ampliar as oportunidades. Essa é uma tarefa ainda mais crítica na indústria tech, que tem 75% de brancos na força de trabalho — uma dos piores neste quesito. E, claro, isso se reflete na maneira pela qual desenvolvemos softwares e desenhamos serviços. No fim, é crucial pensar em quem está faltando à mesa na hora de tomarmos uma decisão importante.

Quando nos voltamos para as grandes questões planetárias não é diferente. Clima, guerra, violência de género, intolerâncias de múltiplas naturezas e pobreza cruzam-se na busca por respostas às nossas perguntas mais difíceis.

Uma coisa sabemos: o mundo passa por uma transformação digital que não é um projeto — mas um processo, uma jornada que será cada vez mais imprevisível, sofisticada e complexa. Sobretudo porque o sucesso dela dependerá sempre de nós, indivíduos.

Saber mais:

segunda-feira, 7 de novembro de 2022

Iniciativa de Cidadania Europeia: "Não ao 5G — Conectados mas protegidos"

A radiação de comunicação sem fios não é segura nem saudável

Centenas de estudos científicos comprovam que mesmo muito abaixo dos limites atuais de radiação esta já é nociva à vida o que significa que com o 5G este dano aumentará significativamente.

Além disso, verificar-se-á um aumento acentuado do consumo de energia, esgotamento de minerais raros e grave violação da nossa privacidade.

Conheça mais: "Não ao 5G — Conectados mas protegidos" Julho 17, 2022

Assine aqui e divulgue


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quarta-feira, 26 de outubro de 2022

Conheça o lowsumerism, a nova tendência de consumo

"A Terra é nossa casa e não o nosso shopping"



Antes de comprar algo, você já se perguntou se realmente precisaria daquilo ou se estava apenas em busca de autoafirmação? Ou mesmo se, ao adquirir um produto, estaria prejudicando o planeta de alguma forma? É esse tipo de questionamento que traz uma nova tendência mundial. O “lowsumerism” (low + consumerism, ou baixo consumismo em português) vem buscando estimular um consumo cada vez mais consciente e equilibrado.

A maneira como gastamos dinheiro hoje começou a ser riscada durante a Revolução Industrial. Era preciso aumentar a procura para que a produção (e os lucros) também crescessem. A publicidade fez sua parte: entrou na vida da população de maneira agressiva, pela TV, rádio e nas publicações. A compra de determinados bens eram associados à felicidade, ao bem-estar e ao status. De maneira inconsciente, passamos, então, a comprar muito mais do que o necessário – em grande parte das vezes, sem perceber.

Todo esse consumo desenfreado tem apenas um lado realmente frágil: o planeta Terra. “O lowsumerism é um reflexo do nosso momento político e económico, mas também da percepção de que o consumo frenético é insustentável”, comenta Henrique Diaz, diretor da Box 1824, agência de pesquisa de tendências em consumo, comportamento e inovação.

Lowsumerism e a nova lógica de mercado
De acordo com a instituição Global Footprint Network, se não mudarmos nosso padrão de consumo, antes de 2050 precisaremos de dois planetas Terra para conseguir suprir todas as nossas necessidades. Isso quer dizer que, em essência, a questão não é financeira. Mas sim de preservação dos recursos naturaise de comprar o que é realmente necessário. “O lowsumerism não trata de gastar menos dinheiro ou de deixar de consumir, mas de fazer isso com sentido e consciência”, reforça Diaz.

Lançado pela Box 1824, o documentário The Rise of Lowsumerism (O Surgimento do Lowsumerism) narra como surgiu, se desenvolveu e vem se transformando o hábito do consumo no século 21. E o mais importante: como isso vem trazendo resultados desastrosos para o planeta. De acordo com o vídeo, por exemplo, um terço dos recursos naturais da Terra foi consumido somente nas três últimas décadas.

A solução apresentada para salvar o planeta é bastante simples: reduzir drasticamente o consumo. Só assim, é possível dar tempo ao meio ambiente para se renovar sem esgotamento e ter uma menor produção de lixo.

A tendência da redução do consumo já começa a mudar até mesmo como as grandes marcas pensam a publicidade. Hoje, elas se preocupam mais em mostrar os benefícios do produto, as matérias-primas e a forma de produção. “O consumidor não quer mais o excesso, mas um produto de qualidade”, comenta Diaz. Por qualidade, entende-se também a sustentabilidade da sua produção.

Para evitar compras por impulso, o vídeo propõe que cada pessoa se questione sobre alguns pontos antes de fechar a compra. O objetivo não é fazer com que ela mude os hábitos de uma hora para a outra. Mas que se quebre a lógica de consumo, desestimulando aquisições desnecessárias e impulsivas.
  • Você também pode se questionar antes de adquirir um produto:
  • Você realmente precisa disso?
  • Você pode pagar por isso?
  • Você não está querendo ser incluído ou afirmar sua personalidade?
  • Você sabe a origem desse produto e para onde ele vai depois de descartado?
  • Você não está sendo iludido por publicidade e branding?
  • O mais importante: você acha que essa compra prejudica o planeta?
  • Quantas dessas compras você acha que o planeta pode suportar?
Consumindo menos
Embora ainda em proporções tímidas, o consumo reduzido vem ganhando força nas mais diversas esferas da sociedade. Ele já mostra sua força no uso de carros compartilhados, por exemplo, ou mesmo nos grupos que se organizam pelas redes sociais para comprar legumes e frutas orgânicos de maneira coletiva. Cresce também a predileção pelo faça você mesmo, por marcas que prezam o bem-estar socioambiental e por todas as iniciativas de compartilhamento (de livros, roupas, entre outros).

Rachel Carson Pesticide Action Month


We're at Peak Pesticide and Silent spring is almost here...

Rachel Carson gave the world an important warning in 1962 with the publication of her famous book ‘Silent Spring’. It led to the very necessary ban of DDT and other highly toxic chemicals. But the system didn’t change. We didn't go 'the other way' she describes in the last chapter of her book. We let the pesticide industry define the rules. Other pesticides were introduced, toxic business went on as usual and the use went up. Pesticide reduction is a myth so far, the sales are higher than ever. We’re at Peak Pesticide and Silent Spring is almost here. We know it and many reports and recent publications show it. We urgently need a paradigm change away from pesticides to avert a total biodiversity crisis and create real foodsecurity. We have to strongly reduce pesticide use and start right now. We also expose the myth that we are doing well in the EU. Europe has not reduced pesticide use since 1990. The world has seen an 80% rise in pesticide use since 1990. And Europe is one of the world's leading pesticide exporters.

During the month, many pesticide related events will take place. Organised live and online, by the Pesticide Action Network and partner organisations. PAN Europe presented the report "Pesticide Paradise, how industry and officials protected the most toxic pesticides from a policy push for sustainable farming". This report stresses the urgence to free ourselves from the shackles imposed on us by the chemical industry. They have far too much control over regulations, rules and definition of criteria and indicators. The result we can see in the huge increase in pesticide use worldwide, as shown in the Pesticide Atlas 2022 and in various new report on biodiverity decline. We can only move towards a toxic-free world and give a future to the generations to come if we free ourselves from the suffocating influence of the pesticide industry.

1 Million EU Citizens vote for biodiversity and an end to synthetic pesticides

A great tribute to Rachel Carson came on October 10, when the EU Commission formally approved the Save Bees and Farmers citizens initiative. One million official votes by registred EU citizens for restoration of nature and biodiversity, an end to synthetic pesticides and support for farmers to work with nature. This marks the end of an era where the chemical industry called the shots. This time for real!

Quotes

“Can anyone believe it is possible to lay down such a barrage of poisons on the surface of the earth without making it unfit for all life? They should not be called “insecticides’, but “biocides’.”

Rachel Carson, Silent Spring P 7-8

“Future historians may well be amazed by our distorted sense of proportion. How could intelligent beings seek to control a few unwanted species by a method that contaminated the entire environment and brought the threat of disease and death even to their own kind? Yet this is precisely what we have done.”

Rachel Carson, Silent Spring, P 8-9

“Global biodiversity is in crisis, with extinction rates running at more than 1,000 times natural levels and likely to accelerate. Insects in particular are undergoing catastrophic declines, yet these small creatures are vital to the functioning of ecosystems and to our own survival. A major cause of their decline are the plethora of pesticides applied to farmland, and in our streets and gardens. Rachel Carson would weep is she were alive to see how much worse this has become since she published Silent Spring. We urgently need to move towards truly sustainable farming systems, and bring an end to all uses of pesticides in gardens and towns.”

Dave Goulson, Professor of Biology, University of Sussex

“We have lost 55% of farmland birds and 39% of grassland butterflies in Europe since 1990 alone. While we see a 300% increase in the volume of pollinator-dependent crops since 1961, we are also seeing a rapid loss of pollination services, especially by wild pollinators. These numbers seem staggering, but scientists estimate the speed of losses to be under-estimated. We know almost nothing about most invertebrates, and we know particularly little about soil organisms. We do know that we are emptying vast tracts of land from life. Through monocultures, urban infrastructure, transport systems, light pollution and pesticides (to name just a few), we generate landscapes that are devoid of life. We combat pests to maximise production, but with them we remove many more organisms that are trying to survive in the lands we have taken over. Even on cow-dung we see no flies or beetles, as deworming agents and antibiotics clean up animals’ stomachs - later on penetrating into the soil and the water we drink. Silent Spring is expanding to a silent life on Earth. Our pesticides, among other means to combat nature, are poisoning us too. Not only the food we eat, but also the land and water, the insects we depend on, and the soil that nourishes our crops. We are risking our future on Earth: we cannot produce on a dead land.”

Guy Pe'er, PhD, conservation biologist, butterfly expert, expert on the EU’s Common Agricultural Policy (German Centre for Integrative Biodiversity Research (iDiv) and UFZ - Helmholtz Centre for Environmental Research)

Our health in danger

"Parkinson's disease is currently the fastest-growing brain disease in the world. There is growing evidence that this serious neurological disease is largely caused by factors present in our environment. These include air pollution and repeated traumatic brain injuries, but also exposure to toxic substances in our environment, such as trichloroethylene and pesticides used in agriculture. The evidence for the relationship between Parkinson's and various pesticides is compelling: in a number of countries, farmers have been shown to have a significantly increased risk of developing the disease, and the same is true for those living near agricultural plots. Moreover, exposure of laboratory animals to various pesticides produces damage in brain regions relevant to Parkinson's, and leads to outwardly observable signs of parkinsonism in these laboratory animals. Fortunately, some of the most suspected pesticides have now been banned. However, the question is whether the currently used pesticides are completely safe; in this respect, there are increasing concerns that the currently used authorisation procedures do not provide sufficient insight into whether or not a specific pesticide increases the risk of Parkinsonism. Moreover, the risk of exposure to so-called cocktails of pesticides has hardly been considered to date, even though this is the reality in our daily lives. Farmers cannot be blamed in this regard, they are complying nicely with existing laws and regulations, and they themselves are the biggest victims as they seem to have the highest risk of Parkinson's. In order to curb the rapid global growth of Parkinson's, urgent steps are needed, including better protection of farmers and others exposed to pesticides, improving authorisation procedures at European level, and looking for alternatives to pesticides."

Prof. dr. Bas Boem, neurologist, Parkinsons specialist at Radboud University Medical Centre

Main issues and sources
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sexta-feira, 21 de outubro de 2022

Dia Internacional da Acção sobre a Biomassa em Grande Escala



Envolvendo organizações de países ao redor do mundo, o Dia Internacional de Ação sobre a Biomassa em Grande Escala destacará os impactos da biomassa industrial em muitas partes do mundo. Será um dia de eventos online, que acontecerá no dia 21 de outubro, e incluirá webinars, submissão de petições, publicações de relatórios e muito mais. Ajude-nos a expor a verdade sobre BigBadBiomass ampliando sua campanha local e aumentando a pressão política em preparação para as negociações climáticas da COP26.

Para uma lista completa de eventos e informações sobre como se envolver, consulte: Environmental Paper


A Bad Biomass Bet: Why the Leading Approach to Biomass Energy with Carbon Capture and Storage Isn't Carbon Negative