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segunda-feira, 30 de março de 2026

EPA chief met with Bayer CEO over supreme court fight, agency records show


Top US regulators met with Bill Anderson, Bayer’s CEO, last year to discuss “litigation” issues – including “supreme court action” over its glyphosate weed killer – just months before the Trump administration took a series of steps to boost Bayer’s case at the high court, internal government records show.

The 17 June meeting, between officials at the Environmental Protection Agency (EPA), Anderson and two other top Bayer executives, came as the Germany-based company was working to quash costly US litigation brought by tens of thousands of people who allege they developed cancer from their use of the company’s glyphosate-based herbicides, such as Roundup.

At the core of those lawsuits are claims that the company failed to warn users of the risk of cancer, as shown in several research studies over many years.

One of Bayer’s stated key strategies to try to end the litigation, which has so far cost Bayer billions of dollars in settlements and jury verdict awards, is getting the supreme court to agree with Bayer’s argument that if the EPA does not require a cancer warning on its glyphosate products, the company cannot be held liable for failing to warn of a cancer risk.

While one appellate court has sided with Bayer, multiple other courts have rejected that preemption argument, as did the US solicitor general under the Biden administration. In contrast, the Trump administration has acted to defend and promote Bayer’s position and its glyphosate herbicides.

In a statement Bayer said the meeting at the EPA was a “normal part of the regulatory process” and that the company has been “transparent about our position” regarding glyphosate litigation.

The show of administration support has largely come after that 17 June meeting, which government email communications and visitor logs confirm took place with Anderson and the other Bayer executives arriving at the EPA on the appointed day a little before 1pm.

According to a 13 June internal EPA email planning for the meeting, Bayer’s team was “going to bring up some legal/judicial issues”, and discussion topics were to include “supreme court action”.

The company would “give an update to the administrator on where they stand in litigation and labeling options”, the planning email states.

The meeting came less than two weeks ahead of a request from the Supreme Court for the Trump administration’ Justice Department to weigh in on whether or not the court should agree to hear Bayer’s case.

The EPA officials attending the meeting with Bayer were to include Lee Zeldin, the agency’s administrator, along with Nancy Beck, formerly senior director at the American Chemistry Council who is now the EPA’s principal deputy assistant administrator in the Office of Chemical Safety and Pollution Prevention.

Sean Donahue, who was confirmed last May as the EPA’s general counsel, and Turner Bridgforth, senior adviser for Office of Agriculture and Rural Affairs at the EPA, were also to attend.

“It’s becoming abundantly clear that the political appointees at the EPA are more invested in protecting pesticide company profits than the health of Americans,” said Nathan Donley, environmental health science director for the Center for Biological Diversity, which obtained the email communications in a Freedom of Information Act request and provided them to the Guardian.

“When the CEO of one of the largest companies in the world is meeting with political appointees in a US regulatory office, it shows just how much power and influence these corporations have on decisions that can have very real consequences for the health of all Americans,” he said.

“The Trump EPA seeks input from a broad range of stakeholders, including MAHA advocates, doctors, scientists, farmers, and ranchers to ensure our policies are grounded in transparent, gold-standard science, and advance the Make America Healthy Again agenda,” Brigit Hirsh, the EPA press secretary, said in a statement. The meeting with Bayer was “a standard introductory meeting” and was not a meeting to discuss pending litigation, Hirsh said. She did not explain why the planning email for the meeting specifically said litigation would be discussed.

Multiple moves supporting Bayer
Since the meeting, the Trump administration’s support for Bayer has taken many forms.
In a 1 December filing with the US supreme court, D John Sauer, the solicitor general appointed by the Trump administration in April 2025, told the court that it should take up the Bayer case, and the supreme court subsequently agreed to do so, setting a hearing for 27 April.

terça-feira, 16 de dezembro de 2025

Estudo que negava riscos do glifosato é retirado após 25 anos de alertas

O mundo da ciência e da regulação ambiental sofreu um abalo significativo com a retratação formal de um dos estudos mais influentes de sempre sobre a segurança do glifosato. Publicado originalmente no ano 2000 na revista científica Regulatory Toxicology and Pharmacology, o artigo assinado pelos investigadores Williams, Kroes e Munro — que podes consultar no arquivo original da ScienceDirect — serviu, durante um quarto de século, como o principal escudo científico para afirmar que o herbicida Roundup não representava riscos de cancro ou toxicidade para os seres humanos. Agora, conforme reportado recentemente pelo jornal Público e no The Guardian, a própria revista decidiu retirar o estudo, admitindo que o processo foi marcado por má conduta ética.

A decisão de retratar o estudo surge após décadas de pressão por parte de cientistas independentes e da revelação de documentos internos da Monsanto, conhecidos como "Monsanto Papers". Estes documentos, que vieram a público durante processos judiciais nos Estados Unidos, revelaram que funcionários da multinacional estiveram diretamente envolvidos na redação, revisão e edição do texto original. Esta prática, conhecida como ghostwriting (escrita fantasma), foi ocultada na altura, apresentando o estudo como o trabalho de académicos independentes quando, na verdade, houve uma intervenção direta da empresa interessada no veredito de segurança.

Para além da escrita fantasma, a nota de retratação oficial emitida pela editora Elsevier aponta para falhas graves na integridade dos dados e na transparência. O estudo de 2000 baseou-se quase exclusivamente em relatórios internos não publicados da própria Monsanto, ignorando evidências científicas que já na altura sugeriam potenciais efeitos adversos. A falta de declaração de conflitos de interesse foi outro fator decisivo: os autores não revelaram que foram pagos pela empresa nem que o desenho da investigação foi influenciado pela estratégia de marketing e defesa legal da marca.

O impacto desta decisão é profundo, uma vez que este artigo foi citado em mais de 700 outros estudos e serviu de base para decisões regulatórias críticas em agências como a EPA nos Estados Unidos e a EFSA na União Europeia. Embora muitas destas agências continuem a manter a aprovação do glifosato baseando-se em avaliações mais recentes, a retirada deste "estudo seminal" desmorona o fundamento histórico que permitiu a normalização do uso massivo do herbicida a nível global. Para a comunidade científica e para organizações como o Pesticide Action Network, o caso serve como um aviso severo sobre os perigos da influência corporativa na ciência que dita as políticas públicas de saúde.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2023

Desinformação da indústria de pesticidas: o que está em jogo? Saúde, clima, biodiversidade

“O objetivo da propaganda moderna não é apenas desinformar ou impor uma agenda. É para esgotar o seu pensamento crítico, para aniquilar a verdade.” — Garry Kasparov


Em 5 de dezembro de 2022, a US Right to Know lançou Merchants of Poison: How Monsanto Sold the World on a Toxic Pesticide , de Stacy Malkan, com Kendra Klein, PhD e Anna Lappé (você pode ler o relatório completo aqui). A análise se baseia em milhares de páginas de documentos corporativos internos divulgados durante ações judiciais movidas por pessoas processando a Monsanto por alegações de que a exposição a herbicidas Roundup à base de glifosato os levou a desenvolver cancro; e muitos outros documentos obtidos por meio de uma investigação de registros públicos de anos pela US Right to Know. Os documentos revelam muitos detalhes, explicados em nosso relatório, sobre como a indústria de pesticidas nega a ciência e conduz suas campanhas de defesa de produtos. Neste trecho, explicamos por que escrevemos o relatório e descrevemos o grande corpo de evidências científicas que levantam preocupações sobre o glifosato e o que está em jogo para nossa saúde e para o planeta.
As empresas de pesticidas ajudaram a escrever o manual de desinformação

Na manhã de 14 de abril de 1994, o Comitê de Energia e Comércio Subcomitê de Saúde e Meio Ambiente empossou sete executivos do tabaco para uma audiência sobre a regulamentação dos produtos do tabaco. O vídeo daquele dia [1] — com executivo após executivo declarando uma versão de “Não acredito que a nicotina ou nossos produtos sejam viciantes” — está gravado na memória coletiva das mentiras e decepções da Big Tobacco. De fato, décadas antes desse testemunho, os executivos do tabaco sabiam que os cigarros causavam cancro – e que a nicotina é, de fato, viciante. 

Em outubro de 2019, em uma audiência do subcomitê de supervisão da Câmara sobre direitos civis, Martin Hoffert, ex-consultor da Exxon, testemunhou que, no início dos anos 1980, os cientistas que trabalhavam para a empresa já previam como o uso de combustíveis fósseis aumentaria os níveis de dióxido de carbono, levando a temperaturas crescentes. [2] Documentos internos mostrariam que, já em 1968, o American Petroleum Institute, um grupo comercial da indústria do petróleo, havia identificado a ameaça do aquecimento global e o papel das empresas de seu setor nisso. [3]

Os executivos da indústria do petróleo sabiam que o uso de combustíveis fósseis causaria o aquecimento global e, no entanto, não apenas esconderam a ciência, mas atacaram ativamente aqueles que deram o alarme. Os executivos do tabaco sabiam e encobriam os riscos à saúde de seus produtos. [4] Essas indústrias usaram táticas de desinformação agora bem documentadas para promover a dúvida e o negacionismo. [5] As táticas da Big Tobacco provavelmente custaram milhões de vidas, já que os regulamentos surgiram muito depois de se tornar evidente que os cigarros causam câncer - e continuam a custar vidas. (A OMS estima que 8 milhões de pessoas morrem anualmente devido ao uso do tabaco). [6]A rotação do setor de combustíveis fósseis impulsionou o negacionismo científico e a inação política que levaram a um aquecimento global e estão associados a milhões de mortes por ano, [7] com poucos caminhos claros para evitar mudanças climáticas catastróficas.

Durante décadas, a indústria de pesticidas usou estratégias de comunicação igualmente enganosas para moldar o debate público e influenciar os reguladores – até mesmo manipulando a própria ciência sobre a qual as políticas são feitas – para desviar a atenção das evidências de que a agricultura intensiva em pesticidas ameaça os ecossistemas e a saúde humana. Neste relatório, mostramos como as empresas de pesticidas não apenas seguiram os passos do Big Oil e Big Tobacco, mas também ajudaram a escrever o manual de relações públicas que obscurece os perigos de produtos de consumo amplamente utilizados que a ciência mostra que estão ameaçando a saúde humana e ambiental em todo o mundo. globo. Este relatório sobre a campanha da Monsanto para defender o glifosato conta uma parte de uma história mais ampla: que, por décadas, as empresas de pesticidas realizaram caras campanhas de relações públicas para moldar a narrativa sobre a ciência e nosso sistema alimentar, promovendo as ideias gêmeas de que os pesticidas - um termo que abrange inseticidas, herbicidas, fungicidas e muito mais - são seguros e que precisamos deles para alimentar o mundo. Nos últimos anos, estudos globais inovadores mostraram a grave ameaça que os produtos químicos agrícolas representam para a biodiversidade e a saúde pública e como eles falham em cumprir suas promessas de maior produtividade agrícola, levando à perda de colheitas e à resistência de ervas daninhas e pragas.[8] No entanto, apesar das evidências crescentes, a indústria de pesticidas dobrou as mensagens enganosas.

Este relatório chega em um momento de consolidação cada vez maior da indústria no setor de agroquímicos e sementes — muito parecido com o que vimos em toda a economia. Em 2020, graças a compras recentes, incluindo o acordo Bayer-Monsanto, apenas quatro empresas controlavam 62% do mercado global de agroquímicos e 51% do mercado global de sementes comerciais, de acordo com o ETC Group, participação de mercado da Bayer em agroquímicos, 16% , ficou atrás apenas da ChemChina/Syngenta com 25 por cento, seguida pela BASF com 11 por cento do mercado e Corteva (o nome renomeado da empresa fundida Dow e Dupont) com 10 por cento. Para sementes comerciais e características de sementes, a Bayer controla 23 por cento do mercado, enquanto a Corteva tem uma participação de mercado de 17 por cento, com a ChemChina em 7 por cento e a BASF em 4 por cento. [9]

Para esclarecer o giro de relações públicas da indústria de pesticidas, este relatório fornece um mergulho profundo em uma empresa e uma campanha de relações públicas: a Monsanto, comprada em 2018 pela multinacional farmacêutica e agroquímica alemã Bayer AG, e sua campanha de defesa de produtos para promover herbicidas à base de glifosato vendidos sob a marca Roundup, e para proteger esses produtos da ameaça de regulamentação. Este relatório baseia-se num white paper de 2015 escrito por Kari Hamerschlag, da Friends of the Earth, juntamente com Stacy Malkan e Anna Lappé, que documenta algumas das mensagens e táticas de grupos de frente da indústria de alimentos, incluindo os milhões de dólares que gastam todos os anos para moldar o história do nosso sistema alimentar. [10]

Dois grandes desenvolvimentos nos últimos anos levaram a mais relatórios sobre este tópico: Primeiro, novas evidências científicas, discutidas abaixo, tornam clara a urgência de abordar os impactos ambientais e de saúde associados aos produtos da indústria de pesticidas, incluindo formulações de herbicida glifosato. Em segundo lugar, o acesso a novas evidências de documentos corporativos internos, obtidos nos últimos cinco anos por meio de ações legais e investigações de interesse público, fornece uma nova visão sobre como a Monsanto conduziu suas operações de propaganda, com a ajuda das indústrias de pesticidas e alimentos processados. Graças a dezenas de milhares de páginas de documentos corporativos internos disponibilizados por esses esforços, o público tem acesso sem precedentes a como o setor desenvolve estratégias para enganar o público. Esses documentos incluem os “Papéis da Monsanto” obtidos em litígios sobre herbicidas à base de glifosato e registos públicos disponibilizados por meio de uma investigação liderada por colegas da US Right to Know. (Muitos desses documentos estão disponíveis no site US Right to Know e via documentos que doamos aos arquivos de documentos da indústria química e alimentícia da UCSF.) [11]

Este relatório soma-se a um crescente corpo de pesquisas e reportagens sobre as táticas enganosas da indústria de pesticidas: as reportagens do The Intercept sobre o giro de relações públicas empurrando os neonicotinoides, a classe de pesticidas que impulsionam o “ apocalipse dos insetos ” e detalhando as táticas usadas pela indústria manter o mortal pesticida paraquat no mercado por décadas; ou a reportagem do The New Yorker sobre os ataques da empresa de pesticidas Syngenta ao cientista Tyrone Hayes; ou mapeamento do DeSmog dos pontos de desinformação da indústria de pesticidas. Em conjunto, este relatório ajudou a revelar as principais táticas de relações públicas da indústria de pesticidas e ajudou a expor a criação de mitos sobre a segurança e a necessidade de pesticidas.
Em suas próprias palavras…

O relatório do Merchant's of Poison acrescenta a esta pesquisa detalhando as táticas de spin usadas para empurrar o herbicida mais onipresente do mundo: o glifosato. Mostramos — usando as próprias palavras da indústria em seus próprios documentos — como o maior produtor de herbicidas à base de glifosato, a Monsanto (comprada pela Bayer AG em 2018), usou táticas furtivas para obscurecer a verdade e moldar a narrativa sobre esse pesticida e nosso sistema alimentar mais amplamente. Detalhamos como a empresa produziu ciência corrupta , minou instituições de saúde pública, comprou influência nas mais prestigiadas universidades dos Estados Unidos, e implantou um exército de aliados terceirizados para espalhar mensagens de defesa do produto, incluindo ataques a cientistas e jornalistas. Mostramos como a empresa rastreou e atacou os críticos e tentou dominar espaços online relacionados a pesticidas e organismos geneticamente modificados (OGMs). Ao longo deste relatório, mostramos como um pequeno grupo de especialistas do setor implantou mensagens enganosas por meio de vozes aparentemente independentes, usando muitas das mesmas estratégias e fluxos de financiamento – e às vezes as mesmas pessoas – que as indústrias de tabaco e combustíveis fósseis usam para enganar o público.

Por que focar no giro de relações públicas em torno do glifosato? Certamente existem pesticidas mais tóxicos para uso agrícola. Há o paraquat, em que a exposição até mesmo a uma tampa cheia pode ser mortal, e a classe de inseticidas conhecidos como neonicotinoides, que aumentaram a toxicidade da agricultura dos EUA para insetos em 48 vezes nos últimos 25 anos. [12]Mas, embora não seja o mais tóxico, o glifosato ainda é tóxico para os seres humanos e devastador para os ecossistemas; discutimos na Parte 1 a ciência que liga o glifosato ao câncer, danos reprodutivos, doenças renais, declínio da borboleta-monarca e outros impactos ambientais e de saúde. E, como o produto químico agrícola mais difundido no mundo, um detalhamento de há quanto tempo a empresa sabia sobre essa toxicidade, o quanto ela fez para criar uma história diferente e como continua a gerar dúvidas, negação da ciência e desvio ao enfrentar milhares de ações judiciais de agricultores e jardineiros que sofrem de câncer relacionado ao uso de glifosato é extremamente importante. Além disso, os documentos internos mostram uma imagem clara das táticas de relações públicas que a Monsanto/Bayer usou e os jogadores dos quais a empresa depende,

Finalmente, esta história é importante porque está ligada à promoção e defesa de cultivos geneticamente modificados ou OGMs, comercializados pela primeira vez em meados da década de 1990. A conexão é simples: a maioria das culturas transgênicas vendidas até agora foram desenvolvidas com características para expressar um inseticida ou tolerar um herbicida ou ambos, e quase todas foram modificadas com a característica de tolerância ao glifosato. [13] Portanto, os debates sobre os riscos e recompensas dos OGMs estão intimamente ligados à história do giro em torno da segurança do glifosato.

A maioria das culturas transgénicas no mercado foram modificadas para tolerar o glifosato.


Com base nessas milhares de páginas de documentos internos da Monsanto e relatórios investigativos, analisados ​​juntos em um só lugar pela primeira vez, este relatório revela cinco táticas de desinformação da indústria de pesticidas , relatando como a Monsanto:

1) Corrompeu a ciência: mostramos como os funcionários da Monsanto moldaram a ciência do glifosato, incluindo o pagamento de acadêmicos, redação de artigos fantasmas, influência de agências reguladoras e uso de outras táticas secretas para moldar o registro científico e regulatório;

2) Academia cooptada: Relatamos como a Monsanto e outras empresas de pesticidas fizeram parceria e pagaram universidades e professores que, por sua vez, promoveram e defenderam o glifosato e as sementes transgênicas projetadas para tolerar o herbicida. Muitas dessas parcerias não eram transparentes para o público.

3) Aliados terceirizados mobilizados: Descrevemos a grande e bem financiada câmara de eco de terceiros - os grupos de frente, organizações profissionais, universidades, campanhas de astroturf e outros - que disseminaram mensagens elaboradas pela Monsanto e suas empresas de relações públicas para esse fim de se opor aos regulamentos de saúde, segurança e transparência para produtos da indústria de pesticidas.

4) Cientistas, jornalistas e influenciadores rastreados e atacados: examinamos como grupos da indústria que afirmam ser “pró-ciência” – incluindo o Projeto de Alfabetização Genética e o Conselho Americano de Ciência e Saúde – visaram os pesquisadores de câncer da Organização Mundial da Saúde e outros cientistas e jornalistas que informaram sobre as ligações do glifosato com o câncer.

5) Espaços on-line dominados: discutimos como a Monsanto e outras empresas implantaram os mesmos grupos de fachada que atacaram cientistas e jornalistas em defesa do glifosato para se infiltrar em espaços on-line e obter a melhor colocação nas pesquisas do Google News para elevar as mensagens do setor.

Este relatório também documenta como as próprias campanhas de influência do setor são grandes negócios : Juntas, seis das associações comerciais nomeadas nos documentos da Monsanto para a defesa do glifosato — a Biotechnology Innovation Organization, CropLife America, American Chemistry Council, a Grocery Manufacturers Association, a National Corn Grower's Association e a American Soybean Association — gastaram US$ 1,3 bilhão em um período de cinco anos (2015-2019) financiando marketing, lobby e mensagens. (Consulte o Apêndice I) E apenas sete das organizações sem fins lucrativos nomeadas nos documentos internos da Monsanto como principais aliadas em sua estratégia de defesa de produtos gastaram até US$ 76 milhões durante o mesmo período. (Isso tudo além dos US$ 206 milhões que a Monsanto gastou em seu orçamento de publicidade relatado durante o período de três anos antes da compra da Bayer). [14] Embora a defesa do glifosato seja apenas parte do que essas organizações fazem - em alguns casos, uma pequena parte - o tamanho de seus orçamentos transmite os enormes recursos disponíveis para grupos que executam campanhas de defesa de produtos usando as táticas de desinformação que descrevemos neste relatório.

Esses grupos são uma indústria inquestionável em si mesmos: seu objetivo é proteger e defender os alimentos, produtos e processos com uso intensivo de produtos químicos que são a base da cadeia alimentar industrial atual.

Enquanto este relatório vai para a impressão, a União Europeia está debatendo se deve reautorizar o uso do glifosato no próximo ano. Aqui nos Estados Unidos, o Tribunal de Apelações do Nono Circuito decidiu em junho de 2022 que a aprovação do glifosato pela EPA era ilegal. [15] No mesmo mês, a Suprema Corte dos EUA rejeitou a tentativa da Bayer de se esquivar de um prêmio de $ 25 milhões do júri para um homem da Califórnia que disse que décadas de exposição ao Roundup à base de glifosato causaram seu linfoma não-Hodgkin. [16] Em grande parte como resultado das pressões do litígio do glifosato, a Bayer anunciou em julho de 2021 que substituiria seus produtos à base de glifosato no mercado residencial “Lawn & Garden” dos EUA por novas formulações a partir de 2023. [17]O uso agrícola do glifosato continuará. Inúmeros outros usos comerciais e industriais, incluindo escolas e parques da cidade, também continuarão. Embora esses usos ainda sejam permitidos, há uma crescente pressão pública para regulamentar ainda mais o herbicida.

Os debates sobre o futuro do glifosato, na verdade, todas as formulações de pesticidas, devem ser deliberados à luz do que é revelado neste relatório e em outros relatórios sobre a indústria de pesticidas: o fato de que agora está bem documentado como a indústria de pesticidas funciona para moldar a ciência e a opinião pública a fim de evitar a regulamentação. Neste contexto, este relatório levanta questões-chave: Como podemos expor a manipulação da indústria da ciência em torno de pesticidas? Como garantimos que substâncias químicas nocivas, como o glifosato, não sejam substituídas por outras ainda mais tóxicas? E como regulamentamos os pesticidas para proteger a saúde pública e os ecossistemas e não ficar à mercê da ação voluntária das empresas químicas? De forma mais ampla, como garantimos que os funcionários públicos, não influenciados pela indústria ou seus aliados,

Em última análise, a história de engano que este relatório documenta é uma história sobre a vulnerabilidade da indústria de pesticidas: para escapar da regulamentação e da transparência que afetariam sua lucratividade e participação de mercado, a indústria de pesticidas - assim como as indústrias de petróleo e tabaco - depende profundamente da sucesso do subterfúgio de relações públicas para manter a lucratividade. Compreender como esse subterfúgio funciona é fundamental para jornalistas, formuladores de políticas e grupos de interesse público que trabalham para informar o público sobre os riscos à saúde e ao meio ambiente decorrentes do uso crescente de pesticidas e da disponibilidade de alternativas mais seguras.

segunda-feira, 26 de setembro de 2022

EWG And Carey Gillam Keep Lying About Glyphosate


The New Lede — the Environmental Working Group's "investigative reporting" outlet — continues to mislead readers about pesticides. This time it’s spreading nonsense about a recent lawsuit challenging the EPA's assessment of the weedkiller glyphosate. Let's have a look.

If glyphosate is such a deadly pesticide, why do activist groups have to lie about it? That's the question I asked myself after reading this ridiculous article written by Shannon Kelleher and Carey Gillam over at The New Lede. "US EPA to withdraw interim registration review decision for glyphosate," the headline declared. Sounds scandalous, but what does it actually mean? Kelleher and Gillam went on:
US regulators on Friday said they would withdraw all remaining portions of the interim registration review decision for the weed killer glyphosate.
The move comes after the 9th U.S. Circuit Court of Appeals issued an opinion saying the Environmental Protection Agency (EPA) had violated the law in its assessment of glyphosate, which is the world’s most widely used weed killer and the active ingredient in Roundup and numerous other herbicide products.
As we'll see. this is a serious exaggeration of the events. I counted four major errors in the story. Let's take them in turn.

What the EPA actually said
While it's true that the EPA withdrew its interim registration review in response to an order from a federal court, there's much more to the story. A handful of activist groups "challenged EPA’s conclusions on human health and insisted that EPA should have followed the [Endangered Species Act's] procedural requirements before issuing the Interim Decision," the court wrote.

We'll let the lawyers straighten out the procedural issues, but what of these "human health" concerns? The Ninth Circuit ruled that EPA’s conclusion that glyphosate probably isn't carcinogenic was "in tension with parts of the agency’s own analysis (p 6)." As AgriPulse reported in June:
In determining it could not come to a conclusion about the association between glyphosate exposure and [non-Hodgkin's Lymphoma], EPA’s “cancer paper discussed human epidemiological studies showing what could be considered suggestive evidence that glyphosate exposure causes NHL.”
However, “EPA discounted epidemiological studies showing increased NHL risk by concluding that ‘chance and/or bias’ could be ‘an explanation for observed associations in the database,’” the court said.

The EPA responded that it "intends to revisit and better explain its evaluation of the carcinogenic potential of glyphosate and to consider whether to do so for other aspects of its human health analysis (p 6)." Crucially, however, the federal agency did not repudiate its finding that glyphosate is unlikely to cause cancer. The New Lede included this statement from the EPA, which, frankly, made the story a non-story:
“EPA’s underlying scientific findings regarding glyphosate, including its finding that glyphosate is not likely to be carcinogenic to humans, remain the same,” the EPA said in a statement announcing its withdrawal of the glyphosate decision.

This invites an important question. Who's the authority on questions of pesticide safety, regulatory scientists or judges? As one commentator noted about the court's ruling:

What would it have taken for the judges involved in this decision to determine there is substantial evidence to support the likely safety of glyphosate? More importantly, would they know it if they saw it?

I have my doubts, because the evidence is there for anybody to see. Agricultural glyphosate use has exploded in recent decades, yet this increase has not led to an uptick in NHL cases among farmers or pesticide applicators—those with the highest exposure to the weedkiller. As one cancer epidemiologist put it, "there is no need for further study" of this chemical. That's the extent to which glyphosate has been scrutinized by independent experts. Anyone, federal judges included, who says the EPA's determination was inconsistent simply doesn't know the relevant science well enough.

What about IARC's monograph?
Back to The New Lede:
Bayer ... said that the backing of the EPA and similar support from other regulators in other countries is more valid than a 2015 assessment by the World Health Organization’s International Agency for Research on Cancer (IARC), which found that glyphosate was “probably” carcinogenic to humans.
Bayer is correct. IARC excluded evidence that would have invalidated its "probably carcinogenic" finding. [1] Statistician Dr. Robert Tarone has explained multiple times that the cancer agency badly botched its analysis of two rodent studies that were key to its conclusion. As he told Congress in 2017:

...[M]y published paper notes other instances in which rodent tumor rates that supported the conclusion that glyphosate caused tumors were included in IARC deliberations while tumor rates from those same studies that did not support that conclusion were excluded. The systematic exclusion of exculpatory evidence is inexcusable, particularly when it’s practiced by an influential source such as the IARC Monograph Programme. (p 78)

To appreciate how outrageous this is, imagine if Bayer or any other pesticide manufacturer had engaged in this sort of scientific chicanery instead of IARC. The cries of "corporate conspiracy" would never end. Hollywood would turn the story into an Erin Brockovich sequel.

"Industry" studies
Kelleher and Gillam also asserted that
The IARC finding was based on a review of years of independent, peer-reviewed, published scientific studies. The reviews by the EPA and other regulators focused more heavily on unpublished and non peer-reviewed studies submitted to regulators by Monsanto and other companies ...
These industry-conducted studies are mandated by federal law and they have to meet very exacting standards. The companies had to do them and the EPA had to review them. It is incumbent upon private companies to demonstrate to federal regulators at the EPA, who are perfectly qualified to peer-review the research, that their products are safe to use.

The "corporate documents" gambit
... [I]nternal corporate documents show Monsanto has long been aware of research showing a connection between the weed killer and cancer, but has sought to bury such research and/or attack and censor scientists who insist there is evidence of a cancer risk.​

I was especially curious about this claim, so I dug through all the "internal documents" Monsanto was obligated to release several years ago. In one story for the Genetic Literacy Project (GLP), I explained that the communications between Monsanto's scientists were taken out of context; these documents flatly contradict Kelleher and Gillam's allegation.

For instance, Gillam is fond of quoting this 2003 email from a company scientist who told her colleague, “You cannot say that Roundup is not a carcinogen. We have not done the necessary testing on the formulation to make that statement.” Now, here's the second half of the same quote:

We can make that statement about glyphosate and can infer that there is no reason to believe that Roundup would cause cancer.

What a difference twenty-two words make.
In a second piece co-authored with GLP executive director Jon Entine, we reported that Monsanto said the same things privately that independent scientists said publicly: IARC's conclusion was nonsense based on cherry-picked evidence.

That leads to our final point: there was no conspiracy to "bury" studies linking glyphosate exposure to serious adverse effects. You can find many such papers with a few keystrokes. This research is dismissed by most experts because it's bad. For example, feeding lab rats massive doses of a pesticide, far more than humans are ever exposed to, is a waste of time, money.

The New Lede is lying to its readers by omitting all this information. Ignore their commentary and you'll be far better informed about this important public health issue.

Font: ACSH

[1] ACSH advisor Dr. Alex Berezow nicely summarized the situation in Glyphosate-gate: IARC's Scientific Fraud

sábado, 10 de setembro de 2022

The secret tactics Monsanto used to protect Roundup, its star


As táticas secretas usadas pela gigante química global Monsanto, para proteger seu negócio de biliões de dólares e seu produto estrela, o herbicida Roundup.

"A Monsanto se engajou numa campanha sistemática e deliberada para atacar qualquer ciência que diga que seu produto não é seguro e para atacar qualquer cientista que tenha coragem de dizer alguma coisa." Advogado

Quando foi lançado há quatro décadas, o Roundup foi aclamado como um produto milagroso, um herbicida revolucionário que transformaria a agricultura e manteria os jardineiros felizes também. E veio com a promessa de que era seguro.

“A ampla publicidade afirma que a Monsanto estava avançando naqueles dias (era) que de alguma forma seu produto Roundup era totalmente seguro, biodegradável, seguro para animais de estimação e crianças e menos perigoso que o sal de mesa”. Ex-Procurador-Geral de NY

Agora, um processo judicial histórico nos EUA ganhou as manchetes em todo o mundo, com um júri declarando que o Roundup foi um fator substancial para causar o câncer terminal de um guardião da escola e que a empresa não havia alertado sobre o risco representado pelo produto.

"Eles têm uma cultura corporativa que tem apenas interesse em manter a capacidade deles de vender este produto." Advogado

O caso revelou o quanto a empresa tem ido, ao longo de décadas, para evitar o escrutínio e silenciar seus críticos.

"Gostaria de vê-los admitir que perceberam que não era seguro." Ex-agricultor e litigante.

Em entrevistas com os principais atores dessa saga corporativa, a repórter Stephanie March encontrou uma comunidade científica polarizada enquanto a empresa continua defendendo firmemente suas ações e seu produto.

"Obviamente, a ciência não ressoou com esse júri. Queremos entender por que, porque precisamos fazer um trabalho melhor explicando a ciência para que as pessoas entendam que os produtos à base de glifosato são seguros." Vice-presidente da Monsanto

A Four Corners traça a campanha de influência da empresa desde os EUA até a Austrália, onde o Roundup é usado em quintas e hortas domésticas em todo o país.

"Se há um problema com um produto, quero saber porque o uso." Agricultor

Saber mais sobre Monsanto Papers:
US Right To Know
Corporate Europe Observatory

quarta-feira, 14 de abril de 2021

The Monsanto Papers


Carey Gillam's first book - Whitewash - The Story of a Weed Killer, Cancer and the Corruption of Science -  explored the scientific research showing human and environmental health harms associated with glyphosate, the world's most widely used herbicide, and the decades of deceptive tactics by Monsanto to cover up the harms of glyphosate products, such as Roundup. During this webinar Ms. Gillam discussed her new book, The Monsanto Papers, a very tragic human story about the results of that deception. 


The Monsanto Papers takes readers into the personal and painful struggle of Lee Johnson—an average middle-aged husband and father—as he sees his life unravel due to his terminal cancer diagnosis and tries to prepare his wife and two children for his death. The book also explores the fascinating—and controversial—tactics of the mass tort attorneys who decide to help Lee, and thousands of other cancer victims like him, take Monsanto to court. 

Lee became the first person in the world to go to trial against Monsanto and to prove that the company’s 40-year-old, wildly popular weed killer causes a type of cancer called non-Hodgkin lymphoma. Though many scientists for years had pointed to evidence tying Monsanto’s herbicide to cancer, the company had always been successful in convincing regulators and customers that such evidence was invalid. Few onlookers thought Lee and his lawyers could actually win at trial against the powerful and highly influential Monsanto.

But people around the world wanted to see the evidence, and the case ended up being covered by media from around the world. Lee's victory was instrumental in leading Monsanto's owner Bayer AG to agree to pay $11 billion to settle the mass tort litigation. 

Ms. Gillam presented details of the deception by Monsanto, and how the lawyers found and used those data.


sexta-feira, 9 de novembro de 2018

Whitewash: The Story Of A Weed Killer, Cancer, And The Corruption Of Science


It's the pesticide on our dinner plates, a chemical so pervasive it’s in the air we breathe, our water, our soil, and even found increasingly in our own bodies. Known as Monsanto's Roundup by consumers, and as glyphosate by scientists, the world's most popular weed killer is used everywhere from backyard gardens to golf courses to millions of acres of farmland. For decades it's been touted as safe enough to drink, but a growing body of evidence indicates just the opposite, with research tying the chemical to cancers and a host of other health threats.  
   


In Whitewash, veteran journalist Carey Gillam uncovers one of the most controversial stories in the history of food and agriculture, exposing new evidence of corporate influence. Gillam introduces readers to farm families devastated by cancers which they believe are caused by the chemical, and to scientists whose reputations have been smeared for publishing research that contradicted business interests. Readers learn about the arm twisting of regulators who signed off on the chemical, echoing company assurances of safety even as they permitted higher residues of the pesticide in food and skipped compliance tests. And, in startling detail, Gillam reveals secret industry communications that pull back the curtain on corporate efforts to manipulate public perception.
  
Whitewash is more than an exposé about the hazards of one chemical or even the influence of one company. It's a story of power, politics, and the deadly consequences of putting corporate interests ahead of public safety.

quarta-feira, 8 de junho de 2016

Dossiê Glifosato

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2. Uma compilação de resumos de artigos científicos sobre os malefícios do glifosato sobre o ambiente, os animais e a saúde pública. Esta compilação foi efectuada pelo Dr. Alex Vasquez e pela Dr. Eva Sirinathsinghji, do Instituto de Ciências na Sociedade e contém 245 páginas.

Glyphosate Research Compilation – Abstracts of studies: Glyphosate’s adverse effects on the environment & on animal & human health - by Dr. Alex Vasquez and Dr. Eva Sirinathsinghji, Institute of Science in Society (245 pages)

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