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quarta-feira, 12 de agosto de 2026

Dia Mundial do Elefante 20026


Introdução e Contexto Histórico

Celebrado anualmente a 12 de agosto, o Dia Mundial do Elefante - instituído em 2012 por iniciativa da realizadora canadiana Patricia Sims e da Elephant Reintroduction Foundation da Tailândia - constitui um marco global para a consciencialização sobre a preservação e gestão sustentável da família Elephantidae. Em 2026, a efeméride assume um caráter de acrescida urgência analítica: o declínio demográfico persistente em África e na Ásia impõe a revisão contínua das estratégias de gestão de ecossistemas, o combate ao comércio ilícito de marfim e a reavaliação ética dos modelos do ecoturismo e dos safaris.

1. Divergência taxonómica: as três espécies reconhecidas
A biogeografia contemporânea e a genómica populacional reconhecem atualmente três espécies distintas de elefantes:
  1. Elefante-de-savana-africano (Loxodonta africana): é o maior mamífero terrestre do planeta. Distribui-se maioritariamente pelas savanas e habitats abertos da África Subsaariana. Encontra-se classificado como Em Perigo (EN) pela Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da IUCN.
  2. Elefante-da-floresta-africano (Loxodonta cyclotis): distinguido formalmente do L. africana devido a evidências genéticas inequívocas, habita as florestas tropicais densas da África Central e Ocidental. De menor porte e com presas mais retas, está classificado como Em Perigo Crítico (CR) pela IUCN, tendo sofrido perdas drásticas devido à caça furtiva.
  3. Elefante-asiático (Elephas maximus): presente de forma fragmentada em 13 países do Sul e Sudeste Asiático. Morfologicamente caraterizado por orelhas menores e por uma única projeção digital na tromba, encontra-se igualmente classificado como Em Perigo (EN) na IUCN Red List.
2. Ponto de Situação Populacional e Ameaças
De acordo com os dados compilados no African Elephant Database mantido pela IUCN, estima-se que restem cerca de 400.000 a 415.000 elefantes africanos na natureza. Relatórios da World Wildlife Fund (WWF) e do programa CITES MIKE (Monitoring the Illegal Killing of Elephants) indicam que a população do elefante-da-floresta declinou mais de 86% em três décadas. A população selvagem de elefantes asiáticos é estimada em apenas 40.000 a 50.000 indivíduos.

As pressões antrópicas organizam-se em três eixos centrais:
  1. Caça furtiva e tráfico: a procura ilegal de marfim continua a perturbar as demografias locais.
  2. Fragmentação de habitat: a conversão agrícola e a urbanização destroem cenários de dispersão.
  3. Conflito Humano-Fauna (CHF): o aumento das sobreposições territoriais gera episódios letais de retaliação motivados pela destruição de culturas agrícolas.
3. Estratégias de Preservação e Conservação
As respostas institucionais assentam na transição para abordagens integradas de paisagem e tecnologia:
  1. Corredores ecológicos Transfronteiriços: iniciativas de grande escala, como a KAZA TFCA (Kavango-Zambezi Transfrontier Conservation Area), conectam parques nacionais em cinco países da África Austral, garantindo rotas de migração seguras.
  2. Tecnologia de rastreio e monitorização: implementação de coleiras com GPS via satélite geridas por organizações como a Save the Elephants e aplicação da plataforma de dados SMART (Spatial Monitoring and Reporting Tool) pelas brigadas de fiscalização.
  3. Mitigação biológica do CHF: desenvolvimento de cercas de colmeias (beehive fences) promovidas por projetos científicos como o Elephants and Bees, que aproveitam o repúdio natural dos elefantes relativamente às abelhas para afastar os animais de áreas agrícolas.
4. Restrições no turismo de safari e atividades recreativas
A indústria do ecoturismo atravessa uma reestruturação normativa impulsionada pelo bem-estar animal e por relatórios globais de entidades como a World Animal Protection.

Proibição de Safaris de Montaria (Elephant Rides)
A exploração turística assente na montaria e contacto direto tem sido desmantelada progressivamente:
Na África Austral (em particular no Botsuana), as diretivas da indústria de safari e das autoridades de conservação baniram as práticas comerciais de passeios a dorso de elefante.

No Sudeste Asiático (Tailândia), estudos de monitorização continuada promovidos pela World Animal Protection registam uma queda consistente na oferta de viagens a monte e a transição gradual para o modelo de "apenas observação" (observation-only sanctuaries).

Restrições de Capacidade e Impacto Ambiental em Safaris
Nos ecossistemas de safari em parque aberto (como no Parque Nacional do Chobe ou na Reserva do Masai Mara), os organismos governamentais aplicam diretrizes rigorosas:
  1. Lotação por avistamento: proibição de aglomeração de mais de 2 a 3 veículos em simultâneo junto a manadas.
  2. Manutenção de distâncias mínimas: para evitar stresse comportamental nas matriarcas e crias.
  3. Proibição do Off-Roading: Confinamento estrito aos trilhos oficiais para evitar a degradação da flora nativa.
Considerações Finais
A análise do estado de conservação dos elefantes em 2026 demonstra que a viabilidade a longo prazo da família Elephantidae depende da consolidação de corredores ecológicos contínuos, do combate intransigente ao crime ambiental e da transição definitiva do turismo recreativo para um modelo ético, sustentável e baseado exclusivamente na observação à distância.

terça-feira, 19 de maio de 2026

Projeção máxima de aquecimento global cai 1 ºC por causa das renováveis


As projeções mais pessimistas para a subida da temperatura até ao fim do século foram revistas em baixa, à medida que as medidas de mitigação começam a dar frutos

A queda acentuada do custo da energia solar e eólica tornou um futuro altamente dependente de combustíveis fósseis cada vez mais improvável e as políticas climáticas estão a ajudar a reduzir as emissões, que já ficam abaixo das antigas projeções de pior caso

Alguns dos principais cientistas do clima do mundo consideram agora que o aumento de 4,5 °C até 2100, anteriormente projetado, deixou de ser plausível e reduziram o limite superior do seu cenário mais pessimista de aquecimento global para 3,5 °C acima dos níveis pré-industriais

Os novos modelos resultam do Scenario Model Intercomparison Project (ScenarioMIP), que elaborou projeções climáticas com base em cenários alternativos de futuras emissões e alterações no uso do solo. Liderado por um comité internacional de cientistas de topo, as suas conclusões serão integradas em futuras avaliações do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC) da ONU

Ainda assim, as projeções mais pessimistas ficam muito longe do limite máximo de 2 °C acordado pelos países no Acordo de Paris de 2015 e continuariam a provocar consequências desastrosas para o planeta.

Como foram modeladas as temperaturas futuras mais extremas?
Os cientistas simularam vários cenários para projetar o melhor e o pior caso de aquecimento global até ao ano 2100.

Foram considerados fatores como a futura população mundial, o consumo de energia, as fontes de energia, o investimento na adaptação e mitigação das alterações climáticas, as políticas climáticas e a colaboração entre países.

Os cenários mais pessimistas imaginam um mundo em que as políticas climáticas e os esforços de mitigação são enfraquecidos ou invertidos, e em que o uso de combustíveis fósseis aumenta, a par de tecnologias e estilos de vida muito intensivos em recursos e energia.

Um uso intensivo de combustíveis fósseis ultrapassaria as reservas atuais, o que significaria recorrer a depósitos ainda por descobrir, cuja extração se tornaria viável graças a futuras tecnologias.

Os modelos assumem também o fim da queda, que já dura há uma década, nos custos das energias renováveis, possivelmente porque os minerais necessários para painéis solares, turbinas eólicas e baterias de veículos elétricos se tornam escassos ou ficam presos em disputas comerciais.

A falta de cooperação na resposta às preocupações ambientais globais, incluindo progressos insuficientes em tecnologias de baixas emissões, poderá agravar a situação.

Um forte crescimento económico e a concorrência regional, o ressurgimento do nacionalismo, receios quanto à competitividade e à segurança e conflitos regionais podem levar os países a dar prioridade a questões internas ou regionais face à mitigação das alterações climáticas. Segundo o estudo, isto poderia conduzir ao colapso das políticas climáticas internacionais e nacionais.

Os modelos de pior caso projetam que o consequente pico de emissões provoque alterações irreversíveis nos componentes mais lentos do sistema terrestre, como o oceano profundo ou as calotes e geleiras, que regulam o clima global.

Embora este cenário seja improvável, os seus impactos seriam catastróficos.

Ao longo deste ano serão realizadas novas simulações com Modelos do Sistema Terrestre, que incluirão também os efeitos das retroações do ciclo do carbono, e os seus resultados poderão alterar as projeções.

Quais são os cenários alternativos?
O relatório modela igualmente cenários progressivamente mais moderados, que vão de emissões elevadas até meados do século seguidas de reduções rápidas, a políticas climáticas reforçadas que levam o mundo a atingir a neutralidade carbónica o mais depressa possível, limitando aquilo que o estudo designa como a agora “inevitável” ultrapassagem da meta preferencial de 1,5 °C do Acordo de Paris. Os modelos prolongam-se até ao ano 2500.

Se as políticas climáticas atuais continuarem inalteradas, estimativas preliminares apontam para uma subida da temperatura de cerca de 2,5 °C. Se as medidas de mitigação forem adiadas mas o mundo conseguir alcançar a neutralidade carbónica até ao fim do século, os modelos indicam que a subida da temperatura poderá atingir 2 °C.

Mesmo cenários de baixas emissões podem bloquear alterações catastróficas do nível do mar e dos mantos de gelo que são irreversíveis à escala de tempo humana. Uma ultrapassagem temporária dos 1,5 °C, mesmo que revertida, pode também causar danos duradouros em ecossistemas vitais, como recifes de coral e florestas tropicais.

Desenvolvidos em meados da década de 2010, os cenários anteriores utilizavam dados reais de emissões até 2015. Os novos modelos estendem esse período até 2023 e descrevem melhor a forma como os sistemas da Terra respondem ao aquecimento – por exemplo, quanto CO2 os oceanos e as florestas absorvem à medida que as temperaturas sobem.

quinta-feira, 7 de maio de 2026

Já ouviu falar do Síndrome da Referência Móvel - Shifting Baseline Syndrome?



Do you suffer from Shifting Baseline Syndrome (SBS)? Well, the answer is that everyone probably does. While SBS is not an actual medical condition, it has been gaining traction across environmental disciplines, as well as featuring in modern environmental literature, as seen in Isabella Tree’s Wilding: The Return of Nature to a British Farm and George Monbiot’s Feral.

What is Shifting Baseline Syndrome?

Coined by Daniel Pauly in 1995, while speaking of increasing tolerance to fish stock declines over generations, SBS also has roots in psychology, where it is referred to as ‘environmental generational amnesia’. Simply put, Shifting Baseline Syndrome is ‘a gradual change in the accepted norms for the condition of the natural environment due to a lack of experience, memory and/or knowledge of its past condition’. In this sense, what we consider to be a healthy environment now, past generations would consider to be degraded, and what we judge to be degraded now, the next generation will consider to be healthy or ‘normal’. As Soga and Gaston (2018) argue, without memory, knowledge, or experience of past environmental conditions, current generations cannot perceive how much their environment has changed because they are comparing it to their own ‘normal’ baseline and not to historical baselines.

Evidence for Shifting Baseline Syndrome in Conservation
While Shifting Baseline Syndrome is acknowledged by environmental scientists, particularly by conservationists, there is little research to support its existence that is beyond anecdotal, yet this evidence occurs globally; for example, in Eastern Indonesia, where biodiversity has declined rapidly over 30 years, younger fishers were found to recall a lower abundance of wildlife in the past, meaning they were perceiving less of a decline in the wildlife population, compared to older fishers. Similarly, in the Bolivian Amazonia, it was found that younger generations perceived the number of locally-extinct tree and fish species as lower compared to older generations. Again, a study in the Seward Peninsula in Alaska, USA, an area that is facing rapid hydrological environmental change as a result of climate change, found that younger people were less aware of changes in the quality and availability of five local water resources. While these studies are not directly about SBS, they have each recorded a difference in how older and younger generations perceive environmental change locally, which draws back to Soga and Gaston’s framework, which emphasises the importance of differences in memory, knowledge, and experience.

Despite the lack of empirical evidence, Shifting Baseline Syndrome is being given attention, perhaps because it has implications for individuals and environmental policy in fighting against climate change.

On an individual level, SBS has increased our tolerance to environmental degradation, including wildlife population decline, increased pollution and loss of natural habitats. This is because people will evaluate the severity of environmental degradation by referencing it back to their own cognitive baseline. In the UK, George Monbiot summarises the state of conservation, saying, “conservation in this country has become indistinguishable from destruction because what we’re conserving is an ecocidal system of sheep ranching. Sheep eat everything, and as a result, there’s no birds, no insects. We’ve lost almost everything, and yet we regard that as normal and natural.” In the UK people are actively conserving ecologically desolate ecosystems as they have no reference to past British wilderness.

At a societal level, this unawareness of past environmental conditions or current rates of degradation has implications for policymakers. For example, in the UK, the Environment Act of 1995 (the original legislation for National Parks was introduced in 1949) revised the legislation stating the statutory purpose for National Parks. Their main goal is to ‘conserve and enhance the natural beauty, wildlife and cultural heritage’. Those who introduced this legislation originally had a perception of ‘natural beauty, wildlife, and cultural heritage’, and so current National Park conservation practise is driven by a static perception, despite itself studying a subject of constant dynamism. When National Parks were originally established they were characterised by traditional agriculture. While this may seem insignificant the inclusion of ‘cultural heritage’ protects agriculture as part of the landscape, despite its environmental impact. Therefore the conservation approach in these areas can be described as unambitious as they maintain what is simply there or set targets that are not inclusive of historical data and trends. However, people are satisfied because the landscape looks the same as when the legislation was introduced.

Thus, our conservation and policy efforts are becoming less effective with each generation, while we become more satisfied with our diminishing actions because our targets are weaker in terms of biodiversity and habitat heterogeneity. The result is a feedback loop, where every generation’s increasing tolerance for environmental decline results in insufficient conservation efforts that inevitably cannot forestall degradation which next generations will tolerate because they have no preconception of the state of the environment.

Despite the ‘doom and gloom’, Soga and Gaston have designed theoretical response frameworks that could help mitigate the effects of SBS. They argue that solutions to minimise the impact of SBS lie in environmental restoration, increased data collection, reducing the ‘extinction of experience’ (the decline of people interacting with nature) and education.

Environmental restoration, mainly in the form of rewilding, will be able to demonstrate historical baselines to those who are potentially affected by SBS. Data collection will help to better inform current and future generations how the environment is changing and has changed from past conditions. Soga and Gaston suggest that citizen science could play a huge role in creating ‘large-scale, long-term data sets’ as well as increasing people’s interactions with nature to reduce this extinction of experience. In addition to this, reducing the extinction of experience through the promotion of positive experiences with nature will help to increase interaction with the environment. Finally, education will help individuals to better assess the state of the environment and to accurately communicate its past and present condition.

Thus, even while we wait for the scientific study of Shifting Baseline Syndrome to begin, the acknowledgement of this concept in environmental science means that leaders in the field could take steps to help mitigate its potential effects. Soga and Gatson’s solutions, specifically rewilding and education, could increase people’s interactions with nature and promote the importance of effective conservation.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

Apesar do que diz o Governo, a barragem de Girabolhos “não será relevante para o controlo de cheias”


Na passada quarta-feira, depois de um dique no Mondego ter rompido, o Governo anunciou a “luz verde” para o concurso da barragem de Girabolhos. O Ministério do Ambiente disse que se trata de um projeto estruturante “com objetivos de controlo e mitigação de cheias”, mas as posições dos especialistas não corroboram essa posição.

À RTP Notícias, o hidrobiólogo Adriano Bordalo de Sá, investigador da Universidade do Porto que é defensor da construção dessa barragem, desmente a ligação entre essa estrutura e o controlo de cheias, explicando que “essa barragem não fica sequer perto do Baixo Mondego”.

“Para este controlo das cheias [a barragem] não é propriamente relevante. Ela está muito longe desta zona que é sistematicamente afetada por problemas estruturais do planeamento feito no passado”, disse o hidrobiólogo. “Não terá a influência que alguns políticos, porque foram informados incorretamente, pensam que poderá ter”.

Algumas narrativas lançadas na comunicação social procuram ligar a construção da barragem de Girabolhos à gestão de cheias. É o caso da notícia publicada pelo Jornal Económico, que diz que esta barragem “podia ter evitado cheias no Mondego está na gaveta há 20 anos”, acusando a 'geringonça' de cancelar o projeto. O ex-ministro Carmona Rodrigues foi mais longe e acusou o Bloco de Esquerda de ter incluído nas condições para apoiar o governo de António Costa em 2015 não se avançar com a construção desta barragem. Uma acusação que Catarina Martins, então coordenadora do partido, desmentiu à Rádio Renascença, afirmando que desses acordos não constava a barragem que na altura era contestada pelas populações e autarquias.

Na verdade, segundo o ex-deputado e ministro socialista João Galamba, a barragem de Girabolhos não andou para a frente por vontade da Endesa. Mas para além disso, a concessão da própria barragem não incluía a gestão de cheias, como a previsão do aproveitamento de Girabolhos não prevê também. Para a gestão de cheias, importa mais o projeto hidroagrícola do Baixo Mondego, que enfrenta falhas estruturais associadas aos principais problemas de gestão de água do Mondego.


A conclusão da obra hidroagrícola do Baixo Mondego, que poderia prevenir as cheias, foi mesmo levada a votação na Assembleia da República no Orçamento do Estado para 2025, tendo sido chumbada com os votos contra do PSD, CDS e IL, e com as abstenções do Partido Socialista e do Chega.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

Organização para Segurança na Europa pede maior cooperação diante de clima extremo


A Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) alertou hoje que as tempestades que afetam Portugal e Espanha demonstram que os riscos aumentados pelas alterações climáticas impõem mais colaboração entre legisladores.

“O impacto das sucessivas tempestades na Península Ibérica é um forte lembrete de que as alterações climáticas estão a remodelar os riscos que todos enfrentamos, sublinhando a necessidade de agir com urgência e cooperação para reforçar a nossa resiliência e adaptarmo-nos às realidades de um mundo em aquecimento”, declarou a representante especial da Assembleia Parlamentar da organização, Ainur Argynbekova, num comunicado.

Segundo a representante da OSCE, “os parlamentares têm um papel crucial na tradução dos compromissos climáticos com leis concretas e em quadros de cooperação”.

“Uma forte liderança legislativa é essencial para proteger vidas, meios de subsistência e a estabilidade das comunidades em toda a região da OSCE”, avaliou.

Ainur Argynbekova declarou que “a Assembleia Parlamentar da OSCE reafirma o seu compromisso de integrar as considerações climáticas e de segurança em todas as áreas do seu trabalho e de promover ações cooperativas e inclusivas que construam resiliência e prosperidade partilhada”.

Segundo a responsável, “os recentes debates internacionais, incluindo a COP30 – a conferência da ONU para as Alterações Climáticas, realizada em novembro, em Belém, no Brasil – têm enfatizado que a resposta aos riscos climáticos exige não só a redução das emissões, mas também a aceleração da adaptação”.

“Os eventos climáticos extremos não são incidentes isolados. Refletem uma tendência global mais ampla, identificada pelo Relatório de Riscos Globais 2026 do Fórum Económico Mundial como a principal ameaça a longo prazo para as sociedades atuais”, disse.

De acordo com Ainur Argynbekova, as alterações climáticas aumenta os riscos de segurança, económicos e sociais.

“A ciência confirma que as alterações climáticas aumentam a frequência e a intensidade das tempestades, inundações, ondas de calor e outros fenómenos climáticos extremos, com consequências de longo alcance para os sistemas energéticos, segurança alimentar e hídrica, serviços de emergência e equidade social”, lembrou.

“A Assembleia Parlamentar da OSCE expressa as suas mais profundas condolências a todos os afetados e solidariza-se com as comunidades que enfrentam estes acontecimentos devastadores”, disse ainda a responsável da OSCE.

Treze pessoas morreram em Portugal desde a semana passada na sequência da passagem das depressões Kristin e Leonardo, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.

A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal. As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.

O Governo prolongou a situação de calamidade até dia 15 para 68 concelhos, que irão beneficiar de medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.

A situação de calamidade em Portugal continental foi inicialmente decretada entre 28 de janeiro e 01 de fevereiro para cerca de 60 municípios, tendo depois sido estendida até ao dia 08 para 68 concelhos, voltando a ser prolongada até 15 de fevereiro.

As sucessivas tempestades também atingiram a Espanha, provocando enormes danos materiais e milhares de atingidos.

sábado, 3 de janeiro de 2026

Economia verde alcança a marca de US$ 5 triliões


A COP30, realizada em novembro em Belém do Pará, no Brasil, terminou sem um resultado preciso. Houve avanços reais em alguns aspectos, sobretudo em relação à adaptação às mudanças climáticas, mas não foi possível chegar a um acordo em torno de aspectos básicos, como a eliminação do uso de combustíveis fósseis. O debate segue vivo até a próxima COP, que será sediada na Turquia, em 2026. Ainda assim, os temas ambientais continuam em alta no mundo e a agenda ESG (sigla em inglês para ambiental, social e governança), usada para avaliar práticas sustentáveis e responsáveis das empresas, ganha cada vez mais relevância.

Fórum Económico Mundial afirma que o dinamismo da economia verde só fica atrás do setor de tecnologia. Em relatório recém-divulgado, a instituição estima que a chamada green economy já chega a US$ 5 triliões por ano e deve alcançar US$ 7 triliões até 2030. Segundo o documento, em média, as receitas verdes crescem ao dobro da velocidade das receitas convencionais; as empresas que actuam no segmento têm acesso a recursos mais baratos e costumam ser mais bem avaliadas no mercado de capitais.

Investimento em títulos verdes
Nas finanças, o movimento é nítido. Antes vistos como um nicho, os fundos ESG se tornaram uma força importante no mundo financeiro global, atraindo triliões de dólares. Segundo a Fortune Business Insights, empresa de inteligência de mercado e consultoria, o mercado global de investimentos ESG foi avaliado em US$ 39 triliões em 2025 e deve atingir US$ 125,17 triliões até 2032, crescendo a uma taxa anual média composta de 18,1%.

O avanço é impulsionado pelo aumento da preocupação da sociedade com esses temas, o que leva empresas a adotar práticas sustentáveis e também a fazer emissões de títulos verdes, sociais e de sustentabilidade, que superaram US$ 160 biliões em 2023. Segundo a pesquisa global de investidores da PwC, 79% dos investidores consideram riscos e oportunidades ESG ao tomar decisões de investimento.

Investidores institucionais, como fundos de pensão, seguradoras e governos, dominam o mercado actualmente, mas a expectativa é que o segmento de pessoas físicas ganhe tração nos próximos anos.

A agenda ambiental abre um gigantesco horizonte econômico, que aparece nas finanças, mas também na economia real, com a necessidade, por exemplo, de contratação de profissionais com habilidades verdes. E a procura  por esses trabalhadores vem crescendo mais do que a oferta. De acordo com o relatório Global Green Skills Report 2023, do LinkedIn, entre 2023 e 2024, a procura por profissionais com habilidades sustentáveis aumentou 11,6%, enquanto o número de trabalhadores sem essas qualificações subiu apenas 5,6%.

Redução de Gases de Efeito Estufa
São empregos em áreas diversas, como agricultura regenerativa e sustentável, energia renovável, saneamento, reciclagem, entre outros. "O importante é que o trabalho desempenhado contribui para a redução de emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE), para a preservação dos recursos naturais e para o avanço da transição ecológica. Fonte: Global Energy Review 2025

quinta-feira, 18 de dezembro de 2025

Nuno Loureiro era referência mundial em fusão nuclear e o seu trabalho poderia mudar os rumos da energia limpa


A misteriosa morte de Nuno Loureiro é uma perda enorme para o futuro e para o combate à crise climática. O português trabalhava na criação de energia limpa e redução das emissões de carbono. Tinha sido nomeado diretor do prestigiado MIT - Plasma Science and Fusion Center.

Loureiro era uma figura central na pesquisa global de fusão nuclear, área vista como uma das maiores apostas para energia limpa e abundante no futuro. Seu trabalho ajudou a avançar o entendimento sobre reconexão magnética, turbulência em plasmas e confinamento de partículas, temas críticos para viabilizar reatores de fusão como o ITER e projetos privados ligados ao MIT.

O corpo encontrado morto e baleado em casa permanece ainda uma incógnita e as fake news
Nuno Loureiro não era judeu
Nas redes sociais, logo a seguir ao trágico assassinato do cientista português Nuno Loureiro, surgiram de imediato alegações de que era judeu sugerindo alguma motivação que tivesse a ver com isso. Sabe-se agora que uma repórter foi junto do prédio onde mora a família Loureiro e verificou que estava enfeitado por ocasião da Festa das Luzes judaica (Chanucá ou Hanucá) deduzindo que fosse a dele. Não era; ele tinha vizinhos judeus, incluindo uma senhora de idade a quem por vezes ajudava a subir as escadas com as compras e que até já falou para a imprensa. Também vi a fotografia de uma janela com um letreiro de apoio a Israel, mas creio que nem era a mesmo prédio, embora na mesma rua. De qualquer forma não era o apartamento dele. Isso está tudo confirmado, incluindo por fontes americanas.
Também puseram a correr tweets de um tal Nuno Loureiro com referências ao Hamas, que não é ele, vê-se perfeitamente pela fotografia. Loureiros são aos milhares, não será difícil encontrar Nunos.
Posto isto, acabei de ver um artigo de opinião do Observador sobre o tema, assumindo investigações de Israel que já metem o Irão e tudo. Também vi contas israelitas e iranianas a citarem a pseudo- origem judaica desta mente brilhante que, tragicamente, se perdeu. Ou seja, uma reportagem com informações falsas deu origem a um sem fim de desenvolvimentos sem sentido. Entretanto, quer amigos próximos de Nuno Loureiro, quer colegas do MIT desmentiram quer a origem judaica quer que tenha emitido qualquer opinião pública sobre Israel ou Palestina.
As causas do horroroso assassinato são, até ao momento desconhecidas, mas há uma certeza: por ser judeu (ou militante pró-Israel) é que não foi e a sua esposa é Portuguesa. Por favor, não escrevam disparates nos jornais! Nuno Loureiro deixa mulher e três filhas, segundo notícia logo no 1.° dia, a mais nova terá assistido a tudo

Comoção internacional e impacto no meio científico
A morte de Nuno Loureiro repercutiu rapidamente entre pesquisadores, universidades e instituições científicas. Além de diretor, ele era visto como um articulador de ideias e projetos que buscavam avançar a compreensão da fusão nuclear, uma das grandes apostas para a transição energética do planeta.

A sua ausência deixa um vazio não apenas administrativo, mas intelectual. Projetos em andamento, colaborações internacionais e formações de novos pesquisadores perdem uma liderança considerada fundamental.

Um legado que ultrapassa fronteiras
Mais do que cargos ou títulos, o legado de Nuno Loureiro está ligado à construção de conhecimento em uma área decisiva para o futuro da humanidade. A fusão nuclear, estudada por ele ao longo de décadas, representa a promessa de uma fonte de energia limpa, segura e sustentável.

No meio da tragédia, permanece o impacto de sua contribuição científica, que continuará presente em pesquisas, artigos e na formação de novas gerações de físicos ao redor do mundo.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2025

GEOTA removeu mais uma barreira obsoleta no rio Alviela


No dia 29 de novembro foi removido, perante uma assistência entusiástica, o açude do Sourinho, uma barreira obsoleta à conectividade fluvial.

Esta remoção faz parte de um conjunto de ações de reabilitação a decorrer num troço de 300 m do rio Alviela. Coordenados pelo GEOTA, os trabalhos iniciaram-se em meados de novembro com a limpeza das margens e controle de espécies invasoras.

Na presença da população, proprietários e representantes das principais entidades envolvidas, a coordenadora do Programa Rios Livres GEOTA, Ana Catarina Miranda, salientou a relevância da colaboração institucional com a APA, o Município de Alcanena, entidades académicas como o ISCTE e o Instituto Superior Técnico (que apoiam no processo de participação pública e na monitorização de peixes e de sedimentos), a CLAPA e a E.RIO. Esta última foi representada por Pedro Teiga, que teve a oportunidade de explicar sucintamente o projeto de reabilitação em curso. Nuno Silva, Vice-Presidente do município de Alcanena, enfatizou a importância que estes projetos têm para o município e afirmou que continuarão a apoiar projetos como este.

A coordenadora do Programa Rios Livres do GEOTA, Ana Catarina Miranda, disse que esta é a segunda barreira removida no Alviela, num país onde “existem cerca de 15 mil barreiras à conectividade fluvial identificadas, grande parte delas obsoletas”, causando prejuízos ambientais e diminuição da resiliência às alterações climáticas.

“São estruturas que já não servem qualquer propósito económico ou social e que tendem a provocar impactos ecológicos significativos, desde a limitação das migrações piscícolas à retenção de sedimentos essenciais para combater a erosão costeira”, explicou.

A responsável sublinhou que Portugal tem o objetivo de libertar cerca de 500 quilómetros de rios, no âmbito da meta europeia de remoção de barreiras e recuperação da conectividade em 25 mil quilómetros de cursos de água.

“Atingir esta meta é o objetivo do Estado, mas a capacidade de atuação tem sido limitada. Projetos como o nosso, promovidos por organizações não governamentais e envolvendo a sociedade civil, os governos locais e as instituições académicas, colaboram com o Estado para que seja atingida esta meta”, afirmou.

O projeto no Alviela decorre desde 2023 e inclui mapeamento e priorização de barreiras, participação pública e monitorização.

A intervenção no açude de Sourinho é financiada pela DIMFE, pelo programa internacional Open Rivers Europe,  pela Fundação Calouste Gulbenkian  e pelo prémio Dam Removal Europe 2023, no valor de 15 mil euros, atribuído ao GEOTA pela remoção do açude de Vaqueiros (a primeira barreira eliminada no Alviela, em abril de 2023), com a segunda remoção a representar um investimento global na ordem dos 100 mil euros.

Segundo Ana Catarina Miranda, o GEOTA pretende remover uma barreira por ano entre 2026 e 2028, dependendo da aprovação de novo financiamento internacional.

“Aprendemos muito com as duas intervenções no Alviela. A partir de sábado, existirão menos duas barreiras nesta bacia, mas o problema é nacional e muito mais vasto”, salientou.

No final, Teresa Álvares, Administradora Regional da ARH Tejo e Oeste na APA, sublinhou que “a APA continuará a apoiar e a promover ações de reabilitação fluvial”, destacando os benefícios ecológicos, sociais e económicos que estas iniciativas proporcionam.

Siga o desenvolvimento dos trabalhos em curso em: Sourinho

domingo, 7 de dezembro de 2025

Solos superficiais guardam 45% mais carbono do que o estimado


A camada superior dos solos armazena 45% mais carbono do que se estimava, conclui um relatório da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) que apela à proteção jurídica do solo, à semelhança da atmosfera e dos oceanos.

As camadas mais finas do topo do solo são uma solução climática mais eficaz do que se pensava mas continuam excluídas das políticas climáticas globais, alerta o relatório da Comissão Mundial de Direito Ambiental da IUCN (WCEL), da Aroura e do movimento Save Soil, divulgado no Dia Mundial do Solo, que hoje se celebra.

Os dados das organizações indicam que os solos armazenam 2.822 gigatoneladas de carbono no metro superior e que isso significa que os solos superficiais retêm 45% mais carbono do que as estimativas anteriores.

O relatório denuncia uma persistente marginalização dos solos, da terra e dos sistemas agrícolas no financiamento climático e nas políticas climáticas, lembrando que 40% da terra do planeta está degradada, valor que vai subir para 90% até 2050, segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).

“Restaurar a saúde do solo pode ser uma solução imensa para a mitigação climática e uma ferramenta de sequestro de carbono, mas até que estabeleçamos caminhos claros e acessíveis para investimentos em grande escala, os solos permanecerão estruturalmente excluídos das soluções climáticas”, afirmou Praveena Sridhar do Movimento Save Soil, citada em comunicado.

A organização defende que, para manter o limite de 1,5 °C, o sistema climático deve reconhecer a restauração do solo e da terra como um dos pilares centrais da estabilidade climática global.

Cerca de 27% das emissões necessárias para manter o aquecimento abaixo de 2°C podem ser sequestradas em solos saudáveis, segundo o estudo, no entanto 70% dos países não incluíram a restauração do solo como solução de mitigação das alterações climáticas nas suas Contribuições Nacionalmente Determinadas (CNDs), da cimeira do clima COP30.

One EU project seeks to address this. ⁠A Soil Deal for Europe has an estimated investment of around 1 billion euros (US$1.15 billion) up to 2028, which involves establishing 100 Living Labs, research, innovation, and developing the monitoring framework, includes mapping. ⁠While other EU funding, like the Common Agricultural Policy (CAP), also contributes to soil management, the 1 billion euros is the most direct figure associated with the Soil Mission that underpins the new EU-wide soil health monitoring framework. Its ⁠goal is to develop a robust, harmonized EU-wide soil monitoring framework, which will contribute to assessing and achieving healthy soils by 2030 in line with the EU Green Deal’s long-term vision of healthy soils by 2050.

Unlike the UN Convention on the Law of the Sea (UNCLOS) for oceans and the Paris Agreement for the climate, soil lacks a global legal protection framework. However, the EU, the Pan-African Parliament and the International Union for Conservation of Nature (IUCN) last month took steps mandating the development of a Global Legal Instrument for Soil Security.

At a COP30 High-Level Ministerial Event on Wednesday, Brazil’s Minister of Agriculture and Livestock Carlos Fávaro launched the Resilient Agriculture Investment for Net-Zero Land Degradation as a legacy effort to restore degraded farmland and promote sustainable agriculture.

The report introduces the Soil Security Framework, a practical model for protecting and restoring the world’s soils across five dimensions: capacity, condition, connectivity (how people value soil), capital, and codification (legal protection). This approach reframes soil from an agricultural variable to a strategic resource underpinning food, water security, climate resilience and economic stability.

Soil health is fundamental not only as a carbon sink, but also for climate adaptation. “Living soils are fundamental to agriculture,” said Sridhar. “They support you when you go through climate shocks. Healthy, living soils can absorb flood waters, and in drought they hold water like sponges. The crops are not successful because of the inputs you put on top like chemicals and pesticides – the security lies below the surface.”

sábado, 15 de novembro de 2025

Mushrooms That Could Help Save Our Planet: How Mycelium Fights Plastic



Plastic is one of the biggest threats to our planet. We use it daily—plastic bags, bottles, packaging—without thinking twice about the damage it does. The truth is, plastic takes years, sometimes centuries, to break down in nature, causing irreversible harm to ecosystems and wildlife. But what if I told you there’s something that could help us fight back? Mushrooms.

Yes, you read that right. Mushrooms—small, humble, and often overlooked—could play a crucial role in cleaning up our planet's plastic mess.

How can mushrooms break down plastic?
The magic happens with mycelium, the underground network of thread-like structures that make up the body of fungi. Normally, mycelium breaks down organic matter in the soil, but recent discoveries have shown that certain types of mushrooms can also break down plastic. One amazing example is *Pestalotiopsis microspora*, a species of fungus found in tropical forests that can break down polyurethane—a plastic that’s notoriously difficult to decompose. Scientists around the world are now buzzing about the potential of fungi to help solve the plastic crisis.

Why mushrooms could be the solution we need.
Plastic is incredibly stubborn. It decomposes slowly in nature, if at all, leaving us with mountains of plastic waste that end up in oceans, rivers, and landfills. But mushrooms could change that. By breaking down the chemical bonds in plastic, they turn it into safe, natural compounds. This isn’t just some far-off dream—it's already happening. If we learn to harness the power of mushrooms for recycling plastic, we could drastically reduce pollution.

Mushrooms in action: How does it work?
Some countries are already exploring mushroom-powered solutions. Researchers in Japan and South Korea are developing mushroom-based technologies to recycle plastic waste, while labs are working on creating biodegradable packaging to replace plastic. Imagine a world where plastic packaging or bags disappear after use—no waste, no pollution. That’s the future we could have with mushrooms on our side.

Why does this matter?
Plastic pollution isn’t just an environmental issue—it affects all of us. We encounter plastic every day, and unfortunately, it takes centuries for plastic to degrade. But mushrooms could be the game-changer. They can break down plastic and restore balance to our ecosystems. By utilizing mushrooms, we can reduce waste and create sustainable alternatives that won’t harm the planet.

What can we do?
Mushrooms could be the unsung heroes in the fight against plastic, but for this to work, we need to keep researching and developing these innovative solutions. It’s time to support science that focuses on eco-friendly technologies, and we can all play a part. We can support projects that use mushrooms to clean up plastic, and we can reduce our plastic consumption in the meantime.

Let’s not wait for someone else to take action. Together, we can make a difference. Mushrooms have the potential to change the future—and together, we can create a world where plastic no longer harms the planet.

Mycelium isn’t just organic material—it’s a chance at a better, cleaner future for all of us. 

Saber mais:
O potencial inexplorado do cogumelo comedor de plástico da Amazónia
Micorremediação: 8 maneiras pelas quais os cogumelos destroem a poluição

domingo, 9 de novembro de 2025

COP30: Portugal junta-se a declaração que coloca combate à pobreza no centro da ação climática


Portugal aprovou, juntamente com outros líderes na Cimeira do Clima, uma declaração que coloca o combate à fome e à pobreza nas prioridades das políticas globais para enfrentar as alterações climáticas.

A Declaração de Belém sobre Fome, Pobreza e Ação Climática Centrada nas Pessoas, que também apela a um financiamento internacional mais justo para a ação climática, foi aprovada pelos líderes de 43 países e da União Europeia (UE) após a cimeira de dois dias que terminou na sexta-feira no Brasil.

Embora não crie obrigações jurídicas, a iniciativa procura servir de referência política nas negociações que começam na próxima segunda-feira, em Belém, durante a 30.ª Conferência das Nações Unidas sobre o Clima (COP30).

De acordo com o documento, os impactos da crise climática “já são e continuarão a ser profundamente desiguais”, pelo que as respostas devem dar prioridade às populações mais vulneráveis, especialmente nos países em desenvolvimento.

O texto aprovado na cidade amazónica de Belém, no norte do Brasil, propõe uma abordagem de ação climática centrada nas pessoas, que combine adaptação, proteção social e segurança alimentar.

Segundo a declaração, o impacto das alterações climáticas é desigual e afeta principalmente as comunidades mais pobres e em situação de vulnerabilidade, pelo que, além de continuar a investir em mitigação, os países devem dar prioridade à adaptação, com medidas como seguros para quem perde as colheitas.

Os signatários comprometeram-se a promover políticas que integrem pequenos produtores rurais, pescadores artesanais, povos indígenas e comunidades locais nas estratégias de mitigação e de resiliência.

A declaração propõe que, dos 1,3 biliões de dólares (1,12 biliões de euros) anuais previstos para o combate às alterações climáticas, pelo menos 300 mil milhões de dólares (259 mil milhões de euros) sejam destinados aos países em desenvolvimento até 2035.

Os signatários alertaram que os atuais fluxos de financiamento climático “não chegam de forma suficiente nem equitativa” às comunidades mais vulneráveis.

A declaração foi assinada por grandes economias mundiais como a China, os membros da União Europeia (UE), países europeus como Reino Unido e Noruega, e países latino-americanos, como Brasil, Colômbia, México, Peru, Equador, Uruguai, Chile, República Dominicana, Panamá, Cuba e Haiti.

Entre as medidas destaca-se a criação de um Plano de Aceleração de Soluções, que procurará coordenar ações entre governos, organismos multilaterais e o setor privado.

O acordo estabelece oito objetivos, entre eles ampliar os sistemas de proteção social sensíveis ao clima, fortalecer as cadeias alimentares sustentáveis e garantir meios de subsistência dignos em zonas afetadas pela crise ambiental.

O documento, impulsionado pelo Brasil como país anfitrião da COP30, reflete uma visão em que as políticas de desenvolvimento e as ações climáticas são abordadas de forma conjunta.

O primeiro-ministro, Luís Montenegro, terminou na sexta-feira a visita de dois dias a Belém para participar da Cimeira do Clima, uma reunião de líderes mundiais que antecede a COP30.

A Cimeira do Clima reúne delegações de 143 países, das quais pouco mais de um terço foram chefiadas pelos respetivos líderes nacionais, com a ausência confirmada dos três líderes dos países mais poluidores do mundo (China, Estados Unidos e Índia).

quinta-feira, 30 de outubro de 2025

NDC 3.0: planos pouco ambiciosos e ausência de grandes emissores deixam o mundo longe da meta climática


Um novo relatório faz uma avaliação integral da terceira rodada de Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs), que são fundamentais para a implementação do Acordo de Paris. Aqui, analisamos quatro dos eixos que serão discutidos na COP30.

“Dez anos após sua adoção, podemos afirmar, sem sombra de dúvida, que o Acordo de Paris está dando resultados reais. Mas ele precisa funcionar de forma muito mais rápida e justa, e essa aceleração deve começar imediatamente.” A declaração é de Simon Stiell, Secretário Executivo da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC, na sigla em inglês), após a apresentação, nesta terça-feira (28), do Synthesis Report, relatório sobre a nova rodada dos planos climáticos que os governos devem apresentar para avançar na implementação do Acordo de Paris.

Esses planos são conhecidos tecnicamente como Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs, na sigla em inglês). Neles, a cada cinco anos e de forma cada vez mais ambiciosa, os países devem compartilhar seus compromissos e ações de mitigação e adaptação. A soma de cada compromisso de redução de emissões deve contribuir para limitar o aquecimento global a menos de 1,5 °C, principal meta do acordo firmado em 2015.

O dia 10 de fevereiro de 2025 era a data final para os países apresentarem essa terceira edição das NDCs, mas poucos cumpriram o prazo. Em diversas ocasiões ao longo do ano, a ONU e a presidência brasileira da COP30 convocaram as Partes a fazer suas respectivas apresentações.

O relatório apresentado hoje pela Convenção inclui as 64 novas NDCs que 64 Partes apresentaram formalmente entre 1º de janeiro de 2024 e 30 de setembro de 2025. Estão incluídos os compromissos anunciados pela China e pela União Europeia na Assembleia Geral em Nova York, em setembro? Não na análise geral, porque foram apenas discursos anunciando metas que, naquele momento, não vieram acompanhados da publicação formal dos documentos de NDC completos e detalhados, mas foram incluídos em algumas estimativas específicas.

Também estamos cientes de que os dados contidos no relatório oferecem uma visão bastante limitada, uma vez que o total das NDCs que ele resume representa cerca de um terço das emissões globais.Simon Stiell, Secretário Executivo da UNFCCC

O que o relatório revela sobre esta terceira rodada de NDCs? A seguir, aprofundamos cinco das conclusões da análise que estão vinculadas aos principais temas a ser discutidos na COP30 em Belém.

1- Uma tendência à redução de emissões, ainda sem os maiores emissores
Todos os anos, a principal expectativa em relação ao relatório é qual será a soma total dos compromissos de redução de emissões dos países. Em outras palavras: o quanto estamos perto ou longe de limitar o aquecimento a menos de 1,5°C? Esta edição parte de uma realidade específica: os maiores países emissores ainda não apresentaram seus planos climáticos.

“Este relatório apresenta apenas uma visão parcial. Os principais emissores, como China, União Europeia e Índia, ainda não apresentaram formalmente suas NDCs atualizadas, enquanto vários países em desenvolvimento estão demonstrando como a ação climática pode ser integrada às oportunidades de desenvolvimento”, disse Kaysie Brown, diretora associada de Diplomacia Climática e Geopolítica da E3G.

As 64 NDCs analisadas só cobriram cerca de 30% do total das emissões globais em 2019. O cumprimento dos compromissos de mitigação permitiria uma redução de 17% nas emissões em relação aos níveis de 2019. “De acordo com suas NDCs, as partes estão reduzindo ainda mais as suas curvas de emissões, mas ainda a uma velocidade insuficiente”, afirma o relatório.

“Celebrar uma redução de 17% nas emissões até 2035, quando o IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas) nos diz que precisamos de 60%, é profundamente enganoso. É uma ilusão de avanço”, disse à InfoAmazonia Natalie Unterstell, presidente do Instituto Talanoa, e acrescentou: “Sim, há avanços na economia real. Mas não se vê um resultado correspondente na política. A pior coisa que pode acontecer agora é a negação na COP30. Os líderes devem transformar o mal-estar político em uma resposta coletiva em Belém.”

As ações com maior potencial para atingir esses objetivos seriam florestamento e reflorestamento, energia solar, eletrificação de veículos e redução de emissões da agricultura.

Em relação a um dos temas que já gera debates no período que antecede a COP30 – a transição que deixe para trás os combustíveis fósseis – quase metade das NDCs analisadas apresentou objetivos quantitativos para reduzir uma proporção de combustíveis fósseis em sua geração de eletricidade até 2030.

A esse respeito, Camila Mercure, coordenadora de Políticas Climáticas da Fundación Ambiente y Recursos Naturales, avalia: “No setor energético, e de acordo com o apelo do Balanço Mundial a uma transição que abandone os combustíveis fósseis, é essencial que as NDCs estabeleçam roteiros claros e progressivos para descarbonizar as matrizes, garantindo que a transição busque a suficiência energética e o acesso universal, acessível e contínuo à energia para pessoas e territórios.”

2- Mais foco na adaptação
Setenta e três por cento das 64 NDCs apresentadas incluíram um componente de adaptação, ou seja, como se preparar melhor diante dos impactos atuais e futuros das mudanças climáticas.

As principais áreas em que esses países estão concentrando suas políticas de adaptação são segurança alimentar e nutrição, recursos hídricos, saúde, ecossistemas terrestres e setores econômicos estratégicos.

As secas apareceram como o fator climático de maior impacto sobre os países que apresentaram planos, com consequências sobre recursos hídricos, ecossistemas terrestres, pobreza e meios de subsistência. As inundações afetam principalmente áreas urbanas e rurais, transporte, infraestrutura e saúde. E o aumento do nível do mar ameaça áreas costeiras, ecossistemas oceânicos, património cultural e turismo.

Em comparação com os planos anteriores dessas 64 partes, observou-se um aumento no número de países que descreveram o estado de seus Planos Nacionais de Adaptação e identificaram sinergias e cobenefícios entre medidas de adaptação e mitigação.

Dos planos que incluíram políticas de adaptação, 94% se referiram a perdas e danos causados pelos impactos das mudanças climáticas. Isso demonstra um aumento no interesse pelo tema, em comparação com os 68% dos países analisados ​​que os haviam mencionado em planos anteriores.

O dado importante: os países apontaram a necessidade de financiamento e capacitação para lidar com perdas e danos. O Fundo de Perdas e Danos, estabelecido na COP27 em 2022, ainda está em fase de detalhamento para começar a funcionar, e ainda não tem recursos financeiros suficientes.

3- O financiamento necessário e transversal
Dos 64 novos planos apresentados, 56 apresentaram informações sobre financiamento. Mais especificamente, a maioria se referiu ao que é necessário para implementar suas políticas climáticas.

Os governos aguardam que Azerbaijão e Brasil, que ocuparam as presidências da COP29 e da COP30, divulguem o relatório do Roteiro de Baku a Belém, sobre como aumentar o financiamento de 300 biliões de dólares para 1,3 trilião. Enquanto isso, 33 partes divulgaram cifras orçamentárias concretas sobre o apoio de que necessitam: cerca de 1,97 bilhão de dólares, em conjunto.

Em que atividades esse dinheiro seria usado? Em políticas de redução de emissões nos setores de energia, agricultura e gestão de resíduos, e em políticas de adaptação em agricultura e segurança alimentar, recursos hídricos, saúde e água.

“A maioria dos países em desenvolvimento condicionou grande parte de suas NDCs ao acesso a financiamento internacional, transferência de tecnologia e apoio à capacitação, ressaltando que fechar a lacuna do financiamento climático é essencial para fechar a lacuna de ambição”, disse à InfoAmazonia Rebecca Thissen, coordenadora de global de incidência da Climate Action Network (CAN). E acrescentou: “Os países em desenvolvimento deixaram claro que sua ambição não é limitada pela visão, e sim pelos recursos.”

Além do valor em dinheiro em si, os países divulgaram desafios e limitações financeiras enfrentados na implementação de seus planos climáticos. Isso inclui acesso limitado e tardio ao financiamento devido a processos burocráticos longos e complexos, e dificuldades na mobilização de financiamento privado devido à baixa rentabilidade em setores vulneráveis, à percepção de altos riscos, ou mesmo ao escasso interesse dos investidores em medidas de adaptação.

“O relatório destaca que o apoio internacional previsível, acessível e ampliado não é esmola, e sim a condição para se implementar a ambição já incorporada às NDCs dos países em desenvolvimento. Isso deve ser acompanhado por uma reforma ambiciosa dos sistemas financeiros atuais, criando o espaço fiscal e político de que os países em desenvolvimento precisam para acelerar sua transição justa”, comenta Thissen.

Considerando que 69% do financiamento climático mobilizado em 2022 se deu na forma de empréstimos, não surpreende que uma barreira a mais seja o peso da dívida e as restrições fiscais geradas pelas modalidades de financiamento baseadas em mais endividamento em nome da ação climática. Esse foi um elemento qualitativo não resolvido pela nova meta de financiamento climático – a NCQG – decidida na COP29 anterior.

“As NDCs não são apenas compromissos climáticos, mas também o prospecto de investimento de um país, ou seja, o sinal mais claro para os mercados globais sobre onde se alinharão as políticas e oportunidades”, comentou María Mendiluce, diretora executiva da We Mean Business Coalition, e acrescentou: “Governos e empresas devem trabalhar juntos para criar as condições fiscais e financeiras que façam com que a energia renovável, a eficiência e a resiliência sejam os investimentos mais atrativos em todos os setores.”

4- Um interesse cada vez maior nos mercados de carbono
Na rodada anterior, 64% das Partes que apresentaram novas NDCs haviam manifestado interesse em participar dos mecanismos de mercado de carbono previstos no Artigo 6 do Acordo de Paris (que os regula), como forma de atingir seus objetivos climáticos. Agora, esse número subiu para 89%, incluindo países como Brasil e Indonésia, o que demonstra um crescimento considerável do interesse pelo tema.

O relatório também tem uma motivação a mais: finalizar os detalhes de implementação do Artigo 6 na COP29 abre caminho para que mais países comecem a pensar em seus marcos regulatórios, jurídicos e institucionais para se envolver nos mercados de carbono e se beneficiar deles. Na verdade, os que os países têm mais intenção ou possibilidades de usar são o Artigo 6.2, sobre o comércio de redução de emissões entre países, e o Artigo 6.4, que trata do novo mercado internacional de carbono, sobre os quais houve decisões em Baku.

Maximiliano Manzoni, diretor da Consenso e jornalista especializado em mercados de carbono, disse à InfoAmazonia que identifica diversos problemas com a intenção de muitos países desenvolvidos de cumprir seus compromissos climáticos usando os mercados de carbono de acordo com o Artigo 6.

“Um problema essencial é que os países do Sul Global acabarão subsidiando, com suas florestas, os custos de mitigação dos países do Norte Global, transferindo esse carbono, ao mesmo tempo em que os do Norte podem alegar estar apoiando com financiamento climático”, diz Manzoni.

E mais: “Outro problema é que, sem normas firmes, essas transferências de carbono capturado pelos países do Sul Global para as NDCs do Norte aumentarão os custos de mitigação dos países em desenvolvimento e, em casos mais extremos, os colocarão na difícil situação de aceitar acordos desiguais como única forma de ter acesso a dinheiro para suas próprias necessidades de mitigação e adaptação.”

sábado, 20 de setembro de 2025

Florestas Marinhas no Norte de Portugal: Aliadas na Luta Contra as Alterações Climáticas


Um estudo pioneiro liderado por investigadores do CIIMAR e do Centro de Ciências Marinhas e Ambientais (MARE) identifica as florestas de algas marinhas da costa norte de Portugal como aliadas estratégicas na captura e armazenamento de carbono.

O novo estudo publicado na prestigiada revista Scientific Reports revela que as florestas de kelp desempenham um papel crucial na captura e armazenamento de carbono, oferecendo uma poderosa ferramenta natural para mitigar os efeitos das alterações climáticas. Este trabalho centrou-se no estudo das florestas marinhas da costa norte de Portugal, em particular das espécies Laminaria hyperborea e Saccorhiza polyschides, as duas espécies predominantes nesta zona do país.

A investigação, liderada pelos investigadores Francisco Arenas do CIIMAR e João Franco do MARE, com o contributo de uma equipa de investigadores de ambos os centros, foi financiada pelo programa BlueGrowth do EAA Grants e teve como objetivo quantificar pela primeira vez o stock de carbono armazenado por estes habitats no norte de Portugal.

As Florestas Marinhas do Norte de Portugal
As florestas de kelp são habitats formados por algas castanhas de grande porte que desempenham um papel crucial na manutenção da biodiversidade e da produtividade marinha local. “Estes habitats são comuns na costa norte de Portugal, onde existem condições únicas para o seu desenvolvimento, e representam a fronteira mais a sul para algumas das espécies aqui encontradas”, explica Francisco Arenas, líder da investigação. No entanto, estes habitats são altamente vulneráveis ​​às alterações climáticas. “Já foi detectado um processo de tropicalização nas águas portuguesas, que coloca em risco a biodiversidade associada, bem como os serviços ecológicos que estas florestas prestam, incluindo a capacidade de capturar e armazenar carbono, conhecido como Carbono Azul, contribuindo para a mitigação das alterações climáticas”, acrescenta.

Resultados impressionantes
O estudo em causa quantificou pela primeira vez o stock de carbono armazenado por estes habitats no norte de Portugal através de medições de campo, incluindo a extensão, biomassa, crescimento e teor de carbono. “Foi a primeira avaliação do valor do carbono azul associado às florestas de kelp em Portugal”, afirma o líder do estudo e investigador do CIIMAR.

Os resultados agora publicados no artigo Potential blue carbon in the fringe of Southern European Kelp forestsmostram que estas florestas armazenam cerca de 16,48 gigagramas (Gg) de carbono numa área de 5.100 hectares, o equivalente a mais de 5.000 campos de futebol. Embora ocupem uma área relativamente pequena em comparação com o tamanho do planeta, estas florestas de algas marinhas demonstram uma eficiência de captura de carbono por metro quadrado comparável ou superior à de habitats mais extensos. Este valor corresponde a 14% do carbono azul inventariado até ao momento para Portugal, cujas estimativas anteriores se limitavam a sapais e tapetes de ervas marinhas.

Principais aliados no Carbono Azul
Graças à sua elevada produtividade, estima-se que estes habitats sejam capazes de sequestrar e exportar cerca de um terço do carbono capturado anualmente por todos os habitats de plantas marinhas do país. Esta taxa excecional de sequestro de carbono realça o papel essencial, e até agora amplamente subvalorizado, das florestas de algas marinhas na mitigação das alterações climáticas.

Segundo Francisco Arenas, estas florestas marinhas são “frequentemente desconhecidas e subvalorizadas, apesar do seu valor ecológico e económico extremamente importante na costa norte de Portugal”. Estes habitats são fundamentais tanto pela sua capacidade de mitigar as alterações climáticas como como promotores da biodiversidade local, proporcionando abrigo, alimento e áreas de reprodução para inúmeras espécies marinhas.

O estudo recomenda ainda políticas específicas para a monitorização, conservação e, eventualmente, restauração destas áreas, reforçando a sua importância não só como sumidouros de carbono, mas também como habitats vitais para a saúde dos oceanos. À luz da actual crise climática, os cientistas defendem que a inclusão das florestas de kelp nas políticas de conservação marinha e de carbono azul deve ser uma prioridade, tanto a nível nacional como global. “Com a Lei de Restauração da Natureza da União Europeia em fase inicial de implementação, é urgente desenvolver e implementar técnicas eficazes de restauração ecológica, particularmente em habitats altamente vulneráveis, mas também com elevado potencial para a prestação de serviços ecossistémicos, como as florestas marinhas”, conclui Francisco Arenas.

segunda-feira, 5 de maio de 2025

GEOTA alerta para riscos ambientais em proposta do mercado voluntário de carbono


O GEOTA – Grupo de Estudos de Ordenamento do Território e Ambiente – manifestou esta segunda-feira sérias reservas quanto à proposta de “Metodologia de Carbono sobre Novas Florestações”, cuja consulta pública decorreu até 25 de abril, pois, embora reconheça a importância de mecanismos que incentivem o sequestro de carbono, teme que o documento em causa acabe por viabilizar, de forma indireta, o financiamento de plantações de eucalipto, comprometendo a sustentabilidade florestal em Portugal.

Segundo o GEOTA, a proposta não estabelece limites claros à inclusão do eucalipto, permitindo a elegibilidade de todas as espécies constantes nos grupos I e II dos Programas Regionais de Ordenamento Florestal (PROF), nos quais o eucalipto se encontra. Além disso, a metodologia admite exceções, desde que devidamente justificadas e aprovadas pelo Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, abrindo a porta a espécies fora dos grupos prioritários. Esta flexibilidade levanta preocupações face aos impactos já conhecidos da proliferação do eucalipto no território nacional.

Miguel Jerónimo, coordenador dos projetos Renature, considera “profundamente perverso” que o mercado voluntário de carbono possa servir de suporte financeiro a uma cultura florestal que já ocupa mais de 25% da floresta portuguesa, associada a riscos como a perda de biodiversidade, escassez hídrica e maior vulnerabilidade a incêndios. Para o GEOTA, permitir a expansão desta espécie é contrário ao espírito da proposta, que deveria contribuir para a mitigação das alterações climáticas de forma ambientalmente responsável.

A organização critica também a possibilidade de conversão de terrenos agrícolas e pastagens atualmente produtivos, alertando para os potenciais efeitos negativos na segurança alimentar e na diversidade de usos do espaço rural. Defende-se, em alternativa, que apenas solos agrícolas abandonados e sem viabilidade de recuperação produtiva sejam considerados elegíveis para florestação.

Outra falha apontada prende-se com a exclusão de áreas recentemente afetadas por incêndios, que não podem ser intervencionadas se tiverem tido presença florestal nos últimos dez anos (ou seis nas zonas prioritárias). Esta restrição, segundo o GEOTA, contraria a urgência de restaurar ecossistemas destruídos pelo fogo e enfraquece a capacidade de adaptação das florestas às alterações climáticas.

Por fim, o GEOTA contesta a possibilidade de corte de madeira durante o período de validade dos créditos de carbono, mesmo que acompanhado de replantação. Essa prática, sublinha, mina o princípio de "permanência" – essencial à credibilidade e eficácia climática do mercado de carbono – e pode colocar em causa a confiança pública e institucional neste tipo de mecanismos. A organização exige uma revisão profunda da metodologia, alinhada com os objetivos da conservação da natureza e da justiça intergeracional.