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quinta-feira, 16 de julho de 2026

Ainda Girabolhos: A ironia da data e o impacto ambiental da nova barragem no Mondego


Por Alexandre Silva
Hoje, dia 15 de julho, vai ser anunciado pela Senhora Ministra do Ambiente e da Energia, a abertura do concurso para atribuição da concessão de captação de água, produção, Hidroelétrica e conceção, construção, exploração e conservação do Aproveitamento Hidráulico de Fins Múltiplos Girabolhos/Bogueira no rio Mondego.

A data escolhida para o lançamento do procedimento concursal é no mínimo sinistra, enigmática, hilariante, infeliz, senão provocatória. Vejamos, por mero acaso ou por incúria, por desconhecimento ou insensatez, ou talvez para acicatar aqueles, que se manifestam e levantam muitas reservas à construção deste empreendimento, os promotores decidiram fazer o anúncio oficial, em data coincidente com as comemorações dos 50 anos do Parque Natural da Serra da Estrela (PNSE) e, aproveitando o ensejo, para se regozijarem pela recente classificação da região como Reserva da Biosfera da UNESCO (RBU). 

Será que o ICNF (salvaguardando que o empreendimento se encontra na periferia exterior do PNSE) e a pomposa RBU concordam com este tipo de infraestruturas? 

Acresce, ainda, que o local de implantação deste empreendimento é território abrangido pelo Estrela Geopark UNSECO e área marginal ao Sítio de Interesse Comunitário: Carregal do Sal, ao abrigo da Directiva habitats – Rede Natura 2000, criada para a conservação do narciso-do-mondego (Narcissus scaberulus), planta endémica do troço médio do rio Mondego. 

Será que a UNESCO compactuaria com a implementação deste empreendimento?

E quanto ao Plano Nacional de Restauro da Natureza a que estamos obrigados no âmbito da União Europeia? Não estamos a ir precisamente no sentido oposto? E os compromissos da mesma Rede Natura?

Será que foram avaliados os verdadeiros impactes sobre os sobreirais de ambas as vertentes do rio Mondego, na área de implementação do empreendimento? 

As barragens têm impactos ambientais muito significativos e as atuais orientações da Directiva-Quadro da Água, não privilegiam estas infraestruturas e consideram-nas como “pressões hidromorfológicas”. 

Presentemente, a União Europeia condiciona ou não financia de todo barragens.  Serão os vencedores do concurso os financiadores do projeto? A que custos para o erário publico e para os contribuintes? Rendas milionárias, quase perpétuas? Impostos encapotados? 

Uma barragem com fins hidroelétricos deve estar próxima da sua capacidade máxima, já para regularizar picos de caudal deve estar o mais vazia possível. Não parece um contrassenso?  

A Avaliação de Impacto Ambiental (AIA) de 2009/2010 está, no mínimo, desatualizada e enferma de omissões.  

A sub-bacia regularizada pela Barragem de Girabolhos representará apenas 15% da Bacia do Mondego. O rio Ceira contribuiu com mais de 1000 m3/s nas cheias de 2019 e 2026. Não será fácil controlar as cheias em Coimbra e no Baixo Mondego aquando de eventos extremos. Girabolhos-Bogueira é um mero paliativo, caríssimo, de duvidosa eficiência e catastrófico a nível ambiental.

Porquê a pressa? Tendo sido alterados, os pressupostos iniciais a que o empreendimento se destinava, não seria lógico e mais consensual lançar uma nova AIA e depois decidir?

A APA consegue saber qual o impacte sobre a população de narciso-do-mondego, sobre os sobreirais e sobre os serviços dos ecossistemas associados a este troço do rio Mondego? 


A montante de Girabolhos-Bogueira:
O que se fez após os incêndios de 2017, 2022 e 2025 para minimizar a erosão? 
Porque não reabilitar a Barragem de Fagilde aumentando a sua capacidade de reserva?
E a jusante de Girabolhos-Bogueira:
Como tem sido a manutenção, ou falta dela, no Aproveitamento Hidráulico do Baixo Mondego? Diques em rutura, vegetação exótica e invasora a desestabilizar e fragilizar a estabilidade e a segurança dos diques.

E a contínua construção em leito de cheia no setor inferior do Mondego? Quem a autoriza, mesmo após as cheias de 2026, apesar dos constantes e recorrentes alertas? 

Porque se projetou e edificou em 1991, um troço da A1 em pleno dique direito do Canal Principal do Mondego construído, 10 anos antes, em 1981?

E a falta do desassoreamento do troço do Mondego entre Santa Clara-Açude? De quem é a competência? Da APA? Do Governo? do Aproveitamento Hidráulico do Baixo Mondego?



O que se antevê caso Girabolhos-Bogueira realmente se construa:
Abre-se  um sério precedente para a construção da Barragem de Nossa Senhora da Assedasse, entretanto adormecida numa qualquer gaveta poeirenta, mas que encontrará respaldo de Girabolhos-Bogueira! 

Estamos também dispostos a abdicar dos Casais de Folgosinho e do Covão da Ponte (Gouveia-Manteigas)? 

E porque não exumar das catacumbas o projeto da barragem da Candieira, em pleno Vale Glaciário do Zêzere (Aproveitamento Hidráulico do Alto-Zêzere)?

Será, também, uma excelente oportunidade para instalar parques eólicos e, talvez fotovoltaicos, como estruturas complementares a Girabolhos-Bogueira, que serão financiados, sob a forma de rendas ruinosas, a longo prazo, para pagar o investimento da construção. Não seremos nós a pagar, mas será a herança que será legada às gerações futuras e a uma população, ainda mais reduzida do que aquela que, hoje, por cá sobrevive.

Por fim, de que valem os chapéus como Reservas da Biosfera e Geoparques UNSECO, Sítios Rede Natura 2000, como o de Carregal do Sal criado para proteger uma planta endémica do Portugal e cuja área de inundação da barragem será um forte revés à sua conservação?

Será que o narciso-do-mondego sabe mesmo nadar?

Sobreturismo nas montanhas: o impacto ambiental que ninguém quer ver


A pressão humana sobre as montanhas está a atingir um ponto de rutura irreversível. Um mega-estudo que analisou quase 50 anos de investigação científica global sobre o turismo de montanha  ("Environmental and Economic Impacts of Mountain Tourism: A Critical Review") revela que, a partir de 2019, o alerta disparou: a urgência climática e o fenómeno do overtourism (sobreturismo) estão a sufocar os ecossistemas de altitude.

Para percebermos a gravidade real deste cenário, a ciência aponta para quatro grandes problemas silenciosos que estão a acontecer agora mesmo

1. Microplásticos no topo do mundo: o estudo do Everest
No que toca à poluição por plásticos, o estudo mais emblemático e surpreendente é o "Mount Everest's microplastics", publicado em 2020 na prestigiada revista One Earth pela investigadora Imogen Napper e a sua equipa. Os cientistas analisaram amostras de neve e de água de ribeiros recolhidas em vários pontos da montanha, incluindo no "Balcony" a 8.440 metros de altitude - praticamente no topo do monte Everest.
Os resultados foram alarmantes: encontraram microplásticos em absolutamente todas as amostras de neve analisadas. A análise laboratorial revelou que a esmagadora maioria destas partículas eram fibras de poliéster, acrílico, nylon e polipropileno. A conclusão dos investigadores é direta: a fonte desta poluição não é o lixo trazido pelo vento de cidades distantes, mas sim o próprio vestuário técnico de alta performance, as cordas e as tendas utilizadas pelos montanhistas de elite durante a sua subida.

2. O colapso da gestão de resíduos no Himalaia
Para compreender o impacto sistémico do lixo físico e da falta de infraestruturas em áreas remotas, o artigo de referência é o "Contemporary environmental issues in Sagarmatha (Everest) National Park", publicado pelo geógrafo Alton C. Byers na revista Mountain Research and Development.
Este estudo clássico mapeou no terreno como o crescimento descontrolado do turismo de aventura nas últimas décadas colapsou por completo a capacidade de carga da região. Byers documentou a proliferação de lixeiras informais a céu aberto ao longo dos trilhos de aproximação, onde toneladas de plástico, metal e dejetos humanos são depositados sem qualquer tratamento, contaminando diretamente os lençóis freáticos e os ribeiros que abastecem as populações locais que vivem no sopé das montanhas.

3. O impacto silencioso sobre a fauna selvagem
No que diz respeito à perturbação da vida selvagem, destaca-se uma enorme meta-análise publicada na revista PLOS ONE por Courtney L. Larson e os seus colaboradores, intitulada "Effects of recreation on animals in protected areas". Os investigadores analisaram sistematicamente 274 estudos científicos independentes para perceber como as atividades de lazer afetam os animais.
A grande conclusão é que mesmo atividades consideradas de "baixo impacto", como uma simples caminhada (hiking) ou corrida em trilhos de montanha, desencadeiam respostas fisiológicas de stress muito fortes na fauna local. A presença humana constante força os animais a abandonar áreas ricas em alimento, altera os seus padrões de sono e de caça e reduz significativamente as suas taxas de sucesso reprodutivo, empurrando espécies já ameaçadas para altitudes ainda mais extremas e inóspitas.

4. A destruição invisível do solo e da flora alpina
Por fim, para entender a degradação física dos trilhos, os investigadores Jeff Marion e Yu-Fai Leung publicaram o artigo "Trail environments and visitor impacts" no Journal of Environmental Management. Os autores explicam a mecânica por trás do pisoteio turístico.
As plantas que crescem em ambientes alpinos enfrentam condições meteorológicas extremas e, por isso, têm um crescimento incrivelmente lento - algumas demoram décadas a crescer escassos centímetros. O estudo demonstra que bastam algumas dezenas de passagens de caminhantes fora dos trilhos oficiais para compactar o solo de forma irreversível. Esta compactação impede que as sementes germinem, bloqueia a infiltração da água da chuva e destrói a microflora do solo. Sem vegetação para segurar a terra, a chuva e o vento iniciam um processo rápido de erosão que rasga a montanha e pode provocar derrocadas de terra severas.

Conclusão
Anda-se a querer matar aquilo que pode ser realmente a galinha dos ovos de ouro do futuro, apenas porque pensam unicamente no imediato, do que acham que agrada o povo, sobretudo o povo eleitor, que acreditando que este tipo de turismo vai dar dinheiro aos montes e toda a vida, apoiam iniciativas e ideias que lhes são vendidas como garantia de futuro.
Também é possível trazer mais valias para o território sem estragar e comprometer o futuro, tem é que se fazer como deve ser feito, com sustentabilidade, com visão e não da maneira mais fácil porque, assim, acabarão por matar a galinha. Muitos países já estão a pagar muito caro e nós continuamos a não aprender com os erros dos outros.
Na Tailândia fecharam das praias mais conhecidas, na Islândia reduziram o número de turistas e proibiram o acesso a uma série de locais, em alguns países, como aqui ao lado em Espanha, em algumas zonas naturais e protegidas, as visitas são condicionadas apenas em determinados dias da semana e quando entrara o número de pessoas autorizado fecham o acesso nesse dia
Na Costa Rica visitas em áreas protegidas só com guias autorizados e com limite diário, nos Estados Unidos, Nova Zelândia e Austrália, nos principais Parques Naturais é necessária reserva antecipada para visitas e têm que ser acompanhadas por guias. E há muitos mais exemplos, mas muitos mais.
E em todas estas áreas protegidas vive gente. Gente que precisa dos turistas e vivem do turismo, o que demonstra que não é preciso estragar e destruir para se ganhar com o turismo de natureza.
Por cá, neste país, quer-se viver um ano inteiro do que se trabalha em 4 ou 5 meses. No turismo de natureza sustentável tem que se trabalhar todo ano.
Mas esses estrangeiros devem ser burros, não percebem nada disto. Nós é que somos as sumidades, nós é que somos o exemplo.
Aqui cada vez se abre mais, cada vez se quer mais confusão, mais lixo, cada vez se levantam mais restrições. Vende-se ao povo a ideia que viver numa área protegida é uma desgraça que só é minimizada se massificarmos. Mesmo sabendo que estão a mentir ao povo. O imediato, o agora, é que conta para quem convence o povo desta forma.

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sábado, 3 de janeiro de 2026

Pretendem vender a Beira e outros territórios nacionais para serem a pilha eléctrica da Europa do norte



O primeiro flyer oficial já está pronto e pode ser impresso!

O que você pode fazer?

Compartilhe este post em todas as suas redes sociais, envie para seus amigos e use todos os meios digitais que tiver à disposição.

Leve a mensagem para o mundo real. Imprima flyers e cartazes – alguns poucos exemplares por conta própria, se puder. Ou peça apoio à sua administração local. Ninguém deve se comprometer financeiramente demais – mas se cada um fizer um pequeno esforço, podemos criar uma grande campanha.

Distribua os flyers nas ruas. Pergunte aos seus comércios e cafés favoritos se você pode deixar flyers ou colocar cartazes. Use o espaço público dentro dos limites legais. Cole um cartaz no interior do vidro do carro (onde não atrapalhe a visão). Incentive seus amigos a fazer o mesmo.

IMPORTANTE: Antes de imprimir, sempre verifique se o QR code funciona. Já circula um flyer onde isso não ocorre. Portanto, use apenas esta versão por enquanto. Nas próximas semanas, vamos lançar novos designs.

Claro, todos estão convidados a criar seu próprio design! A única solicitação: inclua o QR code correto. 
Sejamos criativos!

Mostremos solidariedade e senso de comunidade. Demonstremos força e determinação.
Vamos fazer Lisboa vibrar em 31 de janeiro!

Juntos somos fortes!

quarta-feira, 3 de dezembro de 2025

Motor de desenvolvimento ou de danos irreparáveis? Parque solar planeado para Portugal abre polémica


Após a leitura deste artigo, apelo que assinem e partilhem esta petição que ainda só tem cerca de 4.200 Faça-o agora e partilhe com os vossos contactos. Precisamos de 7.500 assinaturas! As petições com mais de 7.500 assinaturas podem ser discutidas em plenário na Assembleia da República [consultar o guia]

Um novo projeto solar, que será sediado no distrito português de Castelo Branco, está a ser amplamente contestado tanto pelas associações ambientalistas como pelos próprios municípios. Chama-se Parque Solar Fotovoltaico Sophia e, segundo anunciado no site da empresa por detrás da iniciativa, a Lightsource bp, o seu objetivo passa por "conciliar a produção de energia renovável com a valorização ambiental do território e benefícios duradouros para as comunidades locais".

Tratar-se-á de um parque solar que deverá ser um dos maiores do país, com um total de 867 MWp de potência e que envolverá, de acordo com a Lightsource bp, um investimento de cerca de 590 milhões de euros. A empresa estima que o mesmo será capaz, no futuro, de "abastecer mais de 370 mil habitações e evitar a emissão de cerca de 24,5 mil toneladas de CO₂ por ano", com vista a contribuir "para as metas do Plano Nacional Energia e Clima 2030".

O projeto, que abrangerá os municípios do Fundão, Penamacor e Idanha-a-Nova, esteve em fase de consulta pública até ao passado dia 20 de novembro, durante mais de um mês, tendo angariado mais de 10 mil contribuições. Foi a consulta pública mais participada de sempre, com críticas a surgirem de várias partes, apesar de a empresa assumir, publicamente, que o projeto "integra um conjunto robusto de medidas de proteção ambiental e valorização da paisagem".

O que está, então, previsto no projeto, que impactos se espera que o parque solar tenha na região e de que modo a Lightsource bp está a encarar toda a polémica?

O que motivou a escolha do local e quando se prevê que esteja operacional
"A escolha do local de implantação de qualquer projeto de energia renovável, seja ele solar ou eólico, é a proximidade ao ponto de ligação à rede elétrica." A explicação é dada, em esclarecimento enviado à Euronews, pela própria Lightsource bp. "No caso do parque solar Sophia o ponto de ligação é a Subestação da REN do Fundão, vinculado através de um Acordo de Título de Reserva de Capacidade (TRC)", tendo a área selecionada para a sua implantação resultado de uma "análise técnica ambiental que confirmou esta opção como a de menor impacte num raio de 30 km ao redor da Subestação do Fundão".

A empresa refere ainda que, para elaborar o "Estudo Prévio que esteve em consulta pública", foi realizado "um trabalho exaustivo de recolha de informações ambientais refletindo um projeto em desenvolvimento há seis anos".

Neste momento, elabora a Lightsource bp, "o projeto Sophia está numa fase inicial de licenciamento, com entrada em operação prevista para 2030".

O que diz o Estudo de Impacte Ambiental
O documento, datado de setembro de 2025, detalha, entre tantos outros pontos, que esta central solar será "constituída por 1.365.588 módulos fotovoltaicos, que ocuparão uma área total, dividida em setores, de cerca de 390 hectares".

No Estudo de Impacte Ambiental, destaca-se ainda que o "modelo selecionado", neste caso, para a conversão da energia solar em elétrica, tem como "vantagens" uma elevada "eficiência", "fiabilidade" e "rendimento energético".

Além do mais, a análise realizada indica que a proposta "não abrange áreas da Rede Nacional de Áreas Protegidas ou Sítios da Rede Natura 2000", destinadas a garantir a proteção de zonas naturais reconhecidas e a conservação da biodiversidade, respetivamente. Ainda que "a área de implantação" da central se sobreponha "ao Geopark Naturtejo Mundial da UNESCO, reconhecido pelo Programa Internacional de Geociências e Geoparques da UNESCO".

Outra das principais conclusões prende-se com o facto de a fase de construção do parque solar constituir "o período mais crítico ao nível dos impactes negativos, nomeadamente sobre os descritores usos do solo, flora, vegetação, habitats, fauna e paisagem". Alerta-se, inclusive, que os maiores riscos estão associados "à desmatação, abertura de caminhos e à construção da subestação" da própria central.

Afirma-se, no entanto, que nessa mesma fase de construção, "as comunidades vegetais afetadas pela implementação dos projetos apresentam predominantemente reduzido valor conservacionista e/ou ecológico". Ainda que se reconheça que será necessário "abater ou afetar indivíduos de azinheiras ou de sobreiros isolados" - 1.120 e 421 de cada, respetivamente.

Já relativamente à fauna, "durante a fase de construção prevê-se a ocorrência de diversas ações que poderão conduzir a efeitos negativos para os diferentes grupos faunísticos".

Entre outros tantos pontos dignos de consideração nesta análise, recorda-se que a implantação da central "dará origem a impactes paisagísticos" num local que fica nas proximidades de "três aldeias históricas, nomeadamente, Castelo Novo, Idanha-A-Velha e Monsanto".

Salienta-se ainda, ao "nível do património", que a fase de construção "comporta um conjunto de intervenções e obras potencialmente geradoras de impactes genericamente negativos, definitivos e irreversíveis". Mas também a existência de "um impacte económico extremamente importante e significativo" por via do "arrendamento das terras" por um período de "40 anos", mas igualmente de "um investimento de cerca de 590 milhões de euros, fundamentalmente, através da captação de capitais externos".

Conclui-se também que "a conceção do projeto garantiu a não colocação de painéis fotovoltaicos em solos agrícolas integrados na RAN [Reserva Agrícola Nacional]", que, fruto das suas características, apresentam maior aptidão para a atividade agrícola. E que "para além de reuniões mantidas com os municípios e com a [rede] Aldeias Históricas, foram também tidas reuniões setoriais e de trabalho com a APA [Agência Portuguesa do Ambiente] e ICNF [Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas], em fase precoce de desenvolvimento, para apresentação e discussão do projeto".

segunda-feira, 10 de novembro de 2025

Filho de Marques Mendes envolvido em megacentral fotovoltaica Sophia


De acordo com uma investigação de oRegiões, conduzida pelo jornalista Fernando Jesus Pires, o nome do filho de Luís Marques Mendes é referido como estando associado ao projeto solar Sophia, que prevê o abate de 421 sobreiros e 1120 azinheiras para se construir um parque fotovoltaico. A iniciativa poderá afectar habitats de mais de 100 espécies registadas na região e estudos gerais indicam que os parques solares poderão causar um aumento local da temperatura entre 3 a 5 graus.

O projeto está ligado à Coloursflow (gerida por Miguel Ricardo Fernandes Lopes Lobo). O único sócio da Coloursflow é a Lightsource Renewable Energy Portugal (HoldCo), Lda., sociedade detida por João Pedro Pinto Salazar Marques Mendes, filho de Luís Marques Mendes, antigo líder do PSD e actual candidato à Presidência da República, e por Ana Carolina Miranda Almeida. Já a gestão é assumida por Carlos Alexandre Henriques dos Santos.

No início de 2025, segundo uma notícia da ECO, a PLMJ (uma sociedade de advogados) “assessorou a Lightsource bp na venda do projeto solar fotovoltaico “Cibele” (com capacidade de 130MW e em fase de “ready-to-build”) à Exus Renewables. A referida sociedade de advogados fundada por José Miguel Júdice e Francisco Oliveira Martins, assessorou a transação que foi liderada por João Marques Mendes, sócio da área de Energia e Recursos Naturais, e por Nuno Serrão Faria, associado coordenador na área de Corporate M&A.” De relembrar que José Miguel Júdice é actualmente mandatário nacional de João Cotrim de Figueiredo, como candidato à Presidência da República.

Recentemente, a Lightsource bp promoveu uma apresentação sobre “Hybrid PPA: bringing innovative solutions to your procurement energy strategy“ e o evento contou com uma intervenção de João Marques Mendes, sócio da PLMJ Advogados.

De notar que a TVI já tinha feito uma reportagem sobre a Operação Influencer, em que João Marques Mendes, filho de Luís Marques Mendes, é ouvido em escutas.

Actualmente, a futura central solar fotovoltaica encontra-se em consulta pública para licenciamento ambiental, abrangendo cerca de 400 hectares no Fundão. Ainda, irá afectar a Reserva Ecológica Nacional, incluindo cursos de água, leitos, margens e zonas de elevado risco de erosão do solo. Algumas espécies em perigo como a Águia Imperial Ibérica, o Abutre Preto e a Cegonha Preta poderão ver os seus habitats perturbados.Imagem ilustrativa de um parque fotovoltaico

Não menos importante, esta decisão poderá desfigurar a paisagem natural e cultural da Beira Baixa, nomeadamente os mosaicos de oliveiras, sobreiros e muros de xisto.

Fontes:
  1. Silêncio Solar: O Negócio do Filho de Marques Mendes e a Submissão dos Autarcas à Nova Colonização Energética – oRegiões
  2. Media Lobo
  3. A CSF de Sophia e as LMAT associadas
  4. Operação Influencer: João Marques Mendes, filho de Luís Marques Mendes, ouvido em escutas | TVI Player
  5. Agência Portuguesa do Ambiente
  6. PPA híbridos: a nova geração de soluções energéticas renováveis para empresas comprometidas com o crescimento económico | Lightsource bp
  7. PLMJ assessora Lightsource bp na venda de projeto solar – ECO

segunda-feira, 14 de abril de 2025

Qual a dimensão do património natural de Portugal?

A diversidade topográfica e edafoclimática do nosso país
permite uma multiplicidade de áreas com valor de conservação (mapa do continente).
Fonte (adaptada): Relatório Estado do Ambiente, APA, consultado em Abril 2025 (ICNF, 2024)

O património natural de Portugal inclui cerca de 35 mil espécies de animais e plantas, segundo a União Internacional da Conservação da Natureza (IUCN), citada na Estratégia Nacional de Conservação da Natureza e Biodiversidade (ENCNB 2030). Estes valores representam 22% da totalidade das espécies descritas na Europa e 2% das espécies mundiais.

As áreas portuguesas com valor de conservação e biodiversidade encontram-se integradas no Sistema Nacional de Áreas Classificadas – SNAC. Além de incluir as áreas classificadas como a Rede Natura 2000, o SNAC abrange também a Rede Nacional de Áreas Protegidas (RNAP) e outras áreas classificadas na sequência de compromissos internacionais assumidos pelo Estado português.

De acordo com o geocatálogo do ICNF – Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (consultado em março de 2025), existem no território continental 55 áreas protegidas:

Todas elas integram a RNAP e juntas correspondem a uma área de 816 mil hectares (dos quais 746 mil hectares de área terrestre), que ocupa cerca de 9% do território nacional.

Além destas tipologias de proteção, o ICNF refere ainda:
  1. 05 Sítios Natura 2000, com uma área de 4,5 milhões de hectares, dos quais 1,6 milhões de hectares em área terrestre;
  2. 6 Reservas da Biosfera, com 1,1 milhões de hectares, maioritariamente em área terrestre;
  3. 18 Sítios Ramsar, que se estendem por 117 mil hectares de área terrestre;
  4. e 4 Geoparques, que ocupam 836 mil hectares de área terrestre (em vez de quatro, a lista de Geoparques Mundiais da UNESCO, indicada por esta organização, refere cinco em território continental: Naturtejo da Meseta Meridional, Arouca, Terras de Cavaleiros, Serra da Estrela e Oeste, tendo este último sido integrado ainda em 2024).
No seu conjunto, estas áreas classificadas ocupam 3,1 milhões de hectares de área terrestre – 34,8% do território terrestre de Portugal continental – e 3,4 milhões de hectares de área marinha – 10,7% do território marítimo de Portugal continental. E não está ainda aqui considerado o Geoparque do Oeste.

Quanto à Rede Natura 2000, esta rede ecológica para o espaço da União Europeia (UE) integra cerca de 22% da área total terrestre nacional, da que acrescem uma área marinha de cerca de 10,7%. O país ocupa, a propósito, o 10.º lugar entre os 28 Estados-Membros da UE em termos de percentagem de área total integrada na Rede Natura 2000, realça a ENCNB 2030.

Os ecossistemas agrícolas e florestais ocupam cerca de 80% das áreas protegidas ou classificadas em Portugal continental, segundo a ENCNB 2030. O 6.º Inventário Florestal Nacional (IFN6, publicado pelo ICNF em 2019), que fornece um retrato mais focado na importância da área florestal para a biodiversidade, indica que a área florestal integrada no SNAC corresponde a 18,7% da floresta nacional e que 5,5% da floresta está incluída na RNAP, com várias espécies presentes.

Aproximadamente 25% da área florestal sob Planos de Gestão Florestal está englobada no SNAC, ou seja, em áreas classificadas e, por isso, sujeitas a Planos de Gestão da Biodiversidade, reforça o 5.º Relatório Nacional à Convenção sobre a Diversidade Biológica.

Património natural das regiões autónomas
Ao património natural continental somam-se ainda inúmeras áreas terrestres e marinhas nos arquipélagos dos Açores e da Madeira:

– Na Região Autónoma dos Açores, estão classificadas 24 Reservas Naturais, 10 Monumentos Naturais e 16 Paisagens Protegidas; 4 Reservas da Biosfera; 13 sítios Ramsar, 1 Geoparque e 40 áreas de Rede Natura 2000.

– Na Região Autónoma da Madeira, contabilizam-se o Parque Natural da Madeira (que abrange cerca de dois terços da ilha da Madeira), 4 Reservas Naturais, 2 Áreas Protegidas e a Rede de Áreas Marinhas Protegidas de Porto Santo.

terça-feira, 9 de abril de 2024

Petição Criação da Ordem dos Geólogos (2024)

Para: Ex.mo Sr. Presidente da Assembleia da República

Os geólogos são profissionais com formação superior específica no vasto domínio da geologia, debruçando-se, nomeadamente, no estudo do solo, do subsolo, dos processos geológicos ativos e daqueles que ocorreram ao longo da história da Terra. Atuam, igualmente, no âmbito do ordenamento e planeamento do território, na exploração e gestão sustentável dos recursos naturais, e na prevenção e mitigação dos riscos geológicos. O desempenho da profissão de geólogo está dependente do conhecimento geológico do território, sendo este de importância estratégica para o desenvolvimento socioeconómico do país. Estes profissionais contribuem para a obtenção de soluções sustentáveis para muitos dos grandes problemas sociais, económicos e ambientais que a Sociedade enfrenta, tais como as mudanças climáticas, a transição energética, a escassez hídrica e o declínio dos ecossistemas.

A profissão de geólogo tornou-se, nas últimas décadas, complexa e muito diversificada devido à sua ligação com outras profissões numa grande variedade de domínios de atividade, nomeadamente, nos sectores das indústrias de construção, extrativa e energética, do ordenamento do território, da gestão ambiental, bem como da prestação de serviços especializados ao Estado e às empresas. Atua, ainda, nos setores da proteção ambiental e societal. Ou seja, o geólogo é um especialista com um olhar único na proteção e gestão sustentável do nexo solo-água-energia-alimentos-património, tão destacado, por exemplo, pela ONU – Organização das Nações Unidas, FAO - Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura, e UNESCO - Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura. Tem, também, um papel determinante na dinamização da geologia espacial dos programas da AEP - Agência Espacial Portuguesa, ESA – Agência Espacial Europeia e NASA - Administração Nacional da Aeronáutica e Espaço (Estados Unidos da América).

Neste quadro complexo, mas desafiante, os geólogos defendem a necessidade da criação de uma associação pública profissional, assentando esta aspiração em quatro pontos fundamentais:

1) A necessidade de uma cabal regulação da profissão, visando definir os requisitos e as qualificações profissionais, o âmbito da profissão e a exigência dos respetivos atos profissionais, levando à atribuição de uma certificação através de uma cédula profissional, elevando assim os mais exigentes padrões na prática do geólogo profissional englobando todos os princípios éticos e de probidade técnica que acarretam;

2) A necessidade de dispor de um código de princípios deontológicos e de dispositivos jurídico-disciplinares adequados à defesa da independência do julgamento profissional;

3) A necessidade de criar condições que permitam o reconhecimento das qualificações e requisitos profissionais em condições de reciprocidade com instituições homólogas nacionais e estrangeiras, visando garantir o exercício da atividade profissional dos geólogos portugueses dentro e fora do espaço europeu;

4) A verificação do cumprimento de requisitos profissionais deve ser confiada aos próprios geólogos constituídos em associação pública profissional, dado que, face à atual complexidade desta atividade profissional, estão mais bem apetrechados para a realizar, compatibilizando a liberdade de acesso e de exercício da profissão, e a ponderação do interesse público.

A estreita relação entre a natureza da profissão e o interesse público emerge com clareza do simples enunciado de algumas das áreas mais paradigmáticas da intervenção profissional dos geólogos:

a) Planeamento territorial e georrecursos: estudos de cartografia geológica sistemática do país, realizada a várias escalas, implementação e gestão de bases de dados digitais da cartografia geológica, dos recursos geológicos, hidrogeológicos e geotérmicos, entre outros. Apoio à execução de cartografia temática e com fins diversos que incluem uma perspetiva agronómica, agrícola, geotécnica, hidrológica, territorial e de risco natural/geológico. De facto, o território é um agente de transformação a ser conhecido e gerido de uma forma ambientalmente sustentável e de interligação com todos os agentes envolvidos, incluindo as comunidades e os ecossistemas;

b) Riscos naturais, segurança e proteção civil: previsão e prevenção de riscos naturais visando a minimização dos desastres, a proteção da vida humana e a limitação de danos (identificação das falhas sísmicas e zonamento do perigo sísmico das regiões e dos sítios, contribuição na engenharia sísmica geotécnica, monitorização da atividade vulcânica, controlo da erosão, da estabilidade de taludes, das encostas e das arribas de praia ou adjacentes a outros espaços públicos, entre outros);

c) Análise de riscos na construção e economia das grandes obras: estudo e avaliação das condições geológico-geotécnicas para o projeto e construção das grandes obras de engenharia e identificação dos riscos financeiros, bem como de problemas de desempenho induzidos por causas geológicas (a derrapagem do custo final das grandes obras está frequentemente relacionada com a falta ou com a insuficiência de estudos de geologia de engenharia);

d) Ambiente, água, território e adaptação às mudanças climáticas: prospeção, pesquisa, captação e proteção de águas subterrâneas; contributo para a avaliação, proteção e gestão sustentável dos recursos hídricos e recursos hidrominerais, a várias escalas; avaliação da radioatividade natural; estudos sobre o uso sustentável do solo; prevenção e mitigação de riscos naturais ou tecnológicos; remediação de solos e águas contaminadas, monitorização da erosão costeira, restauro da natureza, gestão da geodiversidade, entre outros;

e) Gestão sustentável e proteção dos recursos naturais: prospeção, avaliação e extração dos recursos minerais numa base eco-eficiente (metálicos estratégicos e não-metálicos); estudo, caracterização e gestão de geomateriais; colaboração na exploração e gestão dos recursos energéticos (como a geotermia); conservação do património geológico e valorização do geoturismo;

f) Saúde pública e geologia: prevenção dos riscos de contaminação dos solos e das águas subterrâneas, com base no estudo dos sistemas aquíferos, da sua vulnerabilidade e dos processos de propagação dos contaminantes; estudo da contaminação dos solos e dos métodos de descontaminação; avaliação do risco de exposição da radioatividade natural; estudos e o papel da geologia médica nos solos-alimentos-água; o papel terapêutico e de bem-estar dos recursos hidrominerais; contributos dos recursos hidrominerais em produtos farmacêuticos e dermocosméticos, entre outros temas;

g) Geologia marinha e reconhecimento dos fundos oceânicos da Zona Económica Exclusiva (ZEE) de Portugal: o nosso país detém a maior ZEE da Europa, revestindo-se esta de grande valor estratégico e potencial base de um novo paradigma do desenvolvimento económico do país ligado à Economia do Mar e Oceanografia Geológica. Os geólogos têm um papel preponderante no estudo da geologia dos fundos marinhos, e no estudo, exploração e gestão dos valiosos recursos naturais localizados na ZEE. A geologia costeira é, igualmente, importante na gestão, valorização da zona costeira continental e insular, bem como para a valorização deste fantástico e frágil território de interface com o oceano;

h) Investigação, ensino e cultura: os geólogos têm um papel extremamente relevante quer nas atividades de investigação, desenvolvimento e inovação em equipas inter, multi e transdisciplinares, quer no ensino básico, secundário e superior, bem como na formação de cidadãos cultos e informados. É, igualmente, relevante a sua participação em programas de astrogeologia para a difusão da geologia planetária, promovidos pela AEP e ESA. Os geólogos têm, também, um papel pertinente na difusão e disseminação de uma literacia e cultura geocientífica esclarecida direcionada aos cidadãos, através de programas e iniciativas de divulgação científica.

Assim, tendo em conta a defesa dos direitos fundamentais dos cidadãos, a salvaguarda do interesse público e a correlativa necessidade de autorregulação da profissão de Geólogo, assinamos esta petição solicitando à Assembleia da República a criação da Ordem dos Geólogos.

sábado, 18 de novembro de 2023

Como era Portugal na Idade do Gelo?


Portugal não terá tido mais de 10 mil habitantes na idade do Gelo e o número deverá ter sido ainda menor nas fases mais antigas do Paleolítico. Metade dos europeus vivia na Península Ibérica. Mas, como viviam estes habitantes remotos no nosso território?
Neste «Da Capa à Contracapa», o investigador e autor do novo livro «Portugal na Idade do Gelo: Território e habitantes» João Zilhão e o arqueólogo Carlos Fabião explicam o que a arqueologia paleolítica já desvendou sobre este período histórico. 
Ouça o novo episódio e subscreva o podcast aqui


Este ensaio é uma excursão, com bases científicas, até à existência dos humanos mais remotos cujos genes nos foram transmitidos: a família da criança do Lapedo, os neandertais da Gruta da Oliveira ou os heidelbergensis da Gruta da Aroeira.

Nesta época, a atual Serra da Estrela estava coberta de gelo e da costa viam-se icebergues à deriva. Os bem menos de dez mil habitantes deste espaço eram caçadores-recolectores que conviviam com leões, hienas, rinocerontes e cavalos numa paisagem de charneca arborizada que recorda as da Escócia no presente.
Do que eles foram, comeram e fizeram, sobreviveram vestígios, cada vez mais decifrados pela arqueologia paleolítica. Venha descobrir como teremos sido por aqui, na Idade do Gelo.

sexta-feira, 10 de novembro de 2023

Associações da serra da Estrela dedicam este mês à floresta autóctone


Várias associações e movimentos cívicos da serra da Estrela realizam este mês um conjunto de ações de preservação e recuperação da floresta autóctone alertando para a importância dos diversos ecossistemas.

Em comunicado enviado à agência Lusa, o Movimento Estrela Viva, com sede em Seia, no distrito da Guarda, precisa que pouco mais de um ano depois do incêndio que devastou 25% da área do Parque Natural da Serra da Estrela, várias associações e movimentos cívicos “juntam-se este mês para celebrar a floresta autóctone” e desenvolver ações que “alertam para a importância da preservação desses ecossistemas diversos e resilientes”.

Os promotores das várias iniciativas querem fazer de novembro “um mês repleto de momentos de aprendizagem e de ação concreta no território para preservar florestas que dão vida à flora, fauna e às comunidades que com elas convivem”.
Para além das atividades de reflorestação, as associações realizam ações que podem contribuir para a recuperação e preservação de ecossistemas florestais.

O objetivo é “demonstrar a diversidade, realçar o papel das comunidades locais na preservação desses ecossistemas e convidar, a quem vem de fora da Serra da Estrela, para se juntar a estas comunidades de guardiões e guardiãs do território”.

Estão envolvidas nestas ações a ASE (Associação Cultural Amigos da Serra da Estrela), o CERVAS (Centro de Ecologia, Recuperação e Vigilância de Animais Selvagens)/Associação ALDEIA, o MEV (Movimento Estrela Viva), a Cooperativa Integral Geradora, a Associação Guardiões da Serra da Estrela e a Associação Veredas da Estrela.

O combate às plantas exóticas invasoras serve de mote a uma ação do Movimento Estrela Viva já este sábado na Portela do Arão, no concelho de Seia.

A planta em destaque é a háquea-picante (Hakea sericea) que “após vários incêndios, começou a modificar os habitats naturais daquela zona, ameaçando a sobrevivência de espécies autóctones”.

No mesmo dia a Associação Veredas da Estrela desafia voluntários a apoiar o início dos trabalhos de recuperação pós-incêndio no Soito do Futuro, um bosque de castanheiros afetado por dois incêndios que foi recentemente adquirido pela associação.

O objetivo é transformar a área num soito que alie a conservação a uma utilização sustentável por parte da comunidade, criando um espaço de partilha, convívio e aprendizagem.

O CERVAS/Associação ALDEIA faz o convite para uma visita à exposição Cogumelos Incríveis que se encontra patente na Casa da Torre em Gouveia durante este mês e lança o desafio para uma saída de campo e um workshop a realizar no dia 19 de novembro sobre o mesmo tema.

Os Guardiões da Serra da Estrela dão continuidade ao programa Renascer de Dentro para Fora com ações de estabilização de solos e plantações de variedades autóctones nas zonas afetadas pelos incêndios e Associação Cultural Amigos Serra da Estrela realiza ações de reflorestação em Lapas das Cachopas, na Covilhã.

O calendário de ações este mês termina no dia 25 com uma ação de reflorestação com espécies autóctones na aldeia de Prados, concelho de Celorico da Beira, organizada pela A Geradora Cooperativa Integral.

terça-feira, 1 de novembro de 2022

Mais uma ecoparolice - Passadiços do Mondego


“Haverá um antes e um depois dos passadiços”, garante o presidente da autarquia. Abrem no domingo, dia 6, e incluem travessias, pontes suspensas, cascatas, levadas... Veja as primeiras imagens.

Os Passadiços do Mondego, no concelho da Guarda, integrados no Parque Natural da Serra da Estrela e no Estrela Geopark Mundial da UNESCO, vão abrir ao público no domingo, anunciou a Câmara Municipal.

Em comunicado, a autarquia informou que a inauguração dos Passadiços do Mondego “será no domingo, pelas 12h30 e contará com a presença da ministra da Coesão Territorial, Ana Abrunhosa”.

“Garanto-vos que haverá um antes e um depois dos Passadiços do Mondego. Este é um investimento fundamental para o Turismo da Guarda e para toda a região. Esta obra será a referência para o turismo e lazer do nosso concelho e de todo o nosso território, com a qual poderemos pensar positivamente no seu sucesso futuro”, referiu o presidente da Câmara, Sérgio Costa.

Segundo aquele responsável, a Guarda “está pronta para começar a sua viagem para o sucesso na atracção do turismo e da actividade económica a nível nacional e internacional”.

Com um percurso pelas margens do rio Mondego e os seus afluentes de cerca 12 quilómetros, os passadiços começam junto à barragem do Caldeirão, estendendo-se depois pelo vale do Mondego, nos territórios das localidades de Trinta, Vila Soeiro e terminando já na montanha, em Videmonte.

“O percurso aproveita cinco quilómetros de caminhos já existentes e integra uma zona de sete quilómetros de travessias, passadiços e três pontes suspensas com paisagens de cortar a respiração e onde abundam as veredas, açudes, cascatas, levadas e moinhos”, salientou o município.

Os Passadiços do Mondego estão integrados no Parque Natural da Serra da Estrela e no Estrela Geopark Mundial da UNESCO.

O seu itinerário compreende geossítios como o Miradouro do Mocho Real, escombreiras e cascalheiras do Alto Mondego e ainda os vestígios de património industrial de antigas fábricas e engenhos de lanifícios ou de produção de electricidade (na aldeia de Trinta), “testemunhos de um passado ligado à indústria têxtil deste território, onde teve origem o afamado cobertor de papa”.

Também abrange “vestígios mais antigos como uma ponte medieval (entre Pêro Soares e Mizarela) que se acredita ter surgido sobre uma ponte já existente da época romana”.

No percurso, há “muito para descobrir e aprender” num local “onde se pode ver a Natureza em harmonia com a passagem humana pela paisagem”.

“Esta é uma obra de valorização do património natural da Guarda que pretende mostrar a importância deste rio para a região e para o país, destacando o valor cultural e paisagístico das aldeias de montanha que atravessa”, referiu o município.

Os Passadiços do Mondego representam um investimento na ordem dos quatro milhões de euros, em parte co-financiados a 85% por fundos europeus, no âmbito do Centro 2020, FEDER.

Em Maio, durante uma visita ao local, o presidente da Câmara Municipal da Guarda, que considerou os Passadiços do Mondego como os “mais bonitos do país”, adiantou que iriam abrir ao público no verão.

No entanto, segundo Sérgio Costa, tal não aconteceu devido a factores que atrasaram a execução das obras, como o período crítico de incêndio.

O autarca também informou, no final da reunião do executivo municipal do dia 10 de Outubro, que “apenas no dia 29 de Setembro” ficou concluída a regularização da titularidade dos terrenos abrangidos.

quinta-feira, 6 de outubro de 2022

Dia Internacional da Geodiversidade

O Dia Internacional da Geodiversidade foi instituído em 2021 pela UNESCO, a organização das Nações Unidas dedicada à educação, ciência e cultura. Comemora-se, hoje, pela primeira vez em todo o mundo e tem como objetivo principal alertar a sociedade para o papel que a geodiversidade desempenha para assegurar o bem-estar e prosperidade dos seres humanos e as condições necessárias para a preservação da biodiversidade.

O que é geodiversidade? Atualmente, conhecemos cerca de 5.000 minerais diferentes, um número com tendência para aumentar com o avanço da investigação científica feita pelos geólogos. Uma caracterização completa dos minerais permite saber como eles se formaram e se podem ser usados em nosso benefício, permitindo o desenvolvimento de produtos necessários à nossa sociedade.

Em média, um solo é constituído por minerais que resultam da meteorização das rochas subjacentes (50%), poros que podem estar preenchidos por água e/ou ar (45%) e matéria orgânica (5%). Os solos são excelentes exemplos da interligação entre geodiversidade e biodiversidade e desempenham um papel fundamental para garantir a nossa alimentação.

Muitos processos geológicos não são percetíveis pelos seres humanos, por serem muito lentos ou por decorrerem em ambientes inacessíveis. Porém, alguns processos podem ser presenciados e investigados diretamente pelos geólogos.
Para saber mais:





Site Oficial
International Geodiversity Day
Journée Internationale de la Géodiversité

sexta-feira, 12 de agosto de 2022

Serra da Estrela: Quo vadis biodiversidade?

Narcissus asturiensis, endémico da Península Ibérica, esteve dado como extinto na serra da Estrela, mas foi reencontrado DR


Por Jorge Paiva

Há dias tive o prazer da visita de um antigo aluno (António Neves, biólogo), que me disse que em 1980, quando nas aulas eu afirmava que durante o primeiro quarto do século XXI haveria já seca e escassez de água por todo o país, os alunos consideravam que era exagero meu. Também quando eu lhes dizia, e continuo a afirmar, que a serra da Estrela esteve coberta de floresta até ao topo e que estávamos a transformar o nosso país num deserto rochoso, julgavam que era exagero meu.

Com os anuais piroverões que temos tido e continuaremos a ter, pois os governantes que temos tido e temos ainda não se interessam pelo país que estamos a deixar às gerações futuras, as montanhas do Norte e Centro do país são já um deserto rochoso, sem o mínimo de solo para reter alguma das águas pluviais e de biodiversidade quase nula.

Durante a minha vida (curtíssima em comparação com o início da ocorrência da biodiversidade no globo terrestre) conheci animais e plantas que já desapareceram, pelo menos de Portugal. Dou como exemplo o esturjão (Accipenser sturio), cujos últimos exemplares foram pescados no Guadiana pela última vez em 1980 e a orquídea (Epipactis palustris) que eu próprio colhi em 1965 na região de S. Jacinto, uma região protegida.

Com este devastador incêndio, resultante da incúria e incompetência de quem devia proteger o Parque Natural e Geoparque Internacional da Serra da Estrela, há animais e plantas que ficarão em elevado risco de extinção e até poderão ter sido extintas. Dou como exemplo a lagartixa-da-montanha (Iberorolacerta monticola), um endemismo ibérico, e o sapo-parteiro (Alytes obstetricans), já muito raro no planalto superior. Das plantas começo por referir o teixo (Taxus baccata), que não sei se não foram extintos os parcos exemplares do Vale do Zêzere.

Esta árvore, que demora dezenas de anos a atingir o porte arbóreo, pois é de crescimento muito lento, é um excelente exemplo que costumo apresentar aos que pensam que os que se preocupam com a biodiversidade são uns líricos. Os teixos (há oito espécies) produzem taxanas, altamente tóxicas (uma semente, pouco maior do que um grão de arroz, tem taxanas suficientes para matar uma dezena de pessoas), que se utilizam para medicamentos na quimioterapia de cancros.

Outro exemplo é uma pequena planta, um endemismo das altas montanhas do Noroeste da Península Ibérica (Carex lucennoiberica), que, na da serra da Estrela, só ocorre numa pequena área do planalto superior, onde a neve perdura mais tempo, mas que está quase extinta na serra da Estrela. Mas, como agora todos os anos vão lá colocar gado bovino que pisoteia e polui o ecossistema, está em elevado risco de extinção em Portugal. O Instituto da Conservação da Natureza (ICN) está avisado desse risco. Recuso-me a utilizar a sigla ICNF (de Florestas), pois resultou de um dos maiores crimes florestais que os governantes cometeram: a extinção dos Serviços Florestais. No que resultou a ocorrência de devastadores piroverões.

Infelizmente a equipa do ICN é, actualmente, tão reduzida que não tem qualquer capacidade de proteger a Natureza. Há espécies de plantas que só existem no planalto superior da serra da Estrela e em mais nenhuma parte do globo. São a Festuca henriquesii, uma erva que ocorre em prados onde pasta gado, e a Silene foetida foetida, uma plantinha de lindas flores das zonas graníticas do alto da serra da Estrela e que se encontra em elevado risco de extinção.

Finalmente, apenas para, mais uma vez, realçar a importância de preservar a biodiversidade que ainda existe (já provocámos a extinção de muitas espécies, algumas das quais nunca chegámos a conhecer), apresentamos o exemplo de alguns produtos químicos descobertos recentemente, em animais e plantas e que anda estão na fase experimental: a esqualina (um aminoácido) do fígado do tubarão-galhudo (Squalus acanthias) com alguma eficácia para a Parkinson; a hormona GLP-1 do intestino do ornitorrinco (Ornythorhyncus anatinus) para a diabetes de tipo 2; e a tagitinica C, uma cetona de um malmequer (Tithonia divesifolia) para tratamento da malária.

Suponham que se descobria na lagartixa-da-montanha da serra da Estrela, um produto com alguma aplicação medicamentosa, como se descobriu noutro réptil, no lagarto conhecido como monstro-de-gila (Heloderma suspectum), que os pastores americanos matavam a tiro sempre que o viam. O lagarto, quando mordia as cabras ou as ovelhas, exsudava na saliva um produto (exendina) que fazia com que o pâncreas do gado produzisse muita insulina, acabando por morrerem de hipoglicémia. Actualmente, estão proibidos de andar aos tirinhos ao lagarto e até já está comercializado o medicamento (Byetta) para a diabetes de tipo 2.

E não mencionamos os belos e variados narcisos que ocorrem na serra da Estrela, alguns endémicos, e o maior deles todos, o Narcissus asturiensis, esteve dado como extinto na serra da Estrela, mas, felizmente, foi descoberto num vale de acesso difícil. Isto porque apanhavam os bolbos para exportarem para o estrangeiro. Foi assim que os relvados de Inglaterra se enriqueceram de narcisos, que florescem profusamente na Primavera.

Andamos, realmente, a brincar com o fogo.

segunda-feira, 16 de agosto de 2021

Plantar o futuro na serra da Estrela

Ana Teresa Matos comprou uma propriedade nesta vila para poder pensar o mundo rural de maneira diferente. E também para compreender as vantagens das antigas técnicas agrícolas.




Atravessar o Folgosinho e seguir em frente. Continuar a subir a serra. Sempre a subir, até se chegar aos casais. Aqui, no topo dos montes, estão os Casais de Folgosinho.

A 900 metros de altitude existe um panorama em tudo semelhante à nossa imagem romântica da paisagem cultivada na serra da Estrela. Um misto de agricultura e natureza em estado selvagem. Ana Teresa Matos, de 29 anos, está aqui há três. Veio em busca de um sonho: procurar melhorar a nossa relação com estes ecossistemas.

Este é um território montanhoso que se desenvolveu em torno do Mondego. Espalhados por estes montes, de matos e lameiros, estão gerações de agricultores que se dedicaram ao pastoreio e ao cultivo. Existe nesta região um equilíbrio delicado entre o homem e a natureza. Uma harmonia que se estende pelos campos de centeio, passa pelos cursos de água e pela vegetação autóctone que resiste, numa coexistência entre homem, fauna e flora. Ana conhece esta paisagem há muito. Acompanhava o pai, que, na primavera, se mudava para esta região para estudar um vírus na lagartixa-de-montanha. O biólogo e virologista vinha para o planalto central da serra da Estrela e trazia a filha, ainda criança.

A pequena assistente foi-se habituando à paisagem, a conhecer este meio ambiente e transformando-se numa admiradora deste equilíbrio tranquilo. Tendo crescido numa aldeia em Mafra, passou a vida em peregrinação para estudar em Lisboa. Sempre que ia para a universidade e percorria o itinerário em direção à capital, "olhava para a poluição, para o ruído, e ficava com dores de cabeça. Só pensava "vou estar o dia todo a respirar isto"", diz a propósito desses tempos. Desde a faculdade que foi desenhando um percurso para si: "Em Biologia comecei a ter noção dos problemas do mundo natural."

Foi ganhando a perceção de que o tipo de respeito pelo mundo natural e que tinha dominado a agricultura até à revolução industrial desapareceu com a introdução de máquinas e o consumo desenfreado de combustíveis fósseis. A paisagem, outrora dominada por arvores autóctones e pelos grandes herbívoros que de forma natural controlavam matos e fertilizavam os terrenos, foi-se degradando.

Num esforço para melhor compreender a floresta no nosso país, estudou Engenharia Florestal na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro. Estava a aproximar-se do território que desejava trabalhar e nela foi crescendo uma ideia: é possível fazer as coisas de forma diferente.

Quando chegou a altura, vendeu um lote de terra na aldeia natal e comprou um terreno aqui: cem hectares em pleno parque natural. Depois de muito anos de sobrepovoamento e desmatamento da serra da Estrela, o século XX foi de várias tentativas de reflorestação pouco respeitadoras da herança natural do território. Além disso, a migração da população e o progressivo abandono das terras de cultivo levou a que existisse um descontrolo no ordenamento deste território. Mas Ana Teresa acredita que ainda é possível captar algum do conhecimento na comunidade.

Interessa-lhe a preservação de uma "agricultura ancestral, ligada à natureza, e que não recorre a químicos ou indústria". Se há uns anos "existiam ainda vacas e cavalos a trabalhar a terra, hoje em dia só se veem tratores", o que implica um grande impacto na compactação dos solos e no consumo de combustíveis fósseis.

Na sua propriedade, nos Casais de Folgosinho, quer pensar o mundo rural de maneira diferente. Quando conversámos tinha acabado de semear centenico (uma espécie de centeio de primavera) e andava a terminar o projeto para reflorestar a propriedade com carvalhos e castanheiros. Tem intenção de vedar o terreno, para que os animais de grande porte, como cavalos e vacas, possam por ali vaguear à semelhança dos seus antepassados. Estes grandes herbívoros, em liberdade, numa zona de floresta autóctone, podem trabalhar a favor do controlo de materiais combustíveis, enquanto fertilizam a terra e preparam os prados para os ovinos: "O restauro passivo não requer muito trabalho, é deixar evoluir a natureza", explica.

Este é um esforço para reconstruir um ecossistema sustentável para homem, fauna e flora. Um meio ambiente com defesas para enfrentar pragas e outras catástrofes, sejam elas naturais ou provocadas pelo homem, como os incêndios. Com os vizinhos, espera compreender as vantagens das antigas técnicas agrícolas, como fazer o pão e como trabalhar o leite das ovelhas bordaleiras, que pastoreia. Aqui em Casais de Folgosinho está em curso um projeto que se esforça para demonstrar que não temos de andar sempre na busca do lucro e dos resultados económicos. Como Ana Teresa Matos defende, "é preciso andar um bocadinho para trás, para seguirmos todos em frente".

quarta-feira, 2 de junho de 2021

Parque do Barrocal de Castelo Branco vence Prémio Geoconservação 2021


O Parque Natural do Barrocal, em Castelo Branco, ganhou o Prémio Geoconservação 2021, que distingue os melhores exemplos de conservação e valorização do património geológico, anunciou o município local. “Este prémio é o reconhecimento de todo o trabalho realizado na valorização de Castelo Branco. O Parque do Barrocal é um símbolo da nossa cidade e tem enchido de orgulho toda a comunidade albicastrense”, refere, em comunicado, o presidente da Câmara de Castelo Branco, José Augusto Alves.

O parque constava de uma lista de sete projetos nacionais candidatados, num concurso organizado pelo Grupo Português da ProGEO – Associação Europeia para a Conservação do Património Geológico. O objetivo deste prémio é distinguir uma autarquia que se destaque na implementação de estratégias de conservação e valorização do património geológico do seu concelho, além de sensibilizar o público em geral para o reconhecimento do valor deste património como parte integrante do património natural.

O Parque Natural do Barrocal tem 40 hectares

Barrocal é o nome dado a um terreno com várias barrocas ou penedos. 
Segundo a ProGeo, o júri constituído por elementos do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), da Associação Portuguesa de Geólogos (APG) e da ProGEO decidiu, por unanimidade, atribuir o prémio ao Barrocal, reconhecendo “a elevada qualidade da intervenção realizada no Parque do Barrocal”, além de o empenho e o investimento realizado pela autarquia de Castelo Branco”.

Este é já o terceiro prémio que o Parque Natural do Barrocal conquista, depois de, em outubro de 2020, ter vencido o “Architecture Master Prize”, na categoria de espaços públicos, e um mês depois, ter sido reconhecido com o prémio “World Architecture News Awards – Wan Awards”, na categoria paisagens urbanas.

O parque abriu ao público em novembro de 2020 e já recebeu mais de 17 mil visitantes. Localizado no coração da cidade de Castelo Branco, este parque de natureza está integrado nos territórios classificados do Geopark Naturtejo Mundial da UNESCO e da Reserva da Biosfera Transfronteiriça Tejo|Tajo Internacional. Tem 40 hectares, apresenta sete mirantes, diversas formações geológicas de interesse, passadiços, trilhos naturais, parque infantil, observatório de aves e muitas outras atrações naturais.

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Documentário imperdível: Geoportugal


Geoportugal - 2009
RTP2, UNESCO e a Farol de Ideias produziram um documentário sobre o património geológico de Portugal e o papel das Ciências da Terra para o desenvolvimento sustentável.

Trata-se de uma rodagem que vai desde Arouca, na Grande Área Metropolitana do Porto, à Ilha das Flores, nos Açores, passando pelos impactos da erosão costeira, a importância do alargamento da Plataforma Continental, sem esquecer os aquíferos e os impactos das alterações climáticas na qualidade de vida.

Qual a importância das geociências?
No fundo, o conhecimento da litosfera, o «mundo das pedras», é tão importante e interessante quanto o da hidrosfera, da atmosfera e da biosfera. Todas estas «esferas» estão interligadas. A vida não seria possível sem essa relação que as Ciências da Terra estabelecem de uma forma holística, global.

GeoPortugal é um documentário escrito por Ivo Costa, com imagem de Tiago Mendes e Sérgio Morgado com edição de Marco Miranda e realização de Arminda Sousa Deusdado.