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domingo, 23 de novembro de 2025

Hoje é Dia da Floresta Autóctone. Porém há poucos motivos para festejar

Hoje é Dia da Floresta Autóctone. Porém há poucos motivos para festejar. Se celebramos o “dia da floresta autóctone” com a imagem romântica de florestas antigas, biodiversas e protegidas, a realidade florestal em Portugal torna essa celebração algo ambígua: a maioria das florestas são plantações, privadas, de reflorestação e sem uma gestão unificada ou ecológica profunda.

Há mais motivos para preocupação (incêndios, gestão deficiente, fragmentação) do que para festejo triunfal de uma floresta “autóctone” bem conservada.                                                                      Embora haja sinais de progresso: os programas de reflorestação com espécies autóctones, a certificação e os relatórios recentes mostram que há algum movimento para melhorar a qualidade (não só a quantidade) da floresta.

Segundo o relatório FRA 2025 , estima-se para 2025 uma área florestal de 3,36 milhões de hectares, o que corresponde a cerca de 36,7% do território nacional. 

Isso representa um ligeiro aumento comparado a alguns momentos anteriores, embora haja incerteza: a estimativa baseia-se em tendências, já que o último IFN (Inventário Florestal Nacional) completo disponível é o IFN6, relativo a 2015. 

Por outro lado, a Carta de Uso e Ocupação do Solo (COS) 2023 aponta para uma percentagem de floresta de 31,8% do território continental, o que sugere uma diminuição — embora sejam metodologias diferentes (COS vs IFN). 

Mas os grandes desafios persistem:
1. A predominância de plantações (74% segundo FRA 2025) continua alta, o que significa que muito da floresta não é “autóctone original” nem está em estado natural antigo.

2. A fragmentação da propriedade, com muitos proprietários muito pequenos, limita a coordenação para a gestão sustentável ou preventiva (incêndios, biodiversidade, restauração).

3. A falta de planos de gestão em muitas áreas torna a floresta vulnerável: sem gestão sistemática, mesmo as iniciativas de reflorestação serão fragilizadas (manutenção, crescimento, proteção).

4. A privatização massiva torna difícil ao Estado impor metas de renaturalização ou conversão para espécies autóctones em larga escala, sem incentivos ou regulamentação forte.

5 .Segundo a avaliação da FAO (FRA 2025), cerca de 74% da floresta estimada para 2025 é floresta plantada (2,49 M ha), enquanto apenas ~26% é regeneração natural e menos de 1% é floresta primária (i.e., muito antiga / original). 

Isso reforça a ideia de que, mesmo que muitas formações sejam “autóctones” (espécies locais), grande parte da floresta é resultado de plantações (muito geridas, monoculturas de eucalipto e de Pinus), não remanescentes naturais primários.

6. Propriedade florestal
Continua a haver elevada percentagem de floresta privada: fontes da PEFC afirmam que 84% da floresta é de propriedade privada. 
Segundo o FRA 2025 citado por Florestas , mais de 92% da floresta portuguesa é privada (dado de 2020 usado como base). Só cerca de 2% da floresta é de domínio público (Estado).

A pequena propriedade é ainda muito comum: por exemplo, segundo o ECO, a área média por propriedade florestal em Portugal é de apenas 0,57 hectares, o que dificulta a gestão integrada. 

7. Gestão florestal / planos de gestão
Portugal tem uma das menores percentagens de floresta com plano de gestão de longo prazo na UE. 
Isso significa que, mesmo com propriedade privada dominante, nem toda a floresta é eficazmente “gerida” para prevenir riscos como incêndios, de modo coordenado.

8. Certificação florestal
Quanto à floresta plantada certificada (PEFC), há cerca de 248 mil hectares certificados em Portugal no final de 2022. 
Isso mostra um esforço de parte dos proprietários para uma gestão mais “sustentável” (no sentido de certificação), mas esse número é apenas uma fração da floresta total privada.

9. Incêndios e resiliência da floresta autóctone
Monoculturas de eucaliptos (o eucalipto ocupa cerca de 26,2% da área florestal segundo o PEFC)  e de Pinus, os matos, o desconhecimento das demarcações de territórios rústicos, com muitos proprietários muito pequenos e a falta de limpezas,  continuam a ser um fator crítico.

A solução não está em plantar mais árvores — está em gerir melhor
Plantámos muito nas últimas décadas.
O problema é o que acontece depois: falta manutenção; falta continuidade ecológica, falta criação de solos saudáveis, falta acompanhamento de 3, 5 ou 10 anos, falta gestão para reduzir o risco de incêndio.
O país troca sistematicamente a restauração ecológica por “eventos de plantação”.
É o equivalente florestal às “selfies de voluntariado”.

O que fazer então?
Aqui está um caminho realista — e urgente.
1. Agrupar a gestão da pequena propriedade ZIF, AIGP, condomínios rurais — chamem-lhe o que quiserem. Sem gestão conjunta, nada funciona. Só assim se consegue escala para limpar, planear, prevenir e restaurar.

2. Incentivos sérios para gestão a longo prazo
Precisamos de financiamentos que mantenham a floresta viva, não só plantada: fundo nacional de manutenção, contratos de 5–7 anos para gestão ativa, apoio à condução de povoamentos e criação de descontinuidades.

3. Restaurar floresta autóctone verdadeira
Não basta escolher espécies nativas.
É preciso: restaurar linhas de água, proteger solos, criar bosques contínuos, ligar manchas de habitats, aumentar a idade média da floresta.
A natureza não se reconstrói com eventos: constrói-se com décadas de persistência.

4. Reequilibrar o modelo das plantações industriais
Não se trata de eliminar o eucalipto — mas de o domar: limitar onde pode ser plantado, impedir a continuidade total, obrigar a mosaicos com espécies nativas.

5. Reforçar fiscalização e meios
Uma lei sem fiscalização é só poesia jurídica.
É preciso garantir: cumprimento de planos, gestão mínima obrigatória, controlo de novas plantações ilegais, eliminação de invasoras, recrutar mais técnicos e vigilantes da natureza e criar melhores incentivos 

6. A sociedade civil também tem um papel crucial
Exigir políticas públicas com base em dados, não slogans.
Apoiar projetos de restauração que fazem manutenção, não apenas plantação simbólica.
Aumentar a literacia ecológica (saber distinguir floresta de matagal e de plantação).
Um país que não entende o que é a sua floresta não pode defendê-la.

Conclusão: Celebrar menos, transformar mais
Em vez de celebrar uma floresta autóctone que quase não existe,
talvez seja tempo de trabalhar para que ela exista realmente.
A boa notícia?
Há conhecimento, há técnicos, há soluções e há vontade local.
O que falta é coragem política, coordenação e persistência.
Se queremos que o “Dia da Floresta Autóctone” deixe de ser simbólico e passe a ser real, então é preciso fazer o que nunca fizemos: gerir o território como um todo, com ciência, escala e visão ecológica.
Porque a floresta não precisa de aplausos — precisa de cuidado e de uma política florestal de médio e longo prazo.

Saber mais:

sábado, 15 de novembro de 2025

Há alternativas ao eucalipto? Sim, há - exige uma mudança hercúlea de paradigma de floresta portuguesa


Ponto Prévio - Os bosques maduros são florestas antigas, ricas em biodiversidade especializada, mas extremamente raras em Portugal. Estes ambientes representam manchas cada vez mais escassas no território, resultado de séculos de exploração, degradação e fragmentação.

Vamos à análise
Pinheiro (Pinus, sp.) e Eucalitpto são lixo florestal! Um lixo florestal, pois endivida os pequenos proprietários e só crescem acácias depois dos incêndios. Há que haver uma política ecológica forte e interdisciplinar para restaurar a nossa floresta nativa, também rica em fibras para celulose, mas com crescimento mais lento. 

1.Na região Norte e Centro sugiro Choupo/álamo (Populus spp.)- porém a cadeia industrial em Portugal ainda está pouco desenvolvida e Bétula (Betula alba)

2. Outras árvores autóctones 
2.1..Medronheiro (Arbutus unedo)
Resiste bem ao fogo e rebenta vigorosamente.
Pode gerar rendimento pela produção de fruto.
2.2. Loureiro, amieiro, freixo, salgueiro
Adequados a zonas húmidas e linhas de água.
Muito úteis na restauração de ecossistemas.

3. Alternativas para sistemas agroflorestais / multifuncionais
3.1. Castanheiro + pastoreio
Elevado valor económico.
Melhora solos.
3.2. Olival ou nogueira combinados com floresta
Produção alimentar + proteção paisagística.
3.3. Sistemas silvopastoris com sobro ou azinheira
Produção de cortiça + sombra para gado. 

4. Reciclagem - contribuidor em ascensão
Portugal tem boa taxa de reciclagem, mas ainda expandível. Associação de Empresas de Resíduos alerta para a situação crítica dos aterros
Reduz significativamente a necessidade de pasta virgem.
Adequado para papel de impressão, embalagem e papel tissue (com mistura).

Sim, há um estudo da Wildforests que diz que o eucaliptal não é um deserto ecológico. Porém, salvaguardam que a diversidade e os padrões de vida das espécies animais em florestas plantadas para produção de madeira é ainda um assunto pouco estudado. Contribuir para este conhecimento foi um dos objetivos que levou a The Navigator Company a disponibilizar as suas propriedades para que o trabalho de campo do projeto WildForests pudesse ser realizado.

Antes do arranque deste projeto, a empresa já tinha identificado vários destes mamíferos nas propriedades que gere e já realizava algumas destas boas práticas, estando a integrar, caso a caso, outras recomendações emanadas do WildForest. A manutenção de pequenas manchas de vegetação nativa nas plantações, assim como de afloramentos rochosos e de árvores que permitem criar corredores ecológicos, contínuos ou descontínuos (stepping stones) são alguns exemplos. De resto, todo o projeto permite saber mais sobre as espécies presentes em eucaliptais e sobre as práticas que a favorecem, ajudando a The Navigator Company a tomar as melhores opções de gestão florestal a integrá-las na sua estratégia de conservação da biodiversidade.

Artigo científico aqui

sexta-feira, 14 de novembro de 2025

E.O.Wison e a renaturalização

"There can be no purpose more enspiriting than to begin the age of restoration, reweaving the wondrous diversity of life that still surrounds us." We have ancient and new born trees, according to old registrations.
A walk in our preserved forest makes us feel quite proud, and it's all thanks to nature. Finally : the true meaning of life is to plant native trees, under whose shade you do not expect to sit. Hope our legacy will continue for next generations!

Últimas Novidades

terça-feira, 28 de outubro de 2025

O carvalhal


«Nos cumes mais elevados encontram-se, nos lugares húmidos, os bosques de vidoeiros e sobre os rochedos as sorveiras. Nos lugares mais baixos atingem-se no norte de Portugal os bosques de carvalhos, em que as árvores estão suficientemente próximas para darem sombra aos caminhos e suficientemente afastadas para permitirem a passagem.
Os vales do Minho estão cobertos de bosques de carvalhos contínuos. Em seguida surge a região dos bosques de castanheiros, os verdadeiros bosques deste país, cujas árvores se tocam pela folhagem. Ornam as encostas da Serra do Marão, da Serra da Estrela, na direcção do Fundão, da Serra de Portalegre e de Monchique. No sopé das grandes montanhas encontram-se os pomares, onde a cultura dos frutos é sinal de região fria. Mais abaixo surgem a árvore da cortiça, o carrasco, o pinheiro-marítimo, em seguida o limoeiro e finalmente a laranjeira. A oliveira está ainda mais espalhada, encontra-se perto dos vidoeiros do Gerês e ao lado das laranjeiras, perto de Lisboa.»
baseado nas viagens de Hoffmansegg e Link

quinta-feira, 16 de outubro de 2025

Dia Mundial da Alimentação: Celebrar quem garante o nosso prato cheio!

Sabia que mais de 75% das culturas alimentares do mundo dependem da polinização? Sem abelhas, borboletas, morcegos e outros polinizadores, não teríamos muitos dos alimentos que fazem parte da nossa dieta diária — como frutas, legumes, sementes e até o café e o chocolate!

Neste 16 de outubro, Dia Mundial da Alimentação, celebramos não só o direito a uma alimentação saudável e sustentável, mas também os pequenos heróis da biodiversidade que tornam isso possível: os polinizadores.

A polinização é um processo essencial para a reprodução das plantas, garantindo colheitas abundantes e diversificadas. Além disso, contribui para a saúde dos ecossistemas e para a segurança alimentar global.

Como podemos ajudar?
  • Plantar flores nativas
  • Evitar pesticidas nocivos
  • Apoiar práticas agrícolas sustentáveis
  • Participar em ações de sensibilização e educação ambiental
Hoje, mais do que nunca, é tempo de reconhecer que sem polinizadores, não há alimentação para todos. Vamos proteger quem nos alimenta!

terça-feira, 30 de setembro de 2025

A árvore mais rara de Portugal continental

Houve um tempo em que as florestas de carvalho escreviam o mapa inteiro de Portugal, todo um reino de Quercus sp., com suas coroas de folhas que se erguiam sobre serras, vales e ribeiras, guardando água e vida.

De Norte a Sul, das margens húmidas do Minho às encostas ásperas do Alentejo, dos vales oceânicos às serras interiores, os carvalhos erguiam a sua arquitetura imponente e majestosa. Hoje sobrevivem em refúgios escondidos, como se procurassem abrigo do esquecimento, fragmentos de um continente desaparecido.

De todas, o carvalho-alvarinho ou carvalho-roble (Quercus robur), o mais nobre dos autóctones, erguendo-se como um monumento vivo, é aquele que mais me comove, como um velho patriarca que guarda histórias que mais ninguém sabe. É também um dos mais desvalorizados pela população, que nele vê pouco mais do que lenha para a fogueira de inverno.

Encontra no Noroeste e nas bacias atlânticas o seu território clássico. Precisa de solos profundos, frescos e arejados, onde a água se demora e a neblina se deita nas manhãs compridas. É árvore de copa cheia e tronco habituado ao tempo.

Mais a Oriente, ou quando o relevo sobe e a rocha endurece, encontramos o carvalho-negral (Quercus pyrenaica), que tem na serra de São Mamede, nas encostas beirãs e em alguns planaltos do Alto Alentejo o seu reduto resistente. Prefere substratos ácidos e climas menos severos no estio, mas suporta o frio com uma dignidade firme e conserva as folhas secas no inverno, que o protege dos gelos tardios.

No coração calcário do país, o carvalho-cerquinho ou carvalho-português (Quercus faginea) estende-se por encostas e dolinas, visita os maciços da Estremadura, desce pelas serras da Arrábida e penetra no Alentejo onde o solo e a geologia o permitem.

É espécie que concilia invernos suaves e verões longos, buscando fissuras rochosas com frescura escondida. No litoral ocidental aparece a carvalhiça (Quercus lusitanica), discreta e arbustiva, fiel às areias e cascalheiras, calcífuga como quem escolhe o que não lhe fere as raízes.

Em terrenos mediterrânicos mais secos e pedregosos resiste o carrasco (Quercus coccifera), de folha dura e sempre-verde, alargando manchas nos matagais calcários onde o calor impera.

Mais a sul, a diversidade torna-se mais rara mas persiste. O carvalho-cerquinho acompanha encostas do barrocal algarvio e encontra refúgios em vales húmidos. O carvalho-negral mantém núcleos no Alto Alentejo e em manchas residuais no interior sul. A carvalhiça continua a segurar dunas e areais na faixa costeira do centro-sul.

Nos refúgios húmidos das serras de Monchique e do Caldeirão surge o carvalho-de-Monchique (Quercus canariensis), o mais raro de todos, convivendo com sobreiros (Quercus suber) e azinheiras (Quercus rotundifolia), medronheiros, loureiros e outras espécies de monte mediterrânico.

O território que esta espécie habitava foi sendo perturbado por décadas de cortes seletivos, incêndios recorrentes e conversões para usos mais intensivos, perdendo os mosaicos florestais que outrora formavam corredores de continuidade. O grande fogo de 2018 em Monchique foi um golpe particularmente severo, destruindo muitos dos últimos núcleos e agravando ainda mais a fragmentação.

Com a paisagem aberta e empobrecida, instalaram-se espécies oportunistas e exóticas, a regeneração natural rareou e as árvores jovens sucumbiram ao pastoreio e ao calor excessivo. Durante anos, a própria espécie foi confundida com formas híbridas, o que atrasou o conhecimento preciso da sua distribuição. Hoje sabemos que a população nacional é diminuta, com menos de 250 indivíduos maduros, e que a tendência histórica foi de regressão continuada. É considerada a árvore mais rara de Portugal continental.

Entre estas espécies, algumas são marcescentes, guardando as folhas secas nos ramos durante o inverno. O carvalho-negral e o carvalho-cerquinho são exemplos perfeitos desta estratégia, que protege os gomos das geadas e adia a queda da matéria orgânica para a primavera, quando o solo está pronto a recebê-la. Outras, como o sobreiro, a azinheira e o carrasco, são sempre-verdes e mantêm copa ativa todo o ano, assegurando abrigo e alimento contínuo para a fauna e estabilidade para o solo.

Nos últimos anos, a ciência tem mostrado que o retrato dos carvalhos portugueses é mais complexo do que se imaginava. Uma nova lista anotada elevou de oito para onze as espécies autóctones reconhecidas em Portugal, incluindo Quercus orocantabrica, Quercus estremadurensis, Quercus pseudococcifera e Quercus airensis.

Q. orocantabrica distingue-se geneticamente do carvalho-alvarinho clássico, enquanto Q. estremadurensis é um pedunculado de características próprias, com presença no ocidente ibérico e raízes biogeográficas que tocam o Norte de África.

Q. pseudococcifera e Q. airensis clarificam o intrincado grupo dos carrascos mediterrânicos, revelando adaptações a solos calcários e climas áridos. Estas distinções mostram que o património genético dos carvalhos nacionais revela uma diversidade biogeográfica mais fina do que supúnhamos, e que proteger os bosques remanescentes é também proteger esta nova leitura da sua identidade.

A história destes carvalhais é também a de uma surpreendente plasticidade genética. A ciência recente tem revelado um verdadeiro mosaico de híbridos naturais, resultado de encontros entre espécies vizinhas ao longo de séculos.

Foram descritos formalmente cinco novos híbridos para a ciência, como Quercus × eborense (azinheira com carrasco), Quercus × capeloana (carrasco com sobreiro), Quercus × almeidae (falso-carrasco com azinheira), Quercus × alvesii (carvalhiça com azinheira) e Quercus × sampaioana (carvalho-português com Q. estremadurensis), somando-se aos já conhecidos.

domingo, 21 de setembro de 2025

Porto contra os eucaliptos e na defesa da floresta tradicional

O país não pode estar entregue à celulose, além disso, o eucalipto não é assim tão bom negócio quanto isso.

"Com mais um bocado de trabalho, o carvalhal dá mais rendimento", argumentou Carlos Evaristo, apontando a um estudo da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD). Embora demore mais anos a crescer, uma floresta de carvalhos "permite subprodutos como os cogumelos ou o mel, valoriza a paisagem e atrai turistas - ninguém gosta de fazer turismo no meio dos eucaliptos", acrescentou, lembrando o mote principal da manifestação: os fogos florestais.

"O eucalipto é uma árvore que beneficia do fogo para se reproduzir", diz Carlos Evaristo. A árvore, originária da Austrália, não só medra no fogo como "é terreno fértil para outras invasoras como mimosas e acácias", argumentou, defendendo a substituição do eucaliptal por floresta autóctone. "Os carvalhos e sobreiros desenvolveram estratégias melhores para lidar com o ciclo do fogo", argumentou.

"A monocultura do eucalipto é uma paisagem monótona que só degrada os solos", que não é só consequência, mas também causa. "Num interior abandonado, o eucalipto cresce por ele próprio, não precisa de manutenção, não produz emprego e contribuiu mais para a desertificação", defende Carlos Evaristo.


O que precisamos é de uma floresta para o futuro, uma floresta com várias espécies misturadas e com espécies nativas, espécies que já estão adaptadas às nossas condições climáticas há milhares e milhares de anos, portanto, não precisamos de espécies exóticas que nos trazem os  problemas atrás referidos.

terça-feira, 17 de junho de 2025

Flor de Murta


Em Junho a murta (Myrtus communis) encontra-se no seu pico de floração. Este é um dos arbustos mais emblemáticos da flora portuguesa, contudo, já foi mais comum na nossa paisagem. Incêndios, secas prolongadas e lavouras reduziram drasticamente a sua ocorrência. 

Ocorre perto de linhas de água e barrancos, bermas de estradas e caminhos, sebes e taludes, preferencialmente em encostas mais frescas e umbrias. Os seus frutos e as suas folhas podem ser utilizados em fitoterapia, como condimento ou na alimentação humana. 

Curiosamente, a flor da murta surge ligada à História de Portugal. Luísa Clara de Portugal (1702-1779), fidalga natural de Lisboa, ficou conhecida pela sua relação extraconjugal com o rei D. João V. Já era casada e mãe de três filhos quando iniciou a sua relação com o rei, de quem teve uma filha, Maria Rita Gertrudes de Portugal, que foi freira no Convento de Santos-o-Novo. Após terminar o caso com D. João V, foi amante do Duque de Lafões, de quem teve uma filha, D. Ana de Bragança. Pela sua beleza, ficou conhecida na Corte como a Flor de Murta, e deu origem a uma canção, cuja autoria alguns atribuem ao próprio rei D. João V:




Oh! flor da murta
Raminho de freixo
Deixar d'amar-te
É que t'eu não deixo.
Morrer sim
Mas deixar-te não
Oh! flor da murta
Amor do meu coração.
Oh! flor da murta
Do meu coração
Deixar d'amar-te
Ai não deixo, não.

Tal como defendeu Jorge de Sena, a sociedade portuguesa não conheceu o puritanismo protestante. O adultério foi tolerado, desde que com discrição e “sem escândalo público”. É assim a arte portuguesa de amar.

sábado, 3 de maio de 2025

Benefícios das florestas nativas


As árvores nativas são essenciais para os habitats de vida selvagem, estabilidade do ecossistema, saúde do solo, retenção de água e sequestro de carbono.
Também fornecem alimentos, medicamentos e rendimentos para comunidades

segunda-feira, 14 de abril de 2025

Contra o abate de sobreiros em Condeixa-a-Nova



Porque não instalam estes projetos em solos pobres, impróprios para cultivo ? Em solos secos e degradados, como antigos povoamentos de eucalipto, abandonados? Isso sim até contribuiria para redução de risco de incêndios no Verão ! Ou em áreas ocupadas por várias espécies de plantas exóticas invasoras, como mimosas e acácias, que são cada vez mais extensas em Portugal devido ao êxodo e abandono rural?

Não faz qualquer sentido destruir áreas importantes do ponto de vista da biodiversidade, áreas que abrigam espécies de plantas e animais autóctones, cada vez mais ameaçadas, e de todos os benefícios que proporcionam às populações!

As Árvores VIVAS sustentam Vidas e RETIRAM CARBONO DA ATMOSFERA.
ESTAMOS NA PRIMAVERA, ÉPOCA DE REPRODUÇÃO DAS AVES E OUTRAS ESPÉCIES dependentes das árvores para alimento e abrigo, para ninhos! Onde está o ICNF, Instituto de de Conservação da Natureza e Florestas? Onde está a APA, Agência Portuguesa do Ambiente a defender a SAÚDE AMBIENTAL E SAÚDE HUMANA?

Nem os nossos avós, camponeses analfabetos, fariam semelhante coisa. Eles tinham SABEDORIA E AMOR À TERRA. JAMAIS FARIAM UM CORTE RASO DE TODO O SEU PATRIMÓNIO ARBÓREO!

Saberão os proprietários que hoje há medidas que podem permitir um rendimento do Estado por manterem as suas arvores VIVAS pelos benefícios prestados à comunidade ?
Já agora, qual o destino que estas empresas pretendem dar à madeira retirada dos terrenos despidos de vegetação?

Será que vai ser usada para mobiliário e outros bens de longa duração, que sequestram o carbono capturado em vida pelas árvores?

Ou será essa madeira encaminhada para queimar na forma de pellets na queima residencial urbana para aquecimento das casas no inverno, ou em caldeiras e centrais que queimam a madeira e libertam dióxido e monóxido de carbono entre dezenas de outros poluentes, como os compostos orgânicos voláteis, o carbono negro, a matéria particulada fina e ultrafina?

Não estaremos A AUMENTAR A EMISSÃO DE GASES COM EFEITO DE ESTUFA NA EUROPA E EM PORTUGAL com este tipo de transição? A. AGRAVAR O PROBLEMA DAS ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS E AQUECIMENTO GLOBAL?

Parece-me que estamos a fazer o oposto do que deve ser feito e a criar um sério risco de saúde pública, seja pelo impacte directo da destruição local do arvoredo, seja pela fomentação da queima de biomassa lenhosa noutros locais do país. O fumo da queima de madeira é altamente poluente, aumenta o risco de doenças respiratórias e cardíacas, diabetes, hipertensão , cancro e até demência, a longo prazo.
Substituir as melhores "máquinas" de captura de carbono que são os SERES VIVOS que fazem FOTOSSÍNTESE, como as árvores, arbustos e ervas, e a biomassa do solo por painéis solares com duração limitada levará à contaminação dos solos por plásticos, metais e possivelmente herbicida - isto em áreas saudáveis, ricas em espécies nativas de flora e fauna.
Isto faz algum sentido ?
É esta a forma correcta de gerar energia ?
É esta a energia VERDE" e "LIMPA"? que nos estão a vender ?
Queimam árvores para electricidade na indústria e nas centrais de biomassa isoladas. Queimam toneladas por ano na queima residencial urbana que arruína a qualidade do ar nas aldeias urbanizadas, nas vilas e cidades, por todo o país.
Queremos a Transição MAS ASSIM É UMA ABERRAÇÃO. Uma insanidade. Assim NÃO.

sábado, 12 de abril de 2025

Mercado voluntário de carbono a patrocinar a exploração intensiva de monoculturas de crescimento rápido?


O que temíamos está prestes a acontecer: o mercado voluntário de carbono em Portugal, atualmente em fase de criação, corre sério risco de ser totalmente capturado pela promoção da monocultura de eucalipto — sem limites!

A primeira metodologia proposta para certificar créditos de carbono em Portugal, atualmente em consulta pública, não resolve os problemas estruturais da floresta e pode agravar os complexos desafios que afetam os territórios rurais. Em vez de promover a regeneração ecológica e a multifuncionalidade do território, a proposta favorece modelos intensivos de exploração florestal — os mesmos que têm contribuído para a degradação do interior e para a perda de biodiversidade.

No âmbito desta consulta pública, vimos expressar a nossa preocupação, pois esta metodologia falha em alinhar-se com os objetivos nacionais e ignora lições aprendidas com projetos semelhantes noutros países. Destacamos quatro pontos críticos:

1. Permissividade no uso de monoculturas exóticas sem necessidade desse rendimento
Permite-se, sem restrições claras, a plantação de espécies exóticas em monocultura para créditos de carbono. Esta abordagem ignora evidências de que estas plantações têm causado graves impactos ecológicos e sociais — como já se verificou no Brasil, Chile, Uruguai e África do Sul —, levando a grandes escândalos que comprometeram a própria credibilidade destes mecanismos.
Standards internacionais, como o Gold Standard, adaptaram as suas metodologias e introduziram critérios mais rigorosos para evitar a aprovação de sistemas baseados em monoculturas de crescimento rápido, nomeadamente com espécies exóticas como o eucalipto.

2. Critérios de permanência incoerentes e permissivos
A proposta permite o corte de madeira durante o período de permanência (30 anos), desde que haja replantação. Isto desvirtua o conceito de “permanência”, essencial à credibilidade dos créditos de carbono. Standards internacionais reconhecidos, como o Plan Vivo ou o Gold Standard, não permitem este tipo de exploração.
É importante lembrar que apenas um conjunto restrito de espécies, como o eucalipto, se adequa a ciclos de corte dentro deste período — o que revela a verdadeira intenção da metodologia: reforçar o atual modelo florestal assente em monoculturas rápidas, ignorando os seus impactos cumulativos no empobrecimento dos solos e na sustentabilidade a longo prazo.

3. Desvalorização da complexidade ecológica e dos co-benefícios
Não há qualquer incentivo ao uso de espécies autóctones, nem à promoção de sistemas (agro)florestais complexos. O sub-bosque é excluído dos cálculos de carbono.
Em vez disso, a proposta reforça a ideia de “florestas limpas e bem geridas”, perpetuando monoculturas rápidas com baixos benefícios ecológicos e sociais, monotonizando ainda mais o território rural.

4. Desalinhamento com políticas nacionais e europeias
A proposta contraria compromissos assumidos por Portugal no Pacto Ecológico Europeu, na Lei Europeia da Restauração da Natureza e na Estratégia Nacional de Conservação da Natureza e Biodiversidade. Ignora os objetivos de diversificar a floresta e reduzir a dependência de monoculturas, ameaçando fazer exatamente o contrário.

Este instrumento, que deveria ser uma oportunidade para regenerar a floresta portuguesa, pode acabar por cristalizar modelos insustentáveis e hipotecar o futuro ecológico do país.

👉 É fundamental partilhar e participar nesta consulta pública! Temos menos de 15 dias para agir!

segunda-feira, 7 de outubro de 2024

Basta de eucaliptal! Carvalho!!


Meados de Setembro de 2024, o que parecia um final de verão tranquilo em termos de incêndios "florestais" revela-se um pesadelo ao nível de 2017. As promessas de um Portugal decente em termos florestais em cinzas pelo chão queimado da monocultura sem vida que tudo e todos asfixia. A solução? a retirada imediata das extensas áreas de monocultura de eucalipto e um mosaico natural de carvalhais e outras espécies que não gostam do fogo como o eucalipto gosta e que criam água em vez de a levar toda para as empresas de celulose. Um outro Portugal é possível. a prova? o exemplo do Sérgio Almeida. 

 Sê como o Sérgio, não sejas como a Navigator dos eucaliptos.

Estes vídeos só são possíveis com o apoio de donativos de pessoas que sabem que é importante dar visibilidade e voz a estas causas. as tv oficiais não o fazem, a industria da celulose e suas portas giratórias no nosso parlamento da nossa república não o permite .

sexta-feira, 6 de setembro de 2024

Seja produtor de sementes para o Parque Natural da Serra da Estrela

A associação Guardiões da Serra da Estrela , com o nosso apoio, procura proprietários/as no território da serra da Estrela dispostos a dar o seu contributo, para a reflorestação e reconversão da paisagem da área protegida.

👉 Interessa que tenham nas suas propriedades, árvores da lista (abaixo), e das quais se possam obter sementes, para a certificação exigida por lei e necessária à plantação em área protegida:

✅ Amieiro (Alnus glutinosa Gaertn)
✅ Bidoeiro (Betula pubescens e Betula pubescens subsp. celtiberica)
✅ Castanheiro (Castanea sativa Mill.)
✅ Freixo-nacional (Fraxinus angustifolia Vahl.)
✅ Pinheiro-manso (Pinus pinea L.)
✅ Pinheiro-silvestre (Pinus sylvestris L.)
✅ Cerejeira-brava (Prunus avium L.)
✅ Azinheira (Quercus ilex ou Quercus rotundifolia L.)
✅ Carvalho-alvarinho (Quercus robur L.)
✅ Sobreiro (Quercus suber L.)

🔗Informe-se sobre requisitos adicionais e inscreva-se para ser contactado/a: https://forms.gle/1VwpGz41xmxU6cqg6

segunda-feira, 15 de abril de 2024

Dia Inaugural da Árvore Indígena


O Dia Inaugural da Árvore Indígena criado pelo Grupo de Sementes de Árvores Africanas é no dia 15 de abril de 2024. 
Vamos continuar mudando a paisagem das nossas comunidades plantando árvores indígenas.
Site Oficial: Indigenous Tree Day

segunda-feira, 25 de março de 2024

Investigação: Do Pinhal à Central


A Biofuelwatch e a ZERO acabam de lançar uma investigação em vídeo sobre o fornecimento de madeira pela fábrica de pellets Pinewells, no centro de Portugal, cujo maior cliente é a Drax.

A Pinewells, que pertence ao Grupo Português Visabeira, utiliza grandes quantidades de madeira em troncos de pinheiro maduro. O vídeo apresenta provas de que a Pinewells obteve parte da madeira de cortes rasos na reserva natural montanhosa da Serra da Lousã e no sítio Natura 2000.

O vídeo também analisa os impactos mais amplos da utilização em larga escala de madeira de pinho para pellets de madeira nas florestas de pinheiros e nas indústrias de produtos de madeira em Portugal. Segundo dados da associação da indústria da madeira de pinheiro Centro PINUS, Portugal perdeu 27% da sua área florestal de pinheiro e 35% em termos de produtividade dos pinhais em 15 anos. 20% de toda a madeira de pinho vai para pellets de madeira, sendo o segundo maior consumidor de pinho do país.

Exportamos o nosso "petróleo" verde, (árvores autóctones) aquele que ainda assegura o equilíbrio de diversas espécies de fauna e flora.
Derivado da sua componente eficientíssima do ponto de vista resinoso e convertido em kW/h.
Para a indústria das celuloses estas acções só poderiam ser positivas, pois aqueles milhares de hectares vão dar espaço ao eucalipto, e porquê? Porque o argumento vai ser este: "Não podemos estar muito tempo sem árvores nestes espaços carecas, onde a erosão e outros riscos de catástrofes naturais é pior que o eucalipto!"
O desfecho será óbvio!

quinta-feira, 23 de novembro de 2023

Dia da Floresta Autóctone - Portugal tem 400 mil hectares de eucalipto ao abandono


Portugal tem 400 mil hectares de eucalipto ao abandono [JN-21 de novembro]

O passivo de eucalipto abandonado existe de norte a sul, de este a oeste, e pode bem ser superior a esse número já que o último inventário é de 2015. Foi instalado por todo o país como um petróleo verde. As celuloses detinham uma parte significativa desse e foram-se libertando desse fardo de várias formas, incluindo a venda. Ainda assim existem eucaliptais em áreas sem viabilidade de norte a sul que são abandonados, mesmo que mudem de mãos. Do Douro ao Guadiana passando pelo Tejo, o que não falta são eucaliptais abandonados. Mesmo nas regiões com viabilidade vê-se sinais de abandono por certo ligado aos incêndios. Não sei se já é um fenómeno crescente.

E-Livro

Dia da Floresta Autóctone - Apenas um habitat florestal em Portugal está em bom estado de conservação


Nesta quinta-feira, 23 de novembro, celebra-se o Dia da Floresta Autóctone, e a ZERO fez uma avaliação ao estado de conservação dos habitats florestais de Portugal, de acordo com um reporte do ICNF, relativo ao período 2013-2018, e revela que “a situação é preocupante”.

Assim, para as três regiões biogeográficas – Atlântica, Mediterrânica e Macaronésica – verifica-se que das representações presentes (sete habitats ocorrem em mais do que uma região) apenas uma se encontra em estado de conservação favorável, 15 encontram-se em estado desfavorável-inadequado, e nove em estado desfavorável-mau.

De forma mais detalhada, a região biogeográfica macaronésica, que abrange as Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira, tem apenas o habitat prioritário Laurissilvas macaronésicas em estado de conservação favorável, enquanto as florestas endémicas de zimbros e as florestas de zambujeiros e de alfarrobeira estão em estado desfavorável-inadequado e o habitat prioritário turfeiras arborizadas se encontra em mau estado de conservação.

No que respeita à região biogeográfica Atlântica (noroeste de Portugal continental), a situação também não é melhor. Dos cinco habitats representados, dois encontram-se em estado desfavorável-inadequado e três em estado desfavorável-mau, com destaque para o mau estado de conservação dos carvalhais de carvalho-alvarinho ou de carvalho-negral e dos bosquetes de teixo.

Quanto à região biogeográfica mediterrânica, a com mais habitats representados, o panorama não se altera muito, com 10 habitats em estado de conservação desfavorável-inadequado e seis em desfavorável-mau, sendo os carvalhais de carvalho-alvarinho ou de carvalho-negral e os bosquetes de teixo repetem a má condição e juntam-se a estes os freixiais de freixo-de-folhas-estreitas, os carvalhais de carvalho-português e os bosques de sobreiro.

Dia da Floresta Autóctone - Em defesa do Carvalhal. Fim ao Eucaliptogal

Carvalho-negral (Quercus pyrenaica)

Nada melhor que lembrar que Portugal estaria muito mais rico com o carvalhal. França, p.ex., não é estúpida. Não quer eucalipto por alguma razão.
- Evitávamos os piroverões e incêndios florestais e tragédias como Pedrógão Grande;
- O carvalho negral é um lenho de enorme durabilidade;
- Importamos desnecessariamente quase 90% de carvalho, quando podíamos ser um País do carvalhal na Europa e não a pouca vergonha e ruína que é a monocultura do eucalipto!
- Estudos mostram que o carvalhal dá lucro de 9 em 9 anos!
Um excelente vídeo, neste Dia da Floresta Autóctone.

sexta-feira, 10 de novembro de 2023

Associações da serra da Estrela dedicam este mês à floresta autóctone


Várias associações e movimentos cívicos da serra da Estrela realizam este mês um conjunto de ações de preservação e recuperação da floresta autóctone alertando para a importância dos diversos ecossistemas.

Em comunicado enviado à agência Lusa, o Movimento Estrela Viva, com sede em Seia, no distrito da Guarda, precisa que pouco mais de um ano depois do incêndio que devastou 25% da área do Parque Natural da Serra da Estrela, várias associações e movimentos cívicos “juntam-se este mês para celebrar a floresta autóctone” e desenvolver ações que “alertam para a importância da preservação desses ecossistemas diversos e resilientes”.

Os promotores das várias iniciativas querem fazer de novembro “um mês repleto de momentos de aprendizagem e de ação concreta no território para preservar florestas que dão vida à flora, fauna e às comunidades que com elas convivem”.
Para além das atividades de reflorestação, as associações realizam ações que podem contribuir para a recuperação e preservação de ecossistemas florestais.

O objetivo é “demonstrar a diversidade, realçar o papel das comunidades locais na preservação desses ecossistemas e convidar, a quem vem de fora da Serra da Estrela, para se juntar a estas comunidades de guardiões e guardiãs do território”.

Estão envolvidas nestas ações a ASE (Associação Cultural Amigos da Serra da Estrela), o CERVAS (Centro de Ecologia, Recuperação e Vigilância de Animais Selvagens)/Associação ALDEIA, o MEV (Movimento Estrela Viva), a Cooperativa Integral Geradora, a Associação Guardiões da Serra da Estrela e a Associação Veredas da Estrela.

O combate às plantas exóticas invasoras serve de mote a uma ação do Movimento Estrela Viva já este sábado na Portela do Arão, no concelho de Seia.

A planta em destaque é a háquea-picante (Hakea sericea) que “após vários incêndios, começou a modificar os habitats naturais daquela zona, ameaçando a sobrevivência de espécies autóctones”.

No mesmo dia a Associação Veredas da Estrela desafia voluntários a apoiar o início dos trabalhos de recuperação pós-incêndio no Soito do Futuro, um bosque de castanheiros afetado por dois incêndios que foi recentemente adquirido pela associação.

O objetivo é transformar a área num soito que alie a conservação a uma utilização sustentável por parte da comunidade, criando um espaço de partilha, convívio e aprendizagem.

O CERVAS/Associação ALDEIA faz o convite para uma visita à exposição Cogumelos Incríveis que se encontra patente na Casa da Torre em Gouveia durante este mês e lança o desafio para uma saída de campo e um workshop a realizar no dia 19 de novembro sobre o mesmo tema.

Os Guardiões da Serra da Estrela dão continuidade ao programa Renascer de Dentro para Fora com ações de estabilização de solos e plantações de variedades autóctones nas zonas afetadas pelos incêndios e Associação Cultural Amigos Serra da Estrela realiza ações de reflorestação em Lapas das Cachopas, na Covilhã.

O calendário de ações este mês termina no dia 25 com uma ação de reflorestação com espécies autóctones na aldeia de Prados, concelho de Celorico da Beira, organizada pela A Geradora Cooperativa Integral.

terça-feira, 10 de outubro de 2023

Petição - Pela Preservação das Florestas e dos Ecossistemas em Portugal




Para: Exmos. Senhores Presidente da República, Presidente da Assembleia da República, Primeiro Ministro, Ministro do Ambiente, Ministro da Administração Interna.
Nós, os abaixo-assinados, conscientes da importância das nossas florestas e dos ecossistemas para o equilíbrio ambiental, o combate às alterações climáticas e a qualidade de vida das gerações presentes e futuras, vimos por meio desta petição expressar a nossa profunda preocupação com os cortes rasos na Serra da Lousã e outras práticas prejudiciais à biodiversidade e ao ambiente.

CONTEXTO
Os cortes rasos na Serra da Lousã, realizados por exploradores florestais, que desrespeitam o direito de propriedade públicas e privada, têm causado grande indignação na opinião pública.

A compensação financeira por essa violação, que venha a ser paga por exploradores florestais, é de todo insuficiente para o prejuízo ambiental resultante a médio e longo prazo.

Serão necessárias décadas para repor a situação existente e NÓS não temos esse tempo.
A floresta não pode, nem deve ser somente vista apenas como floresta de produção com a inerência económica que daí advém; deve ser vista sim, até com os desafios climáticos que temos pela frente, como uma floresta de conservação, e a sua natural essência (fundamental) no equilíbrio dos ecossistemas.

Com a continuação destas políticas enfrentamos a maior vaga de infestação de invasoras (acácia e hakea). A desflorestação sem critério não é mais que o cenário ideal para a sua propagação.

DESAFIOS

Monocultura e redução da diversidade:
As políticas públicas adoptadas ao longo das décadas priorizaram o valor económico da floresta, resultando na substituição de florestas por plantações de monocultura, reduzindo a diversidade e a resiliência dos ecossistemas florestais, com todas as consequências que daí advém.

São urgentes políticas de proteção à floresta, políticas sérias e credíveis, que não passem de uma mão cheia de boas vontades, e que não permitam que o crime compense.

Desertificação e fragmentação da propriedade:
A desertificação do interior levou à transformação de terras agrícolas em terras florestais, causando a fragmentação da propriedade florestal, o seu abandono, e criando condições propícias para os incêndios florestais.

Permitiu igualmente o abandono de espécies autóctones que eram essenciais para a subsistência da população de outrora, permitindo o seu corte e substituição com vista à plantação de espécies que visam unicamente o lucro rápido.

A impunidade dos exploradores florestais:
A exploração florestal é levada a cabo através de práticas de diversas infrações ambientais, assim como, desrespeitando a propriedade públicas e privada, intimidando proprietários e comunidades locais, muitas vezes com a complacência das autoridades locais/nacionais.

Estamos perante um atentado ambiental, como foi o cometido nos últimos dois anos na serra da Lousã, com um corte superior a 130ha de floresta com dezenas de décadas de crescimento, com o corte de dezenas ou até mesmo centenas de árvores de espécies autóctones, muita desse área em Rede Ecológica Nacional e Rede Natura 2000. Há dúvidas sobre a legitimidade legal de compras efetuadas. Houve invasões de propriedades públicas e privadas. As estradas abertas em Rede Natura não foram repostas e não foi replantada uma única árvore.

A resposta não pode nem deve ser “não podemos fazer nada”, deixar impune atos de autêntica atrocidade ambiental e passar o assunto incólume, quando o maior prejudicado é a sociedade presente e futura. Discutir políticas ambientais e deixar passar estes atos impunes é elevar o cinismo e a hipocrisia ao seu máximo.

Classificar áreas como Rede Natura e, por estas terem maioritariamente pinheiro bravo, fazer tábua rasa da restante vegetação, assim como de todo o coberto vegetal, com a consequente deterioração e erosão do solo com as chuvas, além de negligente é passar a mensagem que o crime compensa.

APELO
Instamos os responsáveis políticos a compreenderem que a redução das emissões de carbono e o incentivo às energias renováveis não são suficientes. É hora de adotar uma nova política ecológica e florestal que promova a retenção da água, a melhoria da qualidade dos solos, a diversidade das espécies e a regeneração das florestas, assim como conservar e melhorar o pouco que ainda subsiste.

PROPOSTAS:
Entre outras possíveis para cumprir o objetivo, queremos ver implementadas algumas medidas concretas:

• A eliminação definitiva de cortes rasos em áreas protegidas, como a Rede Natura 2000, para manchas superiores a 1ha de floresta, contribuindo para o cálculo da área os terrenos contíguos.

• Replantar todas as áreas cortadas de floresta nas áreas protegidas, sendo que 25% da área com espécies nativas após cada corte;

• Aumento significativo das molduras contraordenacionais em Rede Natura e rede ecológica.

• Cessação imediata de utilização de qualquer carreiro ou estrada aberto ilegalmente em Rede Natura 2000 ou reserva ecológica.

• Obrigatoriedade de pagamento de compensação pecuniária para reposição do coberto vegetal.

• Perda efetiva do alvará de exploração florestal, por parte do explorador singular ou coletivo, sendo que deverão ser identificados os sócios com proibição acessória de exercício de exploração florestal no período não inferior a 5 anos.

• A verificação por parte do ICNF da legitimidade legal dos contratos e dos intervenientes que estão na base do manifesto de corte; nomeadamente com o envio das respetivas matrizes e georreferenciação.

• A detenção e acusação por crime de desobediência, por parte das autoridades policiais, a violações de embargos administrativos de cortes florestais, mesmo que declarados verbalmente nos termos da lei.

• Medidas de fiscalização efetiva e regular da implementação dos Planos de Gestão Florestal públicos, privados e baldios aprovados, especialmente no que concerne à replantação das áreas cortadas.

ASSINATURAS

Ao assinarmos esta petição, demonstramos o nosso compromisso com a proteção das florestas e dos ecossistemas em Portugal. Pedimos a todos os cidadãos, organizações e autoridades responsáveis que se unam a nós nesta causa vital para o nosso país e para o nosso futuro.