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domingo, 28 de junho de 2026

'Fracking', a técnica que mudou o panorama energético mundial

Chega a casa e acende as luzes. Em seguida, toma um banho de água quente e, quando termina, prepara o jantar. Hoje é frango grelhado com ervilhas salteadas. Esta poderia ser a sua rotina, tal como a de milhões de pessoas em todo o mundo que têm acesso ao gás nas suas casas. E é que este abastecimento tornou-se um dos pilares invisíveis da vida quotidiana moderna. Pelo menos em Portugal, está por trás de quase tudo o que fazemos. Tanto é assim que é mais comum questionarmo-nos sobre o seu preço do que sobre a sua origem.

Esta última questão não condiciona nem perturba o nosso quotidiano, mas também nos deveria interessar: de onde vem esse gás que sustenta as tarefas básicas do nosso lar? No caso nacional, provém de outros países, seja através de gasodutos ou sob a forma de gás natural liquefeito transportado a bordo de grandes navios metaneiros. E é aí que surge um termo que continua a gerar controvérsias entre o sector energético e o meio ambiente: o fracking (fracturação hidroeléctrica).

Como é realizado o fracking?
Os dados mais recentes revelam que uma parte significativa do gás natural consumido em Portugal é importada de países onde a exploração de hidrocarbonetos não convencionais, incluindo o fracking, tem um peso relevante. Por outras palavras, embora Portugal não explore gás natural através de fracking no seu território, parte do gás que consome é proveniente de países onde essa técnica é amplamente utilizada, nomeadamente dos Estados Unidos. Em 2024, por exemplo, cerca de 40% do gás natural liquefeito (GNL) importado pelo nosso país teve origem no país actualmente governado por Donald Trump.

Integrado no mercado internacional, este método de extracção permite aumentar a disponibilidade energética e, consequentemente, reduzir os preços. Um benefício tão relevante quanto superficial, que ignora as graves consequências desta técnica industrial para o ambiente, a saúde pública e a biodiversidade dos territórios onde é aplicada.

Não é de admirar que os Estados Unidos sejam, de longe, o país que mais utiliza esta técnica: foi lá que foi concebida, pelas mãos do multimilionário texano George Mitchell e do engenheiro Nick Steinsberger. No final do século XX, ambos descobriram que era possível libertar grandes quantidades de gás e petróleo retidos em rochas muito compactas, combinando duas inovações fundamentais: a perfuração horizontal e a injecção de fluidos a pressão muito elevada.

A fracturação hidráulica consegue atingir camadas profundas de xisto, para depois injectar no solo uma mistura de água, areia e aditivos químicos que fracturam a rocha: daí o seu nome. A areia mantém abertas essas microfracturas, permitindo que o gás ou o petróleo fluam para a superfície para serem recolhidos.

Por que gera tanta controvérsia o fracking?
Não são poucas as organizações científicas e ambientais que estudaram exaustivamente os efeitos do fracking nos ecossistemas. E é que, devido ao seu sucesso retumbante em termos económicos e geopolíticos na América do Norte, outros países com grandes reservas de combustíveis fósseis despertaram interesse por esta técnica: no mesmo continente, destaca-se o caso de Vaca Muerta, em Neuquén (Argentina), um jazigo que se tornou um dos maiores centros de exploração de hidrocarbonetos não convencionais do mundo.

O mesmo não acontece na Colômbia, onde a técnica ainda não foi regulamentada, embora o último governo se tenha posicionado abertamente contra a sua aplicação. O fracking, de facto, tem sido protagonista nos debates da campanha presidencial colombiana de 2026, e não é de admirar: num dos países com maior biodiversidade do mundo, a fracturação hidráulica pode colocar em risco ecossistemas de altíssimo valor ambiental, fontes de água doce e territórios habitados por comunidades rurais e indígenas.

É o que demonstram as evidências científicas: de acordo com um relatório da Agência de Protecção Ambiental dos Estados Unidos, o fracking pode fazer com que fluidos se infiltrem nas águas subterrâneas, causando poluição na água. Além disso, tal como explica a especialista Sandra Steingraber à National Geographic, em algumas zonas próximas de jazidas, a fracturação "é a principal fonte de smog". E não é só isso: pode até provocar terramotos em regiões onde antes quase não se registavam movimentos sísmicos.

Tudo isto, sem esquecer o impacto desta indústria na saúde das pessoas: os estudos realizados até à data sugerem que os bebés nascidos perto de poços de fracking podem apresentar uma maior incidência de baixo peso à nascença, parto prematuro ou anomalias congénitas. Além disso, os cidadãos idosos podem correr um risco maior de morte prematura.

Em relação a estas investigações, todas realizadas em zonas petrolíferas dos Estados Unidos, Steingraber salientou: "Isto é uma crise de saúde pública". Mas nada parece travar os países que impulsionaram a sua economia através desta estratégia. E enquanto o mercado internacional continua a crescer e a procura de gás se mantém em alta, os alertas científicos parecem ficar relegados para segundo plano.

quinta-feira, 13 de junho de 2024

Invasão russa lançou mais 175 milhões de toneladas de CO2 para atmosfera


Bruxelas, 13 jun 2024 (Lusa) - Dois anos de conflito na Ucrânia devido à invasão pela Rússia lançaram mais 175 milhões de toneladas de dióxido de carbono para a atmosfera, o equivalente às emissões anuais de 90 milhões de automóveis, segundo um relatório divulgado hoje.

De acordo com o relatório, divulgado por uma iniciativa para a contabilização das emissões de gases com efeito estufa em guerra, com o patrocínio do Ministério da Proteção Ambiental e Recursos Naturais da Ucrânia, para a emissão adicional de 175 milhões de toneladas de dióxido de carbono contribuíram “milhares de milhões de litros de combustível utilizados pelos veículos militares, aproximadamente um milhão de hectares de terrenos e florestas incendiados, centenas de estruturas de petróleo e gás destruídas e grandes quantidades de ferro e betão utilizados para fortificar as linhas defensivas ao longo de centenas de quilómetros".

O documento dá conta de que de que estas emissões, comparáveis às produzidas por 90 milhões de automóveis em apenas um ano, aumentam em 32 mil milhões de euros as reparações que estão a ser imputadas a Moscovo para reconstruir a Ucrânia depois da guerra.

Os dados foram recolhidos em grande parte com recurso a informações de satélite do Governo da Ucrânia e outros publicamente disponíveis, já que a verificação no terreno está dificultada e em alguns casos impossibilitada pelas operações militares.

“As imagens de satélite demonstram que houve pelo menos 27.000 incêndios” desde o início da invasão russa e 150 milhões de metros cúbicos de gás desapareceram por causa da ofensiva russa no território ucraniano.

O relatório também dá conta das consequências de desviar voos que atravessavam o território ucraniano e russo desde 24 de fevereiro de 2022, que terão contribuído para mais horas de voo e mais consumo de combustível.

Os investigadores que participaram no estudo alertam também que o aumento do investimento em defesa acarreta consequências ambientais, assim como o transporte de armamento.

sexta-feira, 31 de maio de 2024

Jeffrey Sachs: The Russian-Ukraine War Was Provoked


O professor Jeffrey Sachs é presidente da UN Sustainable Development Solutions Network (UNSDSN


Ele é autor de muitos livros best-sellers, incluindo  The End of Poverty The Ages of Globalization. Aqui está ele, provavelmente com a avaliação mais inteligente e precisa da guerra na Ucrânia, e da política externa americana em geral, já gravada em depoimento.

Em definições, pode visualizar a entrevista em Português.

terça-feira, 2 de abril de 2024

O Serviço Militar ao Serviço de Quem?


Em contracorrente aos discursos da verdade única que os aparelhos de propaganda e manipulação nos transmitem, o professor Viriato Soromenho Marques publicou há dias no DN mais um texto de análise da realidade que vivemos e da que nos está a ser preparada.

Talvez esta análise crua tenha a mesma eficácia de uma pregação a um rebanho de cordeiros sobre os perigos que os aguardam com as celebrações judaicas da Páscoa, quando os pastores lhes estão a fornecer ervas tenras para a engorda, antes de os sacrificarem, mas vale a pena acompanhar o autor, para que os magarefes não se sintam pregadores evangélicos, incontestados vendedores de asas de subir aos céus. O texto tem por título “A Ocidente, uma desolada paisagem”. Começa por pedir que esqueçamos que há uma guerra europeia centrada na Ucrânia que se pode tornar mundial e que enfrentemos a dolorosa pergunta prévia: O que é o Ocidente e quais são os seus valores atuais? Isto é, digo eu: o que nos prometem a troco da vida dos jovens europeus e das ruínas das nossas casas? Começa o professor Soromenho Marques por relembrar que, de acordo com orientações estratégicas há muito públicas e publicadas e seguindo vozes autorizadas da Casa Branca e do Congresso, existe um saldo positivo de mais esta guerra para a oligarquia que governa os Estados Unidos, e que o que está em causa não é, nem nunca foi, a vitória da Ucrânia, muito menos a de uma Ucrânia livre e com um regime representativo do seu povo, mas sim usar aquele povo como aríete para enfraquecer a Rússia.

Viriato Soromenho Marques deixa claro a quem souber ler que a guerra na Ucrânia é um negócio e está a ser tratada pelos seus administradores como um negócio, com deve e haver, lucros e prejuízos. Os Estados Unidos fazem contas e concluem que a guerra é lucrativa para as suas elites financeiras e industriais e que, com os contratos já impostos à Europa para ela se “defender” de uma invasão russa, os lucros se prolongarão para lá do fim da guerra. Quanto à Rússia: Trinta anos (desde o fim da URSS) de estratégia de encostar a NATO às fronteiras da Rússia, sobretudo na Ucrânia, mas antes dela na Polónia e nos países bálticos, levaram, como estava previsto que levassem, o urso a acordar. Os EUA estavam preparados para lucrarem com o seu despertar.

As sanções, o ataque à exportação de petróleo e gás natural russo, o impedimento de mais oleodutos (sabotagem do Nordstream II), a fuga de cérebros, o fomento da instabilidade no Cáucaso, tudo isso estava prescrito num vasto documento que mais parece uma declaração de guerra: (Extending Rússia. Competing from Advantageous Ground, James Dobbins et alia, Santa Monica, CA, Rand Corporation). Nesse saldo positivo dos EUA, além da rotura dos laços entre Berlim e Moscovo, entra também o alargamento da NATO e a convicção de que a Europa vai aumentar duradouramente as compras em armamento norte-americano (quer ganhe Biden ou Trump), assegurando um grande negócio, nutrido com centenas de milhares de mortos e estropiados na Ucrânia, que se podem alargar a outras áreas e geografias na Europa e na Eurásia

“E que pensar da UE, a outra metade do Ocidente?” (Pergunta Viriato Soromenho Marques e esclarece: “Nunca a Europa sofreu, em tempo de guerra, com líderes tão perigosamente impreparados para governar. Em setembro de 2022, o triunfalismo, a presidente da CE (Ursula Von Der Leyen) troçava dos russos, dizendo que a eficácia das sanções obrigava Moscovo a usar os chips dos eletrodomésticos para fins militares. Hoje, um pânico antigo (“Vêm aí os russos”) percorre as capitais europeias. Basta ouvir o “valente” Macron, ou ler o apavorado Charles Michel.” Num artigo do El País de 29 de Março de 2024, Donald Tusk, um neoliberal que é primeiro ministro da Polónia, afirmava: “Estamos en una época de preguerra. No exagero”. Respondia assim ao primeiro-ministro espanhol, que na última cimeira europeia pediu que se baixasse o tom belicista.

Nesta linha dos apelos à guerra estamos a ser bombardeados com uma campanha de manipulação para reintroduzir o serviço militar obrigatório. Portugal cumpre o papel que lhe foi distribuído. Não é um acaso, nem uma inocente coincidência que no mesmo dia surjam notícias da defesa desta reintrodução através de declarações do chefe do estado-maior general das Forças Armadas, do chefe do estado-maior do Exército e até, pasme-se, do chefe de estado-maior da Armada, de uma Armada que, mesmo durante a guerra colonial, manteve a maioria dos seus efetivos profissionalizados! Da campanha escapou até ver o chefe do estado-maior da Força Aérea. Não haverá para já pilotos ou controladores de tráfego aéreo, meteorologistas ou mecânicos de aeronaves de recrutamento obrigatório! Do novel ministro da Defesa, o lusito Nuno Melo, espera-se sem surpresas que desembainhe a espada de pau e vá a Washington comprar o que der mais comissões e proporcione aos intermediários, com Paulo Portas como chave-mestra, o orgulho de Portugal possuir os melhores artefactos bélicos e de participar na primeira linha da defesa dos valores do Ocidente. Os discursos estão disponíveis no ChatGPT. Basta tocar na tecla Enter.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2023

A energia eólica e solar foram as principais fontes de eletricidade da UE em 2022 pela primeira vez



A energia eólica e solar forneceram mais eletricidade da UE do que qualquer outra fonte de energia pela primeira vez em 2022, segundo uma nova análise.

Juntos, eles forneceram um recorde de um quinto da eletricidade da UE em 2022 – uma parcela maior do que o gás ou a energia nuclear, de acordo com um relatório do thinktank climático Ember .

Adições recordes de novas energias eólica e solar em 2022 ajudaram a Europa a sobreviver a uma “crise tripla” criada por restrições no fornecimento de gás russo, uma queda na energia hidrelétrica causada pela seca e interrupções inesperadas de energia nuclear, diz a análise.

Cerca de 83% da queda na energia hidrelétrica e nuclear foi atendida pela energia eólica e solar – e pela queda na demanda de eletricidade. O restante foi atendido pelo carvão, que cresceu em um ritmo mais lento do que alguns esperavam em meio a uma queda no fornecimento de combustíveis fósseis da Rússia.

A geração solar em toda a UE aumentou um recorde de 24% em 2022, ajudando a evitar € 10 biliões em custos de gás, de acordo com as descobertas. Cerca de 20 nações da UE obtiveram uma parcela recorde de sua energia solar, incluindo Holanda, Espanha e Alemanha.

Espera-se que o crescimento eólico e solar continue este ano, enquanto a geração hidroelétrica e nuclear provavelmente se recuperará. Como resultado, a geração de energia com combustíveis fósseis pode cair 20% sem precedentes em 2023 – o dobro do recorde anterior observado em 2020, projeta a análise.

Recorde de renováveis

A energia eólica e solar gerou um recorde de 22,3% da eletricidade da UE em 2022, ultrapassando pela primeira vez a nuclear (21,9%) e o gás (19,9%), de acordo com a análise e mostrada no gráfico acima.

O novo marco reflete o crescimento recorde da energia eólica e solar na Europa e uma queda inesperada na energia nuclear em 2022.

No ano passado, a Europa enfrentou uma “crise tripla” em seu abastecimento de energia, diz o relatório.

O primeiro fator foi a invasão da Ucrânia pela Rússia, que enviou ondas de choque através do sistema energético global.

Antes do ataque, a Europa obtinha um terço de seu gás da Rússia. Mas a eclosão da guerra viu a Rússia restringir o fornecimento de gás à Europa e novas sanções da UE sobre as importações de petróleo e carvão do país.

Apesar da turbulência, a geração de gás da UE permaneceu estável em 2022, quando comparada a 2021.

Isso ocorre principalmente porque o gás já era mais caro que o carvão na maior parte de 2021, diz o principal autor da análise, Dave Jones , chefe de insights de dados da Ember. Ele diz ao Carbon Brief:

“Não houve mais troca possível de gás para carvão em 2022.”

Os outros principais contribuintes para a crise foram as quedas no fornecimento de energia nuclear e hidroelétrica, explica o relatório:

“Uma seca de um em 500 anos em toda a Europa levou ao nível mais baixo de geração hidrelétrica desde pelo menos 2000, e houve interrupções inesperadas generalizadas da energia nuclear francesa no momento em que as unidades nucleares alemãs estavam fechando.”

Isso criou uma lacuna na geração igual a 7% da procura total de eletricidade da Europa em 2022, diz o relatório.

Cerca de 83% dessa lacuna foi suprida pela geração eólica e solar – e uma queda na demanda de eletricidade. (A demanda por eletricidade caiu 8% no último trimestre de 2022 em comparação com 2021 – impulsionada por uma combinação de clima ameno e esforços públicos para reduzir o uso de energia, de acordo com a Ember.)

A geração solar aumentou um recorde de 24% em 2022, ajudando a evitar € 10 bilhões em custos de gás, de acordo com a Ember. Isso se deveu às instalações recordes de 41 gigawatts (GW) em 2022 – quase 50% a mais do que foi adicionado em 2021.

De maio a agosto, a energia solar forneceu 12% da energia da UE – ultrapassando 10% no primeiro verão da história.


Cerca de 20 países da UE obtiveram uma parcela recorde de energia solar em 2022. O líder foi a Holanda, que produziu 14% de sua energia solar - ultrapassando o carvão pela primeira vez.

Em outros lugares, a Grécia funcionou exclusivamente com energias renováveis ​​por cinco horas em outubro de 2022, de acordo com a Ember. O país também deve atingir sua meta de capacidade solar de 8 GW para 2030 até o final deste ano – sete anos antes.

Nenhum papel para o carvão

Enquanto os países lutavam para substituir os combustíveis fósseis da Rússia no início de 2022, vários países da UE sinalizaram que estavam considerando aumentar sua dependência da energia movida a carvão.

No entanto, o novo relatório conclui que o carvão desempenhou um papel mínimo em ajudar a UE a enfrentar sua crise energética.

Apenas um sexto da queda em energia nuclear e hidrelétrica em 2022 foi atendida pelo carvão, de acordo com a análise.

E nos últimos quatro meses do ano – quando as temperaturas começaram a cair – a geração de carvão caiu 6%, em comparação com o mesmo período de 2021. Isso foi impulsionado principalmente pela queda na demanda de eletricidade, diz o relatório.

Acrescenta que as 26 unidades de carvão trazidas de volta como reserva de emergência funcionaram com apenas 18% da capacidade nos últimos quatro meses de 2022. Nove das 26 unidades de carvão não forneceram nenhuma geração.

No geral, a geração de carvão aumentou 7% em 2022 em comparação com 2021, aumentando as emissões do setor de energia da UE em quase 4%. O relatório diz:

“Poderia ter sido muito pior: eólica, solar e uma queda na demanda de eletricidade impediram um retorno muito maior do carvão. No contexto, o aumento do carvão não foi substancial: a energia a carvão permaneceu abaixo dos níveis de 2018 e adicionou apenas 0,3% à geração global de carvão.”

Perspectivas de 2023

O crescimento da energia eólica e solar deve continuar este ano, de acordo com estimativas da indústria, diz o relatório.

Ao mesmo tempo, espera-se que a energia hidrelétrica e nuclear se recupere – com a EDF prevendo que muitas de suas centrais nucleares francesas voltarão a funcionar em 2023.

Como resultado desses fatores, a geração de energia com combustíveis fósseis pode cair 20% sem precedentes em 2023 – o dobro do recorde anterior observado em 2020, projeta a análise. O relatório diz:

“A geração a carvão cairá, mas a geração a gás, que deve permanecer mais cara que o carvão até pelo menos 2025, cairá mais rapidamente.”

O gráfico abaixo demonstra como o crescimento da energia eólica e solar – bem como uma queda contínua na demanda de eletricidade – pode levar à queda da geração de combustível fóssil em 2023.



Jones acrescenta que as descobertas mostram que a crise energética “sem dúvida acelerou a transição elétrica da Europa”. Ele diz:

“Não apenas os países europeus ainda estão comprometidos com a eliminação gradual do carvão, mas também estão se esforçando para eliminar gradualmente o gás. A Europa está caminhando para uma economia limpa e eletrificada e isso estará em plena exibição em 2023. A mudança está chegando rapidamente e todos precisam estar prontos para ela.”

domingo, 5 de fevereiro de 2023

Limitar o aquecimento global a 1,5ºC é improvável, alerta estudo

Limitar o aquecimento global a 1,5 graus celsius (ºC) é improvável, indica um estudo hoje divulgado, que valoriza as mudanças sociais para cumprir os objetivos de redução de emissões de gases com efeito de estufa.

A investigação, “Hamburg Climate Futures Outlook”, do departamento de “Clima, Alterações Climáticas e Sociedade” (CLICCS, na sigla original) da Universidade de Hamburgo, Alemanha, analisou, além de questões físicas ligadas ao clima, a política climática, os protestos e a crise devido à invasão da Ucrânia pela Rússia. E concluiu que a mudança social é essencial para cumprir os objetivos do Acordo de Paris.

O Acordo de Paris, assinado em 2015 por quase todos os países do mundo, estabelece como meta para controlo do aumento da temperatura os 2ºC em relação à época pré-industrial, se possível que esse aumento não ultrapasse os 1,5ºC. Este objetivo tem sido mantido nas reuniões mundiais sobre o clima.

Segundo o estudo, as metas alcançadas até agora não são suficientes, sendo necessária uma nova abordagem sobre a adaptação às mudanças climáticas.

"Na verdade, quando se trata de proteção climática, algumas coisas já foram postas em marcha. Mas se analisarmos o desenvolvimento dos processos sociais em pormenor, manter o aquecimento global abaixo dos 1,5 graus ainda não é plausível", diz Anita Engels, do CLICCS, citada no documento.

O estudo diz nomeadamente que os padrões de consumo e as respostas empresariais não estão a contribuir para as medidas de proteção climática que são urgentemente necessárias.

Por outro lado, fatores como a política climática da ONU, legislação, protestos climáticos e desinvestimento em combustíveis fósseis estão a apoiar os esforços para atingir os objetivos climáticos.

São dinâmicas positivas que contudo não são suficientes para manter a temperatura no limite dos 1,5ºC. "A profunda descarbonização necessária está simplesmente a progredir demasiado lentamente", diz Anita Engels.

Perda de gelo

Os investigadores também analisaram processos físicos que são muitas vezes discutidos como pontos de rutura, como a perda de gelo no mar Ártico, o derretimento das calotes polares ou as alterações climáticas regionais, considerando que terão pouca influência sobre a temperatura global até 2050.

Mais importante, ainda que de forma moderada, será o descongelamento das zonas com solo sempre gelado (permafrost), o enfraquecimento das correntes superficiais e profundas do Oceano Atlântico ou a perda de floresta na Amazónia.

"O facto é que estes temidos pontos de viragem poderiam mudar drasticamente as condições de vida na Terra, mas são largamente irrelevantes para alcançar os objetivos de temperatura do Acordo de Paris", diz Jochem Marotzke, do Instituto Max Planck de Meteorologia, de Hamburgo.

O estudo analisou também a pandemia de covid-19 e a invasão russa da Ucrânia, concluindo que os programas de reconstrução económica reforçaram a dependência dos combustíveis fósseis, o que significa que as mudanças necessárias são agora menos plausíveis do que anteriormente se supunha.

Mas continua a não ser claro se os esforços para salvaguardar o fornecimento de energia à Europa e as tentativas da comunidade internacional para se tornar independente do gás russo irão minar ou acelerar a eliminação gradual dos combustíveis fósseis a longo prazo.

De acordo com o estudo, a melhor esperança para moldar um futuro climático positivo reside na capacidade da sociedade de fazer mudanças fundamentais, sendo importantes para isso as iniciativas transnacionais e não-governamentais e a continuação da pressão sobre os políticos através dos protestos.

domingo, 22 de janeiro de 2023

Gás Natural e Putin

Coincidência ou não as áreas laranja representam as segundas maiores reservas de gás natural da Europa. Agora comparem com a invasão russa em Fevereiro de 2022.
A vontade de Putin monopolizar o mercado de gás natural na Europa já levou à morte de centenas de milhares de pessoas.


terça-feira, 6 de dezembro de 2022

Marrocos usa gás natural de Espanha depois de Argélia fechar torneira



Marrocos tem estado fortemente dependente do gás natural proveniente de Espanha desde que problemas diplomáticos levaram a Argélia a parar as exportações para o país do norte de África.

Foi há um ano, em novembro de 2021, que a Argélia deixou de fornecer gás natural a Marrocos, fechando o gasoduto Magreb-Europa (GME) que passa por Marrocos em direção à Península Ibérica.

Marrocos, que ainda está altamente dependente da eletricidade e gás importados, avançou com um acordo com Espanha que permitiu que gás voltasse a circular no gasoduto a partir de julho deste ano.

Devido a problemas nas relações entre os dois países de África, Madrid foi obrigada a certificar que o gás que estava a exportar para Marrocos não era de origem argelina.

Desde que o gasoduto voltou a ligar Espanha a Marrocos que a quantidade de gás natural que chega ao país africano tem vindo a aumentar de mês para mês, atingindo um recorde em novembro deste ano, explica a Mees. Ainda assim, a quantidade é inferior a que chegava a partir da Argélia.

quarta-feira, 16 de novembro de 2022

UE aumenta de 55% para 57% a sua meta de redução de emissões até 2030. “São migalhas”, diz Zero


A União Europeia actualizou a sua meta de redução de emissões de gases com efeito de estufa de 55% para 57% até 2030, anunciou nesta terça-feira, na Cimeira do Clima, em Sharm el-Sheikh, no Egipto, Frans Timmermans, vice-presidente executivo da Comissão Europeia e responsável por pôr em prática o Pacto Ecológico Europeu. “Mas não é uma revisão das metas, apenas constatámos que isto é possível, como efeito da legislação climática que estamos a aprovar”, explicou Timmermans.

“Não precisamos de fazer nova legislação, simplesmente percebemos que podíamos actualizar a contribuição determinada nacionalmente (NDC, na sigla em inglês) da União Europeia”, ou seja, as metas de redução de gases com efeito de estufa, sublinhou Timmermans. Isto graças a leis do pacote “Fit for 55” já aprovadas, como o fim da venda de carros a diesel e gasolina.

Isto é pouco, reage a associação ambientalista Zero. “A emergência climática em que nos encontramos não merece as ‘migalhas’ da UE. O aumento de dois pontos percentuais, de 55% para 57%, no compromisso da UE em reduzir as emissões líquidas até 2030 está longe dos necessários, pelo menos 65%, que é o valor justo com que a UE se deve comprometer para limitar o aquecimento global no 1,5ºC”, reagiu Francisco Ferreira, a partir de Sharm el-Sheikh.

“Este pequeno aumento anunciado na COP27 não responde aos apelos dos países mais vulneráveis que estão na linha de frente. Se a UE, com um forte histórico de emissão de gases com efeitos de estufa, não lidera a mitigação nas alterações climáticas, quem o fará?”, interroga o líder da Zero.

Ainda estamos no caminho certo para cumprir as nossas metas, apesar de termos de ter cortado tão rapidamente a dependência da UE dos combustíveis fósseis importados da Rússia, que era de cerca de 40%, para os 10% que é agora”, justificou Timmermans, numa conferência de imprensa em Sharm el-Sheikh, transmitida via Internet.

“Por isso estamos agora a queimar mais carvão do que pretendíamos e sim, estamos à procura de gás natural liquidificado [LNG na sigla em inglês] em todos os lados. Mas será apenas durante, vamos a ver, uns três anos. Depois disso teremos conseguido alterar de forma significativa o nosso ‘mix’ energético”, garantiu o comissário europeu.

Apoio a “perdas e danos” terá só uma ponte?

Timmermans disse ainda que a União Europeia “se compromete a fazer avançar” o assunto que está a dominar esta Cimeira do Clima – criar um mecanismo para que as nações mais desenvolvidas financiem as “perdas e danos” por causa das alterações climáticas nas nações mais vulneráveis, normalmente as mais pobres. “Mas não devemos esperar que todas as soluções sejam encontradas nesta COP”, sublinhou “Precisamos de construir pontes para avançar, mas não estou a ver surgir nesta semana [a última da COP27] um mecanismo financeiro para as perdas e danos”, avisou.

“A questão das perdas e danos coloca problemas diferentes consoante a região, não é acontece o mesmo nas Caraíbas que acontece no Corno de África ou nas ilhas do Pacífico. Temos de perceber se o melhor é encontrar soluções de financiamento feitas à medida, ou até adaptar instrumentos que já existam”, sugeriu Timmermans.

Respondendo a uma pergunta de um jornalista, o comissário europeu afirmou que a UE apoia o apelo feito pela Índia na COP27 para que a declaração final da cimeira peça a saída progressiva dos combustíveis fósseis – desde que isso não enfraqueça compromissos anteriores em relação ao abandono do carvão, como o obtido, a custo, na COP26, em Glasgow, no ano passado.

“A UE apoia esta proposta se garantirmos que vem como um acrescento ao acordo para saída progressiva do carvão obtido em Glasgow”, afirmou Timmermans.

Dias antes de começar a COP27, o ministro das Finanças da Índia anunciou em Nova Deli o lançamento do maior leilão de sempre para a exploração de minas de carvão. Há 141 locais para a exploração mineira que serão vendidos a quem pagar mais, noticia o Guardian. Por isso o apelo da Índia à saída progressiva dos combustíveis fósseis está a ser visto com cautela.

Se a UE anda à procura de forma tão desesperada de combustíveis fósseis de fornecedores diferentes, terá moral para criticar os países africanos que anunciaram estar a pensar explorar as suas reservas, até agora deixadas no coração da terra, perguntaram a Timmermans. “Nós não estamos a dizer aos países africanos para não investirem no carvão ou no petróleo, mas avisamo-los para terem cuidado, porque podem ficar com activos obsoletos dentro de alguns anos. Relativamente ao gás natural, aconselhamos que se façam infra-estruturas capazes de lidar com diferentes densidades de gás, para poderem vir a transportar no futuro hidrogénio verde”, afirmou.

“Queremos desenvolvimento em África, e a melhor forma de isso acontecer é investir em energias renováveis”, concluiu.

domingo, 30 de outubro de 2022

A Rússia vai perder a batalha energética


A grande vítima de toda a crise energética que vivemos será mesmo... a Rússia. É o que salienta o diretor executivo da Agência Internacional de Energia, Fatih Birol, em entrevista à Euronews, na qual explica porque é que Moscovo deu o passo errado.

"A Rússia vai sair a perder desta batalha energética pela seguinte razão: antes da invasão, cerca de 75% do total de exportações de gás russo vinha para a Europa, assim como 55% das exportações de petróleo. A Europa era, de longe, o maior mercado, o maior cliente da Rússia. E a Rússia perdeu-o para sempre. E não é possível construir gasodutos rapidamente para enviar gás para a China ou Índia. No cenário mais otimista, são necessários dez anos para construir gasodutos desses", explica.

No entanto, para Fatih Birol, as previsões de que este inverno será o mais duro não estão corretas.

"Vamos chegar até fevereiro ou março sem grandes problemas porque conseguimos armazenar muito gás natural, graças às políticas europeias. Vamos usá-lo durante este inverno. Mas a questão é que o inverno seguinte pode ser ainda mais duro do que este. Quando chegarmos a fevereiro ou março, já teremos utilizado uma grande parte do gás que guardámos. Como é que vamos conseguir armazenar novamente, encher novamente as reservas? Essa é a grande questão, porque as condições do mercado não serão fáceis", considera.

Falando sobre a economia russa, Georgieva projetou contrações em 2022 e 2023, juntamente com implicações prejudiciais de médio e longo prazo.

"Um, [a Rússia] está perdendo o acesso à tecnologia que teria ajudado o país a modernizar e diversificar sua economia. Segundo, está perdendo pessoas. A saída de russos, especialmente russos altamente qualificados, por causa da guerra está prejudicando a Rússia, " ela disse.

"E terceiro, está perdendo seu papel na economia global."

Campanha Global Witness - Stop Russian oil

domingo, 23 de outubro de 2022

The New Tsar: How Putin Became Russia's Dictator



When Russian President Boris Yeltsin appointed a little-known spy chief as his Prime Minister and successor in 1999, the rouble crashed. Nobody had heard of this former KGB agent and few believed he would make any mark.

Vladimir Putin would soon show Russians, and the world, what he was made of.

Within weeks of his appointment as Prime Minister, apartment blocks in Moscow and other cities began exploding, killing and wounding hundreds of civilians. The Kremlin blamed Chechen separatists and soon launched a brutal war against the tiny state.

The war resulted in huge civilian casualties but it raised Putin’s profile at home. Months later, he was elected president.

Correspondent Eric Campbell was in Russia when Putin began his rise to power and has followed his career ever since.

Campbell tracks Putin’s journey to the top, from his origins in an impoverished tenement in St Petersburg to his ruthless prosecution of the war against Chechnya to his relentless attacks on any political opposition at home.

Campbell closely chronicled Putin for over two decades as the leader set about muzzling the media, rigging elections and targeting his political opponents, at home and abroad.

Now as the President-for-Life invades neighbouring Ukraine and threatens the world with the nuclear option, Campbell asks, how far will he go?

This is an in-depth profile of a man who’s smashed the world order and dared the West to risk World War Three to stop him.

domingo, 2 de outubro de 2022

Sabotagem Nordsteam e os impactos ambientais


A sabotagem dos pipelines Nordstream 1 e 2 cortou brutalmente o cordão umbilical energético da Alemanha com a Rússia. Parece óbvio para todos de que se trata de terrorismo com origem num "ator estatal", como disseram de imediato os responsáveis dinamarqueses e suecos. Inevitavelmente, Zelensky acusou a Rússia. Mas esse reflexo de Pavlov carece de justificação.

Seria totalmente irracional que Moscovo destruísse não apenas uma copropriedade onde investiu 475 mil milhões de rublos, mas, sobretudo, seria absurdo que anulasse o seu instrumento principal de pressão contra as sanções da UE. Sem pipelines, Moscovo e Berlim ficam em mundos paralelos.

O jornal ECO noticiava que num tweet, Radoslaw Sikorski - ex-Ministro da Defesa e ex-MNE polaco, eurodeputado do PPE, e um peso pesado na política global -, agradeceu aos EUA os danos causados aos pipelines russos. Noutro tweet, Sikorski explicava que os "danos no Nordstream reduzem o espaço de manobra de Putin. Se quiser retomar o fornecimento de gás à Europa, terá de conversar com os países que controlam os gasodutos Brotherhood [Ucrânia] e Yamal [Polónia]".

O "agradecimento", gravemente acusatório a Washington, vindo de um seu fã incondicional, apenas o compromete a ele. Contudo, revela também como os demónios europeus estão à solta. O ódio à Alemanha, e não apenas à Rússia, faz hoje parte integrante da política oficial em Varsóvia, como ficou demonstrado no renovado pedido a Berlim por indemnizações pelas perdas da II Guerra Mundial.

A UE, que alguns adeptos do Dr. Pangloss consideram mais forte e unida do que nunca, recebe hoje sinais de menosprezo das chancelarias por esse mundo fora. Com a CE de Von der Leyen, a "Europa Alemã", que segundo o malogrado Ulrich Beck resultou da gestão da crise do euro por Angela Merkel, está febril. Para merecer respeito em política é preciso conhecer os seus interesses cruciais. E saber defendê-los. A resposta europeia à invasão russa da Ucrânia foi desmesurada, ignorou completamente interesses e fragilidades, curvando-se num servilismo acrítico perante Biden. A coligação de Berlim destruiu, de um golpe, os alicerces de uma UE liderada pela Alemanha: segurança de abastecimento energético; estabilidade do euro; alguma (frágil) capacidade de manobra dentro da NATO. Sem estratégia e à deriva, os próximos meses dirão até que ponto é que a estrada de autoflagelação europeia terá alguma margem de mitigação.[Viriato Soromenho Marques]



What environmental-climate impact will the Nord Stream accident have?
How are natural disasters classified, such as Nord Stream?

Sabotagem do Nordsteam

Tucker Carlson's accusations that the Biden administration is somehow involved in causing the Nord Stream damage



As fugas dos gasodutos Nord Stream deverão ser a maior explosão do potente gás com efeito de estufa de que há registo, podendo emitir até cinco vezes mais metano do que foi libertado pela catástrofe do Aliso Canyon, a maior libertação terrestre conhecida de metano na história dos EUA. É também o equivalente a um terço do total anual das emissões de gases com efeito de estufa da Dinamarca, segundo um técnico dinamarquês. Jan Olsen e Patrick Whittle, Associated Press. As grandes organizações ambientais como a Greenpeace e o WWF, limitam-se a referir os elevados índices de metano libertado na atmosfera e nos imponderáveis impactos na vida marinha.

Saber mais:





domingo, 11 de setembro de 2022

A Alemanha e o gasoduto Ibérico

A Alemanha anunciou a construção do quinto terminal LNG flutuante (FSRU). As coisas estão encaminhadas para não se passar frio na Alemanha este Inverno.

A ENGIE assinou em nome do Governo Alemão um acordo, por 5 anos, com a empresa do Texas Excelerate Energy, para mais um FSRU que ficará instalado no porto de Wilhelmshaven, onde já existirá outro, contratado pela RWE. Este terminal terá a capacidade de 5 bcm e entrará em funcionamento antes do Inverno de 2023.

A Alemanha importava 95 bcm da Rússia por vários pipelines e está a substitui-los rapidamente. O Governo Alemão anunciou em Maio um orçamento de 3 milhares de milhões de Euros para a nova infraestrutura de LNG.

A Alemanha não dispõe, neste momento, de nenhum terminal LNG. Na Península Ibérica existem 7. A Alemanha está rapidamente a eliminar esta restrição.

Como parte do programa de terminais flutuantes, a RWE já contratou, em charter, 2 VSRU e a Uniper outros 2. Mas o primeiro VSRU a entrar em funcionamento será o da ReGas, a 1 de Dezembro deste ano. Ficará no porto alemão de Lubmin, onde terminam os gasodutos Nord Stream 1 e 2.

Os FSRUs contratados pela RWE ficarão nos portos de Wilhelmshaven e de Brunsbüttel e deverão estar em operação no final deste anos ou no início de 2023.

Os 6 VSRU terão uma capacidade de quase 30 bcm, o que compara com os 55 bcm de capacidade do gasoduto Nord Stream 1.

Temos de dar razão a Macron, pois no curto prazo esta solução faz mais sentido técnico e económico do que o gasoduto Ibérico cuja capacidade ficaria limitada pelo troço MidCat que teria apenas capacidade de 7 bcm.

Concluir o MidCat levaria certamente vários anos, solução que viria fora de tempo e que não tem comparação em rapidez de implementação com as soluções FSRU.

Mas o que vai certamente acontecer, a partir do fim do ano é uma maior procura de LNG, o que vai causar pressão no mercado. Uma situação agravada na Península Ibérica, em virtude da possibilidade de uma diminuição do fornecimento de gás natural pelos gasodutos da Argélia.

Espanha está com relações difíceis com a Argélia que está a ser alvo de um intenso namoro por parte da Itália e da França. Um tema a que Portugal tem de estar atento.

sábado, 30 de julho de 2022

German cities impose cold showers and turn off lights amid Russian gas crisis

German cities impose cold showers and turn off lights amid Russian gas crisis




Cities in Germany are switching off spotlights on public monuments, turning off fountains, and imposing cold showers on municipal swimming pools and sports halls, as the country races to reduce its energy consumption in the face of a looming Russian gas crisis.

Hanover in north-west Germany on Wednesday became the first large city to announce energy-saving measures, including turning off hot water in the showers and bathrooms of city-run buildings and leisure centres.

Municipal buildings in the Lower Saxony state capital will only be heated from 1 October to 31 March, at no more than 20C (68F) room temperature, and ban the use of mobile air conditioning units and fan heaters. Nurseries, schools, care homes and hospitals are to be exempt from the saving measures.

“The situation is unpredictable,” said the city’s mayaor, Belit Onay, of the Green party. “Every kilowatt hour counts, and protecting critical infrastructure has to be a priority.”

Hanover’s 15% savings target is in line with the reductions the European Commission this week urged member states to make to ensure they can cope in the event of a total gas cutoff from Russia. Germany, which is more reliant on Russian gas imports than other European countries, is under pressure to lead the way.

In Berlin, the German capital, about 200 historic monuments and municipal buildings were shrouded in darkness on Wednesday night as the city switched off spotlights to save electricity. Monuments previously lit up at night include the Victory Column in Tiergarten park, the Memorial Church on Breitscheidplatz and the Jewish Museum.

“In the face of the war against Ukraine and Russia’s energy threats it is vital that we handle our energy as carefully as possible,” said Berlin’s senator for the environment, Bettina Jarasch.

Germany uses most of its gas imports to heat homes and power its large industry. But while an energy emergency plan initiated in June enables utility firms to pass on high gas prices to customers, most private households in Germany pay their gas bills in set advance payments and have yet to directly experience the kind of dramatic increases that would change consumer behaviour.

On Thursday, Germany’s government confirmed that a planned gas surcharge on customers could be much higher than previously expected, to save energy companies from going bankrupt in the coming months.

“We can’t say yet how much gas will cost in November, but the bitter news is it’s definitely a few hundred euros per household,” said the economy minister, Robert Habeck.

Germany also uses gas to generate about 15% of its electricity needs, which is where municipal authorities have decided to make relatively painless savings.

The city of Munich, in Germany’s south, this week announced it would switch off spotlights on its town hall on Marienplatz square, which is usually lit up until 11pm, and have only cold water at municipal offices. Fountains would also be turned off at night.

Nuremberg is closing three of its four city-run indoor swimming pools and will keep its outdoor lidos open until 25 September.

In April, Berlin had announced measures to keep its outdoor swimming pools at two degrees below the weather-dependent standard temperature throughout the summer season.

quarta-feira, 8 de junho de 2022

How treaties protecting fossil fuel investors could jeopardize global efforts to save the climate – and cost countries billions

K. Franklin/Science based on K. Tienhaara et al.


Fossil fuel companies have access to an obscure legal tool that could jeopardize worldwide efforts to protect the climate, and they’re starting to use it. The result could cost countries that press ahead with those efforts billions of dollars.

Over the past 50 years, countries have signed thousands of treaties that protect foreign investors from government actions. These treaties are like contracts between national governments, meant to entice investors to bring in projects with the promise of local jobs and access to new technologies.

But now, as countries try to phase out fossil fuels to slow climate change, these agreements could leave the public facing overwhelming legal and financial risks.

The treaties allow investors to sue governments for compensation in a process called investor-state dispute settlement, or ISDS. In short, investors could use ISDS clauses to demand compensation in response to government actions to limit fossil fuels, such as canceling pipelines and denying drilling permits. For example, TC Energy, a Canadian company, is currently seeking more than US$15 billion over U.S. President Joe Biden’s cancellation of the Keystone XL Pipeline.

In a study published May 5, 2022, in the journal Science, we estimate that countries would face up to $340 billion in legal and financial risks for canceling fossil fuel projects that are subject to treaties with ISDS clauses.

That’s more than countries worldwide put into climate adaptation and mitigation measures combined in fiscal year 2019, and it doesn’t include the risks of phasing out coal investments or canceling fossil fuel infrastructure projects, like pipelines and liquefied natural gas terminals. It means that money countries might otherwise spend to build a low-carbon future could instead go to the very industries that have knowingly been fueling climate change, severely jeopardizing countries’ capacity to propel the green energy transition forward.

Massive potential payouts

Of the world’s 55,206 upstream oil and gas projects that are in the early stages of development, we identified 10,506 projects – 19% of the total – that were protected by 334 treaties providing access to ISDS.

That number could be much higher. We could only identify the headquarters of project owners, not the overall corporate structures of the investments, due to limited data. We also know that law firms are advising clients in the industry to structure investments to ensure access to ISDS, through processes such as using subsidiaries in countries with treaty protections.

Depending upon future oil and gas prices, we found that the total net present value of those projects is expected to reach $60 billion to $234 billion. If countries cancel these protected projects, foreign investors could sue for financial compensation in line with these valuations.

Doing so would put several low- and middle-income countries at severe risk. Mozambique, Guyana and Venezuela could each face over $20 billion in potential losses from ISDS claims.

If countries also cancel oil and gas projects that are further along in development but are not yet producing, they face more risk. We found that 12% of those projects worldwide are protected by investment treaties, and their investors could sue for $32 billion to $106 billion.

Canceling approved projects could prove exceptionally risky for countries like Kazakhstan, which could lose $6 billion to $18 billion, and Indonesia, with $3 billion to $4 billion at risk.

Canceling coal investments or fossil fuel infrastructure projects, like pipelines and liquefied natural gas terminals, could lead to even more claims.

Countries already feel regulatory chill

There have been at least 231 ISDS cases involving fossil fuels so far. Just the threat of massive payouts to investors could cause many countries to delay climate mitigation policies, causing a so-called “regulatory chill.”

Both Denmark and New Zealand, for example, seem to have designed their fossil fuel phaseout plans specifically to minimize their exposure to ISDS. Some climate policy experts have suggested that Denmark may have chosen 2050 as the end date for oil and gas extraction to avoid disputes with existing exploration license holders.

New Zealand banned all new offshore oil exploration in 2018 but did not cancel any existing contracts. The climate minister acknowledged that a more aggressive plan “would have run afoul of investor-state settlements.” France revised a draft law banning fossil fuel extraction by 2040 and allowing the renewal of oil exploitation permits after the Canadian company Vermilion threatened to launch an ISDS case.

Securing the green energy transition

While these findings are alarming, countries have options to avoid onerous legal and financial risks.

The Organization for Economic Cooperation and Development is currently discussing proposals on the future of investment treaties.

A straightforward approach would be for countries to terminate or withdraw from these treaties. Some officials have expressed concern about unforeseen impacts of unilaterally terminating investment treaties, but other countries have already done so, with few or no real economic consequences.

For more complex trade agreements, countries can negotiate to remove ISDS provisions, as the United States and Canada did when they replaced the North American Free Trade Agreement with the United States-Mexico-Canada Agreement.

Additional challenges stem from “sunset clauses” that bind countries for a decade or more after they have withdrawn from some treaties. Such is the case for Italy, which withdrew from the Energy Charter Treaty in 2016. It is currently stuck in an ongoing ISDS case initiated by the U.K. company Rockhopper over a ban on coastal oil drilling.

The Energy Charter Treaty, a special investment agreement covering the energy sector, emerged as the greatest single contributor to global ISDS risks in our dataset. Many European countries are currently considering whether to leave the treaty and how to avoid the same fate as Italy. If all country parties to a treaty can agree together to withdraw, they could collectively sidestep the sunset clause through mutual agreement.

The global transition

Combating climate change is not cheap. Actions by governments and the private sector are both needed to slow global warming and keep it from fueling increasingly devastating disasters.

In the end, the question is who will pay – and be paid – in the global energy transition. We believe that, at the very least, it would be counterproductive to divert critical public finance from essential mitigation and adaptation efforts to the pockets of fossil fuel industry investors whose products caused the problem in the first place.

Learn more about ISDS

quarta-feira, 1 de junho de 2022

Cidades norte-americanas e europeias lideram luta para a neutralidade carbónica


As cidades europeias e as norte-americanas são as que mais contribuem para alcançar as metas de neutralidade carbónica, indica o estudo Savills Impacts 2022. Os dados mostram que estas lideram o ranking na luta contra as zero emissões de carbono com 38%, em comparação com 18% na América Latina, 17% na África Subsaariana, 14% na região Ásia-Pacífico e 4% no Médio Oriente e no Norte de África.

As cidades têm um papel imprescindível na luta contra as alterações climáticas, afinal, são onde se concentram grande parte das emissões de gases com efeito de estufa (+60%), e onde se estima que a maior parte da população mundial vá viver nas próximas décadas.

A cidade de Nova Iorque, por exemplo, continuou empenhada nos princípios do Acordo de Paris quando os Estados Unidos se retiraram em 2017. Por outro lado, o Conselho Municipal de Barcelona aprovou um plano ambicioso para reduzir as emissões de gases com efeito de estufa da cidade em 45% até 2030, quatro anos antes do congresso espanhol ter aprovado o roteiro global do país para a neutralidade de carbono. Mais perto, em 2018, Lisboa foi eleita Capital Verde Europeia 2020, como forma de distinção do trabalho que tem vindo a ser desenvolvido. Até 2030, a capital tem o compromisso de reduzir em 70% as emissões de gases com efeito de estufa comparativamente aos valores de 2002.

O mercado imobiliário tem um peso nesta questão. O setor é responsável por 40% das emissões globais de gases com efeito de estufa e é, portanto, uma área de atividade importante a considerar pelas cidades ao planearem as suas estratégias de sustentabilidade.

Como demonstra o relatório, em mercados imobiliários menos maduros, nomeadamente no Médio Oriente, África e Índia, existe potencial para desenvolver novas ações compatíveis com o ambiente. No entanto, os mercados imobiliários maduros devem concentrar-se na readaptação. Este desafio é particularmente urgente na Europa, que apresenta uma taxa de apenas 1-2% de novas construções, resultando na necessidade de atualizar o stock histórico de edifícios. Os governos locais e nacionais devem trabalhar em conjunto com organizações comerciais e cidadãos para desenvolver estratégias coesas de redução de emissões que possam ser implementadas em todos os níveis da sociedade. A construção estará, portanto, na vanguarda desta revolução dos edifícios verdes, com a Oxford Economics a sugerir que o resultado da construção a nível global poderá atingir os 15,2 biliões de dólares até 2030, um aumento de 42% em relação a 2020.

“É necessário acelerar a descarbonização das carteiras imobiliárias sob a ameaça das alterações de climáticas, pressão de novas regulamentações e taxas, bem como acesso aos financiamentos ‘green’ cumprindo com os critérios definidos pela EU Taxonomy”, refere Nuno Fideles, Associate Architect & Sustainability Consultant BREEAM AP da Savills Portugal.

Acrescenta ainda que, “em toda a Europa, a procura de edifícios verdes por parte dos inquilinos levou a um aumento da atividade de desenvolvimento de escritórios, tendo o development pipeline em 2021 aumentado em 24%. A descarbonização de edifícios já está a ser impulsionada por mais proprietários, investidores imobiliários e empresas, não apenas para ajudar a arrefecer um planeta em aquecimento, mas também porque o seu próprio sucesso depende disso”, assegura.

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