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sexta-feira, 23 de junho de 2023

Dia Mundial do Denunciante



Em celebração do Dia Mundial do Denunciante honramos a coragem e a determinação das pessoas que, denunciando, assumem um papel crucial na luta pela justiça e contra as desigualdades sociais.

A Transparency International através dos seus mais de cem capítulos nacionais espalhados pelo globo continua a trabalhar para reforçar a proteção a denunciantes, promovendo as necessárias alterações legislativas e criando um ambiente social e cultural que garanta que todas as pessoas que denunciam irregularidades ou crimes beneficiam do amplo e generalizado apoio de todos os setores da sociedade civil.

Mas neste Dia Mundial do Denunciante 2023 importa também, e sobretudo, reconhecer os enormes desafios que se colocam a denunciantes e no domínio das proteções jurídicas e socioeconómicas que lhes são devidas: muito frequentemente, estas pessoas não se encontram protegidas contra atos de retaliação, nem são devidamente ressarcidas dos prejuízos decorrentes da sua bravura, por exemplo, a perda do emprego, dos seus rendimentos, e da sua saúde física e mental.

Em Portugal, a proteção de denunciantes foi inscrita na lei em dezembro de 2021, transpondo a Diretiva da União Europeia aprovada em 2019. Mas muitas pessoas ficaram de fora do Regime de Proteção (RGPDI) Além disso, continuam a detectar-se inúmeras falhas na implementação da lei e, mais de 6 meses após a entrada em vigor do Regime Geral de Proteção de Denunciantes de Infrações (RGPDI), este continua sem estar em vigor, designadamente no setor público.

“O processo de transposição da Diretiva da UE foi atabalhoado, pouco transparente e nada inclusivo. O Governo e a Assembleia da República ignoraram todas as recomendações e boas práticas e agora é o que se vê: uma implementação da lei com enormes falhas e sem fiscalização, traduzindo, na prática, proteção nula para quem denuncia ou venha a denunciar irregularidades ou crimes.” - Karina Carvalho, Diretora Executiva da TI Portugal

A Transparency International desenvolveu um guia de melhores práticas para organizações públicas e privadas implementarem sistemas eficazes de denúncia interna e cumprirem as suas obrigações legais. Este guia pode ser usado por instituições em todos os setores e países, incluindo Portugal, com o intuito de implementar e operar mecanismos de denúncia que efetivamente previnam, detectem e resolvam a corrupção e outras irregularidades.

“Temos todo o interesse em colaborar com entidades públicas e privadas para garantir que a proteção de denunciantes se efetiva no nosso país. Participámos no processo de negociação e elaboração da Diretiva Europeia e conhecemos bem os requisitos legais e procedimentais. Mas quem deve assumir o apoio à implementação do novo Regime é o MENAC, que continua sem capacidade instalada para desenvolver instruções técnicas, fiscalizar, ou punir infrações, e, especialmente grave, parece estar a delegar no mercado das consultoras, escritórios de advogados e plataformas whisteblowing a definição das regras de implementação e de proteção.” -Karina Carvalho, Diretora Executiva da TI Portugal

A 20 de dezembro de 2021 foi publicada a Lei n.º 93/2021, que estabeleceu o Regime Geral de Proteção de Denunciantes de Infrações (RGPDI), entrando em vigor a 20 de junho de 2022, transpondo para a legislação nacional a Diretiva Europeia 2019/1937 do Parlamento e Conselho Europeus, relativa à proteção das pessoas que denunciam violações do direito da União.

Na TI Portugal continuaremos a acompanhar as condições de proteção asseguradas em Portugal, quer avaliando os termos da transposição da diretiva e apresentando recomendações para que se corrijam as falhas identificadas, quer monitorando a sua eficácia prática.

Quem denuncia protege e é um dever proteger quem denuncia!

Conheça a :

quinta-feira, 10 de novembro de 2022

Petição - Vamos acabar com a evasão fiscal!



Exijamos um sistema tributário mais justo em que empresas e grandes fortunas paguem a sua parte justa.
Os governos e as instituições da União Europeia devem ter a capacidade de coletar e disponibilizar publicamente dados importantes sobre grandes empresas para garantir a transparência do sistema. A Diretiva de Combate ao Branqueamento de Capitais deve permitir à UE prevenir a evasão fiscal e alargar os registos públicos para abranger também os fundos fiduciários e outras estruturas semelhantes e mostrar a lista completa dos beneficiários efetivos das empresas. Esses documentos teriam que estar disponíveis para quem quiser vê-los e incluir todos os beneficiários efetivos, diminuindo o limite de registos obrigatórios.

Porque é importante
Num contexto em que as pessoas comuns se vêem com dificuldades e querem  enfrentar o aumento do custo de vida , da alimentação e o consumo de energia, os nossos governos limitam-se a repetir que não há dinheiro para resolver o problema ou financiar o transporte público, a rede de saúde ou as medidas para proteger o meio ambiente de que tanto precisamos. Ao mesmo tempo, porém, perdemos biliões de euros por ano porque as grandes fortunas e multinacionais não pagam sua parte justa [1]. Resumindo: as contas não batem.

Para ter um sistema justo, devemos saber quanto cada pessoa realmente ganha. Temos a legislação necessária para garantir que ninguém possa esconder sua riqueza [2], mas hoje existem muitas maneiras de fazê-lo que não estão incluídas nestes regulamentos.

Apenas alguns meses atrás, um grupo de jornalistas descobriu que um banco suíço estava a ajudar criminosos, ditaduras e outra parte de sua clientela a esconder grandes quantias de dinheiro das autoridades fiscais por meio de fundos [3].

Isso mostra mais uma vez que é muito fácil manipular o sistema e que precisamos de uma legislação mais forte.

Aqueles que nos governam em toda a Europa devem encontrar dinheiro para enfrentar a crise inflacionária que enfrentamos e estão procurando uma solução. Para nossa comunidade, a resposta é óbvia.

Em algumas semanas, eles poderão decidir se tornamos muito mais difícil para grandes fortunas e multinacionais esconderem seu dinheiro [4]. Sabemos que o resultado será muito apertado: algumas das pessoas que nos representam ainda não estão claras sobre sua decisão.

Ainda temos a oportunidade de inclinar a balança a nosso favor antes da votação, para que eles lutem por um sistema tributário mais justo em que ninguém possa esconder sua riqueza: basta mostrar a eles que é uma questão que nos preocupa. Deixe-os saber que temos o seu apoio para que todos paguem a sua parte justa na Europa.

Assina e divulga. Obrigado

domingo, 3 de outubro de 2021

Pandora Papers: quem são os portugueses envolvidos?


Depois do LuxLeaks, Luanda Leaks e dos Panamá Papers, bastaram cinco anos para que o Consórcio Internacional de Jornalista de Investigação desvenda-se um novo escândalo à escala global em torno de negócios offshore. Desta feita, trata-se dos Pandora Papers, uma fuga de informação de 14 empresas especializadas em registar companhias offshore.

Entre os visados, há três nomes portugueses. O atual vice-presidente do PSD e antigo ministro, Nuno Morais Sarmento, o ex-deputado socialista Vitalino Canas e o antigo administrador do BES e ex-ministro do governo de Sócrates, Manuel Pinho.

O semanário Expresso refere que analisou as “listas de nomes de ministros e secretários de Estado; mulheres e maridos de governantes; deputados; políticos e ex-políticos com subvenções vitalícias; membros destacados de partidos políticos e todos os primeiros-ministros e presidentes que ocuparam cargos depois do 25 de Abril”.

Ainda assim os motivos que levam ao aparecimento destes nomes na lista são completamente distintos.

Nuno Morais Sarmento

Nuno Morais Sarmento é advogado e o atual vice-presidente do PSD, foi ainda antigo ministro da Presidência do Conselho de Ministros dos governos de Santana Lopes e Durão Barroso.

De acordo com o Expresso, Morais Sarmento é o único político português no ativo envolvido no Pandora Papers e terá sido beneficiário de uma companhia offshore, registada nas Ilhas Virgens Britânicas, para adquirir uma escola de mergulho e um hotel em Moçambique.

Ao jornal, o ex-ministro que o recurso à "offshore" foi necessário devido a limitações e impedimentos no país africano, quanto à detenção de sociedades e imóveis por parte de cidadãos estrangeiros. Morais Sarmento reitera que a sociedade não teve qualquer outro propósito.

Vitalino Canas

Vitalino Canas é também advogado e foi deputado do PS entre 2002 e 2019, tendo ainda sido secretário de Estado no governo de António Guterres e porta-voz do PS enquanto José Sócrates esteve à frente do Executivo.

O antigo político aprece nas listas de envolvidos por lhe ter sido passada uma procuração para atuar em nome de uma companhia offshore registada nas Ilhas Virgens Britânicas, pertencente a um cidadão russo. No entanto, segundo o Expresso, não há registo que o advogado tenha sido beneficiário.

À TVI, Vitalino Canas disse que não presta mais declarações e que esclareceu ao Expresso que a sua sociedade de advogados atuou dentro da "ética e que honorários foram declarados de acordo com a lei portuguesa".

Manuel Pinho

Manuel Pinho é economista e foi administrador do Banco Espírito Santo, tendo ocupado o cargo de ministro da Economia, entre 2005 e 2009, no governo de José Sócrates. Atualmente, é professor na Universidade de Columbia, nos Estados Unidos.


O capital de Manuel Pinho presente nas "offshores" terá sido utilizado para pagar um apartamento em Nova Iorque por mais de um milhão de dólares. Contudo, existem suspeitas que a estratégia tenha sido utilizada para fugir aos impostos. O ex-ministro garante que não tem qualquer rendimento por declarar ao Fisco.

A nova investigação do consórcio (ICIJ, na sigla em inglês), nomeada “Pandora Papers”, põe a descoberto os segredos financeiros daqueles 35 líderes mundiais (atuais e antigos) e de mais de 330 políticos e funcionários públicos, de 91 países e territórios, entre os quais Portugal.

Entre os nomes referidos na investigação, estão o rei Abdallah II da Jordânia, o primeiro-ministro da República Checa, Andrej Babis, e o Presidente do Equador, Guillermo Lasso, revela a investigação, publicada em órgãos de informação como The Washington Post, BBC e The Guardian.

O ICIJ diz ter baseado a sua investigação numa “fuga sem precedentes”, envolvendo cerca de dois milhões de documentos, trabalhados por 600 jornalistas, a “maior parceria da história do jornalismo”

quarta-feira, 16 de dezembro de 2020

Documentário da Semana: (re)ver "Donos de Portugal"


Donos de Portugal é um documentário de Jorge Costa sobre cem anos de poder económico. O filme retrata a proteção do Estado às famílias que dominaram a economia do país, as suas estratégias de conservação de poder e acumulação de riqueza.

Mello, Champalimaud, Espírito Santo – as fortunas cruzam-se pelo casamento e integram-se na finança. Ameaçado pelo fim da ditadura, o seu poder reconstitui-se sob a democracia, a partir das privatizações e da promiscuidade com o poder político. Novos grupos económicos – Amorim, Sonae, Jerónimo Martins - afirmam-se sobre a mesma base.

No momento em que a crise desvenda todos os limites do modelo de desenvolvimento económico português, este filme apresenta os protagonistas e as grandes opções que nos trouxeram até aqui.

Produzido para a RTP 2 no âmbito do Instituto de História Contemporânea, o filme tem montagem de Edgar Feldman e locução de Fernando Alves.

A estreia televisiva teve lugar na RTP2 a 25 de Abril de 2012. Desde esse momento, o documentário está disponível na íntegra em donosdeportugal.net.

Donos de Portugal é baseado no livro homónimo de Jorge Costa, Cecília Honório, Luís Fazenda, Francisco Louçã e Fernando Rosas, editado em 2011 pela Afrontamento e com mais de 12 mil exemplares vendidos.

E-livro: aqui

sexta-feira, 29 de março de 2013

sábado, 18 de outubro de 2008

Dossiê Transparência

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