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quarta-feira, 22 de novembro de 2023

Leila Ghanem - O 7 de Outubro foi uma derrota para o Ocidente imperialista

Fonte: Coordenação dos Núcleos Comunistas

Nesta entrevista com a antropóloga e dirigente comunista libanesa Leila Ghanem há muita informação esclarecedora. Sobre o significado da operação de 7 de Outubro. Sobre o Hamas e sobre o Eixo da Resistência. Sobre as atrocidades anteriores e actuais cometidas pelo Estado sionista, no desempenho da missão que lhe foi atribuída pelo imperialismo ocidental: a de ser a cabeça de ponte para controlar rotas marítimas estratégicas, recursos vitais como o petróleo, o gás e o urânio, e de ser a chave para consolidar o seu domínio sobre esta área de enorme importância. À custa do martírio do povo palestiniano e dos povos da região.

1. Porque é que a operação militar do Hamas de 7 de Outubro abalou o Médio Oriente e até o mundo? Qual é o impacto histórico deste acontecimento nos movimentos de resistência do Médio Oriente?
Não há dúvida de que para o povo palestiniano, e mesmo para o povo árabe, o “dilúvio de Al-Aqsa” de 7 de Outubro foi uma operação militar de proporções míticas; em qualquer caso, sem precedentes desde a ocupação da Palestina em 1948, uma espécie de epopeia lendária aos olhos dos povos árabes. Alguns escritores remontam a Homero para evocar a imagem da Ilíada, uma lenda heroica “em que os fracos conseguem derrotar o seu colonizador numa inimaginável relação de forças”. Em apenas duas horas a maior potência do Médio Oriente, o quinto maior exército do mundo, sofreu uma derrota esmagadora às mãos de uma modesta unidade de comandos apelidada de “Distância Zero” (para sublinhar o confronto do corpo contra o tanque), composta por uma centena de homens modestamente armados mas dotados de uma coragem heroica. Vinte colonatos libertadas, bases militares ocupadas - uma das quais abrigava o quartel-general do Tsahal no sul -, um observatório militar de alta tecnologia encarregado de vigiar a fronteira, a unidade de investigação 545 e a unidade de informações 414 foram neutralizadas e dois generais capturados. A lenda sionista-ocidental da invencibilidade do Estado sionista foi destruída. Numa questão de horas, Gaza transformou-se em Hanói. E recordamos a célebre frase do general Giap durante a sua visita a Argel, em Dezembro de 1970: “Os colonialistas são maus alunos de História”.

Para o escritor e activista palestiniano Saif Dana, o exemplo que mais se aproxima desta vitória militar, apesar do desequilíbrio na relação de forças entre colonizados e colonizadores, é a “Revolução Haitiana”, que foi e continua a ser um símbolo importante para as pessoas de cor de todo o mundo. Armados de coragem e da “vontade de emancipação”, os haitianos, liderados por Dessalines, lançaram-se numa batalha decisiva contra os colonos franceses, que tinham acabado de receber reforços sob o comando do general Rochambeau. Esta batalha parecia estrategicamente impossível, mas após quatro ataques heroicos dirigidos pelo líder negro Cabuat, os franceses foram finalmente forçados a capitular em 18 de Novembro de 1803, no Forte Vertières, embora os haitianos tenham sofrido uma perda considerável de vidas. As guarnições francesas renderam-se uma a uma, o que permitiu à antiga colónia proclamar a sua independência em 1 de Janeiro de 1804. A partir de então, passou a chamar-se Haiti. Esta lendária batalha ficou registada nos anais da história. Mais tarde, inspirou revoltas de escravos noutros locais, como a rebelião de Aponte em Cuba, em 1812, ou a conspiração de Denmark Vesey na Carolina do Sul, em 1822. Esta vitória teve também uma influência decisiva em Simón Bolívar e outros líderes de movimentos independentistas na América Latina, embora se tivesse de esperar até 1834 para abolir a escravatura.

O que aconteceu a 7 de Outubro na Palestina é tão lendário como a batalha do Haiti e ficará para sempre nos anais da história, tal como as batalhas de Hittin, El Kadissiya, etc., no tempo de Saladino.

Imaginem o terramoto que abalou todo o sistema do Império Ocidental perante a súbita derrota da sua mão direita, na qual tinha investido milhares de milhões de dólares durante quase um século. A mesma potência a quem o Império tinha confiado o papel de ser a cabeça de ponte imperial para controlar as rotas marítimas estratégicas, os recursos vitais como o petróleo, o gás e o urânio, e de ser a chave para consolidar o seu domínio desestabilizando os inimigos do Império, introduzindo relações de classe em benefício dos opressores…. Israel estava no centro deste sistema capitalista que tinha de manter os países do Sul dependentes dele; para isso, o povo palestiniano tinha de se converter num cenário precursor, um modelo a seguir… Para o conseguir, era necessário despossuí-lo, desumanizá-lo, mantê-lo sob bloqueio, massacrar os seus líderes históricos… Isto exigia um estatuto específico para os seus fantoches e protecção política, institucional, financeira e mediática…

O alarme imediato que abalou todos os dirigentes do mundo capitalista no dia 8 de Outubro, que acorreram em massa a Telavive, é a prova irrefutável do investimento do mundo ocidental neste Estado constituído à margem da lei, à margem de todos os direitos e normas humanas. Direitos e normas criados pelo próprio Ocidente.

O 7 de Outubro foi uma derrota para o Ocidente imperialista. E, a partir de agora, haverá um antes e um depois desse 7 de Outubro.

2. O Hamas é uma organização terrorista?
Comecemos por dizer que, para além dos EUA e da UE, nenhum outro país do mundo acusa o Hamas de terrorismo.

Se olharmos para a história, o termo “terrorista” nem sempre teve um carácter pejorativo. Os revolucionários usaram o “terror” contra os seus inimigos de classe. Foi durante a Revolução Francesa que o termo “terrorista” foi utilizado pela primeira vez, por Gracchus Babeuf, quando falou dos “patriotas terroristas do segundo ano da República”. Para o marxismo, o Terror não era em absoluto um fim político, mas uma ferramenta, o instrumento de uma política, e deve ser julgado em relação aos objectivos dessa política. Isto levanta duas questões diferentes: 1ª, a questão da legitimidade dos fins políticos. 2ª A adequação dos meios. Condenar o Terror como um “sistema” metafísico esconde um interesse em deslegitimar os objectivos políticos que ele se propôs.

Tomemos o exemplo da Comuna de Paris, ponto culminante da guerra civil francesa. Após a sua derrota, foram rotulados, para citar apenas Le Figaro, o órgão da reacção de Versalhes, como “terroristas do Hôtel de Ville”[da Câmara Municipal] ou “terroristas do 18 de Março” ou “a Comuna terrorista”.

O Terror foi defendido ou combatido em função dos objectivos que as diferentes classes sociais e facções políticas procuravam atingir, e que cada uma considerava legítimos.

Numa carta à sua mãe, Friedrich Engels explicava-lhe: “Dos poucos reféns que foram fuzilados à maneira prussiana, dos poucos palácios queimados à maneira prussiana, fala-se muito, porque tudo o resto é mentira; mas dos 40.000 homens, mulheres e crianças que os Versalheses massacraram com metralhadoras depois de terem sido desarmados, ninguém fala”.

Poder-se-ia pensar que esta descrição de Engels se refere aos acontecimentos em Gaza. Poder-se-ia pensar que ele está a descrever a forma como os meios de comunicação ocidentais avaliaram desproporcionadamente (e continuam a fazê-lo) o impacto do ataque do Hamas em 7 de Outubro e o genocídio que se seguiu com a retaliação sangrenta do exército Tsahal - o exército de Israel - apoiado pelas forças Delta dos EUA e pelos seus três porta-aviões no Mediterrâneo. Aqueles que falaram da Hiroshima de Gaza não estão longe do número das 70 000 vítimas que caíram no Japão em Agosto de 1945. Em Gaza, o número de civis mortos sobe para 50 000.

Os Estados imperialistas-coloniais têm denunciado habitualmente o terrorismo das lutas dos povos sob o seu domínio e tratado os seus combatentes como terroristas. Recordemos, uma vez mais, que várias organizações terroristas, colocadas no pelourinho ao longo da história, se tornaram interlocutores legítimos; foi o caso do Viet Cong, do Exército Republicano Irlandês (IRA), da Frente Argelina de Libertação Nacional, do Congresso Nacional Africano (CNA) e de muitas outras organizações que foram elas próprias qualificadas de “terroristas”, como a OLP e a FPLP na Palestina.

Este termo tinha e tem por objectivo despolitizar a sua luta, apresentá-la como um confronto entre o Bem e o Mal.

De cada vez que os palestinianos se revoltam, o Ocidente - tão rápido a glorificar a resistência dos ucranianos - invoca o terrorismo. Fê-lo durante a primeira Intifada, em 1987, e a segunda, em 2000, durante as acções armadas na Cisjordânia ou as mobilizações por Jerusalém, durante os confrontos em torno de Gaza, cercada desde 2007 e vítima de seis guerras em 17 anos.

Falta falar da questão da legitimidade de Israel para se defender e desarmar o Hamas. Alguns meios de comunicação sionistas chegam ao ponto de invocar Thomas Hobbes e a sua percepção daquilo a que chama a posse pelas classes dominantes do “monopólio da força física legítima”. Ignoram que essa legitimidade não pode ser aplicada a um Estado de colonos, legitimidade impugnada antes de mais pelos palestinianos, pelos povos dos países vizinhos atacados (libaneses, sírios, iraquianos, iemenitas, iranianos…) e por todos aqueles que o consideram um Estado de colonos. Antes da farsa do “Acordo de paz” de Oslo, a maioria dos países do mundo não reconhecia Israel. A sua legitimidade baseia-se simplesmente numa decisão da ONU, enquanto Israel tem rejeitado sistematicamente todas as decisões relativas ao povo palestiniano (resoluções 242, 323, 194, direito de regresso dos palestinianos ao seu país).

sexta-feira, 7 de outubro de 2022

Russia's €200m nuclear exports untouched by EU sanctions



"Russian nuclear terror requires a stronger response from the international community [including] sanctions on the Russian nuclear industry and nuclear fuel." Those were the words Ukraine's president Volodomyr Zelensky tweeted in August, after the shelling of a nuclear power plant in the country.

Since the beginning of Russia's war in Ukraine, the European Union has passed multiple sanctions packages aimed at hurting the Russian economy and reducing its ability to finance the war. Sanctions have included personalities, products of all kinds, and of course, fossil fuels.

Russian cargo in Dunkirk port, France (Photo: Greenpeace)

But so far, nuclear sanctions were always left out.

On Wednesday 28 September, history repeated itself again. The European Commission proposed another sanction package against Russia, the eighth since the beginning of the invasion. It includes additional trade restrictions and an oil price cap for third countries. But still nothing on nuclear cooperation with Russia and imports of Russian uranium, even if many called for it.

The European Parliament itself backs the idea to sanction Russian nuclear power, calling for "an immediate full embargo on Russian imports of oil, coal, nuclear fuel and gas" and asked to "terminate collaboration with Russian companies on existing and new nuclear projects, including in Finland, Hungary and Bulgaria, where Russian experts can be replaced by Western ones, and to phase out the use of Rosatom services".

On Friday 23 September, days before the commission's proposal, five EU countries — Poland, Ireland, Estonia, Latvia and Lithuania — suggested a ban on cooperation with any nuclear activities with Russia. Germany has also supported a uranium ban behind the scenes.

German state secretary Sven Giegold confirmed this to Investigate Europe: "We would have liked to end the dependency from Russia on all energy resources, which includes, of course, uranium. So we have proposed this several times, but we have to accept that unfortunately, sanction decisions are taken unanimously," he said, adding that the German coalition government wants to scrap unanimity in several EU decision-making areas.

However, some national delegations see the German focus on uranium as tactical, knowing there is no chance of it being approved, because of the unanimity requirement.

"Uranian was often presented in a tactical way, to show the others that they also have their weaknesses", an EU Council diplomat told us, "as Germany has been accused of being too soft on gas sanctions."

On Wednesday 5 October, the ambassadors of the member states to the EU approved the eighth wave of sanctions against Russia, which was adopted the following morning by written procedure.

Europe's dependency

The reason for this resistance can be explained in one word: dependence. So far, an import ban on uranium or other sanctions on the Russian nuclear energy sector has only been discussed in EU circles, but never formally proposed.

"The European Commission never proposed it because the impact would be stronger for some Eastern member states, that are heavily-dependent on Russian infrastructure and technologies, than for Russia itself," one diplomatic source told Investigate Europe.

According to Ariadna Rodrigo, EU sustainable finance campaigner at Greenpeace, the main resistance came from Hungary and Bulgaria.

"The country that is the most forceful against [a ban on nuclear import from Russia] is Hungary," she told Investigate Europe. "Hungary is building two nuclear reactors with Russian loans."

She added: "If EU governments are serious about stopping war, they need to cut the European nuclear industry's umbilical cord to the Kremlin and focus instead on accelerating energy savings and renewables. Ignoring the nuclear trade leaves a hole in EU sanctions so big you could drive a tank through it."

How big is that hole? In economic terms, the EU countries paid around €210m for raw uranium imports from Russia in 2021 and another €245m from Kazakhstan, where the uranium mining is controlled by Russian state-owned company Rosatom.

Raw uranium imports from Russia to EU utilities were 2,358 tonnes last year, almost 20 percent of all EU imports. Only Niger (24.3 percent) and Kazakhstan (23.0 percent) were bigger uranium trade partners, according to the 2021 annual report from the EU body, Euratom Supply Agency (ESA).

While nuclear power generates around one quarter of all electricity in the EU as a whole, the share amounts to over 40 percent in Slovakia, Hungary and Bulgaria, and over 70 percent for France, according to EU figures.

The dependency on Russian nuclear fuel is highest in eastern and central Europe, where 18 nuclear power plants were designed by Russia and rely on Russian technologies and services, as well as fuel elements provided by Rosatom.

More precisely, they are in two reactors in Bulgaria, six in Czech Republic, two in Finland, four in Hungary and four in Slovakia.

"There are European nuclear companies that work closely with Rosatom, the only Russian nuclear company," Rodrigo adds. "Rosatom provides Europe with technology, uranium and services. It's so entrenched, so linked, that cutting that tie is seen as very dangerous for the nuclear industry."

In August, the government in Hungary surprised its EU neighbours by moving ahead with the construction of two more Russian nuclear reactors that have been planned for several years.

The role of France

Many governments, first and foremost the French, have pushed for Germany to break their dependence on Russian natural gas. But its own dependency on Russian uranium is shrouded in silence.

France imports on average around 20 percent of the needed raw uranium from Kazakhstan, where the uranium mining is controlled by Rosatom, according to Le Monde.

Green MEP Michèle Rivasi, a strong opponent of nuclear energy, exemplifies the French-Russian nuclear connection by citing Henri Proglio, the former CEO of EDF, the French semi-public main electricity company, who sits on the international advisory board of Rosatom.

"If Macron had asked Proglio to resign, he would have done so of course," she told Investigate Europe. French dependence is not only on uranium imports, but also on nuclear waste treatment and many other activities, she said.

MEP Christophe Grudler, of the Renew Europe party, supports the exclusion of nuclear activity from the EU sanctions. In his view, one cannot impose sanctions against Russian gas (there is no embargo planned yet, unlike for crude oil) and then against Russian uranium. Unless we want a general blackout, he says.

"We must not forget that the nuclear business is not only about the power plant," Grudler told Investigate Europe. "It is also about steam turbines. One of the world's leading players, if not the leading one, is the French technology [company] Arabelle. However, we should not forget that two thirds of the turbines are sold... to Rosatom."

According to some French media reports at the start of the year, Rosatom was set to acquire a 20 percent stake in GEAST, the manufacturer of the Arabelle turbine for nuclear power plants.

"If we open several fronts, hitting gas and nuclear, we will have a serious energy problem," Grudler argued.

Meanwhile, a French diplomatic source told Investigate Europe: "Civil nuclear power is not affected by the sanctions. The member states did not consider it to be a relevant area for putting an end to Russian aggression against Ukraine. France ensures strict compliance by economic actors with all European sanctions adopted against Russia."

The need to diversify sources of supply

But at least one of the nuclear-dependent countries seems open to sanctions on Russian nuclear activities: Finland. In one of the meetings among EU ambassadors, in May, during discussions about the sixth sanction package, the issue of sanctioning the nuclear energy sector also came up.

In those discussions, Poland, Germany, Austria, Estonia and Lithuania supported the idea, while Finland was open to the proposal, according to a diplomatic report from the meeting from one national delegation.

Another diplomatic source close to the discussions indicated that the issue is about the need to adapt, which can only be done in the long term: technologies need to be adapted, engineers need to be trained, sources of supply need to be diversified.

If sanctions on Russian uranium were to be integrated, then they would have to be coupled with very long implementation times for them to be acceptable to all member states. "So long that it would have been ridiculous," the source said.

In its annual report, the ESA noted: "So far, nuclear fuel and services have been exempted from sanctions but the situation could evolve." While the report recommendations added: "Ideal security of supply means at least two alternative suppliers for each stage of the fuel cycle, and whenever possible at least one EU supplier."

Meanwhile, the REPower EU initiative, which aims to end Europe's reliance on Russian energy, states: "Diversification options are also important for member states currently dependent on Russia for nuclear fuel for their reactors serving either power generation or non-power uses."

This requires "working within the EU and with international partners to secure alternative sources of uranium and boosting the conversion, enrichment and fuel fabrication capacities available in Europe or in EU's global partners."

According to the World Nuclear Association, a pro-nuclear organisation supported by the industry, strategies are being put in place to reduce the independence of Russian routes.

"The transport route for uranium from Kazakhstan [around 45 percent of world supply of uranium] has been a topic of interest for many, given this is mostly shipped to western convertors via St Petersburg," spokesperson Henry Preston told Investigate Europe.

"Kazatomprom [the largest Kazakhstan supply company] had already developed an alternative trans-Caspian international transport route which completely excludes Russian territory. Additionally, there are routes east of Kazakhstan through China.".

Since the start of the Russian invasion of Ukraine, some EU companies have chosen to halt imports. One example is Swedish energy giant Vattenfall, which decided on 24 February, the day of the invasion, to stop all uranium imports from Russia for the time being and replace them with imports from Canada and Australia.

European decoupling from Russian uranium and Russian nuclear know-how is likely to happen very gradually.

In the meantime, Europe will continue to feed Russia's finances — while adopting sanctions to drain the Kremlin's treasury.

Infográficos: aqui

sexta-feira, 3 de junho de 2022

NATO alega «imunidade» no caso da utilização de urânio empobrecido na Sérvia

A aliança respondeu oficialmente aos processos apresentados pelas vítimas sérvias no Tribunal Superior de Belgrado e alegou «imunidade jurídica», informou o advogado Srdjan Aleksic.



Em Março de 1999, a Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO) iniciou uma campanha de bombardeamentos contra a Jugoslávia, sem o apoio do Conselho de Segurança das Nações Unidas, contaminado o país balcânico com pelo menos 15 toneladas de munições de urânio empobrecido, altamente tóxico.

Srdjan Aleksic lidera a equipa jurídica que representa as vítimas sérvias dos bombardeamentos e há vários anos que anda a juntar casos com provas materiais.

Há alguns dias, a NATO respondeu oficialmente aos processos instaurados contra a aliança no Tribunal Superior de Belgrado, mas alegou «imunidade jurídica» perante a acusação, disse o advogado sérvio a uma agência russa citada pelo portal Daily Telegraph.

«Na sua declaração ao tribunal, o gabinete de ligação da NATO na Sérvia disse que a aliança tem completa imunidade ao abrigo da jurisdição sérvia, com base no acordo de 2005 celebrado entre a aliança e a União Estatal da Sérvia e Montenegro "On the transit participation and support of peacekeeping operations" e no acordo de 2006, ao abrigo do qual foi criado o gabinete de ligação em Belgrado», declarou Aleksic.

O advogado rejeitou as alegações de «imunidade», insistindo que «nenhum destes acordos confere imunidade à NATO como organização» e que «a imunidade não pode ser aplicada retroactivamente».

Neste sentido, disse, «não se pode conceder imunidade à NATO pelos crimes de guerra contra civis e pela sua agressão ilegal, ao abrigo do acordo de 2005».

«No nosso processo relativo aos bombardeamentos com urânio empobrecido, que causaram vítimas entre a população civil, soldados, polícias, a NATO é responsável pela violação do direito à vida e pelos danos causados», sublinhou Aleksic, que espera que o Tribunal Superior de Belgrado prossiga com as audiências em Outubro.

Elevada taxa de cancro, aumento de doenças psicológicas e desastre ambiental

Os processos contra a NATO têm sido apresentados com o apoio e a colaboração do advogado italiano Angelo Fiore Tartaglia, que representou com êxito um grupo de militares italianos que estiveram expostos a altas doses de radiação enquanto desempenhavam funções, ao serviço da NATO, no Kosovo e Metohija.

O primeiro caso foi apresentado em tribunal em Janeiro de 2021. No início deste ano, avançaram com outros dois.

A Sérvia tem umas taxas de cancro mais elevadas da Europa, com quase 60 mil pacientes diagnosticados por ano, e uma taxa de cancro infantil 2,5 vezes superior à média europeia, refere o portal neo-zelandês.

Os médicos do país balcânico relacionam directamente o facto com a ampla utilização de munições de urânio empobrecido durante os bombardeamentos da NATO.

Além da elevada incidência de cancro, os cientistas apontam ainda o aumento alarmante da infertilidade, das doenças auto-imunes e dos transtornos mentais nas duas últimas décadas, incluindo o stress pós-traumático e outros problemas psicológicos associados aos bombardeamentos.

No início deste ano, Danica Grujicic, directora do Instituto Sérvio de Radiologia e Oncologia, disse que os bombardeamentos de 1999 tiveram um impacto devastador na ecologia da região e que a utilização de urânio empobrecido, juntamente com os ataques deliberados a fábricas químicas e instalações industriais perigosas, criou um desastre ambiental que atinge países muito para lá das fronteiras da antiga Jugoslávia.

Ler mais:

quarta-feira, 30 de março de 2022

Fukushima: Inaceitável plano japonês de despejar água radioativa no mar durante 3 décadas


Onze anos depois do acidente na central nuclear de Fukushima, o núcleo dos reatores mantém temperaturas tão altas que é necessário uma imensa quantidade de água para arrefecê-los. Esta água tem uma alta contaminação radioativa e já se acumulou em tal quantidade que o governo japonês decidiu começar a despejá-la no Oceano Pacífico a partir do próximo ano, com os efeitos gravíssimos que isso terá na vida e na saúde de todas as populações circundantes e sobre todas as formas de vida no oceano.

Quando o governo do Japão anunciou em abril de 2021 a sua intenção de descarregar gradualmente mais de 1,4 milhão de metros cúbicos de água radioativa no mar, encontrou o apoio da Organização Internacional de Energia Atômica (AIEA).

Em fevereiro passado, a AIEA deslocou-se às proximidades da central de Fukushima para examinar de perto o plano japonês de despejar água radioativa no mar. Parece um gesto destinado a criar confiança pública na gestão do Japão ante a oposição de parte da sua população e países vizinhos. Enquanto isso, as vítimas do acidente são negligenciadas pelo desejo de “normalizar” a situação.

O despejo enfrenta a oposição da indústria pesqueira e de países vizinhos, especialmente da Coreia do Sul e da China.

A água radioativa tem origem no arrefecimento do combustível nuclear fundido em três dos reatores. Para reduzir a sua radioatividade, passa por um processo de eliminação de materiais radioativos, de modo que restem apenas trítio e carbono-14. Mas, em 2018, a imprensa japonesa descobriu que a empresa proprietária da Tokyo Electric Power Company (TEPCO) escondia que aproximadamente 84% dos 890.000 m3 de água tratada em setembro desse ano continham concentrações mais altas de substâncias radioativas do que os níveis permitidos para libertação no oceano. Essas concentrações incluíam níveis de estrôncio-90 mais de 100 vezes acima dos padrões de segurança em cerca de 65.000 m3 de água tratada e ainda césio-137 e Iodo-129, com níveis superiores aos limites por um fator de 20.000, em alguns tanques. Segundo dados da TEPCO, em agosto de 2021, 69% da água (o equivalente a 832,9 mil m3) passará por processamento secundário. Espera-se que isso demore vários anos.

A TEPCO declarou que ficaria sem espaço para armazenar água radioativa ainda em 2022. Como solução, tanto a empresa como o governo japonês querem despejá-la no oceano ao longo de trinta anos, para que os contaminantes sejam diluídos.

Numa reunião da Organização Marítima Internacional das Nações Unidas, em outubro de 2021, o governo japonês bloqueou a iniciativa de estabelecer um grupo de trabalho científico para avaliar alternativas para despejar essas águas no Oceano Pacífico. Esta proposta da Greenpeace foi apoiada pela Coreia do Sul, China, Chile, Vanuatu e Palau. Mas a delegação japonesa recebeu o apoio dos Estados Unidos, do Reino Unido e da França.

A 27 de janeiro deste ano, um grupo de jovens com cancro da tiroide, com idades entre 6 e 16 anos na altura do acidente nuclear de 2011, apresentou uma ação contra a TEPCO. Eles pedem que se investigue a relação causal entre o acidente nuclear e o cancro da tiroide e esperam conseguir a criação de um sistema de apoio para aqueles que sofrem da mesma doença. No entanto, o Comité de Revisão da Pesquisa de Saúde da Prefeitura de Fukushima declarou não existir nenhuma relação entre a doença dos jovens e o acidente nuclear.

A energia nuclear não é, de forma alguma, uma alternativa para a soberania energética da União Europeia. Espanha, por exemplo, importa da Rússia mais da metade do urânio para as suas centrais nucleares.

O nuclear acarreta sérios riscos para a saúde dos ecossistemas e à saúde humana, que persistem por séculos. Representam um risco para a segurança das populações, como Fukushima e Chernobyl evidenciam. A guerra na Ucrânia prova ainda que as centrais nucleares são um objetivo militar de primeira ordem, agravando a probabilidade e a gravidade de um acidente com libertação de material radioativo.

Rejeitamos assim a recente decisão da Comissão Europeia, cedendo à pressão do lobby nuclear e catalogando este tipo de energia como “sustentável” ​​no âmbito da transição ecológica, contrariamente aos relatórios dos grupos de assessoria técnica, diferentes governos europeus, numerosas organizações científicas e sociais e até mesmo contra os objetivos do Acordo de Paris. Continuamos a exigir o encerramento de todas as centrais nucleares, começando pela envelhecida Almaraz, pois, quanto mais anos permanecerem abertas, mais prolongaremos o risco e aumentaremos a quantidade de resíduos nucleares a arrefecer e a armazenar.

A energia nuclear é poluente, não é segura nem é carbono neutral.
Quer durante o seu funcionamento quer após o seu encerramento, as necessidades de manutenção durante dezenas, centenas ou milhares de anos, de sistemas de armazenamento e arrefecimento do combustível usado, ou como neste caso de arrefecimento do núcleo dos reatores, implica a emissão de vários tipos de poluição (com destaque para a radioativa) e gases com efeito de estufa – associados à construção e manutenção de enormes infraestruturas e à bombagem de água durante longos períodos.

Para o Movimento Ibérico Antinuclear (MIA), a indústria nuclear e os governos que a apoiam têm de assumir as responsabilidades decorrentes de um acidente. Não se pode aceitar que imponham as suas teses e as suas condições à população que mais sofreu com o desastre, nem que neguem proteção contra as doenças causadas. Devemos também exigir os melhores métodos para recuperar o território e evitar mais danos.

Por último, os custos de uma atividade perigosa, obsoleta e não competitiva não podem ser imputados aos cidadãos e aos contribuintes, que continuam a “assegurar” a exploração nuclear uma vez que não existe nenhuma seguradora no mundo disposta a assumir os seus riscos.

Lisboa, 11 de março de 2022

A Comissão Coordenadora do MIA em Portugal

O MIA é um movimento composto por coletivos ambientalistas e instituições de Portugal e de todo o Estado Espanhol. Em Portugal integra cerca de 30 coletivos.

segunda-feira, 7 de março de 2022

Entrevista - « L'uranium de la colère »


Segunda-feira, hoje, 7 de março, às 21h (hora de França), a France 5 transmitirá uma nova série documental inédita “Vert de Rage” de Martin Boudot: “O urânio da raiva”.

Enquanto a Comissão Europeia acaba de conceder o rótulo “verde” à energia nuclear, “O urânio da raiva”, inédito na France 5, permite entender como as centrais nucleares são abastecidas com urânio.

Em Narbonne, no Aude, os cidadãos denunciam a poluição da maior central de conversão de urânio da Europa, gerida por Orano, o novo nome da Areva. Abastecido com urânio da África em particular, o local despeja dezenas de milhares de toneladas de resíduos, a três quilómetros do centro da cidade.

Em Arlit, no Níger, em uma região assolada por ataques terroristas, perto de uma enorme mina de urânio, os moradores vivem em áreas que excedem a radioatividade da zona proibida de Chernobyl.

Apesar das proibições, Martin Boudot e a equipa Vert de Rage, auxiliados por cientistas, estão a investigar nos dois países e a coletar dezenas de amostras para saber mais sobre a poluição de urânio que alimenta nossas centrais nucleares.

Os resultados de sua investigação serão divulgados pela mídia francesa e nigeriana. As suas revelações farão parte do debate político e servirão de evidência para que os cidadãos preservem seu meio ambiente e sua saúde. Cidadãos nigerianos apresentaram queixa, enquanto em Narbonne uma nova rede de vigilância cidadã está se formando em torno da central de conversão de urânio.

domingo, 17 de outubro de 2021

NL19. Já ouviu falar nesta super bactéria descoberta por cientistas portugueses?



Até ao dia em que entrou nos laboratórios do Centro de Estudos do Ambiente e do Mar (CESAM), nunca tinha sido vista ou identificada, o que levou à identificação de uma nova espécie. Mas essa não era a única novidade. Após a sequenciação do seu genoma, a NL19 – como foi batizada pelos investigadores portugueses – mostrou ter um potencial biotecnológico imenso, podendo dar origem a diversas aplicações, especialmente na Medicina, mas também nas áreas da Veterinária ou da Indústria Alimentar.

A história da descoberta desta bactéria também é insólita. Foi recolhida numa mina de urânio desativada no norte do País. E é neste tipo de ambientes extremos, em alguns casos ainda muito inexplorados, que se realizam novas conquistas para a ciência.

“O interesse biotecnológico desta bactéria está relacionado com o tipo de compostos que ela produz. Alguns deles têm atividade microbacteriana, ou seja, têm capacidade de inibir o crescimento de outras bactérias ou de fungos”, explica Tânia Caetano, uma das investigadoras ligadas a esta descoberta, que logo adianta: “Ainda mais interessante é que esses compostos também têm propriedades anticancerígenas, anti-tumorais e imunodepressoras”.


Por Paulo Caetano


terça-feira, 24 de agosto de 2021

The nuclearization of space


By Karl Grossman

“BACK TO THE FUTURE NASA’S NEW NUCLEAR VISION” was the headline emblazoned on the cover of the May 3-16, 2021 edition of the leading U.S. aerospace trade publication, Aviation Week & Space Technology.

“More than sixty years after the U.S. began serious studies into nuclear propulsion for space travel, NASA is taking the first steps on a new path to develop nuclear-powered engines for crewed missions to Mars by the end of the next decade,” it began.

“Nuclear enabled space vehicles would allow NASA to keep the round-trip crewed Mars mission duration to about two years, versus more than three years with the best chemical rockets and even longer with solar electric propulsion,” the extensive five-page piece declared.

Also, it said, “other factors strengthening the case for nuclear power include growing interest from the Defense Department in using the technology to extend operational capability in space.”

Further, nuclear power—either through nuclear thermal propulsion (NTP) or nuclear electric propulsion (NEP)—would “provide power for future crewed and robotic deep-space exploration missions as well as faster, more responsive resupply flights to lunar and Martian outposts.”

The article was accompanied by a two-page addition providing a military link. “Draco Embarks on Quest To Revive Nuclear Space Propulsion,” was the headline of this piece. Draco stands for “Demonstration Rocket for Agile Cislunar Operations.” It’s a program of the Defense Advanced Research Projects Agency (DARPA), a U.S. Department of Defense agency that develops technologies for the military.

Space News, another major U.S. aerospace publication, two weeks later ran a two-page piece headlined: “America’s future in space is nuclear.”

Authored by John M. Horack, the Neil Armstrong Chair in Aerospace Policy at Ohio State University, he previously worked for almost two decades at NASA and led the Science and Mission Systems Office at NASA’s Space Flight Center.

Horack wrote: “Today, we have a unique opportunity to make the entire solar system—including the strategically vital regions of space surrounding the Earth and the moon—more accessible, through investments in advanced propulsion systems…Nuclear thermal propulsion is the most promising technology to accomplish these goals.” It “will enable the U.S. to ‘sail’ the ocean of space with greater efficiency, capability, and autonomy, thereby exercising and helping secure our leadership position in civil and national security spaceflight activities.”

These are “dangerous plans for full-blown nukes in space,” declares Bruce Gagnon, coordinator of the Global Network Against Weapons and Nuclear Power in Space.

They translate to “high-risk for those of us on Earth below as nuclear reactors are launched on rockets that blow up from time to time,” said Gagnon. Moreover, although there are no cost estimates included in any of the trade journal pieces, Gagnon asks: “Where will those funds come from? Maybe from the budget that helps deal with our current climate crisis here on Mother Earth.”

Established in 1992, the Global Network, based in Maine, is the leading group internationally challenging the use of nuclear power in space.

The “BACK TO THE FUTURE” reference in the main Aviation Week & Space Technology article refers to, as it notes, how “the new program will also leverage knowledge gained as far back as the 1955-73 Atomic Energy Commission’s Project Rover and 1961-73 NASA Nuclear Engine for Rocket Vehicle Application program.” These projects “were canceled as funding priorities shifted.”

“The benefits of space nuclear propulsion are as attractive as the challenges are daunting,” said the piece. “Although offering faster trip times…the practicality of integrating a fission reactor into a viable propulsion system will require significant technological advances, particularly in materials in fuel. The solid core reactor—the configuration most likely to be used in near-term NTP designs—can create much higher temperatures than conventional materials can withstand. Additionally, fuel coatings can crack because of large temperature variations along fuel rods, lowering performance.”

“So,” asks the piece, “with these ever-prevent challenges still an obstacle, is NASA’s new nuclear space plan more realistic than previous attempts?”

In response, it quotes Anthony Calomino, whom it identifies as nuclear technology portfolio lead in NASA’s Space Technology Mission Directorate, saying: “The need case for the technology has changed in the last few decades, particularly with NASA’s focus on developing the capabilities for Mars missions.”
The additional piece with the military link starts off: “A nebulously named ‘Deterrence Layer’ is on the drawing board for the National Defense Space Architecture, and that could mean the return of a functioning U.S. operated, nuclear-powered satellite in orbit by 2025 for the first time in 60 years.”

“The idea of nuclear-powered space flight by the military is hardly original to Draco,” it states. “The U.S. Air Force operated the 950-lb. Systems for Nuclear Auxiliary Power (SNAP-10A) satellite which used an onboard nuclear reactor to generate at least 500 watts of electricity for 43 days in 1965 until the failure of a nonpropulsive component. Although no longer in service, the SNAP-10A reactor is expected to remain in orbit for the next 3,000 years.” SNAP-10A was fueled with uranium.

Not mentioned by Aviation Week & Space Technology was an accident the year earlier—involving a radioisotope thermoelectric generator, SNAP-9A, not a reactor but a device utilizing heat from the breakdown of plutonium to produce electricity. The satellite on which it was to provide power failed to attain orbit and crashed back into the atmosphere, the plutonium in SNAP-9A dispersing and spreading widely on Earth.

Dr. John Gofman, an M.D. and Ph.D. involved in the isolation of plutonium during the Manhattan Project and long a professor of medical physics at the University of California at Berkeley, connected the SNAP-9A accident with a spike in lung cancer on Earth.

The article went on: “Twenty years after the launch of SNAP-10A, the Strategic Defense Initiative revived the nuclear-powered rocket concept as a proposal for the upper stage of a boost-phase intercept that would shoot down intercontinental ballistic missiles over the Soviet Union from Alaska. As the Cold War ended, the so-called Timberwind project was transferred to the Air Force to pursue as a science experiment, but it was cancelled in 1994 before a reactor could be tested.”

The article also declares: “Concerns about launching a nuclear reactor into space have persisted for decades.”

A NASA webinar on U.S. space nuclear plans was held earlier this year, relates Gagnon, which emphasized how the U.S. is moving ahead with not only schemes for nuclear propulsion in space but for plans for “full nuclearization” of colonies on the moon, Mars “and in other planetary colonization.”

The public relations slogan being advanced, Gagnon said, was that the space nuclear activities would be “’clean and reliable.’ That’s a laugh. Say it often enough and the public might begin to believe it.”

Gagnon said the nuclear reactors for placement on the moon were described in the NASA webinar as having a “10-year life-cycle, which would mean frequent launches of these nuclear reactors.” And, he noted, one out of 100 rocket launches have historically resulted in a major malfunction, usually the rocket blowing up.

Further, nuclear operations on the moon were described as “working out the kinks for the Mars missions.” Said Gagnon: “So it is more than clear that this entire program is one very dangerous experiment.”

Meanwhile, continued Gagnon, “Little is said about the national Department of Energy nuclear labs where they fabricate space nuclear devices. Over the years we’ve learned that these labs have a long and dirty track record of accidental worker and local water/air contamination of uranium and plutonium.

“The nuclear industry clearly is interested in hitching a ride,” said Gagnon, “as it eyes the opportunity to put its toxic product on the moon, Mars and on rockets to the red planet. The DoE and NASA plan to cut as many corners as possible on testing and funding and lessen public scrutiny of these deadly projects. For those of us who have been tracking the nuclear space industry for many years, the alarm bells are clanging in our ears. It would be the right time for inquiring people to raise questions, challenge untested assumptions, and warn an unsuspecting public about the dangers of the nuclearization of the heavens.”

The SNAP-9A and SNAP-10 space mishaps spurred NASA in pioneering solar power for satellites. Now, all satellites utilize solar energy as does the International Space Station.

But despite claiming for decades that nuclear power was needed for space probes, NASA used three solar photovoltaic panels on its Juno space probe, which in 2016 reached Jupiter. Juno is still up there, orbiting and studying the solar system’s largest planet, at which sunlight is a hundredth of what it is on Earth.

There have been studies and articles through the years pointing to solar power as an energy source for moon and Mars colonies including a piece in Universe Today headed “Solar Power Is Best for Mars Colonies.”

And a Discover magazine piece, “How to Harvest Terawatts of Solar Power on the Moon,” spoke of the Japanese corporation, Shimizu, “gearing up to develop solar power on the moon.” The “photovoltaic cells themselves could be tissue thin, since the moon has no weather or air,” said the article, “and half of the moon is in sunlight at any one time.” Indeed, said the article, a huge amount of solar power energy could be generated on the moon and be beamed back to Earth.

Karl Grossman is professor of journalism at State University of New York/College at Old Westbury, and is the author of the book, The Wrong Stuff: The Space’s Program’s Nuclear Threat to Our Planet, and the Beyond Nuclear handbook, The U.S. Space Force and the dangers of nuclear power and nuclear war in space. Grossman is a board member of Beyond Nuclear and an associate of the media watch group Fairness and Accuracy in Reporting (FAIR). He is a contributor to Hopeless: Barack Obama and the Politics of Illusion.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2021

The truth about nuclear power — neither clean nor green


An enormous amount of fossil fuel is used to mine and mill uranium, to enrich and fashion the nuclear fuel rods, to build the enormous concrete reactor, let alone decommission the radioactive mausoleum at the end of its active life of 40-60 years. Finally, but not least, to transport millions of tons of intensely radioactive waste to some as-yet-to-be-constructed storage site in the U.S. to be kept isolated from the ecosphere for one million years according to the U.S. Environmental Protection Agency.

We all know to our detriment that the combustion of oil, gas and coal creates CO2, the main global warming gas.

According to a definitive study by Jan Willem Storm van Leeuwen and Philip Smith titled ‘Nuclear Power: the Energy Balance’, the use of nuclear power causes, at the end of the road, approximately one third as much CO2 as gas-fired electricity production. The rich uranium ores required for this reduction are limited and the remaining poorer ores in reactors would produce more CO2 than burning fossil fuels directly. Nuclear reactors are best understood as complicated expensive and inefficient gas burners.

They write:

Setting aside the above energetic costs and accepting the nuclear industry’s claim that it is clean and green, and assuming a 2% growth in global demand, all present-day reactors – 440 – would have to be replaced by new ones. Half the electricity growth would be provided by nuclear power and half the world’s coal fire plants replaced by nuclear plants requiring the construction over 50 years of 2,000 to 3,000 1,000-megawatt reactors — one per week for 50 years.

The International Atomic Energy Agency estimates already there are 370,000 tons of high-level radioactive waste in the world awaiting disposal, containing over 100 radioactive elements such as:
  • iodine-129, half-life 16 million years and a thyroid carcinogen;
  • plutonium-239, half-life 24,400 years, a potent alpha mutagen that induces bone carcinogen, lung cancer, leukemia, foetal abnormalities and genetic diseases;
  • strontium-90, half-life 29 years, which causes bone cancer and leukemia; and
  • caesium-137, half-life 30 years, causing muscle sarcomas and cancers of many other organs because it is a potassium analogue and resides in many cells of the body.

Dr John Gofman MD, the discoverer of uranium-233, estimated that if 400 reactors operated for 25 years at 99 per cent perfect containment, caesium loss would be equivalent to 16 Chernobyls. A half-life is multiplied by ten or 20 to give the total dangerous radiological life.

There is no containment that lasts 100 years let alone one million. As these radioactive elements inevitably escape and leak into the environment, they will concentrate at each step of the food chain tens to hundreds of times, for instance through algae, then crustaceans, then small fish, then big fish, then us. They are tasteless, invisible and odourless. Once deposited in human or animal organs, they irradiate a small volume of cells over many years inducing mutation of regulatory genes which control the rate of cell division, thus inducing uncontrolled cell division which is cancer.

Leukemia takes five to ten years to appear post contamination, solid cancers 15 to 80 years. Genetic abnormalities will take generations to manifest.

Animals and plants are similarly affected.

In effect, by creating more and more nuclear waste, we humans will be inducing random compulsory genetic engineering for the rest of time.

That’s what clean, green nuclear power means.


sexta-feira, 20 de novembro de 2020

A esquecida pandemia nuclear


A absoluta contaminação mediática pelas informações (e desinformações) associadas à COVID-19, alimentando o clima de pânico entre as populações, tem ainda outro efeito perverso: omite às mesmas populações outras situações igualmente graves e que têm todo o direito a conhecer. Uma delas é a escandalosa decisão do governo do Japão e da empresa que gere a central nuclear de Fukuchima de lançar no mar mais de um milhão de toneladas de águas radioactivas originárias dos reactores fundidos na catástrofe de 2011. Águas que entrarão na cadeia alimentar de milhões e milhões de pessoas. Um acto criminoso que apenas engrossa essa pandemia esquecida: a de índole nuclear – civil e militar.

Não se trata de COVID, portanto a informação passou quase despercebida: o Japão vai descarregar no mar mais de um milhão de toneladas de água radioactiva proveniente da central nuclear de Fukuchima.
O catastrófico acidente de Fukuchima foi provocado pelo tsunami que atacou a costa nordeste do Japão em 11 de Março de 2011, submergindo a central e dando origem à fusão dos núcleos de três reactores nucleares. A central fora construída mesmo na orla costeira a apenas quatro metros acima do nível do mar, com diques de quebra-mar de cinco metros de altura numa zona sujeita a tsunamis com ondas de 10 a 15 metros de altura. Além disso, houve graves falhas do controlo das instalações por parte da Tepco, a empresa privada gestora da central: no momento do terramoto os dispositivos de segurança não entraram em funcionamento. Para arrefecer o combustível fundido foi bombada água durante vários anos através dos reactores.
Essas águas, tornadas radioactivas, foram armazenadas no interior da central em mais de mil grandes reservatórios, que acumularam 1,23 milhões de toneladas. A Tepco está em vias de construir outros reservatórios que também eles estarão cheios em meados de 2022. Uma vez que tem de continuar a bombar água nos reactores fundidos, a Tepco, em acordo com o governo de Tóquio, decidiu descarregar no mar as águas acumuladas até agora, depois de as ter filtrado para as tornar menos radioactivas (não se sabendo em que medida) através de um processo que se prolongará por 30 anos.
Existem, além disso, lamas radioactivas acumuladas nos filtros do local de descontaminação, armazenadas em milhares de contentores, e enormes quantidades de terra e de outros materiais radioactivos.
Como a própria Tepco admitiu, uma situação particularmente grave é a fusão que aconteceu no reactor 3 carregado com mox, uma mistura de óxidos de urânio e plutónio, bastante mais instável e radioactiva. O mox utilizado neste reactor e em outros no país é produzido em França a partir de detritos nucleares enviados pelo Japão.

A praga nuclear universal
A organização Greenpeace denunciou os perigos resultantes do transporte deste combustível com plutónio através de dezenas de milhares de quilómetros. Alertou ainda para o facto de o mox favorecer a proliferação de armas nucleares porque permite uma extracção mais fácil de plutónio e, no ciclo de exploração de urânio, não existe uma clara linha de demarcação entre a utilização civil e a utilização militar desta matéria físsil.
Até ao momento foram acumuladas (segundo estimativas de 2015) cerca de 240 toneladas de plutónio para utilização militar directa e 2400 toneladas para utilização civil, com as quais, contudo, é possível produzir armas nucleares, que se somam a cerca de 1400 toneladas de urânio enriquecido para fins militares.
Algumas centenas de quilos de plutónio seriam suficientes para provocar cancro nos pulmões aos 7700 milhões de habitantes do planeta, e o plutónio continua letal durante um período de tempo correspondente a quase dez mil gerações humanas.
Foi acumulado, portanto, um potencial destruidor capaz, pela primeira vez na história, de fazer desaparecer a espécie humana da face da Terra.
Os bombardeamentos de Hiroxima e Nagasaki; as mais de duas mil explosões nucleares experimentais na atmosfera, no mar e em terra; o fabrico de ogivas nucleares com uma potência equivalente a mais de um milhão de bombas de Hiroxima; os numerosos acidentes com armas nucleares e os que acontecem em locais nucleares civis e militares, tudo isto provocou uma contaminação radioactiva que atingiu centenas de milhões de pessoas.
Uma parte das cerca de 10 milhões anuais de mortes por cancro no mundo – documentadas pela Organização Mundial de Saúde (OMS) – pode ser atribuída aos efeitos a longo prazo das radiações. Em dez meses, sempre segundo dados da OMS, a COVID-19 provocou no mundo cerca de 1,2 milhões de mortes. Um perigo que não pode ser subavaliado mas que não justifica o facto de os meios de comunicação de massas, designadamente as televisões, não terem informado que mais de um milhão de toneladas de água radioactiva serão descarregadas no mar a partir da central nuclear de Fukuchima, tendo como resultado o facto de, entrando na cadeia alimentar, fazer aumentar posteriormente as mortes por cancro.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

O Comunicado do MNE da Ucrânia por ocasião do 20º aniversário da assinatura do Memorando de Budapeste


No dia 05 de dezembro de 1994 a Grã-Bretanha, a Rússia e os Estados Unidos assinaram, em Budapeste, o Memorando sobre as Garantias de Segurança por causa da adesão da Ucrânia ao Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares (TNP).

Os países signatários do Memorando de Budapeste comprometeram a absterem-se de recorrer à ameaça ou uso da força contra a integridade territorial ou a independência política da Ucrânia.

No decorrer de 20 anos de sua participação no TNP a Ucrânia realizava fielmente todas as normas do Memorando de Budapeste, bem como ocupava uma posição ativa nas negociações na área de não proliferação nuclear. Um exemplo de posição consistente do nosso país nesta área, em particular, foi anunciado na Cimeira nuclear de Washington, em abril de 2010, acerca da decisão de abandonar o uso de urânio altamente enriquecido.

Ao mesmo tempo, em 2014, a Rússia havia violado as suas obrigações, particularmente, ocupou a parte soberana do território da Ucrânia (a República Autónoma da Crimeia e a cidade de Sebastopol) e desencadeou agressão militar no Leste da Ucrânia.

Assim, não só as garantias da segurança dos estados nucleares ficaram na dúvida em relação a cada um país em particular, mas também foi criado um precedente perigoso quando um Estado, que garantia a segurança à Ucrânia em troca da renúncia de armas nucleares, descaradamente violou a sua soberania e integridade territorial.

Essas acções são não apenas uma agressão aberta contra a Ucrânia, mas representa uma ameaça ao todo o sistema internacional da segurança nuclear, bem como abala o regime de não proliferação em geral.

No dia do 20º aniversário do Memorando de Budapeste apelamos aos Estados-garantes da segurança da Ucrânia para que tomem medidas urgentes para a restauração da integridade territorial, da soberania e da paz na Ucrânia, bem como começar a discussão prática de garantias de segurança com as obrigações judiciais para os países, que adotaram ou planejam adotar uma decisão histórica em rejeição de armas nucleares.

sábado, 6 de agosto de 2011

De Nagasaki a Fukushima: o legado nuclear do Japão, por Amy Goodman

  • Todas as postagens sobre o sucedido em Hiroshima e Nagasaki no BioTerra
  • Ver  ainda Dossier Bioterra Não ao Nuclear
"Fat Man", bomba atómica lançada sobre Nagasaki em 9 de agosto de 1945 - Foto wikimedia

Os níveis de radiação nos reactores nucleares de Fukushima, no Japão, aumentaram nas últimas semanas, alcançando patamares de até 10.000 milisieverts (mSv) por hora no mesmo lugar. Este foi o nível máximo informado pela Companhia Eléctrica de Tóquio, a TECO, desprestigiada empresa proprietária da central nuclear, embora caiba dizer que esse número é o máximo que o Contador Geisel possa medir. Em outras palavras, os níveis de radiação literalmente ultrapassam todas as medições. A exposição a 10.000 milisieverts durante um curto período de tempo tem consequências fatais: provoca a morte em apenas semanas (a título de comparação, a radiação total de uma radiografia dental é de 0,005 mSV e a de uma tomografia computadorizada do cérebro é de 5). O jornal The New York Times informou que, após o desastre, funcionários do governo japonês ocultaram os prognósticos oficiais sobre para onde se dirigia a chuva radioactiva devido ao vento e ao clima para evitar o caro deslocamento de centenas de milhares de habitantes.


“O segredo, uma vez aceite, converte-se em vício”. Essas palavras bem que podiam descrever a manobra realizada pelo governo japonês diante da catástrofe nuclear. A fala pertence ao cientista atómico Edward Teller, um dos principais responsáveis pela criação das duas primeiras bombas atómicas. A bomba de urânio conhecida por “Little Boy” foi lançada no dia 06 de agosto de 1945 sobre a cidade de Hiroshima, Japão.
Três dias mais tarde foi lançada a segunda bomba, desta vez de plutónio e denominada “Fat Man”, sobre a cidade de Nagasaki. Cerca de 250 mil pessoas morreram por causa das explosões e dos efeitos imediatos. Ninguém sabe exactamente a quantidade de pessoas que morreram ou padeceram de enfermidades nos anos seguintes em virtude das explosões, que vão desde as dolorosas queimaduras, que sofreram milhares de sobreviventes, até os efeitos tardios como doenças provocadas pela radiação e câncer.


A história dos bombardeios em Hiroshima e Nagasaki é em si mesma a história da censura e da propaganda militar estadunidense. Além das filmagens que foram ocultadas, as forças armadas impediram o acesso de jornalistas às zonas de explosões. Quando o jornalista vencedor do Prémio Pulitzer George Weller conseguiu chegar a Nagasaki, seu artigo foi pessoalmente censurado pelo General Douglas MacArthur. O jornalista australiano Wildred Burchett conseguiu entrar em Hiroshima pouco depois das explosões e dali mesmo escreveu sua famosa “advertência ao mundo”, na qual descreveu a propagação massiva das enfermidades como uma “praga atómica”. Mas as forças armadas estadunidenses disseminaram sua própria praga. Acontece que William Laurence, jornalista do New York Times, também era empregado do Departamento de Guerra. Laurence informou precisamente a posição do governo estadunidense, insistindo que os “japoneses descreviam ‘sintomas’ que não pareciam verdadeiros”. Lamentavelmente, ganhou o Prémio Pulitzer por sua propaganda.


Greg Mitchell escreveu sobre a história e as sequelas de Hiroshima e Nagasaki durante décadas. Neste novo aniversário do bombardeio à Nagasaki, perguntei-o sobre seu mais recente livro “Dissimulação atómica: Dois soldados estadunidenses, Hiroshima e Nagasaki, e o melhor filme jamais rodado”.


“Parece que tudo que é tocado pelas armas nucleares ou pela energia nuclear provoca ocultação e perigo para o público”. Mitchell disse que durante anos buscou imagens filmadas pelas forças armadas estadunidenses nos meses posteriores ao lançamento das bombas; rastreou os envelhecidos produtores cinematográficos e, apesar de décadas de classificação de documentos por parte do governo, foi um dos jornalistas que publicizou os incríveis arquivos cinematográficos em cor. Como parte do Relatório sobre Bombardeios Estratégicos dos Estados Unidos, as equipes de filmagem documentaram não só a devastação das cidades, como também realizaram um documentação clínica com tomadas das graves queimaduras e as feridas degenerativas sofridas por civis, entre eles crianças.


Numa cena, vê-se um homem jovem com feridas em carne viva por todas as suas costas, enquanto recebe tratamento. Apesar das graves queimaduras e de ter sido realmente tratado apenas meses mais tarde, o homem sobreviveu.


Sumiteru Taniguchi, que agora tem 82 anos de idade, é director do Conselho de Pessoas Afectadas pela Bomba Atómica de Nagasaki. Mitchell reproduziu comentários recentes de Taniguchi num jornal japonês que relacionam à bomba atómica ao actual desastre de Fukushima:


O senhor de idade foi citado dizendo: “A energia nuclear e o ser humano não podem coexistir. Nós, os sobreviventes da bomba atómica, sempre o dissemos. E, no entanto, o uso da energia nuclear foi disfarçado de ‘pacífico’ e continuou avançando. Nunca se sabe quando haverá um desastre natural. Não é possível dizer que nunca haverá um acidente nuclear”.


Neste doloroso encontro de novos e velhos desastres, deveríamos escutar as vítimas sobreviventes de ambas as catástrofes.


sexta-feira, 18 de março de 2011

Efeitos do plutónio na saúde

Foto: Washington Closure Hanford
Frascos com Plutónio, datado de 1944
Por Arjun Makhijani

O plutónio-239 é uma substância cancerígena muito perigoso, que pode também ser usado para fabricar armas nucleares. Esta combinação de propriedades a torna uma das substâncias mais perigosas.  O plutónio-239, durante a sua presença em apenas quantidades vestigiais na natureza, tem sido feito em grandes quantidades em ambos os programas militares e comerciais nos últimos 50 anos. Outros mais cancerígenos radioactivos até existem, como o rádio-226, mas ao contrário de plutónio-239 não pode ser usado para fabricar armas nucleares, ou não estão disponíveis em quantidade. 
Urânio altamente enriquecido (HEU) também pode ser usado para fabricar armas nucleares, mas é aproximadamente mil vezes mais radioativo que o plutônio-239.O perigo é agravado pelo fato de que o plutónio-239 é relativamente difícil de detectar, uma vez que está fora do seguro, instalações bem instrumentado, ou desde que tenha sido incorporado no corpo.Isto porque as suas emissões de raios gama, que fornecem o método mais simples de detecção de radionuclídeos, são relativamente fracos.

A principal propriedade cancerígena do plutónio-239 é oriundo da radiação alfa energética que emite.  As partículas alfa, sendo pesada, a transferência de sua energia para outros átomos e moléculas dentro de colisões menos do que os elétrons muito mais leves que são o principal meio de os danos da radiação de gama e radiação beta. partículas alfa uma viagem apenas de curta distância dentro de um tecido vivo, repetidamente, bombardeando as células e os tecidos próximos. Isso resulta em muito mais dano biológico para a mesma quantidade de energia depositada no tecido vivo.  

A eficácia relativa dos vários tipos de radiação em causar dano biológico é conhecido como "relativa eficácia biológica" (RBE). Isso varia de acordo com o tipo de radiação, a sua energia, e o órgão do corpo a ser irradiada.  Um simples fator, chamado fator de qualidade, é usado para indicar o risco relativo de alfa, beta, gama e radiação de nêutrons para fins regulamentares.  A Comissão Internacional de Proteção Radiológica recomenda atualmente o uso de um fator de qualidade de 20 para radiação alfa em relação à radiação gama.

Uma vez no corpo, o plutónio-239 é preferencialmente depositado em tecidos moles, nomeadamente o fígado, sobre superfícies ósseas, na medula óssea e em outras áreas não-calcificado do osso, bem como as áreas do osso que não contêm cartilagem. Deposição na medula óssea podem ter um efeito particularmente nocivos sobre a formação do sangue que ocorre lá.  Em contrapartida, o rádio-226, outro emissor alfa, é quimicamente semelhante ao cálcio e assim torna-se depositados nas áreas de calcificação dos ossos.

Quando é fora do corpo, plutónio-239 é menos perigosa do que as fontes de radiação gama. Como as partículas alfa transferem a sua energia a uma curta distância, o plutônio-239 perto de depósitos de corpo essencialmente toda a sua energia na camada exterior da pele morta, que não causa danos biológicos.

Os raios gama emitidos por  plutónio-239 penetram no corpo, mas como esses são relativamente poucos e fracos, uma considerável quantidade de plutônio-239 seria necessário para produzir doses substanciais de radiação gama.  Assim, plutônio-239 podem ser transportados com o mínimo de proteção, sem o perigo de graves efeitos imediatos radiológica. O maior perigo para a saúde de plutónio-239 é de inalação, especialmente quando se está sob a forma comum de insolúvel óxido de plutónio-239.
Outro perigo é a absorção de plutónio para a corrente sanguínea através de cortes e abrasões. O risco de absorção pelo organismo através da ingestão é geralmente muito menor do que o da inalação, porque plutónio não é facilmente absorvida pelas paredes intestinais, e assim a maioria deles será eliminado.
O tipo de dano que o plutónio-239 e inflige a probabilidade com que produz danos que dependem do modo de incorporação de plutónio para o corpo, a forma química do plutónio e do tamanho da partícula. Os modos habituais de integração para os membros do público são a inalação ou ingestão. Incorporação através dos cortes é um perigo principalmente para os trabalhadores e para o pessoal que participa no programa de testes nucleares atmosféricos.


Mais leituras:

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Destaque da Semana: From the U.S. Nuclear Weapons Complex, by Robert Alvarez


Summary
Characterization of radioactive wastes at nuclear weapons sites can reduce fissile material uncertainties necessary for deep nuclear arms reductions while serving to protect the human environment. In this regard, a preliminary estimate based on waste characterization data indicates that from 1944 to 2009 about 12.7 metric tons of plutonium was discarded at U.S. nuclear weapon production facilities. This is more than three times than the U.S. Department of Energy’s (DOE) last official estimate of waste losses (3.4 tons) made in 1996. Of the 12.7 tons, about:
. 2.7 tons in high-level radioactive wastes are stored as liquids in tanks and as granulated material in bins on the sites of former U.S. military reprocessing plants;
.7.9 tons are in solid waste, which DOE plans to dispose at the Waste Isolation Pilot Project (WIPP) a geological repository in New Mexico for transuranic wastes. About half is already emplaced; and
.2.1 tons are in solid and liquid wastes buried in soil prior to 1970 or held up in facilities at several DOE sites. The DOE considers most of this plutonium to be permanently disposed.

Sgs 19 Alvarez by João Soares on Scribd