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segunda-feira, 13 de julho de 2026

Despejo dos hortelões no Porto - "Misericórdia" só de nome


O caso do despejo dos utentes da Horta Comunitária do Porto deixa-me triste e indignado. Contrariamente ao último relatório da SCMP (2025), que é totalmente positivo - destacando inclusive a atribuição de 62 novos talhões, em 2025, no âmbito do projeto Horta à Porta -, a realidade atual demonstra o oposto.

Uma instituição cujo foco histórico é a "Misericórdia" e o apoio social não pode extinguir um projeto com tanto impacto positivo na comunidade e na sustentabilidade urbana. Com esta decisão, a SCMP comporta-se como uma empresa privada de saúde mental, descurando o facto de que o contacto com o meio ambiente é parte fundamental da terapia e da recuperação dos utentes. Inúmeros estudos clínicos comprovam que tratar a saúde mental ignorando o meio ambiente e a natureza é uma abordagem clinicamente ineficaz. 

Isto traduz-se em pura lavagem verde (greenwashing), fazendo desaparecer, em pouco mais de três meses, uma das maiores hortas urbanas da Europa.

A polémica em torno do fim das hortas públicas da LIPOR no Porto (o programa "Horta à Porta") e o consequente despejo dos hortelãos é o reflexo perfeito de um trade-off político e social - aquele cenário clássico em que, para se ganhar de um lado, tem de se sacrificar o outro, sem que exista uma solução que agrade a todos. No centro da discussão, a postura do executivo liderado por Pedro Duarte ilustra bem esta balança de prioridades.

De um lado da balança, a autarquia e os proprietários dos terrenos, como a Santa Casa da Misericórdia do Porto (dona do espaço junto ao Hospital Conde Ferreira), justificam a desocupação com a necessidade de avançar com planos de reestruturação interna. No caso da Misericórdia, o argumento oficial não é a venda dos terrenos para a especulação imobiliária, mas sim a modernização e requalificação do complexo hospitalar, além da reorientação da horta para fins puramente terapêuticos e sociais da própria instituição. Sob o ponto de vista da gestão de ativos, trata-se de rentabilizar e ordenar o património para garantir a sustentabilidade das suas próprias obras de assistência.

Do outro lado da balança, o custo deste ganho institucional é inteiramente social e ambiental. O encerramento do projeto destrói uma das maiores redes de hortas comunitárias da Europa, retira o sustento e o passatempo de mais de duas centenas de famílias e elimina focos essenciais de biodiversidade e coesão social no meio do asfalto da cidade. É precisamente aqui que o trade-off se torna mais evidente para Pedro Duarte: ao focar-se na gestão rigorosa de ativos, na reavaliação de cedências antigas e na aplicação estrita da lei sobre a ocupação dos terrenos, o executivo municipal prioriza a eficiência e o ordenamento do património público. Contudo, assume o pesado custo reputacional e político de ser criticado pela oposição por falta de sensibilidade social e pela ausência de alternativas viáveis de realojamento para os produtores locais. 

Mesmo que o objetivo declarado não seja o lucro imediato através de imobiliário, a decisão mexe com feridas abertas na cidade. O receio da oposição e dos hortelãos de que a libertação destes espaços centrais acabe por abrir portas à pressão imobiliária a longo prazo é o que alimenta o conflito. A atuação do executivo neste caso não se resume a um acerto ou erro absoluto, mas sim à escolha consciente de um dos lados da balança; é uma escolha ideológica e de gestão. Optou-se pelo ordenamento e requalificação dos equipamentos, aceitando como "dano colateral" o desalojamento de uma comunidade que ali tinha criado raízes.

quarta-feira, 13 de maio de 2026

Estudo científico revela que as cidades europeias podem produzir quase 30% das hortícolas que necessitam


O estudo recentemente publicado na revista Sustainable Cities and Society analisou 840 cidades europeias e concluiu que os espaços urbanos poderão produzir milhões de toneladas de hortícolas por ano.

Coberturas planas, quintais, terrenos abandonados, faixas verdes pouco utilizadas e outros espaços urbanos poderiam contribuir para alimentar cerca de 190 milhões de pessoas, chegando em alguns cenários a cobrir perto de 30% das necessidades de hortícolas frescos dessas cidades.

O mais interessante é que os investigadores não basearam as suas conclusões em tecnologias futuristas, agricultura vertical muito dispendiosa ou sistemas altamente industrializados.

Pelo contrário, o estudo focou-se sobretudo em soluções relativamente simples, acessíveis e de baixa tecnologia, baseadas em hortas no solo ao ar livre, em telhados planos e em terrenos baldios, muito próximas daquilo que muitos agricultores urbanos já fazem há décadas.

Na verdade, as cidades sempre produziram alimento. Durante séculos, Lisboa, Porto, Coimbra, Braga ou Évora viveram rodeadas de hortas, vinhas, olivais, pomares e pequenos campos agrícolas integrados no tecido urbano e periurbano.

O século XX alterou profundamente essa relação. Impermeabilizámos solos férteis, enterrámos linhas de água, destruímos quintas históricas e afastámos progressivamente a produção alimentar dos centros urbanos. Hoje começamos finalmente a compreender a fragilidade estrutural deste modelo.

As alterações climáticas, os eventos extremos, as crises energéticas e a inflação alimentar estão a obrigar cidades e governos a repensar a segurança alimentar. A agricultura urbana deixa assim de ser apenas uma ferramenta educativa ou recreativa. Passa a ser uma estratégia de resiliência territorial.

Depois de mais de vinte anos ligado à agricultura regenerativa urbana, continuo profundamente convencido de que uma cidade capaz de produzir parte do que come é uma cidade mais saudável, mais justa e mais resiliente.

Este estudo vem apenas confirmar aquilo que muitos agricultores urbanos conhecem há décadas. Por baixo do betão continua a existir território fértil, e dentro das cidades continua a existir uma profunda necessidade humana de cultivar alimento.

Já em 2013, um relatório da UNCTAD afirmava que o modelo de agricultura industrial era insustentável e que os modelos agroecológicos locais/ regionais diminuiriam a desigualdade entre Norte Global e Sul Global, entregando às populações de países ditos menos desenvolvidos ferramentas e educação para poderem obter os seus próprios alimentos.

Mais info:

quarta-feira, 6 de maio de 2026

Não queremos patentes das sementes e exigimos regulação das NTG´s

A UE está prestes a realizar a votação final sobre novas regras que desregulamentariam a maioria das culturas geneticamente modificadas desenvolvidas através de Novas Técnicas Genómicas (NGTs), prevista para 19 de maio. A proposta eliminaria a rotulagem, a rastreabilidade e a avaliação de riscos para a maioria destes produtos, levantando preocupações quanto à transparência, aos polinizadores e aos agricultores. O cenário atual confirma as minhas preocupações: o acordo provisório alcançado entre o Conselho e o Parlamento não inclui a proibição de patentes que o Parlamento tinha inicialmente exigido. Em vez disso, propõe apenas medidas de "transparência", o que na prática permite que grandes multinacionais continuem a patentear características genéticas de plantas, ameaçando a autonomia dos agricultores e a biodiversidade.
Portanto e por tudo isto e pela salvaguarda da nossa soberania alimentar e em defesa da agricultura biológica nacional - pondo em causa a Estratégia Nacional para a Agricultura Biológica (ENAB 2027) - temos que agir!

𝐀 𝐬𝐨𝐜𝐢𝐞𝐝𝐚𝐝𝐞 𝐜𝐢𝐯𝐢𝐥 𝐞𝐬𝐭𝐚́ 𝐚 𝐦𝐨𝐛𝐢𝐥𝐢𝐳𝐚𝐫-𝐬𝐞 𝐚𝐭𝐫𝐚𝐯𝐞́𝐬 𝐝𝐞𝐬𝐭𝐚 𝐜𝐚𝐦𝐩𝐚𝐧𝐡𝐚.
𝐉𝐚́ 𝐪𝐮𝐚𝐬𝐞 𝟗𝟓.𝟎𝟎𝟎 𝐩𝐞𝐬𝐬𝐨𝐚𝐬 𝐞𝐧𝐯𝐢𝐚𝐫𝐚𝐦 𝐞𝐦𝐚𝐢𝐥𝐬 𝐩𝐚𝐫𝐚 𝐨𝐬 𝐧𝐨𝐬𝐬𝐨𝐬 𝐞𝐮𝐫𝐨𝐝𝐞𝐩𝐮𝐭𝐚𝐝𝐨𝐬.

Não brinquemos com a nossa alimentação nem mantenhamos os consumidores na ignorância – a rotulagem nas embalagens deve ser garantida ao longo de toda a cadeia de valor. Se estes novos produtos geneticamente modificados são tão promissores como a indústria de sementes afirma, então por que razão não devem ser rotulados em conformidade?
𝐄́ 𝐭𝐞𝐦𝐩𝐨 𝐝𝐞 𝐫𝐞𝐬𝐩𝐨𝐧𝐬𝐚𝐛𝐢𝐥𝐢𝐳𝐚𝐫 𝐨𝐬 𝐧𝐨𝐬𝐬𝐨𝐬 𝐝𝐞𝐩𝐮𝐭𝐚𝐝𝐨𝐬 𝐩𝐞𝐥𝐚𝐬 𝐬𝐮𝐚𝐬 𝐝𝐞𝐜𝐢𝐬𝐨̃𝐞𝐬; 𝐞𝐥𝐞𝐬 𝐝𝐞𝐯𝐞𝐦 𝐝𝐞𝐟𝐞𝐧𝐝𝐞𝐫 𝐨 𝐧𝐨𝐬𝐬𝐨 𝐝𝐢𝐫𝐞𝐢𝐭𝐨 𝐝𝐞 𝐞𝐬𝐜𝐨𝐥𝐡𝐚 𝐞 𝐩𝐫𝐨𝐭𝐞𝐠𝐞𝐫 𝐚 𝐚𝐠𝐫𝐢𝐜𝐮𝐥𝐭𝐮𝐫𝐚 𝐥𝐢𝐯𝐫𝐞 𝐝𝐞 𝐎𝐆𝐌.

𝐀𝐣𝐮𝐝𝐞-𝐧𝐨𝐬 𝐚 𝐩𝐫𝐞𝐬𝐞𝐫𝐯𝐚𝐫 𝐨 𝐧𝐨𝐬𝐬𝐨 𝐝𝐢𝐫𝐞𝐢𝐭𝐨 𝐝𝐞 𝐞𝐬𝐜𝐨𝐥𝐡𝐚 𝐞 𝐚 𝐧𝐨𝐬𝐬𝐚 𝐬𝐨𝐛𝐞𝐫𝐚𝐧𝐢𝐚 𝐚𝐥𝐢𝐦𝐞𝐧𝐭𝐚𝐫! 



O Contexto
A desregulamentação das NGTs irá comprometer as normas de segurança alimentar e o direito de escolha dos consumidores, sendo também provável que conduza a uma maior concentração no setor das sementes através do patenteamento de culturas alimentares.

Um artigo do Corporate Europe Observatory e da GMWatch mostra que os grupos de pressão da indústria tentam acalmar as preocupações sobre o impacto das culturas patenteadas com argumentos superficiais e enganosos. Uma sondagem recente revela que a maioria dos cidadãos da UE se opõe às patentes sobre plantas e animais.

Documentos de lóbi obtidos junto da Comissão Europeia revelam que: 
(1) os grupos de pressão da indústria Euroseeds e CropLife Europe, que representam multinacionais biotecnológicas como a Bayer e a Syngenta, minimizam os problemas associados às patentes e propõem «soluções» inadequadas, e 
(2) o grupo de pressão agrícola Copa-Cogeca emitiu um forte aviso contra as patentes, mas posteriormente silenciou-se sobre o assunto. Outros grupos agrícolas, como a Deutsche Bauern Verband e a ECVC, continuam a manifestar abertamente as suas objeções às patentes.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

Data center builders thought farmers would willingly sell land, learn otherwise


It seems that tech giants eyeing rural zones for data center development have underestimated how attached American farmers have grown to their lands in the decades they’ve been nurturing them.

Across the country, several farmers have firmly rejected eye-popping offers—sometimes in the tens of millions. These offers dwarf the value of their properties, but farmers have refused to put a price on the lands that they love most.

In a report on Monday, The Guardian highlighted a handful of cases nationwide where farmers’ refusals have frustrated plans to build data centers in areas long deemed rural.

It’s unclear how many farmers have received such offers, but rural lands have been increasingly targeted as demand for data centers to power AI has grown—most recently projected to increase by 165 percent by 2030. Globally, 40,000 acres are needed to support data center growth over the next five years, Hines Research estimated.

For “Silicon Valley executives,” rural areas are likely attractive due to “weak zoning protections, cheap power, and abundant water,” The Guardian reported.

It likely doesn’t help to sell the farmers these deals when they tend to come out of nowhere, following a knock on the door from a middleman who doesn’t make it clear who wants to buy the land or how the land would be used.

One 82-year-old Kentucky woman, Ida Huddleston, turned away a “Fortune 500 company” offering $33 million for 650 acres. NBC News reported that several of her neighbors received similar offers. Huddleston joined at least five other residents in the county who refused to move forward after learning they’d have to sign a non-disclosure agreement just to find out who they would be dealing with. Ultimately, Huddleston had to search public records to figure out that a data center was even being planned in the area, The Guardian reported. The lack of transparency is a problem, farmers have said, because what buyers want to do with the land matters.

“You don’t have enough to buy me out,” Huddleston told the company representatives when rejecting the deal. “I’m not for sale. Leave me alone, I’m satisfied.”

Notably, one resident in Huddleston’s county who received an offer, 75-year-old Timothy Grosser, even declined a proposal to “name your price” when a tech company sought to buy his 250-acre farm, The Guardian reported.

“There is none,” Grosser said.

The farm is where he “lives, hunts, and raises cattle” and where his grandson hunts a turkey every Christmas for the family feast.

“The money’s not worth giving up your lifestyle,” Grosser said.

Another farmer in Wisconsin, Anthony Barta, reportedly fretted about what would happen to his neighbors if he took a deal he was offered—showing the deep bonds of people whose farms have bordered each other for years. In his community, another farmer was offered between $70 million and $80 million for 6,000 acres.

“Me and my family, we own the farm and run close to 1,000 animals,” Barta said. “What would that do if that’s next to it? Can they even be there? You know, that’s our livelihood—the farm. We’re just concerned what, if it would go through, what would happen to us and our neighbors and farms and our community? What would happen to that?”

Some tech companies are apparently not taking “no” for an answer. At least one farmer who spent 51 years milking cows in Pennsylvania prior to the AI boom described tech companies as “relentless.”

Eighty-six-year-old Mervin Raudabaugh, Jr., found a creative solution to end the pressure to sell two contiguous farms. He reportedly staved off developers by turning to “a farmland preservation program dedicating taxpayer dollars toward protecting agricultural resources.”

By working with the program, Raudabaugh will only receive about one-eighth of what the developers were offering. But he said it’s worth it to know his land would be preserved for farming purposes and out of reach of persistent tech companies.

“These people have hounded the living daylights out of me,” Raudabaugh said.

Data center deals come amid fragile farm economy
For people in rural communities, data center fights go beyond concerns about water and electricity consumption—although those are concerns, too. Communities are defending the character of the land, which they don’t want to see suddenly disrupted by extensive construction, data center noise pollution, or untold environmental impacts from massive operations.

There are also public health concerns, as an attorney with environmental nonprofit Earthjustice, Jonathan Kalmuss-Katz, told The Guardian that the pollution new data centers will emit could possibly proliferate “forever chemicals” known as polyfluoroalkyl substances (PFAS).

“We know there are PFAS in these centers, and all of that has to go somewhere,” Kalmuss-Katz said. “This issue has been dangerously understudied as we have been building out data centers, and there’s not adequate information on what the long term impacts will be.”

Some rural communities are fighting to block rezoning requests that would allow developers to build data centers in areas previously zoned only for agricultural lands. But those fights are seemingly hard-won. At least one Michigan community sought to settle after a developer firm working for an unnamed tech company reportedly sued to push through a construction project on farmland.

For farmers, the data center deals come at a particularly difficult time financially. On Friday, the National Farmers Union issued a statement after the Supreme Court blocked the majority of Trump’s tariffs. In it, NFU President Rob Larew confirmed that “many family farmers and ranchers have already felt the consequences” of Trump’s tariffs, which have raised costs, disrupted sales, and triggered retaliations impacting US agricultural goods.

“In an already fragile farm economy, uncertainty has hit family operations hardest,” Larew said.

The deals also arrived at a time when the number of US farms is shrinking, continuing “a long-lasting trend of declining farm numbers,” Farm Journal reported this month. In total, the US lost about 15,000 farms in 2025, with no state reporting an increase in farms.

So far, not much farmland has been ceded to data centers, the report seemed to indicate, perhaps due to farmers who dig their heels in when developer representatives come knocking.

Perhaps particularly in this dire climate—where farms are shrinking and existing farms are cash-strapped from unpredictable tariffs—it seems notable that farmers are not being swayed by developers’ offers of what the Guardian described as “unimaginable riches.”

But Huddleston made it sound easy to turn down $33 million, because her ties to the land run deep. She told The Guardian that “four generations of the Huddleston family have watched the world change from the same fields,” while raising cattle and living off the land.

“My whole entire life is nothing but the land,” Huddleston said. “It’s provided me with anything and everything that I’ve needed for 82 years.”

sábado, 21 de fevereiro de 2026

Falcões aliados dos produtores de cereja, reduzindo 81% de danos na produção e evitando o uso de pesticidas

Mais exemplos de SBN em que os agricultores, morcegos e aves de rapina ambos beneficiam

Os quiriquiri, pequenos falcões, caçam ratos, voles e aves canoras que danificam as culturas de cerejeira. Há décadas que os agricultores adicionam caixas de nidificação para atraí-los.

Podemos tentar cá. Não conheço nenhuma iniciativa destas. Aumentávamos a população de falcões especialmente o Peneireiro-das-torres e Falcão-peregrino e reduzíamos não só o furtivismo assim como reduziríamos exactamente uma das causas principias da vulnerabilidade destas duas espécies: o uso de pesticidas. Segue o estudo académico no Estado de Michigan (27.11. 2025)

Produtores de cereja do Michigan encontram um aliado inesperado na segurança alimentar: os falcões
A colheita da cereja terminou há meses. Mas no norte do Michigan, alguns produtores já antecipam o ressurgimento primaveril de uma pequena ave de rapina que poderá beneficiar a colheita da próxima temporada.

O peneireiro-americano é o falcão mais pequeno dos EUA. Enquanto aves de rapina, os peneireiros dissuadem aves mais pequenas que gostam de petiscar os frutos dos agricultores. No entanto, uma nova investigação sugere que estes "seguranças alados" podem ter um benefício adicional: a segurança alimentar.

Isto de acordo com um estudo da Universidade Estadual de Michigan (MSU), publicado a 27 de novembro no Journal of Applied Ecology.

“É fascinante observá-los em voo”, afirmou a autora principal, Olivia Smith. Eles pairam no ar enquanto examinam o solo abaixo em busca de insetos, ratos e pequenas aves.

As novas descobertas mostram que, ao afugentarem as aves que picam as cerejas, os peneireiros também evitam que estas contaminem as culturas com os seus dejetos. Segundo os investigadores, a investigação poderá ajudar os agricultores a cultivar alimentos mais seguros e saudáveis, gerando maiores lucros.

O desafio do controlo de pragas
“É difícil manter as aves fora das plantações”, disse Smith, professora assistente de horticultura e membro do Programa de Ecologia, Evolução e Comportamento da MSU.

Os produtores já tentaram métodos como redes, dispositivos ruidosos, espantalhos e pulverizações, mas estas abordagens podem ser dispendiosas e nem sempre funcionam. Mesmo com medidas de controlo em vigor, os produtores de cereja doce em estados como Michigan, Washington, Califórnia e Oregon perdem anualmente entre 5% a 30% da sua produção devido às aves.

As aves famintas representam outro problema: defecam. Algumas pessoas receiam que a sujidade que deixam para trás possa estar contaminada com agentes patogénicos que causam doenças nos seres humanos. Assim, os investigadores decidiram verificar se atrair predadores para patrulhar os pomares poderia ajudar a reduzir os riscos.

Resultados da patrulha aérea
A equipa focou-se em caixas de ninhos instaladas em oito pomares de cereja doce no norte do Michigan e descobriu que os peneireiros — que dependem de cavidades em árvores e outras fendas existentes para criar os seus filhotes — instalaram-se rapidamente.

Posteriormente, registaram todas as aves que conseguiam ver ou ouvir à medida que a época da colheita se aproximava. A equipa descobriu que aves como tordos, estorninhos e graxas tinham muito menos probabilidade de visitar os pomares e devorar os frutos quando os peneireiros nidificavam por perto. Ao afugentarem os visitantes famintos, os peneireiros reduziram a probabilidade de danos nas cerejas em mais de dez vezes.

Mas a sua presença teve outro benefício. Os investigadores também encontraram menos sinais de dejetos de aves nas cerejeiras. A presença de peneireiros foi associada a uma redução de 3 vezes nos dejetos avistados nos ramos.

“Certamente, os peneireiros também defecam”, disse a autora sénior Catherine Lindell, professora associada emérita de Biologia Integrativa. No entanto, o número de aves frugívoras que eles mantêm fora do pomar compensa largamente esse facto, acrescentou. De facto, descobriram que as cerejeiras mais próximas das caixas de ninhos dos peneireiros tinham menos probabilidade de estar cobertas de dejetos.

Segurança alimentar e saúde pública
A análise de ADN revelou que 10% dos dejetos continham Campylobacter, uma bactéria que causa frequentemente doenças de origem alimentar, com sintomas como diarreia, febre e cólicas estomacais.

Os investigadores ressalvam que isto não significa que a próxima taça de cerejas vá causar dores de estômago; nenhum dos surtos de doenças alimentares causados por Campylobacter foi associado a cerejas. Da mesma forma, Smith acrescentou que poderá ser cedo demais para culpar as aves por culturas contaminadas. Apenas um surto foi rastreado até aves: um surto de Campylobacter em 2008 causado por grou-comuns migratórios em campos de ervilhas no Alasca.

Contudo, a investigação sugere que os peneireiros poderiam ser uma forma de melhorar a segurança alimentar noutras culturas que têm sido associadas a surtos, como os vegetais de folha verde.

“Eles são realmente bons a manter o nível de dejetos baixo”, disse Olivia Smith. “Isso significa menos oportunidades de transmissão.”

“Isto não resolverá todos os problemas de aves que os agricultores enfrentam”, admitiu. Um dos problemas de depender dos peneireiros, por exemplo, é que eles têm mais probabilidade de se estabelecerem em algumas regiões do que noutras.

“Mas é uma ferramenta de baixo custo e baixa manutenção para os produtores utilizarem no seu conjunto de ferramentas de gestão de aves”, concluiu Lindell.

Leituras adicionais

terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

O fascínio das corujas

Fotografia do meu Amigo Luís Aguiar

O Fascínio das Corujas: As Guardiãs Silenciosas da Noite
As corujas sempre ocuparam um lugar ambíguo no imaginário humano. De símbolos da sabedoria na Grécia Antiga a presságios de mistério em outras culturas, essas aves de rapina noturnas dominam a escuridão com uma eficiência biológica que beira a perfeição. Mas o que, exatamente, alimenta esse fascínio das corujas? A resposta está na sua anatomia altamente especializada.

Engenharia Biológica: Feitas para a Invisibilidade
A biologia das corujas é um testemunho da evolução adaptativa. Enquanto outros predadores confiam na velocidade ou na força bruta, a coruja domina através da furtividade.

1. O Voo Fantasmagórico
Ao contrário de um pombo ou de uma águia, cujo bater de asas produz um som característico, o voo da coruja é praticamente inaudível. Isso se deve às fímbrias: serrilhas nas bordas das penas que quebram a turbulência do ar, permitindo que a ave se aproxime da presa sem ser detectada.

2. Visão de Túnel (literalmente)
Os olhos de uma coruja não são globos oculares, mas sim estruturas tubulares alongadas. Essa forma permite uma retina maior e, consequentemente, uma capacidade de absorção de luz extraordinária. No entanto, por serem tubulares, elas não conseguem mover os olhos. Para compensar, a natureza as dotou de 14 vértebras cervicais (o dobro dos humanos), permitindo uma rotação de cabeça de até 270°.

3. Audição em 3D
Muitas espécies possuem aberturas auditivas assimétricas. Essa diferença de altura entre os ouvidos permite que o cérebro processe o som com um "atraso" milimétrico, criando um mapa mental tridimensional da localização da presa, mesmo que ela esteja escondida sob folhas ou neve.

O Fascínio sob a Óptica Científica
O fascínio pelas corujas não é apenas estético; é ecológico. Como predadores de topo, elas são indicadores fundamentais da saúde de um ecossistema. 
As corujas são sentinelas do ecossistema. O estudo de suas egagropilas (pelotas de restos não digeridos) é uma das ferramentas mais ricas para entendermos a biodiversidade local.
Onde há corujas saudáveis, há um controle eficiente de populações de roedores e um ambiente equilibrado.

Referências para Estudo

1. Para quem deseja aprofundar-se na biologia dessas aves, recomendamos as seguintes fontes:
  1. BACKHOUSE, Frances. Owls: Our Most Charming Bird. Firefly Books, 2021.
  2. CATRY, Paulo; COSTA, Helder; ELIAS, Gonçalo; MATIAS, Rafael. Aves de Portugal: Ornitologia do Território Continental. Assírio & Alvim, 2010.
  3. ELIAS, Gonçalo; et al. Aves de Portugal
  4. KÖNIG, Claus; WEICK, Friedhelm. Owls of the World. Yale University Press, 2008.
  5. MULLARNEY, Killian; SVENSSON, Lars. Guia de Aves (Edição portuguesa da Assírio & Alvim).
2. Estudos Académicos e Conservação
  1. ROQUE, Inês. Ecologia e Conservação de Rapinas Noturnas em Portugal. (Pesquisadora da Universidade de Évora e do ICAAM, com vasto trabalho sobre a Coruja-do-mato e o Mocho-galego).
  2. TOMÉ, Ricardo. Estudos sobre a dieta e habitat da Asio otus (Bufo-pequeno) e Tyto alba (Coruja-das-torres) em zonas agrícolas portuguesas.


segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

Rescaldo das eleições presidenciais - desafios a António Seguro para derrubar o populista e fascista André Ventura


Estudos sobre populismo de direita mostram que condição económica (rendimento, precariedade, frustração com mobilidade social) é um dos motores centrais do voto radical, muitas vezes mais do que a escolaridade isolada. Os candidatos derrotados de centro e centro-direita somaram cerca de 40% dos votos. Agora o debate será António Seguro atrair o centro e centro-direita, activando propostas inequívocas de progresso social e recusar/ denunciar o discurso racista e populista de André Ventura.
Proponho também a António Seguro que seja claro do que esperamos dele enquanto Presidente nas questões ambientais.
O País, incluindo Madeira e Açores tem 1,7 milhões de km² de águas marítimas e uma plataforma continental que pode chegar a 4 milhões de km². O que pensa sobre isso: segurança nacional apenas ou investimento na Economia Azul? Vemos o mar sempre de costas voltadas, quando bem gerido, é uma nova "indústria", salvaguardando o património pesqueiro. O sector energético também é fulcral. Onde e como vamos fazer a transição verde? Outro aspecto importante é a nossa biodiversidade e turismo. Como equilibrar as duas valências? Qual é a política florestal mais adequada ao Continente? Que compromissos fará com as cadeias de abastecimento e a agricultura biológica? Qual é a sua posição em relação ao REACH, Codex Alimentarius e a prevalência do princípio ecológico da precaução? 
Em Portugal estima‑se que existam atualmente cerca de 200 mil pessoas a viver com diagnóstico de cancro nos últimos 5 anos, e surgem perto de 60–70 mil novos casos por ano.
Áreas de Ciências da Vida, incluindo Biologia, registam 0-2% de desemprego em estudos recentes, superando Engenharia (média 5-10%, com picos em Civil a 23%) e superadas apenas por Saúde (0-1%). Como melhorar os seus salários, para evitar a emigração?
A Inteligência Artificial é o novo mercado. O que António Seguro pensa sobre isso? Não chega os unicórnios das Web Smmit. Queremos saber acção concreta, atraindo os nossos jovens qualificados para esta área em grande crescimento.
Ventura, por sua vez, muito provavelmente vai retratar a esquerda como uma ameaça a Portugal e responsável por muitos dos problemas que o país enfrenta hoje.
E ainda não está claro se ele vai redobrar a aposta em discursos que têm causado controvérsia pública - como cartazes com mensagens ofensivas a populações imigrantes do Sul da Ásia e ciganos - ou se adoptará um tom mais moderado e pragmático para conquistar eleitores de centro.
Ventura, como bom "artista" político que é (e farsante), apareceu vestido de roupa militar, num de seus últimos discursos e prometeu acabar com “os privilégios das minorias” e “não dar nem um cêntimo para políticas de identidade de género”. Diz que ama os animais, mas apoia a tourada. Ele conhece a frustração dos jovens masculinos vs femininos. Quantas mulheres votarão contra a supressão das políticas de acesso ao trabalho e emprego estável? Quase 8 milhões de posts falsos, com desinformação, foram registados na campanha política- 85% deles partiram de Ventura. Olho também nos media. Quanto é a falência dos meios de comunicação?
As intenções de Catarina, António Filipe e José Pinto foram declaradas nas intervenções sobre os resultados eleitorais: votar Seguro.
Cotrim, Passaláqua e Mendes basicamente declararam não apontar para algum lado legitimando Ventura como uma "direita moderada" do sistema.
Juntos na derrota do Ventura. Pela democracia, sempre!

Louva-a-deus - auxiliares da agricultura biológica


O louva-a-deus é um inseto que fascina os humanos há séculos. Os registos mostram que os antigos egípcios, assírios e gregos, acreditavam que o louva-a-deus tinha poderes proféticos e sobrenaturais. Eram capazes de identificar a localização de objetos, animais ou pessoas perdidas. Na França antiga, acreditavam que um louva-a-deus era capaz de levar uma criança perdida para casa.

Nos nossos dias, o louva-a-deus ainda é considerado especial. Em algumas partes de África, acreditam que traz boa sorte se um louva-a-deus pousar num humano. Na China e no Japão, o louva-a-deus é reverenciado por seus movimentos graciosos e formas contemplativas. Inclusive, os seus movimentos inspiraram dois estilos conhecidos de antigas artes marciais chinesas. São muitas vezes vitos como um símbolo de equilíbrio e paciência. Antes de atacar, eles observam atentamente os seus alvos e são conhecidos por fazerem poses estratégicas.

Os louva-a-deus são insetos pertencentes à Ordem Mantodea (do grego mantis - profeta; eidos - aparência). É, por isso, fácil perceber a origem do nome louva-a-deus.  Deve-se ao modo como seguram a frente de seus corpos e posicionam suas enormes patas dianteiras quando estão em repouso, parece que eles estão a orar ou a meditar. 

Atualmente, são conhecidas mais de 2.000 espécies de louva-a-deus e podem ser encontrados em todos os continentes, exceto na Antártida. A maioria das espécies habita ambientes tropicais e subtropicais. O tamanho varia muito consoante a espécie. Podem ir dos 3 aos 8 cm, embora algumas espécies tropicais podem crescer até aos 20 cm ou mais.

Em Portugal, são conhecidas nove espécies. A mais abundante é o louva-a-deus-comum (Mantis religiosa). É uma das espécies que atinge maiores dimensões com as fêmeas a atingirem oito centímetros de comprimento.

São especialistas em camuflagem e mimetismo. Muitas vezes, estão ao nosso lado e nem os vemos. A cor mais comum é o verde ou o castanho. Contudo, muitas espécies assumem a cor do seu habitat que as rodeia. Eles podem imitar folhas, galhos, flores e até outros insetos. Algumas espécies tropicais conseguem assemelhar-se tanto com flores que alguns polinizadores chegam a pousar neles em busca de néctar.

A sua estrutura também é fantástica. Têm pescoço longo e flexível que se dobra facilmente, permitindo que girem a cabeça 180° de um lado para o outro, dando-lhes um campo de visão de 300°. Na cabeça, têm uma armadura bucal trituradora, antenas longas e delgadas, grandes olhos capazes de focar o mesmo local ao mesmo tempo e 3 ocelos (órgãos sensoriais que detetam a intensidade e direção da luz, mas não são capazes de formar imagens) entre as antenas. Tórax longo. As patas anteriores são preênseis, com espinhos que ajudam a reter a presa. A rapidez destas é tal que podem caçar moscas em voo.

São animais solitários. As fêmeas são maiores do que os machos. Embora possuam asas, são fracos voadores (as fêmeas voam pior do que os machos). O acasalamento do louva-a-deus ocorre entre agosto e outubro. É frequente a fêmea comer o macho durante ou após a cópula, começando pela cabeça, pois os gânglios nervosos que controlam os movimentos de cópula são controlados nos abdominais que são devorados no fim.

A postura dos ovos ocorre no outono. Os ovos são depositados juntamente com uma espuma que endurece, constituindo uma ooteca (involucro) que pode conter entre 200 a 300 ovos. As larvas emergem na primavera (maio/junho) já com o inseto plenamente desenvolvido.

Utilidade do Louva-a-deus na horta
A sua utilidade na horta é reconhecida há muito tempo. É um dos insetos auxiliares mais uteis. Têm um apetite voraz e comem tudo que lhes passe pela frente, moscas, mosquitos, formigas, traças, grilos, afídios ou gafanhotos e por vezes, podem até alimentar-se de presas três vezes maiores do que eles. Também comem insetos benéficos na horta, mas a sua preferência é pelos insetos que coincidentemente causam os maiores danos às culturas da horta.

Quase sempre atacam de emboscada aproveitando as suas capacidades de camuflagem. Com muita paciência, esperam que as suas presas estejam suficientemente perto, e de seguida, num décimo de segundo, desferem um golpe certeiro com as patas anteriores que são como garras e ajudam a segurar a presa enquanto é consumida.

As crias são caçadoras vorazes logo desde o início. À medida que vão crescendo, o tamanho das suas presas vai aumentando de modo correspondente.

Contrariamente ao que alguns dizem, o louva-a-deus não é venenoso.

São uma ajuda importante no controlo de pragas na horta.

terça-feira, 16 de dezembro de 2025

Webinar - Indicadores Biológicos do Solo: Métodos de Amostragem


A Direção-Geral de Agricultura e Desenvolvimento Rural (DGADR) e a Parceria Portuguesa para o Solo promovem, no próximo dia 12 de dezembro, um webinar dedicado aos indicadores biológicos do solo e aos respetivos métodos de amostragem, dirigido a técnicos envolvidos no aconselhamento agrícola

A ação de capacitação, realizada em formato webinar, tem como principal objetivo apresentar os métodos utilizados na recolha e análise de indicadores biológicos que permitem avaliar a saúde do solo, reforçando a importância de protocolos padronizados e boas práticas durante o processo de amostragem.

A sessão será conduzida por Ruth Pereira, investigadora da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto e do centro GreenUPorto – Centro de Investigação em Produção Agroalimentar Sustentável. A oradora abordará princípios e exemplos de aplicação de técnicas como o ensaio de bait-lamina, atividades enzimáticas, respiração do solo, diversidade da fauna edáfica e outros indicadores utilizados na monitorização funcional do microbioma.

A formação destina-se a técnicos com formação superior em ciências agrárias, especialmente aqueles que actuam no aconselhamento agrícola nas áreas relacionadas com o Plano de Fertilização.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2025

UE: derrube a proibição contra os «hambúrgueres vegetais»

Uma estranha disputa está em curso na Europa – e tem a ver com o futuro da nossa alimentação. Dezoito governos estão empenhados em proibir termos como «hambúrguer vegetal» e «salsicha à base de plantas» – censurando alimentos sustentáveis para agradar ao lobby da carne.

Ao menos desta vez, a Alemanha decidiu defender o bom senso pelo futuro da nossa alimentação. Mas mesmo o poderoso governo alemão enfrenta uma batalha difícil: a oposição de um grande bloco de outros países e uma forte pressão por parte de grupos de lobby corporativos.

Nós podemos ajudar. Se a opinião popular mostrar seu apoio aos "hambúrgueres vegetais", isso pode ajudar as autoridades a se manterem firmes nas negociações e a convencerem outros países a aderirem à causa.

Vamos invadir Berlim e outras grandes capitais com um apelo urgente: barrar essa proibição e manter os hambúrgueres vegetais no menu. Assine agora e vamos entregar o nosso apelo diretamente aos negociadores da UE e aos deputados do Parlamento Europeu antes de eles se reunirem. Não vamos deixar que o lobby da carne dite as regras do nosso planeta ou do que comemos.

Assine e partilhe a petição

sexta-feira, 5 de dezembro de 2025

Over a pint in Oxford, we may have stumbled upon the holy grail of agriculture

I knew that a revolution in our understanding of soil could change the world. Then came a eureka moment – and the birth of the Earth Rover Program

It felt like walking up a mountain during a temperature inversion. You struggle through fog so dense you can scarcely see where you’re going. Suddenly, you break through the top of the cloud, and the world is laid out before you. It was that rare and remarkable thing: a eureka moment.

For the past three years, I’d been struggling with a big and frustrating problem. In researching my book Regenesis, I’d been working closely with Iain Tolhurst (Tolly), a pioneering farmer who had pulled off something extraordinary. Almost everywhere, high-yield farming means major environmental harm, due to the amount of fertiliser, pesticides and (sometimes) irrigation water and deep ploughing required. Most farms with apparently small environmental impacts produce low yields. This, in reality, means high impacts, as more land is needed to produce a given amount of food. But Tolly has found the holy grail of agriculture: high and rising yields with minimal environmental harm.

He uses no fertiliser, no animal manure and no pesticides. His techniques, the result of decades of experiment and observation, appear to enrich the crucial relationships between crops and microbes in the soil, through which soil nutrients must pass. It seems that Tolly has, in effect, “trained” his soil bacteria to release nutrients when his crops require them (a process called mineralisation), and lock them up when his crops aren’t growing (immobilisation), ensuring they don’t leach from the soil.

So why the frustration? Well, Tolly has inspired many other growers to attempt the same techniques. Some have succeeded, with excellent results. Others have not. And no one can work out why. It’s likely to have something to do with soil properties. But what?

Not for the first time, I had stumbled into a knowledge gap so wide that humanity could fall through it. Soil is a fantastically complex biological structure, like a coral reef, built and sustained by the creatures that inhabit it. It supplies 99% of our calories. Yet we know less about it than any other identified ecosystem. It’s almost a black box.

Many brilliant scientists have devoted their lives to its study. But there are major barriers. Most soil properties cannot be seen without digging, and if you dig a hole, you damage the structures you’re trying to investigate. As a result, studying even basic properties is cumbersome, time-consuming and either very expensive or simply impossible at scale. To measure the volume of soil in a field, for example, you need to take hundreds of core samples. But as soil depths can vary greatly from one metre to the next, your figure relies on extrapolation. This makes it very hard to tell whether you’re losing soil or gaining it. Measuring bulk density (the amount of soil in a given volume, which shows how compacted it might be), or connected porosity (the tiny catacombs created by lifeforms, a crucial measure of soil health), or soil carbon – at scale – is even harder.

So farmers must guess. Partly because they cannot see exactly what the soil needs, many of their inputs – fertilisers, irrigation, deep ploughing – are wasted. Roughly two-thirds of the nitrogen fertiliser they apply, and between 50% and 80% of their phosphorus, is lost. These lost minerals cause algal blooms in rivers, dead zones at sea, costs for water users and global heating. Huge amounts of irrigation water are also wasted. Farmers sometimes “subsoil” their fields – ploughing that is deep and damaging – because they suspect compaction. The suspicion is often wrong.

Our lack of knowledge also inhibits the development of a new agriculture, which may, as Tolly has done, allow farmers to replace chemical augmentation with biological enhancement.

So when I came to write the book, I made a statement so vague that it reads like an admission of defeat: we needed to spend heavily on “an advanced science of the soil”, and use it to deliver a “greener revolution”. While we know almost nothing about the surface of our own planet, billions are spent on the Mars Rover programme, exploring the barren regolith there. What we needed, I argued, is an Earth Rover programme, mapping the world’s agricultural soils at much finer resolution.

I might as well have written “something must be done!” The necessary technologies simply did not exist. I sank into a stygian gloom.

At the same time, Tarje Nissen-Meyer, then a professor of geophysics at the University of Oxford, was grappling with a different challenge. Seismology is the study of waves passing through a solid medium. Thanks to billions from the oil and gas industry, it has become highly sophisticated. Tarje wanted to use this powerful tool for the opposite purpose – ecological improvement. Already, with colleagues, he had deployed seismology to study elephant behaviour in Kenya. Not only was it highly effective, but his team also discovered it could identify animal species walking through the savannah by their signature footfall.

By luck we were both attached, in different ways, to Wolfson College, Oxford, where we met in February 2022. I saw immediately that he was a thoughtful man – a visionary. I suggested a pint in The Magdalen Arms.

I explained my problem, and we talked about the limits of existing technologies. Was seismology being used to study soil, I asked. He’d never heard of it. “I guess it’s not a suitable technology then?” No, he told me, “soil should be a good medium for seismology. In fact, we need to filter out the soil noise when we look at the rocks.” “So if it’s noise, it could be signal?” “Definitely.”

We stared at each other. Time seemed to stall. Could this really be true?

Over the next three days, Tarje conducted a literature search. Nothing came up. I wrote to Prof Simon Jeffery, an eminent soil scientist at Harper Adams University, whose advice I’d found invaluable when researching the book. I set up a Zoom call. He would surely explain that we were barking up the wrong tree.

Simon is usually a reserved man. But when he had finished questioning Tarje, he became quite animated. “All my life I’ve wanted to ‘see’ into the soil,” he said. “Maybe now we can.” I was introduced to a brilliant operations specialist, Katie Bradford, who helped us build an organisation. We set up a non-profit called the Earth Rover Program, to develop what we call “soilsmology”; to build open-source hardware and software cheap enough to be of use to farmers everywhere; and to create, with farmers, a global, self-improving database. This, we hope, might one day incorporate every soil ecosystem: a kind of Human Genome Project for the soil.

We later found that some scientists had in fact sought to apply seismology to soil, but it had not been developed into a programme, partly because the approaches used were not easily scalable.

My role was mostly fixer, finding money and other help. We received $4m (£3m) in start-up money from the Bezos Earth Fund. This may cause some discomfort, but our experience has been entirely positive: the fund has helped us do exactly what we want. We also got a lot of pro-bono help from the law firm Hogan Lovells.

Tarje, now at the University of Exeter, and Simon began assembling their teams. They would need to develop an ultra-high-frequency variant of seismology. A big obstacle was cost. In 2022, suitable sensors cost $10,000 (£7,500) apiece. They managed to repurpose other kit: Tarje found that a geophone developed by a Slovakian experimental music outfit worked just as well, and cost only $100. Now one of our scientists, Jiayao Meng, is developing a sensor for about $10. In time, we should be able to use the accelerometers in mobile phones, reducing the cost to zero. As for generating seismic waves, we get all the signal we need by hitting a small metal plate with a welder’s hammer.

On its first deployment, our team measured the volume of a peat bog that had been studied by scientists for 50 years. After 45 minutes in the field, they produced a preliminary estimate suggesting that previous measurements were out by 20%. Instead of extrapolating the peat depth from point samples, they could see the wavy line where the peat met the subsoil. The implications for estimating carbon stocks are enormous.

We’ve also been able to measure bulk density at a very fine scale; to track soil moisture (as part of a wider team); to start building the AI and machine learning tools we need; and to see the varying impacts of different agricultural crops and treatments. Next we’ll work on measuring connected porosity, soil texture and soil carbon; scaling up to the hectare level and beyond; and on testing the use of phones as seismometers. We now have further funding, from the UBS Optimus Foundation, hubs on three continents and a big international team.

Eventually, we hope, any farmer anywhere, rich or poor, will be able to get an almost instant readout from their soil. As more people use the tools, building the global database, we hope these readouts will translate into immediate useful advice. The tools should also revolutionise soil protection: the EU has issued a soil-monitoring law, but how can it be implemented? Farmers are paid for their contributions “to improve soil health and soil resilience”, but what this means in practice is ticking a box on a subsidy form: there’s no sensible way of checking.

We’re not replacing the great work of other soil scientists but, developing our methods alongside theirs, we believe we can fill part of the massive knowledge gap. As one of the farmers we’re working with, Roddy Hall, remarks, the Earth Rover Program could “take the guesswork out of farming”. One day it might help everyone arrive at that happy point: high yields with low impacts. Seismology promises to shake things up.

E-Livro: Regenesis, by George Monbiot

sexta-feira, 26 de setembro de 2025

Valpaços foi distinguida como Cidade Biológica Europeia de 2025


O galardão reconhece o compromisso da cidade transmontana com práticas sustentáveis, a promoção de produtos locais e a integração da produção biológica na estratégia de desenvolvimento regional. O município português, com mais de 14 500 habitantes, é líder nacional em agricultura biológica e em sustentabilidade integrada, contando com 516 produtores biológicos certificados, o maior número em Portugal. A educação para a sustentabilidade, as medidas ambientais e a inovação estão no centro da sua estratégia, apoiadas por uma liderança política empenhada, pela cooperação interinstitucional e por políticas inclusivas. Os “tesouros biológicos” de Valpaços incluem produtos DOP e IGP premiados, como vinho, azeite, amêndoas, castanhas e mel.

O Comissário Europeu para a Agricultura e a Alimentação, Christophe Hansen, declarou: «Os vencedores dos Prémios Europeus da Produção Biológica são exemplos brilhantes do que o movimento biológico na Europa pode alcançar: combinam os mais elevados padrões ambientais com resiliência económica e envolvimento social. O seu trabalho demonstra que a agricultura biológica não só produz de uma forma sustentável, como também constrói comunidades e molda o futuro. Hoje celebramos as suas conquistas e homenageamos a força e o potencial de todo o setor biológico na Europa.»

Na cerimónia, o Comissário Hansen proferiu o discurso de abertura, seguido de uma mesa-redonda com representantes das instituições europeias, do organismo representativo dos agricultores COPA-COGECA e dos premiados.

Na sua quarta edição, os Prémios Europeus da Produção Biológica foram lançados em 2022 como um compromisso no âmbito do Plano de Ação para o Desenvolvimento da Produção Biológica, com o objetivo de reforçar o consumo de produtos biológicos. Na nova proposta relativa à Política Agrícola Comum, a União Europeia continuará a assegurar um forte apoio político à agricultura biológica, garantindo que o setor possa continuar a crescer e prosperar.

Mais informações sobre todos os vencedores de 2025 estão disponíveis nesta página

segunda-feira, 30 de junho de 2025

Agroecologia aumenta a fertilidade do solo, elimina o uso de adubos sintéticos e de pesticidas


De acordo com o estudo Análise da Agroecologia no nosso País, 2020 em Portugal, não existe uma legislação específica dedicada exclusivamente à agroecologia. No entanto, existem várias leis e medidas que apoiam a agricultura sustentável e práticas relacionadas, como a agricultura familiar, circuitos curtos de comercialização e agricultura biológica. Estas medidas indiretamente incentivam e promovem a agroecologia. 

Instrumentos Legais e Medidas de Apoio:

Agricultura Familiar:
A agricultura familiar é reconhecida e apoiada através de várias medidas, como o Programa de Desenvolvimento Rural (PDR 2020) e outras políticas que visam a sustentabilidade do setor agrícola.
Circuitos Curtos de Comercialização:
Existe legislação e medidas que incentivam a venda direta de produtos agrícolas do produtor ao consumidor, promovendo os circuitos curtos de comercialização, o que é uma prática central na agroecologia.

Agricultura Biológica:
A produção biológica é regulada por legislação específica e tem apoios financeiros, como os pagamentos agroambientais, que são um incentivo para a adoção de práticas agroecológicas. 

Ações e Políticas:
Programa de Desenvolvimento Rural (PDR 2020):
Este programa inclui medidas que visam a promoção da sustentabilidade ambiental e económica do setor agrícola, com foco na agricultura familiar e em práticas sustentáveis.

Estratégia Nacional para a Agricultura Biológica:
Esta estratégia estabelece metas e medidas para o desenvolvimento da produção biológica em Portugal, o que contribui para a prática agroecológica. 

Oportunidades e Desafios:
Apesar da falta de uma legislação específica, a agroecologia tem um papel crescente em Portugal, impulsionada por preocupações ambientais, de saúde pública e de sustentabilidade económica. Os desafios incluem a necessidade de maior investimento em investigação e desenvolvimento, a sensibilização dos consumidores e a criação de políticas públicas mais abrangentes para a agroecologia. 

Outros Estudos e Congressos

terça-feira, 20 de maio de 2025

Entrevista com Antoine de Saint-Affrique - O Futuro da Alimentação


Denis Panel (DP): Antoine de Saint-Affrique (ASA), muito obrigado por ter aceitado o nosso convite. É um enorme prazer. Como sabe, a Sycomore é especializada em investimento responsável e a Danone é uma das principais convicções das nossas equipas de gestão, pelo que estou muito contente por poder conversar consigo hoje.

ASA: Também estou muito feliz.

DP: Assumiu as rédeas da Danone há pouco mais de três anos, num momento crucial para o grupo, e encarna uma visão que é simultaneamente estratégica e profundamente enraizada nos desafios da transformação. Na Sycomore, valorizamos muito estas dinâmicas de transição e a liderança empenhada. Por isso, a minha primeira pergunta é muito simples: quais foram as principais viragens estratégicas tomadas pelo grupo sob a sua liderança desde a sua chegada que permitiram devolver o fôlego ao crescimento e aos resultados?

ASA: Há aqui uma combinação de vários fatores. O primeiro é que estamos a construir sobre bases que são extremamente fortes. Embora tenha encontrado uma empresa em crise, a cultura interna é extraordinariamente robusta e a paixão dos "danoners" é um ativo formidável para a empresa. Temos marcas fortíssimas e um negócio focado na saúde através da alimentação, o que é algo incrivelmente relevante. A partir desta base, reinventámos a empresa, voltando a colocar o ser humano no centro de tudo. Isto significou recuperar a dinâmica, a paixão pela execução, o compromisso no terreno e a abertura ao mundo. Reinvestimos de forma fundamental na investigação e na inovação, porque esse é o verdadeiro motor para o futuro e para continuarmos a criar valor diário para o consumidor e para os pacientes. Depois, é uma questão de execução, execução e mais execução. Isto dá ritmo à organização, mas também lhe confere uma cultura onde qualquer problema colocado em cima da mesa passa a ser visto como uma oportunidade. É, portanto, uma combinação de tudo isto. Houve também algumas medidas mais formais. À minha chegada, procedemos, juntamente com Gilles Schnepp, a uma mudança profunda na governação, com a renovação de quase todo o Conselho de Administração. Integrámos pessoas com uma vasta experiência, incluindo um professor de nutrição, sendo todos os restantes membros CEOs atuais ou recentes, com uma pegada internacional extraordinária e uma relevância de percurso incrível. Temos agora um Conselho extremamente forte. Além disso, quando precisamos de competências que não temos internamente, vamos procurá-las fora, como fizemos na Investigação e Desenvolvimento e nas Operações. E, finalmente, promovemos as gerações futuras. Com tudo isto, conseguimos impulsionar a empresa num ritmo e numa direção diferentes.

DP: Compreendo. Acabou por começar a responder à minha segunda pergunta, que era justamente sobre a transformação e as suas alavancas. Todos sabemos que qualquer transformação exige a adesão dos colaboradores, ou seja, o capital humano. Como trabalhou a cultura interna e a organização de liderança para motivar todos os colaboradores a entrarem nesta dinâmica?

ASA: O primeiro passo é manter o contacto direto. A cada 90 dias, eu e o meu Diretor Financeiro visitamos todas as regiões. Esta frequência tem vários objetivos. O primeiro é garantir que vivemos no mundo real: vemos os mercados, os fornecedores, os clientes e as equipas em ação no terreno todos os dias. O facto de o fazermos de forma recorrente dá ritmo à empresa e permite-nos entrar numa rotina de normalidade. Discutir os problemas abertamente ajuda-nos a ver, ao longo do tempo, quem apresenta resultados e quem não apresenta. Permite-nos compreender profundamente o tecido humano da organização e ajuda-nos também a transmitir a nossa visão e estratégia até aos níveis mais profundos da empresa. Esta é a vertente prática e de proximidade no terreno. Mas também tomamos medidas mais formais, como trabalhar os sistemas de remuneração para que fiquem totalmente alinhados com os objetivos estratégicos da empresa e com os interesses dos acionistas. E, por fim, tomamos decisões humanas. Temos pessoas que estão prontas para embarcar nesta aventura e outras que não estão preparadas ou que não têm o nível necessário para o fazer. Trata-se, portanto, de uma combinação de proximidade na gestão, clareza estratégica, uma estrutura de remunerações adequada e, acima de tudo, talento, talento e talento.

DP: Gostaria agora de voltar ao coração da atividade da Danone. Vemos que a oferta de alimentação saudável está a expandir-se, mas o comportamento dos consumidores às vezes demora a acompanhar essa mudança e a virar-se para opções mais saudáveis. Já sente o início de uma viragem nos hábitos de consumo e de que forma é que a Danone pode desempenhar um papel nesta transição?

ASA: Para nós, o mercado da alimentação está num ponto de viragem por vários motivos. Um deles é a consciencialização de que a diferença entre uma boa alimentação e uma alimentação menos boa tem consequências profundas na saúde. Estas consequências têm, naturalmente, um impacto individual, mas também um impacto social no custo da saúde e na sustentabilidade financeira dos próprios sistemas públicos de saúde. Neste momento de viragem — que se manifesta na alteração de certos hábitos, em ruturas tecnológicas como os medicamentos análogos do GLP-1 ou nas próprias políticas governamentais —, a Danone está extraordinariamente bem posicionada. E estamos bem posicionados por uma razão muito simples: o nosso foco exclusivo é a saúde através da alimentação para o maior número de pessoas. Esse é o nosso trabalho. E fazemo-lo desde o nascimento até ao momento em que possam surgir problemas de saúde. Vendemos leite infantil para o crescimento de bebés saudáveis (ou mesmo com necessidades específicas), produtos que ajudam a crescer e a manter a saúde, como o Actimel para reforçar a imunidade, ou o Activia para preservar a saúde do microbiota. E vamos ao ponto de conseguir ajudar quem enfrenta problemas de saúde graves, através de produtos de nutrição médica para doentes em tratamentos oncológicos ou indivíduos entubados. E esquecia-me da hidratação, claro, a hidratação também faz parte. O nosso negócio é a saúde através da alimentação e o nosso portefólio está exclusivamente concentrado nisso. De resto, o nosso portefólio conta atualmente com uma pontuação de 88% no sistema Health Star Rating, sendo um dos mais saudáveis do setor. Como este é o nosso negócio e a indústria está nesta fase de transição, sentimo-nos incrivelmente bem preparados para o mundo que aí vem.

DP:Perfeito. Para terminar, gostava que nos deixasse uma palavra sobre a inovação. O que significa a inovação na Danone hoje em dia?

ASA: A inovação está no centro de tudo o que a Danone sempre foi. Quando o senhor Isaac Carasso inventou o iogurte Danone em 1919, vendido em farmácias com base nos trabalhos de Metchnikoff e do Instituto Pasteur, isso foi uma inovação fundamental. A inovação sempre fez parte da nossa identidade. Nos últimos anos, reinvestimos massivamente em Investigação e Desenvolvimento porque estamos convictos de que a ciência é a base de uma inovação que seja simultaneamente relevante para o consumidor e com impacto real na saúde. Depois, isto traduz-se em várias vertentes. Passa pelo YoPro (ou IPro, dependendo do país), uma bebida proteica que ajuda na recuperação muscular de uma forma extremamente agradável. Não é um pó que se mistura com água e que não sabe bem; é um iogurte líquido que torna o que é saudável fácil e agradável de consumir, porque é genuinamente saboroso. Unimos o útil ao agradável. E vamos até às inovações absolutamente extraordinárias no campo da nutrição oncológica, apoiando a recuperação de pessoas em tratamentos oncológicos, ou, no outro extremo, com o Nurturis, que acabámos de lançar em Hong Kong — um leite infantil que é o produto mais próximo do leite materno que alguma vez desenvolvemos. Basicamente, o nosso trabalho consiste em pegar na ciência e traduzi-la em algo que traga valor real para o consumidor. É esse o nosso papel.

DP: Muito obrigado por partilhar todos estes elementos connosco, que são sem dúvida fascinantes. Mais uma vez, obrigado por ter aceitado o convite.

ASA: Foi um prazer. Muito obrigado.

domingo, 20 de abril de 2025

Insetos Benéficos para a Agricultura: Aliados Naturais no Controle de Pragas


Na agricultura sustentável, contar com uma diversidade de insetos benéficos 🐞 é essencial para manter o equilíbrio ecológico e controlar pragas. Esses pequenos aliados se dividem em dois grupos:

1. 🐝 Insetos Predadores
São aqueles que se alimentam diretamente das pragas que afetam as plantações 🌾. Alguns dos mais comuns incluem:
Vespa (Polistes): Com cerca de 2 cm, essas vespas se alimentam de lagartas e outros insetos nocivos 🐛, ajudando na redução de pragas em hortas e jardins 🌻.
Joaninha (Coccinellidae): Também conhecida como "mariquinha" 🐞, mede entre 2-5 mm e se alimenta vorazmente de pulgões, uma ameaça constante para culturas como tomate 🍅 e alface 🥬.
Libélula (Odonata): Com uma envergadura de 7,3 a 8,4 cm, este predador se alimenta de mosquitos e pequenos insetos voadores 🦟 que podem prejudicar as plantas 🌿.
Cavalinho-do-diabo (Odonata): Semelhante à libélula, é um excelente caçador de mosquitos e outros insetos aquáticos 🏞️.
Mosca-ladra (Asilidae): Mede entre 3 e 40 mm e se alimenta de insetos voadores, ajudando no controle de pragas como mosquitos e pequenos gafanhotos 🌾.
Larva de sírfideo: Com tamanhos entre 3 e 45 mm, essas larvas se alimentam de pulgões 🦗 e outros insetos de corpo mole, reduzindo infestações em culturas hortícolas 🥕.
Carabídeos (Carabidae): São besouros terrestres que caçam pragas noturnas 🌑, como lagartas e lesmas 🐌. Têm entre 2 e 60 mm de comprimento.
Cicindelídeos (Cicindelidae): Conhecidos como besouros-tigre 🐅, são predadores rápidos e vorazes de insetos pequenos 🐜, com tamanhos entre 2 e 60 mm.
Tesourinha (Dermaptera): Mede entre 1,4 e 2,3 cm e é um predador noturno 🌙 que se alimenta de pulgões, ácaros e outros pequenos insetos 🐞.

2. 🐜 Insetos Parasitoides
Esses insetos não caçam diretamente, mas depositam seus ovos dentro ou sobre as pragas 🐛. As larvas que emergem se alimentam da praga, controlando sua proliferação:
Mosca-taquinídea (Tachinidae): Mede entre 4 e 16 mm e ataca diversas pragas de lepidópteros (como lagartas 🐛), controlando sua expansão naturalmente.
Vespinha parasitoide (Braconidae): Mede entre 1 e 30 mm e deposita seus ovos dentro de lagartas 🦗, impedindo que causem danos a culturas como milho 🌽 e soja.
Vespinha parasitoide (Ichneumonidae): Mede entre 3 e 40 mm e ataca insetos de corpo mole, como lagartas e larvas de besouros 🐞, reduzindo sua reprodução.
🌿 Dica: Incentivar a presença desses insetos benéficos no cultivo, mantendo a biodiversidade e evitando pesticidas agressivos, contribui para uma agricultura mais equilibrada e sustentável!

sexta-feira, 5 de julho de 2024

A saúde das plantas e o seu impacto na economia, sustentabilidade social e ambiental


As pragas e doenças que afetam as plantas são, segundo a FAO – Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, responsáveis por cerca de 40% de perdas das culturas alimentares a nível global, pelo que o seu combate eficaz é determinante para o suprimento das necessidades alimentares mundiais, em particular dos países mais vulneráveis.

A globalização, o comércio internacional, as alterações climáticas, o movimento crescente de pessoas e bens, têm contribuído, nos últimos anos, para a dispersão de pragas e doenças entre países e entre continentes. Os seus efeitos podem ser devastadores na economia, sustentabilidade social e ambiental dos territórios afetados.

Em Portugal, atualmente, são inúmeras as ameaças fitossanitárias que podem causar danos importantes à nossa agricultura e floresta. A nossa grande diversidade de culturas e de espécies vegetais e as nossas condições climáticas favorecem a dispersão e estabelecimento de pragas e doenças e dificultam o seu combate, pelo que é de extrema relevância as ações de prevenção. São exemplo, a introdução do nematode da madeira do pinheiro que atinge atualmente praticamente toda a nossa área de pinheiro-bravo, o escaravelho da palmeira que dizimou, em poucos anos, a maior parte das nossas palmeiras. Culturas tão importantes como são, por exemplo, a pera Rocha, a laranja do Algarve, ou as nossas vinhas, são também atingidas por pragas e doenças, que, além de conduzirem a importantes perdas de produção e de qualidade, implicam grandes intervenções para o seu controlo, por vezes mesmo culminando na destruição total de pomares e vinhas.

É, portanto, reconhecida a crescente importância das autoridades fitossanitárias na criação de normas fitossanitárias que permitam atuar na prevenção e deteção precoce de pragas e doenças emergentes, e com capacidade de acionar, quando necessário e atempadamente, medidas de erradicação.
A Direção Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV), enquanto autoridade fitossanitária nacional, implementa dezenas de programas de prospeção fitossanitários em todo o território nacional. Igualmente em todos os portos marítimos e aeroportos nacionais, os serviços de inspeção fitossanitária são responsáveis pela inspeção a vegetais e produtos vegetais, limitando assim a possível entrada de pragas e doenças por via dos produtos importados, mas é premente informar que uma mera peça de fruta ou uma planta trazida na mala de viagem, pode esconder um inimigo para as nossas culturas e florestas.

Devemos estar preparados para enfrentar crises fitossanitárias, priorizando a prevenção por forma a reduzirmos os impactos económicos, ambientais e sociais derivados de ataques de pragas e doenças nas nossas culturas e na nossa floresta.

É também fundamental que a sociedade em geral assuma o seu papel na salvaguarda na saúde das plantas e entenda os desafios e as dificuldades que os agricultores enfrentam diariamente para assegurar o abastecimento de alimentos saudáveis, nutritivos e diversificados, assim como o seu papel determinante na manutenção das áreas rurais e da biodiversidade.

Visando aumentar a consciência de todos para esta problemática, a Autoridade Europeia da Segurança dos Alimentos (EFSA), lança a campanha #PlantHealth4Life que une os esforços conjuntos da EFSA, de 22 países europeus e da Comissão Europeia.

Cada um de nós pode ser um embaixador desta campanha, ajude a divulgá-la, porque a «Proteger as Plantas é Proteger a Vida».