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sexta-feira, 15 de maio de 2026

Poluição do carvão limita produção de energia solar


A energia solar tem sido descrita como a “estrela brilhante” da transição limpa da UE, mas cientistas alertam que a poluição causada pelo carvão está a comprometer a capacidade das renováveis de reduzir emissões.

Um novo estudo, liderado pela Universidade de Oxford e pelo University College London (UCL), mapeou e avaliou mais de 140.000 instalações de energia solar fotovoltaica (solar PV) em todo o mundo.

O estudo, publicado na revista científica Nature Sustainability, recorre a dados de satélite e da atmosfera sobre poluição do ar para calcular quanta luz solar se perde e de que forma isso reduz a produção de eletricidade.

Os investigadores concluíram que a poluição das centrais elétricas a carvão “reduz de forma significativa” a produção de energia das instalações solares fotovoltaicas, em especial onde ambos os tipos de capacidade estão a crescer em paralelo.

Como a poluição do carvão está a prejudicar a produção solar
O estudo alerta que os aerossóis (minúsculas partículas suspensas no ar) reduziram em 5,8 % a eletricidade solar à escala global em 2023.

Isto equivale a 111 terawatts-hora de energia perdida - a quantidade gerada por 18 centrais a carvão de média dimensão. Para se ter uma ordem de grandeza, um terawatt-hora corresponde aproximadamente ao consumo anual de eletricidade de 150 000 cidadãos da UE, segundo o Our World in Data.

Entre 2017 e 2023, as novas instalações fotovoltaicas acrescentaram, em média, 246,6 TWh de eletricidade por ano, enquanto as perdas relacionadas com aerossóis nos sistemas já existentes atingiram 74 TWh anuais - o equivalente a quase um terço dos ganhos com a nova capacidade, acrescenta o relatório.

Os investigadores defendem que isto evidencia uma “interação até agora não reconhecida” entre o uso de combustíveis fósseis e as energias renováveis, em que as emissões de um sistema afetam diretamente o desempenho do outro.

“Estamos a assistir a uma rápida expansão global das energias renováveis, mas a eficácia dessa transição é inferior ao que muitas vezes se supõe”, afirma o autor principal, Rui Song.

“À medida que o carvão e a energia solar crescem em paralelo, as emissões alteram o regime de radiação, comprometendo diretamente o desempenho da produção solar.”

Por que razão as centrais a carvão são más notícias para as renováveis?
O carvão é considerado a forma mais suja e poluente de produzir energia e é um dos principais motores do aquecimento global. Apesar de, no ano passado, as renováveis terem ultrapassado, pela primeira vez, a produção a partir de combustíveis fósseis, muitos países continuam dependentes das centrais a carvão, apesar dos seus impactos ambientais.

No mês passado, a Itália anunciou que adiava o encerramento definitivo das suas centrais a carvão até 2038, 13 anos além do prazo inicial. Organizações ambientalistas e a oposição de centro-esquerda criticaram a decisão, com o líder do partido ecologista Europa Verde, Angelo Bonelli, a acusar o governo de “negligência climática”.

As centrais a carvão emitem partículas poluentes finas que dispersam e absorvem a luz solar, reduzindo a quantidade que chega aos painéis solares nas proximidades. O Dr Song explica que a poluição atmosférica não se limita a bloquear a luz do sol, mas também altera as nuvens, o que pode reduzir ainda mais a produção solar.

“Isso significa que o impacto real é provavelmente maior do que o que medimos, pelo que podemos estar a sobrestimar o contributo da energia solar para a redução das emissões se não controlarmos a poluição das centrais a carvão”, acrescenta.

Este efeito foi particularmente evidente na China, onde a capacidade solar e a capacidade a carvão cresceram em paralelo e são muitas vezes implantadas na mesma zona. As regiões com elevada capacidade a carvão coincidiam em grande medida com as áreas que registaram as maiores perdas de produção solar fotovoltaica.

A China é o maior produtor solar do mundo e gerou 793,5 TWh de eletricidade solar fotovoltaica em 2023 (41,5 % do total global). Mas também registou as maiores perdas causadas por aerossóis, com a produção total reduzida em 7,7 %.

Os investigadores estimam que cerca de 29 % das perdas de solar fotovoltaica relacionadas com aerossóis na China se devam especificamente às centrais elétricas a carvão.

O coautor, Chenchen Huang, da Universidade de Bath, no Reino Unido, afirma que as conclusões do relatório constituem um “aviso claro” de que ignorar as perdas de energia solar causadas pela poluição pode levar a uma “sobreestimação sistemática da produção de energias renováveis por parte de governos, empresas e da sociedade em geral”.

“Para mantermos o rumo, as políticas têm de ter em conta este travão oculto e desviar os subsídios aos combustíveis fósseis do carvão”, acrescenta o Huang.

sexta-feira, 13 de março de 2026

The "Two mountains" dilemma


Humanity faces a defining choice: do we climb the green mountain of ecological health and community wellbeing, or the gold and silver mountain of endless economic growth that is destroying the foundations of life on Earth?

No country dramatises the conflict between these two competing choices more clearly than China. In elevating its Two Mountains Theory - that lucid waters and lush mountains are as valuable as mountains of gold and silver - China has done the world a paradoxical service. By naming the conflict explicitly, it reveals what most nations conceal: that they are trying to climb two mountains at once.

This two-part series explores the meaning and implications of China’s dilemma.
Part I examines the environmental paradox of China’s Two Mountains strategy: its leadership in renewables and ecological restoration alongside its continued promotion of coal.
Part II looks at the human and global consequences of the conflict and how they bear most heavily on the poor majority.

Together, these reflections underscore a simple truth: no climber can ascend two mountains at once. Humanity must choose.

The Origin of the Two Mountains Theory
In 2005, while serving as provincial party secretary of Zhejiang, Xi Jinping introduced what he called the Two Mountains Theory: lucid waters and lush green mountains are as valuable as mountains of gold and silver. At the time, it was Xi’s local call to temper economic development with environmental protection. When Xi rose to national power -becoming General Secretary of the Communist Party in 2012 and President of China in 2013 - he elevated the Two Mountains Theory to the level of national strategy.

The paradox is clear. China was the first nation to pledge itself to building an Ecological Civilisation. Yet it also continued its established commitment to growing its economy, including using coal as a significant energy source. By giving the contradiction a name [the Two Mountain Theory], China exposes the conflict and gives the world a mirror to view the conflict that every nation faces. Yet most try to obscure it with slogans of “green growth” or “sustainable development.”

Achievements that inspire
Whatever else one says about China, its achievements in ecological innovation are breathtaking in scale and speed. In 2023, China installed more than 217 gigawatts of new solar power capacity—over twice the combined annual additions of the United States and European Union. Reports for 2024 estimate China installed 329 gigawatts of new solar plus 79 gigawatts of wind.

This build-out reflects China’s immense scale. With a population of 1.4 billion people—more than double the combined populations of the US and EU—it faces enormous energy demand. Still, the speed of China’s renewable expansion shows what is technically and financially possible when policy aligns with ecological ambition.

China’s expansion of high-speed rail is equally impressive. Since the early 2000s, China has built more than 45,000 kilometres of high-speed rail—longer than the rest of the world’s networks combined. Trains traveling up to 350 km/h now connect nearly every major city, carrying hundreds of millions of passengers annually.

The achievement is unparalleled in modern history. By contrast, the US has yet to complete even a single true high-speed rail line. Europe’s networks are extensive, but still far smaller in scale. China’s population density and state-driven model give it unique advantages—but its success demonstrates that when a nation makes a clear commitment, massive infrastructure shifts are possible.

China also leads the world in electric mobility. Shenzhen became the first city to electrify its entire bus fleet - more than 16,000 vehicles - and then moved on to electrify taxis. Other cities quickly followed suit. Today, China operates more than half of the world’s electric buses.

Of course, buses alone cannot solve urban congestion, and car ownership continues to rise. But the pace of this transformation shows how quickly urban fleets can transition when backed by policy, subsidies and manufacturing capacity.

China has also undertaken ecological restoration at an unprecedented scale. Its Great Green Wall programme involves planting billions of trees to halt the spread of the Gobi Desert. On the Loess Plateau, decades of restoration have turned one of the world’s most degraded landscapes into fertile farmland, reducing soil erosion and improving rural livelihoods.

These projects have their own limits. Monoculture tree planting has sometimes failed. Ecological complexity is hard to replicate. Still, the scope of China’s efforts offers lessons for other regions facing desertification, from Africa’s Sahel region to India’s drylands.

China has also made urban resilience a priority. Through its “sponge city” programme, China is reimagining urban water management. Cities like Wuhan, Shanghai and Shenzhen are embedding wetlands, green roofs and permeable pavements to absorb rainwater, reduce flooding and disperse heat.

These experiments are not yet universal, and many cities still rely on traditional “grey infrastructure” like concrete drainage systems. But if scaled up effectively, sponge cities could become a global model for adapting to intensifying climate impacts.

Each of these accomplishments demonstrates the power of focused public investment and long-range planning. They also prove that rapid, large-scale transformation is possible.

Contradictions that alarm
Yet, China’s ecological ambition collides with another reality: its plans for continued economic expansion.

Coal addiction: despite its boom in renewable energy, China still generates more than half of its electricity from coal. Even as solar and wind expand, new coal plants continue to be approved. Each one locks in emissions for decades.

Industrial emissions: China is the world’s largest producer of steel and cement, two of the most carbon-intensive industries. They are the backbone of its infrastructure drive but exact steep ecological costs.

Mega-project disruptions: the celebrated Three Gorges Dam produces renewable electricity but displaced more than a million people and disrupted entire ecosystems. Other projects marketed as “green” carry similarly heavy environmental costs.

Governance gaps: environmental laws are tightening, but enforcement is often lax. Public participation is limited, and independent oversight remains weak.

For every inspiring green initiative there remains a countervailing commitment to fossil energy and industrial expansion. This is the Two Mountains paradox made visible.

Comparisons with others
China’s dilemma becomes well demonstrated in the EU and the US. While the EU leads the world in environmental regulation and citizen participation and has pioneered carbon pricing, it has been slow to build out the renewable infrastructure needed to meet its lofty goals. And in the US, we have world-class science, activism and technological innovation, yet fossil fuel interests have captured the politics, even more so under Donald Trump.

The Two Mountains Theory acknowledges the desire for both ecological health and economic expansion, even as it leaves unresolved the impossibility of achieving both. This may be China’s most important contribution to the world: not that it has solved the dilemma, but that it has made it visible. By holding up a mirror, China forces us all to see that the conflict is not uniquely Chinese - it is universal.

No climber can ascend two mountains at once. At some point, China—and all of us—must choose. For the sake of peace, for the wellbeing of the poor majority and for the survival of life itself, there will be no winners on a dead Earth. Humanity must climb the mountain of life.

Read part II here.

Saber mais:

The great divergence between the world’s two superpowers on climate policy continues. Chinese officials passed a major new environmental protection law on the last day of their annual policy meeting in Beijing.

Today’s Bloomberg Green explains what’s in the new legislation and what it means for Chinese climate policy going forward.

domingo, 25 de janeiro de 2026

Metade das emissões fósseis do mundo tem origem em apenas 32 empresas

Vitaliy Mashchenko (pintor Ucraniano, nascido em 1975)"Permanency", 2021


Apesar dos objetivos globais para a redução de emissões de gases com efeito de estufa, uma análise recente da Carbon Majors mostra que, em 2024, a poluição com origem na produção de combustíveis fósseis e cimento continuou a aumentar. A base de dados aponta que 166 produtores foram responsáveis por 34,7 gigatoneladas de CO2 equivalente, mais 0,8% do que no ano anterior.

O dado mais expressivo do relatório é a forte concentração das emissões em “apenas 32 empresas” que “estiveram associadas a mais de metade das emissões globais de CO2 provenientes de combustíveis fósseis e cimento em 2024”. Há cinco anos, eram 38 as empresas responsáveis por essa fatia de emissões, evidenciando uma tendência de concentração progressiva da produção poluente.

A maioria das 166 organizações são controladas pelo Estado, que representam “54% das emissões globais em 2024”, enquanto 93, com capital privado, originaram 23,7%. No topo da tabela, a concentração é ainda mais evidente, mostram os dados. “As dez empresas com maiores emissões, responsáveis em conjunto por 27,6% das emissões globais de CO2 fóssil em 2024, eram todas total ou maioritariamente detidas pelo Estado”, lê-se no relatório.

A base de dados Carbon Majors, gerida pela InfluenceMap, agrega informação histórica e atualizada sobre a produção de petróleo, gás, carvão e cimento, e atribui emissões às empresas produtoras e não aos países.

Os números de 2024 surgem num contexto climático particularmente crítico, já que aquele foi o ano em que, segundo o Copernicus, pela primeira vez a temperatura média global ultrapassou 1,5 graus acima dos níveis pré-industriais. No mesmo ano, as emissões globais de gases com efeito de estufa atingiram um novo máximo histórico e as emissões de CO2 provenientes da queima de combustíveis fósseis subiram para cerca de 38,6 gigatoneladas.

Em declarações citadas pelo The Guardian, Emmett Connaire, analista sénior da InfluenceMap, afirma que “as empresas petrolíferas e de gás têm sido, durante décadas, dos lóbis mais negativos para a política climática a nível mundial”. O responsável acrescenta que estas empresas “desenvolveram um manual de táticas que passa por enganar decisores políticos e a opinião pública, tendo feito campanha repetidamente contra políticas destinadas a permitir uma transição justa”.

Os dados do Carbon Majors estão, por isso, a ser cada vez mais utilizados como base para mecanismos de responsabilização. O relatório destaca que, no estado norte-americano de Nova Iorque, está em discussão legislação que poderá exigir até 75 mil milhões de dólares em compensações por danos climáticos a grandes produtores de combustíveis fósseis. Numa declaração citada no relatório, a senadora Liz Krueger defende que “é agora possível utilizar os registos das empresas para determinar a quantidade de produto colocada no mercado e traduzi-la num volume de gases com efeito de estufa emitidos para a atmosfera”.

Recorde-se que, de acordo com dados mais recentes do Copernicus, 2025 voltou a ser um dos anos mais quentes de sempre desde que há registo, apenas 0,01 graus abaixo de 2023 e 0,13 graus abaixo de 2024. Pela primeira vez, o planeta viveu três anos seguidos acima do limite de 1,5 graus definido pelo Acordo de Paris como sendo o teto máximo a manter até ao final deste século.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2025

Media Pushing Pro-LNG Report Didn’t Mention Author Worked for Oil and Gas Lobby Firm


Several Canadian media outlets gave prominent coverage in December to a new report arguing that exporting massive amounts of natural gas from British Columbia to Asia will be good for the global fight against climate change.

But stories in Canada’s national newspaper of record, The Globe & Mail, as well as an influential conservative outlet called The Hub, didn’t mention that one of the report’s authors worked for a lobby group that has represented some of the country’s largest oil and gas companies.

“A new report is giving fresh support to Canada’s ambition to be an energy superpower as the federal and B.C. governments push for increased exports of liquefied natural gas,” read the Globe story.

It noted that the report “stands in sharp contrast to studies from climate groups and environmental think tanks, which say the world needs to focus on renewable energy, not on fossil fuels such as LNG.”

The report was co-authored by Mark Cameron, who from 2022 to 2025 served as vice president, External Relations, with Pathways Alliance, a consortium of Canadian oil sands producers — a fact not mentioned by Globe reporter Brent Jang.

The Globe story also didn’t note that Cameron currently works as a senior associate with Bluesky Strategy Group, a lobbying firm that has counted major players in Canada’s fossil fuel sector — including Pathways, Cenovus, Pembina Pipeline and Cedar LNG — among its clients. Those clients are listed on the Bluesky site and in federal lobbying records.

The report, which was published by Public Policy Forum and the Canadian Chamber of Commerce, “reads more like an echo of industry narratives than a rigorous, independent assessment—while keeping its modelling and assumptions out of public view,” said Thomas Green of the David Suzuki Foundation, in a statement to DeSmog.

DeSmog reached out to the Globe and Mail and Cameron for comment but didn’t receive a response.

Bluesky Boasts of Connections to Media
The report rehashes an argument frequently made by oil and gas producers that exporting gas will reduce emissions worldwide because that gas will replace more polluting power sources such as coal.
Inez Jabalpurwala, president and CEO of the Public Policy Forum, said in a release that “the report’s conclusions counter the simplistic narrative that more oil and gas equals more emissions.

Though Cameron’s past affiliation with Pathways Alliance is mentioned in the report, his connection to Bluesky Strategy Group, where he is a senior associate, is not. Neither affiliation is mentioned in the statement accompanying the report that was published on the Canadian Chamber of Commerce’s website.

Bluesky describes itself as “a leading-edge, full-service public affairs firm based in Ottawa, Canada, with national and global reach.” The group says on its website that it has close “integrated” connections to Canadian media and boasts to clients that “Our team has the reach to get your story told where it will be seen and heard.”

A week after the LNG report was published, Cameron authored a commentary in The Hub, entitled “Here’s how Canadian oil and gas can fuel global emissions reductions.”

“While more Canadian exports are not automatically ‘good for the planet,’ under the right conditions, they can lower global emissions compared with the most likely alternatives,” he argued.

The Hub also didn’t note Cameron’s connection to Bluesky. But it appears to be a valuable outlet to land for the report, boasting that “Canadians engage two million times monthly with The Hub’s content, generating over 200,000 hours of user interaction.”

Bluesky says on its own site that “we connect clients to the right audiences, on the right platforms, whether in government, media, industry, or the public sphere.”

Dubious Climate Claims
Climate experts and advocates argue that the report significantly undercounts the climate impacts of natural gas exports.

“A Coal-to-LNG transition is being championed by fossil fuel exporters who are racing to make the last buck on LNG before the market gets flooded with oversupply,” said Emilia Belliveau, energy transition program manager with Environmental Defence, in a statement to DeSmog. “Countries transitioning off of coal and looking for energy security are better served by moving from coal directly to the clean energy technologies supplying and shaping the future like wind, solar and batteries.”

Scientists, environmentalists and energy economists have been consistently warning that there’s little evidence Canadian oil or gas resources will displace fossil fuel use elsewhere and that continued production of fossil fuels will exacerbate climate change and delay transition to renewables. Some liquid natural gas (LNG) projects in Canada are expected to be so carbon intensive they’ve been called ‘carbon bombs’.

DeSmog reached out to Rewa Mourad, strategic communications specialist with the Canadian Chamber of Commerce, as well as Alison Uncles, vice president of media and communications with the Public Policy Forum, with questions about the report. Mourad did not reply, while a spokesperson for the Public Policy Forum told DeSmog the group is fully transparent about Cameron’s role and experience.

Steven Haig, a policy advisor for IISD’s Energy Program, whose work focuses on oil and gas policy in Canada, is also unconvinced by the report’s conclusions.

“We’re unlikely to see a widespread global transition from coal to Canadian LNG,” he wrote in a statement to DeSmog.

quinta-feira, 6 de novembro de 2025

Cop30: Desmascarar os bloqueios e exigir acção real

Em novembro de 2025, Belém do Pará, no coração da Amazónia, acolherá a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (COP30). O lugar não é neutro: é o epicentro de uma floresta que regula o clima global e, ao mesmo tempo, uma das regiões mais ameaçadas pela desflorestação, pela exploração predatória e pela desigualdade social. Realizar a COP na Amazónia é um gesto político e simbólico: o debate climático no território onde se decide o destino do planeta.

Mas o simbolismo não basta. O mundo chega a Belém dividido, com emissões recorde e promessas incumpridas. A diplomacia climática vive uma crise de confiança, e os interesses fósseis continuam a ditar o ritmo da ação global. A COP30 será, por isso, um momento de verdade sobre o futuro coletivo da humanidade.

A crise climática é hoje uma evidência incontornável. Secas, cheias e ondas de calor extremo afetam todos os continentes e o tempo para agir esgota-se. O clima precisa de todos, mas sobretudo precisa de coragem política.

Mais de metade das emissões globais provém de empresas estatais sediadas em regimes autoritários. Das vinte maiores companhias de combustíveis fósseis do mundo, dezasseis são públicas e controladas por governos como os da China, Rússia, Irão e Arábia Saudita. Estes países tornaram-se o principal travão à descarbonização. A Rússia usa a energia como arma geopolítica; a China, responsável por cerca de 30 % das emissões globais, continua a construir centrais a carvão; o Irão e a Arábia Saudita financiam a dependência global do petróleo e bloqueiam sistematicamente o avanço dos acordos internacionais. Enfrentar esta realidade é uma exigência civilizacional.

Durante demasiado tempo, a diplomacia internacional preferiu o silêncio à verdade. Tratou por igual quem age e quem sabota, quem investe na transição e quem lucra com a destruição. Esse modelo está esgotado: não se vence uma emergência planetária com concessões a quem nega o futuro.

Mas a hipocrisia não é exclusiva das autocracias. Democracias como o Reino Unido, o Japão e o Canadá continuam a subsidiar combustíveis fósseis enquanto proclamam metas de neutralidade carbónica. Esta duplicidade mina a confiança global e fragiliza a liderança moral do mundo democrático.

A União Europeia deve abandonar a complacência e assumir o papel de força motora. É urgente aplicar de forma firme o ajustamento de carbono nas fronteiras, eliminar os subsídios ao petróleo e ao gás, e investir decisivamente na transição justa - dentro e fora de fronteiras. A diplomacia climática precisa de ser estratégica, transparente e corajosa.

A COP30 será um teste. Mais do que uma conferência, é a fronteira entre o discurso e a ação. O mundo precisa de recuperar a confiança na cooperação internacional e provar que ainda é capaz de convergir em torno do essencial: garantir um futuro habitável. A crise climática é também uma crise de desigualdade. Não haverá transição justa sem redistribuição de poder, de riqueza e de oportunidades. 

Combater a emergência climática é construir justiça social e regeneração económica. A humanidade precisa de decisões.

A justiça climática exige clareza, coragem e ação. Agora.

Diário de Coimbra, 4 de novembro de 2025

domingo, 28 de setembro de 2025

Colonialismo Verde - transição energética enriquece bilionários e devasta países do Sul, segundo a Oxfam


Os minerais para a transição energética, extraídos no Sul Global, estão a ser monopolizados pelos ultra-ricos do Ocidente, denuncia a Oxfam num relatório. Esta prática reforça padrões coloniais destrutivos.

Libertar os hidrocarbonetos do nosso quotidiano e voltar a nossa atenção para as energias renováveis. Este é o objectivo da transição energética, defendido e incentivado durante muitos anos em resposta à crise climática. No entanto, para promover esta transformação do sistema, são necessários minerais — lítio, cobalto, níquel e cobre —. E embora 70% deles se encontrem no subsolo do Sul Global, grande parte dos lucros acaba nos bolsos do 1% mais rico.

A 24 de setembro, a Oxfam divulgou um relatório que esclarece o funcionamento interno deste poderoso negócio. Segundo a ONG, os ultra-ricos — indivíduos, empresas e governos — estão a apropriar-se da transição em detrimento das comunidades de baixo rendimento. Não se trata de abandonar a lógica capitalista ou de questionar o consumo excessivo de energia. Também não se trata de imaginar uma partilha adequada dos lucros obtidos com os povos locais, que suportam o peso das repercussões nefastas da exploração mineira.

"Estes projetos envolvem frequentemente violência, trabalho forçado e danos ambientais."
Nesta corrida frenética aos minerais, os países do Sul Global estão a ver os seus recursos serem roubados e as suas terras confiscadas por multinacionais. "Estes projetos envolvem frequentemente violência, trabalho forçado e danos ambientais, e são implementados sem o consentimento das comunidades que vivem nos países em questão", escrevem os autores. Acrescentam: "Por outras palavras, a dinâmica que deu origem ao colonialismo histórico está a ressurgir em novas formas com a transição ecológica."

De acordo com o estudo da Oxfam, 60% dos territórios reconhecidos como terras indígenas estão ameaçados por projetos relacionados com a transição energética. Isto equivale à área total do Brasil, dos Estados Unidos e da Índia ou o dobro do tamanho do império colonial francês no seu auge. "Sem uma reforma urgente para proteger os direitos e os territórios, a transição apenas reforçará os padrões de mais de 500 anos de colonialismo energético, escravatura e exploração de biomassa na era do carvão e do petróleo", lamenta a Oxfam.

Tesla, a personificação do colonialismo verde
Uma alavanca fundamental na descarbonização do sector dos transportes, a conversão das frotas de veículos ocidentais para a energia eléctrica é uma clara ilustração deste desequilíbrio. Por um lado, as comunidades suportam os custos desta transição. Por outro, um bilionário vê o seu portefólio impulsionado pela crise climática.

Em 2024, a Tesla, propriedade do homem mais rico do mundo, Elon Musk, registou 5,63 mil milhões de dólares em lucros com a venda destes veículos elétricos. Ao mesmo tempo, a República Democrática do Congo recebeu apenas 17,5 milhões de dólares em royalties pelas enormes quantidades de minerais fornecidas para construir cada um destes automóveis — 3 quilogramas de cobalto por veículo.

A diferença é ainda mais abismal entre a fortuna do oligarca e o salário de uma pessoa que trabalha nas minas, estimado em 7 dólares por dia: "[Isto] significa que ele levaria quase dois anos a ganhar o que a Tesla ganha com um único carro", observam os autores.

França também envolvida
Elon Musk, que fez a saudação nazi no início deste ano, não é o único a lucrar à custa do Sul Global. A multinacional francesa TotalEnergies também utiliza esta estratégia. Em 2024, a sua subsidiária maioritária, a TE H2, lançou um projeto denominado Chbika em Marrocos. O objetivo? Desenvolver um gigawatt de capacidade solar e eólica onshore para alimentar a produção — através da eletrólise da água do mar dessalinizada — de hidrogénio verde, posteriormente transformado em amoníaco verde destinado ao mercado europeu.

Embora o conceito possa parecer obscuro, a intenção final é simples: fornecer à União Europeia recursos renováveis. Este visa atingir os objectivos definidos pelo plano REPowerUE, que visa reduzir a sua dependência dos combustíveis fósseis russos até 2027. Ou seja, Marrocos — bem como outros países do Sul Global, que detêm 70% do potencial eólico e solar do mundo — está excluído da transição devido à falta de financiamento acessível.

Mecanismos Financeiros Coloniais
"A arquitectura financeira internacional é [além disso] igualmente desequilibrada, uma vez que, moldada por séculos de poder colonial, continua a aprisionar os países de baixo rendimento numa dependência estrutural", refere o relatório. Quando um país rico investe num projecto de energia limpa, beneficia de taxas de juro de 3 a 6%. Por outro lado, quando o cliente é um país do Sul, os bancos inflacionam estas taxas para 13,5%. Por outras palavras, fornecer energia limpa a 100.000 pessoas custa 95 milhões de dólares ao Reino Unido mas 188 milhões de dólares à Nigéria. Esta diferença de tratamento justifica-se por uma percepção distorcida do risco, afirma o relatório, moldada por décadas de estereótipos negativos.

Os dados estão também viciados pela espiral da dívida em que as elites poderosas mergulharam os mais vulneráveis. "Os países ditos 'em desenvolvimento' têm uma dívida externa de 11,7 biliões de dólares, mais de 30 vezes o custo estimado para garantir o acesso universal à energia limpa até 2030", alerta a Oxfam. Esta espada de Dâmocles é um enorme obstáculo à sua transição energética.

Uma única estatística basta para demonstrar o absurdo da situação: 14% da energia consumida pelo 1% mais rico do planeta poderia satisfazer as necessidades energéticas básicas de todos aqueles sem electricidade. A grande maioria destas pessoas vive na África Subsariana. No entanto, em 2024, o continente terá captado apenas 2% do investimento global em energia limpa. Uma triste ironia que a Oxfam esteja a pedir o fim.

terça-feira, 1 de julho de 2025

Estudo reforça que a interferência humana no clima é mais antiga do que muitos imaginam

Com ferramentas modernas, cientistas teriam identificado no século XIX o impacto do CO₂ emitido pela queima de carvão e madeira na Revolução Industrial

Muito antes de a expressão “alteração climática” entrar no vocabulário da ciência, os primeiros sinais do impacto humano na atmosfera já estavam no ar. Um estudo publicado na revista PNAS indica que, se os cientistas da época tivessem acesso à tecnologia atual, teriam identificado indícios do aquecimento global já em 1885 - antes mesmo da invenção dos carros a gasolina.

A conclusão vem de uma simulação conduzida por investigadores do Laboratório Nacional Lawrence Livermore, nos Estados Unidos, em parceria com instituições como o Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) e a Universidade de Washington. A equipa partiu de um cenário hipotético: e se, desde 1860, fosse possível monitorizar globalmente a atmosfera com a precisão de satélites e balões meteorológicos modernos?

Naquela época, a queima acelerada de carvão e madeira já lançava grandes quantidades de dióxido de carbono na atmosfera - um subproduto da Revolução Industrial que iniciava os efeitos do aquecimento global.

A resposta veio por meio de um método de análise conhecido como fingerprint (impressão digital), que permite separar os efeitos naturais das alterações provocadas por humanos. Segundo os autores, esse padrão de interferência seria visível na forma de um arrefecimento na estratosfera - uma camada alta da atmosfera - causado pelo aumento do CO₂ e pela perda de ozono.

Por que razão a estratosfera arrefece e a Terra aquece?
Os gases do efeito de estufa atuam de maneira distinta nas camadas da atmosfera. Na parte mais baixa, a troposfera, eles retêm o calor irradiado pela superfície da Terra, provocando o aquecimento. Já na estratosfera, a camada seguinte, o acumulado desses mesmos gases intensifica a reflexão da radiação, fazendo com que parte do calor regresse ao planeta e que a própria estratosfera arrefeça.

Esse arrefecimento da estratosfera, segundo os autores, é um sinal inequívoco da ação humana e teria sido detetável com elevada confiança por volta de 1885. Mesmo com medições restritas ao hemisfério norte, os dados simulados indicam que o fenómeno seria percetível até 1894, apenas 34 anos após o início hipotético da monitorização climática global.

O que é que isto muda?
Na prática, o estudo reforça que a interferência humana no clima é mais antiga do que muitos imaginam. Embora a ciência só tenha começado a compreender o papel do CO₂ no aquecimento global a partir da década de 1970, os impactos da Revolução Industrial já estavam a ser registados na atmosfera um século antes.

Os investigadores alertam que os próximos 26 anos deverão trazer mudanças ainda mais intensas do que as observadas desde 1986, especialmente se não houver uma redução drástica no uso de combustíveis fósseis.

domingo, 22 de junho de 2025

A China utiliza máquinas gigantes de construção de ferrovias que impressionam pela escala e eficiência


A China utiliza máquinas gigantes de construção de ferrovias que impressionam pela escala e eficiência, impulsionando sua vasta rede ferroviária, uma das maiores e mais modernas do mundo. Equipamentos como as máquinas de colocação de trilhos, tuneladoras de grande porte e guindastes especializados permitem a construção rápida de linhas de alta velocidade em terrenos desafiadores, como montanhas e desertos.
Essas máquinas, muitas vezes automatizadas e equipadas com tecnologia de ponta, como sistemas de posicionamento a laser e controle por satélite, reduzem significativamente o tempo de construção e os custos, enquanto garantem precisão milimétrica.
Projetos como a ferrovia de alta velocidade Pequim-Xangai e a expansão da Rede Ferroviária Transasiática demonstram o papel crucial dessas máquinas no desenvolvimento da infraestrutura chinesa.


Críticas:
1. Pois o carvão quando e triturado com a extração fica os pó preso nas pedras e o trem em movimento esses pós começam a se desprender das pedras de carvão e com ventos da alta velocidade do trem vão se espalhando ao longo dos trilhos do trem ou espalhando se no ar por que os trilhos foram construídos nas alturas , isso gera a poluição do pó de carvão, pois já vi muitos camiões que descarregam e trajetória curta e o basculante joga o carvão sai um fumaça preta que é o pó do carvão, já pensou na quantidade de centenas de vagões, a quantidade desse pó, a China faz as obras, mas não vê a consequência que pode gerar no futuro,  por isso as extração de carvão tem séculos no mundo todo, mas ninguém construíu ferroviária aérea por motivo de espalhar esse pó de carvão que faz mal à saúde , só a China para gastar dinheiro em obras que vai prejudicar a população e nunca melhorar o nível de bem estar da saúde da população!

2. As obras na Chinas são grandiosas, mas ele não calcula as consequências da obra, por exemplo a hidroelétrica, a maior da China a hidroelétrica Três Garganta, quando abrem às comportas ao máximo, os rios abaixo não comportam o volume de água e provocando as enchentes em várias cidades , pois não fizeram rios que comportassem o volumes de águas em grandes quantidades, fizeram estrada em cima do mar lingando uma região a outra região, e o pior que ninguém usa essa estrada, pois viaja vários kms sem ver uma paisagem só água, uma viagem monótona que da até sono, e no temporada de sol fica horrível dirigir batendo no rosto do motorista, então veja o desperdício de dinheiro para grandes obras que não ajuda em nada à população da China, na verdade só atrapalha ou faz mal à população!


quarta-feira, 28 de maio de 2025

Combustíveis fósseis: Bruxelas diz que Portugal não cumpriu recomendações


Portugal não cumpriu as recomendações da Comissão Europeia para eliminar subsídios aos combustíveis fósseis até 2030, ser mais ambicioso na eficiência energética e responder às necessidades de investimento na transição climática.

A Comissão Europeia concluiu que Portugal "não respondeu" a três recomendações, incluindo a de eliminar subsídios aos combustíveis fósseis.

"O plano reconhece a necessidade de eliminar os subsídios aos combustíveis fósseis até 2030, em conformidade com os compromissos internacionais, mas não apresenta medidas específicas nem um cronograma claro para tal", assinala a instituição.

Além disso, apesar de o plano português incluir metas sobre a eficiência energética, o país "não aumentou o nível de ambição", critica Bruxelas.

Já quanto ao financiamento da transição energética e climática, o plano de Portugal "não apresenta dados sobre necessidades de investimento", nem "explica como as medidas irão mobilizar investimentos privados", não incluindo uma "divisão entre investimento público e privado".

A Comissão Europeia pede que Portugal garanta "uma implementação atempada e completa" de um novo plano energético.

"A UE está atualmente no caminho para reduzir as emissões líquidas de gases com efeito de estufa em cerca de 54% até 2030, caso os Estados-membros implementem plenamente as medidas nacionais existentes e planeadas, bem como as políticas da UE", concluiu a Comissão Europeia.

A meta da UE é reduzir as emissões líquidas de gases com efeito de estufa em pelo menos 55% face a 1990, alcançar pelo menos 42,5% de energias renováveis no consumo final bruto de energia e melhorar a eficiência energética em pelo menos 11,7%.

sexta-feira, 28 de junho de 2024

Supremo dos EUA inflige revés a luta contra poluição atmosférica


Washington, 27 jun 2024 (Lusa) - O Supremo Tribunal dos Estados Unidos da América (EUA), de maioria conservadora, infligiu hoje um revés à Agência de Proteção do Ambiente (EPA) ao suspender a aplicação de um plano de combate à poluição atmosférica.

Os juízes da mais alta instância judicial dos Estados Unidos decidiram, por cinco votos a favor e quatro contra, suspender a aplicação de um chamado plano de “boa vizinhança”, que pretende combater a poluição atmosférica que passa de um Estado para outro, enquanto não estiver resolvido um litígio num tribunal de apelação.

“A aplicação do plano da EPA aos queixosos deve ser suspensa até que os seus pedidos de revisão sejam decididos” por um tribunal de recurso em Washington, declarou o Supremo Tribunal no seu parecer.
A decisão foi tomada por uma maioria de cinco juízes conservadores contra os três progressistas, aos quais se juntou a juíza conservadora Amy Coney Barrett.

Segundo a EPA, o plano deve permitir reduzir o ‘smog’ (poluição atmosférica), que é prejudicial à saúde, mas pode também ter “vantagens económicas”.

Mas a regulamentação foi contestada em tribunal por três estados governados por Republicanos - Ohio, Virgínia Ocidental e Indiana -, apoiados pelas indústrias metalúrgica e do carvão.

De acordo com uma lei norte-americana sobre a poluição atmosférica, os estados federados são responsáveis por regulamentar a poluição pelo ozono a baixa altitude, mas a Agência de Proteção do Ambiente pode rejeitar ou obrigá-los a alterar os seus planos e definir normas comuns.

“A decisão de hoje é prejudicial não só para as comunidades que respiram ar poluído, mas para a própria democracia”, reagiu Holly Bender, do grupo de defesa ambiental Sierra Club, condenando o facto de o Supremo Tribunal “ter ficado do lado dos poluidores e da indústria”.

O Governo do Presidente Joe Biden tentou, nos últimos anos, repor legislação sobre a poluição atmosférica abolida pelo seu antecessor na Casa Branca, Donald Trump (2017-2021).

sexta-feira, 5 de janeiro de 2024

COP será presidida novamente por homem com carreira no petróleo

Mukhtar Babayev
Um homem com carreira no setor do petróleo vai voltar a presidir à conferência do clima da ONU, já que o Azerbaijão nomeou o seu ministro da Ecologia e dos Recursos Naturais como presidente da COP29 de novembro.

“Sua Excelência Mukhtar Babayev foi nomeado presidente designado da 29.ª sessão da conferência das partes” da Convenção-Quadro das Nações Unidas para as Alterações Climáticas, segundo informação do ministério enviada hoje à agência France Presse sobre a nomeação do ex-funcionário da petrolífera Socar.

Os Emirados Árabes Unidos tinham escolhido para presidente o sultão Al Jaber, dirigente da empresa nacional Adnoc, para presidir a conferência da ONU do clima, que terminou em dezembro em Dubai com um apelo histórico inédito para uma “transição” afastada dos combustíveis fósseis.

A presidência da COP28 já felicitou Babayev, que representou o Azerbaijão nas negociações do Dubai, através de uma mensagem na rede social X: “Vamos trabalhar com as presidências da COP29 e COP30 (no Brasil), bem como com a ONU para o Clima, para concretizar o sucesso histórico e transformador da COP28 e manter a meta de 1,5°C ”.

O novo presidente da COP tem no seu currículo, entre 1994 a 2003, funções no departamento de relações económicas externas da Socar, a empresa nacional de petróleo e gás, antes de passar para a área de marketing e operações económicas.

Entre 2007 e 2010, foi vice-presidente responsável pela ecologia da empresa de petróleo e gás e é ministro da Ecologia e Recursos Naturais desde 2019.

Historicamente, os presidentes da COP foram ministros ou diplomatas, com exceção do ano passado com Sultan Al Jaber, que é presidente da Adnoc, um dos maiores produtores de gás e petróleo do Golfo, e representou o seu país em várias COP’s e afirmou-se como líder da empresa de energia renovável Masdar.

O governo azeri nomeou o vice-ministro dos Negócios Exteriores, Yalchin Rafiyev, como negociador-chefe da COP29.

O anfitrião anual da COP é escolhido por consenso pelos países da região designada. Em 2023, os países asiáticos designaram os Emirados Árabes Unidos, e este ano, após meses de bloqueios, foi definido o Azerbaijão pelos países da Europa de Leste, que incluem a Rússia.

Este ano será Baku a receber a COP e poderá fazer recordar a edição anterior, já que foi uma das capitais mundiais do petróleo no início do século XX, como apontou à AFP Francis Perrin, especialista em energia do Instituto de Relações Internacionais e Estratégicas, “com os interesses russos, da Shell e dos irmãos Nobel da época”.

O país desenvolveu grandes depósitos de petróleo e gás no Mar Cáspio desde a década de 1990, acrescentou.

Atualmente, o gás tornou-se mais importante do que o petróleo para este membro da OPEP+, exportado principalmente para a Europa.

“O país continua hoje muito dependente dos hidrocarbonetos, que representam pouco menos de 50% do seu PIB, pouco mais de 50% das suas receitas orçamentais e pouco mais de 90% das suas receitas de exportação”, analisou Perrin.

quarta-feira, 27 de dezembro de 2023

O dinheiro que mantém o petróleo fluindo


Um estudo interessante do Project Drawdown revela que muitos bancos utilizam o dinheiro que os seus clientes mantêm nas suas contas para fornecer financiamento à indústria dos combustíveis fósseis , e que isto cria uma pegada de carbono que poderia ser evitada simplesmente exigindo que o seu banco não financiasse a indústria. que provoca a emergência climática – ou, se não lhe oferecer informações ou soluções, mudar de banco.

Nós, cidadãos, deveríamos calcular não só a pegada de carbono derivada do nosso consumo, mas também a gerada pelo nosso dinheiro quando este é utilizado para financiar o investimento ou as necessidades de capital de giro destas indústrias: exigir que os nossos bancos sejam transparentes na gestão do nosso próprio dinheiro é algo que devemos considerar como puro bom senso, especialmente se também sentirmos que esse dinheiro está a ser utilizado para atividades que contribuem para nos prejudicar ao aumentar o impacto da emergência climática, o que acaba por se refletir em catástrofes ambientais mais frequentes que causam fortes impactos em nosso património ou em nossas vidas.

De acordo com o estudo, os bancos que mais financiam a indústria dos combustíveis fósseis tendem a ser os maiores, e não os locais. Mas num momento como este, depois de uma COP28 profundamente hipócrita realizada num petroestado e em cuja declaração final não houve nenhuma referência minimamente séria ao fim dos combustíveis fósseis, nós, cidadãos, deveríamos exercer pressão para que os bancos onde depositamos o nosso dinheiro não não o utilizou para financiar quem realiza essas atividades. A redução do financiamento à indústria petrolífera seria, juntamente com a redução dos subsídios governamentais indecentes , uma das formas mais eficientes de reduzir a produção de combustíveis fósseis e fazê-los perceber a necessidade de mudar. Os bancos geralmente fornecem mais financiamento a esta indústria prejudicial do que dedicam às energias sustentáveis ​​ou alternativas .

É cada vez mais importante que a indústria dos combustíveis fósseis seja pressionada a partir de todas as frentes possíveis, incluindo, claro, a financeira: na medida do possível, temos de transformar a indústria dos combustíveis fósseis em verdadeiros párias de quem ninguém quer aproximar-se. Não pense que só influenciam as decisões de bilionários e magnatas com muito dinheiro: qualquer valor depositado numa conta é importante e, como cliente, você merece que seu banco lhe informe sobre o destino do seu capital de giro e sobre as empresas para o qual financiam. Se os bancos virem um risco real de perder depósitos porque fornecem financiamento à indústria dos combustíveis fósseis, poderão repensar esses investimentos, reduzindo assim a capacidade dessa indústria de continuar a aumentar a sua produção.

Já vi grandes mudanças começarem com coisas muito menores.

quarta-feira, 13 de dezembro de 2023

COP28: Clama-se o fim da era fóssil, mas também se deixam alertas



Nas primeiras horas desta quarta-feira, depois de uma longa noite de intensas negociações, a presidência da 28.ª cimeira global do clima (COP28) anunciou que, por fim, se havia chegado a um acordo.

No documento que avalia os progressos feitos até ao momento para combater as alterações climáticas e o que precisa ainda de ser feito, conhecido como Global Stocktake (GST), o texto volta a fazer referências a um eventual fim da produção e consumo de combustíveis fósseis como a melhor forma de manter o aquecimento do planeta abaixo dos 1,5 graus Celsius face a níveis pré-industriais.

Recorde-se que na segunda-feira, a presidência da COP28 tinha divulgado uma proposta de texto que não fazia qualquer menção ao fim do fóssil e apenas apresentava uma série de ações que os Estados podiam, à escolha, tomar para reduzir as suas emissões. Essa versão gerou uma torrente de críticas, que acusavam os Emirados Árabes Unidos, responsáveis pela redação do texto, de ceder aos interesses dos países e empresas da indústria fóssil e de ignorar os inúmeros apelos a uma linguagem forte e clara que declarasse, pela primeira vez, o fim, ainda que progressivo, da produção e uso de todos os combustíveis fósseis.

Aquela que é a versão final do documento reconhece também que, para limitar o aquecimento global a 1,5 graus, “são precisas reduções rápidas e sustentadas das emissões globais de gases com efeito de estufa em 43% até 2030 e 60% até 2035 relativamente ao nível de 2019”, com o objetivo de se alcançar a neutralidade carbónica em 2050.

A Presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou, em comunicado, que o acordo “manter-nos-á em linha com os objetivos do Acordo de Paris” e permitirá acelerar “a transição para uma economia mais limpa e saudável”.

Wopke Hoekstra, comissário europeu para as alterações climáticas, saudou também o consenso alcançado, afirmando que este é “o início do fim dos combustíveis fósseis”.

Por sua vez, António Guterres, Secretário-geral das Nações Unidas, que lançou apelos sucessivos ao fim progressivo dos combustíveis fósseis, escreveu na rede social Twitter que a declaração aprovada é “um momento decisivo na luta contra as alterações climáticas” e que “pela primeira vez, existe o reconhecimento da necessidade de se fazer uma transição para além dos combustíveis fósseis”.

Contudo, deve atentar-se na expressão “transição para além dos combustíveis fósseis”, ou ‘transitioning away from fossil fuels’ na redação original em inglês, e como surge no texto.

Isto, porque versões anteriores equacionavam uma linguagem muito mais clara e definitiva, como “abandono progressivo”, ou ‘phaseout’.

Reações menos efusivas vieram de vários lados, incluindo do próprio responsável das Nações Unidas para as alterações climáticas, Simon Stiell.

Salientando os “avanços genuínos” alcançados pela cimeira no que toca a triplicar as energias renováveis, a duplicar a eficiência energética e a operacionalizado o Fundo de Perdas e Danos, Stiell diz, no entanto, que “não virámos a página da era dos combustíveis fósseis”, ainda que afirme que “este resultado é o princípio do fim”.

As reações de desilusão vieram também de Al Gore, ex-vice-presidente dos Estados Unidos da América, que escreveu no Twitter que a decisão a que se chegou é “um marco importante”, “mas é também o mínimo indispensável”.

“A influência do Estados petrolíferos continua a ser evidente em metade das medidas e nas lacunas incluídas no acordo final”, afirmou, acrescentando que “se este é um ponto de viragem que verdadeiramente marca o início do fim da era dos combustíveis fósseis depende das ações que venham a ser tomadas e da mobilização financeira necessária para alcançá-las”.

Mary Robinson, presidente da organização Elders, considera que “o acordo da COP28, embora assinale a necessidade de se acabar com a era dos combustíveis fósseis, peca por não se comprometer com um total abandono progressivo”.

Porém, reconhece que esta versão é melhor do que a anterior e saúda os países por terem sido capazes de encontrarem “terreno comum suficiente no Dubai para manter a ação climática em movimento”.

Recorde-se que Mary Robinson esteve envolvida numa troca de palavras duras com o presidente da COP, Al Jaber, quando esse último afirmou que não havia evidências científicas que sustentassem as declarações de que acabar com os combustíveis fósseis permitiria travar as alterações climáticas. Al Jaber veio depois dizer que o que disse foi mal interpretado.

A organização internacional Oxfam é mais dura nas críticas que faz ao desfecho da COP28. Numa declaração divulgada nas redes sociais, Nafkote Dabi, responsável de alterações climáticas, afirma que “a COP28 foi sem dúvida uma desilusão, porque não pôs dinheiro em cima da mesa para ajudar os países em desenvolvimento na transição para as energias renováveis”.

“E uma vez mais os países ricos renegaram as suas obrigações para ajudar as pessoas que estão a ser atingidas pelos piores impactos da degradação climática”, acusou.

Do lado da Greenpeace, Kaisa Kosonen, que liderou a delegação da organização ambientalista na COP28, declara que “esta não é ainda a decisão de que o mundo precisa ou merece, mas há algumas melhorias com o apelo à transição para além dos combustíveis fósseis”.

A responsável destaca que “o sinal que a indústria fóssil temia está aqui: acabar com a era dos combustíveis fósseis, bem como um apelo para escalar massivamente as renováveis e a eficiência nesta década”. Mas alerta que essas medidas estão “enterradas sob muitas distrações perigosas e sem meios suficientes para alcançá-las de forma justa e rápida”.

Do lado de Portugal, também se ouviram já reações. Francisco Ferreira, da associação ambientalista Zero, reconhece como positivo o acordo firmado, mas diz que a cimeira terminou com “sabor agridoce”. Num vídeo publicado na rede social Twitter, diz que “a mensagem principal é muito clara: estamos no fim da era dos combustíveis fósseis”.

Ainda assim, alerta que o texto contém “falsas soluções que nos vão distrair deste objetivo do investimento no triplicar das energias renováveis entre 2022 e 2020 e no duplicar da eficiência energética”.

Salienta ainda “necessidades prementes” no que toca ao financiamento climático e à adaptação, outros grandes temas desta cimeira, avisando que “conseguir uma transição justa é um elemento que ficou aquém do desejável”.

Por parte do Governo português, o ministro do Ambiente e Ação Climática, Duarte Cordeiro, afirmou à agência Lusa que o acordo a que se chegou “fecha com chave de ouro a participação de Portugal na COP” e “dá-nos também uma perspetiva de esperança, que é muito necessária na política climática”.

O governante considera que “do ponto de vista daquilo que é o texto e a sua ambição”, está “muito mais em linha” com o que diz a ciência, com uma linguagem “do fim dos fósseis”.

terça-feira, 12 de dezembro de 2023

Ativistas da Climate Defiance lograram boicotar um evento de homenagem ao CEO da Exxon, Darren Woods


Ativistas da ClimateDefiance lograram boicotar um evento de homenagem ao CEO da Exxon, Darren Woods. A sala inteira levantou-se e saiu. Woods ganha US$ 20 milhões/ano enquanto aumenta a produção de petróleo e gás globalmente. A sua presença venenosa acabou de contaminar a COP28, onde ele declarou estupidamente que quer reduzir as emissões das operações da Exxon - como se não fosse o seu produto em si que nos estivesse a matar.

Always remember: "Nature is the foundation of the world’s economy. Over half of global GDP is dependent on materials and services that are delivered by ecosystems. " [fonte: Nature restoration]

domingo, 3 de dezembro de 2023

A COP28 conta com 30 patrocinadores: empresas de energia, bancos fósseis e grandes empresas de tecnologia


As cimeiras sobre o clima são uma grande vitrine para empresas e atores interessados ​​(alguns com mais razão do que outros) em princípio comprometidos com a ação climática. E a COP28 , que acontecerá de 30 de novembro a 12 de dezembro em Dubai (Emirados Árabes Unidos), pretende ser o maior de todos os eventos climáticos até o momento , pelo menos em termos de participação. A organização estima que comparecerão 70 mil pessoas, um número muito superior ao da COP27 realizada em Sharm El-Sheikh (Egito), onde se reuniram 49.704 pessoas, o maior até à data.

Em cada edição, a maioria dos patrocinadores tende a ser empresas do próprio país, sejam elas de maior ou menor projeção internacional. Existem também alguns reconhecidos mundialmente. Um dos habituais é o espanhol: Iberdrola . A empresa de energia presidida por Ignacio Sánchez Galán é patrocinadora oficial das cimeiras climáticas desde a COP23 realizada em Bona, na Alemanha, em 2017.

Nesta COP28, a Iberdrola assinou como “Associate Partner” ( Associate Path Partner ). Um patrocínio que lhe permitirá ter a sua marca presente na chamada Zona Verde , um espaço paralelo às negociações da cimeira aberto à sociedade civil. Na Zona Azul (zona azul, reservada a países, jornalistas, organizações e observadores) a Iberdrola não terá estande próprio , mas muitos de seus executivos estarão presentes – entre eles, Galán – para participar de dezenas de eventos organizados, entre outros, pela ONU, pelo Ministério chefiado por Teresa Ribera e pela ONG BirdLife. Irão também reunir-se com a presidência da cimeira e com membros de diferentes instituições , como o Parlamento Europeu ou o Parlamento do Reino Unido.

O objetivo da Iberdrola – uma das empresas que mais contribuiu para o aquecimento global nas últimas décadas em Espanha – é participar na cimeira do clima como uma empresa verde . O seu discurso durante as duas semanas de negociações girará em torno da necessidade de eliminar progressivamente os combustíveis fósseis , triplicar a capacidade renovável até 2030 e duplicar a melhoria anual na eficiência energética durante esta década, além de chegar a um acordo sobre o financiamento do clima para mitigação e adaptação.

De acordo com informações publicadas pela media britânica Sky News em maio, os preços dos patrocínios quase triplicaram desde a cimeira anterior. O pacote de patrocínio mais caro oferecido custa 6,5 ​​milhões de libras (7,5 milhões de euros) e oferece à empresa que paga por ele “a oportunidade de falar em eventos da presidência da COP28” e ser reconhecida com a sua própria placa na parede como membro.

Empresas de energia, bancos fósseis e grandes empresas de tecnologia estarão na COP28
A COP28 conta com cerca de trinta empresas patrocinadoras . A classificação mais alta são os principais parceiros: Abu Dhabi Global Market (um centro financeiro), DEWA (autoridade de eletricidade e água de Dubai), DP World (holding de propriedade do governo de Dubai), e& (grupo de tecnologia dos Emirados), Dubai Holding ( a carteira de investimentos pessoais do governante de Dubai, Sheikh Mohammed bin Rashid al-Maktoum), Masdar (empresa estatal de energia renovável fundada e presidida pelo presidente da COP28, Al Jaber), M42 (empresa dos Emirados focada em tecnologia de saúde), RTA (autoridade de estradas e transportes de Dubai) e Emirates NBD (banco de propriedade do Governo de Dubai).

Depois, há cinco empresas que aparecem como parceiras estratégicas: EY (também conhecida como Ernst & Young, é líder global em serviços de auditoria, impostos, assessoria de transações e consultoria), FAB (First Abu Dhabi Bank, o maior banco dos Emirados Árabes Unidos), o Ministério da Educação dos Emirados Árabes Unidos, Al Futtaim (um conglomerado familiar ativo em diversos setores) e o Governo de Dubai .

Outra fórmula de patrocínio é Industry Pathway Partners . São quatro: Octopus Energy (um comerciante "100% sustentável" e o maior investidor em energia solar na Europa), Bank of America (uma das maiores holdings bancárias dos Estados Unidos), HSBC (um banco britânico e serviços financeiros empresa, conhecida por ser um dos principais financiadores da destruição da Amazónia e por financiar secretamente a exploração de carvão na Alemanha), e o Ministério da Indústria e Tecnologia Avançada dos Emirados Árabes Unidos (cujo ministro é o Sultão Ahmed Al Jaber, presidente da COP28).

Por fim, existem empresas cujo patrocínio consiste em serem “parceiros associados”. Além da Iberdrola, esta categoria inclui Baker Hughes (uma das maiores empresas de serviços petrolíferos do mundo), Mashreq (o banco privado mais antigo dos Emirados Árabes Unidos), IBM (uma empresa multinacional americana de tecnologia), Korea Hydro & Nuclear Power (operadora de centrais nucleares e hidrelétricas na Coreia do Sul), Siemens (conglomerado empresarial alemão, também comum em COPs), Investcorp (fornecedor e gestor líder de produtos de investimento alternativos que atendem clientes privados e institucionais de alto património), Banco Islâmico de Abu Dhabi, Goldwind (fabricante chinês de turbinas eólicas) e Banco Islâmico de Dubai (maior banco islâmico dos Emirados Árabes Unidos).

Até agora são os patrocinadores oficiais que a própria presidência da COP28 tem anunciado através de comunicados de imprensa. No entanto, na secção “parceiros” do seu website há aqueles que chamam de “ inovadores climáticos ”. Nesta seção, a principal empresa patrocinadora é o Barclays , o banco da Europa que mais investiu em combustíveis fósseis desde o Acordo de Paris (2015). Apelidados de “facilitadores” aparecem, entre outros, Amazon Web Services e Microsoft .

Segundo a organização, todas as empresas patrocinadoras se comprometeram a avançar em direção à meta de emissões líquidas zero até 2050 . Para tal, devem ter aderido à aliança Race to Zero da ONU ou outra iniciativa “equivalente”, ou ter assinado o Compromisso de Negócios Sustentáveis ​​dos Emirados Árabes Unidos .

O comitê de patrocínio, composto por sete departamentos internos diferentes da COP28, nomeou a empresa de consultoria EY (também listada como empresa patrocinadora) para “validar compromissos e fornecer consultoria técnica para a COP28”.

Da Climática temos contactado repetidamente o departamento de imprensa da COP28 para saber mais detalhes sobre os patrocínios. No momento da publicação deste artigo eles não haviam respondido.

quarta-feira, 29 de novembro de 2023

Meet Oblivia Coalmine, the latex clad oil exec paid for by our pensions

Conheça Olivia Colman, a executiva do petróleo vestida de látex paga pelas nossas pensões. Este novo filme dos Make My Money Matter, protagonizado pela vencedora de um Óscar, Olivia Colman, revela que 88 mil milhões de libras do dinheiro dos aforradores de pensões do Reino Unido estão investidos em combustíveis fósseis.

Sign our petition to stop UK pension schemes financing fossil fuel expansion


Make My Money Matter - works to transform the financial system, so it puts people and planet on a par with profit. There are trillions of pounds in UK pensions and banks – we believe that money should be moved from the destructive, harmful investments of the past, into those which help build a future we can be proud of.

domingo, 26 de novembro de 2023

Coração Verde. Green Heart


“Este mundo curioso que nós habitamos é mais maravilhoso do que conveniente, mais bonito do que útil, mais para ser admirado e apreciado do que usado.”
Henry Thoreau (1817-1862)

“O bem-estar e o florescimento da vida humana e da não-humana sobre a terra têm valor em si próprios (valor intrínseco, valor inerente). Esses valores são independentes da utilidade do mundo não-humano para os propósitos humanos.”
Arne Næss e George Sessions (1984)

“Em suma, o papel da ecologia profunda na sociedade contemporânea é libertador, transformador e questionador. Há uma utopia na ecologia profunda, uma utopia baseada não na contínua e intensificada conquista ou domínio da natureza não-humana pelo homem, mas baseada na busca pela auto-realização.” 
Bill Devall (1980 - artigo científico no Journal of Natural Resources)

sexta-feira, 10 de novembro de 2023

Modelos económicos estão a subestimar riscos climáticos

Um relatório da ONG Finance Watch alerta que os modelos usados pelos economistas para avaliar o impacto das alterações climáticas no crescimento económico estão "desligados" da ciência e perpetuam a inação dos decisores políticos.



Os modelos económicos que servem de base às decisões políticas são enganadores quanto aos efeitos das alterações climáticas, alerta o relatório publicado há dias pela ONG Finance Watch.

Para Thierry Philipponnat, o economista-chefe da Finance Watch citado pelo Euractiv, muitas análises do impacto económico das alterações climáticas não têm em conta os pontos de inflexão e os mecanismos de feedback que tornam o efeito das alterações climáticas quase imprevisível.

A Finance Watch dá o exemplo do relatório de 2020 do Conselho de Estabilidade Financeira, um organismo internacional que monitoriza e faz recomendações sobre o sistema financeiro mundial. Ao determinar qual seria o impacto de um aumento da temperatura média global em 4°C no ano 2105, o relatório cita um estudo de 2015 que indica um impacto negativo no valor dos ativos entre 3% e 10%. Ora este valor parece muito aquém da realidade prevista pelos cientistas sobre o que acontecerá quando o planeta aquecer a esse nível, com o IPCC a prever a perda de entre 80% a 100% das espécies nalgumas zonas tropicais, em especial no mar. Essas regiões seriam sujeitas a 300 dias por ano em que os níveis de calor e humidade colocam riscos para a saúde humana.

O que aconteceria nesse cenário em termos de subida do nível do mar, movimento de refugiados climáticos e dos prováveis conflitos geopolíticos subsequentes é dificilmente compatível com uma queda de 3% a 10% no valor dos ativos. Por isso, Thierry Philipponnat apela aos economistas para "adaptarem os modelos económicos, sob pena de prejudicarem tanto a mitigação como a adaptação às alterações climáticas".

"Os economistas que analisam o impacto das alterações climáticas não devem ser cúmplices, mesmo que involuntariamente, da inação dos decisores políticos", afirmou o responsável da Finance Watch, com os olhos postos no relatório que a Comissão Europeia encomendou ao BCE e outras instituições para avaliarem os riscos climáticos para o sistema financeiro até 2030. O prazo de conclusão do relatório será o mais tardar o início de 2025, mas a Finance Watch considera quase inútil que o alcance da previsão seja já daqui a seis anos, pois "é pouco provável que o mundo inverta a atual expansão do consumo de combustíveis fósseis antes dessa data".