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segunda-feira, 1 de junho de 2026

Ondas de calor desencadeiam “relação tóxica” entre ervas marinhas e microrganismos


As ondas de calor marinhas, cada vez mais frequentes devido ao aquecimento contínuo do planeta, são já consideradas das maiores ameaças atuais à biodiversidade dos mares e dos oceanos por toda a Terra.

Uma investigação recente revela que os efeitos desses fenómenos não se limitam apenas a gerar águas mais quentes, mas que causam alterações importantes nas relações entres seres vivos que podem ter consequências nefastas para todo o ecossistema.

Quatro cientistas das universidades australianas de Sydney e da Nova Gales do Sul dizem que o stress térmico causado pelas ondas de calor marinhas desencadeia uma “relação tóxica” entre as ervas marinhas e “um ecossistema oculto de bactérias” que com elas normalmente coexiste, num arranjo que beneficia ambas as partes.

Tal como os microrganismos nos solos em terra firme são fundamentais para a vida das plantas, ajudando-as a manter-se saudáveis e a adquirir nutrientes, também na água as bactérias que vivem no leito aquático desempenham um papel semelhante em relação às ervas marinhas. Essas são plantas que vivem na água do mar e que dão flor, podendo formar extensas pradarias que servem de refúgio a muitos animais, purificam a água e ajudam a sequestrar carbono.

No que descrevem como uma “experiência de jardinagem subaquática”, os investigadores encontraram um ecossistema bacteriano de grande diversidade no solo e em torno das raízes das ervas marinhas. Num artigo publicado na ‘New Phytologist’, explicam que o aumento da temperatura da água, como durante uma onde de calor marinha, faz proliferar bactérias conhecidas por produzirem ácido sulfídrico, um composto que dizem ser tóxico para as ervas marinhas e que pode limitar o seu crescimento.

“Embora as ervas marinhas possam, à primeira vista, parecer bem, o que encontrámos no subsolo, em condições de temperatura elevada, revela uma realidade bem diferente”, avisa Renske Jongen, primeira autora do estudo.

“Sob stress térmico, as comunidades microbianas em torno das raízes das ervas marinhas alteram-se de formas que podem prejudicar a planta em vez de ajudá-la.”

sábado, 20 de setembro de 2025

Florestas Marinhas no Norte de Portugal: Aliadas na Luta Contra as Alterações Climáticas


Um estudo pioneiro liderado por investigadores do CIIMAR e do Centro de Ciências Marinhas e Ambientais (MARE) identifica as florestas de algas marinhas da costa norte de Portugal como aliadas estratégicas na captura e armazenamento de carbono.

O novo estudo publicado na prestigiada revista Scientific Reports revela que as florestas de kelp desempenham um papel crucial na captura e armazenamento de carbono, oferecendo uma poderosa ferramenta natural para mitigar os efeitos das alterações climáticas. Este trabalho centrou-se no estudo das florestas marinhas da costa norte de Portugal, em particular das espécies Laminaria hyperborea e Saccorhiza polyschides, as duas espécies predominantes nesta zona do país.

A investigação, liderada pelos investigadores Francisco Arenas do CIIMAR e João Franco do MARE, com o contributo de uma equipa de investigadores de ambos os centros, foi financiada pelo programa BlueGrowth do EAA Grants e teve como objetivo quantificar pela primeira vez o stock de carbono armazenado por estes habitats no norte de Portugal.

As Florestas Marinhas do Norte de Portugal
As florestas de kelp são habitats formados por algas castanhas de grande porte que desempenham um papel crucial na manutenção da biodiversidade e da produtividade marinha local. “Estes habitats são comuns na costa norte de Portugal, onde existem condições únicas para o seu desenvolvimento, e representam a fronteira mais a sul para algumas das espécies aqui encontradas”, explica Francisco Arenas, líder da investigação. No entanto, estes habitats são altamente vulneráveis ​​às alterações climáticas. “Já foi detectado um processo de tropicalização nas águas portuguesas, que coloca em risco a biodiversidade associada, bem como os serviços ecológicos que estas florestas prestam, incluindo a capacidade de capturar e armazenar carbono, conhecido como Carbono Azul, contribuindo para a mitigação das alterações climáticas”, acrescenta.

Resultados impressionantes
O estudo em causa quantificou pela primeira vez o stock de carbono armazenado por estes habitats no norte de Portugal através de medições de campo, incluindo a extensão, biomassa, crescimento e teor de carbono. “Foi a primeira avaliação do valor do carbono azul associado às florestas de kelp em Portugal”, afirma o líder do estudo e investigador do CIIMAR.

Os resultados agora publicados no artigo Potential blue carbon in the fringe of Southern European Kelp forestsmostram que estas florestas armazenam cerca de 16,48 gigagramas (Gg) de carbono numa área de 5.100 hectares, o equivalente a mais de 5.000 campos de futebol. Embora ocupem uma área relativamente pequena em comparação com o tamanho do planeta, estas florestas de algas marinhas demonstram uma eficiência de captura de carbono por metro quadrado comparável ou superior à de habitats mais extensos. Este valor corresponde a 14% do carbono azul inventariado até ao momento para Portugal, cujas estimativas anteriores se limitavam a sapais e tapetes de ervas marinhas.

Principais aliados no Carbono Azul
Graças à sua elevada produtividade, estima-se que estes habitats sejam capazes de sequestrar e exportar cerca de um terço do carbono capturado anualmente por todos os habitats de plantas marinhas do país. Esta taxa excecional de sequestro de carbono realça o papel essencial, e até agora amplamente subvalorizado, das florestas de algas marinhas na mitigação das alterações climáticas.

Segundo Francisco Arenas, estas florestas marinhas são “frequentemente desconhecidas e subvalorizadas, apesar do seu valor ecológico e económico extremamente importante na costa norte de Portugal”. Estes habitats são fundamentais tanto pela sua capacidade de mitigar as alterações climáticas como como promotores da biodiversidade local, proporcionando abrigo, alimento e áreas de reprodução para inúmeras espécies marinhas.

O estudo recomenda ainda políticas específicas para a monitorização, conservação e, eventualmente, restauração destas áreas, reforçando a sua importância não só como sumidouros de carbono, mas também como habitats vitais para a saúde dos oceanos. À luz da actual crise climática, os cientistas defendem que a inclusão das florestas de kelp nas políticas de conservação marinha e de carbono azul deve ser uma prioridade, tanto a nível nacional como global. “Com a Lei de Restauração da Natureza da União Europeia em fase inicial de implementação, é urgente desenvolver e implementar técnicas eficazes de restauração ecológica, particularmente em habitats altamente vulneráveis, mas também com elevado potencial para a prestação de serviços ecossistémicos, como as florestas marinhas”, conclui Francisco Arenas.

quarta-feira, 17 de setembro de 2025

Superpoder das algas marinhas e novas possibilidades de armazenamento


As ervas marinhas têm um superpoder oculto. Por mais insignificante que a planta possa parecer, tem diversas propriedades positivas. Assim, contribui significativamente para a biodiversidade e oferece um habitat protegido para animais como peixes, moluscos e camarões. Com os seus caules e raízes, as ervas marinhas também consolidam a areia e os sedimentos, protegendo assim as costas contra a erosão. Além disso, as ervas marinhas absorvem CO2 do mar e armazenam o seu carbono, o que contribui para a proteção climática.
“Queremos que as ervas marinhas voltem a espalhar-se de forma permanente, sem a nossa ajuda”, afirma Maike Paul, da Universidade de Hanôver, coordenadora do projeto SeaStore. No sul do Mar Báltico, ela e a sua equipa trabalham nas bases científicas para uma renaturalização em grande escala. Em três locais, já reintroduziram as ervas marinhas e analisaram o seu crescimento para garantir o sucesso a longo prazo. Ao mesmo tempo, a equipa de investigação sensibiliza a população costeira e os turistas para a proteção destas plantas. Além disso, vários voluntários apoiam os investigadores, mergulhando também no Mar Báltico e ajudando a plantar novas ervas marinhas.

Desviar chuvas fortes e torná-las utilizáveis
Da proteção contra cheias à prevenção de secas: o projeto de investigação Smart-SWS, iniciado pela Universidade Técnica de Munique e no qual também participa a Universidade Técnica de Deggendorf, no Danúbio, aborda uma gama notável de temas. Em 2013, após dias de chuvas intensas, o rio transbordou, causando grandes danos com as massas de água. A Smart-SWS pretende evitar tais eventos e, ao mesmo tempo, melhorar o abastecimento de águas subterrâneas.
No final de 2024, uma instalação-piloto entrou em funcionamento na localidade de Hüll, na Alta Baviera: esta recolhe a água da chuva forte da superfície, trata-a e disponibiliza-a para o abastecimento de águas subterrâneas. Com o novo sistema, a água acumulada pode escoar muito mais rapidamente do que em circunstâncias normais e ser armazenada por mais tempo no local. Lea Augustin, colaboradora da Smart-SWS, explicou: “Uma grande vantagem é que o sistema pode ser usado em muitos locais e regiões da Alemanha com base nos resultados das nossas análises de adequação.” E provavelmente também mais além: recentemente, a equipa apresentou a instalação-piloto num simpósio em Stellenbosch, na África do Sul.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2022

Reserva das Selvagens salta para as páginas da revista “Nature”



Quatro portugueses publicaram a 20 de Janeiro de 2022 um artigo de opinião na revista científica “Nature” dedicado à maior área marinha protegida da Europa que nasceu em Novembro nas ilhas Selvagens, arquipélago da Madeira.

O artigo – assinado por Filipe Alves, investigador do MARE-Madeira, em nome de Jonas Becas, João Canning Clode (também do MARE-Madeira) e de Paulo Oliveira (do Instituto de Florestas e Natureza da Madeira) – teve como principal objectivo “contribuir para chamar a atenção para que outras nações sigam o exemplo de Portugal”, explicou à Wilder Filipe Alves.

O valor “incalculável” da biodiversidade das Ilhas Selvagens foi a razão que motivou o governo regional da Madeira a expandir, em Novembro de 2021, a área marinha protegida em redor das Selvagens, criando a maior área marinha protegida com protecção total da Europa, com mais de 2.600 km2.

Nesse território com 2.677km2, numa área de 12 milhas náuticas ao redor das Ilhas Selvagens, todas as espécies aí existentes passam a estar totalmente protegidas de atividades extrativas, como a pesca ou a exploração de inertes.

Esta decisão foi suportada por estudos científicos, jurídicos e por dados recolhidos em expedições realizadas nos últimos anos.

“A notícia da extensão da reserva das ilhas Selvagens foi muito circulada nas redes sociais e em muitos media, mas em particular esta publicação na ‘Nature’ atinge um público-alvo diferente ou, pelo menos, alarga o leque do público a abranger”, comentou Filipe Alves, coordenador do programa de telemetria de cetáceos do MARE-Madeira & Observatório Oceânico da Madeira / ARDITI.

“Já há algum tempo que víamos o papel relevante que Portugal estava a ter na conservação de áreas marinhas.” O investigador lembrou que o nosso país é “um dos 14 países que assumiram perante as Nações Unidas proteger de forma sustentável a totalidade das suas águas até 2025” e lembrou “a quantidade de reservas que tem proposto e criado no país inteiro”.

Mas aquilo que os motivou agora a submeter o artigo a “uma revista de grande impacto como a ‘Nature'” foi a “recente extensão da reserva das ilhas Selvagens, pela magnitude (área e tipo de proteção integral) e visibilidade que teve”.

A ideia é inspirar outros países a seguirem o exemplo, em nome da conservação das espécies marinhas que vivem nas suas águas.

Quanto às Selvagens, são inúmeras as espécies a beneficiar com a extensão da área marinha protegida. Entre elas, os cetáceos. No âmbito do programa de seguimento de cetáceos do MARE-Madeira & Observatório Oceânico da Madeira / ARDITI, já é possível saber, por exemplo, que “alguns dos animais com biomarcadores de satélite têm alguma preferência pela área em redor das ilhas Selvagens”, explicou o investigador.

Mas para conhecer melhor a biodiversidade da região, Filipe Alves adiantou que “está nos planos do MARE-Madeira a realização de uma futura expedição científica às ilhas Selvagens, à semelhança da realizada recentemente na ilha do Porto Santo“.

E não são só os investigadores que podem contribuir para este esforço de conservação marinha nas Selvagens. Segundo Filipe Alves, os principais utilizadores do mar devem respeitar a legislação, nomeadamente quanto aos limites de pesca e tamanhos de captura. A sociedade em geral também tem um papel importante, como por exemplo o “colocarmos o lixo, em especial o plástico, nos locais apropriados dado que o lixo marinho representa uma grande ameaça à vida selvagem”.

“Mas diria que, de uma forma geral e mais importante, temos que mudar a nossa visão e respeito para com a natureza. E isto é muito difícil. Só se poderá atingir com educação ambiental e isso levará gerações. Mas é o caminho…”

Actualmente, menos de 8% do oceano é hoje protegido. O objectivo das Nações Unidas é conseguir proteger, pelo menos, 30% até 2030.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2021

Devolver metade do planeta à natureza não é uma ideia tão louca quanto parece


A sexta extinção em massa – é assim que os biólogos se referem ao que está a acontecer hoje em dia. Estima-se que, até ao final do século, uma em cada seis espécies esteja extinta devido a uma variedade de causas, entre as quais o crescimento populacional e a perda de habitat, causas estas que são complexas e estão interligadas.

Edward O. Wilson, biólogo de Harvard e vencedor de dois prémios Pulitzer, acredita, no entanto, que ainda temos tempo para salvar o planeta. O seu plano, exposto no livro “Half Earth: Our Planet’s Fight for Life” (Meia Terra: a Luta do Nosso Planeta pela Vida), é ousado: e se devolvêssemos metade do planeta à natureza? Este é um plano que o influente biólogo acredita ser possível e que poderá salvar de 80 a 90% das espécies da Terra.

Em conversa com a National Geographic, E. O. Wilson explicou, com mais pormenor, a sua teoria, defendendo que o desespero não é a resposta para os problemas enfrentados pelo nosso planeta e que, no fim de contas, a maioria das espécies da Terra ainda não foi identificada.

A situação actual do planeta

“Houve cinco grandes episódios de extinção durante a história geológica do passado, tendo o último ocorrido há 65 milhões de anos. Acho que é correto chamar ao que está a acontecer, atualmente, devido à atividade humana, o sexto. Se permitirmos que continue, poderíamos levar a uma diminuição da diversidade de vida na Terra que a deixaria perto do que era na última grande extinção, no final do Mesozoico. Temos bons cálculos, e embora se tratem de aproximações, foram elaborados cuidadosamente por equipas de cientistas, que colocam a taxa de extinção num valor 100 a 1000 vezes superior ao de antes do aparecimento da humanidade. De facto, acredito que esteja mais perto dos 1000, de momento, do que dos 100.”

“O processo de extinção pode ser resumido com a palavra HIPPO [alusão ao hipopótamo, espécie considerada vulnerável pela Lista Vermelha da IUCN]. Cada uma das letras, do H ao O, designa uma das causas de extinção. Portanto, H é habitat; I é o impacto das espécies invasoras; o primeiro P refere-se aos contínuos níveis elevados de crescimento populacional; e o segundo P é para a poluição. [O O refere-se a um termo em inglês “overharvesting”, que engloba a pesca, a criação de animais e a agricultura insustentáveis.]

Sobre a “nova conservação” e quem defende que se deve deixar de tentar salvar o planeta

“Isto é derrotismo que é tanto irracional como perigoso. O que eles estão a dizer é que não há como parar a extinção, que a humanidade é uma força imparável essencialmente irracional e que nos deveríamos concentrar em salvar as espécies que mais valorizamos, como os elefantes e outros mamíferos grandes. Parecem não estar cientes da vastidão da biodiversidade, que ascende a milhões de espécies, muitas das quais ainda desconhecidas pelo mundo científico. É uma combinação de ignorância e de desespero. O outro elemento que surge é uma proposta de que, se guardarmos o ADN, poderemos clonar essas espécies mais tarde e trazê-las de novo à vida. Isto é um absurdo.”

Metade do planeta como reservas naturais

“Se se pudesse reservar metade da superfície da Terra [para a natureza], conseguir-se-ia salvar entre 80 e 90 por cento de todas as espécies.”
“Comecemos com o oceano. Atualmente, 3% do oceano está protegido sob a forma de reservas marinhas. As reservas estão localizadas, normalmente, ao longo das zonas costeiras dos países e queremos que isso chegue aos 50%. Pode parecer quase impossível. Mas dois estudos independentes recentes, realizados por especialistas em organismos marinhos, mostram que se pudéssemos pôr de parte a totalidade da água azul fora das Zonas Económicas Exclusivas dos países costeiros e proibir a pesca em alto mar, teríamos, de facto, um aumento, não uma diminuição, do crescimento global das pescarias. Haveria pescarias mais ricas e um crescimento mais rápido nas áreas costeiras de pesca. Seria para nosso benefício reservar o oceano, o alto mar. Esta é uma consequência notável e não intencionada do conceito da meia Terra.”

O desconhecimento da vida na Terra

“O nosso desconhecimento da diversidade biológica é um dos grandes escândalos das ciências biológicas. Aqueles de entre nós que trabalham em biodiversidade, retrocedendo ao tempo de Lineu [naturalista sueco do séc. XVIIl, conhecido como o “pai da taxonomia moderna”], catalogaram um pouco mais de dois milhões de espécies de todos os tipos de organismos. Mas o número estimado de plantas, animais e micro-organismos no mundo está próximo dos 10 milhões. Por outras palavras, aproximadamente 80% das espécies na Terra continuam por descobrir. Vivemos num planeta com muito por descobrir.”

A fragilidade do ser humano

“Fizemos avanços inimagináveis no nosso conhecimento científico e tecnológico. Mas esse conhecimento está, na sua maioria, confinado ao nosso bem-estar imediato, em particular no que diz respeito aos aspetos biológicos da medicina. Temos um instinto muito poderoso para explorar; sabemos, agora, bastante de astrofísica, mas quando olhamos para o mundo biológico – os recursos que há e como vamos gerir o nosso futuro com ou sem um certo número de espécies a viver connosco – é praticamente uma incógnita. Nós somos frágeis e se continuarmos as tendências vigentes na utilização da Terra, poderíamos ter uma catástrofe.”

O papel da tecnologia e da revolução digital

“Tomei um rumo diferente de alguns dos meus colegas, que defendem a oposição clássica entre o progresso humano e a tecnologia versus a Natureza. Penso de outra forma. Na era digital, com os incentivos económicos básicos que os seres humanos têm para tirar o máximo proveito de qualquer coisa, a economia caminha, quase automaticamente, em direção a um mundo menos material, com menos energia e mais eficiência. Esta tendência, aliada a uma mudança para as fontes de energia alternativas, cria o potencial de se reduzir aquilo a que chamamos a nossa pegada ecológica: a quantidade média de espaço necessária para a subsistência de cada ser humano.”

Como seria implementado? A Terra seria mesmo dividida ao meio?

“Atualmente, 15% da superfície terrestre e 3% do mar estão reservados para fins de conservação. O sistema de Parques Nacionais dos EUA idealizou algumas estratégias que demonstram como se pode alcançar a meia Terra em etapas. Estas incluem coisas como os monumentos naturais nacionais: áreas que têm um valor especial para o país, seja em termos de natureza ou de história. Não haveria alteração na posse [da propriedade] ou regras contra o uso desta terra. Mas quando as pessoas possuem propriedades num monumento natural nacional, costumam ter orgulho disso e fazer bom uso da terra. Este é apenas um dos muitos passos que foram idealizados dentro do nosso sistema atual de parques nos Estados Unidos. Também existem as áreas demarcadas reconhecidas oficialmente pelas Nações Unidas. Podemos fazê-lo aos poucos.”

Estou bastante otimista. Acho que uma das principais razões por que não temos avançado mais rapidamente é porque não passámos por essa transformação em que as pessoas valorizam aquilo a que se chama vida selvagem. Não apenas os animais grandes, mas o resto das formas de vida. Assim que as pessoas se apercebam do que isso é e da sua importância para os ecossistemas da natureza e, em última análise, para elas próprias, acredito que uma mudança rumo à preservação das outras formas de vida seguir-se-ia, para nosso benefício geral.

Fonte: Uniplanet

segunda-feira, 22 de novembro de 2021

Libertados cavalos-marinhos na Ria Formosa para travar queda de população



Faro, 16 nov 2021 (Lusa) -- Um grupo de 60 cavalos-marinhos, a maioria nascidos em cativeiro, foi hoje libertado na Ria Formosa durante a primeira ação de repovoamento no local onde há 20 anos se concentrava a maior comunidade de cavalos-marinhos do mundo.

No ano 2000, a comunidade destes peixes na Ria Formosa, no Algarve, era considerada a maior do mundo, mas em 20 anos "houve uma redução de 96% dos efetivos", disse aos jornalistas Jorge Palma, investigador do Centro de Ciências do Mar (CCMAR) da Universidade do Algarve (UAlg).

Os animais foram libertados numa das duas zonas de santuário recentemente criadas na ria, entre Faro e Olhão, onde foram colocadas estruturas artificiais que recriam o seu habitat natural, para que ali se possam fixar, explicou Rui Santos, investigador do mesmo centro e professor na UAlg.

A maior parte destes cavalos-marinhos nasceu nos tanques da Estação Marinha do Ramalhete, em Faro, mas os seus progenitores são espécimes que viviam em ambiente selvagem e que foram para ali levados com o intuito de se reproduzirem, contribuindo, assim, para a conservação da espécie.

A iniciativa, realizada ao abrigo do projeto 'Seaghorse', "só faz sentido pelo facto de a introdução ser feita numa área protegida, caso contrário ficariam expostos a efeitos negativos que possam ainda existir na ria", sublinhou Jorge Palma, notando que o objetivo é que os animais fiquem concentrados no santuário.

Os cavalos-marinhos foram transportados de barco em dois tanques para uma área protegida, a cerca de meia milha da costa, onde é proibido navegar tendo sido depois cuidadosamente colocados em pequenas jaulas para serem levados para dentro de água pelos mergulhadores.

A equipa de mergulhadores levou as jaulas para o fundo, a cerca de quatro metros de profundidade, para depois libertar os animais junto aos recifes artificiais que vão passar a servir-lhes de habitat.

Segundo Jorge Palma, estes peixes são "completamente diferentes de todos os outros" e também "fracos nadadores", o que os torna "muito vulneráveis", sendo que "têm de estar sempre agarrados a alguma coisa", com a sua causa preênsil.

Apesar de a maioria dos animais hoje libertados terem apenas entre sete meses e um ano são já adultos e durante a sua curta vida em cativeiro foi preservada a capacidade de poderem sobreviver em meio natural, acrescentou.

"Aquilo que lhes demos em cativeiro não é ração, são presas naturais que eles têm de caçar nos tanques, por isso, quando são libertados, vão manter essa aptidão para sobreviver no meio natural", notou o investigador.

Daqui a um mês a equipa vai voltar ao local para monitorizar a evolução da nova população, tarefa facilitada pelo facto de estes peixes terem, consoante a espécie, características físicas que os distinguem entre si, permitindo também diferenciá-los dos que já estavam na natureza.

"Antes de libertá-los tirámos fotos a cada um e eles têm uma marcação natural que nos permite distingui-los", observou Jorge Palma, explicando que os "hippocampus hippocampus" (espécie de focinho curto) têm uma marcação no topo da cabeça e os "hippocampus guttulatus" (espécie de focinho comprido) um padrão de pintas no corpo.

A população de cavalos-marinhos na Ria Formosa tem sofrido uma redução drástica nas últimas décadas, tendo quase desaparecido devido a fatores como as alterações ambientais, a destruição de pradarias de ervas marinhas, o seu habitat, a pesca ilegal, ou o excesso de tráfego de embarcações.

A iniciativa de repovoamento de cavalos-marinhos na Ria Formosa foi realizada pelo CCMAR ao abrigo do projeto 'Seaghorse', com financiamento da Fundação Belmiro de Azevedo.

O projeto vai também investigar a dinâmica das populações de cavalos-marinhos e tentar compreender o papel das ervas marinhas como habitats de apoio e fornecedores de alimentos.

Outro dos seus objetivos é averiguar se este papel das ervas marinhas poderá estar a ser afetado pela recente invasão da Ria Formosa pela alga "Caulerpa prolifera".

O projeto envolve também as autoridades marítimas, o Instituto da Conservação da Natureza e Florestas (ICNF), o Parque Natural da Ria Formosa e a Agência Portuguesa do Ambiente (APA).

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Calendário Ecológico: Dia Mundial dos Oceanos- A importância das Reservas Marinhas



A reserva marinha da Ilha de Apo é um dos melhores exemplos de protecção das espécies marinhas nas Filipinas. Está comprovado que as reservas marinhas são uma excelente medida para proteger as espécies em vias de extinção e restaurar o equilíbrio aos ecossistemas.

Fonte: Greenpeace Portugal
Existe um crescente volume de provas científicas que demonstram que o estabelecimento de redes de reservas marinhas em larga escala, necessárias urgentemente para proteger as espécies marinhas e os seus habitats, poderia ser a solução para inverter o declínio das pescas em todo o mundo.
As reservas marinhas podem beneficiar as reservas de pesca adjacentes tanto pelo “excedente” de peixe adulto e juvenil que ultrapassaria as fronteiras da reserva, como pela exportação de ovos e larvas. Dentro das reservas, as populações aumentariam de tamanho e os espécimes viveriam mais tempo, cresceriam mais e desenvolveriam um maior potencial reprodutor.

As reservas marinhas podem mesmo vir a beneficiar as espécies altamente migratórias, como os tubarões, o atum e o espadarte, se forem criadas em locais onde essas espécies são actualmente bastante vulneráveis, como os locais de criação, de desova ou de agrupamento, como as montanhas submarinas.

As reservas marinhas em larga escala seriam áreas fechadas a todos os fins extractivos, como a pesca ou a exploração mineira, e também às actividades de eliminação. No interior dessas áreas poderiam existir zonas centrais onde não seriam permitidas actividades humanas, por exemplo áreas que actuassem como zonas de referência científica ou áreas onde existissem habitats ou espécies especialmente sensíveis.

Algumas áreas dentro da zona costeira poderiam estar abertas à pesca não destrutiva e de pequena escala, desde que sustentável dentro dos limites ecológicos, e estabelecidas com recurso à participação total das comunidades locais afectadas.

As Reservas Marinhas (RM) não se limitariam a tratar da sobrepesca – embora uma das principais razões para a criação das RM seja a preservação das populações de peixe. São cada vez mais vistas como um instrumento global essencial para proteger o ambiente marinho, inclusive relativamente à poluição – provocada em especial pela eliminação de resíduos (resíduos radioactivos, munições e dióxido de carbono).


quinta-feira, 22 de maio de 2008

Dia Internacional para a Diversidade Biológica - Em Defesa dos Oceanos


Na sequência da minha reflexão na postagem de ontem, neste dia transcrevo integralmente passagens da campanha Liberdade para os mares: agora e no futuro do sítio da Greenpeace Portugal. aqui a mais recente denúncia das corrupções da pesca à baleia por parte do Japão, após 4 meses de investição da Greenpeace. Clica na ligação e podes conhecer relatórios e o mapa com as áreas que a Greenpeace sugere que sejam protegidas, para que os oceanos possam recuperar e voltar a um cenário de abundância e intervir, apoiando a Greenpeace nesta missão vital.
A vida marinha esteve por demasiado tempo totalmente exposta à exploração por parte de quem possuísse meios para o fazer. Os rápidos avanços tecnológicos implicaram que, actualmente, a capacidade, o alcance e a potência das embarcações e do equipamento usados para explorar a vida marinha exceda de longe a capacidade da Natureza de a preservar. Se isso não for controlado, terá amplas consequências no ambiente marinho e nas pessoas que dele dependem.
A vida nos oceanos possui um incrível conjunto de formas e dimensões – desde o plâncton microscópico até à maior das grandes baleias.
Apesar disso, muitas espécies foram levadas à extinção, ou aproximam-se dela, devido a devastadores impactos humanos.
A campanha Internacional Em Defesa dos Oceanos denuncia essas ameaças, enfrenta os culpados e promove soluções como uma rede global de parques oceânicos designados reservas marinhas.


Entra em acção para recuperar os oceanos!