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sábado, 15 de agosto de 2026

As Mulheres da Nova Direita em Portugal - Bases Teóricas e Ameaça Democrática

A emergência de uma nova militância de mulheres conservadoras no espaço público português, vai mais além do   revisionismo do Movimento Nacional Feminista, do Estado Novo e tem como teorização o  manifesto, que passou para o livro Identidade e Família. Este movimento já arquitetado em meados de 2021, junto como o Manifesto Identidade e Família são duas faces da mesma moeda. Trata-se da reorganização de um Novo Conservadorismo que está a moldar a direita em Portugal e na Europa, combinando a mobilização jovem nas redes sociais com o resgate de velhos dogmas morais. Esta aliança une a linha da frente de novas bancadas e ativistas a uma elite intelectual, médica e católica tradicional. Por trás de uma estética moderna e de discursos que apelam a uma suposta "verdadeira emancipação", esconde-se uma estratégia para desmantelar conquistas sociais e, sobretudo, para branquear e apagar a herança de figuras históricas incontornáveis como Maria de Lourdes Pintasilgo.

A ascensão de quadros femininos no campo da nova direita - com destaque para deputadas do Chega como Rita Matias, e em linha com fenómenos europeus protagonizados por figuras como Giorgia Meloni em Itália - veio reconfigurar a paisagem política. Ao contrário do conservadorismo tradicional, estas protagonistas não recusam a presença pública da mulher. Pelo contrário, ocupam o palco político e usam redes digitais como o TikTok e o Instagram para defender que a "verdadeira liberdade" passa pelo regresso ao essencialismo biológico, pelo culto da maternidade e pela defesa intransigente da "família natural". O objetivo passa por disputar a narrativa dos direitos das mulheres, catalogando o feminismo moderno como um "dogma ideológico" e posicionando-se como guardiãs dos valores cristãos perante a secularização e a mudança demográfica.

Movimento de mulheres conservadoras aproxima Chega da agenda evangélica brasileira e do Novo Conservadorismo
Em Julho, o grupo juntou-se em Sintra para um evento que reuniu “mulheres conservadoras”. O lançamento oficial do movimento está anunciado para Novembro.
O pré-lançamento realizou-se a 11 de Julho, no Palácio Valenças, em Sintra, num espaço pertencente à Câmara Municipal. O encontro contou com a presença de deputadas do Chega, entre as quais Rita Matias, Cláudia Estevão e Madalena Cordeiro, e da deputada federal brasileira Priscila Costa, avançou o Diário de Notícias Brasil.
Entre as oradoras estiveram Teresa Nogueira Pinto, que integra o governo-sombra do Chega com a pasta da Cultura; Catarina Nicolau Campos, jurista e chefe de gabinete do grupo parlamentar do CDS-PP; e Rute Sousa, uma das oito influenciadoras que esteve em Israel a convite da Embaixada israelita em Portugal e que soma mais de 108 mil seguidores apenas no Instagram. Destaca-se também no centro com a credencial "REBECA" a jovem Rebeca Batista, uma das fundadoras/embaixadoras do movimento e dirigente de uma fundação evangélica internacional (The Foursquare Church).
Na apresentação das participantes, a organização fez também referência à maternidade e ao número de filhos.
O Movimento Mulheres Conservadoras Portugal ainda tem pouca informação pública disponível, mas, desde Junho, tem vindo a publicar conteúdos nas redes sociais. Entre eles está um vídeo de uma reunião com deputadas do Chega, realizada no gabinete do partido, na Assembleia da República.

A aproximação à direita brasileira ganha particular relevância pelo papel que as igrejas evangélicas desempenham no Brasil como importante base de apoio da direita e do bolsonarismo. Em Portugal, o Chega tem mantido contactos com comunidades evangélicas, mas não tem assumido, até agora, uma estratégia política especificamente dirigida a este eleitorado.

De acordo com os Censos de 2021, entre a população com mais de 15 anos residente em Portugal, cerca de 186 mil pessoas identificaram-se como “protestantes evangélicos”.

Também este movimento está associado internacionalmente aos movimentos pentecostais ou Pentecostalismo, ressurgido com mais intensidade na era MAGA, de Donald Trump (consultar embaixo os textos) 

É no centro desta disputa cultural que o novo ativismo conservador promove o apagamento do legado de Maria de Lourdes Pintasilgo. Primeira e única mulher a chefiar um Governo em Portugal e figura cimeira do movimento O Graal, Pintasilgo provou que a fé católica e o compromisso ético não exigem a submissão ao patriarcado nem o confinamento ao lar. Enquanto Pintasilgo defendeu que a emancipação das mulheres e a igualdade eram exigências do próprio Evangelho, recusando a maternidade como um destino único ou uma gaiola social, o movimento atual tenta colar a defesa da igualdade de género a um "marxismo cultural". Ao fazê-lo, estas novas frentes conservadoras omitem que a maior pioneira do feminismo e da igualdade política em Portugal foi uma mulher de fé católica, cuja ação assentava na libertação e na justiça social - e não na preservação da autoridade masculina ou do papel da dona de casa.

Se este novo ativismo feminino garante o impacto nas redes e  na rua, o livro Identidade e Família - coordenado por António Bagão Félix, Paulo Otero, Pedro Afonso e Victor Gil - serve de pilar doutrinário. A obra compila ensaios que contestam a dita "ideologia de género", o aborto, a eutanásia e o construtivismo social nas escolas. A apresentação da obra na livraria Buchholz por Pedro Passos Coelho, a par da comparência de dirigentes do CDS-PP e do Chega, evidenciou a capacidade deste movimento para cruzar pontes entre o centro-direita católico e a nova extrema-direita parlamentar.

Este processo insere-se numa vaga documentada em toda a Europa, visível na afirmação de lideranças femininas sob o lema "Sou mulher, sou mãe, sou cristã", na reação articulada contra a agenda woke em países como Espanha através do Vox, em França e na Europa Central, e na ligação a movimentos pró-vida das Américas, como a influência do CPAC ou do PL Mulher no Brasil.

Conclusão
A articulação entre a militância de novas mulheres conservadoras e a sustentação teórica do livro Identidade e Família demonstra que o Novo Conservadorismo em Portugal está estruturado. Ao usarem as ferramentas da modernidade para defender o regresso a valores tradicionais, estas frentes procuram reescrever a história recente do país. Contudo, ao fazê-lo, esbarram na memória que tentam branquear: a praxis de Maria de Lourdes Pintasilgo, a prova histórica de que ter fé e combater pela emancipação das mulheres continua a ser uma das maiores forças de libertação da democracia portuguesa.

Ler mais:

domingo, 7 de junho de 2026

Vergonha do Dia D! Pete, do Pentágono, envergonha os nossos heróis caídos da Segunda Guerra Mundial na cerimónia da Normandia ao comparar os barcos dos migrantes à invasão aliada contra os nazis!


O secretário para os Crimes de Guerra, Pete Hegseth, teve um comportamento extremamente desrespeitoso na comemoração do Dia D, hoje, na Normandia, aproveitando o evento solene para promover uma retórica anti-imigrante.

Enquanto se encontrava nas praias sagradas onde as forças aliadas lançaram a maior invasão da história para libertar a Europa da ocupação nazi, Hegseth afirmou:

«Hoje, diferentes praias europeias são invadidas por diferentes ideologias perigosas. Em Espanha, Itália, Grécia e Bulgária, chegam barcos e homens. Quando é que as capitais europeias farão algo em relação a essa invasão? Ou será que já é tarde demais?» [aqui]

Meu Deus. O Dia D foi o momento em que as tropas americanas, britânicas, canadianas e outras forças aliadas arriscaram tudo para invadir aquelas praias e derrotar o fascismo. Um dia em que parecia realmente que o futuro do mundo estava por um fio.

Desvalorizar a 82.ª comemoração desse dia com posturas políticas xenófobas e sem sentido sobre a migração é simplesmente inconcebível.

Em nome do punhado de jovens heróis que ainda estão entre nós com 100 anos ou mais, pedimos desculpa em nome do povo americano.

Num dos locais mais sagrados e históricos do mundo, o trumpista Hegseth nem sequer conseguiu mostrar algum respeito básico pelos que morreram, deixando a política de fora, por uma vez.

Que vergonha, Pete. Cala-te, porco.

Testemunho de Robert Reich
Toda Verdade aqui

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

Chameleons - Saviours Are A Dangerous Thing

[Intro]
Here he comes now

[Verse 1]
Here he comes gliding down the street
Thousand dollar trainers on his feet
All the monkeys part to let him pass
Thinks he's Jesus riding on an ass

[Pre-Chorus]
Super Nero and his ego smile
As they worship the king, dancing the tango
With opinions, roasted minions
Bow as they're kissing the ring

[Chorus]
Saviours are a dangerous thing
Saviours are a dangerous thing

[Verse 2]
Here he comes to sweep you off your feet
With his little orange parakeet
Bringing as he offers something sweet
Suck-suck-suck-suck-sucking on the teat

[Pre-Chorus]
Young Narcissus and his sisters swoon
In the madness they bring, dancing the fandango
Celebration population sings
Dancing the king

[Chorus]

[Bridge]
Far from you, I feel so very far from you
From everything you say and do, I feel so very far from you

[Pre-Chorus]
Super Nero and his ego smile
As they worship the king

[Chorus]

[Outro]
I feel so very far from you
From everything you say and do
I feel so very far from you
From everything you think is true
Here he comes now, saviours are a dangerous thing

Significado da canção
A canção "Saviours Are A Dangerous Thing", lançada pelo The Chameleons em 2024 (do álbum Arctic Moon), é uma crítica contundente ao cenário político global e ao perigo de seguir cegamente figuras messiânicas ou autoritárias.

De acordo com o vocalista e compositor Mark Burgess, o significado central gira em torno de três eixos:

1. Crítica ao Populismo e Autocracia
Burgess afirmou em diversas entrevistas que a letra reflete como as pessoas tendem a buscar "salvadores" em tempos de crise. Ele mencionou especificamente o comportamento de oficiais do governo que "fazem fila para beijar o anel de palhaços" que se comportam mais como reis autoproclamados do que como funcionários eleitos. A música faz referências visuais e líricas (como o "pequeno periquito laranja") que muitos interpretam como uma crítica à figura de Donald Trump e outros líderes populistas similares.

2. Ecos da História (Anos 1930)
O compositor declarou ver muitos paralelos perigosos entre o clima político atual e a década de 1930 na Europa — o período que precedeu a Segunda Guerra Mundial e viu a ascensão do fascismo. A canção alerta que a propaganda sedutora muitas vezes usa a "máscara da esperança" para esconder ideologias perigosas.

3. A Sedução da Propaganda
A letra explora como a humanidade se rende facilmente a promessas vazias de salvação, apenas para acabar presa por "algemas invisíveis". Termos como "Super Nero" e referências a Narciso na letra reforçam a ideia de líderes egocêntricos que queimam o mundo enquanto sorriem, enquanto seus seguidores (os "minions") os adoram cegamente.

Resumo do Conceito
O título já resume a tese da banda: "Salvadores são uma coisa perigosa". A mensagem é um chamado à vigilância individual e ao ceticismo diante de quem promete soluções fáceis para problemas complexos.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

O problema com Stephen Miller é que ele não sente vergonha. O arquiteto da política de imigração de Trump cometeu um erro em Minneapolis



Depois da morte do enfermeiro norte-americano Alex Pretti às mãos do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) dos EUA, as atenções começam a virar-se para Stephen Miller, o principal conselheiro de Donald Trump, responsável por redesenhar a política de imigração do país.

Nas redes sociais, Miller não demorou a classificar a vítima como um “aspirante a assassino”, que tentou matar agentes federais”, apenas algumas horas depois do confronto fatal entre as forças do ICE e o homem de 37 anos. Mas nem Donald Trump parece concordar com a afirmação, tendo assegurado esta terça-feira que “não” acredita que Pretti fosse um assassino.

No mesmo dia, em declarações à CNN, Stephen Miller admitiu que os agentes “podem não ter seguido” o protocolo adequado antes do tiroteio que tirou a vida a Pretti - uma posição insólita vinda de alguém conhecido por reforçar as suas convicções, de acordo com o The Guardian.

Antes de ser contrariado pelo próprio presidente, já se levantavam dúvidas sobre a ausência do conselheiro na reunião de duas horas que Donald Trump realizou com a secretária da Segurança Interna, Kristi Noem, esta segunda-feira, de onde saiu um novo anúncio: foi destacado para Minneapolis o “czar da fronteira” da Casa Branca, Tom Homan, para “recalibrar as táticas” e melhorar a cooperação com as autoridades estatais e locais.

Além de Homan ser conhecido por criticar a abordagem de Stephen Miller, Donald Trump manteve ainda telefonemas cordiais com o governador do Minnesota, Tim Walz, e com o presidente da Câmara de Minneapolis, Jacob Frey.

“O problema com Stephen Miller é que o mal é resiliente. Ele não sente vergonha, não acha que isto seja algo mau. Está convencido de que outras pessoas o envergonharam, mas não acredita que ele esteja a conduzir um ataque às liberdades constitucionais dos americanos”, afirmou Rick Wilson, co-fundador do Lincoln Project (um grupo anti-Trump), citado pelo mesmo jornal.

Em maio do ano passado, o conselheiro de Trump encomendou ao serviço de imigração três mil detenções diárias, um aumento de quase dez vezes relativamente ao ano anterior. Segundo, Larry Jacobs, diretor do Centro para o Estudo da Política e Governação da Universidade do Minnesota, o abuso de poder de Miller foi um dos principais fatores a desacreditar a política de deportação de Donald Trump.

“O facto de ele ter sido afastado da reunião na Casa Branca é uma mensagem forte para Washington de que o presidente não aprova este processo e de que tem de haver uma mudança”, reforça o responsável, afastando, ainda assim, a possibilidade de Miller vir a ser despedido. “Não espero que Stephen Miller seja despedido, porque Donald Trump apoia a política, só não apoia a forma como foi executada”, sublinhou Larry Jacobs.

Apesar de os democratas terem avançado com uma iniciativa para destituir Kristi Noem, os especialistas não têm dúvidas de que o verdadeiro culpado da tragédia de Minneapolis é Miller, que ocupa ainda o cargo de vice-chefe de gabinete da Casa Branca.

Larry Jacobs destaca Stephen Miller como o verdadeiro “arquiteto” que “tem pressionado o ICE para endurecer e apresentar mais números, trazer pessoas e só depois ver se são as pessoas certas”.

“A imprudência, a brutalidade, a falta de processo legal. Tudo isso tem raízes em Stephen Miller”, frisou o especialista.

Depois do erro de Minneapolis, o principal conselheiro de Donald Trump “terá um papel público muito menor no futuro previsível”, afirmou Henry Olsen, investigador no Ethics and Public Policy Center, em Washington.

“É claro que Trump pessoalmente não gosta, do ponto de vista das relações-públicas, do que tem estado a acontecer, e é sensível a isso, sempre foi. Ele sabe, tanto pelo seu instinto como pelo que os dados lhe dizem, que Miller e Noem não se favoreceram com a forma como abordaram imediatamente a morte” de Pretti.

Mesmo assim, corrobora a opinião dos investigadores que não acreditam numa demissão de Miller: “Ele está com Trump há bastante tempo e o presidente não tem problemas em livrar-se de subordinados que não rendem, mas suspeita-se que Miller, em muitos aspetos, está a render e, por isso, Trump não o vai atirar borda fora precipitadamente.”

“Stephen Miller é demasiado dominante no esquema mental de Trump sobre o que a base MAGA quer, para ser verdadeiramente afastado do seu círculo. Não acho que exista um mundo em que Miller não mantenha a sua autoridade e o seu poder junto de Trump”, corrobora Rick Wilson.

Henry Olsen sublinha que é do interesse de Donald Trump manter Miller por perto, já que o vice-chefe de gabinete da Casa Branca, rende onde interessa ao presidente: na televisão. É um defensor combativo de Trump, que caracteriza os democratas como uma “organização extremista doméstica” e a América como líder de um mundo “governado pela força, governado pela violência, governado pelo poder”.

terça-feira, 20 de janeiro de 2026

PJ desmantela grupo neonazi "Grupo 1143" responsável por crimes de ódio e detém 37 suspeitos


A Polícia Judiciária (PJ) desmantelou hoje uma associação criminosa que praticava crimes de ódio, tendo detido 37 suspeitos com “vastos antecedentes criminais” e “ligações a grupos de ódio internacionais”.

Em comunicado, a PJ adianta que, no âmbito da operação “Irmandade”, foram constituídos “mais 15 arguidos e realizadas 65 buscas domiciliárias e não domiciliárias”.

Os detidos, entre os 30 e os 54 anos, “adotavam e difundiam a ideologia nazi, inerente à cultura nacional-socialista e extrema-direita radical e violenta, agindo por motivos racistas e xenófobos, com o objetivo de intimidar, perseguir e coagir minorias étnicas, designadamente imigrantes”.

São suspeitos de terem fundado a organização criminosa, com uma estrutura hierárquica e distribuição de funções, “com o exclusivo propósito de desenvolver atividades que incitavam à discriminação, ao ódio e à violência racial”.

A organização é “responsável pela prática de crimes de discriminação e incitamento ao ódio e à violência, ameaça e coação agravadas, ofensas à integridade física qualificada e detenção de armas proibidas”.

Na operação, conduzida pela Unidade Nacional de Contraterrorismo, participaram cerca de 300 elementos da PJ.

Segundo a CNN Portugal, o líder do grupo é Mário Machado, conhecido neonazi que está a cumprir pena por crimes da mesma natureza e que dava as instruções a partir da cadeia, e as vítimas eram imigrantes de países islâmicos.

Fonte próxima do processo disse entretanto à Lusa que a cela de Mário Machado foi alvo de buscas hoje de manhã.

Os detidos têm marcado o primeiro interrogatório judicial, para aplicação das medidas de coação, na quarta-feira no Tribunal Central de Instrução Criminal de Lisboa.

Há dois elementos "não civis" entre os 37 detidos do Grupo 1143 durante a Operação Irmandade, esta terça-feira. A PJ não quis explicitar se se tratam de elementos das forças e serviços de segurança, na conferência de imprensa realizada poucas horas após as buscas. Mas o Expresso apurou que um destes dois elementos é um militar e o outro polícia.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

WhiteDate. 32 homens em Portugal tinham perfis no "Tinder Nazi"



Mais de 30 homens residentes em Portugal tinham contas na plataforma de encontros WhiteDate, conhecida como o "Tinder Nazi", um site que promovia encontros entre pessoas de ascendência europeia com valores "tradicionais".
 
O WhiteDate (que na tradução livre significa literalmente "Encontro Branco", referindo-se à etnia caucasiana) apresentava-se como um local para pessoas de valores "tradicionais" e de "ascendência europeia", que pretendiam contribuir para "criar uma sociedade racialmente pura".

O site foi, entretanto, apagado, mas graças ao trabalho de Martha Root (pseudónimo) - uma hacker alemã que levou a cabo a divulgação dos perfis e dados de quem tinha uma conta - é possível ainda consultar esta informação.

No site, criado pela própria, os utilizadores podem consultar um mapa mundo, onde são assinalados os perfis de quem tinha uma conta no WhiteDate. Para aprofundar a informação, pode-se ainda visitar estes perfis um a um e ler o que tinham na plataforma.


"Nascido em Portugal, mas a viver na Noruega, consciente do que significa ser europeu, procuro encontrar uma parceira de ascendência europeia para criar e cuidar de uma família", lê-se no perfil de um homem de 31 anos. 

Mais abaixo, nas orientações políticas, este utilizador admite ser de extrema-direita e até mesmo fascista.

"Estou farto de toda a degeneração que tem corroído a civilização ocidental, sobretudo nas relações entre homens e mulheres", lê-se numa outra biografia. "A necessidade de encontrar uma parceira a quem eu possa dedicar todo o meu coração na sociedade atual parece valer a pena apenas com a ajuda de iniciativas como esta comunidade romântica online para pessoas brancas", acrescenta.

E num outro perfil, este de um homem de 23 anos: "Acho que é importante para nós, brancos, termos os nossos próprios espaços, especialmente no que diz respeito às relações sexuais".

Nas dezenas de perfis, a grande maioria apresenta-se como "pro-white" ou "pró-branco", em português, com muitos a dizerem-se também anti-vacinas e a admitirem não terem sido vacinados contra a Covid-19.

As idades variam entre os 20 e os 50 anos.

Mas há um outro dado que se faz notar: em Portugal, não há um único perfil de uma mulher, apesar de todos estes homens estarem à procura de uma parceira.

De facto, no total dos oito mil perfis divulgados, com mais de 6.500 ativos na altura da exposição, cerca de 86% pertencia a homens. Apenas 14% dos utilizadores da plataforma eram mulheres.

Perante a disparidade, Martha Root chegou mesmo a ironizar, dizendo que a plataforma "faz com que a aldeia dos Smurf parecia uma utopia feminista".

A hacker alemã infiltrou-se na plataforma durante uma conferência tecnológica realizada em Hamburgo, na Alemanha, em dezembro de 2025, (onde apareceu mascarada de Power Ranger rosa para proteger a sua identidade) mas a ação resultou de um trabalho de vários meses.

Ao longo desse tempo, Root disse ter descoberto que a cibersegurança da plataforma era tão má que "faria a conta de AOL da tua avó corar".

"Imagina dizeres que fazes parte da ‘raça superior’ e esqueceres-te de proteger o teu próprio site - talvez seja melhor dominar o WordPress [plataforma de criação de sites] antes de dominar o mundo", atirou.

O WhiteDate era gerido, alegadamente, por uma mulher de extrema-direita a partir da Alemanha.

Dos cerca de 6.500 perfis ativos, cerca de metade eram dos Estados Unidos com 3.411 utilizadores. Seguia-se o Reino Unido, com 399 perfis, França, com 380, e o Canadá, com 357. A vizinha Espanha tinha 46 utilizadores. 

sexta-feira, 13 de junho de 2025

Entre os 30 neofascistas que agrediram Adérito Lopes, um escreveu para o Observador - João Augusto Henriques Gomes Martins


Quem é o novo líder nacionalista português: discreto, paciente e metódico
Discreto, paciente, metódico, estudioso, licenciado, com o dom da palavra - são algumas das capacidades que lhe são apontadas por analistas das autoridades que acompanham a evolução da extrema-direita em Portugal.

João Martins, 44 anos, condenado a 17 anos de prisão pelo homicídio de Alcindo Monteiro, é apontado pela Polícia Judiciária (PJ), PSP e Serviço de Informações de Segurança (SIS) como o novo líder em ascensão nos designados "grupos identitários", ou "fascistas do terceiro milénio" - como os caracteriza o investigador José Pedro Zúquete, num livro que escreveu sobre o tema - em crescimento na Europa.

Desde Mário Machado - ex-líder dos cabeças-rapadas hammerskins e atual dirigente do movimento nacionalista que quer ser partido, Nova Ordem Social - que não havia uma figura a concorrer para uma nova liderança dos nacionalistas. "João Martins tem sabido gerir muito bem o seu terreno de apoio, fora dos holofotes mediáticos e, nos últimos anos, sob os radares das autoridades, ao contrário de Machado", sinaliza fonte policial.

Apesar de usar as redes sociais como plataforma de divulgação dos seus ideais, não é fácil encontrar João Martins numa simples pesquisa no Google. O seu perfil só aparece no VK, um equivalente russo ao Facebook, onde partilha fotografias que mostram a sua atividade desde, pelo menos, 2012, data de uma foto de grupo em que está ao lado (e abraçado) de Gianluca Iannone, dirigente do CasaPound, um partido italiano neofascista.

Noutra foto, de dezembro de 2015, destaca-se à frente de um grupo, Misanthropic Division, em que alguns dos elementos fazem saudação nazi. Partilhou também, em outubro de 2016, a foto de um encontro em Portugal com nacionalistas de sete países.

Em 2017, foi o tradutor para português da bíblia dos identitários - Geração Identitária, do austríaco Markus Willinger, que assume a obra como "uma declaração de guerra". Para o autor, "imigração em massa" e uma "propaganda seletiva e vilipendiante" contribuem para "a transformação da Europa numa não entidade".

No acórdão do Supremo Tribunal de Justiça (STJ) sobre o caso de Alcindo é descrita a sua participação em diversas agressões a negros nessa mesma noite e, particularmente, na do cabo-verdiano. "Já no final, e com a vítima prostrada no solo em decúbito ventral, inanimada, o arguido João Martins colocou um pé sobre a cabeça da vítima, levantando os braços em atitude de triunfo", é escrito.

O STJ recorda que João Augusto de Henriques Martins, nascido a 23 de novembro de 1974, "não mostrou sinais de arrependimento" no seu depoimento em tribunal. Nesta altura, tinha 21 anos e fazia parte do grupo de Machado - também condenado neste processo - e era já tido como o "ideólogo" dos neonazis. A defesa salientou o seu "gosto pelo estudo da filosofia política" dizendo que era "possuidor de extensa literatura acerca de tal matéria".

A preocupação das autoridades com a extrema-direita é extensível a todos os grupos, mas é no movimento identitário que notam mais adesões: uma faixa etária mais jovem (muitos recrutados nas universidades), intelectualmente elevada, com solidez ideológica e normalmente sem violência - e participam em várias atividades com skins, neonazis e motards. [Diário de Notícias, 10 Fev 2019]

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terça-feira, 10 de junho de 2025

Alcindo Bernardo Monteiro - a noite em Portugal matou um dos seus

Há datas que um país carrega como cicatrizes. O 10 de junho é, em Portugal, o Dia de Camões, de Portugal e das Comunidades Portuguesas — celebração da língua, da cultura, da herança que os portugueses espalharam pelo mundo durante séculos de navegação e de encontro com outros povos. É também, desde 1995, a data em que um grupo de skinheads decidiu sair às ruas de Lisboa para matar negros. E matou.
Alcindo Bernardo Monteiro nasceu a 1 de outubro de 1967, na cidade do Mindelo, ilha de São Vicente, em Cabo Verde. A família emigrou para o Barreiro em 1978, quando Alcindo tinha onze anos, numa altura em que Cabo Verde já era independente. Alcindo voltaria a ter bilhete de identidade português em 1991. Era um homem simples, de vida ordenada. Trabalhava numa oficina de mecânica automóvel e nos tempos livres gostava de cuidar dos seus periquitos, cozinhar e dançar. Era um cidadão português. Na noite de 10 de junho de 1995, tinha 27 anos e queria apenas divertir-se.
Não chegou a fazê-lo.
Dias antes do crime, corria nos meios frequentados por skinheads a informação de que estava a ser organizado um jantar de comemoração do feriado de 10 de junho. Em particular no bar Ramis, em Almada, um viveiro de cabeças rapadas. Miguel Temporão, líder do núcleo de skinheads de Lisboa, ficou encarregado de fazer os convites. Chamavam-lhe o "dia da Raça", para assim afirmarem a sua ligação umbilical ao fascismo salazarista.
O que se seguiu pertence àquele território estreito e insuportável onde a barbárie humana não cabe em palavras, mas tem de ser dita à mesma. Um grupo de dezenas de skinheads desceu as ruas do Bairro Alto com um único propósito: espancar pessoas negras. Alcindo foi encurralado, derrubado, espancado com botas de biqueira de aço e soqueiras. Em coma profundo, foi encontrado na Rua Garrett, perto do local onde hoje ficam os Armazéns do Chiado. O óbito seria declarado às 10h30 da manhã de 12 de junho. O relatório médico registava: hemorragias sub-pleurais, edema pulmonar, graves lesões traumáticas crânio-vasculo-encefálicas, fractura da calote craniana.
Um homem morreu porque tinha a pele escura. Morreu no Dia de Portugal.
Doze vítimas foram socorridas no Hospital de S. José. Alcindo, dado o estado de extrema gravidade, foi internado. A notícia chegou às primeiras páginas dos jornais ainda antes da morte ser confirmada. O país ficou em choque — ou fez de conta que ficou. Porque o choque, em Portugal, tende a durar o tempo de um ciclo de notícias, e depois a vida volta ao ritmo costumeiro do mito de um povo naturalmente tolerante e acolhedor.
Esse mito tem nome. Chama-se lusotropicalismo. Na primeira metade do século XX, o sociólogo brasileiro Gilberto Freyre desenvolveu uma teoria sobre a relação de Portugal com os trópicos, defendendo que o processo colonial português se distinguia pela empatia e proximidade com os povos colonizados. Durante os anos cinquenta e sessenta, essa doutrina foi politicamente apropriada pelo Estado Novo para justificar a presença colonial portuguesa em África perante a comunidade internacional.
Ficou como herança mental.
A ideia de que os portugueses não são racistas porque "sempre se misturaram", porque "navegaram o mundo", porque têm essa capacidade inata e generosa de acolher o outro.
Em Portugal, uma grande parte da população — incluindo parte da classe política — continua a ver o racismo como algo de alheio, de estrangeiro, de outro. Alcindo Monteiro foi morto dentro dessa ilusão confortável.
No julgamento que se seguiu, os acórdãos registaram a completa ausência de arrependimento dos envolvidos. Em 2002, Hugo Silva foi condenado a 18 anos de prisão. Os restantes receberam penas variadas. Todos acabariam por sair em liberdade.
A mãe, Francisca Monteiro, e as irmãs de Alcindo continuam a ir ao cemitério de Vila Chã, no Barreiro, falar com ele. Quando o realizador Miguel Dores contactou a irmã Luísa, ela ouviu o silêncio do outro lado do telefone e disse apenas: "já sei do que vens falar. Nunca acaba."
Nunca acaba.
Em 2021, o antropólogo e realizador Miguel Dores, então a concluir um mestrado em Antropologia Visual na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, apresentou o documentário "Alcindo" no DocLisboa. A sessão esgotou o Cinema São Jorge. A família estava presente. O público aplaudiu de pé. O documentário é inteligente na sua abordagem, metódico — explorando as implicações que o Estado Novo e a sua herança têm nos valores coletivos que orientam o povo português. O filme ganhou o "Prémio do Público". No ano seguinte, na semana do 10 de junho, foi exibido em São Vicente, Cabo Verde — no Centro Cultural do Mindelo, na Universidade de Cabo Verde e ao ar livre, no bairro da família Monteiro.
O Estado português nunca assumiu uma memória oficial sobre este caso. Em 2019, as comemorações do Dia de Portugal realizaram-se em Cabo Verde e o nome de Alcindo Monteiro nem sequer foi referido. Em 2020, vinte e cinco anos depois, a Câmara de Lisboa inaugurou uma placa na Rua Garrett, onde o jovem foi assassinado. Tarde. Como quase sempre.
Dois dos condenados pelo assassínio de Alcindo voltariam a ser julgados décadas mais tarde. O processo Hells Angels — uma investigação de grande envergadura da Polícia Judiciária que desmantelou uma rede de violência organizada com ligações à extrema-direita portuguesa, aos neonazis e ao gangue de motards — revelou que o ódio que matou Alcindo nunca tinha deixado de existir: apenas mudara de farda. Tiago Palma e Nuno Monteiro, dois dos condenados pelo homicídio de 1995, foram condenados a 13 anos e meio de prisão por novas agressões brutais e tentativas de homicídio. O ódio não prescreve. Nem se reabilita.
O 10 de junho celebra Camões, os Lusíadas, a língua que atravessou oceanos. Celebra a ideia de um Portugal que se estendeu pelo mundo. Mas o mundo também veio ter com Portugal — em barcos de emigrantes, em famílias que fugiram da miséria ou da violência, em homens e mulheres que ajudaram a construir este país com o trabalho das suas mãos. Alcindo Monteiro era um deles. Era português. E foi assassinado no dia em que Portugal celebra ser Portugal.
Essa contradição não é acidental. É o retrato mais honesto de quem somos — e do que ainda precisamos de deixar de ser.

quarta-feira, 30 de abril de 2025

Relembrar alguns dos apoios do Chega - a 18 de Maio vamos retirá-lo do Parlamento


Num relatório publicado pela ONG norte-americana GPAHE contra ódio e extremismo, o Ergue-te foi classificado, juntamente com o ADN e o Chega, como um grupo de ódio e extrema-direita.

Aliás, o líder racista Mário Machado que votou sempre no PSD até 2000, passou depois a votar PNR e , quando apareceram os cheganos fez um vídeo na net a apelar ao voto nos cheganos. Não esquecer nem ignorar ainda a enorme quantidade trolls e bots cheganos que campeiam na rede X.

Partilha. Dia 18 vota para erradicar esta escumalha destruidora do bem estar social e democrático e violadora da Constituição da nossa República. Fascistas nunca mais.

Fonte 7 Março 2024
Quem apoia e financia o Chega merece ser nomeado. Não que o mesmo não deva ser feito com todos os demais partidos, mas a capa de virtude saneadora com que se cobre o dr. Ventura é, na situação presente, um logro que tem de ser revelado. Sabe-se, por exemplo, das formas enviesadas como o CDS chegou a ser financiado, sabe-se que os grandes grupos empresariais repetem abundantes e regulares donativos ao PSD e ao PS. A marca dos interesses de classe que se perfilam por trás destes apoios é clara, mesmo se pouco divulgados.

No caso do Chega, que se apresenta como cavaleiro da luta contra a corrupção, querendo parecer que joga por fora e contra “o sistema”, importa mostrar como, também neste aspecto, faz parte plena do sistema e dele beneficia. O seu propósito é apenas o de ganhar um lugar ao sol. Empresários variados, juristas, salazaristas, neonazis, ex-militares e ex-diplomatas – o leque fala por si.

Ver também o artigo do jornalista Miguel Carvalho no Público de 25 de fevereiro de 2024 «A grande ‘família’ do Chega».

Chega, Ventura e amigos

Quem são os ditos “portugueses de bem” que estão no Chega:

João Maria Bravo – Dono da Helibravo. Omitiu informação ao Estado e às Forças Armadas para ganhar o concurso público dos meios aéreos de combate aos fogos (Fonte: https://bit.ly/3sJiF5Y)

Subcontratou as empresas Pegasus e Elittelina. Ambas são investigadas por [terem organizado] cartéis do fogo [negócio do combate aos fogos], a primeira em Portugal, no âmbito da operação “Crossfire”, em que é suspeita de concertação de preços. (Fonte: https://bit.ly/3sJiF5Y)

Dono do Grupo Sodarca. Lidera o fornecimento de armas, munições, tecnologia e equipamento militar ao Estado, Forças Armadas e Segurança. (Fonte: https://bit.ly/39LdObv)

Paulo Corte-Real Mirpuri – Empresário que liderou a Air Luxor que acabou sufocada em dívidas, tendo os bens desaparecido misteriosamente. O processo de insolvência envolveu 51 credores e dívidas no valor de 86 milhões de euros. (Fonte: https://bit.ly/3p07Av1)

Francisco Sá Nogueira – Gerente da área turística da Helibravo. Ex-presidente da antiga holding do Grupo Espírito Santo para as atividades de agências de viagens e operador turístico, a Espírito Santo Viagens. (Fonte: https://bit.ly/2LFvMo5)

Jorge Ortigão Costa – Empresário e produtor agrícola, amante de touradas (coudelaria com o mesmo nome), cujo nome consta no Panama Papers. (Fonte: https://bit.ly/35Vrv6M)

Francisco Cruz Martins – Advogado, padrinho de casamento de Ventura, também citado no Panama Papers. Aparece também associado aos escândalos do BANIF, BES, Vale do Lobo e à elite angolana. Foi acusado pelo Estado angolano de desviar dinheiro adiantado para comprar ações do Banif. (Fonte: https://bit.ly/38ZwxkB)

Salvador Posser de Andrade – Co-administrador da antiga empresa imobiliária do Grupo Espirito Santo, e administrador da Coporgest. Usou os seus contactos para ajudar Ventura, nomeadamente a angariar dinheiro para o partido. (Fonte: https://bit.ly/2KtKRIv)

Jaime Nogueira Pinto – histórico militante fascista, “o grande pai da extrema-direita portuguesa desde o fim da ditadura salazarista” (Steven Forti). (Fonte: https://bit.ly/3qznbBZ)

Eduardo Amaral Neto – Empresário com ligações à Chamusca. Dono da sociedade de consultoria Gavião Real. (Fonte: https://bit.ly/2NcI3k0)

César do Paço – Multimilionário radicado nos EUA. Suposto apartidário doou dinheiro ao CDS e agora ao CHEGA. Viaja num jato de 55 milhões de dólares mas só declara um volume de negócios de 900 mil dólares. Na sua fundação fantasma reúne figuras do PSD, CDS-PP, Chega (José Lourenço e Diogo Pacheco de Amorim). Sócio maioritário do Clube Futebol Canelas e amigo de Fernando Madureira, líder dos Super Dragões. Financiador da equipa de Boxe do FCP que já serviu de guarda costas de A[ndré] V[entura] em acções no Porto. (Fonte: https://bit.ly/3bZ1EhZ)

Helder Fragueiro Antunes – Empresário, Engenheiro, ex-piloto de corridas. CEO da Global Data Sentinel. Parceiro de César do Paço em alguns negócios, primo de Miguel Frasquilho (chairman da TAP). (Fonte: https://bit.ly/2NcI3k0)

José Lourenço – Consultor de César do Paço e administrador da sua fundação fantasma. Presidente da distrital do Porto do Chega. Mandato e eleição no Porto envoltos em escândalos, ameaças e jogos de poder dentro do Chega. Acusado pelo ex-dirigente nacional do Chega (Miguel Tristão) de fazer entrar dinheiro de formas “estranhas” no partido. O seu nome consta da lista pública de devedores fiscais em Portugal.

Pedro Pessanha – Militar na Reserva, gestor imobiliário. Assessorou vários negócios do BES Angola (BESA), hoje Banco Económico.

Fernando Jorge Serra Rodrigues – Empresário Têxtil (sofás). Salazarista devoto, defensor da ditadura fascista do Estado Novo e divulgador de propaganda nas redes sociais. É o famoso autor da saudação nazi no jantar de apoio a André Ventura no Porto. (Fonte: https://bit.ly/3bUcO7z)

Igreja Maná (de Jorge Tadeu) – Detentora dos canais de televisão Kuriakos TV, TV Maná e ManáSat 1, tem dado especial destaque a André Ventura nos seus canais promovendo-o como “defensor da moral e dos bons costumes cristãos contra gays e outras modernices antinatureza e antifamílias”. (Fonte: https://bit.ly/3itfRoE)

Luis Filipe Graça – Sócio na mediadora Elegantalfabeto. Foi angariador imobiliário no segmento premium. Presidente da Mesa da Convenção Nacional do Chega. Foi dirigente e fundador da organização neonazi ‘NOS’, cujo dirigente máximo foi Mário Machado, o mais conhecido skinhead português. Fundador da organização neofascista ‘Portugueses Primeiro’, em que figura o conhecido assassino de Alcindo Monteiro, João Martins, e colaborou com o ‘Escudo Identitário’. Na última Convenção Nacional do Chega encabeçou a lista da Mesa da Convenção Nacional. Apareceu em vídeos com skinheads em protestos. (Fonte: https://bit.ly/2KB26rC e https://bit.ly/3o01Jo2)

Nelson Dias da Silva – Secretário da Mesa da Convenção Nacional do Chega. Porta-voz da organização “Portugueses Primeiro”, fortemente influenciada por João Martins, condenado pelo assassinato do jovem negro Alcindo Monteiro e fundador da secção portuguesa do grupo nazi ‘Misanthropic Division’, liderado internacionalmente pelos nazis ucranianos do batalhão Azov. Na última Convenção Nacional do Chega integrou a lista da Mesa da Convenção Nacional. (Fonte: https://bit.ly/3o01Jo2)

Tiago Monteiro – Dirigente nacional e líder do Chega em Mafra. Foi dirigente da organização ‘NOS’, liderada pelo skinhead Mário Machado, onde era responsável pelo concelho de Sintra. Atualmente, é responsável pela atividade do Chega em Mafra e membro do Conselho Nacional. (Fonte: https://bit.ly/3o01Jo2)

Cristina Vieira – Cartomante na TVI, antiga diretora de Operações da LibertaGia, sociedade que a partir das Bahamas terá lesado cerca de 2 milhões de clientes através de um esquema fraudulento de pirâmide. (Fonte: https://bit.ly/3p2hmMW)

António Tânger Correia – Ex-diplomata, adjunto de Freitas do Amaral durante o governo de Sá Carneiro. Suspenso de várias funções devido a várias irregularidades na gestão da embaixada em Vilnius: lesou o Estado em 348.270€ em IVA mais 411.181€/ano em despesas pessoais. (Fonte: https://bit.ly/39POZer)

Paulo Lalanda de Castro – Empresário. Referenciado nos Panama Papers, Operação Marquês e nos Vistos Gold. Acusado de corrupção no processo Máfia do Sangue. Dono da Intelligent Life Solutions, empresa que André Ventura ajudou a ilibar no pagamento de mais de 1 milhão de Euros em IVA, enquanto Inspetor Tributário.(https://bit.ly/38ZkHH1, https://bit.ly/3p0hDQL, https://bit.ly/39QYxG2 e https://bit.ly/391F7PT )

Arlindo Fernandes – Empresário, admirador de Salazar, ex-dirigente e breve deputado do CDS. Acusado em 2019 pelo MP de burla qualificada, falsificação de documentos e branqueamento de capitais em negócios imobiliários. Ameaçou de morte João Ferreira, outro dirigente do Chega. (Fonte: https://bit.ly/3p4rEMD)

Manuel de Carvalho – O “Miterrand” de Armamar. Empresário, cônsul honorário da Costa do Marfim, antigo deputado e ex-vereador do CDS (Viseu). Em 2012 foi declarado insolvente por dívidas à banca, tendo cumprido o prazo da exoneração do passivo. (Fonte: https://bit.ly/39M2ax7)

Lucinda Ribeiro Alves – Fanática Religiosa. Adepta do Sionismo Cristão que impõe, para o regresso de Jesus à Terra, a expulsão de todos os muçulmanos de Jerusalém. Jair Bolsonaro e Mike Pompeo, por exemplo, são outros destacados sionistas cristãos.(Fonte: https://cutt.ly/1jFTVXM)

Diogo Pacheco de Amorim – Membro do gabinete político da rede armada de extrema-direita (MDLP), responsável por atentados bombistas e outros ataques terroristas que levaram à morte de várias pessoas. Confesso admirador de Jean-Marie Le Pen, patriarca da extrema-direita francesa, e do primeiro-ministro húngaro de viés totalitário Viktor Orbán. Autor da última versão do programa do Chega, onde se apontam grandes semelhanças com o programa do partido de extrema-direita PNR. (Fonte: https://cutt.ly/cjFRgtj)

quinta-feira, 16 de novembro de 2023

Precisamos de mundo

Tocando bateria nas ruas de Nashville, 2020

Outros vão por esse mundo fora e não modificam a sua postura política. Exemplo: Telmo Azevedo Fernandes. É um fulano do Porto. Já o conheço há uns bons 30 anos. Depois desliguei, porque já na altura era muito conservador/republicano. Diz que já viajou por 50 países (muito mais do que eu!!) e, no entanto, tornou-se ainda mais chegófilo com a idade. Homofóbico, xenófobo. Se viaja e continua igual ou pior, quer dizer que estagnou.  Lamento.
 
Viajar é um acto de auto-aprendizagem, de conhecer e integrar em nós novas culturas, outros saberes, outros sabores (sem apropriação cultural), respeitar o diferente. 

Viajar é um acto de questionamento, de rever posições.

Por isso adoro o projecto Playing For Change. Playing For Change foi criado para inspirar e conectar o mundo através da música. A ideia deste projeto surgiu da crença comum de que a música tem o poder de quebrar fronteiras e superar distâncias entre as pessoas.

Viajar pelo mundo nos inspirou a unir muitos dos maiores músicos que conhecemos ao longo de nossa jornada. Esses músicos vêm de diversos países e culturas, mas através da música falam a mesma língua.

terça-feira, 27 de junho de 2023

"Muito preocupante". Quais os 13 grupos de extrema-direita em Portugal?


Novo relatório do Projeto Global contra o Ódio e o Extremismo identifica 13 movimentos radicais de direita em Portugal. Partido de Ventura acusado de “envenenar” o discurso público “com uma retórica racista, anti-LGBTQ+, anti-imigração e anticigana”

“A rápida ascensão e influência do Chega é um aviso de que nenhum país é verdadeiramente imune a forças exclusivistas, demagógicas, e que até mesmo minúsculos partidos de extrema-direita podem expandir rapidamente a sua base de apoio”. Este é um dos alertas vertidos no relatório da organização não-governamental norte-americana Global Project Against Hate and Extremism (GPAHE) sobre Portugal, divulgado esta terça, 27, e a que a VISÃO teve antecipadamente acesso. “O fervor nacionalista branco e anti-imigração entre os grupos de extrema-direita em Portugal é muito preocupante”, refere a presidente e cofundadora Wendy Via num comentário que acompanha o conteúdo do documento, no qual são identificados 13 “grupos de ódio e de extrema-direita” nacionais.

Fundado em 2020 por Wendy Via e Heidi Beirich, duas veteranas da luta pelos direitos civis e especialistas em movimentos extremistas, o GPAHE combate o extremismo de direita enquanto “ameaça existencial às democracias prósperas e inclusivas” e recorre a informações públicas a partir da Imprensa, de documentos e relatórios oficiais dos governos, registos judiciais, publicações, sites e contas nas redes sociais dos grupos em questão. As suas denúncias e atividade têm auxiliado o congresso dos EUA, são acolhidas em conferências da ONU e ajudaram as multinacionais de tecnologia a bloquear conteúdos extremistas que violam as regras dos seus serviço. O relatório sobre a realidade portuguesa é o quinto de uma série que inclui França, Bulgária, Irlanda e Austrália.

Active Club Portugal, Alternativa Democrática Nacional (ADN), Associação Portugueses Primeiro, Blood and Honour (B&H) Portugal, Chega, Chega Juventude, Habeas Corpus, Ergue-Te/Partido Nacional Renovador (PNR), Escudo Identitário, Força Nova, Movimento Social Nacionalista, Portugal Hammerskins e Proud Boys Portugal são os 13 grupos, partidos e movimentos cujo perfil é identificado e detalhado no documento. Segundo a GPAHE, todos mantêm “crenças e atividades que menorizam, assediam ou inspiram violência contra pessoas com base nos seus traços de identidade”.

O “veneno” Chega

No caso do Chega, a ONG norte-americana sedeada no Alabama considera que o partido liderado por André Ventura “tem trabalhado para envenenar o discurso nacional com uma retórica racista, anti-LGBTQ+, anti-imigração e anticigana” e se transformou numa espécie de casa comum para identitários, conspiracionistas, supremacistas brancos, nostálgicos de Salazar, nacionalistas cristãos e outros extremistas de direita “que apoiam o autoritarismo”.

O relatório dedica ainda alguns parágrafos à Juventude Chega, o ramo oficial da geração mais nova que aderiu ao partido liderado pela deputada Rita Matias e que, segundo o relatório, tem “membros mais radicais”. O documento destaca mensagens e afirmações públicas de dois elementos do braço juvenil da formação política de Ventura, Francisco Araújo (ramo do Porto), João Antunes (ramo de Coimbra), que difundem conteúdos abertamente racistas e fascistas. Mas há mais: Gonçalo Sousa, Afonso Gonçalves, Alexandre Gazur

Segundo a GAPHE, os dados globais recolhidos mostram que, em Portugal, “há hoje uma clara tendência de internacionalização entre elementos de extrema-direita”. E assinala ainda: “Onde antes o nacional-socialismo, a fidelidade ao regime salazarista ou as visões lusotropicalistas do império português dominavam grande parte da extrema-direita pós-25 de abril, hoje, a extrema-direita portuguesa bebe cada vez mais dos movimentos neofascistas franceses (Movimento Social Nacionalista), neofascistas italianos (Escudo Identitário/Força Nova), identitários franceses (Portugueses Primeiro/Escudo Identitário) e até dos supremacistas brancos americanos (Proud Boys Portugal)”, lê-se no documento. Embora menos influente do que nos seus homólogos franceses, a teoria da “Grande Substituição” – alegada conspiração de “elites” ou “globalistas” para “substituir” as populações europeias brancas por estrangeiros – também se apoderou de setores radicais de direita nacionais, de acordo com o relatório. “Os movimentos radicais de extrema-direita inspiram terrorismo, assassinatos em massa e políticas de restrições de direitos em todo o mundo e, como mostra o nosso relatório, os vários movimentos estão cada vez mais interligados”, refere Heidi Beirich, cofundadora do Projeto Global contra o Ódio e o Extremismo, numa outra nota que acompanha o documento. “A segurança comum e das democracias está em risco. É fundamental que as pessoas, local e globalmente, entendam o cenário radical de extrema-direita, como ele opera e como os pontos se ligam dentro dos países e transnacionalmente, a fim de combater as ameaças desses grupos, para que possamos estar à frente deles. Esperamos que estes relatórios ajudem os defensores e os decisores políticos a fazer isso.”

Pode ler o relatório na íntegra aqui, onde são explicitadas em detalhe as características de cada um destes partidos e movimentos.

sexta-feira, 23 de junho de 2023

Estudo liga preconceito a pessoas de baixo Q.I.

O estudo revela que crianças com baixo QI estão mais dispostas a realizar atitudes preconceituosas quando se tornarem adultas.


Um estudo feito pela Universidade de Ontario, no Canadá, parece ser bastante provocador. A pesquisa chegou à conclusão de que pessoas menos inteligentes - sim, isso é um eufemismo - são mais conservadoras, preconceituosas e racistas.

O estudo revela que crianças com baixo QI estão mais dispostas a realizar atitudes preconceituosas quando se tornarem adultas. A pesquisa foi publicada na revista Psychological Science. 

A descoberta aponta para um ciclo vicioso, em que esses adultos com pouca inteligência ‘orbitam’ em torno de ideologias socialmente conservadoras, resistentes à mudança e que, por sua vez, geram o preconceito.  

As pessoas menos inteligentes seriam atraídas por ideologias conservadoras, segundo o estudo, porque oferecem ‘estrutura e ordem’, o que dá um  certo ‘conforto’ para entender um mundo cada vez mais complicado. 

"Infelizmente, muitos desses recursos também podem contribuir para o preconceito", disse Gordon Hodson, pesquisador chefe do estudo, ao site Live Science. 

 Ele salientou ainda que, apesar da conclusão, o resultado não significa que todos os liberais são ‘brilhantes’ e nem que todos os conservadores são ‘estúpidos’. A pesquisa é um estudo de médias de grandes grupos, disse Gordon Hodson. 

Gordon Hodson é professor de psicologia na Brock University, onde dirige o Brock Lab of Intergroup Processes. Ele é conhecido por suas pesquisas sobre ideologia política e sua relação com preconceito, inteligência e negação das mudanças climáticas. Escreve regularmente para a revista Psichology Today.

quinta-feira, 13 de abril de 2023

Desinformação lida na tuitosfera. Gonçalo Sousa tem 47.000 subscritores no seu canal Youtube!


Dias atrás, um estudo concluiu que a geração actual tem um QI inferior à antecedente: está à vista. Este tipo de afirmações, é muito comum entre a juventude, inclusive a universitária. É lamentável.
Mas vou fazer-lhe a vontade.
Salazarismo! Qualquer pessoa honesta, que estude o modus operandi do aparelho repressivo da ditadura salazarista, sabe que se trata da réplica parola do fascismo. Tinha a PIDE. Salazarismo foi tão maligno quanto o fascismo italiano e se aproximando do nazismo alemão (campos de concentração). O nazismo teve a II Guerra Mundial. O Salazarismo fascista teve a Guerra Colonial.

domingo, 16 de outubro de 2022

Aliados de Bolsonaro usam teorias da conspiração QAnon em campanha



Teorias da conspiração criadas pela extrema-direita estão a ser usadas como estratégia política de aliados que apoiam a reeleição do presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, na segunda volta das presidenciais, segundo especialistas ouvidos pela Lusa.

"Não temos no Brasil uma militância QAnon como nos Estados Unidos em que os grupos exibem de maneiras mais vocal essa grande teoria conspiratória representada pelo QAnon, mas a gente vê elementos sendo trazidos por atores políticos 'bolsonaristas' para o debate publico", considerou o analista político Guilherme Casarões, integrante do Observatório da Extrema-direita.

Na última semana, o Brasil foi surpreendido por um vídeo gravado na Assembleia de Deus Ministério Fama, em Goiânia, no qual a pastora evangélica, ex-ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos e senadora eleita, Damares Alves, afirmava que o inferno se levantou contra Bolsonaro porque ele teria coibido um esquema de tráfico e abuso de crianças na Ilha de Marajó, no norte do país.

"Bolsonaro tem uma compreensão espiritual que vocês não têm ideia. Fomos para a Ilha do Marajó e descobrimos que nossas crianças estavam sendo traficadas por lá, e que essas crianças comem comida pastosa para o intestino ficar livre na hora do sexo anal", disse.

"Imagens de crianças nossas, brasileiras, de quatro anos, três anos, que quando cruzam as fronteiras, sequestradas, os seus dentinhos são arrancados para elas não morderem na hora do sexo oral", acrescentou no culto em Goiânia que atuou numa ação de campanha a favor de Bolsonaro, onde participou também a primeira-dama, Michelle Bolsonaro.

As declarações chocaram o país e mobilizaram as autoridades judiciais, que divulgaram um comunicado, dizendo desconhecer a existência destes crimes e pedindo esclarecimentos.

"O Ministério Público Federal (MPF) atuou, de 2006 a 2015, em três inquéritos civis e um inquérito policial instaurados a partir de denúncias sobre supostos casos de tráfico internacional de crianças que teriam ocorrido desde 1992 no arquipélago do Marajó, no Pará. Nenhuma das denúncias mencionou nada semelhante às torturas citadas pela ex-ministra Damares Alves no último dia 8", diz o órgão público brasileiro.

O MPF pediu a Damares Alves e ao Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos que apresentasse provas sobre a existência destes casos de abuso e as ações que o foram realizadas para impedi-los e ainda aguarda resposta.

O relato de Damares é muito semelhante a um conto de ficção que se tornou uma teoria da conspiração em circulação desde 2010, conhecida como "Lolitas escravas brinquedos" sobre abusos contra crianças alegadamente cometidos num país do leste europeu, publicado no 4chan.

O 4chan é fórum de discussão que se baseia na publicação de imagens e texto, geralmente de forma anónima que ganhou mais notoriedade depois que um utilizador anónimo (QAnon) ter passado a fazer publicações com informações falsas alegando ter acesso a dados de agências de segurança dos Estados Unidos sobre um grupo liderado por uma elite corrupta formada por pedófilos satanistas que sequestravam e sacrificavam crianças, criando um movimento que tem muitos adeptos no Partido Republicano.

No Brasil, o QAnon adaptou a narrativa conspiratória local e os seus disseminadores, que dizem defender valores cristãos e conservadores, usam as redes sociais para espalhar mentiras contra pessoas que fazem críticas ao Governo liderado por Bolsonaro.

"Ela [Damares Alves] que criar pânico, ela precisa criar um estado de pânico (...) Eu diria que ela é a grande liderança de teorias conspiratórias no Brasil, não só de QAnon", salientou Adriana Dias, doutorada pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), que estuda neonazismo e grupos que propagam teorias conspiratórias da extrema-direita.

"A história que a Damares conta de Marajó está num site neonazista chamado 4chan. É uma história que está no 4chan. Agora, porquê [a senadora citou este conteúdo]? Porque nos fóruns neonazistas existe muito incentivo à pedofilia. (...) Não é estranho que a ministra que deveria proteger as crianças esteja usando um site que ensina pedófilos a estuprá-las", disparou Adriana Dias.

Já Casarões reforçou que o Brasil ainda não é um baluarte QAnon, mas agentes políticos como Damares Alves, as deputadas Carla Zambelli, Bia Kisses e Eduardo Bolsonaro, deputado e filho do chefe de Estado brasileiro, têm feito uma adaptação de pontos específicos destas narrativas.

"Autorizar o emprego do cargo eletivo para a disseminação de teorias conspiratórias em geral, difamatórias e que têm um alvo muito específico ou um conjunto de alvos muito específico tem impactos muito importantes no jogo político. Permitir que isso se dissemine no mundo político terá um impacto eleitoral", ponderou Casarões.

"No caso da Damares Alves, em particular, que é uma líder evangélica, vinculada aos grupos evangélicos organizados como a Igreja Batista da Lagoinha isto também gera um outro problema que é disseminar teorias conspiratórias que vão chegar fatalmente à crescente população evangélica", completou.

Casarões considerou que, na eleição Presidencial, o impacto das teorias QAnon poderá ser mais grave porque os conceitos conspiratórias moldam a maneira como muitos eleitores veem o mundo.

"Nesse caso da eleição de 2022, percebe-se que muitas dessas teorias conspiratórias têm muito claramente um alvo que são o PT [Partido dos Trabalhadores] e o ex-presidente Lula da Silva", concluiu referindo-se ao oponente de Bolsonaro na segunda volta da eleição presidencial que acontecerá em 30 de outubro.