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sábado, 24 de outubro de 2026

Ruas com escala humana: O abismo entre as cidades de cá e as de Amsterdão


Realidade Holandesa
Estive neste Verão em Amsterdão, a capital constitucional dos Países Baixos. Guardo em mim a distância a que estamos desse País. Cá não se constroem ruas assim.
Não me refiro aos paralelepípedos. Nem à arquitetura secular holandesa.
Refiro-me à escala. À sensação.
À ideia de que uma criança de 2 anos pode simplesmente andar de bicicleta de equilíbrio no meio da rua, em pé de igualdade com qualquer outra pessoa.
E convém lembrar que efes saem do berço para a bicicleta! Tb é de referir que andar de bicicleta na Holanda é mesmo seguro. Que levar as crianças à escola num atrelado da bicicleta na Holanda não constitui uma irresponsabilidade como acontece em Portugal!

Em Portugal estamos a anos-luz
Em Portugal não é impossível, mas na grande maioria das cidades e vilas portuguesas ainda estamos muito longe dessa realidade, devido a fatores estruturais, culturais e de planeamento urbano. A razão pela qual cenas como a da imagem parecem tão distantes em Portugal assenta em três grandes pilares.

O primeiro pilar prende-se com um desenho urbano profundamente centrado no automóvel. Durante décadas, as cidades portuguesas foram projetadas e adaptadas a pensar prioritariamente nos carros, promovendo faixas de rodagem largas, estacionamento sistemático em cima de passeios e travessias pensadas sobretudo para garantir a fluidez do trânsito motorizado. Como consequência, as ciclovias surgem frequentemente em troços isolados ou vocacionados para o lazer, em zonas costeiras ou parques, raramente constituindo uma rede integrada de transporte para as deslocações do dia a dia. Além disso, falta a consolidação da cultura da "rua partilhada" — o conceito holandês de woonerf ou zona de coexistência -, que garante por lei prioridade absoluta aos peões e às crianças, obrigando os veículos a circular a passo de homem. Em Portugal, embora essa sinalização exista na lei, a sua aplicação é escassa e o seu cumprimento raramente é respeitado.

O segundo pilar envolve a desmistificação do fator topográfico. É frequente ouvir-se o argumento de que "Portugal tem muitas colinas", em contraste com a geografia plana da Holanda. Embora isso seja verdade para áreas de cidades como Lisboa, Coimbra ou Porto, muitas outras zonas e cidades portuguesas - como Aveiro, Figueira da Foz, Évora ou vastas áreas metropolitanas em zonas de vale e planalto - são maioritariamente planas e reúnem todas as condições geográficas necessárias. Somado a isto, a rápida massificação das bicicletas elétricas veio demonstrar que o relevo deixou de ser uma barreira insuperável para a mobilidade suave.

Por fim, o terceiro pilar reside na mudança cultural e na vontade política. Hoje em dia, nenhum pai ou mãe em Portugal sente a segurança necessária para deixar uma criança de dois anos circular numa bicicleta de equilíbrio no meio da rua, dada a ausência de confiança no comportamento dos condutores e a falta de proteção física do próprio espaço urbano. Contudo, assiste-se a uma evolução MUITO lenta, mas em curso. Pequenas amostras de mudança começam a surgir por todo o país, visíveis na pedonalização de centros históricos, no teste de superblocos, na implementação de projetos de ruas escolares e no crescimento de redes transitáveis em concelhos como Matosinhos, Aveiro, Lisboa ou Torres Vedras.

Saber mais:

quarta-feira, 12 de agosto de 2026

Dia Mundial do Elefante 20026


Introdução e Contexto Histórico

Celebrado anualmente a 12 de agosto, o Dia Mundial do Elefante - instituído em 2012 por iniciativa da realizadora canadiana Patricia Sims e da Elephant Reintroduction Foundation da Tailândia - constitui um marco global para a consciencialização sobre a preservação e gestão sustentável da família Elephantidae. Em 2026, a efeméride assume um caráter de acrescida urgência analítica: o declínio demográfico persistente em África e na Ásia impõe a revisão contínua das estratégias de gestão de ecossistemas, o combate ao comércio ilícito de marfim e a reavaliação ética dos modelos do ecoturismo e dos safaris.

1. Divergência taxonómica: as três espécies reconhecidas
A biogeografia contemporânea e a genómica populacional reconhecem atualmente três espécies distintas de elefantes:
  1. Elefante-de-savana-africano (Loxodonta africana): é o maior mamífero terrestre do planeta. Distribui-se maioritariamente pelas savanas e habitats abertos da África Subsaariana. Encontra-se classificado como Em Perigo (EN) pela Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da IUCN.
  2. Elefante-da-floresta-africano (Loxodonta cyclotis): distinguido formalmente do L. africana devido a evidências genéticas inequívocas, habita as florestas tropicais densas da África Central e Ocidental. De menor porte e com presas mais retas, está classificado como Em Perigo Crítico (CR) pela IUCN, tendo sofrido perdas drásticas devido à caça furtiva.
  3. Elefante-asiático (Elephas maximus): presente de forma fragmentada em 13 países do Sul e Sudeste Asiático. Morfologicamente caraterizado por orelhas menores e por uma única projeção digital na tromba, encontra-se igualmente classificado como Em Perigo (EN) na IUCN Red List.
2. Ponto de Situação Populacional e Ameaças
De acordo com os dados compilados no African Elephant Database mantido pela IUCN, estima-se que restem cerca de 400.000 a 415.000 elefantes africanos na natureza. Relatórios da World Wildlife Fund (WWF) e do programa CITES MIKE (Monitoring the Illegal Killing of Elephants) indicam que a população do elefante-da-floresta declinou mais de 86% em três décadas. A população selvagem de elefantes asiáticos é estimada em apenas 40.000 a 50.000 indivíduos.

As pressões antrópicas organizam-se em três eixos centrais:
  1. Caça furtiva e tráfico: a procura ilegal de marfim continua a perturbar as demografias locais.
  2. Fragmentação de habitat: a conversão agrícola e a urbanização destroem cenários de dispersão.
  3. Conflito Humano-Fauna (CHF): o aumento das sobreposições territoriais gera episódios letais de retaliação motivados pela destruição de culturas agrícolas.
3. Estratégias de Preservação e Conservação
As respostas institucionais assentam na transição para abordagens integradas de paisagem e tecnologia:
  1. Corredores ecológicos Transfronteiriços: iniciativas de grande escala, como a KAZA TFCA (Kavango-Zambezi Transfrontier Conservation Area), conectam parques nacionais em cinco países da África Austral, garantindo rotas de migração seguras.
  2. Tecnologia de rastreio e monitorização: implementação de coleiras com GPS via satélite geridas por organizações como a Save the Elephants e aplicação da plataforma de dados SMART (Spatial Monitoring and Reporting Tool) pelas brigadas de fiscalização.
  3. Mitigação biológica do CHF: desenvolvimento de cercas de colmeias (beehive fences) promovidas por projetos científicos como o Elephants and Bees, que aproveitam o repúdio natural dos elefantes relativamente às abelhas para afastar os animais de áreas agrícolas.
4. Restrições no turismo de safari e atividades recreativas
A indústria do ecoturismo atravessa uma reestruturação normativa impulsionada pelo bem-estar animal e por relatórios globais de entidades como a World Animal Protection.

Proibição de Safaris de Montaria (Elephant Rides)
A exploração turística assente na montaria e contacto direto tem sido desmantelada progressivamente:
Na África Austral (em particular no Botsuana), as diretivas da indústria de safari e das autoridades de conservação baniram as práticas comerciais de passeios a dorso de elefante.

No Sudeste Asiático (Tailândia), estudos de monitorização continuada promovidos pela World Animal Protection registam uma queda consistente na oferta de viagens a monte e a transição gradual para o modelo de "apenas observação" (observation-only sanctuaries).

Restrições de Capacidade e Impacto Ambiental em Safaris
Nos ecossistemas de safari em parque aberto (como no Parque Nacional do Chobe ou na Reserva do Masai Mara), os organismos governamentais aplicam diretrizes rigorosas:
  1. Lotação por avistamento: proibição de aglomeração de mais de 2 a 3 veículos em simultâneo junto a manadas.
  2. Manutenção de distâncias mínimas: para evitar stresse comportamental nas matriarcas e crias.
  3. Proibição do Off-Roading: Confinamento estrito aos trilhos oficiais para evitar a degradação da flora nativa.
Considerações Finais
A análise do estado de conservação dos elefantes em 2026 demonstra que a viabilidade a longo prazo da família Elephantidae depende da consolidação de corredores ecológicos contínuos, do combate intransigente ao crime ambiental e da transição definitiva do turismo recreativo para um modelo ético, sustentável e baseado exclusivamente na observação à distância.

quinta-feira, 30 de julho de 2026

Dia Internacional das Áreas Marinhas Protegidas: primeira celebração em Portugal acontece no Algarve no dia 1 de agosto


No próximo sábado, dia 1 de agosto, assinala-se mais um Dia Internacional das Áreas Marinhas Protegidas, e Portugal junta-se à celebração pela primeira vez.

Criada em 2021 por organizações da África do Sul, desde então transformou-se num movimento global, apoiado pela Década do Oceano das Nações Unidas. O grande objetivo é sensibilizar para a importância das áreas marinhas protegidas na conservação dos oceanos, no desenvolvimento sustentável e no bem-estar das comunidades humanas.

Em Portugal, as celebrações serão realizadas de forma descentralizada em Albufeira, Lagoa e Silves, os três municípios abrangidos pelo Parque Natural Marinho do Recife do Algarve – Pedra do Valado, a primeira área marinha protegida a ser criada em Portugal no século XXI e também a primeira de interesse comunitário. Abrangendo cerca de 156 quilómetros quadrados, protege um dos mais importantes recifes rochosos costeiros do Algarve, reconhecido pela sua elevada biodiversidade e pela relevância ecológica, social e económica que representa para a região.

O Parque Natural Marinho do Recife do Algarve – Pedra do Valado foi criado em 2024

A organização regional fica a cargo da AIMM – Associação para a Investigação do Meio Marinho, com o apoio da Fundação Oceano Azul. Entre os parceiros contam-se também o CCMAR – Centro de Ciências do Mar da Universidade do Algarve, a Associação de Pescadores de Armação de Pêra, os municípios de Albufeira, Lagoa e Silves e a Marina de Albufeira. Em comunicado, a AIMM diz que a iniciativa conta ainda com a adesão de várias empresas marítimo-turísticas da região.

“A celebração assume especial relevância a nível nacional e internacional por assinalar a primeira participação de Portugal nesta iniciativa internacional dedicada à valorização e divulgação das áreas marinhas protegidas”, diz a organização coordenadora.

Ao longo do dia 1 de agosto, serão promovidas várias ações destinadas a divulgar o Parque Natural Marinho do Recife do Algarve – Pedra do Valado, a sua biodiversidade e a importância da sua conservação.

Em Albufeira, a AIMM, juntamente com outros parceiros, estará presente na inauguração da exposição “Parque Natural Marinho do Recife do Algarve – Pedra do Valado”, marcada para as 11h00, no Espaço Expositivo P5, na baixa de Albufeira. A inauguração contará com uma breve apresentação da AIMM sobre o Dia Internacional das Áreas Marinhas Protegidas e a importância desta área.

Das 1294 espécies de fauna e flora reportadas na costa algarvia, 889 foram identificadas na Pedra do Valado. 703 são invertebrados, 75 são espécies de algas, e 111 são peixes, incluindo espécies com estatuto de conservação, como os cavalos-marinhos e os meros. 

Em Silves, a AIMM, em colaboração com o CCMAR e a Associação de Pescadores de Armação de Pêra, irá promover, na Praia dos Pescadores, em Armação de Pêra, um peddy-paper com jogos e dinâmicas relacionados com o Parque. Está também prevista uma demonstração, por parte dos pescadores locais, das artes de pesca tradicionalmente utilizadas na região. As atividades decorrerão entre as 9h30 e as 11h00.

Por fim, em Lagoa, a AIMM estará presente na Praia de Benagil, onde investigadores da organização irão colaborar, ao longo do dia, nos briefings dirigidos aos visitantes das grutas de Benagil que realizem a visita de caiaque.

terça-feira, 2 de junho de 2026

Nem todos os narizes são iguais

Além do horizonte olfativo: uma Análise científica sobre a perceção química nos Mamíferos

Introdução
A perceção do mundo que nos rodeia é moldada pelos limites dos nossos próprios sentidos. Para o ser humano, a visão tende a ser o sentido primordial, o que frequentemente nos leva a subestimar a complexidade do universo químico que outros animais habitam. O infográfico analisado ilustra as distâncias estimadas a que diferentes mamíferos conseguem detetar o odor humano, variando entre escassos três metros na nossa própria espécie e impressionantes dezenas de quilómetros no reino dos grandes carnívoros e megafauna. Embora a propagação de partículas de odor na atmosfera dependa criticamente de variáveis ambientais dinâmicas — como a humidade, a velocidade e direção do vento, e a topografia do terreno —, a biologia molecular e a ecologia comportamental fornecem bases sólidas que validam a extraordinária assimetria retratada na imagem.

A Supremacia Genética do Elefante
No infográfico, o elefante surge com uma capacidade de deteção estimada em 15 quilómetros. Longe de ser um exagero hiperbólico, esta marca encontra eco direto na genética evolutiva. Em 2014, uma equipa de investigadores liderada por Yoshihito Niimura publicou um estudo pioneiro na revista Genome Research, onde examinou o repertório de genes de recetores olfativos (OR, do inglês Odorant Receptor) em treze espécies de mamíferos.

Os resultados revelaram que o elefante-africano (Loxodonta africana) possui cerca de 2 000 genes funcionais dedicados ao olfato, estabelecendo o recorde absoluto do reino animal conhecido. Esta dotação genética é mais do que o dobro da registada nos cães e cerca de cinco vezes superior à dos humanos. No plano ecológico, a organização Tsavo Trust e o SeaWorld documentam que este apuradíssimo sentido permite aos elefantes detetar massas de água subterrâneas ou frentes de chuva a distâncias que ultrapassam os 19 quilómetros, o que valida cientificamente a estimativa apresentada para a deteção do odor humano.

O Urso e o limiar máximo da quimioperceção terrestre
O limite superior do infográfico pertence ao urso, com uma distância de 30 quilómetros. Na literatura biológica, a anatomia nasal dos ursídeos é descrita como uma obra-prima da engenharia natural. A área de superfície da sua mucosa olfativa e a complexidade dos seus cornetos nasais são proporcionalmente massivas quando comparadas com o volume do seu crânio.

De acordo com dados partilhados pelo North American Bear Center e validados pelo National Park Service (NPS) dos Estados Unidos, o olfato é o sentido mais importante para a sobrevivência de um urso. Em ecossistemas polares, onde a dispersão de odores é facilitada pelas correntes de ar sobre superfícies planas de gelo, os ursos-polares (Ursus maritimus) demonstram a capacidade de rastrear o odor de focas ou carcaças de baleia a distâncias de 30 a 40 quilómetros, conseguindo inclusive localizar presas escondidas sob camadas de neve com um metro de espessura.

Canídeos e o mito do olfato humano "inútil"
O infográfico atribui distâncias de 2 e 3 quilómetros para o cão e para o lobo, respetivamente. Esta proximidade de valores justifica-se pela partilha de uma herança evolutiva direta. Enquanto o nariz humano médio contém cerca de 5 a 6 milhões de células recetoras, o focinho de um cão de caça ou de um lobo selvagem alberga até 300 milhões. Estudos de ecologia comportamental de canídeos confirmam que, em condições meteorológicas favoráveis, uma alcateia de lobos em linha de vento consegue detetar a presença de ungulados (como veados ou alces) a mais de 2,5 quilómetros de distância.

Por oposição, o ser humano surge na base da tabela com apenas 3 metros. Historicamente, a ciência perpetuou o mito de que a nossa espécie era "anósmica" ou fundamentalmente incapaz de processar odores de forma eficaz. No entanto, um artigo de revisão crucial publicado na revista Science pelo neurocientista John McGann veio reescrever esta narrativa. McGann demonstrou que o bolbo olfativo humano possui uma excelente capacidade de diferenciação química, sendo o nosso limiar de deteção comparável ao dos ratos e cães para certos compostos específicos. A limitação humana representada na imagem não advém, portanto, de uma incapacidade absoluta do órgão, mas sim da nossa postura bípede, da redução da área nasal e da ausência de comportamentos de rastreio ativo ao nível do solo. Três metros representam, com precisão, a distância média a que a pluma térmica e volátil do odor corporal humano se dissipa no ar num ambiente estagnado.

Conclusão
O infográfico em análise atua como uma excelente ferramenta de divulgação científica ao traduzir dados complexos de biologia molecular e anatomia comparada em métricas de distância facilmente compreensíveis pelo público leigo. Embora na natureza a eficácia real do olfato nunca seja um valor matemático fixo, os dados apresentados encontram amparo na literatura científica. Compreender que um urso nos pode cheirar a trinta quilómetros ou que um elefante possui um mapa genético olfativo cinco vezes mais complexo que o nosso convida-nos a uma reflexão profunda sobre a nossa própria perceção, relembrando-nos de que a nossa experiência sensorial é apenas uma fração modesta do espectro percetivo da biosfera.

Infográfico adaptado ao sistema métrico norte-americano


Referências Bibliográficas
McGann, J. P. (2017). Poor human olfaction is a 19th-century myth. Science, 356(6338), eaam7263. 

Niimura, Y., Matsui, A., & Touhara, K. (2014). Extreme expansion of the olfactory receptor gene repertoire in African elephants. Genome Research, 24(9), 1485-1496. Disponível em:

North American Bear Center. (s.d.). Bear Sense of Smell. Informação técnica e comportamental sobre ursídeos. 

National Park Service (NPS). (s.d.). Bears and Scent Detection in Wilderness Areas. U.S. Department of the Interior. 

Tsavo Trust. (s.d.). The Senses of the African Elephant: Survival in the Savannah. Relatórios de conservação e ecologia de campo. 


sexta-feira, 29 de maio de 2026

Olhar nos olhos de uma ave

Papa-amoras-comum (Curruca communis)

"Olhar nos olhos de uma ave não é encarar um reflexo primitivo do passado, mas sim vislumbrar uma forma alternativa de inteligência. Sob o crânio minúsculo de um pássaro esconde-se um novelo de engenho: uma mente que mapeia continentes sem bússola, que cria ferramentas com a astúcia de um artesão e que reinventa a música todas as manhãs. A verdadeira genialidade das aves não está na capacidade de voar, mas na audácia de compreender o mundo com um cérebro do tamanho de uma noz."-Jennifer Ackerman

domingo, 15 de fevereiro de 2026

Firecrest ou Estrelinha-real

Firecrest (Regulus ignicapilla)

The smallest passerine of Europe
"In the emerald cathedrals of the forest, there dwells a tiny sovereign—the Firecrest. Though he is but a thumb’s weight of breath and bone, the smallest spark in Europe’s vast woods, he refuses to be overlooked. He wears a sliver of the sun upon his head as a crown, a fierce golden stripe that belies his fragile frame.

He does not sing to explain the wind or to justify his place among the towering pines. He sings because he is a miniature masterpiece, casting a melody as bright and sharp as a needle’s point into the quiet air. To see him is to realize that beauty is never measured by scale, but by the fire one carries within." 
- João Soares 09.02.26

quarta-feira, 19 de novembro de 2025

Oposição à Central Solar Fotovoltaica SOPHIA e às Linhas de Muito Alta Tensão (LMAT) - posição da Rewilding Portugal


A Rewilding Portugal manifesta a sua oposição firme e fundamentada ao projeto de instalação da Central Solar Fotovoltaica SOPHIA (CSF Sophia), e às Linhas de Muito Alta Tensão (LMAT) associadas, atualmente em consulta pública. Esta posição assenta na análise detalhada dos dados oficiais do Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e na avaliação dos riscos ecológicos, sociais e territoriais que o projeto representa para o centro interior de Portugal, em particular para os concelhos do Fundão, Penamacor e Idanha-a-Nova, com impactos significativos e irreversíveis para os ecossistemas locais, para a paisagem, para as comunidades desta região e para o modelo de desenvolvimento sustentável do território que defendemos.

Embora reconheçamos a urgência e a importância da transição energética, consideramos que o projeto em causa não cumpre critérios mínimos de sustentabilidade territorial, ecológica e social. Foram revelados impactos significativos e irreversíveis sobre ecossistemas de elevado valor, sobre a paisagem rural da Gardunha e sobre comunidades que têm vindo a investir na regeneração ecológica e no turismo de natureza. As medidas de mitigação e compensação apresentadas são insuficientes e não respondem à escala dos danos previstos e não acreditamos que exista mitigação possível para tamanha destruição e artificialização da paisagem em causa. Entendemos por isso que o projeto SOPHIA não representa uma transição energética justa, mas sim um modelo de artificialização do território incompatível com os princípios de conservação, restauro ecológico e coesão territorial.

O que está em causa?
Segundo o EIA, esta central solar ocupará uma área total superior a 3.500 hectares, dos quais cerca de 434 serão diretamente impermeabilizados por painéis solares, caminhos e infraestruturas associadas. O projeto estende-se por três concelhos e integra duas linhas de muito alta tensão (400 kV), com cerca de 22 km cada, para ligação à subestação do Fundão. Estas linhas atravessam zonas agrícolas, povoamentos florestais e vales de ribeiras que mantêm ainda uma conetividade ecológica relevante.

Reconhece-se ainda que a área de implantação abrange e marginalmente intercepta zonas classificadas, nomeadamente a Zona Especial de Conservação (ZEC) da Serra da Gardunha (Rede Natura 2000) e a Área de Paisagem Protegida Regional da Serra da Gardunha. O limite sul do projeto aproxima-se também do Geopark Naturtejo Mundial da UNESCO, inserido numa paisagem de alto valor natural e patrimonial. Foram identificados portanto sete tipos de habitats naturais de elevado valor ecológico, incluindo montados de Quercus de folha perene, carvalhais, salgueirais, freixiais e florestas aluviais, ecossistemas protegidos pela legislação nacional e comunitária.

O mesmo estudo regista 231 espécies de vertebrados na área em causa, das quais 30 com estatuto de ameaça. Entre as espécies mais sensíveis estão a Cegonha-preta (Ciconia nigra), o Abutre-preto (Aegypius monachus), a Águia-imperial (Aquila adalberti) e várias espécies de quirópteros, anfíbios e répteis protegidos. No domínio florístico, foi confirmada a presença de Bufonia macropetala, endemismo ibérico raro e indicador de solos mediterrânicos intactos. Espécies frágeis, com estatutos de conservação preocupantes e habitats disponíveis já reduzidos e fragmentados.

O estudo confirma ainda que a construção implicará a desmatação e abate de árvores legalmente protegidas, nomeadamente azinheiras e sobreiros isolados, com impacto qualificado como negativo e significativo. As medidas compensatórias propostas, como a conversão de 135 hectares de eucalipto em azinheiras e sobreiros, num total de 228 hectares de compensação ecológica, não demonstram ganhos líquidos de biodiversidade e não eliminam a perda irreversível de habitats locais. Não podemos continuar a substituir habitats complexos, bem estabelecidos e com influência num enorme número de espécies com populações estabelecidas por novas plantações que demorarão muito tempo a chegarem a esse estado de funcionalidade. A análise técnica confirma também a interrupção dos corredores ecológicos designados “Raia Norte” e “Raia Sul” (PROF Centro Interior), fragmentando áreas críticas para deslocação e reprodução de fauna selvagem. Numa altura em que falamos na necessidade urgente de criar e reforçar corredores ecológicos que permitam movimentos de fauna pela paisagem, um corte a meio num desses corredores é incoerente, perigoso e injustificável.

A nossa posição contra este projeto assenta por isso em três pilares: biodiversidade, comunidades e visitação:

1. Biodiversidade
A natureza precisa de espaço e conectividade para prosperar e o projeto SOPHIA ignora esse princípio de forma flagrante, ao implantar uma megaestrutura solar num mosaico de habitats que funciona como corredor ecológico regional, cortando a continuidade entre áreas naturais da Gardunha, Raia e Malcata, e criando assim uma barreira física e ecológica difícil de reverter.

A fragmentação e impermeabilização do solo comprometem a mobilidade de mamíferos de grande e média dimensão, como o lobo-ibérico (Canis lupus signatus), entre outros, e afetam espécies frágeis e a flora mediterrânica adaptada a solos pobres, como a rara Bufonia macropetala. A destruição destes habitats e comunidades vegetais, reconhecida pelo próprio EIA como um impacto negativo e significativo, prejudica polinizadores, aves insectívoras e a cadeia trófica nesta região.

Esta postura contraria compromissos nacionais e europeus de proteção de habitats prioritários, que continuam a ser ignorados em situações como esta e nos quais falhamos metas sucessivamente, incorrendo em constantes multas que continuam a ser pagas como o preço de uma inação nacional difícil de compreender.

A chamada “transição verde” não pode justificar a repetição de erros de fragmentação da paisagem que a conservação e muitas entidades neste sector lutam por corrigir há décadas, com dificuldades e muitas vezes em contexto de subfinanciamento.

2. Comunidades
A Rewilding Portugal sublinha que as comunidades locais afetadas por este projeto estão a ser duplamente penalizadas pela sua interioridade: sofrem o impacto direto desta instalação e, apesar das promessas genéricas de retorno económico e de mitigação de impacto, não têm garantido qualquer benefício tangível ou proporcional aos custos ambientais e sociais que estarão a suportar. A ausência de processos verdadeiramente participativos para as comunidades, revela uma falta de transparência que não pode ser aceite em projetos de tamanha dimensão e risco.

Importa referir que as populações locais serão confrontadas com: perda de áreas agrícolas e florestais, ruído e poeiras durante a construção, alteração irreversível da paisagem rural até do ponto de vista visual, desvalorização de propriedades e limitação de usos tradicionais da terra e principalmente: a perda das paisagens biodiversas e ricas que são muitas vezes o motivo da sua continuidade no território. Os territórios da Beira Interior têm uma forte identidade rural e ecológica, hoje dinamizados por pequenos negócios de turismo, agricultura biológica e iniciativas de restauro ecológico com impacto positivo na paisagem em que se inserem. A sua substituição por uma megaestrutura de painéis solares representa um choque cultural e económico.

É inaceitável que a transição energética seja feita à custa dos territórios de menor densidade populacional, destruindo-lhes o maior ativo que ainda existe e perpetuando assim desigualdades históricas e contrariando o princípio de justiça ambiental que devia imperar.

3. Visitação
A Beira Interior tem vindo a afirmar-se como destino emergente de turismo de natureza e conservação. A Serra da Gardunha, a ZEC adjacente e o Geopark Naturtejo oferecem uma combinação única de paisagem, biodiversidade e património cultural. O impacto visual deste projeto, com intrusão paisagística e reflexos visíveis a grandes distâncias vai impactar de forma irreversível a perceção de “natureza intacta” que ainda persiste neste território e que o torna tão atrativo.

Este tipo de impacto ameaça diretamente o turismo de natureza, que tem crescido consistentemente nos últimos anos, assente num modelo de desenvolvimento sustentável que tem pautado a estratégia recente destes territórios e da qual temos sido promotores, vendo agora todo o trabalho realizado a ser colocado em causa.

Muitos dos nossos parceiros da Rede Côa Selvagem, que têm criado novas oportunidades e emprego local baseado na natureza, em comunhão com o território e garantindo novas estratégias de atração para esta região, enquanto contribuem também para o restauro ecológico destes espaços naturais, vão ser diretamente ou indiretamente afetados por este projeto: ou porque operam também no território afeto ao projeto ou porque, mesmo estando em localizações limítrofes como é o caso do Grande Vale do Côa, sentirão também os inevitáveis impactos negativos do projeto principalmente no que diz respeito à severidade com que o mesmo afetará a biodiversidade e ecossistemas locais, podendo criar uma descontinuidade profunda na paisagem.

Um modelo de desenvolvimento como este que agora nos é apresentado, destrói a paisagem e a biodiversidade e elimina assim o próprio ativo que sustenta a economia verde da região: o próprio verde da paisagem.

Posto isto,
A falta de transparência neste processo é um aspeto grave que já devia sido endereçado mais cedo. A falta de clareza quanto às origens e intenções do investimento suscita dúvidas legítimas sobre o seu enquadramento estratégico e ambiental. Uma transição energética justa exige transparência total: quem ganha, quem perde e como são tomadas as decisões.

Rejeitar o SOPHIA não significa rejeitar a energia solar. Significa exigir planeamento responsável, transparência e justiça ecológica. Existem muitas outras áreas já artificializadas, abandonadas após uso e intervenção humana, ou mesmo a cobertura de edifícios públicos e outras faixas, que permitiriam a produção desta mesma energia sem implicar a destruição de habitats e a criação de uma monocultura tecnológica. Exista coragem para tomar essas decisões, porque centrais solares de grande escala, se mal localizadas, substituem ecossistemas vivos por superfícies mortas, criando desertos ecológicos num país que precisa de se renaturalizar, reconectar e restaurar.

Propomos por isso ao Governo e às entidades competentes que promovam: o mapeamento de áreas artificializadas disponíveis para este tipo de instalações; incentivos fiscais robustos à colocação de painéis em edifícios públicos, logísticos e industriais; e a criação de um programa de Transição Energética com Natureza, que assegure que cada megawatt produzido contribui também para restaurar ecossistemas, e que é produzido sem os colocar em causa.

Perante os factos expostos e a gravidade dos impactos reconhecidos pelo próprio EIA, a Rewilding Portugal apela à rejeição integral do projeto SOPHIA e das LMAT associadas.

Acreditando que o futuro da energia deve caminhar lado a lado com uma recuperação da biodiversidade e de ecossistemas completos e funcionais, a Rewilding Portugal defende ainda que Portugal deve liderar uma verdadeira transição ecológica, e não apenas energética. A crise de biodiversidade e climática a que estamos a assistir exige decisões corajosas, não susceptíveis a pressões externas e fins meramente económicos.

Não existe mitigação possível para se cortar um corredor ecológico ao meio, criando novas barreiras a uma natureza já por si tão obstruída e fragmentada. Se o preço a pagar é a própria biodiversidade, não lhe chamem energia verde.


Segue um dossier com textos e intervenções dos editores do Jornal O Maio. "Não comemos painéis solares"

segunda-feira, 3 de novembro de 2025

Dia 3 de Novembro - Dia Mundial das Reservas da Biosfera


A Reserva da Biosfera do Paul do Boquilobo (RBPB) é uma Reserva da 1ª Geração, classificada desde 1981 pela Unesco, tendo sido a nível nacional a primeira área portuguesa a ser integrada na Rede Mundial de Reservas da Biosfera. 
A Reserva da Biosfera do Paul do Boquilobo constitui o maior ecossistema de água doce do país. Localizada no distrito de Santarém, a RNPB distribui-se entre dois concelhos, Golegã e Torres Novas, a que correspondem duas regiões, O Alentejo e o Centro, bem como duas sub-regiões, a Lezíria do Tejo e o Médio Tejo. Ocupando os concelhos de Torres Novas e Golegã, a RBPB desenvolve-se sobre uma área de 5 896 ha integrando as localidades de Golegã, Riachos, Azinhaga, Pombalinho e Boquilobo, abrangendo uma população total de 8 450 habitantes traduzidos em 3.919 famílias. Da população abrangida pela RBPB 10% está empregada no sector primário, 20% no sector secundário e 70% no terciário. 
Em 1996, a Reserva de Paúl do Boquilobo foi considerada uma Zona Húmida de Importância Internacional ao abrigo da Convenção de Ramsar. Dada a sua importância para a avifauna, está também classificada, desde 1999, como uma Zona de Proteção Especial, de acordo com a Diretiva n.º 2009/147/CE. 
A agricultura e a pecuária são as principais atividades económicas da região e atraem visitantes em busca de um turismo rural que valorize os espaços da ruralidade e da natureza. Existem marcas da presença humana no território da Reserva da Biosfera desde o paleolítico, sendo possível encontrar vestígios dessa presença em grutas como a Buraca da Moura ou a Lapa da Bugalheira.

sábado, 25 de outubro de 2025

Bicicultura Portugal


Sabiam que andar de bicicleta também faz bem ao cérebro?
Um estudo científico com quase 480 mil pessoas acompanhadas durante mais de 13 anos concluiu que, quem escolhe a mobilidade activa (especialmente a bicicleta), tem um risco menor de demência de todos os tipos.
Como se não bastasse, estes ciclistas também apresentaram volumes maiores em regiões fundamentais do cérebro.
Todas as deslocações de bicicleta contam quando fazemos da bicicleta uma parte da nossa mobilidade urbana, mas também da nossa saúde mental!

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2025

Dia Internacional do Guia de Turismo



A federação mundial de associações de guias turísticos (WFTGA) aponta para este ano o importante o papel do guia enquanto embaixador da paz. Este, é na realidade, um dos valores mais importantes que atualmente deveremos colocar como objetivo maior em qualquer visita a locais de património cultural o natural.

O recente conceito de interpretação baseada em valores desenvolvido conjuntamente pela UNESCO e pela Interpret Europe, salienta a paz e a sustentabilidade como valores fundamentais para a nossa sociedade.

A Interpret Europe realiza em Portugal uma formação certificada de interpretação do património para visitas guiadas que se apresenta como transformadora e disruptiva. São apresentadas as ferramentas e estratégias de interpretação do património para proporcionar experiências significativas aos visitantes, valorizar os locais visitados e permitir uma atividade mais agradável para os profissionais.

A diferença entre "guia de turismo" e "guia turístico" reside em suas definições: "guia de turismo" refere-se ao profissional que acompanha, orienta e informa turistas, enquanto "guia turístico" é um material, como um livro, folheto ou site, com informações sobre um destino turístico.

Guia de Turismo (profissional):
É um profissional habilitado e registrado no Ministério do Turismo, responsável por conduzir grupos de turistas ou viajantes individuais.
Fornece informações detalhadas sobre a história, cultura, pontos turísticos e outros aspectos relevantes do destino.
Garante a segurança e o bem-estar dos turistas durante a viagem.
Pode atuar em diversas áreas, como turismo ecológico, histórico, cultural, entre outros.
Para exercer a profissão, é necessário realizar um curso técnico e obter o registro no Ministério do Turismo.

Guia Turístico (material):
É um material informativo, como um livro, folheto, mapa ou site, que contém informações sobre um destino turístico.
É utilizado pelos turistas para obter informações sobre o local, como pontos turísticos, rotas, dicas de hospedagem e alimentação, etc.
Pode ser encontrado em formato impresso ou digital.
É um recurso complementar ao trabalho do guia de turismo, mas não o substitui.

Em resumo, o guia de turismo é a pessoa que acompanha e informa os turistas, enquanto o guia turístico é o material que fornece informações sobre o destino.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2023

Da tenacidade germânica vs. lusa- estudo de caso Frankfurt


Frankfurt, sede do Banco Central Europeu (BCE)  estive há 20 anos atrás e fui recentemente até lá. O rio Meno limpinho, mais espaços para os peões, uma cadeia de produtos biológicos famosa na Alemanha,  capaz de competir com lojas comerciais do tamanho da "nossa" Auchan, por exemplo: trata-se da Alnatura. Marca alemã (com sede na cidade de Darmstadt) que como o próprio nome indica os produtos comercializados são naturais, biológicos e com várias secções dedicadas a intolerantes (sem glúten e sem lactose). 
Portanto, mesmo com uma pressão enorme como um ponto fulcral do espaço aéreo da Europa, os germânicos pensam e fazem à séria a sustentabilidade das suas cidades. É uma cidade "cara" certo, mas o dinheiro vemos no reflexo na qualidade de vida das suas gentes. Frankfurt  é incomparável com Lisboa. Ultrapassa Lisboa em muitos scores. Em Frankfurt as pessoas são respeitadas! Em Lisboa? É que vemos....cidade triste, cada vez com menos árvores. Hoje leio que em Aveiro fechou "A Salineira Aveirense" que iniciou atividade há cerca de 70 anos. Refere que a falta de sal é um dos motivos para o fecho do único espaço que se dedicava à venda de sal. No "Allgarve"  luta ambiental longa de 7 anos Alagoas Brancas  quando a vida selvagem pode ser substituída por um retail park. Demorou muitos anos, mas vencemos!  . O rio Tejo? Ninguém quer saber...Em Portugal não saímos da cepa torta!!

segunda-feira, 15 de março de 2021

Livro: "Naturismo, um Regresso às Origens?" de José Luis Vieira



Será o Naturismo uma tentativa de regressar às origens? Nesse caso onde se situam essas origens? 100 anos? 100.000 anos? Quebrar com toda a tecnologia e modelos atuais de sociedade? Ou será antes a tentativa de voltar a integrar o ser humano na Natureza sem deixar para trás o que a tecnologia nos tem oferecido, de forma sustentada e sem perder o frágil equilíbrio?

Quando o José Luís Vieira me convidou a prefaciar este livro, pensei que fosse sobre Naturismo. Não é…
É sobre Democracia, Direito, Ciência, Nutricionismo, Saúde, Tecnologia, Moda, Sexo, mas, acima de tudo, é um Tratado Filosófico e uma inteligente conclusão da Bíblia, ao retratar como tornámos realidade o nosso próprio Armagedão, rumo a um Apocalipse inevitável…
… que tenta ensinar-nos a evitar…
(...)
É o Alerta!
Pouco do que aqui é dito sobre Naturismo é desconhecido das maiorias. No entanto, quase tudo quanto se revela sobre o seu inverso são pedradas no charco de cada um de nós, que, ou não sabíamos ou fingimos ignorar para mais confortavelmente nos inserirmos no rebanho, a caminho de um matadouro que nós próprios construímos e está mesmo ali à frente!
Aqui fica um instrumento necessário ao desenho do futuro possível…
… aqui fica a arma da palavra, a Informação!
Homens como José Luís Vieira são os guerreiros de hoje.
A nós compete engrossar fileiras e ir criando um novo exército!
in prefácio de Pedro Laranjeira

terça-feira, 9 de junho de 2020

Alerta na Ribeira Brava: Aquacultura da Ilha Peixe e Pingo Doce Ameaça Recifes de Corais Prístinos


Durante o mês de julho de 2018, o Observatório Oceânico da Madeira levou a cabo mais uma expedição científica, desta vez para explorar as zonas profundas e desconhecidas adjacentes à Ilha da Madeira. A missão, complexa e exigente, requereu uma vasta equipa de cientistas, técnicos e operacionais, bem como o uso de equipamentos com tecnologias de vanguarda, tendo como principal objetivo estudar a biodiversidade marinha e a oceanografia física das zonas costeiras adjacentes aos canhões submarinos.  

Foi no decorrer desta expedição que se fez uma das maiores descobertas científicas dos últimos tempos na região: a cerca de 2000 metros de profundidade, com recurso ao ROV Luso, a equipa de investigadores - numa colaboração internacional entre o Observatório Oceânico da Madeira e a Universidade dos Açores - observou pela primeira vez a presença de um extenso recife de corais de águas frias nas margens do canhão submarino da Ribeira Brava. Contrariando a tendência global de destruição destas estruturas no Atlântico Norte devido à pesca de arrasto, revelou-se na Madeira um ecossistema prístino, sem vestígios evidentes de impactos humanos e repleto de vida marinha. Trata-se de um património de valor incalculável para a investigação científica, para a conservação ecológica e para um turismo de natureza sustentável, de elevada qualidade e poder de compra, desempenhando estes habitats um papel prioritário e insubstituível como reguladores do bom estado ambiental do Oceano.

No entanto, este tesouro natural encontra-se agora sob ameaça. É precisamente nas proximidades desta zona de valor inestimável que a empresa Ilha Peixe e o grupo Jerónimo Martins (detentor da cadeia de supermercados Pingo Doce) pretendem duplicar o número de jaulas de aquacultura em modo de produção intensiva.

Saibamos salvaguardar o nosso oceano da rapina e das negociatas do Governo Regional da Madeira com empresas que priorizam o lucro, produzindo peixe de má qualidade à custa da riquíssima biodiversidade e dos ecossistemas marinhos e costeiros do arquipélago.

Cidadãs e cidadãos, está nas nossas mãos parar, de forma definitiva, a produção industrial de aquacultura no nosso oceano!

domingo, 31 de julho de 2016

7 Medidas Contra o Desperdício Alimentar



Neste blogue, com alguns dos mais destacados profissionais na área da nutrição em Portugal, dou voz a Duarte Torres. Que nos fala sobre o impacto ambiental do consumo alimentar, nomeadamente, do desperdício alimentar e do que podemos fazer individualmente para combater este grave problema.

Mais Leituras

Dossiês Bioterra relacionados com este assunto:
Agricultura
Agua
Alterações Climáticas
Oceanos
Pesticidas
Transgénicos(OGM)

quarta-feira, 15 de abril de 2015

Tous à poil ! Voici pourquoi nous devrions être nus plus souvent...

Souvent, la nudité est un tabou, mais vous allez voir qu'elle peut surtout être quelque chose d'extrêmement bénéfique. Que ce soit pour le corps ou pour l'esprit, être à poil, ça fait du bien !Explication... 

5 raisons de se mettre nue plus souvent :
1. "Parfait" est une illusion 

Même si la plupart du temps je suis contente avec mon corps, je reçois souvent une immense pression par rapport à la notion de "perfection". Depuis toute petite, j'ai appris à me mettre en valeur pour plaire aux hommes - comment flirter, porter des talons, des jupes courtes, dessiner mes sourcils, me maquiller, etc... Mais au final, quand les habits tombent, j'ai tendance à m'inquiéter de toutes les imperfections car soyons honnête, personne n'est parfait. 

"Imperfection" voudrait dire qu'il y a une perfection, et ce n'est pas vrai. Tout le monde est différent. Quand je regardais autour de moi au spa l'autre jour, ce n'était pas mon corps qui me séparait des autres, mais mon attitude. 

2. Etre vulnérable devant les autres est une bonne chose 

En Europe - particulièrement en Allemagne - c'est tout à fait normal de laisser tomber les maillots de bain et de se baigner à poil. Aller au sauna est un passe-temps bien connu et tout le monde sait que les gens y sont nus. Dans le cours de yoga où j'enseigne, il y a même un sauna ou sous-sol, au cas où vous n'avez pas assez sué pendant les exercices. Et je me suis rendu compte qu'observer d'autres corps nus pouvait permettre de se sentir plus confortable dans notre peau. 

3. Quand vous jugez les autres, c'est vous que vous jugez 

J'ai réalisé que j'avais peur de me confronter à mon propre jugement. Au lieu de pratiquer l'auto-compassion, j'ai préféré la peur. La société moderne nous a appris à juger et à critiquer plutôt que d'aimer et de protéger. 

La première fois que j'ai fait un cours de yoga en tant que professeure, et que j'ai vu tout le monde dans la position du chien, j'ai compris et j'ai vu toutes les sortes différentes de chiens. Ce n'était pas les gens que l'on voit dans les magazines, il ne me ressemblaient pas non plus. Mais c'était beau à voir. 

Quand vous vous comparez aux autres, c'est un peu comme de l'autoflagellation. Nous devons prendre soin de nos corps, que ce soit physiquement ou émotionellement, et parfois c'est également important - si ce n'est pas le plus important - de s'entretenir mentalement. La méditation est très efficace pour ça. 

4. Quand vous êtes à l'aise toute nue, vous vous sentez moins obligés de mettre du maquillage et des talons 

Je n'ai jamais été ue fille très girly, ce n'est simplement pas ma personnalité. De temps en temps, j'ai envie de porter du rouge à lèvres (en général je n'en ai pas) mais je réalise et accepte le fait que je n'en ai pas besoin. Me mettre en valeur est juste une façon de me dénigrer. Le fait de gommer tous les artifices m'a juste rendu plus à l'aise avec ce que je suis vraiment. 

5. Se mettre nue pour Dame Nature fait le plus grand bien 

Tout comme la neige sur les sommets immaculés des Alpes, un jour notre corps fondra. Mes fesses seront flasques et ma peau ridée. 

Si il y a une seule chose que la pratique du yoga m'a appris, c'est que je ne suis pas mon corps et que je ne suis pas mon esprit. Tout est matériel, et change en permanence. Même m'asseoir là maintenant, écrire 
ceci, n'empêche pas mon corps de changer. Ma peau est une barrière matérielle au monde qui m'entoure et quelque part, retirer mes vêtements, me fait sentir plus en paix avec la nature ainsi qu'avec moi-même. 


Ceux qui cherchaient un prétexte pour vivre dans le plus simple appareil, voilà, il n'y a plus qu'à !

domingo, 23 de maio de 2010

Dia do Turismo - Turismo como Motor de Desenvolvimento Local: o caso do Vale do Tua




Caros,


Junto a tese do meu mestrando José Veiga Simão, recentemente defendida, intitulada Turismo como Motor de Desenvolvimento Local: o caso do Vale do Tua.

É interessante lerem a tese, em especial as recomendações propostas, mas desde já chamo a vossa atenção para três conclusões que me parecem particularmente significativas:

1. Historicamente, não há qualquer correlação significativa entre a presença de albufeiras e o desenvolvimento local na região de Trás-os-Montes e Alto Douro;

2. Observa-se uma discrepância radical entre as opiniões de presidentes de junta e de empresários quanto aos benefícios/prejuízos da barragem de Foz Tua: 66% dos presidentes de junta acham que a barragem poderá ser benéfica; enquanto 69% dos empresários do sector turístico acha que a barragem será prejudicial;

3. O investimento num modelo de desenvolvimento assente nos valores locais gera onze vezes mais emprego do que a barragem, por milhão de euros investido; com a diferença que o modelo local gera emprego permanente autóctone, enquanto a barragem gera emprego temporário alóctone.

Boa leitura,

Joanaz de Melo

Turismo e Tua by João Soares


__________________
João Joanaz de Melo
(PhD Env.Eng., Assistant Professor / Doutor Eng. Ambiente, Prof. Aux.
c/Agregação)
CENSE - Center for Environmental and Sustainability Research
Dept. Environment / Dept. Ciências e Engenharia do Ambiente
Faculdade de Ciências e Tecnologia, Universidade Nova de Lisboa
2829-516 Caparica, PORTUGAL
Tel: +351-212948374 (sec); +351-212948300 x.10121 (office), x.10104/10179
(sec)
Fax: +351-212948554
E-mail: jjm@fct.unl.pt
www.ambientenanova.org
www.dcea.fct.unl.pt/cense

sábado, 20 de fevereiro de 2010

O Despertar da Natureza: Breve Ensaio sobre o Naturismo em Portugal


A história do naturismo em Portugal é um reflexo das tensões sociais, políticas e culturais que moldaram o país ao longo do século XX e XXI. Mais do que a simples prática da nudez social, o naturismo português evoluiu de um movimento higienista e filosófico para uma expressão de liberdade individual e de consciência ecológica.

As Origens e o Higienismo (Início do Século XX)
O naturismo em Portugal não nasceu nas praias, mas sim nos consultórios e círculos intelectuais. No início do século XX, influenciado pelo movimento alemão Lebensreform (Reforma da Vida), o naturismo surgiu associado ao higienismo. Figuras como o Dr. Amílcar de Sousa foram fundamentais. Para estes pioneiros, a exposição ao sol (helioterapia) e ao ar livre era vista como a cura para os males da industrialização e da vida urbana insalubre. Em 1912, a fundação da Sociedade Naturista Portuguesa marcou o início institucional do movimento, focando-se na alimentação vegetariana e na saúde física.

A Longa Noite do Estado Novo
Com a ascensão do Estado Novo, o naturismo enfrentou o seu período mais difícil. A ideologia conservadora do regime de Salazar, fortemente assente na moral cristã e no pudor público, via a nudez como uma afronta aos bons costumes. Durante décadas, qualquer prática de nudismo era clandestina, limitada a praias desertas e de difícil acesso, sob o risco constante de intervenção policial e estigma social. O naturismo foi remetido para a invisibilidade, sobrevivendo apenas como um ato de resistência silenciosa de pequenos grupos.

A Revolução e a Legalização (1974 - 1994)
O 25 de Abril de 1974 trouxe a "Primavera" também para o corpo. A queda da ditadura permitiu que os portugueses explorassem novas liberdades. Na década de 80, o movimento reorganizou-se com a fundação da Federação Portuguesa de Naturismo (FPN) em 1977.

O grande marco jurídico ocorreu em 1994, com a aprovação da Lei n.º 92/94, que regulamentou a prática do naturismo em Portugal. Esta legislação permitiu a criação de praias oficiais e estabelecimentos de hospedagem naturista, transformando Portugal num dos destinos europeus mais progressistas nesta área. A Praia do Meco (Alfarim) e a Praia da Adiça tornaram-se símbolos desta conquista.

O Naturismo Contemporâneo e a Ecologia
Hoje, o naturismo em Portugal transcende a questão da nudez. Está intrinsecamente ligado à preservação ambiental e ao turismo sustentável. Portugal possui atualmente diversas praias oficiais (como a Ilha de Tavira ou a Bela Vista) e dezenas de praias de uso costumeiro. O perfil do naturista moderno é o de alguém que procura a desconexão tecnológica e o respeito absoluto pela biodiversidade, integrando o corpo no ecossistema sem as barreiras artificiais do vestuário.

Referências Bibliográficas

Correia, Gonçalves - Comuna da Luz e a Comuna Clarão

Federação Portuguesa de Naturismo (FPN). Arquivos históricos e documentação sobre a Lei 92/94.

Ferreira, V. M. (2002). O Corpo no Espaço Público: Sociologia da Nudez. Lisboa: Edições Colibri.

Neto, Margarida. (2010). História do Naturismo em Portugal: Da Filosofia à Prática. Revista de História das Ideias.

Sousa, Amílcar de (1912). O Naturismo. Porto: Edição do Autor. (Obra fundacional do movimento em Portugal).

quinta-feira, 19 de março de 2009

Luís Avelar- Dicionário de montanha e escalada


Clica aqui para consultares o dicionário

Este sítio foi elaborado com o objectivo de melhorar os conhecimentos gerais em actividades na natureza, como o Montanhismo, Alpinismo e Escalada, sendo destinado a pessoas iniciadas e praticantes regulares destas actividades. O seu conteúdo foi baseado na consulta de bibliografia da especialidade.


segunda-feira, 7 de maio de 2007

Dossier Ecoturismo

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