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terça-feira, 14 de julho de 2026

Volta a Portugal quer entrar no coração do Gerês, mas ICNF ainda não aprovou a etapa


A 87ª Volta a Portugal em Bicicleta prepara-se para entrar, pela primeira vez em quase um século de história, no coração do Parque Nacional da Peneda-Gerês. O percurso anunciado para a sétima etapa da edição de 2026 atravessa a Mata de Albergaria e a Portela do Homem, uma das zonas de maior sensibilidade ecológica do país, tendo já desencadeado críticas de ambientalistas e especialistas ligados ao parque. O Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), porém, ainda não deu luz verde.

A etapa, marcada para 13 de Agosto, liga Vieira do Minho às Termas do Gerês e assume um carácter inédito. Não há registos recentes de a Volta a Portugal ter atravessado a Mata de Albergaria, tendo esta incursão sido apresentada pela organização como uma estreia.

Contactado pelo PÚBLICO, o ICNF limita-se a afirmar que “recebeu um pedido de parecer sobre o percurso da Volta a Portugal em Bicicleta, que se encontra em análise”, o que significa que não existe, para já, qualquer decisão sobre a passagem pela área protegida.

Processo depende de autorizações
A Federação Portuguesa de Ciclismo sublinha que o processo segue os trâmites habituais de licenciamento e que a realização da etapa dependerá sempre das autorizações das entidades competentes.
“Como acontece com todas as provas do calendário nacional e internacional, os percursos são propostos pela organização e os respectivos processos de licenciamento encontram-se em tramitação junto das entidades competentes, às quais cabe emitir os pareceres e autorizações legalmente exigidos”, afirma Jorge Rodrigues, assessor da direcção, ao PÚBLICO.

Área de sensibilidade elevada
A Mata de Albergaria é uma zona especial do parque. Trata-se de uma Reserva Biogenética reconhecida pelo Conselho da Europa, integrada no Parque Nacional da Peneda-Gerês e na Zona Especial de Conservação.
Para Miguel Dantas da Gama, membro do Conselho Estratégico do parque, a proposta é inaceitável. “Entram no Parque pela Caniçada, sobem às Termas, Albergaria, Portela do Homem, saem para Espanha, descem a Lobios, entram no Lindoso, Britelo, sobem de novo para Brufe, barragem de Vilarinho da Furna, Covide, S. Bento da Porta Aberta, Caniçada. Inacreditável”, critica.

“Não é aceitável que, em 2026, ainda haja quem se atreva a propor este tipo de atentados contra o único parque nacional português”, acrescenta.

O especialista lembra que a estrada Mata de Albergaria–Portela do Homem atravessa precisamente a zona mais sensível do Parque Nacional Peneda-Gerês e está sujeita a regras específicas de circulação [nota embaixo]

Mais do que discutir a legalidade de eventos desportivos em áreas protegidas - admitida pela legislação desde que existam pareceres e autorizações -, o debate centra-se na oportunidade de permitir a entrada de uma das maiores operações logísticas do desporto português numa zona de elevado valor ecológico e que em 2016 sofreu um grande incêndio.

Legislação
Esta área protegida rege-se pelo Plano de Ordenamento do Parque Nacional da Peneda-Gerês (POPNPG) aprovado pela Resolução do Conselho de Ministros n.º 11-A/2011 de 4 de fevereiro.

Ora esse Plano determina, no seu Artigo 8.º (Actos e actividades condicionados) que "[...] na área de intervenção do POPNPG ficam sujeitos a parecer do ICNB, I. P., os seguintes actos e actividades, quando realizados em áreas sujeitas a regimes de protecção [como é o caso da Mata de Albergaria]: "e) A prática de actividades desportivas e recreativas não motorizadas [...] bem como a realização de eventos desportivos ou recreativos, [...] excepto se previstas na Carta de Desporto de Natureza;", o que não acontece.

Não faltam locais montanhosos em Portugal onde esta competição se poderia realizar, mas acertaram logo numa área protegida, o que mostra, por um lado, a profunda iliteracia ambiental e, por outro, o enorme recuo das medidas e ações de conservação da natureza.

Fonte

Relacionado:
Colocam enormes limitações (e bem) de visita à Mata de Albergaria

sábado, 13 de junho de 2026

Milhares de espécies de peixes são apanhadas na pesca de arrasto de fundo, incluindo ameaçadas de extinção

Mais de 3.000 espécies de peixes são apanhadas na pesca de arrasto de fundo, um tipo de captura que arrasta redes pelo leito marinho e apanha tudo à sua passagem. Esta é apenas uma estimativa e o número real pode mesmo ser o dobro.

A conclusão é de uma investigação da Universidade da Columbia Britânica, no Canadá, publicada na revista ‘Reviews in Fish Biology and Fisheries’. O trabalho é descrito pelos autores como o primeiro inventário global das espécies de peixes cuja captura é reportada no âmbito da pesca de arrasto de fundo, e teve por base mais de 9.000 registos de todo o mundo de 1895 a 2021.

“Esta é a imagem mais clara que temos da amplitude da pesca de arrasto de fundo”, diz Sarah Foster, primeira autora do estudo. “Revela quantas espécies estão a ser capturadas e o quanto nos tem escapado”, acrescenta.

De acordo com a equipa, uma em cada sete espécies de peixes registadas, e que tenham um estatuto de conservação conhecido na Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza, está ameaçada ou quase ameaçada de extinção.

Por outro lado, uma em cada quatro ou sobre ela não há dados suficientes para fazer uma avaliação adequada quanto à sua conservação, ou não foi ainda avaliada, o que, para estes investigadores, significa que uma grande porção da pesca de arrasto de fundo estão a acontecer no meio de um “vácuo de informação”.

Entre as espécies apanhadas nessas pesadas redes que devastam os fundos marinhos contam-se a criticamente ameaçada raia Glaucostegus typus, o ameaçado tubarão-zebra (Stegostoma tigrinum) e pelo menos três espécies vulneráveis de cavalos-marinhos. Além disso, os cientistas descobriram que  num terço das 323 famílias de peixes registadas pelo menos metade de todas as espécies eram apanhadas nas redes de arrasto de fundo.

“A pesca de arrasto de fundo arrasta ramos inteiros da árvore da vida marinha. Não faz distinção entre espécies comuns e aquelas que está já à beira da extinção”, afirma Syd Ascione, coautora do artigo, acrescentando que essa prática está a pôr pressão sobre “espécies únicas em termos evolutivos, incluindo muitas sobre as quais sabemos demasiado pouco”.

Os números revelam ainda que cerca de 95% das espécies apanhadas na pesca de arrasto de fundo não eram o alvo, mas, mesmo assim, 64% foram capturadas e não foram devolvidas ao mar. Os investigadores dizem que, por tudo isso, as estimativas que apresentam são altamente conservadoras, e que os números reais podem ser muito maiores.

Apontando que cerca de 99% da pesca de arrasto de fundo acontece em águas sob a jurisdição de Estados, “é importante que os governos adotem abordagens precaucionárias e que proíbam a pesca de arrasto de fundo em vastas áreas do oceano”, especialmente em áreas marinhas protegidas, defende Amanda Vincent, que também assina este trabalho.

sábado, 6 de dezembro de 2025

Quercus alerta para proposta da Comissão Europeia de desregulação dos pesticidas e apela à mobilização dos cidadãos


A Quercus manifesta profunda apreensão à proposta de alteração do Regulamento Omnibus sobre Alimentos e Rações, que será considerada para votação oficial no próximo dia 16 de Dezembro pela Comissão Europeia. A proposta, liderada pela Direção-Geral da Saúde da Comissão Europeia (DG SANTE), sob o pretexto da “simplificação”, “representa na realidade um ataque sem precedentes aos pilares do Regulamento (CE) 1107/2009, relativo à colocação de pesticidas no mercado, que visa proteger os cidadãos e o ambiente dos riscos dos pesticidas”, sublinha em comunicado.

Segundo a mesma fonte, tratam-se de “três alterações gravíssimas da proposta de alteração do Regulamento Omnibus":
1. Aprovações de Pesticidas por Prazo Ilimitado: Elimina as revisões periódicas obrigatórias (a cada 10-15 anos), que são o mecanismo crucial para reavaliar substâncias à luz do conhecimento científico mais atual. Sem este incentivo, pesticidas perigosos podem permanecer no mercado indefinidamente, ignorando novos dados sobre a sua toxicidade.
2. Abandono da Ciência Independente nas Autorizações Nacionais: Remove a obrigação legal dos Estados-Membros, recentemente reforçada pelo Tribunal da UE, de considerarem as evidências científicas independentes mais recentes ao autorizarem produtos pesticidas. Isto desarma a capacidade nacional de tomar decisões informadas e protetoras.
3. Duplicação dos Prazos de Carência para Pesticidas Proibidos: Permite que pesticidas já considerados demasiado perigosos e oficialmente proibidos continuem a ser vendidos e utilizados por mais três anos. Significa uma exposição prolongada e injustificada da população e dos ecossistemas a substâncias cancerígenas, disruptoras endócrinas e neurotóxicas.

Alexandra Azevedo, Presidente da Quercus, alerta: “Esta proposta representa um grave retrocesso, ameaçando a ciência e colocando em risco o Princípio da Precaução e o propósito de proteger a saúde pública e a biodiversidade”.

Tal como frisou Angeliki Lyssimachou, Diretora de Ciência e Política da PAN Europe, no comunicado inicial da PAN : “Pesticidas altamente tóxicos como o clorpirifós, que afeta o desenvolvimento cerebral em crianças, ou o mancozebe e o tiaclopride, que prejudicam a reprodução, ou ainda o PFAS flufenacet, que atua como disruptor endócrino, nunca teriam sido proibidos sob um sistema tão enfraquecido. Da mesma forma, os neonicotinóides que matam abelhas ainda estariam em uso hoje. Foi a ciência independente, e não os estudos da indústria, que revelou a sua toxicidade excessiva.”

“É inaceitável que, perante as exigências de redução de uso de pesticidas por parte dos cidadãos europeus, através de consultas públicas, de barómetros, da Conferência sobre o Futuro da Europa, de duas Iniciativas de Cidadania Europeia bem-sucedidas e um inquérito de opinião da IPSOS, a Comissão Europeia prepare um retrocesso legislativo que coloca os interesses da indústria à frente da saúde pública, da biodiversidade e da qualidade da água e dos solos”, lê-se na nota.

A Quercus junta-se ao apelo da Pesticide Action Network Europe (PAN Europe), da qual é membro, exigindo que a Comissão Europeia rejeite categoricamente estas alterações e apelando a todos os cidadãos que se juntem a esta iniciativa, através do envio de um email para a comissária portuguesa, Maria Luís Albuquerque, instando-a a rejeitar a proposta. Este envio pode ser realizado de uma forma simplificada, através do acesso à página da Pesticide Action Network, onde, após aceder ao link disponibilizado, deverá preencher as suas informações e clicar em “Send an Email”: 

Para a Quercus, a urgência é “transitar para territórios livres de pesticidas, através de uma agricultura verdadeiramente sustentável, práticas florestais mais próximas da Natureza e gestão das áreas urbanas e vias de comunicação sem herbicidas ( e outros pesticidas)”.

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Cartoon- os agricultores e os pesticidas



Dossiê Pesticidas actualizado.

Quinze dos 27 Estados-membros deram à Comissão o apoio necessário para sair do impasse em que a UE estava quanto ao uso de três químicos “neonicotinóides” em culturas que atraem as abelhas.

O diário britânico The Independent, que fez lóbi a favor da proibição, escreve que o Reino Unido votou contra, por causa de uma eventual falta de evidência científica que justifique a medida.

O jornal, no entanto, lembra que “mais de 30 estudos científicos encontraram ligações entre o uso de neonicotinóides […] e a diminuição do número de abelhas” e a proposta para proibir os inseticidas “baseia-se num estudo realizado pela Autoridade Europeia de Segurança Alimentar, que em janeiro descobriu que os pesticidas representam, de facto, um risco para a saúde das abelhas”.

O diário reconhece que a comunidade científica está dividida sobre esta proibição. O professor Lin Field, chefe do departamento de química biológica e proteção de culturas no Rothamsted Research, teme que a decisão tenha sido tomada com base num “lóbi político” e que possa levar os governos a descurarem outros factos, enquanto o Doutor Lynn Dicks, investigador da Universidade de Cambridge, diz que a votação foi “uma vitória do princípio da precaução, que deve nortear a regulamentação ambiental”.

O Daily Telegraph afirma que alguns observadores agrícolas estão preocupados com as consequências inesperadas da proibição, incluindo os agricultores que usam pesticidas mais antigos que são mais prejudiciais para as culturas e para as outras espécies.

No entanto, num editorial, The Times defende a proibição, dizendo que abre caminho a uma melhor compreensão do que está a acontecer às abelhas: " A moratória deverá permitir avaliar se, na ausência de neonicotinóides, as colónias de abelhas recuperam. E também representa uma oportunidade para um estudo mais abrangente sobre as outras possíveis causas de diminuição do número de abelhas e para criar uma estratégia eficaz para a sua revitalização."

sábado, 17 de outubro de 2009

Food industry 'too secretive' over nanotechnology


Comment from Patrick Mulvany, Co-chair UK Food Group, Friday, January 8, 2010

As warned in my New Year message, industry is pushing hard for greater control over the food system. Beyond GMOs, proprietary nanotechnologies and synthetic biology will confer even greater control to food and agribusinesses. Following hot on the heels of the DEFRA 2030 food strategy , published on Tuesday this week, which says "GM, like nanotechnology, is not a technological panacea for meeting the varied and complex challenges of food security, but could have some potential to help meet future challenges", the House of Lords published its report on Thursday "Nanotechnologies and Food". 
A BBC report on this is pasted below. The House of Lords report can be found here (report) and evidence here . The House of Lords committee, headed by Krebs (ex Food Standards Agency), is trying to educate the public to accept nanoparticles in their food or food packaging. The estimated market in food related nanotechnology is expected to increase 10 fold by 2012. 
Project on Emerging Nanotechnologies, , run by the Washington-based Woodrow Wilson International Center for Scholars, has found that there are currently 84 foods or food-related products that use nanotechnology. Lord Krebs said that the industry "...got their fingers burnt over the use of GM crops and so they want to keep a low profile on this issue. We believe that they should adopt exactly the opposite approach. If you want to build confidence you should be open rather than secretive." The openness and transparency proposed by the House of Lords committee is, however, very limited... Recommendation 30 says: "8.30. Consumers can expect to have access to information about the food they eat. But blanket labelling of nanomaterials on packages is not, in our view, the right approach to providing information about the application of nanotechnologies." Georgia Miller's (Friends of the Earth, Australia) excellent evidence to the Committee, in the same session with Sue Davies of WHICH and Vyvyan Howard, Soil Association (pp 156 and following, in part 2 of the report) includes in annexe the call from CSOs for a moratorium in the use of nanomaterials in food and agriculture. CIVIL SOCIETY GROUPS WHICH HAVE CALLED FOR A MORATORIUM ON NANOTECHNOLOGY'S USE IN FOOD AND AGRICULTURE . Growing numbers of civil society groups have called for a moratorium on the commercial release of food, food packaging, food contact materials and agrochemicals that contain manufactured nanomaterials until nanotechnology-specific regulation is introduced to protect the public, workers and the environment from their risks. 

Some of these groups are also insisting that the public be involved in decision making. Groups calling for a moratorium include: Corporate Watch (UK); the ETC Group; Friends of the Earth (Australia, Europe and the United States); GeneEthics (Australia); Greenpeace International; International Centre for Technology Assessment (US); International Federation of Journalists; the Loka Institute; Practical Action; and The Soil Association UK. The International Union of Food, Agricultural, Hotel, Restaurant, Catering, Tobacco and Allied Workers' Associations, representing 12 million workers from 120 countries, has also called for a moratorium. The Nyeleni Forum for Food Sovereignty was a civil society meeting of peasants, family farmers, fisher people, nomads, indigenous and forest peoples, rural and migrant workers, consumers and environmentalists from across the world. Delegates were concerned that the expansion of nanotechnology into agriculture will present new threats to the health and environment of peasant and fishing communities and further erode food sovereignty. 

The forum also resolved to work towards an immediate moratorium on nanotechnology (Nye'le'ni 2007—Forum for Food Sovereignty 2007). The organic sector is also beginning to move to exclude nanomaterials from organic food and agriculture. The United Kingdom's largest organic certification body announced in late 2007 that it will ban nanomaterials from all products which it certifies. All organic foods, health products, sunscreens and cosmetics that the Soil Association certifies will now be guaranteed to be free from manufactured nanomaterial additives (British Soil Association 2008). The Biological Farmers of Australia, Australia's largest organic representative body, have also moved to ban nanomaterials from products it certifies. A faux 'moratorium' is proposed by the House of Lords committee. It is simply a recommendation not to allow the use of unlicensed materials. Risk Assessment "8.20. We endorse the case-by-case approach taken by the European Food Safety Authority in assessing the safety of products. It allows the responsible development of low-risk products where safety data are available and is, in effect, a selective moratorium on products where safety data are not available. It provides consumers with the greatest security and ensures that unless a product can be fully safety assessed, on its own merits, it will not be allowed on to the market (paragraph 6.12). (Recommendation 20)" It might be useful for the House of Lords committee to set this report in the context of a food sovereignty, as opposed to the food industry's, interpretation of DEFRA's indicators for a sustainable food system. A food sovereignty interpretation would emphasise specific indicators for good, healthy food sourced as locally as possible from knowledgeable and skilled food providers who use ecological practices.

The indicators align to each section of Food 2030:
1. Enabling and encouraging people to eat a healthy, sustainable diet
2. Ensuring a resilient, profitable and competitive food system
3. Increasing food production sustainably
4. Reducing the food system’s greenhouse gas emissions
5. Reducing, reusing and reprocessing waste
6. Increasing the impact of skills, knowledge, research and technology

The indicator assessments on the following pages should be read in conjunction with the UK Food Security Assessment For a backgrounder on the potential dangers of nanotechnology in the food system see "Down on the Farm: The Impact of Nano-scale Technologies on Food and Agriculture" We need to be vigilant. Patrick PS You may be interested to see that DEFRA's statistics team praises Cadbury's decision to make its Dairy Milk bar a fairtrade product (Indicators, p 123). This is the same DEFRA that highlights Kraft foods as an example of sustainable practice (Food 2030, p 28). People in Bournville will not be amused... DEFRA should rather have called in Kraft for 'sharp practice'. Patrick Mulvany Co-chair UK Food Group Senior Policy Adviser PracticalAction Bourton, Rugby, CV23 9QZ



quarta-feira, 16 de fevereiro de 2005

O caminho de Quioto



Por Francisco Ferreira, Quercus
Parece-me que é óbvio que os ambientalistas e os cientistas que"espalham o medo generalizado" (sim, porque não há quaisquer razões paraisso... - estou obviamente a ironizar), considerem mais importante focalizar o objectivo na redução das emissões do que na adaptação .Porém, isso até não é completamente verdade. Sendo as notícias geradas predominantemente por países desenvolvidos, é natural que quem maissofre pouco impacto tenha. Veja-se por exemplo sobre consequências eadaptação o que está nesta recente press release dos Estados pequenas-ilhas.
Veja-se como Portugal desenvolveu um programa sobre medidas de adaptaçãodenominado SIAM. Vejam-se as chamadas de atenção que as ONGAs em Portugal têm feito em relação ao facto dos POOC esquecer a subida donível do mar, colocando tal facto explicitamente nos pareceres efectuados - não é este um alerta para medidas práticas? A questão da adaptação recebeu também grande prioridade nas Conferências das Partes onde tenho participado, principalmente na Convenção que decorreu em 2002 em Nova Delhi; veja-se o texto final da Declaração
:(e) Adaptation to the adverse effects of climate change is of highpriority for all countries.Developing countries are particularly vulnerable, especially the least developed countries and small island developing States. Adaptation requires urgent attention and action on the part of all countries.Effective and result-based measures should be supported for thedevelopment of approaches at all levelson vulnerability and adaptation, as well as capacity-building for the integration of adaptation concerns into sustainable development strategies. The measures should include full implementation of existing commitments under the Convention and the Marrakesh Accords;
(f) Parties should promote informal exchange of information on actionsrelating tomitigation and adaptation to assist Parties to continue to develop effective and appropriate responses toclimate change;
O silêncio não tem nada de espantar - é que quem sofre principalmente com o fenómeno climático em termos de prejuízos de diversa ordem são ospaíses em desenvolvimento e não os países desenvolvidos que conseguirão ter meios para ultrapassar os custos de fenómenos meteorológicos extremos, da subida no nível do mar, entre outros aspectos. Assim, aadaptação envolve um apoio dos países desenvolvidos que está muito aquém do desejável, só que é sem dúvida uma voz silenciosa pela proporcionalidade do peso político de tais países. Mais ainda, esses países são quem menos tem capacidade de avaliar os impactes nas suasáreas e com prioridade como a pobreza, a guerra, entre outras, aadaptação às alterações climáticas vão obviamente para o fim da agenda deles próprios. É evidente que neste segmento, há excepções mesmo nos países desenvolvidos - um dos países que mais se tem debruçado na avaliação e medidas de adaptação é a Suiça - imagine-se porquê.... Ou na região asiática (aqui incluíndo desenvolvidos e em desenvolvimento).
Mas já agora, aproveito para transcrever o que está na página da Quercus desde há quase dois meses e foi subscrito como documento base por todas as organizações não governamentais de ambiente europeias presentes em Buenos Aires sobre os caminhos a seguir em termos políticos no que respeita às alterações climáticas, e em que a adaptação tem o mesmo pesoque a redução de emissões:Três caminhos de acção: o caminho de Quioto, o caminho dad escarbonização e o caminho da adaptação; tendência deverá ser a da igualdade das emissões per capita A Quercus / Rede de Acção Climática Europeia argumentam a favor de uma abordagem múltipla, operando numa mesma ou similar escala temporal,dividida em três caminhos: o caminho de Quioto, o caminho “verde” ou da descarbonização, e o caminho da adaptação. O caminho de Quioto assenta na Convenção das Nações Unidas para as Alterações Climáticas e no Protocolo de Quioto, com o seu sistema legalde reduções absolutas das emissões e regime de cumprimento. Estecaminho, que contém obrigações legais relativas à troca de direitos deemissões contém os fundamentos de um sistema que conduz a um rápido desenvolvimento tecnológico e sua disseminação, fornecendo a base tecnológica para soluções vencedor-vencedor para os objectivos do clima e do desenvolvimento sustentável. O caminho “verde” (descarbonização) pode conduzir a uma rápidaintrodução de tecnologias limpas que podem reduzir as emissões e atingir os objectivos de desenvolvimento sustentável dos países em desenvolvimento. Os países industrializados deverão proporcionar recursos e tecnologia para este caminho, mas devem fazê-lo em parceria com os países em desenvolvimento, não condicionando outras política snuma lógica de “pau e cenoura” como se tem verificado em muitas outras áreas.O caminho da adaptação fornece recursos às regiões mais vulneráveis(Estados pequenas-ilhas, países em desenvolvimento) para lidarem com as inevitáveis alterações do clima. Os países em desenvolvimento terão de concentrar a sua atenção nos próximos anos na adaptação, dado que são os mais vulneráveis aos impactes das alterações climáticas e a sua contribuição em termos de emissões é pequena tendo em conta a sua população e as suas necessidades de desenvolvimento. Os países que recebam apoio no quadro deste caminho da adaptação devem prosseguir na linha do caminho “verde” (da descarbonização).O nível e o carácter das acções de mitigação neste quadro será determinado pela referência a um nível de emissões per capita acordado, a capacidade para actuar (incluindo medidas tais como o salário percapita), e a responsabilidade histórica. Neste contexto, os paísesindustrializados têm a obrigação de agir primeiro para reduzir as suasemissões em termos absolutos. Os objectivos de redução de emissões noquadro do caminho de Quioto devem ser determinados tendo em conta, demodo muito preponderante, uma convergência mundial dos valores dasemissões per capita ao longo do século XXI. Outro critério de justiça, como a responsabilidade histórica, deverá também ser ponderado no determinar do tempo, nível e carácter das acções de redução das emissões exigidas aos diferentes países. Uma combinação de factores tais como a semissões per capita, a capacidade ou flexibilidade para agir e a responsabilidade histórica deverão ser usadas para determinar quando ecomo os países devem passar do caminho “verde” ou da descarbonizaçãopara o caminho de Quioto. 

Sites recomendados

IGS- O instituto para as estratégias ambientais globais (IGES), estabelecido por uma iniciativa do governo japonês em 1998, é um instituto de pesquisa que conduza pesquisa estratégica pragmatica e inovativa da política para suportar o desenvolvimento sustainable na região Ásia-Pacífica da região-um que experimenta o crescimento rápido da população e que expande a atividade econômica. A missão de IGES é promover a transformação da sociedade do século 20, caracterizada pelo consumo da produção maciça e da massa, a uma estrutura societal nova fundada no sustainability. Nós devemos re-examinar nossos sistemas do valor e atividades socio-economic; mude é essencial. IGES aponta propôr várias medidas para os sistemas sociais e econômicos melhorados e realísticos, que dão forma a um paradigm novo para o futuro. A pesquisa estratégica da política para a realisação do desenvolvimento sustainable é uma tarefa formidável na região Ásia-Pacífica, que tem tais topografia e culturas diversos, e na variação grande no nível do desenvolvimento econômico. IGES colaboracom uma escala larga das partes interessadas, tais como governos nacionais, de ONGAs, negócios e grupos dos cidadãos, para realizar esta pesquisa de uma natureza tão desafiante, apontando assegurar-se de que os resultados estejam refletidos no processo policy-making. Em IGES, nós acreditamos que desenvolver e apresentar estratégias eficazes para a região Ásia-Pacífica jogarão um papel principal na pesquisa ambiental global no século XXI, e contribuímo-lo ao realização da sociedade sustentável no mundo.

quarta-feira, 23 de junho de 2004

Controlo social e ambiental sobre a expansão das culturas OGM

Agradeço divulgação alargada- Texto e apelo da Plataforma Transgénicos Fora do Prato

Todos sabemos: a luta pelo ambiente é difícil, exige a perseverança de um sem-número de cidadãos anónimos, e muitas vezes é preciso reconhecer a derrota, como no caso da barragem do Alqueva.

Ora, a nível mundial e sobretudo europeu, há uma luta que, embora longe de estar decidida, partiu de uma posição inicial muito difícil e quase perdida para a perspectiva ambiental e veio a registar, nos últimos 10 anos, uma evolução que marca uma gradual vitória, se bem que lenta e ainda em aberto. Precisamente porque está em aberto, porque há muito caminho a percorrer para consolidar alguns ganhos já obtidos e alcançar outros ainda negados, precisamente por isso é necessária a solidariedade e o interesse de todos nos pequenos episódios que se vão sucedendo.

Falamos do controlo social e ambiental sobre a expansão das culturas de organismos geneticamente modificados (OGM), incluindo em primeira linha os chamados alimentos transgénicos. A legislação geral europeia, aplicável em Portugal, é agora a mais rigorosa do mundo - mas ainda assim é claramente insuficiente e apresenta lacunas graves que não são aceitáveis. Além disso a posição oficial de Portugal está longe de se pautar pela precaução - e o nosso (in)cumprimento da legislação apresenta falhas que não nos permitem ficar de braços cruzados. Sabemos que é possível fazer muito melhor: a recente legislação alemã, por exemplo, cria um quadro jurídico nacional de elevada protecção e segurança para consumidores e agricultores. Por tudo isso, a Plataforma Transgénicos Fora do Prato convida toda a gente a participar na primeira mobilização pública portuguesa contra os OGM e em prol da protecção da nossa alimentação e agricultura.

Este é um evento co-organizado com a Greenpeace Internacional, que apadrinha assim o lançamento oficial da Plataforma. No mesmo dia 26, em múltiplas capitais europeias, a Greenpeace organiza uma jornada de luta que permitirá reunir imagens de uma União Europeia pós-alargamento unida na sua determinação de impedir a chegada de transgénicos ao prado ou ao prato.

A Plataforma Transgénicos Fora do Prato é uma estrutura informal, integrada por oito entidades não-governamentais da área do ambiente e agricultura (Agrobio, Biocoop, Fapas, Gaia, Geota, Liga para a Protecção da Natureza, Liga Portuguesa dos Direitos do Animal e Quercus) e aberta a todos os que pretendam colaborar.

No sábado a Plataforma irá apresentar a sua primeira campanha geral de sensibilização e mobilização dos consumidores, em que estes poderão assumir um papel activo na protecção da integridade da sua cadeia alimentar.

Aparece! Porque todos queremos uma alimentação sem a intrusão transgénica, vem estar connosco já neste próximo sábado e assim defender o ambiente e a saúde, dos teus e dos das gerações futuras.

Coordenadas:
Em frente à Torre de Belém, em Lisboa 26 de Junho de 2004, pelas 10:30 da manhã (e até
às 12:00, com conferência de imprensa às 11:00)
Estarão disponíveis algumas cartolinas em branco para escrever palavras de ordem personalizadas.

Para mais informações contactar info@stopogm.net
Para ficar a saber mais sobre transgénicos, inscreva-se na lista electrónica ogm_pt: basta enviar um email vazio para
ogm_pt-subscribe@yahoogrupos.com.br

NÃO FALTES - SÊ SOLIDÁRIO!

“O limite da ética do conhecimento era invisível, a priori, e nós transpusemo-lo sem saber; é a fronteira
para lá da qual o conhecimento traz com ele a morte generalizada: hoje, a árvore do conhecimento científico corre o risco de cair sob o peso dos seus frutos, esmagando Adão, Eva e a infeliz serpente.”
Morin, Edgar (1994, p. 30)  in Ciência com Consciência, Biblioteca Universitária, Publicações EuropaAmérica, Mem Martins