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terça-feira, 3 de março de 2026

O olival Português transformado num activo financeiro

Greenpeace Portugal exige “moratória imediata à expansão do olival superintensivo”


Um relatório de investigação internacional divulgado pela Greenpeace, intitulado "O Campo como Ativo", expõe a face oculta da expansão do olival superintensivo em Portugal. O documento revela que o país se tornou o "porto seguro" para fundos de investimento canadianos e britânicos, que utilizam o Alqueva e milhões de euros em fundos públicos portugueses para substituir a agricultura tradicional por um modelo industrial de lucro rápido e elevado risco ambiental. 
Ao contrário de Espanha, onde o olival tradicional ainda resiste, a expansão em Portugal (liderada por empresas como a Innoliva) foca-se quase exclusivamente no modelo superintensivo. Dos 4.800 hectares geridas pelo grupo na última década, mais de 65% (3.168 hectares) estão em solo português. 
O relatório detalha como o Estado Português, através do IFAP, financiou diretamente esta transição. Um único projeto de um fundo estrangeiro recebeu 6,5 milhões de euros a fundo perdido, a que se somaram mais 3 milhões para lagares industriais de alta capacidade (como o de Carapetal). 
A investigação confirma o impacto devastador na biodiversidade. As colheitas noturnas com máquinas cavadeiras, fundamentais para a rentabilidade destes fundos, provocam a mortalidade em massa de aves, o que forçou as autoridades a suspender a prática, embora o modelo económico destes grupos continue a depender da mecanização extrema. 
O relatório alerta que o modelo superintensivo, embora eficiente "por árvore", consome volumes totais de água por hectare muito superiores ao tradicional, colocando em causa a resiliência hídrica do Alentejo em períodos de seca extrema. 
Para o Diretor da Greenpeace Portugal, "Estamos a trocar pessoas por máquinas e comunidades por folhas de Excel. O Governo gasta milhões em subsídios para um modelo que não fixa um único jovem no Alentejo. 
O que vemos hoje é uma forma de extrativismo moderno: os fundos de investimento a sugar a nossa água e o nosso solo, pagos com os nossos impostos, deixando para trás um território vazio, biologicamente devastador e socialmente abandonado. 
O Alqueva não pode ser o cemitério das nossas aldeias." Toni Melajoki Roseiro acrescenta que “não é agricultura, é extração de valor. Transformaram a nossa oliveira numa franquia industrial onde tudo é uniformizado e mecanizado, controlado à distância a partir de um escritório em Toronto ou Londres. O resultado é um Alentejo mais frágil; ´água sob pressão, território a esvaziar-se e o azeite português tratado como um ativo financeiro, em vez de ser parte da nossa terra.” 
Parte da riqueza produzida no regadio de Alqueva é encaminhada para fundos de pensões de funcionários públicos, Forças Armadas e Polícia Montada do Canadá, bem como da Igreja Mormón.
Perante este cenário, a Greenpeace Portugal exige uma moratória imediata à expansão do olival superintensivo. O governo português tem de escolher: ou continua a ser o facilitador dos fundos de investimento, ou assume o seu papel de protetor do território e da soberania alimentar de Portugal. O campo não é um banco. O campo é a nossa vida.

segunda-feira, 17 de novembro de 2025

Ucrânia: 13.500 km² de vias navegáveis ​​​​contaminadas por minas e explosivos


Aproximadamente 13.500 km² de vias navegáveis ​​na Ucrânia, incluindo o rio Dnieper, lagos e a costa do Mar Negro, estão potencialmente contaminadas por minas e restos explosivos de guerra, estimou o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) a 12 de novembro. Esta área é comparável em tamanho ao Montenegro, observou a agência da ONU.

Até à data, os mergulhadores do Serviço Estatal de Emergência da Ucrânia conseguiram limpar apenas 190 km², ou 1,4% da área contaminada, e removeram mais de 2.800 engenhos explosivos, segundo o PNUD. Para acelerar os esforços de desminagem, a Ucrânia está a utilizar robôs subaquáticos capazes de localizar munições a profundidades até 300 metros, mesmo em condições de baixa visibilidade e fortes correntes.

Desde 2014, enfrentando um conflito no leste do país e a anexação da Crimeia, e desde 2022 uma invasão em grande escala, a Ucrânia é agora o país mais contaminado por explosivos do mundo. Segundo o governo ucraniano, 136.952 km², ou 23% do território, continuam afetados por minas terrestres e munições não detonadas.

Já em 2024, Natalia Gozak, diretora da Greenpeace Ucrânia, alertou à Reporterre que a guerra era “um fardo tóxico para gerações”. Em três anos de guerra, a invasão russa da Ucrânia gerou o equivalente a 230 milhões de toneladas de CO₂, de acordo com um estudo da Initiative on Greenhouse Gas Accounting of War, publicado em fevereiro.

domingo, 29 de junho de 2025

Europe’s Security Gamble: NATO’s New Budget Push


Across Europe, budgets are tightening, classrooms are overcrowded, hospitals are understaffed, and climate targets are slipping out of reach. Yet, in the midst of this so-called austerity, NATO countries are preparing to commit to something extraordinary: raising military spending to 5% of GDP. At a time when governments claim there’s “no money” for essential services, this massive shift demands scrutiny. Who benefits from this build-up? What are we sacrificing to fund it? And most importantly, is this really what security looks like in the 21st century?

Can NATO’s military build-up coexist with Europe’s climate and peace goals?
The world seems to be becoming a less safe place. According to the 2024 Global Peace Index, the world is now witnessing the highest number of armed conflicts since World War II. Regardless of the origins of the conflicts or the actors involved, the outcomes are often very similar: significant civilian casualties, large-scale displacement, and systematic violations of human rights and international humanitarian law. Just in the past year, 160,000 people died in conflict, with Ukraine accounting for 83,000 deaths and Palestine for at least 33,000 as of April 2024.

Faced with this grim reality, governments are ramping up military budgets. In 2024, global military spending surged to a record-breaking $2.7 trillion, the sharpest increase since the end of the Cold War and the tenth consecutive year of rising expenditures. European countries, particularly NATO members, are following this trend. Over the past decade, defence spending by EU NATO member states rose by 45%, from €145 billion in 2014 to an estimated €326 billion in 2024. That is about 1.9% of EU GDP, edging closer to NATO’s current 2% target, and equivalent to the entire annual GDP of several EU member states such as Finland, Portugal, or the Czech Republic.

But here’s the rub: this rapid increase is happening even as public finances are under increasing pressure. Overall, government spending in NATO EU countries grew by just 20% in real terms over the past decade, while defence budgets jumped by more than double that. Spending on health grew 34%, education just 12%, and environmental protection 10%. This highlights a growing imbalance of EU priorities.

A big chunk of this money is going straight into arms and military equipment. In 2024, EU NATO spent €90bn on military hardware, a staggering 50% increase over 2023, accounting for nearly 90% of all defence investments. But does buying more arms make us safer? That depends on what we’re buying, why, who benefits, and what kind of “security” we want. At the same time, the freshly reformed EU fiscal rules have been suspended to allow an increase in military spending, without any changes to the need to generally reduce budgets, meaning austerity still applies.

At NATO’s upcoming summit in The Hague on 24 June, there is momentum to raise the alliance’s defence spending target from 2% to an alarming 5% of GDP. This article does not aim to argue whether military defence is needed. But it encourages us to ask, how much is too much? Who’s profiting? And what does this mean for Europe’s democratic and social fabric? Because a jump to 5% won’t just tweak budgets – it will transform priorities for decades to come. This is not a technical or isolated defence issue. As budgets are redirected toward weapons and away from healthcare, education, housing, nature protection, and green transitions, we must ask: What kind of Europe are we building? If civil society does not pose the right questions, this decision risks being made behind closed doors, without a clear democratic mandate or transparent debate.

What kind of security are we talking about?
Europe needs to be able to defend itself, but one key piece is missing: a serious, independent assessment of what Europe needs to do so. Peace researchers Herbert Wulf and Christopher Steinmetz, in a report commissioned by Greenpeace, found that even without the U.S., NATO Europe far surpasses Russia in nearly all key military parameters. The idea that we are dramatically underprepared is not supported by the data. So, why the rush to build up? What threats are driving this? Are we confronting non-military threats like cyber-attacks, disinformation, or economic coercion with the same urgency as discussions around “air and missile defence” or “long-range weapons, logistics, and large land manoeuvre formations” as suggested by NATO Secretary General Mark Rutte?

Framing defence needs as a percentage of GDP doesn’t help; it’s arbitrary. The proposed 5% defence target is not based on a transparent, evidence-based assessment of actual security needs. Using a percentage of GDP doesn’t reflect either the actual capabilities or military efficiency, nor differences in country size or economic performance, and non-military security needs (e.g., climate, energy, cyber resilience). It’s also proposed without public debate on the consequences for health, education, climate, or social spending.

In short, basing policy on a percentage of GDP distracts from the real work of defining what “security” means and how to achieve it holistically.

Who is benefiting from the increase in military spending?
Follow the money, and another pattern emerges: Europe isn’t just spending more – it’s spending outward. Nearly 80% of European defence procurement is imported, mostly from the United States. So, are our investments really strengthening European security and resilience, or simply boosting American military firms? And what happens when those suppliers are tied to fossil fuel lobbies, political instability, or unpredictable presidents? Let’s not forget: the U.S. military industry played a key role in Trump’s last campaign and could again. By feeding this system, are we fuelling the very instability we claim to resist?

Meanwhile, public money flows steadily into the hands of military shareholders. Where do we draw the line? What becomes of budgets meant for healthcare, education, childcare, housing, nature protection and the climate? If we see direct transfers from public pockets to company shareholders as part of the industrial-military complex, would the wealthiest rentiers not again reap profits at the expense of taxpayers? When arms companies and investment funds profit from conflict, how do we safeguard democratic oversight? Should we revisit, if not reverse, the privatisation of military industries to preempt a situation where profits depend on global unrest?

This is more than just a budget issue. It’s a structural shift that could weaken democracy, deepen inequality, and make conflict more profitable than peace.

How beneficial is militarisation for economic performance and jobs?
Not in the way some claim. Military spending may look like an economic stimulus, but evidence shows otherwise. Military expenditure often has a smaller multiplier effect compared to green and social investments. It creates fewer jobs per euro spent than health, education, or green investment. That’s because defence projects are capital-intensive, dominated by a handful of companies, and often happen outside the EU.

Compare that to investments in energy efficiency, renewables, public transport, care work, or nature restoration, which generate more employment, faster returns, and healthier communities. At a time of fiscal constraint, prioritising defence risks crowding out essential public services, deepening social inequalities, and weakening economic resilience.

And what about the climate and the environment?
Militarisation comes with a hefty environmental price tag, long before war ever breaks out. Military forces are among the world’s biggest energy users. Building and maintaining military forces consume large amounts of fossil fuels, critical minerals, and water, which places a strain on ecosystems and contributes to global emissions. Control over such materials has become a strategic priority, influencing geopolitical decisions in regions like Ukraine and the DRC. Day-to-day military readiness requires constant training, and training means consuming resources and energy, notably oil, with low levels of energy efficiency.

The global military carbon footprint is estimated at 5.5% of all greenhouse gas emissions, yet it’s mostly invisible in climate accounting frameworks. That means countries can meet climate targets on paper while quietly ramping up emissions through their armies.

There’s also the question of land. Militaries also occupy vast land and sea areas, up to 6% of the planet’s surface, including ecologically sensitive zones. Some areas may be shielded by restricted access, but many suffer heavy degradation from training, testing, and infrastructure. Pollution, habitat loss, and contamination are all common issues, with little to no public accountability.

This raises a fundamental issue: what if military “readiness” is undermining planetary stability, the very foundation of long-term peace?
A turning point

We are living through uncertain, volatile times. The threats are real, but so are the choices.

We can choose to define security broadly, not just as the absence of war but as the presence of care, fairness, resilience, and sustainability. We can build safety from the ground up — with strong communities, thriving nature, and just economies.

Or we can double down on outdated models of defence, lock in spending that benefits the few, and lose sight of the Europe we claim to defend. Civil society must not shy away from this debate.

Because in the end, security isn’t just about protecting borders; it’s about protecting what matters most.

sábado, 24 de maio de 2025

Deep-Sea Mining for Critical Minerals Will Do More Harm Than Good


Since U.S. President Donald Trump’s inauguration in January, we have witnessed an upsurge of interest and intrigue surrounding the critical minerals necessary for the renewable energy transition and next-generation technology. The race for access to resources like nickel, cobalt, lithium, manganese, copper, rare earth elements and other metals has fueled the Trump administration’s push for security deals in the Democratic Republic of Congo and Ukraine and saber-rattling over Greenland. And as of last month, it now involves efforts to mine critical resources from the depths of our oceans.

On April 24, Trump signed an executive order that, though lacking in specifics, underscored his administration’s desire to explore and extract critical resources through offshore and deep-sea mining, both by expanding operations in U.S.-controlled waters and creating interstate partnerships to pursue projects in international waters. The decisive factor in this initiative is clear: China’s current dominance over the mining and refinement of critical minerals. The executive order effectively proclaims that, while China now controls critical resources on land, the U.S. will seek to dominate the sector at sea.

If the 20th century was defined by who produced and controlled the extraction and refining of petroleum, this century will be defined by who produces and controls the extraction and refining of critical minerals. Today, China controls anywhere from 60 percent to 95 percent of the mining and refining capacity for various critical minerals, with the U.S. only becoming a distant second due to efforts to expand access to land-based sources under former President Joe Biden.

Trump’s executive order on deep-sea mining represents a new but also potentially hazardous frontier in that competition. Despite technological innovations, we still know very little about the world’s oceans, having only explored 5 percent of them. What we do know is that lying in the depths of international waters are critical resources. But accessing them will come with environmental costs and uncertainty.

Critical Resources for What?
Globally, meeting the climate action targets under the Paris Agreement will mean achieving net-zero emissions by 2050. The renewable energy transition required to do so will create a twofold to eightfold increase in demand for critical minerals like nickel, lithium and copper. Emerging technologies, data centers and artificial intelligence will also elevate demand for critical minerals in ways not entirely understood.

The currently known land-based supplies of these critical minerals do not meet the projected demand to transition toward renewable energy, let alone for technology and AI. Take nickel, for instance, of which 3.6 million tons was mined globally in 2023. But demand is anticipated to quadruple by mid-century. While there is an estimated 130 million tons of known terrestrial reserves of nickel, it’s estimated there could be more than double that—up to 270 million tons—in deep-sea areas of the Pacific Ocean.

For this and other resources, the race to access critical resources at all costs now seems to be pointing inexorably to seabed mining. But which sectors will benefit from that race and how it will affect our environment are still up for debate.

The Trump administration’s push to secure access to critical minerals coincides with its efforts to abandon carbon emissions targets and sabotage clean energy projects at home. As a result, it’s likely that whatever critical resources the administration’s terrestrial and sea-based initiatives manage to extract will be diverted away from the renewable energy transition and toward data centers, technological innovation and AI, all of which happen to be heavily energy- and water-intensive. They could also go toward military needs.

domingo, 26 de novembro de 2023

O impacto da Black Friday não acaba hoje: 50% das compras são devolvidas



Você recebeu dezenas, talvez centenas, de mensagens com ofertas apelativas com prazo de validade para hoje ou amanhã através de suas redes sociais ou e-mail nos últimos dias? A Black Friday – que não é mais um dia, mas uma semana inteira – é uma das épocas do ano em que há mais consumo. Assim, segundo a OCU, oito em cada dez utilizadores da organização comprarão durante a Black Friday , gastando em média 237€.

E sua marca é conhecida. Assim, os descontos populares incentivam o hiperconsumismo e a superprodução, e a procura aumenta entre 30% e 40% nestes dias de ofertas generalizadas. “ O principal problema é a superprodução . Estamos produzindo acima das possibilidades de consumo, destruindo também o planeta, contaminando ecossistemas e águas e gerando emissões , mas ninguém está colocando limites para as empresas produzirem”, afirma Celia Ojeda , chefe da área de biodiversidade do Greenpeace.

Mas durante estas datas não só compramos mais, como também devolvemos mais produtos. Assim, de acordo com o estudo ‘Sustentabilidade no comércio eletrónico atual. O impacto da nossa decisão de compra' , publicado pela EAE Business School, as devoluções durante o período da Black Friday chegam a 50% dos produtos adquiridos, enquanto o número médio de devoluções do comércio online ao longo do ano é de 25%.%, 30% para roupas. Uma prática que tem aumentado nos últimos anos devido à generalização das devoluções gratuitas. Porém, no caso das lojas físicas, as devoluções caem para 6%.

May López , autora do relatório e diretora de Desenvolvimento de Negócios para Mobilidade Sustentável, aponta as táticas de neuromarketing utilizadas no comércio online como uma das principais razões para este aumento nos retornos. “Essas práticas estão fazendo com que as pessoas comprem compulsivamente produtos que não precisam e é justamente por isso que começam a devolver cada vez mais produtos”, afirma. As práticas de neuromarketing incluem o uso de dados para adaptar a publicidade aos nossos padrões de consumo e mostrar-nos esses anúncios “quando estamos mais vulneráveis”, explica López.

Porque embora a Black Friday também tenha ido para as ruas e muitas lojas físicas ofereçam descontos, é uma data em que imperam as compras online , cujo impacto é muito maior . “Mandar 60 camisetas numa caixa não é a mesma coisa que enviar 60 camisetas em 60 caixas individuais com os seus 60 envelopes e embalagens para aquele endereço particular onde a pessoa pode não estar em casa, onde você tem que ir uma e duas vezes entregar e onde também queremos de um dia para outro”, diz López.

Esta tendência reforçou-se especialmente desde o confinamento, quando até os mais reticentes começaram a comprar online. “Como estávamos todos em casa, quem não tinha comprado nada online começou a fazê-lo. E não só cada vez mais pessoas começam a comprar, como também começamos a comprar cada vez mais tipos de produtos”, afirma May López, que também coordena o Comitê Técnico sobre o Impacto do Comércio Eletrônico do Congresso Nacional do Meio Ambiente (CONAMA).

Um dos principais impactos dos pedidos online é o aumento da movimentação de veículos de entrega , o que não só aumenta as emissões, mas também colapsa cidades . Assim, as empresas de entrega têm taxas de falha entre 10% e 15% na primeira tentativa de entrega em domicílio particular, diz o relatório da EAE. Somente endereços errados geram até 70% de falhas nas entregas.

Alguns produtos devolvidos são destruídos
As devoluções, cuja logística é ainda mais ineficiente, aumentam esta tendência, lembra Celia Ojeda. “Com as devoluções, a eficiência da organização logística diminui. Muitas vezes o problema não são tanto as emissões, porque muitas empresas agora possuem veículos sustentáveis, como o congestionamento dentro da cidade e a ocupação de veículos em um local que poderia ser para pessoas”, afirma Ojeda.

terça-feira, 7 de novembro de 2023

Fim de Venenos em Nossos Campos! Peça para parar o Glifosato Agora


Nossa saúde depende da alimentação, e de como esse alimento é cultivado e de quantos venenos são utilizados e liberados no meio ambiente. O glifosato, cuja renovação a Itália também manifestou o seu apoio, é um herbicida utilizado intensamente em todo o mundo que causou poluição generalizada do solo e da água e, ao consumir alimentos contaminados com glifosato, introduzimo-lo nos nossos corpos: para o demonstrar, um francês estudo mostrou que 100% dos cidadãos franceses apresentam vestígios de glifosato na urina. A pesquisa foi realizada com mais de 6.800 pessoas com idade média de 53 anos, cujas amostras foram coletadas durante dois anos, entre 2018 e 2020. Apesar disso, o perigoso herbicida da Bayer-Monsanto corre o risco de ser autorizado na Europa por mais 10 anos. 
As crianças são as mais sensíveis à exposição a partir da idade fetal: o Fundo Francês de Indemnização às Vítimas de Pesticidas aceitou recentemente o pedido de uma grande indemnização de um rapaz de 16 anos, pois sofre de malformações congénitas da laringe e do esófago, devido ao fato de sua mãe ter ficado muito tempo exposta ao glifosato durante a gravidez. 
A Bayer terá de pagar US$ 175 milhões a um ex-dono de restaurante que sofre de linfoma de Hodgkin, aceitando a exposição contínua ao glifosato como causa. A exposição ao glifosato aumenta significativamente (+41%) o risco de contrair linfoma não-Hodgkin (Luoping Zhang et al. (2019). 'Exposure to Glyphosate-Based Herbicides and Risk for Non-Hodgkin Lymphoma: A Meta- Analysis and Supporting evidencence' 
O glifosato é usado em muitas culturas, e podemos introduzi-lo, com farinhas, massas, cerveja, mas também carnes, vegetais e frutas. Assinando para bloquear o glifosato é pensar na sua saúde, na dos seus filhos e no planeta. A exposição de hoje pode causar cancro em 10 anos, é importante proteger as crianças antes de tudo dessa longa exposição. Quando falamos de uma alimentação saudável não podemos ignorar estes aspectos importantes. Uma dieta saudável é aquela que nutre e é tão livre quanto possível de contaminantes tóxicos.

segunda-feira, 28 de agosto de 2023

Florestas antigas ucranianas destruídas para o mercado da UE


As empresas europeias são cúmplices na destruição de florestas antigas nos Cárpatos ucranianos, cuja madeira é vendida em toda a União Europeia. Esta é a descoberta chocante de uma pesquisa e viagem de campo do Greenpeace na Europa Central e Oriental à floresta antiga ucraniana.
A Greenpeace CEE está actualmente a liderar uma Expedição de 40 dias, para lançar luz sobre a destruição maciça que afecta as florestas dos Cárpatos em cinco países: Roménia, Ucrânia, Hungria, Eslováquia e Polónia.
A Greenpeace apela à União Europeia para que implemente medidas eficazes para proteger este património natural europeu. Se os governos e as instituições europeias levarem a sério a travagem da desflorestação internacional e a melhoria da protecção e restauração das florestas, devem começar por implementar os seus próprios compromissos e obrigações em matéria de protecção da natureza.

Yehor Hrynyk, um biólogo ucraniano, membro da expedição, disse : "Os Cárpatos ucranianos abrigam grandes áreas de florestas antigas que são um hotspot essencial de biodiversidade. Infelizmente, a indústria florestal da Europa Ocidental os vê apenas como uma fonte de lucro. As consequências da exploração madeireira irresponsável nesta região são devastadoras, num país que já sofre uma guerra injustificada e onde é mais difícil do que nunca aplicar os princípios da conservação da natureza. As áreas protegidas não estão a ser estabelecidas em florestas com elevados níveis de conservação. valores para que a procura do mercado europeu por madeira e produtos de madeira seja atendida.”

O mais recente Relatório do Greenpeace CEE, publicado em novembro de 2022, revelou até que ponto as florestas dos Cárpatos foram impactadas pela exploração madeireira industrial. De forma alarmante, menos de 3% dos ecossistemas críticos estão estritamente protegidos, estando a maioria exposta à exploração madeireira e exploração generalizada.

Segundo estatísticas oficiais [1], a União Europeia é o principal importador de madeira e produtos florestais ucranianos. A Greenpeace CEE, juntamente com activistas ucranianos, visitou vários locais de exploração madeireira localizados em áreas florestais antigas durante o ano passado, onde os impactos da exploração madeireira industrial são claramente visíveis.
Uma das empresas que utiliza madeira proveniente de florestas antigas dos Cárpatos ucranianos é a empresa suíça Coroa suíça. Esta empresa é especializada na produção de painéis de partículas para o mercado ucraniano e para exportação. No seu website, a Swiss Krono afirma que a madeira que compra é sustentável, apesar de a madeira proveniente de locais de exploração madeireira em áreas florestais antigas ter sido anteriormente fornecida à Swiss Krono.
Durante a expedição aos Cárpatos, a equipe do Greenpeace de ativistas ucranianos, poloneses e romenos visitou o local de extração de madeira que fornece madeira para a coroa suíça e um dos locais de processamento da coroa suíça em Broshniv-Osada. O Greenpeace CEE apela à empresa para que deixe de utilizar madeira proveniente de florestas imaculadas dos Cárpatos.

Robert Cyglicki, Diretor do Programa do Greenpeace CEE, disse : "Os governos e autoridades europeus devem garantir que todas as florestas dos Cárpatos de alto valor de conservação, incluindo aquelas localizadas na Ucrânia, sejam estritamente protegidas. Se as tendências atuais continuarem, as florestas desprotegidas, essenciais para a restauração e ecossistemas vitais para espécies ameaçadas, serão erradicadas. Para enfrentar as crises climáticas e naturais, a UE deve proteger os sítios naturais excepcionais que permanecem em solo europeu de qualquer tipo de extracção. Ao mesmo tempo, as empresas devem retirar as mãos destes locais únicos e antigos. florestas."

Fonte: aqui
Imagens fotográficas e de vídeo da investigação podem ser baixadas através de nossa Biblioteca de Mídia internacional 
Para informações adicionais e entrevistas, também podemos conectar-nos aos nossos parceiros ucranianos

Notas aos editores:
[1] De acordo com estatísticas oficiais, em 2021 a Ucrânia exportou 4.645.549 toneladas de madeira e produtos de madeira com um valor total de 2.005.803 USD (grupos de mercadorias 44-46). Apesar da guerra, em 2022 as exportações de madeira e produtos representaram 94% do valor do ano passado (1.885.422 dólares), o que representou 4,3% do total das exportações da Ucrânia em termos monetários.

quinta-feira, 20 de julho de 2023

Portugal "extremamente mal" ligado a Espanha por comboio


Portugal está "extremamente mal conectado" a Espanha por comboio, com apenas uma ligação - Porto-Vigo - a ser feita duas vezes por dia, destaca a organização não-governamental (ONG) ambientalista Greenpeace, num relatório hoje divulgado sobre viagens ferroviárias.

Através da ligação Porto-Vigo, no noroeste de Espanha, é possível chegar a Madrid, destacando a Greenpeace o facto de ser impossível viajar de comboio entre as capitais ibéricas no mesmo dia.

Em todo o caso, para chegar do Porto a Madrid - para além das mais de nove horas de viagem que demora a percorrer 420 quilómetros - é preciso fazer uma escala em Vigo.

Para além da ausência de ligação direta, a ONG destaca que a CP "não vende bilhetes com mais de dois meses de antecedência e os bilhetes para Espanha têm de ser comprados ao operador ferroviário espanhol", o que desencoraja mais a opção pelo comboio.

Já por avião, há três operadoras de baixo custo com ligações diretas entre o Porto e a capital espanhola.

Em Portugal, a Greenpeace analisou as rotas Porto-Lisboa e Porto-Faro, comparando as opções entre o comboio e o avião, concluindo que só na primeira - e por falta de ligações em companhias aéreas de baixo custo -, o primeiro é mais barato do que o segundo e o trajeto leva um pouco menos de três horas.

Entre Lisboa e Porto, há viagens de comboio de hora em hora e os bilhetes custam entre 15,5 e 25,25 euros, enquanto o voo custa 37,46 euros.

Nesta rota, a opção pelo avião envolve a emissão de 57 quilos de gases de efeito de estufa por passageiro e, se for banida e substituída pelo comboio, representa um corte de 81% nas emissões, destaca a Greenpeace.

Na rota Porto-Faro, há três ligações aéreas diárias operadas por uma companhia de baixo custo, com preços entre os 19,21 e os 32,85 euros.

A CP, por seu lado, tem preços 70% mais altos e a viagem dura quase seis horas.

Segundo o estudo, as viagens de longo curso de comboio são, em média, duas vezes mais caras do que as dos aviões, com algumas rotas a custarem até 30 vezes mais do que um bilhete numa transportadora aérea de baixo custo.

A ONG denuncia que os caminhos-de-ferro estão a ser "minados" por condições de concorrência favoráveis às companhias aéreas.

Na maioria (79 em 112) das rotas analisadas pela Greenpeace na UE, os voos são mais baratos do que o comboio, sendo as viagens ferroviárias, em média, duas vezes mais caras do que as de avião, com o impacto climático global do voo a poder ser mais de 80 vezes pior do que o do comboio.

Apesar disso, as companhias aéreas estão isentas do pagamento de impostos sobre o querosene, um derivado do petróleo que é o principal ingrediente do combustível de aviação. A Transport & Environment estimou recentemente que os contribuintes na Europa perdem um total de € 34 biliões por ano graças a esta e outras isenções fiscais. As ferrovias não têm isenções equivalentes para qualquer energia que consomem. Um plano para rever a isenção do imposto sobre o querosene para as companhias aéreas estagnou na UE.

Das 23 que são mais baratas, apenas metade têm boas ligações, com as restantes a terem más ou lentas conexões por comboio.

A Greenpeace analisou ligações de comboio e de avião em 24 Estados-membros da União Europeia (UE), incluindo Portugal, bem como na Noruega, Suíça e Reino Unido.

segunda-feira, 8 de maio de 2023

Meet Dr Patrick Moore: Cofundador do Greenpeace que deixou a organização sequestrada pela esquerda política



Dr. Patrick Moore, co-fundador do Greenpeace, conta como ele se juntou ao grupo incipiente que fundou o Greenpeace, os esforços ousados e as vitórias significativas obtidas pela jovem organização durante seus primeiros anos, e os detalhes por trás de sua decisão de abandonar o Greenpeace, a organização após 15 anos de envolvimento dedicado. A compreensão abrangente de Moore sobre a escala de tempo geológica da Terra e a contextualização das mudanças climáticas, das concentrações de CO2 na atmosfera e de eventos climáticos extremos, entre outros, é sólida e fascinante. Verdadeiro ambientalista, Moore é um raro exemplo de alguém que colocou seus princípios acima de tudo.

Tempos e Assuntos
00:00 Dr. Patrick Moore sobre como crescer em uma região selvagem absoluta
02:16 Ao fazer um bacharelado em Ciências Florestais e Biologia, seguido de um doutorado em Ecologia após obter a certificação
02:54 Como a adesão a um grupo incipiente de pessoas cujo objetivo era impedir os testes nucleares começou o Greenpeace
04:38 Sobre os esforços do Greenpeace que levaram ao cancelamento pelo presidente Nixon de futuros testes de armas nucleares no Alasca, significando o início do movimento ambientalista
04:58 Contra os testes nucleares atmosféricos franceses no Pacífico Sul
07:02 Sobre a campanha Save the Whales do Greenpeace na década de 1970 e a campanha ativa contra resíduos tóxicos
11:06 Sobre o Greenpeace sendo sequestrado pela esquerda política
12:06 Sobre a separação entre ciência e política ser absolutamente essencial
13:35 Em seu livro, "Falsas catástrofes invisíveis e ameaças de destruição".
17:34 Sobre a história da temperatura e do CO2 na Terra
21:54 Como os seres humanos aumentaram a quantidade de CO2 na atmosfera em cerca de 50%
22:39 Sobre a capacidade dos seres humanos de serem maus
24:05 No Net Zero
25:09 Sobre de onde obteríamos CO2 se o mundo abandonasse os combustíveis fósseis e adotasse a energia nuclear
27:19 Sobre os recifes de coral e o mito de que eles morrerão se ficar muito quente
28:17 Como o consenso é comprado e pago
29:44 Como os cientistas que discordam do consenso são desacreditados
31:14 Sobre a alegação de que eventos climáticos extremos evidenciam mudanças climáticas catastróficas
33:26 Sobre os relatórios do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC)
36:10 Sobre sua decisão de se afastar do Greenpeace
46:44 Sobre a motivação potencial que impulsiona o alarmismo climático

domingo, 2 de abril de 2023

Jatos privados: Portugal ocupa pódio de países com maior intensidade carbónica


De acordo com o documento, citado pelo jornal Público, no ano passado, a rota entre os aeroportos de Lisboa e Tires, com uma distância de apenas 20,37 quilómetros, colocou Portugal no segundo lugar do pódio dos países europeus com rotas de aviação privada com maior intensidade de emissões de dióxido de carbono (CO2). Os 118 voos registados em 2022 traduziram-se na emissão de 261 toneladas de dióxido de carbono (CO2). Estes números representam um aumento face a 2021, ano em que se realizaram 97 voos e foram emitidas 189 toneladas de CO2. Mas, à época, a rota Lisboa-Tires já ocupava a terceira posição das mais intensas em emissões de CO2.

“É óbvio que rotas mais curtas terão uma intensidade de CO2 mais elevada, porque o incremento de 95 quilómetros [de emissões] terá um maior peso relativo”, apontam os peritos.

A este respeito, é de referir que a rota que ocupa o primeiro lugar do pódio da intensidade carbónica é a que liga Farnborough, multinacional de armas, segurança e aeroespacial BAE Systems, a maior empresa de defesa europeia, a Blackbushe, perto de Londres.

O relatório da consultora ambiental CE Delft e da organização ambientalista Greenpeace refere ainda que Portugal está em nono lugar na lista dos países europeus com mais emissões: para 7.994 voos teve um total de 65.323 toneladas de emissões.

Em comunicado de imprensa, a Greenpeace alerta que “as emissões de CO2 médias de cada voo de avião privado na Europa em 2022 foram 5,9 toneladas, o que é mais do que conduzir um carro médio a gasolina durante 23 mil quilómetros — ou viajar de Roma a Paris 16 vezes”.

“É tremendamente injusto que pessoas ricas possam causar danos ao clima desta maneira, poluindo mais do que uma viagem de 23 mil quilómetros num só voo. A poluição devido a luxos perdulários deve ser a primeira coisa a eliminar. Precisamos de uma proibição dos voos de jatos privados”, defende Thomas Gelin, ativista da Greenpeace para a área dos transportes.

Com exceção do ano de 2020, com o despoletar da pandemia de covid-19, o tráfego de passageiros em aviões privados aumentou de forma quase ininterrupta.

Em 2021, foram registados 350.078 voos privados, mais do que o dobro do ano anterior. A emissão de 1.637.623 toneladas de dióxido de carbono foi 4,6 vezes superior a 2020. Em 2022, foram, por sua vez, registados 572.806 voos de jatos privados, o equivalente a uma emissão de 3.385.538 toneladas de CO2.

Conforme assinala um estudo de 2021 da organização não-governamental Transporte e Ambiente, os aviões privados apresentam uma intensidade carbónica dez vezes superior, em média, ao dos voos de companhias de transporte coletivo de passageiros, sendo ainda 50 vezes mais poluidores do que os comboios.

Cientistas e sociedade civil prometem ação direta
Os grupos "Abolir Jatos Privados", "Climáximo", e "Scientist Rebellion Portugal" afirmaram-se “indignados com a inação institucional face ao meio de transporte mais injusto e poluente”. E prometem “ir para além da lei para confrontar a maior crise que já enfrentámos”.

“Enquanto Guterres afirma que estamos numa "autoestrada para o inferno", e os mais respeitados orgãos científicos das Nações Unidas desesperam por ação urgente, o governo português parece responder ao ritmo de um projeto suicida. Uma viagem tão curta como Lisboa-Tires (20.37km) pauta a vergonha internacional de ser o 2º troço mais intensivo de carbono da Europa, quando demoraria menos de 1h a percorrer de transportes públicos”, escrevem os ativistas.

Os coletivos comprometem-se a, em 2023, “escalar as ações contra jatos privados em Portugal, de forma a garantir” a “inviabilização dos meios que põem em risco a sobrevivência da nossa espécie”.

Proposta do Bloco para limitar jatos privados foi chumbada no Parlamento
Em dezembro do ano passado, o Bloco levou a debate no Parlamento um projeto de lei para limitar a aterragem e descolagem de jatos privados em Portugal. À época, Pedro Filipe Soares lembrou que "uma viagem em jato privado é 10 vezes mais intensiva em termos energéticos que num avião comercial e 50 vezes mais intensiva que num comboio". E que "este capricho dos super-ricos tem um enorme custo ambiental".

"Num momento em que o mundo tem de responder ao flagelo das alterações climáticas, os super-ricos não podem ter um privilégio de super-poluição", prosseguiu Pedro Filipe.

A proposta bloquista foi chumbada pelo PS, PSD, Chega e Iniciativa Liberal, com a abstenção do PCP.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2022

Organizações Portuguesas Pedem ao Governo para Parar a Destruição das Florestas


Num momento em que os governos da UE começam a discutir nova legislação para combater a desflorestação provocada pela UE, organizações nacionais e internacionais lançam um apelo aos cidadãos para que exijam aos seus representantes a defesa de uma lei robusta, capaz de impedir a entrada no mercado europeu de produtos que causam desflorestação.

Organizadas sob a égide da campanha #Together4Forests, 180 organizações ambientalistas por toda a Europa apelam aos governos nacionais para restringir a contribuição da UE para a destruição das florestas e outros ecossistemas, assim como para violações dos direitos humanos em todo o mundo. Este pedido antecede a reunião de ministros do ambiente em Bruxelas no próximo mês para discutir a nova proposta de regulamento, apresentada pela Comissão Europeia a 17 de novembro de 2021.

Numa ação de protesto, os ambientalistas chamam a atenção para o ritmo alarmante a que o mundo está a perder florestas e exigem que o atual Ministro do Ambiente e Ação Climática, João Pedro Matos Fernandes, bem como a Ministra da Agricultura, Maria do Céu Antunes, contribuam para a melhoria do próximo regulamento de combate à desflorestação da UE.

Da Suécia à Roménia, organizações europeias tiraram fotografias aéreas para mostrar o quão rapidamente as florestas do mundo estão a desaparecer – a cada 2 segundos, desaparece uma área do tamanho equivalente a um campo de futebol – em parte devido ao consumo europeu de produtos provenientes das áreas afetadas por fenómenos de desflorestação. As organizações pedem que os produtos que podem colocar ecossistemas em risco, entre os quais se encontram a carne de bovino, a soja, a palma, a borracha, a madeira e o papel, sejam comprovadamente isentos de ligações à destruição da natureza antes de serem vendidos no mercado da UE.

Paralelamente, organizações por toda a União Europeia estão a apelar aos seus cidadãos para que peçam aos ministros nacionais responsáveis por esta discussão, através do envio de e-mails disponíveis aqui, a defesa de uma lei da UE robusta e capaz de proteger as florestas. Em Portugal, esta ação está a ser promovida pelas associações ambientalistas ANPlWWF, FAPAS, GEOTA, LPN, Quercus, SPEA), Associação Zero e Plataforma TROCA.

Esta iniciativa surge depois de mais de um milhão de pessoas e mais de 160 ONGs na coligação #Together4Forests terem apelado à proteção dos direitos humanos, das florestas e outros ecossistemas, face aos impactos do consumo europeu e dos investimentos dos bancos que operam na UE. A atual proposta da Comissão pretende exigir pela primeira vez que as empresas que vendem produtos e matérias-primas na UE demonstrem que as suas cadeias de abastecimento não têm implicações na destruição das florestas. No entanto, grupos ambientalistas criticam os planos da Comissão, especialmente porque estes apresentam algumas fragilidades, nomeadamente o facto de contemplarem apenas um pequeno número de produtos, não protegerem outros ecossistemas naturais (tais como zonas húmidas e savanas), não protegerem adequadamente os direitos humanos e não envolverem o setor financeiro.

Os próximos passos

Os ministros do Ambiente e da Agricultura dos 27 governos nacionais da UE irão analisar a proposta de regulamento de combate à desflorestação da Comissão Europeia e debater alterações à mesma. O governo francês responsável pelas reuniões ministeriais já indicou que irá fazer deste regulamento uma prioridade durante o seu mandato e é expectável que este instrumento legal faça parte da agenda da próxima reunião dos ministros do ambiente da UE em Bruxelas, a 17 de Março.

Espera-se que o Governo português tenha um papel ativo e contribua para a melhoria da proposta, e que esta possa resultar num instrumento chave na redução da desflorestação e degradação florestal impulsionada pela UE a nível mundial, reduzindo a contribuição da UE para as emissões de gases com efeito de estufa (GEE) e para a perda de biodiversidade global, bem como para a promoção da produção sustentável e de novos padrões de consumo na UE.

terça-feira, 8 de junho de 2021

Greenpeace: “Os nossos oceanos estão numa espiral de morte”


A organização apela à aprovação do Tratado Mundial dos Oceanos pelas Nações Unidas, em Agosto, para acabar com a degradação marinha e para proteger 30% dos oceanos até 2030.
Segundo a Greenpeace, “as alterações climáticas, a pesca industrial, a exploração mineira submarina, as prospecções petrolíferas, a poluição e os plásticos levaram a segunda fonte de oxigénio do planeta a um estado crítico”.

Pilar Marcos, responsável dos Oceanos na Greenpeace Espanha, denuncia, em comunicado divulgado no Dia Mundial dos Oceanos, celebrado a 8 de Junho, que “os nossos oceanos estão numa espiral de morte, atingidos pelo colapso climático e pela pesca destrutiva”.

Mais de 70% dos tubarões e raias desapareceram nos últimos 50 anos e quase 60% dos pinguins-de-face-manchada (Pygoscelis antarcticus) da Antárctica desapareceu. Pelo menos 59,9% das populações de peixes avaliadas estão a ser exploradas para lá do seu rendimento máximo sustentável.

Todos os anos, mais de 500.000 toneladas de pequenos peixes são capturados ao largo da África ocidental para alimentar a indústria da aquacultura e para suplementos dietéticos, cosméticos e para produtos alimentares para animais domésticos. Mas “este pescado é essencial para manter a segurança alimentar de mais de 33 milhões de pessoas em países como a Mauritânia, o Senegal e a Gâmbia”, sublinha a Greenpeace.

As ameaças surgem em todas as frentes. A cada segundo estima-se que mais de 200 quilos de lixo vão parar aos oceanos; 80% vem de terra. Das 626 baleias-francas analisadas no Atlântico Norte, 83% tinham sinais de interação com plásticos.

Uma expedição do navio Arctic Sunriseda Greenpeace, que durou três semanas em Fevereiro deste ano, testemunhou a devastação causada pelas redes de deriva no oceano Índico. Sete navios criaram duas paredes destas redes – arte de pesca proibida na União Europeia – com mais de 33 quilómetros de comprimento; o equivalente a 2.357 autocarros, um atrás do outro. “O impacto da pesca com redes de deriva com captura acidental de cetáceos no Índico supõe um total acumulado de 4,1 milhões de golfinhos mortos em redes, entre 1950 e 2018”.

“O Dia Mundial dos Oceanos deveria ser uma celebração. Mas sinceramente, se os líderes mundiais não actuarem já para os proteger, este dia vai tornar-se numa recordação do que os oceanos já não são”, advertiu Pilar Marcos. “Desde os recifes de coral, às espécies em perigo de extinção ou às grandes áreas sem oxigénio dos nossos mares, tudo nos mostra níveis de saúde realmente preocupantes.” “O sistema marinho mostra claros sinais de esgotamento.”

Por isso, a Greenpeace pede um tratado geral para proteger a vida marinha no alto mar. “É fundamental que os Governos estabeleçam este ano um Tratado Mundial dos Oceanos nas Nações Unidas, o que poderia levar à criação de santuários oceânicos em todo o mundo, livres de actividades humanas devastadoras.”

E apesar de mais de 70 países se terem comprometido a proteger pelo menos 30% dos oceanos até 2030, estes continuam sem aprovar o Tratado.

Em Agosto, os Governos deverão reunir-se nas Nações Unidas para chegar a acordo sobre o Tratado Mundial dos Oceanos. “Pedimos-lhes que tratem esta emergência com a ambição que ela exige e que não percam esta oportunidade para dar aos nossos oceanos a protecção de que tanto precisam.”

“O oceano pode parecer remoto, mas todos dependemos dele para o oxigénio que respiramos e milhares de pessoas dependem dele para a sua alimentação e sustento. Todos precisamos do oceano e agora mesmo ele precisa de nós.”

sexta-feira, 19 de julho de 2019

Greenpeace: Portugueses e espanhóis põem população de tubarões em risco

A organização ambientalista Greenpeace alertou hoje para a pesca excessiva de tubarões no Atlântico Norte, por parte de barcos portugueses e espanhóis, considerando que tem consequências "devastadoras" para algumas espécies.

Foto e notícia aqui

O alerta partiu do diretor para os Oceanos da Greenpeace no Reino Unido, Will Mccallum, um dos ativistas que esta semana confrontaram um barco espanhol a 200 milhas do arquipélago dos Açores que estava a pescar tubarões.

O protesto foi pacífico, explicou à agência de notícias espanhola Efe, precisando que apenas exibiram uma mensagem onde se lia "tubarões sob ataque", e documentaram as capturas que estavam a ser feitas. O barco, disse, devia dedicar-se à pesca sustentável do peixe espada, mas tinha mais captura de tubarão.

O caso não é uma exceção, já que, segundo uma informação hoje divulgada pela organização ambientalista, numa recente travessia do Atlântico Norte o "Esperanza", o maior barco da Greenpeace, documentou que as capturas de tubarão quadruplicavam em peso as de peixe-espada.

Os tubarões são especialmente cobiçados pelas suas barbatanas, consideradas uma iguaria em algumas culturas asiáticas.

A Greenpeace estima que os barcos espanhóis e portugueses estão a capturar anualmente cerca de 25.000 tubarões anequim, nome comum das espécies Isurus oxyrinchus e Isurus paucus. Os tubarões anequim estão classificados na Lista Vermelha de espécies ameaçadas da União Internacional para a Conservação da Natureza como em risco de extinção.

"Fazem-no às claras, não é algo que escondam. A ciência é muito clara, não estamos a fazer o suficiente para proteger os tubarões. Não há limites para estes barcos quando estão no mar", disse McCallum.

Num relatório recente da Comissão Internacional para a Conservação dos Tunídeos do Atlântico (ORGP-ICCAT, na sigla original) afirmava-se que mesmo que as capturas de tubarão anequim cessassem há apenas 50% de hipóteses de a população recuperar até 2040.

"Pode ser que tenhamos ido longe de mais", disse o responsável da Greenpeace, acrescentando que quanto ao tubarão azul (Prionace glauca) não há dados sobre o tamanho das populações, pelo que "não faz sentido" pescar tanto de uma espécie sobre as quais não se sabe quantos exemplares existem. Os tubarões azuis estão na Lista Vermelha com o estatuto de espécie "quase ameaçada".

No relatório, a Greenpeace pede limites rígidos para a pesca de tubarões e quer um tratado global para a criação de santuários em 30% das grandes áreas oceânicas até 2030, para permitir a recuperação das espécies.

Atualmente apenas 1% dos oceanos está protegido, de acordo com a Greenpeace, que afirma que algumas populações de tubarões foram reduzidas em até 99% devido à atividade humana.

sábado, 31 de março de 2012

Ícone da luta pela liberdade, Nelson Mandela adere ao movimento Hora do Planeta


O herói do apartheid e ex-presidente da África do Sul Nelson Mandela revelou, pelo twitter, seu apoio à Hora do Planeta 2012.

Usando sua conta oficial na rede de microblogs (@NelsonMandela), o líder africano twittou a seguinte mensagem, em inglês: “Vamos nos unir para fazer do mundo uma fonte sustentável para o nosso futuro enquanto humanidade neste planeta "
 
Mandela entrou no rol de celebridades mundiais que apoiam a causa organizada pela Rede WWF. Além dele, estão neste grupo as supermodelos Miranda Kerr e Gisele Bündchen, o líder do Greenpeace International Kumi Naidoo, entre outros.