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domingo, 16 de agosto de 2026

Greepeace alerta: um quarto da costa continental portuguesa está em recuo e décadas de pressão e construção urbanística agravam o risco no litoral

Assina a petição aqui e divulga

Novo relatório “Destruição a Toda a Costa – Retrato de um litoral português em risco” mostra como os impactos das alterações climáticas se cruzam com décadas de ocupação e pressão urbanística e alerta para fragilidades na aplicação das regras que deveriam proteger o litoral.
• Cerca de 25% da costa continental portuguesa encontra-se em recuo e mais de 100 mil pessoas vivem em zonas costeiras de elevado risco.
• A vulnerabilidade do litoral não resulta apenas das alterações climáticas: décadas de ocupação, construção e pressão urbanística em zonas sensíveis aumentaram a exposição de pessoas, infraestruturas e ecossistemas e reduziram a capacidade natural de proteção do território.
• Portugal dispõe de legislação e instrumentos de ordenamento destinados a proteger a orla costeira, mas persistem fragilidades na aplicação, fiscalização, coordenação e atualização das regras face à evolução dos riscos.
• Um mapa interativo lançado com o relatório e que reúne fotografias e informação sobre cerca de 350 pontos mais vulneráveis do território costeiro português, no continente, Madeira e Açores.

Cerca de 25% da costa continental portuguesa está em recuo, mais de 100 mil pessoas vivem em zonas costeiras de elevado risco e a pressão sobre o litoral continua a aumentar.

A Greenpeace Portugal lançou no dia 23 de julho  um novo relatório nacional “Destruição a Toda a Costa – Retrato de um litoral português em risco”, que revela como os impactos crescentes das alterações climáticas se cruzam com décadas de ocupação, construção e pressão urbanística sobre algumas das zonas mais vulneráveis do país.

O retrato é claro: a costa portuguesa está presa entre o avanço do mar e o avanço da construção.

A subida do nível do mar, a erosão costeira e os fenómenos extremos estão a intensificar-se num território onde, ao mesmo tempo, se continua a exercer uma forte pressão urbanística e turística, a ocupar áreas vulneráveis e a degradar ecossistemas naturais que funcionam como primeira linha de proteção.

O problema, não é apenas a falta de adaptação à crise climática. É também o resultado de escolhas feitas ao longo de décadas sobre onde, como e quanto se constrói, e da distância que continua a existir entre as regras criadas para proteger o litoral e a sua aplicação efetiva no território.

“Portugal conhece há muito os riscos que ameaçam a sua costa. Temos conhecimento científico, legislação e instrumentos de ordenamento. Não podemos continuar a esperar que uma praia desapareça, uma arriba colapse ou uma infraestrutura fique em risco, para agir. O desafio agora é transformar aquilo que sabemos em decisões políticas coerentes e numa estratégia de longo prazo capaz de proteger as pessoas, a natureza e um território que pertence a todos”, afirma Toni Melajoki Roseiro, diretor da Greenpeace Portugal.

Entre o avanço do mar e o avanço da construção
Ao longo dos cerca de 2.500 quilómetros de costa portuguesa, entre o continente, Madeira e Açores, os riscos assumem diferentes formas.

Cerca de 25% da costa continental portuguesa encontra-se em recuo.

Mas olhar apenas para a erosão ou para o avanço do mar não permite compreender toda a dimensão do problema.

A vulnerabilidade atual resulta também da forma como o território foi ocupado ao longo de décadas. A expansão urbana e turística, a construção em áreas sensíveis e a artificialização da orla costeira aumentaram a exposição ao risco e, em muitos casos, reduziram a capacidade de adaptação dos sistemas naturais.

Para a Greenpeace Portugal, continuar a permitir novas ocupações em zonas que já são conhecidas como vulneráveis, significa criar hoje os problemas que o país terá de resolver amanhã, muitas vezes com custos públicos elevados e com consequências que poderão tornar-se irreversíveis.

Ana Farias Fonseca alerta que “Com mais de 25% do litoral continental em recuo e cerca de 100 mil pessoas a viver em zonas de elevado risco, não podemos continuar a permitir que a pressão urbanística e o desrespeito pelas regras de ordenamento e proteção ambiental ignorem os avisos da ciência. Para a Coordenadora de Campanhas e Mobilização da Greenpeace Portugal “A boa notícia é que estamos a tempo de salvar as praias portuguesas e, para isso, é imperativo travar novas ocupações em áreas vulneráveis e apostar na prevenção e no restauro de ecossistemas, garantindo que as decisões de hoje não se tornam em problemas irreversíveis e os custos públicos elevados de amanhã.”

Proteger a natureza é também proteger as pessoas
Dunas, sapais, zonas húmidas e outros ecossistemas costeiros desempenham um papel essencial na proteção do território.

Estes sistemas ajudam a absorver a energia das tempestades, reduzem os impactos da erosão e das inundações e aumentam a capacidade de adaptação da faixa costeira.

Quando são destruídos, degradados ou fragmentados, perde-se não apenas património natural, mas também uma parte das defesas que protegem pessoas e infraestruturas.

O relatório defende, por isso, que a resposta aos riscos costeiros não pode assentar apenas em intervenções realizadas depois dos danos. A recuperação dos ecossistemas e as soluções baseadas na natureza têm de fazer parte de uma estratégia preventiva de adaptação.

A lei existe. Falta fazê-la valer no território
O relatório conclui que Portugal não parte do zero. O país dispõe de legislação, planos de ordenamento da orla costeira, instrumentos de gestão territorial e conhecimento científico sobre grande parte dos riscos que afetam o litoral – um primeiro passo na direção certa. O problema está, em muitos casos, na implementação.

A Greenpeace Portugal identifica fragilidades na aplicação e fiscalização das regras, na articulação entre diferentes entidades e níveis de decisão e na capacidade de atualizar os instrumentos existentes à velocidade a que os riscos estão a evoluir.

O resultado é um território onde continuam a existir tensões entre a necessidade de proteger a costa e a pressão para ocupar e construir em áreas cada vez mais vulneráveis.

Para a Greenpeace Portugal, a proteção do litoral exige também maior transparência nos processos de decisão e licenciamento e a salvaguarda do caráter público e do acesso de todos à costa e às praias.

Não se trata, sublinhamos, de impedir qualquer desenvolvimento económico ou atividade turística no litoral. Trata-se de garantir que as decisões tomadas hoje não aumentam os riscos de amanhã e que o interesse público e a proteção do território prevalecem sobre opções de curto prazo.

Um mapa para mostrar o risco no terreno
O relatório é acompanhado por um mapa interativo que reúne fotografias e informação sobre cerca de 350 pontos mais vulneráveis da costa portuguesa. Da Costa da Caparica a Espinho, da Costa Nova à Figueira da Foz, de Tróia, Comporta, Carvalhal e Melides ao litoral alentejano, do Algarve à Madeira e aos Açores, o mapa permite visualizar diferentes faces de um mesmo problema: erosão e recuo da linha de costa, pressão urbanística, ocupação de zonas vulneráveis, degradação de ecossistemas e dificuldades de adaptação às alterações climáticas.

O objetivo não é criar um ranking das zonas mais graves, mas mostrar que o risco assume diferentes formas ao longo de todo o território e que nenhuma região pode ser analisada isoladamente da forma como Portugal decide ocupar, proteger e adaptar a sua costa.

Menos reação, mais prevenção
Para a Greenpeace Portugal, responder à erosão e à subida do nível do mar apenas com obras de emergência, alimentação artificial de praias ou estruturas rígidas de defesa não será suficiente para enfrentar a dimensão do problema.

A resposta exige uma política nacional que antecipe o risco e coloque a prevenção no centro das decisões.

A Greenpeace Portugal exige:
• O cumprimento efetivo da legislação e dos instrumentos de ordenamento e proteção do litoral, acompanhado de fiscalização adequada;
• A suspensão de novas ocupações e construções incompatíveis com zonas identificadas como vulneráveis ou de risco;
• A proteção, recuperação e renaturalização dos ecossistemas costeiros, incluindo dunas, sapais, zonas húmidas e outros sistemas naturais essenciais para a proteção do território;
• Maior transparência nos processos de decisão e licenciamento e a salvaguarda do caráter público e do acesso de todos ao litoral;
• Uma estratégia de adaptação que antecipe os riscos, proteja as populações mais vulneráveis e integre critérios de justiça climática e social;
• A redução rápida das emissões de gases com efeito de estufa e da dependência dos combustíveis fósseis, enfrentando a causa da crise climática que está a acelerar os riscos sobre a costa.

Com “Destruição a Toda a Costa – Retrato de um litoral português em risco”, a Greenpeace Portugal pretende colocar uma escolha no centro do debate público e político: continuar a reagir depois dos danos ou começar, finalmente, a evitar que o risco continue a aumentar.
Para uma melhor experiência de leitura, recomendamos a visualização em “Duas páginas”, com a opção “Mostrar a página de rosto em separado” ativada.

Material para os OCS: 
  1. Relatório completo Português: aqui
  2. Relatório completo Inglês: aqui 
  3. Resumo Executivo: aqui
  4. Mapa interativo: aqui
  5. Fotos e vídeos do relatório: aqui
  6. Petição: aqui

terça-feira, 30 de junho de 2026

Greenpeace alerta para falhas na prevenção dos incêndios em Portugal

Segundo o estudo, os grandes incêndios são um problema estrutural e não uma fatalidade associada apenas ao Verão. A investigação conclui que o risco começa a construir-se muito antes da época crítica, impulsionado pela pressão das alterações climáticas, pela acumulação de combustível vegetal, pela gestão insuficiente da paisagem, pelo abandono rural, pela expansão da interface urbano-florestal e pela falta de integração do risco de incêndio no ordenamento do território.

A Greenpeace Portugal apresentou hoje  o relatório “Incêndios florestais em Portugal: mais de 80 anos mostram que o país tem de mudar”, um estudo inédito que analisa a evolução dos incêndios florestais em Portugal desde 1943 e conclui que o país continua demasiado dependente das condições meteorológicas e da resposta à emergência, falhando na prevenção estrutural do risco.

O relatório foi desenvolvido pelo Centro de Estudos sobre Incêndios Florestais (CEIF), da ADAI/Universidade de Coimbra, sob coordenação científica do professor Domingos Xavier Viegas, e reúne mais de oito décadas de dados sobre incêndios em território nacional.

Segundo o estudo, os grandes incêndios são um problema estrutural e não uma fatalidade associada apenas ao Verão. A investigação conclui que o risco começa a construir-se muito antes da época crítica, impulsionado pela pressão das alterações climáticas, pela acumulação de combustível vegetal, pela gestão insuficiente da paisagem, pelo abandono rural, pela expansão da interface urbano-florestal e pela falta de integração do risco de incêndio no ordenamento do território.

Apesar da redução significativa do número de ignições nas últimas duas décadas, o relatório alerta que Portugal continua altamente vulnerável quando se conjugam fenómenos de calor extremo, seca e vento forte com uma paisagem pouco gerida.

Entre os anos analisados, 2003, 2005, 2017 e 2025 destacam-se pela dimensão da área ardida e pelo número de vítimas mortais, evidenciando um padrão de risco que, segundo os autores, permanece sem resposta estrutural. O estudo refere ainda que a maioria das ignições continua a ter origem humana, reforçando a necessidade de investir na investigação das causas, na sensibilização da população e em medidas preventivas.

Para o professor Domingos Xavier Viegas, a evolução dos incêndios resulta da conjugação de vários fatores, entre eles a crescente florestação do território, a redução da atividade agrícola, o despovoamento do interior e o agravamento das alterações climáticas.

“O conhecimento científico que hoje temos não nos permite continuar a fazer mais do mesmo”, afirma o coordenador do relatório, defendendo uma transformação profunda da gestão florestal e da paisagem. O investigador sublinha que, embora a capacidade de deteção e combate aos incêndios tenha melhorado significativamente nas últimas décadas, essa evolução não tem sido suficiente para evitar grandes incêndios em anos de condições meteorológicas extremas.

O diretor do CEIF destaca ainda que 2025 voltou a demonstrar a vulnerabilidade do país, com uma época marcada por temperaturas elevadas, seca meteorológica em grande parte do território e um aumento expressivo da área ardida durante o mês de agosto.

Para a Greenpeace Portugal, o relatório pretende contribuir para que o debate sobre os incêndios deixe de depender apenas da memória de cada verão e passe a assentar numa base científica sólida. O diretor da organização, Toni Melajoki Roseiro, considera que o documento deve servir como instrumento de escrutínio das políticas públicas e apoiar decisões sobre prioridades orçamentais e estratégias de prevenção.

Já Ana Farias Fonseca, coordenadora de Campanhas e Mobilização da Greenpeace Portugal, alerta que o país precisa de atuar sobre as causas estruturais dos incêndios, defendendo que a prevenção deve decorrer durante todo o ano. “Sem prevenção estrutural, o combate chegará sempre tarde demais”, afirma.

Na sequência das conclusões do estudo, a Greenpeace apresenta um conjunto de exigências dirigidas ao poder político, entre as quais uma ação climática mais ambiciosa, uma gestão estratégica da paisagem, maior envolvimento do setor privado, reforço da prevenção social das ignições, maior transparência na aplicação dos recursos públicos, revitalização económica do mundo rural e a criação de um pacto ibérico para aumentar a resiliência aos incêndios florestais.

Segundo a organização ambiental, o conhecimento acumulado ao longo de mais de 80 anos demonstra que Portugal dispõe hoje da informação necessária para alterar o paradigma da prevenção e reduzir o impacto dos grandes incêndios nas populações, na economia e nos ecossistemas.

Petição: aqui

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sexta-feira, 12 de junho de 2026

Portugal deve liderar a proteção do Mar dos Sargaços




Uma “floresta tropical flutuante dourada” precisa urgentemente de proteção. Perto dos Açores, uma extensão de oceano aberto em águas internacionais abriga verdadeiros tesouros da Natureza. Tapetes de algas douradas, chamadas Sargassum, fervilham de vida: são refúgio para espécies ameaçadas, berçário para tartarugas-bebé e uma paragem na rota migratória das majestosas baleias jubarte.

Longe dos olhares do mundo, esta região de águas cheias de vida e de tapetes de algas absorve carbono em quantidades sete vezes superiores às de outras regiões semelhantes. Um trabalho absolutamente fundamental para a equilibrar o clima.

Apesar de todos estes benefícios para os seres humanos e para o planeta, o Mar de Sargaços está em grave risco. Sem proteção, encontra-se vulnerável a interesses de governos e empresas. Contudo, recordamos que Portugal comprometeu-se a proteger 30% dos Oceanos. É urgente começar pelo Mar de Sargaços!

O Mar de Sargaços está em risco…
Os Oceanos são verdadeiros tesouros e, entre governos e empresas, não falta quem os queira explorar, longe dos olhares do mundo.

O que está em risco no Mar de Sargaços:
  1. Poluição: o mesmo sistema de correntes que mantém o Sargaço nesta região, aprisiona plásticos e outro tipo de poluição, que ameaçam asfixiar as tartarugas e restantes espécies marinhas.
  2. Mineração em mar profundo: empresas e líderes mundiais já começaram os primeiros testes para conseguirem rasgar o fundo do oceano e extrair minerais. Para alimentar interesses financeiros, querem colocar em risco ecossistemas essenciais à vida no planeta.
  3. Exploração: a pesca industrial excessiva está a dizimar as populações de peixes e a destruir habitats marinhos.
  4. Dados científicos recolhidos ao longo de 40 anos revelam uma aceleração acentuada nas alterações da temperatura, salinidade, níveis de oxigénio e acidez da água.
Cada momento de atraso na criação de um santuário totalmente protegido significa que podemos perder para sempre a vida marinha e um ecossistema insubstituível.

O que podemos fazer?
A recente entrada em vigor do Tratado Global dos Oceanos é uma prova inequívoca de que os governos conseguem unir-se para proteger o nosso futuro comum. Após vários anos de campanha da Greenpeace e de outras organizações da sociedade civil, esta vitória histórica para os oceanos é apenas o início de um novo capítulo na defesa do mar. Falta agora tornar a sua promessa em realidade: proteger 30% dos oceanos até 2030.

Através desse Tratado, o Governo português tem agora a oportunidade e o dever de assumir um papel de liderança internacional, apoiando a criação de um santuário marinho protegido no Mar dos Sargaços.

Esta seria uma ação fundamental que ajudaria a estabilizar o clima, proteger os meios de subsistência de milhões de pessoas e garantir um oceano saudável para as próximas gerações!

Exige que o Governo português atue já, liderando a criação de um santuário marinho no Mar dos Sargaços e protegendo tartarugas, baleias, tubarões e tantas outras espécies. Os oceanos não podem esperar!

Saber mais
1.Tratado do Alto-Mar entra em vigor e Portugal é desafiado a proteger Mar de Sargaços
2.Assinar e divulgar a petição da Greenpeace

quarta-feira, 10 de junho de 2026

Património dos super-ricos causa danos climáticos desproporcionados, diz estudo

Stargate Datacenter (Texas)
A Greenpeace calcula que os mais abastados contribuem com quase um bilião de dólares de prejuízos por ano através de emissões associadas à propriedade de ativos.

As pessoas ultra ricas que cruzam os céus mundiais nos seus jatos privados, relaxam em iates e se destacam pelo seu consumo ostensivo no Instagram estão entre os culpados individuais mais facilmente identificáveis na crise climática. No entanto, uma nova investigação defende que a culpa não reside apenas nos seus estilos de vida exuberantes, mas também nas suas contas bancárias.

Através da detenção de empresas e de ativos financeiros e físicos privados — que vão desde produtores de petróleo a empreendimentos imobiliários —, os super-ricos são responsáveis por uma fatia desproporcionada dos gases com efeito de estufa que estão a sobreaquecer o planeta. O 1% do topo da população mundial em termos de riqueza controla, através das suas participações acionistas e investimentos, cerca de um quarto do total das emissões anuais globais.

A Greenpeace calculou a "dívida climática" destes indivíduos com elevado património líquido, atribuindo-lhes a respetiva quota-parte dos danos causados ao clima pelos ativos de que são proprietários. Segundo estas contas, os mais ricos do mundo provocam quase um bilião de dólares ($1tn) por ano em prejuízos climáticos.

Clara Thompson, responsável global de campanhas sobre sistemas socioeconómicos na Greenpeace International, afirmou: "Numa altura em que as pessoas enfrentam faturas de energia cada vez mais altas, o aumento do custo de vida e impactos climáticos crescentes, muitos questionam-se por que razão os agregados familiares comuns devem carregar com uma parte tão grande do fardo, enquanto algumas das pessoas mais ricas do mundo continuam a lucrar com as indústrias que alimentam a crise."

A Greenpeace estima que o 1% mais rico da população seja responsável por cerca de 40% de todas as emissões baseadas na "propriedade" — ou seja, as emissões produzidas por empresas e associadas a ativos financeiros e físicos privados —, as quais representam, por si só, 60% da produção global de carbono. Dentro desse grupo, os 0,1% do topo respondem por cerca de 17% das emissões baseadas na propriedade, e os 0,01% mais ricos por cerca de 9%.

O escalão do 1% do topo é composto por indivíduos com um património superior a cerca de 2 milhões de dólares; os 0,1% detêm uma riqueza acima dos 7 milhões de dólares; e os 0,01% correspondem a pessoas com fortunas superiores a cerca de 38 milhões de dólares. Em contrapartida, a metade mais pobre da população mundial detém apenas 3% das emissões associadas à propriedade de ativos.

Thompson sublinhou que é fundamental pensar em termos de emissões baseadas na propriedade porque, embora sejam menos visíveis do que as emissões associadas ao consumo, são mais difíceis de combater.

"Isto não é apenas uma história sobre jatos privados e estilos de vida luxuosos. Quando se trata da poluição dos ultra-ricos, a propriedade importa ainda mais do que o consumo. Uma grande parte das emissões está associada à detenção de ativos e investimentos com elevada intensidade de carbono", explicou. "Durante anos, a política climática focou-se nos consumidores. Mas as nossas conclusões sugerem que deveríamos prestar muito mais atenção àquilo que as pessoas possuem e onde investem."

Uma forma de corrigir este desequilíbrio poderia passar pela aplicação de impostos sobre a riqueza. "A dívida climática tem a ver com responsabilidade", referiu Thompson. "Se concordamos que aqueles que mais contribuíram para o problema devem contribuir mais para o resolver, é perfeitamente razoável perguntar se esse princípio também se deve aplicar à riqueza extrema."

Dados independentes revelaram que os grandes bancos e outros investidores financeiros canalizaram 900 mil milhões de dólares para combustíveis fósseis no ano passado, apesar das promessas feitas por muitos deles há cinco anos para reduzir tais investimentos.

As disparidades gritantes entre o impacto ambiental dos super-ricos e o dos cidadãos comuns estão cada vez mais no centro das atenções, à medida que a desigualdade de riqueza dispara em todo o mundo. Recentemente, um relatório liderado pelo economista Thomas Piketty demonstrou que o mundo poderia viver de forma equitativa dentro dos recursos finitos do planeta, caso os excessos de riqueza fossem travados por impostos e os mais pobres pudessem reter uma maior fatia daquilo que o seu trabalho produz.

Governos de todo o mundo, com exceção dos EUA, estão reunidos em Bona, na Alemanha, para duas semanas de conversações que antecedem a cimeira do clima da ONU (Cop31) em novembro. Um dos temas que deverá receber maior atenção prende-se com os mecanismos para uma "transição justa", que ajude os trabalhadores afetados pelo abandono dos combustíveis fósseis a integrarem-se na economia de baixo carbono.

sexta-feira, 29 de maio de 2026

Estudo da Greenpeace encontra microplásticos em comida para bebé, da Nestlé e da Danone, vendida em embalagens de plástico



Uma nova investigação encomendada pela Greenpeace Internacional encontrou microplásticos em comida para bebé, vendida em embalagens de plástico, por duas das maiores empresas alimentares do mundo, a Nestlé e a Danone, levantando preocupações urgentes sobre a segurança de produtos comercializados para bebés.

O relatório Tiny Plastics, Big Problem: The Hidden Risks of Plastic Pouches for Baby Food detalha os testes laboratoriais realizados a marcas populares de comida para bebé, a Gerber, da Nestlé, e a Happy Baby Organics, da Danone, nos quais foram encontradas partículas de microplásticos em todas as amostras analisadas. O teste realizado sugere também que uma série de químicos estava presente tanto nas embalagens como nos alimentos. [1] Isto sugere que a própria embalagem de plástico poderá ser a fonte da contaminação, potencialmente expondo os bebés a milhares de fragmentos microscópicos de plástico, em cada embalagem consumida.

Graham Forbes, responsável global da campanha de plásticos da Greenpeace EUA, afirmou:
“Este estudo é um choque para pais em todo o mundo, que confiam nestas marcas para fornecer alimentos seguros e nutritivos aos seus bebés. Em vez disso, empresas dependentes do plástico, como a Nestlé e a Danone, não conseguem garantir que os seus produtos estejam livres de microplásticos e químicos.”

“Hoje, falar da era do plástico vai muito além da poluição visível”, acrescenta Ana Farias Fonseca. Para a Coordenadora de Campanhas de Mobilização da Greenpeace Portugal, “estamos perante uma crise de saúde pública que começa, literalmente, no berço. Este cenário lembra-nos os exemplos das indústrias do tabaco, do amianto e do chumbo, que tentaram desacreditar a ciência para atrasar a ação política. Hoje sabemos melhor do que isso. É urgente aplicar o princípio da precaução: os fabricantes devem demonstrar que as suas embalagens são seguras, e não compete aos pais ou cientistas provar o contrário.

Este é o momento de exigir aos governos que acelerem o passo por um Tratado Global dos Plásticos forte, capaz de reduzir a produção global em pelo menos 75% até 2040 e de obrigar gigantes como a Nestlé e a Danone. a eliminar materiais nocivos em contacto com os alimentos. Mudar este sistema está nas nossas mãos.”

As principais conclusões são:
• Por cada grama de comida para bebé testada, os investigadores encontraram, em média, até 54 partículas de microplásticos nas embalagens da Gerber e até 99 partículas nas embalagens da Happy Baby Organics. Isto equivale a até 270 microplásticos por colher de chá no caso da Gerber e 495 no caso da Happy Baby Organics.
• O estudo estimou um total de mais de 5.000 partículas em cada embalagem da Gerber e mais de 11.000 partículas em cada embalagem da Happy Baby Organics.
• O estudo identificou também uma série de químicos associados ao plástico presentes tanto na embalagem como no alimento, incluindo a presença de um potencial disruptor endócrino nas amostras da Gerber testadas.
• O estudo sugere uma ligação entre o polietileno, o plástico com que as embalagens são revestidas, e alguns dos microplásticos encontrados na comida para bebé testada.

As embalagens flexíveis de plástico para espremer tornaram-se rapidamente o formato dominante de embalagem para comida de bebé em todo o mundo, impulsionadas pela conveniência e por estratégias agressivas de marketing. É o formato de embalagem com crescimento mais rápido, com um aumento anual de 8,1% até 2031, representando 37,15% do mercado global em volume em 2025, ultrapassando todas as outras formas de embalagem, incluindo os tradicionais frascos de vidro. Atualmente, milhões destas embalagens de utilização única são compradas diariamente, o que significa que milhões de bebés podem estar a ingerir microplásticos juntamente com a sua comida. Os bebés podem ser particularmente vulneráveis a este tipo de exposição devido ao rápido desenvolvimento dos seus órgãos e à maior ingestão de alimentos em relação ao seu peso corporal.

Esta tendência faz parte de um aumento mais amplo da produção e utilização de plástico, em grande parte impulsionado pelas grandes empresas de bens de consumo. Só as embalagens representam cerca de 40% da produção global de plástico. Um dos segmentos em crescimento mais rápido é o das embalagens plásticas flexíveis e multicamada, como as bolsas e saquetas de comida para bebé, que são notoriamente difíceis de reciclar e uma importante fonte de poluição em algumas regiões.

A Nestlé e a Danone têm aparecido repetidamente entre os maiores poluidores por plástico do mundo em auditorias globais de marcas conduzidas pelo movimento Break Free From Plastic.

A Greenpeace apela à Nestlé, à Danone e a todos os produtores de comida para bebé para que investiguem urgentemente os seus produtos, provem que não estão a colocar crianças pequenas em risco de exposição e se comprometam a eliminar progressivamente as embalagens de plástico, substituindo-as por alternativas reutilizáveis, livres de plástico e não tóxicas.

Enquanto os governos negoceiam o Tratado Global dos Plásticos das Nações Unidas, a Greenpeace exige que os negociadores atuem com urgência para proibir estes produtos, reduzir a produção de plástico e acabar com a contaminação descontrolada e não regulamentada por plásticos e químicos que ameaça a saúde humana.

“A poluição por plástico não está apenas a destruir o nosso ambiente, está a entrar nos nossos corpos, começando na infância. A forma como a nossa comida é embalada é pensada para o lucro, não para a saúde das pessoas. Reduzir a produção de plástico e eliminar os químicos nocivos é essencial para proteger a saúde humana, especialmente a saúde das nossas crianças”, afirmou Forbes.

Notas:
[1] O estudo foi realizado pela SINTEF Ocean, na Noruega, em 2025, e encomendado pela Greenpeace Internacional. Foram testadas três embalagens de cada um dos dois produtos de comida para bebé: puré de iogurte da marca Gerber, da Nestlé, e puré de fruta da marca Happy Baby Organics, da Danone. Os produtos foram analisados tal como vendidos, sem serem aquecidos.

As fotografias podem ser acedidas na Greenpeace Media Library.

Assina a petição aqui

quinta-feira, 30 de abril de 2026

Espanha: Elétricas e PP propagam notícias falsas culpando as renováveis pelo apagão

A Greenpeace denunciou quatro notícias falsas que estão sendo propagadas por empresas elétricas e pelo Partido Popular (PP), com o objetivo de culpar as energias renováveis pelo apagão e justificar a manutenção de centrais nucleares e de gás:

1: “Havia energia renovável em excesso”
Realidade: O apagão foi causado por falhas no controle de tensão atribuíveis a centrais de gás e nucleares (que não forneceram os serviços de segurança pelos quais foram pagas). Países com maior participação renovável (Alemanha, Grécia) não sofreram apagão.

2: “Não podemos prescindir da energia nuclear para evitar novos apagões”
Realidade: A nuclear foi um peso durante a crise. Mais de metade do parque nuclear estava operacional, mas não ajudou a estabilizar o sistema (inclusive há processos contra centrais como Almaraz, Ascó e Vandellós II). Além disso, centrais nucleares são lentas para religar (levam dias), ao contrário de outras tecnologias.

3: “Sem gás não podemos viver”
Realidade: Embora as centrais de gás tenham ajudado na recuperação pós-apagão, 16 centrais de gás também falharam em controlar a tensão para evitar o colapso (e estão sendo sancionadas).

4: “Só com renováveis não podemos funcionar”
Realidade: Um estudo da Greenpeace (Energia para viver melhor) conclui que Espanha e Portugal podem abandonar completamente os combustíveis fósseis e a energia nuclear até 2040, com redução de 39% da procura energética total e abastecimento 100% renovável (eólica, solar, hidráulica, armazenamento e gestão da procura).

A Greenpeace sugere a aplicação de um imposto específico sobre as grandes empresas elétricas (que aumentaram lucros pós-apagão) para financiar o combate à pobreza energética e uma transição energética justa.

terça-feira, 3 de março de 2026

O olival Português transformado num activo financeiro

Greenpeace Portugal exige “moratória imediata à expansão do olival superintensivo”


Um relatório de investigação internacional divulgado pela Greenpeace, intitulado "O Campo como Ativo", expõe a face oculta da expansão do olival superintensivo em Portugal. O documento revela que o país se tornou o "porto seguro" para fundos de investimento canadianos e britânicos, que utilizam o Alqueva e milhões de euros em fundos públicos portugueses para substituir a agricultura tradicional por um modelo industrial de lucro rápido e elevado risco ambiental. 
Ao contrário de Espanha, onde o olival tradicional ainda resiste, a expansão em Portugal (liderada por empresas como a Innoliva) foca-se quase exclusivamente no modelo superintensivo. Dos 4.800 hectares geridas pelo grupo na última década, mais de 65% (3.168 hectares) estão em solo português. 
O relatório detalha como o Estado Português, através do IFAP, financiou diretamente esta transição. Um único projeto de um fundo estrangeiro recebeu 6,5 milhões de euros a fundo perdido, a que se somaram mais 3 milhões para lagares industriais de alta capacidade (como o de Carapetal). 
A investigação confirma o impacto devastador na biodiversidade. As colheitas noturnas com máquinas cavadeiras, fundamentais para a rentabilidade destes fundos, provocam a mortalidade em massa de aves, o que forçou as autoridades a suspender a prática, embora o modelo económico destes grupos continue a depender da mecanização extrema. 
O relatório alerta que o modelo superintensivo, embora eficiente "por árvore", consome volumes totais de água por hectare muito superiores ao tradicional, colocando em causa a resiliência hídrica do Alentejo em períodos de seca extrema. 
Para o Diretor da Greenpeace Portugal, "Estamos a trocar pessoas por máquinas e comunidades por folhas de Excel. O Governo gasta milhões em subsídios para um modelo que não fixa um único jovem no Alentejo. 
O que vemos hoje é uma forma de extrativismo moderno: os fundos de investimento a sugar a nossa água e o nosso solo, pagos com os nossos impostos, deixando para trás um território vazio, biologicamente devastador e socialmente abandonado. 
O Alqueva não pode ser o cemitério das nossas aldeias." Toni Melajoki Roseiro acrescenta que “não é agricultura, é extração de valor. Transformaram a nossa oliveira numa franquia industrial onde tudo é uniformizado e mecanizado, controlado à distância a partir de um escritório em Toronto ou Londres. O resultado é um Alentejo mais frágil; ´água sob pressão, território a esvaziar-se e o azeite português tratado como um ativo financeiro, em vez de ser parte da nossa terra.” 
Parte da riqueza produzida no regadio de Alqueva é encaminhada para fundos de pensões de funcionários públicos, Forças Armadas e Polícia Montada do Canadá, bem como da Igreja Mormón.
Perante este cenário, a Greenpeace Portugal exige uma moratória imediata à expansão do olival superintensivo. O governo português tem de escolher: ou continua a ser o facilitador dos fundos de investimento, ou assume o seu papel de protetor do território e da soberania alimentar de Portugal. O campo não é um banco. O campo é a nossa vida.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2025

The Institute of Economic Affairs Banked £640,000 from Oil Giants and Murdoch


The Institute of Economic Affairs (IEA) – the anti-state, anti-climate pressure group – received more than £640,000 from fossil fuel companies and Rupert Murdoch’s media conglomerate between 1957 and 2005, DeSmog can reveal.

Archive records seen by DeSmog show that the group, which has campaigned for more fossil fuel extraction and against government climate action, received more than £150,000 from BP, £124,000 from Esso (owned by ExxonMobil), and £106,000 from Shell.

In total, the IEA accepted £479,992 from oil and gas firms, with the majority (£357,063) coming from 1991 onwards. These fossil fuel giants were among the biggest corporate contributors to the IEA during the period, according to DeSmog’s analysis.

Greenpeace’s investigative outlet Unearthed previously revealed that the IEA had received funding from BP every year from 1967 to 2018, while the IEA also received a £21,000 grant from ExxonMobil in 2005.

However, the IEA does not publicly disclose its donors and this is the first time that its historic funding sources have been revealed in detail – exposing the financial interests that helped the group to become an influential force in British politics.

“This investigation confirms one of the worst-kept secrets in Westminster,” said Ami McCarthy, Greenpeace UK’s head of politics. “This self-styled economic think tank is really a lobbying shop for the harmful and polluting industries that fund it, with fossil fuel giants chief among them.”

McCarthy added that the IEA “spent years downplaying the climate crisis while taking loads of cash from some of the world’s biggest oil and gas companies and one of its most influential climate sceptics, Rupert Murdoch.”

The IEA is part of the Tufton Street network – an orchestrated alliance of radical right-wing groups based in Westminster that lobby to dismantle state services and privatise public bodies. These groups share an opposition to climate action, and have spent decades undermining the scientific consensus behind policies to reduce emissions.

The IEA has also been a prominent advocate for increased fossil fuel extraction. It has called for the ban to be lifted on fracking for shale gas, labelling it the “moral and economic choice”, has lambasted the government for banning new North Sea oil and gas licences, and has celebrated the Conservative Party’s pledge to scrap the 2008 Climate Change Act, which forms the legal basis of the UK’s 2050 net zero target.

DeSmog can also reveal that the IEA received £164,667 in donations from News International – Murdoch’s UK media stable – between 1991 and 2000. This is the first time that one of Murdoch’s companies has been found to have donated to a UK pressure group.

According to David McKnight in Murdoch’s Politics, News International was “deeply involved” with the IEA during this period, with its co-founder Lord Harris of High Cross (Ralph Harris) acting as a director of Murdoch’s Times Newspapers Holdings from 1988 to 2001, and the Sunday Times co-publishing several pamphlets with the IEA.

News International was rebranded in 2013 to News UK and currently owns The Times, Sunday Times, Times Radio, The Sun, TalkTV, talkSport, and Virgin Radio UK.

Murdoch has described himself as a climate change “sceptic”, has given a prominent platform to fossil fuel advocates and narratives, and has been described by leading scientists as a “climate villain”.

His media outlets have also favourably covered IEA findings and narratives, including those calling on the government to ditch climate targets and ramp up fossil fuel extraction, and have given a regular platform to the group’s senior staff members.

“This revelation confirms what many of us suspected: the fossil fuel industry has weaponised its profits to exert undue influence over the policy agenda, through organisations like the IEA,” said Labour MP Clive Lewis. “Without checks on corporate power, the health of our democracy is undermined – and this is one such example.”

Robert Palmer, deputy director of the campaign and research group Uplift, said: “These historic payments give us a window into the enormous fossil fuel lobby that has spent decades trying to shape our politics and media to increase their profits and strip back regulation, regardless of the harm to ordinary people and the natural world.

“Today, the costs to the rest of us are obvious: we have an energy system that impoverishes people through unaffordable bills, as well as mounting climate costs, whether that’s flooded homes, rising food prices or extreme heat and wildfires.

“Thankfully, the influence of the oil and gas companies and their proxies is starting to wane in this country as we shift to renewable energy. People increasingly realise that the oil and gas giants want us – our resources and money – a lot more than we need them.”

The IEA and BP declined to comment. Shell and ExxonMobil did not respond on the record.
The IEA’s Political Influence

The IEA and its Tufton Street counterparts have been effective in shaping political debate and persuading politicians to adopt their causes.

The group is close to former UK prime minister Liz Truss, with former IEA director-general Mark Littlewood claiming in 2022 that Truss had spoken at IEA events more than “any other politician over the past 12 years”.

Despite the economic turmoil caused by Truss’ policies – which former Downing Street advisor Tim Montgomerie claimed had been “incubated” by the IEA – its spokespeople are still regularly given a platform by the BBC and other mainstream media channels. The IEA claimed it was featured in the media over 5,000 times in the year to March 2024 – equivalent to 14 times a day.

In its 2022 annual accounts, the group stated that “the diversification of the UK broadcast landscape, notably the launch of GB News and TalkTV, has increased opportunities for IEA commentary”. GB News and Murdoch-owned TalkTV launched in 2021 and 2022 respectively, and have regularly promoted climate science denial.

The IEA also remains influential within the Conservative Party. Tory leader Kemi Badenoch’s head of policy, Victoria Hewson, is the former head of regulatory affairs at the IEA – a position she held from 2018 to 2022.

In July 2022, Hewson wrote an article for the IEA’s website in which she called the UK’s net zero target a “huge own goal”. Since Hewson’s appointment, Badenoch has ditched the Conservative Party’s commitment to the 2050 target.

segunda-feira, 17 de novembro de 2025

Ucrânia: 13.500 km² de vias navegáveis ​​​​contaminadas por minas e explosivos


Aproximadamente 13.500 km² de vias navegáveis ​​na Ucrânia, incluindo o rio Dnieper, lagos e a costa do Mar Negro, estão potencialmente contaminadas por minas e restos explosivos de guerra, estimou o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) a 12 de novembro. Esta área é comparável em tamanho ao Montenegro, observou a agência da ONU.

Até à data, os mergulhadores do Serviço Estatal de Emergência da Ucrânia conseguiram limpar apenas 190 km², ou 1,4% da área contaminada, e removeram mais de 2.800 engenhos explosivos, segundo o PNUD. Para acelerar os esforços de desminagem, a Ucrânia está a utilizar robôs subaquáticos capazes de localizar munições a profundidades até 300 metros, mesmo em condições de baixa visibilidade e fortes correntes.

Desde 2014, enfrentando um conflito no leste do país e a anexação da Crimeia, e desde 2022 uma invasão em grande escala, a Ucrânia é agora o país mais contaminado por explosivos do mundo. Segundo o governo ucraniano, 136.952 km², ou 23% do território, continuam afetados por minas terrestres e munições não detonadas.

Já em 2024, Natalia Gozak, diretora da Greenpeace Ucrânia, alertou à Reporterre que a guerra era “um fardo tóxico para gerações”. Em três anos de guerra, a invasão russa da Ucrânia gerou o equivalente a 230 milhões de toneladas de CO₂, de acordo com um estudo da Initiative on Greenhouse Gas Accounting of War, publicado em fevereiro.

domingo, 29 de junho de 2025

Europe’s Security Gamble: NATO’s New Budget Push


Across Europe, budgets are tightening, classrooms are overcrowded, hospitals are understaffed, and climate targets are slipping out of reach. Yet, in the midst of this so-called austerity, NATO countries are preparing to commit to something extraordinary: raising military spending to 5% of GDP. At a time when governments claim there’s “no money” for essential services, this massive shift demands scrutiny. Who benefits from this build-up? What are we sacrificing to fund it? And most importantly, is this really what security looks like in the 21st century?

Can NATO’s military build-up coexist with Europe’s climate and peace goals?
The world seems to be becoming a less safe place. According to the 2024 Global Peace Index, the world is now witnessing the highest number of armed conflicts since World War II. Regardless of the origins of the conflicts or the actors involved, the outcomes are often very similar: significant civilian casualties, large-scale displacement, and systematic violations of human rights and international humanitarian law. Just in the past year, 160,000 people died in conflict, with Ukraine accounting for 83,000 deaths and Palestine for at least 33,000 as of April 2024.

Faced with this grim reality, governments are ramping up military budgets. In 2024, global military spending surged to a record-breaking $2.7 trillion, the sharpest increase since the end of the Cold War and the tenth consecutive year of rising expenditures. European countries, particularly NATO members, are following this trend. Over the past decade, defence spending by EU NATO member states rose by 45%, from €145 billion in 2014 to an estimated €326 billion in 2024. That is about 1.9% of EU GDP, edging closer to NATO’s current 2% target, and equivalent to the entire annual GDP of several EU member states such as Finland, Portugal, or the Czech Republic.

But here’s the rub: this rapid increase is happening even as public finances are under increasing pressure. Overall, government spending in NATO EU countries grew by just 20% in real terms over the past decade, while defence budgets jumped by more than double that. Spending on health grew 34%, education just 12%, and environmental protection 10%. This highlights a growing imbalance of EU priorities.

A big chunk of this money is going straight into arms and military equipment. In 2024, EU NATO spent €90bn on military hardware, a staggering 50% increase over 2023, accounting for nearly 90% of all defence investments. But does buying more arms make us safer? That depends on what we’re buying, why, who benefits, and what kind of “security” we want. At the same time, the freshly reformed EU fiscal rules have been suspended to allow an increase in military spending, without any changes to the need to generally reduce budgets, meaning austerity still applies.

At NATO’s upcoming summit in The Hague on 24 June, there is momentum to raise the alliance’s defence spending target from 2% to an alarming 5% of GDP. This article does not aim to argue whether military defence is needed. But it encourages us to ask, how much is too much? Who’s profiting? And what does this mean for Europe’s democratic and social fabric? Because a jump to 5% won’t just tweak budgets – it will transform priorities for decades to come. This is not a technical or isolated defence issue. As budgets are redirected toward weapons and away from healthcare, education, housing, nature protection, and green transitions, we must ask: What kind of Europe are we building? If civil society does not pose the right questions, this decision risks being made behind closed doors, without a clear democratic mandate or transparent debate.

What kind of security are we talking about?
Europe needs to be able to defend itself, but one key piece is missing: a serious, independent assessment of what Europe needs to do so. Peace researchers Herbert Wulf and Christopher Steinmetz, in a report commissioned by Greenpeace, found that even without the U.S., NATO Europe far surpasses Russia in nearly all key military parameters. The idea that we are dramatically underprepared is not supported by the data. So, why the rush to build up? What threats are driving this? Are we confronting non-military threats like cyber-attacks, disinformation, or economic coercion with the same urgency as discussions around “air and missile defence” or “long-range weapons, logistics, and large land manoeuvre formations” as suggested by NATO Secretary General Mark Rutte?

Framing defence needs as a percentage of GDP doesn’t help; it’s arbitrary. The proposed 5% defence target is not based on a transparent, evidence-based assessment of actual security needs. Using a percentage of GDP doesn’t reflect either the actual capabilities or military efficiency, nor differences in country size or economic performance, and non-military security needs (e.g., climate, energy, cyber resilience). It’s also proposed without public debate on the consequences for health, education, climate, or social spending.

In short, basing policy on a percentage of GDP distracts from the real work of defining what “security” means and how to achieve it holistically.

Who is benefiting from the increase in military spending?
Follow the money, and another pattern emerges: Europe isn’t just spending more – it’s spending outward. Nearly 80% of European defence procurement is imported, mostly from the United States. So, are our investments really strengthening European security and resilience, or simply boosting American military firms? And what happens when those suppliers are tied to fossil fuel lobbies, political instability, or unpredictable presidents? Let’s not forget: the U.S. military industry played a key role in Trump’s last campaign and could again. By feeding this system, are we fuelling the very instability we claim to resist?

Meanwhile, public money flows steadily into the hands of military shareholders. Where do we draw the line? What becomes of budgets meant for healthcare, education, childcare, housing, nature protection and the climate? If we see direct transfers from public pockets to company shareholders as part of the industrial-military complex, would the wealthiest rentiers not again reap profits at the expense of taxpayers? When arms companies and investment funds profit from conflict, how do we safeguard democratic oversight? Should we revisit, if not reverse, the privatisation of military industries to preempt a situation where profits depend on global unrest?

This is more than just a budget issue. It’s a structural shift that could weaken democracy, deepen inequality, and make conflict more profitable than peace.

How beneficial is militarisation for economic performance and jobs?
Not in the way some claim. Military spending may look like an economic stimulus, but evidence shows otherwise. Military expenditure often has a smaller multiplier effect compared to green and social investments. It creates fewer jobs per euro spent than health, education, or green investment. That’s because defence projects are capital-intensive, dominated by a handful of companies, and often happen outside the EU.

Compare that to investments in energy efficiency, renewables, public transport, care work, or nature restoration, which generate more employment, faster returns, and healthier communities. At a time of fiscal constraint, prioritising defence risks crowding out essential public services, deepening social inequalities, and weakening economic resilience.

And what about the climate and the environment?
Militarisation comes with a hefty environmental price tag, long before war ever breaks out. Military forces are among the world’s biggest energy users. Building and maintaining military forces consume large amounts of fossil fuels, critical minerals, and water, which places a strain on ecosystems and contributes to global emissions. Control over such materials has become a strategic priority, influencing geopolitical decisions in regions like Ukraine and the DRC. Day-to-day military readiness requires constant training, and training means consuming resources and energy, notably oil, with low levels of energy efficiency.

The global military carbon footprint is estimated at 5.5% of all greenhouse gas emissions, yet it’s mostly invisible in climate accounting frameworks. That means countries can meet climate targets on paper while quietly ramping up emissions through their armies.

There’s also the question of land. Militaries also occupy vast land and sea areas, up to 6% of the planet’s surface, including ecologically sensitive zones. Some areas may be shielded by restricted access, but many suffer heavy degradation from training, testing, and infrastructure. Pollution, habitat loss, and contamination are all common issues, with little to no public accountability.

This raises a fundamental issue: what if military “readiness” is undermining planetary stability, the very foundation of long-term peace?
A turning point

We are living through uncertain, volatile times. The threats are real, but so are the choices.

We can choose to define security broadly, not just as the absence of war but as the presence of care, fairness, resilience, and sustainability. We can build safety from the ground up — with strong communities, thriving nature, and just economies.

Or we can double down on outdated models of defence, lock in spending that benefits the few, and lose sight of the Europe we claim to defend. Civil society must not shy away from this debate.

Because in the end, security isn’t just about protecting borders; it’s about protecting what matters most.

sábado, 24 de maio de 2025

Deep-Sea Mining for Critical Minerals Will Do More Harm Than Good


Since U.S. President Donald Trump’s inauguration in January, we have witnessed an upsurge of interest and intrigue surrounding the critical minerals necessary for the renewable energy transition and next-generation technology. The race for access to resources like nickel, cobalt, lithium, manganese, copper, rare earth elements and other metals has fueled the Trump administration’s push for security deals in the Democratic Republic of Congo and Ukraine and saber-rattling over Greenland. And as of last month, it now involves efforts to mine critical resources from the depths of our oceans.

On April 24, Trump signed an executive order that, though lacking in specifics, underscored his administration’s desire to explore and extract critical resources through offshore and deep-sea mining, both by expanding operations in U.S.-controlled waters and creating interstate partnerships to pursue projects in international waters. The decisive factor in this initiative is clear: China’s current dominance over the mining and refinement of critical minerals. The executive order effectively proclaims that, while China now controls critical resources on land, the U.S. will seek to dominate the sector at sea.

If the 20th century was defined by who produced and controlled the extraction and refining of petroleum, this century will be defined by who produces and controls the extraction and refining of critical minerals. Today, China controls anywhere from 60 percent to 95 percent of the mining and refining capacity for various critical minerals, with the U.S. only becoming a distant second due to efforts to expand access to land-based sources under former President Joe Biden.

Trump’s executive order on deep-sea mining represents a new but also potentially hazardous frontier in that competition. Despite technological innovations, we still know very little about the world’s oceans, having only explored 5 percent of them. What we do know is that lying in the depths of international waters are critical resources. But accessing them will come with environmental costs and uncertainty.

Critical Resources for What?
Globally, meeting the climate action targets under the Paris Agreement will mean achieving net-zero emissions by 2050. The renewable energy transition required to do so will create a twofold to eightfold increase in demand for critical minerals like nickel, lithium and copper. Emerging technologies, data centers and artificial intelligence will also elevate demand for critical minerals in ways not entirely understood.

The currently known land-based supplies of these critical minerals do not meet the projected demand to transition toward renewable energy, let alone for technology and AI. Take nickel, for instance, of which 3.6 million tons was mined globally in 2023. But demand is anticipated to quadruple by mid-century. While there is an estimated 130 million tons of known terrestrial reserves of nickel, it’s estimated there could be more than double that—up to 270 million tons—in deep-sea areas of the Pacific Ocean.

For this and other resources, the race to access critical resources at all costs now seems to be pointing inexorably to seabed mining. But which sectors will benefit from that race and how it will affect our environment are still up for debate.

The Trump administration’s push to secure access to critical minerals coincides with its efforts to abandon carbon emissions targets and sabotage clean energy projects at home. As a result, it’s likely that whatever critical resources the administration’s terrestrial and sea-based initiatives manage to extract will be diverted away from the renewable energy transition and toward data centers, technological innovation and AI, all of which happen to be heavily energy- and water-intensive. They could also go toward military needs.

domingo, 26 de novembro de 2023

O impacto da Black Friday não acaba hoje: 50% das compras são devolvidas



Você recebeu dezenas, talvez centenas, de mensagens com ofertas apelativas com prazo de validade para hoje ou amanhã através de suas redes sociais ou e-mail nos últimos dias? A Black Friday – que não é mais um dia, mas uma semana inteira – é uma das épocas do ano em que há mais consumo. Assim, segundo a OCU, oito em cada dez utilizadores da organização comprarão durante a Black Friday , gastando em média 237€.

E sua marca é conhecida. Assim, os descontos populares incentivam o hiperconsumismo e a superprodução, e a procura aumenta entre 30% e 40% nestes dias de ofertas generalizadas. “ O principal problema é a superprodução . Estamos produzindo acima das possibilidades de consumo, destruindo também o planeta, contaminando ecossistemas e águas e gerando emissões , mas ninguém está colocando limites para as empresas produzirem”, afirma Celia Ojeda , chefe da área de biodiversidade do Greenpeace.

Mas durante estas datas não só compramos mais, como também devolvemos mais produtos. Assim, de acordo com o estudo ‘Sustentabilidade no comércio eletrónico atual. O impacto da nossa decisão de compra' , publicado pela EAE Business School, as devoluções durante o período da Black Friday chegam a 50% dos produtos adquiridos, enquanto o número médio de devoluções do comércio online ao longo do ano é de 25%.%, 30% para roupas. Uma prática que tem aumentado nos últimos anos devido à generalização das devoluções gratuitas. Porém, no caso das lojas físicas, as devoluções caem para 6%.

May López , autora do relatório e diretora de Desenvolvimento de Negócios para Mobilidade Sustentável, aponta as táticas de neuromarketing utilizadas no comércio online como uma das principais razões para este aumento nos retornos. “Essas práticas estão fazendo com que as pessoas comprem compulsivamente produtos que não precisam e é justamente por isso que começam a devolver cada vez mais produtos”, afirma. As práticas de neuromarketing incluem o uso de dados para adaptar a publicidade aos nossos padrões de consumo e mostrar-nos esses anúncios “quando estamos mais vulneráveis”, explica López.

Porque embora a Black Friday também tenha ido para as ruas e muitas lojas físicas ofereçam descontos, é uma data em que imperam as compras online , cujo impacto é muito maior . “Mandar 60 camisetas numa caixa não é a mesma coisa que enviar 60 camisetas em 60 caixas individuais com os seus 60 envelopes e embalagens para aquele endereço particular onde a pessoa pode não estar em casa, onde você tem que ir uma e duas vezes entregar e onde também queremos de um dia para outro”, diz López.

Esta tendência reforçou-se especialmente desde o confinamento, quando até os mais reticentes começaram a comprar online. “Como estávamos todos em casa, quem não tinha comprado nada online começou a fazê-lo. E não só cada vez mais pessoas começam a comprar, como também começamos a comprar cada vez mais tipos de produtos”, afirma May López, que também coordena o Comitê Técnico sobre o Impacto do Comércio Eletrônico do Congresso Nacional do Meio Ambiente (CONAMA).

Um dos principais impactos dos pedidos online é o aumento da movimentação de veículos de entrega , o que não só aumenta as emissões, mas também colapsa cidades . Assim, as empresas de entrega têm taxas de falha entre 10% e 15% na primeira tentativa de entrega em domicílio particular, diz o relatório da EAE. Somente endereços errados geram até 70% de falhas nas entregas.

Alguns produtos devolvidos são destruídos
As devoluções, cuja logística é ainda mais ineficiente, aumentam esta tendência, lembra Celia Ojeda. “Com as devoluções, a eficiência da organização logística diminui. Muitas vezes o problema não são tanto as emissões, porque muitas empresas agora possuem veículos sustentáveis, como o congestionamento dentro da cidade e a ocupação de veículos em um local que poderia ser para pessoas”, afirma Ojeda.

terça-feira, 7 de novembro de 2023

Fim de Venenos em Nossos Campos! Peça para parar o Glifosato Agora


Nossa saúde depende da alimentação, e de como esse alimento é cultivado e de quantos venenos são utilizados e liberados no meio ambiente. O glifosato, cuja renovação a Itália também manifestou o seu apoio, é um herbicida utilizado intensamente em todo o mundo que causou poluição generalizada do solo e da água e, ao consumir alimentos contaminados com glifosato, introduzimo-lo nos nossos corpos: para o demonstrar, um francês estudo mostrou que 100% dos cidadãos franceses apresentam vestígios de glifosato na urina. A pesquisa foi realizada com mais de 6.800 pessoas com idade média de 53 anos, cujas amostras foram coletadas durante dois anos, entre 2018 e 2020. Apesar disso, o perigoso herbicida da Bayer-Monsanto corre o risco de ser autorizado na Europa por mais 10 anos. 
As crianças são as mais sensíveis à exposição a partir da idade fetal: o Fundo Francês de Indemnização às Vítimas de Pesticidas aceitou recentemente o pedido de uma grande indemnização de um rapaz de 16 anos, pois sofre de malformações congénitas da laringe e do esófago, devido ao fato de sua mãe ter ficado muito tempo exposta ao glifosato durante a gravidez. 
A Bayer terá de pagar US$ 175 milhões a um ex-dono de restaurante que sofre de linfoma de Hodgkin, aceitando a exposição contínua ao glifosato como causa. A exposição ao glifosato aumenta significativamente (+41%) o risco de contrair linfoma não-Hodgkin (Luoping Zhang et al. (2019). 'Exposure to Glyphosate-Based Herbicides and Risk for Non-Hodgkin Lymphoma: A Meta- Analysis and Supporting evidencence' 
O glifosato é usado em muitas culturas, e podemos introduzi-lo, com farinhas, massas, cerveja, mas também carnes, vegetais e frutas. Assinando para bloquear o glifosato é pensar na sua saúde, na dos seus filhos e no planeta. A exposição de hoje pode causar cancro em 10 anos, é importante proteger as crianças antes de tudo dessa longa exposição. Quando falamos de uma alimentação saudável não podemos ignorar estes aspectos importantes. Uma dieta saudável é aquela que nutre e é tão livre quanto possível de contaminantes tóxicos.

segunda-feira, 28 de agosto de 2023

Florestas antigas ucranianas destruídas para o mercado da UE


As empresas europeias são cúmplices na destruição de florestas antigas nos Cárpatos ucranianos, cuja madeira é vendida em toda a União Europeia. Esta é a descoberta chocante de uma pesquisa e viagem de campo do Greenpeace na Europa Central e Oriental à floresta antiga ucraniana.
A Greenpeace CEE está actualmente a liderar uma Expedição de 40 dias, para lançar luz sobre a destruição maciça que afecta as florestas dos Cárpatos em cinco países: Roménia, Ucrânia, Hungria, Eslováquia e Polónia.
A Greenpeace apela à União Europeia para que implemente medidas eficazes para proteger este património natural europeu. Se os governos e as instituições europeias levarem a sério a travagem da desflorestação internacional e a melhoria da protecção e restauração das florestas, devem começar por implementar os seus próprios compromissos e obrigações em matéria de protecção da natureza.

Yehor Hrynyk, um biólogo ucraniano, membro da expedição, disse : "Os Cárpatos ucranianos abrigam grandes áreas de florestas antigas que são um hotspot essencial de biodiversidade. Infelizmente, a indústria florestal da Europa Ocidental os vê apenas como uma fonte de lucro. As consequências da exploração madeireira irresponsável nesta região são devastadoras, num país que já sofre uma guerra injustificada e onde é mais difícil do que nunca aplicar os princípios da conservação da natureza. As áreas protegidas não estão a ser estabelecidas em florestas com elevados níveis de conservação. valores para que a procura do mercado europeu por madeira e produtos de madeira seja atendida.”

O mais recente Relatório do Greenpeace CEE, publicado em novembro de 2022, revelou até que ponto as florestas dos Cárpatos foram impactadas pela exploração madeireira industrial. De forma alarmante, menos de 3% dos ecossistemas críticos estão estritamente protegidos, estando a maioria exposta à exploração madeireira e exploração generalizada.

Segundo estatísticas oficiais [1], a União Europeia é o principal importador de madeira e produtos florestais ucranianos. A Greenpeace CEE, juntamente com activistas ucranianos, visitou vários locais de exploração madeireira localizados em áreas florestais antigas durante o ano passado, onde os impactos da exploração madeireira industrial são claramente visíveis.
Uma das empresas que utiliza madeira proveniente de florestas antigas dos Cárpatos ucranianos é a empresa suíça Coroa suíça. Esta empresa é especializada na produção de painéis de partículas para o mercado ucraniano e para exportação. No seu website, a Swiss Krono afirma que a madeira que compra é sustentável, apesar de a madeira proveniente de locais de exploração madeireira em áreas florestais antigas ter sido anteriormente fornecida à Swiss Krono.
Durante a expedição aos Cárpatos, a equipe do Greenpeace de ativistas ucranianos, poloneses e romenos visitou o local de extração de madeira que fornece madeira para a coroa suíça e um dos locais de processamento da coroa suíça em Broshniv-Osada. O Greenpeace CEE apela à empresa para que deixe de utilizar madeira proveniente de florestas imaculadas dos Cárpatos.

Robert Cyglicki, Diretor do Programa do Greenpeace CEE, disse : "Os governos e autoridades europeus devem garantir que todas as florestas dos Cárpatos de alto valor de conservação, incluindo aquelas localizadas na Ucrânia, sejam estritamente protegidas. Se as tendências atuais continuarem, as florestas desprotegidas, essenciais para a restauração e ecossistemas vitais para espécies ameaçadas, serão erradicadas. Para enfrentar as crises climáticas e naturais, a UE deve proteger os sítios naturais excepcionais que permanecem em solo europeu de qualquer tipo de extracção. Ao mesmo tempo, as empresas devem retirar as mãos destes locais únicos e antigos. florestas."

Fonte: aqui
Imagens fotográficas e de vídeo da investigação podem ser baixadas através de nossa Biblioteca de Mídia internacional 
Para informações adicionais e entrevistas, também podemos conectar-nos aos nossos parceiros ucranianos

Notas aos editores:
[1] De acordo com estatísticas oficiais, em 2021 a Ucrânia exportou 4.645.549 toneladas de madeira e produtos de madeira com um valor total de 2.005.803 USD (grupos de mercadorias 44-46). Apesar da guerra, em 2022 as exportações de madeira e produtos representaram 94% do valor do ano passado (1.885.422 dólares), o que representou 4,3% do total das exportações da Ucrânia em termos monetários.