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quarta-feira, 17 de junho de 2026

Ainda o Mundial de Futebol- Denúncia de Racismo

Aleksander Čeferin

As federações de futebol de Cabo Verde, Curaçau, Usbequistão, Congo, Haiti, Argélia, Tunísia, Marrocos, Egito, Gana, Senegal, Costa do Marfim e África do Sul expressam a sua profunda desilusão após as recentes declarações do presidente da UEFA, Aleksander Čeferin, sobre a expansão do Mundial da FIFA e a sua classificação de muitos jogos como 'desinteressantes'.

Para os nossos países, não existe nenhum jogo insignificante no Mundial da FIFA.

Para os nossos países, o apuramento para o Mundial da FIFA representa uma conquista histórica e a realização de um sonho partilhado por gerações.

Sugerir que alguns dos nossos jogos seriam de alguma forma menos importantes é profundamente dececionante e equivale a ignorar os esforços, sacrifícios e aspirações de jogadores, treinadores, clubes, dirigentes do futebol e adeptos em todo o mundo.

Por trás de cada apuramento, existem anos de trabalho árduo e investimento. Por trás de cada seleção nacional, existem comunidades inteiras e milhões de pessoas que veem o futebol como uma fonte de orgulho, esperança e união.

O futebol não pertence a um pequeno grupo de líderes privilegiados. A sua força reside na sua universalidade.

O Mundial da FIFA é a maior competição de futebol do mundo justamente porque reúne diferentes culturas, diferentes histórias e diferentes trajetórias no futebol.

Para muitos países, a participação no Mundial da FIFA não é apenas uma conquista desportiva. É um momento que inspira uma geração, acelera o desenvolvimento do futebol e cria memórias para a vida toda.

Acreditamos que toda a nação que se apura merece respeito.

Cada equipa qualificou-se por mérito.

Cada jogo conta.
Assinado por:
Federação Cabo-Verdiana de Futebol
Federação Senegalesa de Futebol
Federação de Futebol de Curaçao
Federação de Futebol do Uzbequistão
Federação Congolesa de Futebol
Federação Haitiana de Futebol
Em solidariedade com:
Federação Argelina de Futebol
Federação Tunisiana de Futebol
Federação Real Marroquina de Futebol
Federação Egípcia de Futebol
Associação de Futebol do Gana
Federação Marfinense de Futebol
Associação Sul-Africana de Futebol

segunda-feira, 15 de maio de 2023

Manifestação e minifestação - dores pelo futebol e dores pelo ambiente


A mais pura verdade. Na apropriação do futebol pelo império capitalista, há um ponto de ruptura que também se vê no preço dos bilhetes, defende o jornalista Mickaël Correia sobre histórias do futebol para lá dos golos e das vitórias [in "Uma História Popular do Futebol"] editado em Portugal em 2020.
Conheço imensa gente que dedicou ou ainda dedica (quase voluntariado e à custa de boleias, etc) uma vida inteira a um sub-clube, ou clube desportivo municipal.
Porém um aspecto que me põe muito triste: enchemos as praças e as cidades por um clube de futebol "gordo": Benfica, Porto e Sporting. Mas para denunciar um arboricídio, proteger uma reserva agrícola, uma reserva da Biosfera, alertar para a emergência climática...são sempre minifestações. E para cúmulo, mal se faz uma desobediência civil: há sempre alguém insatisfeito, tem uma perspectiva política por detrás e a acção é motivo de chacota!

terça-feira, 29 de novembro de 2022

Mario Ferri invade o campo no Portugal-Uruguai em apoio à causa LGBTQI+, à Ucrânia e às mulheres do Irão


Depois de todas as polémicas em torno dos ataques aos direitos humanos no Catar, eis que surge a primeira manifestação durante um jogo.
Momento aconteceu durante a segunda parte do Portugal-Uruguai. Mario Ferri invadiu o campo com uma bandeira de apoio à causa LGBTQI+ e com as mensagens «Salvem a Ucrânia» e «Respeito pelas mulheres iranianas» na camisola.


Apesar da política da FIFA de evitar ao máximo a captação de imagens de invasões de campo, foi possível ver na transmissão esta acção directa antes de Mario Ferri ser intercetado pelos seguranças e levada para fora do relvado. Curiosamente e por coincidência o árbitro desta partida era iraniano.

Viu-se, depois, o árbitro da partida, o iraniano Alireza Faghani, a recolher a bandeira do chão.


Saber mais:

terça-feira, 22 de novembro de 2022

Fact Check: Afinal, quantos trabalhadores migrantes morreram nas obras do Mundial no Qatar?

O The Guardian falou em 6500, a Amnistia Internacional em 15 mil, mas estariam a referir-se a mortes relacionadas com a construção dos estádios e de outras infraestruturas? António Lobo Xavier garante que essa narrativa é falsa. Vamos verificar.



António Lobo Xavier criticou esta semana, no programa de comentário político “O princípio da Incerteza”, da TSF e da CNN Portugal, “as tiradas populistas” que alegam que os estádios do Mundial de futebol no Qatar foram construídos “sobre as ossadas de 6500 cadáveres”. “Não estou a dizer que as condições de trabalho são ideais no Qatar. Estou a dizer que esse número é falso”, atirou o advogado e antigo deputado pelo CDS, para depois fundamentar: “Esse é o número de mortos não locais num período de dez anos, e as embaixadas desses países já vieram confirmar que não há qualquer ligação entre esse número e o de mortos em acidentes de trabalho nos estádios.”

Antes, Alexandra Leitão, ex-ministra e atual deputada pelo PS, tinha referido esse dado, avançado pelo jornal britânico The Guardian em fevereiro de 2021, e também um outro, da Amnistia Internacional, que num relatório de agosto do mesmo ano falou em cerca de 15 mil mortes de trabalhadores migrantes no Qatar, no período entre 2010 e 2019.

Desde então, estes dois números têm sido amplamente citados na imprensa internacional e enraizou-se na opinião pública a ideia de que, embora díspares, correspondem a estimativas de vítimas mortais relacionadas com as obras de construção dos estádios ou de todas as infraestruturas associadas ou impulsionadas pela organização do Mundial 2022, como estradas, hotéis, estações de metro, arranha-céus e o novo aeroporto. Mas será mesmo assim? Ou tem razão António Lobo Xavier, quando põe em causa esta correlação a que chama “mistificação”?

As fontes

O The Guardian baseou a sua investigação em fontes oficiais (como embaixadas) dos cinco países fornecedores de mão de obra que analisou: Índia, Paquistão, Nepal, Bangladesh e Sri Lanka. São estas as principais origens dos trabalhadores migrantes no Qatar, mas ficaram de fora outras comunidades importantes, como a egípcia, a filipina ou a queniana.

Além disso, e mais importante, as 6751 mortes que o jornal contabilizou, no período entre 2010 e 2020, correspondem à mortalidade total de naturais daqueles cinco países, independentemente das causas e das circunstâncias em que elas ocorreram. Não é sequer conhecida a profissão e o local de trabalho das vítimas, embora se saiba que a maioria dos trabalhadores migrantes passe pelo setor da construção. Em rigor, o número traduz o total de expatriados daquelas nacionalidades que morreram no Qatar ao longo da década; não reflete a quantidade de pessoas que morreram enquanto trabalhavam nas obras dos estádios ou das restantes infraestruturas (nem a publicação britânica o advoga).

Face à dificuldade em obter dados precisos e detalhados no Qatar – que, na maior parte dos casos a envolver migrantes, atribui a morte a causas naturais, apesar das idades abaixo dos 50 anos -, o The Guardian relaciona muitas destas mortes, ainda assim, com as obras do Mundial, perante os testemunhos de quase escravidão que foram sendo conhecidos na primeira pessoa e não só. O calor intenso e os ataques cardíacos, a desidratação e as falhas renais, os abusos dos empregadores e as condições de vida precárias dos migrantes ou a ausência de autópsias para apurar as causas da morte sugerem, evidentemente, uma correlação – mas nunca total.

A organização qatari, por seu lado, só reconhece a morte de 37 trabalhadores envolvidos na construção dos estádios (não engloba as outras infraestruturas), ao longo de todos estes anos, e acrescenta que apenas três sucumbiram durante o expediente. Ou seja, oficialmente, só há registo de três acidentes de trabalho.

Quanto ao número citado no relatório da Amnistia Internacional, o pressuposto é o mesmo em que se baseou o The Guardian. Os cerca de 15 mil estrangeiros que morreram no Qatar, entre 2010 e 2019, referem-se à mortalidade total, sem qualquer discriminação, por exemplo, no que respeita à atividade profissional e muito menos ao setor da construção, como a própria ONG ressalva. É despropositado, por isso, ligá-lo ao Mundial de futebol. De resto, esta informação é de uma fonte governamental do Qatar.

Conclusão- Verdadeiro

Não se pode afirmar, com o mínimo de rigor, que morreram 6500 trabalhadores migrantes na construção dos estádios ou das restantes obras para o Mundial 2022. O próprio The Guardian nunca o fez, estabelecendo apenas pontos de contacto, através de testemunhos reveladores e não só, entre o futebol e a mortalidade verificada na última década. São estimativas muito complexas de se fazer, face à informação disponível. António Lobo Xavier tem razão ao desacreditar esse número e mais ainda o das 15 mil vítimas mortais, citado no relatório da Amnistia Internacional – que nunca teve a pretensão de o colar à organização do Campeonato do Mundo.

quinta-feira, 10 de novembro de 2022

Got to love this Scottish brand of beer!


Rebel beer brand BrewDog found itself facing a fresh barrage of hypocrisy claims as its campaign against soccer World Cup host Qatar continued to backfire.

A widely circulated image on social media revealed that the brewery is still selling its beers in Qatar, despite its grandstand against the Arab nation.

A spokesperson for the firm confirmed to Fortune on Wednesday that BrewDog beers were being sold in Qatar, but said the company did not sell directly into the Qatari market.

“We do have a relationship with a distributor that sells into multiple Middle Eastern markets, primarily into Dubai but including Qatar,” they said.

Beer brand kicks off against Qatar

On Monday, the self-styled “punk” brewery from Scotland launched its “anti–World Cup” campaign with a slew of posters highlighting Qatar’s problematic human rights record, stance on homosexuality, and corruption allegations.

BrewDog also promised to donate the profits from one of its beers, Lost Lager, to human rights organizations for the duration of the tournament.

However, company CEO James Watt was quickly accused of hypocrisy as he was previously the subject of an open letter from present and former staff in June 2021 detailing a “culture of fear” within BrewDog, with workers demanding an apology for “harassing, assaulting, belittling, insulting, and gaslighting.”

BrewDog has since apologized and claims, “We’re a different business today and totally focused on becoming the best employer in our sector.”

The decision to screen World Cup matches at its chain of bars around the world was also criticized, although BrewDog argued the move would lead to increased sales of Lost Lager, thereby providing more money for charity.

However, total sales of its more popular offerings would also likely increase, meaning a higher profit for the brewery across the board, and BrewDog confirmed to Fortune that Lost Lager was only its third-highest seller.

Saber mais:
A top Qatar ambassador just said homosexuality is ‘damage in the mind’ less than 2 weeks before a controversial World Cup

terça-feira, 8 de novembro de 2022

Qatar- Campeonato do Mundo amigo do ambiente? É mentira, diz o Carbon Market Watch



"Seria ótimo vermos o impacto climático dos Mundiais da FIFA reduzirem-se drasticamente. Mas as proclamações que ouvimos sobre a neutralidade carbónica simplesmente não são credíveis", afirmou o autor do relatório para o Carbon Market Watch que estudou a pegada ambiental da competição e concluiu que "apesar da falta de transparência, as provas indicam que as emissões deste Mundial serão consideravelmente maiores do que os organizadores preveem, e é pouco provável que os créditos de carbono que têm comprado para compensar essas emissões tenham um impacto suficientemente positivo no clima".

Em relação aos números avançados pela organização do Mundial, o Carbon Market Watch diz que subestimam as emissões associadas à construção dos estádios. E quanto aos créditos de carbono adquiridos, a ONG questiona a independência do esquema de certificação dos parâmetros que foram criados especialmente para a competição. "Tais créditos de baixa qualidade não farão o Campeonato do Mundo "neutro em carbono", avisam.

Nas contas oficiais, construir um estádio temporário implica o dobro de emissões de construir seis estádios permanentes

Diz a organização do evento que ele irá emitir 3.6 megatoneladas de CO2-equivalente (MtCO2e), a medida internacional que expressa a quantidade de gases de efeito estufa em termos equivalentes da quantidade de dióxido de carbono. O problema começa logo pela contabilização das emissões ligadas à construção dos sete novos estádios, que apenas são tidas em conta dividindo os dias em que são utilizados na competição pelo total do tempo de vida previsto para essas infraestruturas.

Ora, alega o Carbon Market Watch, isso é enganador tendo em conta que foram costruídos de propósito para o Mundial e não se prevê que tenham muito uso no futuro tantos estádios num território tão pequeno e cuja capital e única grande cidade, Doha, tinha apenas um grande estádio antes de ser atribuído ao Qatar o estatuto de anfitrião do Mundial 2022. Da mesma forma, são excluídas das contas dos organizadores as emissões ligadas à manutenção e uso futuro dos estádios. Contas feitas, em vez das 0.2 MtCO2e estimadas, que representariam apenas 5,5% do total de emissões do Mundial de Futebol, o valor real das emissões seria multiplicado por oito: 1.6 MtCO2e.

A forma da contabilização das emissões para cada estádio também é contestada. Um deles, o estádio 974, é suposto ser temporário. Mas nas contas da organização, as emissões alocadas à sua construção são mais do dobro dos restantes seis novos estádios, dado que apenas contam na totalidade a construção das cadeiras que serão removidas no final da competição. As emissões da construção do estádio propriamente dito são divididas de forma a apenas ter em conta uma parcela de 70 dias de utilização deste ano num total de 60 anos de tempo previsto de utilização total.

E sobra ainda a questão de saber qual o futuro destes estádios, com apenas três a serem destinados a equipas que jogam em recintos com capacidade bem menor e outro dedicado à seleção nacional feminina. A experiência anterior mostra que a viabilidade financeira destes recintos é duvidosa quando não servem para os grandes clubes, como aconteceu na Rússia. Ou no Mundial anterior, no Brasil, onde há estádios que são raramente usados e um deles está a ser usado em parte para o estacionamento para autocarros. Na África do Sul, que recebeu o Mundial de 2010, a subutilização destas infraestruturas também continua a pesar nas contas públicas.

Compensação de emissões sem independência nem integridade

sexta-feira, 28 de outubro de 2022

Mundial de Futebol no Qatar- A situação dos trabalhadores migrantes


A sede da próxima Copa do Mundo de 2022 pelo Qatar atraiu milhares de trabalhadores migrantes para construir estádios e outras infraestruturas. Esses estrangeiros deixaram tudo para trás em busca de uma vida melhor. Mas, uma vez no Qatar, eles muitas vezes sofreram exploração: salários não pagos, passaportes confiscados e condições extremas de trabalho que levaram a vários milhares de mortes, segundo várias ONGs. Alguns trabalhadores migrantes concordaram em falar com nossos repórteres Chloé Domat e Rammohan Pateriya para esta reportagem especial completa. Eles explicam como o sonho do Qatar se transformou em pesadelo, mesmo que Doha também ofereça algumas oportunidades de mobilidade social ascendente.

Amnistia Internacional
Qatar: Promessas e compensações por cumprir com o Mundial à porta

Assinar e divulgar a Petição: É tempo da FIFA e do Qatar compensarem os trabalhadores migrantes!

quarta-feira, 1 de junho de 2022

Fifa World Cup Qatar 2022: New report discredits carbon neutrality claim



Fifa and Qatar's claims that the 2022 World Cup will be carbon neutral involve "creative accounting" and are "misleading", says a new report.

Carbon Market Watch says the tournament will not achieve a net-zero carbon footprint, despite claims it would be the first football World Cup to do so.

Researchers believe calculations "ignore major sources of emissions".

In a statement, organisers said it was "speculative and inaccurate" to draw conclusions on their commitment.

In September, organisers detailed how they would deliver the first "carbon-neutral Fifa World Cup in the history of the event".

They pointed to the compact nature of the tournament, use of renewable energy at the eight stadiums and use of solar power in the country during the World Cup.

Fifa says at "no point" has it "mis-led its stakeholders".

A spokesperson for the Supreme Committee for Delivery & Legacy (SC) told BBC Sport: "We are on track to hosting a carbon-neutral World Cup.

"The methodology used to calculate the carbon-neutral commitment is best in practice and was designed to be based on actual activity data, after the World Cup has concluded. This will be published, and any discrepancies will be explained and offset.

"No other country has engaged so deeply with its citizens to ensure a sustainable legacy is left behind after a Fifa World Cup."

The report's author Gilles Dufrasne says the carbon neutrality claim "is simply not credible", adding: "Despite a lack of transparency, the evidence suggests that the emissions from this World Cup will be considerably higher than expected by the organisers, and the carbon credits being purchased to offset these emissions are unlikely to have any positive impact on the climate."

Dufrasne told BBC Sport: "Calling the event itself carbon neutral is problematic. Even if the accounting had been done properly, it gives a false sense of achievement and says we can continue to host this mega event every four years and can continue to do that at no significant cost to the climate.

"This gives a false idea to the general public and fans attending, so the policy makers need to communicate correctly about the impact of these events, putting the measures in place to reduce emissions but then still be clear about the fact that these events come at a cost. We need to be transparent about it."

The report highlights an underestimation of emissions associated with building new stadiums, with seven of the eight venues having been built from scratch and the other one extensively redeveloped.

It also questions the "credibility and independence" of a carbon credits scheme created especially for the tournament.

The SC added: "The emissions that will be unavoidable while preparing for and hosting the tournament will be offset through investing in internationally recognised and certified carbon credits.

"The SC's decision to transparently and proactively offset carbon emissions in a responsible manner should be recognised."

Last June, a FIFA report said the 2022 World Cup would produce up to 3.6 million tonnes of carbon dioxide, which is more than some nations produce in a year.

For instance, Montenegro, Iceland and the Democratic Republic of the Congo all produced fewer than three million tonnes of CO2 in the year 2018, according to the International Energy Agency.

In a statement, football's world governing body said: "Fifa is fully aware of the risks that mega-events pose on the economy, the natural environment and on people and communities, and has been making efforts to tackle those impacts and use opportunities that arise to mitigate the negative impacts and maximise the positive impacts of its iconic tournament."

Fonte: BBC

quinta-feira, 7 de abril de 2022

HBO Max vai lançar este ano um documentário sobre Rui Pinto e o 'Football Leaks'


A história de vida de Rui Pinto e da criação do 'Football Leaks' vai ter direito a um documentário na HBO Max, revela esta quinta-feira o 'Público'. De acordo com a mesma fonte, o documentário chamar-se-á 'Um Jogo de Segredos' e terá Niels Borchert Holm como diretor.

Através da página de Niels Borchert Holm no IMDb, este será "um documentário sobre o site Football Leaks, que começou a revelar negócios obscuros e ilegalidades sistemáticas na indústria do futebol em 2015, levando a investigações de grandes craques, clube e ainda do presidente da FIFA." 

A estreia de 'Um Jogo de Segredos' deverá acontecer a setembro deste ano, na Dinamarca, não tendo sido ainda revelada a data oficial de lançamento em Portugal.

segunda-feira, 28 de junho de 2021

O Euro da UEFA é pago pelo Estado Social


1.O cerco de Lisboa, o fim dos ingleses, agora o fim dos alemães, a seguir os outros que também não vêm, os números que vão continuar a crescer em Julho... e de repente todos os negócios que vivem do verão estão já a bater no fundo de forma mais violenta do que em 2020. O que é inacreditável. Como é possível termos conseguido atravessar o ano passado, com prudência e sem vacina, e perder o pé quando estamos a semanas de uma imunidade provável às variantes conhecidas? A resposta é cada vez mais evidente: uma minoria é suficiente para sequestrar a sociedade. Não que as pessoas queiram contrair covid, mas o risco económico é baixíssimo - a doença é pouco grave em 98% dos casos.
É neste paradoxo que temos de começar por analisar a batalha subterrânea sobre o teletrabalho. Os números começam a aparecer. Os empregadores (74%) pretendem fazer voltar os trabalhadores aos escritórios a tempo inteiro, segundo o Dinheiro Vivo de ontem. Ao mesmo tempo, uma sondagem do Jornal de Negócios revelava que apenas 13% dos trabalhadores defendem o trabalho presencial na íntegra.
Ora, como os números mostram, há potencialmente muita gente a querer que o teletrabalho vá continuando. Daí a tranquilidade aparente com que se juntam milhares de pessoas nas ruas sem medo das consequências, ou se organizam aniversários ou casamentos com dezenas ou centenas de pessoas sem testagem prévia. "Vai ficar tudo bem". Não fica, como se vê.
2. A acrescentar a esta deriva, não pode ser pior o exemplo do Euro de futebol. A UEFA, totalmente indiferente à variante Delta e à vida de milhares de pessoas, não se contentou com o negócio televisivo e uma presença de um terço da lotação dos estádios. Enche-os, à boleia de uma indiferença coletiva que tem uma rede de luxo: Estado Social europeu e serviços nacionais de saúde. Eis o cúmulo a que chegamos.
A UEFA está, aliás, a hipotecar o regresso do futebol pós-verão com o crescendo da pandemia, liquidando os próprios clubes, de novo, provavelmente com estádios vazios. Um egoísmo atroz. Em paralelo, as atividades sequestradas pela minoria irresponsável - turismo, restauração, atividades culturais e, particularmente, a música -, definham sem apelo nem agravo. Como é possível?
3. Há um outro problema que recusamos enfrentar. Não é possível continuar a fazer de conta que os ajuntamentos noturnos podem ser indefinidamente tolerados porque se trata de "gente nova". Pois, isto tem custos humanitários brutais: vamos acelerar a vacinação até aos 18 anos (ou até 12 anos...!) por causa desta desresponsabilização enquanto a vacinação nos países mais pobres nos faz corar de vergonha.
Esta semana o Painel de Informação da UNICEF assinalava que das 2,54 mil milhões de doses produzidas até agora, apenas 88 milhões (3%) foram enviadas para 131 países através dos mecanismos de apoio Covax - e apenas 36 milhões através de doações. Porque não há vacinas. Ou seja, as populações de risco de países inteiros ficam à espera, enquanto corremos a vacinar a malta do "social".
É preciso dizer isto de forma clara: há muita gente nos países ricos a brincar com a vida dos outros. São seres humanos que morrem porque os seus países não têm dinheiro (ou poder) para lhes dar uma vacina a tempo. É importante que as novas gerações (e os negacionistas) compreendam o luxo em que vivem. Pede-se contenção por uns meses, não uma eternidade. Não podemos esperar um mundo melhor demitindo-os de assumirem as suas responsabilidades. Os do "gueto" estão a morrer enquanto mantemos, apesar de tudo, uma vida normal.

Saiba mais:

domingo, 20 de junho de 2021

Ainda Ronaldo e a Coca-Cola



Por João Mendes
Gostei de ver a UEFA a sair em defesa da Coca-Cola, na sequência da ronalidice a que assistimos há dois dias. Até porque nem todos se podem dar ao luxo de cuspir no prato onde comeram, como fez Cristiano Ronaldo.
Por causa deste episódio, fui espreitar os patrocinadores oficiais do Euro 2020. E descobri que pelo menos um terço das empresas patrocinadoras são geridas por oligarcas e directamente controladas por um regime totalitário:
Qatar Airways: a companhia aérea de um regime absolutista, cuja Constituição se baseia na Sharia, onde o testemunho de uma mulher em tribunal vale metade - literalmente - do testemunho de um homem, e onde se aplicam penas como a flagelação ou a lapidação. Direitos humanos? Que se fodam os direitos humanos.
Gazprom: empresa energética do regime russo, gerida por um oligarca que come na mão de Vladimir Putin, de seu nome Aleksej Miller. É também um dos principais patrocinadores da Liga dos Campeões. Como se o dinheiro do futebol europeu não fosse já suficientemente sujo.
Hisense: tecnológica chinesa, dona da Lenovo e da Xiaomi, controlada pelo regime de partido único chinês. Tem tentáculos no Schalke 04, na NASCAR, em provas organizadas pela Red Bull e já patrocinou, anteriormente, o Euro 2016 e o Mundial de 2018. Na volta também tratam da "segurança" destes eventos.
Tiktok: rede social chinesa, "propriedade" de Zhang Yiming, um empresário que é o 13° mais rico da China. Vassalo de Xi Jinping, a sua ByteDance, casa-mãe do Tiktok, é suspeita de ser uma fachada para um sistema de vigilância internacional do regime chinês, alimentada pela cortesia dos milhões de utilizadores do Tiktok.
Sorte desta malta, nenhuma destas empresas está sediada em Cuba, Venezuela ou Coreia do Norte, os três únicos regimes ditatoriais que o Ocidente democrático não tolera. Todos os restantes torturadores, lapidadores e assassinos são bem vindos e neoliberalíssimo capitalismo cá os espera, de braços e pernas bem abertas. Pelo preço certo em euros, tudo se resolve. Que role a bola.

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Abaixo o futebol competitivo


Partilho o mesmo pensamento e visão do meu amigo Viriato. Abaixo o Euro 2008 e a paranóia do futebol competitivo é um manifesto e também é um acto de cidadania por um Portugal mais ecossolidário. Certamente também há portugueses fartos....por mais lavagem verde que recentemente as fábricas de futebol façam...
E quanto a um esforço por mostrar penalizações dos futebolistas e clubes entre pares....ainda estamos muito longe da justiça social....
Por Portugal?
Só penalizam a função pública, penalizam os juízes, penalizam os ambientalistas, penalizam os polícias....ah...mas quando toca a penalizar a máquina do futebol...atenção...mil cuidados....
Por Portugal?
oh sobreiros e carvalhos de Portugal, oh lobos do Gerês, oh gravuras do Foz Côa, oh litoral de Portugal...porque não sois respeitados, amados e compreendidos???
Pela Europa?
Pelo Mundo?
Pelo Desporto e ao ar livre? Desporto para todos e com todos?
Pela Paz?????
O desporto ( mais a sua indústria) ensina-nos a ser competitivos!
A educação dos jogos cooperativos habitua-nos, ao invés, a ser solidários e fraternos.
Por Viriato, Pimenta Negra, 15 de Junho de 2008

A ideologia desportiva pretende vender-nos, à socapa, e à custa de uma falsa ideia de neutralidade da actividade desportiva, os valores caros às sociedades capitalistas: uma concorrência feroz entre as equipas e os jogadores, o elitismo dos melhores, o nacionalismo, o culto da perfomance, a passividade do espectador-cidadão e as perversões alienantes da sociedade do espectáculo, etc.

Acresce a isso, nos últimos anos, a subtil montagem e manipulação das emoções das pessoas, a que já nos vamos habituando a assistir periodicamente, quando aquelas são convidadas ( e autorizadas, bem entendido) a berrar, buzinar, e a cometerem os desvarios do costume, enfim, a emocionar-se por motivos, que são, no geral, muito bem programados, e que, de imediato, são vendidos às massas com objectivos inconfessáveis, mas onde o lucro está sempre presente, regra geral, associado alarvemente a operações de manipulação, com a vantagem suplementar de, ao contrário dos carnavais de outros tempos, não existirem em tais excessos as habituais críticas ao poder estabelecido.

Com os espectáculos desportivos como o que nos entram pelos olhos (e cérebros) dentro, o que se pretende é então alimentar a ilusão de um mundo em que cada equipa (de cada nação, ou de cada cidade) tem as mesmas oportunidades de ganhar (de vitória) como as demais, quando se sabe perfeitamente que assim não é, até porque as melhores equipas se constroem com investimentos milionários, só possíveis a quem for titular do real poder do capital.

Uma operação mental deste calibre permite alimentar junto dos mais desprevenidos a ideia ilusória de que, por exemplo, as nações colonizadas podem vencer as equipas das super-potências colonizadoras, ou de que - o que vai dar ao mesmo - os pobres só podem subir na escala social se tiverem talento suficiente para alcançarem o nível social dos ricos, por mais estúpidos e broncos que estes sejam.

A nossa bolsa de valores é o oposto a tudo isso. Queremos um mundo em que não haja necessidade de derrotar, e muito menos, de esmagar, quem quer que seja, para nos sentirmos bem. Queremos um mundo onde o gosto de jogar derive do prazer da partilha e do «estar em comum» e jamais da vitória ( e esmagamento ou massacre) sobre o outro.

Também rejeitamos a identificação às bandeiras de um qualquer Estado nacional, do mesmo modo que julgamos desprezíveis as manifestações ruidosas de rua dos adeptos fanatizados em glória aos vencedores.

Os campeonatos do mundo e da Europa do futebol, junto aos Jogos Olímpicos, são bem exemplos ilustrativos de todos esses valores que sub-repticiamente nos querem impingir, com a falsa ideia da neutralidade do desporto, devidamente embrulhada numa não menos falsa ética aplicada à competição feroz entre os jogadores-adversários em contenda.

A ideologia desportiva é, com efeito, tanto mais forte e insidiosa quanto mais invisível e discreta ela se mostrar…

Sejamos solidários uns com os outros.

Não alinhemos com a ideologia dominante da concorrência e da competição social (mesmo, dentro do desporto) das sociedades capitalistas.

Não à manipulação e à lavagem cerebral que nos transformam em agentes (…, isto é, em agenciados pelo poder) inconscientes da competição concorrencial do mercado

Por uma educação cooperativa e solidária entre todos os seres vivos.

terça-feira, 31 de maio de 2005

(N)EURO(SE)

Tráfico de Influência 
Medo de Existir 
Inveja 
Economia Paralela 
Listas de espera nos hospitais 
Tribunais empilhados de processos 
Prisão preventiva 
Demagogia 
Pressão publicitária e incentivos ao crédito ao consumo 
Desemprego 
Depressão 
Especulação imobiliária 
Bota-abaixo constante na função pública e consequente declínio na produtividade e mérito Abandono escolar 
Endeusação do futebol 
Degradação Ambiental 
Caciquismos 
E depois ainda as amarras e a pressão da CEE, PAC;PEC;POC....PUUMM sem que utilizemos a nossa criatividade e nos levantemos do chão...