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quinta-feira, 8 de fevereiro de 2024

A Clock In The Forest


In his studio on the east coast of Vancouver Island, the master clockmaker Phil Abernethy is crafting a timepiece that will be calibrated in a manner that no horologist has ever attempted. It won’t show the minutes and hours of an ordinary human day. Instead, his clock will display time as experienced by some of the oldest trees on the planet.

Using techniques he’s honed over a lifetime, Abernethy will machine the gears by hand in traditional materials such as steel and brass. But the pendulum will respond to the forest: When trees grow quickly, the hours will advance more rapidly; more lethargic growth will result in a slower tempo. Over centuries, the long-term fate of the canopy will be registered on a calendar that may deviate from the Gregorian date by decades or more.

Abernethy has been commissioned to fabricate the arboreal clock by the Nevada Museum of Art. Standing 12 feet tall, the clock will be the first physical manifestation of an environmental timekeeping project I have been developing over the past decade. Some of the clocks in the project respond to rivers; Abernethy’s enlists a stand of bristlecone pine trees in Nevada’s Great Basin as living timekeepers.

Fluctuations in the bristlecones’ growth rate, affected by environmental conditions ranging from local rainfall to planetary climate change, will be measured by analyzing the thickness of tree rings in microcores retrieved from the mountain each year. These data will be used to determine the center of gravity for the pendulum, which will swing slower or faster depending on the tree ring thickness. Though the clock face will display time in the usual way, it won’t serve as a mechanism for human planning — a technology to impose order on the environment for our convenience — but rather to pace our lives to match the lived reality of other organisms.

Abernethy’s arboreal clock, in other words, upsets more than just the standards of horology. The environmental calamity known as the Anthropocene is a consequence of a worldview in which all that is not human is construed as a resource — even time itself. Other life forms are going extinct at an unprecedented rate, laid waste at a pace set by the world economy. Factory farming and logging, fossil fuel and plastics production, mining, human construction and infrastructure — all disregard the timing with which nonhuman systems emerge, ebb and flow. The globalized logic of industry, with its planetary supply chain, must keep up with human demand, turning civilization itself into a manifestation of logistics.

Our mastery of the world is a mastery of time. And as every industrialist knows, mastery of time requires the precision of a master clock to provide a temporal standard against which everything can be measured and controlled. Whether regulated by the swing of a pendulum or the oscillations of a strontium atom — as the most advanced atomic clocks are today — the master clock operates without an external feedback mechanism. The clock has become the ultimate authority. To question it would be tantamount to questioning modernity.

The design of Abernethy’s arboreal clock may be novel, but the underlying ideas are ancient. They predate pendulums and gearwork, originating in an era when people observed time in relation to other beings in order for all to flourish together. Ancient but mostly forgotten, these ideas are urgently needed today. Whatever practical use it might have, the arboreal clock is intended primarily to serve as a philosophical instrument.

“Anthropocene is a consequence of a worldview in which all that is not human is construed as a resource — even time itself.”

Artigo completo aqui

quinta-feira, 7 de setembro de 2023

The Library of the Great Silence: A conversation with Jonathon Keats



We follow up with SETI Artist in Residence Jonathon Keats about his project The Library of the Great Silence, an installation art project that addresses one of the implications of the Fermi Paradox. If the cosmos is only sparsely populated by intelligent beings that implies that at some point in their development almost all technological societies encounter a barrier they cannot cross. To counter such a dystopian prospect, Keats proposes an intergalactic lending library to research planetary futures. Branches of this library have already been installed at the Allen Telescope Array and at museums and universities around the world. Join SETI AIR Director Bettina Forget in conversation with Jonathon Keats and find out what’s in the library!

terça-feira, 22 de dezembro de 2020

'Blob' (ou Bolha) : o que é a misteriosa criatura com 720 sexos e sem cérebro


Ele não tem boca, estômago, olhos, tampouco pode detectar ou digerir alimentos. Também não tem braços ou pernas, mas consegue se locomover — e, em um único dia, dobrar de tamanho.

É capaz de aprender e transmitir conhecimento, apesar de não ter cérebro. Se for cortado ao meio, tem a capacidade de se regenerar em dois minutos.

Os cientistas sabem que não se trata de uma planta, tampouco de um animal ou fungo — embora aja como uma mistura destes dois últimos. E, no seu mundo, não existem machos ou fêmeas, mas 720 sexos diferentes.

Nota: Em termos científicos, a quantidade de sexos de um organismo refere-se ao número de células sexuais que este organismo produz, sem nenhuma relação com o conceito cultural normalmente usado, muitas vezes confundido com o gênero de cada indivíduo. As células sexuais são produzidas pelos organismos para serem combinadas com as de outros indivíduos da mesma espécie com objetivo de reprodução.

É o Physarum polycephalum, que literalmente quer dizer "bolor de várias cabeças". Conhecido como "Blob", o curioso organismo será exibido no zoológico de Paris, na França, a partir deste fim de semana.

"O 'Blob' é realmente uma das coisas mais extraordinárias que existem hoje na Terra", afirmou o diretor do zoológico de Paris, Bruno David, que considera a criatura "um dos mistérios da natureza".

"Existe há milhões de anos e ainda não sabemos muito bem o que é. Não se sabe muito bem se é um animal, se é um fungo ou se é algo entre os dois", acrescentou.

O apelido "Blob" vem de um filme de ficção científica de 1958, A Bolha Assassina (The Blob, em inglês), estrelado por Steve McQueen, no qual uma forma de vida alienígena, a "Bolha" (ou "Blob"), consome tudo que vê pela frente em uma pequena cidade da Pensilvânia, nos EUA.

Como é essa criatura?
O Physarum polycephalum já vivia na Terra 500 milhões de anos antes dos seres humanos.

Durante muito tempo, foi considerado um fungo, mas, na década de 1990, um estudo o reclassificou no grupo dos mixomicetos, ou bolor limoso, uma subcategoria da família das amebas.

Sua aparência se assemelha a uma esponja escorregadia e geralmente tem coloração amarela, mas também existem variedades em rosa, branco e vermelho.



O 'Blob' é geralmente encontrado em locais húmidos e frescos, como a casca de algumas árvores

Consiste numa única célula — às vezes, com muitos núcleos, que podem replicar seu DNA e se dividir.

É frequentemente encontrado em locais onde há decomposição de folhas e em troncos de árvores, locais frescos e húmidos.

Parece que não se movimenta, mas se locomove a um centímetro por hora em busca de presas, como esporos de fungos, bactérias e micróbios.

É capaz de pensar
Para os cientistas, uma das características mais fascinantes do "Blog" é sua capacidade de raciocinar.

"Ele é capaz de memorizar, é capaz de adaptar seu comportamento, é capaz de resolver problemas, de se movimentar por um labirinto, procurar soluções de otimização, de se comportar um pouco como um animal", explica David.

A análise deste organismo chegou, inclusive, a redefinir o entendimento de como a inteligência — de qualquer tipo — funciona, após a publicação de um estudo em 2016.



'Blobs' de até 10 metros de comprimento foram cultivados em laboratório

Os pesquisadores concluíram que essa criatura, apesar de não ter um sistema nervoso central, é capaz de "aprender" com suas experiências e mudar seu comportamento de acordo com elas.

Em experimentos de laboratório, os cientistas observaram como o bolor se adaptava ao longo do caminho até uma fonte de alimentação.

E, quando se funde com outro, pode transmitir conhecimento.

'Quase imortal'
Se os espectadores do zoológico de Paris esperam uma atração com movimentos espetaculares, podem ficar desapontados com um ser vivo cujo movimento dificilmente é percebido.

Por isso, o zoológico terá uma tela interativa que inclui um vídeo acelerado da locomoção de "Blob", que se move por meio da extensão de saliências, chamados pseudópodes.



As telas inteligentes do zoológico de Paris vão mostrar a locomoção do 'Blob'

Mas as características do Physarum polycephalum são espetaculares por si só.

Ele se reproduz mediante a produção e liberação de esporos, que se tornam novos "Blobs".

"Não há dois sexos diferentes, mas sim cerca de 720, portanto a reprodução não é um problema", explica David.

Mas, como na maioria das outras espécies, a sobrevivência é impulsionada pela diversidade genética, que no caso do "Blob" acontece quando dois organismos geneticamente diferentes se encontram e se fundem em um novo "Blob".



O Physarum polycephalum não possui espécimes femininos e masculinos, mas uma variedade de 720 sexos

Também se deve a seu mecanismo de defesa — quando se vê ameaçado, ele entra em estado de hibernação e "seca".

Esse modo vegetativo está "próximo da imortalidade", informou à AFP Audrey Dussutour, especialista em "Blob", do Centro Nacional de Pesquisa Científica da França.

"Você pode, inclusive, colocá-lo no micro-ondas por alguns minutos" — e com algumas gotas de água, voilà!, ele volta à vida, disposto a se alimentar e procriar.

Saber mais:

segunda-feira, 29 de outubro de 2018

Câmera em universidade levará mil anos para bater uma única foto


Jonathon Keats está pronto para ir aonde nenhum fotógrafo jamais esteve — e inclusive ele mesmo não estará. O fotógrafo está tentando quebrar o recorde de foto com maior exposição da história, com uma câmera que levará mil anos para bater uma única foto.

Situada no topo do Museu de Arte da Universidade do Estado de Arizona, a câmera está desde 2015 apontada para a linha do horizonte da cidade de Tempe, no Arizona, com o objetivo de capturar as mudanças da civilização com o passar dos anos.

A câmera é composta por um cilindro de metal e usa tinta óleo ao invés de um filme fotográfico. Ela possui uma placa de ouro 24 quilates com uma minúscula abertura na frente, por onde entra a luz. Com o passar dos anos, a cor da placa irá começar a desaparecer nos pontos onde há maior incidência de luz, criando a imagem fotográfica de formação mais lenta da história.

De acordo com Keats, a fotografia não irá mostrar apenas a silhueta da cidade, mas também irá gravar o modo como ela evoluiu e se modificou durante os séculos. Esse não é o primeiro experimento do tipo feito por Keats, que também já espalhou por Berlim, na Alemanha, câmeras que demorarão 100 anos para tirar uma foto e que irão revelar suas imagens em 2114.

A universidade confirmou que promoverá uma exibição para divulgar a foto ao público quando ela terminar de ser revelada, em 3015. Isso, claro, se nessa data, câmera, universidade ou até mesmo a espécie humana ainda existirem.