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quinta-feira, 4 de abril de 2024

Dezenas de milhões de pessoas neste país bebem água contaminada com arsénico. A situação pode piorar muito


Incolor, insípido e inodoro. O arsénio é um assassino furtivo, naturalmente abundante nas rochas e no solo da Terra. É muito tóxico na sua forma inorgânica, sendo encontrado nos níveis elevados das águas subterrâneas. Há vários países onde se verificam contaminações por arsénico

Começou com pontos espalhados pelo peito e costas das pessoas. Manchas duras invulgares na pele das palmas das mãos e nas solas dos pés. Para alguns, um escurecimento dos dedos dos pés.

Médicos e investigadores começaram a observar pacientes no Bangladesh que apresentavam este tipo de sintomas na década de 1980. Rapidamente se tornou claro o que estavam a ver: sinais clássicos de envenenamento por arsénico.

Numa trágica ironia, a razão acabou por ser atribuída a um programa de saúde pública de enorme sucesso.

Na década de 1970, as crianças do Bangladesh morriam em grande número devido a doenças como a disenteria e a cólera, depois de beberem água suja dos rios, lagos e ribeiros. Em resposta, o governo do Bangladesh, juntamente com agências de ajuda lideradas pela UNICEF, lançou um enorme esforço para obter água mais limpa no subsolo.

Ao longo das duas décadas seguintes, milhões de poços tubulares - tubos estreitos perfurados a profundidades relativamente pequenas - foram enterrados na terra. "No espaço de uma geração, mudaram o comportamento da água potável de toda uma população", disse Seth Frisbie, químico e professor emérito da Universidade de Norwich, que passou décadas a investigar a contaminação por arsénico.

Os números de crianças a morrer diminuíram significativamente. Ainda assim, nos anos 90, tornou-se claro que o projeto tinha falhado a ter em conta um problema enorme e mortal: grande parte das águas subterrâneas continha níveis elevadíssimos de arsénico, um conhecido agente cancerígeno ligado a uma série de outros impactos negativos para a saúde.

Os especialistas em saúde classificaram-no como o "pior envenenamento em massa" de uma população na história - com dezenas de milhões de pessoas afetadas. Embora o governo, a UNICEF e outras agências de ajuda humanitária se tenham esforçado por combater a contaminação, os impactos do envenenamento continuam a ser generalizados. Estima-se que 43.000 pessoas morrem todos os anos devido a doenças relacionadas com o arsénico no Bangladesh, de acordo com um estudo.

Agora, numa reviravolta cruel, a situação pode estar a piorar. Novas evidências sugerem que os impactos da crise climática causada pelo homem - incluindo as inundações e o aumento do nível do mar - estão a alterar a química da água no subsolo e a aumentar ainda mais os níveis de arsénico.


O problema estende-se muito para além do Bangladesh.
Um número crescente de estudos realizados noutros países, incluindo os Estados Unidos, sugere que o aquecimento global pode estar a superalimentar o problema da água contaminada com arsénico em todo o mundo.

"Afeta todos os órgãos do corpo"
O arsénico é naturalmente abundante nas rochas e no solo da Terra. É muito tóxico na sua forma inorgânica, sendo encontrado nos níveis elevados das águas subterrâneas, não só no Bangladesh, mas também em países como a Índia, China, Taiwan, Vietname, Argentina, Chile, México, partes da Europa, Austrália e EUA.

Enquanto as águas superficiais poluídas adoecem rapidamente as pessoas, o arsénico é um assassino furtivo.

É incolor, insípido e inodoro. Não há forma de o detetar sem testes e os seus impactos tendem a surgir ao fim de muitos anos.

A exposição crónica pode revelar-se através da pele endurecida das mãos e dos pés, chamada queratose, do aparecimento de manchas pigmentadas na pele e até da "doença do pé negro", uma doença vascular que pode causar gangrena - tecido morto causado pela falta de fluxo sanguíneo.

Os seus efeitos nocivos continuam no interior do corpo das pessoas, onde aumenta o risco de cancro da pele, do fígado, dos pulmões e da bexiga, bem como de doenças cardíacas e diabetes. O arsénico também tem sido associado à perda da gravidez, a atrasos no desenvolvimento das crianças e a doenças respiratórias.

"Afeta todos os órgãos do corpo", afirma Rubhana Raqib, cientista sénior do Centro Internacional de Investigação sobre Doenças Diarreicas no Bangladesh (ICDDR,B - na sigla original).

Alguns peritos sugeriram que a escala do envenenamento no Bangladesh ultrapassa largamente a de outras catástrofes mais conhecidas causadas pelo homem, como o desastre nuclear de Chernobyl. Mas o número exato de mortos é quase impossível de calcular, em parte devido às dificuldades em desvendar as causas do cancro.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que cerca de 140 milhões de pessoas em pelo menos 70 países têm bebido água contaminada com arsénico a níveis que excedem o limite recomendado de 10 microgramas por litro.

No Bangladesh, onde as diretrizes do governo estão fixadas numas menos restritivas 50 microgramas, acredita-se que milhões de pessoas terão sido afetadas.

Um enorme estudo de análise de poços realizado pelo British Geological Survey, que teve início em 1998 e abrangeu a maior parte do Bangladesh, revelou que 27% dos poços tubulares menos profundos excediam as diretrizes do país, afetando cerca de 35 milhões de pessoas. Cerca de 57 milhões de pessoas foram expostas a níveis que violavam as indicações de 10 microgramas da OMS, de acordo com o estudo - aproximadamente 45% da população.

Frisbie, que passou algum tempo no Bangladesh a produzir mapas da água potável afetada pelo arsénico, disse que o número era evidente.

"Percorri aldeias onde ninguém tinha mais de 30 anos", disse à CNN.

Mesmo as normas mais rigorosas em matéria de arsénico recomendadas pela OMS e adotadas por países como os EUA não proporcionam proteção suficiente, afirmou. "O arsénico é extremamente tóxico. Só porque está a um determinado nível que o governo diz ser seguro... não significa que seja seguro, não significa que as pessoas não vão morrer."

O aquecimento global pode aumentar os riscos
Os riscos são cada vez maiores à medida que os seres humanos continuam a queimar combustíveis fósseis que aquecem o planeta.

Os impactos cada vez mais graves das alterações climáticas podem mudar a química das águas subterrâneas, de acordo com um estudo recente de que Frisbie é coautor.

Isto significa mais problemas para o Bangladesh, que está firmemente na linha da frente da crise climática. Baixa e densamente povoada e com uma longa costa, enfrenta uma imensidão de ameaças, desde a subida do nível do mar até às inundações - todos os anos, cerca de 20% do país fica submerso.

As inundações podem impedir que o oxigénio da atmosfera penetre nas águas subterrâneas, de acordo com a investigação, o que, por sua vez, pode aumentar a libertação de arsénico dos sólidos e sedimentos para a água - um processo designado por "redução".

A subida do nível do mar representa outro desafio, provocando a infiltração de água salgada nas fontes de água subterrâneas. Isto não só faz com que a água tenha um sabor mais salgado, como a presença de sal pode também aumentar as concentrações de arsénico, fazendo com que este se dissolva na água através de um fenómeno chamado "efeito salino".

quinta-feira, 13 de julho de 2023

Rochas fosfatadas na Noruega


A Norwegian miner has completed the exploration of a phosphate deposit that it claims is large enough to meet phosphorous demand for batteries and solar panels for the next 100 years.

Norge Mining, which will develop the site, says that it has discovered up to 70 billion tonnes of the mineral.

Around 90% of mined phosphate is used to produce fertiliser for the agriculture industry. Phosphorous is also used to produce lithium-ion phosphate batteries used in green technologies and batteries. The mineral is in high demand but currently faces significant supply issues.

According to the US Geological Survey, proven phosphate reserves equal 71 billion tonnes globally, only slightly larger than the total discovered in Norway.

Prior to this discovery, the largest phosphate deposit was located in the western Sahara region of Morocco, equalling around 50 billion tonnes. This is followed by China with 3.2 billion tonnes, Egypt with 2.8 billion tonnes and Algeria with 2.2 billion tonnes, according to US Geological Survey estimates.

Phosphorous appears on the EU’s list of strategic raw minerals. The bloc is almost entirely reliant on imports of phosphate and is concerned about its supply.

“The discovery is indeed great news, which would contribute to the objectives of the Commission’s proposal on the Critical Raw Material Act,” a spokesperson for the EU executive told Euractiv.

A polluting refining processes
Phosphorus refining is a highly carbon-intensive process. “This is part of the reason why there is no more production of this critical raw material in Europe; there was some production in the Netherlands many years ago, but they stopped it because of the heavy pollution,” Michael Wurmser, founder of Norge Mining told Euractiv.

Wurmser told reporters that Norge Mining will use carbon capture and storage to reduce the carbon emissions of the refining process.

“Europe is in an excellent position: we can use our advantage in clean tech innovation and skills development to turn the industry into a powerhouse of innovation and change and, in doing so, achieve the highest social and environmental standards,” said Bernd Schäfer, managing director of the European Raw Materials Alliance, earlier this year.

The discovery was initially made by Norge Mining in 2018 using information provided by the Norwegian Geological Survey. However, a drilling programme conducted by the company has found that ore reserves extend much deeper than initially estimated.

The deposit also contains vanadium and titanium, which are also classified as critical raw minerals by the EU. Vanadium is used to produce liquid batteries required by power companies.

Norge Mining is currently awaiting a permit from the EU and the Norwegian Government. Norwegian ministers have been supportive of the project and are treating it as a high priority, according to Norge Mining.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2022

Além do petróleo e gás, a Rússia dá cartas nestas matérias-primas



A invasão russa da Ucrânia, e uma torrente de sanções internacionais a cair sobre a Rússia, deixa em risco o abastecimento de diversas minérios e matérias-primas. Elementos, como o níquel e o alumínio, estão em máximos históricos.

Além do petróleo e do gás natural, a Rússia tem um papel de relevo na exportação de diversos outros ativos. Face às sanções económicas já em vigor, e em função da eventualidade de uma terceira ronda de sanções europeias contra Moscovo, diversos ativos já começaram a subir de preço. Em seguida divulgamos uma lista de algumas das principais exportações russas, como paládio, platina e trigo.
 
Paládio
A Rússia é o maior exportador de paládio a nível mundial com uma participação de 45,6% no mercado global. Embora o metal, usado na indústria automóvel e em joalharia, tenha desvalorizado esta sexta-feira cerca de 6,7% no mercado de futuros, para os 2.336,02 dólares a onça, este ativo valorizou cerca de 23% desde o início de janeiro, segundo dados da Investing.com. A Nornickel, empresa de mineração russa, é a maior produtora mundial de paládio.

Platina
À semelhança do paládio, a Nornickel é também uma das principais produtoras de platina na Rússia, tendo produzido cerca de 641.000 onças em 2021. Desde inícios de janeiro que o metal valorizou 8,6%, passando dos 970 dólares por onça, para os 1054 dólares.

Ouro
O ouro russo provém maioritariamente de empresas como a Polyus e a Polymetal, sendo que o país é o terceiro maior exportador a nível mundial, a seguir à Austrália e China. Segundo dados do World Gold Council, o ouro russo chegou às 3.500 toneladas em 2021.

Desde janeiro que este ativo de refúgio tem valorizado, com uma subida acentuada a partir do dia 28 desse mês. Enquanto o ouro estava nos 1.830 dólares a onça no início do ano, agora encontra-se nos 1.886 dólares com uma subida de 3%.

Petróleo
Apesar do barril de petróleo já se encontrar em subida à boleia da transição energética, esta subida é agora agravada com o confronto na Ucrânia. Desde o início do ano que o barril de Brent valorizou cerca de 18%, passando dos 79 dólares para os 93,5.

Gás
Após a interrupção da certificação do gasoduto Nord Stream 2 pela Alemanha, e a invasão russa, o mercado de gás natural começou de imediato a subir vertiginosamente. A Rússia exporta cerca de 6,2% do gás natural a nível mundial, contudo, o país fornece cerca de 40% do gás natural europeu, avança Reuters (acesso condicionado / conteúdo em inglês). Apesar do gás natural estar a desvalorizar cerca de 3,5% esta sexta-feira, desde o início do ano que aumentou cerca de 17,7% no mercado de futuro.

Níquel
O níquel russo provém maioritariamente da Nornickel, sendo que a empresa produziu cerca de 193.006 toneladas do componente em 2021. O minério usado na produção de aço inoxidável está hoje nos 24.680,50 dólares. Em janeiro o metal encontrava-se nos 21 mil dólares, pelo que sofreu uma valorização de 17%.

Trigo
As exportações de trigo proveniente da Rússia e da Ucrânia correspondem a um valor combinado de 29% das exportações globais. A cotação do trigo no mercado de futuros de Londres estava nas 219,70 libras por tonelada em inícios de janeiro, embora esteja agora nas 243,75 libras, uma subida de cerca de 11% com tendência para continuar.

Alumínio
A Rusal é a maior produtora de alumínio na Rússia e o seu preço já disparou para o valor mais alto da última década. Uma tonelada de alumínio esteve esta sexta-feira nos 3.406 dólares, um aumento de 0,34% desde a última sessão, mas um aumento de cerca de 20% desde os 2.834 dólares registados no início do ano.

Carvão
A Rússia exporta cerca de 3,5% de todo o carvão mundial, e embora a transição energética planeie eliminar progressivamente o seu uso, o carvão valorizou cerca de 51,5% desde o início do ano no mercado de futuros. Com este aumento, o carvão passou efetivamente dos 157 dólares para os 239 dólares no Newcastle Coal Futures.

Cobre
O cobre refinado russo correspondeu a cerca de 920.000 toneladas em 2021 segundo o United States Geological Survey (USGS), sendo que 406.841 toneladas vieram da Nornickel. As empresas de mineração UMMC e RCC são as maiores produtoras russas de cobre a seguir à Norcnickel, sendo que o país exporta principalmente para a Europa e Ásia. Desde o início do ano que o preço do cobre oscila com algumas subidas e descidas acentuadas, mas o seu valor desde então, no mercado de futuros, subiu cerca de 0,46% para os 4,48 dólares.

Prata
As exportações russas de prata equivalem a cerca de 2,6% da produção mundial, sendo que este metal desvalorizou cerca de 2,32% esta sexta-feira, face aos valores registados no dia anterior com o início da invasão. Apesar da descida, e à semelhança dos restantes ativos, a onça de prata chegou aos 24,115 dólares nesta sexta-feira, um aumento de 3,47% desde inícios de janeiro, altura em que rondava os 23,3 dólares.

Fonte: aqui

sábado, 23 de novembro de 2019

La tecnología lídar desvela la historia oculta del río Misisipi

Fonte: aqui

Para los cartógrafos y los cartófilos, los mapas de Harold Fisk de 1944 del bajo río Misisipi son obras pioneras. A mediados del siglo XX, el geólogo cartografió el río con un detalle y una precisión impresionantes a partir de fotografías aéreas y mapas locales. El eje central de su documento eran 15 mapas que mostraban el serpenteante Misisipi y sus llanuras de inundación históricas de Misuri a Luisiana.

Un mapa de 1944 del geólogo Harold Fisk cartografía la franja de 64 kilómetros del río Misisipi que va de Friars Point a Gunnison, en el estado de Misisipi. Fisk empleó fotografías aéreas y mapas para estimar los canales pasados y presentes de entonces.

En comparación, un mapa creado mediante la tecnología lídar muestra los cambios de los últimos 75 años. La erosión y los cambios del caudal provocaron el ensanchamiento del canal en medio de la imagen y migran hacia el sur.

Más de siete décadas después, Daniel Coe, cartógrafo del Servicio Geológico de Washington, quería recrear los mapas de Fisk con mayor precisión y una nueva estética. Coe contaba con la ventaja de los datos hiperprecisos del Servicio Geológico de Estados Unidos (USGS, por sus siglas en inglés) recopilados con lídar, un sistema de pulsos de láser emitidos desde una aeronave para medir la topografía. Los láseres detectan la forma del río y todo lo que lo rodea: cada casa, cada árbol y cada carretera. Si se retiran esas capas de vegetación y añadiduras humanas, los mapas de Coe muestran la geomorfología del lecho del río: meandros tranquilos sustituidos por un caudal recto y antiguas llanuras de inundación atravesadas por atracaderos y diques.


Los científicos del USGS recopilan datos por lídar (casi todos de dominio público) para visualizar la evolución de la tierra y los cartógrafos con iniciativa pueden interpretar los datos de formas novedosas. Los ligeros cambios en la elevación pueden suponer la diferencia entre un río tranquilo y una inundación devastadora. La escorrentía excesiva procedente de la agricultura puede provocar la migración fluvial y dar pie a rutas de navegación más largas.


Todo ello convierte el comportamiento pasado de un río en el mejor indicador de cómo reaccionará ante futuros corrimientos de tierra, inundaciones o erosión. «Lo más sorprendente es la enorme huella que ha dejado en el paisaje», afirma Coe. «Es como ver las huellas dactilares que ha dejado el río».

terça-feira, 15 de junho de 2010

Pico petrolífero, a realidade omitida




                                  
por Lionel Badal [*]


Ato I – Uma realidade inconveniente
Ato II – A sombra dos EUA
Ato III – O que eles não querem que você saiba



Ato I – Uma realidade inconveniente

Há doze anos, a Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês) descobriu que o Pico Petrolífero ameaçaria a prosperidade e estabilidade de nossas sociedades. Sim, eles sabiam. Enquanto alguns funcionários da IEA tentavam informar ao mundo essa mudança do jogo, parece que outros tinham prioridades diferentes...

Em 1998, a equipe do IEA que trabalhava no influente Perspectiva Energética Mundial (World Energy Outlook, WEO) fez uma avaliação autorizada e detalhada da produção futura de petróleo. A equipe era composta pelos melhores especialistas mundiais em energia, entre os quais Jean-Marie Bourdaire, coordenador do estudo, Ken Wigley, Keith Miller e o homem que se tornaria mais tarde Economista-Chefe do IEA, Dr. Fatih Birol.

Usando bases de dados confidenciais e perícia sofisticada, chegaram a uma conclusão dramática: o Pico Petrolífero, o momento no qual a produção global de petróleo começa seu declínio irreversível, aconteceria bem antes de 2020, por volta de 2014.

Ainda que a IEA afirme publicamente estar livre de qualquer interferência externa, a equipe estava sob pressão e escrutínio intensos. Como recorda o veterano geólogo e antigo vice-presidente da Fina, Dr. Colin Campbell, que assessorou a IEA no WEO de 1998, a certa altura Bourdaire teve de parar de telefonar-lhe do seu escritório na IEA porque a questão aparentemente tornara-se "tão sensível" que eles não deveriam ser vistos em contato um com o outro.

Criada como consequência da crise do petróleo de 1973 por países ricos da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento e Econômico (OCDE), a IEA, autoproclamada "vigilante global do petróleo", e seu principal relatório, o WEO, são considerados como a fonte mais autorizada de informação sobre o setor de energia. Nas palavras da Agência:
"Os governos e a indústria ao redor do mundo vieram a acreditar que o WEO fornece uma base consistente sobre a qual podem formular políticas e desenvolver planos de negócios".

Não obstante, em 1998, o membro mais influente da Agência, os EUA, não estava gostando do que estava saindo de seus estudos. Um problema estrutural com o petróleo, conforme foi identificado pela equipe da IEA, indubitavelmente questionaria a sustentabilidade do modelo econômico atual. Durante o estudo, a equipe da IEA compreendeu até que ponto o crescimento econômico estava correlacionado com a disponibilidade de energia abundante e barata. Assim, uma vez que a produção de petróleo cessasse de crescer e surgissem tensões, o crescimento econômico tornar-se-ia muito mais difícil, se não impossível, de ser sustentado.

Para suavizar essa mensagem impactante, a IEA acrescentou que um "item de equilíbrio" chamado "Petróleo Não-identificado Não-convencional" ("“Unidentified Unconventional Oil") surgiria repentinamente, e cresceria de zero em 2010 para 19,1 milhões de barris por dia (mb/d) em 2020 (convenientemente bem a tempo de esconder a escassez...)

O único problema é que as fontes não-convencionais de petróleo eram bem conhecidas. O "item de equilíbrio" era na verdade um código para escassez. O "item de equilíbrio" nunca existiu nem existirá. Um antigo membro da equipe da IEA encarregada do WEO de 1998 confirmou-me isso em dezembro de 2009 durante uma entrevista, sob condições de confidencialidade.

[O interessante é que a Administração de Informação em Energia (EIA - Energy Information Administration), o braço de estatística do Departamento de Energia dos EUA, usará subterfúgio similar em 2009, quando falará de "projetos não-identificados" que preencherão as falhas da produção declinante a partir de 2011...]

Felizmente a história não acaba aqui. Campbell esteve em contado com um especialista ambiental britânico, Dr.David Fleming, que por acaso foi colaborador regular da revista Prospect. Como tal, quando o WEO de 1998 foi publicado, Campbell, que estava perfeitamente ciente da mensagem nele contida, explicou isso a Fleming. Em 20 de abril de 1999, Fleming escreveu um artigo profético intitulado: "O próximo choque do petróleo?" . O artigo afirmava efetivamente o que a equipe da IEA não podia escrever em seu relatório.
"A última edição da publicação anual da Agência Internacional de Energia, a World Energy Outlook, é um exemplo disso. Tem uma história para contar que afetará profundamente o futuro de cada homem e mulher na terra... A perspectiva de um choque irreversível de preços do petróleo no início da próxima década modifica profundamente a atual agenda política e econômica. As suposições de crescimento econômico sustentado e baixo desemprego irão cair por terra... Então por qual razão a IEA não grita acerca disso? Como a instituição política mais influente no negócio do petróleo, ela está numa posição delicada. Não pode simplesmente despejar isso. Não pode dizer: 'Estamos olhando para um déficit de petróleo grande e permanente, para o qual não podemos oferecer soluções' ... A IEA revelou a situação de forma codificada ."
Do seu quartel-general em Paris, a IEA levantou um poderoso mas indesejado alarme. Um contragolpe estava para cair sobre os autores no WEO de 1998...


Ato II – A sombra dos EUA


Conforme revelou o Dr.Colin Campbell, quando o artigo de 1999 da Perspectiva foi publicado, "a IEA evidentemente se meteu em sérios problemas" [1] Então, o que aconteceu por trás das paredes da Agência Internacional de Energia?

Em primeiro lugar, elementos da alta hierarquia da Administração Federal dos EUA se enfureceram ao saber o que um par de empregados civis europeus havia feito com o WEO de 1998. Mensagem codificada ou não, o que estava saindo da agência baseada em Paris era inaceitável para eles. O tipo de crise estrutural denunciada no WEO de 1998 deveria ser enterrado e silenciado.

Além disso, é importante saber que o WEO de 1998 saiu somente alguns meses depois da Perspectiva Internacional de Energia (IEO) de 1998 publicada desta vez pela Administração de Informação em Energia dos EUA (EIA). Ao contrário da IEA, a EIA nunca se preocupou em elaborar cenários de produção de energia; seus estudos sempre consistiram na modelagem da demanda, supondo então que a produção a seguiria. Muito simples, mas totalmente não-confiável. Pondo isso de lado, no IEO de 1998, a EIA chegou a conclusões animadoras e chegou a declarar que:

"Os preços do petróleo deverão permanecer relativamente baixos, e não se espera que os recursos limitem crescimentos substanciais da demanda até 2020... em 2020, projeta-se que o consumo diário mundial de petróleo excederá 115 milhões de barris/dia". [2]

Claro que isso acabou por mostrar-se pura fantasia, mas a EIA acrescentou:
"Existe agora amplo consenso de que os recursos não são um limitante chave para satisfazer aumentos na demanda mundial por petróleo até 2020".
Bem, para grande desgosto da EIA, poucos meses depois a IEA diria e demonstraria exatamente o contrário. Pode-se imaginar o quão felizes ficaram a EIA e o departamento que a abriga, o Departamento de Estado. Um artigo de 2006 sobre previsões e metodologias de produção de petróleo do Dr. Roger Bentley (Universidade de Reading) e do Professor Godfrey Boyle (Open University) similarmente mencionou "pressões políticas dos EUA e Canadá" depois da publicação do WEO de 1998. [3]

Motivados pelo que só pode ser descrito como incompetência e arrogância, elementos da administração dos EUA exerceram então grande pressão sobre a liderança da IEA. O que eles queriam? O coordenador do WEO de 1998, Bourdaire, teria que deixar a Agência. Enquanto isso, Wigley se aposentou e Miller também deixou a IEA. A equipe da IEA que escreveu o WEO de 1998 foi derrubada e seu único "sobrevivente", o Dr. Fatih Birol, agora controlando o WEO, aprenderia bastante com esses eventos.

Na realidade, o WEO de 2000, que ele projetou e geriu, suprimiu qualquer advertência sobre um problema estrutural com o petróleo:
"O Outlook (2000) vê a base de suprimento mundial de petróleo como adequada para atender a demanda ao longo do período projetado... Não se deve esperar nenhum "esmagamento da oferta".
O esmagamento da oferta aconteceu. Apesar da elevação da procura, dos altos preços e de grandes investimentos, entre 2005 e 2008, e pela primeira vez na história, a produção convencional de petróleo cessou de crescer. [4] Como esperado pela equipe de 1998 da IEA, essas tensões levaram a um choque severo nos preços do petróleo, o que enfraqueceu os fundamentos de uma economia globalizada já frágil.

Mas como a Agência conseguiu explicar a espetacular reviravolta no WEO de 2000?

Por uma feliz coincidência, em 2000, o United States Geological Survey (USGS) publicou uma extremamente otimista "Avaliação Petrolífera Mundial", que foi usada pela IEA de 2000 a 2006. Segundo os antigos funcionários da IEA que eu encontrei, "o USGS anunciou reservas gigantes com base numa metodologia completamente falha". De fato, pouco depois da publicação, Jean Laherrère, o antigo vice-gerente de exploração da Total e um renomado consultor em petróleo, fez uma análise detalhada da avaliação do USGS e concluiu que:
"A discussão que se segue demonstra que o novo estudo da USGS falhou com respeito à evidência de descobertas passadas, tanto em termos de quantidades como de taxas... Em resumo, o novo relatório da USGS é enganoso. Além disso, não é representativo dos padrões normais desta organização altamente respeitada." [6]
Laherrère adiciona, "É de se preocupar se não há uma agenda oculta" [7] por trás dos números do USGS. Dez anos depois, sabemos que os números reais eram 60% mais baixos do que os que o USGS predisse à época [8]

Significativamente, a organização não-governamental anticorrupção Global Witness (GW) identificou outro fator perturbador com o uso que a IEA fez da avaliação de 2000 da USGS. Em 2005, geólogos sênior do USGS publicaram uma atualização da avaliação de 2000 na qual avisavam que as descobertas reais eram muito mais baixas do que as que seu estudo original contemplava. Mas, como descoberto pela GW, a Agência ignorou esta avaliação, mesmo tendo sido ela publicada antes do WEO de 2005.

A GW também revelará que "correspondência com a IEA confirmou que a Agência estava ciente da baixa taxa de descobertas reais", mas não fez NADA.

A GW acrescenta:
"Dado que uma das principais funções da IEA é fornecer aos governos informação acurada a partir da qual eles possam elaborar planos econômicos, sua distorção dos dados desta maneira foi intelectualmente desonesta... A certeza exagerada da Agência, a despeito de que dados críveis, análises externas e fundamentos básicos todos sugeriam fortemente uma abordagem mais cautelosa, teve um impacto global desastroso". [9]

Falando nisso... Bentley e Bole também identificaram "sérios erros técnicos" no WEO de 2000. [10]

Apesar da IEA ter dito aos seus estados-membro em 2004 que os preços do petróleo "deveriam permanecer constantes até 2010, e então começarem a subir de forma estável a US$ 29 em 2030", [11] no mundo real os preços começaram a subir dramaticamente. Quando os preços do petróleo atingiram patamares recorde ano após ano, os cenários feitos pela Agência ficaram cada vez mais absurdos e difíceis de sustentar.

Quando as críticas [12] começaram a questionar a confiabilidade dos prognósticos da IEA, a posição do Economista-Chefe tornou-se crítica.

Desta forma, finalmente decidiu-se que a IEA publicaria em seu WEO de 2008 uma análise detalhada por campo das perspectivas da produção global de petróleo. Em dezembro de 2008, Birol admitiu que os WEO's prévios foram baseados em nada mais que uma "suposição global" [13] a qual, não surpreendentemente, acabou sendo demasiadamente otimista e portanto enganadora.

De fato, uma década depois da equipe de 1998 da IEA, a avaliação global de 2008 da IEA chegou a uma conclusão similarmente sombria. [14] E novamente parece que elementos da administração federal [15] intervieram para amaciar a avaliação pessimista feita pela IEA.

A s seguintes citações mostram aspectos interessantes do embaraçoso relacionamento da Administração dos EUA com o Pico Petrolífero:
"Há, penso eu, ampla evidência, e algumas pessoas no Departamento de Estado chegaram até a dizer isso especificamente, que as pessoas na hierarquia do Departamento de Estado, sob ambas as administrações, compreenderam que havia um problema, e suprimiram trabalhos na área... A história do Pico Petrolífero é definitivamente uma história de más notícias. Não há maneira de torná-la mais digerível..." [16]

Dr. Robert Hirsch, autor principal de um relatório [17] sobre o Pico Petrolífero para o National Energy Technology Laboratory no Departamento de Estado.

"(Steven Chu, Secretário de Energia dos EUA) era meu chefe… ele sabe tudo sobre o pico petrolífero, mas não pode falar sobre isso. Se o governo anunciasse que o pico petrolífero ameaça nossa economia, Wall Street entraria em colapso. Ele simplesmente não pode falar nada sobre isso." [18]

David Fridley, Energy Scientist, Lawrence Berkeley National Laboratory (DOE)

Ato III – O que eles não querem que você saiba

Nas partes anteriores, examinamos como a IEA foi silenciada quando acionou um sutil alarme a respeito do futuro da produção global de petróleo. Permanece uma questão crucial: por que isso interessa? Como poderia esse evento ser tão importante?

Bem, sendo a fonte de informação mais autorizada, a IEA induziu governos e empresas europeus ao erro declarando que até 2008 os preços do petróleo permaneceriam baixos. Não permaneceram. Ao fazer isso, a Agência conseguiu fazer com que energias renováveis parecessem não competitivas em relação ao petróleo. Como mencionado pelo deputado suíço e membro da Comissão Parlamentar de Energia da Suíça, Dr. Rudolf Rechsteiner, a IEA estava efetivamente "atrasando a mudança para um mundo renovável". [19] Notavelmente, o assim chamado "vigilante global do petróleo" agiu cada vez mais como um zeloso lobby da indústria petrolífera. [20]

Não obstante, a IEA pagaria um alto preço por isso quando a concorrente internacional Agência de Energias Renováveis (IRENA, na sigla em inglês) foi criada em janeiro de 2009. Por quê?
Hans Jorgen Koch, o vice-secretário do ministério de energia e mudanças climáticas da Dinamarca, disse que a IRENA tinha sido criada somente porque a IEA não estava dando suficiente destaque à mudança climática e suporte a renováveis. "Por dez anos a IEA subestimou a competitividade das fontes renováveis de energia", disse ele. [21]
Agora a questão principal: a IEA estava simplesmente sendo incompetente ou estava deliberadamente induzindo ao erro seus estados-membros da Europa? Um artigo da BBC de 2004 fornece um elemento para a resposta:
"Em público, Mr.Birol negou que o suprimento não seria capaz de atender à crescente demanda, especialmente das florescentes economias dos EUA, China e Índia. Mas depois de seu discurso ele pareceu mudar de idéia... Quando o BBC News Online prosseguiu, perguntado se esse gigantesco aumento na produção era realmente possível, e não simplesmente desejado, ele se recusou a responder. 'Vocês são da imprensa? Isso não é para vocês. Isso não é para a imprensa. '" [22]
Por que o Economista-Chefe da IEA ocultaria informação crucial à imprensa e ao público?

De modo ainda mais preocupante, quando The Guardian revelou a história sobre o informante da IEA em novembro de 2009, Campbell escreveu uma carta aberta a Terry Macalister, editor de energia do jornal. Ele explicou os eventos que cercaram o WEO de 1998 e declarou:
"Expliquei isso (a "mensagem codificada" no WEO de 1998) a um jornalista (David Fleming) que contatou o elemento dentro da IEA que estava feliz por que essa mensagem oculta importante viria a público". [23]
Tendo lido isso com grande interesse, eu imediatamente quis saber quem poderia ser o "elemento dentro da IEA". Para minha surpresa, Campbell me disse que o "elemento" era Birol, que ainda não era o poderoso Economista-Chefe da Agência. A fim de verificar esta informação, encontrei-me com Fleming em 4 de dezembro de 2009 em Londres. Fleming, um ambientalista altamente respeitado, confirmou a informação.

Ele explicou que, quando publicou seu artigo em 1999, enviou um e-mail a Birol perguntando-lhe se ele aceitaria comentar o artigo. Birol o chamou e lhe perguntou se ele aceitaria um encontro discreto. A pedido de Birol, eles se encontraram secretamente no Oxford&Cambridge Club em Londres para tomar chá. Fleming se lembrava perfeitamente de que eles entraram numa sala tranqüila, e quando Birol se sentou parece que até olhou para trás para checar se ninguém poderia ouvir o que ele estava para dizer.

De acordo com Fleming, Birol então lhe disse: "Há seis pessoas no mundo que compreendem isso". Parece que ele estava se referindo a pessoas como Campbell. Fleming acrescentou que Birol fez a seguinte confidência sobre seu artigo: "você está certo". Ele supostamente disse que o "petróleo não identificado não-convencional" era na verdade um código e que era improvável que a OPEC alguma vez o quebrasse. Durante a discussão, Birol explicou que a IEA foi obrigada, e até reclamou da interferência dos EUA, ou assim recordava Fleming.

Fleming ainda tinha uma opinião muito boa sobre Birol quando eles conversaram. Durante seu encontro, Birol foi "muito perceptivo" e aparentemente até ofereceu sua ajuda. Quando eu perguntei a Fleming em que estado de espírito Birol estava, e se ele parecia ansioso ou nervoso, Fleming me disse que "de jeito algum". Ele parecia "espirituoso" e "em boa forma". Ele até se lembrou de uma piada que Birol fez, "this is a lovely club, but not a lively one" (esse é um clube adorável mas nao animado), boa piada, lembrava-se Fleming.

Minha pergunta : por que o Economista-Chefe da IEA tinha dito publicamente desde 2000 que a produção global de petróleo podia aumentar até 2030, desde que investíssemos, enquanto em 1999 ele supostamente, em segredo, confirmou que a produção global de Petróleo começaria a declinar por volta de 2014? Teria sido porque ele viu o que aconteceu ao seu antigo chefe quando este corajosamente tentou informar os estados-membros da IEA sobre a seriedade da situação?

Contatei o assistente de Birol na IEA e perguntei se ele comentaria a respeito do encontro com Fleming: meu pedido ainda está por ser respondido.

Um relatório [24] encomendado pelo Departamento de Energia dos EUA concluiu que necessitaríamos de 20 anos para nos prepararmos para o Pico Petrolífero, caso contrário enfrentaríamos "custos econômicos, sociais e políticos sem precedentes". Doze anos cruciais foram perdidos, quantos mais desperdiçaremos até que finalmente comecemos a nos preparar para este evento "sem precedentes" ?

Como tive oportunidade de dizer recentemente durante minha apresentação sobre o Pico Petrolífero e a IEA à Comissão Europeia, um inquérito independente e completo sobre as ações da Agência é urgentemente necessário. Além disso, deve-se considerar a criação de uma Agência Européia de Energia independente e transparente.

O tempo está se esgotando.
18/Maio/2010
              Notas
1 http://www.peakoil.net/files/Campbell_comments_20091110.pdf
2 http://tonto.eia.doe.gov/ftproot/forecasting/048498.pdf
3 http://www.envplan.com/abstract.cgi?id=b33063t
4 www.globalwitness.org
5 blogs.ft.com
6 http://www.oilcrisis.com/laherrere/usgs2000/
7 Ibid
8 http://www.davidstrahan.com/blog/?p=69
9 www.globalwitness.org
10 http://www.envplan.com/abstract.cgi?id=b33063t
11 http://www.iea.org/weo/2004.asp
12 http://www.davidstrahan.com/blog/?p=71
13 http://www.guardian.co.uk/business/2008/dec/15/oil-peak-energy-iea
14 www.theecologist.org
15 www.guardian.co.uk/environment/2009/nov/09/peak-oil-international-energy-agency
16 www.aspousa.org
17 http://www.netl.doe.gov/publications/others/pdf/oil_peaking_netl.pdf
18 http://www.bohemian.com/bohemian/06.17.09/feature-0924.html
19 http://www.guardian.co.uk/environment/2009/jan/08/windpower-energy
20 www.businessgreen.com
21 www.businessgreen.com/business-green
22 http://news.bbc.co.uk/2/hi/business/3777413.stm
23 www.guardian.co.uk
24 http://www.peakoil.net/files/Campbell_comments_20091110.pdf
25 http://www.netl.doe.gov/publications/others/pdf/oil_peaking_NETL.pdf

[*] Estudante de pós graduação no King's College em Londres (Departamento de Geografia). Trabalho na questão do Pico Petrolífero há mais de um ano. Como entrevistou especialistas dos dois lados do debate, seu trabalho tornou-se uma fonte de pesquisa dentro da indústria petrolífera. Em 10 de novembro de 2009, The Guardian publicou um notícia sobre um informante da IEA, a qual foi principalmente baseada em sua pesquisa ("Key oil figures were distorted by US pressure, says whistleblower" – "Números chave sobre o petróleo foram distorcidos por pressão americana, diz informante").
Em 22 e 23 de fevereiro de 2010 fez apresentações sobre o tema no Parlamento Alemão para deputados, jornalistas e cientistas (inclusive um conselheiro político da BP). O jornal alemão Die Zeit escreveu sobre isso, e mais recentemente The Ecologist publicou um artigo sobre a sua pesquisa ("How a 22-year-old student uncovered peak oil fraud" – "Como um estudante de 22 anos revelou a fraude do pico petrolífero"). (http://twitter.com/LionelBadal)

O original encontra-se em: petrole.blog.lemonde.fr (parte 1), petrole.blog.lemonde.fr petrole.blog.lemonde.fr (parte 3). Tradução de RMP. (parte 2)

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