domingo, 11 de abril de 2021

“A vida actual não convida a pensar”. Entrevista com Peter Sloterdijk


Peter Sloterdijk (Karlsruhe, Alemanha, 1947) é um dos grandes nomes do mundo do pensamento. Professor de Estética e Filosofia na Escola Superior de Design de sua cidade natal, há anos agita o mundo da filosofia – e o mundo como um todo – com suas obras, seu novos conceitos e termos, e suas opiniões. Autor de livros cruciais do pensar de nossa época como Crítica da Razão Cínica, Ira e Tempo e principalmente sua monumental trilogia Esferas (Bolhas, Globos e Espuma), em que desenvolve uma assombrosa teoria do espaço íntimo, Sloterdijk une sua profundidade intelectual a uma face midiática incomum em seu campo e uma cordialidade, um humor e uma ironia que o afastam do paradigma do filósofo alemão usual (Karl Popper, para citar um mal-humorado).

O pensador visitou Barcelona onde se reuniu com várias centenas de pessoas em uma conversa no Centro de Cultura Contemporânea de Barcelona (CCCB). Apesar de sua afabilidade e sua aparente tranquilidade, entrevistar Sloterdijk, cujas páginas um ser humano comum frequentemente precisa ler várias vezes para conseguir entendê-las, é um desafio. Com as passagens de Esferas ainda flutuando na cabeça – “a esfera íntima, consubjetiva, não pode possuir em absoluto uma estrutura eucíclica e parmenídea: o globo psíquico não tem, com o filosófico bem arredondado, um único centro que irradia e engloba tudo, e sim dois epicentros que se interpelam mutuamente por ressonância” –, se entrevista Sloterdijk como se estivesse diante de Plotino. Um Plotino, de fato, um pouco desarrumado e sem meias.

A entrevista é de Jacinto Antón, publicada por El País, 05-05-2019.
Eis a entrevista.

Não lhe parece que o pensar, o pensar de verdade, se tornou uma excentricidade? Ao ler seus livros, tão intensos, percebemos que o pensamento sério, o que exige esforço e concentração, não é numeroso. Nós nos desacostumamos.

Sim. Certamente. Isso me lembra uma cerimônia zen em que o mestre pega uma chaleira, como eu estou fazendo agora, e despeja chá até encher a taça, e então continua despejando e o líquido derrama. Você não pode entender nada se a taça não está cheia.

Perdemos a capacidade de pensar?

Não é capacidade como tal. Mas não ocorrem as circunstâncias vitais que nos permitem afastar e ganhar distância. Para Husserl e sua fenomenologia era preciso sair do tempo impetuoso da vida, o dispositivo mais elementar era sempre dar um passo atrás. Essa ação permite que você se transforme em observador. Sem uma certa distância, sem uma certa desconexão a atitude teórica é impossível. A vida atual não convida a pensar.

Hoje a superficialidade se impõe à profundidade.

A Filosofia moderna abandonou mais ou menos a metáfora da profundidade. Preferimos dizer que tudo está na superfície, e se existe profundidade é preciso fazer com que ela suba à superfície como se fosse superficial. Caso contrário, você se transforma em um mistagogo, um iniciador em mistérios sagrados.

Também é verdade que pensar de verdade é difícil e tem algo de doloroso e angustiante quando se chega perto dos limites do eu e da autoconsciência.

Não estou convencido disso. A filosofia original na antiguidade era algo ambivalente. Temos os dois topos: Heráclito, que chorava, e Demócrito, que ria constantemente. Esse traço comentado de ambos pelas fontes aparece até mesmo em suas estátuas. Para Platão, de uma tradição diferente, pensar é o prazer mais elevado. Isso por uma razão: a essência do pensamento é lembrar e o que devemos lembrar é o fato de que estivemos muito próximos da essência divina e a única coisa que deve ser feita para eliminar os obstáculos que não te permitem alcançá-la é lembrar claramente. Basicamente, deveria se tratar de felicidade. Mas não funciona assim porque, certamente, na antiguidade os pensadores eram conhecidos por ter sempre um rosto triste. Eram mais respeitados por isso, seus compatriotas esperavam que tivessem aspecto melancólico e o cenho franzido (ri). Era um truque muito bom, porque ninguém sentia inveja de alguém triste. É melhor esconder sua boa sorte. O que me lembra uma frase de Walter Serner, o dadaísta, autor de Manual para Enganadores, que dizia que sempre que você se mudar a uma nova cidade deixe que o rumor de que você tem câncer o preceda, isso reduz a inveja. Seus competidores já não te levarão tão a sério.

sábado, 10 de abril de 2021

Apresentação da Carta Aberta pelo Direito ao Lugar

Saber mais em: https://sites.google.com/view/projetoligacoes/carta-aberta


Vencedora de muitos prémios: Curta- Metragem: “Ascensão'


Curta-metragem, com o historial de vencedora de variadíssimos prémios em festivais. Ascension é uma metáfora sobre resiliência, atitude e compaixão ... espero que agrade

Petição- Armadilhas NÃO: deputados debatem dia 14 de Abril


No próximo dia 14 de abril, os deputados da Assembleia da República discutem a possibilidade de proibir o fabrico, posse e venda de armadilhas para aves, na sequência da petição #ArmadilhasNÃO, que lançámos em 2019 e foi assinada por mais de 4000 cidadãos. A petição apela aos deputados que tornem a lei mais eficaz para combater a captura ilegal de aves, evitar a morte de 40 a 180 mil aves por ano e proteger a saúde dos nossos campos. 

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sexta-feira, 9 de abril de 2021

Official World Record! Fantastic Classical Music Medley played by a Train

Investigadores descobrem nova espécie de borboleta noturna no sudoeste alentejano


Em homenagem ao local da descoberta, Vila Nova de Milfontes, no distrito de Beja, os investigadores nomearam esta nova espécie de Ypsolopha milfontensis.

Investigadores do Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos (CIBIO-InBIO) da Universidade do Porto descobriram uma nova espécie de borboleta noturna na costa sudoeste alentejana que, dada a sua localização, se encontra "potencialmente sob elevado risco de extinção".

Em comunicado, o centro da Universidade do Porto explica que a descoberta, publicada na revista científica SHILAP Revista de lepidopterologia, decorreu durante trabalhos de campo, realizados entre Vila Nova de Milfontes e o Cabo Sardão, para encontrar "borboletas do género Ypsolopha, que em Espanha se alimentam de plantas género Ephedra.

A investigação permitiu encontrar "quatro adultos e diversas lagartas pequenas e castanhas" que, posteriormente, foram identificadas como sendo uma "nova espécie para a fauna portuguesa".

Esta borboleta noturna é resultante de Ypsolopha rhinolophi Corle', uma espécie descrita em 2019 no Norte de Portugal e de França, apresentando, contudo, "uma ecologia muito distinta".

"Enquanto Ypsolopha rhinolopsi se alimenta de carvalho-negral, a nova espécie alimenta-se de um arbusto ameaçado endémico do oeste da região mediterrânica e dos arquipélagos da Madeira e Canárias", revela o CIBIO-InBIO, acrescentando que esta planta -- conhecida como gestrela ou cornicabra - está classificada como "vulnerável" na lista vermelha de flora vascular de Portugal continental.

"A redução das suas populações deve-se principalmente à destruição de 'habitat' pela pressão urbana e turística", refere.

Segundo o centro da Universidade do Porto, em Portugal, pelo menos 381 espécies de flora vascular encontram-se ameaçadas de extinção, assim como 44% dos endemismos [grupos taxonómicos que se desenvolvem numa região restrita]".

Citado no comunicado, Miguel Porto, investigador do CIBIO-InBIO e presidente da Sociedade Portuguesa de Botânica, afirma que o sudoeste alentejano é "uma das regiões onde ocorrem mais endemismos de flora ameaçados".

"Por um lado, é uma região de elevada concentração de endemismos, mas, por outro, é uma região que está sujeita a fortes ameaças como a expansão em larga escala da agricultura intensiva e o desenvolvimento urbano turístico", acrescenta.

O desaparecimento dos endemismos implica a "extinção de espécies animais que delas dependem", sendo que os investigadores suspeitam que esta nova espécie de borboleta "esteja igualmente em risco de extinção".

"Em Portugal sabemos ainda muito pouco sobre a nossa fauna de invertebrados. Seguramente existem várias outras espécies no anonimato, dependentes das diversas espécies endémicas de plantas vasculares de Portugal. É urgente estudar o nosso património cultural, para conhecer e preservar", defende Sónia Ferreira, entomóloga e investigadora do CIBIO-InBIO.

Laranjeira-doce


Uma fruteira introduzida na Europa, e não só, pelos portugueses.

Aquando do evento das descobertas, em pleno séc. XVI, os portugueses trouxeram da Ásia a laranjeira-doce. De Portugal irradiou para diversos países. Assim se justifica que em grego a laranja se diga portokáli, em albanês portokalli, em romeno portocálâ, em turco portokal, em márabe portugal e em persa porteqal.

Para saber mais em

Antropoceno - A Ascensão dos Humanos - episódio 3

Antropoceno - A Ascensão dos Humanos: A água torna a Terra um planeta único. Toda a vida que aqui habita depende disso e os humanos utilizam-na de várias maneiras. No entanto, também a contaminam, transformando paisagens inteiras e, portanto, intervindo em ciclos importantes.
A capacidade da água assumir três estados é uma garantia para o que o ciclo da água torne possível a vida na Terra. Isso permite que a água doce esteja disponível o tempo todo. Mas o aumento de CO2 transforma a chuva em chuva ácida, o que causa problemas nas florestas e nos mares.

Antropoceno - A Ascensão dos Humanos - episódio 2

Antropoceno - A Ascensão dos Humanos: Sem a atmosfera terrestre, a vida na terra seria impossível. Ainda assim, nós, humanos, intervimos nos ciclos atmosféricos e aceleramos as mudanças climáticas através da emissão de gases.
Cada vez que queimamos madeira, carbono, óleo ou gás natural, o dióxido de carbono é formado. A pecuária industrial também contribui significativamente para a produção de gases de efeito estufa.

Antropoceno - A Ascensão dos Humanos - episódio 1

Antropoceno - A Ascensão dos Humanos: Desde que deixou de ser nómada, o ser humano alterou tanto o planeta Terra que cada vez mais cientistas dizem que um novo nome é necessário para esta era geológica - o antropocénico, a época humana.
Ao longo dos milénios, a base da alimentação humana passou a ser cada vez mais a agricultura, causando detrimento do solo. A agricultura industrializada e a migração de plantas causadas pelo homem levaram a mudanças percetíveis na natureza e com consequências cada vez mais graves.

Qual é o ponto fraco do tardígrado, a criatura mais resistente do planeta

Com menos de um milímetro de comprimento, estes animais são capazes de sobreviver a uma fogueira, ao congelamento e até mesmo ao vácuo do espaço.
Fonte: G1




Os tardígrados podem sobreviver a temperaturas extremas, sendo quase indestrutíveis — Foto: Science Photo Library/BBC

A estratégia de sobrevivência dos tardígrados, animais microscópicos conhecidos como "ursos d'água", é simples, porém eficaz: eles retraem suas oito patas e a cabeça e se deixam desidratar.Assim, ainda que essas criaturas sejam atiradas em uma fogueira, submetidas ao vácuo do espaço ou congeladas, elas sobreviverão.

Não é à toa que são conhecidas como as criaturas mais resistentes do planeta.

Mas um grupo de cientistas da Universidade de Copenhague, na Dinamarca, identificou o que pode ser uma ameaça para esses seres aparentemente indestrutíveis: o aquecimento global.
Uma pesquisa de 2018 já havia alertado que a espécie de tardígrado que vive na Antártida, a Acutuncus antarcticus, poderia ser extinta devido ao aumento da temperatura dos oceanos.
Mas, na semana passada, pesquisadores da universidade dinamarquesa publicaram um estudo sugerindo que outra espécie, a Ramazzottius varieornatus, apresenta o mesmo ponto fraco.
A pesquisa se baseou em espécies encontradas em países nórdicos, segundo informou Ricardo Cardozo Neves, principal autor do estudo, publicado na revista científica Scientific Report.



O aquecimento global pode ser o principal inimigo dos tardígrados — Foto: Getty Images/BBC

"Nossos resultados mostram que os tardígrados metabolicamente ativos são vulneráveis ​​a altas temperaturas; no entanto, a aclimatação poderia fornecer uma maior tolerância a essas temperaturas ", observa o estudo.Não é a temperatura, é questão de tempo

Em estudos anteriores, os cientistas descobriram que os tardígrados têm o que parece ser uma espécie de superpoder.Quando desidratam, eles retraem a cabeça e as oito patas, se encolhendo em uma pequena bola, e entram em um estado profundo de animação suspensa que se parece muito com a morte.Eles perdem quase toda a água do corpo — e seu metabolismo diminui para 0,01% da taxa normal.E tem mais: quando estão ativos, são capazes de suportar temperaturas de até 150 graus acima e abaixo de zero.

Mas é aí que vem a pergunta: se são tão resistentes, quanto a temperatura da água teria que aumentar para ser um problema?
Segundo os cientistas, não se trata da temperatura, mas do tempo de exposição a ela.



Os tardígrados são pequenas criaturas de oito patas com menos de um milímetro de comprimento — Foto: Getty Images/BBC

Durante o estudo, apenas as 50% das espécies metabolicamente ativas submetidas a temperaturas de 37,1º C, sem aclimatação, por 24 horas, conseguiram sobreviver. Isso mostrou, de acordo com Cardozo Neves, que o aumento da temperatura no planeta poderia ser praticamente letal para as espécies.

"Podemos concluir que os tardígrados ativos são vulneráveis ​​a altas temperaturas que permanecem constantes", afirma o pesquisador na publicação. "Mas com uma aclimatação prévia, é possível que essas criaturas possam se adaptar ao aumento das temperaturas em seu habitat natural." No estudo, as amostras da espécie que foram aclimatadas antes de serem submetidas a 37,1º C conseguiram sobreviver em maior porcentagem. E, se estavam desidratadas, conseguiam suportar temperaturas próximas a 60° C.

"Os tardígrados desidratados são muito mais resistentes e podem suportar temperaturas muito mais altas do que os tardígrados ativos.» "No entanto, o tempo de exposição é claramente um fator que limita sua tolerância a altas temperaturas", conclui o estudo.

VÍDEOS
Veja abaixo vídeos sobre o tema:



Clique aqui: Pesquisadores descobrem ser microscópico capaz de se manter vivo em ambiente sem água



Clique aqui: Nave israelense pode ter espalhado seres microscópicos na Lua

quinta-feira, 8 de abril de 2021

The Plastisphere: Ocean Pollution May Trigger Next Pandemic



Plastic pollution has contaminated our oceans to the point where a new ecological niche of anthropic origin has been coined: the "plastisphere". The bacteria that proliferate there could lead to the next health crisis.
2021-03-01


Study after study, and each more damning than the last.

A study from December 2019 in "Scientific Reports" described how a region of the world as remote as Easter Island (Rapa Nui) could have its coasts littered with plastic debris: marine currents connect it to an intensive fishing zone off the coast of Peru and the densely populated coastal areas of the South American continent.

A month earlier, scientists on the sailing vessel "Tara" returned from a six-month mission around the four European seafronts where they collected samples from Europe's nine main rivers (Thames, Elbe, Rhine, Seine, Ebre, Rhone, Tiber, Garonne, Loire) and revealed that all were polluted with microplastics, that is plastic debris smaller than 5 millimeters, usually coming from the fragmentation of macro-waste like plastic bags, bottles, fishing nets, synthetic fabrics, etc.

But the rivers that feed the oceans are not the only source of plastic pollution. Both on land and sea, plastic waste is now so widespread that some researchers have even proposed to label it as a characteristic of the "Anthropocene," the earth's current geological era whereby human activities make a significant impact on the Earth's ecosystem.

The plastic continent

During a meeting on "Polymers and Oceans", the French physico-chemist Pascale Fabre explained how the pervasive effect of plastic pollution can be understood by its low manufacturing costs and durability, thus the reason for its exponential growth in production and ability to survive for decades.

Every year, no less than 10 million tons of plastic waste are dumped into oceans, where currents lead them into the ocean gyres. A good/ terrifying example of this is the vortex of waste in the North Pacific, dubbed the "8th continent" and the "Great Pacific Garbage Patch," which was discovered in 2013, contains 80,000 tonnes of plastic and spans 1.6 million square kilometers, which makes it roughly an area three times the size of France, or twice the size of Texas. And, for as shocking as it might sound, this floating plastic continent is more like an iceberg, with most of the dense mass hidden deep below the surface area.

In the Mediterranean Sea alone — which already suffers from poor waste management - 200 tons of plastic are washed ashore each year.

"On the Mediterranean seabed, the density of plastic waste can reach up to 1 million pieces of debris per square kilometer," revealed François Galgani, oceanographer and ecotoxicologist at the Ifremer Centre in Corsica.

Sponges of pollution

Take a minute to think of all those distressing images of marine animals being strangled or injured by macroplastics. The problem posed by the microplastics — the ones that we can't exactly see — is even more serious.

Present in water everywhere, these microplastics are ingested by every organism in the food chain, from zooplankton to the largest of whales, reducing their ability to digest food and absorb nutrients, thus altering their intestinal microbiota (dysbiosis), slowing their metabolism. It's a cascade of detrimental effects made all the more significant by the proven chemical toxicity of these tiny plastic fragments.

When it comes to marine plastics, toxicity doubles, CNRS (The French National Centre for Scientific Research) ecotoxicologist Ika Paul-Pont explains.

"On one hand, it's because plastics are hydrophobic, so they act like "sponges of pollution" that absorb and concentrate contaminants present in seawater - hydrocarbons, pesticides, and metal. This debris is highly concentrated, with levels of toxicity up to a million times higher than in the surrounding water. Plus, plastic itself is toxic [95% polymer (polyethylene, polypropylene, polystyrene, etc.) with 5% additives (colorants, flame retardants, etc.), editor's note]. This 5% of additives is made with such a wide variety of chemicals that they are not identified, but undoubtedly they contain endocrine disruptors, such as phthalates and bisphenol-A."

However, the most worrying aspect of plastic pollution is the "plastisphere," which refers to all the micro and macro-organisms (bacteria, fungi, protozoa, algae, invertebrates, crustaceans) that colonize plastic waste and form what specialists are calling a "biofilm" around their surface. Known since 2013, it has developed into a serious topic of concern for the scientific community.

In 2016, two Dutch biologists discovered bacteria of the genus Vibrio, a family that includes the bacterium responsible for cholera in the plastisphere. Three years later, an alarming new discovery topped the previous one: while studying bacteria found on plastic waste off the coast of Antarctica, scientists found that these bacteria were as antibiotic-resistant as the toughest bacteria present in urban environments. Certainly, if these microplastics have the capacity to absorb surrounding contaminants, they can just as easily absorb antibiotics.

The big problem with the plastisphere is that the plastic debris that supports it is just the medium of choice.

"Plastics remain in the environment much longer than biodegradable materials such as driftwood, so they are able to migrate much further over much longer time periods," explains Paul-Pont.

In 2017, just six years after a tsunami ravaged the coasts of Japan and caused the accident in Fukushima, American scientists found 289 species of invertebrates on the west coast of the United States that had never been found there before and had originated in Japanese waters. These little creatures had crossed the Pacific on the plastic debris set in motion by the tsunami. The fear with such artificially transplanted foreign species from one ecosystem to another is that they tend to be invasive.

They also bring the possibility of dangerous pathogens, whether Vibrio bacteria or something new. Coupled with the threat of antibiotic resistance, it becomes obvious that we must urgently tackle this problem.

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quarta-feira, 7 de abril de 2021

Mondego Vivo - Em Defesa do Rebolim e da Portela

Para: Câmara Municipal de Coimbra; Agência Portuguesa do Ambiente; Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro; Presidente da Assembleia da República

Esta petição pretende:

- A suspensão de todos os trabalhos danosos para o ambiente, ainda em curso, na zona entre a Portela e o Rebolim.

- A reflorestação urgente deste espaço com espécies autóctones, regenerando a galeria ripícola fundamental para a biodiversidade e para a gestão natural do rio e minorando o impacto da exposição dos solos e da degradação das margens.

No dia 26 de março às 17 horas, realizou-se uma Assembleia Pública para discutir coletivamente o futuro das margens do Rio Mondego e propor formas de resistência contra a ação danosa para o ambiente da terraplanagem efetuada pela Câmara Municipal de Coimbra (CMC) na zona entre o Rebolim e a ponte da Portela.

A CMC procedeu ao desmatamento da área sem ter submetido esta ação a escrutínio público e sem apresentar qualquer estudo de impacto ambiental ou projeto para esta zona. A destruição da vegetação localizada nas margens do Mondego causou uma elevada perda de biodiversidade e expos os solos à força da erosão. Os terrenos entre o Rebolim e a Portela localizam-se no leito de cheia do Mondego, tendo a vegetação localizada nas suas margens um papel importantíssimo na manutenção do ecossistema, na diminuição dos gases de efeito de estufa, na filtração de escorrências de águas poluídas para o rio, na mitigação de cheias e na retenção de sedimentos.

O Rio Mondego é o mais comprido inteiramente em território nacional, sendo Coimbra a única cidade que ele atravessa. Salientamos, por isso, a importância histórica deste rio, outrora a nível do transporte e do trabalho e, atualmente, para uma vida saudável e equilibrada. As margens do Mondego devem ser espaços de fruição para toda a comunidade, mas têm também um valor natural intrínseco que deve ser protegido e conservado na sua integridade.

Desta forma, cabe-nos a nós, comunidade, adotar um olhar crítico sobre as políticas adotadas com dinheiro proveniente do erário público, escrutinar as ações do executivo e propor alternativas. Repensemos, em conjunto, o futuro das margens do Mondego e da nossa cidade.

Mais informações aqui: https://www.facebook.com/mondegovivo/posts/109990121184758

Pela Ilegalização das "Terapias de Conversão" em Portugal

Para: Assembleia da República

“Terapias de conversão” baseiam-se em esforços contínuos com o objetivo de alterar orientação sexual, identidade de género ou expressão de género de um indivíduo.

Uma ideia que mesmo que debancada e descreditada por todas as principais organizações de saúde médica e mental — classificando tal prática como “prejudicial e ineficaz” —, continua a ser submetida a várias pessoas lésbicas, gays, bissexuais, transgénero (LGBT) e de expressão de género não-conformante, com base nas falsas crenças que a homo e a bissexualidade, a transgeneridade e a inconformidade de expressão de género representam perturbações mentais, justificando assim tentativas de serem “tratadas”.

Estudos mostram que as “terapias de conversão” representam um maior risco de depressão e suicídio, e mesmo que condenada por vários órgãos médicos e de ter a sua ciência desmentida por especialistas de todo o mundo, a prática é legal na maior parte da Europa, incluindo Portugal, onde existem campanhas e petições para deter este tipo de terapias.

Em 2019, Portugal assistiu pela primeira vez a imagens de “terapias de reconversão ou reorientação sexual” de homossexuais.

Uma reportagem de Ana Leal, exibida na TVI, explicou como funcionam estas práticas, recorrendo a consultas com psicólogos, psiquiatras e padres da Igreja Católica e que acreditam que é possível mudar a orientação sexual das pessoas. Uma das profissionais de saúde mental identificada na reportagem é a psicóloga Maria José Vilaça.

Entre várias afirmações, esta compara a homossexualidade com um “surto psicótico”. Nessa mesma reportagem ainda é referido que um padre católico, não identificado, se desloca do Porto para Lisboa para fazer “terapias de conversão ou de reorientação sexual individualizadas”. Noutro momento da reportagem, Maria José Vilaça entrega ao paciente documentação da autoria de Richard Cohen, terapeuta norte-americano que se apresenta como “ex-gay”, e aconselha o paciente a ir aos Estados Unidos, caso tenha possibilidade financeira, para participar num fim de semana dedicado à “reconversão” de homossexuais.

Ainda em 2019, na “Pesquisa LGBTI Ovarense”: 7% da amostra abertamente LGB utente dos serviços de saúde ovarenses, teve a sua orientação sexual sugerida como algo a ser alterado ou patológico, e 50% da amostra abertamente transgénero utente dos mesmos passou por algo semelhante, porém com a sua identidade de género.

Em 2014, segundo o projeto “Saúde em Igualdade”, da Associação ILGA Portugal, em 11% dos atendimentos de saúde mental do grupo de pessoas LGBT estudado, foi sugerido que a homossexualidade pode ser “curada”.

Por último, em 2015, o dezanove.pt denunciou que existiam profissionais de saúde mental em Portugal que defendiam as “terapias de correção da orientação sexual”.

Apesar de claramente presente no país e apoiada por parte de certas pessoas profissionais de saúde portuguesas, a “terapia de conversão” continua sem legislação contra a sua prática em Portugal.

Para melhorar a situação jurídica e política das pessoas LGBT em Portugal, a ILGA Europe recomendou na edição de 2020 do Rainbow Europe, a proibição das “terapia de conversão”, algo que não aconteceu em nenhuma das edições anteriores.

“Como tudo em termos jurídicos, se não está proibido nunca se sabe o dia de amanhã.” (Marta Ramos, diretora-executiva da ILGA Portugal, 2018)

Está em petição tornar-se ilegal para qualquer pessoa realizar ou anunciar práticas de conversão; e qualquer pessoa profissional oferecer ou executar práticas de conversão em qualquer pessoa, independentemente de uma compensação ser recebida em troca ou não, ou fazer uma indicação de alguém para executar práticas de conversão em qualquer pessoa.

Pretendemos ilegalizar estas práticas. Especialmente em menores, e outras pessoas que não conseguem dar um consentimento informado.

Ajuda-nos a ilegalizar esta violação dos Direitos Humanos, ao assinar e divulgar esta petição.

Manifesto 21 Horas

By Andrew SimmsAnna CooteJane Franklin

13 February 2010


A normal working week of 21 hours could help to address a range of urgent, interlinked problems: overwork, unemployment, over-consumption, high carbon emissions, low well-being, entrenched inequalities, and the lack of time to live sustainably, to care for each other, and simply to enjoy life.

This report sets out arguments for a much shorter working week. It proposes a significant shift in what is considered ​‘normal’ – down from 40 hours or more, to 21 hours. While people can choose to work longer or shorter hours, we propose that 21 hours – or its equivalent spread across the calendar year – should become the standard that is generally expected by government, employers, trade unions, employees, and everyone else.

The vision 
Moving towards much shorter hours of paid work offers a new route out of the multiple crises we face today. Many of us are consuming well beyond our economic means and well beyond the limits of the natural environment, yet in ways that fail to improve our well-being – and meanwhile many others suffer poverty and hunger. Continuing economic growth in high-income countries will make it impossible to achieve urgent carbon reduction targets. Widening inequalities, a failing global economy, critically depleted natural resources and accelerating climate change pose grave threats to the future of human civilisation.A ​‘normal’ working week of 21 hours could help to address a range of urgent, interlinked problems. These include overwork, unemployment, over-consumption, high carbon emissions, low well-being, entrenched inequalities, and the lack of time to live sustainably, to care for each other, and simply to enjoy life.

21 hours as the new ​‘norm’
Twenty-one hours is close to the average that people of working age in Britain spend in paid work and just a little more than the average spent in unpaid work. Experiments with shorter working hours suggest that they can be popular where conditions are stable and pay is favourable, and that a new standard of 21 hours could be consistent with the dynamics of a decarbonised economy.

There is nothing natural or inevitable about what’s considered ​‘normal’ today. Time, like work, has become commodified – a recent legacy of industrial capitalism. Yet the logic of industrial time is out of step with today’s conditions, where instant communications and mobile technologies bring new risks and pressures, as well as opportunities. The challenge is to break the power of the old industrial clock without adding new pressures, and to free up time to live sustainable lives. To meet the challenge, we must change the way we value paid and unpaid work.

For example, if the average time devoted to unpaid housework and childcare in Britain in 2005 were valued in terms of the minimum wage, it would be worth the equivalent of 21 per cent of the UK’s gross domestic product.

Planet, people, and markets: reasons for change
A much shorter working week would change the tempo of our lives, reshape habits and conventions, and profoundly alter the dominant cultures of western society. Arguments for a 21-hour week fall into three categories, reflecting three interdependent ​‘economies’, or sources of wealth, derived from the natural resources of the planet, from human resources, assets and relationships, inherent in everyone’s everyday lives, and from markets. Our arguments are based on the premise that we must recognise and value all three economies and make sure they work together for sustainable social justice.

1. Safeguarding the natural resources of the planet: moving towards a much shorter working week would help break the habit of living to work, working to earn, and earning to consume. People may become less attached to carbon-intensive consumption and more attached to relationships, pastimes, and places that absorb less money and more time. It would help society to manage without carbon-intensive growth, release time for people to live more sustainably, and reduce greenhouse gas emissions.

2. Social justice and well-being for all: a 21-hour ​‘normal’ working week could help distribute paid work more evenly across the population, reducing ill-being associated with unemployment, long working hours and too little control over time. It would make it possible for paid and unpaid work to be distributed more equally between women and men; for parents to spend more time with their children – and to spend that time differently; for people to delay retirement if they wanted to, and to have more time to care for others, to participate in local activities and to do other things of their choosing. Critically, it would enable the ​‘core’ economy to flourish by making more and better use of uncommodified human resources in defining and meeting individual and shared needs. It would free up time for people to act as equal partners, with professionals and other public service workers, in co-producing well-being.

3. A robust and prosperous economy: shorter working hours could help to adapt the economy to the needs of society and the environment, rather than subjugating society and environment to the needs of the economy. Business would benefit from more women entering the workforce; from men leading more rounded, balanced lives; and from reductions in work-place stress associated with juggling paid employment and home-based responsibilities. It could also help to end credit-fuelled growth, to develop a more resilient and adaptable economy, and to safeguard public resources for investment in a low-carbon industrial strategy and other measures to support a sustainable economy.

Transitional problems

Of course, moving from the present to this future scenario will not be simple. The proposed shift towards 21 hours must be seen in terms of a broad, incremental transition to social, economic and environmental sustainability.

Problems likely to arise in the course of transition include the risk of increasing poverty by reducing the earning power of those on low rates of pay; too few new jobs because people already in work take on more overtime; resistance from employers because of rising costs and skills shortages; resistance from employees and trade unions because of the impact on earnings in all income brackets; and more general political resistance that might arise, for example, from moves to enforce shorter hours.

Necessary conditions for tackling transitional problems
Work is beginning at NEF to develop a new economic model that will help to engineer a ​‘steady-state’ economy and address problems of transition to 21 hours. There is much work yet to be done and suggestions set out in this report are there to stimulate further debate and thought, rather than offer definitive solutions. The report focuses on the following areas.

1. Achieving shorter working hours. Conditions necessary for successfully reducing paid working hours include reducing hours gradually over a number of years in line with annual wage increments; changing the way work is managed to discourage overtime; providing active training to combat skills shortages and to help long-term unemployed return to the labour force; managing employers’ costs to reward rather than penalise taking on extra staff; ensuring more stable and equal distribution of earnings; introducing regulations to standardise hours that also promote flexible arrangements to suit employees, such as job sharing, extended care leave and sabbaticals; and offering more and better protection for the self-employed against the effects of low pay, long hours, and job insecurity.

2. Ensuring a fair living income. Options for dealing with the impact on earnings of a much shorter working week include redistribution of income and wealth through more progressive taxation; an increased minimum wage; a radical restructuring of state benefits; carbon trading designed to redistribute income to poor households; more and better public services; and encouraging more uncommodified activity and consumption.

3. Improving gender relations and the quality of family life. Measures to ensure that the move towards 21 hours has positive rather than negative impacts on gender relations and family life include flexible employment conditions that encourage more equal distribution of unpaid work between women and men; universal, high-quality childcare that dovetails with paid working time; more job-sharing and limits on overtime; flexible retirement; stronger measures enforcing equal pay and opportunity; more jobs for men in caring and primary school teaching; more childcare, play schemes and adult care using co-produced models of design and delivery; and enhanced opportunities for local action to build neighbourhoods that everyone feels safe in and enjoys.

4. Changing norms and expectations. There are many examples of apparently intractable social norms changing very quickly – for example, attitudes to the slave trade and votes for women, wearing seatbelts and crash-helmets, and not smoking in public places. The weight of public opinion can shift quite suddenly from antipathy to approval as a result of new evidence, strong campaigning, and changing circumstances, including a sense of crisis. There are some signs of favourable conditions beginning to emerge for shifting expectations about a ​‘normal’ working week. Further changes that may help include the development of a more egalitarian culture, raising awareness about the value of unpaid labour, strong government support for uncommodified activities, and a national debate about how we use, value, and distribute work and time.

The beginning of a national debate
The next step is to make a thorough examination of the benefits, challenges, barriers and opportunities associated with moving towards a 21-hour week in the first quarter of the twenty-first century.

Pandemia expôs desigualdades e foi "arma" contra direitos humanos

A Amnistia Internacional denunciou hoje que a pandemia expôs um "terrível legado" de políticas que têm perpetuado a desigualdade, a discriminação e a opressão no mundo, bem como foi usada por líderes como "arma" para atacar os direitos humanos.

Esta é uma das conclusões centrais do relatório anual da organização não-governamental (ONG), divulgado hoje, que faz uma análise da situação dos direitos humanos à escala mundial durante 2020, com dados de 149 países.

"A pandemia global expôs o terrível legado de políticas deliberadamente divisórias e destrutivas que perpetuaram desigualdade, discriminação e opressão, e abriram caminho à devastação causada pela [doença] covid-19", lê-se no documento.

Para a Amnistia Internacional, a crise pandémica colocou a nu a erosão dos serviços públicos e amplificou uma "enorme desigualdade sistémica a nível mundial", cenário desencadeado por "décadas de liderança tóxica" e que teve um impacto "devastador" e "desproporcional" naqueles que já eram marginalizados, como as minorias étnicas, os migrantes e refugiados, as mulheres, as pessoas com deficiência e mais idosas, as crianças e a comunidade LGBTI (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transgénero e Intersexo).

A organização destaca igualmente o impacto da crise naqueles que estiveram na chamada "linha da frente", em particular os profissionais de saúde, trabalhadores migrantes e os trabalhadores do setor informal, que também "foram traídos por sistemas de saúde negligenciados" e "apoios socioeconómicos irregulares".

Em 42 dos 149 países monitorizados, a ONG também documentou alegações sobre situações de assédio ou de intimidação por parte das autoridades contra estes profissionais no contexto pandémico.

"A covid-19 expôs e aprofundou brutalmente a desigualdade dentro dos países e entre eles, e destacou a impressionante negligência dos nossos líderes pela humanidade comum. Décadas de políticas divisórias, medidas de austeridade e escolhas erradas de líderes em não investir na melhoria de infraestruturas públicas em ruínas, deixaram a este vírus demasiadas presas fáceis", diz Agnès Callamard, a nova secretária-geral da organização.

"Neste ponto da pandemia, mesmos os líderes mais iludidos teriam dificuldade em negar que os nossos sistemas sociais, económicos e políticos estão destroçados", reforça a especialista francesa, nomeada para o cargo em março passado.

Segundo a organização, a resposta à pandemia foi prejudicada por líderes que "exploraram impiedosamente" a crise e fizeram da covid-19 "uma arma" para lançar novos ataques aos direitos humanos.

"Alguns tentaram normalizar as medidas de emergência autoritárias que introduziram para combater a covid-19, enquanto uma variante altamente perigosa de líderes foi mais além. Viram isto como uma oportunidade para consolidar o seu próprio poder", denuncia a secretária-geral.

Um dos padrões principais identificados pela Amnistia Internacional foi o de autoridades aprovarem legislação criminalizando críticas relacionadas com a pandemia e usarem a crise sanitária como "pretexto" para continuar a suprimir o direito à liberdade de expressão.

Vários líderes usaram força excessiva em protestos ocorridos durante os confinamentos decretados e outros foram mais longe ao recorrerem da pandemia como uma "distração" para suprimir vozes opositoras e "perpetuar outras violações dos direitos humanos", segundo a ONG.

"Instituições internacionais como o Tribunal Penal Internacional e os mecanismos de direitos humanos das Nações Unidas existem para responsabilizar Estados e perpetradores individuais. Infelizmente, 2020 mostra que estas foram confrontadas com um impasse político por líderes que procuram explorar e minar as respostas coletivas às violações de direitos humanos", afirma Agnès Callamard.

A ONG aponta igualmente o dedo aos líderes mundiais que privilegiaram "os interesses próprios nacionais" na resposta à covid-19 e que dificultaram "os esforços de recuperação coletivos".

Entre esses, de acordo com a organização, constam o ex-Presidente norte-americano Donald Trump, ao ter contornado os esforços de cooperação global ao comprar a maior parte do fornecimento mundial de vacinas contra a covid-19, e o líder chinês Xi Jinping, cujo governo censurou e perseguiu profissionais de saúde e jornalistas quando estes tentaram alertar sobre o novo coronavírus (SARS-CoV-2).

A Amnistia Internacional diz ainda que os países ricos também falharam em pressionar as farmacêuticas a partilharem conhecimento e tecnologia, de forma a expandir o fornecimento global de vacinas.

Críticas igualmente apontadas ao G20 (as 20 maiores economias do mundo), que, como recorda a organização, ofereceu-se para suspender os pagamentos de dívida dos países mais pobres, mas exigiu, para mais tarde, um reembolso com juros.

"A pandemia lançou uma dura luz sobre a incapacidade do mundo de cooperar efetivamente em tempos de extrema necessidade global", aponta Agnès Callamard, que deixa um apelo para uma "reflexão" e uma "reconfiguração" dos atuais sistemas, de forma a "construir um mundo alicerçado em igualdade, direitos humanos e humanidade".

Outras das conclusões gerais do relatório é que perante o "falhanço" dos governos e as respetivas "políticas regressivas", muitas pessoas sentiram-se inspiradas para levantar a voz em todo o mundo para contestar o racismo, a violência de género ou outras formas de abusos e de repressão.

"Em 2020, a liderança não veio do poder, do privilégio ou de especuladores. Veio das inúmeras pessoas que marcharam para exigir mudanças", indica a representante, destacando, entre outras correntes de contestação, a repercussão mundial do movimento norte-americano contra a discriminação, o racismo e a violência policial 'Black Lives Matter', e as conquistas legislativas para combater a violência contra as mulheres ou alcançar a descriminalização do aborto, como aconteceu na Coreia do Sul, Irlanda do Norte ou na Argentina.


terça-feira, 6 de abril de 2021

Dia Mundial da Atividade Física: Porque devemos exercitar?


Hoje celebra-se o Dia Mundial da Atividade Física, uma data instaurada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) que tem como objetivo promover a prática de exercício físico e reforçar a sua importância para a saúde dos cidadãos.

A OMS recomenda que os adultos saudáveis treinem 30 minutos por dia, a uma intensidade no mínimo moderada. Quanto às crianças e aos adolescentes, a Direção-Geral de Saúde (DGS) recomenda a prática de 60 minutos por dia de “atividade física de intensidade moderada a vigorosa”. Relativamente às pessoas mais velhas, sugere-se a prática de atividade aeróbia de intensidade moderada 5 dias por semana.

A prática de exercício físico é muito importante para o bom funcionamento do sistema imunológico, tal como para a saúde física e psicológica. Além disso, esta atividade ajuda a prevenir doenças, reduz o stress e melhora a auto estima do praticante.

A atividade favoritas dos portugueses é, segundo a DGS, a caminhada. No entanto, o futebol está também no topo de preferências do sexo masculino.

Cerca de 80% da população portuguesa não pratica atividade física de acordo com as recomendações dadas. Contudo, espera-se que este valor venha a mudar dado que Portugal, tal como outros membros da OMS, comprometeu-se a reduzir a inatividade física no seu país em 10% até 2025

Extinction: Freshwater fish in 'catastrophic' decline


A report has warned of a "catastrophic" decline in freshwater fish, with nearly a third threatened by extinction. Conservation groups said 80 species were known to have gone extinct, 16 in the last year alone. Millions of people rely on freshwater fish for food and as a source of income through angling and the pet trade. But numbers have plummeted due to pressures including pollution, unsustainable fishing, and the damming and draining of rivers and wetlands.

The report said populations of migratory fish have fallen by three-quarters in the last 50 years.
Over the same time period, populations of larger species, known as "megafish", have crashed by 94%.
The report, The World's Forgotten Fishes, is by 16 conservation groups, including WWF, the London Zoological Society (ZSL), Global Wildlife Conservation and The Nature Conservancy.

In UK waters, the sturgeon and the burbot have vanished, salmon are disappearing and the European eel remains critically endangered. According to the WWF, much of the decline is driven by the poor state of rivers, mostly as a result of pollution, dams and sewage. It has called on the government to restore freshwater habitats to good health through proper enforcement of existing laws, strengthening protections in the Environment Bill and championing a strong set of global targets for the recovery of nature.

Dave Tickner, from WWF, said freshwater habitats are some of the most vibrant on earth, but - as this report shows - they are in catastrophic decline around the world. "Nature is in freefall and the UK is no exception: wildlife struggles to survive, let alone thrive, in our polluted waters," said the organisation's chief adviser on freshwater. "If we are to take this government's environmental promises seriously, it must get its act together, clean up our rivers and restore our freshwater habitats to good health. "
Carmen Revenga of The Nature Conservancy said freshwater fish are a diverse and unique group of species that are not only essential for the healthy functioning of our rivers, lakes and wetlands, but millions of people, particularly the poor, also depend on them for their food and income.

"It's now more urgent than ever that we find the collective political will and effective collaboration with private sector, governments, NGOs and communities, to implement nature-based solutions that protect freshwater species, while also ensuring human needs are met," she said. Commenting, Dr Jeremy Biggs, of the Freshwater Habitats Trust, said to protect freshwater biodiversity, we need to consider both large and small waters, and to protect all our freshwaters: ponds, lakes, streams and rivers.

Curta-metragem da Semana- Beauty

The Beauty - Animated Short (2019) from Pascal Schelbli on Vimeo

E se a vida marinha fosse... de plástico?
A beleza do mergulho parece sem fim. Na profundidade das águas translúcidas, os raios de luz iluminam um cardume — dezenas e dezenas de “peixes” coordenados, exuberantes, sem ameaças à vista, sem quotas para controlarem a população. Afinal, o lixo feito por humanos não parece estar perto de desaparecer do oceano.

“E se o plástico pudesse ser integrado na vida marinha?”, pensou Pascal Schelbli, a meio do processo de imaginar uma curta de animação que alertasse para a poluição marinha, sem mostrar baleias com o estômago repleto de sacos de plástico, tartarugas com palhinhas no nariz ou praias paradisíacas cheias de redes de pesca e chinelos de dedo. É um ponto de partida “sarcástico”, reconhece o realizador suíço. The Beauty leva-nos numa viagem sem culpa e deixa-nos ir na maré de uma evolução imaginada, onde a natureza resolveu o problema e integrou o plástico formando criaturas mais resistentes.

A animação que correu festivais e amealhou prémios em 2019 e 2020 está agora disponível no Vimeo. O filme é o projecto final da tese de Schelbli e mistura filmagens reais com imagens criadas digitalmente.

English
What if plastic could be integrated into sea life? The Beauty directed by Pascal Schelbli is a poetic journey through the oceans, which are simultaneously stunning and filthy. Discover a world where concerns and fears dissolve into the mysterious depth of the polluted blue sea.

The Guardian view on Jair Bolsonaro: a danger to Brazil, and the world

The far-right president has given Covid-19 and the razing of the Amazon free rein. Now it looks like he plans to cling on whatever voters say

Fonte: The Guardian                                                                                                

The prospect of the rightwing extremist Jair Bolsonaro becoming Brazil’s president was always frightening. This was a man with a history of denigrating women, gay people and minorities, who praised authoritarianism and torture. The nightmare has proved even worse in reality. Not only has he used a dictatorship-era national security law to pursue critics, and overseen a surge in deforestation of the Amazon to a 12-year high, he has allowed coronavirus to rampage unchecked, attacking movement restrictions, masks and vaccines. More than 60,000 Brazilians died in March alone. “Bolsonaro has managed to turn Brazil into a gigantic hellhole,” Colombia’s former president, Ernesto Samper, tweeted recently. The spread of the more contagious P1 variant is imperilling other countries.

With a poll last week showing 59% of voters rejecting him, Mr Bolsonaro appears to be preparing for an unfavourable outcome in next year’s elections. Last week he sacked the defence minister, a retired general and longstanding friend who nevertheless appears to have taken exception to Bolsonaro’s attempts to use the armed forces as a personal political tool. The commanders of the army, navy and air force were also fired – reportedly as they were poised to resign.

The immediate trigger for the sackings was last month’s bombshell return of the leftist former president Luiz Inácio Lula da Silva after a judge quashed his criminal convictions – opening the door for him to run again next year. Lula’s excoriating attacks on the president are widely seen as heralding a fresh bid for power from a charismatic politician who remains hugely popular in some quarters.

Is it possible that, inspired by Donald Trump, Mr Bolsonaro contemplates hanging on to power through the use of might? No. It is probable. The armed forces have overridden the people’s will before: Brazil was a military dictatorship from 1964 to 1985. When the mob stormed the US Capitol on 6 January, his son took exception not to their assault, but their inefficiency: “It was a disorganised movement. Pitiful,” said Eduardo Bolsonaro. “If they had been organised the invaders would have seized the Capitol and made pre-established demands. They would have had enough firepower to ensure that none of them died and to be able to kill all of the police officers inside or the congresspeople they so despise.”

While the departure of the armed forces chiefs may suggest resistance to a coup plot, it also allows the president to install those he judges more compliant; younger officers were always more enthusiastic about Mr Bolsonaro. Opposition politicians are pressing for impeachment, with one warning: “There is an attempt here by the president to arrange a coup – it is under way already.”

There is some cause for hope. Vicious attacks by the president and his cronies have failed to curb a vibrant media environment, cow the courts or silence critics in civil society. His disastrous handling of Covid-19 appears to be prompting second thoughts among the economic elite that previously embraced him. Some parts of the military apparently share that unease. The possibility of Lula’s return is enough to concentrate rightwing minds on finding an alternative, less extremist candidate than Mr Bolsonaro. It might be galling to see those who assisted his rise position themselves as the guardians of democracy, rather than of their own interests. But his departure would nonetheless be welcome, for Brazil’s sake and the rest of the planet’s.

segunda-feira, 5 de abril de 2021

VIDA SÓBRIA - Documentário sobre Minimalismo


Sinopse: 

"O consumismo compulsivo é um dos maiores problemas do nosso planeta devido aos seus impactos negativos no ambiente e nas nossas vidas. Paulo mostra-nos como podemos viver uma vida sóbria sem excesso de bens materiais com o Minimalismo, contando com a ajuda de várias testemunhas em que agitação das suas vidas, o stress, a falta de tempo e a sensação de insatisfação fez com que fizessem uma mudança nas suas vidas sendo mais conscientes daquilo que os rodeia, naquilo que consomem das suas relações e naquilo que realmente importa."

English
Synopsis: 
"Compulsive consumerism is one of the biggest problems on our planet due to its negative impacts on the environment and on our lives. Paulo shows us how we can live a sober life without excess material goods with Minimalism, with the help of several witnesses in which agitation of their lives, stress, lack of time and the feeling of dissatisfaction caused them to make a change in the way they live, being more aware of what surrounds them, in what they consume, in their relationships and in what really it matters."

A História das Pandemias

As epidemias não são um fenómeno novo, existem há milhares de anos. A novidade é que, ao longo da história, o fenómeno tem vindo a tornar-se mais frequente, sobretudo devido à globalização.
Temos, por isso, de aprender a lidar com epidemias e pandemias de um modo cada vez mais seguro e eficaz, investindo e confiando na ciência, adotando comportamentos sociais de cuidado e prevenção e construindo um mundo solidário no qual ninguém pode ficar para trás.

A primeira pandemia de que há registo remonta a 3 mil anos AC. Desde então, o inimigo invisível a olho nu tem chegado cada vez mais depressa a cada vez mais zonas do planeta, transformando epidemias em pandemias. Algumas delas, devido à sua intensidade, passaram à história.

Guiados pela professora Teresa Rodrigues (Universidade Nova de Lisboa), propomos um percurso por estes momentos históricos no vídeo A História das Pandemias.


Clique aqui para ver o vídeo 

Gulbenkian Ideas – «Covid-19: e depois?»

A série especial Gulbenkian Ideas «Covid-19: e depois?» apresenta um conjunto de vídeos de curta duração, onde se intercalam testemunhos de pensadores de reconhecido mérito, nacionais e estrangeiros, e de jovens entre os 15 e os 30 anos envolvidos em projetos apoiados pela Fundação, sobre aquilo que irá mudar no mundo, para melhor ou para pior, por via desta crise pandémica.

Os temas, escolhidos pelos próprios, são tão variados como o trabalho, as relações sociais, a justiça, a família, o quotidiano, a política, a religião, o ambiente, ou a arquitetura, entre outros.

Música do BioTerra: Emmy Curl- De que é feito

domingo, 4 de abril de 2021

Ancient kauri trees capture last collapse of Earth’s magnetic field


Fonte: ScienceMag
Several years ago, workers breaking ground for a power plant in New Zealand unearthed a record of a lost time: a 60-ton trunk from a kauri tree, the largest tree species in New Zealand. The tree, which grew 42,000 years ago, was preserved in a bog and its rings spanned 1700 years, capturing a tumultuous time when the world was turned upside down—at least magnetically speaking.

Radiocarbon levels in this and several other pieces of wood chart a surge in radiation from space, as Earth’s protective magnetic field weakened and its poles flipped, a team of scientists reports today in Science. By modeling the effect of this radiation on the atmosphere, the team suggests Earth’s climate briefly shifted, perhaps contributing to the disappearance of large mammals in Australia and Neanderthals in Europe. “We’re only scratching the surface of what geomagnetic change has done,” says Alan Cooper, an ancient DNA researcher at the South Australian Museum and one of the lead authors of the study.

The study not only nails in fine detail the timing and magnitude of the magnetic swap, the most recent in Earth’s history, but is also among the first to make a credible, though speculative, case that these flips can affect the global climate, says Quentin Simon, a paleomagnetist at the European Center for Research and Teaching in Environmental Geoscience in Aix-en-Provence, France. But some paleoclimate scientists are skeptical of the team’s broader claims, saying other records show few traces of climate upheaval.

Earth’s magnetic field is created by the flow of molten iron in the outer core, which is prone to chaotic swings that not only weaken the field, but also cause the poles to wander and sometimes flip entirely. The magnetic orientations of minerals in rock record long-lasting reversals, but can’t capture the details of a flip lasting hundreds of years, like the one 42,000 years ago.

Radioactive carbon-14, however, can mark these shorter fluctuations. The isotope is produced when cosmic rays—charged particles from outer space—slip past the magnetic field and strike the atmosphere. It is taken up by living things, and its specific half-life makes it a standard clock. The team used radiocarbon to date the kauri wood by lining it up with accurate, but coarse, radiocarbon cave records from China. And by measuring finer carbon-14 changes in the rings, they tracked how its production varied over 40-year intervals, as the magnetic field ebbed and surged. “It’s just amazing you can do this back 42,000 years ago,” says Lawrence Edwards, a geochemist at the University of Minnesota, Twin Cities, who worked on the Chinese cave records.

Spikes in radiocarbon indicated the magnetic field weakened to some 6% of its present day strength by 41,500 years ago. At that point the poles flipped and the field recovered some strength, before crashing and flipping back 500 years later. Cooper notes that not only was Earth’s cosmic ray shield down; the Sun’s was, too. Evidence from ice cores suggests that, around this same time, the Sun was experiencing several “grand minima”—episodes of low magnetic activity. The resulting cosmic ray assault charged the atmosphere to a level that would have knocked out today’s power grid and created aurorae in the subtropics, Cooper says. “What happens when the atmosphere is that ionized?” he asks. “God only knows.” (The paper is the first Cooper has led since he was fired in 2019 from the University of Adelaide following allegations that he bullied staff and students; Cooper has denied the allegations.)

To explore the consequences, the team ran a climate model, which suggested the cosmic ray bombardment would have eroded the ozone layer, reducing the heat it normally captures from ultraviolet rays. The high altitude cooling would have changed wind flows, which in turn may have led to “drastic changes” on the surface, including a cooler North America and warmer Europe, says Marina Friedel, a team member and doctoral student in stratospheric chemistry at ETH Zurich.

This is where other scientists say the study gets too speculative. Ice cores from Greenland and Antarctica that span the past 100,000 years capture stark temperature swings every few thousand years. But they show no shifts 42,000 years ago. A few Pacific Ocean records do show swings. But even if the shift occurred mostly in the tropics, as Cooper and colleagues suggest, it should be seen in the ice, says Anders Svensson, a glaciologist at the University of Copenhagen. “We just don’t see that.”

The study team goes further to argue that a climate shift could account for a spate of curious events 42,000 years ago. Most notably, large mammals in Australia went extinct around that time. Neanderthals vanished from Europe, and elaborate cave paintings began to appear in Europe and Asia. Still, neither milestone in human evolution lines up well with the flip 42,000 years ago, and neither was sudden, says Thomas Higham, an archaeologist and radiocarbon expert at the University of Oxford. Linking them to the field reversal, he says, “seems to me to be pushing the evidence too far.”

sábado, 3 de abril de 2021

O Português a Saque


Entre o inglês contrabandeado e o brasileiro das novelas, a língua portuguesa agoniza. Nunca se falou e escreveu tão mal e o exemplo vem de cima
(Por Rui Cardoso, in Expresso Revista, 2021-04-01)
Jovens mulheres, às quais prestamos tributo e que são oficiais dos serviços de inteligência, estão focadas em desencriptar informações sobre químicos nocivos que, segundo as evidências científicas, podem ter efeitos análogos aos do antraz. Receia-se que esta situação ponha em causa a resiliência das políticas corporativas a nível mundial, dificultando, ao fim do dia, o empoderamento das novas gerações e possa levar alguns elementos destas a cometer suicídio
Assim se fala e escreve nos tempos que correm. Vejamos em pormenor.
JOVENS MULHERES
Se dissermos “uma jovem” estaremos a definir sem ambiguidades aquilo de que estamos a falar. Um pleonasmo, além do mais sexista, já que não consta que se costume aludir a “jovens homens”. Tudo radica, diz Joana Rabinovitch, ex-docente da Faculdade de Letras de Lisboa e da Universidade Nova, no facto de “em inglês, ao contrário do português, os adjetivos e os artigos não terem género.” Daí que a young woman, não se possa traduzir à letra. Em português, palavras como “forte” ou “jovem” são neutras. É o vocábulo que os antecede que lhes dá o género: uma jovem, várias jovens, diversas jovens...
TRIBUTO
Quem pagava tributo a Vasco da Gama era o Samorim de Calecute e, de uma forma geral, os vassalos aos senhores feudais ou os cativos aos seus captores. É certo que em dicionários portugueses recentes se refere que “tributo” pode ter a aceção de homenagem. Mas isso parece resultar, não da etimologia, mas de um anglicismo recente. Até porque não consta que a Autoridade Tributária tenha como principal missão homenagear os contribuintes…
OFICIAIS
Em inglês, officer tanto pode designar um oficial das forças armadas, como um agente policial, um funcionário da administração pública ou de uma companhia privada. Atenção ao contexto, portanto.
SERVIÇOS DE INTELIGÊNCIA
Se existisse tal coisa, sendo a natureza tendencialmente simétrica, seria combatida pelo seu contrário, ou seja pelos serviços de estupidez... Os serviços ou agências de informações (é disso que se trata) dedicam-se às mais diversas coisas: espionagem, contraespionagem, vigilância pessoal, eletrónica, etc.
FOCO
Os dispositivos óticos, dos faróis às lentes, é que têm profundidade de campo, distância focal, etc. A expressão to be focused on significa estar empenhado, concentrado ou atento.
ENCRIPTADO
É certo que existe uma técnica ou ciência chamada criptologia, relativa à forma de comunicar secretamente entre emissor e recetor. Mas o que faz é codificar ou descodificar, cifrar ou decifrar mensagens e não encriptá-las ou desencriptá-las, o que literalmente significaria enterrá-las ou desenterrá-las numa cripta ou cave...
QUÍMICO
Designa fenómenos ligados à composição, estrutura e propriedades da matéria ou os profissionais que os estudam. O que há em português são produtos químicos que, por sua vez, podem ser elementos, compostos, misturas, ácidos, bases, sais e muitas coisas mais.
EVIDÊNCIA CIENTÍFICA
Eis um oximoro capaz de fazer Bento de Jesus Caraça, Rómulo de Carvalho ou Mariano Gago revolverem-se na tumba. Aquilo que é evidente, isto é, que entra pelos olhos dentro, não carece, por isso mesmo, de explicação científica. Em contrapartida, aquilo que é científico raramente é evidente, por recorrer a conceitos, matemáticos ou outros, com os quais o cidadão comum não está familiarizado. Daí a importância da divulgação científica. Evidence em inglês significa somente prova, seja esta do foro científico ou jurídico, e não qualquer outra coisa.
ANTRAZ
Muito falado a seguir ao 11 de Setembro, este pó branco, mandado pelo correio, continha esporos do Bacillus anthracis, causador do carbúnculo. Não confundir com antraz, conjunto de furúnculos, geralmente causado por bactérias do género estafilococo. A descoberta do agente causador daquela infeção (respiratória, cutânea ou gastrointestinal) e a preparação de uma vacina tornaram mundialmente famoso Louis Pasteur em 1881.
RESILIÊNCIA
Para quê recorrer ao anglicismo derivado de resilience para designar tenacidade, superação, galhardia ou simplesmente… resistência?
CORPORATIVO
No inglês falado nos EUA a palavra corporation designa as empresas cotadas em bolsa. Logo, não há “políticas corporativas” mas, quando muito, empresariais. Em português, corporações são as dos bombeiros, as dos artesãos da idade média (tecelões, ourives, correeiros, etc.) ou as instâncias de conciliação entre capital e trabalho criadas pelo Estado Novo.
EMPODERAMENTO
Dito assim, parece ter a ver com espalhar algum tipo de pó. Empowerment traduz-se por ter acesso a algum tipo de poder ou responsabilidade ou, mais simplesmente, capacitação.
AO FIM DO DIA
Tradução literal da expressão coloquial at the end of the day, equivalente a, no final, em última análise, ou… trocado por miúdos.
COMETER SUICÍDIO
Em português as pessoas matam-se ou põem termo à vida. To commit suicide traz consigo a carga ideológica protestante de infração à lei divina, logo do cometimento de um pecado.
Como se vê, uma novilíngua orwelliana parece querer substituir o português. É uma mistura de chavões, tiques de linguagem, modismos e palavras contrabandeadas do inglês aprendido à pressa. Qual vírus parasitando o sistema imunitário, contagia os media e as universidades, sem esquecer figuras públicas de quem se esperaria outro aprumo na forma de expressão.
O MITO DA EVOLUÇÃO DA LÍNGUA
“Dou aulas de português I e II na Universidade Católica e muitos alunos, alguns vindos de colégios caríssimos, chegam aqui incapazes de fazer uma conjugação pronominal, além de não conhecerem autores portugueses fundamentais”, vinca Jorge Vaz de Carvalho, docente e escritor.
Não se trata de defender que escrevamos ou falemos como os nossos avós. Camilo não escrevia como Sá de Miranda, nem Saramago como Fernando Pessoa. A língua é um organismo vivo em permanente evolução. E tanto pode prosperar como morrer. “Se fôssemos dizer a um grego ou um romano do séc. I a.C. que as suas línguas iriam deixar de ser faladas, eles rir-se-iam mas foi o que aconteceu”, diz Jorge Vaz de Carvalho.
Como refere Angélica Varandas do Departamento de Estudos Anglísticos da Faculdade de Letras de Lisboa, “a língua evolui, acompanhando o desenvolvimento social. O que não me parece certo é que se oblitere o português no mundo académico, se estudem os autores portugueses no 2º e 3º ciclos de modo antiquado e que os meios de comunicação social não saibam dar o exemplo”.
É bom lembrar que, na própria natureza, nem todas as mutações são benignas. Enquanto no meio natural a competição evolutiva tende a eliminá-las, com a língua dá-se o oposto. Tal como na Lei de Gresham, postulando que a má moeda expulsa a boa moeda, o mau português tende a escorraçar o outro.
O MASSACRE DOS PRONOMES
É o que se verifica, por influência do Brasil ou de África, com os pronomes: “vou dizer a ele” em vez de “vou-lhe dizer”. Dar conta da execução de um trabalho nos seguintes termos: “já fiz ele”. Ou patentear uma relação perversa com a causalidade: “por causa de que”… Sem esquecer o mau emprego dos verbos defetivos. Haver não tem plural: não se diz haverão ou haveriam. No presente do indicativo, falir, chover ou ladrar não têm a primeira nem a segunda pessoa, a não ser em contexto metafórico.
Voltando ao inglês, temos essa coisa extraordinária que são as armas de destruição maciça (filhas bastardas de weapons of mass destruction). Como maciço significa o contrário de oco, depreende-se que se esteja a falar, não de bombas atómicas ou gases neurotóxicos, mas de mocas de Rio Maior. Que tal traduzir por armas de destruição em massa?
E a mania de designar incidentes com armas de fogo, frequentes como se sabe nos EUA, por tiroteios? Tiroteio pressupõe uma troca de disparos entre dois indivíduos ou grupos. Resulta da confusão entre shooting (disparos) e gunfight (esse, sim, tiroteio).
Exemplo digno da lei de Gresham é o redundante anglicismo “implementar” (que nada acrescenta relativamente a iniciar, aplicar, pôr em prática, levar a cabo, dar andamento, concretizar, etc.). De tal forma se generalizou, que começou a expulsar o verbo, legítimo mas foneticamente semelhante, implantar. Já vi escritas enormidades como “5 de Outubro de 1910, data da implementação da República”.
Ao mesmo tempo, difundiu-se a ideia peregrina de que semelhanças fonéticas tornam equivalentes palavras de línguas diferentes.
“FACILIDADES” E “INAUGURAÇÕES”
No passado dia 20 de janeiro, Joe Biden não foi “inaugurado”, mas investido nas funções presidenciais. Facilities são infraestruturas, instalações ou funcionalidades. Charities, instituições de solidariedade social. Tal como ingenuity não significa ingenuidade, mas engenho. E memories são recordações e não memórias. Audience é sinónimo de público e não de audiência, expressão reservada para os tribunais ou os encontros institucionais. Pelo que não há níveis de audiência mas repercussão no público ou nos espectadores.
Em inglês, abstract, argument, deception, fabric, preservative, protester ou sympathetic não querem dizer o que à primeira vista se poderia pensar. Já as razões pelas quais uma rapariga fica embaraçada são totalmente diferentes em Portugal ou em Espanha. Tal como “oficinas” e “talheres” significam coisas muito diferentes nas duas línguas ibéricas.
Se há coisa para a qual qualquer professor de línguas chama a atenção logo na primeira aula é para o perigo dos “falsos amigos”, pelos vistos, em vão.
De tudo isto resulta o empobrecimento do vocabulário e o afunilamento dos modos de expressão. Os doentes nunca mais foram operados, passaram a ser “submetidos a cirurgias”. Os edifícios deixaram de desabar, as encostas de sofrer derrocadas ou as pontes de cair. Tudo “colapsa”. Adeus limites ou exigências — o que não se pode passar são as “linhas vermelhas”. As propostas, políticas ou soluções, passaram a frequentar o ginásio ou tomar esteroides para se tornarem “robustas” (em vez de sólidas, eficazes, adequadas ou funcionais). Num universo lexical em que os apoios passaram a meros “suportes”, cessou o estudo, acompanhamento, medida, avaliação ou vigilância: “monitoriza-se…”
UM ESPECTRO AMEAÇA O PORTUGUÊS
A novilíngua não é imposta por um tirano orwelliano mas por aquilo a que Jorge Vaz de Carvalho chama “o imperialismo da língua inglesa e o colonialismo do português brasileiro”. Quando as duas influências convergem, o resultado é devastador.
A propósito de droga fala-se em “adição” (de adiction). Ora, só tem problemas “aditivos” quem não sabe o resultado de dois mais dois. O resto são fenómenos de dependência ou, querendo usar uma palavra mais antiquada e com alguma carga moralista, vício.
Os homenzinhos verdes que saem dos discos voadores e (supostamente) levam pessoas para o cosmos não as raptam, “abducam-nas” (de abduction). E as amendments à constituição dos EUA de que tanto se fala a propósito da liberdade de expressão ou do porte de arma não são “emendas” mas adendas ou revisões constitucionais.
Gerações inteiras formatadas pela novilíngua reproduzem-na, tornando-a moeda corrente.
“Há dois fenómenos convergentes. As pessoas leem muito mais em inglês do que há uns anos e ao mesmo tempo embarcam na última moda de expressão porque acham giro”, comenta Joana Rabinovitch.
“É inevitável que o inglês se tenha tornado a língua franca porque a nível elementar a sua aprendizagem é simples. Basta ver as conjugações verbais. Lembro-me, quando era miúdo, do desembaraço com que pescadores algarvios, semianalfabetos em português, comunicavam com as turistas. Daí a saber, de facto, falar inglês vai alguma distância”, alerta Jorge Vaz de Carvalho.
A pressão estende-se aos docentes. Como refere Angélica Varandas, “no mundo académico, o que dá pontos na avaliação curricular e de desempenho é a internacionalização, ou seja, publicar em editoras internacionais. Por muito que alguns de nós tentemos estabelecer um equilíbrio, sabemos que é em inglês que seremos mais valorizados enquanto docentes e investigadores. É-nos pedido que lecionemos em inglês, porque temos muitos alunos em regime Erasmus. Os congressos são todos em inglês, e até já se usa a palavra conferência para congresso quando conference quer dizer outra coisa.”
Um ex-camarada de redação contou-me que a nora lhe pediu para não ser tão estrito na revisão da sua tese académica, porque se começasse a eliminar sistematicamente os “implementares” iria arranjar problemas com os professores.
Algo de semelhante aconteceu a uma professora aposentada de Português, a quem fora pedido que revisse um trabalho na área dos recursos humanos. Quando quis corrigir o uso da aberração “presenteísmo” para designar aquele que no local de trabalho faz figura de corpo presente, a autora pediu-lhe para não o fazer por receio de vir a ser penalizada na avaliação.
Nem sempre foi assim. No Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) havia tradutores e revisores literários. As traduções eram acompanhada entre parêntesis pelos termos originais para que se soubesse do que se estava a falar. Pelo LNEC passou, entre outros, o jornalista e escritor Baptista-Bastos, enquanto Maria Isabel Barreno trabalhou no Instituto Nacional de Investigação Industrial (INII).
O “TU” DO FUTEBOLÊS
No futebol, falar bem é a exceção. Mas comparem-se os discursos atuais em “futebolês”, muitas vezes gritado e insultuoso, com as crónicas de um Carlos Pinhão ou um Aurélio Márcio nas páginas de “A Bola”. Em ambos os casos se fala de 22 sujeitos em calções aos pontapés a uma bola mas a diferença é abismal!
Em tempos, treinador que se prezasse usava mais vezes “na medida em que” do que a sua equipa metia golos. Os jogos perdiam-se “derivado ao vento”. E agora usa-se o metafórico “tu” como se tivesse deixado de haver sujeitos impessoais em português. Não se joga mas “tu jogas”. Não é o caso de alguém fazer um passe mas é “quando tu passas”. Os portugueses têm o “se”, os franceses o “on” mas os espanhóis ou os britânicos não. Porquê copiá-los?
A canção ‘You’ll never walk alone’ que ecoa nas bancadas do estádio de Anfield pertenceu originalmente a “Caroucel” (musical de 1945 e filme de 1956). Nesse contexto era uma mensagem de esperança de uma amiga para outra que acabara de perder o amor da sua vida. Por isso lhe cantava: “Se superares a escuridão e a dor, [tu que estás à minha frente] nunca estarás sozinha.” Quando 60 mil pessoas entoam o refrão “you’ll never walk alone” não estão a falar para nenhum “tu” à frente deles. Estão a dirigir-se aos 11 jogadores do Liverpool lá em baixo e o sentido é, portanto, vós que estais no relvado e nós aqui nas bancadas estaremos sempre lado a lado, ganhemos ou percamos.
Chamada de atenção elementar: em inglês you tanto é a segunda pessoa do singular (tu) como a segunda pessoa do plural (vós, vocês, alguém)...
A INOCÊNCIA PERDIDA DA PALAVRA
Valha a verdade, os meios de comunicação não estão isentos de culpas. Para um jornalista, a língua é uma das suas ferramentas de trabalho, porventura a mais importante. Ao trabalho jornalístico aplica-se a tese de Júlio César sobre as virtudes femininas: não basta ser sólido do ponto de vista das fontes, do rigor factual e do distanciamento — é preciso que o pareça, ou seja, que a linguagem seja rigorosa, formalmente correta e, ao mesmo tempo, capaz de envolver o leitor.
Não se trata apenas de evitar o português do “focado”, das “evidências” e do “implementar”. A escolha das palavras nunca é inocente. Os islamofascistas que massacraram nas ruas de Paris ou degolaram inocentes em Mossul ou Sirte não pertenciam a nenhum “estado islâmico” porque, nem este reunia as condições internacionais para ser aceite como tal nem a sua interpretação do islamismo era representativa, por primária, sanguinolenta e ultraminoritária. Por isso, boa parte dos media preferiram o acrónimo árabe Daesh, para nós um mero vocábulo destituído de carga, ainda que em árabe tenha alguma conotação irónica.
Em 2017, uma das comunicações apresentadas ao IV Congresso dos Jornalistas criticava a utilização da palavra “colaborador” no noticiário económico, uma vez que, subliminarmente, diluía a relação entre empregador e empregado, reduzindo este último a uma espécie de ser descartável, tendencialmente destituído de direitos laborais e a caminho da precariedade. E nessa altura ainda pouco se falava de “uberitos”, motoristas de táxis das plataformas e demais proletariado da internet...
Confinados que estamos, em vez de vermos palhaçadas no YouTube não perdíamos nada em (re)descobrir Raul Brandão, Teixeira de Pascoaes ou Sophia de Mello Breyner. Talvez implementássemos menos...