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sábado, 21 de março de 2026

Dia Mundial dos Glaciares: Por que o Destino dos Glaciares é o Nosso Próprio Destino


No calendário global, o dia 21 de março costuma ser associado ao início da primavera no hemisfério norte, um símbolo de renovação. No entanto, desde que a Assembleia Geral da ONU proclamou esta data como o Dia Mundial da Preservação dos Glaciares, o foco mudou para a conservação crítica do que já temos — e do que estamos prestes a perder. Os glaciares não são apenas blocos estáticos de gelo; são "sentinelas" que moldam a geologia, regulam a temperatura e sustentam a vida humana.

A ciência por trás da sua importância é fascinante e, ao mesmo tempo, alarmante. Estas massas de gelo funcionam como o sistema de refrigeração da Terra através do efeito albedo. Quando a radiação solar atinge a superfície branca e brilhante de um glaciar, a maior parte dessa energia é refletida de volta para o espaço. À medida que o gelo derrete e expõe a rocha escura ou o oceano abaixo, a taxa de absorção de calor aumenta. É um equilíbrio delicado que pode ser resumido pela relação física onde a variação da temperatura  é inversamente proporcional à capacidade de reflexão da superfície (efeito albedo). Pode imaginar o efeito albedo como o sistema de 'espelhos' da Terra. Os glaciares brancos refletem até 90% da luz solar de volta para o espaço, mantendo o planeta fresco. No entanto, quando o gelo derrete e expõe a rocha escura ou o oceano, a superfície passa a absorver a energia solar. Em termos físicos, a redução da refletividade (albedo) resulta num aumento catastrófico da absorção de calor. O infográfico abaixo ilustra claramente este ciclo de aquecimento.




O Ponto de Inflexão
De acordo com o Relatório AR6 do IPCC, a influência humana é 'inequívoca' no recuo global dos glaciares desde a década de 199. Os dados revelam que estamos a perder cerca de 220 mil milhões de toneladas de gelo anualmente, um ritmo que coloca ecossistemas inteiros num ponto de inflexão. Isto significa que certas perdas glaciares tornaram-se irreversíveis, independentemente dos nossos esforços imediatos. O recuo nestas áreas aumenta o risco de inundações catastróficas e, a longo prazo, de secas severas. O impacto não é apenas visual; é uma ameaça direta à segurança hídrica de mil milhões de pessoas que dependem destas fontes de água doce. 

No entanto, o Dia Mundial dos Glaciares não serve apenas para lamentar perdas. É um convite à ação. Do majestoso Perito Moreno na Argentina às cavernas de gelo azul do Vatnajökull na Islândia, estas estruturas guardam a história do nosso clima. Cada bolha de ar presa no gelo profundo é um registo atmosférico de milhares de anos — uma biblioteca congelada que projetos como o Ice Memory tentam salvaguardar em "santuários de gelo" na Antártida.

Porém a rapidez com que o restante gelo desaparece ainda depende das nossas ações hoje. Estima-se que mais de mil milhões de pessoas dependam do degelo sazonal para obter água potável, irrigação e energia. Regiões como os Andes e os Himalaias (o "Terceiro Polo") estão na linha da frente.  

Em 2026, a mensagem da ONU é clara: os glaciares são os "Guardiões do Futuro da Terra". Preservá-los é indissociável das metas de emissões zero. Reduzir a nossa pegada de carbono não é apenas um conceito abstrato; é o esforço direto para manter estes gigantes vivos. Ao celebrarmos este dia, devemos olhar para o gelo não como algo distante, mas como o espelho do nosso próprio destino. Se o gelo respira, nós respiramos.

Para saber mais:
World Glacier Monitoring Service (WGMS) - Global Glacier Change Bulletin

quinta-feira, 12 de março de 2026

Viktor Orri Árnason - Hino da Terra


Snæfellsnes é uma península no oeste da Islândia, conhecida pelas suas paisagens dramáticas e pelo glaciar Snæfellsjökull.
No âmbito do projeto “Our Common Nature” de Yo-Yo Ma, Viktor Orri Árnason compôs “Earth Hymn”. Filmado ao vivo à sombra do glaciar Snæfellsnes, com Yo-Yo Ma e um pequeno coro a cantar palavras retiradas da antiga poesia islandesa - este é um apelo ao mundo desde a orla de um planeta em mudança.
Esta é uma peça profundamente evocativa, inspirada na mitologia nórdica e na urgência climática atual. O texto original em nórdico antigo provém do Völuspá (A Profecia da Vidente), um dos poemas mais importantes da Edda em Verso.

I. O Renascimento
Sér hún upp koma
öðru sinni
jörð úr ægi
iðjagræna.
Falla fossar,
flýgur örn yfir,
sá er á fjalli
fiska veiðir.

Vê ela erguer-se, uma segunda vez,
a terra do oceano, de um verde exuberante;
caem as cascatas; sobrevoa a águia,
aquela que, no monte, captura o peixe.

II. A Morada de Ouro
Sal sér hún standa
sólu fegra,
gulli þaktan
á Gimlé.
Þar skulu dyggvar
dróttir byggja
og um aldurdaga
yndis njóta.

Vê ela um salão erguido,
mais brilhante que o sol,
coberto de ouro, em Gimlé:
ali habitarão as gentes honradas,
e para todo o sempre desfrutarão da alegria.

Notas Curiosas para Contexto
  1. Gimlé: na mitologia nórdica, é o lugar mais alto e belo, destinado a sobreviver ao Ragnarök (o fim do mundo). É o refúgio da luz.
  2. "Gentes honradas" (Dyggvar dróttir): a tradução de righteous people em Portugal ganha um peso ético e comunitário, remetendo para aqueles que vivem com integridade.
  3. O simbolismo: A imagem da águia a pescar no monte simboliza uma natureza que recuperou o seu vigor e abundância originais.
Créditos:
Viktor Orri Árnason, maestro e compositor
Yo-Yo Ma, violoncelo
Maria Konráðsdóttir - soprano, Hildigunnur Einarsdóttir - mezzo-soprano, Eyjólfur Eyjólfsson - tenor, Fjölnir Ólafsson - barítono, Philip Barkhudarov - baixo

quarta-feira, 24 de dezembro de 2025

Floco de neve visto ao microscópio electrónico


O cientista Nathan Myhrvold conseguiu registar as mais belas e detalhadas fotografias de flocos de neve já feitas! Isto graças a um trabalho árduo e a uma tecnologia de ponta, criada especialmente para registar estes pequenos cristais gelados.

A neve é um dos fenómenos meteorológicos mais fascinantes, responsável por criar cenários incríveis e encantadores quando precipita das nuvens e se acumula na superfície. Mas a sua beleza não se limita apenas às paisagens, existe uma beleza que não podemos vislumbrar a olho nu: os flocos de neve!

Nathan Myhrvold, ex CTO da Microsoft, afirma ter captado as imagens de flocos de neve de maior resolução do mundo.

Esta beleza difícil de ser vista foi o que inspirou Nathan Myhrvold a aventurar-se em mais um grande desafio: fotografar flocos de neve em alta resolução! Myhrvold foi diretor de tecnologia na Microsoft por muitos anos, mas deixou o seu cargo em 1999. À procura de novos desafios, passou a dedicar-se às suas paixões: cozinha e fotografia. Inclusive, ele é coautor do livro de receitas Modernist Cuisine, um livro de 5 volumes sobre a arte e a ciência de cozinhar.

Myhrvold disse à Accuweather que o seu desejo de fotografar flocos de neve começou quando decidiu que gostaria de fotografar coisas comuns que as pessoas vivenciam todos os dias. Mas ele queria que os temas das suas fotos fossem objetos que não podem ser vistos a olho nu, colocando-os em foco.

Entretanto, os desafios de fotografar flocos de neve são bem óbvios, sendo extremamente frágeis e minúsculos, medindo apenas alguns milímetros de diâmetro, um floco de neve pode derreter em segundos. Por isso, Myhrvold teve que pensar muito e arquitetar uma configuração tecnológica perfeita para superar todos estes desafios.

A tecnologia e a ciência por detrás das fotografias
Após 18 meses de trabalho duro, Myhrvold projetou e criou uma câmara de alta resolução personalizada combinada com um microscópio que funciona em climas frios. Para tal, ele teve que fazer uma série de adaptações, como, por exemplo, colocar fibra de carbono na moldura do seu microscópio, já que o metal se expande e contrai com a temperatura.

Para certificar-se de que os flocos não derretiam na lâmina do microscópio antes que os pudesse fotografar, Myhrvold decidiu usar safira artificial em vez de vidro, pois o vidro transmite bem o calor. Essa safira artificial era arrefecida para garantir que os flocos de neve ficassem intactos durante o maior tempo possível.

Até mesmo o esquema de iluminação por flash teve que ser adaptado. Myhrvold optou por luzes de LED que piscavam por apenas um milionésimo de segundo, que elimina tanto a transferência de calor quanto as vibrações, que poderiam destruir o espécime ou borrar a fotografia.

Assim que o equipamento estava pronto, havia outro desafio à sua espera: encontrar o local certo e capturar os flocos! Para isso, instalou-se em varandas em Fairbanks, Alasca e Yellowknife, Territórios do Noroeste, Canadá, sob temperaturas de até -20ºC! Com um pedaço de papelão coberto de veludo, Myhrvold capturou milhares de flocos de neve, mas nem todos estavam em perfeitas condições para serem fotografados.

Então, Myhrvold analisava cada floco com uma lupa, selecionava os melhores, capturava-os com um pequeno pincel e colocava-os na sua câmara microscópica, gerando as mais belas imagens de flocos de neve!

terça-feira, 16 de dezembro de 2025

World heading toward ‘peak glacier extinction’ with up to 4,000 set to disappear a year



Hundreds gathered to say goodbye when 700-year-old Pizol died. The funeral in Switzerland in 2019 was solemn. Mourners wore black; flowers were laid; a priest spoke. It was a symbolic moment: Pizol had been a glacier, but human-driven climate change had reduced it to some scattered chunks of ice.

Pizol is far from the first glacier death. Thousands have vanished over the past few decades and as the world continues to heat up, they are expected to disappear at an increasing pace. New research gives a glimpse of just how quickly that might happen, and it’s stark.

By the middle of the century, the number of glaciers disappearing is set to peak at up to 4,000 a year, if humans keep pumping out climate pollution, according to a study published Monday in Nature Climate Change. That’s equivalent to losing all the glaciers in the European Alps in just one year.

Research has tended to focus on the total amount or area of ice lost from glaciers as temperatures tick upward, rather than changes to their total number. This is partly because the number of glaciers is a less clearly defined metric. It depends on assessments of what constitutes a glacier and current inventories sometimes struggle to detect smaller or debris-covered ice bodies. Best estimates say there are currently more than 200,000 glaciers on Earth.

But the study authors say knowing where and when individual glaciers will vanish is important. It shows “climate change does not just lead to some ice melt, but it leads to the complete extinction of many glaciers,” said Matthias Huss, a study author and a glaciologist at the Swiss university ETH Zürich, who spoke at Pizol’s funeral back in 2019.

The scientists looked at the planet’s glaciers using a global database to pin down “peak glacier extinction,” meaning the period during which the largest number of glaciers disappear.

They used models to determine when each individual glacier would become too small to be classified as a glacier: defined as when its area falls below 0.01 square kilometers (0.004 square miles), or it reaches less than 1% of its initial volume, as measured around the year 2000.

Their analysis found that glacier extinction will peak around mid-century, with the exact timing and extent dependent on the level of global warming.

If the world manages to keep warming to 1.5 degrees Celsius above pre-industrial levels, something it is not on track to do, the number of individual glaciers disappearing will peak around 2041, at roughly 2,000 per year.

At 4 degrees of warming, that peak shifts to the mid-2050s and intensifies to around 4,000 a year. This is 3 to 5 times higher than the present rate of global loss, the report says.

The world is currently on course for around 2.7 degrees of warming if climate pledges are met. At this level, peak extinction will happen over a longer period, with the world losing around 3,000 glaciers a year between 2040 and 2060.

The researchers also drilled down to specific regions. In areas where smaller glaciers dominate, such as the European Alps, parts of the Andes and North Asia, more than half the glaciers are expected to disappear within the next two decades, the report found. They are also expected to see an earlier peak in glacier extinction, around 2040.

In contrast, regions with bigger glaciers, including Greenland and the Russian Arctic, will see a delayed peak in glacier extinction, later in the century.

Whether the world ends up witnessing the deaths of 2,000 or 4,000 glaciers a year is all about how much is done to rein in global heating.

Only 20% of glaciers are expected to remain by 2100 under 2.7 degrees of warming, compared to around 50% at 1.5 degrees. At 4 degrees, the world is looking at a nearly complete loss of glaciers.

“This study does a great job at highlighting the fact not only are glaciers melting worldwide, many of them may be entirely gone in the coming decades; and the trend is accelerating,” said Eric Rignot, professor of Earth system science at the University of California at Irvine, who was not involved in the research. It is “a point of no return, because reforming a glacier would take decades if not centuries,” he told CNN.

The losses will have significant implications. Glaciers are a vital source of water for many communities but beyond that, they are a tourist draw, attracting millions of visitors each year and many ski resorts depend on them. They also hold a deep cultural importance for communities, tied to local traditions.

“They are really icons of climate change,” said Harry Zekollari, a study author and glaciologist at the Vrije Universiteit Brussel in Belgium. “If you go to someone, you talk to them on the street about the fact that temperatures have risen by 2 degrees, it’s really difficult to picture, but glaciers, they’re so visual.”

sábado, 13 de dezembro de 2025

Estudo genético diz que os humanos terão chegado à Austrália há cerca de 60.000 anos, vindos de África

Como chegaram até ali? Simples, quase sempre a pé. Naquela altura, estávamos em plena Era Glaciar (Hürm) e o nível do mar era muito inferior ao de agora (100 a 120 m a menos), deixando extensas áreas, hoje submersas, fora de água. Duas massas terrestres, a primeira chamada Sundaland, na actual Indonésia e outra a Norte da Austrália que a unia a Timor Leste, bem como extensões de terra de outras ilhas, como Bornéu e Sumatra, deixaram pouca área marinha para atravessar, o que podia ser feito por simples pirogas ou com as jangadas tão típicas daquela zona.
Muito mais tarde, há cerca de 30 a 35.000 anos atrás, os humanos chegariam à América pela mesma razão, ao atravessar a pé o actual Estreito de Bering, que então era uma grande massa terrestre chamada Beríngia.
Estudo aqui

quinta-feira, 11 de dezembro de 2025

O Dia Internacional das Montanhas de 2025 destaca as comunidades e os ecossistemas das montanhas do mundo



O Dia Internacional das Montanhas é celebrado em todo o mundo anualmente em 11 de dezembro, e é um dia dedicado ao papel que as montanhas desempenham na manutenção da vida, da cultura e da biodiversidade. As montanhas ocupam aproximadamente 22% da área terrestre da Terra. e são o habitat natural de mais de 1.1 bilião de pessoas em todo o mundo. Elas oferecem rios, alimentos, energia e uma fonte de patrimônio cultural para as populações que vivem tanto em suas encostas quanto em áreas mais afastadas. Este Dia Internacional das Montanhas de 2025 é um momento para lembrar as comunidades de montanha e a natureza que delas dependem; portanto, o foco se volta para a necessidade de sua gestão sustentável para salvar essas áreas delicadas.

Ameaças aos ecossistemas de montanha
Ainda assim, os ecossistemas de montanha estão declinando de forma muito grave em várias partes do mundo. As mudanças climáticas aceleraram o derretimento das geleiras, elas estão recebendo chuvas em épocas nunca antes vistas e estão sofrendo deslizamentos de terra com mais frequência devido ao aquecimento global.

Corte de madeira, extração de minerais e atividades turísticas descontroladas. São exemplos de intervenções humanas que tornam o local ainda mais perigoso para os moradores dessas áreas. fauna e flora da montanha Essas regiões são particularmente vulneráveis, visto que um grande número de espécies está aclimatado a pouquíssimas condições climáticas. É de suma importância que protejamos esses ecossistemas para garantir o abastecimento contínuo de água e o equilíbrio ecológico para milhões de pessoas que vivem rio abaixo.

Comunidades de montanha: a vida em lugares altos
As montanhas não são meramente formações naturais; elas também abrigam civilizações e meios de subsistência distintos. Normalmente, comunidades indígenas e rurais Eles se dedicam à agricultura, à pecuária e ao turismo como fontes de renda. No entanto, estão na linha de frente para sofrer os impactos negativos das mudanças ambientais.[Fonte]

Neste dia, os eventos e projetos giram principalmente em torno do tema de equipar os habitantes com os meios de sobrevivência através da implementação de práticas ecologicamente corretas e do uso de energia renovávele a oferta de educação.

Aumentar a Conscientização e a Ação
O Dia Internacional das Montanhas de 2025 é uma oportunidade para aumentar a conscientização e agir em prol da conservação e do desenvolvimento sustentável de áreas de alta altitude. Muitas organizações promovem a data realizando workshops, organizando mutirões de limpeza comunitários, fornecendo informações educativas e patrocinando atividades de aventura para conectar as pessoas a essas paisagens majestosas. Este dia promove a colaboração global e o apoio mútuo para ajudar a garantir a prosperidade das montanhas. comunidades montanhosas e ecossistemas saudáveis.

Ao celebrarmos este dia, lembramos da importância das montanhas para a vida, a cultura e a regulação do clima da Terra, e que, ao protegê-las, podemos ajudar a garantir que as pessoas e os ecossistemas prosperem nas montanhas do mundo para as gerações futuras.

quinta-feira, 13 de novembro de 2025

Cocteau Twins - How to Bring a Blush to the Snow


A canção “How to Bring a Blush to the Snow”, dos Cocteau Twins, faz parte do álbum Victorialand (1986), um dos trabalhos mais etéreos e contemplativos da banda. Gravado sem o baixista Simon Raymonde, o disco apresenta uma sonoridade leve, dominada por guitarras cristalinas e ambientes sonoros quase imateriais, que criam a sensação de um espaço gelado e luminoso, entre a melancolia e o sonho. A faixa em particular destaca-se pelo seu clima de fragilidade e pela forma como as guitarras parecem “tremeluzir”, acompanhando a voz de Elizabeth Fraser — uma voz que não narra, mas se transforma num instrumento emocional.

Como em quase todas as canções dos Cocteau Twins, as letras são enigmáticas, por vezes ininteligíveis, e o significado é mais sugerido do que dito. O título, “How to Bring a Blush to the Snow” (“Como fazer a neve corar”), evoca a ideia de dar cor, calor ou vida a algo frio e imaculado. Pode ser lido como uma metáfora para o despertar da emoção num ambiente de silêncio e distância, ou como a tentativa de introduzir humanidade e ternura num mundo de gelo — literal ou simbólico. Há quem veja na canção uma meditação sobre o renascimento e a delicadeza, uma paisagem sonora onde o frio se dissolve aos poucos pela presença de algo vivo.

Em Victorialand, as referências à neve, ao vento e às paisagens árticas são recorrentes, e esta faixa parece representar o momento em que a natureza começa a mudar, quando o gelo ganha um leve rubor — o presságio da primavera ou do afeto. Mais do que transmitir uma mensagem concreta, a canção convida o ouvinte a uma experiência sensorial: é sobre sentir a beleza efémera do calor que toca o frio, do silêncio que ganha voz. O seu significado, como o próprio mundo dos Cocteau Twins, reside menos nas palavras e mais na emoção que provoca.

No no no no no (I did everything) (I want a banana) But it’s driving me bonkers (I did everything) (I want a banana) Every beddie time he cries (I want a banana) (I want a banana) They mostly never soothe them (Oh wonderful food-ah) (Oh wonderful food-ah) I did everything I did everything No no no no no (I did everything) (I want a banana) But it’s driving me bonkers (I did everything) (I want a banana) Every beddie time he cries (I want a banana) (I want a banana) They mostly never soothe them (Oh wonderful food-ah) (Oh wonderful food-ah) I did everything (The fold-over, proper cheeks, I got …) I did everything (… Be firm, I said “It’s very fattening!”) (oh) Rotondedissima Rotondo tondo tondo rotondo Rotondedissima Rotondo tondo tondo rotondo Rotondedissima Rotondo tondo tondo rotondo Rotondedissima Rotondo tondo tondo rotondo Don’t know, hurry, hurry (Oh wonderful food-ah) Siss, I miss your commentary (Oh wonderful food-ah) Any time he cries (You ate a banana) (You ate a banana) They mostly never soothe them (You ate a banana) (You ate a banana) Oh wonderful food-ah Oh wonderful food-ah Someone hurry, hurry (Oh wonderful food-ah) Siss, I miss your commentary (Oh wonderful food-ah) Any time he cries (You ate a banana) (You ate a banana) They mostly never soothe them (You ate a banana) (You ate a banana) Oh wonderful food-ah (The fold-over, proper cheeks, I got …) Oh wonderful food-ah (… Be firm, I said “It’s very fattening!”) Tondo Bravo Rota, did ya see you move a mondo Tondo Bravo Rota, did ya see you move a mondo

sábado, 25 de outubro de 2025

Anja Huwe / Xmal Deutschland - Polar Forest


Anja Huwe é a vocalista icónica dos lendários precursores do movimento pós-punk Xmal Deutschland. Após o sucesso da banda com quatro álbuns em editoras de culto como a 4AD, Huwe seguiu uma carreira nas artes visuais, sem nunca ter abandonado a sua paixão pela música através de várias plataformas criativas.

Convidada pela sua amiga de longa data Mona Mur, musicista, compositora e produtora, Huwe reconsiderou o seu hiato de décadas na música e decidiu juntar-se a Mur no seu estúdio em Berlim. Juntas, trabalharam durante um ano e meio, compondo, tocando e produzindo as faixas de raiz, que acabariam por se tornar no álbum “Codes”, lançado este ano pela Sacred Bones Records, de Nova Iorque.

O álbum apresenta sons electrónicos distintos, bem como o estilo único de guitarra Xmal de Manuela Rickers. O regresso de Anja Huwe aos palcos com a apresentação do seu requintado álbum a solo “Codes”, juntamente com uma sólida seleção de clássicos de Xmal Deutschland em interpretações modernas é inesperado, mas há muito esperado. “Codes” é a página que faltava nos livros de história do pós-punk, a tinta acabada de espalhar pela tela de décadas – é o produto da incansável vontade de sobreviver nos seus próprios termos.

quarta-feira, 1 de outubro de 2025

Superfície global do oceano atingiu a temperatura recorde de 21 graus em 2024

Extensão do gelo no Ártico e na Antártida está a atingir mínimos históricos, de acordo com outros dados recolhidos no relatório do Serviço de Monitorização Marinha do programa europeu Copernicus.

Superfície global do oceano atingiu a temperatura recorde de 21 graus em 2024© Daniele Semeraro

O ritmo do aquecimento do oceano está a "acelerar" e a temperatura global à superfície bateu um recorde na primavera de 2024, atingindo 21 graus Celsius (ºC), segundo um relatório do Serviço de Monitorização Marinha do programa europeu Copernicus.

"Todo o oceano é afetado pela tripla crise planetária: alterações climáticas, perda de biodiversidade e poluição", é referido no nono relatório sobre o estado dos mares do Serviço de Monitorização Marinha do programa da União Europeia de observação da Terra publicado esta terça-feira.

O nível do oceano está a subir a um ritmo sem precedentes de 40,8 milímetros (mm) por década, e a extensão do gelo no Ártico e na Antártida está a atingir mínimos históricos, de acordo com outros dados recolhidos no relatório.

"Reduzir as emissões, embora essencial, já não é suficiente por si só para salvar o planeta", conclui o relatório, sublinhando que "os governos devem restaurar os ecossistemas e reforçar as políticas oceânicas para proteger uma economia azul global que vale milhares de milhões".

De acordo com os dados apresentados, analisados por mais de 70 cientistas, o aquecimento da superfície do oceano é "particularmente rápido" e três vezes superior à média no Mar Negro, praticamente o mesmo que no Báltico, e mais do dobro da média no Mediterrâneo, onde o aumento é de 0,41ºC por década e as ondas de calor marinhas ocorrem entre 16 e 23 dias a mais a cada 10 anos.

Tanto 2023 como 2024 registaram ondas de calor "excecionalmente intensas e persistentes", que levaram a temperaturas da superfície do oceano 0,25ºC superiores aos recordes anteriores, superando os recordes de 2015 e 2016.

Houve zonas do Atlântico que, em 2023, experimentaram mais de 300 dias em condições de ondas de calor marinhas.

No verão desse ano, a onda de calor mais longa alguma vez registada no Mediterrâneo fez com que as temperaturas à superfície subissem 4,3 graus acima do normal naquele mar, ou seja, 40,8 mm de subida do nível do mar por década.

A subida global do nível do mar está também a "acelerar a um ritmo sem precedentes": 31,4 mm por década entre 1999 e 2006, 39,3 mm por década entre 2007 e 2015 e 40,8 mm por década entre 2016 e 2024.

O aumento cumulativo entre 1901 e 2024 é de 228 mm, sendo o risco resultante de inundações e erosão em zonas costeiras que albergam cerca de 200 milhões de pessoas.

Todos os países europeus com densidades populacionais costeiras acima das 200 pessoas por quilómetro quadrado estão a registar uma subida do nível do mar acima da média.

Em relação à perda de gelo marinho, o Ártico registou quatro mínimos históricos entre dezembro de 2024 e março de 2025, mês em que se registaram menos 1,94 milhões de quilómetros quadrados do que a média de inverno de longo prazo, uma área quase seis vezes superior à Polónia.

Na Antártida, 2025 marca o terceiro ano consecutivo de baixa extensão de gelo marinho. Em fevereiro, havia menos 1,6 milhões de quilómetros quadrados do que a média de longo prazo, uma área quase três vezes superior à de França.

O aquecimento e a acidificação afetam 16% dos corais ameaçados e 30% dos severamente ameaçados.

Os resíduos plásticos poluem todas as bacias oceânicas e, entre os países que emitem mais de 10.000 toneladas por ano, 75% fazem fronteira com os recifes de coral.

O Serviço de Monitorização Marinha é um dos seis que compõem o programa de observação da Terra Copernicus, financiado pela União Europeia.

segunda-feira, 14 de julho de 2025

Um verme ancestral acaba de acordar de um congelamento de 46.000 anos


Conheça o Panagrolaimus kolymaensis — o verme da Era Glacial que desafiou a extinção.

Num impressionante renascimento da Era Glacial, cientistas conseguiram despertar um verme microscópico que permaneceu congelado no permafrost siberiano por impressionantes 46.000 anos.

Identificado como Panagrolaimus kolymaensis, esse antigo nematoide foi descoberto a 40 metros de profundidade, na Sibéria, onde permaneceu em animação suspensa desde a época em que os primeiros humanos pintavam cavernas. Ao descongelar, o verme voltou à vida, alimentou-se de bactérias numa placa de Petri, reproduziu-se assexuadamente e morreu — deixando para trás uma nova geração para os pesquisadores estudarem.

Publicado na PLOS Genetics, o estudo revela a extraordinária capacidade do verme de sobreviver a estresse ambiental extremo. Assim como seu parente Caenorhabditis elegans, o P. kolymaensis provavelmente resistiu ao congelamento por meio da secagem e do uso de moléculas protetoras como a trealose. As implicações vão muito além da biologia antiga: esse feito de sobrevivência expande os limites conhecidos da criptobiose e sugere que a vida poderia persistir em ambientes hostis muito além da Terra — levantando novas questões para a exploração espacial e a definição da resiliência da vida.

Saber mais:

quinta-feira, 10 de julho de 2025

Prémio Gulbenkian atribuído à Antarctic and Southern Ocean Coalition



A vencedora do Prémio Gulbenkian para a Humanidade 2025, que distingue" contribuições notáveis para a ação climática e soluções que inspiram esperança e novas possibilidades", é a Antarctic and Southern Ocean Coalition (ASOC).

A Antarctic and Southern Ocean Coalition conquistou este reconhecimento, refere a Fundação Gulbenkian pelo ”trabalho na proteção de uma das regiões do mundo mais sensíveis às alterações climáticas".

“Numa fronteira crítica do sistema climático global, a ASOC é um exemplo da forma como a colaboração internacional duradoura, a advocacy alicerçada na ciência e uma gestão ambiental responsável são essenciais para garantir um futuro sustentável para todos”; lê-se no comunicado da fundação.

O júri, presidido pela antiga chanceler alemã, Angela Merkel, selecionou o vencedor de entre 212 nomeações de 115 países. O prémio tem um valor monetário de um milhão de euros.

Fundada em 1978, “a ASOC reuniu organizações ambientais de prestígio de mais de 10 países, formando uma coligação resiliente e articulada de membros, parceiros, ativistas e apoiantes. Visto que a Antártida se encontra fora da jurisdição de uma só nação, a cooperação multilateral tem sido essencial para a sua proteção", refere a Gulbenkian.

A diretora Executiva da ASOC, Claire Christian, salienta a “honra” que esta distinção confere à ASOC porque afirma e reconhece “o poder da ação coletiva e a importância vital de proteger o Antártico e o Oceano Austral. Estas regiões podem parecer distantes, mas são fundamentais para a saúde e o futuro do planeta”.

A região da Antártida, lembra Angela Merkel, “é um ecossistema único e frágil, particularmente vulnerável aos efeitos das alterações climáticas. Ao situar-se fora da jurisdição de um só país, a região precisa de um nível extraordinário de cooperação internacional para proteger e preservar este recurso precioso”.

Foi, por isso, que "o júri quis reconhecer as conquistas da Antarctic and Southern Ocean Coalition e a forma como tem demonstrado que a colaboração global é possível. A Antarctic and Southern Ocean Coalition transmite esperança às gerações vindouras e é uma justa vencedora deste prémio.”

“Para Miguel Bastos Araújo, biogeógrafo e vice-presidente do júri do Prémio Gulbenkian para a Humanidade, “a Antártida e o seu oceano são o ‘anel único’ do planeta, tal como o mítico anel de Tolkien em ‘O Senhor dos Anéis’, que concentra um poder que molda o destino de todos”. A imagem deve-se ao facto de “a Antártida e o Oceano Austral concentrarem funções essenciais para o equilíbrio do clima, da biodiversidade e do nível do mar”, refletindo radiação solar, atuando como sumidouro de carbono ou moderando os ventos e os sistemas atmosféricos globais. “Sem a integridade deste ‘anel’, o mundo entra em descompasso climática, ecológica e politicamente”, reforçou, frisando que “a ação incansável da ASOC merece, de forma inequívoca, o Prémio.”

Lembra ainda a Fundação Gulbenkian que este prémio é atribuído “numa altura em que as Nações Unidas declararam 2025 como o Ano Internacional da Preservação dos Glaciares” e que a “comunidade internacional está finalmente a reconhecer o papel essencial da criosfera — os mantos de gelo, os glaciares e as calotes polares da Terra — na regulação do clima”.

A importância da distante Antártida
"Ao longo dos últimos 50 anos, a ASOC tem demonstrado, de forma consistente, como uma voz única, assente num objetivo partilhado e num compromisso a longo prazo, pode influenciar a governação e a preservação de um dos ambientes mais intocados do planeta”.

Apesar da sua localização remota, a Antártida é um pilar da estabilidade global. O Tratado da Antártida, assinado em 1959, atribuiu-lhe a designação de continente de paz e cooperação, tornando-a reserva para fins pacíficos e de investigação científica.

Com cerca de 90% do gelo terrestre e cerca de 70% da água doce do planeta, a Antártida é fundamental para este esforço. O Oceano Antártico representa, por si só, cerca de 10% do oceano global e alberga quase 10.000 espécies únicas.

As suas poderosas correntes regulam as temperaturas do planeta, impulsionam os ciclos de nutrientes e sustentam a biodiversidade marinha que constitui a base da cadeia alimentar global.

Contudo, lembra a Gulbenkian, a região encontra-se atualmente num momento crítico, enfrentando impactos climáticos acelerados, nomeadamente anomalias extremas na temperatura, ondas de calor marinhas e diminuição do gelo marinho, com partes da Antártida a aquecerem mais do dobro da média global


sábado, 22 de junho de 2024

Cientistas descobrem população de ursos polares que sobrevive com pouco gelo


Um grupo de cientistas da Universidade de Washington descobriu uma subpopulação de ursos-polares (Ursus maritimus) que vive com pouco gelo marinho no sudeste da Gronelândia. Com as alterações climáticas e cada vez menos gelo no Ártico, a sobrevivência das populações de ursos polares tem sido um tema cada vez mais preocupante. A equipa decidiu estudar esta população isolada, de forma a compreender como é que se adapta a este ambiente – o que pode trazer novas respostas para o futuro da espécie nesta região, que é cada vez mais afetada pelo aquecimento global.

Foram recolhidos dados que compreendem um período de sete anos, tendo os mesmos sido cruzados com dados históricos dos últimos 30 anos. Sabe-se, agora, que têm uma grande diferença genética das outras populações de ursos polares.“São a população de ursos polares mais geneticamente isolada do planeta. Sabemos que esta população vive separada de outras populações de ursos polares há pelo menos várias centenas de anos e que o tamanho da sua população ao longo do tempo permaneceu pequeno”, explica a investigadora Beth Shapiro, da Universidade da Califórnia em Santa Cruz.

Uma das características que os distingue é serem “caseiros” e manterem-se sempre no mesmo local. Mesmo quando se deslocam para caçar, estes ursos regressam a casa. Para caçar as focas, eles recorrem aos blocos de gelo que se desprendem do manto de gelo e flutuam pela água doce, saltando depois na hora de regressar. Outra diferença está no seu tamanho: comparativamente a outras populações, as fêmeas adultas são menores e têm menos crias.

“Se estiver preocupado em preservar a espécie, então sim, as nossas descobertas são esperançosas – acho que nos mostram como alguns ursos polares podem persistir sob as alterações climáticas”, refere a autora principal do estudo, Kristin Laidre. “Mas não acho que o habitat das geleiras vá sustentar um grande número de ursos polares. Simplesmente não existe o suficiente. Continuamos a esperar grandes declínios de ursos polares no Ártico”.

domingo, 2 de junho de 2024

Descobertos fósseis que podem ter sido dos maiores animais do mundo


Entre 1976 e 1990 foram descobertos restos fósseis que pertencem a três novos ictiossauros na Formação Kössen, nos Alpes Suíços. Os paleontólogos encontraram um dente que acreditam ser o maior de que há registo, com uma largura duas vezes maior do que qualquer réptil aquático conhecido. Além disso, encontraram também a maior vértebra de tronco da Europa, que pertencia a um ictossauro, e que compete com o maior fóssil de réptil marinho descoberto até hoje – um da espécie Shastasaurus sikkanniensis, com 21 metros de comprimento. O grupo acredita, por isso, que estes fósseis desenterrados na Suíça podem pertencer aos maiores animais que já viveram no Planeta.

“Talvez existam mais restos das gigantes criaturas marinhas escondidas debaixo das geleiras”, sugere Martin Sander, principal autor do estudo. “Haviam apenas três grupos de animais que tinham massas superiores a 10-20 toneladas métricas: dinossauros de pescoço longo (saurópodes); baleias; e os ictiossauros gigantes do Triássico”, explica.

Os ictiossauros surgiram na Terra há cerca de 250 milhões de anos atrás, e atingiram a sua maior diversidade no Triássico Médio, tendo ainda algumas persistido durante o período Cretáceo. O seu corpo era idêntico ao das baleias, e o focinho muito parecido ao dos golfinhos.

Os espéciemes gigantes foram encontrados principalmente na América do Norte, mas também nos Himalaias e na Nova Caledónia. Contudo, esta descoberta confirma a expansão dos mesmos, que era ainda desconhecida.

“Em Nevada, vemos o início dos verdadeiros gigantes, e nos Alpes, o fim. Apenas os golfinhos de médio a grande porte – e com formas semelhantes às orcas sobreviveram no Jurássico”, afirma Martin Sander.

segunda-feira, 22 de janeiro de 2024

Gronelândia perdeu mais de 5 mil quilómetros quadrados de gelo desde 1985


O manto de gelo da Gronelândia, o segundo maior do mundo, perdeu cerca de 5.091 quilómetros quadrados de gelo desde 1985, de acordo com um estudo publicado na revista Nature.

Embora esta quantidade tenha tido um impacto relativamente pequeno na subida do nível do mar, a perda de gelo pode ter implicações na circulação oceânica e, consequentemente, na distribuição da energia térmica global.

Os lençóis de gelo em todo o mundo sofreram um recuo nas últimas décadas, com o lençol de gelo da Gronelândia, em particular, a registar um período de perda de massa acelerada desde a década de 1990.

Os modelos climáticos preveem, com um elevado nível de certeza, que esta perda de gelo na Gronelândia irá continuar, mas a investigação sobre a forma como o manto de gelo recuou anteriormente poderá oferecer uma ideia do seu comportamento futuro.

Chad Greene e os seus colegas utilizaram imagens de satélite para estabelecer 236.328 posições de terminais glaciares de 1985 a 2022.

A partir daí, os autores quantificaram a extensão do parto – o processo de rutura do gelo na extremidade de um glaciar – e as alterações nos bordos do manto de gelo e, consequentemente, a área total de gelo perdida.

Os autores descobriram que o manto de gelo da Gronelândia tinha perdido cerca de 5.091 quilómetros quadrados de gelo nas últimas quatro décadas. Esta área equivale a cerca de 1.034 gigatoneladas (1.034 triliões de quilogramas) de gelo. Mais especificamente, a camada de gelo diminuiu em média 218 quilómetros quadrados por ano desde janeiro de 2000, segundo a análise.

Os autores observam ainda que este recuo não parece contribuir substancialmente para a subida do nível do mar, mas pode desempenhar um papel nos padrões de circulação oceânica e na forma como a energia térmica é distribuída pelo planeta.

Greene e os seus coautores descobriram também que alguns dos glaciares do manto de gelo da Gronelândia que registaram a maior diferença entre o crescimento no inverno e o recuo no verão num único ano (incluindo o Jakobshavn Isbræ e o Zachariæ Isstrøm) foram também os glaciares que mais recuaram entre 1985 e 2022. Isto indica que a variabilidade sazonal dos glaciares pode ser um fator de previsão do recuo a longo prazo.

sábado, 9 de dezembro de 2023

“Numa trajetória desastrosa”: Cientistas alertam para risco de cinco pontos de inflexão da Terra


O aquecimento médio do planeta continua a progredir, impulsionado pelas emissões de gases com efeito de estufa geradas pelas atividades humanas e pela degradação e destruição da Natureza. Em 2015, em Paris, os governos do mundo acordaram que era preciso agir para impedir que a Terra aqueça mais do que 1,5 graus até ao final do século.

De ano para ano, surgem alertas de novos recordes de temperaturas máximas, de secas intensas, de incêndios devastadores e de tempestades sem precedentes, e, com isso, multiplicam-se o alertas de que é preciso fazer mais, melhor e mais rapidamente.

Apesar de ainda se considerar que nem tudo está para já perdido e que há tempo, mesmo que pouco, e conhecimento suficiente para alcançar esse objetivo, a janela de oportunidade está a fechar-se rapidamente e as ações climáticas tardam em chegar.

De acordo com os mais de 200 investigadores do projeto internacional Global Tipping Points, se nada for feito para contrariar essa tendência, a Terra poderá ultrapassar, pelo menos, cinco limiares naturais, pontos de inflexão em que pequenas alterações podem resultar em transformações rápidas e profundas, e além dos quais consequências negativas para a humanidade e para a Natureza podem ser irreversíveis. E três deles podem ser cruzados já na próxima década.

Num comunicado divulgado pela Universidade de Exeter, que coordenou o trabalho, os cientistas dizem que esta é “a avaliação dos pontos de inflexão mais abrangente alguma vez feita” e explicam que “a humanidade está atualmente numa trajetória desastrosa”.

Entre os limiares que poderão ser ultrapassados nos próximos anos, os cientistas destacam o colapso de grandes mantos de gelo na Gronelândia e na Antártida ocidental, o derretimento do pergelissolo (ou permafrost), a mortalidade generalizada de recifes de corais de água quente e o colapso da circulação atmosférica no Atlântico Norte.

Para Tim Lenton, um dos investigadores, “os pontos de inflexão no sistema da Terra representam ameaças de uma magnitude nunca antes enfrentada pela humanidade” e “podem provocar efeitos em dominó devastadores, incluindo a perda de ecossistemas inteiros e a capacidade para fazer uma agricultura estável, com impactos sociais que incluem deslocações em massa, instabilidade política e colapso financeiro”.

A investigação analisou 26 “pontos de inflexão negativos do sistema da Terra” e concluiu que “a atual governança global não é adequada à escala do desafio”, e que a manutenção do estado de coisas “já não é possível”, visto que “rápidas alterações na natureza e nas sociedades estão já a acontecer, e mais estão para vir”.

“Sem ação urgente para travar as crises climática e ecológica, as sociedades serão assoberbadas, enquanto o mundo natural se degrada”, avisam.

Apesar do tom alarmista do relatório, os cientistas acreditam que é possível promover “pontos de inflexão positivos”, que permitam contrair os negativos e manter o planeta numa rota de sustentabilidade.

“Uma cascata de pontos de inflexão positivos salvaria milhões de vidas”, pouparia biliões de dólares em prejuízos provocados por eventos climáticos extremos e permitira “começar a restaurar o mundo natural do qual todos nós dependemos”.

Lenton afirma que ações positivas estão já a ser realizadas, como o fortalecimento da aposta nas energias renováveis, a expansão da mobilidade elétrica e a transição para dietas menos intensas em produtos de origem animal.

Manjana Milkoreit, da Universidade de Oslo e que esteve também envolvida no projeto, considera que ações concretas para evitar os piores cenários “deverá ser o principal objetivo da COP28”.

E os investigadores deixam algumas sugestões para os líderes mundiais: acabar com as emissões dos combustíveis fósseis até 2050, reforçar a adaptação e os mecanismos de financiamento de perdas e danos, coordenar esforços globais para promover pontos de inflexão positivos, criar “uma cimeira global urgente sobre pontos de inflexão” e aprofundar o conhecimento sobre esses fenómenos.

“Resolver as crises climática e da natureza exigirá grandes transições em muitos setores – de mudanças nas dietas ao restauro de florestas”, passando pelo “abandono progressivo do motor de combustão interna”, avisa Kelly Levin, do Bezos Earth Fund, instituição parceira do projeto.

segunda-feira, 30 de outubro de 2023

Mensagem Secretário-geral sobre os Glaciares da Região do Monte Evereste


Alerta climático!
No Nepal, o secretário-geral das Nações Unidas envia uma mensagem para o mundo:
“Os telhados do mundo estão a desabar."

O Nepal perdeu cerca de um terço do seu gelo em pouco mais de 30 anos e os glaciares estão a derreter a um ritmo recorde.
O facto de os glaciares do Nepal terem derretido 65 % mais depressa na última década do que na anterior "significa que podemos estar perante uma tragédia: o desaparecimento total dos glaciares.”

Por isso, António Guterres apela ainda: "Os glaciares estão a recuar, mas nós não podemos. Temos de acabar com a era dos combustíveis fósseis. Temos de agir agora para proteger as pessoas que estão na linha da frente. E para limitar o aumento da temperatura global a 1,5ºC, para evitar o pior do caos climático. O mundo não pode esperar.”

quarta-feira, 11 de outubro de 2023

Esgotamento de oxigénio. Um cisne negro?


1. Nos últimos 20 anos, a quantidade de oxigénio na atmosfera da Terra tem diminuído. Embora a queda possa parecer pequena agora, não temos a certeza de como esta tendência poderá evoluir no futuro.

2. A investigação sugere que este declínio no oxigénio pode acelerar ao longo do tempo. 

3. Se esta tendência continuar, os humanos poderão sobreviver na atmosfera atual por mais cerca de 3.600 anos.

4. A redução do oxigénio é apenas uma das muitas mudanças ambientais. Também estamos a ver mais dióxido de carbono no ar, aumento das temperaturas, padrões climáticos imprevisíveis e degelo das calotas polares. Todas estas mudanças estão interligadas e podem ter consequências graves para o nosso futuro.

5. As alterações na nossa atmosfera, incluindo a diminuição dos níveis de oxigénio, são sinais de que precisamos de estar mais conscientes das nossas ações.

Segundo o estudo, conclui que se nada fizermos, o futuro dos humanos na Terra poderá estar em risco.

terça-feira, 1 de agosto de 2023

Manifesto - Urge Mitigar as Alterações Climáticas Antropogénicas


Todos os dias, neste Verão quente que estamos a viver, a comunicação social enche o seu espaço noticioso com as altas temperaturas registadas por todo lado. Seria bom que, por arraste, trouxesse à ribalta, com a mesma intensidade e frequência, os cientistas que sabem falar sobre este assunto, visando uma política de educação sobre estas matérias, dirigida a uma população cientificamente inculta (e não só) e desinteressada dessas culturas, a que a Escola, em geral, tem dado e continua a dar diplomas, mas não deu nem continua a dar conhecimento. Há excepções, claro.
Sem menosprezar os efeitos da sociedade poluente que, lamentavelmente, nos caracteriza, vale a pena lembrar as alterações climáticas naturais que os geólogos, de há muito, puseram em evidência. Este é um dado do problema. Outro é a evidência de que já temos de estarmos a destruir, não o Planeta (esse tem vida assegurada por mais 5 mil milhões de anos), mas uma boa parte da biodiversidade e nessa parte está a humanidade.
O ritmo das alterações climáticas naturais, como se pode ver no quadro abaixo, tem sido da ordem dos milhares de anos e tudo leva crer que assim se manterá. A este ritmo, a sociedade humana sustentável, num equilíbrio possível com a natureza teria uma longevidade nessa ordem de grandeza. Acontece que a sociedade ultra consumista, que estamos a viver, está a diminuir drasticamente a duração deste ritmo, o que, posso admitir, irá criar graves dificuldades aos nossos netos. Já aqui o escrevi, a este ritmo, em associação com toda sobreexploração e poluição que estamos a causar, um dia virá em que um copo de água vale mais do que um diamante.
A bem dos nossos descendentes é, pois, preciso que os “donos do mundo” e a comunicação social (que tem aqui um papel importantíssimo) se disponham a pôr travão a este caminhar para o abismo a que estamos a assistir. Também é preciso que voltem a surgir, por todo o mundo, mais Gretas Thunberg, a menina tão mal tratada que foi por parte de inconfessáveis interesses.
Durante o Quaternário, ocorreram fortes oscilações climáticas, à escala do planeta, traduzidas em fases glaciárias que alternaram com fases interglaciárias, de que resultaram quatro glaciações: Gunz, Mindel, Riss e Würm. Diga-se que estas foram antecedidas, no Pliocénico, pelas glaciações Biber e Donau.
Nome e idade em mil anos                                                      
Pós-Glaciário 10 - presente                               
Glaciação Würm 10 - 80                                                                 
Interglaciário Riss-Würm,  80 - 140                     
Glaciação Riss 140 - 200                                                                   
Interglaciário Mindel-Riss 200 - 450                 
Glaciação Mindel 450 - 580                                                                
Interglaciário Günz-Mindel 580 - 750                   
Glaciação de Günz 750 - 1.100                                          
Estamos. pois, não o esqueçamos, desde há 10 mil anos, num período Pós-glaciário, de aquecimento global, portanto, que continuará a aquecer, até voltar a arrefecer se as condições naturais assim o determinarem. Repito dizendo que o que estamos, estupidamente, a fazer é a acelerar o ritmo natural com evidentes danos para os nossos netos.

No pico da última glaciação, a Würm, a calote escandinava avançou em território europeu até latitudes próximas dos 50º, cobrindo-se também de neves permanentes as zonas montanhosas.
Em Portugal, os gelos cobriram permanentemente os cumes das serras da Estrela, Peneda e Gerês. Na actualidade podemos encontrar evidentes registos da acção erosiva glaciária na Serra da Estrela, fortemente afectada por esta glaciação e que teve o seu pico nesta zona do País há cerca de 80 a 20 mil anos.

sexta-feira, 7 de julho de 2023

O Planeta continua a aquecer!

Num caminho cujo final se desconhece, mas se antevê seja um precipício, o Planeta continua a aquecer!

Dia 4 de Julho foi o dia mais quente do mundo já registado, ultrapassando o recorde de 17,01°C da véspera, dia 3, atingindo a temperatura média global 17,18°C; os especialistas preveem que este recorde seja ultrapassado em breve.

Os recordes mundiais de temperatura foram quebrados pelo segundo dia consecutivo, e os especialistas emitiram um alerta de que os dias mais quentes deste ano ainda estão por vir – e com eles os dias mais quentes já registados. (Fonte: Centro Nacional de Previsão Ambiental dos EUA).

Em 2020, a temperatura média global ficou cerca de 1,2°C acima do nível pré-industrial. Para este ano, com a formação do fenómeno El Niño agravado pelas mudanças climáticas, já ultrapassamos os recordes da temperatura média global do ar na Terra duas vezes. A previsão é que o mês de Julho seja o mais quente de todos os tempos. Nos próximos meses, o mundo pode ultrapassar o marco de aquecimento de 1,5°C com ondas de calor intenso (Fonte: BBC).

O relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, IPCC deixa claro: se ultrapassarmos 1,5°C de aquecimento as consequências serão irreversíveis e estamos perigosamente à beira do precipício. O mundo enfrentará uma crise humanitária sem precedentes. (Fonte: ONU - Relatório do Estado do Clima Global da Organização Meteorológica Mundial (OMM)

Por isso, e não só, defender o ambiente é defender a vida de cada um de nós: a Agência Europeia do Ambiente (AEA) estima que 18% das mortes por doenças cardíacas na Europa são causadas por problemas ambientais, nomeadamente a poluição e as temperaturas extremas Este número está subestimado, pois há muitos parâmetros ambientais que não foram considerados no estudo. (Fonte: Lusa, 23/06/2023).

Por que é que a Terra está a aquecer tanto nos últimos 100 anos?

Durante milhares de anos, a natureza regulou a concentração de gases na atmosfera que retêm o calor emitido pela Terra e agem como uma estufa para permitir a vida no planeta. Isso começou a mudar depois da Revolução Industrial quando indústrias passaram a queimar combustíveis fósseis como fonte de energia e promover o consumo e descarte em massa, causando um aumento exponencial das emissões não naturais de gases do efeito estufa. Neste curto período de 150 anos, o planeta ficou coberto por uma capa densa de gases que aprisiona o calor do Sol.

Uma pesquisa publicada pela Science reconstruiu a temperatura do planeta nos últimos 11 mil anos e chegou a mesma conclusão que relatórios já vinha alertando: no século XX a Terra aqueceu mais do que em qualquer outro momento desde o fim da última era glacial.

Quem são os principais poluidores?

Dados mostram que 100 empresas de combustíveis fósseis são responsáveis por 70% das emissões de gases efeito estufa históricas de todo o planeta e as 20 maiores Petrolíferas e Companhias de Gás são responsáveis por um terço de toda essa emissão sozinhas . A americana Chevron sozinha tem emissões projetadas equivalentes às emissões anuais de 364 centrais a carvão, e mais do que as emissões de 10 países europeus combinadas por um período semelhante de três anos.

Apesar de todos conhecerem esses dados, a indústria do petróleo investe milhões de dólares para persuadir tomadores de decisão, acionistas e o público que leva a sério a ação climática (Influence Map- 2022).

O caminho é a redução do consumo, o aumento da eficiência energética, a pesquisa de novas fontes de energia menos poluentes, a par com a renaturalização de amplas áreas do planeta.[IPCC AR6 Synthesis Report: Summary for Policymakers 2023]

P.S. O IPCC conta com a revisão de 270 autores-pesquiadores de 67 países e mais outros 675 colaboradores ao redor do mundo debruçados sobre mais de 34 mil artigos e 62 mil comentários de países para organizar a análise científica.

terça-feira, 6 de junho de 2023

Pico do Evereste - uma montanha de lixo


Antes do descalabro, em 1991, o Comitê de Controle de Poluição de Sagarmatha (SPCC) foi fundado para ajudar a manter limpa a região de Khumbu, em parte por meio do gerenciamento de locais de coleta de lixo controlados. Tudo estava mais ou menos controlado. Com a chegada de nômadas digitais, turistas de toas a espécie, só pensavam nas selfies no pico do Everest, ignorando o lixo que produziam. 
A primeira grande denúncia chego em  2015, onde se mostravam que as pilhas de lixo têm aumentado exponencialmente nesta região.
Na língua tibetana, o Monte Evereste é chamado de “Chomolungma” (“Qomolangma” em chinês), que significa “deusa mãe do mundo”. Para o povo sherpa, a montanha é um lugar sagrado, merecedor de dignidade e respeito.

Hoje, o Evereste está tão superlotado e cheio de lixo que é chamado de “o depósito de lixo mais alto do mundo”.

Mais de 600 pessoas tentam escalar o Monte Evereste a cada temporada de escalada durante as poucas semanas do ano, quando as condições climáticas são perfeitas. Além disso, para cada alpinista há pelo menos um trabalhador local que cozinha, transporta equipamentos e orienta a expedição. A montanha ficou tão superlotada que muitas vezes os alpinistas precisam ficar na fila por horas em condições de frio congelante para chegar ao topo, onde o ar é tão rarefeito que é necessária uma máscara de oxigênio para respirar. Eles caminham em fila indiana a passos de tartaruga sobre o Degrau Hillary, o último obstáculo antes do cume. Quando os alpinistas finalmente chegam ao cume, mal há espaço para ficar de pé por causa da superlotação.

Cada um desses alpinistas passa semanas na montanha, ajustando-se à altitude numa série de acampamentos antes de avançar para o cume. Nesse período, cada pessoa gera, em média, cerca de oito quilos de lixo, e a maior parte desse lixo fica na montanha. As encostas estão repletas de cilindros de oxigénio vazios descartados, barracas abandonadas, recipientes de comida e até fezes humanas. No Acampamento Base, há banheiros em tendas com grandes barris de coleta que podem ser carregados e esvaziados. Mas é aí que terminam as instalações sanitárias. No restante da expedição, os alpinistas precisam se aliviar na montanha.

Ninguém sabe exatamente quanto lixo há na montanha, mas é em toneladas. O lixo está vazando das geleiras e os acampamentos estão transbordando com pilhas de dejetos humanos. A mudança climática está fazendo com que a neve e o gelo derretam, expondo ainda mais lixo que foi coberto por décadas. Todo esse lixo está destruindo o ambiente natural e representa um sério risco à saúde de todos que vivem na bacia hidrográfica do Evereste.

A bacia hidrográfica do Parque Nacional de Sagarmatha é uma importante fonte de água para milhares de pessoas que vivem em comunidades ao redor do Monte Evereste. A bacia hidrográfica inclui a terra que direciona as chuvas e o degelo das montanhas para os córregos e rios. Não há gestão de resíduos ou instalações sanitárias na área, então o lixo e o esgoto são despejados em grandes poços fora das aldeias locais, onde são levados para os cursos d'água durante a estação das monções. A bacia hidrográfica local foi contaminada, o que pode ser incrivelmente perigoso para a saúde da população local. Sabe-se que a água contaminada com matéria fecal causa a propagação de doenças mortais transmitidas pela água, como cólera e hepatite A.

O que sobe tem que descer
Tanto os governos quanto as organizações não-governamentais (ONGs) tentaram – e estão tentando – limpar a lixeira no Monte Everest. Em 2019, o governo nepalês lançou uma campanha para limpar 10.000 quilos  de lixo da montanha. Eles também iniciaram uma iniciativa de depósito, que está em andamento desde 2014. Quem visita o Monte Evereste tem que pagar um depósito de $ 4.000, e o dinheiro é devolvido se a pessoa retornar com oito quilos de lixo - a quantia média que um único pessoa produz durante a subida.

Não são apenas as autoridades locais tentando fazer a diferença. Durante anos, o Comitê de Controle de Poluição de Sagarmatha (SPCC) trabalhou incansavelmente para manter a região limpa. O SPCC é uma ONG sem fins lucrativos administrada por sherpas locais. Eles gerenciam o lixo na área ao redor do Monte Everest, garantem que as pessoas tenham permissão legal para escalar e educam os visitantes sobre como cuidar do meio ambiente.

O Projeto de Biogás do Monte Evereste também está a trabalhar para encontrar uma solução sustentável de longo prazo para o problema de saneamento da área. Eles têm planos de construir um sistema movido a energia solar que transformaria dejetos humanos em combustível para as comunidades locais. De acordo com o site do projeto, isso impediria que as fezes humanas fossem despejadas nas aldeias locais, o que reduziria o risco de contaminação da água e criaria mais empregos locais.

Desde que Edmund Hillary e Tenzing Norgay chegaram ao cume em 1953, mais de 4.000 pessoas seguiram seus passos, e outras centenas tentam a escalada a cada temporada. Algumas pessoas argumentaram que o governo nepalês deveria ter regras mais rígidas sobre quantas pessoas podem tentar escalar o Monte Everest a cada ano, mas o Nepal depende da renda que os alpinistas trazem para a área. No Nepal, uma em cada quatro pessoas vive abaixo da linha da pobreza, e as licenças de escalada geram milhões de dólares em receita para a economia local. Os visitantes do parque também geram empregos e salário para a população local que oferece hospedagem ou trabalha como carregadores e guias.