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sábado, 25 de abril de 2026

De James Monroe a Donald Trump


Entre a escravatura silenciada e a “regeneração nacional” trumpista, o que une as mensagens presidenciais não é a grandeza imperial, mas a tentativa de conter, em cada época, as fissuras abertas pelos de baixo.

Mais ou menos eficazes, os discursos governamentais estão carregados de ideologias e as suas análises requerem, entre outros procedimentos, o exame das estruturas e práticas sociais no interior das quais foram produzidos. Isto pode evitar a disseminação de abordagens unilineares e teleológicas que considerem os processos históricos como resultantes, fundamentalmente, da inquestionável vontade dos dominantes. Esta temporalidade de uma nota só bloqueia a perceção de contradições complexas e facilita a perceção da história como um processo imune a múltiplas formas de resistência e mesmo a revoluções advindas, em grande parte, da iniciativa dos dominados e dominadas.

A 2 de dezembro de 1823, o presidente dos EUA, James Monroe, apresentou uma mensagem ao Legislativo dos EUA acerca da política do conjunto da sua gestão governamental. Um dos eixos do discurso era o complexo processo de territorialização do jovem país. Oito décadas mais tarde, em dezembro de 1904, Theodore Roosevelt explicitou que, em relação ao novo contexto internacional, a mensagem que enviava ao Congresso atualizava as formulações de James Monroe.

Em novembro de 2025, Donald Trump, agora em cumprimento da Lei Goldwater-Nichols, enviou uma mensagem às duas Câmaras legislativas, na qual também afirmou que, no que toca à política internacional, especialmente com vista ao Hemisfério Ocidental, produziu o que ele próprio intitulou Corolário Trump.

A América para os americanos
Mesmo ausente do texto escrito, a famosa frase expressa, em termos muito gerais, a mensagem de 1823. Mas, de James Monroe ao MAGA, fica o problema: qual América?

Já no início, James Monroe justificou a sua mensagem com a referência à soberania do povo, pilar de um “sistema político” (expressão do próprio) que, fruto de “nossa revolução” (a independência dos EUA), é condição para que os seus cidadãos sejam os mais prósperos e felizes do mundo. Neste sentido, o presidente afirmou que a escolha de tal sistema pelos movimentos de independência fazia com que qualquer interferência das metrópoles fosse considerada uma agressão aos próprios EUA.

Em todo o texto, James Monroe (de onde veio o nome Monróvia, da atual Libéria) não se referiu aos escravos, cuja exploração era a base da economia do sul, inclusive da Virgínia, onde nasceram ele e mais três dos quatro primeiros presidentes dos EUA. Nem à Lei dos Três Quintos, que contabilizava 60% dos escravos em cada estado para fins de aumento da bancada dos sulistas na Câmara dos Representantes. Na única menção aos indígenas, James Monroe elogiou a repressão aos Arikaees, devidamente punidos pelo ataque para que o “espírito hostil” não se estendesse a outras tribos. Medidas “para conter o mal”, sentenciou (p. 6).

Nos idos de 1823, os EUA eram uma formação social com a forte presença de relações pré-capitalistas, uma classe dominante nacionalista, inclusive a fração esclavagista, sequiosa por ampliar a fronteira agrícola; um expansionismo que era conduzido em sentido mais estratégico pelos dirigentes da política estatal. A produção e exportação algodoeira para a indústria inglesa acelerava-se, mas com tecnologia ainda anterior à explosão dos anos 1830. Várias condições favoreciam uma agressiva política estatal de produção de uma territorialidade que articulasse a escravatura, no sul, e a dominação burguesa, a norte.

Esta relação de unidade e contradição entre o escravagismo e o capitalismo embrionário manifestava-se, inclusive, nas complexas negociações em torno dos impactos da incorporação de cada novo território, pois, ao implicar o acolhimento ou a rejeição do escravagismo, gerava efeitos sobre a correlação política interna do país. A questão da territorialidade também produzia tensões relativas às Caraíbas como rota comercial e/ou em termos militares.

A cada um, a sua revolução
James Monroe também silenciou sobre a única revolução de escravos vitoriosa da história, ocorrida no que é, desde então, o Haiti, com enorme repercussão nas três Américas e na Europa. A mensagem operou um corte entre relações de produção e sistema político, o que lhe permitiu legitimar, no plano discursivo, uma ordem escravagista. Não constituídos estruturalmente como sujeitos, os escravos não podem (?) fazer uma revolução.

Apropriações sociais de leitura: desde crianças, “sabemos” que James Monroe, uma espécie de Pai Natal, foi o primeiro governante a reconhecer a independência do Brasil, este país imperial escravagista. Pouco se ensina que, tal como os seus antecessores Jefferson e James Madison e todos os que o sucederam até à Guerra de Secessão, Monroe não reconheceu a independência do Haiti. Até propositadamente, a sua mensagem teve pequena repercussão imediata e só recebeu o nome de doutrina quando, cerca de duas décadas mais tarde, foi apropriada por patriotas preocupados em salvar a “América”, vista como nação branca ilhada pela decadência do escravagismo na Europa, em países independentes da América e mesmo em colónias francesas e britânicas.
Outras apropriações sociais vieram.

O populismo antissistema de Andrew Jackson
A ligação de Donald Trump a Andrew Jackson não é apenas uma preferência histórica passageira, mas sim uma escolha estratégica e pessoal que molda profundamente a sua identidade política. Para compreender esta admiração, é necessário olhar para Jackson como o grande divisor de águas da democracia americana no século XIX, uma vez que ele foi o primeiro presidente a não pertencer à elite aristocrática da Virgínia ou de Massachusetts. Sendo um militar de origem humilde, conhecido pelo seu temperamento explosivo e por uma lealdade feroz aos seus seguidores, Andrew Jackson serve de espelho para Trump, que se apresenta como uma figura externa ao sistema que chegou ao poder com a missão de o limpar e de devolver o governo aos cidadãos comuns.

O ponto central desta identificação reside no populismo antissistema, pois tal como Trump critica frequentemente a burocracia de Washington, também Jackson travou uma guerra aberta contra o Segundo Banco dos Estados Unidos, por o considerar uma ferramenta de corrupção das elites financeiras contra o trabalhador comum. Trump vê nesta postura de combatente o arquétipo do líder forte que não se verga às normas da etiqueta política sempre que estas interferem na sua agenda. Este simbolismo tornou-se evidente logo na tomada de posse de 2017, quando Trump escolheu o retrato de Jackson para decorar a parede da Sala Oval, enviando a mensagem clara de que não governaria como um republicano tradicional, mas como um herdeiro do Jacksonianismo, focado no nacionalismo económico e numa relação direta com a sua base eleitoral.

Além disso, Trump admira a resiliência física e política de Andrew Jackson, um homem que sobreviveu a duelos e enfrentou processos no Congresso sem nunca recuar. Para Trump, a política é vista como uma arena de força onde a vontade do povo, representada pelo líder, deve prevalecer sobre as instituições que tentam contê-la. Em suma, Jackson é o modelo ideal para Trump porque forneceu um precedente histórico para o seu estilo de liderança, sendo simultaneamente um herói para os seus apoiantes e uma figura profundamente disruptiva para os seus opositores.

Theodore Roosevelt e a aurora do imperialismo estado-unidense
Trinta anos após a Guerra de Secessão, os EUA não só se tornaram a primeira economia mundial como ingressaram no estágio imperialista do capitalismo. Ao lado de um extraordinário processo de acumulação e centralização de capital, deu-se uma intensa imigração – e, com ela, mais racismo – e o colonialismo de novo tipo. Houve um empobrecimento do campesinato e ampliação do número de trabalhadores urbanos, grande parte em situação de miséria nas grandes cidades industriais. Cresceram as mobilizações de massas e politizaram-se lutas, inclusive processos eleitorais.

Por intermédio da guerra com a Espanha, iniciou-se uma grande ofensiva sobre as Caraíbas, com o domínio de Cuba e Porto Rico, e, na bacia do Pacífico, a conquista do Havai, Ilhas de Guam e das Filipinas, onde haveria forte e heróica resistência popular. Enfim, a grande América em expansão marítima.

Tal como a mensagem de James Monroe, a de Th. Roosevelt era otimista. Ele afirmou que, numa sequência de bons governos, a prosperidade era notável e havia aprovação popular. Tudo isto dinamizado pelo industrialismo, a “nota dominante da sociedade moderna” e, com isso, a importância das relações capital-trabalho, “especialmente capital organizado e trabalho organizado” (p. 1). Ao contrário do silêncio de Monroe sobre os produtores diretos, Th. Roosevelt dedicou cerca de 11 das 33 páginas da sua mensagem a esta relação, referindo-se a políticas intervencionistas em múltiplas esferas da vida social: do direito dos trabalhadores se organizarem para se defenderem contra “abusos das grandes corporações” ao trabalho infantil e da mulher grávida, acrescentando que o maior dever da mulher é “ser mãe, dona de casa” (p. 10).

Mas, acima de tudo, defendia a responsabilidade e a tolerância entre capitalistas e assalariados. Ele próprio racista, declarou-se contra o preconceito em relação a migrantes e negou que houvesse riscos de chegarem em excesso, desde que fossem “do tipo certo”. No plano externo, expandiu a área de influência nas Caraíbas e na Bacia do Pacífico, onde forçou a política de portas abertas na China e arbitrou o conflito entre os impérios Japonês e Russo, o que lhe assegurou, em 1906, o Nobel da Paz.

James Monroe declarou opor-se à intervenção de potências europeias nos processos em curso pela independência na América porque estes adotavam um “sistema político” semelhante ao dos EUA e, portanto, superior ao delas. E, ao dirigir-se a elas, a sua posição era altiva, mas defensiva.

Já a mensagem de Th. Roosevelt era explicitamente agressiva. Alertava para os males que ocorreriam se, na ausência de “algum grau de controlo internacional sobre as nações infratoras”, as “potências mais civilizadas… de maior senso de obrigação internacional e com a mais aguda e generosa apreciação do certo e do errado, se desarmassem” (p. 29). Daí a importância de, sempre que necessário, elas, armadas, exercerem um poder de polícia internacional (id.).

A aparente mitigação do hobbesianismo primário ficava por conta da comunhão de interesses entre atacante e atacado. “Os nossos interesses e os dos nossos vizinhos do sul são… idênticos” (p. 30); ou as Filipinas não precisavam de “independência alguma…” (p. 36). E, num esforço de síntese transoceânica, afirmou que, “em relação a Cuba, Venezuela e Panamá, ao esforçarmo-nos para circunscrever o teatro de guerra no Extremo Oriente e para assegurar a abertura das portas na China, agimos no nosso próprio interesse, bem como no interesse da humanidade em geral” (p. 31).

domingo, 1 de março de 2026

O esverdeamento global (global greening) está a deslocar-se para Nordeste

Para visualizar melhor aqui

Um novo estudo liderado pelo Centro Alemão de Investigação Biológica Integrativa (iDiv), pelo Centro Helmholtz de Investigação Ambiental e pela Universidade de Leipzig revelou que a "onda verde" da Terra — o indicador da saúde e atividade da vegetação — está a deslocar-se gradualmente para nordeste. 
Através de um método inovador que calcula o centro de massa da vegetação global, os cientistas conseguiram monitorizar como a densidade das folhas verdes se move pelo planeta ao longo das décadas. Para ilustrar o conceito, o autor principal, Miguel Mahecha, sugere imaginar um globo com pequenos pesos aplicados em cada ponto onde existe vegetação; ao colocar esse globo na água, o centro de massa apontaria sempre para baixo, permitindo seguir a sua oscilação.
Utilizando observações de satélite e modelos de dados, a equipa descobriu que este "centro verde" oscila anualmente entre a Islândia, em meados de julho, e a costa da Libéria, em março, seguindo o ritmo das estações. 
No entanto, a análise de longo prazo revelou uma tendência preocupante e inesperada: um desvio consistente para norte em todas as estações do ano. Ao contrário do que previam, os investigadores não observaram um desvio compensatório para sul durante o verão do Hemisfério Sul. Esta mudança parece ser impulsionada por invernos mais amenos e épocas de crescimento mais longas no Hemisfério Norte, que permitem que a vegetação permaneça verde por períodos mais extensos.
Além do movimento para norte, o estudo identificou uma deslocação nítida para leste, fenómeno que os especialistas associam a focos de esverdeamento intenso em regiões como a Índia, a China e a Rússia. Este processo de "esverdeamento global" é amplamente influenciado pela atividade humana, uma vez que o aumento do CO2 atmosférico funciona como um fertilizante que potencia a fotossíntese, enquanto a subida das temperaturas altera os ciclos biológicos. Este novo método de monitorização oferece agora uma ferramenta crucial para compreender como a superfície viva do planeta se está a reorganizar face ao aquecimento global, ligando fatores como a migração animal, a dinâmica de incêndios e as interações entre a biosfera e o clima.
Este novo método de monitorização funciona como um termómetro visual da saúde do planeta, mostrando que a Terra não está apenas a aquecer, está a transformar-se fisicamente.

quarta-feira, 28 de março de 2012

Leymah Gbowee: Libertem a inteligência, a paixão e a grandeza das jovens mulheres


Biografias:
Leymah Gbowee

Gbowee Peace Foundation Africa 


00:00
Muitas vezes, viajo pelo mundo a falar e as pessoas fazem-me perguntas acerca dos desafios, os meus momentos, alguns dos meus arrependimentos. 1998: Uma mãe solteira com quatro filhos, três meses após o nascimento do meu quarto filho, fui trabalhar como assistente de investigação. Fui para o norte da Libéria. E fazia parte do trabalho a aldeia dar-me alojamento. E fiquei numa casa com uma mãe solteira e a sua filha.

00:44
Essa rapariga era a única, em toda a aldeia, a ter conseguido estudar até ao 9º ano. Ela era motivo de piada pela comunidade. Muitas vezes as outras mulheres diziam à sua mãe "Tu e a tua filha vão morrer pobres". Depois de duas semanas a trabalhar nessa aldeia, chegou a altura de me ir embora. A mãe aproximou-se de mim, ajoelhou-se, e disse "Leymah, leve a minha filha. Eu queria que ela se tornasse numa enfermeira." Muito pobre, a viver em casa dos meus pais, não podia fazer nada. Com lágrimas nos olhos, disse "Não".

01:34
Dois meses mais tarde, fui para outra aldeia com a mesma tarefa e pediram-me que fosse viver com a chefe da aldeia. A mulher chefe da aldeia tinha uma criança pequena, a mesma cor de pele que eu, toda suja. E passava o dia inteiro só com roupa interior vestida. Quando perguntei quem era, disseram-me "Chama-se Wei. O seu nome significa porco. A sua mãe morreu ao dar à luz e ninguém sabe quem é o pai." Fez-me companhia durante duas semanas, dormia comigo. Comprei-lhe roupas usadas e comprei-lhe a sua primeira boneca. Na noite antes de partir, ela veio ter comigo e disse "Leymah, não me deixe aqui. Quero ir consigo. Quero ir para a escola". Muito pobre, sem dinheiro, a viver com os meus pais, voltei a dizer "Não". Dois meses depois, essas duas aldeias entraram novamente em guerra. Até hoje, não sei o que é feito dessas duas meninas.

02:47
Avançando até 2004: No auge do nosso activismo, o Ministro de Género da Libéria chamou-me e disse "Leymah, tenho uma criança de 9 anos para ti. Quero que a leves para casa, pois não temos casas seguras." A história desta criança: Tinha sido violada pelo avô paterno diariamente durante 6 meses. Estava inchada, muito pálida. Todas as noites eu chegava do trabalho e deitava-me no chão frio. Ela deitava-se ao meu lado e dizia "Tia, quero ficar bem. Quero ir para a escola."

03:27
2010: Uma jovem apresenta-se perante a presidente Sirleaf e dá o seu testemunho de como ela e os irmãos vivem todos juntos, os pais morreram durante a guerra. Ela tem 19 anos, o seu sonho é ir para a Universidade para poder sustentá-los. É bastante atlética. Ela candidata-se a uma bolsa de estudos. Bolsa completa. Ela consegue-a. O seu sonho de ir para a escola, o seu desejo de estudar finalmente concretiza-se. Vai para a escola no primeiro dia. O director de desporto, responsável pela sua vinda para o programa, chama-a à parte. E nos três anos que se seguem, o seu destino será ter relações sexuais com ele todos os dias, para pagar o favor de ter sido aceite naquela escola.

04:18
A nível mundial, temos políticas, instrumentos internacionais, líderes trabalhistas. Pessoas incríveis comprometeram-se em proteger as nossas crianças da necessidade e do medo. A ONU tem a Convenção dos Direitos das Crianças. Na América, têm a lei chamada "Nenhuma Criança Será Deixada para Trás". Outros países têm diferentes iniciativas. No Desenvolvimento do Milénio há o objectivo Três que se foca em mulheres jovens. Todas estas grandes iniciativas de pessoas extraordinárias que têm como objectivo levar os jovens até onde queremos que eles vão globalmente, na minha opinião, falharam.

04:59
Na Libéria, por exemplo, a taxa de gravidez na adolescência é de 3 em cada 10 jovens. A prostituição entre adolescentes é a mais alta de sempre. Numa comunidade, dizem, acorda-se de manhã e vê-se preservativos usados como se fossem papéis de pastilha elástica usada. Raparigas de 12 anos a prostituirem-se por menos de um dólar por noite. É desolador, é triste. E alguém me perguntou, pouco antes do meu TEDTalk, há uns dias atrás, "Então, onde está a esperança?".

05:35
Há muitos anos, alguns amigos meus decidiram que era preciso fazer a ligação entre a nossa geração e a geração de mulheres jovens. Não é suficiente dizer que existem duas mulheres liberianas premiadas com o Nobel quando os filhos das nossas jovens estão por aí, sem esperança ou aparentemente sem ela. Criámos um espaço chamado "Young Girls Transformative Project" (Projecto de Transformação de Jovens Mulheres). Dirigimo-nos às comunidades rurais e aquilo que fazemos, assim como nesta sala, é criar o espaço. Quando estas jovens se sentam, libertamos a inteligência, libertamos a paixão, libertamos o compromisso, libertamos objectivos, libertamos grandes líderes. Até hoje, trabalhámos com mais de 300. E algumas dessas jovens, que entram na sala muito tímidas, foram corajosas, enquanto mães jovens, ao manifestarem-se e ao defenderem os direitos de outras mulheres jovens.

06:39
Conheci uma jovem, mãe adolescente com quatro filhos, que nunca pensou em acabar o liceu, formou-se com sucesso; que nunca pensou em ir para a Universidade, matriculou-se numa. Um dia ela disse-me, "O meu desejo é terminar a Universidade e ser capaz de sustentar os meus filhos." Encontra-se numa situação em que não consegue arranjar dinheiro para estudar. Vende água, vende refrigerantes e vende cartões recarregáveis para telemóveis. E podemos pensar que ela iria pegar nesse dinheiro e investir na sua educação. O seu nome é Juanita. Ela pega nesse dinheiro e procura mães solteiras na sua comunidade para que voltem a estudar. Ela diz "Leymah, eu queria estudar. Mas se eu não posso fazê-lo, ao ver algumas das minhas irmãs estudarem, o meu sonho concretiza-se. Quero uma vida melhor. Quero ter comida para os meus filhos. Quero que o abuso sexual e a exploração nas escolas acabe." Este é o sonho da jovem africana.

07:45
Há muitos anos, havia uma rapariga africana. Essa rapariga tinha um filho que queria um donut, porque estava faminto. Zangada, frustrada e muito chateada pelo estado da sua sociedade e o estado dos seus filhos, esta jovem iniciou um movimento, um movimento de mulheres comuns unidas para construir a paz. Eu irei realizar esse desejo. Este é o desejo de outra rapariga africana. Eu não realizei o desejo daquelas duas raparigas. Falhei em fazer isso. Era isto que passava pela cabeça de outra jovem mulher: falhei, falhei, falhei. Então farei isto. As mulheres manifestaram-se, protestaram contra um ditator brutal, falaram sem medo. Não só realizaram o desejo de um donut, como também o de alcançar a paz. Esta jovem mulher também queria estudar. Foi para a escola. Esta jovem mulher tinha outros desejos, que se concretizaram.

08:57
Hoje, essa jovem mulher sou eu, premiada com um Nobel. Embarquei numa viagem para realizar o desejo, com as minhas limitadas capacidades, das meninas africanas o desejo de estudarem. Criámos uma organização. Concedemos bolsas completas de quatro anos a meninas provenientes de aldeias, nas quais vemos potencial.

09:20
Não tenho muito para vos pedir. já estive em alguns lugares aqui nos E.U.A, e sei que as raparigas aqui também têm desejos, querem uma vida melhor algures no Bronx, querem uma vida melhor algures na baixa de L.A., querem uma vida melhor algures no Texas, querem uma vida melhor algures em Nova Iorque, querem uma vida melhor algures em Nova Jérsia.

09:46
Querem embarcar comigo nesta viagem para ajudar aquela rapariga, seja africana, americana, ou japonesa, a concretizar o seu desejo, o seu sonho, a alcançar esse sonho? Porque todos os grandes inovadores e inventores com quem falámos e que vimos, nos últimos dias, estão também sentados em cantos minúsculos, em diferentes partes do mundo, e tudo o que nos pedem é que criemos esse espaço para libertar a inteligência, libertar a paixão, libertar todas as grandezas que guardam dentro de si. Vamos embarcar nesta viagem juntos. Vamos embarcar nesta viagem juntos.

10:32
Obrigado.

10:34
(Aplausos)

10:57
Chris Anderson: Muito obrigado. Actualmente na Libéria, qual é a questão que mais a preocupa?

11:06
LG: Pediram-me para liderar a "Iniciativa de Reconciliação da Libéria". Como parte da minha função, faço estas viagens em diferentes aldeias e cidades, 13 a 15 horas em estradas de terra, e não houve nenhuma comunidade em que não houvesse raparigas inteligentes. Mas infelizmente, a visão de um grande futuro ou o sonho de um grande futuro, é somente um sonho, porque existem todos estes vícios. A gravidez na adolescência, que como eu disse, é epidémica.

11:43
Por isso, o que me preocupa é ter estado nesse lugar e, de certo modo, estou neste lugar, e não quero ser a única a estar neste lugar. Procuro formas de ter outras jovens comigo. Daqui a 20 anos quero olhar para trás e ver que há outra jovem liberiana, do Gana, da Nigéria, da Etiópia, aqui neste palco TED. E talvez, somente talvez, a dizer "Por causa da Leymah estou aqui hoje". Por isso fico preocupada quando vejo que não têm esperança. Mas também não sou pessimista, porque sei que não é preciso muito para as motivar.

12:29
CA: E durante o ano passado, conte-nos algo promissor que tenha presenciado.

12:35
LG: Posso contar-lhe muitas coisas promissoras. Mas no ano passado, na aldeia onde a presidente Sirleaf nasceu, trabalhámos com algumas raparigas. E não encontrámos 25 raparigas que frequentassem o liceu. Todas elas trabalhavam na mina de ouro e a maior parte eram prostitutas que faziam outras coisas. Pegámos em 50 dessas raparigas e trabalhámos em conjunto com elas. E isto foi no início da campanha eleitoral. É um local onde as mulheres, mesmo as mais velhas, nunca se sentavam no mesmo círculo que os homens. Mas estas jovens juntaram-se, formaram um grupo e lançaram uma campanha de registo eleitoral. É uma vila mesmo rural. E o lema que usaram foi: "Até as raparigas bonitas votam". Conseguiram mobilizar as mulheres jovens.

13:24
Mas não só, foram até aos candidatos e perguntaram-lhes "O que é que vão dar às raparigas desta comunidade se ganharem?". E um deles, já eleito, porque a Libéria tem uma das mais pesadas leis sobre a violação e ele era um dos que realmente lutava por isso no parlamento, para mudar essa lei, por considerar bárbaro. Ele dizia que a violação não era bárbara, mas sim a lei. E quando as raparigas começaram a questioná-lo, ele foi bastante hostil para com elas. Elas viraram-se para ele e disseram "Vamos fazer com que não seja reeleito". E ele não foi reeleito.

14:03
(Aplausos)

14:09
CA: Leymah, obrigado. Muito obrigado por ter vindo ao TED.

14:12
LG: De nada. (CA: Obrigado.)

14:14
(Aplausos)

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Números do Financial Secrecy Index - as empresas de notação são apenas um dos prismas


2009 Results 
Download: PDF | Excel

Secrecy Jurisdiction Opacity Score Global Scale Weight Opacity Component Value Financial Secrecy Index Value Financial Secrecy Index Rank
USA (Delaware) 92 0.17767 84.6 1503.80 1
Luxembourg 87 0.14890 75.7 1127.02 2
Switzerland 100 0.05134 100.0 513.40 3
Cayman Islands 92 0.04767 84.6 403.48 4
United Kingdom (City of London) 42 0.19716 17.6 347.79 5
Ireland  62 0.03739 38.4 143.73 6
Bermuda 92 0.01445 84.6 122.30 7
Singapore 79 0.01752 62.4 109.34 8
Belgium 73 0.01475 53.3 78.60 9
Hong Kong 62 0.01986 38.4 76.34 10
Jersey 87 0.01007 75.7 76.22 11
Austria 91 0.00511 82.8 42.32 12
Guernsey 79 0.00580 62.4 36.20 13
Bahrain 92 0.00278 84.6 23.53 14
Netherlands 58 0.00689 33.6 23.18 15
British Virgin Islands 92 0.00177 84.6 14.98 16
Portugal (Madeira) 92 0.00146 84.6 12.36 17
Cyprus 75 0.00206 56.3 11.59 18
Panama 92 0.00128 84.6 10.83 19
Israel 90 0.00128 81.0 10.37 20
Malta 83 0.00126 68.9 8.68 21
Hungary 75 0.00136 56.3 7.65 22
Malaysia (Labuan) 100 0.00072 100.0 7.20 23
Isle of Man 83 0.00084 68.9 5.79 24
Philippines 83 0.00074 68.9 5.10 25
Latvia 75 0.00073 56.3 4.11 26
Lebanon 91 0.00032 82.8 2.65 27
Barbados 100 0.00026 100.0 2.60 28
Macao 87 0.00025 75.7 1.89 29
Uruguay 87 0.00024 75.7 1.82 30
United Arab Emirates (Dubai) 92 0.00018 84.6 1.52 31
Mauritius 96 0.00013 92.2 1.20 32
Bahamas 100 0.00011 100.0 1.10 33
Costa Rica 92 0.00006 84.6 0.51 34
Vanuatu 100 0.00005 100.0 0.50 35
Aruba 83 0.00004 68.9 0.28 36
Belize 100 0.00002 100.0 0.20 37
Netherlands Antilles 75 0.00002 56.3 0.11 38
Brunei* 100 0.00001 100.0 0.10 joint 39
Dominica* 100 0.00001 100.0 0.10 joint 39
Samoa* 100 0.00001 100.0 0.10 joint 39
Seychelles* 100 0.00001 100.0 0.10 joint 39
St Lucia* 100 0.00001 100.0 0.10 joint 39
St Vincent & Grenadines* 100 0.00001 100.0 0.10 joint 39
Turks & Caicos Islands* 100 0.00001 100.0 0.10 joint 39
Antigua & Barbuda* 92 0.00001 84.6 0.08 joint 46
Cook Islands* 92 0.00001 84.6 0.08 joint 46
Gibraltar* 92 0.00001 84.6 0.08 joint 46
Grenada* 92 0.00001 84.6 0.08 joint 46
Marshall Islands* 92 0.00001 84.6 0.08 joint 46
Nauru* 92 0.00001 84.6 0.08 joint 46
St Kitts & Nevis* 92 0.00001 84.6 0.08 joint 46
US Virgin Islands* 92 0.00001 84.6 0.08 joint 46
Liberia* 90 0.00001 81.0 0.08 54
Liechtenstein* 87 0.00001 75.7 0.08 joint 55
Anguilla* 87 0.00001 75.7 0.08 joint 55
Andorra* 83 0.00001 68.9 0.07 57
Maldives* 80 0.00001 64.0 0.06 58
Montserrat* 79 0.00001 62.4 0.06 59
Monaco* 67 0.00001 44.9 0.04 60
*   Jurisdictions marked with an asterix are ranked according to their opacity score.
O segredo bancário no mundo- escandaloso!

::>Total de empresas registadas numa moradia em Luxemburgo (paraíso fiscal): 19 mil
::>(quase ao lado de Haiti) Total de empresas registadas nas Bristish Virgin Islands: 813.516
 ::>50% do comércio mundial passa pelos paraísos fiscais (dados da ATTAC)
::>1 bilião de dólares ao ano, é o valor de perda de receita fiscal dos países da OCDE
por causa dos paraísos fiscais
::> 11.5 biliões de dólares é o montante transferido para off-shores pelos homens mais ricos do mundo

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Financial Secrecy Index  que denuncia não apenas os paraísos fiscais mas também as "jurisdições de segredo", um conceito alargado para incluir não apenas os países com forte sigilo bancário, como a Suíça, mas também aqueles que como o Reino Unido, EUA, Irlanda (sim! em 6º)  e em  e Portugal, na Madeira (17º- vergonha!!!) apresentam buracos legislativos que permitem a evasão fiscal e a opacidade dos seus sujeitos activos (adaptado de Visão, 7 Julho 2011).


sexta-feira, 29 de dezembro de 2006

Thomas Fuller, conhecido como o "Calculador Mental"


29 de dezembro de 1790 marca a morte do famoso matemático Thomas Fuller, conhecido como o "Calculador Mental".

Morreu em 29 de dezembro de 1790, o falecido Thomas Fuller era um escravo africano conhecido por suas habilidades em matemática. Ele foi capturado na África por escravos brancos e enviado para os EUA em 1724, quando tinha apenas 14 anos.

Ele era tão bom em matemática que conseguia fazer cálculos inimagináveis. Um dia, quando lhe perguntaram quantos segundos havia em um ano e meio, ele respondeu em aproximadamente dois minutos, 47304000. Pró-abolicionistas e filantropos brancos usaram seu talento como prova de que os escravos negros eram iguais aos brancos em inteligência.

Thomas Fuller foi um grande matemático, mas infelizmente esquecido da história.




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