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quinta-feira, 25 de setembro de 2025

Amazon lança Centro de Excelência Water-AI Nexus


Numa era em que a tecnologia avança a passos largos e os desafios ambientais se intensificam, surge uma aliança sem precedentes, que promete redefinir a gestão dos recursos hídricos globais. A Water Environment Federation (WEF), a Amazon.com, Inc., o The Water Center at the University of Pennsylvania (WCP) e a The Leading Utilities of the World (Leading Utilities) anunciaram hoje a criação do Centro de Excelência Water-AI Nexus. Esta colaboração pretende assegurar infraestruturas de Inteligência Artificial (IA) sustentáveis no uso da água e alavancar o poder da IA na procura de soluções para a crise hídrica global.

O Water-AI Nexus
O anúncio do Centro de Excelência decorreu na Climate Week NYC, o maior evento climático anual nos Estados Unidos, o que sublinha a urgência e relevância da iniciativa. O Water-AI Nexus dedicar-se-á principalmente a duas missões:

  • Água para a IA – para garantir que a infraestrutura de IA utiliza a água da forma mais eficiente possível, com a otimização do consumo dentro das Regiões AWS e Zonas de Disponibilidade que albergam as cargas de trabalho de IA.
  • IA para a Água – aproveitar as vastas capacidades da Inteligência Artificial (e Machine Learning), em plataformas como o Amazon SageMaker e outras, de análise de dados, para resolver desafios urgentes de escassez e gestão hídrica. O que inclui análises preditivas de procura, deteção de anomalias em redes e otimização de processos de tratamento.

Ralph Erik Exton, diretor executivo da WEF, sublinha a importância desta união: “As empresas de água em todo o mundo, enquanto servem comunidades que dependem de serviços de água fiáveis e acessíveis, enfrentam desafios sem precedentes devido às alterações climáticas e a infraestruturas envelhecidas. O Water-AI Nexus vem acelerar a inovação e conectar profissionais da água com especialistas em IA para que desenvolvam soluções que beneficiem ambos os setores, e as comunidades. Esta plataforma colaborativa promove o desenvolvimento de soluções nativas na cloud e a otimização da gestão da água com recurso a dados.”

Boas Práticas Para o Uso Sustentável da Água
Uma das principais iniciativas do Centro de Excelência Water-AI Nexus é a criação de diretrizes e padrões para o uso responsável da água no setor de IA. O objetivo é promover as melhores práticas na indústria e estabelecer critérios de conformidade para a eficiência hídrica em centros de dados.

Nesse sentido, foi hoje lançado o guia de boas práticas “Princípios para o Uso Sustentável da Água por Data Centers”, um roteiro essencial para operadores de data centers minimizarem os seus impactos hídricos, mas continuarem a maximizar o avanço tecnológico.

Este guia estabelece quatro princípios essenciais:
  1. Design e localização inteligentes – considerando dados e impacto ambiental),
  2. Otimização operacional – com monitorização em tempo real e automação),
  3. Uso de fontes de água sustentáveis – integrando-se com tecnologias como AWS IoT) e
  4. Reposição de água nas comunidades – alinhado com as metas de responsabilidade social).
  5. A partilha de conhecimento é fundamental pelo WATER-AI NEXUS, e garantem estudos de caso e resultados divulgados em eventos como o AWS re:Invent, e outros fóruns, assim como a colaboração intersetorial – ligação entre empresas de água, desenvolvedores de IA, investigadores e o governo – vai ser incentivada para promover a inovação.
O consumo de água é uma grande preocupação entre os principais desenvolvedores de data centers. De acordo com um relatório da Agência Internacional de Energia (AIE), um centro de dados típico de 100 MW nos EUA consome cerca de dois milhões de litros de água por dia. À escala global, a AIE estima que o sector dos centros de dados consuma actualmente mais de 560 mil milhões de litros de água por ano, podendo este número aumentar para 1,2 biliões de litros anualmente até 2030.

A Amazon adotou várias medidas para tornar o seu uso de água mais sustentável. Em junho, a empresa anunciou que estava a expandir o número de locais que utilizam águas residuais tratadas para arrefecimento de data centers de 20 para 120.

Inovação hídrica da Amazon na Península Ibérica
Na Península Ibérica, o compromisso da Amazon com a inovação na gestão hídrica e energética já é visível. Em março deste ano foram anunciados três novos projetos hídricos na região de Aragão, sede da Região AWS Europa. Com um investimento total de 17,2 milhões de euros, estas iniciativas visam proteger 700.000 residentes de Saragoça contra inundações, modernizar infraestruturas críticas e otimizar o uso da água na agricultura através da Inteligência Artificial (IA).

Os projetos incluem:
  1. Sistemas de alerta precoce baseado na cloud e IA para prevenção de inundações,
  2. Programas de apoio agricultores locais na implementação de IA para maximizar a produtividade e reduzir a pegada hídrica.
  3. Melhorias nas infraestruturas de abastecimento de água em Huesca.
  4. Outro exemplo claro de inovação e tecnologia aplicada na gestão da água é o da SPHERAG. Esta empresa espanhola utiliza soluções de IA, machine learning e IoT da AWS para melhorar a eficiência hídrica no setor agrícola, demonstrando como a tecnologia pode transformar a gestão deste precioso recurso e contribuir para o compromisso global da Amazon de devolver mais água às comunidades e ao ambiente do que utiliza nas suas operações até 2030.
As organizações dos setores da água e da tecnologia são convidadas a participar neste esforço colaborativo em Water-AI Nexus

A Google, a Microsoft e a Meta também adotaram iniciativas para apoiar o uso mais sustentável da água e comprometeram-se a atingir a positividade hídrica até 2030.

domingo, 24 de março de 2024

Ponto de situação da Energia Nuclear no Mundo


Europa, EUA e China
Numa cimeira internacional sobre energia nuclear que decorreu durante um dia em Bruxelas, na Bélgica, 34 nações apoiaram uma declaração de apoio à energia nuclear. Os países apelam aos reguladores para que desbloqueiem totalmente o potencial da energia nuclear, numa declaração que tinha como principal objetivo atrair o apoio dos bancos de desenvolvimento para financiar a sua instalação e manutenção. Além de se comprometerem com a construção de novas centrais nucleares em geral, a declaração também defende a rápida implantação de reatores avançados, incluindo pequenos reatores modulares, em todo o mundo. No entanto, acrescenta que, na Europa, ainda existem alguns países, como a Alemanha e a Áustria, que se opõem ao nuclear e querem que o investimento em energia com baixo teor de carbono se concentre nas energias renováveis. Fontes: AP, Euronews e Reuters.

Alemanha
Um estudo encomendado pelo Serviço Federal Alemão para a Segurança da Gestão dos Resíduos Nucleares, examinou os vários tipos de reatores nucleares em desenvolvimento no mundo, analisando a sua economia, segurança e potencial de resíduos radioativos e conclui que os problemas conhecidos da tecnologia nuclear não são susceptíveis de serem resolvidos pelos novos tipos de reatores. No entanto, políticos dos partidos União Democrata-Cristã da Alemanha (CDU) e Partido Democrata Livre (FDP) propuseram recentemente o relançamento da energia nuclear. Martin Schlak, Der Spiegel.

Austrália
O Dr. Alan Finkel, presidente do Centro de Excelência ARC para a Biotecnologia Quântica da Universidade de Queensland e antigo cientista-chefe da Austrália, explica que, apesar das recentes posturas políticas na Austrália, o país não está prestes a assistir a um aumento dramático da energia nuclear. "Embora a energia nuclear possa ressurgir a nível mundial e vir a ter um papel na Austrália, neste momento, por muita intenção que haja de ativar uma indústria de energia nuclear, é difícil de prever antes de 2040", afirma. Finkel atribui esta situação aos custos elevados e aos prazos longos, salientando que a Austrália é a única nação do G20 a ter uma proibição legislativa da energia nuclear, que teria de ser levantada antes de se poderem construir reatores. A nação também estaria a começar do zero e é "improvável que a Austrália passe de retardatária a líder", salienta. Finkel afirma que a energia eólica e solar devem ser a prioridade na Austrália e que "qualquer apelo para passar diretamente do carvão para o nuclear é efetivamente um apelo para atrasar a descarbonização do nosso sistema de eletricidade em 20 anos".

quinta-feira, 21 de março de 2024

Energia nuclear para descarbonização da Europa é desnecessária


O prolongamento da vida útil da energia nuclear na Europa é desnecessário para a descarbonização, indica um relatório do Gabinete Europeu do Ambiente (EEB, na sigla original), ontem divulgado.

Segundo as conclusões do EEB, que junta 180 associações ambientalistas de 38 países, as energias renováveis, a poupança de energia e opções de flexibilidade podem substituir a energia nuclear, sendo viável a eliminação gradual da “frota nuclear envelhecida da Europa e alcançar a neutralidade carbónica até 2040”.

O relatório é divulgado na véspera de uma cimeira em Bruxelas sobre energia nuclear, que junta dirigentes políticos e empresas, para debater o papel da energia nuclear na redução dos combustíveis fósseis, aumentando a segurança energética e o desenvolvimento económico.

A cimeira será copresidida pelo primeiro-ministro belga, Alexander De Croo, e pelo diretor-geral da Agência Internacional da Energia Atómica (AIEA), Rafael Mariano Grossi e surge na sequência da inclusão do nuclear na declaração da cimeira da ONU sobre o ambiente que decorreu no final do ano passado no Dubai (COP28), admitindo a energia nuclear como fonte de energia com baixas emissões de dióxido de carbono.

No entanto, de acordo com o relatório do EEB, a construção de novas centrais nucleares é “uma estratégia irrealista para a descarbonização”.

Porque tem custos muito elevados e a construção é demorada está também em debate o prolongamento da vida das atuais centrais nucleares, algo que o relatório do EEB também contraria.

O documento mostra “que a atual frota nuclear pode ser eliminada gradualmente, a par dos combustíveis fósseis, à medida que os países da União Europeia (UE) transitam para um sistema energético drasticamente mais eficiente, alimentado por energias renováveis e apoiado por opções de flexibilidade”.

“À medida que as energias renováveis crescem e a procura de energia diminui, o papel da energia nuclear na Europa torna-se redundante. Veja-se o caso de Espanha, onde o aumento da energia eólica, solar e hídrica fez baixar os preços da eletricidade e obrigou as empresas de energia a suspender a energia nuclear para evitar perdas financeiras”, acrescenta.

O EEB salienta que a frota nuclear da UE está envelhecida, que todas as centrais, exceto duas, foram construídas antes de 2000, e que sem extensões de prazo a maioria das centrais deve encerrar até 2030. Segundo o organismo europeu, a contribuição da energia nuclear para o cabaz elétrico está em declínio na UE e os custos a aumentar.

O relatório conclui que os esforços de descarbonização dos Estados membros da UE devem dar prioridade à redução do consumo de energia na indústria, nos edifícios e nos transportes, ao mesmo tempo que aumentam a implantação das energias renováveis.

Por causa da cimeira, uma coligação internacional de ativistas vai organizar uma manifestação de protesto em Bruxelas. A organização ambientalista Greenpeace UE diz em comunicado que os ativistas protestam contra o que consideram “contos de fadas nucleares”.

Esta semana, mais de 500 organizações de todo o mundo assinaram uma declaração anti-nuclear, defendendo “energia segura, acessível e amiga do clima para todos”, e apelando aos governos para que não desperdicem tempo e dinheiro com esses “contos de fadas”.

Outra organização ambientalista, que junta associações europeias, a “Climate Action Network” (CAN Europe) apresenta também um documento segundo o qual a energia nuclear é “uma perigosa distração” da transição para um sistema energético baseado em energias renováveis, “e ameaça atrasar a urgente eliminação progressiva dos combustíveis fósseis”.

“Vemos com crescente preocupação o renascimento da energia nuclear”, diz Thomas Lewis, da CAN Europe, frisando que as energias renováveis são o substituto mais barato, mais rápido e mais viável para os combustíveis fósseis.

terça-feira, 4 de abril de 2023

AIEA registou 146 incidentes envolvendo materiais nucleares em 2022


A Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) registou 146 incidentes em 2022 com atividades ilegais ou não autorizadas envolvendo materiais nucleares e outras substâncias radioativas, segundo dados apresentados esta terça-feira, em Viena.

No balanço relativo a 2022 constam cinco incidentes relacionados com o tráfico ilícito ou uso malicioso de materiais nucleares.

Três destes casos revelaram-se burlas e o material usado nos outros dois foi apreendido pelas autoridades competentes dos Estados denunciantes.

Os 146 casos do ano passado, mais 26 do que em 2021, foram comunicados à AIEA, numa base voluntária, por 31 países.

A grande maioria são incidentes com informações suficientes para determinar se estavam relacionados com tráfico ou uso malicioso, como fontes não controladas, deteção de materiais radioativos descartados sem a devida autorização e posse ou envio inadvertido de materiais nucleares.

Desde 1993, a AIEA mantém um Banco de Dados de Incidentes e Tráfego (ITDB), no qual participam 143 países, que abrange eventos envolvendo materiais nucleares, radioisótopos e materiais contaminados, como sucata.

A diretora da divisão de segurança nuclear da AIEA, Elena Buglova, explicou, em comunicado, que esta base de dados "mantém e analisa a informação reportada com o objetivo de identificar ameaças e padrões comuns".

Desta forma, referiu, a AIEA ajuda os Estados-membros "a melhorar os seus regulamentos sobre a utilização, armazenamento, transporte e eliminação de material nuclear ou radioativo".

Nos últimos trinta anos, a base de dados da AIEA registou 4.075 casos, incluindo 342 ligações a tráfico ou uso malicioso de materiais, uma frequência considerada pela agência como "baixa".

segunda-feira, 14 de novembro de 2022

Portugal sobe no índice de desempenho climático e fica entre os 15 melhores


Portugal está no grupo dos 15 países com melhor desempenho climático, subindo mesmo duas posições, segundo o Índice de Desempenho das Alterações Climáticas, publicado hoje e que analisa o progresso em 59 países com as emissões mais elevadas.

O Índice de Desempenho das Alterações Climáticas (Climate Change Performance Índex, CCPI, na sigla original) traduz o desempenho das políticas climáticas de 59 países, numa lista com 63 posições, mas na qual as três primeiras não são ocupadas, como usualmente, por nenhum país estar completamente alinhado com o objetivo, saído do Acordo de Paris de 2015, de manter o aquecimento global abaixo de 1,5°C (graus celsius).

Na lista, hoje divulgada na conferência da ONU sobre o clima (COP27) que decorre em Sharm el-Sheikh, no Egito, surge primeiro (no quarto lugar) a Dinamarca, seguida da Suécia e depois do Chile.

Num sistema de cores, os países a verde são classificados como tendo um alto desempenho climático, depois a amarelo os países com um desempenho médio, a laranja um desempenho baixo e a vermelho um desempenho muito baixo.

Portugal surge no grupo dos países a verde, na 14.ª posição, depois de países como Marrocos, Índia ou Estónia, com uma grande subida, ou a Noruega e Reino Unido, que desceram quatro lugares em relação ao anterior índice. A Finlândia, a Alemanha, o Luxemburgo e Malta surgem depois de Portugal e “fecham” a lista verde.

A amarelo está a União Europeia como um bloco, o Egito, que organiza a COP27, Espanha, com uma subida de 11 lugares, Indonésia, Itália, França (que desceu 11 posições) ou Nova Zelândia, entre outros.

E na lista laranja, também entre outros, a Irlanda, o Brasil, a Bélgica, a África do Sul, a Turquia e a Argentina.

Com a pior performance, no vermelho, estão 14 países, a começar pelo Japão e com o Irão em último lugar da lista, da qual fazem parte os maiores emissores de gases com efeito de estufa do mundo, a China e os Estados Unidos, além de outros como a Federação Russa, a Austrália, o Canadá ou a Arábia Saudita.

Os progressos em matéria de mitigação climática, e destacando Portugal, foram hoje divulgados pela associação ambientalista Zero, que participou no CCPI, e que explica que para os cálculos são usadas as estatísticas mais recentes da Agência Internacional de Energia relativas ao ano 2020 (o último ano disponível) e uma avaliação de peritos.

“O CCPI é uma ferramenta importante para aumentar a transparência na política climática internacional e permite a comparação dos esforços de proteção do clima e do progresso feito por cada país”, diz a associação, acrescentando que o índice pretende também pressionar política e socialmente os países que não tomaram medidas que contribuam o suficiente para a estabilidade climática global, destacando ao mesmo tempo os que têm melhores práticas.

Na análise da posição de Portugal, que subiu dois lugares graças ao fecho das centrais a carvão do Pego e de Sines, levando a uma melhoria na categoria de emissões de gases com efeito de estufa, e da publicação da Lei de Bases do Clima, nota-se o fraco desempenho no setor dos transportes, floresta e agricultura.

Já as categorias de utilização de energia, energias renováveis e política climática a classificação é média, tendo em conta especialmente a elevada quota de energias renováveis.

A Zero nota as melhorias alcançadas por Portugal, mas diz também que “há falta de ambição em algumas áreas, nomeadamente no que diz respeito aos subsídios aos combustíveis fósseis, cujo fim está apenas previsto para 2030”.

E releva que, nos transportes, as emissões não estão contidas, por falta de “políticas eficazes para o setor”, e não é suficientemente promovida a agricultura sustentável, com a agricultura intensiva e a monocultura a receberem “muitos incentivos”.

Em termos gerais, o destaque vai para países como Chile, Marrocos e índia, que têm vindo a subir no índice, e pelo lado negativo os Estados Unidos e a China, que desceu 13 lugares (a maior descida) pelos novos investimentos em centrais a carvão.

A Zero destaca ainda a subida de três lugares do bloco União Europeia, especialmente pelo pacote legislativo “Objetivo 55”, que visa reduzir as emissões de gases com efeito de estufa em pelo menos 55% até 2030.

Mas nota as diferenças entre Estados. A Polónia e a Hungria estão na lista vermelha e a Dinamarca e a Suécia ocupam as primeiras posições (quarto e quinto lugar, respetivamente).

O índice, publicado anualmente desde 2005, é da responsabilidade da organização não-governamental de ambiente alemã Germanwatch e do NewClimate Institute e avalia quatro categorias: emissões de gases com efeito de estufa (40% de peso na classificação final), energia renovável, uso de energia e política climática.

É publicado em conjunto com a Rede Internacional de Ação Climática (CAN International). Os países que compõem o índice são responsáveis coletivamente por cerca de 90% das emissões globais de gases de efeito de estufa.

quarta-feira, 28 de setembro de 2022

Sobre a falácia dos carros eléctricos




Títulos "pseudo-verdes" dão nisto... e a malta não lê. No parágrafo seguinte ao título referem que são as emissões médias dos carros novos registados na UE. Ora, se a cota de elétricos aumentou, a consequência não poderia ser outro, no parâmetro que referem. Nada a ver com se há mais ou menos emissões de CO2 na globalidade.

Não falam que houve um decréscimo de emissões de CO2 forçada pelo confinamento.

Depois não falam da escandalosa poluição que é a mineração de minerais raros para as baterias dos elétricos.

A paisagem e o meio ambiente são também preocupações dos vários especialistas. É o lixo, são os resíduos, são os camiões a passar, é a poluição e é um buraco enorme que se está ali a formar com muita ‘ganga’ [minerais que são retirados do solo mas não têm valor económico], muito material que depois não sei o que vão fazer àquilo porque enquanto a mina está a funcionar não podem preenchê-la. Também a fauna e a flora estão serão afectadas.

Duas questões que diferenciam a pedreira da mina: a primeira é que as áreas que se pretendem para o lítio são muito maiores do que as áreas atualmente em pedreiras de granito. A segunda é que no granito não há uma lavaria.

Ora Portugal não tem infraestruturas para a lavaria.
Não falam que ao fim de 10 anos um elétrico vai à vida.
Não falam que substituição de uma bateria de carro eléctrico é tão cara como comprar um carro a diesel (em média) a 70.000 no mercado.
                                                 
Finalmente o orgulho hipócrita de um Europa "verde" escravizando países como Argentina, Bolívia e Chile a rastos com problemas ambientais sérios da mineração do lítio.  
                  
Atualmente cerca de um quarto do fornecimento mundial do minério vem de salinas no Atacama, ao norte do Chile, onde a extração e o refino por evaporação, em enormes piscinas sob o Sol, consome 21 milhões de litros d’água por dia. “A extração de lítio já causou conflitos por água com diferentes comunidades como em Toconao, no norte do Chile”, aponta o relatório da FoEI.

Mais da metade das reservas do metal identificadas no mundo estão localizadas no chamado “triângulo do lítio”, onde se encontram as fronteiras de três países: Chile, Bolívia e Argentina. Depois da América do Sul o maior produtor mundial são os Estados Unidos, seguidos de perto por China e Austrália

Ler mais:

sexta-feira, 29 de abril de 2022

6 reasons why nuclear energy is not the way to a green and peaceful world



Demolition of the two cooling towers of the Philippsburg nuclear power plant near the river Rhine. The site of the now decommissioned Philippsburg Nuclear Power Plant is located in Philippsburg, near Karlsruhe, Germany. © Bernd Hartung / Greenpeace

Nuclear power is often hailed as a magic bullet solution for the rapid and large-scale decarbonisation of our societies which we all know needs to happen if we have any hope of mitigating the worst effects of the unfolding climate emergency. Among politicians and industry groups, it is consistently favoured over meaningful investment in renewable energy systems, bolstered with misleading claims of its safety, efficiency, stability, and speed of deployment.

With the costs and efficiency of renewable energy solutions improving year on year, and the effects of our rapidly changing climate accelerating across the globe, we need to take an honest look at some of the myths being perpetuated by the nuclear industry and its supporters. Here are six reasons why nuclear power is not the way to a green and peaceful zero carbon future.

1. Nuclear energy delivers too little to matter

According to scenarios from the World Nuclear Association and the OECD Nuclear Energy Agency (both nuclear lobby organisations), doubling the capacity of nuclear power worldwide in 2050 would only decrease greenhouse gas emissions by around 4%. But in order to do that, the world would need to bring 37 new large nuclear reactors to the grid every year from now, year on year, until 2050.

The last decade only showed a few to 10 new grid connections per year. Ramping that up to 37 is physically impossible – there is not sufficient capacity to make large forgings like reactor vessels. There are currently only 57 new reactors under construction or planned for the coming one-and-a-half decade. Doubling nuclear capacity – different from the explosive growth of clean renewable energy sources like solar and wind – is therefore unrealistic. And that for only 4% when we already need to reduce 100%.

2. Nuclear power plants are dangerous and vulnerable

Nuclear factories and plants are easy targets for malevolent acts: terrorist threats, the risk of unintentional or voluntary airliner crashes, cyberattacks or acts of war. The enclosures of plants and certain ancillary buildings containing radioactive materials are not designed to withstand this type of attack or shock.

Nuclear power plants present unique hazards in terms of the potential consequences resulting from a severe accident. Nuclear reactors and their associated high level spent fuel stores are vulnerable to natural disasters, as Fukushima Daiichi showed, but they are also vulnerable in times of military conflict.

For the first time in history, a major war is being waged in a country with multiple nuclear reactors and thousands of tons of highly radioactive spent fuel. The war in southern Ukraine around Zaporizhzhia puts them all at heightened risk of a severe accident.

Nuclear power plants are some of the most complex and sensitive industrial installations, which require a very complex set of resources in ready state at all times to keep them operational. This cannot be guaranteed in a war.

This can’t be guaranteed in a time of climate crisis and extreme weather events either. Nuclear power is a water-hungry technology. Nuclear power plants consume a lot of water for cooling. They are vulnerable to water stress, the warming of rivers, and rising temperatures, which can weaken the cooling of power plants and equipment. Nuclear reactors in the United States and France are often shut down during heatwaves, or see their activity drastically slowed.

3. Nuclear energy is too expensive

To protect the climate, we must abate the most carbon at the least cost and in the least time.

The cost of generating solar power ranges from $36 to $44 per megawatt-hour (MWh), the World Nuclear Industry Status Report said, while onshore wind power comes in at $29–$56 per MWh. Nuclear energy costs between $112 and $189 per MWh.

Over the past decade, the World Nuclear Industry Status Report estimates levelised costs – which compare the total lifetime cost of building and running a plant to lifetime output – for utility-scale solar have dropped by 88% and for wind by 69%. According to the same report, these costs have increased by 23% for nuclear.*

According to a November 2021 study released by Greenpeace France and the Rousseau Institute, power from the under-construction European Pressurised Reactor (EPR) at Flamanville in France would be 3 times as expensive as the country’s most competitive renewable sources.

4. Nuclear energy is too slow

Stabilising the climate is an emergency. Nuclear power is slow.

The 2021 World Nuclear Industry Status Report estimates that since 2009 the average construction time for reactors worldwide was just under 10 years, well above the estimate given by the World Nuclear Association (WNA) industry body of between 5 and 8.5 years.

The extra time that nuclear plants take to build has major implications for climate goals, as existing fossil-fueled plants continue to emit CO2 while awaiting substitution. The construction of a nuclear plant is a long and complex process that obviously releases CO2, as does the demolition of decommissioned nuclear sites.

Uranium extraction, transport and processing is obviously not free of greenhouse gas emissions either. All in all, nuclear power stations score comparable with wind and solar energy. But this latter can be implemented much faster and on a much bigger scale. We cannot wait for another decade for emissions to go down. They need to go down now. With clean renewable sources and energy efficiency, we can do that.

5. Nuclear energy generates huge amounts of toxic waste

The multiple stages of the nuclear fuel cycle produce large volumes of radioactive waste. No government has yet resolved how to safely manage this waste.

Some of this nuclear waste is highly radioactive and will remain so for several thousand years. Nuclear waste is a real scourge for our environment and for future generations, who will still have the responsibility of managing it in several centuries.

Countries like France are pushing hard for nuclear power at the EU level, hoping that when it comes to waste, out of sight is out of mind. But nuclear waste will never go away, and will never be sustainable.

This is one of the obvious reasons why nuclear power shouldn’t be eligible for green funding nor marketed as ‘sustainable’, as pointed out recently by countries like Austria, Denmark, Germany, Luxembourg, and Spain, who spoke against the inclusion of nuclear power in the EU’s green finance taxonomy. This is also one of the reasons why, on 9 March 2020, the EU Commission’s Technical Expert Group on Sustainable Finance (TEF) rejected nuclear energy because it did not meet the EU’s ‘Do No Significant Harm’ principle and recommended excluding nuclear power from the green taxonomy.

Nuclear waste management is costing taxpayers absurd amounts of money, costs for storage projects reaching into the billions. This is true both for Europe and North America. In 2019, a US Energy Department report showed the projected cost for long-term nuclear waste cleanup jumped more than $100 billion in just one year.

6. The nuclear industry is falling short of its promises
 
The EPR nuclear reactor technology has been showcased by the French government and French nuclear operator EDF as a revolutionary technology announcing the dawn of a nuclear renaissance. The reality is that this technology isn’t any kind of technological leap. More importantly, the French EPR reactor located in Flamanville is more than 10 years overdue and nearly four times over budget.

This so-called “next-generation nuclear reactor”, has also sustained multiple problems, delays and cost overruns in France, the United Kingdom, Finland and China.

Hypothetical new nuclear power technologies have been promised to be the next big thing for the last forty years, but in spite of massive public subsidies, that prospect has never panned out. That is also true for Small Modular Reactors (SMRs).

And for nuclear fusion, an idea that is as old as the nuclear industry, which somehow always seems to be fifty years away. The cost and uncertainty of fusion mean investing in thermonuclear reactors at the expense of other available clean energy options. This technology won’t arrive in time, if ever, and the money would be better invested elsewhere.

Let’s exert the utmost caution when presented with pro-nuclear opinions coming from experts and organisations regularly working with stakeholders from the nuclear sector and potentially tainted by vested interests. Nuclear energy has no place in a safe, clean, sustainable future. It is more important than ever that we steer away from false solutions and leave nuclear power in the past.

Fonte: Greenpeace

sexta-feira, 21 de janeiro de 2022

"Mais próximo do que alguma vez esteve do apocalipse". Relógio do Juízo Final a 100 segundos da meia-noite


Os cientistas que gerem o designado Relógio do Juízo Final (‘Doomsday Clock’) decidiram mantê-lo a cem segundos da meia-noite para salientar a gravidade da situação internacional, em função de várias crises existenciais.

Este indicador é usado para ilustrar a vulnerabilidade do mundo a uma catástrofe oriunda das armas nucleares, alterações climáticas e tecnologias disruptivas em outros domínios.

Os autores do documento, publicado pelo Boletim dos Cientistas Atómicos (BCA), salientaram que a alteração da liderança política nos EUA em 2021 alimentou esperanças de que a corrida para a catástrofe pudesse ser interrompida.

Porém, esta mudança, só por si, foi “insuficiente para reverter as tendências negativas na segurança internacional”, que se alongaram e continuaram através do horizonte de ameaças em 2021.

Tensão entre EUA, Rússia e China

Assim, as relações tensas dos EUA com a Rússia e a China estão a ter desenvolvimentos, designadamente, no domínio das armas, que “podem marcar o início de uma nova corrida às armas nucleares”.

Acresce “a imensa distância entre os compromissos para a redução a longo prazo das emissões de gases com efeito de estufa e as ações que estão a ser tomadas no curto e médio prazo".

Depois, a resposta mundial à pandemia do novo coronavírus permanece “inteiramente insuficiente”.

“Os planos para uma rápida distribuição global de vacinas colapsaram, o que deixou os países pobres largamente por vacinar e permitiu que novas variantes do coronavírus ganhassem terreno”.

E, para mais, “além da pandemia, preocupantes lapsos na biossegurança e tornaram claro que a comunidade internacional precisa de dar uma atenção séria à gestão da investigação biológica à escala global”.

Ainda a este propósito, os autores realçam que “o estabelecimento e desenvolvimento de programas de armas biológicas marca o início de uma nova corrida às mesmas”.

Por outro lado, “apesar do novo governo do EUA ter restabelecido o papel da ciência e das provas na política pública, a corrupção do ecossistema de informação manteve-se em 2021”.

Considerando este ambiente de ameaças diversificado, em que alguns desenvolvimentos positivos tiveram por contrapartida tendências negativas, preocupantes e em intensificação, o BCA considerou que o mundo não está mais seguro do que em 2020, o que os levou a manter o ‘Doomsday Clock’ nos 100 segundos para a meia-noite.

Esta decisão, porém, não sugere, “de forma alguma” que a situação na segurança internacional estabilizou. “Pelo contrário”, afirmaram, de forma explícita.

“O Relógio permanece o mais próximo do que alguma esteve do apocalipse terminal da civilização, porque o mundo permanece num momento extremamente perigoso. Em 2019, designámos esta situação como ‘o novo anormal’, o que infelizmente persiste”, alertaram.

Em termos gerais, descreveram a situação da seguinte forma: “No ano passado, apesar de esforços louváveis de alguns líderes e do público, as tendências negativas nas armas nucleares e biológicas, nas alterações climáticas e uma variedade de tecnologias disruptivas – exacerbadas por uma eco esfera de informação corrompida, que mina processos racionais de tomada de decisão – mantiveram o mundo à beira do apocalipse”.

Recuar deste abismo, na sua opinião, requer várias medidas, como que EUA e Federação Russa limitem as armas nucleares, que EUA e outros acelerem a descarbonização, que EUA e outros trabalhem na Organização Mundial de Saúde para reduzir os riscos biológicos de todo os tipos, que os EUA persuadam aliados e rivais assumirem o princípio de não serem os primeiros a usar a arma nuclear, que a Federação Russa regresse ao Conselho NATO-Rússia, que os investidores troquem as aplicações em projetos de combustíveis fósseis por outros amigos do ambiente, que os cidadãos de todo o mundo questionem os seus políticos, a todos os níveis, sobre o que vão fazer para resolver as alterações climáticas.

O BCA foi fundado em 1945 por Albert Einstein e cientistas da Universidade de Chicago que ajudaram a desenvolver as primeiras armas atómicas, no Projeto Manhattan, e criou o ‘Doomsday Clock’ dois anos depois, usando a imagem do apocalipse (meia-noite) e o idioma contemporâneo da explosão nuclear (contagem para zero), para ilustrar a gravidade das ameaças para a humanidade e o planeta.

Saber mais aqui

quarta-feira, 25 de agosto de 2021

Documentário: The Battle of Chernobyl



Em 26 de abril de 1986, o quarto reator da central nuclear de Chernobyl explodiu, desencadeando uma reação em cadeia que ameaçou desencadear uma segunda explosão ainda mais poderosa. Durante 8 meses, 800.000 soldados, mineiros e civis trabalharam dia e noite para “liquidar” a radioatividade, construindo um “sarcófago” ao redor do reator arruinado. Oito meses no inferno que seus sobreviventes provavelmente não esquecerão. Cobrindo um período de 20 anos, usando imagens 3D e imagens de arquivo, o filme é a reencenação de uma batalha implacável contra um inimigo invisível e mortal.

terça-feira, 24 de agosto de 2021

The nuclearization of space


By Karl Grossman

BACK TO THE FUTURE NASA’S NEW NUCLEAR VISION” was the headline emblazoned on the cover of the May 3-16, 2021 edition of the leading U.S. aerospace trade publication, Aviation Week & Space Technology.

“More than sixty years after the U.S. began serious studies into nuclear propulsion for space travel, NASA is taking the first steps on a new path to develop nuclear-powered engines for crewed missions to Mars by the end of the next decade,” it began.

“Nuclear enabled space vehicles would allow NASA to keep the round-trip crewed Mars mission duration to about two years, versus more than three years with the best chemical rockets and even longer with solar electric propulsion,” the extensive five-page piece declared.

Also, it said, “other factors strengthening the case for nuclear power include growing interest from the Defense Department in using the technology to extend operational capability in space.”

Further, nuclear power—either through nuclear thermal propulsion (NTP) or nuclear electric propulsion (NEP)—would “provide power for future crewed and robotic deep-space exploration missions as well as faster, more responsive resupply flights to lunar and Martian outposts.”

The article was accompanied by a two-page addition providing a military link. “Draco Embarks on Quest To Revive Nuclear Space Propulsion,” was the headline of this piece. Draco stands for “Demonstration Rocket for Agile Cislunar Operations.” It’s a program of the Defense Advanced Research Projects Agency (DARPA), a U.S. Department of Defense agency that develops technologies for the military.

Space News, another major U.S. aerospace publication, two weeks later ran a two-page piece headlined: “America’s future in space is nuclear.”

Authored by John M. Horack, the Neil Armstrong Chair in Aerospace Policy at Ohio State University, he previously worked for almost two decades at NASA and led the Science and Mission Systems Office at NASA’s Space Flight Center.

Horack wrote: “Today, we have a unique opportunity to make the entire solar system—including the strategically vital regions of space surrounding the Earth and the moon—more accessible, through investments in advanced propulsion systems…Nuclear thermal propulsion is the most promising technology to accomplish these goals.” It “will enable the U.S. to ‘sail’ the ocean of space with greater efficiency, capability, and autonomy, thereby exercising and helping secure our leadership position in civil and national security spaceflight activities.”

These are “dangerous plans for full-blown nukes in space,” declares Bruce Gagnon, coordinator of the Global Network Against Weapons and Nuclear Power in Space.

They translate to “high-risk for those of us on Earth below as nuclear reactors are launched on rockets that blow up from time to time,” said Gagnon. Moreover, although there are no cost estimates included in any of the trade journal pieces, Gagnon asks: “Where will those funds come from? Maybe from the budget that helps deal with our current climate crisis here on Mother Earth.”

Established in 1992, the Global Network, based in Maine, is the leading group internationally challenging the use of nuclear power in space.

The “BACK TO THE FUTURE” reference in the main Aviation Week & Space Technology article refers to, as it notes, how “the new program will also leverage knowledge gained as far back as the 1955-73 Atomic Energy Commission’s Project Rover and 1961-73 NASA Nuclear Engine for Rocket Vehicle Application program.” These projects “were canceled as funding priorities shifted.”

“The benefits of space nuclear propulsion are as attractive as the challenges are daunting,” said the piece. “Although offering faster trip times…the practicality of integrating a fission reactor into a viable propulsion system will require significant technological advances, particularly in materials in fuel. The solid core reactor—the configuration most likely to be used in near-term NTP designs—can create much higher temperatures than conventional materials can withstand. Additionally, fuel coatings can crack because of large temperature variations along fuel rods, lowering performance.”

“So,” asks the piece, “with these ever-prevent challenges still an obstacle, is NASA’s new nuclear space plan more realistic than previous attempts?”

In response, it quotes Anthony Calomino, whom it identifies as nuclear technology portfolio lead in NASA’s Space Technology Mission Directorate, saying: “The need case for the technology has changed in the last few decades, particularly with NASA’s focus on developing the capabilities for Mars missions.”
The additional piece with the military link starts off: “A nebulously named ‘Deterrence Layer’ is on the drawing board for the National Defense Space Architecture, and that could mean the return of a functioning U.S. operated, nuclear-powered satellite in orbit by 2025 for the first time in 60 years.”

“The idea of nuclear-powered space flight by the military is hardly original to Draco,” it states. “The U.S. Air Force operated the 950-lb. Systems for Nuclear Auxiliary Power (SNAP-10A) satellite which used an onboard nuclear reactor to generate at least 500 watts of electricity for 43 days in 1965 until the failure of a nonpropulsive component. Although no longer in service, the SNAP-10A reactor is expected to remain in orbit for the next 3,000 years.” SNAP-10A was fueled with uranium.

Not mentioned by Aviation Week & Space Technology was an accident the year earlier—involving a radioisotope thermoelectric generator, SNAP-9A, not a reactor but a device utilizing heat from the breakdown of plutonium to produce electricity. The satellite on which it was to provide power failed to attain orbit and crashed back into the atmosphere, the plutonium in SNAP-9A dispersing and spreading widely on Earth.

Dr. John Gofman, an M.D. and Ph.D. involved in the isolation of plutonium during the Manhattan Project and long a professor of medical physics at the University of California at Berkeley, connected the SNAP-9A accident with a spike in lung cancer on Earth.

The article went on: “Twenty years after the launch of SNAP-10A, the Strategic Defense Initiative revived the nuclear-powered rocket concept as a proposal for the upper stage of a boost-phase intercept that would shoot down intercontinental ballistic missiles over the Soviet Union from Alaska. As the Cold War ended, the so-called Timberwind project was transferred to the Air Force to pursue as a science experiment, but it was cancelled in 1994 before a reactor could be tested.”

The article also declares: “Concerns about launching a nuclear reactor into space have persisted for decades.”

A NASA webinar on U.S. space nuclear plans was held earlier this year, relates Gagnon, which emphasized how the U.S. is moving ahead with not only schemes for nuclear propulsion in space but for plans for “full nuclearization” of colonies on the moon, Mars “and in other planetary colonization.”

The public relations slogan being advanced, Gagnon said, was that the space nuclear activities would be “’clean and reliable.’ That’s a laugh. Say it often enough and the public might begin to believe it.”

Gagnon said the nuclear reactors for placement on the moon were described in the NASA webinar as having a “10-year life-cycle, which would mean frequent launches of these nuclear reactors.” And, he noted, one out of 100 rocket launches have historically resulted in a major malfunction, usually the rocket blowing up.

Further, nuclear operations on the moon were described as “working out the kinks for the Mars missions.” Said Gagnon: “So it is more than clear that this entire program is one very dangerous experiment.”

Meanwhile, continued Gagnon, “Little is said about the national Department of Energy nuclear labs where they fabricate space nuclear devices. Over the years we’ve learned that these labs have a long and dirty track record of accidental worker and local water/air contamination of uranium and plutonium.

“The nuclear industry clearly is interested in hitching a ride,” said Gagnon, “as it eyes the opportunity to put its toxic product on the moon, Mars and on rockets to the red planet. The DoE and NASA plan to cut as many corners as possible on testing and funding and lessen public scrutiny of these deadly projects. For those of us who have been tracking the nuclear space industry for many years, the alarm bells are clanging in our ears. It would be the right time for inquiring people to raise questions, challenge untested assumptions, and warn an unsuspecting public about the dangers of the nuclearization of the heavens.”

The SNAP-9A and SNAP-10 space mishaps spurred NASA in pioneering solar power for satellites. Now, all satellites utilize solar energy as does the International Space Station.

But despite claiming for decades that nuclear power was needed for space probes, NASA used three solar photovoltaic panels on its Juno space probe, which in 2016 reached Jupiter. Juno is still up there, orbiting and studying the solar system’s largest planet, at which sunlight is a hundredth of what it is on Earth.

There have been studies and articles through the years pointing to solar power as an energy source for moon and Mars colonies including a piece in Universe Today headed “Solar Power Is Best for Mars Colonies.”

And a Discover magazine piece, “How to Harvest Terawatts of Solar Power on the Moon,” spoke of the Japanese corporation, Shimizu, “gearing up to develop solar power on the moon.” The “photovoltaic cells themselves could be tissue thin, since the moon has no weather or air,” said the article, “and half of the moon is in sunlight at any one time.” Indeed, said the article, a huge amount of solar power energy could be generated on the moon and be beamed back to Earth.

Karl Grossman is professor of journalism at State University of New York/College at Old Westbury, and is the author of the book, The Wrong Stuff: The Space’s Program’s Nuclear Threat to Our Planet, and the Beyond Nuclear handbook, The U.S. Space Force and the dangers of nuclear power and nuclear war in space. Grossman is a board member of Beyond Nuclear and an associate of the media watch group Fairness and Accuracy in Reporting (FAIR). He is a contributor to Hopeless: Barack Obama and the Politics of Illusion.

sexta-feira, 30 de abril de 2021

Tratado de Não Proliferação das Armas Nucleares

Tratado de Não Proliferação Nuclear: uma garantia cada vez mais frágil e ameaçada



Tratado de não Proliferação das Armas Nucleares by João Soares on Scribd


Tratado de Não Proliferação das Armas Nucleares

Bibliografia: 
- Daniel H. Joyner, Interpreting the Nuclear Non-Proliferation Treaty, Oxford Universtity Press, 2011, 200 pp.

- Ian Bellany, Outflanking missile defences: the Nuclear Non-proliferation Treaty, nuclear weapons and terrorism, in Defense & Security Analysis, Vol. 28, n.º 1, 2012, p. 81-96
- Arsalan M. Suleman, Bargaining in the Shadow of Violence: The NPT, IAEA, and Nuclear Non-Proliferation Negotiations, in Berkeley Journal of International Law, Vol. 26, n.º1, Fall 2007, p. 206-253
- Orde F. Kittrie, Averting Catastrophe: Why the Nuclear Nonproliferation Treaty is Losing its Deterrence Capacity, in Michigan Journal of International Law, Vol. 28, n.º2, Winter 2007, p. 337-430
- Jonathan Granoff, The Nuclear Nonproliferation Treaty and Its 2005 Review Conference: A Legal and Political Analysis, in New York University Journal of International Law & Politics, Vol. 39, n.º4, 2007, p. 995-1006
- Christopher A. Ford, The Nonproliferation Bestiary: A Typology and Analysis of Nonproliferation Regimes,in New York University Journal of International Law & Politics, Vol. 39, n.º4, 2007, p. 937-993
- Gary J. Meise, Securing the strength of the renewed NPT: China, the linchpin " middle kingdom", in Vanderbilt Journal of Transnational Law, 1997, V.30, n.3, p.539-578
- Paul Szasz, IAEA safeguards for NPT, in Review of European Community & International Environmental Law, 1996 V.5, n.3, p.239-245
- Tuiloma Neroni Slade, 1995 review and extension of the treaty on the non-proliferation of nuclear weapons, in Review of European Community & International Environmental Law, 1996, V.5, n.3, p.246-252
- Jozef Goldblat, The nuclear non-proliferation régime: assessment and prospects, in Recueil des Cours, T.256 (1995), p.9-191
- Mohamed I. Shaker, La conférence des parties au traité sur la non-prolifération des armes nucléaires (TNP) : New York, Avril-Mai 1995, in Annuaire Français de Droit International, v.41 (1995), p.169-183

Estados Partes: NPT

Documentário: Coreia do Norte- armas nucleares, terror e propaganda


A cada ano, 5.000 turistas ocidentais visitam a Coreia do Norte. À frente do país, um estadista misterioso e caprichoso, Kim Jong-un. Seu país nunca esteve tão perto de se tornar uma potência nuclear. Na imersão, vimos o que o regime quer mostrar aos estrangeiros através da propaganda. Reportagem secreta na Coreia do Norte.
Nota: para ver em Português, clicar em definições.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2021

The truth about nuclear power — neither clean nor green


An enormous amount of fossil fuel is used to mine and mill uranium, to enrich and fashion the nuclear fuel rods, to build the enormous concrete reactor, let alone decommission the radioactive mausoleum at the end of its active life of 40-60 years. Finally, but not least, to transport millions of tons of intensely radioactive waste to some as-yet-to-be-constructed storage site in the U.S. to be kept isolated from the ecosphere for one million years according to the U.S. Environmental Protection Agency.

We all know to our detriment that the combustion of oil, gas and coal creates CO2, the main global warming gas.

According to a definitive study by Jan Willem Storm van Leeuwen and Philip Smith titled ‘Nuclear Power: the Energy Balance’, the use of nuclear power causes, at the end of the road, approximately one third as much CO2 as gas-fired electricity production. The rich uranium ores required for this reduction are limited and the remaining poorer ores in reactors would produce more CO2 than burning fossil fuels directly. Nuclear reactors are best understood as complicated expensive and inefficient gas burners.

They write:

Setting aside the above energetic costs and accepting the nuclear industry’s claim that it is clean and green, and assuming a 2% growth in global demand, all present-day reactors – 440 – would have to be replaced by new ones. Half the electricity growth would be provided by nuclear power and half the world’s coal fire plants replaced by nuclear plants requiring the construction over 50 years of 2,000 to 3,000 1,000-megawatt reactors — one per week for 50 years.

The International Atomic Energy Agency estimates already there are 370,000 tons of high-level radioactive waste in the world awaiting disposal, containing over 100 radioactive elements such as:
  • iodine-129, half-life 16 million years and a thyroid carcinogen;
  • plutonium-239, half-life 24,400 years, a potent alpha mutagen that induces bone carcinogen, lung cancer, leukemia, foetal abnormalities and genetic diseases;
  • strontium-90, half-life 29 years, which causes bone cancer and leukemia; and
  • caesium-137, half-life 30 years, causing muscle sarcomas and cancers of many other organs because it is a potassium analogue and resides in many cells of the body.

Dr John Gofman MD, the discoverer of uranium-233, estimated that if 400 reactors operated for 25 years at 99 per cent perfect containment, caesium loss would be equivalent to 16 Chernobyls. A half-life is multiplied by ten or 20 to give the total dangerous radiological life.

There is no containment that lasts 100 years let alone one million. As these radioactive elements inevitably escape and leak into the environment, they will concentrate at each step of the food chain tens to hundreds of times, for instance through algae, then crustaceans, then small fish, then big fish, then us. They are tasteless, invisible and odourless. Once deposited in human or animal organs, they irradiate a small volume of cells over many years inducing mutation of regulatory genes which control the rate of cell division, thus inducing uncontrolled cell division which is cancer.

Leukemia takes five to ten years to appear post contamination, solid cancers 15 to 80 years. Genetic abnormalities will take generations to manifest.

Animals and plants are similarly affected.

In effect, by creating more and more nuclear waste, we humans will be inducing random compulsory genetic engineering for the rest of time.

That’s what clean, green nuclear power means.


terça-feira, 27 de outubro de 2020

Documentário - Chernobyl: Hour by Hour


O acidente em Chernobyl libertou pelo menos 100 vezes mais radiação do que as bombas atómicas lançadas sobre Hiroshima e Nagasaki. Um número incalculável de europeus ainda guarda as cicatrizes do que aconteceu naquela noite desastrosa em Chernobyl.

terça-feira, 26 de maio de 2020

Documentário - L’OMS dans les griffes des lobbyistes


L’Organisation Mondiale pour la Santé (OMS) ne serait-elle pas neutre ? L’enquête « L’OMS : dans les griffes des lobbyistes ? » diffusée sur Arte montre qu’il y a en effet de quoi douter. Pour cause, au cours des trois dernières décennies, la structure internationale a perdu son indépendance financière : Aujourd’hui, ses principales ressources proviennent de plus en plus de fonds privés et d’entreprises dont les intérêts dépendent de ses décisions. De quoi laisser craindre une prise d’influence sur des questions de santé publique. 

« Entre analyse d’experts, détracteurs et défenseurs, langue de bois de son porte-parole Gregory Hartl et reportages sur le terrain, cette enquête livre une édifiante radiographie de l’OMS » promet Arte. L’enquête de 2016 menée par Jutta Pinzler et Tatjana Mischke pour la chaîne allemande NDR a tout d’explosif.

Conflits d’intérêts en cascade
Le documentaire de presque deux heures met en lumière une réalité mal connue du grand public : la dépendance financière de l’Organisation Mondiale pour la Santé (OMS). Cette structure, qui se définit comme « l’autorité directrice dans le domaine de la santé des travaux ayant un caractère international au sein du système des Nations Unies », a pour objet l’amélioration de la santé dans le monde. Bien qu’elle ait toujours été financée pour partie par des mécènes privés, cette part ne s’élevait qu’à 20% dans les années 1970 : les autres 80% provenaient des États membres des Nations Unis. Or, aujourd’hui, la situation s’est inversée.

Ainsi, au regard des éléments apportés par l’enquête diffusée sur Arte, l’indépendance de l’OMS fait doute. En effet, contre toute attente, la structure est de plus en plus dépendante des financements en provenance de mécènes privés, comme Bill Gates ou les industriels pharmaceutiques, car elle manque d’aides publiques. Par conséquent, les conflits d’intérêts évidents se multiplient. Dans le même temps, « les faits s’accumulent : complaisance troublante envers le glyphosate – molécule active du Roundup cher à Monsanto –, que l’OMS a déclaré sans danger en dépit des victimes de l’herbicide, aveuglement face aux conséquences de la pollution liée aux compagnies pétrolières en Afrique, minoration des bilans humains des catastrophes nucléaires, de Tchernobyl à Fukushima, et des désastres de l’utilisation de munitions à uranium appauvri en Irak ou dans les Balkans. » La question est légitime : peut-on encore faire confiance à l’OMS, à ses rapports et à ses préconisations en matière de santé ?


Les experts appellent à une régulation
Pour étayer leurs propos, Jutta Pinzler et Tatjana Mischk reviennent sur différents dossiers sensibles, notamment celui du glyphosate, produit chimique utilisé par le géant de l’agro-alimentaire Monsanto dans ses pesticides. Dans le cas d’espèce , l’OMS avait déclaré en mai 2016 qu’il était « peu probable que le glyphosate provoque un risque cancérogène chez les humains qui y seraient exposés par l’alimentation ». Cette affirmation venait contredire les comptes-rendus du Centre international de recherche contre le cancer (CIRC) de l’OMS qui, un an plus tôt, classait la substance parmi les cancérogènes probables. Aujourd’hui, le produit ainsi que sa dangerosité continuent de faire de l’objet de nombreuses controverses.

Ce n’est pas le seul sujet de santé sur lequel le doute est permis. Ainsi, alors que l’OMS a signé une convention avec l’Agence Internationale de l’Energie Atomique (AIEA), elle semble avoir minimisé le bilan humain de Fukushima. Le trouble existe également quant aux prises de décision sur des dossiers aussi sensibles que la lutte contre la tuberculose ou le virus H1N1.

Partant de ces constats, de nombreux médecins, experts ou associations dénoncent une situation insoutenable d’un point de vu scientifique et éthique. C’est le cas de l’association « Bund », en Allemagne, pour qui les décisions de l’OMS à propos du glyphosate sont influencées par les lobbyistes. Ces nouvelles révélation suffiront-elles à mettre fin à une dépendance nocive qui empêche l’OMS d’agir de manière claire et ferme ?

sexta-feira, 9 de junho de 2017

Os nossos oceanos, o nosso futuro

Marine Debris. Fonte: The Conservation

Até hoje, dia 9 de Junho, a Ministra do Mar, Ana Paula Vitorino, participa na Conferência dos Oceanos, organizada pelas Nações Unidas, em Nova Iorque. O tema da conferência é «Nossos Oceanos, Nosso Futuro: Parcerias para a Implementação do Desenvolvimento Sustentável 14». O objectivo 14 da agenda consiste na «Conservação e uso sustentável dos oceanos, dos mares e dos recursos marinhos para o desenvolvimento sustentável», num conjunto de 17, a serem implementados até 2030.

Ana Paula Vitorino participa ainda, à margem da ordem de trabalhos da conferência, em vários encontros bilaterais com os seus homólogos e com o sector empresarial, nomeadamente com a Câmara de Comércio Americana, com a AICEP/Portugal, e com a CLIA – Cruise Lines International Association.

A delegação portuguesa participante na conferência inclui a Responsável pela Estrutura de Missão da Extensão da Plataforma Continental, Isabel Botelho Leal, o Director-Geral das Politicas do Mar, Fausto Brito e Abreu, a presidente da Associação dos Portos de Portugal, Lídia Sequeira, e o Director Regional para os Assuntos do Mar dos Açores, Filipe Porteiro.

A Comissão Europeia enviou João Aguiar Machado, Director-General, Directorate General for Maritime Affairs and Fisheries, que já teve oportunidade de intervir nesta conferência, conforme mostra esta foto.

Mais participantes cuja presença e intervenção não tem sido referida pelos nossos media de referência incluem: a Santa Sé, o WWF, o príncipe do Mónaco, o Banco Europeu de Investimento, a Agência Internacional de Energia Atómica, e a Universidade de Victoria (Canadá).

Curiosidade: na cerimónia de abertura, Guterres citou Vergílio Ferreira. E Ana Paula Vitorino recebeu um certificado do Ocean 8 pela cooperação internacional no Ocean Science.

Refira-se que, no âmbito deste objetivo 14, Portugal está empenhado em 11 iniciativas: 
  1. Interações atlânticas: uma agenda estratégica de investigação integrando espaço, energia-clima, oceanos e ciências de dados através da cooperação Norte-Sul / Sul-Norte
  2. Criar um sistema de avaliação e acompanhamento do Fundo Azul que está alinhado com o objetivo 14.
  3. Promover e apoiar a criação de uma rede forte de investigação e inovação marinha e marítima, através da criação de um cluster de tecnologia portuária em Lisboa e do Observatório Atlântico, nos Açores, com um foco no Norte e do Sul
  4. Promover e aumentar o investimento público em projetos voltados parta a conservação da biodiversidade marinha em 2 milhões de euros.
  5. Reduzir a captura excessiva e devoluções de peixe ao mar
  6. Trabalhar a nível regional, no âmbito da Convenção OSPAR, com vista a reduzir o lixo marinho no Atlântico
  7. Reduzir a poluição marinha através do desenvolvimento de plataformas tecnológicas e ferramentas que promovam a economia circular do mar
  8. Promover políticas públicas e aumentar a consciência internacional sobre a importância do oceano e da Saúde Humana
  9. Desenvolver Planos de Ordenamento do Espaço Marítimo que cobrem a toda área sob jurisdição nacional, usando abordagens baseadas nos ecossistemas
  10. Proteger pelo menos 14% das zonas costeiras e marinhas sob jurisdição nacional
  11. Expandir o projeto «A Pesca por um mar sem lixo» a todos os portos de pesca no continente português