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domingo, 14 de julho de 2024

Entrevista a Uta Jungermann: “Uma empresa realmente responsável reconhece que estamos a experienciar uma policrise”


O planeta atravessa uma crise multidimensional sem precedentes na História da humanidade: uma policrise, como alguns lhe chamam, que inclui alterações climáticas, perda de biodiversidade, poluição, desigualdades sociais, entre outras.

Para combater as suas causas e efeitos, é preciso um esforço conjunto de todos os setores das sociedades humanas, incluindo as empresas, às quais vem sendo exigido, cada vez mais, que reduzam os seus impactos negativos e que, idealmente, abandonem lógicas de fazer negócio assentes na mera extração a favor de abordagens com impactos neutros ou até mesmo de regeneração dos danos causados.

Uta Jungermann, diretora de Member Engagement & Global Network do Conselho Empresarial Global para o Desenvolvimento Sustentável (WBCSD), contou à Green Savers que “uma empresa realmente responsável, primeiro que tudo, reconhece que estamos a experienciar uma policrise – alterações climáticas, perda de Natureza e crescente desigualdade”.

À margem da conferência anual do BCSD Portugal, associação que faz parte do WBCSD, que decorreu no passado dia 3 de julho em Lisboa, a responsável disse que quando a consciência dessa policrise é internalizada pelas empresas “também reconhecem a urgência em agir e que é preciso começar a perceber o que se pode fazer para se preparem para liderar a limitação dos impactos das alterações climáticas, para restaurar a Natureza, para abraçarem a noção de retribuir e não apenas de extrair”.

Reconhecida a existência desse quadro crítico e os riscos que representa para sociedades e, claro, empresas, “começamos a perceber que são necessárias transformações realmente profundas, da parte de todos”. Da parte dos negócios, são necessárias mudanças não só ao nível das suas operações diretas, mas também ao longo de toda a cadeia de valor.

“Para mim, uma empresa responsável, que é credível e responsabilizável, estabelece compromissos e metas com base na ciência, que são mensuráveis, que a coloquem num caminho para a neutralidade carbónica”, afirmou Uta, mas também assume, com precisão, os seus impactos no ambiente e na sociedade, “e comunica esse progresso de uma forma muito transparente”. Uma empresa responsável, em suma, “é verdadeira acerca dos seus impactos positivos, mas também reconhece os negativos e procura mitigá-los”.

É preciso que as empresas mudem a forma de estar no mundo?
Para Uta Jungermann, as empresas estão cada vez mais cientes de que não podem ser bem-sucedidas se as sociedades e ambientes dos quais fazem parte não forem, também eles, bem-sucedidos.

“Acho que estamos a experienciar essa mudança. Penso que as empresas estão a começar a perceber que não podem ter sucesso em sociedades que fracassam, há uma evidente interdependência. Os negócios querem prosperar, as sociedades querem prosperar. Os negócios só podem ser viáveis em sociedades saudáveis. Sei que ainda temos um longo caminho a percorrer, mas creio que as empresas que internalizaram isso estão a pensar já que, para o seu sucesso a longo-prazo, precisam de criar as condições para que as sociedades em que operam possam prosperar”.

E acredita que “a mudança está a começar”, embora reconheça que “provavelmente não está a acontecer tão rapidamente quanto todos gostaríamos”. Para a responsável, a demora está, em certa medida, a ser causada por “este mundo polarizado em que vivemos”, e, sobretudo, devido à ausência de quadros regulatórios claros no que diz respeito à jornada da sustentabilidade das empresas.

“As empresas gostariam de ter quadros regulatórios muito claros e estabilidade. Tornaria tudo muito mais rápido, mas não é esse o caso. Há muita polarização em torno destes temas, e isso certamente obstaculiza a velocidade e a escala que precisamos, mas acredito que há um número cada vez maior de empresas que realmente percebem que isto é inevitável”.

Uta disse-nos que, acima de tudo, é preciso perceber que as alterações climáticas, a perda de Natureza e as desigualdades sociais são várias facetas de um mesmo problema e que não é possível resolver um sem combater os demais.

“A interdependência destes três desafios é tão clara e penso que as empresas estão a perceber isso”, referiu, acrescentando que “muitas vezes é mais fácil começar com as emissões de carbono, porque é uma só métrica, fácil de medir, mas as empresas estão a reconhecer que não é a única métrica” e estão a procurar abordagens que permitam responder a essas dimensões interconectadas e interdependentes.

Questionada sobre se as empresas, no que toca à sustentabilidade, deveriam assumir a dianteira desses esforços e não ficar à espera de que os legisladores criem as regras do jogo, Uta disse “sim, por vezes sim”.

“As empresas estão numa posição única para liderar. Têm uma influência significativa a vários níveis da sociedade e em diferentes geografias, ao longo das suas cadeias de valor, etc. Obviamente que as políticas são importantes, mas, ao mesmo tempo, se estivermos à espera de uma única abordagem global, pode nunca chegar. Não temos tempo para estar à espera. Por isso, as empresas podem, nas suas esferas de influência, fazer muito e liderar pelo exemplo”.

O combate à policrise não pode ser feito sem as empresas
“As empresas não podem fazê-lo sozinhas, mas também não pode ser feito sem elas”, salientou Uta Jungermann, pois “as empresas têm uma capacidade única para liderar”, sobretudo porque têm à sua disposição recursos e capacidade para a inovação que muitas vezes falta ao setor público.

Contudo, as transformações necessárias para combater a policrise aconteceriam mais rapidamente, sugeriu a responsável, “se tivéssemos vontade política para fazer acontecer”. Ainda assim, na ausência dessa vontade, as empresas podem ainda assumir a dianteira. “Não creio que tenhamos a inovação que precisamos sem as empresas na liderança”, disse Uta, e deixou um apelo: “Temos de parar de demonizar o setor privado”.

Mas será realmente possível mudar a forma como as empresas operam e se posicionam no mundo sem alterar o próprio sistema em que estão inseridas? A responsável explicou que o atual sistema económico global “não distingue entre a criação de valor e a extração de valor, e basicamente está desenhado apenas para extrair valor, em vez de criá-lo”.

Dessa forma, “existem poucos ou nenhuns incentivos para as empresas criarem verdadeiro valor”, pelo que há que “reinventar o capitalismo” de forma a “criar as condições para o sucesso dos negócios a longo-prazo, e assegurar que os mercados recompensam comportamentos que reforçam os sistemas ambientais e sociais que alicerçam a prosperidade económica”.

“Mas atualmente não é isso que se passa, e torna difícil que as empresas mudem, inovem, transformem”, lamentou.

Preparar para o futuro pode implicar alguns sacrifícios
As transformações profundas que são entendidas como necessárias para alinhar as empresas e a forma de fazer negócios com os objetivos de combate às crises planetárias pode, por vezes, implicar investimentos sem retorno imediato. Será que as empresas estão dispostas a fazer esses sacrifícios, não só em prol das sociedades e do planeta em geral, mas também da viabilidade dos seus próprios negócios no futuro?

Uta Jungermann acredita que “depende de quão avançada uma empresa está na sua jornada de sustentabilidade”, uma vez que “cada empresa está numa etapa diferente”.

Para a responsável, “as empresas com visão de futuro percebem que a sustentabilidade não é apenas uma opção ética, mas sim um imperativo estratégico para a viabilidade a longo-prazo”.

Se as empresas tiverem uma verdadeira visão de futuro, sublinhou, então perceberão que é preciso fazer certos sacrifícios para garantir a sustentabilidade dos seus negócios.

“Cada vez mais, as empresas apercebem-se dos riscos financeiros causados, por exemplo, pelos riscos físicos das alterações climáticas. Por isso, quando olham para o futuro, as empresas reconhecem que, por vezes, é preciso fazer certos sacrifícios.”

Um ‘empurrão’ regulatório e uma dose de auto-motivação
Uta Jungermann salientou que atualmente há um “ritmo sem precedentes” no desenvolvimento de quadros regulatórios sobre a sustentabilidade das empresas, com a Europa a impulsionar grande parte dos esforços, e, a nível global, “isso significa que o reporte obrigatório está a tornar-se inevitável”.

“Algumas empresas fazem isso há anos voluntariamente”, referiu, mas a obrigatoriedade do reporte está a acelerar a transformação e a trazer todas as empresas para o mesmo plano, o do rumo à sustentabilidade.

No entanto, para essa transformação é preciso não apenas obrigatoriedades regulatórias, mas também estar disposto a ir mais além. Ou seja, é preciso haver um equilíbrio entre o que as empresas são obrigadas a fazer e o que, como parte integrante das sociedades, devem fazer para lá do que lhes é legalmente exigido.

“Obviamente que a regulamentação é importante, mas ao mesmo tempo as empresas têm de ter auto-motivação também. Penso que as empresas estão a adotar essa mentalidade”, afirmou.

“Claro que precisamos de mitigar os impactos, isso é essencial. A mitigação é sempre importante. Temos de minimizar e eliminar os impactos negativos onde podemos, mas também precisamos de restaurar, precisamos de recuperar os danos que causámos. No final de contas, todos queremos prosperar. É uma longa viagem, mas acredito que estamos no caminho certo.”

sexta-feira, 31 de março de 2023

Criado grupo industrial de reciclagem de pneus apoiado pela Michelin


Estima-se que 1 bilião de pneus  usados é destinado para aterros sanitários.

Uma empresa de reciclagem sueca e uma empresa de investimentos francesa anunciaram ontem a criação de um projeto de reciclagem de pneus, “o ponto de partida para a industrialização” do setor, que fornecerá materiais reciclados à Michelin.

O objetivo deste grupo é construir várias fábricas na Europa, com uma capacidade de reciclagem de até “um milhão de toneladas de pneus em fim de vida por ano até 2030”, ou seja, um terço da quantidade anual de pneus usados no continente.

Isso representaria, segundo um comunicado de imprensa, “uma redução estimada nas emissões de dióxido de carbono de 670 mil toneladas”.

Especialista no “desenvolvimento de infraestruturas sustentáveis”, a empresa de investimentos francesa Antin deve financiar o investimento inicial e ser o acionista maioritário do grupo. A participação da empresa de reciclagem sueca Enviro deve ser de 30%.

“Encontrámos na Antin e na Michelin os parceiros ideais para juntos acelerarmos a nossa expansão (…) de forma a contribuir para a transição da indústria dos pneus tornando-a circular”, congratulou-se o presidente da empresa sueca Alf Blomqvist, citado no comunicado de imprensa.

Já existem canais de reciclagem de pneus mas, para a Michelin, a criação desta empresa “é o ponto de partida para a industrialização”, explicou este grupo à agência France-Presse (AFP).

Com sede em Uddevalla, na Suécia, a primeira fábrica deverá estar operacional “até 2025”.

Deverá ter uma capacidade inicial de reciclagem “equivalente a 34.500 toneladas de pneus usados, ou 40% do volume anual de pneus em fim de vida na Suécia”.

A sua construção, ainda “sujeita a decisão final de investimento”, deverá arrancar no segundo trimestre.

A Michelin “planeia ingressar nesta ‘joint venture’ [empreendimento conjunto] à medida que as fábricas sejam construídas”.

Em concreto, a Enviro deve recuperar pneus em fim de vida e reciclá-los utilizando a sua tecnologia patenteada.

Esta consiste na extração e regeneração do negro de carbono, que aumenta a resistência da borracha, assim como dos óleos de pirólise.

A Michelin, maior acionista da Enviro, planeia comprar esses dois componentes reciclados desse novo fabricante e utilizá-los para fabricar novos pneus.

“Ao substituir o negro de carbono virgem pelo reciclado da Enviro, é possível reduzir as emissões ligadas ao uso do negro de carbono convencional em mais de 90%”, sublinha o grupo sueco.

Na Europa, “o volume de pneus em fim de vida descartados a cada ano aumentou constantemente para 3,5 milhões de toneladas por ano”, segundo as empresas.

terça-feira, 28 de junho de 2022

Programa NextLap está à procura de projetos que queiram dar uma nova vida a pneus


Se tem um projeto de Economia Circular que permite, de alguma forma, dar uma segunda vida aos pneus usados, este programa de inovação está à sua procura. As inscrições para a segunda edição do NextLap estão abertas até ao dia 24 de julho.

O NextLap é um programa que pretende apoiar o desenvolvimento de novos produtos que reduzam o desperdício dos materiais dos pneus, desenvolvido pela Valorpneu, pela Genan e pela Betai. Ao longo de quatro meses, as entidades e os parceiros Pragosa, Decathlon, Infraestruturas de Portugal (IP) e TMG Automotive irão colaborar no desenvolvimento e validação dos novos produtos, para serem depois incorporados no seu portefólio e se transformarem em grandes negócios. Os melhores projetos terão oportunidade de fazer um pitch para o Comité de Inovação Global da Genan, na Dinamarca, e a ideia mais promissora receberá um prémio de 5.000 euros.

De forma a apresentar soluções diferenciadas na indústria, é permitida a participação de PMEs, startups, centros de investigação e empreendedores de todo o mundo que contem com ideias ou produtos desenvolvidos que possam tratar, reutilizar e trazer novas aplicações para os pneus inteiros ou fragmentados. A isto, juntam-se ainda projetos que tenham como intuito o reaproveitamento dos materiais derivados do pneu, como o granulado de borracha, fibras têxteis e aço, que serão também apoiados pelos diferentes parceiros do programa.

Os interessados devem inscrever-se no site.

quarta-feira, 27 de abril de 2022

NextLap aposta em soluções de economia circular para dar segunda vida a pneus


A entidade gestora portuguesa Valorpneu e a Genan, líder mundial em reciclagem de pneus, voltam a unir-se à consultora Beta-i no projeto que impulsiona novas técnicas e modelos de negócio para a circularidade do setor.

Depois de uma primeira edição com foco na colaboração direta entre grandes empresas e startups, a entidade gestora portuguesa Valorpneu e a recicladora multinacional de origem dinamarquesa Genan, novamente com o apoio técnico e de gestão da consultora Beta-i, lançam a segunda edição do NextLap com uma nova abordagem. Este ano, também com a missão de reduzir o desperdício de materiais e promover um mercado de pneus mais circular, o projeto terá foco na aceleração - com o objetivo de apoiar o desenvolvimento de negócios early stage ou em fases iniciais de monetização em negócios escaláveis e produtos em desenvolvimento, através de formação, mentoria e acesso a empresas e especialistas da indústria.

O NextLap Accelerator tem já as candidaturas abertas, através do website e até o dia 5 de junho, para PMEs, startups, centros de investigação e desenvolvedores de todo o mundo que contem com ideias de negócio ou soluções inovadoras que possam tratar, reutilizar e trazer novas aplicações para os pneus inteiros ou fragmentados - ou ainda, novas formas de reaproveitamento dos materiais derivados do pneu em fim de vida: granulado de borracha, fibras têxteis e aço. Durante quatro meses, os participantes contarão com o apoio de parceiros de indústria, tais como a multinacional do sector da construção Pragosa, a empresa líder no mercado de artigos desportivos Decathlon, a Infraestruturas de Portugal e a empresa na área dos têxteis técnicos TMG Automotive, para sessões de mentoria e validação de negócio, bem como com formação e apoio de outros peritos técnicos para orientar o desenvolvimento de produtos.

Segundo Climénia Silva, Diretora Geral da Valorpneu, "o NextLap Accelerator é mais um desafio no desenvolvimento de novas soluções para os materiais derivados de pneus em fim de vida e no caminho para uma economia que se pretende mais circular. Este programa, que se sucede à primeira edição do NextLap, conta com o envolvimento de diversos parceiros com competências para levar mais longe ideias inovadoras e para criar sustentabilidade e resiliência no domínio da gestão dos pneus em fim de vida. É uma oportunidade para investigadores, estudantes, startups ou apenas para quem idealize utilizar o pneu como um recurso. Investir em I&D sempre foi um dos principais focos da Valorpneu enquanto entidade gestora dos pneus usados em Portugal. Neste contexto, a Valorpneu continua a ousar e a constituir-se como um agente de mudança e de inovação na prossecução de um desenvolvimento mais sustentável."

Por sua vez, para Thomas Ballegaard, CCO da Genan, "os pneus são construídos para terem alto desempenho e longa duração na estrada, mas na Genan estamos determinados a dar uma nova vida aos pneus, quando estes deixam as estradas. Depois de desgastados, os pneus são na sua maioria classificados como resíduos, o que é um enorme erro. Na verdade, os pneus em fim de vida podem ser desenvolvidos em muitos produtos diferentes para uma vasta gama de aplicações e soluções. A Genan é um líder de mercado orgulhoso, mas lutamos constantemente pelo desenvolvimento e inovação. Não podemos fazê-lo sozinhos e, como tal, convidamos todos a juntarem-se à nossa missão".

De acordo com Diogo Teixeira, CEO da Beta-i, "a primeira edição do NextLap em 2021 foi um êxito, no sentido de promover a colaboração efetiva entre empresas e startups para o desenvolvimento de novas soluções assentes na circularidade e na recuperação de pneus em fim de vida. Esta jornada de iteração e aprendizagem também nos fez perceber a existência de um grande volume de propostas poderosas para o setor, que ainda podem contar com mentoria e acesso a players do setor para que demonstrem todo o seu valor. É por isso que decidimos reformular a estrutura do programa este ano, de modo a promover a transformação destas propostas em negócios viáveis e escaláveis num menor período de tempo. Inovadores de todo o mundo poderão ter acesso exclusivo ao conhecimento e experiência de grandes empresas que não teriam de outra forma, e os parceiros poderão apoiar o desenvolvimento de soluções reais de mercado, com benefícios reais para o ambiente".

No final do bootcamp, a ideia mais promissora receberá um prémio de 5.000 euros e os melhores projetos selecionados, após a fase de aceleração, terão oportunidade de fazer um pitch para o Comité de Inovação Global de Genan, na Dinamarca.

Segundo dados do WBCSD (Conselho Empresarial Mundial para o Desenvolvimento Sustentável), de dezembro de 2019, todos os anos no mundo são descartados mais de 30 milhões de toneladas de pneus em fim de vida, com a Europa a registar um número na ordem dos 3,4 milhões de toneladas. Em Portugal são geradas em média 80 mil toneladas de pneus em fim de vida, sendo encaminhadas para reciclagem cerca de 60% e para valorização energética os restantes 40 por cento.

O programa de aceleração NextLap está também a receber manifestações de outras empresas atuantes no setor, que tenham interesse em participar no programa enquanto parceiros para mentoria e formação das melhores soluções identificadas no processo de análise e investigação.

terça-feira, 16 de julho de 2019

The fossil fuel industry is quietly undermining global climate talks, report says

Foto e notícia aqui

Fossil fuel industry giants such as Exxon Mobil and Royal Dutch Shell are maintaining an outsize presence at global climate discussions, working to undermine scientific consensus and slow policy progress, according to findings released last week by an environmental monitoring organization.

The report from the Climate Investigations Center says fossil fuel trade associations have sent more than 6,400 delegates to climate talks since 1995, including delegates from Shell, BP and Exxon Mobil.

Exxon Mobil declined to comment. Royal Dutch Shell and BP did not respond to requests for comment.

The center’s findings add to an April report that accused the Global Climate Coalition, a fossil fuel-funded industry group, of working to discredit the United Nations’ Intergovernmental Panel on Climate Change and derail the Kyoto Protocol. Though the Global Climate Coalition disbanded in 2001, its members have continued to attend events representing different organizations, Climate Investigations Center data showed.

Former Global Climate Coalition members have attended events representing organizations that include the International Emissions Trading Assn. and the World Business Council for Sustainable Development. Since 2002, the two groups alone have combined to send 2,673 delegates, according to Climate Investigations Center data. Exxon Mobil, Shell and BP each belong to at least one of the groups, according to the trade groups’ websites. The companies have collectively contributed 5.2% of global industrial greenhouse gases from 1988 to 2015, according to the CDP’s Carbon Majors Database.

“While the [Global Climate Coalition] is gone, its influence may not be,” said Jesse Bragg, media director at Corporate Accountability, a global activist organization. The new report “connects the dots and bolsters the case for why governments need to actually take a look at the influence of fossil fuel trade associations at the international level,” he said.

The presence of the fossil fuel industry is, of course, required at such gatherings. Without its cooperation, it would be impossible to implement the large-scale changes needed to fight climate change.

But there is a fine line between participation and obstruction. Activists say it has been difficult to get global organizations such as the U.N. to reconsider how fossil fuel representatives are allowed to participate in the process.

“They not only do not want a policy, they don’t even want a record of them talking about it,” Bragg said. “That’s been one of the primary obstacles to getting this addressed in the first place.”

International Emissions Trading Assn. Chief Executive Dirk Forrister said his trade group does not do any negotiating.

“We abide by a Code of Conduct that supports the [United Nations Framework Convention on Climate Change’s] goals and respects the different points of view of the many stakeholders,” Forrister told Bloomberg in an email.

The World Business Council for Sustainable Development did not respond to a request for comment.

“The legacy of fossil fuel corporate impact on the [U.N. Framework Convention on Climate Change] process and the [U.N. Intergovernmental Panel on Climate Change] is both invisible and impossible to forget,” Climate Investigations Center Director Kert Davies said in a statement. “Fossil fuel interests have tried from the very beginning to undermine and infiltrate this difficult global agreement to make sure that it failed or faltered at each step. As they win, the planet loses.”

quarta-feira, 23 de maio de 2007

Alterações climáticas: ousar inovando



Ela espera abrir os olhos sombreados
sob um mundo diferente
Venha para mim
Princesa assustada

(in Charlotte Sometimes, The Cure)

A sociedade humana já foi capaz de inverter/limitar situações gravíssimas como as chuvas ácidas e a destruição da camada de ozono...e enfrenta um novo desafio civilizacional: o aquecimento global e as alterações climáticas. Porquê tanta demora? É hora de decisões políticas sérias e estruturantes. É hora de abrandar, fazer a nossa parte e ousar. 

Um E-Livro
O Manual de Eficiência Energética é o resultado de um projecto desenvolvido em 2005, onde se conciliou o trabalho desenvolvido pela Universidade de Coimbra com os exemplos práticos de aplicação destes conceitos pelas empresas membro do BCSD Portugal - Conselho Empresarial para o Desenvolvimento Sustentável

terça-feira, 6 de março de 2007

Euronatura e Índice ACGE


Euronatura

A EURONATURA - Centro para o Direito Ambiental e Desenvolvimento Sustentado é uma organização sem fins lucrativos equiparada a organização não-governamental de ambiente, especializada em investigação em ciência, política e direito de ambiente, particularmente no respeitante a matérias de cariz internacional.
Fundada em 1997, a EURONATURA tem desenvolvido o seu trabalho em 3 grandes áreas programáticas fundamentais: Ciência e Política das Alterações Climáticas; Águas Internacionais e Economia e Ambiente.As suas actividades incluem, entre outros projectos, participação, no projecto Climate Change in Portugal: Scenarios, Impacts and Adaptation Measures – SIAM I; dinamização do “Índice de Alterações Climáticas e Gestão de Empresas (ACGE)” e do Fórum Português Pós-Quioto (FPPQ); promoção de gestão partilhada de bacias hidrográficas partilhadas, com Espanha, através dos projectos “Ondina” e “IberAqua”, e mais recentemente através do Projecto “Aquastress”; aumentar a consciência do público relativamente às ligações entre a economia e o ambiente, por um lado, monitorizando e promovendo a reforma e introdução de boas práticas das Agências de Crédito à Exportação (Projecto Eca-Iberia), da Banca Privada e de outras Instituições Financeiras Internacionais (IFIs) e, por outro, através de um projecto sobre “Subsídios Ambientalmente Perversos”.



Índice ACGE consiste na construção de um ranking que permita avaliar o desempenho de um conjunto seleccionado de empresas portuguesas (cobertas e não cobertas pelo Comércio Europeu de Licenças de Emissão) quanto ao seu comportamento face às alterações climáticas. A apreciação baseia-se na definição de um conjunto de indicadores, adaptados da metodologia utilizada pelo Investor Responsibility Research Center (IRRC), parceiro nesta proposta, na elaboração dos relatórios “Corporate Governance and Climate Change: Making the Connection” (edições de 2002 e 2006), para o Coalition for Environmentally Responsible Economies (CERES). Este projecto é já uma segunda edição do desenvolvido no ano anterior (ACGE 2004) e continuará a ter a aplicação que foi conseguida o ano passado, para consumidores, investidores, fornecedores e público em geral, que assim continuarão a dispor de uma ferramenta que lhes permite uma escolha mais informada quanto a esta temática. Em particular, o índice constitui uma boa ferramenta para os gestores de empresas, na medida em que podem comparar a respectiva empresa com as concorrentes directas e agir em conformidade, tornando-se desta forma um instrumento de sensibilização por excelência.