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terça-feira, 15 de setembro de 2026
BLVCK CEILING - Park Eyes
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sexta-feira, 11 de setembro de 2026
Ladytron - Free, Free
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sexta-feira, 28 de agosto de 2026
Rosetta Stone - Shadowban
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terça-feira, 18 de agosto de 2026
Governo chinês antecipa o fim do Windows e adopta sistemas operativos locais
A China está a acelerar a remoção do Windows dos sistemas governamentais. O Ministério da Segurança do Estado ordenou a várias organizações estatais que desinstalem uma versão personalizada do Windows 10 vários meses antes do previsto. De acordo com o site TechSpot, esta decisão aproxima do fim a tentativa da Microsoft de criar um ecossistema de software desenhado especificamente para Pequim.
O fim de uma parceria estratégica
A C&M Information Technologies (CMIT), a empresa responsável pelo desenvolvimento deste sistema operativo especial, tinha planeado retirar o software de circulação apenas em Fevereiro de 2027. Esta edição governamental do Windows 10 chegou ao mercado em 2017, fruto de uma parceria entre a Microsoft e a estatal China Electronics Technology Group Corporation.
O sistema baseava-se na versão Enterprise, mas sem funcionalidades consideradas desnecessárias pelas autoridades, como o OneDrive. Além disso, dava ao governo controlo total sobre a telemetria e as actualizações, oferecendo ainda suporte para algoritmos de encriptação locais. Pessoas próximas do processo indicam que esta antecipação se deve a preocupações com a segurança de dados, embora não tenham sido identificadas vulnerabilidades específicas. A Microsoft já fez saber que desconhece qualquer incidente de segurança e que o produto continua a receber actualizações regulares.
A transição para alternativas nacionais
Esta directiva surge num momento em que Pequim intensifica a sua campanha para substituir hardware e software estrangeiro por alternativas domésticas. Em vez do produto da Microsoft, os funcionários públicos chineses vão passar a utilizar sistemas operativos da Kylin Software e da Tongxin Software Technology, na sua maioria baseados em Linux.
A necessidade de manter documentos confidenciais protegidos levou o governo chinês a implementar regras rigorosas de compras públicas em 2023. Estas normas exigem processadores e sistemas operativos “seguros e fiáveis”, o que resultou na exclusão gradual de chips da Intel e AMD, bem como de bases de dados estrangeiras.
O impacto na presença da Microsoft
A versão personalizada do Windows nunca conseguiu a adopção que a gigante tecnológica norte-americana desejava. Uma análise recente a guias de compras governamentais mostrou que a esmagadora maioria já não recomendava o software da Microsoft, preferindo soluções de código aberto apoiadas pelo Estado, como o openKylin.
Como resultado destas políticas, a presença da empresa na China tem vindo a diminuir, com o encerramento de pelo menos quinze escritórios e parcerias nos últimos cinco anos. Ainda assim, a tecnológica mantém-se no país a vender serviços de inteligência artificial e cloud a empresas locais com operações internacionais.
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sábado, 15 de agosto de 2026
Minute Taker - Losing Self-Control
Minute Taker é o nome artístico do músico, compositor e produtor britânico Ben Higgins, originário de Manchester, Inglaterra. A sua sonoridade insere-se num universo marcado pelo synth-pop, electro-pop e dark wave, caracterizando-se pela fusão de sintetizadores nostálgicos inspirados na década de 1980, arranjos de piano melancólicos e vocais expressivos de grande densidade emocional.
Na sua versão de Losing Self-Control (tema originalmente popularizado por Laura Branigan sob o título Self Control), o artista reinterpreta a composição através de uma estética sombria e retro-futurista. O significado da canção e do seu videoclipe gravita em torno do isolamento moderno, da perda de identidade e do fascínio doentio pela cultura do espetáculo e pelas telas digitais, retratando um indivíduo consumido pelos seus próprios desejos, obsessões e pela alteração da perceção da realidade durante as horas noturnas.
Sob o ponto de vista das inspirações literárias e filosóficas, a obra dialoga diretamente com as correntes do distopismo do século XX e com o existencialismo. A estética visual de vigilância, o alheamento do mundo real e a alienação tecnológica ecoam as críticas sociais presentes em obras como 1984 de George Orwell e Fahrenheit 451 de Ray Bradbury.
O paralelismo com George Orwell manifesta-se em três aspetos fundamentais, particularmente visíveis na dinâmica do relacionamento entre Winston e Julia em 1984. Em primeiro lugar, o beijo surge como um verdadeiro ato de rebeldia: num mundo frio, alienante e absoluto no seu controlo, a intimidade física e o desejo transformam-se na forma mais pura de insurreição. O beijo não nasce de uma harmonia perfeita, mas antes de um impulso desesperado de resgatar a humanidade contra um sistema - ou um estado mental - que tudo sufoca.
Paralelamente, desenha-se uma união fundada no desespero e não no entendimento. Winston e Julia procuravam-se e amavam-se, mas o mundo ao seu redor encontrava-se tão fraturado que a relação estava irremediavelmente marcada pela tragédia iminente. Não precisavam de uma compreensão intelectual perfeita um do outro, pois o simples toque físico figurava como o único refúgio possível contra o vazio e a vigilância constante.
Por fim, a perda de controlo afirma-se como uma libertação temporária, onde ceder à atração representa a única forma de quebrar a rigidez da rotina e da alienação. Tal como os protagonistas de Orwell, as figuras do vídeo encontram no contacto físico uma breve trégua - um instante em que a mente finalmente cede e o corpo assume o comando.
No plano filosófico, o conceito de simulacros e simulação de Jean Baudrillard torna-se evidente no vídeo, onde as imagens e as projeções virtuais substituem a própria experiência humana autêntica. Por outro lado, a perspetiva existencialista de Søren Kierkegaard reflete-se na própria ideia da perda de autocontrolo, que surge como o confronto do indivíduo com o vazio existencial - uma tentativa desesperada, contudo ilusória, de escapar à angústia e à monotonia da rotina diária através da entrega aos impulsos da noite.
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quarta-feira, 15 de julho de 2026
O 'bicho-de-sete-cabeças' que não é: como uma loja online unificada salvaria os museus públicos
Pelo que conheço de e-commerce, pôr de pé uma loja online que junte o espólio de mais de 30 museus e monumentos nacionais não é bicho-de-sete-cabeças, mas exige dividir os custos em dois momentos: o arranque e o dia a dia.
Para começar, o desenvolvimento do site - que tem de ser robusto para cruzar os stocks de museus diferentes -, a fotografia profissional das réplicas e livros, e a integração com sistemas de pagamento (como o MB Way, ou melhor ainda um agregador, como a Stripe ou a Adyen) e faturação ficaria entre os 21.500 € e os 43.000 €. É um investimento feito apenas uma vez.
O verdadeiro desafio está no que vem a seguir. Manter a loja viva e a faturar custaria entre 30.000 € e 61.000 € por ano. Este valor serve para pagar os servidores, o marketing digital (essencial para que os turistas saibam que a loja existe) e, acima de tudo, a logística: alguém tem de estar num armazém central a embalar as peças com cuidado e a despachar as encomendas.
Pode parecer muito dinheiro para a realidade da nossa cultura, mas as contas fazem-se depressa. Se cada cliente gastar, em média, 40 € (o preço de um catálogo e de uma lembrança), a loja só precisa de fazer 6 ou 7 vendas por dia para pagar todas as suas despesas e começar a dar lucro. Para os milhões de visitantes que os museus portugueses recebem todos os anos, isto é uma gota no oceano.
Fica claro que o problema nunca foi o preço da tecnologia, mas sim a falta de vontade política para gerir a nossa Cultura com uma visão sustentável, estratégica e promoção da Língua Portuguesa
(P.S. sem nacionalismos ou ideologias)
Ironia: a pretensa loja até existe, mas actualmente é um cemitério, desde 2012! . O que aconteceu? O dinheiro público foi gasto, mas as plataformas exigem manutenção contínua, interação constante entre as autarquias e a logística e como concluí, não há uma visão estratégica da Cultura Portuguesa além-fronteiras.
Neste aspecto (lojas virtuais de museus) não somos Franceses, Alemães, Holandeses nem os Países Nórdicos.
Neste aspecto (lojas virtuais de museus) não somos Franceses, Alemães, Holandeses nem os Países Nórdicos.
De Serralves à Vista Alegre: O sucesso das lojas digitais que o setor público devia imitar
As fundações privadas em Portugal estão, na verdade, bastante mais avançadas na transição digital do que o setor público. Como têm maior autonomia de gestão, orçamentos focados na internacionalização e processos de decisão mais ágeis, conseguiram criar plataformas de comércio eletrónico muito completas e intuitivas, que funcionam quase como montras de design e cultura.
Um dos melhores exemplos nacionais é a Loja de Serralves, no Porto, que se posiciona hoje como uma verdadeira concept store de arte contemporânea. No seu site, além de uma vasta livraria especializada em arte e arquitetura, é possível adquirir edições limitadas e numeradas de artistas consagrados, peças de decoração exclusivas, acessórios de moda desenhados por criadores portugueses e brinquedos didáticos de design premiado. Na mesma linha de excelência, as Lojas da Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, dividem-se entre o catálogo do museu clássico e o do recém-renovado Centro de Arte Moderna (CAM). O seu espaço online destaca-se pela impressionante oferta de catálogos de exposições e ensaios históricos, mas também por peças de joalharia fina inspiradas na famosa coleção de René Lalique e por reproduções de azulejaria artística desenvolvidas em parcerias com galerias nacionais.
Para quem procura um nicho mais histórico e aristocrático, a Fundação das Casas de Fronteira e Alorna disponibiliza na sua loja virtual os "Cadernos da Fundação" - que reúnem investigações sobre o património barroco e a literatura dos séculos XVII e XVIII - , além de peças de azulejaria e produtos exclusivos inspirados na iconografia do próprio Palácio Fronteira. Por fim, num cruzamento perfeito entre a arte, a indústria e a preservação histórica, a Fundação Vista Alegre desempenha um papel crucial ao disponibilizar online réplicas exatas de peças de porcelana do século XIX, retiradas diretamente do espólio do seu museu histórico, bem como edições limitadas produzidas em colaboração com artistas contemporâneos globais.
A grande vantagem destas plataformas, além da óbvia comodidade de receber as peças em casa, é que muitas oferecem descontos de liquidação em livros e catálogos antigos que já não se encontram no mercado comum. Acima de tudo, comprar nestes canais digitais é uma forma direta de apoiar a sustentabilidade da cultura em Portugal, uma vez que a receita destas vendas reverte inteiramente para a manutenção do património, restauro de peças e financiamento de novas exposições e bolsas artísticas.
Sim, os bilhetes normais são caros e proibitivos para o dia a dia. Mas conhecendo os dias específicos, podemos usufruir do melhor que estas fundações privadas têm para oferecer com o mesmo custo do programa Acesso 52 dos museus públicos: zero euros.
sábado, 27 de junho de 2026
Atriz Cate Blanchett lança registo de consentimento humano contra uso abusivo de IA
A atriz Cate Blanchett lançou no dia 24 de junho o registo de consentimento humano da RSL Media, um "site" gratuito criado para permitir a qualquer pessoa proteger o seu nome, rosto ou voz contra uso não autorizado por serviços de inteligência artificial.
"Na era da Inteligência Artificial [IA], a sua identidade é a sua propriedade intelectual e todos têm o direito de decidir como a IA pode ou não utilizá-la", disse a atriz, produtora e cofundadora da RSL Media, na sessão de apresentação realizada no Parlamento Europeu, em Bruxelas, acompanhada pela diretora executiva da empresa, Nikki Hexum, e pela eurodeputada Eva Maydell.
O Human Consent Register, na designação original, está acessível em RSL Media.
De acordo com a atriz, "o registo de consentimento humano gratuito da RSL Media dá a todos uma voz e uma forma de agir em relação às permissões de IA, ajudando a preservar e proteger a confiança em todo o panorama de IA em constante evolução".
Este registo permite a qualquer indivíduo registar os elementos que constituem a sua identidade e autorizar ou negar a sua utilização por sistemas de IA, incluindo o seu nome, imagem ou voz.
Numa segunda fase, o "site" permitirá também aos utilizadores proteger as suas criações e marcas registadas.
A diretora executiva e cofundadora da RSL Media, Nikki Hexum, sublinhou na sessão que "o consentimento é um direito humano". "Uma pessoa deve poder dizer: `Este sou eu, isto é o que permito, isto é o que não permito e esta é a forma segura de me contactar, caso precise de me contactar`".
"O registo público é uma ferramenta prática que oferece às pessoas um espaço para tornar as suas escolhas claras", disse Hexum. "Temos orgulho em lançá-lo hoje no Parlamento Europeu, que está a liderar o caminho nos direitos digitais e na utilização responsável da IA".
A eurodeputada Eva Maydell (PPE) considerou o registo "uma ferramenta que torna os direitos transparentes, reforça a confiança e coloca a criatividade humana no centro do progresso tecnológico".
O cofundador da Flawless Scott Mann, e um dos diretores executivos da empresa que desenvolve ferramentas de IA para produção audiovisual, também presente na sessão, lembrou que "as ferramentas de IA devem aumentar a criatividade humana, não substituí-la, mas, para que isso aconteça, o consentimento precisa de ser claro, acessível e acionável", o que reconhece na aplicação da RSL Media.
Esta empresa tem por objetivo estar disponível para particulares, mas também para intermediários, como agentes ou gestores de artistas.
O sistema, que tem apoio da Creative Artists Agency, permite escolher três níveis de consentimento para cada item gravado: verde (permissão irrestrita), amarelo (utilização condicional) e vermelho (proibição).
Perante estas definições, cabe às plataformas de IA verificar se o conteúdo que pretendem utilizar está protegido ou não, o que, em princípio, não constitui uma obrigação legal sistemática na maioria das jurisdições.
O registo público da RSL Media é o primeiro concebido para tornar o consentimento detetável e acionável.
O seu lançamento oficial, em que também esteve o realizador Steven Soderbergh, reuniu líderes empresariais e políticos dos setores da tecnologia, música e entretenimento.
Todo o histórico aqui
domingo, 31 de maio de 2026
A nobreza estratégica do esquecimento na era da inteligência artificial
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segunda-feira, 11 de maio de 2026
O erro mais caro da próxima década é tratar a IA como uma ferramenta estática
A inteligência artificial não é um software que se compra, instala e resolve. O erro estratégico mais caro dos próximos anos será tratar a IA como um produto acabado, e não como um sistema em constante mutação.
Prever com inteligência artificial já é o básico; a verdadeira vantagem competitiva reside agora em entender como essa capacidade será redesenhada por agentes autónomos e modelos multimodais que se otimizam a si mesmos em tempo real.
O futuro deixou de ser apenas objeto de análise para se tornar parte integrante da ferramenta que analisa.
O deslocamento na adoção corporativa
A adoção corporativa confirma esta mudança. Dados recentes indicam que 88% das organizações já utilizam IA em pelo menos uma função de negócio. Mais relevante do que o volume é a complexidade: 39% das empresas já experimentam agentes autónomos.
Isto sinaliza que a inteligência artificial saiu definitivamente dos laboratórios de inovação para se tornar infraestrutura de decisão. Está no orçamento, na engenharia, na análise de risco e, principalmente, na ordem do dia dos conselhos de administração. A transição é clara: saímos da análise retrospetiva ("o que aconteceu?") para a antecipação preditiva ("o que tende a ocorrer e sob que sinais de alerta?").
Na prática, essa força preditiva altera a gestão de ponta a ponta. No retalho, antecipa a procura com uma granularidade inédita, combatendo a rutura de stock. Na indústria, identifica desvios operacionais antes que se tornem perdas em série. Nas finanças, cruza padrões comportamentais para mitigar fraudes em milissegundos.
O valor aqui não está na sofisticação tecnológica por si só, mas na disciplina de transformar a previsão em ação. As empresas maduras criam rotinas para decidir antes que o atraso se transforme em custo. As imaturas limitam-se a colecionar painéis bonitos enquanto permanecem reféns do improviso.
O risco subtil da precisão
A precisão da máquina traz consigo um risco subtil: a erosão do pensamento crítico. Um estudo da Harvard Business Review com gestores mostrou que o uso de IA generativa para previsões financeiras aumentou o otimismo e a confiança dos utilizadores, mas resultou em previsões piores do que as feitas por equipas que debateram entre pares.
A fluência verbal da inteligência artificial pode anestesiar a dúvida. E, em estratégia, a dúvida é um ativo valioso. Delegar a estratégia inteiramente à máquina é trocar responsabilidade por conveniência. Uma empresa resiliente usa a IA para ampliar a visão, mas jamais para terceirizar a coragem de decidir.
Há também um limite confortável na previsão algorítmica: ela depende de padrões observáveis. Ruturas geopolíticas e crises sanitárias operam fora da média. Além disso, o European Systemic Risk Board alerta para a concentração de modelos. Se todo o mercado utiliza os mesmos fornecedores e lógicas, a diversidade decisória diminui.
A automação pode criar eficiência, mas também pode sincronizar erros em escala. A IA que prevê o futuro está em mutação interna. Estima-se que 40% das aplicações empresariais sejam baseadas em agentes específicos até ao fim de 2026. Para as lideranças C-Level, a janela para definir a estratégia de IA agêntica é de três a seis meses. No calendário corporativo, isso é um trimestre; na evolução da tecnologia, é uma era inteira.
A reconfiguração dos processos e do balanço
Os agentes mudam o desenho dos processos. O valor migra do uso individual para a arquitetura organizacional. A liderança deve agora responder a que processos aceitam autonomia parcial, questionar quais exigem validação humana obrigatória e definir que decisões devem permanecer sob responsabilidade direta dos líderes.
A disputa já chegou à última linha do balanço. Os setores expostos à IA viram o crescimento da receita por colaborador dar um salto para os 27%, contra 9% nos menos expostos. Os profissionais com competências em IA já exigem prémios salariais de até 56%. Para os executivos, o recado é direto: ela já está a impactar a remuneração de talentos e a capacidade de escalar receitas com a mesma base humana.
Talvez o ponto mais crítico seja o que o Google DeepMind chama de agentes evolutivos (como o AlphaEvolve). A IA começou a participar no aperfeiçoamento da sua própria infraestrutura, gerando ganhos de eficiência computacional que escalam globalmente.
Daí surge o paradoxo central: a empresa usa a IA para ver o futuro, mas precisa de vislumbrar o seu próprio futuro para sobreviver. Os comités que tratam a tecnologia como uma mera compra de licenças são anacronismos. A liderança moderna deve monitorizar modelos, governação e custos computacionais com a mesma seriedade que dedica aos juros e à regulação.
Conclusão: um sistema vivo
A conclusão é clara. Prever é poder, transformar-se é sobrevivência.
Para quem consome tecnologia, a omnipresença da IA em dispositivos e serviços financeiros trará conveniência, mas exigirá transparência. Inovação sem explicabilidade é apenas assimetria de poder.
A próxima vantagem competitiva não virá de quem "comprou" a melhor IA, mas de quem a trata como um sistema vivo. As organizações que procuram um produto acabado serão surpreendidas pela própria tecnologia que acreditavam dominar.
As vencedoras usarão a inteligência artificial para antecipar o mundo e, simultaneamente, vigiar a transformação da lente com que observam esse mundo. O futuro já fala através de máquinas. A liderança que apenas escuta, obedece. A que compreende, decide.
quarta-feira, 29 de abril de 2026
Da censura editorial à algorítmica: o legado de "A Manipulação do Público"
| Filtro de "A Manipulação do Público" | Adaptação para a Era Digital |
| Propriedade | Concentração de poder nas Big Techs (Google, Meta, etc.). |
| Publicidade | Economia da atenção e exploração de dados individuais. |
| Fontes | Influenciadores, grupos de fachada e Astroturfing. |
| Flak | Linchamento virtual, censura algorítmica e ataques de bots. |
| Ideologia | Polarização extrema e o "Nós contra Eles" das guerras culturais. |
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