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terça-feira, 28 de julho de 2026

Cientistas conseguem transformar plásticos em combustível: o sistema que os converte em energia

Este novo processo alcança três resultados de uma só vez: transforma o plástico mais comum em hidrogénio de alta pureza e, ao mesmo tempo, solidifica o CO2, evitando assim a sua libertação na atmosfera.

Quanto plástico existe realmente no planeta? É uma pergunta para a qual, quase certamente, nunca teremos uma resposta. Independentemente das estimativas que possamos fazer, a preocupação com a situação cresce — ainda que lentamente — em contraste com a rápida escalada do problema em si; a realidade é que, a cada minuto que passa, há mais plástico no planeta.

No meio de diversas iniciativas e campanhas voltadas para mitigar a questão, cientistas de todo o mundo continuam a procurar soluções eficazes para erradicar o problema rapidamente, sem causar mais danos ao planeta e às suas esferas (ou seja, sem criar novas fontes de poluição da água, do ar ou do solo).

Das profundezas dos oceanos às nuvens - e até mesmo no nosso sangue -, o plástico alcançou todos os espaços no nosso redor, persistindo no meio ambiente e permanecendo com as futuras gerações por séculos.

Um dos projetos de investigação mais interessantes a apresentar resultados promissores recentemente - em julho deste ano - foi publicado pela Universidade da Califórnia, em Los Angeles (UCLA), e pela Ewha Womans University, na Coreia do Sul.

Este estudo não apenas desenvolveu com sucesso um processo capaz de transformar a reciclagem de plásticos no futuro sem gerar poluição adicional, mas também oferece uma via nova e altamente eficiente para a geração de energia limpa.

Do plástico ao hidrogénio: uma transformação sem emissões
Misturar plásticos para transformá-los? O resultado desta nova proposta é nada menos que hidrogénio de alta pureza, obtido pela combinação de três tipos comuns de plástico: PET, polietileno e polipropileno.

Isto é alcançado através de um novo processo chamado tratamento térmico alcalino, que utiliza temperaturas até 400 °C mais baixas do que as empregadas em processos convencionais de gaseificação, permitindo que o dióxido de carbono libertado durante o processo seja capturado e transformado na sua forma sólida.

Ao utilizar hidróxido de sódio e uma diferença de temperatura tão significativa (este processo geralmente opera em temperaturas entre 700 °C e 1300 °C), esta técnica requer menos energia e, ao mesmo tempo, produz hidrogénio com pureza superior a 90% - um nível muito próximo do padrão exigido para aplicação em tecnologias de energia limpa.

Além disso, a capacidade de capturar o dióxido de carbono emitido durante o processo evita que o gás seja libertado na atmosfera e a polua, criando também a oportunidade de aproveitar o material sólido resultante; uma vez transformado, este material pode ser utilizado em setores como manufatura e construção civil, entre outros.

Segundo dados da UCLA, menos de 10% do plástico descartado é reciclado, quase 80% acaba em aterros sanitários e nos oceanos, enquanto cerca de 10% é incinerado, libertando gases poluentes na atmosfera durante o processo.

Embora este projeto ainda esteja em fase experimental e precise de passar por um processo de implementação industrial fora do laboratório, os resultados são promissores no que diz respeito à redução de custos na triagem e separação de materiais plásticos, à produção de hidrogénio de alta pureza e à gestão e aproveitamento dos resíduos remanescentes.

Um problema que tem uma janela de oportunidade
Desde 2020, diversas iniciativas de investigação e projetos surgiram na tentativa de mitigar este problema crescente, visto que a maioria dos bens essenciais atuais contém, infelizmente, algum tipo de plástico.

Em 2025, investigadores japoneses publicaram uma descoberta sobre o desenvolvimento de um plástico à base de celulose altamente durável, que se degrada completamente em água salgada; e, no início de 2026, foi anunciado um projeto que decompõe o plástico utilizando enzimas, degradando com sucesso até 90% das garrafas PET.

É importante realçar que a adoção de bioplásticos no quotidiano e a implementação de novas estratégias para mitigar o impacto deste material ainda podem levar muito tempo; portanto, a melhor oportunidade de promover mudanças nessa questão está na decisão de cada um de nós de gerar a menor quantidade possível de resíduos plásticos no nosso dia a dia.

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sexta-feira, 10 de julho de 2026

França em revolta contra sistema de reciclagem de garrafas idêntico ao "Volta" em Portugal


Revolta ambiental. ONG's (Organizações Não Governamentais) e algumas autoridades locais eleitas estão a posicionar-se contra uma proposta do governo francês.

O plano prevê a reciclagem de garrafas plásticas recolhidas, em vez da sua reutilização. O presidente Emmanuel Macron retomou o projeto no final de maio deste ano, apesar de grupos ambientalistas já terem feito um alerta sobre o assunto algures em 2023.

Mas então, porque é que esta distinção é tão importante?
A ideia do governo é reciclar garrafas plásticas em vez de reutilizá-las. Axèle Gibert, coordenadora de prevenção de resíduos da France Nature Environnement (FNE), explica a questão: "Não se trata de um sistema de depósito para reutilização... mas de um sistema que permitirá aos fabricantes recuperar essas garrafas para produzir ainda mais plástico".

O problema: as garrafas não são lavadas para reutilização posterior
Elas serão recicladas. Além disso, muitos críticos do projeto, incluindo funcionários eleitos, querem usar um termo diferente de “depósito”. Segundo eles, as garrafas não são “retornáveis”. Até falam em 'greenwashing'. Nicolas Garnier, membro da associação Amorce, só vê lucro para os fabricantes. “Esta ampla medida de 'greenwashing' não tem outro objetivo senão vender mais garrafas de plástico descartáveis”.

Para o presidente da Câmara de Bures-sur-Yvette (Essonne), “teremos agora que tomar medidas que façam o Estado compreender que não deixaremos que este absurdo nos detenha”. Do lado do governo, Mathieu Lefèvre, Ministro Delegado responsável pela Transição Ecológica, explica que “a taxa de recolha e reciclagem de garrafas e outras embalagens de plástico foi de apenas 58,4% em 2024, contra uma meta de 90%”.

O uso de plástico continua a destruir o nosso planeta.

Se esta meta não for atingida, "a implementação de um sistema de depósito para reciclagem tornar-se-á obrigatória a 1 de janeiro de 2029". Segundo Nicolas Garnier, o projeto "custaria aos consumidores entre 1 mil milhão e 3 mil milhões de euros". Há, portanto, um verdadeiro impasse entre o governo e os críticos do projeto. Alguns autarcas de várias partes da França, apoiados por sindicatos do setor de gestão de resíduos, estão prontos para adotar medidas drásticas.

Mais especificamente, ameaçaram "suspender o pagamento da TGAP" - sigla para a taxa geral sobre atividades poluentes. Esta ameaça poderá concretizar-se caso o governo não mude de rumo e insista em manter a sua posição. Falando em nome dos opositores do sistema, o deputado Philippe Vigier lamentou o que descreveu não mais como uma consulta, mas como uma "imposição" por parte do Estado.

Como funciona a TAGP  e porque é que os autarcas ameaçam suspender o pagamento?
A TGAP (Taxe Générale sur les Activités Polluantes) é a Taxa Geral sobre Atividades Poluentes em França, um imposto cobrado pelo Estado com base no princípio do poluidor-pagador. Quem paga esta taxa diretamente ao Estado não são os cidadãos, mas sim as entidades responsáveis pela gestão de resíduos. Na prática, sempre que uma autarquia francesa recolhe o lixo dos seus habitantes e o envia para um aterro ou para um incinerador, é obrigada a pagar ao governo central uma quantia fixa por cada tonelada de resíduos tratada. A nível nacional, este imposto representa um valor astronómico que ronda as centenas de milhões de euros anuais pagos pelos municípios aos cofres do Estado.

O descontentamento com o plano do governo de Emmanuel Macron levou os presidentes de câmara e os municípios franceses a ameaçarem suspender o pagamento desta taxa, por se sentirem profundamente injustiçados a nível financeiro e logístico. Ao longo dos últimos anos, as autarquias investiram milhões de euros na modernização de ecocentros públicos para separar o lixo doméstico. Dentro de todos os resíduos, as garrafas de plástico PET limpas funcionam como o filé mignon do lixo, sendo o único material que os municípios conseguem vender a bom preço às empresas de reciclagem para financiar e cobrir os custos do resto da recolha urbana.

O novo plano do governo destrói completamente este equilíbrio económico. Ao criar um sistema de máquinas de depósito nos supermercados, o Estado retira a recolha das garrafas de plástico das mãos dos municípios e entrega o negócio diretamente à indústria das grandes marcas de bebidas. Isto resulta num castigo duplo para as autarquias francesas, que perdem subitamente uma receita essencial com a venda do plástico, mas continuam com a obrigação onerosa de recolher o lixo que ninguém quer, como restos de comida, fraldas ou sofás. Para agravar a situação, os municípios teriam de continuar a pagar a pesada taxa TGAP ao Estado pelo envio desse lixo restante para incineração ou aterro, mesmo sem o retorno financeiro do plástico.

Esta ameaça de suspensão do pagamento funciona, portanto, como uma poderosa arma de arremesso político e uma autêntica greve fiscal ecologicamente motivada. Ao cortarem o fluxo deste imposto, os autarcas franceses lançam um ultimato claro ao governo central, avisando que não vão financiar os cofres do Estado se este insistir em retirar o negócio do plástico ao setor público para o entregar aos grandes industriais privados (como a Nestlé, Coca-Cola, Pepsi-Cola, etc.)

Empresas industriais estão na mira de grupos ambientalistas

Por enquanto, as discussões parecem estar paralisadas.
As relações estão tensas e as associações lamentam o facto de o governo permitir que a indústria continue a utilizar plástico — repetidamente — em vez de combater essa prática e tentar minimizar o seu uso.

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terça-feira, 23 de junho de 2026

António Guterres exige "toda a verdade" sobre o custo climático da IA

O secretário-geral da ONU avisou que o mundo precisa de agir com "muito mais urgência" para limitar o aquecimento global. O secretário-geral da ONU, António Guterres, instou os líderes do setor da Inteligência Artificial a “dizerem toda a verdade” sobre o impacto ambiental dos centros de dados, apontando o dedo aos combustíveis fósseis.

“Chega de custos escondidos. Chega de impor este fardo aos mais vulneráveis. É tempo de dizer toda a verdade. Se a IA quer contribuir para a construção de um futuro melhor, precisa de ser honesta sobre o seu custo atual”, disse António Guterres esta terça-feira, durante o seu discurso na Semana de Ação Climática de Londres, um evento anual realizado na capital britânica.

O secretário-geral da ONU anunciou o lançamento da Iniciativa de Transparência Ambiental da IA, que exigirá que os gigantes globais da inteligência artificial calculem e divulguem a pegada ambiental das suas atividades — em termos de carbono, água e uso da terra, por exemplo. As empresas ficam comprometidas, então, a abastecer essas atividades com energia renovável até ao final da década.

“As comunidades desconhecem muitas vezes o impacto ambiental da infraestrutura que está a ser desenvolvida à sua volta”, sublinhou Guterres, reconhecendo que a IA é “exigente em termos de terra, água e energia”, embora possa contribuir para “acelerar as soluções climáticas”.

Os centros de dados - os repositórios de servidores que alimentam a IA e outros serviços digitais - consomem energia de forma extremamente intensiva e atingiram a marca dos 448 terawatts/hora (TWh) de eletricidade em 2025. A consultoria Gartner estima um aumento de 26%, elevando o consumo para 565 TWh e a potência para 132 GW em 2026. As projeções da Agência Internacional da Energia (AIE) apontam para um consumo que pode variar entre 945 TWh e 1.050 TWh até 20230.

Guterres pede “mais urgência”
Numa altura em que a Europa enfrenta uma vaga de calor e vários países, como o Reino Unido, França e Itália, batem recordes de calor, o secretário-geral da ONU alerta que é preciso agir “com muito mais urgência”.

“Devemos agir com muito mais urgência para limitar rigorosamente a extensão e a duração de qualquer ultrapassagem de 1,5°C”, disse Guterres, referindo-se ao limite de aquecimento estabelecido pelo Acordo de Paris de 2015, em comparação com os níveis pré-industriais.

Para além da proposta relativa ao setor tecnológico, o secretário-geral da ONU lançou também um “apelo global à ação sobre o metano”, o segundo maior contribuinte para as alterações climáticas a seguir ao dióxido de carbono (CO2), com o objetivo de alcançar “emissões próximas de zero em toda a cadeia de valor”.

Para isso, Guterres propõe uma série de metas relacionadas com as fugas de metano na indústria do petróleo e gás e com a queima, que consiste na queima do gás natural emitido durante a extração de petróleo sem o seu aproveitamento.

Guterres defende também a redução das emissões do setor agrícola e dos aterros sanitários.
"Exorto a indústria dos combustíveis fósseis a assumir a responsabilidade e a fazer o que já deveria ter sido feito há muito tempo", disse António Guterres, sublinhando que "só em 2025, foram queimados cerca de 167 mil milhões de metros cúbicos de gás, o equivalente ao consumo anual de África".

"Não podemos continuar a depender de um sistema baseado em combustíveis fósseis que alimenta tanto a crise climática como a crise energética", declarou o secretário no discurso durante a conferência em Londres.

sexta-feira, 22 de maio de 2026

Há papel que nunca deve colocar no ecoponto azul e quase toda a gente erra


Reciclar papel parece simples: jornais, caixas, folhas antigas… tudo para o ecoponto azul. Mas há um erro muito comum que continua a acontecer em milhares de casas e que pode contaminar todo o processo de reciclagem.

A verdade é que nem todo o papel é reciclável. E alguns dos objetos que usamos diariamente são precisamente aqueles que nunca deveriam ir para o contentor azul.

O maior “impostor” da reciclagem? Os talões de compras!
Os recibos do multibanco, talões de supermercado e faturas impressas parecem papel normal, mas não são.

Grande parte é feita de papel térmico, um material com componentes químicos que dificultam a reciclagem e podem contaminar outras fibras de papel reciclável. Este tipo de papel deve ir para o lixo indiferenciado.

É um detalhe que pouca gente conhece e um dos erros mais frequentes na separação de resíduos.

Guardanapos e papel de cozinha também não entram
Outro hábito comum: colocar guardanapos usados ou papel de cozinha no ecoponto azul. Mas quando o papel está sujo com gordura, comida ou produtos de limpeza, perde a capacidade de reciclagem.
Copos de papel revestido/impermeabilizado que utilizamos, por exemplo, para tomar café. Pelas características do seu revestimento (seja por plástico, verniz ou outro material impermeabilizante) o seu encaminhamento para reciclagem no fluxo papel e cartão é inviabilizado

O mesmo acontece com:
  1. caixas de pizza com gordura
  2. lenços de papel usados
  3. pratos e copos de papel sujos
  4. papel vegetal ou plastificado
  5. papel plastificado
  6. papel autocolante
  7. papel de alumínio
  8. papel de lustro
  9. Sacos de cimento;
  10. embalagens de produtos químicos
  11. toalhetes e fraldas. [informação aqui]
O truque simples que ajuda a não errar
Há uma regra rápida que os especialistas usam: se o papel estiver demasiado sujo, engordurado, plastificado ou brilhante, provavelmente não deve ir para o azul. 
Observar bem o rótulo de reciclagem das embalagens: muitas indicam o destino final (ecoponto amarelo, p.ex.)
Já revistas, caixas de cereais, folhas, envelopes e jornais continuam a ser recicláveis, desde que limpos e secos.

Porque é que isto importa?
Quando materiais errados entram na reciclagem do papel, podem comprometer lotes inteiros e dificultar o reaproveitamento das fibras. Ou seja, um pequeno erro doméstico pode reduzir a eficácia de todo o processo.

Separar corretamente continua a ser um dos gestos mais simples para reduzir desperdício mas, afinal, reciclar bem é tão importante quanto reciclar muito.

quinta-feira, 7 de maio de 2026

Portugal esgotou hoje recursos que natureza lhe destinava para o ano inteiro, dois dias mais tarde do que no ano passado


Portugal esgota hoje os recursos naturais que tinha disponíveis para este ano, dois dias mais tarde do que no ano passado, passando a consumir "a crédito", indicam dados da organização internacional "Global Footprint Network".

O dia da sobrecarga, explica a organização, indica que de 01 de janeiro a 07 de maio os portugueses consumiram tantos recursos naturais quantos os diversos ecossistemas da Terra conseguem regenerar ao longo de um ano. A partir de agora os portugueses continuam naturalmente a consumir, mas usam mais recursos, em terra ou no mar, do que teoricamente estariam disponíveis, e emitem mais dióxido de carbono do que a natureza pode absorver.

No ano passado o dia em que o país esgotou os recursos foi a 5 de maio, o que quer dizer que melhorou ligeiramente em sustentabilidade.

A estabilização no consumo de recursos do planeta é notada pela associação ambientalista Zero, que, num comunicado no qual comenta a pegada ecológica do país, refere a ligeira melhoria, comparando com o ano anterior.

Mas ainda assim o país começa a exceder os recursos disponíveis para alimentar o estilo de vida dos portugueses decorridos menos de cinco meses do ano. Tal quer dizer que se cada pessoa na Terra vivesse como uma pessoa média portuguesa, a humanidade exigiria cerca de 2,9 planetas para sustentar as suas necessidades de recursos.

O resultado coloca Portugal na média da União Europeia (UE), que este ano teve o dia de sobrecarga em 03 de maio, uma ligeira melhoria também em relação ao ano passado.

Na UE há países que esgotaram há muito os recursos que tinham para o ano todo. Nas contas da "Global Footprint Network" o consumo do Luxemburgo esgotou os recursos logo no dia 17 de fevereiro.

A nível mundial o pior classificado é o Catar, que esgotou a sua parte a 04 de fevereiro. Do outro lado da tabela estão as Honduras, que só têm o dia de sobrecarga a 27 de novembro.

A pegada ecológica avalia as necessidades humanas de recursos renováveis e serviços essenciais e compara-as com a capacidade da Terra para fornecer tais recursos e serviços (biocapacidade).

A 05 de junho, Dia Mundial do Ambiente, a "Global Footprint Network" anuncia o "Earth Overshoot Day" de 2026, o momento em que a necessidade de recursos e serviços ambientais por parte da Humanidade excede a capacidade da Terra para regenerar esses mesmos recursos.

Em 2025 a humanidade esgotou os recursos desse ano no dia 24 de julho, uma semana mais cedo do que em 2024, 01 de agosto.

sábado, 6 de dezembro de 2025

Que fazer aos cigarros electrónicos usados?


Além dos graves riscos à saúde associados ao uso de cigarros eletrónicos, esses dispositivos também representam uma ameaça significativa ao meio ambiente. O seu descarte inadequado gera uma série de consequências nocivas.

Frequentemente, quando os dispositivos chegam ao fim da sua vida útil, são abandonados como lixo comum em locais públicos, como parques, calçadas ou beiras de estrada. Além do impacto visual, esse descarte irregular pode causar danos materiais — como furos em pneus de veículos — e contribuir para a poluição ambiental.

No entanto, os problemas são ainda mais profundos. Os cigarros eletrónicos contêm metais pesados, como antimónio, níquel e chumbo, que podem infiltrar-se no solo e nos corpos de água quando descartados de forma incorreta. Muitos modelos, especialmente os descartáveis, são alimentados por baterias de íon-lítio, que oferecem risco de incêndio ou explosão se manuseadas inadequadamente, mesmo em aterros sanitários. Além disso, as carcaças de plástico podem degradar-se em microplásticos, agravando a contaminação do solo e da água.

De acordo com as normas ambientais, os cigarros eletrónicos usados devem ser encaminhados para pontos de coleta especializados em resíduos eletrónicos ou para instalações autorizadas a manusear resíduos perigosos, garantindo assim um descarte seguro e responsável.

terça-feira, 2 de dezembro de 2025

Portugal descarta 17 milhões de peças de roupa infantil anualmente



Novas investigações da Epson revelam que Portugal envia 17 milhões de peças de roupa infantil para o aterro sanitário anualmente – o equivalente a 19 vezes a altura do Monte Evereste empilhadas numa única pilha.

Enquanto um em dois portugueses (56%) consideram ativamente roupas mais sustentáveis para si próprios, quase um em três [31%] admitem que se livram das roupas dos filhos da forma mais rápida e fácil possível. O estudo concluiu que os portugueses deitam fora 11 peças de roupa por criança todos os anos. Em comparação, os espanhóis descartam 14.

Para mostrar como a inovação pode ajudar a combater este crescente problema de desperdícios, a Epson colaborou com a estilista e pioneira da sustentabilidade Priya Ahluwalia para criar Fashion Play – uma coleção de moda de tamanho de boneca, impressa com a tecnologia digital de impressão têxtil Monna Lisa da Epson e feita a partir de resíduos têxteis com a pioneira Dry Fiber Technology da Epson, que transforma têxteis antigos em novas fibras sem água nem químicos agressivos.

De acordo com os resultados, as crianças em Portugal compram 63 peças de roupa todos os anos – totalizando 99 milhões em todo o país. Quase um em cada dois portugueses (41%) diz que os seus filhos têm peças não usadas com etiquetas ainda presas guardadas nos roupeiros, enquanto 52% deitaram fora ou reutilizaram roupas que NUNCA foram usadas.

Maria Eagling, Diretora de Marketing da Epson Europe, explica que “a moda oferece a todas as idades uma via criativa para a autoexpressão, mas todos temos um papel a desempenhar em fazer melhores escolhas no que toca ao que compramos e como nos livramos disso quando terminamos. Embora existam ações simples que os consumidores podem tomar – desde reduzir a quantidade que compram até dar prioridade ao usado – quisemos mostrar como inovações como a Dry Fiber Technology também podem ajudar a reduzir a quantidade de roupa que vai para o aterro”.

“A coleção Fashion Play é uma homenagem divertida ao nosso amor por nos vestirmos – que começa quando somos crianças – mas usar métodos e materiais como estes pode provocar uma mudança sísmica na indústria da moda e no planeta. Estamos muito entusiasmados por trabalhar com a Priya Ahluwalia, uma designer que admiramos imenso pelo seu esforço de upcycling e pelo seu compromisso em criar peças bonitas que não prejudicam o planeta”, acrescenta.

Fashion Play inspira-se na coleção Ahluwalia AW25. Para além da Dry Fiber Technology, outros métodos de produção usados para criar os conjuntos incluem a impressora digital têxtil de próxima geração da Epson, a Monna Lisa, que pode reduzir o consumo de água na fase de impressão a cores da produção de vestuário em até 97%.

Sobre a coleção Priya Ahluwalia sublinha que “ao viajar para a Índia e Nigéria, testemunhei a verdadeira dimensão do desperdício têxtil resultante da indústria ocidental de vestuário em segunda mão. Essa experiência ficou comigo, e desde então tenho-me esforçado por trabalhar de uma forma melhor para as pessoas e para o planeta, especialmente no sul global”.

“Esta colaboração com a Epson vai além da moda. Trata-se de iniciar conversas sobre sustentabilidade em múltiplos níveis, desde a forma como nos vestimos até ao que escolhemos para aqueles que amamos. Através desta coleção de miniaturas feita com a tecnologia Dry Fiber, esperamos mostrar que a inovação e a imaginação podem remodelar o futuro da moda”, adianta.

Para mais informação aceda ao relatório aqui

segunda-feira, 17 de novembro de 2025

Associação de Empresas de Resíduos alerta para a situação crítica dos aterros


Associação diz que é necessário “desbloquear os licenciamentos e as ampliações já previstas” e alerta que “várias indústrias, hospitais, centros comerciais" podem ficar "sem soluções de tratamento".

A Associação Portuguesa de Empresas de Resíduos e Ambiente (APERA) alertou esta sexta-feira para a sobrecarga nos aterros de resíduos não urbanos portugueses e afirmou que “em alguns casos, a capacidade útil está esgotada”.

Em comunicado, a APERA afirma ser necessário “desbloquear os licenciamentos e as ampliações já previstas” e alerta que “várias indústrias, hospitais, centros comerciais, mercados abastecedores e operadores poderão ficar sem soluções de tratamento” nos próximos meses, colocando em risco a “sustentabilidade económica e ambiental do país”.

A “falta de capacidade nacional para tratamento pode conduzir ao reaparecimento de lixeiras a céu aberto, com consequências graves para as águas, solos, fauna, flora e, também, para a saúde pública”, acrescenta a associação. Os licenciamentos e ampliações de aterros dependem do Governo e da aprovação urbanística pelos municípios.

Regulador alerta para “emergência nacional” nos aterros
As situações nas áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto são as mais críticas, sendo que existem dois projetos de expansão em fase de licenciamento em Lisboa e outros dois no Porto, que estão a encontrar resistência a nível local. A APERA considera o fenómeno ‘NIMBY’ (‘Not in my back yard’, que se traduz para não no meu quintal) como responsável pelos entraves a estes projetos.

O fenómeno NIMBY diz respeito a situações em que os cidadãos compreendem os benefícios de certas infraestruturas para a sociedade, mas opõem-se que sejam instaladas perto das suas comunidades. A associação apela à sensibilização da população e à desmistificação dos aterros, que dizem ser “infraestruturas seguras, sujeitas a um programa de controlo e fiscalização apertado e essenciais à saúde pública e à economia do país”.

Em março, o governo lançou o Plano de Ação TERRA que criou uma “via verde” de licenciamento, que visa agilizar a aprovação e construção de novas infraestruturas sem comprometer o rigor técnico e ambiental.

“É essencial construir soluções, envolvendo o Governo e as autarquias, para ultrapassar os bloqueios existentes”, afirma a associação, defendendo “que infraestruturas de interesse nacional devem ter processos de licenciamento centralizados”, tendo em conta as barreiras que enfrentam a nível local.

Na avaliação feita pelo Governo no contexto do Plano de Ação Terra, concluiu-se que nas regiões Norte, Lisboa e Vale do Tejo e Algarve a capacidade dos aterros pode esgotar-se em 2027.

Sabia que estamos a deitar mais de metade do lixo no sítio errado? Não é o único comportamento que temos de mudar



Vai na rua e tem um resíduo em mãos. Deita-o para o chão porque não há contentores por perto, mas pode estar enganado se pensa que a culpa é de não existir um contentor “ali à mão”. A vice-presidente da ZERO - Associação Sistema Terrestre Sustentável, Susana Fonseca, esclarece a situação: “O lixo é nosso, a responsabilidade é nossa e nós é que temos de encontrar uma solução.”

Separar o lixo e distribuí-lo pelos diferentes contentores coloridos é um dos primeiros hábitos a ganhar se queremos ajudar o ambiente. “É benéfico para todos nós, enquanto sociedade, porque quando separamos na origem conseguimos aproveitar muito mais daquelas matérias-primas”, garante Susana Fonseca, que admite “uma certa desresponsabilização e falta de proatividade” por parte da população no ato de reciclar.

Em concreto, qual será o problema de misturar todo o lixo num só caixote? A vice-presidente daquela associação explica à CNN Portugal que quando os resíduos são misturados “corre-se um maior risco de haver contaminações”. Contaminação esta que dificulta o tratamento dos resíduos, podendo mesmo comprometer a recuperação dos materiais recicláveis, de acordo com a Agência Portuguesa do Ambiente (APA). “A separação deve acontecer tão cedo quanto possível”, não só para melhorar as hipóteses de reciclar, mas também para minimizar o número de tratamentos pelos quais o resíduo passa antes de poder ser reciclado.

Do plástico recolhido em 2023, 77% foi encontrado no fluxo indiferenciado. O metal fica à frente com 81% a ser recolhido do lixo indiferenciado. Já o cartão e o papel destacam-se pela positiva, com 47% destes resíduos a serem retirados do lixo de recolha seletiva, mas mais de metade - 53% - ainda na recolha indiferenciada. Os dados são da APA, que alerta para a “quantidade muito significativa de resíduos com potencial de serem encaminhados para reciclagem que existe no fluxo indiferenciado”.

“É urgente inverter esta realidade”. O presidente da APA, José Pimenta Machado, refere-se à deposição em aterro dos resíduos dos portugueses que, com “pequenos gestos individuais”, pode ser diminuída. Os gestos em causa, “somados, têm um impacto considerável” e, não sendo possível evitar por completo a produção de resíduos, “é fundamental assegurar o seu encaminhamento para um destino adequado”, conta.

Portugal foi responsável pela produção de mais de cinco mil toneladas de resíduos urbanos, só em 2023, de acordo com os dados disponibilizados pela agência. “O país tem de acordar, estamos em estado de emergência.” O apelo é feito por José Pimenta Machado, que, em entrevista à CNN Portugal, revela que no ano passado 53% do nosso lixo foi parar aos aterros. Em 2023, esta percentagem era mais elevada - 59% -, mas a diferença continua a ser pouco expressiva. Deste total, 12% conheceram o seu destino na valorização energética - um processo de queima controlada que permite produzir energia a partir de todos os resíduos que não estão próprios para serem reciclados ou utilizados na compostagem. Para Susana Fonseca, “estarmos a incinerar os [resíduos] orgânicos também é uma má solução.”

A vice-presidente da associação ZERO critica o desperdício de “matéria orgânica” que é “fundamental para os nossos solos, particularmente em Portugal, que tem solos pobres nesta matéria”, refere. “Nós estamos a colocá-los em aterro e depois vamos comprar os fertilizantes para o solo”, acrescenta, sublinhando aquilo que acredita ser “uma má gestão de recursos”.

A boa notícia é que não somos obrigados a deitar fora estes biorresíduos (restos de comida, por exemplo). A compostagem doméstica pode ser uma solução e, de acordo com Susana Fonseca, é “uma das formas mais eficazes de reduzirmos a quantidade de resíduos orgânicos que saem das nossas casas.” Descrita pela vice-presidente da ZERO como “um processo relativamente simples”, a compostagem pode ser feita “no nosso quintal ou mesmo na nossa varanda”. O solo é quem mais beneficia desta prática, mas a população, especialmente as comunidades próximas de aterros, não fica nada atrás. “Estes resíduos são os que criam mais problemas, por causa dos cheiros, a atração de ratos e aves, por exemplo”, explica.

Apostar na prevenção
“Uma das formas mais eficazes de reduzirmos os resíduos que produzimos é começar a tentar reduzir o nosso consumo”. Além da reciclagem, reduzir o consumo próprio - e o desperdício - poderá ser uma maneira tão ou mais eficiente de minimizar o impacto ambiental do nosso lixo, indica Susana Fonseca.

Já se sentiu seduzido pelas promoções dos supermercados? Se sim, provavelmente não é o único. Fazer uma lista e pensar bem naquilo que é realmente preciso comprar, pode ajudá-lo. Pimenta Machado aconselha a população a ganhar o hábito de “planear antecipadamente as refeições de forma a comprar apenas as quantidades e os produtos necessários”. Susana Fonseca argumenta a favor “porque quando ficamos deslumbrados pelas promoções, muitas vezes o que compramos acaba por se estragar”.

Ser criterioso nas compras pode ajudar o ambiente, e podemos sê-lo a vários níveis. “Quando falamos em resíduos urbanos, os têxteis, os objetos que compramos para a casa e até o equipamento eletrónico fazem parte, portanto devemos pensar muito bem sobre a necessidade de comprar algo novo”, esclarece a vice-presidente da ZERO. No caso das roupas e dos móveis, podem ganhar uma segunda vida, se, como afirma, “o primeiro reflexo não for deitar fora”: “Estando em boas condições, podem ser doados ou vendidos em segunda mão”.

“As garrafas reutilizáveis” e os “nossos próprios sacos” devem substituir as embalagens descartáveis, diz Susana Fonseca, e mesmo as compras a granel - que devem ser “privilegiadas” - “funcionam bem se levarmos sacos”, caso contrário corremos o risco de estar a comprar uma pequena quantidade e a levá-la “dentro de um saco grande, que é pior do que se comprássemos um produto embalado”, refere. O presidente da APA reforça que “escolher produtos reutilizáveis é apostar na durabilidade”.

Se não pensa duas vezes antes de deitar um alimento fora, talvez o deva começar a fazer. “Nos produtos que são mais sensíveis precisamos de ter um cuidado a redobrar, mas muitos produtos vão para o lixo e ainda podem ser aproveitados”, afirma a vice-presidente da ZERO. Congelar ou pré-confecionar os alimentos que se podem vir a estragar evita “o desperdício para o ambiente e para os orçamentos familiares.” José Pimenta Machado adiciona mais um conselho à lista: “A aposta pode passar pelo reaproveitamento das sobras de refeições anteriores na confecção de novas receitas.”

As soluções que nos restam para além destas não são tão aliciantes. “Ou começamos a exportar resíduos ou regressamos às lixeiras”, alerta o presidente da APA. Isto num cenário em que, segundo os dados mais recentes de 2024, temos em média “14% de aterro disponível” e a maior parte dos nossos resíduos urbanos continua a ter os aterros como destino final.

O Plano Estratégico para os Resíduos Urbanos (PERSU 2030), aprovado pelo Governo, dita que, em 2035, apenas 10% dos nossos resíduos urbanos podem ser encaminhados para os aterros.

sábado, 15 de novembro de 2025

Há alternativas ao eucalipto? Sim, há - exige uma mudança hercúlea de paradigma de floresta portuguesa


Ponto Prévio - Os bosques maduros são florestas antigas, ricas em biodiversidade especializada, mas extremamente raras em Portugal. Estes ambientes representam manchas cada vez mais escassas no território, resultado de séculos de exploração, degradação e fragmentação.

Vamos à análise
Pinheiro (Pinus, sp.) e Eucalitpto são lixo florestal! Um lixo florestal, pois endivida os pequenos proprietários e só crescem acácias depois dos incêndios. Há que haver uma política ecológica forte e interdisciplinar para restaurar a nossa floresta nativa, também rica em fibras para celulose, mas com crescimento mais lento. 

1.Na região Norte e Centro sugiro Choupo/álamo (Populus spp.)- porém a cadeia industrial em Portugal ainda está pouco desenvolvida e Bétula (Betula alba)

2. Outras árvores autóctones 
2.1..Medronheiro (Arbutus unedo)
Resiste bem ao fogo e rebenta vigorosamente.
Pode gerar rendimento pela produção de fruto.
2.2. Loureiro, amieiro, freixo, salgueiro
Adequados a zonas húmidas e linhas de água.
Muito úteis na restauração de ecossistemas.

3. Alternativas para sistemas agroflorestais / multifuncionais
3.1. Castanheiro + pastoreio
Elevado valor económico.
Melhora solos.
3.2. Olival ou nogueira combinados com floresta
Produção alimentar + proteção paisagística.
3.3. Sistemas silvopastoris com sobro ou azinheira
Produção de cortiça + sombra para gado. 

4. Reciclagem - contribuidor em ascensão
Portugal tem boa taxa de reciclagem, mas ainda expandível. Associação de Empresas de Resíduos alerta para a situação crítica dos aterros
Reduz significativamente a necessidade de pasta virgem.
Adequado para papel de impressão, embalagem e papel tissue (com mistura).

Sim, há um estudo da Wildforests que diz que o eucaliptal não é um deserto ecológico. Porém, salvaguardam que a diversidade e os padrões de vida das espécies animais em florestas plantadas para produção de madeira é ainda um assunto pouco estudado. Contribuir para este conhecimento foi um dos objetivos que levou a The Navigator Company a disponibilizar as suas propriedades para que o trabalho de campo do projeto WildForests pudesse ser realizado.

Antes do arranque deste projeto, a empresa já tinha identificado vários destes mamíferos nas propriedades que gere e já realizava algumas destas boas práticas, estando a integrar, caso a caso, outras recomendações emanadas do WildForest. A manutenção de pequenas manchas de vegetação nativa nas plantações, assim como de afloramentos rochosos e de árvores que permitem criar corredores ecológicos, contínuos ou descontínuos (stepping stones) são alguns exemplos. De resto, todo o projeto permite saber mais sobre as espécies presentes em eucaliptais e sobre as práticas que a favorecem, ajudando a The Navigator Company a tomar as melhores opções de gestão florestal a integrá-las na sua estratégia de conservação da biodiversidade.

Artigo científico aqui

sexta-feira, 8 de agosto de 2025

Adeus às embalagens de plástico? Jovens portugueses criam cápsula de algas com gel de banho que se dissolve na água



Todos os anos, 120 mil milhões de embalagens de plástico são descartadas. Os produtos de higiene, por exemplo, são usados durante semanas, mas as embalagens têm vida longa e acabam muitas vezes nos oceanos ou em aterros.

Para reduzir a quantidade de plástico que é desperdiçada, quatro jovens da Maia criaram uma alternativa biodegradável que cabe na palma da mão: a Clea é uma cápsula com gel que se desfaz durante o banho.

Este novo tipo de embalagem para produtos de higiene, tem gel de banho no interior, mas poderá ter também champô ou amaciador. A cápsula é compatível com a pele e sustentável já que é feita a partir de uma substância extraída das algas.

Foi no ano passado, na Escola Secundária da Maia, que tudo começou. Numa disciplina de opção do 12º ano, os alunos foram desafiados a desenvolver um projeto inovador sobre sustentabilidade. Para isso, a secundária da Maia tem protocolos com vários parceiros científicos, como a Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, onde os alunos têm oportunidade de desenvolver produtos, testar soluções e criar protótipos.[vídeo]

O produto já foi até distinguido com vários prémios, incluindo uma bolsa da National Geographic Society. Mais difícil tem sido convencer as marcas a apostarem nesta inovação.

Isabel Oliveira, Nuno Aroso, Maria Toga e Vasco Cardoso sonharam, a escola secundária deu-lhes asas e a ideia ganhou forma nos laboratórios da FEUP. Agora, só o mercado pode fazer a diferença.

quinta-feira, 5 de junho de 2025

Dia Mundial do Ambiente - relatório da Pordata


Portugal ocupa a 3.ª posição entre os países da UE27 com as mais baixas emissões de gases com efeito de estufa. Em 2023, o valor per capita foi o equivalente a 5 toneladas de CO2, colocando-nos no pódio da União Europeia a competir com os países mais evoluídos em políticas de proteção ambiental, revela um estudo da Pordata baseado nos últimos números oficiais (2023), publicado hoje, 5 de junho, no âmbito do Dia Mundial do Ambiente. De acordo com o relatório, para este esforço contribui também a significativa redução das emissões de CO2 pelos carros novos registados em Portugal, passando-se de 169g por km em 2000 para 90g por km em 2023. Uma tendência comum aos países da União Europeia, com especial destaque para o top 6, onde Portugal está incluído: não só apresentam os valores mais baixos como são os que mais reduziram emissões desde o ano 2000.   

O estudo, porém, não traz apenas boas notícias. Em 2022, Portugal emitiu 2,24 gramas de partículas finas por cada euro de riqueza gerada pela indústria. Ou seja, o total de partículas finas emitidas para a atmosfera não conseguiu ser compensado pela riqueza gerada pela indústrias, nomeadamente as que mais contribuem para esta disparidade: a química e a dos produtos químicos, e a do papel e a de produtos de papel.   

Igualmente muito preocupante: mais de metade do lixo ainda vai, hoje, para aterro. Os resíduos urbanos, que incluem o lixo produzido pelas famílias, pelo comércio, restauração, empresas e entidades públicas, tem vindo a aumentar ao longo dos últimos 20 anos. Em 2023, ascenderam a 5,6 milhões de toneladas, correspondendo esse valor a uma média diária de 1,4kg por habitante (mais do dobro do registado em 1995). Números que deixam Portugal na 8.ª posição da UE27 entre os países com maior valor per capita na produção de resíduos municipais, um ranking liderado por Luxemburgo, Bélgica e Chipre. O estudo é claro: Portugal é dos países que conduz para aterro uma maior proporção de resíduos (54%), estando, desde 2020, entre os 10 países onde esta percentagem é mais elevada.  
 
O valor das renováveis  
Além da proteção do ambiente, a PORDATA analisa e reúne um conjunto de indicadores em outras três grandes áreas: produção, consumo e dependência energética; temperatura do ar e pluviosidade; configuração e proteção do território, fornecendo dados que ajudam avaliar a viabilidade de o país atingir as metas definidas pela União Europeia no âmbito do Pacto Ecológico Europeu (PEE), com horizontes temporais ambiciosos para 2030 e 2050.  

“O país está no bom caminho no que a esforços diz respeito”, diz ao DN Luísa Loura. A diretora da Pordata destaca “a diminuição das emissões de CO2 provenientes dos carros e nas renováveis”.  

De facto, na área energética, verifica-se que o país tem registado uma evolução significativa: desde 1990, a produção nacional de energia mais do que duplicou, impulsionada pelas renováveis, responsáveis, em 2023, pela produção de 35% - 16 pontos percentuais acima do registado em 2004- da energia consumida. No entanto,  Portugal produz apenas um terço das suas necessidades – e, desse, mais de metade destina-se à exportação.  Em 2023, consumimos 22 milhões de TEP, quase o dobro dos valores de 1990, o que resulta na maior taxa de variação face a 1990 entre os países da União Europeia. Ainda assim, o consumo per capita português está abaixo do europeu.  

Estando a produzir mais, apesar de termos de importar a quase totalidade do que consumimos, a dependência energética de Portugal tem vindo a reduzir-se: o último dado disponível indica 67% (eram 85% no início do século). Ainda ficamos acima da média europeia, ao lado de Espanha, Alemanha e Itália que, apesar de serem grandes produtores de energia, têm uma dependência energética de mais de 60%.  Lideram a lista dos mais dependentes Malta, Chipre e Luxemburgo. No lado oposto estão Estónia, Suécia e Roménia.   
 
Aquecimento de 2ºC na temperatura média do ar   
Há um claro padrão de aquecimento desde os anos 2000, tanto na temperatura mínima como na máxima. O estudo avaliou os registos das temperaturas nas estações meteorológicas de Bragança, Castelo Branco, Lisboa, Beja e Funchal para concluir que, quando agregados em termos de médias, revelam um padrão comum de aquecimento a partir do início dos anos 2000 face a anos anteriores, uma conclusão válida para a temperatura máxima, média e mínima. A diferença face à década de sessenta aproxima-se dos 3ºC em Bragança, para a temperatura máxima, e supera os 2ºC no Funchal, para a temperatura média.  

No que diz respeito à pluviosidade, os registos do número de dias sem chuva nas mesmas estações meteorológicas, divulgados no relatório, revelam que Bragança tem, em média, mais dias de chuva por ano que as restantes estações (em cada 3 dias, 1 é de chuva) e que é no Funchal que menos chove (em cada 5 dias, só 1 é de chuva). Em Lisboa chove em 30% dos dias, um pouco menos do que em Bragança.  

Contrariamente ao que se passa com a temperatura, o padrão temporal da pluviosidade não apresenta sinais de tendência sistemática nos mais de sessenta anos em análise. Para qualquer das estações consideradas, os períodos mais e menos chuvosos vão alternando.  É o caso de Lisboa: choveu relativamente pouco entre 2000 e 2009, os anos sessenta e setenta foram mais chuvosos e, entre 2020 e 2024, o número de dias sem chuva esteve em linha com a média.  
 
Mais terreno para arbustos, menos para agricultura  
Olhando o território, Portugal é dos países com mais terreno ocupado por arbustos, e dos que têm menos terreno para produção agrícola. As áreas artificializadas (com casas, estradas e outras construções) representam apenas 6,4% da superfície do país, segundo a Pordata, citando dados do levantamento feito pelo Eurostat em 2018, os últimos dados disponíveis.   
A floresta ocupa quase 40% do território e as terras para cultivo não atingem a quinta parte. Em percentagem de área terrestre protegida, Portugal ocupa a 12.ª pior posição da UE27.  “Uma situação que é claramente contrastante com o mar”, comenta Luísa Loura, sublinhando a importância marítima, na história e na economia do país.   

No mar, seremos os primeiros  
 No mar, Portugal poderá tornar-se o país da UE com maior extensão de áreas marítimas protegidas. Este aumento é reflexo das novas áreas do Parque Natural Marinho do Recife do Algarve - Pedra do Valado (156 km2) e da Revisão do Parque Marinho dos Açores (adicionais 252355 km2). Em setembro de 2025, com a entrada em vigor do diploma, Portugal terá protegido cerca de 19% da sua área marítima.  Estão em causa cerca de 300 mil quilómetros quadrados.   

A qualidade das praias costeiras é outro ponto positivo: Nove em cada dez praias costeiras têm águas com qualidade excelente. Em 2023, Portugal ocupava, em 2023, o 9.º lugar entre os 22 países da União Europeia banhados pelo mar. Uma situação oposta da que se observa nas águas balneares interiores, onde a posição de Portugal é a 6.ª pior. Com apenas 67% das praias fluviais e lacustres com água de qualidade excelente, Portugal figura entre os 11 países da UE27 em que essa percentagem é inferior a 70%.  

sábado, 11 de maio de 2024

A Evolução dos Combustíveis Renováveis em Portugal



A jornada da descarbonização em Portugal começou de forma mais visível com os biocombustíveis líquidos. Por volta de 2006, o país estabeleceu metas de incorporação obrigatória de biodiesel no gasóleo, o que impulsionou o surgimento de indústrias nacionais de referência. Pode consultar o histórico destas metas e o papel da Entidade Nacional para o Setor Energético (ENSE) no portal oficial sobre biocombustíveis em Portugal. Este setor foca-se principalmente na substituição de derivados de petróleo nos transportes rodoviários pesados e ligeiros.

Por outro lado, o biometano representa a "segunda vaga" da transição energética portuguesa, focada na economia circular e na autonomia do sistema de gás. Embora Portugal já produzisse biogás há décadas para gerar eletricidade em aterros sanitários e Estações de Tratamento de Águas Residuais (ETARs), a sua transformação em biometano para injeção na rede só se concretizou em 2022. O marco histórico aconteceu em Mirandela, num projeto pioneiro da Dourogás e da Resíduos do Nordeste. Detalhes sobre este projeto e a tecnologia utilizada podem ser encontrados no site da Dourogás.

Atualmente, o Governo português vê o biometano como uma peça estratégica para reduzir a dependência de importações de gás natural fóssil. Este compromisso está detalhado no Plano Nacional Energia e Clima (PNEC 2030), que define as metas de descarbonização para a próxima década. Para acompanhar as notícias e relatórios técnicos sobre o setor dos gases renováveis, o portal da ADENE (Agência para a Energia) é uma excelente fonte de informação atualizada.

Hoje, o biometano é visto como uma peça fundamental do Plano REPowerEU em Portugal, com vários projetos em desenvolvimento para aproveitar resíduos agroindustriais (especialmente no Alentejo e Ribatejo) para injetar gás renovável em larga escala.

sexta-feira, 17 de novembro de 2023

Microplásticos detetados em nuvens suspensas no topo de duas montanhas japonesas


Os microplásticos estão presentes em todo o lado. Medem menos de 5mm de comprimento e são encontrados nos locais aparentemente mais inesperados, nas profundezas dos oceanos, em corpos de pinguins na Antártida e no gelo do Ártico. Representam um sério perigo para a vida selvagem e humana.

Agora uma nova investigação detetou-os num novo local alarmante, em nuvens suspensas no topo de duas montanhas japonesas, o Monte Fuji e o Monte Oyama. O artigo foi publicado na Environmental Chemistry Letters e os autores acreditam que é o primeiro a verificar a presença de microplásticos nas nuvens.

Mais de 10 milhões de toneladas de plástico entram anualmente no oceano vindos da terra e os organismos marinhos ingerem-nos inadvertidamente, podendo potencialmente obstruir o trato digestivo e acumular materiais perigosos nos seus tecidos internos.

Microplásticos: baleias ingerem milhões de partículas por dia
São também são encontrados em ecossistemas terrestres, com 79% dos resíduos plásticos globais depositados em aterros, devido à sua natureza persistente, que pode durar centenas de anos. A sua acumulação no solo pode reduzir as taxas de germinação de sementes e altura dos rebentos, bem como desencadear mudanças na capacidade de retenção de água e na própria estrutura do solo.

No entanto, são limitadas as análises quanto à presença de microplásticos transportados pelo ar e às suas consequências.

Uma realidade desconcertante
Os microplásticos são altamente móveis e podem viajar longas distâncias no ar e no meio ambiente. A troposfera é uma via importante para o transporte de longo alcance de poluentes atmosféricos devido à forte velocidade do vento. Já foi anteriormente observado que os microplásticos transportados pelo ar também são transportados na troposfera e contribuem para a poluição global.

A maioria dos microplásticos transportados pelo ar são maiores do que as partículas com diâmetro inferior às partículas finas em suspensão, como o PM 2,5, altamente prejudiciais à saúde. As suas fontes potenciais são diversas, como a poluição rodoviária, aterros sanitários, desgaste de pneus e travões, práticas agrícolas e vestuário.

Partículas microplásticas foram descobertas em pedras de granizo
O oceano também pode transferir microplásticos transportados pelo ar para a atmosfera através da espuma marinha, ou aerossóis, que são libertados quando as ondas rebentam ou as bolhas no oceano explodem. Os autores, aliás, concluem, através da análise da trajetória retroativa no cume do Monte Fuji, que estes tinham, precisamente, origem no oceano.

Como consequência, os investigadores sugerem que os microplásticos transportados pelo ar podem atuar como núcleos de condensação de nuvens e como partículas de núcleos de gelo durante o transporte na troposfera e na camada limite atmosférica, promovendo assim, potencialmente, a formação de nuvens.

Isto é, eventualmente, um problema, uma vez que os microplásticos se degradam muito mais rapidamente quando expostos à luz ultravioleta na alta atmosfera e emitem gases com efeito de estufa. Uma elevada concentração destes microplásticos nas nuvens em regiões polares sensíveis poderia prejudicar o equilíbrio ecológico, escrevem os autores.

“Se a poluição do ar pelo plástico não for atacada de forma proativa, as alterações climáticas e os riscos associados podem tornar-se numa realidade, causando danos sérios e irreversíveis no futuro”.

Os investigadores descobriram níveis preocupantes de microplásticos nas nuvens que circundam as duas montanhas japonesas. As amostras foram recolhidas a uma altitude entre os 1300 e 3776 metros, e revelaram nove tipos de polímeros aos investigadores de Waseda.

Foram detetados vários tipos de plásticos, cerca de 6,7 a 13,9 pedaços por litro, e entre eles um grande volume de pedaços de plástico “amantes da água”, o que sugere que a poluição “desempenha um papel fundamental na rápida formação de nuvens, o que pode eventualmente afetar o clima geral”.

quarta-feira, 9 de agosto de 2023

Cartoon - Plastic



Pode haver menos plástico no oceano do que os cientistas pensavam anteriormente, mas o que existe pode persistir por muito tempo, de acordo com um novo estudo realizado por uma equipe de pesquisadores da Universidade de Utrecht, na Holanda.

Cientistas baseados na Holanda e na Alemanha realizaram modelagem computacional 3D usando extensos dados observacionais e medições feitas em águas superficiais, praias e oceanos profundos de 1980 a 2020.

O estudo de modelagem estimou que pedaços de plástico com mais de 25 milímetros (uma polegada) representam mais de 95% do plástico flutuando no oceano. Embora a maioria das partículas de plástico no oceano seja muito pequena, a massa total desses microplásticos – definida como menos de cinco milímetros (0,2 polegadas) – é relativamente baixa.

“ A maior parte da massa plástica está contida nos grandes itens de plástico (>25 mm) ”, que flutuam com mais facilidade, disseram os autores do estudo .

Comentando os resultados, recentemente publicados na Nature Geoscience [ 1 ] , os pesquisadores disseram que a preponderância de pedaços flutuantes maiores sugere que a quantidade total de plástico no oceano é " muito menor " do que se pensava anteriormente. Mas o estudo também mostrou que a quantidade total de plástico na superfície do oceano – cerca de 3,2 milhões de toneladas – é muito maior do que inicialmente estimado.

No entanto, o modelo também descobriu que menos plástico novo chega ao oceano todos os anos do que se pensava anteriormente – cerca de meio milhão de toneladas em vez de quatro a 12 milhões de toneladas – decorrente principalmente das costas e da atividade pesqueira.
Uma situação de preocupação

O fato de o plástico estar flutuando em pedaços grandes pode ajudar nos esforços de limpeza. " Pedaços grandes e flutuantes na superfície são mais fáceis de limpar do que os microplásticos ", disse o coautor do estudo Erik van Sebille, da Universidade de Utrecht , na Holanda, em comunicado.

No entanto, a combinação de mais plástico de superfície e menos plástico novo sugere que " demorará mais tempo até que os efeitos das medidas para combater o desperdício de plástico sejam visíveis " , disse o líder do estudo , Mikael Kaandorp . " Se não agirmos agora, os efeitos serão sentidos por muito mais tempo ", acrescentou.

E a quantidade de poluição plástica nos oceanos do mundo ainda está crescendo. Sem mais mitigação e limpeza, o lixo plástico remanescente pode dobrar em duas décadas, de acordo com os autores do estudo.

Negociações internacionais
A preocupação com o impacto dos plásticos no meio ambiente e no bem-estar humano aumentou nos últimos anos. Estima-se que detritos de plástico matem mais de um milhão de aves marinhas e 100.000 mamíferos marinhos a cada ano, de acordo com o Programa Ambiental das Nações Unidas.

O novo estudo surge enquanto o mundo aguarda o primeiro rascunho de um tratado internacional altamente antecipado da ONU para combater a poluição plástica , previsto para novembro.


[ 1 ] Kaandorp, MLA, Lobelle, D., Kehl, C. et al. "Massa global de plásticos marinhos flutuantes dominados por grandes detritos de vida longa", Nature Geoscience 16, 689-694 (2023). 

quinta-feira, 13 de julho de 2023

Palestina: ecocídio e apartheid

Aterro israelita na Cisjordânia ocupada

Israel há muito tenta limpar etnicamente os palestinos, transformando a Cisjordânia ocupada em um depósito de lixo tóxico. Segundo Hala Yacoub, é por isso que a libertação da Palestina é também uma luta por justiça ambiental.

O governo israelita libertou recentemente mais de um milhão de documentos dos seus arquivos nacionais, revelando parte dos planos de Israel para criar uma nova etapa no empreendimento de assentamentos israelitas.

Essa estratégia se baseia em uma lenta limpeza étnica dos palestinos para construir assentamentos na Cisjordânia .

Esses documentos contêm atas de reuniões realizadas pela divisão militar israelita da Judéia e Samaria, que descrevem as etapas do projeto de assentamento na Cisjordânia.

De acordo com esses documentos, o primeiro passo seria desapropriar os palestinos de suas terras usando a cobertura legal de "zonas de tiro", e se eles se recusarem a deixar suas casas, enfrentarão punições coletivas, incluindo a destruição das colheitas.

Os documentos também descrevem a colonização israelita de Aqraba , um vilarejo no norte da Cisjordânia, e a construção do assentamento de Gitit nessas terras.

Eles detalham as etapas para criar um ambiente coercitivo para desalojar à força os palestinos da aldeia, já que as táticas anteriores falharam – incluindo declarar a terra uma zona militar fechada.

“Está claro que Israel está tratando a Cisjordânia como sua 'zona de sacrifício' privada porque é muito mais barato poluir a área do que tratar ou reduzir o lixo de forma responsável. No entanto, seria ingénuo esperar uma abordagem ambientalmente responsável de um regime de apartheid que existe para servir  um empreendimento colonial maior – especialmente quando as violações contínuas ajudam a avançar nesse projeto. »

Para atingir o seu objetivo, as autoridades israelitas, incluindo o exército de ocupação, o departamento de assentamentos da Agência Judaica e o guardião da 'propriedade ausente', admitiram o uso de um 'espalhador' para despejar venenos químicos que são "letais para animais e perigosos para humanos".

Esses produtos também foram usados ​​para impedir drasticamente o crescimento das plantações na terra e essa tática de envenenamento da terra é uma nova revelação dos documentos publicados.

Como no caso de Aqraba na década de 1970, Masafer Yatta e o Vale do Jordão enfrentam hoje políticas destinadas a deslocar e expulsar os palestinos das suas terras. Israel começa criando áreas de treino militar que servem como uma chamada cobertura legal, então desenvolve um ambiente coercivo ao atacar sistematicamente a presença palestina nas áreas-alvo.

Palestinos sacrificados
O crime de fumigação de plantações ocorre desde 1972. As práticas de hoje e as políticas de ontem provam que quando tudo mais falha, Israel não hesita em atacar o ecossistema palestino usando produtos venenosos para alimentar o seu empreendimento colonial e seu regime de apartheid .

A terra palestina também é usada como uma colossal “zona de sacrifício” por Israel, que coloca lixões a céu aberto pertencentes a seus assentamentos ilegais nos Territórios Palestinos Ocupados (TPO).

Hoje, existem pelo menos 15 aterros sanitários israelitas listados e documentados na Cisjordânia, localizados perto de aldeias palestinas, que têm um impacto negativo no bem-estar, agricultura e segurança das comunidades próximas.

Alguns locais são usados ​​para depositar resíduos brutos em aterros, enquanto outros são usados ​​para processar resíduos reciclados – uma ação perigosa.

No Vale do Jordão, diz-se que o solo absorve 60% da lama tóxica resultante do tratamento de esgoto de Israel. Além disso, o maior aterro sanitário israelita criado para o tratamento de resíduos médicos está localizado no assentamento ilegal de Maale Ephraim , no norte da Cisjordânia.

Para piorar, várias indústrias e aterros sanitários foram transferidos para mais perto da Linha Verde ou dentro da Cisjordânia, onde as repercussões ambientais afetariam apenas os palestinos .

Por exemplo, as fábricas da Geshuri and Sons, que fabricam uma variedade de produtos - principalmente pesticidas - foram transferidas de sua localização anterior, considerada muito prejudicial para os israelitas, para o assentamento industrial Nitzanei Shalom, na cidade de Tulkarem.

A fábrica de pesticidas Kfar Saba também foi transferida para a área de Tulkarem, assim como a fábrica de gás industrial da empresa Dixon Gas, que precisa de ar livre para queimar seus resíduos sólidos livremente. Ambas as fábricas produzem poluentes que são perigosos para os residentes palestinos que vivem nas proximidades.

Ecocídio a serviço do apartheid

Para Israel, a Cisjordânia é habitada por palestinos "injustos ao meio ambiente" que, consequentemente, são forçados a sofrer com taxas crescentes de cancro e doenças oculares e pulmonares .

Este é certamente o caso de Tulkarem, onde, de acordo com a pesquisa do professor Mazen Salman, da Faculdade de Agricultura da Universidade de Khudouri, a maioria das doenças de visão e pulmonares da região são identificadas nas proximidades de fábricas.

Sem falar nos hectares de plantações palestinas que foram destruídos, incluindo quintas de frutas cítricas em Wadi Qana e olivais em Qaryut (na província de Salfit).

É claro que Israel trata a Cisjordânia como sua "zona de sacrifício" privada, pois é muito mais barato poluir a área circundante do que tratar ou reduzir o lixo de forma responsável.

No entanto, seria ingênuo esperar uma abordagem ambientalmente responsável de um regime de apartheid cuja razão de ser é servir a um empreendimento colonial maior – especialmente quando violações contínuas ajudam a avançar nesse projeto.

Ao colocar aterros perigosos no Território Palestino Ocupado, Israel não apenas cria um ambiente muito restritivo para obrigar os palestinos a sair, mas também a anexação de fato das terras que abrigam os aterros, o que é uma violação da quarta Convenção de Genebra .

A conexão entre as violações ambientais de Israel e seu regime de apartheid é indiscutível. O uso de aterros no OPT para manter efetivamente a economia dos colonos judeus, a anexação e deslocamento de palestinos para reforçar o colonialismo israelita, a imposição de condições de vida impossíveis aos palestinos, o sacrifício sistemático de uma área e sua população em benefício de outra, são todas práticas de apartheid.

No entanto, a Convenção sobre Apartheid (1973) enfatiza em sua definição “a imposição de condições de vida calculadas para provocar sua destruição física”.

De fato, as violações cometidas por Israel não são simplesmente ambientais, nem em sua intenção, nem em seus efeitos. As áreas sacrificadas, como fenómeno global, servem aos interesses imperialistas.

Isso ressalta não apenas que a luta palestina é uma luta ambiental, mas também que a justiça ambiental é incompleta sem a luta pela descolonização da Palestina.

terça-feira, 11 de julho de 2023

O que se passa com a reciclagem em Portugal?


Números muito negros. Portugal é um dos países da UE que menos reciclam plástico, papel, vidro e outros resíduos embalados. Em 2021, Portugal reciclou 30% dos seus resíduos municipais, uma percentagem só superior à da Roménia, Malta, Chipre e Estónia. A Alemanha, no topo do ranking, reciclou 71%.

Dados: Pordata