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sábado, 23 de maio de 2026

Dia Mundial da Biodiversidade: "É a teia viva que sustenta a humanidade"


Esta sexta-feira, assinalou-se mais um Dia Mundial da Biodiversidade, data oficializada pelas Nações Unidas para comemorar a adoção o texto da Convenção da Diversidade Biológica (CBD), neste mesmo dia em 1992.

A primeira cimeira mundial da biodiversidade aconteceu dois anos depois, nas Bahamas, e, desde então, contam-se já 16, com a número 17 já programada para o próximo mês de outubro, na capital arménia de Yerevan. Ao longo desses 34 anos, a comunidade internacional construiu uma arquitetura de governação global da biodiversidade tendo a CBD como coluna-mestra, estabelecendo várias estratégias, objetivos e metas com os quais os signatários se foram comprometendo.

Contudo, tal como em muitas outras convenções e agendas internacionais, a realidade acaba, no final de contas, por ficar sempre aquém da ambição. Por exemplo, nenhuma das metas de biodiversidade de Aichi para 2020 (algumas com o horizonte mais curto de 2015), que a CBD tinha estabelecido uma década antes, foi alcançada. E isso naquela que deveria ter sido a Década das Nações Unidas para a Biodiversidade.

Agora, estamos, até 2030, na Década das Nações Unidas para a Recuperação dos Ecossistemas, assim declarada pela Assembleia Geral dessa organização internacional. Apesar de décadas de negociações, de promessas, e de alguns avanços significativos, como o Quadro Global de Biodiversidade de Kunming-Montreal, que entre os principais objetivos tem proteger 30% dos habitats e restaurar 30% dos ecossistemas degradados até 2030 e travar as extinções causadas pelos humanos, a diversidade da vida na Terra está cada vez mais ameaçada.

“A biodiversidade é a teia viva que sustenta a humanidade”, disse António Guterres, secretário-geral das Nações Unidas, a propósito do Dia Mundial da Biodiversidade. Contudo, deixa claro o estado atual em que nos encontramos: “o caos climático, a poluição e a incansável exploração da terra, do oceano e da água doce estão a empurrar o mundo natural para o colapso, com consequências devastadoras para pessoas, modos de subsistência e desenvolvimento sustentável”.

Biodiversidade em perigo
Apesar de décadas de cimeiras mundiais sobre esse tema, e de discursos enfáticos de líderes globais, responsáveis regionais e políticos nacionais sobre como é indispensável para a sustentabilidade e, em última análise, sobrevivência da espécie humana na Terra, a biodiversidade continua em perigo e a sua perda mantém-se como uma das três grandes crises planetárias, a par das alterações climáticas e da poluição.

A Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas, criada e mantida pela União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN), é um barómetro do estado de saúde da biodiversidade a nível global, classificando as várias espécies não-humanas consoante o grau de ameaça que enfrentam. Estima-se que, a nível global, sejam conhecidas cerca de 2,5 milhões de espécies atualmente, embora tal possa ser uma mera porção da biodiversidade real da Terra, onde alguns calculam que existam mais de oito milhões.

De ano para ano, o número de espécies na categoria “Criticamente ameaçada”, somente uma abaixo de “Extinta”, tem vindo a aumentar continuamente de ano para ano. Os cientistas dizem que esses números não devem ser interpretados como tendências do estado da biodiversidade, pois o aumento do número de espécies nessa categoria reflete mais o fortalecimento dos esforços de avaliação da UICN e entidades parceiras do que reais mudanças no número de espécies ameaçadas que existem no mundo.

No entanto, o facto de todos os anos, sem exceção, se descobrir que mais e mais espécies entram nessa categoria que marca o precipício da extinção certamente que não é uma boa notícia para a biodiversidade.

O mesmo se passa nas categorias “Em Perigo” e “Vulnerável”, que, conjuntamente com a de “Criticamente em perigo”, formam a tríade de categorias que integram as espécies que se consideram ameaçadas.

Em 2025, 26% das espécies de mamíferos estavam ameaçadas, 11% das aves, 21% dos répteis e 41% dos anfíbios. Para os restantes grupos, não há ainda dados suficientemente amplos que permitam calcular percentagens, dizem os cientistas. A falta de conhecimento sobre o verdadeiro estado de conservação das espécies – por falta de recursos humanos, técnicos e financeiros ou por falta de priorização política e social – é uma das grandes ameaças ao futuro de muitas espécies, que não são tão conhecidas do público ou que não são por ele tão admiradas quanto outras. É muito difícil, senão mesmo impossível, proteger o que não se conhece, e mesmo o que não se conhece ou o que se acaba de descobrir pode enfrentar já em risco de desaparecer.

Os fatores humanos
Um estudo publicado na ‘Nature’, em março de 2025, com o título “O impacto humano global sobre a biodiversidade” (tradução literal para português), determinou que a forma como a nossa espécie tem lidado com o planeta está claramente a reduzir a diversidade de formas de vida que nele habitam.

Através da compilação de dados de 2.133 estudos sobre os impactos humanos na biodiversidade terrestre, marinha e de água doce dos quatro cantos da Terra, e abrangendo todos os grupos de organismos – dos microrganismos aos mamíferos, passando pelos fungos, plantas, invertebrados, peixes e aves –, esta equipa liderada pela Universidade de Zurique criou “uma das maiores sínteses dos impactos humanos sobre a biodiversidade alguma vez realizada a nível mundial”, como explica Florian Altermatt, principal coautor.

De forma resumida, o estudo olhou para os cinco grandes fatores de pressão humanos sobre a biodiversidade – alteração de habitats, exploração direta (como caça e pesca), alterações climáticas, poluição e espécies invasoras – e concluiu que todos eles têm impactos significativos à escala global, em todos os grupos de organismos e em todos os ecossistemas.

Estimam os investigadores, com base nos dados analisados, que em média o número de espécies em locais impactados era quase 20% inferior ao de locais não afetados por fatores de pressão humanos. Perdas “particularmente graves” de espécies, salientam, foram encontradas nos répteis, anfíbios e mamíferos, pois as suas populações tendem a ser mais pequenas do que as dos invertebrados, o que aumenta a probabilidade de extinção.

Além disso, os investigadores dizem que os impactos humanos estão não só a reduzir o número de espécies, mas também a alterar a composição das comunidades, o que pode ter efeitos negativos e perigosos no funcionamento dos ecossistemas. A poluição e as alterações nos habitats são dos impactos humanos que mais afetam a diversidade e a composição das comunidades de vida não-humana.

Também em 2025, um outro estudo dizia que ao longo do último século o ritmo de extinção de espécies de plantas, artrópodes e vertebrados terrestres tem vindo a desacelerar, especialmente devido a esforços de conservação. Num artigo publicado na revista ‘Proceedings of the Royal Society B’, cientistas analisaram os ritmos e padrões de extinção de 912 espécies de plantas e animais que desapareceram nos últimos 500 anos. Além de apontarem para essa desaceleração no ritmo atual de extinção, uma afirmação que poderá gerar alguma controvérsia, apontam também as causas humanas como os principais fatores que estão a fazer desaparecer as espécies não-humanas.

Uma “teia viva” a desfiar-se
Em outubro de 2025, uma atualização da Lista Vermelha anunciou o agravamento do estatuto de ameaça de três focas do Ártico, que 61% de todas as espécies de aves a nível mundial estão em declínio e 11,5% ameaçadas por causa da desflorestação, e que o maçarico-de-bico-fino está oficialmente extinto, tornando-se a primeira ave da Europa continental declarada como extinta em 500 anos.

Na atualização mais recente, do passado mês de abril, o pinguim-imperador, com um declínio de 10% da sua população entre 2009 e 2018, e o lobo-marinho-antártico, com uma redução populacional de mais de 50% entre 1999 e 2025, viram os seus estatutos agravar-se para “Em perigo”.

Algumas estimativas apontam para que, dos cerca de oito milhões de espécies que existem na Terra, pelo menos 15 mil estejam ameaçadas de extinção. Desde 1500 que 881 espécies desapareceram para sempre, um número que, admitem os próprios cientistas, pode ser muito inferior à realidade. Dessas, 322 eram vertebrados terrestres e 37 anfíbios, embora, no que toca a esses animais amantes de água, os especialistas acreditem que mais de 100 outras terão desaparecido nas últimas décadas, ainda que não o consigam comprovar com certeza.

Numa entrevista dada recentemente à Green Savers, Nuno Ferrand, diretor do Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos (CIBIO), dizia, a respeito da a biodiversidade em Portugal, que “estamos muito longe de uma situação ideal” e que “falta visão aos nossos decisores e aos nossos políticos”.

Disse-nos o catedrático que para proteger a biodiversidade não basta desenhar linhas num mapa e chamar-lhes “áreas protegidas” sem os meios necessários para a sua efetiva proteção e conservação.

“Para mim, é absolutamente incompreensível que todos os governos, desde há muito tempo, tratem assim a gestão e a conservação da biodiversidade num dos países da Europa que mais biodiversidade tem e que mais responsabilidade tem nessa área”, declarou.

Seja qual for o ritmo a que a biodiversidade está a desaparecer, o simples facto de isso estar a acontecer deve ser motivo de alarme para toda a humanidade. Não se trata de proteger uma Natureza distante, que é bonita e interessante, mas sim de zelar pelo nosso próprio habitat e pelos ecossistemas que nos fornecem serviços indispensáveis, e de assegurar, das profundezas mais escuras dos oceanos, aos topos das montanhas mais altas, passando pelas mais luxuriantes florestas tropicais húmidas, pelos desertos ilusoriamente desprovidos de vida e pelos jardins das nossas casas e cidades, que as maravilhas do mundo natural não se desvanecem para sempre, roubando à Terra parte da sua força vital que a torna tão única.

terça-feira, 19 de maio de 2026

Projeção máxima de aquecimento global cai 1 ºC por causa das renováveis


As projeções mais pessimistas para a subida da temperatura até ao fim do século foram revistas em baixa, à medida que as medidas de mitigação começam a dar frutos

A queda acentuada do custo da energia solar e eólica tornou um futuro altamente dependente de combustíveis fósseis cada vez mais improvável e as políticas climáticas estão a ajudar a reduzir as emissões, que já ficam abaixo das antigas projeções de pior caso

Alguns dos principais cientistas do clima do mundo consideram agora que o aumento de 4,5 °C até 2100, anteriormente projetado, deixou de ser plausível e reduziram o limite superior do seu cenário mais pessimista de aquecimento global para 3,5 °C acima dos níveis pré-industriais

Os novos modelos resultam do Scenario Model Intercomparison Project (ScenarioMIP), que elaborou projeções climáticas com base em cenários alternativos de futuras emissões e alterações no uso do solo. Liderado por um comité internacional de cientistas de topo, as suas conclusões serão integradas em futuras avaliações do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC) da ONU

Ainda assim, as projeções mais pessimistas ficam muito longe do limite máximo de 2 °C acordado pelos países no Acordo de Paris de 2015 e continuariam a provocar consequências desastrosas para o planeta.

Como foram modeladas as temperaturas futuras mais extremas?
Os cientistas simularam vários cenários para projetar o melhor e o pior caso de aquecimento global até ao ano 2100.

Foram considerados fatores como a futura população mundial, o consumo de energia, as fontes de energia, o investimento na adaptação e mitigação das alterações climáticas, as políticas climáticas e a colaboração entre países.

Os cenários mais pessimistas imaginam um mundo em que as políticas climáticas e os esforços de mitigação são enfraquecidos ou invertidos, e em que o uso de combustíveis fósseis aumenta, a par de tecnologias e estilos de vida muito intensivos em recursos e energia.

Um uso intensivo de combustíveis fósseis ultrapassaria as reservas atuais, o que significaria recorrer a depósitos ainda por descobrir, cuja extração se tornaria viável graças a futuras tecnologias.

Os modelos assumem também o fim da queda, que já dura há uma década, nos custos das energias renováveis, possivelmente porque os minerais necessários para painéis solares, turbinas eólicas e baterias de veículos elétricos se tornam escassos ou ficam presos em disputas comerciais.

A falta de cooperação na resposta às preocupações ambientais globais, incluindo progressos insuficientes em tecnologias de baixas emissões, poderá agravar a situação.

Um forte crescimento económico e a concorrência regional, o ressurgimento do nacionalismo, receios quanto à competitividade e à segurança e conflitos regionais podem levar os países a dar prioridade a questões internas ou regionais face à mitigação das alterações climáticas. Segundo o estudo, isto poderia conduzir ao colapso das políticas climáticas internacionais e nacionais.

Os modelos de pior caso projetam que o consequente pico de emissões provoque alterações irreversíveis nos componentes mais lentos do sistema terrestre, como o oceano profundo ou as calotes e geleiras, que regulam o clima global.

Embora este cenário seja improvável, os seus impactos seriam catastróficos.

Ao longo deste ano serão realizadas novas simulações com Modelos do Sistema Terrestre, que incluirão também os efeitos das retroações do ciclo do carbono, e os seus resultados poderão alterar as projeções.

Quais são os cenários alternativos?
O relatório modela igualmente cenários progressivamente mais moderados, que vão de emissões elevadas até meados do século seguidas de reduções rápidas, a políticas climáticas reforçadas que levam o mundo a atingir a neutralidade carbónica o mais depressa possível, limitando aquilo que o estudo designa como a agora “inevitável” ultrapassagem da meta preferencial de 1,5 °C do Acordo de Paris. Os modelos prolongam-se até ao ano 2500.

Se as políticas climáticas atuais continuarem inalteradas, estimativas preliminares apontam para uma subida da temperatura de cerca de 2,5 °C. Se as medidas de mitigação forem adiadas mas o mundo conseguir alcançar a neutralidade carbónica até ao fim do século, os modelos indicam que a subida da temperatura poderá atingir 2 °C.

Mesmo cenários de baixas emissões podem bloquear alterações catastróficas do nível do mar e dos mantos de gelo que são irreversíveis à escala de tempo humana. Uma ultrapassagem temporária dos 1,5 °C, mesmo que revertida, pode também causar danos duradouros em ecossistemas vitais, como recifes de coral e florestas tropicais.

Desenvolvidos em meados da década de 2010, os cenários anteriores utilizavam dados reais de emissões até 2015. Os novos modelos estendem esse período até 2023 e descrevem melhor a forma como os sistemas da Terra respondem ao aquecimento – por exemplo, quanto CO2 os oceanos e as florestas absorvem à medida que as temperaturas sobem.

terça-feira, 7 de abril de 2026

Cimeira importante realizada em Paris, entre 30 de Março a 2 de Abril por We Don´t Have Time e Change NOW, antecipando a Conferência em Colômbia


Oradores presentes aqui

Palestras:
  1. Respeito pelos Limites Planetários We Don't Have Time ChangeNOW HUB - March 31 2026
  2. Negócios Sustentáveis (Business within Planetary Boundaries) e Transição do Sistema Alimentar   We Don't Have Time ChangeNOW HUB - April 1, 2026
  3. Uso de Dados e Transparência e Tecnologia e Inovação de Impacto We Don't Have Time ChangeNOW HUB - April 2, 2026
Durante três décadas, as negociações climáticas globais concentraram-se na gestão dos sintomas da crise climática — as emissões de gases com efeito de estufa — ignorando a causa principal: a proliferação descontrolada de carvão, petróleo e gás.

Embora a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre as Alterações Climáticas (UNFCCC) e o Acordo de Paris sejam fóruns essenciais para a ação climática global, as suas estruturas baseadas no consenso permitem que grupos de pressão apoiados por indústrias poluentes impeçam a implementação de medidas necessárias no controlo da produção de combustíveis fósseis. Agora, temos uma oportunidade crucial para ultrapassar este impasse.

Entre 24 e 29 de abril de 2026, a Colômbia e a Holanda realizarão o  First Conference on Transitioning Away from Fossil Fuels em Santa Marta. A conferência é a primeira de uma “série de conferências” acordadas pelos 18 Estados-nação participantes no desenvolvimento de um Tratado sobre Combustíveis Fósseis, e será um fórum focado em soluções, operando fora dos auspícios da arquitectura climática internacional tradicional.

Estado da Arte do Tratado de Não Proliferação de Combustíveis Fósseis aqui

terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

Gigantes tecnológicas mentem sobre os benefícios climáticos da inteligência artificial


Um relatório divulgado esta terça-feira por uma coligação de organizações não governamentais (ONG) de defesa do ambiente diz que 74% das afirmações sobre os alegados benefícios climáticos da inteligência artificial (IA) generativa carecem de bases sólidas.

Estas afirmações "servem os interesses das indústrias de tecnologia e dos combustíveis fósseis", resume um comunicado conjunto de várias ONG, incluindo a Beyond Fossil Fuels, a Green Web Foundation e a Friends of Earth US.

Por outro lado, "minimizam os danos climáticos significativos causados pela IA generativa" alertaram organizações como a Climate Action Against Disinformation, Stand.Earth e Green Screen Coalition.

As plataformas analisaram 154 declarações "afirmando que a IA terá um benefício climático líquido, incluindo as de empresas como a Google e a Microsoft e instituições como a Agência Internacional de Energia [AIE]".

Segundo as ONG, esta é a primeira vez que o argumento de que a IA poderá compensar o aumento da procura de combustíveis fósseis gerada pelos centros de dados é analisado de forma crítica.


O relatório critica a Google por afirmar em documentos oficiais que a IA poderia mitigar entre 5% e 10% das emissões globais, uma estimativa baseada em dados extrapolados, sem fundamento científico, de uma consultora privada.

A análise, divulgada durante a AI Impact Summit, em Nova Deli, esta semana, defende que a indústria tecnológica apresentou, de forma enganadora, as soluções climáticas e a poluição de carbono como um pacote único, ao "confundir" diferentes tipos de IA.

Sasha Luccioni, líder de IA e clima da Hugging Face, uma plataforma e comunidade de IA de código aberto, que não participou no relatório, afirmou que este acrescenta nuances a um debate que frequentemente agrupava aplicações muito diferentes.

"Quando falamos de IA que é relativamente má para o planeta, geralmente referimo-nos à IA generativa e a grandes modelos de linguagem", disse Luccioni, que tem pressionado a indústria para ser mais transparente sobre a sua pegada de carbono.

"Quando falamos de IA que é 'boa' para o planeta, geralmente referimo-nos a modelos preditivos, modelos extrativos ou modelos de IA tradicionais."

segunda-feira, 24 de novembro de 2025

Enfrentamos uma emergência de desigualdade


Embora o texto esteja no FT , para assinantes, fui ler a OXFAM. Nesse artigo Lula, Ramaphosa e Sánchez apoiam a criação de um Painel Internacional sobre a Desigualdade. O termo «emergência da desigualdade» refere-se à crescente disparidade na distribuição de rendimentos e riqueza a nível global, que tem levado a uma maior instabilidade política e a uma diminuição da confiança nos sistemas democráticos. Relatórios recentes indicam que os 1% mais ricos capturaram uma parte significativa da riqueza, enquanto milhares de milhões enfrentam insegurança alimentar, destacando a necessidade urgente de agir para resolver estas questões. A OXFAM desafia este bullying geopolítico e tudo fez na cimeira de G20 em Joanesburgo para colocar na agenda o debate. Aconselho a leitura “G20 Extraordinary Committee of Independent Experts on Global Inequality”, pelo Professor Joseph Stiglitz.

Entre 2000 e 2024, o 1% mais rico captou 41% de toda a nova riqueza criada no mundo, refere o relatório. Ao mesmo tempo, uma em cada quatro pessoas no mundo, cerca de 2,3 mil milhões, enfrenta agora insegurança alimentar moderada ou grave, o que significa que salta refeições com regularidade. Esse número aumentou em 335 milhões desde 2019, acrescenta o relatório.

Recomenda-se no relatório a criação de um novo Painel Internacional sobre Desigualdade para aconselhar os governos sobre como enfrentar o problema, à semelhança do Painel Intergovernamental sobre Alterações Climáticas, designado pela ONU, que apoia o desenvolvimento de políticas climáticas.

Economistas e especialistas em desigualdade, incluindo galardoados com o Nobel e antigos altos responsáveis do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional, afirmam na carta dirigida aos líderes mundiais estar preocupados com o facto de “concentrações extremas de riqueza se traduzirem em concentrações de poder antidemocráticas, a corroer a confiança nas nossas sociedades e a polarizar a política”.

A África do Sul, que acolheu a cimeira do G20 a 22 e 23 de novembro, fez com que a desigualdade global fosse um dos temas centrais, apesar de o próprio país ser classificado pelo Banco Mundial como o mais desigual do mundo.

terça-feira, 18 de novembro de 2025

Kumi Naidoo on U.S. Skipping COP30: Why Rich Nations Must Pay a Climate Debt, Gaza, Sudan & More




As Democracy Now! broadcasts from the COP30 U.N. climate summit, we speak with Kumi Naidoo, the longtime South African human rights and environmental justice activist who is president of the Fossil Fuel Non-Proliferation Treaty Initiative. He discusses U.S. absence from climate talks, Gaza, and wealthy countries refusing to take accountability for the climate crisis. “We’re not asking the rich nations for a charity here. We are asking them to pay their climate debt.”

AMY GOODMAN: This is Democracy Now!, democracynow.org. We’re broadcasting from the U.N. climate summit, COP30, from the Brazilian city of Belém, the gateway to the Amazon. I’m Amy Goodman.

We’re joined now by Kumi Naidoo, the longtime South African human rights and environmental justice activist, former head of Greenpeace International and Amnesty International, now president of the Fossil Fuel Non-Proliferation Treaty Initiative, a global effort to accelerate a transition to renewable energy.

It’s great to have you back with us, Kumi. It seems that at these U.N. climate summits, that’s kind of the only time we get to talk right now or see each other in person. Can you talk about the significance of this moment when it comes to the climate catastrophe in the world?

KUMI NAIDOO: So, the reality is, the science told us in Paris that we need to be below 1.5 degrees. We are already pushing there. We are seeing that there is a big disconnect between the words that political and business leaders say and what actions happen on the ground.

So, for the last week, let’s just have a quick recap what’s happened. So, one, we see that there’s absolute corporate capture here again. There was 1,600 fossil fuel lobbyists. And even though it’s a struggle to get the F-word said here — by the “F-word,” we mean fossil fuels. It took 28 years before 86% of the primary cause of climate change would be even mentioned in a COP outcome document. That’s like Alcoholics Anonymous holding 28 years of conferences before they can get a backbone to mention alcohol, which is the problem. And so, that’s one challenge.

But the big debate is right now around finance. We’re really stuck on finance. So, there’s two blocs that have emerged. So, China and the G77 are talking about a seriously funded mechanism called the Belém Action Plan. And the EU has put an alternative proposal on the table, which is about — basically, developing countries are saying this will be another talk shop with no money. So, like, if you take — the money is really a big, big issue here, because, like, you’ll remember a couple of years ago we finally got a Loss and Damage Fund set up, right? And the governments have just committed $250 million to this fund, when what is needed is $400 billion a year, right? So, there’s such a big task

AMY GOODMAN: And talk about why you think — I mean, many people in the U.S., certainly Trump himself, the president, would say: Why should they be putting money into these countries?

KUMI NAIDOO: So, basically, first and foremost, it’s in self-interest, right? That in the end, if developing nation — if the rich nations of the world don’t support poor nations to transition and survive, the end result is that there will be growing emissions from the Global South, which makes it worse, and more forest fires in California and more intense hurricanes and tornadoes in Florida and elsewhere.

But the historical issue is the facts are clear that this old process that started 30 years ago said that we should have common and differentiated responsibilities, that all nations need to work together because this challenge is so big. But it also differentiated. It said countries like the U.S. and Europe, who decimated the forests historically, that built their economies on dirty energy, and the historical emissions in the atmosphere are coming from those emissions. It’s not to say that developing countries are not rising, as well, right now, but the historical accumulated responsibility still exists. And so, basically, we’re not asking the rich nations for a charity here. We are asking them to pay their climate debt. It’s about, you know, compensation.

AMY GOODMAN: Well, I wanted to ask you about the historically number one greenhouse gas emitter, and that’s the United States. On Monday, yesterday, I caught up with the prince of the Netherlands, Jaime de Bourbon de Parme. He’s here at COP30 as the Dutch climate envoy.

AMY GOODMAN: I wanted to ask your thoughts on President Trump not sending a high-level delegation here, and what that means.

JAIME DE BOURBON DE PARME: So, it’s truly up to any government to decide who it wants to send in what conference, so I’m quite open to say, well, it’s his choice not to send someone here. I think we need all parties to be constructively thinking about the future. So I would like to see a constructive U.S. present at the COPs, as we’ve seen in the past, as well. And for the — for now, what it is is people are looking for new equilibrium to see who’s taking what role in the absence of the U.S. at this COP. So, we’re doing that. And we’re looking for new partnerships, working with new governments in different ways, because of the absence of the U.S.

AMY GOODMAN: What do you say to President Trump, who calls climate change a hoax, who says it’s a con?

JAIME DE BOURBON DE PARME: So, I would say, I always use the analogy of a doctor. If I’m sick, and I take temperature, and I’ve got facts and figures that I’m sick, I can ignore it or not. So, it’s up to him to listen to the doctor or not. But it’s wise to listen to the facts. And it’s truly — the science tells the story. I’m not telling it. It’s not my opinion. It’s just listening to the experts that tell us that climate is a fact.

AMY GOODMAN: Finally, can you just tell us what you announced today?

JAIME DE BOURBON DE PARME: So, we’re here with the NDC Partnership, a wonderful organization that is — that is helping countries write the climate plans and how to implement them. And so, we’ve added to what we’re really doing for NDC Partnership, another 10 million euros to work on water-food nexus to really focus on water management on these countries, because climate eventually affects water.


AMY GOODMAN: Thank you very much.

JAIME DE BOURBON DE PARME: Thank you, as well.

AMY GOODMAN: So, that was the prince of the Netherlands, Jaime de Bourbon de Parme, who is at COP30 as the Dutch climate envoy, speaking along with other climate ministers. I asked him about the Trump administration not sending a high-level delegation. Does that make it easier to get work done around limiting fossil fuels, or is there a huge problem with that? What do you think? And also President Trump saying that climate change is a hoax.

KUMI NAIDOO: I think the position that the U.S. administration is currently taking is not in the interests of the United States and its people, it’s not in the interests of the world, and it’s not in the interests of global cooperation. However, having said that, let’s be blunt about it: U.S. participation at these COPs have often been negative. They have held back progress. They have brought down ambition levels and so on.

So, the good news, though, is that it’s not that U.S. people are not here and are not represented. There are lots of governors that are here. There are lots of cities’ mayors that are here. There’s civil society here. So, you know, Gavin Newsom, for example, had a very prominent role here in the first couple of days.

And we would urge the U.S. people to convince the current Republican-led administration to recognize that we need them at the table. But if they’re not here, we’re going to move ahead, as we’re doing with the fossil fuel treaty. So, Colombia has called for a standalone diplomatic conference in April next year, after Easter. We will move to negotiate this treaty outside of the U.N. system, as the landmine treaty was done, and then we’ll bring it into the U.N. system for ratification. So, Global South countries are going to move ahead without the dominant polluters. And people should not assume that the old world order, where what the U.S. and a few rich countries do can hold everybody back — ideally, we want the U.S. at the table, but they cannot hold us hostage forever. We’re going to try and move ahead without them.

AMY GOODMAN: Kumi Naidoo, speaking here at COP30 last week, you said, “Today, the leaders of the fossil fuel industry occupy the same moral equivalent position that in a different era controlled the so-called slave industry.” Explain what you mean.

KUMI NAIDOO: Well, the leaders who were trading in human lives in slavery had the same political access to power as the fossil fuel industry has. They had the same ability to control the narrative by what they could spend in the media of that time, as we have the same domination by the fossil fuel industry to confuse people about the urgency of the situation. And basically, ethically, trading in human lives then and now was never morally acceptable. Banking on a energy system that is killing people, that threatens not the planet — let’s be clear: The planet will survive. This is threatening humanity’s capability to survive on this planet. And people must be clear that this is being done for profit and greed and that they are being called out now.

And thankfully, at this COP, the one progress — and, Amy, I think I met you at the Copenhagen COP for the first time in 2009. At that time, you’ll remember, you could hardly hear the word “fossil fuels.” Yeah, certainly on the streets, it’s all about “The root cause is fossil fuels. We need to turn the tap and stop the flow of fossil fuels.” So, no longer can they escape what the root cause is. And I think that we will come out here, because President Lula, in the first day, said we need a fossil fuel phaseout plan coming out of this. The appetite is not there. We’re still pushing. But whether we get it here or not, we certainly will push in April to do so in Colombia.

AMY GOODMAN: Kumi, before we go, I want to ask you about two other issues. I mean, you are from South Africa. That’s the country that brought the genocide case against Israel at the International Court of Justice. You have always lived at the intersection of human rights, also climate, and you were former head of Amnesty and Greenpeace. If you can comment on what’s happening now? I mean, yesterday, the U.N. Security Council approved a U.S.-backed plan for a so-called international stabilization force in Gaza. We still have the human rights situation where far less than half Israel’s letting of humanitarian aid come into Gaza, and people are still being killed and attacked, either in Gaza or the occupied West Bank.

KUMI NAIDOO: My experience of South Africa teaches me that when those in power in context of conflicts speak about stabilization, what they are talking about often is stabilizing injustice, stabilizing the status quo. And here, what we are concerned — obviously, we want the peace to return as best as it was, recognizing that the Palestinian people have not lived with peace for decades and decades. But having said that, of course we support a ceasefire and so on. But what we are concerned about is that the way this resolution potentially can be implemented, it will stabilize the occupation, stabilize militarization, stabilize the undermining of international law, which Israel, more than any nation in the world, has consistently done.

So, the world — the eyes of the world are watching this. We don’t think that people should read this resolution as fundamentally a good thing, because the devil is going to be in the detail about how it is implemented. And right now, since the so-called ceasefire, we don’t take comfort about the fact that lives are being lost, both in Gaza and also on the West Bank, as we talk.

AMY GOODMAN: And as we talk about hunger, I want to move to Sudan. In this last minute we have, if you can talk about the humanitarian catastrophe in Sudan, in your continent of Africa?

KUMI NAIDOO: So, I think it’s important to recognize that 12 million people, firstly, have been displaced. Twelve million. Most countries in the world don’t have 12 million population. Secondly, what has recently happened in Darfur? The numbers are not clear, but people are talking about bodies everywhere, absolute mass murder

AMY GOODMAN: They’re talking about the RSF ravaging El Fasher.

KUMI NAIDOO: Ravaging through, yeah. We’re talking about — people are talking about tens of thousands of people. I don’t want to comment to the figure, because there’s a news blackout. But there is every reason to believe that that’s happening.

And let me just say, the global media has been pathetically complicit in their silence by just ignoring this. And that’s why many people in Africa are now saying this is not just a problem with mainstream media. This is also a problem with “whitestream” media, in the sense that Black lives don’t really seem to happen. If this was happening in North America or Europe, I mean, the whole world would be seeing saturation coverage.

We need RSF and the previous army to comply to a negotiation process to stop this immediately. And the U.N. and the international community must raise the visibility and the energy in addressing this, because history will judge this as bad as we judged Rwanda at the end of the day.

AMY GOODMAN: I want to thank you, Kumi Naidoo, for being with us, South African human rights/environmental justice activist, president of the Fossil Fuel Non-Proliferation Treaty Initiative, former head of Greenpeace International and Amnesty International.

Happy birthday to Iván Hincapié! Thank you to Charina Nadura, Denis Moynihan, Nermeen Shaikh, María Tarcena and Sam Alcoff, who are here on the ground with us in Belém, Brazil, at the U.N. COP30. I’m Amy Goodman.

domingo, 9 de novembro de 2025

COP30: Portugal junta-se a declaração que coloca combate à pobreza no centro da ação climática


Portugal aprovou, juntamente com outros líderes na Cimeira do Clima, uma declaração que coloca o combate à fome e à pobreza nas prioridades das políticas globais para enfrentar as alterações climáticas.

A Declaração de Belém sobre Fome, Pobreza e Ação Climática Centrada nas Pessoas, que também apela a um financiamento internacional mais justo para a ação climática, foi aprovada pelos líderes de 43 países e da União Europeia (UE) após a cimeira de dois dias que terminou na sexta-feira no Brasil.

Embora não crie obrigações jurídicas, a iniciativa procura servir de referência política nas negociações que começam na próxima segunda-feira, em Belém, durante a 30.ª Conferência das Nações Unidas sobre o Clima (COP30).

De acordo com o documento, os impactos da crise climática “já são e continuarão a ser profundamente desiguais”, pelo que as respostas devem dar prioridade às populações mais vulneráveis, especialmente nos países em desenvolvimento.

O texto aprovado na cidade amazónica de Belém, no norte do Brasil, propõe uma abordagem de ação climática centrada nas pessoas, que combine adaptação, proteção social e segurança alimentar.

Segundo a declaração, o impacto das alterações climáticas é desigual e afeta principalmente as comunidades mais pobres e em situação de vulnerabilidade, pelo que, além de continuar a investir em mitigação, os países devem dar prioridade à adaptação, com medidas como seguros para quem perde as colheitas.

Os signatários comprometeram-se a promover políticas que integrem pequenos produtores rurais, pescadores artesanais, povos indígenas e comunidades locais nas estratégias de mitigação e de resiliência.

A declaração propõe que, dos 1,3 biliões de dólares (1,12 biliões de euros) anuais previstos para o combate às alterações climáticas, pelo menos 300 mil milhões de dólares (259 mil milhões de euros) sejam destinados aos países em desenvolvimento até 2035.

Os signatários alertaram que os atuais fluxos de financiamento climático “não chegam de forma suficiente nem equitativa” às comunidades mais vulneráveis.

A declaração foi assinada por grandes economias mundiais como a China, os membros da União Europeia (UE), países europeus como Reino Unido e Noruega, e países latino-americanos, como Brasil, Colômbia, México, Peru, Equador, Uruguai, Chile, República Dominicana, Panamá, Cuba e Haiti.

Entre as medidas destaca-se a criação de um Plano de Aceleração de Soluções, que procurará coordenar ações entre governos, organismos multilaterais e o setor privado.

O acordo estabelece oito objetivos, entre eles ampliar os sistemas de proteção social sensíveis ao clima, fortalecer as cadeias alimentares sustentáveis e garantir meios de subsistência dignos em zonas afetadas pela crise ambiental.

O documento, impulsionado pelo Brasil como país anfitrião da COP30, reflete uma visão em que as políticas de desenvolvimento e as ações climáticas são abordadas de forma conjunta.

O primeiro-ministro, Luís Montenegro, terminou na sexta-feira a visita de dois dias a Belém para participar da Cimeira do Clima, uma reunião de líderes mundiais que antecede a COP30.

A Cimeira do Clima reúne delegações de 143 países, das quais pouco mais de um terço foram chefiadas pelos respetivos líderes nacionais, com a ausência confirmada dos três líderes dos países mais poluidores do mundo (China, Estados Unidos e Índia).

quarta-feira, 8 de outubro de 2025

The conservation world comes together on the eve of IUCN Congress 2025


As participants arrive in Abu Dhabi, UAE, for the IUCN World Conservation Congress 2025, protected and conserved areas actors gathered across the city.

Fifty-one delegates of the Biodiversity and Protected Area Management (BIOPAMA) programme assembled for a Knowledge Sharing Day, bringing a close to one of IUCN's largest and longest-running grant-making initiatives (approximately 55 million over 13 years). Grantees from Africa, the Caribbean and the Pacific reflected on the impact of their grants, ranging from supporting management effectiveness through the IMET and PAME tools, strengthening governance of protected areas, and to supporting grassroots organisations to stay afloat during the COVID-19 pandemic and build their financial capacity.

"For a long time, protected areas have ignored the rights and contributions of local communities. BIOPAMA has put the focus on governance to make conservation more equitable."
Samuel Shaba, Honeyguide Foundation Tanzania.

"Through BIOPAMA, it’s evident that good governance is the foundation of sustainable conservation. When decisions are transparent and communities are empowered, conservation becomes shared and a lasting success." 
Annick Zanga Ada, African Marine Conservation Organisation

The BIOPAMA initiative, funded by the European Union and the Organisation of African, Caribbean and Pacific States (OACPS) has supported +160 organisations across 79 countries since its inception in 2012. IUCN Congress will host almost 30 events in which BIOPAMA grantees will showcase their conservation work. Click here to learn about the events.

At the ADNEC Centre, the first ever in person ‘World Summit of Indigenous Peoples and Nature “Our Traditional Knowledge is the Language of Mother Earth”’ took place, a historic first for IUCN, led by Anita Tzec, Maya leader and Senior Programme Manager of IUCN. The event gathered IUCN Director General Dr. Grethel Aguilar; IUCN President Razan Al Mubarak; and Indigenous leader and IUCN Vice President, Ramiro Batzin Chojoj, alongside IUCN’s Indigenous Peoples Organisations members and partner representatives from across the globe. The opening spiritual ceremony was followed by high level segments that acknowledged the outsized role that Indigenous peoples and local communities play in conserving biodiversity through centuries of practices rooted in traditional knowledge, customary governance, cultural and spiritual values that tie Indigenous peoples to their ancestral territories.

“For Indigenous peoples, conservation is everything, it is about life, it is about mother earth, it a way of living for Indigenous peoples, so conservation must be about the rights, governance and knowledge of Indigenous peoples”. Ramiro Batzin Chojoj, IUCN Vice President.

The issues discussed at the Indigenous Peoples Summit shouldn’t remain aspirational but rather form strong action oriented plans that can drive change: “The first Indigenous Peoples Summit in the history of IUCN is not just symbolic, it is a promise to work closely with Indigenous peoples and local communities” said Razan Al Mubarak, “the priorities that are set here must carry forward into national plans and global frameworks”. The messages on the first day were clear, Indigenous peoples are rightsholders not just stakeholders, and are leaders not beneficiaries. It is up to us to build long term trusted partnerships to effect real change. The Indigenous Peoples Summit will be followed by the first Indigenous Peoples Pavilion and IUCN PCA Team will follow the key messages and recommendations closely.

Last but not least, the IUCN Protected and Conserved Areas team were hard at work across the ADNEC Exhibition space to prepare the the pavilions for the opening of the Exhibition tomorrow. See you at IUCN Congress 2025!

View the IUCN Protected and Conserved Areas team's 09 October events by clicking here

sexta-feira, 8 de novembro de 2024

Indigenous Peoples’ Biocentric Restoration gains global Momentum at CBD COP16


At the 16th Conference of the Parties (COP16) to the Convention on Biological Diversity (CBD) in Cali, Colombia, groundbreaking initiatives on Indigenous Peoples’ biocentric restoration were unveiled by the FAO in partnership with Costa Rica, Ecuador, Peru, Colombia, and Indigenous Peoples’ representatives.

The new initiatives aim to restore degraded ecosystems by putting Indigenous Peoples’ cosmogony, knowledge systems and traditional practices at the centre, in efforts to halt biodiversity loss and promote sustainable environmental management.


“The importance of incorporating Indigenous Peoples’ knowledge into environmental restoration cannot be overstated. Indigenous Peoples have been stewards of the land for millennia, and their territorial management practices offer valuable insights into how we can restore and protect biodiversity,” said H.E. Franz Tattenbach, Minister of Environment and Energy of Costa Rica. “Costa Rica is proud to be at the forefront, developing the world’s first National Plan on Indigenous Peoples’ Biocentric Restoration, which integrates Indigenous Peoples’ food and knowledge systems into national environmental strategies.

The Indigenous Peoples’ Biocentric Restoration programme, a collaboration between FAO and Indigenous Peoples’ leaders, is designed to restore ecosystems while respecting Indigenous Peoples' collective rights, spiritual beliefs and territorial management practices. The programme, initiated in 2019, emphasizes the critical role that Indigenous Peoples’ communities play in ecosystem restoration, not just as participants but as leaders in the process.



Ramiro Batzin, Co-Chair of the International Indigenous Forum on Biodiversity (IIFB), opened the session alongside Mr Godfrey Magwenzi, Director of the FAO Director General’s Office, to emphasize the importance of Indigenous Peoples’-led restoration initiatives.

“Science shows that by being holistic, Indigenous Peoples' food and knowledge systems are key to preserving and restoring the biodiversity and allies for the fulfilment of the Kunming-Montreal Global Biodiversity Framework’’, underlined Mr Magwenzi. FAO, together with Indigenous Peoples' organizations, has co-developed the Indigenous Peoples’ Biocentric Restoration approach, by centering Indigenous Peoples’ knowledge and cosmogony, and promotes the restoration of ecosystems through the strengthening of their food and knowledge systems.

“It is a pleasure for IIFB to host this event,” stated Ramiro Batzin, on behalf of the IIFB. “I would like to recognize the role of the Indigenous Peoples’ biocentric restoration approach at COP16. This approach has been presented and recognized at the TRɄA World Summit on Traditional Knowledge related to Biodiversity [that] we organized last August in Bogota, to prepare the negotiations at COP. At that Summit, we managed to bring together over 150 Indigenous Peoples’ leaders from all 7 socio-cultural regions, UN Agencies, government and key actors. These recommendations and presentations, including on biocentric, have been crucial for the work at the CBD COP16”.

Speakers recognized the relevance of the approach and the importance of the ongoing national plans. “This initiative is not just about restoring ecosystems; it’s about recognizing the rights of Indigenous Peoples and our role as custodians of the genetic diversity and nature. It’s a matter of justice, respect, and equity” said Mr Donald Rojas, President of the Mesa Nacional Indígena de Costa Rica (National Indigenous Platform of Costa Rica). “By integrating Indigenous Peoples’ cosmogony and knowledge, we can ensure that restoration efforts are effective and ensuring long-term sustainability for future generations. Through these kind of processes, we ensure the recognition of Indigenous Peoples as custodiams of biodiversity”.

Ms Nelly Paredes, Executive Director of the National Forest and Wildlife Service of Peru (SERFOR), reaffirmed Peru’s commitment to Indigenous Peoples’ biocentric restoration, highlighting efforts to develop a Regional Plan on Indigenous Peoples’ Biocentric Restoration in the Southern Andes. This plan will work in close collaboration with local governments and Indigenous Peoples’ self-governance authorities. “We are committed to restoring the Southern Andes together with Indigenous Peoples. A biocentric restoration regional plan is starting to ensure Indigenous Peoples’ knowledge is considered for the restoration and conservation with native species,” said Ms Paredes. “By involving Indigenous Peoples as implementers and partners in the conservation strategies, we are creating a powerful, sustainable biocentric plan for effective environmental restoration.”





Other nations, including Ecuador and Colombia, have also made significant strides in integrating Indigenous Peoples’ knowledge into restoration strategies. Ms Glenda Ortega, Undersecretary of Natural Heritage in Ecuador’s Ministry of Environment, Water, and Ecological Transition, shared the country’s work with the International Bamboo and Rattan Organization (INBAR) in Latin America to promote the use of native bamboo species for restoration in the Amazon basin.

Mr Pacha Kanchay, Spiritual Leader of the Organización Nacional Indígena de Colombia (ONIC), reaffirmed Colombia's commitment to initiate Indigenous Peoples-led restoration activities in their territories. “In Colombia, we are learning from the ancestral knowledge of Indigenous Peoples’ communities to address environmental challenges,” said Mr Kanchay. “The integration of our spiritual and cultural values into restoration practices will help us heal our lands and preserve our biodiversity for future generations.”


The Indigenous Peoples’ Biocentric Restoration Initiative includes the creation of “schools of life” to support intergenerational knowledge transmission; the establishment of community nurseries; and the careful consideration of species with ecological, spiritual, and medicinal value. These efforts emphasize the importance of respecting Indigenous Peoples' collective rights, including the right to Free, Prior, and Informed Consent (FPIC).

Yon Fernandez de Larrinoa, Head of FAO Indigenous Peoples Unit, explained the approach, welcoming the attendees to the high-level side event and reiterating the significance of these efforts in the global context. “Indigenous Peoples’ biocentric restoration is not just a solution for today, but a long-term strategy for planetary health,” said Mr Fernandez de Larrinoa. “It aligns directly with the goals of the UN Decade on Ecosystem Restoration and supports the targets of the Kunming-Montreal Global Biodiversity Framework.



The Initiative has already launched restoration efforts in Bolivia, Brazil, Colombia, Costa Rica, Ecuador, India, Nepal, Peru and Thailand. Future activities are planned for Kenya and the Democratic Republic of Congo.

As global environmental challenges continue to grow, the integration of Indigenous Peoples’ knowledge into biodiversity conservation efforts has become more urgent. The launch of the Indigenous Peoples’ Biocentric Restoration Initiative at COP16, dubbed “The COP of the People,” marks a crucial step towards ensuring that Indigenous Peoples’ rights and traditional ecological knowledge are prioritized in global biodiversity frameworks.

“Indigenous Peoples’-led restoration is not only an environmental imperative; it is a human rights issue,” concluded Mr Mariano Castro, from the Peace and Biodiversity Dialogue Initiative at the Secretariat of the CBD. “This initiative exemplifies how the world can work together to restore our ecosystems while honoring the rights of Indigenous Peoples and support the implementation of the CBD commitments,” he added.

Mr Pablo J. Innecken, FAO Officer for Biodiversity and Climate Change, thanked the speakers and participants at the event with the conclusion that Indigenous Peoples’ biocentric restoration, as an initiative rooted in the work of the UN Decade on Ecosystem Restoration, is aiming to support the implementation of targets 2, 3, 10 and 22 of the Kunming-Montreal Global Biodiversity Framework.

The event at COP16 marks a significant step forwards in global efforts to prioritize Indigenous Peoples’ rights and knowledge in biodiversity conservation, aligning with the commitment of CBD member states embodied in the adoption of the new Programme of Work on Article 8(j) and the creation of a Subsidiary Body to support the implementation of this Article.

domingo, 10 de dezembro de 2023

Celebração dos 75 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, alertou este domingo para a crescente ameaça que a desigualdade, o autoritarismo e os conflitos armados representam para os direitos e liberdades da população do planeta.


"O mundo está a perder o rumo", afirmou Guterres.
"Os conflitos estão a espalhar-se com virulência. A pobreza e a fome estão a aumentar. As desigualdades estão a tornar-se mais profundas, as alterações climáticas tornaram-se uma crise humanitária, o autoritarismo está a aumentar, o espaço civil está a diminuir, os meios de comunicação estão sitiados, a igualdade de género é um sonho distante e os direitos reprodutivos das mulheres estão a retroceder", lamentou o secretário-geral da ONU.
Todas estas crises ameaçam a Declaração Universal dos Direitos Humanos, segundo o responsável da ONU.
"Todos os seres humanos nascem livres e iguais na sua dignidade e direitos", referiu Guterres, acrescentando que este princípio deveria ser "o roteiro para acabar com as guerras, curar divisões e promover uma vida de paz e dignidade para todos".
"A Declaração Universal dos Direitos Humanos mostra-nos o caminho para resolver tensões, exercer valores comuns e criar a segurança e a estabilidade que o nosso mundo tanto anseia", afirmou o secretário-geral da ONU.
Neste sentido, Guterres apelou para que os Estados-membros da ONU "reforcem o seu compromisso com os valores intemporais" refletidos na Declaração, especialmente tendo em vista a Cimeira do Futuro, que se vai realizar em setembro de 2024, na qual os líderes mundiais discutirão novos aspetos sociais, culturais e económicos a seguir durante a próxima década.

O Alto-Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, também afirmou este domingo a importância da Declaração Universal dos Direitos Humanos.

"Agora, mais do que nunca, é a hora dos Direitos Humanos", observou, dizendo que a Declaração "não é apenas um documento histórico, mas um testemunho vivo" da humanidade que partilhamos, "um guia intemporal".

Na opinião do Alto-Comissário, o mundo sofre atualmente com níveis de conflitos violentos nunca vistos desde o final da II Guerra Mundial, com o agravamento das desigualdades, o aumento da discriminação e o discurso do ódio, da impunidade, do aumento das divisões e polarização, além da emergência climática.

"Isto realça ainda mais a necessidade de fazer um balanço, aprender lições e delinear em conjunto uma visão para o futuro baseada nos direitos humanos. A Declaração Universal oferece uma promessa de que todos nascemos em igualdade de direitos e dignidade e um plano de ação. Este ato constitui um momento de grande reflexão para buscarmos conjuntamente soluções comuns focadas nos direitos humanos", destacou Türk.

Saber mais:

sábado, 19 de novembro de 2022

Costa manifesta apoio a COP30 na Amazónia e espera novo impulso EU - Mercosul


O primeiro-ministro manifestou hoje apoio à intenção do Presidente eleito do Brasil organizar na Amazónia, em 2025, a Conferência das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (COP30) e afirmou ter esperança na conclusão do acordo Mercosul - União Europeia.

Estas posições foram transmitidas por António Costa em São Bento, durante uma conferência de imprensa com o Presidente eleito do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva.

“A Amazónia é uma causa global. Como disse o Presidente Lula, não é uma responsabilidade exclusiva do Brasil. É uma grande reserva da humanidade e por isso deve ser uma responsabilidade coletiva”, declarou o líder do executivo português.

A seguir, o primeiro-ministro salientou que, “se o Brasil pretende organizar a COP30 na Amazónia, seguramente com o apoio de Portugal contará, porque é muito importante que isso aconteça”.

António Costa aproveitou também para vincar a ideia de que, na sequência da vitória de Lula da Silva nas presidenciais brasileiras, o Brasil voltará a protagonizar uma posição em defesa do multilateralismo no plano diplomático.

“Temos de estar juntos no espaço da CPLP (Comunidade de Países de Língua Portuguesa), no espaço das Nações Unidas e nas grandes causas globais. E temos de estar juntos no esforço que é preciso fazer para aproximar a União Europeia e a América do Sul, o Mercosul em particular”, afirmou.

Neste ponto referente às relações entre a União Europeia e o Mercosul, o primeiro-ministro situou a sua esperança no segundo semestre de 2023, quando a Espanha assumir a presidência do Conselho da União Europeia.

“É uma grande responsabilidade que Portugal e o Brasil têm como países irmãos, como os pontos mais próximos dos dois lados do atlântico”, disse, numa nova alusão aos sucessivos obstáculos que têm sido levantados à conclusão de um acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul.

Ao nível bilateral, António Costa reiterou a tese de que a eleição de Lula da Silva como Presidente do Brasil “e mesmo um virar de página”.

“Há muito tempo que não tínhamos esta proximidade, este carinho entre os responsáveis políticos de Portugal e do Brasil. Não tínhamos bilateralmente, na CPLP e no mundo”, acrescentou.

Há seis anos que Portugal e o Brasil não realizam a sua cimeira bilateral.
A 12.ª Cimeira Luso-Brasileira, a última, realizou-se em Brasília em novembro de 2016, com a participação do então Presidente do Brasil, Michel Temer, e do primeiro-ministro português, António Costa.

Esteve prevista a 13.ª Cimeira Luso-Brasileira para 02 de fevereiro de 2018, em Lisboa, mas foi adiada por acordo entre os dois países.

Na conferência de imprensa, o primeiro-ministro aproveitou também para reiterar a posição diplomática portuguesa a favor da entrada do Brasil para o Conselho de Segurança das Nações Unidas.

“Lula da Silva disse muito bem que hoje a ONU não pode ser a de 1948 e, por isso, Portugal tem defendido a reforma do Conselho de Segurança. E temos dito que um dos países membros do Conselho de Segurança é o Brasil, mas para isso é preciso que o Brasil não esteja fora do mundo e ainda bem que regressa ao mundo, porque assim pode estar por direito próprio no lugar que merece”, completou o líder do executivo português.

Lula da Silva convidou o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, e o primeiro-ministro, António Costa, para estarem presentes na sua posse como chefe de Estado do Brasil, em 01 de janeiro, em Brasília.

Interrogado se vai estar presente, António Costa deu uma resposta prudente.

“Combinarei obviamente com o Presidente da República como é que Portugal estará representado na posse de Lula da Silva. Estaremos seguramente representados todos – os portugueses – qualquer que seja a forma de representação. Falarei primeiro com o Presidente da República”, acentuou.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

David Attenborough speaks out at COP24


Naturalist and TV presenter David Attenborough used his speech at the climate summit COP24 to urge governments and countries to take action on behalf of the world’s people. Attenborough spoke as the representative for a new campaign called The People’s Seat Initiative, run by the UN, which collects videos, experiences and polls to enable people around the world to put forward their experience and action on climate change and be part of the dialogue.


Speaking at COP24 in Katowice last week, Attenborough said: “The world’s people have spoken. Their message is clear. Time is running out. They want you, the decision makers, to act now.

“Right now, we’re facing a manmade disaster of global scale. Our greatest threat in thousands of years, climate change. If we don’t take action, the collapse of our civilisations, and the extinction of much of the natural world, is on the horizon.”

The UN has launched a new ActNow.bot through Facebook Messenger, which it said is designed to fuel climate change understanding and encourage personal action. Once the user clicks Get Started, the bot asks questions, sends links and records when a climate action is completed.

“This new social media tool, a Facebook Messenger bot, will help people learn about activities to reduce their carbon footprint, and show – and share with friends – how they are making an impact. We all need to do things differently,” said UN Under-Secretary-General of global communications, Alison Smale.

The UN’s new bot wasn’t the only people-focused initiative unveiled at the summit – conservation group WWF adapted its logo from the distinctive black and white panda to feature world leaders, celebrities, alongside the message ‘you are an endangered species’.

The two-week COP24 summit aims to pin down a detailed set of rules about how global decisionmakers will achieve the targets set by the 2015 Paris Agreement, and limit global temperature rises to 1.5 rather than 2 degrees.

A recent report by the UN’s Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC) found that ‘unprecedented’ action on climate change was required if the 1.5 degree limit is to be met. Despite commissioning the report, the COP24 summit has been blocked from officially welcoming the findings after Russia, the US, Saudi Arabia and Kuwait objected, saying it would be enough to simply ‘note’ its results.

quinta-feira, 15 de julho de 2004

Novo D de Democracia: Desenvolvimento Sustentável



Ainda é a aurora....mas já existe no nosso País uma ESTRATÉGIA DE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL PARA PORTUGAL (ENDS)

FONTE:Portal do Governo

Desenvolvimento sustentável: «Desenvolvimento que satisfaça as necessidades do presente sem comprometer a capacidade de as futuras gerações satisfazerem as suas próprias necessidades»
"Development that meets the needs of the present without compromising the ability of future generations to meet their own needs"
«O nosso Futuro Comum», Comissão Mundial para o Ambiente e o Desenvolvimento, 1987
"Our Common Future", World Commission on Environment and Development, 1987

O XV Governo Constitucional atribuiu a maior importância à preparação de uma Estratégia de Desenvolvimento Sustentável para Portugal (ENDS). Assim, na sequência de um processo que teve início em Abril de 2002, e do convite formulado em Janeiro deste ano por S. Exa. o Primeiro-Ministro a um conjunto de personalidades de reconhecido mérito nas áreas da Coesão Social, Desenvolvimento Económico e Protecção do Ambiente - Drª Isabel Mota, Professores Mário Pinto, Jorge Vasconcellos e Sá, e Viriato Soromenho Marques e Dr. Félix Ribeiro - para que preparassem a "visão estratégica" que iria enquadrar a ENDS e a sua implementação, foi hoje, 2 de Julho de 2004, entregue um documento que corresponde a essa solicitação.

A proposta de ENDS agora apresentada tomou em consideração a versão apresentada em 2002 (ENDS 2002), as recomendações que resultaram da discussão pública então realizada e os painéis sectoriais e mesas redondas que se lhe seguiram. Foi também desenvolvida com a colaboração dos Ministérios envolvidos e, na maior parte dos casos, com o envolvimento directo dos membros do Governo.

Este documento corresponde também aos objectivos de
- reformular e completar o documento anterior, reequilibrando as três dimensões do Desenvolvimento Sustentável - económico, social e ambiental;
- permitir cumprir os compromissos assumidos por Portugal em termos de Desenvolvimento Sustentável no âmbito das Nações Unidas e da União Europeia;
- servir de quadro de referência a futuros exercícios de planeamento, designadamente à negociação do futuro pacote financeiro de fundos estruturais;
- conferir coerência aos vários Planos e programas sectoriais, articulando os vários instrumentos já elaborados ou em fase de elaboração;
- e, sobretudo, transmitir uma visão para o País, para a próxima década, traçar um "fio condutor" e metas para o desenvolvimento sustentável de Portugal, e constituir, simultaneamente, um documento "aberto", adaptável a mudanças e conjunturas.

Esta Estratégia Nacional de Desenvolvimento Sustentável tem como Grande Desígnio "fazer de Portugal, no horizonte de 2015, um dos países mais competitivos da União Europeia, num quadro de qualidade ambiental e de responsabilidade social".

Para isso será necessário prosseguir um conjunto de seis grandes Objectivos:
1. Qualificação dos Portugueses em Direcção à Sociedade do Conhecimento
2. Economia Sustentável, Competitiva e Orientada para Actividades do Futuro
3. Gestão Eficiente e Preventiva do Ambiente e do Património Natural
4. Organização Equilibrada do Território que Valorize Portugal no Espaço Europeu e que Proporcione Qualidade de Vida
5. Dinâmica de Coesão social e de Responsabilidade Individual
6. Papel Activo de Portugal na Cooperação Global

Cada um destes Objectivos desdobra-se num grupo de Vectores Estratégicos e estes, por sua vez, em Linhas de Orientação, Indicadores e Metas que, no seu conjunto, são a base do Plano de Implementação da Estratégia (PIENDS) que, através de acções e medidas (Fichas Estratégicas), concretizará o grande desígnio aqui apresentado.
O documento apresentado inclui ainda um Diagnóstico para a Sustentabilidade em Portugal, uma análise do que poderá ser o futuro de Portugal e propostas para a Aplicação e Gestão da Estratégia, nomeadamente a criação de uma Unidade de Missão para o Desenvolvimento Sustentável, tutelada pelo Primeiro-Ministro.

O trabalho realizado e reunido em dois volumes "Estratégia Nacional de Desenvolvimento Sustentável" e "Plano de Implementação da Estratégia Nacional de Desenvolvimento Sustentável: Fichas Estratégicas" deverá agora ser apresentado ao Conselho de Ministros, dando lugar a uma nova fase de trabalho que corresponderá a completar algumas áreas ainda em falta, afinar conteúdos e harmonizar metas.

Tendo presente que a ENDS só terá possibilidades de ter êxito se for entendida como um desafio mobilizador da sociedade portuguesa, dos diferentes parceiros sociais e, individualmente, de cada cidadão em particular, disponibiliza-se desde já, no "Portal do Governo", o documento de "Estratégia", sem prejuízo de vir a ser promovida a sua divulgação através de "mesas redondas" ou "seminários" e de serem solicitados contributos a parceiros sociais e personalidades de mérito.

A responsável máxima é a Eng.ª Teresa Gamito, que é assessora do ( ex-) Primeiro-Ministro

Assessoria para Ambiente, Ordenamento e Transportes

Engª. Teresa Maria Gamito - Adjunta
Secretária (a mesma da Assessoria Económica)
Rua da Imprensa à Estrela, 4 - 1200-888 Lisboa
Telef.: (+351) 213 923 500
Correio electrónico: gpm@pm.gov.pt
Presença na Internet: Este Portal

Um leitor desabafou-me o seguinte :quase 2 anos após a Cimeira de Joanesburgo, nesta altura já devíamos estar a discutir não em que ponto está a ENDS mas sim qual o ponto da situação actual e para quando o 2º relatório nacional de desenvolvimento sustentável (baseado num conjunto alargado de indicadores).