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domingo, 26 de julho de 2026

Xénia - A regra de Zeus

Zeus Xenios-Philoxenon
A Odisseia de Christopher Nolan pode não ser totalmente fiel ao poema épico de Homero mas tem o dom de por toda a gente a falar desta obra fundamental que, com a Ilíada, fundou a chamada civilização ocidental. Interessa pouco a escolha dos intérpretes  de alguns personagens, pois no fundo todos eles são inadequados já que não há gregos entre o cast, o que até é bastante insultuoso para a Grécia. 

Adiante. O que mais importa na Odisseia é que se tornou numa obra universal e ainda hoje pode ser entendida por todos, desde japoneses a congoleses: é um épico de provação e superação das dificuldades que podia ocorrer em qualquer civilização. E está tão bem relatado, que se torna no primeiro livro de aventuras digno desse nome. E a regra de Zeus (xénia), da hospitalidade obrigatória aos que chegam, de dar comida, bebida e abrigo sem perguntar nada e a gratidão intrínseca que os migrantes devem ter aos seus hospitaleiros ainda hoje tem eco nos migrantes actuais. 

Essa regra foi quebrada por Ulisses e também por alguns dos hospitaleiros, como Polifemo, e isso levou às desgraças que cada um teve de sofrer. E esta regra de Zeus não podia ser mais actual, pois ainda hoje a quebramos constantemente com os emigrantes, sejam os desgraçados africanos que atravessam o Mediterrâneo, sejam os hindus que povoam Lisboa que são rejeitados pela extrema-direita, sejam os latinos expulsos pelo ICE nos EUA. 

Daí o termo xenófobo, que é o contrário de bem-receber e à regra de Zeus, que podia ser de Deus, o tal que unificou o Olimpo num só omnipotente ser divino, que com todos os seus poderes não consegue aplacar as atrocidades que se cometem todos os dias contra emigrantes e não só.

Ler mais:
Deconstruction in a nutshell : a conversation with Jacques Derrida

terça-feira, 2 de junho de 2026

Ouçam o discurso de Noah Eckstein: O fim da escuta - porque já não sabemos debater? Um manifesto anti-polarização


Noah Eckstein inicia o seu discurso de forma descontraída, recorrendo à estrutura de uma piada tradicional: um cristão, um muçulmano e um judeu entram num bar. Contudo, contextualiza que, na sua própria família, essa união resultou no casamento dos seus avós e, gerações mais tarde, no seu próprio nascimento como um judeu orgulhoso que também celebra as heranças cristã e muçulmana da sua família.

O ponto central da mensagem de Eckstein baseia-se na lição que aprendeu com os seus avós (um muçulmano paquistanês que cresceu durante a guerra de 1947 e um refugiado judeu do Holocausto): o oposto da divisão não é o acordo, mas sim a compreensão. Ele destaca que o mundo atual nos empurra constantemente para binários e visões polarizadas (esquerda vs. direita, progressista vs. conservador, nós vs. eles), exigindo sempre que escolhamos um lado.

Os seus avós discordavam em inúmeros temas morais e ideológicos, mas mantinham o hábito de se sentar à mesa a debater e a demonstrar preocupação mútua. Eckstein lamenta que a sociedade atual tenha perdido essa capacidade; os debates tornaram-se mais barulhentos, as pessoas discutem apenas para vencer ou humilhar o adversário, e o indivíduo do outro lado deixou de ser visto como uma pessoa para passar a ser visto como um obstáculo.

O orador salienta que tentar compreender quem pensa de forma diferente não significa desculpar atos monstruosos ou abdicar dos próprios ideais. Pelo contrário, compreender o percurso e as motivações do outro é uma ferramenta crucial, aplicável tanto aos grandes conflitos geopolíticos como às pequenas interações do dia a dia — seja com um familiar no jantar de Ação de Graças ou com um colega de turma na faculdade.

Ao concluir, Eckstein deixa um desafio aos recém-graduados de Harvard: quando encontrarem alguém com quem discordam, devem defender as suas convicções, mas também devem colocar-se no lugar do outro e escutar como se pudessem estar errados. Lembra que os seus avós morreram fiéis às suas próprias crenças e tradições, sem nunca cederem nos seus ideais, mas mantiveram sempre o respeito mútuo. Num mundo profundamente fraturado, a verdadeira mudança e a cura das divisões só serão possíveis através de um esforço genuíno para compreender a humanidade do próximo.

Uma pequena bio aqui

Fez-me relembrar uma citação famosa "O oposto da guerra não é a paz... É a criação!" que consta numa obra de teatro musical, "Rent" (1996) composta por Jonathan Larson.

Em 2005 estreou a adaptação para o cinema de Rent, sob a direção de Chris Columbus.

quinta-feira, 14 de maio de 2026

A nova Era dos Bárbaros - o crepúsculo dos gigantes de vidro


"O problema da humanidade é que temos emoções do paleolítico, instituições medievais e tecnologia divina." — E.O. Wilson

Retomando as recentes reflexões de Helena Freitas, depois de ler este livro e começando com a citação supra, cumpre-me fazer uma reflexão sobre esta era. Aqui vai.

O Crepúsculo dos Gigantes de Vidro
Se olharmos para o espelho da História, a nossa era assemelha-se a uma estranha forma de barbárie sofisticada. Não somos bárbaros no sentido clássico — aqueles que derrubavam portões de ferro —, mas sim bárbaros de luva branca e ecrã tátil, capazes de uma violência sistémica que a tecnologia apenas torna mais eficiente. Esta nova barbárie manifesta-se, acima de tudo, no desprezo pelo mundo vivo e na morte da empatia. Tratamos o planeta como um armazém de recursos infinitos e as pessoas como perfis a abater. Em Portugal, a ascensão de forças como o Chega, com canal televiso próprio no Youtube e o esgoto de propaganda de páginas como o "Sentinela Lusa", ou plataformas de maior alcance como o "Direita TV", perfis da rede X e influencers, assim como diversos grupos de inspiração eugenista e ultranacionalista no Telegram, são o sintoma local de um mal maior: a falência da comunicação. Nestes feudos digitais, a xenofobia e a segregação são vendidas como soluções para um "novo Portugal", enquanto, na verdade, apenas nos devolvem ao tribalismo mais obscuro e especulativo.

Esta rejeição da linguagem comum de proteção à vida ganha contornos de barbárie institucional quando observamos o abandono formal de tratados internacionais. Não se trata apenas de burocracia, mas de um desinvestimento na sobrevivência da espécie. O caso do Acordo de Paris é o mais emblemático deste recuo, com os Estados Unidos a formalizarem a sua retirada em 2026, colocando a maior economia do mundo fora do esforço global para limitar o aquecimento a 1,5°C, enquanto a Arábia Saudita, embora formalmente presente, é acusada de obstruir metas que impliquem o abandono dos combustíveis fósseis. Este padrão de excecionalismo é antigo e profundo: os EUA nunca ratificaram o Protocolo de Quioto nem a Convenção da Basileia sobre Resíduos Perigosos - continuando a ser um dos maiores exportadores de lixo plástico sem controlo estrito -, e permanecem como o único país do mundo que não ratificou a Convenção sobre a Diversidade Biológica.

Vemos, assim, o colapso de uma ordem que se pretendia racional. Quando potências com o maior poder biotecnológico e militar do planeta se recusam a vincular-se a regras de proteção de ecossistemas ou do Mar Alto, abrem caminho para um cenário de eugenia e exploração desenfreada. Quando a ciência é perseguida por conveniência política e os cidadãos são sacrificados a sangue-frio em nome de nacionalismos, o "Gigante de Vidro" da civilização começa a estilhaçar-se. Somos a primeira civilização com ferramentas de deuses e impulsos de paleolítico, onde o belicismo recorrente substitui a diplomacia. No final, esta barbárie não se faz pelo desconhecimento, mas pelo desprezo deliberado pela vida e pela palavra, deixando-nos isolados enquanto observamos a nossa própria humanidade estilhaçar-se através de um retângulo de vidro.

Referências Bibliográficas
1. ADORNO, Theodor; HORKHEIMER, Max. (1944). Dialética do Esclarecimento.
Foco: A análise da "barbárie sofisticada" e como a racionalidade técnica pode levar ao retrocesso civilizacional.

2. ECO, Umberto. (2018). Contra o Fascismo.
Foco: A identificação do "Ur-Fascismo" e as raízes do nacionalismo e da intolerância que alimentam os "feudos digitais".

3. FREITAS, Helena. (2020). A Vida na Terra: Ecologia e Conservação.
Foco: A urgência da proteção da biodiversidade e a crítica ao desinvestimento institucional na sobrevivência da espécie.

4. HAN, Byung-Chul. (2022). Infocracia: Digitalização e a Crise da Democracia.
Foco: O impacto do "retângulo de vidro" na destruição da empatia e na fragmentação da comunicação pública.

5. HARARI, Yuval Noah. (2018). 21 Lições para o Século XXI.
Foco: O colapso das narrativas globais e os perigos da fusão entre biotecnologia e algoritmos (eugenia e controlo).

6. LATOUR, Bruno. (2017). Onde Aterrar? Como se orientar politicamente no Antropoceno.
Foco: O abandono dos tratados climáticos pelas elites e a negação da realidade física do planeta.

7. MALM, Andreas. (2016). Fossil Capital: The Rise of Steam Power and the Roots of Global Warming.
Foco: A resistência de potências como a Arábia Saudita em abandonar os combustíveis fósseis por interesses económicos sistémicos.

8. SNYDER, Timothy. (2017). Sobre a Tirania: Vinte lições do século XX para o presente.
Foco: O aviso sobre a fragilidade das instituições modernas perante o avanço do autoritarismo e da propaganda.

8. WILSON, Edward O. (2012). A Conquista Social da Terra.
Foco: A origem do conflito entre os nossos impulsos paleolíticos (tribalismo) e a necessidade de cooperação global.

sábado, 25 de abril de 2026

De James Monroe a Donald Trump


Entre a escravatura silenciada e a “regeneração nacional” trumpista, o que une as mensagens presidenciais não é a grandeza imperial, mas a tentativa de conter, em cada época, as fissuras abertas pelos de baixo.

Mais ou menos eficazes, os discursos governamentais estão carregados de ideologias e as suas análises requerem, entre outros procedimentos, o exame das estruturas e práticas sociais no interior das quais foram produzidos. Isto pode evitar a disseminação de abordagens unilineares e teleológicas que considerem os processos históricos como resultantes, fundamentalmente, da inquestionável vontade dos dominantes. Esta temporalidade de uma nota só bloqueia a perceção de contradições complexas e facilita a perceção da história como um processo imune a múltiplas formas de resistência e mesmo a revoluções advindas, em grande parte, da iniciativa dos dominados e dominadas.

A 2 de dezembro de 1823, o presidente dos EUA, James Monroe, apresentou uma mensagem ao Legislativo dos EUA acerca da política do conjunto da sua gestão governamental. Um dos eixos do discurso era o complexo processo de territorialização do jovem país. Oito décadas mais tarde, em dezembro de 1904, Theodore Roosevelt explicitou que, em relação ao novo contexto internacional, a mensagem que enviava ao Congresso atualizava as formulações de James Monroe.

Em novembro de 2025, Donald Trump, agora em cumprimento da Lei Goldwater-Nichols, enviou uma mensagem às duas Câmaras legislativas, na qual também afirmou que, no que toca à política internacional, especialmente com vista ao Hemisfério Ocidental, produziu o que ele próprio intitulou Corolário Trump.

A América para os americanos
Mesmo ausente do texto escrito, a famosa frase expressa, em termos muito gerais, a mensagem de 1823. Mas, de James Monroe ao MAGA, fica o problema: qual América?

Já no início, James Monroe justificou a sua mensagem com a referência à soberania do povo, pilar de um “sistema político” (expressão do próprio) que, fruto de “nossa revolução” (a independência dos EUA), é condição para que os seus cidadãos sejam os mais prósperos e felizes do mundo. Neste sentido, o presidente afirmou que a escolha de tal sistema pelos movimentos de independência fazia com que qualquer interferência das metrópoles fosse considerada uma agressão aos próprios EUA.

Em todo o texto, James Monroe (de onde veio o nome Monróvia, da atual Libéria) não se referiu aos escravos, cuja exploração era a base da economia do sul, inclusive da Virgínia, onde nasceram ele e mais três dos quatro primeiros presidentes dos EUA. Nem à Lei dos Três Quintos, que contabilizava 60% dos escravos em cada estado para fins de aumento da bancada dos sulistas na Câmara dos Representantes. Na única menção aos indígenas, James Monroe elogiou a repressão aos Arikaees, devidamente punidos pelo ataque para que o “espírito hostil” não se estendesse a outras tribos. Medidas “para conter o mal”, sentenciou (p. 6).

Nos idos de 1823, os EUA eram uma formação social com a forte presença de relações pré-capitalistas, uma classe dominante nacionalista, inclusive a fração esclavagista, sequiosa por ampliar a fronteira agrícola; um expansionismo que era conduzido em sentido mais estratégico pelos dirigentes da política estatal. A produção e exportação algodoeira para a indústria inglesa acelerava-se, mas com tecnologia ainda anterior à explosão dos anos 1830. Várias condições favoreciam uma agressiva política estatal de produção de uma territorialidade que articulasse a escravatura, no sul, e a dominação burguesa, a norte.

Esta relação de unidade e contradição entre o escravagismo e o capitalismo embrionário manifestava-se, inclusive, nas complexas negociações em torno dos impactos da incorporação de cada novo território, pois, ao implicar o acolhimento ou a rejeição do escravagismo, gerava efeitos sobre a correlação política interna do país. A questão da territorialidade também produzia tensões relativas às Caraíbas como rota comercial e/ou em termos militares.

A cada um, a sua revolução
James Monroe também silenciou sobre a única revolução de escravos vitoriosa da história, ocorrida no que é, desde então, o Haiti, com enorme repercussão nas três Américas e na Europa. A mensagem operou um corte entre relações de produção e sistema político, o que lhe permitiu legitimar, no plano discursivo, uma ordem escravagista. Não constituídos estruturalmente como sujeitos, os escravos não podem (?) fazer uma revolução.

Apropriações sociais de leitura: desde crianças, “sabemos” que James Monroe, uma espécie de Pai Natal, foi o primeiro governante a reconhecer a independência do Brasil, este país imperial escravagista. Pouco se ensina que, tal como os seus antecessores Jefferson e James Madison e todos os que o sucederam até à Guerra de Secessão, Monroe não reconheceu a independência do Haiti. Até propositadamente, a sua mensagem teve pequena repercussão imediata e só recebeu o nome de doutrina quando, cerca de duas décadas mais tarde, foi apropriada por patriotas preocupados em salvar a “América”, vista como nação branca ilhada pela decadência do escravagismo na Europa, em países independentes da América e mesmo em colónias francesas e britânicas.
Outras apropriações sociais vieram.

O populismo antissistema de Andrew Jackson
A ligação de Donald Trump a Andrew Jackson não é apenas uma preferência histórica passageira, mas sim uma escolha estratégica e pessoal que molda profundamente a sua identidade política. Para compreender esta admiração, é necessário olhar para Jackson como o grande divisor de águas da democracia americana no século XIX, uma vez que ele foi o primeiro presidente a não pertencer à elite aristocrática da Virgínia ou de Massachusetts. Sendo um militar de origem humilde, conhecido pelo seu temperamento explosivo e por uma lealdade feroz aos seus seguidores, Andrew Jackson serve de espelho para Trump, que se apresenta como uma figura externa ao sistema que chegou ao poder com a missão de o limpar e de devolver o governo aos cidadãos comuns.

O ponto central desta identificação reside no populismo antissistema, pois tal como Trump critica frequentemente a burocracia de Washington, também Jackson travou uma guerra aberta contra o Segundo Banco dos Estados Unidos, por o considerar uma ferramenta de corrupção das elites financeiras contra o trabalhador comum. Trump vê nesta postura de combatente o arquétipo do líder forte que não se verga às normas da etiqueta política sempre que estas interferem na sua agenda. Este simbolismo tornou-se evidente logo na tomada de posse de 2017, quando Trump escolheu o retrato de Jackson para decorar a parede da Sala Oval, enviando a mensagem clara de que não governaria como um republicano tradicional, mas como um herdeiro do Jacksonianismo, focado no nacionalismo económico e numa relação direta com a sua base eleitoral.

Além disso, Trump admira a resiliência física e política de Andrew Jackson, um homem que sobreviveu a duelos e enfrentou processos no Congresso sem nunca recuar. Para Trump, a política é vista como uma arena de força onde a vontade do povo, representada pelo líder, deve prevalecer sobre as instituições que tentam contê-la. Em suma, Jackson é o modelo ideal para Trump porque forneceu um precedente histórico para o seu estilo de liderança, sendo simultaneamente um herói para os seus apoiantes e uma figura profundamente disruptiva para os seus opositores.

Theodore Roosevelt e a aurora do imperialismo estado-unidense
Trinta anos após a Guerra de Secessão, os EUA não só se tornaram a primeira economia mundial como ingressaram no estágio imperialista do capitalismo. Ao lado de um extraordinário processo de acumulação e centralização de capital, deu-se uma intensa imigração – e, com ela, mais racismo – e o colonialismo de novo tipo. Houve um empobrecimento do campesinato e ampliação do número de trabalhadores urbanos, grande parte em situação de miséria nas grandes cidades industriais. Cresceram as mobilizações de massas e politizaram-se lutas, inclusive processos eleitorais.

Por intermédio da guerra com a Espanha, iniciou-se uma grande ofensiva sobre as Caraíbas, com o domínio de Cuba e Porto Rico, e, na bacia do Pacífico, a conquista do Havai, Ilhas de Guam e das Filipinas, onde haveria forte e heróica resistência popular. Enfim, a grande América em expansão marítima.

Tal como a mensagem de James Monroe, a de Th. Roosevelt era otimista. Ele afirmou que, numa sequência de bons governos, a prosperidade era notável e havia aprovação popular. Tudo isto dinamizado pelo industrialismo, a “nota dominante da sociedade moderna” e, com isso, a importância das relações capital-trabalho, “especialmente capital organizado e trabalho organizado” (p. 1). Ao contrário do silêncio de Monroe sobre os produtores diretos, Th. Roosevelt dedicou cerca de 11 das 33 páginas da sua mensagem a esta relação, referindo-se a políticas intervencionistas em múltiplas esferas da vida social: do direito dos trabalhadores se organizarem para se defenderem contra “abusos das grandes corporações” ao trabalho infantil e da mulher grávida, acrescentando que o maior dever da mulher é “ser mãe, dona de casa” (p. 10).

Mas, acima de tudo, defendia a responsabilidade e a tolerância entre capitalistas e assalariados. Ele próprio racista, declarou-se contra o preconceito em relação a migrantes e negou que houvesse riscos de chegarem em excesso, desde que fossem “do tipo certo”. No plano externo, expandiu a área de influência nas Caraíbas e na Bacia do Pacífico, onde forçou a política de portas abertas na China e arbitrou o conflito entre os impérios Japonês e Russo, o que lhe assegurou, em 1906, o Nobel da Paz.

James Monroe declarou opor-se à intervenção de potências europeias nos processos em curso pela independência na América porque estes adotavam um “sistema político” semelhante ao dos EUA e, portanto, superior ao delas. E, ao dirigir-se a elas, a sua posição era altiva, mas defensiva.

Já a mensagem de Th. Roosevelt era explicitamente agressiva. Alertava para os males que ocorreriam se, na ausência de “algum grau de controlo internacional sobre as nações infratoras”, as “potências mais civilizadas… de maior senso de obrigação internacional e com a mais aguda e generosa apreciação do certo e do errado, se desarmassem” (p. 29). Daí a importância de, sempre que necessário, elas, armadas, exercerem um poder de polícia internacional (id.).

A aparente mitigação do hobbesianismo primário ficava por conta da comunhão de interesses entre atacante e atacado. “Os nossos interesses e os dos nossos vizinhos do sul são… idênticos” (p. 30); ou as Filipinas não precisavam de “independência alguma…” (p. 36). E, num esforço de síntese transoceânica, afirmou que, “em relação a Cuba, Venezuela e Panamá, ao esforçarmo-nos para circunscrever o teatro de guerra no Extremo Oriente e para assegurar a abertura das portas na China, agimos no nosso próprio interesse, bem como no interesse da humanidade em geral” (p. 31).

terça-feira, 17 de março de 2026

Mohommad Paktyawal, cidadão norte-americano, serviu o País durante a guerra do Afeganistão, morreu 24 horas depois, nas mãos do ICE

Agentes do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE), em veículos não identificados, cercaram Mohommad Nazeer Paktyawal em frente à sua casa, no Texas, quando ele se preparava para levar os filhos à escola. O homem de 41 anos, pai de seis filhos, que tinha servido ao lado do 3.º Batalhão das Forças Especiais do Exército dos EUA no Afeganistão, morreu sob custódia do ICE no dia seguinte.

After working with the U.S. military in Afghanistan, Mohommad Nazeer Paktyawal died in the country he spent years of his life helping.
The cruelty is endless.

Toda a história aqui e aqui
História detalhada aqui



quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

Memórias de um futuro possível

É difícil, para não dizer impossível, sermos otimistas nos tempos que vivemos. As bombas caem em tantas partes que não se pode ter qualquer certeza relativamente à segurança do nosso teto. E acima de tudo, a gratuitidade e a facilidade com que se mobilizam recursos para romper o acordo tácito de muitas décadas relativamente ao imperativo de se manter a paz e respeitar os direitos humanos é inquietante. Esta situação está em óbvia contradição com a estabilidade necessária para respondermos aos verdadeiros desafios do nosso tempo: o combate às causas e a mitigação e adaptação às consequências das alterações climáticas, que já assolam milhões de seres humanos e tem causado um extinção em massa de espécies; a necessidade de desencadear medidas para aplainar as desigualdades sociais de modo a estabelecer um espírito coletivo de justiça e solidariedade; o imperativo ético estender os benefícios do conhecimento científico para melhorar a vida e a saúde de todos os povos e garantir um desenvolvimento socioeconómico justo e harmonioso a nível internacional.
Continuar a ler no Público

domingo, 1 de fevereiro de 2026

Adeus Spotify


Por Luís Sobral
O Spotify é a plataforma de streaming que menos paga aos artistas, com pagamentos que não excedem 0,003 cêntimos por reprodução . Além disso, como consequência da sua nova política, só remunera os artistas com pelo menos 1000 streams por faixa.
 Em 2005, 88% da música do Spotify ficou sem monetização. O Spotify também investe e colabora com grandes editoras discográficas para criar música feita com inteligência artificial, que há muito tempo inunda de forma oculta as playlists de descoberta semanal e acumula milhões de streams. Reproduções que geram lucros enormes para a empresa, que não beneficiam os artistas e que desumanizam e banalizam a música de uma forma inaceitável.
Além disso, nos Estados Unidos o Spotify  emitiu , ao longo do outono de 2025 , anúncios para uma campanha de recrutamento da ICE ( agência de controlo de imigração ) que nos últimos meses, agindo sob ordens da administração Trump, tem realizado sequestros, deportações em massa de imigrantes e violência contínua contra a população dos EUA.
Daniel Ek , fundador , ex CEO e actual chairman do Spotify investiu aproximadamente 700 milhões de euros na Helsing, uma startup armamentista alemã que fabrica tecnologia militar com inteligência artificial . Esta empresa colabora com agentes relacionados com o genocídio na Palestina : desde que o fundador do Spotify  começou a investir nesta empresa e se juntou ao seu conselho de administração, a Helsing assinou contratos de cooperação tecnológica com a Airbus e a Rheinmetall, empresas que fabricam armas directamente utilizadas pelas forças de ocupação de Israel.
Que mais é preciso acontecer para abandonarmos esta plataforma ???
Dito isto e para acabar com uma nota de esperança e otimismo , deixo-vos a minha recomendação de uma plataforma de música que é justa e ética - Qobuz. É a que eu uso e estou muito satisfeito!

Actualização:

sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

O problema com Stephen Miller é que ele não sente vergonha. O arquiteto da política de imigração de Trump cometeu um erro em Minneapolis



Depois da morte do enfermeiro norte-americano Alex Pretti às mãos do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) dos EUA, as atenções começam a virar-se para Stephen Miller, o principal conselheiro de Donald Trump, responsável por redesenhar a política de imigração do país.

Nas redes sociais, Miller não demorou a classificar a vítima como um “aspirante a assassino”, que tentou matar agentes federais”, apenas algumas horas depois do confronto fatal entre as forças do ICE e o homem de 37 anos. Mas nem Donald Trump parece concordar com a afirmação, tendo assegurado esta terça-feira que “não” acredita que Pretti fosse um assassino.

No mesmo dia, em declarações à CNN, Stephen Miller admitiu que os agentes “podem não ter seguido” o protocolo adequado antes do tiroteio que tirou a vida a Pretti - uma posição insólita vinda de alguém conhecido por reforçar as suas convicções, de acordo com o The Guardian.

Antes de ser contrariado pelo próprio presidente, já se levantavam dúvidas sobre a ausência do conselheiro na reunião de duas horas que Donald Trump realizou com a secretária da Segurança Interna, Kristi Noem, esta segunda-feira, de onde saiu um novo anúncio: foi destacado para Minneapolis o “czar da fronteira” da Casa Branca, Tom Homan, para “recalibrar as táticas” e melhorar a cooperação com as autoridades estatais e locais.

Além de Homan ser conhecido por criticar a abordagem de Stephen Miller, Donald Trump manteve ainda telefonemas cordiais com o governador do Minnesota, Tim Walz, e com o presidente da Câmara de Minneapolis, Jacob Frey.

“O problema com Stephen Miller é que o mal é resiliente. Ele não sente vergonha, não acha que isto seja algo mau. Está convencido de que outras pessoas o envergonharam, mas não acredita que ele esteja a conduzir um ataque às liberdades constitucionais dos americanos”, afirmou Rick Wilson, co-fundador do Lincoln Project (um grupo anti-Trump), citado pelo mesmo jornal.

Em maio do ano passado, o conselheiro de Trump encomendou ao serviço de imigração três mil detenções diárias, um aumento de quase dez vezes relativamente ao ano anterior. Segundo, Larry Jacobs, diretor do Centro para o Estudo da Política e Governação da Universidade do Minnesota, o abuso de poder de Miller foi um dos principais fatores a desacreditar a política de deportação de Donald Trump.

“O facto de ele ter sido afastado da reunião na Casa Branca é uma mensagem forte para Washington de que o presidente não aprova este processo e de que tem de haver uma mudança”, reforça o responsável, afastando, ainda assim, a possibilidade de Miller vir a ser despedido. “Não espero que Stephen Miller seja despedido, porque Donald Trump apoia a política, só não apoia a forma como foi executada”, sublinhou Larry Jacobs.

Apesar de os democratas terem avançado com uma iniciativa para destituir Kristi Noem, os especialistas não têm dúvidas de que o verdadeiro culpado da tragédia de Minneapolis é Miller, que ocupa ainda o cargo de vice-chefe de gabinete da Casa Branca.

Larry Jacobs destaca Stephen Miller como o verdadeiro “arquiteto” que “tem pressionado o ICE para endurecer e apresentar mais números, trazer pessoas e só depois ver se são as pessoas certas”.

“A imprudência, a brutalidade, a falta de processo legal. Tudo isso tem raízes em Stephen Miller”, frisou o especialista.

Depois do erro de Minneapolis, o principal conselheiro de Donald Trump “terá um papel público muito menor no futuro previsível”, afirmou Henry Olsen, investigador no Ethics and Public Policy Center, em Washington.

“É claro que Trump pessoalmente não gosta, do ponto de vista das relações-públicas, do que tem estado a acontecer, e é sensível a isso, sempre foi. Ele sabe, tanto pelo seu instinto como pelo que os dados lhe dizem, que Miller e Noem não se favoreceram com a forma como abordaram imediatamente a morte” de Pretti.

Mesmo assim, corrobora a opinião dos investigadores que não acreditam numa demissão de Miller: “Ele está com Trump há bastante tempo e o presidente não tem problemas em livrar-se de subordinados que não rendem, mas suspeita-se que Miller, em muitos aspetos, está a render e, por isso, Trump não o vai atirar borda fora precipitadamente.”

“Stephen Miller é demasiado dominante no esquema mental de Trump sobre o que a base MAGA quer, para ser verdadeiramente afastado do seu círculo. Não acho que exista um mundo em que Miller não mantenha a sua autoridade e o seu poder junto de Trump”, corrobora Rick Wilson.

Henry Olsen sublinha que é do interesse de Donald Trump manter Miller por perto, já que o vice-chefe de gabinete da Casa Branca, rende onde interessa ao presidente: na televisão. É um defensor combativo de Trump, que caracteriza os democratas como uma “organização extremista doméstica” e a América como líder de um mundo “governado pela força, governado pela violência, governado pelo poder”.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

Robert Reich - Trump cumpriu as suas promessas?


A administração Trump começou a semana a contar mentiras sobre o assassinato de Alex Pretti. Agora, Trump voltou a mentir sobre a economia para mudar de assunto. Trump mente como qualquer outro ser humano respira.

O primeiro ano de Trump no cargo tem sido repleto de mentiras e promessas quebradas. Estamos no auge das eleições intercalares, pelo que não é demasiado cedo para examinar o que prometeu e como cumpriu as suas promessas.

No vídeo desta semana, analiso as 10 maiores promessas de campanha de Trump e o que aconteceu desde que assumiu o cargo.

Duvido que precise de ser convencido, mas talvez queira partilhar o vídeo com o seu "Tio Bob" trumpista ou com qualquer outra pessoa que ainda acredite que ele está a fazer o que prometeu.

Está a sentir a "Nova Era de Ouro"? Está a gostar dos preços dos imóveis e da energia "reduzidos para metade"? E a satisfação de ter paz em todo o mundo? E quanto à promessa de divulgar TODOS os arquivos de Epstein?

São tantas as promessas para referir que nunca adivinharia qual é que ele de facto cumpriu.

sábado, 17 de janeiro de 2026

Governo dos EUA faz ameaça anti-imigração em português



“Se você vier aos Estados Unidos para roubar os americanos, o presidente Trump vai te jogar na cadeia e te mandar de volta para o lugar de onde você veio.” A mensagem, escrita em português do Brasil, foi colocada esta semana na conta oficial do Departamento de Estado dos EUA no X (antigo Twitter).

A acompanhar a publicação, uma fotografia de Donald Trump a preto e branco com uma legenda em letras garrafais: “Envia-os de volta.”

O Departamento de Estado dos EUA, equivalente ao Ministério dos Negócios Estrangeiros em Portugal, tem contas nas redes sociais em várias línguas - e aproveitou-as para passar, também na língua portuguesa, a mensagem anti-imigração de Donald Trump.

Ao longo do último ano, o Presidente dos EUA, Donald Trump, intensificou a ação contra a imigração ilegal nos Estados Unidos, promovendo rusgas em massa por todo o país para capturar imigrantes ilegais, deportações e perseguições judiciais — e mergulhando no medo várias comunidades imigrantes, incluindo a comunidade portuguesa de Nova Jérsia.

Na quarta-feira (14), o canal de televisão Fox News Digital comunicou que seria congelada a emissão de autorização para permanência nos Estados Unidos. Pouco depois, por meio de publicação em seu perfil no X, a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, confirmou a informação. O Departamento de Estado justificou a medida por meio de postagem na mesma rede social.

“O Departamento de Estado suspenderá o processamento de vistos de imigrantes de 75 países cujos imigrantes recebem benefícios sociais do povo norte-americano em taxas inaceitáveis, o congelamento permanecerá em vigor até que os EUA possam garantir que os novos imigrantes não irão extrair riqueza dos [cidadãos] norte-americanos”, disse o órgão.

O departamento também afirmou que a interrupção do serviço afetava países “cujos imigrantes frequentemente se tornam um encargo público” para o país. “Estamos trabalhando para garantir que a generosidade do povo norte-americano não seja mais explorada”, escreveu. O órgão finalizou a publicação dizendo que “o governo Trump sempre colocará os Estados Unidos em primeiro lugar”.

Trump imigrante, mãe de Trump imigrante, mulher de Trump imigrante. Trump pedófilo. Aliado e alimentando com biliões de dólares ditadores de extrema-direita na América Latina  [aqui]  . Roubou e invadiu Venezuela e ameaça o mesmo noutros Países do Norte Gobal.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

Seriously, what is a human being?


Friends,
It seems appropriate right now to try to clarify one of the most basic questions America is (or should be) struggling with: What does it mean to be a human being?
The confusion is mounting.

Three illustrations:

1. Corporations
Corporations are not human beings. That should be self-evident.

But in 2010, the Supreme Court ruled (in its Citizens United case) that corporations are the equivalent of “people” under the First Amendment to the Constitution, with rights to free speech.

This ruling has made it nearly impossible for the government to restrict the flow of money from giant corporations into politics. As a result, the political voices — and First Amendment rights — of most real human beings in America are being effectively drowned out.

But in coming years, states will have an opportunity to circumvent Citizens United by redefining what a “corporation” is in the first place. Absent state charters that empower them to become “corporations,” business organizations are nothing more than collections of contracts — between investors and managers, managers and employees, and consumers and sellers.

In the 1819 Supreme Court case Trustees of Dartmouth College v. Woodward, Chief Justice John Marshall established that:
“A corporation is an artificial being, invisible, intangible [that] possesses only those properties which the charter of its creation confers upon it …. The objects for which a corporation is created are universally such as the government wishes to promote.”

Montana is now readying a proposition for its 2026 ballot that would empower organizations that sought to be corporations there to do many things — except to fund elections. (I’ve written more on this, here.)

2. Artificial Intelligence
AI is not human, although it’s becoming increasingly difficult for many real people to tell the difference between “artificial general intelligence” and a real person.

As a result, some real people have lost touch with reality — becoming emotionally attached to AI chat boxes, or fooled into believing that AI “deepfake” videos are real, or attributing higher credibility to AI than is justified — sometimes with tragic results.

In his typically ass-backward pro-billionaire way, Trump has issued an executive order aimed at stopping states from regulating AI. But some governors — most interestingly, Florida’s Ron DeSantis — have decided to establish guardrails nonetheless.

DeSantis is calling on Florida’s lawmakers to require tech companies to notify consumers when they are interacting with AI, not to use AI for therapy or mental health counseling, and to give parents more controls over how their children use AI. DeSantis also wants to restrict the growth of AI data centers by eliminating state subsidies to tech companies for such centers and preventing such facilities from drying up local water resources.

In a recent speech, DeSantis said:
“We as individual human beings are the ones that were endowed by God with certain inalienable rights. That’s what our country was founded upon — they did not endow machines or these computers for this.”

I never thought I’d be agreeing with Ron DeSantis, but on this one he’s right.

Corporations are legal fictions. Human AI is a technological fiction. Neither has human rights. Both should be regulated for the benefit of human beings.

3. Non-Americans and suspected enemies
The third illustration of our current confusion over what is a human being is endemic in Trump’s policies toward immigrants and many inhabitants of other nations, now especially in and around Venezuela.

Yesterday, a federal agent shot and killed a 37-year-old woman during an immigration raid in Minneapolis. Despite what Trump and Kristi Noem say, a video at the scene makes clear that the shooting was not in self-defense. Minnesota Gov. Tim Walz said: “We have been warning for weeks that the Trump administration’s dangerous, sensationalized operations are a threat to our public safety,” adding that it cost a person her life.

ICE agents are arresting and detaining people on mere suspicion that they are not in the United States legally — sometimes deporting them to foreign nations where they’re brutalized — without any independent findings of fact (a minimum of “due process”).

Meanwhile, Trump and Stephen Miller, his assistant for bigotry and nativism, are busy dehumanizing immigrants. For example, Trump describes Somalian-Americans as “garbage.”

Last weekend, the U.S. killed an estimated 75 people in its attack on Venezuela, as it abducted Venezuelan president Nicolás Maduro and his wife. The U.S. has been bombing and killing sailors on small vessels in the Caribbean and off the coast of Venezuela on the suspicion they’re smuggling drugs into the United States — on the vague pretext that they’re “enemy combatants,” although Congress has not declared war.

Trump’s justification for all such killings has shifted from preventing drug smuggling to “regaining control” over oil reserves that Venezuela nationalized 50 years ago.

In all these cases, the Trump regime is violating fundamental universal human rights considered essential to human dignity.

Corporations and AI are not human beings, but people who come to the United States seeking asylum indubitably are human. So too are undocumented people who arrived in the United States when they were small children and have been here ever since. As are our neighbors and friends who, although undocumented, are valued members of our communities.

As are the Venezuelans who have been murdered by the Trump regime. So, what does it mean to be a human being?

It means the right to be protected from the big-money depredations of giant corporations, and from the emotional lure of AI disguised as a human.

And it means to be treated respectfully — as a member of the human race possessing inherent, inalienable rights.

These are moral imperatives. But America is doing exactly the reverse.

quarta-feira, 8 de outubro de 2025

USA - Land of the free?

The New Colossus
By Emma Lazarus
November 2, 1883

"Not like the brazen giant of Greek fame,
With conquering limbs astride from land to land;
Here at our sea-washed, sunset gates shall stand
A mighty woman with a torch, whose flame
Is the imprisoned lightning, and her name
Mother of Exiles. From her beacon-hand
Glows world-wide welcome; her mild eyes command
The air-bridged harbor that twin cities frame.
"Keep, ancient lands, your storied pomp!" cries she
With silent lips. "Give me your tired, your poor,
Your huddled masses yearning to breathe free,
The wretched refuse of your teeming shore.
Send these, the homeless, tempest-tost to me,
I lift my lamp beside the golden door!"

Cartoon por Mike Luckovich

Nota: The New Colossus é um soneto escrito pela poetisa norte-americana Emma Lazarus. Ele foi escrito em 1883 com o propósito de angariar fundos para o pedestal da Estátua da Liberdade. O soneto está embutido numa placa de bronze dentro da estátua.