sexta-feira, 30 de abril de 2004

O Analfabeto Político

Olimpio Araujo Jr. 


“O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas. O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia política. Mal sabe ele que da sua ignorância política nasce a prostituta, o menor abandonado, o assaltante e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, o corrupto, o lacaio das empresas nacionais e multinacionais”. Faço minhas essas sábias palavras do imortal Bertold Brecht, palavras que são verdadeiras em qualquer país, em qualquer época. 
Os analfabetos políticos, induzidos a acreditar que nada na política é integro e que a mesma resume-se a partidos e candidatos disputando importantes cargos públicos as custas de promessas que nunca são cumpridas, evitam tomar conhecimento dos fatos cotidianos de seu município, estado ou país, não participando também das decisões de seu bairro ou de sua cidade. 
A política faz parte da vida de todo cidadão e influi diretamente no cotidiano de todos sejam crianças ou adultos. A política está presente nos sermões do padre ou do pastor e na condição social de cada um. Um voto bem analisado pode ser a diferença entre ter o que comer ou não no dia de amanhã. 
Atualmente a base da maior parte dos discursos político-partidários esta na promessa de assistencialismo, mantendo a dependência eterna do povo, que sem condições de manter-se com seu próprio trabalho depende de esmolas para sobreviver. Continuamos votando em quem promete ajuda, mas nada faz para resolver definitivamente os problemas da nação. É preciso conhecer bem o candidato antes de votar, conhecer seu passado profissional e pessoal, pois seu destino está em seu voto. 
Pobre analfabeto político que não sabe que junto com seu voto ele está entregando seu futuro, praticamente vendendo sua alma. Alguém um dia disse que todo povo tem o governo que merece, vamos transformar essa afirmação em realidade através de um voto consciente, demonstrando que o Brasil merece os melhores governantes possíveis. Votar em branco, anular o voto ou votar em candidatos envolvidos em escândalos é entregar é aceitar a condição em que estamos.

quinta-feira, 29 de abril de 2004

Guia didático da Energia Solar: Solar 1- Barragem Sabor-O

No âmbito do "Concurso Solar Padre Himalaya" foi publicado um guia didáctico de energia solar (ainda incompleto) com muito interesse não só para os concorrentes (alunos e professores) como para todos os entusiastas e curiosos da energia solar, o qual pode ser baixado aqui !

Isto numa altura em que um ano após Resolução de Conselho de Ministros sobre Política Energética, os incentivos fiscais às energias renováveis SÃO UMA FARSA; e a Poupança de emissões de gases de estufa pela eventual Barragem do Sabor é mínima e estudo de impacte tem CONTAS MAL FEITAS
FONTE:Quercus.

A Sociedade Portuguesa de Energia Solar tem ao dipôr dos interessados ( espero que haja cada vez mais) um directório de empresas certificadas na instalação de paineis solares a nível nacional e promove outras actividades.

quarta-feira, 28 de abril de 2004

Precisamos de uma Revolução de Mentalidades

Pegada Ecológica
Em 2000, Portugal apresentava uma pegada ecológica de 5,34 hectares/per capita, ainda que a biocapacidade do país ronde os 1,6
hectares/per capita. Neste contexto o deficit ecológico de Portugal rondava os 3,74 hectares/per capita.
Não foram implementadas medidas desde o ano 2000 que possam indicar uma alteração na tendência de Portugal para aumentar a sua pegada ecológica ano após anos (entre 1999 e 2000, Portugal foi o 3º país da UE que mais aumentou a sua pegada ecológica), pelo que em 2004, provavelmente, a pegada portuguesa será ainda superior à registada em 2000.
De referir que a pegada ecológica para a população mundial não deveria ultrapassar 1,8 a 2,2 hectares.

Aspectos Sociais

O investimento na educação ambiental foi muito reduzido e o seu papel diluído um pouco por todo o país.
O investimento na área da investigação e desenvolvimento é dos mais baixos da Europa.
O acesso à Internet é cada vez mais generalizado (cerca de 13% das famílias possuíam ligação à Internet em 2001), mas ainda assim, não deixa de ser pouco significativo face à realidade nacional. De referir que a tendência é de aumento. Mais indicadores.
Relembro Aldo Leopold, pois é urgente a cidania crítica . É urgente Reflectir; Responder;Reavaliar com base em dados, recursos e meios. É urgente participar!. É urgente mais Educação Ambiental!

terça-feira, 27 de abril de 2004

Dossiê - A Minha Bibliografia

Haeckel- "Trochilidae"

1978 - 1987
  • Papalagui de Tuiavii
  • Fernando Pessoa- quase toda obra
  • Sophia de Mello Breyner- leio e releio muitas vezes
  • Eugénio de Andrade ("As Mãos e os Frutos" principalmente), mas também é um autor que eu amo muito
  • O principezinho de Antoine Saint-Exupéry
  • Manhã Submersa de Virgílio Ferreira. Tocado pelo filme que passou na TV e conquistado pelo livro
  • "Gaibéus" e "Constantino Guardador de Vacas e de Sonhos", de Alves Redol
  • Retalhos da Vida de Um Médico, de Fernando Namora. Segui a série na TV e li o livro. Muito cativante.
  • As aventuras de João Sem Medo de José Gomes Ferreira. Leio e releio
  • Carl Sagan: "Cosmos",  "Cérebro de Broca"
  • Hermann Hess. Quase toda a sua obra. Releio algumas vezes
  • Triunfo dos Porcos e 1984 de George Orwell -Eric Blair, conhecido pelo pseudónimo George Orwell, escritor, jornalista e militante político, participou da Guerra Civil Espanhola na milícia marxista/trotskista e foi perseguido, junto aos anarquistas e outros comunistas, pelos stalinistas. Desencantado com o governo de Stalin, escreveu O Triunfo dos Porcos em 1944.
  • William Shakespeare- destaco Hamlet e Otelo (site William Shakespeare 400), mas já li quase toda a sua obra
1988
  • Viagem Fantástica ao Cérebro, de Isaac Assimov- Brilhante.
  • O Castelo de Kafka- mudou radicalmente o meu olhar. Jamais fui o mesmo
  • A Metamorfose de Kafka - o mistério, o humanismo, a metáfora
  • Siddharta de Herman Hess- sempre quis perspectivar, procurar a síntese de todas as religiões. Este é um livro marcante.
1989
1991
  • O Livro Negro da Poluição de Guy Taradot- Numa linguagem muito objectiva mas com um discurso demasiado negativo. Torna-se enfadonho. É interessante como consulta.
  • A Obra Ao Negro de Marguerite Yourcenar- Um dos pontos fortes do romance é o de não caricaturar o poder, apresentando as altas autoridades da época como cínicas e corruptas. Os textos sobre a prisão e o julgamento de Zenão são, a esse respeito, sintomáticos, porque constituem uma confrontação entre dois mundos irreconciliáveis.
1992
  • Contos Orientais, de Marguerite Yourcenar- O segundo livro que li desta escritora. Cativou-me a riqueza literária e as ideias formuladas pela autora.
  • O Fim da Natureza, de Bill Mckibben- Poderia ser um romance mais cativante. Envolve algum suspense bem conseguido. Contudo o fim é demasiado previsível.

1993
  • Era do Átomo- Crise do Homem, de Vitorino Nemésio - Preparei um Dossier Não ao Nuclear em homenagem pessoal a uma obra tão oportuna e visonária
1995
  • A televisão, de Karl Popper- O autor ajudou-me a criar um espírito crítico relativamente a mais argumentos aos que eu já apresentava relativamente à selecção dos programas que podem ser vistos, aos critérios de qualidade argumentativa, ao número de horas de exposição, etc. Conclui que qualquer cidadão deve integrar a TV com outra actividade, principalmente não tão alienada (leituras, artes, música).

1996
  • O Perfume, de Patrick Suskind
  • No Castelo do Barba Azul, de George Steiner

1997
  • De Profundis, de José Cardoso Pires- Muito intenso
  • Crime e Castigo, de Dostoievsky

1998
  • Sophia de Mello Breyner- "Geografia", "O Búzio de Cós", "O Cristo Cigano" e "Dual"
  • A Disciplina do Amor, de Lígia Fagundes Telles
  • Confesso que Vivi, de Pablo Neruda
1999
  • História de uma gaivota e do gato que a ensinou a voar, de Luís Sepulveda- Magnífico. Profundo. Surpreendente.
  • Um velho que lia romances de amor, idem
  • O Diário, de Sebastião da Gama- Para guardar no coração como o Sol que brilha para todos.
2000
  • A viagem ao fim do mundo, de Luís Sepúlveda
  • Cronicando, de Mia Couto
  • Amor, poesia, sabedoria, de Edgar Morin
  • Ursa Maior, de Mário Cláudio- Uma obra magnífica. Envolvendo criminosos e o mundo prisional, o autor remete-nos para questões intemporais: a violação do privado; o homeocentrismo como fim da vivência pessoal e o questionar sobre o que somos: matéria e/ou espírito? O autor conclui a obra de forma extremamente trágica e imprevisível, um romance aberto deixando espaço e tempo para releituras mais finas e aprofundadas. A obra também ganha muito pela coesão narrativa conseguida, apesar de envolver  (incrivelmente) muitas personagens e enredos.
  • O Mistério dos Mistérios, de Clara Pinto Correia- Para quem quer realmente desenvolver a Educação Sexual, a autora compilou, habilidosamente, vários documentos sobre a evolução do pensamento científico na área da reprodução humana. Uma obra imperdível.
  • A Morte Melancólica do Rapaz Ostra e Outras Estórias, de Tim Burton- Muito divertido.

2001
  • As Horas, de Michael Cunningham- Um romance muito original em muitos aspectos. O principal é de que tenho a certeza que a loucura, ilustrada na obra pela vida de Virgínia Woolf - em certas pessoas é uma resposta individual à insatisfação intensamente vivida por ela relativamente ao status quo da sociedade em que vivem. Pretendem geralmente algo além do tempo em que decorre as suas vivências mas que não encontram outra concretização senão adoptando (despropositadamente, embora não parecendo) comportamentos de risco. Outros aspectos muito belos é a capacidade de o autor narrar a vida de três pessoas, com muita subtileza mas realista que até dói . Finalmente, esta obra é também surpreendente, pelo facto do autor, após um aparente paralelismo da vida dos três personagens, durante praticamente toda a narrativa, entrecruzar as suas vidas.
  • Em nome da terra, de Vergílio Ferreira- Triste. Talvez o compreenda melhor mais tarde.
  • A caverna, de José Saramago- Lento, lento. Lento.
  • O Sapo Francisquinho, de Clara Pinto Correia- Uma seca. Era preferível estar quieta e dar as suas aulas de iniciação à Taxonomia dos Vertebrados.
  • Herbário, de Jorge Sousa Braga- Um conjunto de poemas muito bonitos. Curtos e criativos.
  • Memórias de Adriano, de Marguerite Yourcenar- Roma e os imperadores. Houve muitos. Mesmo não desejando ser contemporâneo de Nero, apesar da sua importância para que hoje os erros da sua governação não se repitam, Adriano é um Imperador. Foi um homem empreendedor, diplomático, astuto quanto baste, militar, idealista, filósofo e admirador das artes, não sendo artista.
  • O Jardineiro do Rei, de Fréderic Richaud- O Barroco e o Absolutismo. A extrema hierarquização sócio-política dessa época estão bem evidentes, apesar de um convívio próximo do jardineiro de Versalhes e do Rei-Sol. Mais do que um elogio à tenacidade e fé do jardineiro, o autor mostra a importância de espaços verdes arquitectados como uma arte e, portanto, é urgente recuperar e aumentar o número de Jardins nas cidades.
  • A Vida é Breve, de Jostein Gaarder- A mulher e amante de Santo Agostinho expõe-se e expõe o marido. Sem cair na auto-piedade, o leitor entristece-se com as lamentações dela. Além disso, muitas locuções e pensamentos latinos são dignos de registar, pela simplificação e sonoridade das palavras bem como da poesia que brota dos mesmos. Por exemplo:Feminis lugere honestum est, viris meminisse Trácito ( À mulher convém chorar as perdas, ao homem, recordá-las );Vitem impedere vero de Juvenal ( Dediquei a minha vida à verdade ); O tempora, o mores de Cícero ( Ó tempos, ó costumes!)
  • O circo maravilhoso da Serpente Vermelha, de Isabel Alçada
  • O gato e o escuro, de Mia Couto
  • A maior flor do mundo, de José Saramago
  • A História da dona lavandisca Alvéola, de Manuel Mouta Faria- Interessante.

2002
  • O Velho e o Mar, de Ernest Hemingway- A velhice, a juventude, a felicidade e a infelicidade, a força, a malícia verdadeira na relação Homem-Animal, a coragem e a ternura, a pesca e a arte da pesca. Um livro profundo e uma história ( ilusoriamente e propositadamente ) simples. Amar é pensar.
  • Contos Exemplares, de Sophia de Mello Breyner Andresen- Com um profundo e fecundo prefácio do Bispo do Porto António Ferreira Gomes. Uma obra imortal.
  • O sexo dos anjos, de Júlio Machado Vaz- Leitura fácil, escorreita mas que na parte da transcrição dos programas de rádio poderia mostrar maior criatividade. As reflexões são muito interessantes, pois é quase autobiográfico. O autor expõe-se e simplifica anseios e dúvidas sobre amor, sexo e morte.
  • Breviário do Sol, de Francisco Duarte Mangas e João Pedro Mésseder- Interessante perspectiva poética acerca do astro. Digno de nota é o dicionário no fim
  • Bichos, de Miguel Torga-Voltei a reler. O autor preferiu recorrer a fábulas no intuito de explicar percursos de vida humana, à semelhança de comportamentos registados em certos animais. A escolha destes temas é recorrente de Miguel Torga: a liberdade, Trás-os-Montes, a solidão, a religião, a esperteza sadia e coragem. Uma obra bela. Tem poesia.
  • Quem me Dera ser Onda, de Manuel Rui- Manuel Rui nasceu no Huambo, Angola. A história é muito divertida.

2003
  • A Vida de Pi, de Yan Martel- A obra está dividida em 2 grandes partes: uma primeira, mais divertida, feliz e que aborda a infância e juventude do personagem Pi e sua vontade de pertencer a três religiões. A segunda parte é muito trágica, enervante por vezes escatológica!.... Nesta ficção nunca li um autor que descrevesse escarnadamente sobre os limites da sobrevivência. Muito duro. É uma obra dura, escravizando o leitor, sem retorno, a não ser um final (abruptamente) feliz.
  • Retrato de um Artista Quando Jovem, de James Joyce- A religião e quando os costumes e uma vida social sempre em torno da religião e a servir a religião também abafa em vez de crescer a espiritualidade.
  • Era Bom que Trocássemos umas Ideias Sobre o Assunto, de Mário de Carvalho - Hilariante, divertido e um retrato de decepção em relação à causa comunista.
  • Húmus, de Raul Brandão- Muito triste. Muito defunto.Muito realista.
  • Edição Multimedia (Livro+ CD) Peter and Wolf , de Bono com Gavin Friday- Espectacular

2004
  • Felicidade, de Will Ferguson- Uma vida à procura da felicidade é mal vivida e infeliz. Vale a pena ler esta obra principalmente porque assinala, espero, uma condenação aos livros de auto-ajuda.
  • Fantasia para Dois Coronéis e uma Piscina, de Mário de Carvalho- Um livro bastante mordaz sobre o País dos nossos dias e com uma visível preocupação ecológica, inclusive abordando a questão dos transgénicos.

2005
  • Dias exemplares, de Michael Cunningham- Obra muito negra, muito pessimista. Não fui capaz de a ler até ao fim
  • Eu hei-de amar uma pedra, de António Lobo Antunes- Título tão atraente e uma obra muito confusa, muito difícil de ler.
  • A república dos corvos, de José Cardoso Pires- Muito alfacinha, demais. Não tenho as mesmas referências, pelo que o autor não foi capaz, a meu ver, de tornar a história algo mais universal.
  • Margem da ausência, de Urbano Tavares Rodrigues- Grandioso livro.
  • Planisfério Pessoal, de Gonçalo Cadilhe
  • Histórias Falsas, de Gonçalo M. Tavares- um excelente cruzamento de filosofia e fantasia

2006
  • Viver todos os dias cansa, de Pedro Paixão- Contos que exigem uma reflexão sobre a modernidade e a errância dos valores.
  • Hoje não, de José Luís Peixoto- Contos
  • As Ondas, de Virgínia Woolf- Belas descrições e demonstra um profunda sabedora das incompreensões sociais da humanidade, do invisível conflito do ser e parecer.
  • Be the change you want to see, de Pedro Jorge Pereira- Uma outra perspectiva do mundo através do voluntariado
  • A Desilusão de Deus , de Richard Dawkins

2007
  • Uma pequena História do Mundo, de E.H. Gombrich- Embora um pouco centrada na evolução da História da Alemanha, de resto ao ler esta obra ficamos realmente com um panorama cronológico das civilizações humanas que existiram e outras que surgiram desde que o Homem evoluiu no planeta Terra.
  • O Coração dos Relógios; Nossa Senhora de Burka; Da guerra e da paz; De Camões a Pessoa, a Viagem Iniciática, todas obras de Maria Azenha- Mostra e consegue evidenciar o êxito da universalidade dos dois poetas
  • Condomínio da Terra- Um livro muito coerente, fascinante pela simplicidade e por isso desafiante. Fiquei cheio de energias novamente.
  • Algumas Distracções, de Francisco José Viegas
  • Psiquiatras, psicólogos e outros doentes, de Rodrigo Avia- Apelativo, porém pouco interessante.
2008
2009
2010
  • Pais Brilhantes, Professores Fascinantes, de Augusto Cury
  • Disciplina na sala de aulas, de Luís Aires
  • Eduardo Punset Frente a Frente com a Vida, a Mente e o Universo
2011
  • O afinador de pianos, de Daniel Mason
  • Quando Éramos Peixes, de Neil Shubin - Uma viagem pelos 3,5 mil milhões de anos de história do corpo humano
2012
  • Kafka à Beira-Mar, de Haruki Murakami
  • Rómulo de Carvalho, Príncipe Perfeito, de Cristina Carvalho

2013
  • A Passo de Caranguejo, de Umberto Eco
  • Pela Europa! de Daniel Cohn-Benedit e Guy Verhofstadt- Um verdadeiro manifesto por uma revolução pós-nacional na Europa
2016
  • O Filho de Mil Homens, de Valter Hugo Mãe
  • A Desumanização - idem

NOTA: Vou postando sequencialmente a minha bibliografia ao longo do tempo.

segunda-feira, 26 de abril de 2004

Ainda Montemuro


Caro João Paulo Soares:

A Serra do Montemuro é sítio de Rede Natura 2000. No entanto os seus limites apanham apenas parte da zona eucaliptizada (ainda não sei porque é que incluíram essa zona, talvez para servir de tampão).
As árvores junto à estrada de que fala não sei onde são, mas obras e estradas maltratadas é o que não falta por lá.

Sou montemurana de coração (e quase de nascença), tendo vivido toda a minha infância e adolescência naquelas paragens, e acho que a área tem uma data de problemas ainda mais preocupantes. A velocidade a que os parques eólicos se espalham por aquela Serra, sem que se faça um estudo ambiental para o conjunto dos vários parques, mas apenas para um de cada vez (é claro que o impacto de um parque é muito diferente do impacto das carradas de parques que neste momento proliferam pela serra). A possibilidade de uma mini-hídrica no ribeiro Bestança é ainda mais assustador, uma vez que esse ribeiro encerra valores ambientais muito importantes.


Mas o que me assusta mais é a falta de informação sobre o património ambiental da área. Esta foi classificada devido à presença de lobo-ibérico (núcleo mais importante a sul do Douro), de ribeiros com galerias ripícolas conservadas, turfeiras de altitude e salamandra lusitânica e etc, mas o desconhecimento que existe sobre a região em diversas áreas é notório, sobretudo nas Câmaras Municipais. Embora toda a gente se dê conta do valor do Ribeiro Bestança, por exemplo, não há nenhum  estudo sobre a flora, e que eu conheça, só os anfíbios foram bem estudados na zona.


Sobretudo é necessária ajuda para estudar a Serra, com todo o seu património natural e histórico, e para pensar projectos de desenvolvimento que possam "premiar" as pessoas que aí habitam, sofrendo todas as consequências do isolamento e esquecimento a que foram votadas durante todo este tempo e que são, em última análise as principais responsáveis pelo sucesso ou insucesso de politicas de conservação. Toda a que vier é bem vinda.
Com os melhores cumprimentos

Alexandra Sá Pinto (via email)

Após a leitura da sua carta, muito esclarecedora, creio que é necessário e urgente proteger ambientalmente a belíssima serrania de Montemuro e preservar a cultura das suas gentes. Muito obrigado e espero ter boas notícias em breve.

domingo, 25 de abril de 2004

25 de Abril, os Jovens e os Media (principalmente a TV)



Videoclip "Freedom" - Recarga from Filipe Couto on Vimeo.


Todos os anos e em cada 25 de Abril, os principais canais de TV "querem" mostrar que os jovens são incultos, indiferentes, etc. ao 25 de Abril. Não falo aqui de qualquer teoria da conspiração, mas é um erro que as nossas televisões praticam e uma mentira consentida.
Tal não é verdade! Senão, vejam este e muitos outros vídeos que circulam pela net, trabalhos escolares e/ou circulemos pelas nossas cidades em que tantas crianças da Pré e Ensino Básico enchem-nas de esperança e de cores!

sexta-feira, 23 de abril de 2004

Livros em movimento...pela não-exclusão do conhecimento

O Dia Mundial do Livro foi instituído pela Unesco em 1995 com o objectivo de estimular a leitura de obras construtoras de saber e democratizar o acesso ao Livro. A par desta iniciativa - tão fundamental para um verdadeiro e genuíno humanismo, contribuindo para a construção de uma sensibilidade maior à Natureza, à Criatividade, ao Sonho eà Utopia, surgiu uma organização cívica, a Bookcrossing, criada em 2001, que rapidamente a sua mensagem "Passa a outro e não ao mesmo", despertou nas pessoas um sentimento de generosidade, que parecia nesta época de real individualismo e competitividade, pode ser de facto invertido se mais pessoas aderirem a este movimento tão ÉTICO! Portugal já é o quinto país com mais membros (3000), deste mundo mundial. Para saber mais ir ao site já indicado.
Além disso e muito recentemente a Bookcrossing está a organizar a Campanha Livros Pela Paz. Vamos aderir.

quinta-feira, 22 de abril de 2004

Rodovias Mortais e Absurdas

Não são só as belas quintas vinhateiras do Douro, as paisagens e os valores naturais que são sacrificados sem pensar pelos que concebem e executam o nosso sistema rodoviário (emanação de uma sociedade que interiorizou a prótese automóvel como uma conformação congénita). Também as pessoas são sacrificadas e por vezes mortalmente. E se as populações directamente atingidas não protestam, nem sequer as regras de mais elementar segurança são cumpridas, em casos que infelizmente não são raros. Eis hoje o exemplo de Adémia. Mas neste mesmo boletim, vários outros foram já evocados.
Exprimindo a mesma atitude geral de negligência e de indiferença ao massacre do peão na estrada.
José Carlos Marques

Adémia cortou EN111 para exigir passeios
Coimbra / Rodovias / Segurança
Jornal de Notícias 21 de abril de 2004

Moradores estão fartos de assistir a acidentes mortais e querem segurança para os peões População exige um prazo para o início da obra Joaquim Almeida Uma vigília para contestar a falta de segurança na
circulação de pessoas, no troço da Estrada Nacional (EN) 111, na Adémia, arredores de Coimbra, acabou num corte de trânsito naquela estrada, ontem, cerca das 18 horas. Os populares exigem a construção de passeios para não terem de partilhar o alcatrão com os automóveis e, dessa forma, evitar mais atropelamentos, alguns deles mortais, o último dos quais ocorreu há cerca de 15 dias e vitimou uma senhora idosa.

quarta-feira, 21 de abril de 2004

A blogosfera está a crescer no apoio aos Direitos dos Animais


Pela adesão à campanha Boicote ao Turismo no Canadá, apoiada pela ANIMAL e pelas referências que tenho encontrado nos seus blogs sobre os Direitos dos Animais, agradeço os amigos que já se associaram:
Ondas;
Reciclemos
MeioAmbienteUrgente(BR)
O Vizinho
Espanto
Continuação de um bom trabalho.Um abraço

terça-feira, 20 de abril de 2004

Árvores e Oxigénio

Quem não dá grande valor à árvore enquanto ser vivo talvez encontre nesta citação outro motivo para as manter vivas.

"Uma faia de 100 anos, 25 m de altura e 15 m de diâmetro de copa produz, num ano, oxigénio suficiente para a respiração de 10 pessoas. Se essa árvore morrer, seria necessário plantar 2700 árvores novas, cada uma com um diâmetro de copa de 1 m, para produzir o mesmo efeito."
(Plano verde da cidade de Toronto)



segunda-feira, 19 de abril de 2004

O Abandono Escolar e o PNAPAE



Fui contactado pela Federação das Associações de Pais do Concelho de Gondomar cujas actividades e site merecem consulta. Além disso,se é pai e/ou encarregado de educação residente em Gondoamr associe-se ou entre em contacto com a FAPCA. A todos os professores, os pais/encarregados de educação apelo a que conheçam as actividades da Confederação Nacional das Associações de Pais. Há muito tempo que visito a sua página. Assinei hoje o seu livro de visitas.
Outro assunto que me leva a falar sobre Educação é o PNAPAE. Encontra-se o documento completo no ME e na CONFAP. A esse propósito li o artigo publicado no Público de 17/04/04, por Santana Castilho:"Pnapae - A sigla significa Plano Nacional de Prevenção do Abandono Escolar. São 143 páginas que me deixam a sensação de terem sido escritas para que os autores sejam admirados, que não entendidos, por uma sociedade de parvos, em que eles são a excepção. Transcrevo duas pérolas deste exercício de tanto escrever e pouco dizer. Retiro-as da "versão síntese", página 5, linhas 2 a 5 e 9 a 10, respectivamente, quando o documento explana os seus dois conceitos-chave. Segurem-se:
" ... A resiliência escolar ou educativa, isto é, a capacidade do indivíduo ficar na escola, apesar dum conjunto de características dos subsistemas (o próprio indivíduo; a família; a escola; o meio envolvente) que motivariam para o abandono escolar..."
" ... O educational life-span, isto é, a prevenção do abandono escolar ao longo do ciclo de vida escolar e formativo dos sujeitos..."
Com conceitos-chave destes não vamos lá! Com tais doutos a tratar-lhe do "life-span", os jovens só mostram sanidade mental ao fugir da escola o mais rápido possível. E que não percam a embalagem e se pirem do país enquanto é tempo, é o meu conselho.
Há 30 anos que fazemos planos. Que ouvimos promessas. Que estabelecemos metas. Que discutimos e evocamos modelos. Que estabelecemos conceitos. Estamos fartos de tanta reflexão e nenhuns resultados. Notícia Completa

domingo, 18 de abril de 2004

Terra de Cinfães, Vilar de Arca e Montemuro



Atraído pelo bonito livro " Arca de Flores" de Paulo Bateira, fui conhecer a região de Cinfães.
O MELHOR

1. A cidade de Cinfães é muito agradável. Há um nicho muito interessante de casas em xisto antigas próximo da Câmara. As pessoas são acolhedoras e simpáticas. A descida até ao Porto Antigo merece bem uma visita. Além da espectacular paisagem, apreciei a presença de oliveiras misturadas com os carvalhos.

2. A Associação de Defesa do Vale de Bestança mostra como é possível preservar um espaço natural, com o mínimo impacto do Homem. O Vale de Bestança é de facto muito belo.

3.A serra granítica de Montemuro.

4. Quando cheguei a Vilar de Arca compreendi a voz e o apelo de Paulo Bateira. Constitui, de facto a aldeia em que a "gente encontra ninhos em cada peito e aves em cada ramo" ( Guerra Junqueiro). Situada a uma altitude de 900m, fértil e com uma perspectiva das serranias muito ampla e a tocar os céus. Está a necessitar de algumas intervenções de recuperação urgentes - particularmente os bonitos espigueiros.

O PIOR

1.Os montes entre Castelo de Paiva e Nespereira, que estão pejados da monocultura do eucalipto!!

2. A estrada 222, do Porto Antigo até à barragem de Carrapatelo está em obras e, segundo informação de pessoas residentes na localidade, foram já abatidas árvores centenárias que nada estorvavam nessas obras, pressupondo-se, portanto, que tinham "o destino marcado" por interesses madeireiros.

Fui alertado (e alerto quem possa intervir) de que há intenção de se proceder ao abate de mais árvores, frondosas e muito antigas, nessa estrada. Essas árvores já se encontram "marcadas"...provavelmente para o mesmo fim. Já enviei esta informação à Quercus.

3. Uma grande lixeira e uma estação de gasolina no meio da Serra de Montemuro!!  É lamentável!

4. O ruído e a fealdade das eólicas instaladas ao lado da Aldeia Vilar de Arca.

sexta-feira, 16 de abril de 2004

Regulamentos da UE sobre OGM aquém da protecção exigida

Já há um comentário no Estrago da Nação. No entanto “Os Verdes” denunciam:Regulamentos da UE sobre OGM estão aquém da protecção exigida.

O Partido Ecologista “Os Verdes” espera que a entrada em vigor dos dois novos Regulamentos Europeus sobre a Etiquetagem e a Rastreabilidade não sirva de justificação para que o Governo português se posicione a favor do fim da Moratória de Facto, existente na União Europeia desde 1999 e que impediu até hoje a entrada em vigor de novas autorizações de OGM – Organismos Geneticamente Modificados - ao nível da UE.

“Os Verdes” consideram da maior importância a adopção de legislação no sentido da protecção e da informação aos consumidores sobre os alimentos, desde os seus componentes às diferentes etapas da sua produção. No entanto, para “Os Verdes” os regulamentos que agora entram em vigor, continuam a estar aquém da protecção exigida e a apresentar graves lacunas, nomeadamente:

- Etiquetagem - adopção de teores de contaminação de alimentos por OGM: o regulamento impõe que a etiquetagem de alimentos se faça a partir de 0,9% de componentes OGM. Este valor fixado não corresponde ao que, do ponto de vista científico, são os limites detectáveis de OGM, correspondendo em nosso entender a uma cedência feita ao forte “lobby” da agro-indústria. O tão propagandeado direito de escolha dos consumidores de poderem ter acesso a alimentos livres de transgénicos fica desde logo condicionado.

- Aceitação da presença de OGM não autorizados: por mais 3 anos será aceite a presença de OGM não autorizados pela UE até ao limite de 0,5% sem que a etiquetagem desses alimentos seja obrigatória. “Os Verdes” entendem ser escandalosa a adopção de legislação que “legaliza” a presença de OGM não autorizados na UE em alimentos que irão estar em circulação e venda ao nível do espaço europeu.

- Produtos animais isentos de etiquetagem: ovos, leite e carne provenientes de animais alimentados com rações OGM não serão obrigados a mencionar em etiqueta tal facto.

“Os Verdes” manifestam ainda a sua extrema preocupação em relação ao silêncio e ausência por parte do Governo, no que diz respeito à informação e debate sobre esta matéria com os consumidores e agricultores, na definição de um quadro legal em relação à responsabilidade jurídica dos possíveis problemas de saúde, ambientais e económicos, ligados à utilização de OGM e sobre a apresentação de um plano nacional sobre a coexistência de culturas biológicas e convencionais e culturas transgénicas, o qual do ponto de vista comunitário, tem obrigação a apresentar.

O Gabinete de Imprensa

Lisboa, 16 de Abril de 2004


quinta-feira, 15 de abril de 2004

Em defesa da Biodiversidade! Pelo rio Sabor sem barragens!

Mais uma iniciativa da Plataforma Livre. Nos dias 22 e 23 de Maio de 2004, Mogadouro há um programa vastíssimo de modo a mais pessoas conhecerem o último granderio selvagem de Portugal e manifestar-se contra o projecto de construção de uma grande barragem que destruiria um santuário
natural único!

PROGRAMA

Dia 22 – sábado
13h30 – Concentração na Ponte de Remondes.
14h00 – Chegada de grupo de canoístas.
14h30 – Almoço campestre nas margens do rio Sabor.
15h30 – Passeios guiados pelo vale (observação do leito de cheias,
flora e vegetação, avifauna)
19h30 – Chegada a Mogadouro – preparação das dormidas.
21h00 – Jantar convívio.
23h00 – Conversa e Projecção de imagens sobre o rio Sabor.

Dia 23 – domingo
10h00 – Saída de Mogadouro para percurso pedestre até Sto André
(aldeia abandonada na margem do rio Sabor)
13h00 – Almoço campestre junto ao rio Sabor

A ficha de inscrição, ficha de alojamento e indicação sobre como chegar ao local, contactar, p.f.:
plataforma@saborlivre.org
93 6274097 (Bárbara Fráguas)

quarta-feira, 14 de abril de 2004

Manifesto - Os cidadãos, a REN e a RAN



Manifesto - Os cidadãos, a Reserva Ecológica Nacional (REN) e a Reserva Agrícola Nacional (RAN) Os conceitos de Reserva Ecológica Nacional (REN) e de Reserva Agrícola Nacional (RAN) são instrumentos fundamentais para garantir um correcto ordenamento do território. São elas que garantem a boa condição da sua existência no que respeita à manutenção da capacidade produtiva dos solos e ao adequado desempenho dos sistemas ecológicos indispensáveis à qualidade da vida humana – ou seja, à nossa. Estas reservas designam-se por “Nacionais”, porque os problemas da gestão do ciclo da água e dos nutrientes não podem ser considerados exclusivamente a um nível municipal, e porque se trata de salvaguardar valores que são de todos os cidadãos de hoje e do futuro. Estes dois instrumentos da política de ordenamento do território - RAN e REN - não são instrumentos de salvaguarda de valores únicos e notáveis como a Rede Natura ou as Áreas Protegidas. Mas são tão vitais como elas, embora a sua gestão tenha vindo a sofrer dificuldades e mesmo irracionalidades há muito identificadas. É por isso consensual a necessidade da sua revisão. O que pretendemos é relativamente simples de enunciar e, acreditamos, de executar: • Uma revisão que reforce o sentido de património nacional a salvaguardar por estes instrumentos; • Uma revisão que reconheça nos cidadãos a maturidade para se pronunciarem em qualquer altura sobre o processo; • Uma revisão que aponte no sentido de uma maior democraticidade de processos e dos mecanismos de gestão; • Uma revisão que dê corpo ao princípio de pensar globalmente, planear regionalmente e agir localmente; • Uma revisão assente em trabalho técnico sério e indiscutivelmente reconhecido. Por querermos isto, vimos desafiar o Governo a trabalhar connosco e com todas as organizações interessadas, no sentido de definir um modelo de discussão pública alargada sobre a matéria, que permita ultrapassar as mesquinhas querelas corporativas, partidárias e de interesses sectoriais. O processo de discussão deve ter por base uma avaliação rigorosa de diversos casos de estudo que identifiquem o modo como a aplicação dos instrumentos referidos tem decorrido. Assegura-se, em princípio, que as soluções finais a aprovar, contribuam para que os generosos conceitos que estão na base da instituição destes dois instrumentos de uso racional do território sejam, final e livremente, adoptados pelos cidadãos, como um bem público cujos custos devem ser suportados por todos, porque todos deles beneficiam. Esperamos que os sinais iniciais de secretismo e as dúvidas sobre a forma, objectivos e motivações que têm presidido à elaboração de documentos base da discussão, sejam apenas acidentes de percurso fácil e rapidamente ultrapassáveis pela abertura e transparência das fases seguintes deste processo. 13 de Abril de 2004 Subscritores Carlos Aguiar, Eugénio Sequeira, Fernando Nunes da Silva, Francisco Ferreira, Gonçalo Ribeiro Teles, Hélder Spínola, Helena Freitas, Henrique Pereira dos Santos, Humberto Rosa, Jorge Palmeirim, Luísa Schmidt, Teresa Andersen e Viriato Soromenho-Marques Subscreva este manifesto Coordenadores do manifesto: Luísa Schmidt, Henrique Pereira dos Santos, Francisco Ferreira.

terça-feira, 13 de abril de 2004

Comboios Batem Transporte Aéreo e Rodoviário no Respeito pelo Ambiente

O sector dos transportes consome em Portugal cerca de um terço da energia existente para consumo final e é responsável pela emissão de inúmeros poluentes atmosféricos prejudiciais à saúde, ao clima e à qualidade do ar. Razões suficientes para que o Instituto Nacional do Transporte Ferroviário (INTF) comparasse o impacto ambiental dos vários tipos de comboios com o modo rodoviário e aéreo aplicados ao caso português.

Factores de Consumo por Lugar/km

Transporte ano 2000

TGV 0,19

Comboio eléctrico convencional 0,13

Comboio a diesel convencional 0,57

Avião Jetfuel Fokker 100 1,81

Autocarro de longo curso a gasóleo 0,21

Automóvel a gasolina 0,55

Automóvel a gasóleo 0,53

Fonte: INTF/PÚBLICO

segunda-feira, 12 de abril de 2004

A Relevância do Património Biológico



Há fundamentalmente três tipos de Património: Material, Cultural e Biológico. Sendo o Património Biológico o mais importante, resultante de milhões de anos de evolução e fonte inesgotável e potencial do Património Material, tem de ser melhor assegurado.

A Diversidade Biológica (Biodiversidade), que teve flutuações desde o início do aparecimento da vida no Globo Terrestre, tem vindo a decrescer drasticamente devido à expansão da população humana, atingindo actualmente os níveis mais baixos desde o Mesozóico.

Várias acções têm sido empreendidas pelas instituições internacionais para a Conservação da Biodiversidade, tais como medidas para proteger ecossistemas; para proteger espécies; para promover a conservação de espécies "ex situ"; e tendentes a limitar a contaminação da Biosfera com poluentes.

A conservação da máxima Biodiversidade dos organismos integrados nos respectivos ecossistemas é fundamental para a salvaguarda do ecossistema global (a Biosfera) habitado pela espécie humana.

Introdução
A espécie humana sempre se preocupou com a preservação dos seus bens. Durante séculos cuidava fundamentalmente dos seus bens materiais, como alimentos, vestuário, utensílios, dinheiro, etc. Mais tarde, particularmente quando foi capaz de transmitir, pela imagem (figuras rupestres, por exemplo) e posteriormente através da escrita, as suas preocupações e sentimentos manifestava já preocupações culturais. Finalmente, após o início da actividade agrícola pelo homem primitivo (cultivo de cereais, sem amanhar, no vale do Nilo, há ± 16 mil anos), a nossa espécie passou a preocupar-se em cuidar do Património Biológico (armazenamento de cereais silvestres ± há 11 mil anos), particularmente após a domesticação dos primeiros animais (cabra, ovelha e porco há ± 7 mil anos e boi há ± 6 mil anos).

Há, pois, três tipos de bens fundamentais: materiais, culturais e biológicos. Como vimos, o Património Material constituiu, desde a pré-história, uma preocupação da nossa espécie, como o testemunham os dados arqueológicos e como o protege e rege cada indivíduo e cada nação. O Património Cultural constitui outra preocupação, não tão antiga, nem tão cuidada, como o Material, pois depende muito da instrução e cultura dos povos; e o Património Biológico tem sido tratado com menos preocupação e muito menos seriamente. Esta estratégia constitui um gravíssimo erro, com consequências desastrosas.

Toda a gente é zelosa dos seus bens materiais, todos os países acautelam a exploração destes; todos gostam de falar o idioma da sua terra, assim como procuram preservá-lo; toda a gente e autoridades procuram preservar os monumentos e objectos culturais. Mas, infelizmente, o Património Biológico não só não tem constituído uma preocupação da população e governantes, como também tem sido o mais destruído, através do fogo, caça indiscriminada, poluição, etc., etc.

Sem Património Biológico não teria sido possível muito do Património Material de que dependemos, como, por exemplo, as jazidas de petróleo, nem Património Cultural, visto que este está directamente relacionado com a nossa actividade, e nós só sobrevivemos à custa dos outros animais e das plantas (Património Biológico).

A cultura de um povo é geralmente salvaguardada com cuidado e confere-se-lhe muita ênfase. Mas a "idade" da espécie humana (Homo sapiens L.) é reduzidíssima em relação à de outras formas de vida do Património Biológico, sendo, portanto, este muito mais antigo e importante do que o Património Cultural.

Está geralmente aceite que o globo terrestre tem 4,6 mil milhões de anos e esteve cerca de mil milhões de anos sem formas de vida. Os Procariotas ou Monera (bactérias e cianobactérias) tiveram a sua origem há mais de mil milhões de anos, seguindo-se-lhe as Algas (mil milhões de anos), Metazoários (570 milhões de anos), plantas terrestres e peixes (500 milhões de anos) e assim sucessivamente até ao aparecimento dos Primatas, há cerca de 67 milhões de anos e do género humano, há 2 milhões de anos (Australopithecus afarensis 3,4 milhões de anos (± 450 cm3 de capacidade craniana); Australopithecus africanus 3 milhões de anos (± 450 cm3); Homo habilis 2 milhões de anos (± 500 cm3); Homo erectus 1,8 milhões de anos (± 825 cm3); Homo sapiens sapiens (África) ± 200 mil anos (± 1500 cm3) e Homo sapiens neanderthalensis (extinto) 100 mil anos (± 1500 cm3).

A Biodiversidade
O Património Biológico, isto é, a Diversidade de todos os seres vivos (Diversidade Biológica ou Biodiversidade), engloba todas as espécies vegetais, animais, fungos, micro-organismos e os ecossistemas de que fazem parte. A Biodiversidade compreende, assim, o número e a frequência dos ecossistemas, espécies e genes de um dado agregado. A Diversidade Biológica deve, pois, ser considerada a três diferentes níveis:

A Diversidade Genética, que não é mais do que a variabilidade no seio de uma espécie. É calculada pela variação dos genes de uma espécie, de qualquer taxon infra-específico (subespécie, variedade, raça, etc.), ou de qualquer população e constitui o Património Genético;

A Diversidade Específica refere-se à variedade dos organismos vivos da Biosfera, cujo número se calcula entre 5 a 10 milhões ou mais, dos quais apenas 2,5 milhões são efectivamente conhecidos (recenseados) (ca. 2 milhões de animais e 0,5 milhões de plantas, fungos e micro-organismos o que é cerca de 1/12 do número estimado por TERRY ERWIN (1991), cerca de 30 milhões de espécies de seres vivos), e que constitui o Património Específico ou Património Taxonómico;

A Diversidade dos Ecossistemas, que se refere à variedade dos habitats, das comunidades bióticas e dos processos ecológicos da Biosfera, e que constitui o Património Ecológico.

É quase inconcebível e inacreditável que, sendo a espécie humana e os outros seres vivos, tão interdependentes, a Biodiversidade esteja ainda tão mal estudada. Apesar do grande desenvolvimento científico, presentemente, ainda não é possível calcular, com uma aproximação sem grande margem de erro, a magnitude do número de espécies de seres vivos.

Como é do conhecimento geral, as florestas tropicais de chuva (Pluvissilva) são as regiões do globo onde há maior abundância de seres vivos. Por isso, a preservação desses ecossistemas, constitui uma das grandes preocupações da Humanidade. Muitos investigadores têm efectuado demonstrações, mais ou menos simples, do elevado Património Biológico dessas florestas. Assim, TERRY ERWIN pulverizou, com insecticida, uma área determinada de florestas tropicais do Brasil e Perú, para calcular o número de insectos e outros artrópodes. Seguidamente, efectuou contagens e cálculos entrando em linha de conta com outros seres e espécies com habitats subterrâneos. Estimou cerca de 30 milhões de espécies para a área de floresta tropical do globo. Portanto, só nesses ecossistemas, devem existir 20 vezes mais espécies do que as estudadas até ao presente para todo o globo.

Um outro exemplo da elevadíssima Biodiversidade das florestas tropicais, foi a demonstração feita por EDWARD WILSON. Este entomologista colheu numa árvore do grupo das leguminosas, numa floresta do Perú, 43 espécies de formigas pertencentes a 26 géneros, o que é aproximadamente igual à diversidade de formigas de toda a Grã-Bretanha.

A diversidade de árvores dessas florestas tropicais de chuva é também muito elevada. PETER ASHTON, em 10 quadrados de 1 hectare cada, na floresta de Kalimantan (Indonésia) encontrou 700 espécies de árvores, o que é sensivelmente o número de espécies arbóreas do continente norte americano.

Mas a estabilidade dos ecossistemas não depende do número de espécies. Mesmo frágeis superestruturas podem tornar-se ecossistemas robustos, desde que o Ambiente se mantenha estável de modo a suportar a sua evolução durante um longo período de tempo. Um ecossistema estável pode desmoronar-se pela perda de um pequeno número de espécies (às vezes até apenas uma), tal qual uma pirâmide de cartas de jogar.

A actividade humana tem tido efeitos devastadores na Biodiversidade e tem acelerado o ritmo das extinções.

O maior efeito da pressão humana tem-se feito sentir mais nas florestas tropicais, nas ilhas, lagos e outros ecossistemas limitados. Um exemplo foi a eliminação de metade das espécies de aves da Polinésia pela caça e destruição das florestas nativas; no século passado a Ilha de Santa Helena foi completamente desflorestada, e a maioria das espécies lenhosas endémicas perdeu-se para sempre; a Ilha do Sal (Cabo Verde) foi praticamente desertificada; centenas de espécies de peixes do Lago Victória (África Oriental), que constituem a base da alimentação e interesse económico das populações limítrofes, estão em vias de extinção, pela introdução da carpa do Nilo, etc.

Calcula-se, por exemplo, que o ritmo actual de devastação das florestas tropicais está a originar, anualmente, 0.2 a 0.3% de extinções das respectivas espécies. Há alguns exemplos concretos e localizados do ritmo da extinção de espécies provocado pela actividade humana. Por exemplo, a devastação da pluvissilva (floresta tropical de chuva) do Perú, numa simples crista montanhosa, fez desaparecer 90 espécies de plantas com flor (Angiospérmicas).

Estes valores significam uma velocidade de extinção de seres 10 mil vezes superior à que ocorreria naturalmente, sem a acção da espécie humana.

São esperadas perdas maciças de Biodiversidade se a devastação da Natureza continuar no ritmo actual.

A Biodiversidade Florística
A diversidade das plantas impressionou sempre a espécie humana, mesmo quando apenas aprecia uma paisagem. A exuberância de cores e formas de uma paisagem tropical constitui uma panorâmica encantadora e inesquecível.

É nas plantas superiores que se encontram os maiores seres vivos do planeta, não só em comprimento (altura), como as sequóias gigantes da California (USA) (Sequoia sempervirens (Lam.) Endl. e Sequoiadendron giganteum (Lindley) Bucholtz, a de maior biomassa), com cerca de 120m de altura, o Eucalyptus regnans F. Muell, o maior eucalipto da Austrália, até 100m de altura, e o Eucalyptus diversicolor F. Muell, o mais alto eucalipto na Europa (Vale de Canas, Coimbra), com 71m de altura (até 90m na Austrália); como em perímetro, como a árvore de Santa Maria de Tule em Oaxaca (México) (Taxodium mucronatum Ten.), com 45m de circunferência ou mais velhas, como o pinheiro das Montanhas Rochosas, no Estado de Nevada (USA) (Pinus longaeva D.K. Bailey) com 4 600 anos.

As plantas superiores são, portanto, os maiores produtores de biomassa. Assim, por exemplo, a estimativa da biomassa para os Estados Unidos da América calcula cerca de 6kg/m2. Desta biomassa, 89% é resultante das plantas superiores, 7,5% de bactérias, fungos e algas, 3,5% de animais (principalmente vermes). Mamíferos, incluindo a espécie humana, apenas contribuem com 0,152% da biomassa total.

Destas estimativas, que não constituem surpresa, se certifica que as plantas não só são transformadoras de energia (fotossíntese), como são a principal fonte de energia para os outros organismos, através da biomassa que fornecem, que até são determinantes dos diferentes habitats e substratos. As plantas contribuem ainda na pedogénese, ou seja nos processos de formação de certos solos.

É fácil pois, deduzir que a conservação da Biodiversidade Florística é fundamental e premente, pois que o declínio da diversidade das plantas pode ter efeitos catastróficos na vitalidade dos ecossistemas.

Por isso, muitos autores consideram que a diversidade animal é dependente da diversidade vegetal. A pirâmide alimentar animal em cujo topo estão os carnívoros de maior porte, tem como base os herbívoros. Toda esta pirâmide é dependente da diversidade das plantas, que fornecem não só alimento à pirâmide alimentar dos vertebrados, como também substrato e alimento aos invertebrados. Assim, nos ecossistemas, os animais são dependentes do respectivo nicho ecológico, que tem como base as plantas. Por isso, muitos autores consideram a diversidade das plantas como um pré-requesito, não só para a manutenção da diversidade animal, como para a respectiva evolução.

As plantas são também extremamente importantes para a espécie humana, não só como alimentos, como produtoras de fibras, madeiras, medicamentos, etc. Mais de 1/4 dos medicamentos são baseados em plantas. Apesar disso, somente foram exaustivamente estudados os atributos medicinais de cerca de 5000 espécies de espermatófitas (plantas produtoras de sementes).

Está calculado que cerca de 40% das especialidades farmacêuticas actuais derivam de produtos naturais, constituindo mais de 7 000 produtos de origem vegetal. Alguns desses compostos entram na composição de várias especialidades farmacêuticas, como, por exemplo, a dormideira (Papaver somniferum L.) que fornece produtos que entram na composição de mais de 400 medicamentos.

Uma planta é, pois, uma "fábrica" de produtos químicos que podem ser muito úteis à espécie humana, não só na terapia, como na alimentação, produção de energia, etc.

O homem é, pois, extraordinariamente dependente das plantas, no oxigénio que respira, nos vegetais de que se alimenta, nos animais herbívoros que utiliza na alimentação, nos produtos farmacêuticos, etc. O que seria da humanidade sem a diversidade das madeiras, óleos, gorduras, ceras, resinas, colas, fibras e outras matérias primas?! É natural que se pense que todos esses materiais podem ser fabricados sinteticamente. Mas é necessária cautela, pois as fontes de energia para esse fabrico são de origem vegetal (carvão, petróleo e gás natural), e são fontes de energia acumuladas durante cerca de 300 milhões de anos, mas não renováveis e de que se prevê o esgotamento dentro dos próximos 300 anos.

Sem as plantas selvagens não é possível uma agricultura próspera sem graves riscos de perdas irreparáveis por falta de defesas naturais. Os pesticidas e outros meios de defesa não são suficientes. Os animais e as plantas são "reservas genéticas" de que se não pode prescindir. Como exemplo, refira-se o que se passa com os cereais. A alimentação básica diária da população mundial depende fundamentalmente de oito cereais: a cevada, o milho, o centeio, a aveia, o arrroz, o milho miúdo, o sorgo e o trigo. Mas a superprodução destes cereais está, actualmente, tão altamente seleccionada e, por isso, tão uniforme sob o ponto de vista genético, que catástrofes devidas a doenças ou a condições climáticas adversas podem levar a humanidade à fome de um momento para o outro.

Está a fazer-se o mesmo na silvicultura, plantando-se vastas áreas não só com uma única espécie de árvores (ex.: pinhais, choupais), como até com estirpes geneticamente uniformes de uma mesma espécie (ex.: eucaliptais).

Os agricultores de todo o mundo sabem, empiricamente, que são necessárias as estirpes selvagens, como, por exemplo, os porta-enxertos; as leguminosas para o enriquecimento do solo; o pousio, etc. Daí que o mundo civilizado possua hoje os chamados "bancos de genes" e "bancos de sementes".

Apesar de saber isso, o homem está a destruir a vegetação do globo a um ritmo tão drástico que desaparecem diariamente várias espécies vegetais e animais que a ciência ainda não estudou nem conhece.

Descobrem-se constantemente novas propriedades e utilidades das plantas, de que podemos citar, por exemplo, as seguintes: a "Jojoba" do deserto de Sonora (USA) é uma rica fonte de gordura substituta da extraída do cachalote; o inhame do México tornou possível a indústria dos contraceptivos; uma erva das margens do Amazonas produz um sucedâneo da cera; os crisântemos africanos produzem o piretro, utilizado como insecticida; uma palmeira do Brasil, a Barbassú (Orbignya phalerata), produz um óleo semelhante ao gasóleo; uma planta da Malásia auxilia, actualmente, a salvar quatro de cinco vítimas de leucemia; as sementes de muitas leguminosas, labiadas, celastraceas, etc., ricas em lecitinas são, actualmente, utilizadas para a determinação dos grupos sanguíneos; a vincristina e a vinblastina, extraídas da pervinca de Madagascar (Catharanthus roseus) é prescrita para o glaucoma, leucemia linfocítica infantil e doença de Hodgkin; descobriu-se, recentemente, que um produto químico (taxol) derivado do alcalóide letal (taxina) produzido pelos teixos (género Taxus) e extraído das folhas e casca destas raríssimas árvores, é uma poderosa droga contra certas formas de cancro (felizmente para a sobrevivência dos teixos, químicos do Instituto de Investigação Scripps em La Jolla e da Universidade da Califórnia em San Diego, anunciaram publicamente em 17 de Fevereiro de 1994, ter conseguido produzir o taxol laboratorialmente, estando a ser testada clinicamente a eficácia deste taxol sintético); extracto concentrado (o gincoben) de Ginkgo biloba caracteriza-se por um conjunto de propriedades medicinais, sendo, actualmente, muito utilizado, com óptimos resultados, nas alterações vasculares periféricas e cerebrais (alterações da memória da velhice, cefaleias consecutivas, enxaquecas, etc.); o alto teor proteico de uma leguminosa tropical (Psophocarpus tetragonolobus), quer na semente, como na vagem, raíz, caule e folhas, fez com que esteja, actualmente, a ser amplamente cultivada nos trópicos; etc.

Há muitas maneiras de desenvolver estas "fontes" vegetais e ainda se está a tempo disso. Por exemplo, os hidrocarbonetos do latex das eufórbias, através do "cracking" e hidrogenação, podem ser utilizados na indústria alimentar; o latex do "guaiule", uma composta mexicana, pode ser transformado em borracha sintética; muitos óleos vegetais podem ser convertidos em óleos combustíveis; as técnicas de propagação através da cultura de tecidos, já muito utilizadas na agricultura e floricultura, podem ser um poderoso auxiliar na preservação de espécies em vias de extinção, etc.

Muitas vezes, apesar de se saber que determinada espécie de planta é utilizada em fitoterapia, verifica-se que nem todos os exemplares dessa espécie são eficazes. Um exemplo disso é a Erythrina variegata, uma leguminosa arbórea da Samoa. A população sabia que apenas um ou dois tipos de plantas desta espécie eram eficazes no tratamento de inflamações dermatológicas. Investigou-se que essa propriedade farmacológica era devida à produção de uma flavona, mas que só a casca de uma determinada variedade da Erythrina variegata tinha esse produto. Este tipo de plantas da mesma espécie mas que produzem compostos químicos diferentes ou com composição diversa, são conhecidos por quimiotipos, geneticamente caracterizados, sendo muito importante a respectiva pesquisa para a indústria de perfumaria e até alimentar. Os tomilhos (Thymus) são disso exemplo, assim como o queijo do Rabaçal, cujo sabor está relacionado com a abundância de um quimiotipo da Erva de Santa Maria (Thymus zygis subsp. sylvestris) nessa região.

A Preservação da Biodiversidade
Infelizmente, a maioria das espécies vegetais e animais existentes ainda nem sequer foi recenseada pelos cientistas e, ao extinguirem-se essas espécies, nem sequer se avaliou se eram importantes medicinalmente, ou industrialmente, ou para a alimentação, etc. Nestes casos a perda é, não só irreparável, como é também de valor completamente desconhecido para a Humanidade. Chega a parecer incrível como se deixa perder, impunemente, tanto Património Biológico.

Após variados estudos chegou-se à conclusão que não é possível preservar a Biodiversidade cultivando os seres vivos "ex situ" (ex.: plantas em Jardins Botânicos e animais em Jardins Zoológicos), mas sim "in situ", isto é, nos respectivos ecossistemas. Nem mesmo os designados "Bancos de Sementes" e "Bancos de Germoplasma" são suficientes.

Desta maneira a conservação dos ecossistemas é pois a única alternativa que possuímos, e são urgentes as medidas para os preservar, visto que a continuar o ritmo de destruição actual, caminhamos para uma catástrofe, num rápido suicídio colectivo.

A comunidade internacional e os governos tomaram quatro tipos de medidas que favorecem particularmente a conservação e a utilização durável da Diversidade Biológica:
  1. Medidas visando proteger ecossistemas particulares, tais como os Parques Nacionais, as Reservas Biogenéticas ou outras zonas protegidas (Convenção sobre Zonas Húmidas de importância internacional, particularmente o habitat de aves marinhas, RAMSAR, 1971, a Convenção sobre a Protecção do Património Cultural e Natural da Humanidade, Paris, 1972; etc.);
  2. Medidas visando proteger espécies ou grupos particulares de exploração intensiva (Convenção Internacional ­ com as emendas ­ sobre a Regulamentação da Pesca à Baleia, Washington, 1946; a Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas de Extinção da Fauna e da Flora Selvagens, Washington, 1973; a Convenção sobre a Conservação de Espécies Migradoras de Animais Selvagens, Bona, 1979; etc.);
  3. Medidas destinadas a promover a conservação "ex situ" de espécies, por exemplo, nos Jardins Botânicos, através de programas de reprodução em cativeiro ou de Bancos de Genes, (Conselho Internacional de Investigação de Genética Vegetal ­ IBPGR; Secretariado da Conservação dos Jardins Botânicos; Comissão da FAO sobre a Investigação Genética Vegetal do Projecto Internacional sobre Investigação Genética Vegetal; etc.);
  4. Medidas tendentes a limitar a contaminação da Biosfera com poluentes (Convenção de Londres sobre o Lixo, 1972; Convenção de Viena sobre a Protecção da Camada de Ozono, 1985; Protocolo de Montreal da Convenção de Ladite, 1987; etc.).
Em cada um destes quatro domínios, existe um número importante de Convenções e Tratados Regionais ou outras medidas de fins mais limitados.

Talvez com estas e outras medidas semelhantes, impostas pela comunidade internacional, se consiga travar atempadamente o actual nível de diminuição da Biodiversidade.

Jorge Paiva
Professor da Faculdade de Farmácia da Universidade de Coimbra e Investigador do Instituto Botânico de Coimbra